Crase é a fusão das vogais “a”: a + a = à
Vamos à sua estrutura padrão para ficar tudo mais fácil:
Assim, quando um verbo ou um nome exigir a preposição “a” e o
substantivo posterior admitir artigo “a”, haverá crase. Além disso, se
houver a preposição “a” seguida dos pronomes “aquele”, “aquela”,
“aquilo”, “a” (=aquela) e “a qual”; ocorrerá crase.
Veja as frases abaixo e procure entendê-las com base no esquema acima:
1. Obedeço à lei.
2. Obedeço ao código.
3. Tenho aversão à atividade manual.
4. Tenho aversão ao trabalho manual.
5. Refiro-me àquela casa.
6. Refiro-me àquele livro.
7. Refiro-me àquilo.
8. Não me refiro àquela casa da esquerda, mas à da direita.
9. Esta é a casa à qual me referi.
Na frase 1, o verbo “Obedeço” é transitivo indireto e exige preposição
“a”, e o substantivo “lei” é feminino e admite artigo “a”, por isso há crase.
Na frase 2, o mesmo verbo exige a preposição, porém o substantivo
posterior é masculino, por isso não há crase.
Na frase 3, a crase ocorre porque o substantivo “aversão” exigiu a
preposição “a” e o substantivo “atividade” admitiu o artigo feminino “a”.
Na frase 4, “aversão” exige preposição “a”, mas “trabalho” é substantivo
masculino, por isso não há crase.
Nas frases 5, 6 e 7, “Refiro-me” exige preposição “a”, e os pronomes
demonstrativos “aquela”, “aquele” e “aquilo” possuem vogal “a” inicial
(não é artigo), por isso há crase.
Na frase 8, “me refiro” exige preposição “a”, “aquela” possui vogal “a”
inicial (não é artigo) e “a” tem valor de “aquela”, por isso há duas
ocorrências de crase.
Na frase 9, “me referi” exige preposição “a”, e o pronome relativo “a
qual” é iniciado por artigo “a”, por isso há crase.
Vejamos abaixo algumas regras que ajudam a confirmar a estrutura-
padrão da crase.
a. Quando os pronomes de tratamento estão na função de objeto
indireto ou complemento nominal, antecedidos da preposição “a”, não
recebem crase, pois não admitem artigo.
Refiro-me a Vossa Senhoria. Fiz referência a Vossa Excelência.
Observação: Dentre os pronomes de tratamento, somente senhora
admite artigo “a”, por isso, se esse pronome for precedido de preposição
“a”, haverá crase:
Refiro-me à senhora Gioconda.
b. Diante de topônimos (nomes de lugar) que pedem o artigo feminino,
admite-se a crase:
Faremos uma excursão à Bahia, a Sergipe, a Alagoas e à Paraíba.
Um túnel ferroviário liga a França à Inglaterra.
Perceba que o substantivo “excursão” exige a preposição “a” e os
topônimos “Bahia” e “Paraíba” admitem artigo “a”. Por isso há crase. Já
os topônimos “Sergipe” e “Alagoas” não admitem artigo; por isso não há
crase.
Mas será que devemos decorar quais os topônimos admitem ou não o
artigo “a”? Lógico que não, para isso, temos alguns macetes.
Para você saber se o topônimo pede ou não o artigo, basta trocar o verbo
(que exige a preposição “a”) por outro que exija preposição diferente,
para evitar a confusão da preposição com o artigo. Veja:
Fui à Bahia. Fui a Sergipe. Fui a Roma.
Para termos certeza de que há artigo ou não, basta trocarmos por “vim”.
Veja:
Vim da Bahia. Vim de Sergipe. Vim de Roma.
Como o verbo “Vim” exige preposição “de”, se a oração permanecer
somente com essa preposição, é sinal de que, com o verbo “Fui”, também
permanecerá só a preposição “a” (Vim de Sergipe→Fui a Sergipe).
Mas, se o verbo “Vim” estiver seguido de preposição mais artigo “da”, é
sinal de que, com o verbo “Fui”, também ocorrerá preposição mais artigo
“à” (Vim da Bahia→Fui à Bahia).
Entretanto, você vai notar que, às vezes, queremos enfatizar, determinar,
especificar esses topônimos que não admitem o artigo. Quando
colocamos uma locução adjetiva ou outro determinante que o
caracterize, naturalmente receberá artigo. Havendo verbo que exija a
preposição “a”, ocorrerá a crase. Veja:
Viajamos a Brasília, depois fomos a São Paulo.
(Viemos de Brasília … de São Paulo)
Viajamos à Brasília de Juscelino, depois fomos à São Paulo da garoa.
(Viemos da Brasília de Juscelino … da São Paulo da garoa)
Portanto, sem decoreba, ok? Temos que entender o uso. Vamos a outros
casos.
c. A palavra casa normalmente admite artigo (a casa é linda; comprei a
casa de meus sonhos; pintei a casa de azul etc). Porém, quando há um
sentido de deslocamento para ou do “próprio lar”, ela não admite artigo.
Mas isso não será problema para nós, pois usamos isso intuitivamente.
Vamos lá:
Você diz: “vim de casa” ou “vim da casa”?
Você diz: “vou para casa” ou “vou para a casa”?
Se é seu próprio lar, é natural dizer, “vim de casa”, “vou para casa”.
Porém, quando essa casa não é a sua, naturalmente e intuitivamente,
coloca-se um determinante nesse substantivo e obrigatoriamente
inserimos artigo. Tudo isso para mostrar que a casa não é a nossa. Está
em dúvida? Então veja:
Você diz “vim de casa da Luzia” ou “vim da casa da Luzia”?
Você diz “vou para casa da Luzia” ou “vou para a casa da Luzia”?
Naturalmente usamos as segundas opções, correto?
Sabemos que isso não proporciona a crase. Mas, se enxergamos que a
preposição “para” tem o mesmo valor da preposição “a”; na sua
substituição, podemos ter crase. Veja:
Vou para casa. Vou para a casa da Amélia.
a+a
Vou a casa. Vou à casa da Amélia.
O bom filho volta a casa todos os dias.
O bom filho volta à casa dos pais todos os dias.
Note que se pode determinar a palavra “casa” colocando letra inicial
maiúscula (Casa). Assim, essa palavra passa a ter outra denotação:
sinônimo de Câmara dos Deputados ou representação de uma instituição.
Dessa forma, poderá ocorrer a crase:
Prestar à Casa as devidas homenagens.
d. Seguindo a mesma ideia do item anterior, a palavra “terra” admite
artigo normalmente.
A terra é boa! Ele vive da terra!
Assim, haverá crase:
O agricultor dedica-se à terra.
Não há crase quando a palavra terra está em contraposição a “a bordo”.
Isso porque não dizemos “ao bordo”. Não pode haver artigo nesta
expressão:
Os marinheiros voltaram a terra depois de um mês no mar. (estavam a
bordo)
Mas, se determinamos essa palavra, passamos a ter artigo e,
consequentemente, crase. Veja:
Viajou em visita à terra dos antepassados.
Quando os astronautas voltarão à Terra? (a letra maiúscula determina)
e. Na locução à uma, significando“unanimemente, conjuntamente”,
haverá crase. Veja:
Os sindicalistas responderam à uma: greve já!
Vimos a estrutura de um verbo ou nome que exige preposição “a”.
Locução adverbial de base feminina: quando há
uso de crase?
Agora, veremos a locução adverbial que não é exigida pelo verbo, mas
possui a estrutura interna com a preposição.
Exemplo: Estive aqui de manhã.
Note que a locução adverbial “de manhã” ocorreu sem exigência do
verbo, pois poderíamos dizer “Estive aqui.” Esta locução tem uma
composição própria: de + manhã. Se essa estrutura fosse composta por
preposição “a” seguida de nome feminino que admitisse artigo “a”,
haveria crase.
Exemplo: Estive aqui à noite.
Assim, vamos à estrutura da locução adverbial:
preposição + artigo + nome
à noite
à tarde à noite à direita às claras
às escondidas à toa à beça à esquerda
às vezes às ocultas à chave à escuta
à deriva às avessas às moscas à revelia
à luz à larga às ordens às turras
Deve-se dar especial destaque às locuções adverbiais de tempo, que
especificam o momento de um evento, com o núcleo expresso com o
substantivo hora(s), o qual recebe o artigo definido “a”, “as”.
à meia-noite, à uma hora
às duas horas às três e quarenta.
Não se pode confundir com a indicação de tempo generalizado ou
tempo futuro:
Isso acontece a qualquer hora. Estarei lá daqui a duas horas.
Veja a diferença nas frases abaixo:
A aula acabará a uma hora. (uma hora após o momento da fala)
A aula acabará à uma hora. (terminará às 13 horas ou à uma hora da
madrugada)
A aula acabara há uma hora. (a aula acabou uma hora antes)
No último caso, não há locução adverbial, o verbo “há” marca tempo
decorrido. Vimos isso na concordância, lembra?
Nas expressões que demarcam início e fim de evento, o
paralelismo deve ser conservado. Se o primeiro dos termos não possui
artigo a, o segundo também não terá. Se o primeiro tiver, o segundo
receberá a crase:
A reunião será de 9 a 10 horas. A reunião será das 9 às 10 horas.
Note: se o início do evento não recebeu artigo, o término também não
receberá. (de 9 a 10 horas).
Se o início do evento recebeu artigo, o término também receberá. (das 9
às 10 horas).
Merece destaque a locução adverbial de modo à moda de. Ela pode estar
expressa ou subentendida; por isso, deve-se tomar muito cuidado:
Pedimos uma pizza à moda da casa.
Atrevia-se a escrever à Drummond. (à moda de)
Pedimos arroz à grega. (à moda)
Não confunda com as expressões frango a passarinho, bife a cavalo, as
quais não possuem crase por não transmitirem modo.
Locução prepositiva de base feminina: uso da
crase
Haverá crase também nas locuções prepositivas, que são sempre
nocionais e iniciam locução adverbial:
à beira de à sombra de à exceção de à força de
à frente de à imitação de à procura de à semelhança de
O uso do acento grave é opcional nas locuções adverbiais que
indicam meio ou instrumento, desde que o substantivo seja feminino:
barco a (à) vela; escrever a (à) máquina; escrever a (à) mão; fechar a
porta a (à) chave; repelir o invasor a (à) bala. Normalmente, os bons
autores têm preferido sem a crase. Tudo isso depende da intenção
comunicativa. O instrumento ou o meio podem ser especificados ou não
com o artigo “a”.
Nas locuções adverbiais com palavras repetidas não haverá crase, pois os
substantivos estão sendo tomados de maneira geral, sem artigo definido:
cara a cara; frente a frente, etc.
A crase é obrigatória nas locuções conjuntivas adverbiais proporcionais à
medida que, à proporção que:
À medida que estudamos, vamos entendendo a matéria.
À proporção que as aulas ocorrem, os assuntos vão se
acumulando.
Perceba uma diferença muito importante entre “às vezes” e “as vezes”.
Às vezes você me olha diferente.
Note que, neste caso, não há precisão de momento, entende-se “de vez
em quando, por vezes, algumas vezes. Assim, há uma locução adverbial
de tempo e há crase.
Porém, podemos utilizar esta estrutura sem crase, quando há uma
especificação do momento:
As vezes que te vi, fiquei extasiado.
Neste caso, este termo será especificado por um termo adjetivo ou
oração adjetiva. Portanto, tome cuidado!
Crase Facultativa
Emprega-se facultativamente o acento indicativo de crase quando é
opcional o uso da preposição a, ou do artigo definido feminino.
Casos em que a crase é facultativa:
a. A preposição “a” é facultativa depois da preposição “até”:
O visitante foi até a sala do Diretor.
O visitante foi até à sala do Diretor.
A sessão prolongou-se até à meia-noite.
A sessão prolongou-se até a meia-noite.
b. O artigo definido é facultativo diante de pronome possessivo. Mas,
para a crase ser facultativa, esse pronome possessivo deve ser feminino
singular.
Crase facultativa: Refiro-me à minha amiga. Refiro-me a minha amiga.
Crase obrigatória: Refiro-me às minhas amigas.
Crase proibida: Refiro-me a minhas amigas.
c. O artigo definido é facultativo diante de nome próprio de pessoa. Se o
nome for feminino e o verbo exigir preposição, a crase será facultativa:
Refiro-me à Madalena.
Refiro-me a Madalena.
Observações:
1)Tratando-se de pessoa célebre com a qual não se tenha intimidade,
geralmente não se usa o artigo nem o acento indicativo de crase, salvo
nos casos em que o nome esteja acompanhado de especificativo.
O orador fez uma bela homenagem a Rachel de Queiroz.
O orador fez uma bela homenagem à Rachel de Queiroz de O
quinze.
Nas gramáticas, são elencados os casos em que a crase será proibida.
Para isso, basta apenas relembrarmos a estrutura-padrão da crase.
Resumo – uso da crase
A crase ocorre por alguns motivos, quais sejam:
a) regência verbal: quando o verbo rege a preposição “a” e o substantivo
posterior admite o artigo “a”: Obedeço à lei.
b) regência nominal: quando um nome (adjetivo ou substantivo) rege a
preposição “a” e o substantivo posterior admite o artigo “a”:
Sou obediente à lei.
Tenho obediência à lei.
c) locução prepositiva de base feminina: Estava à espera de você.
d) locução adverbial de base feminina: À noite, estarei em casa.
e) locução conjuntiva de base feminina:
À medida que o tempo passa, o estudo é
potencializado.
À proporção que me dedico, o estudo é
potencializado.
Anotações:
B
Recebe o acento grave o “a” inicial das locuções adverbiais, tais como: à esquerda,
à direita.
C
Recebe o acento grave o “a” inicial das locuções prepositivas, como: à moda de, à
maneira de.
D
Recebe o acento grave o “a” inicial das locuções conjuntivas, exemplos: à medida
que, à proporção que, formadas com palavras femininas.
E
Em regra, a crase é usada antes de palavras femininas, exceção dada aos pronomes
demonstrativos: “aquele” e “aquilo”.
· sempre quando generalizar não se usa crase , ex TODOS
Explicou isto a todos com abundância de gritos e gestos.
I. Não há crase antes de palavras masculinas. II. A crase é uma junção de artigo
feminino e preposição. III. Não se usa crase diante de verbo.