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Aspectos Técnicos Dos Sistemas de Esgotamento Sanitário: Objetivo

O documento aborda os aspectos técnicos dos sistemas de esgotamento sanitário, incluindo suas características fundamentais, operação unitária, e a importância do tratamento adequado dos esgotos para evitar a poluição ambiental. Ele também discute as variações qualitativas e quantitativas dos esgotos, os métodos de dimensionamento e as normas a serem seguidas para garantir a eficiência das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Além disso, apresenta um estudo de caso para aplicação prática dos conceitos discutidos.
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Aspectos Técnicos Dos Sistemas de Esgotamento Sanitário: Objetivo

O documento aborda os aspectos técnicos dos sistemas de esgotamento sanitário, incluindo suas características fundamentais, operação unitária, e a importância do tratamento adequado dos esgotos para evitar a poluição ambiental. Ele também discute as variações qualitativas e quantitativas dos esgotos, os métodos de dimensionamento e as normas a serem seguidas para garantir a eficiência das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Além disso, apresenta um estudo de caso para aplicação prática dos conceitos discutidos.
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Aspectos técnicos dos sistemas de

esgotamento sanitário

Você sabe quais são as características fundamentais dos sistemas de esgotamento


sanitário? O que é uma operação unitária? Quais são as características qualitativas e
quantitativas dos esgotos sanitários? Por fim, quais são as principais referências
normativas a serem seguidas para o atendimento às exigências de performance das
Estações de Tratamento de Esgoto – ETEs?

Nesta unidade responderemos a todas essas questões e mais algumas indispensáveis


para que possamos conhecer os aspectos técnicos dos sistemas de esgotamento
sanitário. Além disso, abordaremos a importância dos processos físicos, químicos e
biológicos de tratamento e aprenderemos a calcular as vazões mais importantes para
o dimensionamento assertivo de redes de coleta e até mesmo de ETEs. Também
conheceremos a importância da identificação de parâmetros e padrões normativos
para uma operação segura, em sintonia com as exigências normativas.

Por fim, exercitaremos todos os conteúdos e conceitos apresentados em um estudo de


caso montado especialmente para que você possa fixar o conhecimento. Bons
estudos!

Objetivo

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Reconhecer as características fundamentais dos sistemas de esgotamento


sanitário para um exercício profissional assertivo que integre visão teórica e
prática.
• Aplicar diferentes métodos e formulações empíricas para o correto pré-
dimensionamento dos elementos que integram os sistemas de esgotamento
sanitário.
• Analisar aspectos legais e normativos para o correto dimensionamento de
sistemas de esgotamento sanitário.

Conteúdo Programático

Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga
de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para
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• Tema 1 - Características Fundamentais dos Sistemas de Esgotamento
Sanitário
• Tema 2 - Premissas de dimensionamento e diretrizes de cálculo
• Tema 3 - Questões legais e normativas: performance e padrões de
lançamento
• Tema 4 - Estudo de caso: pré-dimensionamento de um sistema de
esgotamento sanitário

Depois de sair de nossas casas, o esgoto sanitário inicia uma verdadeira jornada até
chegar a uma Estação de Tratamento de Esgotos – ETE. Ele passará por diversos
trechos de rede e elevatórias para, de forma segura, ser efetivamente tratado. Este
processo visa reduzir os impactos ambientais do lançamento de esgotos sem o devido
tratamento no ambiente. Pensando nisso, vamos compreender um pouco melhor os
conceitos envolvidos nesse processo?

Assista ao vídeo O que acontece com o esgoto depois que ele sai da sua casa?,
no canal do YouTube da companhia Catarinense de Águas e Saneamento – CASAN,
para aprender ainda mais sobre os sistemas de coleta, transporte e tratamento de
esgotos.

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Tema 1
Características fundamentais dos sistemas de
esgotamento sanitário

Qual é a composição básica do esgoto sanitário?


Você já percebeu o quanto os nossos rios urbanos são poluídos? O quão
acinzentadas, turvas e densas são suas águas, em especial nos períodos de
estiagem? Esses aspectos apontam para a degradação ambiental promovida pelo
lançamento inadequado de esgoto sanitário in natura nos corpos hídricos. E por que
isso acontece?

É inegável que, a partir da Primeira Revolução Industrial no século XVIII, houve um


salto significativo no processo de urbanização nas cidades de todo o mundo.
Entretanto, em sua grande maioria, as cidades se desenvolveram em total dissintonia
com a implantação de redes específicas de coleta, transporte e tratamento de esgotos.
À época, entendia-se que os sistemas de esgotamento sanitário deveriam ser
interligados aos sistemas de drenagem urbana, com o intuito de facilitar o escoamento
das vazões de esgoto, caracterizando o que chamamos de sistema de coleta em
tempo seco.

Para os engenheiros da época, não se justificava construir um sistema que fizesse a


separação das águas pluviais dos esgotos gerados (sistema separador absoluto), pois,
à época, as técnicas de tratamento de esgotos domésticos sequer haviam sido
desenvolvidas naquele momento. A lógica dos engenheiros era relativamente simples:
era preciso tirar os esgotos sanitários dos limites das cidades para evitar o mal cheiro,
a atração de vetores e a deflagração de doenças, nesse cenário, a interligação com os
sistemas de drenagem parecia uma boa solução.

Observação
Por total desconhecimento, os engenheiros do século XVII também não se
preocuparam com as questões ambientais derivadas dessa ação ao longo do tempo.

Em um primeiro momento, a solução idealizada parecia promissora, entretanto, o


desenvolvimento das cidades ao longo dos anos, motivado pelo crescimento
populacional e pelo desenvolvimento da indústria, sentenciou à morte os nossos
corpos hídricos em meio à poluição. Esse fato evidencia a importância do
planejamento de soluções integradas que venham a constituir efetivos e eficientes
sistemas de esgotamento sanitário, em especial para os centros urbanos.

Nota
Em síntese, os sistemas de esgotamento sanitário integram as etapas de coleta,
transporte, tratamento e lançamento dos esgotos tratados em corpos hídricos,
considerando um rol de premissas técnicas, normativas e legais.

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Dessa forma, para avançarmos na caracterização dos sistemas de esgotamento
sanitário, é preciso definir as características gerais dos esgotos sanitários, bem como
as características dos seus sistemas de coleta, transporte e tratamento.

Características gerais dos esgotos sanitários

O esgoto sanitário nada mais é do que a água que consumimos em nossas rotinas
acrescida de impurezas. Naturalmente, quando são despejados no ambiente sem o
devido tratamento, os esgotos sanitários alteram a qualidade dos corpos hídricos
receptores propiciando a sua degradação (poluição).

Segundo Jordão e Pessôa (2011), os esgotos são classificados em dois grupos


principais:

• Esgotos sanitários – São constituídos, em sua maior parte, de despejos


domésticos, águas pluviais, águas de infiltração e, eventualmente, uma
pequena parcela de despejos industriais.

• Esgotos industriais – Já os industriais são essencialmente derivados dos


processos industriais originários, carregando traços de insumos utilizados em
processos produtivos.

Para ambos os casos, o termo efluente também pode figurar como um sinônimo.

Assim, esgoto sanitário é aquele proveniente de residências, comércio, instituições ou


quaisquer edificações contendo instalações de banheiro, lavanderia, cozinha ou
qualquer dispositivo que utilize água para fins domésticos. Em geral,
aproximadamente 99,9% do esgoto sanitário que produzimos é composto de água e
apenas 0,1% do esgoto é composto de sólidos, que efetivamente causam a
poluição.

Saiba mais

Composto de sólidos

Essencialmente, os sólidos são compostos de restos de alimentos, urina,


fezes, papel, sabão, detergentes e água de lavagem. Aproximadamente
75% da fração de sólidos é constituída de matéria orgânica em
decomposição, onde proliferam microrganismos (JORDÃO; PESSÔA,
2011). Ou seja, a fração orgânica em decomposição se destaca como a
mais preponderante na constituição dos esgotos sanitários.

Destaca-se ainda que as características dos esgotos sanitários variam de forma


qualitativa e quantitativa em função do uso que foi dado à água que o originou. Por

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esse motivo, os esgotos sanitários podem sofrer variações de concentrações de
cargas orgânicas (e de outros parâmetros), de vazões unitárias médias e de vazões
instantâneas.

Mais adiante, abordaremos com mãos detalhes as características qualitativas e


quantitativas do esgoto sanitário; por enquanto, destacaremos apenas que essas
variações podem ocorrer devido aos seguintes fatores:

• Clima da região.
• Hábitos da população.
• Renda per capita da população.
• Diversidade das atividades de comércio e indústria.
• Número de habitantes fixos e sazonais.
• Outros (custos da água, topografia etc.).

Características dos sistemas de coleta e transporte de


esgotos sanitários

De acordo com Sperling (2014), os sistemas de coleta de esgotos sanitários podem


ser individuais (estáticos) ou coletivos (dinâmicos). Esses últimos dividem-se nos
sistemas unitário e separador.

Sistemas individuais

Pressupõem a solução no local da geração do esgoto sanitário, sendo, portanto,


usualmente adotados para atendimento unifamiliar, embora, também possam atender
mais de uma residência ao mesmo tempo.

Esse tipo de sistema consiste no lançamento de esgotos em sistemas que integram


fossas, filtros e sumidouros ou sistemas que integram fossas, filtros e lançamento em
corpo hídrico. Vale destacar que, mesmo sendo uma solução simplificada, com
eficiência de remoção de carga orgânica da ordem de 60% (JORDÃO; PESSÔA,
2011), pode funcionar de maneira satisfatória se a densidade populacional for baixa e
se o solo apresentar boas condições de infiltração (meio rural).

Entretanto, destaca-se que, para a implantação de sumidouros, é necessário que o


nível da água subterrânea esteja a uma profundidade adequada, com o devido
afastamento, de forma a evitar o risco de sua contaminação cruzada por bactérias e
outros microrganismos patógenos presentes nos esgotos sanitários em infiltração.

Sistemas coletivos

Esses sistemas, também chamados de dinâmicos, são indicados para locais de


elevada densidade populacional (meio urbano). A solução consiste na execução de
troncos coletores e outras canalizações de rede para coleta e transporte dos esgotos
sanitários até o destino. Os sistemas coletivos apresentam duas variações principais:

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• Sistema unitário (combinado ou coleta em tempo seco) – Os esgotos
sanitários e as águas pluviais são conduzidos ao destino dentro da mesma
canalização.

• Sistema separador (absoluto) – Os esgotos sanitários e as águas pluviais


são conduzidos ao destino em canalizações separadas.

Importante!
São inconvenientes do sistema unitário (combinado ou coleta em tempo seco):

1. Custos iniciais elevados.


2. Grandes dimensões das canalizações.
3. Riscos de reflexo do esgoto sanitário para residências.
4. Impossibilidade de as ETEs serem dimensionadas para tratar toda a vazão que
é gerada no período de chuvas.
5. Possível ocorrência de mau cheiro proveniente de bocas de lobo e demais
pontos do sistema.
6. Necessidade de grandes tubulações durante o regime de chuvas torrenciais, as
quais ficam ociosas no período seco.

São vantagens do sistema separador (absoluto):

1. Afastamento das águas pluviais facilitado.


2. Menores dimensões das canalizações de coleta.
3. Possibilidade de emprego de diversos materiais nas tubulações de esgoto.
4. Redução de custos e prazos de construção.
5. Possível planejamento de execução de obras por partes.
6. Melhoria das condições de tratamento dos esgotos sanitários.
7. Não ocorrência de extravasão dos esgotos no período de chuvas intensas.

Características dos sistemas de tratamento de esgotos


sanitários

Depois da coleta e do transporte nas canalizações instaladas nas vias públicas,


espera-se que o esgoto sanitário tenha um destino ambientalmente adequado em uma
ETE que performe conforme as resoluções e normas ambientais vigentes.

Importante!
É importante destacar que o processo de tratamento dos esgotos sanitários consiste,
basicamente, na separação de fase líquida (esgoto clarificado/tratado) e fase sólida
(lodo concentrado). Ou seja, os processos e as técnicas de tratamento dos esgotos
sanitários envolvem a separação de fases e o tratamento de ambas separadamente. O
objetivo principal é reduzir a carga poluidora de modo que fase líquida e fase sólida

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possam ser devolvidas ao ambiente sem causar impactos negativos à fauna, à flora e
à sociedade.

Como idealizamos as rotas de tratamento dos esgotos sanitários?

Em síntese, podemos dizer que as rotas de tratamento são idealizadas a partir da


conjugação de operações unitárias, as quais são etapas de processos empregados
para remover substâncias indesejáveis (geralmente específicas) ou abrandar seus
efeitos poluidores. A união de diferentes operações unitárias, com diferentes funções,
configura uma rota tecnológica de tratamento.

De acordo com Sperling (2014), são operações unitárias:

Processo no qual gases são adicionados ao esgoto a ser tratado,


Troca de gás expondo-o ao ar sob condições elevadas, reduzidas ou normais de
pressão para ativação de micro-organismos aeróbios.

São grades para retirar e remover o material flutuante e a matéria em


Gradeamento
suspensão que for maior que as suas aberturas.

As partículas em suspensão sedimentam-se pela ação da gravidade,


não podendo mais ser levantadas novamente pela ação das
Sedimentação
correntes. Esse processo ocorre em caixas de areia (retirada da areia
do esgoto) e em decantadores (remoção de sólidos sedimentáveis).

Operação que diminui a capacidade de carreamento da água e


aumenta a capacidade de empuxo, que pode ser feita pela adição de
agentes flotantes. Substâncias mais leves, ou que tenham se tornado
Flotação mais leves pela ação do agente flotante, sobem à superfície e são
removidas por raspagem. Como exemplo podemos citar a remoção
de gordura e óleo do esgoto e a remoção de partículas em
suspensão pelo efeito de aeração ou outros agentes.

Adição de coagulantes (substâncias químicas formadoras de flocos)


ao esgoto para que a matéria em suspensão sedimentável se junte
Coagulação ou se combine com a não sedimentável e a coloidal. Forças de
química atração as une e formam flocos em suspensão que sedimentam
melhor. A coagulação pode ocorrer com a adição de cloreto férrico ao
esgoto.

Operação que retira substâncias dissolvidas da solução. Adicionam-


Precipitação se substâncias químicas solúveis que reagem com as substâncias
química químicas do esgoto, precipitando-as. A adição de cal ao esgoto rico
em ferro produz flocos sedimentáveis.

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A matéria em suspensão do esgoto é transferida para os grãos de
areia, o carvão ou outro material granular por meio dos fenômenos de
Filtração
coação, de sedimentação e de contato interfacial. Como exemplo,
temos a filtração lenta do esgoto a partir de leitos de areia.

Inativação de organismos vivos potencialmente infecciosos por meio


Desinfecção
de cloração, ozonização ou ação de raios ultravioleta sobre o esgoto.

Decomposição por microrganismos da matéria orgânica contida no


esgoto ou no lodo e transformação de substâncias complexas em
Oxidação
produtos simples. O processo pode ocorrer por meio da aeração dos
biológica
esgotos, da filtração biológica, da depuração nas lagoas de
estabilização e da digestão do lodo.

Depois de analisar as diferentes operações unitárias, podemos inferir que todas


podem ser agrupadas em apenas três tipologias de processos, sendo eles físicos,
químicos ou biológicos. De acordo com Jordão e Pessôa (2011), são características
dos processos físicos, químicos e biológicos:

Processos físicos

São processos em que há predominância dos fenômenos físicos de um sistema ou


dispositivo de tratamento. Esses fenômenos caracterizam-se principalmente nos
processos de remoção das substâncias fisicamente separáveis dos líquidos ou que
não se encontram dissolvidas. Em geral, têm a finalidade de separar substâncias em
suspensão no esgoto. Nesse caso, inclui-se a remoção de sólidos grosseiros, de
sólidos sedimentáveis e de sólidos flutuantes. No entanto, qualquer outro processo em
que há predominância dos fenômenos físicos constitui um processo físico de
tratamento, tais como:

a. Remoção de umidade de lodo.


b. Filtração de esgotos.
c. Incineração do lodo.
d. Diluição dos esgotos.
e. Homogeneização dos esgotos

Processos biológicos

São os processos que dependem da ação de microrganismos presentes no esgoto.


Baseiam-se na transformação de componentes complexos em simples (sais minerais,
gás carbônico e outros) a partir da alimentação dos microrganismos. Procuram
reproduzir em dispositivos projetados os fenômenos biológicos observados na
natureza, condicionando-os em área e tempo economicamente justificáveis. Os
principais processos biológicos de tratamento são:

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a. Digestão do lodo (anaeróbio, aeróbio, fossas sépticas).
b. Oxidação biológica aeróbia (lodos ativados, filtros biológicos aeróbios, valos
de oxidação e lagoas de estabilização).
c. Oxidação biológica anaeróbia (reatores anaeróbios de fluxo ascendente,
lagoas anaeróbias e tanques sépticos).

Processos químicos

São processos em que há a utilização de produtos químicos para catalisar reações


químicas de interesse. Raramente são adotados de forma isolada. A necessidade de
se utilizar produtos químicos tem sido a principal causa da menor aplicação do
processo, em função das complexidades de armazenamento de produtos químicos e
dos altos custos associados. Normalmente é utilizado quando o emprego dos
processos físico e biológico não atendem às exigências legais e normativas, ou não
atuam eficientemente nas características que se deseja reduzir ou remover. Os
processos químicos comumente adotados em tratamento de esgotos são:

1. Coagulação.
2. Floculação.
3. Precipitação química.
4. Oxidação química.
5. Cloração.
6. Correção de pH.

Exemplo de Estação de Tratamento de Esgotos – ETE.

A definição do tipo de processo e das operações unitárias necessárias para o efetivo


tratamento de esgotos sanitários apoia os engenheiros civis, ambientais e/ou
sanitários a realizarem um bom planejamento dos sistemas de tratamento. Entretanto,
como podemos classificar as rotas tecnológicas? Sperling (2014) propõe a adoção de

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dois critérios de classificação distintos para as rotas tecnológicas, sendo
eles fenômenos da remoção e grau de eficiência, detalhados a seguir.

Fenômenos de remoção

O método de classificação da remoção ou transformação das características dos


esgotos tem como objetivo especificar as unidades de tratamento onde se processam
as operações unitárias:

• Remoção de sólidos grosseiros em suspensão – Crivos, peneiras, grades,


desintegradores.
• Remoção de sólidos sedimentáveis – Caixas de areia, centrifugadores,
decantadores.
• Remoção de óleos, graxas e sólidos flutuantes – Tanque de retenção de
gordura (caixa de gordura), tanque de flotação (flotadores por ar dissolvido),
decantadores com removedores de escuma.
• Remoção de material miúdo em suspensão – Tanques de flotação, tanques
de precipitação química, filtros de areia.
• Remoção de substâncias orgânicas dissolvidas – Filtros biológico, lagoas
de estabilização, tanques de lodos ativados, valos de oxidação, sistemas de
aeração prolongada, reatores anaeróbios de fluxo ascendente (UASB).
• Remoção de odores – Processos físicos (adsorção e agentes
desodorizantes), processos químicos (oxidação química e torres de lavagens
de gases), processos biológicos (leitos percoladores e turfa).
• Controle de doenças de veiculação hídrica – Cloração com gás cloro,
dióxido de cloro, hipoclorito de sódio; ozonização, irradiação (raios UV), lagoa
de maturação.

Grau de eficiência

É comum classificarmos as instalações de tratamento de acordo com o grau de


eficiência obtido por um ou mais dispositivos de tratamento na redução dos
parâmetros de interesse. Dessa forma, usualmente classificamos os tratamentos em:

• Tratamento preliminar – Prepara o efluente não tratado para o tratamento


subsequente (remoção de sólidos grosseiros, remoção de gorduras e remoção
de areia).
• Tratamento Primário – Nessa etapa é realizada principalmente a estabilização
e a remoção dos sólidos em suspensão, além de parte das substâncias
coloidais (sedimentação, flotação, lagoa anaeróbia, tanque séptico, tanque
Imhoff, reator anaeróbio de fluxo ascendente, digestão e secagem de lodo).
• Tratamento secundário (biológico) – Nessa etapa os microrganismos
consomem a matéria orgânica coloidal ou dissolvida por processos biológicos
de tratamento (filtração biológica, processo de lodos ativados, lagoas de
estabilização aeróbias).

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• Tratamento terciário – É uma etapa de polimento após o tratamento
secundário (processos de remoção de organismos patógenos, processo de
remoção de nutrientes, processo de tratamento avançado (filtração final,
absorção por carvão e membranas).

Podem existir centenas, talvez milhares de composições de operações unitárias para a


criação de rotas tecnológicas. Dessa forma, destacamos a seguir algumas das
tecnologias mais utilizadas para o projeto de ETEs no Brasil.

Decantador

Os decantadores primários são unidades localizadas logo após as unidades de


tratamento preliminar, com o objetivo de proporcionar a sedimentação de sólidos
orgânicos e inorgânicos, os quais serão posteriormente removidos. A eficiência dos
decantadores está relacionada à capacidade do tanque em permitir que os sólidos
contidos nos esgotos sejam convenientemente decantados sem que haja perturbação
ou arraste desses sólidos antes de sua remoção ou transferência.

As condições de decantação estão vinculadas à velocidade de sedimentação dos


sólidos dentro do tanque ou à taxa de escoamento superficial. Pode-se também
relacionar a decantação ao tempo de detenção no decantador. Normalmente a quase
totalidade dos sólidos sedimentáveis é removida em duas horas de detenção, mas a
tendência atual é reduzir para uma hora na vazão máxima, mantendo-se as condições
de vazão superficial.

A fim de evitar que o lodo sedimentado seja arrastado e suspenso novamente,


recomenda-se manter a velocidade horizontal de escoamento inferior a 0,05 m/s no
caso de decantadores primários e inferior a 0,02 m/s em decantadores secundários.
Em alguns decantadores existem dispositivos para remoção da escuma formada pela
gordura não removida no tratamento preliminar. Essa operação é chamada de
remoção de sólidos flutuantes e deve ser realizada continuamente para se evitar o
arraste de escuma com o esgoto líquido.

A remoção do lodo decantado pode ser manual ou mecânica. A remoção manual é


realizada em decantadores de pequeno porte, com inclinação suficiente para permitir
que o lodo desça para o poço de acumulação, de onde é removido por carga
hidráulica ou por bombeamento. Quando a remoção é mecanizada, existem
raspadores de fundo que arrastam o lodo sedimentado para o poço de acumulação,
tornando-se possível adotar uma menor inclinação no fundo.

Lodos ativados

Processos biológicos nos quais o esgoto afluente é misturado com o lodo ativado por
micro-organismos, agitado e aerado para seguir para um decantador secundário, no
qual o lodo ativado é separado do esgoto tratado. O lodo ativado retorna ao tanque de
aeração. A aeração dos tanques se dá por meio de difusores, agitadores mecânicos

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ou pela combinação dos dois sistemas. O desempenho do processo de lodos ativados
depende de vários fatores, sendo que a presença de micro-organismos, entre eles as
bactérias, é um dos mais importantes no processo. As bactérias são as principais
responsáveis pela estabilização da matéria orgânica e pela formação de flocos.

Segundo Jordão e Pessôa (2011), a massa de oxigênio a ser fornecida depende da


idade do lodo e da taxa de utilização do substrato. Se a idade do lodo é menor que 18
dias e a taxa de substrato superior a 0,15/d, a massa de oxigênio a ser fornecida é 1,5
vezes a carga de DBO5 aplicada. Dependendo do volume do tanque de aeração e da
carga orgânica, é necessária uma certa massa de oxigênio. Uma vez conhecida a
faixa de OD necessária para a operação do processo é necessário mantê-la.

Uma queda no teor de oxigênio pode gerar um efluente pobre e um excesso de


oxigênio provocar a nitrificação e o crescimento descontrolado de bactérias. Então é
necessário, pelo menos duas vezes ao dia, analisar o efluente do decantador
secundário, também é necessária uma análise de OD na linha de retorno do lodo nos
momentos de pico.

Filtros biológicos

São dispositivos nos quais ocorre a aplicação uniforme dos esgotos em um meio
filtrante, no qual são formados meios de cultura biológica. A matéria orgânica
absorvida na camada biológica sofre degradação aeróbia nas camadas envolventes
do material filtrante. À medida que os organismos crescem, a espessura da camada
biológica aumenta e o oxigênio não consegue penetrar todas as camadas, sendo
consumido antes de atingir as faces interiores, que passam a se comportar de forma
anaeróbia.

O esgoto percolado por esse meio filtrante lava a camada de limo que o recobre e
arrasta consigo os excessos de sólidos e limo, com a permanente substituição das
camadas biológicas. A maior ou menor remoção de sólidos e formação de novos
organismos ocorrem em função das cargas hidráulicas e orgânicas que se aplicam.
Em função da carga hidráulica e orgânica inserida no meio filtrante, os filtros biológicos
são enquadrados como grosseiros, baixa capacidade ou alta capacidade.

Saiba mais

Filtros grosseiros

Costumam ser empregados para amortecer grandes variações de cargas


orgânicas afluentes, como também para remoção da umidade de lodo.

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Baixa capacidade

São de operação simples, apresentando como principais desvantagens


ocupação de maior área e volume, perda de carga, que pode atingir até
3,0m, e incidência maior de insetos e odor.

Alta Capacidade

Costumam empregar a recirculação do efluente com a aplicação de


maiores cargas.

Lagoas de estabilização

A lagoa de estabilização é um reator biológico dimensionado dentro de critérios


técnicos que, ao receber o esgoto bruto, o submete à degradação biológica,
estabilizando ou mineralizando parte da carga orgânica e reduzindo o número de
micro-organismos patógenos existentes. A estabilização da matéria orgânica é
realizada por oxidação bacteriológica, oxidação aeróbia ou fermentação anaeróbia
e/ou redução fotossintética das algas.

A lagoa de oxidação realiza o mesmo trabalho, mas recebe esgoto efluente de um


processo de tratamento primário. A estabilização da matéria orgânica se baseia em
dois princípios biológicos fundamentais: respiração e fotossíntese. É estabelecido na
lagoa um ciclo em que organismos fotossintetizantes sintetizam a matéria orgânica,
liberando oxigênio no meio. Organismos heterótrofos alimentam-se da matéria
orgânica, consomem o oxigênio e liberam energia, liberando como subproduto o gás
carbônico, necessário à fotossíntese.

Vento e calor são dois fatores importantes que influenciam o grau de mistura que
ocorre em uma lagoa, minimizando a possibilidade de criação de zonas estagnadas.
De acordo com a forma predominante pela qual se dá a estabilização da matéria
orgânica, as lagoas são classificadas em anaeróbias, facultativas, estritamente
aeróbias, de maturação e aeradas.

Lagoas anaeróbias

Tratam os esgotos em nível primário. São dimensionadas para receber carga orgânica
tão elevada que são isentas de OD. São bem utilizadas para efluentes com altas
concentrações de carga orgânica e/ou alto teor de sólidos. Os sólidos sedimentam no
fundo da lagoa, onde são digeridos de forma anaeróbia, e o líquido sobrenadante,
parcialmente clarificado, é lançado em uma lagoa de estabilização facultativa para
tratamento posterior. A faixa de profundidade mais comum é entre 2 e 4 m com tempo
de detenção ótima de 5 dias.

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Lagoas facultativas

São aquelas que apresentam tanto condições aeróbias como anaeróbias. Nessas
lagoas, as condições aeróbias são mantidas nas camadas superiores próximas à
superfície das águas, enquanto as condições anaeróbias predominam nas camadas
direcionadas ao fundo. Embora parte do oxigênio necessário para manter as camadas
superiores aeróbias seja fornecido pelas reaerações atmosféricas, a maior parte é
suprimida pela atividade fotossintética das algas, as quais crescem naturalmente nas
águas em que há disponibilidade de grandes quantidades de nutrientes e há incidência
solar. As lagoas facultativas têm profundidade de 1 a 1,5 m. O clima tropical é o ideal
para a operação em função da radiação solar intensa.

Lagoas estritamente aeróbias

São aquelas nas quais há equilíbrio da oxidação e da fotossíntese, garantindo


condições aeróbias em todo o meio. Para isso, é necessário que tenham pouca
profundidade e haja uma perfeita mistura de oxigênio.

Lagoas aeradas

São aquelas nas quais se introduz oxigênio no meio líquido por meio de um sistema
mecanizado de aeração. As lagoas aeradas podem ser facultativas ou estritamente
aeróbias.

Lagoas de maturação

São utilizadas como segundo estágio de tratamento após as lagoas facultativas. A sua
função principal é de destruição de organismos patogênicos. As bactérias fecais e os
vírus morrem em razoável espaço de tempo. Os cistos e ovos dos parasitos
intestinais, devido ao longo tempo de detenção, sedimentam no fundo da lagoa, onde
morrem por estarem em ambiente adverso à sua proliferação. Nessas lagoas a
profundidade varia entre 1,0 e 1,5 m.

Observação
Normalmente são utilizadas lagoas anaeróbias seguidas de lagoas facultativas, este
sistema é conhecido como australiano e propicia melhor aproveitamento, eficiência e
economia no processo.

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Tema 2
Premissas de dimensionamento e diretrizes de
cálculo

Como calculamos a vazão de esgoto sanitários que


será coletada, transportada e tratada?
Para realizar o dimensionamento assertivo das redes de coleta/transporte e do
sistema de tratamento dos esgotos sanitários, é necessário conhecer as caraterísticas
qualitativas e quantitativas de ambos.

Em síntese, as características quantitativas expressam as vazões a serem coletadas,


transportadas e tratadas. Já as características qualitativas expressam os padrões
típicos dos parâmetros que caracterizam os esgotos sanitários em seu estado bruto
(fresco ou séptico) ou tratado. A seguir, detalharemos um pouco essas características.

Características quantitativas do esgoto sanitário

A vazão expressa a relação entre a quantidade do esgoto transportado em um


determinado período (JORDÃO; PESSÔA, 2011). O conceito aplicado ao esgoto
sanitário engloba os esgotos provenientes de domicílios e de atividades comerciais e
institucionais que normalmente compõem uma localidade (SPERLING, 1996). Vale
destacar que a vazão é a característica quantitativa mais importante dos esgotos,
indicando o transporte de uma determinada quantidade de todos os seus
componentes (água, matéria sólida mineral ou orgânica, poluentes químicos e
microrganismos).

Em geral, a vazão de esgoto sanitário doméstico é calculada com base no consumo


de água. Para tal, deve ser levado em conta o quantitativo populacional de uma dada
região e o consumo médio diário de água de um indivíduo residente naquela região
(quota per capita – QPC).

Assim, podemos dizer que as características da vazão, em conjunto com os


parâmetros de projeto (comportamento físico-químico-biológico dos processos de
tratamento), irão nortear as dimensões da rede coletora e até mesmo de uma ETE.

É importante destacar que a vazão de esgoto sanitário depende de inúmeros fatores,


entre os quais estão as características da região atendida, as atividades desenvolvidas
na região, a existência de atividades industriais na região, os hábitos de higiene da
comunidade local, o nível socioeconômico da região, o nível cultural da população etc.

O quadro abaixo consolida à luz dos estudos de Sperling (2014) o consumo per capita
de água de acordo com o porte da comunidade:

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Porte da comunidade Faixa da população (hab.) Consumo per capita (L/[Link])

Povoado rural <5.000 90 – 140

Vila 5.000 – 10.000 100 – 60

Pequena localidade 10.000 – 50.000 110 – 180

Cidade média 50.000 – 250.000 120 – 220

Cidade grande >250.000 150 – 300

Fonte: Adaptado de Sperling (2014, p. 52).

Em complementação, o quadro abaixo consolida à luz dos estudos de Jordão e


Pessôa (2011) as estimativas de produção de esgotos sanitários por atividade e
usuário:

Atividade / Usuário Unidade Esgoto (L/dia)

1 – Ocupantes permanentes

Residência de alto padrão Pessoa 160

Residência de médio padrão Pessoa 130

Residência de baixo padrão Pessoa 100

Hotel (sem lavanderia e cozinha) Pessoa 100

Alojamento provisório Pessoa 80

2 – Ocupantes temporários

Fábrica (em geral) Pessoa 70

Escritório Pessoa 50

Edifícios públicos ou comerciais Pessoa 50

Escolas e locais de longa permanência Pessoa 50

Bares Pessoa 6

Restaurantes e similares Refeição 25

Cinemas, teatro e locais de curta permanência Lugar 2

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Atividade / Usuário Unidade Esgoto (L/dia)

Sanitário públicos de acesso aberto ao público Bacia Sanitária 480

Fonte: Adaptado de Jordão e Pessôa (2011, p. 39).

Entretanto, vale salientar que a produção de esgotos não é constante ao longo de um


dia, uma semana, um mês ou um ano. O consumo de água e a geração de esgotos de
uma localidade variam significativamente em função dos diferentes hábitos
socioculturais de uma determinada região. Em alguns países de clima quente, é
comum que o indivíduo tome banho duas ou três vezes ao dia. Já em países de clima
frio é comum que o indivíduo tome banho duas ou três vezes na semana. Essa
condição afeta de forma significativa o consumo de água e a geração de esgoto
sanitário.

Por exemplo, o dia comum de um trabalhador assalariado brasileiro começa por volta
das 6h00 da manhã. O indivíduo vai ao toalete, toma um banho e toma um café da
manhã reforçado, em seguida, ele lava a louça e vai para o trabalho. Ou seja,
podemos dizer que entre 6:00h e 8:00h da manhã é comum que haja um pico de
consumo de água e, consequentemente, de geração de esgotos sanitários. Esse pico
pode ocorrer minutos antes ou minutos depois, entretanto ele já reflete um
comportamento sociocultural. O mesmo raciocínio pode se aplicar para o horário de
almoço e/ou à noite, ou até mesmo aos períodos de férias.

Nesse sentido, a variação da vazão que passará por uma rede de coleta e chegará a
uma ETE deve ser avaliada em função da produção de um hidrograma de vazões a
ser produzido a partir da medição recorrente, preferencialmente em ponto localizado
na entrada da ETE. Tradicionalmente o hidrograma de vazões possui a vazão
expressa em m³/s na ordenada de um gráfico e a hora do dia na abscissa. As vazões
são medidas em diversos momentos ao longo de um dia e, a partir desses registros, é
possível encontrarmos a vazão mínima, (Qmín), a vazão máxima (Qmáx) e a vazão
média (Qméd) naquele dia. O registro dessas informações em série histórica oferecem
uma base de dados confiável para o desenvolvimento de projetos hidráulicos e
sanitários. A figura a seguir representa um hidrograma de vazões.

Exemplo de hidrograma de vazões de uma determinada região.

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Logo, fica evidente a necessidade de dimensionar redes de coleta, transporte e ETEs
capazes de suportar essas oscilações significativas de vazão. Para Sperling (2014),
independentemente de aspectos relativos ao consumo de água, a vazão de esgoto
também é afetada pelos seguintes fatores:

1. Tipo de esgoto coletado (misto ou doméstico).


2. Sistemas de coleta (unitário ou separador).
3. Condições climáticas (temperaturas e condições do ano).
4. Regimes de escoamento (por gravidade ou sob pressão).
5. Tipo e material das canalizações.
6. Concepção e quantidade de elevatórias e extravasadores.
7. Qualidade dos serviços de conservação.
8. Outros.

No entanto, é importante destacar que, nem sempre é possível desfrutar das


vantagens de uma base de dados primários extraídos de medições in loco para a
elaboração de projetos de engenharia. Esse foi um dos motivos pelos quais a
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em 1986, elaborou a norma ABNT
NBR 9.649/1986 – Projeto de redes coletoras de esgoto. A norma técnica em questão
recomenda a estimativa de vazão a partir do quantitativo populacional e do consumo
médio per capita, acrescido de coeficientes de variações de vazões, conforme
detalhado a seguir:

Variação máxima diária Variação máxima horária Variação mínima horária

Caracteriza-se por um Caracteriza-se por um Caracteriza-se por um


coeficiente de máxima coeficiente de máxima coeficiente de mínima
variação diária, K1, igual variação horária, K2, igual variação horária, K3, igual
ao resultado da divisão da ao resultado da divisão da ao resultado da divisão da
vazão máxima diária vazão máxima horária vazão mínima horária pela
registrada no período de pela vazão média horária vazão média horária
um ano pela vazão média registrada no mesmo dia. registrada no mesmo dia.
diária anual. Na ausência Na ausência de Na ausência de
de determinações locais, determinações locais, a determinações locais, a
a norma recomenda o uso norma recomenda adoção norma recomenda o valor
do valor 1,2 para K1. do valor de 1,5 para K2. de 0,5 para K3.

Assim, podemos calcular o coeficiente do dia e da hora de maior consumo (K) de uma
determinada localidade a partir do produto entre K1 e K2.

K = K1 x K2

Na literatura técnica podemos encontrar outras fórmulas que relacionam a vazão


máxima horária à vazão média, entretanto destacamos à formulação desenvolvida

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pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp) em
função da vazão média Q (l/s), validada para vazões acima de 0,75 m³/s

K = 1,20 + (17,485 / Q0,509)

Importante!
O coeficiente de pico diminui com o aumento da vazão, ou da população, o que é
esperado, pois nesses casos crescem a extensão e o diâmetro da rede, gerando
maior amortecimento das ondas de cheia e, portanto, do coeficiente de dia e hora
de maior consumo (K).

A vazão de infiltração é um valor bastante significativo no cálculo das vazões de


projeto e pode ser calculada a partir da taxa de infiltração. Essa taxa é um
importante parâmetro utilizado em projetos de sistemas de esgotos, sendo
definida pela razão da vazão infiltrada por metro da rede coletora de esgotos. A
NBR 9.649/1986 recomenda a utilização de 0,05 a 1,0 l/[Link] para as redes
coletoras de esgotos.

Para estimar vazões de forma assertiva, deve-se considerar as vazões de tempo


seco, mais as vazões de infiltração, mais os coeficientes de dia e hora de maior
consumo.

O quadro abaixo apresenta a síntese das informações gerais e as métricas de cálculo


de vazões para dimensionamento hidráulico de redes coletoras e ETEs.

Vazão Formulação

Média de tempo seco (Qm) (Pop. equivalente) x (Geração per capita)

Máxima de tempo seco (Qmáx) Qm x K1 x K2

Infiltração (Qi) (Extensão da rede) x (Coef. De infiltração)

De projeto média (Qp) Qm + Qi

De projeto máxima (Q pmáx) (Qm x K) + Qi

De projeto mínima (Q pmín) (Qm x K3) + Qi

Características qualitativas do esgoto sanitário

Em geral, qualitativamente, os esgotos sanitários tendem a apresentar significativa


similaridade, mesmo quando confrontamos parâmetros em diferentes localidades e
culturas. Podemos afirmar que os esgotos sanitários possuem características físicas,
químicas e biológicas relativamente constantes, o que tende a simplificar o projeto das
ETEs, pois já existem rotas de tratamento consolidadas para esse tipo de efluente.

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Nota
A distinção qualitativa entre esgotos sanitários se dá, basicamente, em função do
tempo decorrido desde a sua geração e do seu grau de diluição (sistema unitário
possui vazões de esgoto diluídas em períodos chuvosos).

O quadro a seguir apresenta algumas das características qualitativas dos esgotos


sanitários:

Parâmetro Descrição

Ligeiramente superior à da água de abastecimento.

Varia conforme as estações do ano.

Temperatura Influencia na atividade microbiana.

Influencia na solubilidade dos gases.

Influencia na viscosidade de líquidos.

Esgoto fresco: ligeiramente cinza.


Cor
Esgoto séptico: cinza escuro ou preto.

Esgoto fresco: odor oleoso, relativamente desagradável.

Odor Esgoto séptico: odor fétido (gás sulfídrico) e outros produtos em


decomposição.

Despejos industriais: odores característicos.

Causada por uma grande variedade de sólidos em suspensão.


Turbidez
Esgotos mais frescos ou mais concentrados: geralmente turbidez maior.

Fonte: Adaptado de Sperling (2014, p. 61).

Importante!
Treinar o olhar para reconhecer as diferenças entre os esgotos frescos e sépticos é
estratégico para os profissionais que atuam com a engenharia civil, engenharia
sanitária e/ou com a engenharia ambiental. Mesmo que de forma preliminar, esse
olhar ajuda o engenheiro a identificar possíveis soluções, de forma mais célere, em
função das características qualitativas do esgoto.

Jordão e Pessôa (2011) entendem que as características físicas dos esgotos podem
ser interpretadas pela obtenção das grandezas correspondentes às seguintes
determinações: 1) matéria sólida; 2) temperatura; 3) odor; 4) cor e; 5) turbidez.

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Entretanto, para os autores, dentre as características físicas, o teor de matéria sólida é
o de maior importância em termos de dimensionamento e controle de operações das
unidades de tratamento. Ainda de acordo com Jordão e Pessôa (2011), a matéria
sólida contida nos esgotos é classificada em função de inúmeros fatores, podendo ser
classificada das seguintes maneiras:

• Em função das dimensões das partículas:

o Sólidos em suspensão.
o Sólidos coloidais.
o Sólidos dissolvidos.

• Em função da sedimentabilidade:

o Sólidos sedimentáveis.
o Sólidos flutuantes ou flotáveis.
o Sólidos não sedimentáveis.

• Em função da secagem, a alta temperatura (550 a 600 °C):

o Sólidos fixos.
o Sólidos voláteis.

• Em função da secagem em temperatura média (103 a 105 °C):

o Sólidos totais.
o Sólidos em suspensão totais.
o Sólidos dissolvidos totais.

Na prática, a matéria sólida presente nos esgotos sanitários, para efeito de controle
das rotinas operacionais das ETEs, costuma ser classificada em:

• Sedimentável – Aquela que sedimenta em um período razoável (tomado


arbitrariamente em 1 ou 2 horas); os sólidos sedimentáveis podem ser
determinados no cone Imhoff, um recipiente apropriado de 1 litro, constituindo
a fração que sedimenta após o tempo arbitrário de 1 hora; a quantidade de
matéria sedimentável é uma indicação da quantidade de lodo que poderá ser
removida por sedimentação nos decantadores.

• Não sedimentável – Finamente dividida e que não sedimenta no tempo


arbitrário de 2 horas; em termos práticos, a matéria não sedimentável só será
removida por processos de oxidação biológica e de coagulação seguida de
sedimentação, por meios biológicos ou químicos.

Quanto às características químicas, Jordão e Pessôa (2011) entendem que as


mesmas possam ser agrupadas em dois grandes grupos: matéria orgânica e matéria

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inorgânica. Cerca de 70% dos sólidos presentes no esgoto médio são de origem
orgânica e 30% inorgânica.

Saiba mais

Matéria orgânica

Os compostos orgânicos são usualmente compostos por uma combinação


de proteínas, carboidratos, gorduras, óleos, ureia, surfactantes, enóis e
pesticidas.

Matéria inorgânica

A matéria inorgânica é formada principalmente pela presença de areias,


substâncias minerais dissolvidas e metais.

Jordão e Pessôa (2011) propõem os seguintes valores para as características típicas


de sólidos no esgoto bruto:

Esgoto Forte Esgoto Médio Esgoto Fraco


Parâmetro
(mg/l) (mg/l) (mg/l)

Sólidos totais 1.160 730 370

Sólidos suspensos totais 360 230 120

Sólidos suspensos
280 175 90
voláteis

Sólidos suspensos fixos 80 55 30

Sólidos dissolvidos
800 500 250
totais

Sólidos dissolvidos
300 200 105
voláteis

Sólidos dissolvidos fixos 500 300 145

Sólidos sedimentáveis 20 10 5

Fonte: Adaptado de Jordão e Pessôa (2011, p. 47).

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Importante!

A temperatura é um parâmetro físico de grande importância, pois afeta a


saturação de oxigênio dissolvido (OD) nos corpos d’água, que diminui com
o aumento da temperatura. Também possui importância no tratamento
biológico, uma vez que a atividade biológica cresce com o seu aumento,
existindo uma faixa ótima para essa atividade entre 25 e 35 °C. A
resolução Conama n° 430/2011 estabelece como padrão para lançamento
nos corpos receptores efluentes com temperatura inferior a 40 °C e dispõe
que a variação de temperatura do corpo receptor não deve exceder a 3 °C
no limite da zona de mistura.

O pH é um parâmetro importante no controle operacional das estações de


tratamento, principalmente na digestão anaeróbia e nos processos
oxidativos. Ele representa a concentração de íons hidrogênio em escala
antilogarítmica (- log [H+]), indicando se a água é ácida, neutra ou básica.
Sua faixa varia entre 0 e 14. Segundo a resolução Conama n 430/2011, o
pH dos efluentes lançados nos corpos hídricos deverá estar entre 5 e 9.

A cor e a turbidez são dois parâmetros importantes. A cor é constituída


principalmente de sólidos dissolvidos. Esse parâmetro é mais utilizado na
caracterização de águas de abastecimento, sendo o valor máximo
permitido – VMP de acordo com o anexo XX da Portaria de consolidação
n° 5/2017, 15 uH (Unidades Hazen, que indicam mg/L de Pt/Co) para cor
aparente. A turbidez representa o grau de interferência com a passagem
da luz através da água, conferindo a ela uma aparência turva (SPERLING,
1996). Os constituintes responsáveis pela cor são os sólidos em
suspensão, os quais podem abrigar microrganismos patogênicos,
diminuindo a eficiência da etapa de desinfecção. Em corpos d’água, altos
valores de turbidez podem causar a diminuição da penetração de luz,
prejudicando a fotossíntese. A análise de turbidez em esgoto serve para
avaliar o efluente tratado em nível secundário ou terciário.

A demanda bioquímica de oxigênio – DBO é o parâmetro que mede a


quantidade de matéria orgânica em esgotos ou corpos d’água a partir da
quantidade de oxigênio necessária para estabilizar biologicamente a
matéria orgânica presente em uma amostra após um certo tempo e
temperatura (normalmente 5 dias e 20 °C), indicando o potencial de
consumo do oxigênio dissolvido. É um parâmetro importante para se
conhecer o grau de poluição das águas residuárias pois possibilita medir a
eficiência de ETEs. Em esgotos domésticos, normalmente a DBO varia
entre 100 e 400 mg/L. A resolução Conama nº 430/2011 estabelece como
padrão de lançamento de efluentes de sistemas de tratamento de esgotos
sanitários uma DBO máxima de 120 mg/L.

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A demanda química de oxigênio – DQO é o parâmetro que corresponde à
quantidade de oxigênio necessária para oxidar a fração orgânica de uma
amostra que seja oxidável pelo permanganato ou dicromato de potássio
em solução ácida. A DQO é preferível à DBO tanto pelo tempo de resposta
(2 horas contra 5 dias) quanto pelo fato de o teste englobar não somente a
demanda de oxigênio necessária biologicamente, mas também tudo o que
for susceptível a demandas de oxigênio, como os sais minerais oxidáveis.
Nos esgotos domésticos, a DQO varia entre 200 e 800 mg/L, com valor
médio em torno de 400 mg/L.

A relação entre DQO/DBO indica maior ou menor facilidade em degradar


biologicamente a fração orgânica presente nos esgotos. Quanto maior a
relação, menos facilmente biodegradável é o despejo. Em geral, o valor da
DQO se mantém entre 1,7 e 2,5 vezes o valor de DBO.

O nitrogênio está presente nos esgotos sob a forma de nitrogênio orgânico,


amônia, nitrito, nitrato ou gás nitrogênio. Ele é necessário para o
desenvolvimento de processos biológicos aeróbios. Seus principais
constituintes são os sólidos em suspensão e dissolvidos. Naturalmente, é
originado de proteínas, clorofilas e vários outros compostos biológicos. Na
sua origem antropogênica estão os despejos domésticos e industriais,
excremento de animais e fertilizantes. O fósforo está presente nos esgotos
na forma de ortofosfato, polifosfatos e fósforo orgânico. Seus principais
constituintes também são os sólidos em suspensão e dissolvidos. Sua
origem natural é devido à dissolução de compostos do solo e
decomposição da matéria orgânica. Sua origem antropogênica se deve a
despejos domésticos e industriais, detergentes, excrementos de animais e
fertilizantes. Quando em concentrações elevadas em lagos e represas,
ambos os parâmetros podem causar eutrofização.

De maneira complementar, Jordão e Pessôa (2011) propõem os seguintes valores


para os parâmetros de carga orgânica no esgoto doméstico:

Esgoto
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l)
Fraco (mg/l)

DQO 800 400 200

DBO5 400 200 100

O.D. 0 0 0

Nitrogênio total 85 40 20

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Esgoto
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l)
Fraco (mg/l)

Nitrogênio orgânico 35 20 10

Amônia livre 50 20 10

Nitrito (NO2) 0,10 0,05 0

Nitrato (NO3) 0,40 0,20 0,10

Fósforo total 20 10 5

Fósforo orgânico 7 4 2

Fósforo inorgânico 13 6 3

Fonte: Adaptado de Jordão e Pessôa (2011, p. 60).

Sperling (2014) propõe que as características qualitativas químicas mais relevantes do


esgoto sanitário são subdivididas conforme figura a seguir:

Fonte: Adaptado de Sperling (1996, p. 63).

Percebe-se que, dentre os sólidos, a fração orgânica destaca-se como a mais


significativa na composição dos esgotos sanitários. Dessa forma, é natural que sejam
adotados processos físicos e biológicos de remoção nas rotas tecnológicas de
tratamento de esgotos sanitários.

Quanto às características qualitativas biológicas relevantes do esgoto sanitário, pode-


se afirmar que há vários organismos cuja presença indica poluição. Entretanto, para
indicar a poluição fecal, utilizam-se bactérias específicas, dentre elas destacamos:

• Coliformes totais.
• Coliformes fecais.
• Estreptococos.

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• Enterococos.
• Escherichia coli.
• Micro-organismos.

Importante!
Conhecidas as características qualitativas e quantitativas do esgoto doméstico,
podemos iniciar o processo de escolha de tecnologia e dimensionamento do sistema
de coleta, transporte e tratamento dos esgotos domésticos.

De acordo com Manual de Processos de Tratamento de Esgotos produzido pela


Núcleo de Capacitação do Sudeste – Nucase em 2008 a partir de pesquisas
conduzidas por Sperling em 2005, podemos considerar as seguintes eficiências
médias de remoção dos diversos sistemas de tratamento de efluentes.

Fonte: Adaptado de Nucase (2008, p. 62).

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Caso prático: descrição e apresentação da rota tecnológica
de ETE localizada no município de Petrópolis, Rio de
Janeiro

A unidade possui rota tecnológica de tratamento de esgotos sanitários associada à


rota tecnológica de pré-tratamento de chorume oriundo de aterro sanitário. Em síntese,
considerando o fluxo do esgoto sanitário, a rota é composta por um tratamento
preliminar com grades para a remoção de sólidos grosseiros e tanque para a remoção
de areia, óleo e gordura. Em seguida, o efluente é encaminhado para um reator
anaeróbio (reator anaeróbio de fluxo ascendente – RAFA) que constitui o tratamento
primário da ETE. Depois, o esgoto é encaminhado a um reator aeróbio (biodisco –
biodrum) associado a um decantador com sistema de air lift, que juntos caracterizam o
tratamento secundário. Por fim, há uma associação de um tanque de cloração e um
tanque de reareação que caracterizam o tratamento terciário. O regime operacional é
contínuo com uma vazão projetada de 13.824 m³/dia (160 l/s) e uma vazão média
declarada de 9.936 m³/dia (115 l/s).

A) Quanto à rota tecnológica de pré-tratamento de chorume

Inicialmente, vale lembrar que o chorume é o líquido derivado da decomposição


orgânica e da lixiviação de compostos no interior dos aterros sanitários. A rota de pré-
tratamento de chorume é composta por quatro etapas: Diluição > Precipitação química
> Decantação > Remoção de amônia (air stripping).

A rota de pré-tratamento possui três tanques de polipropileno com capacidade para 15


m³ utilizados como pulmão/equalização do chorume. A planta está dimensionada para
atender a uma vazão de 3,6 m³/h (86,4 m³/dia ou 1,0 l/s de chorume). A primeira etapa
corresponderá a uma diluição de 1% do chorume bruto. O operador da ETE realiza a
diluição de 1% (1 parte de percolado para 100 partes de diluente) do percolado nos
tanques pulmão/equalização respeitando a carga orgânica permitida na estação, com
uma DQO de aproximadamente 530 mg/L. Esse efluente é conduzido a uma planta de
precipitação química, executada em tanque de polipropileno de 15 m³. A metodologia
consiste na elevação do pH, com agitação mecânica, adicionando cal hidratada de
concentração 0,05%, formando precipitado. Quando há a necessidade de ajuste do pH
para a próxima etapa (condição neutra), é adicionada solução de ácido sulfúrico de
concentração 0,05%.

Em seguida, o chorume em pré-tratamento é enviado para um decantador de forma


retangular com câmara de decantação cônica com capacidade para 7m³, executado
em plástico reforçado por fibra de vidro – PRFV. O tanque possui floculador
germinado. A vazão no tanque é de 4 m³/h e a TAH é de 2 m³/m².h. Depois da
clarificação, o chorume em pré-tratamento segue para a planta de remoção de amônia
(por arraste de ar) em um air stripping cuja função é remover compostos voláteis
tóxicos pela ação de fluxo de ar contrário ao fluxo entrante, em condições de pH
alcalino. Essa metodologia consiste na elevação do pH do chorume diluído para
valores acima de 10, no qual prevalecerá a forma de nitrogênio amoniacal como NH3

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(amônia gasosa). A alcalinização ocorre na etapa anterior do processo na
precipitação/decantação. Esse sistema permite por meio de um fluxo de ar em
contracorrente a remoção de traços de nitrogênio amoniacal e outros compostos
voláteis que, embora já estejam em concentrações menores em relação ao percolado
bruto, podem interferir de forma negativa no tratamento da unidade e
consequentemente promover a queda da sua eficiência.

Em teoria, esse tipo de tratamento permite eficiência de remoção de até 99% dos
compostos voláteis presentes no poluente. A planta está projetada para atender a
concentrações entre 1 e 2 ppm, porém, como a etapa precedente é a diluição, essa
concentração tende a ser menor que 1 ppm. Caso não haja o cumprimento da
dosagem mínima a ser alcançada, o sistema permite a recirculação antes do envio
para a rota de tratamento de esgoto da ETE. O gás será encaminhado a um tanque de
absorção com capacidade de 1 m³ contendo solução de ácido sulfúrico 0,05%. O
produto da reação (sulfato de amônio) é comercializado ou enviado a alguma
receptora de resíduos para o devido tratamento e descarte. O chorume pré-tratado é
enviado por gravidade até as elevatórias da rota de tratamento de esgoto após
neutralização do pH com solução alcalina.

B) Quanto à rota de tratamento de esgoto sanitário

A rota tecnológica da ETE foi projetada para uma vazão per capita de esgoto gerado
de 194 L/hab/dia, para uma população máxima atendida de 47.543 habitantes (2027),
perfazendo uma vazão média de projeto de 158,01 l/s e vazão máxima de 243,34 l/s,
com uma carga de DBO afluente de 2.567,32 kg/dia, considerando uma carga per
capita de DBO afluente de 54 g DBO/hab/dia. A eficiência global planejada de
remoção de DBO é de 90,00%. Não há em projeto previsão de eficiência de remoção
de Ntotal e SST.

No tratamento preliminar, o esgoto bruto proveniente da rede coletora passa por


gradeamento mecanizado, contendo gradeamento média e fino. A função do
gradeamento e de remover os sólidos grosseiros (partículas maiores que 1 cm). Na
sequência, o esgoto passará por duas caixas de retenção de areia (em paralelo – com
limpeza mecanizada e manual) nas quais haverá a deposição de partículas inertes de
fácil sedimentação (areia) e finalmente o esgoto será encaminhado ao medidor de
vazão tipo Parshall.

O tratamento primário é realizado pelo RAFA, com 18 m de comprimento, 24 m de


largura, 6,0 m de altura, área superficial de 432 m² e tempo de retenção hidráulica –
TRH de 8,05 horas.

O esgoto é enviado a 144 distribuidores executados em tubo PEAD de 60 mm. O


RAFA conta com 20 decantadores trifásicos internos com uma taxa de aplicação
superficial – TAS de 22,3 m³/m².dia. Nesse tipo de reator ocorre a retenção de sólidos
que se depositam no fundo, formando um leito de lodo. Como o esgoto bruto é
distribuído justamente sobre o lodo, promove um enriquecimento da concentração de
bactérias, acelerando assim a biodegradabilidade de fração orgânica do esgoto.

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A retirada de lodo acumulado no fundo deverá ser realizada por gravidade para ser
desidratado em centrífuga. O RAFA foi executado em concreto e totalmente fechado,
no qual deverão ser instaladas tampas de visita hermética a fim de evitar a presença
externa de odores desagradáveis. Como o tanque é fechado, o gás formado será
tubulado e encaminhado ao queimador de biogás. Estima-se uma produção de 12
litros de biogás por 0,054 Kg de [Link], totalizando 285,26 m³/dia.

O esgoto tratado sai do reator por tubulação interna instalada na parte superior do
tanque. Essa etapa do sistema produz cerca de 0,15 Kg de SS/Kg de DQO,
perfazendo a produção de 4,5 m³/dia. A produção mensal de lodo é de
aproximadamente 132 m³. O reator anaeróbio possui capacidade para armazenar 1/3
de seu volume em lodo. Como o reator possui 763 m³, em média, a cada dois meses é
feito o desague de lodo.

No tratamento secundário, o efluente que sai do RAFA é enviado para dois tanques
em série dotados de aeradores de biodisco. Cada tanque possui 6 rodas (3,35 m de
diâmetro e 2,5 m de comprimento) do tipo filtro biológico rotativo (biodisco – biodrum)
que tem a capacidade de formar uma grande quantidade de lodo (biofilme) em sua
superfície. Cada tanque possui 6,0 m de altura, com altura de líquido de 3,1 m, largura
de 10,0 m, comprimento de 18,0 m, perfazendo um volume de 558,00 m³ por tanque.

Na vazão média, o TRH nessa etapa é de 2 horas em cada tanque. No sistema foram
instalados dois sopradores (1+1) do tipo lobular, vazão de 900 m³ Ar/h, difusores de
bolha grossa. O sistema fornece 2,51 kg O2/Kg DBO, 0,51 Kg O2/kg DBO a mais do
que o necessário para estabilizar a matéria orgânica projetada.

Dando continuidade ao tratamento secundário, o efluente é direcionado a um


decantador com 18 m de comprimento, 12 m de largura, com altura total de 6,0 m,
altura de líquido de 3,9 m, perfazendo volume útil de 576,15 m³, com TRH médio de
2,03 horas, área de 216 m² e TAS de 31,6 m³/m².dia.

A retirada do lodo no fundo do decantador é via sistema de air lift. Na prática, metade
do lodo retirado do decantador é conduzido para o biodigestor anaeróbio para ser
estabilizado, e o restante é recirculado para o primeiro tanque aeróbio de biodisco.

Foi projetado um sistema terciário composto por etapa de cloração em tanque de 18 m


de comprimento, 4 m de largura, 2 m de altura de líquido, em volume útil de 144 m³
com um TRH médio de 30,4 minutos. A cloração deveria ser realizada a partir do uso
de hipoclorito de sódio, entretanto o sistema estava fora de operação no momento da
vistoria. Por fim, depois da cloração, antes de ser enviado ao corpo receptor, o
efluente tratado passa por tanque de reareação com uma concentração superior a 5
mg O2/l. A figura a seguir apresenta o fluxograma do processo de tratamento existente
na ETE:

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Fluxograma da rota tecnológica da ETE

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Tema 3
Questões legais e normativas: performance e
padrões de lançamento

Quais são as principais referências normativas


nacionais para a verificação da performance e para a
definição dos padrões de lançamento de efluentes
sanitários?
O que efetivamente caracteriza a poluição Hídrica? Você sabe? De acordo com
Jordão e Pessôa (2011), a poluição hídrica pode ser entendida como qualquer
alteração física, química ou biológica da qualidade de um corpo hídrico capaz de
ultrapassar os padrões estabelecidos para as classes dos corpos hídricos, conforme
seu uso.

Dessa forma, para melhor compreendermos a definição proposta por


Jordão e Pessôa (2011), precisamos esclarecer os conceitos de
parâmetro, padrão, classe e enquadramento de corpo hídrico.

Para tal, inicialmente, é importante destacar que, perante a legislação ambiental


brasileira e suas normativas correlatas, a relação qualidade versus uso dos recursos
hídricos é a questão-chave para definir a especificidade e o nível de tratamento de
esgoto sanitário.

No Brasil, existem instrumentos jurídicos, técnicos e normativos, em âmbito nacional e


estadual, que definem quais são os parâmetros (indicadores) que devem ser avaliados
e os padrões (limites/concentrações) que caracterizam um tratamento suficientemente
bom para um determinado efluente possa ser lançado em um determinado corpo
receptor de classe compatível com o efluente tratado.

Das principais normativas em âmbito nacional destacam-se:

Resolução
Conama n° Define os critérios de balneabilidade em águas brasileiras.
274/2000

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Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e as diretrizes
Resolução
ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece
Conama n°
as condições e os padrões de lançamento de efluentes e dá
357/052
outras providências.

Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de


Resolução
efluentes, complementa e altera a Resolução nº 357, de 17 de
Conama nº
março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente –
430/2011
Conama.

Importante!
Essas resoluções definem parâmetros e padrões na esfera nacional. Entretanto, os
Estados podem promulgar resoluções normativas específicas, desde que estas sejam
mais restritivas do que as federais.

De acordo com o art. 4º, inciso V, da Resolução Conama nº 430/2011, efluente é o


termo usado para caracterizar os despejos líquidos provenientes de diversas
atividades ou processos. Logo, a depender do contexto, pode ser utilizado como
sinônimo de esgoto sanitário, entretanto, é importante destacar que o termo não se
limita ao isso.

De acordo com o artigo quinto da Resolução Conama nº 430/2011, “[…] os efluentes


não poderão conferir ao corpo receptor características de qualidade em desacordo
com as metas obrigatórias progressivas, intermediárias e finais, do seu
enquadramento”. No parágrafo segundo do artigo em questão, é informado que, para
parâmetros não contidos nas metas obrigatórias e quando não houver metas
intermediárias progressivas para estes, devem ser obedecidos no corpo receptor os
parâmetros de qualidade que constam na classe na qual o corpo receptor estiver
enquadrado.

Destaca-se que, de acordo com o art. 2º, inciso XX da Resolução Conama nº


357/2005, enquadramento é o estabelecimento da meta ou objetivo de qualidade da
água (classe) a ser, obrigatoriamente, alcançado ou mantido em um segmento de
corpo de água, de acordo com os usos preponderantes pretendidos ao longo do
tempo.

Já a classe, definida no inciso IX do mesmo artigo, é o conjunto de condições e


padrões de qualidade de água necessários ao atendimento dos usos preponderantes,
atuais ou futuros, de um corpo hídrico.

De maneira geral, os corpos hídricos brasileiros são classificados em doces, salobras


e salinos e, em cada uma dessas classificações, tem-se diferentes classes de uso,
que variam de acordo com diferentes parâmetros e padrões de qualidade.

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As águas doces possuem salinidade igual ou inferior a 0,5%. As águas salobras
possuem salinidade superior a 0,5% e inferior a 30%. As águas salinas possuem
salinidade igual ou superior a 30%.

A tabela a seguir organiza e detalha as distinções entre as classes de águas doces:

Características das diferentes classes de águas doces

Classe
Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4
especial

• Abastecimento
• Abastecimento
para consumo
para consumo
humano após
humano após
tratamento • Abastecimento
tratamento
convencional. para consumo
simplificado.
• Abastecimento humano após
para consumo • Proteção das tratamento
• Proteção das
humano, com comunidades convencional ou
comunidades
desinfecção. aquáticas. avançado.
aquáticas.
• Preservação • Recreação de • Irrigação de
• Recreação de
do equilíbrio contato culturas arbóreas, • Navegação.
contato
natural das primário. cerealíferas e
primário.
comunidades forrageiras. • Harmonia
aquáticas. • Irrigação de paisagística.
• Irrigação de
hortaliças, • Pesca amadora.
hortaliças que
• Preservação plantas
são consumidas
dos ambientes frutíferas e de • Recreação de
cruas e de
aquáticos em parques, contato
frutas.
UC de proteção jardins, campos secundário.
integral. de esporte e
• Proteção das
lazer. • Dessedentação
comunidades
de animais.
aquáticas em
• Aquicultura e
terras
atividade de
indígenas.
pesca.
Fonte: Adaptado da Resolução Conama nº 357/2005.

A tabela a seguir organiza e detalha as distinções entre as classes de águas salobras:

Características das diferentes classes de águas salobras

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Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3

• Preservação do • Proteção das


equilíbrio natural das comunidades
comunidades aquáticas.
• Pesca amadora. • Navegação.
aquáticas.
• Recreação de
• Recreação de • Harmonia
• Preservação dos contato primário.
contato secundário. paisagística.
ambientes aquáticos
em UC de proteção • Aquicultura e
integral. pesca.
Fonte: Adaptado da Resolução Conama nº 357/2005.

A tabela abaixo organiza e detalha as distinções entre as classes de águas salinas:

Características das diferentes classes de águas salinas

Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3

• Recreação de
contato primário.

• Proteção das
comunidades
aquáticas.

• Aquicultura e
atividade de pesca.
• Preservação do
• Abastecimento para
equilíbrio natural das
consumo humano
comunidades
após tratamento • Pesca amadora. • Navegação.
aquáticas.
convencional ou
avançado. • Recreação de • Harmonia
• Preservação dos
contato secundário. paisagística.
ambientes aquáticos
• Irrigação de
em UC de proteção
hortaliças que são
integral.
consumidas cruas e
de frutas.

• Irrigação de
parques, jardins,
campos de esporte.

• Lazer, com os quais


o público possa vir a
ter contato direto.
Fonte: Adaptado da Resolução Conama nº 357/2005.

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sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge.
De acordo com a Resolução Conama n° 357/2005, os corpos hídricos de água doce
se subdividem em classe especial, classe 1, classe 2, classe 3 e classe 4. A classe
especial é a que possui os parâmetros e padrões mais rígidos. Já os corpos hídricos
de água salobra e de água salina se subdividem em classe especial, classe 1, classe 2
e classe 3. Cada classe possui diferentes parâmetros e padrões que definem a sua
qualidade.

Importante!
Recomenda-se acesso ao texto integral da Resolução Conama n° 357/2005 para
conhecer os padrões de qualidade das diferentes classes dos corpos hídricos.

Para Sperling (2014):

“ [...] a qualidade da água pode ser representada através de diversos parâmetros, que
traduzem as suas principais características físicas, químicas e biológicas.”

Na visão de Jordão e Pessôa (2011):

“ […] No campo do tratamento de esgotos os parâmetros de qualidade de interesse


são aqueles relacionados às exigências legais e às necessidades para projeto,
operação e avaliação do desempenho das Estações de Tratamento de Esgotos
(ETEs).”

Desta forma, de acordo com o art. 2º, inciso XXVI da Resolução Conama n°
357/2005, padrão é o valor limite adotado como requisito normativo de um parâmetro
de qualidade de água ou efluente. Já os parâmetros de qualidade da água, conforme
inciso XXVII, do mesmo artigo, são as substâncias ou outros indicadores
representativos da qualidade da água. O art. 4º, inciso XII, da Resolução Conama n°
430/2011 complementa que são parâmetros de qualidade do efluente as substâncias
ou outros indicadores representativos dos contaminantes toxicologicamente e
ambientalmente relevantes do efluente.

Conforme art. 12 da Resolução Conama n° 430/2011, “[…] o lançamento de efluentes


em corpos de água, com exceção daqueles enquadrados na classe especial, não
poderá exceder a condições e padrões de qualidade de água estabelecidos para as
respectivas classes, nas condições da vazão de referência ou do volume disponível,
além de atender a outras exigências aplicáveis.

O art. 16 da Resolução Conama n° 430/2011 esclarece que os efluentes de qualquer


fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente no corpo receptor desde
que obedeçam às condições e aos padrões específicos, conforme transcritos abaixo:

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“ I - Condições de lançamento de efluentes:

a) pH entre 5 e 9;

b) temperatura: inferior a 40°C, sendo que a variação de temperatura do corpo


receptor não deverá exceder a 3°C no limite da zona de mistura;

c) materiais sedimentáveis: até 1 mL/L em teste de 1 hora em cone Imhoff. Para o


lançamento em lagos e lagoas, cuja velocidade de circulação seja praticamente nula,
os materiais sedimentáveis deverão estar virtualmente ausentes;

d) regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vez a vazão média do período
de atividade diária do agente poluidor, exceto nos casos permitidos pela autoridade
competente;

e) óleos e graxas:

1. óleos minerais: até 20 mg/L;


2. óleos vegetais e gorduras animais: até 50 mg/L;

f) ausência de materiais flutuantes; e

g) Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO 5 dias a 20°C): remoção mínima de 60%


de DBO sendo que este limite só poderá ser reduzido no caso de existência de estudo
de autodepuração do corpo hídrico que comprove atendimento às metas do
enquadramento do corpo receptor.

II – Padrões de lançamento de efluentes.

Parâmetros Inorgânicos Valores Máximos

Arsênio total 0,5 mg/L As

Bário total 5,0 mg/L Ba

Boro total (Não se aplica para o lançamento de águas salinas) 5,0 mg/L B

Cádmio total 0,2 mg/L Cd

Chumbo total 0,5 mg/L Pb

Cianeto total 1,0 mg/L CN

Cianeto livre (Destilável por ácidos fracos) 0,2 mg/L CN

Cobre dissolvido 1,0 mg/L Cu

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Parâmetros Inorgânicos Valores Máximos

Cromo hexavalente 0,1 mg/L Cr+6

Cromo trivalente 1,0 mg/L Cr+3

Estanho total 4,0 mg/L Sn

Ferro dissolvido 15,0 mg/L Fe

Fluoreto total 10,0 mg/L F

Manganês dissolvido 1,0 mg/L Mn

Mercúrio total 0,01 mg/L Hg

Níquel total 2,0 mg/L Ni

Nitrogênio amoniacal total 20,0 mg/L N

Prata total 0,1 mg/L Ag

Selênio Total 0,30 mg/L Se

Sulfeto 1,0 mg/L S

Zinco total 5,0 mg/L Zn

Parâmetros orgânicos Valores Máximos

Benzeno 1,2 mg/L

Clorofórmio 1,0 mg/L

Dicloroetano 1,0 mg/L

Estireno 0,07 mg/L

Etilbenzeno 0,84 mg/L

Fenois totais 0,5 mg/L

Tetracloreto de carbono 1,0 mg/L

Tricloroeteno 1,0 mg/L

Toulueno 1,2 mg/L

Xileno 1,6 mg/L

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Importante!
Recomenda-se acesso ao texto integral da Resolução Conama n° 430/2011 para
conhecer mais informações sobre os padrões lançamento de efluentes.

Adicionalmente, entende-se ser relevante destacar que a Resolução Conama n°


357/2005 também define os diferentes tipos de tratamento de efluentes. De acordo
com os incisos XXXII, XXXIII e XXXIV, temos os tratamentos avançados, os
tratamentos convencionais e os tratamentos simplificados.

O tratamento avançado considera técnicas de remoção e/ou inativação de


constituintes refratários aos processos convencionais de tratamento, os quais podem
conferir à água características como cor, odor, sabor, atividade tóxica ou patogênica,
ou seja, considera a adoção de tecnologias que alcancem o nível terciário de
tratamento. O tratamento convencional envolve a clarificação com utilização de
coagulação e floculação, seguida de desinfecção e correção de pH, equiparando-se ao
nível secundário de tratamento. Já o tratamento simplificado envolve a clarificação por
meio de filtração e desinfecção, e correção de pH quando necessário, equiparando-se
ao nível primário de tratamento.

Em síntese, para que uma ETE performe dentro das exigências legais e normativas
esperadas, ela precisa de uma rota tecnológica suficientemente boa para remover os
poluentes legislados a níveis aceitáveis, a ponto de enquadrá-los nos padrões exigidos
pelas resoluções do Conama. Somente assim será possível compatibilizar a qualidade
do efluente tratado e a qualidade do corpo receptor, viabilizando o lançamento.

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Tema 4
Estudo de caso: pré-dimensionamento de um
sistema de esgotamento sanitário

Como calculamos a carga poluidora de um


determinado parâmetro de qualidade?

Vamos consolidar os conceitos apresentados com um


estudo de caso?

Nosso objetivo é exercitar os cálculos de vazões de cargas poluidoras para


fundamentar o dimensionamento dos sistemas de coleta, transporte e tratamento de
esgotos sanitários. Utilizaremos como estudo de caso o município de Cabo Frio,
localizado na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro.

O estudo de caso é intitulado Promessa de Campanha – Diagnóstico de Esgoto


Sanitário. Vamos ao enunciado.

Em promessa de campanha, o novo prefeito de Cabo Frio prometeu levar esgoto


tratado à 100% da população do município em até quatro anos. O prefeito informou
que não há obras de construção de rede de coleta e transporte nem de ETE desde
2010 na cidade. Você faz parte da equipe de governo, e, em função dessa promessa
de campanha, foi designado para fazer o diagnóstico de esgotamento sanitário do
município e analisar a viabilidade da promessa feita pelo prefeito.

Dessa forma, a partir do acesso ao Portal IBGE Cidades identifique:

1) A população estimada de 2021 no município, a população no último censo e a


densidade demográfica.
2) A área da unidade territorial e o percentual de urbanização do município.
3) O percentual de esgotamento sanitário adequado ao município segundo o IBGE.

Em seguida:

4) Identifique o percentual de esgotamento sanitário inadequado do município.


5) Estime a população não atendida pelo sistema de esgotamento sanitário do
município.
6) Calcule para a população não atendida e vazão média de tempo seco, a vazão
máxima de tempo seco, a vazão de infiltração e a vazão média de projeto.
7) Estime quantos litros de esgoto sanitário são lançados sem tratamento no município
ao final de um ano (considerar a vazão média de projeto).
8) Estime, considerando a vazão média de projeto, em quanto tempo encheríamos um
maracanã de esgoto não tratado neste município (dimensões do Maracanã: C = 105m

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x L = 68m x H = 32m).
9) Estime, a partir da vazão de projeto média, a carga de DBO lançada no ambiente
anualmente pela população não atendida, sabendo que se trata de concentração típica
de esgoto médio.
10) Estime, a partir da vazão de projeto média, a carga de nitrogênio amoniacal total
lançada no ambiente anualmente pela população não atendida, sabendo que se trata
de concentração típica de esgoto médio.

Observação
Considere uma rede de 50 km de extensão para a proposição da vazão de infiltração.
Não há dados de medição de vazão na área não atendida.

Considere o quadro a seguir para a identificação do consumo per capita da cidade.

Porte da Faixa da população Consumo per capita


comunidade (hab.) (L/[Link])

Povoado rural <5.000 90 – 140

Vila 5.000 – 10.000 100 – 60

Pequena localidade 10.000 – 50.000 110 – 180

Cidade média 50.000 – 250.000 120 – 220

Cidade grande >250.000 150 – 300

Resolução do estudo de caso

1) Identifique a população estimada de 2021, a população no último censo


e a densidade demográfica do município

No Portal do IBGE Cidades, constatou-se as seguintes informações sobre município


de Cabo Frio:

• População estimada de 2021 = 234.077 pessoas.


• População no último censo (2010) = 186.227.
• Densidade demográfica do município = 453,75 hab/km².

2) Identifique a área da unidade territorial e o percentual de urbanização


do município

No Portal do IBGE Cidades, constatou-se as seguintes informações sobre município


de Cabo Frio:

Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga
de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge.
• Área da unidade territorial, = 413,449 km².
• Percentual de urbanização = 61,44 km².

3) Identifique o percentual de esgotamento sanitário adequado do


município

No Portal do IBGE Cidades, constatou-se as seguintes informações sobre município


de Cabo Frio:

Esgotamento sanitário adequado (2010) = 82,3%.

4) Identifique o percentual de esgotamento sanitário inadequado do


município

Com base nas informações consultadas no Portal IBGE Cidades, identificou-se que
82,3% da cidade apresenta esgotamento sanitário adequado, logo, 17,7% apresentam
esgotamento sanitário inadequado.

5) Estime a população não atendida pelo sistema de esgotamento


sanitário do município

Considerando os dados do IBGE, a população estimada no ano de 2021 foi de


234.077 pessoas. Dessa forma, pode-se dizer que 82,3% da população é atendida por
esgotamento sanitário adequado, ou seja, 192.645 pessoas. Logo, a fração não
atendida, 17,7%, representa uma população de 41.432 pessoas.

6) Calcule para a população não atendida, vazão média de tempo seco, a


vazão máxima de tempo seco, a vazão de infiltração e a vazão média de
projeto

População não atendida = 41.432 pessoas.

O porte da cidade é médio. Como a faixa populacional é muito próxima do limite de


250.000 habitantes, será adotado um consumo per capita de 200 L/[Link].

Porte da Faixa da população Consumo per capita


comunidade (hab.) (L/[Link])

Povoado rural <5.000 90 – 140

Vila 5.000 – 10.000 100 – 60

Pequena localidade 10.000 – 50.000 110 – 180

Cidade média 50.000 – 250.000 120 – 220

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Porte da Faixa da população Consumo per capita
comunidade (hab.) (L/[Link])

Cidade grande >250.000 150 – 300

Dessa forma:

A vazão média de tempo seco (Qm) é igual à população equivalente multiplicada pela
geração per capita

Qm = 41.432 x 200
Qm = 8.286.400 L/dia

Para transformamos a vazão para “l/s”, devemos dividir a mesma por 86.400 (24 horas
x 60 minutos x 60 segundos).

Qm = 8.286.400 / 86.400
Qm = 95,90 l/s

A vazão máxima de tempo seco (Qmáx) é igual à vazão média (Qm) multiplicada pelos
coeficientes de dia (K1) e hora (K2) de maior consumo da região. Como não há dados
de medição de vazão in loco na região não atendida, vamos considerar K 1 = 1,2 e K2 =
1,5. Dessa forma:

Qmáx = Qm x K1 x K2
Qmáx = 95,90 x 1,2 x 1,5
Qmáx = 172,62 l/s

A vazão de infiltração (Qi) é igual à extensão da rede multiplicada pelo coeficiente de


infiltração. O estudo de caso informou que a rede a ser construída deve possuir 50 km.
A NBR 9.649/1986 recomenda a utilização de 0,05 a 1,0 l/[Link] para as redes
coletoras de esgotos. Considerando que se trata de uma rede nova, será adotado o
coeficiente de infiltração de 0,25 l/[Link].

Qi = 50 x 0,25
Qi = 12,50 l/s

A vazão média de projeto (Qp) é igual à vazão média de tempo seco (Qm) multiplicado
acrescida da vazão de infiltração (Qi).

Qp = Qm + Qi
Qp = 95,90 + 12,50
Qp = 108,40 l/s

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7) Estime ao final de um ano, quantos litros de esgoto sanitário são
lançados sem tratamento no município (considerar a vazão média de
projeto)

Qp = 108,40 l/s

Para transformamos a vazão para “l/ano”, devemos multiplicar por a mesma


31.536.000 (365 dias x 24 horas x 60 minutos x 60 segundos).

Qp = 108,40 x 31.536.000
Qp = [Link] l/ano

8) Estime, considerando a vazão média de projeto, em quanto tempo


encheríamos um maracanã de esgoto não tratado neste município
(dimensões do Maracanã: C = 105m x L = 68m x H = 32m)

Volume do Maracanã (Vm) = C x L x H


Volume do Maracanã (Vm) = 105 x 65 x 32
Volume do Maracanã (Vm) = 218.400,00 m³
Qp = 108,40 l/s

Para transformamos a vazão para “m³/s”, devemos dividir por 1.000 (1m³ = 1.000 l).
Qp = 0,1084 m³/s = 6,504 m³/min = 390,24 m³/hora = 9.365,76 m³/dia
Assim, para encontrar o tempo de enchimento do Maracanã, precisamos dividir o seu
volume pela vazão:

t = Vm / Qp
t = 218.400,00 / 9.365,76
t = 23,31 dias

9) Estime, a partir da vazão de projeto média, a carga de DBO lançada no


ambiente anualmente pela população não atendida, sabendo que se trata
de concentração típica de esgoto médio.

As características dos esgotos médios estão apresentadas no quadro a seguir.

Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)

DQO 800 400 200

DBO5 400 200 100

O.D. 0 0 0

Nitrogênio total 85 40 20

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Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)

Nitrogênio orgânico 35 20 10

Amônia livre 50 20 10

Nitrito (NO2) 0,10 0,05 0

Nitrato (NO3) 0,40 0,20 0,10

Fósforo total 20 10 5

Fósforo orgânico 7 4 2

Fósforo inorgânico 13 6 3

Conforme o item anterior, a vazão anual de lançamento de esgoto não tratado no


ambiente neste município é de Qp = [Link] l/ano. A concentração de DBO
(CDBO) para esgoto médio é de 200 mg/l, logo a carga poluidora de DBO (CP DBO)
lançada no ambiente será:

CPDBO = Qp x CDBO
CPDBO = [Link] x 200
CPDBO = [Link] mg = 683.700.480 g = 683.700,48 Kg = 683,7 t

10) Estime, a partir da vazão de projeto média, a carga de nitrogênio


amoniacal total lançada no ambiente anualmente pela população não
atendida, sabendo que se trata de concentração típica de esgoto médio

As características dos esgotos médios estão apresentadas no quadro adiante.

Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)

DQO 800 400 200

DBO5 400 200 100

O.D. 0 0 0

Nitrogênio total 85 40 20

Nitrogênio orgânico 35 20 10

Amônia livre 50 20 10

Nitrito (NO2) 0,10 0,05 0

Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidade Veiga
de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge.
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)

Nitrato (NO3) 0,40 0,20 0,10

Fósforo total 20 10 5

Fósforo orgânico 7 4 2

Fósforo inorgânico 13 6 3

Conforme o item anterior, a vazão anual de lançamento de esgoto não tratado no


ambiente neste município é de Qp = [Link] l/ano. A concentração de nitrogênio
amoniacal total (CNT) para esgoto médio é de 40 mg/l, logo a carga poluidora de DBO
(CPNT) lançada no ambiente será:

CPNT = Qp x CP
CPNT = [Link] x 40
CPNT = [Link] mg = 136.740.096 g = 136.740 Kg = 136,7 t

Com essa análise diagnóstica, conhecemos as vazões que precisarão ser tratadas
para atender à população ainda sem tratamento de esgotos no município de Cabo Frio
e alguns parâmetros de performance para apoio ao dimensionamento da rota
tecnológica da ETE.

Em síntese, será necessário construirmos uma rede e ETE capaz de suportar uma
vazão média de projeto de 108,40 l/s, com pico de geração no dia e hora de maior
consumo de 172,62 l/s. Conforme o art. 16 da Resolução Conama nº 430/2011, a ETE
deverá reduzir, no mínimo, 60% da carga poluidora de DBO e tratar o efluente ao
ponto de propiciar o lançamento de, no máximo 20 mg/l de nitrogênio amoniacal total.

Vídeo

Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no


Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Encerramento

Qual é a composição básica do esgoto sanitário?


De acordo com Sperling (2014), 99% dos esgotos são compostos por água e 0,1% de
sólidos. A fração de sólidos é comporta por sólidos dissolvidos, sólidos suspensos,
nutrientes, matéria orgânica e patógenos.

Como calculamos a vazão de esgoto sanitários que


será coletada, transportada e tratada?
O quadro a seguir consolida todos os critérios de cálculo para as diferentes vazões de
esgoto que impactarão no dimensionamento de redes de coleta, transporte e
tratamento de esgotos sanitários.

Vazão Formulação

Média de tempo seco (Qm) (Pop. equivalente) x (Geração per capita)

Máxima de tempo seco (Qmáx) Qm x K1 x K2

Infiltração (Qi) (Extensão da rede) x (Coef. De infiltração)

De projeto média (Qp) Qm + Qi

De projeto máxima (Qpmáx) (Qm x K) + Qi

De projeto mínima (Qpmín) (Qm x K3) + Qi

OBSERVAÇÃO: Na ausência de dados medidos no local, adotar K 1 = 1,2 e K2 = 1,5.

Quais são as principais referências normativas


nacionais para a verificação da performance e para a
definição dos padrões de lançamento de efluentes
sanitários?
• Resolução Conama nº 274/2000 – Define os critérios de balneabilidade em
águas brasileiras.

• Resolução Conama nº 357/2005 – Dispõe sobre a classificação dos corpos de


água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece

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as condições e os padrões de lançamento de efluentes e dá outras
providências.

• Resolução Conama nº 430/2011 – Dispõe sobre as condições e os padrões de


lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução nº 357, de 17 de
março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama.

Como calculamos a carga poluidora de um


determinado parâmetro de qualidade?
Para calcularmos a carga poluidora de um determinado parâmetro de qualidade é
preciso multiplicar a vazão de esgoto considerada em um determinado intervalo de
tempo pela concentração típica do parâmetro em análise. A partir do produto dessas
variáveis, tem-se a carga poluidora necessária à análise de potenciais alternativas
tecnológicas de tratamento.

Resumo da Unidade

Nesta unidade aprendemos um rol de conceitos relacionados às características


fundamentais dos sistemas de esgotamento sanitário. Conhecemos um pouco da
composição básica dos esgotos, bem como os fatores que influenciam seus aspectos
qualitativos e quantitativos.

Demos um destaque especial às operações unitárias, aos tipos de processos de


tratamento (físico, químico e biológico) e às formas de classificação das rotas
tecnológicas. Além disso, aprendemos a calcular as vazões médias e máximas de
tempo seco, bem como as vazões de infiltração, vazões mínimas, médias e máximas
para o correto dimensionamento de redes e de ETEs.

Também conhecemos a composição básica dos esgotos e seus principais parâmetros


e reconhecemos as principais referências legais e normativas para verificação da
performance e garantia do atendimento aos padrões de lançamento dos efluentes
tratados em corpos hídricos.

Por fim, aplicamos todos os conceitos aprendidos em um estudo de caso com todas as
etapas detalhadas. Esperamos que tenha absorvido os conteúdos apresentados!

Referências da Unidade

• BRASIL. Resolução Conama nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre


a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu
enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento

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de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 18 mar.
2005.
• BRASIL. Resolução Conama nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre
as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a
Resolução n. 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio
Ambiente – Conama. Diário Oficial da União, Brasília, 16 mai. 2011.
• JORDÃO, E. P., PESSÔA, C. A. Tratamento de esgoto doméstico. 6. ed. Rio
de Janeiro: ABES, 2011. ISBN: 9788570221698.
• NETTO, J. M. A.; FERNANDEZ, M, F. Manual de hidráulica. 9. ed. São Paulo:
Blücher, 2015. ISBN: 9788521208891.
• SPERLING, M. von. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de
esgotos. 4. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2014. ISBN: 9788542300536.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino
publicado na página inicial da disciplina.

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