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NOTAS2

O documento narra a história de Gustavo, um astrônomo que percebe o desaparecimento gradual de estrelas, que não apenas deixam de ser vistas, mas também de existir. Enquanto investiga, ele descobre uma estrela pulsante que se revela ser um olho gigantesco, levando a um contato aterrorizante com seres que observam a Terra. No final, Gustavo desaparece misteriosamente, deixando apenas uma mensagem sobre a verdadeira natureza do céu.
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NOTAS2

O documento narra a história de Gustavo, um astrônomo que percebe o desaparecimento gradual de estrelas, que não apenas deixam de ser vistas, mas também de existir. Enquanto investiga, ele descobre uma estrela pulsante que se revela ser um olho gigantesco, levando a um contato aterrorizante com seres que observam a Terra. No final, Gustavo desaparece misteriosamente, deixando apenas uma mensagem sobre a verdadeira natureza do céu.
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Major, Spazz… bora pra mais uma.

Essa vai
naquela pegada de terror cósmico urbano,
começando com um detalhe pequeno e
terminando daquele jeito que faz qualquer um
olhar pro céu de madrugada.

───

Ninguém conseguia explicar por que as estrelas


estavam desaparecendo.
Não todas de uma vez.
Era sempre uma.
Depois outra.
E mais outra.
No começo, astrônomos imaginaram que fosse
poluição luminosa.
Depois culparam mudanças na atmosfera.
Alguns falaram sobre falhas em telescópios.
Mas havia um problema.
As estrelas não estavam apenas deixando de
ser vistas.
Elas simplesmente deixavam de existir.
Mapas celestes antigos mostravam
constelações completas.
Na semana seguinte, algumas já estavam
incompletas.
Um mês depois, parecia que nunca tinham sido
diferentes.
Livros eram alterados.
Fotografias também.
Programas de astronomia atualizavam
automaticamente.
Como se o céu estivesse reescrevendo a própria
história.
A única pessoa que parecia notar isso era
Gustavo.
Ele trabalhava sozinho no Observatório Monte
Azul, um prédio antigo construído no alto de
uma serra esquecida.
Todas as noites ele fotografava exatamente a
mesma região do céu.
Era um hábito antigo.
Quase um ritual.
Foi assim que percebeu.
Uma estrela desapareceu numa segunda-feira.
Outra na quinta.
Depois três na semana seguinte.
As imagens antigas ainda mostravam todas
elas.
Mas apenas enquanto permaneciam salvas na
câmera.
Assim que Gustavo transferia os arquivos para o
computador...
As estrelas sumiam das fotografias.
Como se nunca tivessem estado ali.
Na terceira semana aconteceu algo ainda mais
estranho.
Uma estrela nova apareceu.
Não constava em nenhum catálogo.
Era pequena.
Muito brilhante.
E parecia... pulsar.
Sempre no mesmo ritmo.
Lenta.
Como um coração.
Gustavo tentou comunicar outros observatórios.
Ninguém encontrou a estrela.
Mandou fotografias.
As imagens chegavam vazias.
Como se ele tivesse fotografado apenas um
pedaço escuro do céu.
Na madrugada seguinte, enquanto observava
novamente pelo telescópio, percebeu que a
estrela havia mudado de posição.
Pouco.
Mas havia mudado.
Isso era impossível.
Estrelas não se movem daquela forma.
Muito menos em uma única noite.
Ele passou horas anotando coordenadas.
Refazendo cálculos.
No fim, chegou à única conclusão possível.
Aquilo não estava distante.
Estava vindo.
Na noite seguinte, a estrela parecia maior.
E havia outra novidade.
Ela não piscava mais.
Parecia permanecer olhando.
Gustavo riu da própria ideia.
"Estrela olhando."
Aquilo era absurdo.
Mesmo assim...
Não conseguiu tirar essa sensação da cabeça.
Às 03:27, o rádio do observatório ligou sozinho.
Chiado.
Depois uma voz.
Muito baixa.
— Distância reduzida.
Gustavo congelou.
Olhou para o rádio.
Desligado da tomada.
Mesmo assim, a voz continuou.
— Processo de aproximação iniciado.
Silêncio.
Depois apenas estática.
As luzes do observatório oscilaram.
O telescópio começou a girar sozinho.
Lentamente.
Apontando para outro ponto do céu.
Gustavo tentou desligar o equipamento.
Não conseguiu.
Os motores ignoravam qualquer comando.
Quando finalmente olhou pela lente...
Sentiu o corpo inteiro gelar.
Aquilo não era uma estrela.
Nunca tinha sido.
Era um olho.
Gigantesco.
Imenso além da compreensão.
A luz que parecia uma estrela era apenas o
reflexo em sua pupila.
E a pupila...
Estava contraindo lentamente.
Como se tivesse encontrado algo interessante.
Ou alguém.
Gustavo caiu para trás.
Respirando com dificuldade.
O rádio voltou.
— Contato visual confirmado.
As lâmpadas do observatório explodiram ao
mesmo tempo.
O prédio mergulhou na escuridão.
A única luz restante vinha da cúpula aberta.
Do céu.
Ou melhor...
Daquele olho.
Gustavo correu até a porta principal.
Tentou abrir.
Travada.
As janelas também não abriam.
Era como se o observatório tivesse sido selado.
Então ouviu passos acima dele.
Na passarela metálica que cercava o telescópio.
CLANG.
CLANG.
CLANG.
Lentos.
Pesados.
Ele apontou a lanterna para cima.
Nada.
Mas os passos continuavam.
Dando voltas.
Como se alguém circulasse o telescópio.
Então o rádio falou novamente.
Agora usando a voz dele.
— Gustavo...
Ele deixou o rádio cair.
— Gustavo...
A voz vinha do teto agora.
Depois das paredes.
Depois do próprio telescópio.
— Obrigado por olhar de volta.
O telescópio girou violentamente.
Apontando outra vez para o céu.
Sem conseguir evitar, Gustavo olhou.
O olho estava muito maior.
Porque não havia se aproximado.
Ele é que tinha percebido o tamanho real.
Então começaram a surgir outros pontos
luminosos ao redor.
Centenas.
Milhares.
As estrelas restantes abriram uma após a outra.
Cada uma revelando outro olho gigantesco
escondido na escuridão do universo.
Nenhuma era uma estrela.
Nunca tinham sido.
E todas estavam voltadas para a Terra.
Observando.
Esperando.
O rádio fez sua última transmissão antes de
silenciar para sempre.
— Observação concluída.
— Agora... é a vez deles observarem você.
Na manhã seguinte, Gustavo desapareceu.
O observatório foi encontrado completamente
vazio.
Nenhum sinal de invasão.
Nenhuma pegada.
Nenhum equipamento quebrado.
Apenas um caderno aberto sobre a mesa.
Na última página havia uma única frase escrita
repetidas vezes, ocupando todas as folhas:
"O céu nunca foi vazio. Nós apenas nunca
percebemos que ele piscava."

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