Sintomas Ansiosos, Depressivos E Estresse em Policiais Civis Do Estado de Minas Gerais
Sintomas Ansiosos, Depressivos E Estresse em Policiais Civis Do Estado de Minas Gerais
0008
RESUMO
As condições de trabalho dos policiais podem contribuir para o desenvolvimento de transtornos
mentais como ansiedade, depressão e estresse. Este estudo investigou a presença de sintomas de
estresse, depressão e ansiedade em policiais civis do Estado de Minas Gerais. Foi utilizado um
questionário sociodemográfico on-line e a Escala de Sintomas Depressivos, Ansiosos e Estresse
(DASS-21). 108 policiais participaram da pesquisa. Os participantes eram predominantemente
homens (73,15%), com idades entre 31 e 40 anos, casados (68,52%), com filhos (68,52%) e com
ensino superior (92,59%). A maioria dos participantes apresentava sintomas de estresse (59,92%),
seguido por sintomas depressivos (59,25%) e ansiedade (54,62%). Os participantes que usavam ou
já utilizaram medicamentos psicotrópicos apresentaram pontuações mais altas em todos os sintomas.
1
Graduanda em Psicologia da Faculdade Calafiori, São Sebastião do Paraíso - MG. Endereço eletrônico:
juscelliecardoso@[Link]
2
Professora doutora do Curso de Psicologia da Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP), Ribeirão Preto.
Endereço eletrônico: marianamaniglia@[Link]
Submissão: 25/11/2024 1
Aprovação: 20/12/2024
ANXIOUS, DEPRESSIVE AND STRESS SYMPTOMS IN CIVIL POLICE
OFFICERS IN THE STATE OF MINAS GERAIS, BRAZIL
ABSTRACT
The working conditions of police officers can contribute to the development of mental disorders
such as anxiety, depression, and stress. This study investigated the presence of symptoms of stress,
depression, and anxiety in civil police officers in the State of Minas Gerais. An online sociodemographic
questionnaire and the Depressive, Anxiety and Stress Symptoms Scale (DASS-21) were used. A total
of 108 police officers participated in the study. The participants were predominantly male (73.15%),
aged between 31 and 40, married (68.52%), with children (68.52%), and with higher education
(92.59%). The majority of the participants exhibited symptoms of stress (59.92%), followed by
depressive symptoms (59.25%) and anxiety (54.62%). Individuals who had previously used or were
currently using psychotropic medication exhibited higher scores for all symptoms.
2
Introdução
Os transtornos mentais e comportamentais, como a ansiedade, depressão e estresse são
responsáveis pela terceira causa de afastamentos laborais com concessão de auxílio-doença
no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (Silva-Junior & Fischer, 2015). Algumas
atividades profissionais expõem os funcionários a maiores riscos e estresse, com consequente
adoecimento mental. Em função de suas atividades, os policiais civis representam um desafio
significativo para a saúde e bem-estar ocupacional.
Os policiais civis enfrentam uma série de estressores ocupacionais únicos, incluindo
a exposição regular a situações de alto risco, a necessidade de tomar decisões rápidas em
circunstâncias de extrema pressão e a constante exposição a perigos, traumas e violência
(Costa, Accioly Júnior, Oliveira & Maia, 2007). Além disso, a exigência excessiva das
organizações militares, que giram em torno da hierarquia e disciplina, produz um clima
tendencioso à depressão, visto que a carreira militar faz com que o ingressante lide com
pressões externas e internas no trabalho, exigindo uma boa saúde mental e física (Souza,
2002). Esses fatores podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de
sintomas ansiosos e depressivos, como preocupação excessiva, irritabilidade, tensão
muscular e dificuldade de concentração. Além disso, a cultura organizacional e as demandas
operacionais podem criar barreiras significativas para a busca de apoio psicológico, levando
muitos policiais a enfrentarem suas dificuldades emocionais de forma solitária.
A depressão por fatores conexos ao trabalho atingiu cerca de 160 milhões de pessoas
mundialmente no ano de 2007, sua prevalência mundial chega a 4,7% (Herrman et al.,
2022) e, no Brasil, a prevalência referida atinge cerca de 10,2% de brasileiros (Brito et
al., 2022). É considerado um transtorno do humor caracterizado por sintomas que incluem
apatia, desinteresse, perda de prazer e energia, tristeza, alterações no apetite e no sono,
dificuldade de concentração, indecisão e instabilidade nos sentimentos de autoestima. Estes
sintomas persistem por pelo menos duas semanas e podem resultar em consequências sociais,
cognitivas e/ou incapacitantes (American Psychiatric Association, 2022).
O ambiente de trabalho é concebido como uma das principais fontes de ansiedade e
estresse, causando impactos negativos na saúde física, mental e no bem-estar dos empregados
e, consequentemente, no processo de desenvolvimento das organizações. A conceituação de
estresse laboral é definida como a situação em que as pessoas percebem seu ambiente de
trabalho em conflito às suas necessidades pessoais e profissionais (Oswaldo, 2009).
A ansiedade e o estresse estão intrinsecamente relacionados, pois ambos estão associados
a respostas do organismo a situações percebidas como ameaçadoras ou desafiadoras. A
ansiedade é uma resposta emocional caracterizada por preocupação, apreensão e nervosismo
em relação a eventos futuros, enquanto o estresse refere-se à resposta física e emocional do
corpo diante de demandas ou pressões externas, sejam elas reais ou percebidas (Nicolau,
2009). Ou seja, um sentimento de medo incerto e desproporcional em relação ao estímulo que
interfere na qualidade de vida do indivíduo (Ribeiro, Santos, Silva, Medeiro & Fernandes,
2019).
3
O adoecimento mental dos policiais pode ser desencadeado pelo estresse laboral,
sendo assim, o trabalho passa para uma esfera crítica, ameaçando seu sucesso profissional
visto a dificuldade de diferenciar o ambiente de trabalho do pessoal (Limongi-França &
Rodrigues, 2002). No estudo de Guimarães, Mayer, Bueno, Minari e Martins (2014)
realizado com policiais civis e militares do município de Campo Grande - MS, os policiais
civis apresentaram maior índice de Síndrome de Burnout comparado aos militares, além de
maior carga de trabalho e pior qualidade de vida. Os policiais militares também apresentaram
índice elevado de Síndrome de Burnout nas três dimensões da síndrome. Os policiais civis
apresentaram maior desgaste mental e físico do que os policiais militares; entretanto, os
policiais civis apresentaram maior motivação intrínseca para o trabalho.
Uma das funções da área de segurança pública é a de ser mediadora de conflitos
sociais e os policiais civis atuam na solução e proteção de vários problemas sociais. Visto
que não há recursos humanos suficientes para suprir as necessidades das unidades policiais,
o resultado gerado pelo acúmulo de funções pode ocasionar no desgaste físico e emocional
desses profissionais. Esse desgaste pode culminar em sintomas ansiosos, estresse e depressão
advinda do ambiente de trabalho. Desse modo faz-se necessário detectar a presença de
sintomas mentais em policiais civis para que possam ser construídas políticas públicas de
prevenção à saúde mental no trabalho. O presente trabalho realizou um estudo transversal e
quantitativo para identificar a presença de sintomas de depressão, ansiedade e estresse em
policiais civis do estado de Minas Gerais/Brasil.
1 Métodos
1.1 Participantes
Participaram da pesquisa 108 servidores públicos ativos da Polícia Civil do Estado
de Minas Gerais, sendo 79 do sexo masculino (73,15%) e 29 do sexo feminino (26,85%).
Foram excluídos os trabalhadores aposentados, afastados do desempenho de suas funções e
que exercem atividades administrativas.
1.2 Procedimento
Os policiais receberam o convite para participar da pesquisa via aplicativo
Whatsapp™. A coleta de dados foi realizada através do Google Forms™. O estudo foi
aprovado pelo comitê de ética da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) (CAAE
nº 67824823.1.0000.5112) e todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido.
1.3 Instrumentos
Foram utilizados dois instrumentos: o questionário de informações sociodemográficas
e a Escala de Sintomas Depressivos, Ansiosos e Estresse (DASS-21). O questionário
sociodemográfico foi criado pelas pesquisadoras e abordaram questões sobre idade,
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gênero, estado civil, nível de escolaridade, ocupação, saúde mental, uso de medicamentos e
tratamentos.
A Depression, Anxiety and Stress Scale (DASS), desenvolvida por Lovibond e
Lovibond (1995), é uma medida dimensional dos construtos de depressão, ansiedade e
estresse, baseada no modelo tripartido de ansiedade e depressão proposto por Clark e Watson
(1991). A escala, originalmente composta por 42 itens, foi posteriormente reduzida para a
versão DASS-21, mantendo sua eficácia em avaliar esses três fatores em populações clínicas
e não-clínicas. Apesar de sua brevidade, a DASS-21 tem demonstrado excelente qualidade
psicométrica em diversos estudos, sendo traduzida para 35 idiomas (Henry & Crawford,
2005; Ribeiro, Honrado & Leal, 2004; Szabó, 2010). No Brasil, a Escala de Ansiedade,
Depressão e Estresse de 21 Itens (DASS-21) foi adaptada e validada em uma amostra de
686 adultos, provenientes de diversas regiões do país, com uma média de idade de 33,88
anos (desvio padrão = 11,26). Os resultados indicaram medidas de confiabilidade variando
de 0,92 a 0,96 para as subescalas (Machado, 2013). Além disso, Vignola e Tucci (2014)
também encontraram boa consistência interna para cada subescala na população brasileira,
através do alfa de Cronbach de 0,92 para a depressão, 0,90 para o estresse e 0,86 para a
ansiedade.
A Escala de Sintomas Depressivos, Ansiosos e Estresse (DASS-21) é um instrumento
de autorrelato composto por três subescalas: depressão, ansiedade e estresse. Utiliza uma
escala Likert de quatro pontos (0 a 3) para avaliar o grau de concordância do sujeito com
afirmações relacionadas aos sintomas experimentados na semana anterior. Os participantes
indicam seu nível de concordância, que varia de Discordo totalmente (pontuação 0) a
Concordo totalmente (pontuação 3).
5
que mais dados se tornam disponíveis, tornando-a uma ferramenta poderosa para a análise
estatística em amostras pequenas e complexas (Van de Schoot & Miocević, 2020).
Neste estudo, o esquema de Jeffery foi empregado para interpretar os fatores de Bayes
(BF). Um BF10 acima de 3 indica evidência substancial para a hipótese alternativa (H1)
em comparação com a hipótese nula (H0); assim, por simetria, um BF10 abaixo de 1/3
(0,33) indica evidência substancial para H0 em relação a H1. Quanto maior o BF10, maior
a evidência da hipótese alternativa. BFs entre 3 e 1/3 indicam que os dados coletados não
discriminam significativamente H0 de H1 (Lee & Wagenmakers, 2014). Além disso, foi
utilizada uma priori não informativa, definida por uma distribuição de Cauchy centrada em
um tamanho de efeito de zero (ÿ) e uma largura/escala de 0,707 (padrão no JASP).
3 Resultados
Os participantes eram em sua maioria homens (73,15%) e tinham entre 31 e 40 anos.
A maioria casado (68,52%) e com filhos (68,52%). Em relação à escolaridade, 92,59% dos
entrevistados tinham curso superior. Quanto à jornada de trabalho, 56,48% dos policiais
trabalhavam em expediente (atuando oito horas diárias de jornada de trabalho, totalizando
quarenta horas semanais), 33,33% trabalhavam em expediente e plantão e 10,19%
trabalhavam somente em plantão (atuando doze horas em escala de plantão diurno e/ou
noturno, totalizando quarenta horas semanais).
A respeito de acompanhamento psicoterapêutico, 18,52% dos participantes fazem
psicoterapia e 81,48% não fazem psicoterapia. Além disso, 42,6% dos participantes referem
que usam ou já usaram medicamentos psicotrópicos ao longo da carreira. Participaram da
pesquisa todas as carreiras da Polícia Civil, sendo 69,4% Investigadores de Polícia, 19,4%
Escrivães de Polícia, 4,6% Delegados de Polícia, 3,7% Peritos Criminais e 2,8% Médicos
Legistas. A descrição completa dos dados sociodemográficos encontra-se na Tabela 1.
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Ensino Médio 2 1,85%
Ensino Superior Incompleto 6 5,55%
Ensino Superior Completo 100 92,59%
Estado Civil
Casado 74 68,52%
Solteiro 21 19,44%
Amasiado (a) 7 6,48%
Divorciado 5 4,63%
Viúvo 1 0,92%
Jornada de trabalho
Expediente 61 56,48%
Plantão 11 10,19%
Experiente e plantão 36 33,33%
Cargo
Investigador de Polícia 75 69,4%
Escrivão de Polícia 21 19,4%
Delegado de Polícia 5 4,6%
Perito Criminal 4 3,7%
Médico Legista 3 2,8%
Uso de Medicamento
Sim 28 25,9%
Não 62 57,4%
Já usou 18 16,7%
Psicoterapia
Sim 20 18,52%
Não 85 81,48%
Fonte: Produção dos autores para esta pesquisa.
7
Moderado 19 (17,59%) 18 (16,66%) 19 (17,59%)
Grave 5 (4,62%) 8 (7,40%) 17 (15,74%)
Muito grave 18 (16,66%) 18 (16,66%) 7 (6,48%)
Fonte: Produção dos autores para esta pesquisa.
Figura 1. Níveis de Sintomas da Escala DASS-21. Fonte: Produção dos autores para esta
pesquisa.
Figura 2. Média total da Escala DASS-21 nos sintomas de estresse, ansiedade e depressão.
Fonte: Produção dos autores para esta pesquisa.
8
Considerando a variável sexo, os dados descritivos apontam que os homens
apresentaram mais sintomas de depressão e estresse comparado às mulheres, enquanto as
mesmas apresentaram mais sintomas ansiosos comparado aos homens. No entanto, não
houve evidências a favor de uma diferença entre sexo nas variáveis de saúde mental, todas
favoreceram o modelo nulo (Tabela 3).
Os resultados apontaram que não houve uma carreira policial mais afetada pelos
sintomas de ansiedade, depressão e estresse. Os fatores de Bayes apontaram evidências a
favor da hipótese nula (Tabela 5).
9
Foi verificado que os participantes que utilizam ou já utilizaram medicamentos
psicotrópicos apresentaram pontuações maiores na escala DASS-21 em todos os sintomas.
A ANOVA bayesiana indica que os dados tinham 223 vezes mais probabilidade de ocorrer
no modelo incluindo o uso ou já uso do medicamento, em comparação com o modelo sem
o uso do medicamento em participantes com maior pontuação em sintomas depressivos. Da
mesma forma, ocorre uma maior probabilidade de ocorrência do modelo a favor da hipótese
alternativa, entre os participantes que usam ou usaram medicamentos e apresentam sintomas
ansiosos e estresse (Tabela 6).
4 Discussão
Este estudo buscou identificar a presença de sintomas de depressão, ansiedade e
estresse em policiais civis do estado de Minas Gerais, bem como verificar se a jornada de
trabalho, carreira policial e sexo estão relacionados com os sintomas de saúde mental.
A amostra aleatória deste estudo foi constituída predominantemente por homens,
com idade entre 31 e 40 anos e com alta escolaridade, assim como encontrado no perfil
de policiais de outros estudos científicos (Ferreira, 2009; Ferreira, Augusto & Silva, 2008;
Sousa, 2011). Tradicionalmente, a profissão de policial civil é essencialmente masculina
e a crescente incorporação de mulheres nessa carreira é um fenômeno recente. O grande
contingente masculino entre os policiais civis é historicamente relacionado ao uso da força
física (Ribeiro, 2018). Além da recente incorporação da presença feminina entre policiais, a
10
atual exigência de ensino superior completo para o ingresso na Polícia Civil explica o perfil
de escolaridade dessa amostra, mais elevado do que o encontrado na população brasileira.
Os resultados apontaram que os participantes apresentaram mais sintomas de estresse,
seguidos de sintomas depressivos e, por último, sintomas ansiosos. Entretanto, a maioria
dos participantes apontaram para sintomas mínimos ou leves. Esses resultados corroboram
com outros estudos que não encontraram níveis altos de sintomas psicológicos em policiais
(Silva, Santos, Silva, Medeiros & Lima, 2023; Silva, 2018).
Não houve evidências para apoiar a diferença de sintomas entre homens e mulheres.
Desta forma, ambos são afetados de maneira igual por estresse, depressão e ansiedade. Outros
estudos também não encontraram diferenças entre os sexos (Silva et al., 2023; Nascimento,
Feitosa & Rodríguez, 2020), embora as mulheres possam apresentar maior prevalência de
sintomas ansiosos se comparadas aos homens (Andrew et al., 2013).
A jornada de trabalho não influencia na prevalência de sintomas de ansiedade, estresse e
depressão. As horas extras, para além da carga horária contratada, wpodem atuar diretamente
como um estressor, aumentando a exposição a riscos no local de trabalho (Virtanen et al.,
2012). Para as mulheres policiais, essa jornada é considerada mais exaustiva, pois além da
carga horária de trabalho habitual, há ainda a realização de atividades no âmbito familiar,
relacionadas aos cuidados da casa e dos filhos (Cappelle & Melo, 2010). Embora nossos
dados não demonstrem uma sobrecarga das mulheres em sintomas mentais, é importante
ressaltar que a amostra feminina é menor.
A intensificação do trabalho associada à constante exposição a riscos e extensão
da jornada de trabalho vivida pelos policiais civis podem comprometer a saúde desses
trabalhadores, embora os nossos resultados não corroborem com as pesquisas que mostram
a relação positiva entre jornada de trabalho e sintomas de estresse, depressão e ansiedade
(Moura, 2019; Feitosa, Silva, Lemos, Melo & Ramos 2021).
O uso de medicamentos psicotrópicos teve uma relevância significativa nos resultados.
Os participantes que relataram o uso de medicamentos apresentaram mais sintomas de
estresse, depressão e ansiedade, comparados ao grupo que não faz uso de medicamentos.
O uso de medicamentos ansiolíticos na classe policial representa um índice superior à
população geral (Dutra & Barbosa, 2009). Supostamente, a função exercida favorece o
surgimento de sintomas psicológicos e logo, a busca por tratamento medicamentoso. Nossos
resultados não mostraram a busca por tratamento psicoterapêutico por parte dos participantes,
considerando que somente 18,52% já fizeram tratamento psicoterapêutico, em contrapartida
dos 42,6% usam ou já usaram medicamentos psicotrópicos. Levantamos a hipótese de que
possivelmente o uso de medicamentos psicotrópicos influencia na percepção dos sintomas
psicológicos de ansiedade, estresse e depressão dos policiais (Kofler et al., 2019).
Considerações finais
Este estudo mostrou que a maior parte dos participantes se encontra sem sintomas
significativos de ansiedade, depressão e estresse. Esse fator muda quando avaliamos os
mesmos participantes quanto ao uso de medicamentos para os sintomas. Os participantes
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que fizeram ou fazem uso de medicamentos psicotrópicos (42,6%) apresentam elevados
níveis de sintomas comparados aos participantes que não usam medicamentos. Embora o
tratamento psicoterapêutico também não tenha influenciado na prevalência dos sintomas,
apenas 18,52% da amostra já fez ou faz acompanhamento psicoterapêutico.
Os resultados descritos podem contribuir para o planejamento e intervenção de novas
pesquisas de saúde mental e intervenções. Além disso, realizar a manutenção das condições
de trabalho implica em consequências positivas para a determinação da saúde, competência
e bem-estar dos policiais, podendo incluir atendimentos psicológicos regulares para auxiliar
no acolhimento, identificação e tratamento das doenças mentais.
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