INSTITUTO FEDERAL GOIANO
– CAMPUS TRINDADE
ELETRÔNICA ANALÓGICA II
Amplificadores
Operacionais
O amp-op ideal, realimentação e configurações básicas
+VCC
v− −
vo
v+ +
−VCC
Conteúdo: o amp-op ideal e real, alimentação,
realimentação negativa, as regras de ouro,
amplificadores inversor, não-inversor e seguidor,
somador, subtrator, integrador, diferenciador
e comparador; limitações práticas.
Professor: Daniel Warles
Data: 23 de junho de 2026
Eletrônica Analógica II Amplificadores Operacionais
Sumário
1 Introdução 3
2 Símbolo, Terminais e Alimentação 4
2.1 Terminais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
2.2 Alimentação simétrica e simples . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
3 O Amp-op Ideal 5
3.1 Modelo interno equivalente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
3.2 Curva de transferência (malha aberta) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
4 Realimentação Negativa e as Regras de Ouro 7
5 Amplificador Inversor 8
5.1 Análise detalhada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
5.2 Interpretação do terra virtual . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
5.3 Impedâncias de entrada e de saída . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
5.4 Efeito do ganho de malha aberta finito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
5.5 Resistor de compensação de polarização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
5.6 Vantagens, limitações e aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
6 Amplificador Não-Inversor 12
6.1 Análise detalhada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
6.2 Relação com o fator de realimentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
6.3 Impedâncias — a grande vantagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
6.4 Vantagens, limitações e aplicações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
7 Seguidor de Tensão (Buffer) 15
7.1 Análise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
7.2 Por que “ganho 1” é útil? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
8 Conversor Corrente-Tensão (Transimpedância) 17
8.1 Análise detalhada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
8.2 Por que o terra virtual é essencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
9 Conversor Tensão-Corrente (V/I) 19
9.1 Carga flutuante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
9.2 Carga aterrada (fonte de Howland) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
10 Amplificador Somador 22
10.1 Análise detalhada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
10.2 Independência das entradas (sem crosstalk) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
10.3 Pesos, média e conversão digital-analógica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
10.4 Somador não-inversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
1
Eletrônica Analógica II Amplificadores Operacionais
11 Amplificador Subtrator (Diferencial) 26
11.1 Análise por superposição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
11.2 Rejeição de modo comum e casamento de resistores . . . . . . . . . . . . . . . . 28
11.3 Limitações e caminho para o amp de instrumentação . . . . . . . . . . . . . . . 28
12 Integrador e Diferenciador 29
12.1 Integrador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
12.2 Diferenciador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
13 Comparador (Malha Aberta) 36
13.1 Detector de cruzamento de zero (sem histerese) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
13.2 Comparador com referência não-nula . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
13.3 Grampeamento de saída e proteção de entrada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
13.4 Disparador de Schmitt (comparador com histerese) . . . . . . . . . . . . . . . . 38
14 O Amp-op Real: Limitações 40
14.1 Resposta em frequência: malha aberta Œ malha fechada . . . . . . . . . . . . . 40
14.2 Saturação e ceifamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
14.3 Resposta transitória: rise time e overshoot . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
14.4 Aspectos práticos de montagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
15 Resumo de Fórmulas 43
16 Exercícios Demonstrativos (Resolvidos) 44
17 Exercícios para Resolver em Sala 47
17.1 Amplificador Inversor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
17.2 Amplificador Não-Inversor e Seguidor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
17.3 Conversor Corrente-Tensão (Transimpedância) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
17.4 Conversor Tensão-Corrente (V/I) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
17.5 Amplificador Somador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
17.6 Amplificador Subtrator (Diferencial) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
17.7 Cascatas e Múltiplos Estágios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
17.8 Integrador e Diferenciador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
17.9 Limitações do Amp-op Real . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
18 Roteiro de Laboratório 65
2
Eletrônica Analógica II Amplificadores Operacionais
1. Introdução
O amplificador operacional (amp-op, ou op-amp) é um dos blocos mais versáteis da eletrônica
analógica. Trata-se de um amplificador de altíssimo ganho com entrada diferencial (duas
entradas) e uma saída. O nome “operacional” vem dos primeiros usos em computadores
analógicos, onde realizava operações matemáticas — soma, subtração, integração e derivação
— de tensões.
Um pouco de história. Os primeiros amp-ops foram construídos com válvulas e, depois,
com transistores discretos, a um custo proibitivo (dezenas de dólares). Em meados da década
de 1960 surgiu o primeiro amp-op em circuito integrado (o µA709), inaugurando uma nova
era no projeto eletrônico: com a produção em larga escala, o preço despencou e amp-ops de
boa qualidade tornaram-se baratíssimos e onipresentes. Hoje o CI amp-op tem características
tão próximas do ideal que projetar com ele é simples e previsível — e é justamente por isso
que o adotamos como bloco funcional básico.
Conceito Importante
O amp-op em uma frase: um amplificador que mede a diferença entre suas duas
entradas (v+ e v− ) e multiplica essa diferença por um ganho enorme:
vo = AOL (v+ − v− )
onde AOL é o ganho de malha aberta (open loop), tipicamente 105 a 106 .
Sozinho, esse ganho gigantesco é difícil de usar (qualquer microvolt na entrada satura a
saída). A genialidade está em “domá-lo” com realimentação negativa: parte da saída é
devolvida à entrada, e o comportamento do circuito passa a depender apenas dos resistores
externos, não do amp-op em si. É isso que torna o amp-op previsível, estável e fácil de projetar.
Atenção
Escopo deste módulo (M1): estudamos o amp-op ideal e suas configurações lin-
eares básicas, além dos comparadores e de uma introdução às limitações do amp-op
real (ganho-banda, slew rate, saturação, resposta transitória). O projeto detalhado de
filtros ativos e osciladores será tratado em módulos posteriores.
3
Eletrônica Analógica II Amplificadores Operacionais
2. Símbolo, Terminais e Alimentação
2.1 Terminais
+VCC
entrada inversora v− −
saída vo
entrada não-inversora v+ +
−VCC (ou −VEE )
Figura 1: Símbolo do amplificador operacional, com as duas entradas, a saída e os terminais
de alimentação.
Terminal Função
v+ (não-inversora) a saída segue o mesmo sentido desta entrada
v− (inversora) a saída segue o sentido oposto desta entrada
vo (saída) tensão de saída amplificada
+VCC / −VCC alimentação que limita a excursão da saída
Tabela 1: Terminais do amp-op.
2.2 Alimentação simétrica e simples
• Simétrica (dual supply): usa-se, por exemplo, ±15 V em relação a um terra comum.
Permite que a saída assuma valores positivos e negativos.
• Simples (single supply): apenas +VCC e terra (ex.: 0–5 V). A saída só excursiona
entre os trilhos positivos — exige cuidado com o nível DC de referência.
Atenção
A saída nunca ultrapassa os trilhos de alimentação. Se o cálculo pedir vo além de ±VCC ,
o amp-op satura em (aproximadamente) ±VCC . Esse limite é a fronteira entre operação
linear e não linear.