Aspectos Técnicos Dos Sistemas de Esgotamento Sanitário: Objetivo
Aspectos Técnicos Dos Sistemas de Esgotamento Sanitário: Objetivo
esgotamento sanitário
Objetivo
Conteúdo Programático
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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para
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• Tema 1 - Características Fundamentais dos Sistemas de Esgotamento
Sanitário
• Tema 2 - Premissas de dimensionamento e diretrizes de cálculo
• Tema 3 - Questões legais e normativas: performance e padrões de
lançamento
• Tema 4 - Estudo de caso: pré-dimensionamento de um sistema de
esgotamento sanitário
Depois de sair de nossas casas, o esgoto sanitário inicia uma verdadeira jornada até
chegar a uma Estação de Tratamento de Esgotos – ETE. Ele passará por diversos
trechos de rede e elevatórias para, de forma segura, ser efetivamente tratado. Este
processo visa reduzir os impactos ambientais do lançamento de esgotos sem o devido
tratamento no ambiente. Pensando nisso, vamos compreender um pouco melhor os
conceitos envolvidos nesse processo?
Assista ao vídeo O que acontece com o esgoto depois que ele sai da sua casa?,
no canal do YouTube da companhia Catarinense de Águas e Saneamento – CASAN,
para aprender ainda mais sobre os sistemas de coleta, transporte e tratamento de
esgotos.
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Tema 1
Características fundamentais dos sistemas de
esgotamento sanitário
Observação
Por total desconhecimento, os engenheiros do século XVII também não se
preocuparam com as questões ambientais derivadas dessa ação ao longo do tempo.
Nota
Em síntese, os sistemas de esgotamento sanitário integram as etapas de coleta,
transporte, tratamento e lançamento dos esgotos tratados em corpos hídricos,
considerando um rol de premissas técnicas, normativas e legais.
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Dessa forma, para avançarmos na caracterização dos sistemas de esgotamento
sanitário, é preciso definir as características gerais dos esgotos sanitários, bem como
as características dos seus sistemas de coleta, transporte e tratamento.
O esgoto sanitário nada mais é do que a água que consumimos em nossas rotinas
acrescida de impurezas. Naturalmente, quando são despejados no ambiente sem o
devido tratamento, os esgotos sanitários alteram a qualidade dos corpos hídricos
receptores propiciando a sua degradação (poluição).
Para ambos os casos, o termo efluente também pode figurar como um sinônimo.
Saiba mais
Composto de sólidos
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esse motivo, os esgotos sanitários podem sofrer variações de concentrações de
cargas orgânicas (e de outros parâmetros), de vazões unitárias médias e de vazões
instantâneas.
• Clima da região.
• Hábitos da população.
• Renda per capita da população.
• Diversidade das atividades de comércio e indústria.
• Número de habitantes fixos e sazonais.
• Outros (custos da água, topografia etc.).
Sistemas individuais
Sistemas coletivos
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• Sistema unitário (combinado ou coleta em tempo seco) – Os esgotos
sanitários e as águas pluviais são conduzidos ao destino dentro da mesma
canalização.
Importante!
São inconvenientes do sistema unitário (combinado ou coleta em tempo seco):
Importante!
É importante destacar que o processo de tratamento dos esgotos sanitários consiste,
basicamente, na separação de fase líquida (esgoto clarificado/tratado) e fase sólida
(lodo concentrado). Ou seja, os processos e as técnicas de tratamento dos esgotos
sanitários envolvem a separação de fases e o tratamento de ambas separadamente. O
objetivo principal é reduzir a carga poluidora de modo que fase líquida e fase sólida
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possam ser devolvidas ao ambiente sem causar impactos negativos à fauna, à flora e
à sociedade.
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A matéria em suspensão do esgoto é transferida para os grãos de
areia, o carvão ou outro material granular por meio dos fenômenos de
Filtração
coação, de sedimentação e de contato interfacial. Como exemplo,
temos a filtração lenta do esgoto a partir de leitos de areia.
Processos físicos
Processos biológicos
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a. Digestão do lodo (anaeróbio, aeróbio, fossas sépticas).
b. Oxidação biológica aeróbia (lodos ativados, filtros biológicos aeróbios, valos
de oxidação e lagoas de estabilização).
c. Oxidação biológica anaeróbia (reatores anaeróbios de fluxo ascendente,
lagoas anaeróbias e tanques sépticos).
Processos químicos
1. Coagulação.
2. Floculação.
3. Precipitação química.
4. Oxidação química.
5. Cloração.
6. Correção de pH.
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dois critérios de classificação distintos para as rotas tecnológicas, sendo
eles fenômenos da remoção e grau de eficiência, detalhados a seguir.
Fenômenos de remoção
Grau de eficiência
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• Tratamento terciário – É uma etapa de polimento após o tratamento
secundário (processos de remoção de organismos patógenos, processo de
remoção de nutrientes, processo de tratamento avançado (filtração final,
absorção por carvão e membranas).
Decantador
Lodos ativados
Processos biológicos nos quais o esgoto afluente é misturado com o lodo ativado por
micro-organismos, agitado e aerado para seguir para um decantador secundário, no
qual o lodo ativado é separado do esgoto tratado. O lodo ativado retorna ao tanque de
aeração. A aeração dos tanques se dá por meio de difusores, agitadores mecânicos
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ou pela combinação dos dois sistemas. O desempenho do processo de lodos ativados
depende de vários fatores, sendo que a presença de micro-organismos, entre eles as
bactérias, é um dos mais importantes no processo. As bactérias são as principais
responsáveis pela estabilização da matéria orgânica e pela formação de flocos.
Filtros biológicos
São dispositivos nos quais ocorre a aplicação uniforme dos esgotos em um meio
filtrante, no qual são formados meios de cultura biológica. A matéria orgânica
absorvida na camada biológica sofre degradação aeróbia nas camadas envolventes
do material filtrante. À medida que os organismos crescem, a espessura da camada
biológica aumenta e o oxigênio não consegue penetrar todas as camadas, sendo
consumido antes de atingir as faces interiores, que passam a se comportar de forma
anaeróbia.
O esgoto percolado por esse meio filtrante lava a camada de limo que o recobre e
arrasta consigo os excessos de sólidos e limo, com a permanente substituição das
camadas biológicas. A maior ou menor remoção de sólidos e formação de novos
organismos ocorrem em função das cargas hidráulicas e orgânicas que se aplicam.
Em função da carga hidráulica e orgânica inserida no meio filtrante, os filtros biológicos
são enquadrados como grosseiros, baixa capacidade ou alta capacidade.
Saiba mais
Filtros grosseiros
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Baixa capacidade
Alta Capacidade
Lagoas de estabilização
Vento e calor são dois fatores importantes que influenciam o grau de mistura que
ocorre em uma lagoa, minimizando a possibilidade de criação de zonas estagnadas.
De acordo com a forma predominante pela qual se dá a estabilização da matéria
orgânica, as lagoas são classificadas em anaeróbias, facultativas, estritamente
aeróbias, de maturação e aeradas.
Lagoas anaeróbias
Tratam os esgotos em nível primário. São dimensionadas para receber carga orgânica
tão elevada que são isentas de OD. São bem utilizadas para efluentes com altas
concentrações de carga orgânica e/ou alto teor de sólidos. Os sólidos sedimentam no
fundo da lagoa, onde são digeridos de forma anaeróbia, e o líquido sobrenadante,
parcialmente clarificado, é lançado em uma lagoa de estabilização facultativa para
tratamento posterior. A faixa de profundidade mais comum é entre 2 e 4 m com tempo
de detenção ótima de 5 dias.
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Lagoas facultativas
São aquelas que apresentam tanto condições aeróbias como anaeróbias. Nessas
lagoas, as condições aeróbias são mantidas nas camadas superiores próximas à
superfície das águas, enquanto as condições anaeróbias predominam nas camadas
direcionadas ao fundo. Embora parte do oxigênio necessário para manter as camadas
superiores aeróbias seja fornecido pelas reaerações atmosféricas, a maior parte é
suprimida pela atividade fotossintética das algas, as quais crescem naturalmente nas
águas em que há disponibilidade de grandes quantidades de nutrientes e há incidência
solar. As lagoas facultativas têm profundidade de 1 a 1,5 m. O clima tropical é o ideal
para a operação em função da radiação solar intensa.
Lagoas aeradas
São aquelas nas quais se introduz oxigênio no meio líquido por meio de um sistema
mecanizado de aeração. As lagoas aeradas podem ser facultativas ou estritamente
aeróbias.
Lagoas de maturação
São utilizadas como segundo estágio de tratamento após as lagoas facultativas. A sua
função principal é de destruição de organismos patogênicos. As bactérias fecais e os
vírus morrem em razoável espaço de tempo. Os cistos e ovos dos parasitos
intestinais, devido ao longo tempo de detenção, sedimentam no fundo da lagoa, onde
morrem por estarem em ambiente adverso à sua proliferação. Nessas lagoas a
profundidade varia entre 1,0 e 1,5 m.
Observação
Normalmente são utilizadas lagoas anaeróbias seguidas de lagoas facultativas, este
sistema é conhecido como australiano e propicia melhor aproveitamento, eficiência e
economia no processo.
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Tema 2
Premissas de dimensionamento e diretrizes de
cálculo
O quadro abaixo consolida à luz dos estudos de Sperling (2014) o consumo per capita
de água de acordo com o porte da comunidade:
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Porte da comunidade Faixa da população (hab.) Consumo per capita (L/[Link])
1 – Ocupantes permanentes
2 – Ocupantes temporários
Escritório Pessoa 50
Bares Pessoa 6
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Atividade / Usuário Unidade Esgoto (L/dia)
Por exemplo, o dia comum de um trabalhador assalariado brasileiro começa por volta
das 6h00 da manhã. O indivíduo vai ao toalete, toma um banho e toma um café da
manhã reforçado, em seguida, ele lava a louça e vai para o trabalho. Ou seja,
podemos dizer que entre 6:00h e 8:00h da manhã é comum que haja um pico de
consumo de água e, consequentemente, de geração de esgotos sanitários. Esse pico
pode ocorrer minutos antes ou minutos depois, entretanto ele já reflete um
comportamento sociocultural. O mesmo raciocínio pode se aplicar para o horário de
almoço e/ou à noite, ou até mesmo aos períodos de férias.
Nesse sentido, a variação da vazão que passará por uma rede de coleta e chegará a
uma ETE deve ser avaliada em função da produção de um hidrograma de vazões a
ser produzido a partir da medição recorrente, preferencialmente em ponto localizado
na entrada da ETE. Tradicionalmente o hidrograma de vazões possui a vazão
expressa em m³/s na ordenada de um gráfico e a hora do dia na abscissa. As vazões
são medidas em diversos momentos ao longo de um dia e, a partir desses registros, é
possível encontrarmos a vazão mínima, (Qmín), a vazão máxima (Qmáx) e a vazão
média (Qméd) naquele dia. O registro dessas informações em série histórica oferecem
uma base de dados confiável para o desenvolvimento de projetos hidráulicos e
sanitários. A figura a seguir representa um hidrograma de vazões.
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Logo, fica evidente a necessidade de dimensionar redes de coleta, transporte e ETEs
capazes de suportar essas oscilações significativas de vazão. Para Sperling (2014),
independentemente de aspectos relativos ao consumo de água, a vazão de esgoto
também é afetada pelos seguintes fatores:
Assim, podemos calcular o coeficiente do dia e da hora de maior consumo (K) de uma
determinada localidade a partir do produto entre K1 e K2.
K = K1 x K2
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pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – Sabesp) em
função da vazão média Q (l/s), validada para vazões acima de 0,75 m³/s
Importante!
O coeficiente de pico diminui com o aumento da vazão, ou da população, o que é
esperado, pois nesses casos crescem a extensão e o diâmetro da rede, gerando
maior amortecimento das ondas de cheia e, portanto, do coeficiente de dia e hora
de maior consumo (K).
Vazão Formulação
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Nota
A distinção qualitativa entre esgotos sanitários se dá, basicamente, em função do
tempo decorrido desde a sua geração e do seu grau de diluição (sistema unitário
possui vazões de esgoto diluídas em períodos chuvosos).
Parâmetro Descrição
Importante!
Treinar o olhar para reconhecer as diferenças entre os esgotos frescos e sépticos é
estratégico para os profissionais que atuam com a engenharia civil, engenharia
sanitária e/ou com a engenharia ambiental. Mesmo que de forma preliminar, esse
olhar ajuda o engenheiro a identificar possíveis soluções, de forma mais célere, em
função das características qualitativas do esgoto.
Jordão e Pessôa (2011) entendem que as características físicas dos esgotos podem
ser interpretadas pela obtenção das grandezas correspondentes às seguintes
determinações: 1) matéria sólida; 2) temperatura; 3) odor; 4) cor e; 5) turbidez.
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Entretanto, para os autores, dentre as características físicas, o teor de matéria sólida é
o de maior importância em termos de dimensionamento e controle de operações das
unidades de tratamento. Ainda de acordo com Jordão e Pessôa (2011), a matéria
sólida contida nos esgotos é classificada em função de inúmeros fatores, podendo ser
classificada das seguintes maneiras:
o Sólidos em suspensão.
o Sólidos coloidais.
o Sólidos dissolvidos.
• Em função da sedimentabilidade:
o Sólidos sedimentáveis.
o Sólidos flutuantes ou flotáveis.
o Sólidos não sedimentáveis.
o Sólidos fixos.
o Sólidos voláteis.
o Sólidos totais.
o Sólidos em suspensão totais.
o Sólidos dissolvidos totais.
Na prática, a matéria sólida presente nos esgotos sanitários, para efeito de controle
das rotinas operacionais das ETEs, costuma ser classificada em:
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inorgânica. Cerca de 70% dos sólidos presentes no esgoto médio são de origem
orgânica e 30% inorgânica.
Saiba mais
Matéria orgânica
Matéria inorgânica
Sólidos suspensos
280 175 90
voláteis
Sólidos dissolvidos
800 500 250
totais
Sólidos dissolvidos
300 200 105
voláteis
Sólidos sedimentáveis 20 10 5
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A demanda química de oxigênio – DQO é o parâmetro que corresponde à
quantidade de oxigênio necessária para oxidar a fração orgânica de uma
amostra que seja oxidável pelo permanganato ou dicromato de potássio
em solução ácida. A DQO é preferível à DBO tanto pelo tempo de resposta
(2 horas contra 5 dias) quanto pelo fato de o teste englobar não somente a
demanda de oxigênio necessária biologicamente, mas também tudo o que
for susceptível a demandas de oxigênio, como os sais minerais oxidáveis.
Nos esgotos domésticos, a DQO varia entre 200 e 800 mg/L, com valor
médio em torno de 400 mg/L.
Esgoto
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l)
Fraco (mg/l)
O.D. 0 0 0
Nitrogênio total 85 40 20
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Esgoto
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l)
Fraco (mg/l)
Nitrogênio orgânico 35 20 10
Amônia livre 50 20 10
Fósforo total 20 10 5
Fósforo orgânico 7 4 2
Fósforo inorgânico 13 6 3
• Coliformes totais.
• Coliformes fecais.
• Estreptococos.
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• Enterococos.
• Escherichia coli.
• Micro-organismos.
Importante!
Conhecidas as características qualitativas e quantitativas do esgoto doméstico,
podemos iniciar o processo de escolha de tecnologia e dimensionamento do sistema
de coleta, transporte e tratamento dos esgotos domésticos.
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Caso prático: descrição e apresentação da rota tecnológica
de ETE localizada no município de Petrópolis, Rio de
Janeiro
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(amônia gasosa). A alcalinização ocorre na etapa anterior do processo na
precipitação/decantação. Esse sistema permite por meio de um fluxo de ar em
contracorrente a remoção de traços de nitrogênio amoniacal e outros compostos
voláteis que, embora já estejam em concentrações menores em relação ao percolado
bruto, podem interferir de forma negativa no tratamento da unidade e
consequentemente promover a queda da sua eficiência.
Em teoria, esse tipo de tratamento permite eficiência de remoção de até 99% dos
compostos voláteis presentes no poluente. A planta está projetada para atender a
concentrações entre 1 e 2 ppm, porém, como a etapa precedente é a diluição, essa
concentração tende a ser menor que 1 ppm. Caso não haja o cumprimento da
dosagem mínima a ser alcançada, o sistema permite a recirculação antes do envio
para a rota de tratamento de esgoto da ETE. O gás será encaminhado a um tanque de
absorção com capacidade de 1 m³ contendo solução de ácido sulfúrico 0,05%. O
produto da reação (sulfato de amônio) é comercializado ou enviado a alguma
receptora de resíduos para o devido tratamento e descarte. O chorume pré-tratado é
enviado por gravidade até as elevatórias da rota de tratamento de esgoto após
neutralização do pH com solução alcalina.
A rota tecnológica da ETE foi projetada para uma vazão per capita de esgoto gerado
de 194 L/hab/dia, para uma população máxima atendida de 47.543 habitantes (2027),
perfazendo uma vazão média de projeto de 158,01 l/s e vazão máxima de 243,34 l/s,
com uma carga de DBO afluente de 2.567,32 kg/dia, considerando uma carga per
capita de DBO afluente de 54 g DBO/hab/dia. A eficiência global planejada de
remoção de DBO é de 90,00%. Não há em projeto previsão de eficiência de remoção
de Ntotal e SST.
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A retirada de lodo acumulado no fundo deverá ser realizada por gravidade para ser
desidratado em centrífuga. O RAFA foi executado em concreto e totalmente fechado,
no qual deverão ser instaladas tampas de visita hermética a fim de evitar a presença
externa de odores desagradáveis. Como o tanque é fechado, o gás formado será
tubulado e encaminhado ao queimador de biogás. Estima-se uma produção de 12
litros de biogás por 0,054 Kg de [Link], totalizando 285,26 m³/dia.
O esgoto tratado sai do reator por tubulação interna instalada na parte superior do
tanque. Essa etapa do sistema produz cerca de 0,15 Kg de SS/Kg de DQO,
perfazendo a produção de 4,5 m³/dia. A produção mensal de lodo é de
aproximadamente 132 m³. O reator anaeróbio possui capacidade para armazenar 1/3
de seu volume em lodo. Como o reator possui 763 m³, em média, a cada dois meses é
feito o desague de lodo.
No tratamento secundário, o efluente que sai do RAFA é enviado para dois tanques
em série dotados de aeradores de biodisco. Cada tanque possui 6 rodas (3,35 m de
diâmetro e 2,5 m de comprimento) do tipo filtro biológico rotativo (biodisco – biodrum)
que tem a capacidade de formar uma grande quantidade de lodo (biofilme) em sua
superfície. Cada tanque possui 6,0 m de altura, com altura de líquido de 3,1 m, largura
de 10,0 m, comprimento de 18,0 m, perfazendo um volume de 558,00 m³ por tanque.
Na vazão média, o TRH nessa etapa é de 2 horas em cada tanque. No sistema foram
instalados dois sopradores (1+1) do tipo lobular, vazão de 900 m³ Ar/h, difusores de
bolha grossa. O sistema fornece 2,51 kg O2/Kg DBO, 0,51 Kg O2/kg DBO a mais do
que o necessário para estabilizar a matéria orgânica projetada.
A retirada do lodo no fundo do decantador é via sistema de air lift. Na prática, metade
do lodo retirado do decantador é conduzido para o biodigestor anaeróbio para ser
estabilizado, e o restante é recirculado para o primeiro tanque aeróbio de biodisco.
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Fluxograma da rota tecnológica da ETE
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Tema 3
Questões legais e normativas: performance e
padrões de lançamento
Resolução
Conama n° Define os critérios de balneabilidade em águas brasileiras.
274/2000
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Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e as diretrizes
Resolução
ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece
Conama n°
as condições e os padrões de lançamento de efluentes e dá
357/052
outras providências.
Importante!
Essas resoluções definem parâmetros e padrões na esfera nacional. Entretanto, os
Estados podem promulgar resoluções normativas específicas, desde que estas sejam
mais restritivas do que as federais.
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As águas doces possuem salinidade igual ou inferior a 0,5%. As águas salobras
possuem salinidade superior a 0,5% e inferior a 30%. As águas salinas possuem
salinidade igual ou superior a 30%.
Classe
Classe 1 Classe 2 Classe 3 Classe 4
especial
• Abastecimento
• Abastecimento
para consumo
para consumo
humano após
humano após
tratamento • Abastecimento
tratamento
convencional. para consumo
simplificado.
• Abastecimento humano após
para consumo • Proteção das tratamento
• Proteção das
humano, com comunidades convencional ou
comunidades
desinfecção. aquáticas. avançado.
aquáticas.
• Preservação • Recreação de • Irrigação de
• Recreação de
do equilíbrio contato culturas arbóreas, • Navegação.
contato
natural das primário. cerealíferas e
primário.
comunidades forrageiras. • Harmonia
aquáticas. • Irrigação de paisagística.
• Irrigação de
hortaliças, • Pesca amadora.
hortaliças que
• Preservação plantas
são consumidas
dos ambientes frutíferas e de • Recreação de
cruas e de
aquáticos em parques, contato
frutas.
UC de proteção jardins, campos secundário.
integral. de esporte e
• Proteção das
lazer. • Dessedentação
comunidades
de animais.
aquáticas em
• Aquicultura e
terras
atividade de
indígenas.
pesca.
Fonte: Adaptado da Resolução Conama nº 357/2005.
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Classe especial Classe 1 Classe 2 Classe 3
• Recreação de
contato primário.
• Proteção das
comunidades
aquáticas.
• Aquicultura e
atividade de pesca.
• Preservação do
• Abastecimento para
equilíbrio natural das
consumo humano
comunidades
após tratamento • Pesca amadora. • Navegação.
aquáticas.
convencional ou
avançado. • Recreação de • Harmonia
• Preservação dos
contato secundário. paisagística.
ambientes aquáticos
• Irrigação de
em UC de proteção
hortaliças que são
integral.
consumidas cruas e
de frutas.
• Irrigação de
parques, jardins,
campos de esporte.
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De acordo com a Resolução Conama n° 357/2005, os corpos hídricos de água doce
se subdividem em classe especial, classe 1, classe 2, classe 3 e classe 4. A classe
especial é a que possui os parâmetros e padrões mais rígidos. Já os corpos hídricos
de água salobra e de água salina se subdividem em classe especial, classe 1, classe 2
e classe 3. Cada classe possui diferentes parâmetros e padrões que definem a sua
qualidade.
Importante!
Recomenda-se acesso ao texto integral da Resolução Conama n° 357/2005 para
conhecer os padrões de qualidade das diferentes classes dos corpos hídricos.
“ [...] a qualidade da água pode ser representada através de diversos parâmetros, que
traduzem as suas principais características físicas, químicas e biológicas.”
Desta forma, de acordo com o art. 2º, inciso XXVI da Resolução Conama n°
357/2005, padrão é o valor limite adotado como requisito normativo de um parâmetro
de qualidade de água ou efluente. Já os parâmetros de qualidade da água, conforme
inciso XXVII, do mesmo artigo, são as substâncias ou outros indicadores
representativos da qualidade da água. O art. 4º, inciso XII, da Resolução Conama n°
430/2011 complementa que são parâmetros de qualidade do efluente as substâncias
ou outros indicadores representativos dos contaminantes toxicologicamente e
ambientalmente relevantes do efluente.
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“ I - Condições de lançamento de efluentes:
a) pH entre 5 e 9;
d) regime de lançamento com vazão máxima de até 1,5 vez a vazão média do período
de atividade diária do agente poluidor, exceto nos casos permitidos pela autoridade
competente;
e) óleos e graxas:
Boro total (Não se aplica para o lançamento de águas salinas) 5,0 mg/L B
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Parâmetros Inorgânicos Valores Máximos
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Importante!
Recomenda-se acesso ao texto integral da Resolução Conama n° 430/2011 para
conhecer mais informações sobre os padrões lançamento de efluentes.
Em síntese, para que uma ETE performe dentro das exigências legais e normativas
esperadas, ela precisa de uma rota tecnológica suficientemente boa para remover os
poluentes legislados a níveis aceitáveis, a ponto de enquadrá-los nos padrões exigidos
pelas resoluções do Conama. Somente assim será possível compatibilizar a qualidade
do efluente tratado e a qualidade do corpo receptor, viabilizando o lançamento.
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Tema 4
Estudo de caso: pré-dimensionamento de um
sistema de esgotamento sanitário
Em seguida:
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x L = 68m x H = 32m).
9) Estime, a partir da vazão de projeto média, a carga de DBO lançada no ambiente
anualmente pela população não atendida, sabendo que se trata de concentração típica
de esgoto médio.
10) Estime, a partir da vazão de projeto média, a carga de nitrogênio amoniacal total
lançada no ambiente anualmente pela população não atendida, sabendo que se trata
de concentração típica de esgoto médio.
Observação
Considere uma rede de 50 km de extensão para a proposição da vazão de infiltração.
Não há dados de medição de vazão na área não atendida.
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• Área da unidade territorial, = 413,449 km².
• Percentual de urbanização = 61,44 km².
Com base nas informações consultadas no Portal IBGE Cidades, identificou-se que
82,3% da cidade apresenta esgotamento sanitário adequado, logo, 17,7% apresentam
esgotamento sanitário inadequado.
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Porte da Faixa da população Consumo per capita
comunidade (hab.) (L/[Link])
Dessa forma:
A vazão média de tempo seco (Qm) é igual à população equivalente multiplicada pela
geração per capita
Qm = 41.432 x 200
Qm = 8.286.400 L/dia
Para transformamos a vazão para “l/s”, devemos dividir a mesma por 86.400 (24 horas
x 60 minutos x 60 segundos).
Qm = 8.286.400 / 86.400
Qm = 95,90 l/s
A vazão máxima de tempo seco (Qmáx) é igual à vazão média (Qm) multiplicada pelos
coeficientes de dia (K1) e hora (K2) de maior consumo da região. Como não há dados
de medição de vazão in loco na região não atendida, vamos considerar K 1 = 1,2 e K2 =
1,5. Dessa forma:
Qmáx = Qm x K1 x K2
Qmáx = 95,90 x 1,2 x 1,5
Qmáx = 172,62 l/s
Qi = 50 x 0,25
Qi = 12,50 l/s
A vazão média de projeto (Qp) é igual à vazão média de tempo seco (Qm) multiplicado
acrescida da vazão de infiltração (Qi).
Qp = Qm + Qi
Qp = 95,90 + 12,50
Qp = 108,40 l/s
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7) Estime ao final de um ano, quantos litros de esgoto sanitário são
lançados sem tratamento no município (considerar a vazão média de
projeto)
Qp = 108,40 l/s
Qp = 108,40 x 31.536.000
Qp = [Link] l/ano
Para transformamos a vazão para “m³/s”, devemos dividir por 1.000 (1m³ = 1.000 l).
Qp = 0,1084 m³/s = 6,504 m³/min = 390,24 m³/hora = 9.365,76 m³/dia
Assim, para encontrar o tempo de enchimento do Maracanã, precisamos dividir o seu
volume pela vazão:
t = Vm / Qp
t = 218.400,00 / 9.365,76
t = 23,31 dias
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)
O.D. 0 0 0
Nitrogênio total 85 40 20
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Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)
Nitrogênio orgânico 35 20 10
Amônia livre 50 20 10
Fósforo total 20 10 5
Fósforo orgânico 7 4 2
Fósforo inorgânico 13 6 3
CPDBO = Qp x CDBO
CPDBO = [Link] x 200
CPDBO = [Link] mg = 683.700.480 g = 683.700,48 Kg = 683,7 t
Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)
O.D. 0 0 0
Nitrogênio total 85 40 20
Nitrogênio orgânico 35 20 10
Amônia livre 50 20 10
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Parâmetro Esgoto Forte (mg/l) Esgoto Médio (mg/l) Esgoto Fraco (mg/l)
Fósforo total 20 10 5
Fósforo orgânico 7 4 2
Fósforo inorgânico 13 6 3
CPNT = Qp x CP
CPNT = [Link] x 40
CPNT = [Link] mg = 136.740.096 g = 136.740 Kg = 136,7 t
Com essa análise diagnóstica, conhecemos as vazões que precisarão ser tratadas
para atender à população ainda sem tratamento de esgotos no município de Cabo Frio
e alguns parâmetros de performance para apoio ao dimensionamento da rota
tecnológica da ETE.
Em síntese, será necessário construirmos uma rede e ETE capaz de suportar uma
vazão média de projeto de 108,40 l/s, com pico de geração no dia e hora de maior
consumo de 172,62 l/s. Conforme o art. 16 da Resolução Conama nº 430/2011, a ETE
deverá reduzir, no mínimo, 60% da carga poluidora de DBO e tratar o efluente ao
ponto de propiciar o lançamento de, no máximo 20 mg/l de nitrogênio amoniacal total.
Vídeo
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Encerramento
Vazão Formulação
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as condições e os padrões de lançamento de efluentes e dá outras
providências.
Resumo da Unidade
Por fim, aplicamos todos os conceitos aprendidos em um estudo de caso com todas as
etapas detalhadas. Esperamos que tenha absorvido os conteúdos apresentados!
Referências da Unidade
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de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 18 mar.
2005.
• BRASIL. Resolução Conama nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre
as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a
Resolução n. 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio
Ambiente – Conama. Diário Oficial da União, Brasília, 16 mai. 2011.
• JORDÃO, E. P., PESSÔA, C. A. Tratamento de esgoto doméstico. 6. ed. Rio
de Janeiro: ABES, 2011. ISBN: 9788570221698.
• NETTO, J. M. A.; FERNANDEZ, M, F. Manual de hidráulica. 9. ed. São Paulo:
Blücher, 2015. ISBN: 9788521208891.
• SPERLING, M. von. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de
esgotos. 4. ed. Belo Horizonte: UFMG, 2014. ISBN: 9788542300536.
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