CEAD – (Centro de Educação a Distância)
Bacharel em Administração Pública
Universidade Federal de Juiz de Fora
Disciplina: Filosofia e Ética
Polo/Turma: Divinópolis / Turma B 2025/1 Data: 08/06/2025
Professora: Tatiana Dornelas
Tutor: Antonio Gasparetto Júnior
Aluna: Mirian Teresinha Candioto Vetere
TAREFA – SEMANA 6
1 - Como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino abordaram a relação entre fé
e razão?
o discorra sobre as principais ideias de cada filósofo e como elas se
complementam ou se contrastam.
R – A filosofia medieval, da qual Santo Agostinho e São Tomás de Aquino são as
figuras centrais de suas respectivas épocas, teve a tarefa de unir a fé cristã com a filosofia
grega. Ambos os pensadores se debruçaram sobre a relação entre a fé e a razão para
reconciliar essas duas bases do conhecimento.
Santo Agostinho é o principal representante do período da Patrística, o período
dedicado ao crescimento e defesa do cristianismo, adaptando os ensinamentos da filosofia
grega, em particular de Platão.
Para ele não havia contradição entre fé e razão e deveria ocorrer uma união da fé, que
era a Igreja, e da razão, que era a filosofia, em busca da verdade, que seria o próprio Deus.
Sua ideia, que pode ser vista como central, está expressa no aforismo: “é preciso crer para
compreender e compreender para crer”. Ou seja, a fé e a razão se interajudam na busca pela
verdade.
São Tomás de Aquino se destaca como o principal representante da Escolástica, que se
desenvolveu nas primeiras universidades da Europa e também se baseou predominantemente
na filosofia de Aristóteles.
Para São Tomás de Aquino, a razão era auxiliar da fé, pois era racional acreditar na
existência de algo superior. De outro lado a fé era auxiliar da razão ao atuar como um critério
para a verdade.
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Bacharel em Administração Pública
Ele defendia que era possível conhecer Deus pela lógica e pela razão. Sua principal
obra, "Cinco Provas da Existência de Deus" (ou "Vias") mostra pela razão a existência de
Deus, através de argumentações lógicas como a via do movimento, da causalidade, do
contingente e do necessário, dos graus de perfeição e da finalidade.
Portanto, ambos os pensadores estão de acordo que a fé e a razão não se opõem e
podem coexistir e colaborar na busca da verdade e do conhecimento de Deus. Para ambos, a
verdade é uma só e está em Deus.
Diversidade de abordagem / ênfase
Santo Agostinho (influência platônica): tendia a dar maior primazia à fé como ponto
de partida para a compreensão, sendo a razão iluminada pela fé. A verdade seria encontrada
na alma do homem, associando o "mundo das ideias" platônico à palavra de Deus.
São Tomás de Aquino (influência aristotélica): A razão teria um papel mais
autônomo, uma vez que poderia, por própria competência, chegar a verdades fundamentais
(como a existência de Deus por meio de provas lógicas). A fé seria, portanto, um
aperfeiçoamento e uma orientação da razão em relação a mistérios que a razão não poderia,
sozinha, alcançar. Ele utiliza a lógica aristotélica para justificar a fé proveniente da razão.
Resumidamente, ainda que Agostinho sustente que a fé é a base para compreender a
razão, Tomás de Aquino defende que, pela sua própria razão, é capaz de mostrar algumas
verdades da fé e a fé, consequentemente, supriria o que a razão não pode saber. Ambos têm,
no entanto, fundamentos na defesa da conciliação da fé e da razão na filosofia medieval.
2 - De que maneira a concepção de Deus na Filosofia Medieval influenciou a
ética da época?
o analise como a compreensão de Deus moldou os valores e comportamentos na
sociedade medieval.
Durante a Idade Média, a compreensão de Deus ocupava uma posição absolutamente
central, moldando valores e comportamentos de toda a sociedade europeia. Com a
consolidação do cristianismo, Deus era visto como a fonte suprema da verdade e da
moralidade, o ponto de referência absoluto para a ética.
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No contexto medieval, os dogmas cristãos eram considerados verdades
inquestionáveis, aceitas sem espaço para discussão por parte dos fiéis. A limitação humana
diante do divino era reconhecida, de modo que a ética era derivada diretamente das verdades
reveladas e da palavra de Deus.
Além disso, a ideia de Deus como criador, em oposição à concepção grega de um
mundo eterno, estabeleceu o entendimento de que a existência humana possuía um propósito
definido e superior. Dessa forma, a conduta dos indivíduos deveria estar sempre alinhada à
vontade divina, que determinava o sentido da vida.
Com a influência das ideias de Platão, se passou a ver a alma e o corpo como duas
partes bem separadas. A alma era associada à pureza, à espiritualidade e à proximidade com
Deus, enquanto o corpo era visto como fonte dos desejos e, portanto, do pecado. Essa visão
pautava a moralidade, valorizando a moderação dos impulsos carnais e a busca pela elevação
espiritual.
O providencialismo, especialmente articulado por Santo Agostinho, sustentava que
todos os acontecimentos como sofrimentos, alegrias, perdas ou conquistas ocorriam sob a
permissão e vontade de Deus. Assim, a ética medieval enfatizava a aceitação e conformidade
perante o plano divino, promovendo uma postura de resignação e fé diante das adversidades
da vida.
Em resumo, a ética na Idade Média estava ligada à fé cristã. Acreditar em um Deus
criador e cuidadoso guiava as regras de certo e errado e fazia as pessoas seguirem esse
caminho para salvar a alma.
3 - Você acredita que a interação entre fé e razão ainda é relevante nos dias de
hoje?
o compartilhe sua perspectiva sobre a coexistência de fé e razão na sociedade
contemporânea, fornecendo exemplos que sustentem sua opinião.
Embora frequentemente se acredite que, desde o Renascimento, razão e fé seguiram
caminhos opostos, acredito que essa separação não se sustenta de maneira absoluta no
contexto contemporâneo. A ciência assumiu papel de destaque como método de compreensão
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do mundo material, promovendo avanços significativos, como exemplo o tecnológico. No
entanto, o papel da fé permanece relevante, especialmente quando se consideram questões
existenciais, éticas e morais que vão além do que pode ser explicado por meio de observações
ou experiências.
A razão, nesse sentido, é essencial para a análise crítica, a investigação e a construção
de conhecimento objetivo. Ela permite identificar problemas sociais, elaborar hipóteses e
propor soluções fundamentadas em evidências. Mas a razão tem limites, principalmente
quando tenta entender o sentido da vida, saber o que é certo ou errado, ou explicar atitudes
generosas feitas sem querer nada em troca.
É nesse ponto que a fé, em suas diversas manifestações, não somente no âmbito
religioso, atua como força motivadora. Muitos grupos sociais, instituições de caridade e ações
em defesa do meio ambiente mostram que a fé pode motivar pessoas e comunidades a
trabalhar pelo bem de todos. A razão pode identificar os problemas, mas muitas vezes é a fé
que dá o motivo e a força para agir, mesmo quando as dificuldades são grandes.
Por fim, mesmo que ao longo da história a razão (ligada à ciência) e a fé (relacionada à
moral e à experiência pessoal) tenham sido vistas como separadas, o diálogo entre as duas
continua sendo muito importante. A razão pode ajudar a esclarecer a fé, evitando superstições
e exageros, enquanto a fé oferece sentido e valores que a razão sozinha talvez não consiga
alcançar. Por isso, a relação entre fé e razão ainda é uma parte essencial da vida humana hoje.