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Sete Saberes

O XIX Workshop de Graduação do PCS discute a educação frente aos desafios do século XXI, destacando os sete saberes necessários para a educação do futuro segundo Edgar Morin, que incluem a compreensão da condição humana e a ética do gênero humano. Mário Sérgio Cortella enfatiza a necessidade de repensar práticas educacionais em um mundo em constante mudança, promovendo uma abordagem que valorize a humildade pedagógica e a colaboração. O documento propõe que a educação deve ser adaptável, reflexiva e centrada na realidade dos alunos, evitando a nostalgia por métodos antigos.
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Sete Saberes

O XIX Workshop de Graduação do PCS discute a educação frente aos desafios do século XXI, destacando os sete saberes necessários para a educação do futuro segundo Edgar Morin, que incluem a compreensão da condição humana e a ética do gênero humano. Mário Sérgio Cortella enfatiza a necessidade de repensar práticas educacionais em um mundo em constante mudança, promovendo uma abordagem que valorize a humildade pedagógica e a colaboração. O documento propõe que a educação deve ser adaptável, reflexiva e centrada na realidade dos alunos, evitando a nostalgia por métodos antigos.
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XIX WORKSHOP DE GRADUAÇÃO DO PCS

REFLEXÕES SOBRE EDUCAÇÃO


2019

Como encararmos a Educação frente aos


grandes desafios do Século XXI?
Referências usadas literalmente:
1. Os Sete Saberes necessários à Educação do
Futuro – Edgar Morin
2. Educação, Escola e Docência: novos tempos,
novas atitudes – Mario Sergio Cortella
Reflexão de Edgar Morin

OS SETE SABERES NECESÁRIOS À


EDUCAÇÃO DO FUTURO
OS SETE SABERES NECESSÁRIOS

1. As cegueiras do conhecimento: o erro e a


ilusão
2. Os princípios do conhecimento pertinente
3. Ensinar a condição humana
4. Ensinar a identidade terrena
5. Enfrentar as incertezas
6. Ensinar a compreensão
7. A ética do gênero humano
AS CEGUEIRAS DO CONHECIMENTO: O ERRO E A
ILUSÃO
 A educação deve mostrar que não há conhecimento que não
esteja, em algum grau, ameaçado pelo erro e pela ilusão.
 O desenvolvimento da inteligência é inseparável do mundo da
afetividade, isto é, da curiosidade, da paixão, que por sua vez,
são a mola da pesquisa filosófica e científica.
 Nenhuma teoria científica está imune para sempre contra o
erro.
 A racionalidade é a melhor proteção contra o erro e a ilusão
 Tal racionalidade deve permanecer aberta ao que a contesta
para evitar que se feche em doutrina e se converta em
racionalização.
 A racionalização é fechada, a racionalidade é aberta.
 A racionalidade é fruto do debate argumentado de ideias
(autocrítica), e não a propriedade de um sistema de ideias.
 O inesperado surpreende-nos. O novo brota sem
parar.
 E quando o inesperado se manifesta, é preciso ser
capaz de rever nossas teorias e ideias, em vez de
deixar o fato novo entrar à força na teoria incapaz de
recebê-lo.
 Necessitamos civilizar nossas teorias, ou seja,
desenvolver nova geração de teorias abertas,
racionais, críticas, reflexivas, autocríticas, aptas a se
auto-reformar.
 O dever principal da educação é de armar cada um
para o combate vital para a lucidez.
OS PRINCÍPIOS DO CONHECIMENTO PERTINENTE
 Existe uma inadequação cada vez mais ampla,
profunda e grave entre, de um lado, os saberes
desunidos, divididos, compartimentados e, de outro,
as realidades ou problemas cada vez mais
multidisciplinares, transversais, multidimensionais,
trasnacionais, globais e planetários.
 Para que o conhecimento seja pertinente, a educação
deverá torná-los evidentes.
 É preciso recompor o todo para conhecer as partes
 Disciplinas hiperespecializadas, fechadas em si
mesmas, impedem a percepção global quanto ao
essencial.
ENSINAR A CONDIÇÃO HUMANA

 A educação do futuro deverá ser o ensino


primeiro e universal, centrado na condição
humana.
 Compreender o humano é compreender sua
unidade na diversidade, sua diversidade na
unidade. É preciso conceber a unidade do
múltiplo, a multiplicidade do uno.
ENSINAR A IDENTIDADE TERRENA
 Consciência antropológica: reconhece a
unidade na diversidade
 Consciência ecológica: habitar a mesma esfera
viva (biosfera)
 Consciência cívica terrena: responsabilidade e
solidariedade para com os filhos da Terra
 Consciência espiritual da condição humana:
criticar-nos mutuamente e autocriticar-nos e
compreender-nos mutuamente
ENFRENTAR AS INCERTEZAS
 A tomada de consciência da incerteza histórica acontece hoje com a
destruição do mito do progresso. O progresso é certamente possível,
mas é incerto.
 Todas as incertezas devido à velocidade e à aceleração dos processos
complexos e aleatórios de nossa era planetária nem a mente humana,
nem um supercomputador, nem um demônio de Laplace podem
abarcar.
 A história não constitui, portanto, uma evolução linear.
 Se a racionalidade não mantiver a autocrítica ela cai na racionalização
 Nem a contradição é sinal de falsidade, nem a não-contradição é sinal
da verdade (Pascal)
 O conhecimento é a navegação em um oceano de incertezas, entre
arquipélagos de certezas.
 Em um ambiente de incertezas, impõe-se a estratégia. Deve, em um
momento, privilegiar a prudência, em outro, a audácia e, se possível, as
duas ao mesmo tempo.
ENSINAR A COMPREENSÃO
 O problema da compreensão tornou-se crucial para os
humanos. E, por este motivo, deve ser uma das
finalidades da educação do futuro.
 A comunicação não garante a compreensão
 Duas formas de compreensão:
 Compreensão Intelectual – objetiva
 Compreensão Humana – intersubjetiva
 A compreensão intelectual passa pela inteligibilidade
e pela explicação
 A compreensão humana vai além da explicação
 Os obstáculos exteriores à compreensão
intelectual são:
 Ruído que parasita a transmissão da informação, cria mal-
entendido ou o não-entendido
 Ignorância dos ritos e costumes do outro

 Incompreensão dos Valores imperativos

 Incompreensão dos imperativos éticos

 Impossibilidade de compreender os argumentos de outra


visão do mundo
 Impossibilidade de compreensão de uma estrutura mental
em relação a outra.
 Os obstáculos são não somente a indiferença, mas também o
egocentrismo, o etnocentrismo, o sociocentrismo, que têm como
traço comum se situarem no centro do mundo e considerar
como secundário o que é estranho ou distante.
A ÉTICA DO GÊNERO HUMANO
 Trabalhar para a humanização da humanidade
 Efetuar a dupla pilotagem do planeta: obedecer à vida,
guiar a vida
 Alcançar a unidade planetária na diversidade
 Respeitar no outro, ao mesmo tempo, a diferença e a
identidade quanto a si mesmo
 Desenvolver a ética da solidariedade
 Desenvolver a ética da compreensão
Kant: “a finitude geográfica de nossa terra impõe a seus
habitantes o princípio de hospitalidade universal, que
reconhece ao outro o direito de não ser tratado como
inimigo”
Reflexões sobre as ideias de Mário Sérgio Cortella

EDUCAÇÃO, ESCOLA E DOCÊNCIA


A EMERGÊNCIA DE MÚLTIPLOS PARADIGMAS

 Quando falamos de emergência de múltiplos


paradigmas, é sinal de que precisamos rever,
olhar de outro jeito e alterar o modo como
fazemos e pensamos as coisas, como refletimos
sobre a nossa prática dentro da Educação.
 Se os alunos não são mais os mesmos, se o
mundo não é mais o mesmo, como continuar
dando aula do mesmo jeito que dava há dez ou
quinze anos?
 Só que, em Educação, muita gente enxerga só
a gravidade do momento e não vê a gravidez
que ele contém. E passa boa parte do tempo
dizendo: “Ei queria voltar ao passado se
pudesse”, “no meu tempo...”, “recorrendo,
portanto, a uma nostalgia muito negativa em
relação àquilo que podemos, de fato, fazer em
Educação.
 Precisamos repensar e refazer nossas práticas,
isto é, nos novos tempos, novas atitudes!
ENTRE A CAUTELA E O ÍMPETO: ESCOLA EM
DESCOMPASSO
 Frente a momentos graves uma das reações
mais comuns e equivocadas é a pessoa
imaginar que basta ficar quieta no canto dela
que as coisas acontecerão. Eu costumo
chamar isso de cautela imobilizadora.
 Não se trata de mudar tudo, mas mudar o que
precisa ser mudado.
 Ter cautela requer paciência, como dizia Paulo
Freire: paciência histórica, pedagógica e
afetiva.
 Paciência histórica: é a percepção do momento
adequado em que as coisas podem ser alteradas
 Paciência pedagógica: capacidade de observar que as
pessoas têm processos distintos de aprendizagem e
de ensino, que os alunos, os colegas de profissão
vivem momentos diferentes.
 Paciência afetiva: capacidade de amorosidade que
precisa o tempo todo cobrir qualquer ato pedagógico,
de maneira que não se incorra na agressividade ou na
ruptura do padrão de autonomia e liberdade que
alguém carrega.
 Desta forma, a cautela é aquela que nos
permite refletir, pensar nossas práticas antes
de alterarmos as coisas. É preciso que a
cautela seja reflexiva e não paralisante.
 Tão arriscado quanto a cautela imobilizadora é
o ímpeto inconsequente.
 Qual a novidade dos tempos em que vivemos?
A novidade não é a mudança do mundo, a
novidade é a velocidade da mudança.
E QUANTO A NÓS, DOCENTES?
 Achamos que já sabemos, que já conhecemos,
que a melhor maneira de fazer é como já
fazíamos. E deixamos de lado algo que nos
alerta. Arrogância é um elemento muito
perigoso em Educação.
 Por isso, cuidado com professor velho. Não se
confunda idoso com velho; idoso é quem tem
bastante idade, enquanto velho é quem acha
que já está pronto e não precisa ou não
conseguirá mais mudar.
 O docente velho tem uma característica: passa
o tempo todo tentando mostrar que algo não
vai dar certo, em vez de usar o mesmo tempo
para que aquilo dê certo. Aliás, professor velho,
de maneira geral, é pessimista. E o
pessimismo é o refúgio de quem não quer ter
muito trabalho.
 Exemplo curioso: regra 34 da Ordem dos
Beneditinos: “É proibido resmungar”.
 Do contrário vamos ficar repetindo a frase: “Os
alunos de hoje não são mais os mesmos”.
Temos a necessidade de prestarmos atenção!
ESTADO DE ATENÇÃO E O DESAFIO DE MUDAR

 Perplexidade porque o aluno diz “isso não serve


para nada”. Essa negligência do respeito na
convivência dá ares de confronto na relação com
o docente.
 Que a tecnologia tenha sua presença, que o
ensino não seja de conteúdos abstratos, mas que
tragam a reflexão do concreto, em que não haja
autoritarismos, mas que a autoridade seja um
elemento de constituição sólida da convivência,
em que haja uma estrutura colaborativa em vez
de trabalhar apenas como competição.
 Mudar é uma situação em que precisamos
trasnbordar, isto é, ir além do nosso limite, alterar
a nossa possibilidade de ser de um único e
exclusivo modo.
 Na mudança precisamos ser flexíveis, ou seja, ser
capaz de alterar determinadas posturas sem
perder a rota. É capaz, inclusive, de não ficar
oscilando ao sabor de qualquer movimento.
 Não se trata de mudar sempre, mas mudar
quando é necessário, e essa necessidade vem à
tona até como um paradigma, um jeito de fazer,
um modelo, uma referência em vários momentos.
 Mudar sem abandonar aquilo que precisa ser
preservado e conservado em nossa trajetória.
HUMILDADE PEDAGÓGICA E COMPETÊNCIA
COLETIVA
 Uma das qualidades para o nosso perfil na
Educação no século XXI é a humildade
 Só é um bom ensinante quem for um bom
aprendente.
 Só a possibilidade de estruturar uma conexão entre
as pessoas pode gerar, de fato, um conhecimento
que seja coletivamente significativo.
 O professor que se coloca como portador de
conhecimento indubitável é alguém que está na
área equivocada.
 Há um ditado africano que diz: “Se quiser ir
apenas rápido, vá sozinho. Se quiser ir também
longe, vá com alguém”. Se quisermos ir longe
no século XXI, temos de ir com pessoas que
conosco partilhem capacidades e
competências, e tragam para nós humildade
como sendo um valor de preservação de
princípios éticos.
 Há três caminhos para o sucesso:
 Ensinar o que sabe, ou seja, generosidade mental
 Praticar o que ensina, coerência ética

 Perguntar o que se ignora, humildade intelectual


PARADIGMAS DA TECNOLOGIA E A DISTRAÇÃO
 Não é verdade que é obrigatório o uso de plataformas digitais
no cotidiano da Escola como única forma de melhoria do
trabalho.
 O mundo digital não deve ser demonizado, tampouco
entronizado.
 Uma mentalidade moderna lança mão da tecnologia por
incorporar-se aos seus projetos, e não simplesmente por ser
tecnologia.
 Mas a aula dentro da sala voltou a ser expositiva, que é uma
prática antiga, mas não é velha. Mas não somente expositiva.
 Na condição de aprendentes, focamos mais quando alguém
escreve alguma coisa, vamos acompanhando a escrita e nos
detemos mais sobre aquilo.
 A palavra central é foco. Foco de interesse!
 De onde eu parto o foco? Daquilo que está ligado ao cotidiano
do aluno e depois vou cercando dentro de uma área conceitual
que seja mais abstrata.
 Fazer com que os alunos anotem e façam
reflexão em torno da temática.
 A avaliação usando exclusivamente a
memorização não faz mais sentido.
 A avaliação deve ser usada não como
instrumento de disciplina, mas com a
finalidade de reorientar o aprendizado e o
conteúdo
 Mais informação disponível não significa
necessariamente informação qualificada.

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