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Resumo
Esta pesquisa investigou os fatores sociodemográficos e ocupacionais associados à sintomatologia de
ansiedade, depressão e estresse em policiais do Comando de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar do
Estado de Goiás (PMGO). O estudo teve desenho quantitativo e transversal, utilizando questionário
sociodemográfico e ocupacional, bem como a escala (DASS-21), distribuídos a todos os policiais militares do
CME, de forma online via Sistema Eletrônico de Informações (Sei! Goiás), no período de dezembro de 2024
a fevereiro de 2025, sendo respondido por 229 policiais. Os dados analisados evidenciam que diversos fatores
ocupacionais impactam significativamente os níveis de ansiedade, estresse e depressão dos policiais
militares desse comando, entre eles: o ambiente de trabalho, a percepção de risco à saúde, a relação com
superiores hierárquicos e a falta de ações institucionais voltadas à saúde mental se destacam como variáveis
críticas para a saúde psicológica dos profissionais entrevistados. No que se refere a fatores associados, as
doenças crônicas e psiquiátricas diagnosticadas, poucas horas de sono (menos de 7 horas de sono) e uso
de substâncias que possam alterar o sono, estão em maior evidência. No teste de correlação de Spearman
identificou-se com significância estatística uma correlação positiva entre ansiedade e depressão (rho=0,659;
p<0,0001), ansiedade e estresse (rho=0,728; p<0,0001), estresse e depressão (rho=0,814; p<0,0001).Os
resultados reforçam a necessidade de intervenções psicológicas e institucionais voltadas à saúde mental dos
policiais militares. Medidas como programas de gestão do estresse, acompanhamento psicológico e apoio
social são fundamentais para mitigar os impactos negativos das condições ocupacionais adversas. Além
disso, o desenvolvimento de políticas de prevenção, incluindo treinamento para reconhecimento precoce de
sintomas e intervenção psicossocial, pode contribuir significativamente para a redução dos índices de
transtornos mentais na corporação.
Palavras-chave: Ansiedade; Depressão; Estresse; Polícia.
1 1º Sargento da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO). Mestre em Ciências Ambientais e Saúde pela Pontifícia
Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Professor da Faculdade de Princípios Militares (FPM).
2 Doutor em Medicina Tropical e Saúde Pública. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e
Saúde da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Professor da Faculdade de Princípios Militares (FPM).
3 Doutora em Ciências (Medicina). Professora da Faculdade de Princípios Militares (FPM).
4 Doutor em Biologia Celular e Molecular. Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Saúde da
Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). Professor da Faculdade de Princípios Militares (FPM).
2
Costa DD, Gomes CM, Moreira LDF, Silva AMTC, Almeida RJ. Fatores associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do
Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás. Revista Brasileira Militar de Ciências. 2026;12(26):e215.
Abstract
This study investigated the sociodemographic and occupational factors associated with symptoms of anxiety,
depression, and stress among police officers of the Special Missions Command (CME) of the Military Police
of the State of Goiás (PMGO). The study employed a quantitative, cross-sectional design, utilizing a
sociodemographic and occupational questionnaire and the Depression, Anxiety, and Stress Scale (DASS-21),
which were distributed online via the Electronic Information System (Sei! Goiás) to all CME police officers from
December 2024 to February 2025. A total of 229 officers responded. The analysis revealed that various
occupational factors significantly impact the levels of anxiety, stress, and depression among these officers.
Notably, the work environment, perceived health risks, relationships with hierarchical superiors, and the lack
of institutional mental health initiatives emerged as critical variables affecting psychological well-being.
Regarding sociodemographic factors, diagnosed chronic and psychiatric illnesses, insufficient sleep (less than
seven hours per night), and the use of substances that may alter sleep patterns were more prominent.
Spearman’s correlation test identified statistically significant positive correlations between anxiety and
depression (rho=0.659; p<0.0001), anxiety and stress (rho=0.728; p<0.0001), and stress and depression
(rho=0.814; p<0.0001). The findings underscore the need for psychological and institutional interventions
aimed at improving the mental health of military police officers. Measures such as stress management
programs, psychological support, and social assistance are essential to mitigate the adverse effects of
occupational stressors. Additionally, the development of preventive policies, including training for early
symptom recognition and psychosocial interventions, may significantly contribute to reducing the prevalence
of mental disorders within the police force.
Keywords: Anxiety; Depression; Stress; Police.
INTRODUÇÃO
enfrentamento da missão policial, pois diariamente a ação policial exige uma versatilidade de
atitudes e comportamentos3.
O trabalho do policial militar é considerado extremamente desgastante, sendo caracterizado
por constante exposição ao perigo, violência e riscos iminentes, horários de trabalho noturno,
horários irregulares para alimentação, exposição constante ao sol, chuva e vento, períodos longos
em posição ortostática (em pé), podendo acarretar sobrecarga física e emocional ao profissional,
tendo inclusive repercussões na sua vida familiar, na sua qualidade de vida, nas relações sociais
que estabelece e na sua saúde4.
Em Goiás, uma pesquisa com 1.668 policiais militares do Estado de Goiás, revelou um perfil
de morbidade específico quando comparado à população em geral. Os principais motivos para
afastamento foram transtornos mentais e desordens psicológicas/psiquiátricas (29%), seguidos por
desordens ortopédicas (20,9%), traumatismos e fraturas (19,6%), convalescença (7%), luxações,
entorses e lesões articulares/ligamentares (5%), doenças gastrointestinais (4,4%), doenças
venosas e vasculares (1,8%) e complicações relacionadas à gravidez e parto (1,6%). Esses dados
destacam a relevância de estratégias de prevenção e assistência voltadas à saúde dos policiais
militares5.
Nesse sentido, o presente estudo teve por objetivo analisar os fatores sociodemográficos e
ocupacionais que estão associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em
policiais do Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás.
MÉTODOS
aplicou-se muito a mim ou a maior parte do tempo). Os escores globais para depressão, ansiedade
e estresse são calculados como a soma dos escores para os sete itens relevantes. O escore vai de
0 a 21. Maiores escores indicam uma tendência para o desenvolvimento de uma sintomatologia de
ansiedade, estresse ou depressão7-9.
Foram realizadas as estatísticas descritiva e inferencial. Para a estatística descritiva, foram
calculadas, para as variáveis categóricas: as frequências absolutas (n) e relativas percentuais [f(%)];
e para as variáveis contínuas: média e mediana (medidas de tendência central) e desvio padrão
(DP). Para a estatística inferencial, foi calculada a normalidade dos dados por meio dos testes
Kolmogorov-Smirnov (KS) e Shapiro-Wilk (SW). O pressuposto de homogeneidade de variância foi
avaliado por meio do teste de Levene, e, mediante a constatação da heterogeneidade de variância,
foi solicitada a correção de Welch10.
Foram realizados procedimentos de bootstrapping (1.000 reamostragens), para se obter
maior confiabilidade dos resultados, para corrigir desvios de normalidade da distribuição da amostra
e diferenças entre os tamanhos dos grupos. Neste contexto, foram realizados: teste t de Student
para amostras independentes, para variáveis com duas categorias (dicotômicas), e análise de
variância de uma via (ANOVA One Way), para variáveis com três ou mais categorias (politômicas).
Por fim, foi aplicado o teste de correlação de Spearman para avaliar a relação entre os domínios:
Ansiedade, Depressão e Estresse da DASS-2110.
Para a realização dos cálculos estatísticos, foi utilizado o software IBM® SPSS® (Statistical
Package for the Social Sciences), adotando o nível de significância de 5% (p-valor<0,05).
Antes de iniciar a coleta de dados, o presente trabalho foi encaminhado ao Comitê de Ética
e Pesquisa (CEP) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás) obtendo sua aprovação
ética em 18 de novembro de 2024 com o parecer n. 7.232.454.
RESULTADOS
A amostra foi composta por 229 participantes, dos quais 56,3% tinham até 40 anos, 92,6%
do sexo masculino, 62,4% possuem pós-graduação e 18,8% relataram possuir outro emprego, seja
formal ou informal. Além disso, 10,5% dos entrevistados, disseram ter uma doença crônica
diagnosticada, enquanto 10,9% informaram serem diagnosticados com alguma doença psiquiátrica.
Também se identificou que 75,5% dormem menos de 7 horas por noite, e que 40,2% fazem uso de
substâncias que podem interferir no sono (Tabela 1).
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Costa DD, Gomes CM, Moreira LDF, Silva AMTC, Almeida RJ. Fatores associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do
Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás. Revista Brasileira Militar de Ciências. 2026;12(26):e215.
Tabela 1. Caracterização sociodemográfica dos 229 policiais militares do CME do Estado de Goiás.
Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Variáveis (N=229) N f(%)
Idade
Até 40 anos 129 56,3
Acima de 40 anos 100 43,7
Sexo
Masculino 212 92,6
Feminino 17 7,4
Estado Civil
Solteiro(a) 34 14,8
Casado(a) 180 78,6
Separado(a) 11 4,8
Viúvo(a) 4 1,7
Filhos
Sim 188 82,1
Não 41 17,9
Escolaridade
Ensino superior 86 37,6
Pós-graduação 143 62,4
Outro emprego (formal ou informal)
Sim 43 18,8
Não 186 81,2
Estudando formalmente
Sim 51 22,3
Não 178 77,7
Atividade física regularmente
Sim 192 83,8
Não 37 16,2
Doença crônica diagnosticada
Sim 24 10,5
Não 205 89,5
Doença psiquiátrica diagnosticada
Sim 25 10,9
Não 204 89,1
Insônia Diagnosticada
Sim 20 8,7
Não 209 91,3
Horas de sono diária
Menos de 7 horas de sono 173 75,5
Mais de 7 horas de sono 56 24,5
Usa Substâncias que possam alterar o sono
Sim 92 40,2
Não 137 59,8
Fonte: Elaborada pelos autores.
seu próprio rendimento profissional. Dado importante é que 76% afirmaram que a instituição não
promove iniciativas de prevenção à saúde mental (Tabela 2).
Tabela 2. Caracterização ocupacional dos 229 policiais militares do CME do Estado de Goiás.
Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Variáveis (N=229) n f(%)
Patente
Praças 187 81,7
Oficiais 42 18,3
Tempo de serviço na PM
6 a 10 anos 98 42,8
Acima de 10 anos 131 57,2
Turno atual de trabalho
12 x 36 – Diurno 11 4,8
24 x 48 3 1,3
24 x 72 167 72,9
Expediente administrativo 48 21,0
Risco à sua saúde
Sim 218 95,2
Não 11 4,8
Cansar muito no ambiente de trabalho
Sim 158 69,0
Não 71 31,0
Bom relacionamento com superiores
Sim 218 95,2
Não 11 4,8
Satisfeito com seu rendimento profissional
Sim 177 77,3
Não 52 22,7
Exerce função
Administrativa 56 24,5
Operacional 173 75,5
Sente-se cobrado de forma exagerada
Sim 133 58,1
Não 96 41,9
PMGO promove ações de prevenção da saúde mental
Sim 55 24,0
Não 174 76,0
Fonte: Elaborada pelos autores.
Tabela 3. Comparação dos dados sociodemográficos com os níveis de ansiedade dos 229 policiais
militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Ansiedade
Variáveis (N=229) p-valor
n f(%)
Idade
Até 40 anos 2,4 3,8
Acima de 40 anos 2,0 3,0 0,4715
Sexo
Masculino 2,2 3,5
Feminino 2,3 3,2 0,9211
Estado Civil
Solteiro(a) 1,6 2,8
Casado(a) 2,3 3,6
Separado(a) 3,5 3,5
Viúvo(a) 0,0 0,0 0,2212
Filhos
Sim 2,4 3,6
Não 1,5 2,8 0,0709
Escolaridade
Ensino superior 2,5 4,2
Pós-graduação 2,0 2,9 0,3477
Outro emprego (formal ou informal)
Sim 2,2 3,1
Não 2,2 3,5 0,9700
Estudando formalmente
Sim 2,3 3,3
Não 2,2 3,5 0,8831
Atividade física regularmente
Sim 2,1 3,4
Não 2,9 3,8 0,2008
Doença crônica diagnosticada
Sim 5,0 3,8
Não 1,9 3,3 0,0010
Doença psiquiátrica diagnosticada
Sim 6,2 5,6
Não 1,7 2,8 0,0070
Insônia Diagnosticada
Sim 6,2 4,8
Não 1,8 3,1 0,0040
Horas de sono diária
Menos de 7 horas de sono 2,5 3,7
Mais de 7 horas de sono 1,4 2,6 0,0100
Usa substâncias que possam alterar o sono
Sim 2,8 3,3
Não 1,9 3,5 0,0499
Fonte: Elaborada pelos autores. Testes estatísticos: teste t de Student e ANOVA One Way.
que afirmaram ser cobrados de forma exagerada (p=0,0010) e aqueles que afirmaram que a PMGO
não realiza ações voltadas à saúde mental dos policiais (p=0,0120) (Tabela 4).
Tabela 4. Comparação dos aspectos ocupacionais com os níveis de ansiedade dos 229 policiais
militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Ansiedade
Variáveis (N=229) p-valor
n f(%)
Patente
Praças 2,2 3,6
Oficiais 2,3 3,1 0,8761
Tempo de serviço na PM
6 a 10 anos 2,3 3,6
Acima de 10 anos 2,2 3,4 0,7999
Turno atual de trabalho
12 x 36 – Diurno 1,8 2,6
24 x 48 2,0 2,6
24 x 72 2,2 3,6
Expediente administrativo 2,3 3,2 0,9809
Risco à sua saúde
Sim 2,3 3,5
Não 1,1 3,6 0,0180
Cansar muito no ambiente de trabalho
Sim 2,7 3,8
Não 1,3 2,4 0,0020
Bom relacionamento com superiores
Sim 1,9 3,1
Não 7,7 5,0 0,0032
Satisfeito com seu rendimento profissional
Sim 1,6 2,7
Não 4,3 4,8 0,0030
Exerce função
Administrativa 2,1 3,1
Operacional 2,3 3,6 0,7662
Sente-se cobrado de forma exagerada
Sim 2,9 3,8
Não 1,3 2,6 0,0010
PMGO promove ações de prevenção da saúde mental
Sim 1,4 2,2
Não 2,5 3,8 0,0120
Fonte: Elaborada pelos autores. Testes estatísticos: teste t de Student e ANOVA One Way.
Tabela 5. Comparação dos dados sociodemográficos com os níveis de depressão dos 229 policiais
militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Depressão
Variáveis (N=229) p-valor
n f(%)
Idade
Até 40 anos 3,3 4,0
Acima de 40 anos 3,1 3,8 0,6354
Sexo
Masculino 3,2 3,9
Feminino 3,2 3,8 0,9910
Estado Civil
Solteiro(a) 2,5 3,8
Casado(a) 3,3 3,9
Separado(a) 4,9 3,6
Viúvo(a) 0,0 0,0 0,1024
Filhos
Sim 3,4 3,9
Não 2,4 3,7 0,1458
Escolaridade
Ensino superior 3,7 4,4
Pós-graduação 2,9 3,5 0,1608
Outro emprego (formal ou informal)
Sim 3,2 3,9
Não 3,2 3,9 0,9760
Estudando formalmente
Sim 3,8 4,2
Não 3,0 3,8 0,2338
Atividade física regularmente
Sim 3,1 3,8
Não 3,7 4,4 0,4356
Doença crônica diagnosticada
Sim 5,5 4,4
Não 3,0 3,8 0,0070
Doença psiquiátrica diagnosticada
Sim 6,8 5,4
Não 2,8 3,4 0,0050
Insônia Diagnosticada
Sim 7,1 5,0
Não 2,9 3,6 0,0080
Horas de sono diária
Menos de 7 horas de sono 3,6 4,0
Mais de 7 horas de sono 2,0 3,5 0,0040
Usa substâncias que possam alterar o sono
Sim 4,6 4,0
Não 2,3 3,5 0,0010
Fonte: Elaborada pelos autores. Testes estatísticos: teste t de Student e ANOVA One Way.
Maior escore de depressão também foi encontrado nos policiais que não tem bom
relacionamento com superior hierárquico (p<0,0001), nos insatisfeitos com o próprio rendimento
profissional (p=0,0010), naqueles que atuam em funções operacionais (p=0,0270), que se sentem
excessivamente cobrados (p=0,0020) e nos que afirmaram que a PMGO não realiza ações voltadas
para a saúde mental dos policiais (p=0,0010) (Tabela 6).
Tabela 6. Comparação dos aspectos ocupacionais com os níveis de depressão dos 229 policiais
militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Depressão
Variáveis (N=229) p-valor
n f(%)
Patente
Praças 3,4 4,0
Oficiais 2,6 3,3 0,2008
Tempo de serviço na PM
6 a 10 anos 3,4 4,1
Acima de 10 anos 3,1 3,8 0,6663
Turno atual de trabalho
12 x 36 – Diurno 4,5 4,0
24 x 48 5,7 7,2
24 x 72 3,3 4,0
Expediente administrativo 2,7 3,4 0,3660
Risco à sua saúde
Sim 3,3 3,9
Não 2,1 4,7 0,0260
Cansar muito no ambiente de trabalho
Sim 4,0 4,2
Não 1,5 2,3 0,0010
Bom relacionamento com superiores
Sim 2,9 3,5
Não 10,2 4,6 <0,0001
Satisfeito com seu rendimento profissional
Sim 2,3 3,1
Não 6,3 4,7 0,0010
Exerce função
Administrativa 2,3 3,2
Operacional 3,5 4,1 0,0270
Sente-se cobrado de forma exagerada
Sim 4,0 4,2
Não 2,2 3,2 0,0020
PMGO promove ações de prevenção da saúde mental
Sim 1,4 2,2
Não 3,8 4,1 0,0010
Fonte: Elaborada pelos autores. Testes estatísticos: teste t de Student e ANOVA One Way.
(p=0,0010), insônia diagnosticada (p=0,0010), que dormem menos de 7 horas de sono (p=0,0010)
e aqueles que fazem uso de substâncias que alteram o sono (p=0,0020) (Tabela 7).
Tabela 7. Comparação dos dados sociodemográficos com os níveis de estresse dos 229 policiais
militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Estresse
Variáveis (N=229) p-valor
n f(%)
Idade
Até 40 anos 5,0 4,3
Acima de 40 anos 4,5 4,4 0,4426
Sexo
Masculino 4,7 4,3
Feminino 5,7 4,0 0,3127
Estado Civil
Solteiro(a) 4,1 4,0
Casado(a) 4,9 4,4
Separado(a) 5,4 4,2
Viúvo(a) 0,8 1,5 0,0023
Filhos
Sim 4,9 4,3
Não 4,0 4,2 0,1998
Escolaridade
Ensino superior 5,1 4,9
Pós-graduação 4,5 3,9 0,3367
Outro emprego (formal ou informal)
Sim 5,5 4,6
Não 4,6 4,2 0,2567
Estudando formalmente
Sim 5,3 4,3
Não 4,6 4,3 0,3087
Atividade física regularmente
Sim 4,7 4,3
Não 5,2 4,3 0,5105
Doença crônica diagnosticada
Sim 7,9 3,6
Não 4,4 4,3 0,0010
Doença psiquiátrica diagnosticada
Sim 9,2 4,8
Não 4,2 3,9 0,0010
Insônia Diagnosticada
Sim 9,1 5,4
Não 4,3 4,0 0,0010
Horas de sono diária
Menos de 7 horas de sono 5,3 4,4
Mais de 7 horas de sono 3,1 3,7 0,0010
Usa substâncias que possam alterar o sono
Sim 6,1 4,3
Não 3,8 4,1 0,0020
Fonte: Elaborada pelos autores. Testes estatísticos: teste t de Student e ANOVA One Way.
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Costa DD, Gomes CM, Moreira LDF, Silva AMTC, Almeida RJ. Fatores associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do
Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás. Revista Brasileira Militar de Ciências. 2026;12(26):e215.
Tabela 8. Comparação dos aspectos ocupacionais com os níveis de estresse dos 229 policiais
militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Estresse
Variáveis (N=229) p-valor
n f(%)
Patente
Praças 4,8 4,3
Oficiais 4,6 4,3 0,8621
Tempo de serviço na PM
6 a 10 anos 4,8 3,9
Acima de 10 anos 4,7 4,6 0,8212
Turno atual de trabalho
12 x 36 – Diurno 4,9 3,8
24 x 48 7,7 3,5
24 x 72 4,7 4,4
Expediente administrativo 4,8 4,2 0,7003
Risco à sua saúde
Sim 4,9 4,3
Não 2,6 4,6 0,0220
Cansar muito no ambiente de trabalho
Sim 5,6 4,5
Não 2,9 3,3 0,0010
Bom relacionamento com superiores
Sim 4,4 4,0
Não 11,7 3,9 <0,0001
Satisfeito com seu rendimento profissional
Sim 3,8 3,7
Não 7,9 4,8 0,0010
Exerce função
Administrativa 4,3 4,1
Operacional 4,9 4,4 0,3267
Sente-se cobrado de forma exagerada
Sim 5,9 4,5
Não 3,2 3,6 0,0010
PMGO promove ações de prevenção da saúde mental
Sim 3,1 2,7
Não 5,3 4,6 0,0010
Fonte: Elaborada pelos autores. Testes estatísticos: teste t de Student e ANOVA One Way.
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Costa DD, Gomes CM, Moreira LDF, Silva AMTC, Almeida RJ. Fatores associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do
Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás. Revista Brasileira Militar de Ciências. 2026;12(26):e215.
Tabela 9. Correlação de Spearman entre os níveis de ansiedade, depressão e estresse dos 229
policiais militares do CME do Estado de Goiás. Goiânia, Goiás, Brasil, 2025.
Correlação de Spearman Ansiedade Depressão Estresse
Ansiedade ρ (rho)
1,000
p-valor
DISCUSSÃO
O fato dos participantes percebe o trabalho como um risco à sua saúde e sua associação
com ansiedade, estresse e depressão evidencia a percepção generalizada da atividade policial
como uma profissão de alto desgaste físico, mental e emocional. Esse achado é consistente e
corrobora com outra pesquisa que destacou que a exposição frequente dos policiais a eventos
traumáticos, violência e condições adversas como fatores críticos para o desenvolvimento da
Síndrome do Burnout, TEPT e outros transtornos psiquiátricos 19.
A vulnerabilidade a quadros de ansiedade, depressão e estresse tende a se intensificar em
determinados contextos laborais. Ambientes organizacionais desestruturados, associados à
ausência de suporte institucional efetivo, contribuem para o aumento do sofrimento psíquico e para
a diminuição da capacidade de resiliência dos profissionais20.
Outro fator alarmante é o cansaço excessivo também estar associado a maiores níveis de
ansiedade, depressão e estresse, o que pode estar diretamente relacionado às demandas intensas
da rotina policial, associadas a falta de condicionamento físico e ao impacto da sobrecarga de
trabalho sobre o organismo, possibilitando maior risco de exaustão emocional e comprometimento
da saúde física e mental. Além disso, a insatisfação com o próprio desempenho profissional sugere
que a percepção de eficácia e realização pessoal pode estar sendo prejudicada pelo excesso de
pressão, pelas condições adversas de trabalho e pela falta de suporte organizacional 21.
Um maior escore de ansiedade, depressão e estresse foi encontrado nos policiais que se
sentem cobrados de forma exagerada. Tal dado reforça a importância de avaliar criticamente a
cultura organizacional dentro da PMGO. A cobrança excessiva, sem a devida valorização
profissional e suporte psicológico, contribui para o aumento da ansiedade e do risco de transtornos
psiquiátricos, além de impactar diretamente a motivação e a produtividade dos profissionais de
segurança pública22.
O aspecto mais crítico revelado pela pesquisa diz respeito à ausência de ações institucionais
voltadas à promoção da saúde mental. Tal dado foi associado a maiores escores de ansiedade,
depressão e estresse na amostra investigada. Nesse sentido, o que reflete uma lacuna estrutural
na política de bem-estar e qualidade de vida no trabalho dentro da corporação. Programas de
promoção da saúde mental no ambiente de trabalho são fundamentais para reduzir os índices de
adoecimento psicológico e melhorar a resiliência dos trabalhadores, especialmente em profissões
de alto impacto emocional, como a profissão de ser policial23.
Esses resultados indicam que fatores como a presença de doenças crônicas, psiquiátricas,
insônia e hábitos de sono inadequados estão significativamente associados a níveis elevados de
ansiedade e depressão entre os policiais militares do CME do Estado de Goiás. Além disso, as
condições ocupacionais, como o risco percebido à saúde também desempenham um papel crucial
na saúde mental dos policiais.
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Costa DD, Gomes CM, Moreira LDF, Silva AMTC, Almeida RJ. Fatores associados à sintomatologia de ansiedade, depressão e estresse em policiais do
Comando de Missões Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás. Revista Brasileira Militar de Ciências. 2026;12(26):e215.
CONCLUSÃO
estabilidade social, mas também exercem influência direta sobre o bem-estar coletivo, a percepção
de segurança da população e o fortalecimento do aparelho estatal na manutenção da legalidade.
Entretanto, tais funções são exercidas em um ambiente de alta complexidade operacional,
exigindo intervenções institucionais específicas para mitigação de impactos psicossociais inerentes
à profissão. Nesse contexto, é fundamental que as organizações adotem políticas de suporte
psicológico e programas de bem-estar que promovam a saúde mental dos policiais.
A falta de ações preventivas voltadas à saúde mental agrava esse cenário, deixando os
profissionais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos e ao desgaste emocional,
podendo prejudicar a prestação de serviço de qualidade a sociedade.
A estabilidade social promovida pela atuação do CME reflete-se diretamente na percepção
subjetiva de segurança da população. Nas sociedades marcadas por altos índices de criminalidade,
a sensação de proteção gerada por ações policiais eficazes tem efeitos psicossociais profundos,
reduzindo o medo difuso e permitindo a retomada da normalidade nas dinâmicas sociais.
Diante da magnitude de sua atuação, torna-se imperativo que políticas institucionais sejam
formuladas durante a promoção da saúde mental e ao aprimoramento das condições laborais dos
profissionais que compõem o CME. A implementação de programas de suporte psicológico e o
desenvolvimento de uma cultura organizacional que valorizem a resiliência emocional são
estratégias fundamentais para a sustentabilidade da atuação policial.
Ao investir na saúde mental desses policiais, não apenas se assegura a eficácia das
operações, mas também se preserva a integridade dos indivíduos responsáveis pela segurança da
ordem pública, consolidando um modelo de segurança que harmoniza eficiência operacional e o
respeito ao ser humano.
AGRADECIMENTOS
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