MÓDULO 8
CURSO DE
CUIDADOS
FARMACÊUTICOS
GESTÃO DA CONDIÇÃO DE
SAÚDE
COORDENAÇÃO E ORGANIZAÇÃO
Profa. Dra. Nirla Rodrigues Romero (Tutora PET/UFC - Farmácia)
Isabelle de Fátima Vieira Camelo Maia
Italo Nunes Arrais de Sousa
Leones Fernandes Evangelista
Nicole Coelho Lopes
AUTORES
Brenda Letícia Martins Belém
Danilo Maciel Araújo
Francisca Raysse Mesquita Silva
Gyselle de Souza Rebouças
Isabelle de Fátima Vieira Camelo Maia
Italo Nunes Arrais de Sousa
José Walter Brilhante Júnior
Joshua Levi Maia Magalhães
Júlia de Aguiar Costa
Nicole Coelho Lopes
Stephany Arruda Santos
Thainá Alves Lira
ARTE GRÁFICA E FORMATAÇÃO
Francisca Raysse Mesquita Silva
Guilherme Gomes de Oliveira
Helaynne Gomes do Nascimento
Izabell Maria Martins Teixeira
Joyce da Silva Almeida
Júlia de Aguiar Costa
Mara Thays Aguiar Carneiro
Rhana Rhavena Melo de Barros
REVISÃO DE TEXTO
Profa. Dra. Nirla Rodrigues Romero (Tutora PET/UFC - Farmácia)
1
Sumário
Introdução 2
Conceito 3
Por que realizá-lo? 4
Papel do Farmacêutico 5
Classificação das Condições de Saúde 6
O Cuidado das Condições Agudas 7
Como funciona? 7
Qual a principal atividade do Farmacêutico? 10
O Cuidado das Condições Crônicas 11
Como funciona? 11
Qual a principal atividade do Farmacêutico? 18
Referências 22
2
Introdução
O serviço de gestão da condição de saúde foi iniciado em meados dos anos
90, na Conferência de Atenção Gerenciada, nos Estados Unidos, como uma
tecnologia capaz de estabelecer mecanismos no combate a uma doença
específica. A partir desse momento, o serviço passou por várias gerações: na
primeira foram, ofertados serviços que não eram oferecidos normalmente a
segunda priorizou os serviços para os pacientes em situações mais graves ou
custosas. A terceira geração contribuiu para a implantação das Redes de
Atenção à Saúde, com medidas de prevenção primária, secundária e terciária
(MENDES, 2012).
Segundo Mendes (2012), na geração atual, o foco é nas medidas preventivas
destinadas a aprimorar o estado de saúde. O objetivo é promover a integração
de ações e serviços de saúde com atenção integral e de qualidade.
O autor ainda explica que esse sistema de gestão das condições de saúde é
mais completo e organizado quando é aplicado nos sistemas públicos, porque
vai além de uma simples gestão de doenças, para se acomodar ao conceito da
condição de saúde.. Devido a isso, embora tenha surgido nos EUA, essa
tecnologia se espalhou pelo mundo todo, principalmente na Europa
Ocidental (MENDES, 2012).
A gestão da condição de saúde é um processo intenso para melhorar
continuamente a qualidade da atenção à saúde.
Imagem: Pixabay, 2020. Imagem: Pixabay, 2020.
3
Introdução
CONCEITO
A gestão da condição da saúde é a mudança do modelo de atenção à saúde
focada no indivíduo, por meio de procedimentos curativos e reabilitadores,
para uma identificação das pessoas com risco de adoecimento ou já doentes,
focando na promoção da saúde com rápida intervenção, para assim alcançar
maior eficácia e menor custo (BRASIL, 2010).
Segundo o Ministério da Saúde (2010), a gestão dos riscos passa pela
prevenção e controle de doenças, onde o foco é identificar problemas de
saúde daquela população, buscando causas e propondo medidas para o
controle. Esses problemas podem ser gerados a partir de doenças
transmissíveis, violências, exposição a produtos, alterações do meio ambiente,
entre outros.
Disease Management Association of America (2004), define gestão da
condição de saúde como um sistema de intervenções e de comunicações
coordenadas de cuidados de saúde para populações, em condições que o
autocuidado é essencial. Eugênio Vilaça (2012) se refere à quarta e atual
geração como a transformação da gestão de doença, em gestão total da
saúde, que o foco é voltado em medidas de prevenção e promoção da saúde,
sendo menos direcionado às medidas de cura, cuidado e reabilitação.
A gestão da condição de saúde é direcionada aos fatores de risco
biopsicológicos (dislipidemia, hipertensão arterial, depressão, pré-diabetes...) e
em relação às condições crônicas (diabetes, asma, doença coronariana...). Ou
seja, é uma tecnologia indicada para o manejo das condições crônicas que
necessitarão de atenção por muito tempo. Ela se dirige a uma determinada
população, exigindo conhecimento e relação constante com essa população
(MENDES, 2012).
É por isso que é extremamente necessário um sistema de cadastro familiar
para fazer o registro da população por condição de saúde e pelos riscos.
Assim, o Programa Saúde da Família se torna um meio de gestão da atenção
à saúde porque é através dessa tecnologia que a comunidade se torna
cadastrada ao sistema.
4
Introdução
POR QUE REALIZÁ-LO?
A categoria condição de saúde é fundamental na atenção à saúde porque, de
acordo com Porter e Teisberg (2007) só se agrega valor para as pessoas nos
sistemas de atenção à saúde quando se enfrenta uma condição de saúde
através de um ciclo completo de atendimento.
A gestão da condição de saúde inclui certos estados fisiológicos, como a
gravidez, o acompanhamento das crianças (puericultura), o acompanhamento
dos adolescentes (hebicultura) e o acompanhamento das pessoas idosas
(senicultura) que não são doenças, mas são condições de responsabilidade dos
sistemas de atenção à saúde (MENDES, 2012).
Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) tenha conseguido enormes avanços
nos últimos anos, ainda é possível perceber a dificuldade em superar a
fragmentação dos serviços de saúde. Assim, as ações curativas centradas no
médico são insuficientes para atender os desafios na saúde atual. Devido a
isso, o sistema de saúde se caracteriza por uma baixa eficiência, que não
acompanha a diminuição dos problemas agudos e ascensão das condições
crônicas (BRASIL, 2010).
Além disso, segundo o Ministério da Saúde (2010), o atual perfil brasileiro de
saúde é caracterizado por doenças parasitárias e infecciosas, desnutrição,
mortes maternas e óbitos infantis, doenças crônicas e seus fatores de risco
(como sedentarismo, tabagismo, alimentação inadequada, obesidade),
violência e acidentes de trânsito, o que resgata a importância da atenção no
manejo de condições crônicas, de modo a atender também às condições
agudas.
Para resolver essa questão, é necessário inovar o campo da gestão da saúde,
redirecionando ações e serviços no desenvolvimento de redes de atenção à
saúde.
Imagem: Canva, 2020.
5
Introdução
PAPEL DO FARMACÊUTICO
A gestão da condição de saúde se estrutura sobre os conceitos de plano de
cuidado, gestão de riscos da atenção à saúde, mudanças de comportamento
de profissionais de saúde e de pessoas usuárias, além da programação da
atenção à saúde (MENDES, 2011).
Os programas de gestão da doença geralmente se baseiam em um conceito
multi e interprofissional, incluindo médicos, enfermeiros, nutricionistas e
farmacêuticos (PEYTREMANN-BRIDEVAUX; BURNAND, 2009).
Neste serviço, o farmacêutico tem o desafio de trabalhar com outros
profissionais de saúde, atuando no gerenciamento e cuidado prestado a um
paciente para assim alcançar objetivos terapêuticos específicos, ou seja,
estabelecer um plano de cuidado para cada pessoa usuária do sistema de
atenção à saúde, sendo esse o principal objetivo. Ele tem o papel de fornecer
as ferramentas e o conhecimento necessário para o empoderamento do
paciente quanto ao autocuidado (CFF, 2016).
Além disso, também é desejável a existência de protocolos clínicos ou acordos
de colaboração com o médico, a fim de expandir a autonomia do farmacêutico
para dar início, ajustar, modificar ou suspender a farmacoterapia, durante o
acompanhamento do paciente (CFF, 2016).
O plano de cuidado envolve o diagnóstico físico, psicológico e social; a
explicação das intervenções de curto, médio e longo prazos e os profissionais
responsáveis por elas; a determinação de metas; a definição dos passos para
alcançar essas metas; a identificação dos obstáculos durante esse processo; as
ações para superar os obstáculos; o suporte e os recursos necessários; o
estabelecimento; e o monitoramento.
Imagem: Canva, 2020. Imagem: Canva, 2020.
Classificação das 6
Condições de saúde
As condições agudas, geralmente, apresentam um tempo curto de duração,
inferior a três meses, e são autolimitantes; já as condições crônicas têm um
período de duração longo, podendo se apresentar de forma definitiva e
permanente (SINGH, 2008).
Mendes (2012) explica que as condições agudas iniciam-se repentinamente;
apresentam uma causa simples e são facilmente diagnosticadas; respondem
bem aos tratamentos disponíveis, como medicamentos e cirurgias. O ciclo de
uma condição aguda normalmente é sentir-se mal por algum tempo, ser
tratado e melhorar. A atenção às condições agudas depende de
conhecimentos e experiências profissionais para diagnosticar e prescrever o
tratamento certo. Como por exemplo, a apendicite: inicia rapidamente, há
queixas de dor no abdômen; então uma cirurgia para remoção do apêndice é
feita; após isso, a pessoa volta à vida normal com saúde.
As condições crônicas se iniciam e evoluem lentamente. Podem apresentar
várias causas, como hereditariedade, estilo de vida, exposição a fatores
ambientais. Ao contrário das agudas, as condições crônicas levam a mais
sintomas e perda da capacidade funcional. Um sintoma pode levar a outro:
condição crônica leva a tensão muscular, que leva a dor, que leva a estresse e
ansiedade, que leva a problemas emocionais, que leva a depressão, que leva a
fadiga, que leva a condição crônica (MENDES, 2012).
Além disso, o autor afirma que uma condição aguda pode evoluir para uma
condição crônica. Como em alguns traumas que deixam sequelas,
determinando uma incapacidade que exige cuidados permanentes,
principalmente do sistema de saúde. De modo contrário, às condições
crônicas podem apresentar períodos de agudos.
Em resumo, as condições agudas manifestam-se por eventos súbitos,
percebidos objetivamente, mas as condições crônicas podem apresentar
eventos agudos, causados pelo manejo desqualificado dessas condições
crônicas. Portanto, os eventos agudos são diferentes de condições agudas e é
comum que ocorram, também, nas condições crônicas.
Cuidado das 7
Condições Agudas
COMO FUNCIONA?
"Os modelos de atenção às condições agudas prestam-se, também, à
organização das respostas dos sistemas de atenção à saúde aos eventos
agudos, decorrentes de agudizações das condições crônicas” (MENDES, 2011,
p. 210).
A atenção dos modelos de atenção às condições agudas está no tempo
máximo de resposta às diferentes gravidades das condições, ou seja, se avalia
um paciente e o classifica para saber o tempo alvo de resposta do sistema de
saúde, e além disso definir qual o melhor lugar para a realização deste serviço.
Isto é, adotar um modelo de triagem nas unidades de urgência e emergência.
O Sistema Manchester de classificação de risco dedica-se a proporcionar uma
avaliação clínica preliminar que organiza o atendimento aos pacientes em
função da sua gravidade e/ou urgência antes mesmo de uma completa
avaliação diagnóstica e terapêutica (Sacoman, 2019).
Este modelo foi adotado pelo Brasil e por vários outros países por se tratar de
um modelo simples e que permite a classificação dos riscos a partir de
evidências científicas, o que garante uma maior uniformidade nos
atendimentos, nas diferentes redes de atendimento. Vale ressaltar que este
modelo não visa diagnosticar, o profissional vai avaliar a gravidade a partir da
queixa principal, e após isso irá avaliar em fluxograma as possíveis causas da
procura a rede de atenção de urgência e emergência. Após isso é comparado
esse sintomas as classificações para então ser tomado a decisão (BRASIL,
2013).
Imagem: Canva, 2020. Imagem: Canva, 2020.
Cuidado das 8
Condições Agudas
COMO FUNCIONA?
O modelo classificar os riscos em 5 situações
TEMPO DE ALVO
NÚMERO NOME COR
(minutos)
1 EMERGENTE VERMELHO 0
MUITO
2 LARANJA 10
URGENTE
3 URGENTE AMARELO 60
POUCO
4 VERDE 120
URGENTE
NÃO AZUL
5 240
URGENTE
Fonte: Mackway-Jones et al., 2010 apud Mendes, 2012).
Cuidado das 9
Condições Agudas
A tomada de decisão requer, além de conhecimento científico, raciocínio,
intuição e aptidão profissional. E é realizada em cinco passos:
1 Identificação do problema;
2 Obtenção e análise das informações relacionadas à solução;
3 Avaliação das alternativas e escolha de uma delas para implentação;
4 Implementação da alternativa selecionada;
5 Monitoramento do processo e avaliação dos resultados.
Fonte: MENDES, 2011, p. 213.
Contudo um grande desafio atual é integrar as redes de cuidado em saúde. A
ausência de coordenação de cuidado, o que causa dificuldades de acesso e de
sua continuidade. Em Brasília adotou-se um modelo de Centrais de Regulação
(CR) estas desenvolvem as ações regulatório, isto é, recebem as solicitações,
processam e agendam/direcionam o atendimento/encaminhamento de
acordo com o escopo determinado, através da integração de outras centrais
como as de internações, cirurgias eletivas, entre outros. Isso pode ser uma
excelente solução para acabar com a fragmentação dos serviços de saúde
(Batista, et al., 2019).
Cuidado das 10
Condições Agudas
QUAL A PRINCIPAL ATIVIDADE DO FARMACÊUTICO?
O farmacêutico terá grande importância na
avaliação da farmacoterapia dos pacientes
que chegam ao pronto socorro com
gravidade, que muitas vezes são
polimedicados, então o farmacêutico clínico
irá acompanhar estes pacientes para garantir
a segurança e a eficácia deste tratamento.
Em um estudo, no Hospital Israelita Albert
Einstein, demonstrou que do total de 3.542
prescrições médicas, ocorreram 1.238
intervenções farmacêuticas, podendo ser
possível aferir a importância da farmácia
clínica devido ao grande impacto no
aumento da segurança para o paciente e
prevenção de eventos adversos (MIRANDA et
Imagem: Canva, 2020. al., 2012).
Cuidado das 11
Condições Crônicas
COMO FUNCIONA?
A construção do Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC),
atualmente o mais aplicável ao SUS, se baseou em outros três modelos, são
eles: Modelo de Atenção Crônica, o Modelo da Pirâmide de Risco e o Modelo
de Determinação Social da Saúde de Dahlgren e Whitehead. Isso se fez
necessário para que se torna-se mais aplicável às particulares do nosso
sistema de saúde. Então vamos entender um pouco esses outros modelos
para depois adentrarmos no MACC (MENDES, 2018, p. 1).
Modelo de Atenção Crônica
Modelo de Atenção Crônica, tradução literal de Chronic Care Model (CCM), foi
proposto pela equipe do MacColl Institute for Healthcare Innovation, nos
Estados Unidos, através uma ampla revisão da literatura. E desde a sua
criação já passou por modificações e aperfeiçoamentos (MENDES, 2012, p.
139).
O CCM é composto por seis elementos que são classificados em duas áreas: o
sistema de atenção à saúde e a comunidade. Segundo esse sistema é
possível desenvolver pessoas informadas e ativas, uma equipe de saúde
preparada e proativa que produzem os melhores resultados (IMPROVING
CHRONIC ILLNESS CARE, 2020).
Cuidado das 12
Condições Crônicas
No sistema de atenção à saúde temos os seguintes elementos:
Mudanças devem ser feitas na organização da atenção à
saúde, ou seja, promoção de elementos e mecanismo de
organização, para promover maior segurança e
qualidade.
Desenho do sistema de prestação de serviços, para
garantir uma efetividade e eficácia na atenção à saúde e
no autocuidado apoiado.
Imagem: Canva, 2020.
Suporte às decisões, sendo essas decisões baseadas em
evidências científicas atualizadas, mas considerando as
particularidades de cada indivíduo.
Sistema de informação clínica, com o intuito de integrar
as informações dos usuários.
Fonte: ICIC, 2010.
Já na comunidade temos os outros dois elementos:
Autocuidado apoiado, objetiva torna os pacientes
responsáveis por sua saúde, para que gerenciem sua
própria saúde e a atenção à saúde prestada.
Recursos da comunidade, a fim de utilizar recursos que já
estão disponíveis, para atender às necessidades das
pessoas usuárias.
Fonte: ICIC, 2010.
Cuidado das 13
Condições Crônicas
Modelo da Pirâmide de Riscos
Para Leutz (1999, p. 77 apud. Mendes, 2011) às necessidades dos pacientes
portadoras de condições crônicas, “são definidas em termos da duração da
condição, da urgência da intervenção, do escopo dos serviços requeridos e da
capacidade de autocuidado da pessoa portadora da condição”.
Nível 2. Composto
Há a classificação em níveis de riscos:
por portadores de
condições
Nível 3. Constituído por moderadas,
portadores de condições apresenta um maior
graves, instável e com baixa risco, que pode estar
capacidade de autocuidado, associado a risco
necessitando do apoio biopsicológico ou
constante de um gestor da uma condição
condição (FIREMAN, 2002 crônica, ou mais de
apud MENDES, 2012, p. 139). uma, com certo grau
de instabilidade ou
um potencial de
deterioração de sua
Nível 1. Se enquadram nesse saúde. O
nível, condições leves e com autocuidado nesse
grande probabilidade de estágio também é
autocuidado e/ou com sólida bem presente,
rede social de apoio. Estes porém o apoio pela
não apresentam grande equipe de saúde
risco e representa grande deve ser bem
maioria desta população. presente.
Isso se faz com a finalidade de definir protocolos para abranger cada grupo
com suas peculiaridades.
Cuidado das 14
Condições Crônicas
O Modelo da Determinação Social da Saúde
Os determinantes sociais se referem às condições de cada indivíduo, onde
vivem, trabalham. Estas estão diretamente ligadas aos comportamentos e
atitudes de uma população, e consequentemente com o cuidado à saúde.
Com isso seria necessário classificar essas condições para diminuir as
desigualdades e injustiças, permitindo uma consciência em saúde mais
uniforme possível (MENDES, 2012, p. 159).
Com isso existe 5 camadas de classificação:
Determinantes Individuais: idade, sexo,
CAMADA 1
hereditariedade.
Determinantes Proximais: comportamentos e os
estilos de vida individuais, como, dieta inadequada,
CAMADA 2 a inatividade física, o tabagismo, o uso excessivo de
álcool e outras drogas, o estresse, as práticas sexuais
não protegidas entre outros.
Classifica a influência das redes sociais, cuja maior ou
menor riqueza expressa o nível de coesão social, que
CAMADA 3
possui grande relevância na promoção da saúde da
população como um todo.
Determinantes intermediários: que são os fatores
relacionados às condições de vida e de trabalho, a
CAMADA 4 disponibilidade de alimentos e o acesso a ambientes
e serviços essenciais, como saúde, educação,
saneamento e habitação.
Macrodeterminantes: condições econômicas,
CAMADA 5
culturais e ambientais da sociedade.
Modelo da determinação social da saúde. Adaptado de Mendes, 2012, p. 160.
Cuidado das 15
Condições Crônicas
O Modelo de Atenção às Condições Crônicas (MACC)
O MACC consegue estabelecer conexões entre os outros três modelos citados
anteriormente, até porque todos apresentam grande importância nas
determinantes sociais da saúde. Além disso abrange de forma mais eficaz o
Sistema Único de Saúde, levando em consideração suas particularidades
(MENDES, 2018, p. 2).
Abaixo podemos ver um esquema de como o MACC se apresenta:
Subpopulação
complexa
Subpopulação
condição
complexa
com
condição crônica muito
com
crônica
Nível 5
Gestão de Caso
Nível 4
Gestão da Condição
de Saúde
{ Determinantes
sociais
individuais com
condições
saúde
de
e/ou
fator de risco
biopsicológico
Subpopulação com estabelecido
condição crônica
Nível 3
simples e/ou com
Gestão da Condição de Relação
fator de risco
Saúde Autocuidado/
biopsicológico
Atenção profissional
Subpopulação com
Nível 2 Determinantes
com fatores de
Intervenções de Prevenção sociais da saúde
risco ligados ao
das Condições de Saúde proximais
comportamento e
estilo de vida Determinan
tes sociais
Nível 1 da saúde
População total Intervenções de Promoção da Saúde intermediári
os
Modelo da Modelo da determinação
Modelo de Atenção Crônica
pirâmide de riscos social da saúde
Fonte: Mendes, 2012.
Cuidado das 16
Condições Crônicas
Nível 1: Intervenções de Promoção da Saúde
1 Composto pela população total de uma rede de atenção em saúde, focada
principalmente nas determinações sociais, e nas macrodeterminantes,
camadas 4 e 5 do modelo da determinação social. Aqui as intervenções são de
promoção à saúde à população total (BRASIL, 2013).
Nível 2: Intervenções de Prevenção das Condições de Saúde
2 Subpopulações que apresentam fatores de risco, com foco nas determinantes
proximais (camada 2) ligados ao estilo de vida. As ações são intervenções de
prevenção das condições de saúde, voltadas para indivíduos e subpopulações.
Estas intervenções acontecem por modificações de fatores de riscos
comportamentais, como a alimentação inadequada, sedentarismo,
tabagismo, excesso de peso e o uso excessivo de álcool (BRASIL, 2013).
observação
O Ministério da Saúde criou programas como
“Saúde na Escola” e “Academia da Saúde” com o
intuito de incentivar ações de promoção da saúde
e prevenção de doenças crônicas. Estes já foram
incorporados por muitos municípios brasileiros e,
portanto, constituem parte da Rede de Cuidado
às Pessoas com Doenças Crônicas (BRASIL, 2013).
Nível 3: Gestão da Condição de Saúde
3 A partir deste nível já temos pessoas com riscos a condição de saúde. São
pacientes com condições crônica simples, com baixo ou médio risco, ou que
apresentam fatores de risco biopsicológicos. Aqui vemos, de forma mais
significativa, a prevalência do autocuidado apoiado, mas existe também a
atenção clínica ao indivíduo realizada, de maneira geral, pela atenção primária
à saúde (BRASIL, 2013).
Cuidado das 17
Condições Crônicas
Nível 4: Gestão da Condição de Saúde
4 Composto por pacientes com condição crônica complexa, de alto ou
muito alto riscos, e também existe a presença de tecnologias de
gestão, mas há uma maior presença dos profissionais de saúde,
podendo ser necessário cuidado especializado (BRASIL, 2013).
Nível 5: Gestão da Condição de Saúde
5 Opera-se com subpopulações que apresentam uma condição de
saúde bem complexa. Aqui existe a presença de outra tecnologia, a
gestão do caso, e o autocuidado apoiado é bem menos pronunciado.
Pode-se destacar nesse nível a necessidade de planos de cuidado
mais singulares (BRASIL, 2013).
A linha na transversal representa basicamente a divisão do cuidado de
atenção à saúde, onde o que estiver acima representa a atenção por parte da
equipe de saúde, e abaixo representa o autocuidado apoiado (MENDES, 2012,
p. 170).
Cabe salientar de que este modelo não visa apenas abranger pessoas que já
tenham uma condição crônica estabelecida, mas também enfoca a
importância de se ter indivíduos conscientes e determinantes da sua própria
saúde, ou seja, que tenham consciência que sua saúde não depende apenas
dos profissionais de saúde, mas sendo diretamente ligada a maus hábitos e
ao estilo de vida.
Cuidado das 18
Condições Crônicas
QUAL PRINCIPAL ATIVIDADE DO FARMACÊUTICO?
O farmacêutico no cuidado às condições crônicas é
um importante profissional que compõem a equipe
de saúde, podendo desempenhar todos os serviços
de cuidado farmacêutico, por exemplo: dispensação,
monitoramento terapêutica de medicamentos,
acompanhamento farmacoterapêutico, por estarem
bem ligados a farmácia clínica. Um estudo de
revisão concluiu que uma eficiente gestão técnica
da assistência farmacêutica e a eficiente gestão
clínica do medicamento contribuem para melhorias
no racional de medicamentos, proporcionando
melhorias na Atenção Primária à Saúde e de todo o Imagem: Canva, 2020.
SUS (CORRER, 2011, p. 41).
5
Exemplo de situação com 19
esse serviço farmacêutico
Agora que entendemos as características do serviço, vamos entender como
ele se apresenta no cotidiano. Então, a estratificação de risco na Diabetes
Melito é realizada por um questionário de Finnish Diabetes Risk Score que
analisa e classifica o paciente através de informações como idade, índice
corporal e entre outros (Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina,
2018).
No nível 1: Temos pessoas que não apresentam a doença, mas que
1 frequentam o serviço de Atenção Primária à Saúde (APS), estas
devem receber informações da condição, como por exemplo, causa,
prevenção, sintomas entre outros, caracterizando ações de promoção.
Como por exemplo, gestantes que devem ser alertadas no pré-natal
sobre os riscos da Diabetes Gestacional,
No nível 2 (risco baixo): Pessoa com glicemia de jejum alterada e
2 intolerância à sobrecarga de glicose. As intervenções vão ter um
caráter preventivo, como:
Promoção de estilo de vida saudável;
Investigar anualmente quanto ao Diabetes Mellitus (DM);
Investigar anualmente quanto aos fatores de risco cardiovascular;
Será acompanhado na UBS pela equipe de saúde, sendo
preconizado uma consulta médica anual intercalada com duas
consultas de enfermagem semestrais.
Valores necessários para uma conduta correta:
No nível 3 (risco médio): Pessoa com DM diagnosticado e com:
3 Controle metabólico e pressórico adequados, sem internações por
complicações agudas nos últimos 12 meses, sem complicações
crônicas. As intervenções serão:
Controle da pressão arterial, LDL-colesterol e hemoglobina
glicada;
Prescrição de medicamentos;
Mudanças de hábitos não saudáveis;
Monitoramento dos fatores de risco;
Acompanhamento na UBS com consultas médicas semestrais
intercaladas com consultas de enfermagem trimestrais;
Rastreamento das Complicações;
Encaminhamento para avaliação especializada com
endocrinologista.
Exemplo de situação com 20
esse serviço farmacêutico
No nível 4 (risco alto): Pessoa com DM diagnosticado e com: Controle
4 metabólico ou pressórico inadequado, com internações por
complicações agudas nos últimos 12 meses e/ou complicações
crônicas. Intervenções:
Controle da pressão arterial, LDL-colesterol e hemoglobina
glicada;
Prescrição de medicamentos;
Tratamento das Complicações;
Acompanhamento periódico para evitar internações;
Mudanças de hábitos não saudáveis;
Encaminhamento via Sistema Nacional de Regulação (SISREG)
para acompanhamento na Atenção Ambulatorial Especializada
(AAE), com endocrinologista e demais especialistas, conforme a
complicação apresentada;
Preconizam-se consultas médicas na UBS intercaladas com
consultas de enfermagem;
No nível 5 (risco muito alto): Pessoa com DM diagnosticado e com:
5 Mau controle metabólico ou pressórico apesar de múltiplos esforços
prévios, múltiplas internações por complicações agudas nos últimos
12 meses, Síndrome arterial aguda há menos de 12 meses,
Complicações crônicas severas, presença de outras comorbidades
severas, e apresentam Risco social. As intervenções são semelhantes
às do Nível 4.
Fonte: Secretária de Estado da Saúde de Santa Catarina, 2018).
Exemplo de situação com 21
esse serviço farmacêutico
Segundo a Secretária de Saúde de Santa Catarina, (2018) o farmacêutico
desempenha, na atenção primária à saúde no cuidado às pessoas com
diabetes, serviços como:
Realizar trabalho integrado com a equipe de saúde no atendimento às
pessoas com DM;
Dispensar medicamentos com apresentação de receita de acordo com a
prescrição;
Orientar sobre o uso correto das medicações, efeitos colaterais e
interações medicamentosas;
Fornecer glicosímetro, tiras reagentes e lancetas, bem como orientar
sobre o uso;
Orientar sobre o uso correto do glicosímetro, preenchimento do diário de
automonitorização;
Participar das reuniões de equipe para realização de plano de cuidado e
atividades de educação permanente;
Organizar com a equipe ações intersetoriais de promoção da saúde;
Promover educação em saúde.
O serviço de Gestão da Condição de Saúde tem se mostrado como uma
excelente forma de promoção da saúde levando em questão, principalmente
a particularidade de cada um. Além de promover o cuidado às condições de
saúde , ou seja, além do objetivo de melhoria da qualidade de vida dos
portadores de comorbidades, promove a prevenção e educação em saúde
para a população total.
Imagem: Canva, 2020.
Referência 22
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