LOCKOUT / TAGOUT (LOTO) – Script para Teleprompter
Bloqueios de fontes de energias perigosas
Módulo 1
1. Introdução
Olá pessoal, sejam bem-vindos a essa aula de Saúde e Segurança do
Trabalho, meu nome é Arthur Freitas, sou tecnólogo de segurança do trabalho.
Estou aqui para passar o conhecimento que tenho para vocês e espero
que essa aula seja proveitosa, o assunto que gostaria de compartilhar com
vocês nesta sequência de aulas referem-se aos procedimentos de
Lockout/Tagout (LOTO),
É uma metodologia de segurança criada na década de 90, utilizada para
garantir que máquinas, equipamentos e sistemas energizados fossem
devidamente desligados, isolados e bloqueados antes da realização de
qualquer atividade de intervenção, como manutenção, limpeza, inspeção,
ajustes ou reparos.
O objetivo principal do LOTO é prevenir a energização inesperada ou a
liberação de energias perigosas, protegendo a integridade física dos
trabalhadores e atendendo às exigências legais de segurança do trabalho.
Esse programa também é conhecido em algumas literaturas como
segurança em máquinas e energias perigosas. Também pode se encontrar a
sigla BEP, que é bloqueio de energias perigosas, ou também controle de
energias perigosas.
O programa de controle de energias perigosas, como falei no início,
enfatiza a segurança, não apenas alertando, mas prevenindo, impedindo
fisicamente e logicamente os acionamentos através da utilização de bloqueios
e travamentos.
O programa também possibilita a redução significativa ou eliminação de
custos diretos e indiretos gerados por consequências de energias não
controladas.
As máquinas e equipamentos exigem que os dispositivos de isolamento
sejam previamente desligados e isolados, quando submetidos a serviços de
manutenção, limpeza e reparos, pois, muitos acidentes ocorrem em
decorrência do acionamento inesperado e dispositivos de segurança que
provocam a liberação acidental de energia armazenada, causando lesões e até
mesmo a morte de trabalhadores durante a execução do trabalho.
São acidentes que poderiam ser evitados de uma maneira simples e
eficaz, utilizando-se os bloqueios físicos das fontes de energias,
acompanhados de etiquetas de sinalização e treinamento adequado de todos
os envolvidos nas atividades de manutenção, limpeza e reparos.
O objetivo deste treinamento é capacitar todos os participantes e
conscientizar quanto aos procedimentos para o controle e o uso de travas e
cadeados de segurança, a fim de prevenir os acionamentos acidentais e
involuntários ou indevidos de chaves elétricas, válvulas ou outros tipos de
comando e evitar a ocorrência de acidentes.
2. Histórico
O LOTO (Lockout/Tagout - Bloqueio e Etiquetagem) evoluiu de práticas
industriais básicas para um sistema rigoroso de segurança contra energias
perigosas (elétricas, mecânicas, hidráulicas). No Brasil, consolidou-se a partir
da NR-10 (1978) e NR-12, visando a prevenção de acidentes fatais durante
manutenções. A metodologia foca em trancar (Lockout) e sinalizar (Tagout)
equipamentos para evitar ativações acidentais.
2.1. Linha de tempo
Origem: Historicamente, surgiu da necessidade de proteger trabalhadores de
manutenção contra energias armazenadas ou ativação imprevista de
máquinas.
1978 (Brasil): A publicação da primeira versão da NR-10 pelo Ministério do
Trabalho (MTE) introduziu requisitos de segurança em eletricidade, incluindo
bloqueios de religamento automático e etiquetagem.
Evolução Normativa: Consolidação através da NR-12 (segurança em
máquinas), além de influências internacionais como as normas OSHA
1910.147 e ANSI Z244.1.
Modernização: Evoluiu para incluir sistemas de gestão, bloqueios físicos
sofisticados, cadeados personalizados e softwares para gestão de riscos em
tempo real.
Módulo 2 – Definições e Normas
3. O que é LOTO - Definições
LOTO é a sigla para:
Lockout (Bloqueio): aplicação de dispositivos físicos que impedem o
acionamento de fontes de energia.
Tagout (Etiquetagem): identificação visual que informa que o
equipamento está bloqueado e não pode ser operado.
O procedimento assegura que somente o trabalhador autorizado possa
remover o bloqueio, após a conclusão segura das atividades.
Outras Nomenclaturas
•CEP: Controle de Energias Perigosas
•PCEP: Programa de Controle de Energias Perigosas
•LOTO: Lockout & Tagout
•LT: Sigla para LOTO
•Bloqueio e Etiquetagem
•Travamento e Identificação
•Bloqueio e Identificação
•Lacre e Etiquetagem
•Energia Zero
Afinal: Para que serve o LOTO?
Para garantir que as pessoas tenham a devida proteção quando acessarem às
partes internas que podem movimentar ou que sejam perigosas
(funcionamento inesperado ou liberação de energia acumulada), durante
intervenções de qualquer natureza (manutenção, set-up, preparo, ajustes,
limpeza etc.).
Uso do sistema de segurança através de bloqueio com cadeado de segurança
e etiqueta personalizada (LOCKOUT/TAGOUT) se aplica às chaves de
segurança das máquinas e equipamentos conforme instrução de trabalho
4. Normas
4.1 Principais Normas Regulamentadoras (NRs) Brasileiras:
NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade): É a principal
referência para bloqueio elétrico. Exige procedimentos de desenergização,
travamento e etiquetagem para garantir que o equipamento permaneça
inoperante durante a manutenção (itens 10.2.8, 10.5.1).
NR-12 (Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos): Determina a
obrigatoriedade de sistemas que possibilitem o bloqueio de dispositivos de
acionamento de máquinas para evitar o acionamento acidental (item [Link],
12.11.3, [Link]).
NR-01 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais):
Reforça a necessidade de medidas de controle e procedimentos de segurança,
servindo de base para a obrigatoriedade do LOTO na gestão de riscos.
4.2. Itens das Normas
4.2.1. NR10
10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas
liberadas para trabalho, mediante os
procedimentos apropriados, obedecida a sequência abaixo:
a) seccionamento;
b) impedimento de reenergização;
c) constatação da ausência de tensão;
d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos
condutores dos circuitos;
e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo
I);
f) instalação da sinalização de impedimento de reenergização.
10.2.8 - MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA
[Link] Em todos os serviços executados em instalações elétricas devem ser
previstas e adotadas, prioritariamente,
medidas de proteção coletiva aplicáveis, mediante procedimentos, às
atividades a serem desenvolvidas, de forma a
garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.
[Link] As medidas de proteção coletiva compreendem, prioritariamente, a
desenergização elétrica conforme
estabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o emprego de tensão de
segurança.
[Link].1 Na impossibilidade de implementação do estabelecido no subitem
[Link]., devem ser utilizadas outras
medidas de proteção coletiva, tais como: isolação das partes vivas, obstáculos,
barreiras, sinalização, sistema de
seccionamento automático de alimentação, bloqueio do religamento
automático.
[Link] O aterramento das instalações elétricas deve ser executado conforme
regulamentação estabelecida pelos
órgãos competentes e, na ausência desta, deve atender às Normas
Internacionais vigentes.
4.2.2. NR12
[Link] Nas situações em que haja inviabilidade técnica do cumprimento do
disposto no subitem 12.8.6, devem ser adotadas medidas que garantam a
paralisação e o bloqueio dos movimentos de risco, conforme o disposto nos
subitens 12.11.3 e [Link].
12.11.3 A manutenção, inspeção, reparos, limpeza, ajuste e outras
intervenções que se fizerem necessárias devem ser executadas por
profissionais capacitados, qualificados ou legalmente habilitados, formalmente
autorizados pelo empregador, com as máquinas e equipamentos parados e
adoção dos seguintes procedimentos:
a) isolamento e descarga de todas as fontes de energia das máquinas e
equipamentos, de modo visível ou facilmente identificável por meio dos
dispositivos de comando;
b) bloqueio mecânico e elétrico na posição “desligado” ou “fechado” de todos
os dispositivos de corte de fontes de energia, a fim de impedir a reenergização,
e sinalização com cartão ou etiqueta de bloqueio contendo o horário e a data
do bloqueio, o motivo da manutenção e o nome do responsável;
c) medidas que garantam que à jusante dos pontos de corte de energia não
exista possibilidade de gerar risco de acidentes;
d) medidas adicionais de segurança, quando for realizada manutenção,
inspeção e reparos de máquinas ou equipamentos sustentadas somente por
sistemas hidráulicos e pneumáticos; e
e) sistemas de retenção com trava mecânica, para evitar o movimento de
retorno acidental de partes basculadas ou articuladas abertas das máquinas e
equipamentos.
4.2.3. Outras Normas e NR’s
NRs (Indiretas): NR-18 (Construção Civil), NR-22 (Mineração) e NR-31
(Trabalho Agrícola) também exigem o controle de energias, referenciando
indiretamente o LOTO.
Normas Técnicas e Referências Internacionais
OSHA 29 CFR 1910.147 (EUA): A norma da Occupational Safety and Health
Administration é a maior referência mundial para o controle de energia perigosa
(Bloqueio/Etiquetagem).
NBR 5410 (ABNT): Relacionada a instalações elétricas de baixa tensão,
complementa a segurança exigida na NR-10.
Módulo 3 – Acidentes e suas consequências
5. Acidentes e suas causas
Acidentes envolvendo falha no procedimento de Lockout/Tagout (LOTO) —
bloqueio e etiquetagem de energias perigosas — são frequentemente fatais ou
resultam em lesões graves, como amputações e esmagamentos. A falha ocorre
quando máquinas ou equipamentos são energizados inesperadamente durante
manutenção, reparo ou limpeza, sem que a energia (elétrica, mecânica,
hidráulica, pneumática, térmica) tenha sido devidamente isolada e bloqueada.
5.1 Casos Reais e Exemplos de Falha em LOTO
Estudos de caso indicam que a maioria dos acidentes graves por falha no
LOTO envolvem uma combinação de erros humanos e falta de procedimentos,
tais como:
Prensas Hidráulicas e Energia Armazenada: Técnico de manutenção
ferido quando uma prensa hidráulica clicou inesperadamente durante a
manutenção. A energia elétrica principal foi bloqueada, mas a energia
hidráulica armazenada no cilindro não foi liberada (zero energia).
Limpeza de Esteiras Transportadoras: Um funcionário morreu ao tentar
consertar uma esteira em funcionamento. A falta de uso de dispositivos
de bloqueio e a tentativa de realizar o serviço com a máquina operando
resultaram em fatalidade.
Erro de Equipe (Lockout Compartilhado): Em uma planta, uma equipe
limpava uma esteira. Após a conclusão, um funcionário removeu o
bloqueio do grupo, mas um dos trabalhadores ainda estava dentro da
máquina, resultando em reenergização acidental.
Queda de Supervisor (Eletricidade): Morte de um supervisor de
manutenção exposto a riscos elétricos por falha na identificação de
fontes de energia.
Amputação em Indústria de Madeira: Funcionário teve a mão amputada
devido ao não seguimento das etapas de LOTO, com acionamento de
lâminas de corte.
5.2 Principais Causas de Falha no LOTO
A falha no bloqueio geralmente se deve a:
Ignorar Procedimentos por Tempo: Pular etapas do LOTO para fazer
"reparos rápidos".
Falha em Verificar o Isolamento: Não testar se a máquina está
realmente inoperante ("tentar ligar" antes de trabalhar).
Falha na Identificação de Energias: Não isolar fontes secundárias
(hidráulica, gravidade, ar comprimido).
Treinamento Inadequado: Colaboradores não qualificados ou mal
treinados para realizar o bloqueio.
Remoção Não Autorizada de Bloqueios: Outro funcionário retirar o
cadeado de terceiros.
5.3 Consequências das Falhas de LOTO
As falhas de LOTO trazem consequências drásticas:
Fatalidades: Mortes por choque, esmagamento ou inalação de produtos
químicos.
Lesões Graves: Amputações, fraturas, queimaduras e ferimentos
traumáticos.
Danos Materiais: Destruição de maquinário.
Amputações: Máquinas que iniciam o ciclo inesperadamente
Eletrocussão: Choques elétricos graves por falha de bloqueio na rede
elétrica.
Soterramento: Liberação de energia hidráulica ou pneumática
Esmagamento: Liberação de energia hidráulica ou pneumática
Queimaduras: Vazamento de vapor ou produtos químicos
Paradas Não Planejadas: Prejuízos na produção.
Módulo 4 – Tipos de Energia
6. Tipos de Energias Perigosas
Vamos aqui a uma breve introdução do que seria energia.
Energia entende-se como todas as forças eletromecânicas utilizadas para
acionamento de máquinas e equipamentos, como por exemplo a eletricidade
que faz o motor funcionar, o ar comprimido que é utilizado em equipamentos
pneumáticos, o óleo, óleo diesel ou biodiesel, a água também, sob pressão, é
considerada como uma fonte de energia e também o vapor, dentre outros.
O vapor, como a gente citou logo atrás, e o ar comprimido, mesmo quando
utilizados para outros fins, continuam classificados como energias para efeitos
de segurança, uma vez que por sua característica própria podem causar
lesões.
O LOTO deve ser aplicado sempre que houver risco relacionado a:
Energia elétrica: É a energia que flui através de cabos e componentes
elétricos (corrente e tensão). O perigo reside no choque elétrico,
queimaduras e arco elétrico (curto-circuito explosivo). O bloqueio
envolve o desligamento de chaves seccionadoras, disjuntores e,
crucialmente, a verificação de ausência de tensão;
Energia mecânica: É a energia relacionada ao movimento ou potencial
de movimento de componentes, como engrenagens, polias, correias,
volantes e peças rotativas. O perigo é o esmagamento, corte e
agarramento. Inclui também a energia residual em molas tensionadas
ou peças suspensas;
Energia hidráulica: É a energia armazenada em fluidos pressurizados
(como óleo ou água) que geram força e movimento em sistemas
hidráulicos. O perigo é a liberação súbita de pressão, que pode causar
injeção de fluido sob a pele, movimento descontrolado de peças e
queimaduras se o fluido estiver quente. O bloqueio requer o fechamento
de válvulas e a ventilação/drenagem da pressão residual.;
Energia pneumática: Semelhante à hidráulica, mas usa gás, fluidos ou
ar comprimido. O perigo inclui explosão de componentes pressurizados,
movimento inesperado de atuadores e lesões causadas pelo escape de
ar em alta velocidade. O bloqueio envolve o fechamento de registros, a
purga (ventilação) do sistema e a confirmação de pressão zero.;
Energia térmica: É a energia associada à temperatura (calor ou frio
extremos). O perigo são queimaduras graves (por contato com vapor,
superfícies quentes ou fluidos quentes) e lesões por congelamento. O
bloqueio envolve o isolamento da fonte de calor/frio e o
resfriamento/aquecimento do equipamento até uma temperatura
segura.;
Energia química: É a energia armazenada em substâncias químicas,
que pode ser liberada através de reações químicas (explosões),
incêndios, vazamentos de gases tóxicos ou corrosivos. O bloqueio
envolve o isolamento do processo e a neutralização ou drenagem
segura de produtos químicos perigosos;
Energia gravitacional (partes suspensas): É a energia potencial que um
objeto possui devido à sua posição elevada em relação ao solo. O
perigo é a queda do objeto, resultando em esmagamento ou impacto
severo. O bloqueio requer o uso de suportes mecânicos, calços ou pinos
para garantir que a peça suspensa permaneça imóvel e segura;
Energia residual ou armazenada: Afinal, o que seria a energia residual?
Como exemplo posso citar a pressão que ainda permanece na tubulação
depois de fechada ou interrompida a fonte de fornecimento de energia,
seja ela hidráulica, pneumática ou a vapor, a menos que a válvula
possua meios próprios para sangria. Uma seção de tubo deve ser
desacoplada para aliviar a pressão se existir o risco.
Quanto a energia residual
Eliminar fontes Residuais de Energia, assegurando-se de que os
Bloqueios sejam eficientes, impedindo-os de reenergização acidental.
Energia Elétrica: Providenciar aterramento de todos os circuitos capazes
de acumular energia elétrica a fim de eliminar energias restantes na
máquina;
Energia Pneumática: Remover a pressão residual nos equipamentos
operados por sistema de ar comprimido;
Energia Hidráulica: Sangrar a pressão residual (óleo) dos equipamentos
operados por sistema hidráulico;
Energia Mecânica: Verificar se a energia está em baixos valores;
Energia Gravitacional: Acionar a máquina verificando o bloqueio das
partes soltas.
Módulo 5 – Dispositivos de Bloqueio e Etiquetagem
7. Dispositivos de bloqueio e etiquetagem
Dispositivos de Bloqueio e Etiquetagem (LOTO - Lockout/Tagout) são
equipamentos de segurança essenciais para isolar fontes de energia perigosas
durante a manutenção de máquinas. Eles garantem que os equipamentos não
sejam religados acidentalmente, protegendo a vida dos trabalhadores.
7.1. Tipos Comuns de Dispositivos
Cadeados de Segurança: Bloqueiam fisicamente o acionamento de
válvulas, disjuntores ou painéis.
Garras de Bloqueio (Multiplicadores): Permitem que vários
trabalhadores coloquem seus cadeados em um único ponto de
isolamento.
Bloqueadores de Disjuntores: Dispositivos específicos para impedir a
comutação de chaves elétricas e disjuntores bipolares ou tripolares.
Bloqueadores de Válvula: Estruturas que envolvem volantes de
válvulas gaveta ou esferas, impedindo sua abertura.
Etiquetas de Sinalização: Cartões afixados junto ao bloqueio com
identificação do responsável, data e o aviso "Não Opere".
7.2. Vantagens e Desvantagens no uso dos dispositivos
A principal vantagem dos dispositivos de Bloqueio e Etiquetagem (LOTO) é a
preservação de vidas através da prevenção de acidentes de trabalho graves.
No entanto, sua implementação exige disciplina e pode impactar o tempo de
operação.
7.2.1. Vantagens
Segurança Máxima: Previne a liberação acidental de energia e o
acionamento inesperado de máquinas.
Redução de Acidentes: Diminui drasticamente as taxas de lesões graves
e mortes durante manutenções.
Conformidade Legal: Garante que a empresa cumpra normas
obrigatórias como a NR-10 e NR-12 no Brasil.
Cultura de Segurança: Fortalece a conscientização dos funcionários
sobre os riscos do ambiente de trabalho.
Responsabilidade Clara: As etiquetas identificam exatamente quem está
realizando o trabalho e por quê.
Redução de Custos: Evita multas pesadas, processos trabalhistas e
danos a equipamentos caros.
7.2.2. Desvantagens
Tempo de Setup: O processo de isolar, bloquear, etiquetar e testar
consome tempo antes e depois da manutenção.
Custo Inicial: Exige investimento financeiro na compra de cadeados,
garras, bloqueadores específicos e treinamento.
Resistência Cultural: Funcionários podem tentar pular etapas para
terminar o trabalho mais rápido.
Complexidade Logística: Máquinas grandes com múltiplas fontes de
energia exigem procedimentos LOTO altamente complexos.
Falsa Sensação de Segurança: Se o teste de energia zero (verificação)
não for feito, o trabalhador pode correr risco mesmo com o cadeado no
lugar.
Módulo 6 – O Passo a Passo Bloqueio e Etiquetagem
8.1. Quando Aplicar ou não o LOTO
O procedimento de LOTO (Lockout/Tagout) deve ser aplicado sempre
que houver risco de liberação inesperada de energia perigosa durante
atividades de manutenção, reparo, limpeza ou ajuste de máquinas e
equipamentos. O objetivo é proteger os trabalhadores de acidentes graves,
como choques elétricos, queimaduras ou esmagamentos.
As situações específicas que exigem a aplicação do LOTO incluem:
Manutenção e reparos: Qualquer trabalho de manutenção, inspeção ou
reparo em que o equipamento possa ligar inesperadamente ou liberar
energia armazenada.
Trabalho em sistemas elétricos: Intervenções onde há risco de
choque elétrico ou arco elétrico, conforme ditado por normas como a
NR-10 no Brasil é a OSHA 29 CFR 1910.147 internacionalmente.
Limpeza e lubrificação: Tarefas que exigem a remoção de proteções
de máquina (guarda-corpos) ou a colocação de partes do corpo em
áreas de perigo durante a produção normal.
Ajustes e configuração (setup): Durante a troca de componentes ou
ajustes de equipamento onde há potencial de movimento inesperado.
Energias Armazenadas: Quando há a possibilidade de liberação de
energias residuais, como molas tensionadas, ar comprimido, pressão
hidráulica, vapor ou capacitores carregados.
Trabalho em grupo: Em manutenções com múltiplos colaboradores,
cada um deve aplicar seu próprio dispositivo de bloqueio pessoal,
garantindo controle individual sobre a energia do equipamento.
O LOTO é um requisito regulamentar e não apenas uma prática
recomendada. A conformidade com as normas, como a NR-12 (segurança em
máquinas) e a NR-10, é obrigatória para garantir a segurança e saúde dos
trabalhadores.
Em resumo:
O procedimento deve ser aplicado em:
Manutenção corretiva ou preventiva;
Limpeza e desobstrução de máquinas;
Ajustes e regulagens;
Inspeções técnicas;
Troca de componentes;
Qualquer intervenção com risco de acionamento inesperado.
8.2 E quando não é necessário?
O procedimento de LOTO não precisa ser aplicado em situações muito
específicas, geralmente relacionadas a atividades de rotina que ocorrem
durante a operação normal do equipamento e onde medidas alternativas de
segurança, como proteções de máquina, já fornecem proteção eficaz.
As principais exceções à aplicação do LOTO, conforme normas
internacionais como a OSHA 1910.147 e diretrizes seguidas no Brasil através
das NR’s (como a NR-12), são: Atividades de rotina, repetitivas e integrantes
da produção: Pequenos ajustes, trocas de ferramentas menores ou lubrificação
que são parte integrante do processo de produção normal e que podem ser
realizadas com o equipamento energizado, desde que existam medidas de
proteção alternativas eficazes (como barreiras físicas, ferramentas especiais de
longo alcance ou dispositivos de intertravamento).
Trabalhos com equipamento energizado por necessidade: Em casos
raros onde a energização é essencial para a realização da tarefa (como testes,
diagnósticos de falhas ou posicionamento de componentes), o LOTO pode ser
temporariamente removido, mas um procedimento detalhado e medidas de
segurança específicas devem ser seguidos para proteger os funcionários.
Equipamentos com uma única fonte de energia e controle exclusivo: O
LOTO documentado não é obrigatório se o equipamento tiver uma única fonte
de energia que pode ser prontamente identificada e isolada, a isolação garante
o estado de energia zero, o dispositivo de bloqueio fica sob o controle exclusivo
do funcionário que realiza o trabalho, e não há risco de energia armazenada ou
residual que possa machucar outras pessoas.
Desconexão por plugue e controle exclusivo: Se o equipamento puder ser
totalmente desconectado da fonte de energia (por exemplo, um plugue em uma
tomada) e o funcionário mantiver o controle exclusivo do plugue (em sua linha
de visão ou posse), o LOTO formal pode ser dispensado.
É fundamental que qualquer exceção seja avaliada individualmente para
garantir que a segurança não seja comprometida. Na dúvida, a aplicação do
LOTO é sempre a opção mais segura e exigida pela legislação brasileira para a
prevenção de acidentes graves.
8.3. Etapas do Procedimento LOTO
8.3.1. Preparação
Esta é a fase de planejamento e comunicação, que garante que todos os
envolvidos estejam cientes e que os recursos necessários estejam disponíveis.
Identificar todas as fontes de energia do equipamento: O
responsável pelo LOTO deve revisar o procedimento específico do
equipamento e identificar cada ponto de isolamento: disjuntores,
válvulas, registros pneumáticos, fontes de calor, etc. Um mapa de
energia é ideal.
Comunicar os trabalhadores envolvidos: O supervisor e o
responsável pela manutenção devem informar todos os operadores e
trabalhadores da área sobre qual equipamento será bloqueado, o motivo
(manutenção, limpeza, etc.) e a duração estimada do bloqueio. Isso
evita tentativas de religamento por engano.
Verificar os dispositivos de bloqueio necessários: Confirmar que
todos os cadeados, garras de bloqueio, dispositivos específicos para
válvulas ou disjuntores e etiquetas de identificação (tags) estão
disponíveis e em boas condições antes de iniciar o trabalho.
8.3.2. Desligamento
O objetivo é parar o equipamento de forma controlada, evitando danos ao
maquinário ou riscos imediatos.
Desligar o equipamento conforme procedimento operacional:
Seguir a rotina de parada normal do equipamento, geralmente utilizando
os botões de parada ou a interface de controle, garantindo que o ciclo de
operação seja concluído sem abortar processos que possam gerar
riscos.
Seguir a sequência correta de parada: O procedimento deve
especificar a ordem exata das ações de desligamento (ex: reduzir
temperatura antes de cortar energia principal).
8.3.3. Isolamento das Energias
Esta é a etapa onde o equipamento é fisicamente separado de suas fontes de
energia.
Isolar todas as fontes de energia: Mover os dispositivos de isolamento
para a posição de "desligado" ou "fechado".
Bloquear válvulas, disjuntores, chaves e registros: Desenergizar o
circuito elétrico principal (ex: abrir disjuntor no painel), fechar válvulas de
vapor/hidráulicas, fechar registros de ar comprimido, etc.
8.3.4. Bloqueio e Etiquetagem
A etapa mais importante para garantir a segurança pessoal, onde o controle do
isolamento é transferido para o indivíduo que realizará o trabalho.
Aplicar cadeados e dispositivos de bloqueio: Fixar fisicamente os
dispositivos de bloqueio nos pontos de isolamento. Cada pessoa que
trabalha no equipamento deve aplicar seu próprio cadeado individual. Se
houver mais de uma pessoa, utiliza-se uma garra de bloqueio (hasp)
para múltiplos cadeados.
Fixar etiquetas de advertência com identificação do
responsável: Uma etiqueta (tag) deve acompanhar cada cadeado,
indicando claramente "PERIGO - NÃO OPERAR", o nome do funcionário
responsável, a data e o motivo do bloqueio.
8.3.5. Liberação de Energia Residual
Muitos acidentes ocorrem por falha nesta etapa, pois a energia principal foi
cortada, mas a energia "armazenada" permanece perigosa.
Drenar, descarregar ou neutralizar energias acumuladas:
Sistemas hidráulicos/pneumáticos devem ser sangrados/purgados
através de válvulas de alívio e confirmados como pressão zero.
Molas tensionadas devem ser aliviadas ou calçadas/suportadas.
Capacitores elétricos devem ser descarregados.
Partes suspensas (energia gravitacional) devem ser abaixadas até o
chão ou escoradas com suportes mecânicos rígidos.
Garantir que não haja energia armazenada: Confirmar visualmente ou
instrumentalmente que todos os riscos de liberação súbita foram
eliminados.
8.3.6. Verificação (Teste de Energia Zero)
A etapa final e crucial para confirmar a eficácia de todas as ações anteriores,
garantindo a segurança antes de iniciar o trabalho.
Testar o equipamento para confirmar que está realmente isolado: A
pessoa que aplicou o LOTO deve, com segurança (usando EPIs
apropriados para a verificação de energia elétrica), tentar ligar o
equipamento (pressionar o botão "Ligar", por exemplo). Se o
equipamento não ligar, o isolamento foi bem-sucedido.
Retornar os comandos à posição segura após o teste: Após o teste
confirmar o estado de energia zero, todos os botões de comando ou
chaves de partida devem ser imediatamente retornados à posição
"desligado" ou "neutro" para evitar um religamento acidental quando o
LOTO for removido.
Módulo 7 – O Passo a Passo Remoção dos Dispositivos e Desbloqueio
9. Retorno à Operação (Remoção do LOTO)
O processo de retorno à operação deve ser conduzido com atenção rigorosa
para garantir que ninguém seja ferido durante a reenergização.
Conferir se todos os trabalhadores estão fora da área: O
responsável pela remoção do LOTO deve realizar uma inspeção visual
completa da área de trabalho e, se necessário, verificar áreas
adjacentes ou internas ao equipamento, garantindo que nenhum colega,
ferramenta ou material tenha sido esquecido em uma zona de perigo.
Remover ferramentas e materiais: Todas as ferramentas, peças
sobressalentes e materiais de limpeza utilizados durante a manutenção
devem ser retirados do equipamento e da área circundante, garantindo
que nada interfira no movimento seguro das peças ou cause um curto-
circuito.
Retirar bloqueios apenas pelo responsável: Somente a pessoa que
aplicou o cadeado e a etiqueta originalmente pode removê-los. Esta
é uma regra de ouro do LOTO, garantindo a responsabilidade individual.
Se o responsável original não estiver disponível (ex: troca de turno ou
emergência), um procedimento formal de "remoção de bloqueio por
exceção" deve ser seguido, envolvendo a autorização da gerência e
documentação adequada, conforme previsto nas normas de segurança.
Comunicar a liberação do equipamento: Após a remoção dos
dispositivos de bloqueio e a restauração do equipamento para condições
operacionais (fechamento de painéis, recolocação de proteções), o
responsável deve comunicar ao supervisor da área e aos operadores
que o equipamento está pronto para ser reenergizado e utilizado.
Reenergizar de forma controlada: Seguir o procedimento operacional
reverso para energizar o equipamento. Isso pode envolver a abertura de
válvulas em uma sequência específica, o fechamento de disjuntores e a
observação de manômetros ou indicadores para garantir que tudo opere
dentro dos parâmetros normais. Pode ser necessário um teste de
funcionamento sem carga antes da produção normal ser retomada.
Módulo 8 – Considerações Finais
10. Responsabilidades
Responsabilidades do Empregador
O empregador (ou a administração da empresa) tem o dever legal de prover
um ambiente de trabalho seguro, o que inclui toda a estrutura e gestão do
programa LOTO.
Implantar o procedimento LOTO: É responsabilidade do empregador
desenvolver, documentar e formalizar procedimentos de controle de
energias perigosas específicos para cada máquina e equipamento da
planta. Esses procedimentos devem ser claros, escritos e acessíveis.
Fornecer dispositivos adequados: A empresa deve fornecer
gratuitamente todos os dispositivos necessários: cadeados
padronizados, etiquetas (tags), garras de bloqueio, bloqueadores de
disjuntores, válvulas, flanges, etc. É vital garantir que esses dispositivos
sejam duráveis, padronizados (por cor ou design) e utilizados
exclusivamente para o LOTO.
Treinar os trabalhadores: O empregador deve garantir que todos os
trabalhadores envolvidos recebam treinamento adequado. Isso inclui:
o Trabalhadores Autorizados: Aqueles que aplicam o LOTO
(manutenção, limpeza).
o Trabalhadores Afetados: Aqueles que operam o equipamento e
precisam entender o propósito e a proibição de interferir no
LOTO.
o Outros trabalhadores: Conscientização geral sobre a presença de
bloqueios na área.
o O treinamento deve ser refeito periodicamente ou após mudanças
de equipamento/procedimentos.
Fiscalizar o cumprimento do procedimento: A gestão deve auditar
periodicamente o uso correto do LOTO na prática, garantindo que os
procedimentos estão sendo seguidos rigorosamente e que os
trabalhadores não estão pulando etapas ou usando atalhos inseguros.
Responsabilidades dos Trabalhadores
Os trabalhadores têm o dever de zelar pela sua própria segurança e pela de
seus colegas, seguindo as regras estabelecidas pela empresa.
Cumprir rigorosamente o procedimento: O trabalhador autorizado
deve seguir cada uma das 6 etapas do LOTO (preparação,
desligamento, isolamento, bloqueio/etiquetagem, liberação de residual e
verificação) sem exceção. Atalhos são proibidos.
Utilizar corretamente os dispositivos: Usar o cadeado e a etiqueta de
forma apropriada em cada ponto de isolamento, garantindo que o
dispositivo de bloqueio esteja firme e impeça fisicamente a religação da
fonte de energia.
Nunca remover bloqueios de terceiros: Esta é uma regra inquebrável.
Um trabalhador não autorizado ou mesmo outro trabalhador
autorizado não pode remover o cadeado de outra pessoa. O cadeado
representa a vida da pessoa que o colocou.
Comunicar situações de risco: Todo trabalhador (autorizado ou
afetado) tem a responsabilidade de reportar imediatamente à supervisão
qualquer equipamento danificado, dispositivo de bloqueio inadequado,
ou qualquer situação que possa comprometer a segurança do LOTO na
área de trabalho.
11. Conclusão
O procedimento de Lockout/Tagout (LOTO) é um pilar fundamental da
segurança industrial, atuando como a principal barreira física e administrativa
contra a liberação acidental de energias perigosas (elétrica, mecânica,
hidráulica, pneumática, térmica, química e gravitacional).
A sua necessidade e aplicação são abrangentes, regidas por bases legais
claras no Brasil, como a NR-10 (eletricidade) e a NR-12 (máquinas e
equipamentos). O LOTO deve ser aplicado sempre em atividades de
manutenção, reparo, limpeza ou ajuste, onde há risco de religamento
inesperado, com raras exceções para atividades de rotina que possuam
medidas de proteção alternativas eficazes.
Em conclusão, a aplicação correta e rigorosa do LOTO é essencial para
garantir um ambiente de trabalho seguro, reduzir acidentes e, em última
instância, preservar vidas. O cumprimento meticuloso de suas seis etapas —
da preparação à verificação da energia zero, e o retorno seguro à operação —
aliado ao treinamento contínuo e à conscientização dos trabalhadores e
empregadores, fortalece a cultura de segurança e a conformidade legal da
organização, transformando a teoria em uma prática vital no dia a dia industrial.
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