Aspectos técnicos da gestão de
resíduos sólidos urbanos e da gestão
de águas pluviais
Você sabe como caracterizamos os sistemas de gestão de Resíduos Sólidos Urbanos
(RSU)?
Ou, ainda, quais são as técnicas de tratamento, destinação final e disposição final
dessa tipologia de resíduos?
Ou como caracterizamos os sistemas de drenagem urbana?
E, por fim, como podemos promover o controle de cheias urbanas?
Nesta unidade responderemos a todas estas questões e a mais algumas,
indispensáveis para compreender dois dos quatro pilares do Saneamento Ambiental.
Descobriremos as diferenças entre gestão e gerenciamento de resíduos, bem como
quais são as melhores técnicas de valorização de frações dos RSUs e as diferenças
entre lixões, aterros controlados e aterros sanitários. Conheceremos as diferenças
entre os sistemas de microdrenagem e os sistemas de macrodrenagem, além da
importância de ambos para a redução de riscos de alagamentos nos centros urbanos.
Por fim, aprenderemos como algumas medidas estruturais e não estruturais podem
contribuir para o controle de cheias!
Bons estudos!
Objetivo
Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:
• Lembrar das características gerais dos Sistemas de Gestão de Resíduos
Sólidos Urbanos (RSU) e dos Sistemas de Drenagem Pluvial.
• Comparar diferentes técnicas de tratamento, destinação e disposição final de
Resíduos Sólidos Urbanos (RSU).
• Comparar medias estruturais e não estruturais para o controle de cheias
urbanas.
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Conteúdo Programático
Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:
• Tema 1 - Caracterização dos Sistemas de Gestão de Resíduos Sólidos
Urbanos (RSU)
• Tema 2 - Técnicas de Tratamento, Destinação e Disposição Final de
Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)
• Tema 3 - Caracterização dos Sistemas de Drenagem Urbana
• Tema 4 - Controle de Cheias Urbanas: medidas Estruturais e Não
Estruturais
A boa gestão de resíduos sólidos possui íntima relação com a eficiência dos sistemas
de drenagem pluvial instalados no ambiente urbano. Durante a ocorrência de chuvas,
os resíduos descartados inadequadamente nas ruas são varridos para sarjetas, bocas
de lobo e galerias, causando, além de entupimentos e alagamentos, arraste de
resíduos para os corpos hídricos, provocando a poluição dos sistemas.
Então, vamos compreender um pouco melhor esses conceitos?
Assista ao documentário O Lixo Nosso de Cada Dia, produzido pela Casa Rosa
Filmes, para entender um pouco mais sobre os desafios que movem os dois pilares do
Saneamento Ambiental abordados nesta unidade.
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Tema 1
Caracterização dos Sistemas de Gestão de
Resíduos Sólidos Urbanos (RSU)
Qual é a diferença entre gestão e gerenciamento de
resíduos?
De acordo com a Lei nº 11.445/2007, os Sistemas de Gestão de Resíduos Sólidos
Urbanos (RSU) fazem parte do contexto do Saneamento Básico no Brasil. Nessa
vertente, é comum nos depararmos com os conceitos de gestão e gerenciamento de
resíduos. De acordo com Cunha (2021), podemos entender gerenciamento como o ato
de planejar, executar, monitorar, controlar e agir em prol de um objetivo, meta e/ou
estratégia definida no âmbito de interesse. Logo, o gerenciamento de resíduos sólidos
é o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, pelo gerador do resíduo,
contendo, minimamente, o planejamento, a execução, o monitoramento e o controle
de ações.
Para tanto consideramos, minimamente, as etapas apresentadas no quadro a seguir.
É a contenção temporária em área autorizada pelo órgão de controle
ambiental, até a reciclagem, recuperação, tratamento ou disposição
final, com o objetivo de atender a requisitos de segurança ambiental.
Armazenamento
Temporário
Nota
Atenção para as normas NBR 11.174/89 - Armazenamento de resíduos
não perigosos e NBR 12.235/92 Armazenamento de resíduos perigosos.
Ação sanitária que visa o afastamento dos resíduos do meio onde é
gerado. A escolha das rotas de coleta, frequências e tipos de veículos
Coleta e influencia diretamente as etapas posteriores de gerenciamento.
Transporte
Nota
Atenção para a NBR 13.221/03 - Transporte terrestre de resíduos.
Ação sanitária que visa o afastamento e o armazenamento temporário
dos resíduos para o ganho de escala e consequente redução de custos
logísticos, para o envio à solução de destinação ou disposição final.
Não é uma etapa obrigatória.
Transbordo
Importante!
A adoção do transbordo depende da condição do sistema de
gerenciamento implantado (quantidade gerada, espaço de
armazenamento, frota de coleta, frota de envio etc.)
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É o tratamento e/ou a valorização dos resíduos gerados, coletados e
transportados. Inclui as ações de reutilização, reciclagem,
Destinação Final
compostagem, recuperação e reaproveitamento energético, entre outras
formas admitidas pelos órgãos ambientais.
Distribuição ordenada de rejeitos em aterros sanitários ou aterros
Disposição Final industriais, observando normas operacionais específicas, de modo a
evitar danos ou riscos à saúde pública e ao ambiente (CUNHA, 2021).
Então, o que seria a gestão de resíduos sólidos?
Para Cunha (2021), a gestão pode ser entendida da seguinte forma:
Conjunto de ações enveredadas com foco na otimização de processos através
da análise crítica de cenários e de tomadas de decisão éticas e racionais
baseadas em informações derivadas do gerenciamento, com o objetivo de
garantir o alcance de um objetivo, meta ou estratégia, além da satisfação das
principais partes interessadas na ação/projeto em curso.
Dessa forma, podemos dizer que gestão de resíduos é um conjunto de ações voltadas
para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar multiplas
dimensões gerenciais.
Listamos, a seguir, algumas dessas dimensões:
1. Política.
2. Técnica.
3. Econômica.
4. Ambiental.
5. Cultural.
6. Social.
7. Legal.
8. Normativa.
9. Ética.
Esse conceito é análogo à proposta de conceito de “gestão integrada de resíduos”,
presente no artigo terceiro da Lei n° 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de
Resíduos (PNRS).
Entretanto, de forma complementar, o conceito da PNRS direciona as ações de gestão
integrada sob as premissas de um desenvolvimento sustentável.
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É importante destacar que gerenciamento e gestão são conceitos distintos,
entretanto complementares; ou seja, sem gerenciamento não há gestão,
pois não há geração de dados e informações para análise crítica e tomada
de decisões quanto ao correto manejo dos resíduos.
Por sua vez, sem gestão não há gerenciamento, pois as definições estratégicas são
fundamentais para a proposição de ações de gerenciamento, em especial ações de
planejamento, execução, monitoramento e controle.
Para que tenhamos uma gestão e um gerenciamento adequados dos resíduos sólidos,
de acordo com o artigo 9º da PNRS, deve ser observada a ordem da não geração,
redução, reutilização, reciclagem, tratamento e, somente após estes, a
disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos.
Em síntese, espera-se que apenas rejeitos sejam encaminhados para aterros
sanitários em nosso país.
Leitura
Para enriquecer seus estudos sobre as diretrizes da Política Nacional de
Resíduos Sólidos (PNRS), sugerimos a leitura da Introdução do Capítulo 2:
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS): uma interpretação técnica, do
seguinte livro:
• CANEJO, C. Gestão Integrada de Resíduos Sólidos: múltiplas
perspectivas para um gerenciamento sustentável e circular. Rio de Janeiro:
Freitas Bastos, 2022. ISBN 97886556750866. Biblioteca Virtual Pearson.
E quais seriam as diferentes classificações dos resíduos sólidos?
De acordo com o art. 13 da PNRS, podemos classificar os resíduos de acordo com
sua origem ou de acordo com sua periculosidade.
Quanto à origem, temos a seguinte classificação:
“ a) resíduos domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências
urbanas;
b) resíduos de limpeza urbana: os originários da varrição, limpeza de logradouros e
vias públicas e outros serviços de limpeza urbana;
c) resíduos sólidos urbanos: os englobados nas alíneas “a” e “b”;
d) resíduos de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: os gerados
nessas atividades, excetuados os referidos nas alíneas “b”, “e”, “g”, “h” e “j”;
e) resíduos dos serviços públicos de saneamento básico: os gerados nessas
atividades, excetuados os referidos na alínea “c”;
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f) resíduos industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais;
g) resíduos de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme
definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos do Sisnama e do
SNVS;
h) resíduos da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e
demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e
escavação de terrenos para obras civis;
i) resíduos agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais,
incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades;
j) resíduos de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais
alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira;
k) resíduos de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou
beneficiamento de minérios; [...].”
(BRASIL, 2010)
Vale destacar que apenas os Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) são
competência do poder público municipal. Os demais são de
responsabilidade dos diversos geradores das tipologias apresentadas.
Dessa forma, a construção dos Planos de Gerenciamento e a efetiva
gestão desses resíduos dependem única e exclusivamente desses
geradores, que devem se comprometer com essa ação para uma
adequação de suas atividades aos preceitos legais e ambientais vigentes.
Obviamente há uma cadeia de serviços de acondicionamento, coleta, transporte,
tratamento, valorização e destino final de cada um dos resíduos que apresentamos
anteriormente, na citação do art. 13, sendo essa a essência do setor de resíduos em
nosso país.
Devido à complexidade química e gravimétrica, apenas a classificação por origem não
é suficiente para uma correta caracterização dos resíduos. Por esse motivo, a PNRS
também propõe a classificação em função de sua Periculosidade, que destacamos a
seguir:
a. “resíduos perigosos: aqueles que, em razão de suas características de
inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade,
carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco
à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma
técnica;
b. resíduos não perigosos: aqueles não enquadrados na alínea “a”.”
(BRASIL, 2010)
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Cabe destacar que todas as origens dos resíduos apresentadas anteriormente,
inclusive os RSUs, podem ter componentes e/ou características perigosas ou não, a
depender de seu processo de geração e acondicionamento.
Na imagem a seguir, podemos observar um exemplo de local de disposição final de
Resíduos Sólidos Urbanos (RSU):
Como podemos caracterizar os RSUs?
Para Cunha (2021), caracterizar um resíduo é, em essência, determinar seus
principais aspectos físicos, químicos, biológicos, qualitativos e quantitativos.
A partir dessa ação, podemos planejar as viabilidades técnica, econômica e ambiental
das etapas de gerenciamento desse resíduo.
Assim, para caracterizarmos os RSUs, precisaremos levantar minimamente os
seguintes aspectos:
1. Número de habitantes do município.
2. Poder aquisitivo da população.
3. Condições climáticas.
4. Hábitos e costumes da população.
5. Nível educacional.
De acordo com Vilhena (2010), a influência dos fatores citados é melhor expressa pela
quantidade de resíduos gerada, por sua composição física e parâmetros físico-
químicos, todos indispensáveis ao correto prognóstico de cenários futuros.
Os fatores de geração consistem basicamente dos seguintes elementos:
• “Taxa de geração per capita”.
• “Nível de atendimento dos serviços públicos do município”.
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A composição física é obtida pela determinação do percentual de seus componentes
mais comuns (vidro, papel, plástico, metais etc.), resultado da realização de
um Estudo Gravimétrico.
Observação
Vale destacar que a gravimetria de uma localidade varia substancialmente
em função do poder aquisitivo da população, bem como de seus hábitos,
costumes e cultura. Em tese, quanto menor o poder aquisito, menor a
quantidade de resíduos gerados, sendo maior o percentual de orgânicos
na fração gravimétrica e menor o percentual de materiais recicláveis. Esse
fato se dá pela reduzida capacidade de compra de produtos
industrializados e embalagens para consumo no dia a dia da família. Da
mesma forma, quanto maior o poder aquisitivo, maior é a quantidade de
resíduos gerados, sendo menor o percentual de orgânicos e maior o
percentual de recicláveis, isso porque essa fração da população pode
investir nas facilidades dos alimentos processados e congelados, além de
adquirir constantemente outros produtos, gerando muitas embalagens a
serem descartadas em seu dia a dia.
O planejamento assertivo de ações de gerenciamento de RSU passam,
obrigatoriamente, por identificar cuidadosamente a gravimetria da cidade,
bem como sua densidade populacional, hábitos, costumes e cultura da
população!
Para Vilhena (2010), os parâmetros físicos de caracterização dos RSUs são expressos
por indicadores estratégicos tais como:
• Umidade.
• Densidade.
• Poder calorífico.
Já os parâmetros químicos são expressos pelos teores de elementos químicos
(carbono, enxofre, nitrogênio etc.) presentes nos resíduos.
Apresentamos, na tabela a seguir, um compilado de informações importantes para o
bom gerenciamento dos RSUs.
Informações ao planejamento do gerenciamento de RSUs.
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Parâmetro Descrição Importância
Quantidade de RSU gerada por Fundamental para o planejamento
habitante em um período de de todo o sistema de
Taxa de Geração
tempo específico. Refere-se gerenciamento do resíduos,
Per Capita
aos pesos efetivamente principalmente no
(kg/[Link])
coletados e à população dimensionamento de instalações e
atendida. equipamentos.
Refere-se às porcentagens das
Ponto de partida para estudos de
várias frações, tais como papel,
Composição Física aproveitamento das diversas
papelão, vidro, madeira,
frações e para compostagem.
plástico, trapos, orgânicos etc.
Relação entre a massa e o Determina a capacidade
Densidade volume dos RSUs. Calculada volumétrica dos meios de coleta,
aparente para as diversas etapas de transporte, tratamento e disposição
gerenciamento. final.
Influencia a escolha da tecnologia
de tratamento e equipamentos de
Quantidade de água contida na coleta. Tem influência notável
Umidade
massa de resíduo. sobre o poder calorífico, densidade
e velocidade de decomposição
biológica da massa de resíduos.
É a quantidade de calor gerada
pela combustão de 1Kg de
Avaliação para instalações de
Poder Calorífico resíduo misto (e não somente
incineração.
os materiais facilmente
combustíveis).
Quantidade de matéria
orgânica presente no RSU. Avaliação da utilização do
Teor de matéria Inclui matéria orgânica não processo de compostagem.
orgânica putrescível (papel, papelão etc.) Avaliação do estágio de
e putrescível (verduras, estabilização do RSU aterrado.
alimentos etc.).
Normalmente são analisados
Definição importante para a
nitrogênio, fósforo, potássio,
Composição escolha do tratamento, em
enxofre e carbono, bem como a
Química especial para a compostagem e
relação carbono/nitrogênio, pH
para o destino final.
e sólidos voláteis.
Fonte: Adaptado de Vilhena (2010).
Agora, veremos como fazer a estimativa de quantidade de RSU gerada em um
município. Vilhena (2010) apresenta um passo a passo fundamental para a realização
dessa importante estimativa.
Segundo o autor, para calcularmos a Geração Atual (GA) e a Geração Futura (GF) de
RSU, podemos utilizar as fórmulas a seguir:
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GA = A x B x C0
GF = [A x (1 + D)n] x [B x (1 + E)n] x Ct
Onde:
GA = Geração Atual, expressa em kg/dia;
GF = Geração Futura, expressa em kg/dia;
A = População Atual, expressa em habitantes;
B = Geração Per Capita de RSU, expressa em kg/[Link];
C0 = Nível de atendimento atual dos serviços de coleta de RSU, expressa em %;
D = Taxa de crescimento populacional, expressa em %;
E = Taxa de incremento da geração Per Capita de RSU, expressa em %;
Ct = Nível de atendimento atual dos serviços de coleta de RSU após “n” anos,
expressa em %;
n = Intervalo de tempo considerado, expresso em anos.
Após o cálculo da geração atual e futura, para uma boa gestão é fundamental que
consigamos realizar um estudo das diferentes frações de resíduos (gravimetria) na
mistura que compõe dos RSUs.
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Tema 2
Técnicas de Tratamento, Destinação e
Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos
(RSU)
Quais são as diferenças entre um lixão e um aterro
sanitário?
A valorização dos RSUs é a chave para seu planejamento assertivo. Entretanto,
descobrir como valorizar os RSUs é o ponto crítico para qualquer municipalidade que
intencione desenvolver um sistema de gerenciamento integrado de RSU, que preveja
a preservação ambiental e sustentabilidade operacional.
Para Cunha (2021), a segregação de materiais dos RSUs objetiva a valorização de
suas frações.
Agora, abordaremos algumas técnicas de valorização de RSU e, em seguida,
abordaremos as características técnicas e ambientais dos lixões, aterros controlados e
aterros sanitários, à luz dos conceitos apresentados por Cunha (2021).
Técnicas de valorização de RSU
Entre as técnicas de valorização de RSU, destacamos as apresentadas a seguir, que
são: coleta seletiva, usinas de triagem, compostagem, reciclagem, recuperação
energética (tratamento térmico) e tratamento mecânico biológico.
Coleta seletiva
Segundo Vilhena (2010), a coleta seletiva é um sistema de recolhimento de materiais
recicláveis, tais como papéis, plásticos, vidros, metais e orgânicos, segregados
diretamente na fonte geradora, antes do seu recolhimento pelo titular municipal.
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Esses materiais devem ser armazenados, prensados e enfardados para posterior
comercialização com a indústria recicladora.
O principal requisito para o desenvolvimento de canais de valorização de
resíduos a partir da coleta seletiva é a análise qualitativa e quantitativa das
frações gravimétricas dos RSUs gerados na municipalidade ou empresa.
Apenas a partir dessa análise é possível estimar as potencialidades das diferentes
frações geradas, verificando o mercado e a demanda local de recicláveis, bem como
as diferentes alternativas de gerenciamento.
A coleta seletiva pode ser realizada a partir de quatro modalidades distintas, listadas a
seguir.
Porta a Porta (Domiciliar)
Similar à coleta regular, entretanto com a recolha em dias e horários específicos para
a retirada apenas de materiais recicláveis.
Postos de Entrega Voluntária (PEV)
Locais de entrega em pontos fixos no município. Voluntariamente, o cidadão dispõe
seu reciclável, seco, segregado no coletor relativo ao resíduo segregado, geralmente
em função de uma cor preestabelecida, sendo:
• Verde = Vidro.
• Azul = Papel.
• Vermelho = Plástico.
• Amarelo = Metais.
• Marrom = Orgânicos.
• Cinza = Rejeitos.
Postos de Troca
Locais de entrega em ponto fixo no município, nos quais o cidadão troca o seu
reciclável por algum benefício específico. Pode ser desconto na conta de luz,
abatimento do IPTU, vale alimentação, descontos etc.
Catadores
No Brasil, não se vislumbra a estruturação de sistemas de coleta seletiva sem a
participação dos catadores de materiais recicláveis. Os catadores atuam com o
garimpo de resíduos em vias públicas e condomínios para comercialização dos
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recicláveis com atravessadores (comerciantes com área de armazenamento) para
posterior negociação com a indústria.
Usinas de Triagem
As usinas de triagem são unidades de segregação planejadas para que não seja
necessária qualquer alteração nas rotas de coleta regulares dos RSUs.
Trabalhador em uma usina de triagem.
Ou seja, não há modificação dos roteiros de coleta, mas sim do local de descarte.
Em vez do descarte ocorrer em um aterro sanitário, ele ocorre em uma instalação que,
de forma estruturada, irá propiciar a segregação dos materiais.
É comum haver uma associação das usinas de triagem com o processo de
compostagem.
Quando bem operada, uma usina de triagem pode valorizar até 50% do volume
de resíduos que são descarregados. Entretanto, há, no mínimo, a geração de
50% de rejeitos que precisarão ser dispostos em local ambientalmente
adequado.
Apesar de as usinas não precisarem de alteração do roteiro convencional de coleta,
elas precisarão da coleta e destinação final do rejeito do processo.
Observação
Outros dois pontos a se destacar nas usinas de triagem é que elas carecem de um
investimento inicial significativo para aquisição de equipamentos, em especial a esteira
móvel, e a qualidade do material segregado tende a ser muito inferior do que o
material oriundo da coleta seletiva (CUNHA, 2021).
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Compostagem
Podemos dizer que compostagem é a reciclagem (natural) da fração orgânica dos
RSUs.
As unidades de compostagem não fazem nada além de propiciar atuação
microbiológica, de forma natural ou acelerada, para que haja degradação orgânica e
consequente estabilização dos resíduos.
O processo de compostagem gera o composto orgânico, que pode ser aplicado ao
solo para a melhoria de suas características, sem causar danos ao ambiente.
Observação
Tal qual a coleta seletiva, só se deve investir em processo de
compostagem caso haja mercado para a compra do composto orgânico;
caso contrário, investiremos para valorizar uma fração que pode acabar
indo para o mesmo destino do restante dos resíduos, gerando
desperdícios de dinheiro público.
A compostagem precisa de algumas condições específicas (temperatura, oxigênio e
umidade) para que o processo ocorra adequadamente, no tempo esperado, gerando
um composto passível de comercialização (CUNHA, 2021).
Reciclagem
A reciclagem deve ser entendida como um processo industrial de transformação de
materiais descartados em novos produtos ou insumos. Trata-se do resultado de uma
série de atividades por meio das quais os materiais que se tornariam rejeito são
desviados, coletados, separados e processados para serem utilizados como matéria-
prima (VILHENA, 2010).
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A reciclagem é uma importante técnica de valorização de RSU, pois apresenta as
seguintes vantagens:
• Redução da quantidade de rejeitos aterrados.
• Preservação dos recursos naturais.
• Economia de energia.
• Redução de impactos ambientais.
• Geração de novos negócios e empregos (diretos e indiretos).
A viabilidade de implantação de coleta seletiva, usinas de triagem e
compostagem está condicionada à existência de uma unidade industrial
que recicle as frações segregadas.
Por isso, não se faz reciclagem sem a indústria!
Sem demanda para a indústria da reciclagem, não há por que segregar
materiais!
Dessa forma, é muito importante que as municipalidades analisem com muito cuidado
seus esforços em prol da valorização dos RSUs. Conhecer o perfil gravimétrico e a
quantidade de seus resíduos, bem como avaliar o engajamento social na segregação
e a existência de indústria/mercado local ou próxima, são pontos críticos de sucesso
para o sistema público de gerenciamento de resíduos. (CUNHA, 2021).
Recuperação Energética (Tratamento Térmico)
Os RSUs podem ser submetidos a tratamento térmico para recuperação energética
antes da disposição final de suas cinzas em local ambientalmente adequado.
Em função dos elevados custos de implantação e operação, o tratamento térmico deve
ser adotado a partir da construção de uma política de redução de geração e da
associação da tecnologia de queima à tecnologia de recuperação energética.
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Os tratamentos térmicos podem ser classificados como:
• De alta temperatura, que se aplicam aos RSUs.
• De baixa temperatura, que se aplicam a resíduos específicos, como os
Resíduos de Serviço de Saúde (RSS).
Nota
O tratamento térmico de alta temperatura ocorre em faixas superiores a 500 °C e
objetivam, principalmente, a redução de massa (em torno de 70%), do volume (em
torno de 90%) e a inativação de qualquer componente perigoso ou patógeno dos
resíduos.
Destaca-se que esse processo libera energia passível de aproveitamento, que pode
ser utilizada na geração de energia elétrica, no aquecimento de água e geração de
vapor ou como combustível alternativo em processos industriais. Destaca-se que a
comercialização da energia reduz os custos operacionais das unidades, auxiliando em
sua manutenção.
Tratamento Mecânico Biológico
Essa tipologia de tratamento combina duas técnicas distintas para otimizar o
aproveitamento das frações que integram os RSUs.
O tratamento é dividido em duas etapas principais, que apresentamos a seguir.
1ª) Etapa mecânica
Na etapa mecânica, os resíduos são triturados e peneirados para separar os materiais
recicláveis dos resíduos orgânicos. Em seguida, os materiais recicláveis são
separados por meio de processos como triagem manual ou por equipamentos
específicos como separadores balísticos e de corrente.
Nota
Essa etapa, a mecânica, deve ser acompanhada de políticas públicas eficazes de
coleta seletiva e educação ambiental para garantir a eficiência do processo e a
participação da população na gestão dos resíduos urbanos.
2ª) Etapa biológica
Na etapa biológica, os resíduos orgânicos são encaminhados para uma unidade
integrada de compostagem. Nesse processo, os resíduos orgânicos são
transformados em composto orgânico, que pode ser utilizado como adubo em
agricultura e jardinagem. Além de reduzir a quantidade de resíduos encaminhados
para aterros sanitários, o tratamento mecânico biológico também é capaz de gerar
energia a partir do biogás produzido na compostagem.
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Nota
O biogás pode ser utilizado como fonte de energia renovável em usinas termoelétricas.
Desse modo, podemos entender que a destinação final dos RSUs envolve o
tratamento e a valorização de frações gravimétricas dos RSUs a partir da reutilização,
reciclagem, compostagem, recuperação e reaproveitamento energético, além de
outras formas admitidas pelos órgãos ambientais. Esse tratamento tem como objetivo
reduzir a quantidade e o potencial poluidor dos resíduos sólidos dispostos em aterros
sanitários (CUNHA, 2021).
Logo, podemos entender que a disposição final dos RSUs é a distribuição ordenada
de rejeitos em aterros sanitários de pequeno porte ou aterros sanitários convencionais,
desde que observadas normas operacionais específicas, a fim de evitar riscos à saúde
pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos. No Brasil, a
disposição final de RSU ocorre, basicamente, por meio da utilização de lixões (ou
vazadouros), aterros controlados ou aterros sanitários; entretanto, vale destacar que
apenas os aterros sanitários são considerados efetivamente adequados perante a
PNRS (CUNHA, 2021).
Características técnicas e ambientais dos lixões, aterros
controlados e aterros sanitários
Falaremos, então, a seguir, das técnicas de disposição e destinação final que são: o
lixão, o aterro controlado e o aterro sanitário.
Lixão (vazadouro)
O lixão é uma técnica criminosa de disposição final de RSU.
O Novo Marco pelo Saneamento veta essa prática e determina o encerramento de
todos os lixões brasileiros até dezembro de 2020, salvo algumas condições municipais
específicas.
Não há premissa para licenciamento ambiental dessa atividade; por isso, a operação
de qualquer lixão em território nacional é considerada um ato criminoso perante a
legislação ambiental brasileira.
Nessa modalidade, a disposição ocorre a céu aberto, diretamente no solo, sem
nenhum tipo de controle e tratamento, afetando diretamente a qualidade ambiental e a
saúde da população de entorno.
Na imagem a seguir podemos observar um exemplo de local de um lixão (vazadouro):
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HM Shahidul Islam / [Link]
Os lixões provocam a proliferação de vetores, que possuem alta capacidade de
transmissão de doenças e, por isso, apresentam risco às pessoas que manuseiam os
resíduos como maneira de sobrevivência. O líquido percolado (chorume), que possui
alta toxicidade, flui diretamente para o solo, causando contaminação no solo e nas
águas pluviais, tornando imprestável o cultivo e a captação de água em lençol freático
atingido pelos elevados riscos à saúde derivados de eventual ingestão de seus
contaminantes.
Nota
Infelizmente, nos lixões há emanação descontrolada de biogás, rico em metano, um
dos gases de efeito estufa, contribuindo para o aquecimento global. Nos lixões não há
sistema de impermeabilização de base, não há conformação geotécnica, não há
sistema de drenagem pluvial, não há sistema de drenagem de biogás, não há sistema
de drenagem de chorume, não há recobrimento diário e geralmente conta com a
presença de catadores em condições totalmente insalubres de trabalho e muitos
vetores aéreos (urubus, garças, moscas, mosquitos etc.) e terrestres (ratos, baratas,
pulgas etc.).
Aterro controlado
Os aterros controlados são áreas que se apresentam ambientalmente melhores do
que os lixões, porém não são eficientes no tratamento de resíduos sólidos como os
aterros sanitários.
Na verdade, os aterros controlados nada mais são do que lixões em estágio de
recuperação parcial, pois, apesar dos esforços operacionais em organizar as frentes
de trabalho (compactação, taludamento, recobrimento etc.) e em gerenciar as águas
pluviais, biogás e o chorume, a ausência de sistemas de impermeabilização de base
mantém o cenário de contaminação constante do solo e das águas pluviais durante o
seu ciclo operacional e décadas após o seu encerramento.
Na imagem a seguir podemos observar um exemplo de local de um Aterro controlado.
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O licenciamento ambiental de aterros controlados é possível se for com o foco na
recuperação e encerramento da atividade, ou seja, é concedido o direito à
recuperação com operação concomitante por um espaço de tempo reduzido até que
se viabilize solução ambientalmente adequada. Os aterros controlados possuem
características relativas aos vazadouros e alguns elementos de controle típicos dos
aterros sanitários.
Aterro sanitário
De acordo com a ABNT NBR 8419/1992, o Aterro sanitário é uma forma de disposição
de resíduos no solo sem causar danos à saúde pública e à sua segurança, reduzindo
impactos ambientais.
Esse método confina os resíduos sólidos na menor área possível, cobrindo-os com
uma camada de terra (ABNT, 1992).
Na imagem a seguir podemos observar um exemplo de local de um aterro sanitário:
Aterro sanitário é um processo utilizado para disposição final de resíduos/rejeitos no
solo, fundamentado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas,
visando à preservação do meio ambiente.
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É a tecnologia universal de disposição final de RSU, sendo uma atividade
imprescindível — mesmo nos países onde existem outras tecnologias de valorização e
tratamento, como incineração, compostagem e reciclagem.
No Brasil, a utilização de aterros sanitários vem se expandido para o cumprimento da
PNRS. Vale destacar que os RSUs devem ser reciclados, tratados e/ou reutilizados,
com o objetivo de prologar a vida útil dos aterros sanitários. Dessa forma, somente os
rejeitos deveriam ser enviados, o que é um desafio para gestores públicos e privados
do setor.
A utilização desse método apresenta-se, para países em desenvolvimento, como uma
das melhores alternativas econômicas e ambientais, em oposição aos lixões e aos
aterros controlados.
Nota
Vale lembrar também que os municípios são responsáveis por esse gerenciamento e,
uma vez que o investimento municipal é escasso, essa técnica mostra-se com um bom
custo-benefício.
Nos aterros sanitários, é obrigatória a instalação de sistema de impermeabilização de
base dentro de todos os perímetros que receberão resíduos; os acessos à frente de
trabalho são definidos em projeto e as células de disposição final de RSU possuem
sistemas de controle ambiental.
O plano de avanço do maciço é definido em projeto, há recobrimento diário da frente
de trabalho, bem como sistema de drenagem pluvial, drenagem de biogás e drenagem
de chorume que acompanha todas as etapas operacionais, desde a fundação.
A conformação geotécnica do aterro sanitário é definida em projeto e há
monitoramento geotécnico ao longo de toda a vida útil, bem como monitoramento da
qualidade ambiental do chorume, do biogás e do entorno do empreendimento.
Nos aterros sanitários não é permitida a atividade de catação, por esta ser
considerada insalubre.
O aterro sanitário é licenciável ambientalmente pelo poder público, carecendo de
elaboração de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) para concessão de licença
prévia, projeto detalhado para concessão de licença de instalação e implantação
dentro dos requisitos técnicos, legais e normativos para a concessão de licença de
operação. Vale frisar que a construção e a operação de aterros sanitários geram
impactos ambientais; por isso, é necessário muito rigor no licenciamento ambiental e
no controle operacional da atividade.
Comparação entre um Lixão e um Aterro Sanitário
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Para concretizar as diferenças entre os dois tipos de aterro apresentados,
apresentamos as imagens a seguir.
Leitura
Para enriquecer seus estudos sobre os critérios de implantação e de operação de
aterros sanitários, acesse, na tese de doutorado Proposta de índice de
Sustentabilidade Operacional de Aterros Sanitários ISOAS), as seguintes seções:
• Anexo III - Aspectos relevantes da ABNT NBR 13.896/97: Aterros Não
Perigosos: Critérios de Projeto, Implantação e Operação.
• Item 1.5. Concepção geral de aterros sanitários, entre as páginas 57 a 66.
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Encerrar lixões, implantar e operar aterros sanitários são passos
essenciais para consolidar um sistema de gestão de RSU eficiente e
sustentável. Entretanto, é fundamental ir além dos conceitos e avaliar a
real qualidade da prestação desse serviço público. Encerrar vazadouros é
uma prioridade ambiental e de saúde pública; entretanto, não podemos
nos esquecer de acompanhar o desempenho operacional dos aterros
sanitários.
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Tema 3
Caracterização dos Sistemas de Drenagem
Urbana
Você sabe qual é a importância dos sistemas de
drenagem para os ambientes urbanos?
De acordo com a Lei nº 11.445/2007, os Sistemas de Drenagem Urbana fazem parte
do contexto do Saneamento Básico no Brasil.
De acordo com o art. 3º da referida lei, a drenagem e o manejo das águas pluviais
são constituídos pelas atividades e pela infraestrutura operacional de drenagem
de águas pluviais, de transporte, de detenção ou de retenção para o
amortecimento de vazões de cheias, bem como o tratamento e a disposição final
das águas drenadas, assim como a limpeza e a fiscalização preventiva das
galerias e redes. Miguez et al. (2016) afirma que essa definição já demonstra uma
tendência à preocupação com a degradação ambiental bem como com o descontrole
dos escoamentos superficiais (rios e canais) no ambiente urbano.
Importante
A lei prevê, ainda, que deve haver disponibilidade, em todas as áreas
urbanas, de serviços de drenagem e de manejo das águas pluviais
adequados à garantia de saúde pública, de segurança da vida e do
patrimônio público e privado. Destacaos, também, que a lei entende como
fundamental a articulação dos sistemas de drenagem com as políticas de
desenvolvimento urbano e regional, de habitação, de combate à pobreza,
de proteção ambiental, de promoção da saúde e outras de relevante
interesse social, voltadas para a melhoria da qualidade de vida, para as
quais o saneamento básico é fato determinante.
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Assim, podemos compreender a drenagem como o conjunto de elementos,
interligados em sistema, destinados a recolher as águas pluviais precipitadas sobre
uma determinada região, conduzindo-as de forma segura a um destino final
ambientalmente adequado.
Sabemos, no entanto, que as águas pluviais acabam apresentando um problema para
a sociedade, em especial, em função dos significativos volumes transportados.
De acordo com Miguez et al. (2016), o excesso de águas pluviais pode provocar
alagamentos, enchentes e inudações, que por sua vez podem causar danos ao
patrimônio público e privado, bem como causar e potencializar problemas de saúde
pública e, infelizmente, perda de vidas. Adicionalmente, quando poluidas, as águas
pluviais podem causar degraração do ambiente e contribuir para causar e potencializar
problemas de saúde pública.
Na imagem a seguir, podemos observar um exemplo de alagamentos em ambientes
urbanos.
Antonio Scorza / [Link]
Listamos, a seguir, a definição dos objetivos de um sistema de drenagem em um
contexto amplo, segundo Miguez et al. (2016):
• Redução dos alagamentos de uma dada região de interesse e minimização dos
prejuizos da comunidade instalada na bacia drenada.
• Integração com o plano urbanístico da cidade, tanto no que diz respeito às
questões de zoneamento e uso do solo, como em relação ao crescimento
urbano.
• Preservação de várzeas e integração de soluções de drenagem com paisagens
urbanas, em combinações multifuncionais.
• Avaliação integrada de questões de qualidade e quantidade de águas
escoadas.
• Conservação de logradouros e preservação das condições de tráfego na bacia.
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Logo, podemos compreender que a drenagem urbana vai muito além do tranporte das
águas precipitadas até um corpo hídrico, pois ela elgoba um conjunto de estratégias
que objetivam contribuir para a minimização de riscos sócio-ambientais e de prejuizos
públicos e privados derivados de alagamentos, enchentes e inundações, a partir de
um planejamento, projeto e implementação assertivos, integrados às políticas
urbanísticas e ambientais das cidades.
A seguir, detalharemos as características gerais dos sistems de micro e macro
drenagem, e, finalizando este tema, apresentaremos as premissas para a elaboração
de projetos de drenagem urbana.
Caracteristicas gerais dos sistemas de micro e de macro
drenagem
Miguez et al. (2016) esclarecem que os sistemas de drenagem urbana englobam dois
subsistemas caracteristicos, que são:
Microdrenagem. Macrodrenagem.
Abordaremos, a seguir, cada um deles.
Exemplo de boca-de-lobo, componente dos sistemas de microdrenagem.
Microdrenagem
A microdrenagem é definida por um sistema de condutos em nível de loteamento ou
de rede primária urbana, construído localmente para captação distribuída dos
escoamentos superficiais gerados pelas áreas urbanizadas, sendo destinado a
receber e conduzir as águas das chuvas vindas de construções, lotes, ruas, praças
etc.
Em uma área urbana, o caminho da rede de microdrenagem é essencialmente
definido pelo traçado das ruas e por diferentes elementos hidráulicos. De acordo com
Rezende e Miguez, em capítulo presente em Santos e Ohnuma Jr. (2021), de forma
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geral são cinco os elementos hidráulicos que integram os sistemas de microdrenagem,
listados a seguir.
Sarjetas
Faixas de via pública paralelas e vizinhas do meio-fio. A calha formada é a receptora
das águas pluviais que incidem sobre as vias públicas e lotes que não se comunicam
à rede por ramais prediais.
Boca-de-lobo
Elementos com finalidade de captar as águas das sarjetas e conduzi-las até as
galerias ou tubulações subterrâneas para que não venham a invadir o leito carroçável
das ruas. Devem ser locados nos cruzamentos das vias, à montante da faixa de
pedestres, e em pontos intermediários, quando a capacidade da sarjeta estiver
esgotada.
Poço de visita (PV)
Previsto para permitir a inspeção e a manutenção da rede. Locado quando há
mudanças de seção transversal, de declividade e/ou direção da galeria e em locais
com confluência de escoamentos. O diâmetro mínimo da entrada para visita geral
mente adotado é 0,60 m.
Galerias
Recebem as águas pluviais captadas na superficie e as direcionam ao seu destino
final. Normalmente, são localizadas no eixo da rua. Podem apresentar seções
transversais distintas, sendo mais comuns circulares e retangulares. São
dimensionadas para funcionamento com escoamento em superfície livre. Possuem
critérios de projeto definidos por diretrizes municipais, como enchimento máximo (de
75 a 90 %), recobrimento mínimo (geralmente de 1,0 m) e velocidades máximas
admissíveis dependentes do material adotado (para manilhas de concreto, até 5,0
m/s).
Canais de pequenas dimensões
Apresentam maior capacidade de vazão e maior facilidade de manutenção e limpeza.
É indicada a adoção de seção mista, que gera maior economia de investimentos e
garante velocidades mínimas durante os períodos de estiagem. Possibilitam a
integração paisagística, com valorização de áreas ribeirinhas. Possuem a vantagem
da facilidade para ampliações futuras, caso necessário. Em grandes dimensões,
compõem a rede de macrodrenagem.
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Macrodrenagem
A macrodrenagem corresponde à rede de maior porte, que recebe águas já
concentradas. Os primeiros componentes da rede de macrodrenagem se referem a
próprios caminhos de drenagem natural, preexistentes à urbanização, constituídos por
rios e córregos, localizados nos talvegues dos vales.
A rede de macrodrenagem, em geral, no contexto da drenagem urbana,
recebe obras que modificam e complementam os caminhos naturais,
recebendo as contribuições do sistema de microdrenagem e lançando-as
no corpo receptor final (MIGUEZ, et al., 2016).
Tradicionalmente, as obras de macrodrenagem focavam na retificação e ampliação
das seções de canais naturais e na construção de canais artificial e galerias de
grandes dimensões. Entretanto, nos últimos anos passamos a verificar que as
soluções de macrodrenagem passaram a considerar outros aspectos, tais como a
necessidade de reequilíbrio das bacias hidrográficas contribuintes, trazendo à tona a
reflexão sobre a necessidade de uso de outras estruturas hidráulicas planjeadas para
o amortecimento de picos de cheia, para a proteção contra erosões e/ou
assoreamentos, para dissipação de energia, entre várias outras soluções.
A necessidade de ampliação da capacidade de escoamento dos veios de
macrodrenagem natural surge a partir do crescimento dos núcleos urbanos, em função
da expansão das áreas concretadas e asfaltadas, que, por sua vez, reduzem as taxas
de infiltração, ampliam (por necessidade de escoamento) as redes de microdrenagem
e concentram maiores frações de escoamentos superficiais. Entretanto, como
infelizmente, muitas vezes, os centros urbanos não possuem sistemas separadores
absolutos para coleta e transporte dos esgotos, coleta e transporte em tempo acaba
sendo a solução adotada, provocando a mistura das águas das chuvas com os
esgotos, transformando os sistemas de drenagem em meios de transporte de
poluição, se não tiveram destino final ambientalmente adequado.
Premissas para a elaboração de projetos de drenagem
urbana
O planejamento, o projeto e a implmentação de redes de drenagem baseiam-se nos
conceitos e conhecimentos oferecidos pela hidráulica aplicada. Entretanto, vale
destacar que existe significativa interposição com os conceitos e conhecimentos
ambientais, sociais, econômicos e legais.
Segundo Miguez et al. (2016), um projeto de drenagem que não contemple o
funcionamento integrado da bacia, reconhecendo suas particularidades e
limitações, bem como suas interações com a cidade, provavelmente se mostrará
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ineficaz e será responsável por enchentes severas, por falta de capacidade de
escoamento, gerando assim grandes áreas alagáveis, danificando casas e vários
bens móveis, espalhando aguas poluídas, afetando a saúde pública e podendo,
ainda, resultar em perda de vidas.
Como o projeto de um sistema de drenagem é altamente influenciado pela
urbanização, torna-se importante que os planos de desenvolvimento urbano sejam
integrados a ele. Caso contrário, especialmente em longo prazo, existem grandes
possibilidades de o sistema não apresentar eficência para os objetivos propostos
(MIGUEZ et al., 2016).
Dessa forma, entendemos que um projeto de drenagem deve,
necessariamente, contemplar a bacia como um todo, de modo que
prevaleça o funcionamento integrado dos sistemas de macro e de
microdrenagem.
Na hipótese de funcionamento integrado e adequado dos sistemas, a
microdrenagem é capaz de coletar, de forma distribuída sobre a bacia, as
águas resultantes das chuvas, sem gerar alagamentos locais. Com isso,
essa água é levada até a rede de macrodrenagem que, com adequada
capacidade, provê um escoamento seguro para as águas concentradas.
Considerando uma abordagem tradicional, o dimensionamento de uma rede de
drenagem deve seguir três etapas, listadas a seguir:
1. Divisão da área em estudo em bacias de contribuição e lançamento do traçado
da rede de drenagem em planta baixa, de acordo com as condições naturais
de escoamento, adequando-se o projeto de urbanização às características
topográficas.
2. Cálculo das vazões afluentes ao sistema de drenagem, originadas das
precipitações sobre as áreas de contribuição acumuladas ao longo do caminho
a partir do uso do método racional.
3. Cálculo hidráulico das dimensões da rede de condutos, o que define a
geometria final da rede.
Com a determinação das vazões que afluem até a rede de condutos, por meio de um
modelo hidrológico conveniente, procede-se, então, ao dimensionamento hidráulico da
rede. Esse dimensionamento também deve levar em conta a capacidade de recepção
de vazões do corpo d'água para o qual se pretende destinar as vazões captadas, sem
permitir que estes afoguem a rede de microdrenagem contribuinte ou extravasem de
suas calhas.
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Tema 4
Controle de Cheias Urbanas: medidas Estruturais
e Não Estruturais
Como podemos equacionar a problemática das cheias
urbanas?
Chuvas intensas, associadas à falhas de planejamento, de projeto e de
implementação de redes de macro e micro drenagem, tendem a causar cheias
urbanas (alagamentos, inundações e enchentes), que, por sua vez, causam problemas
sociais, econômicos e ambientais.
Entretanto, há uma questão que até o momento ainda não havia sido abordada em
nossos estudos: a importância da manutenção das redes de drenagem.
Infelizmente, os hábitos sociais de descarte de resíduos tende a ser inapropriado, em
especial nos países em desenvolvimento.
Os resíduos descartados inadequadamente nas vias públicas tendem a ser varridos
pelas águas pluviais, acumulando-se nas sarjetas, bocas-de-lobo e galerias que
constituem os sistemas de microdrenagem.
Associado a esse processo, temos o arraste de folhas e frutos caídos de árvores
urbanas, em especial no período do outono.
Quando não há manutenção recorrente, esses resíduos, folhas e frutos acumulam-se
nos sistemas de microdrenagem, obstruindo, parcial ou integralmente, o fluxo de
escoamento planejado, causando, entre outros problemas, oentupimento, refluxo e
alagamento das vias públicas.
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Desse modo, a simples manutenção das redes de microdrenagem, por meio da
limpeza períodica das galerias, associada à concientização da população quanto à
importância do descarte correto de seus resíduos e a um eficiente sistema de limpeza
dos logradouros públicos, já contribuem, significativamente, para a redução das cheias
urbanas.
Miguez et al. (2016) destacam os seguintes pontos críticos quanto ao funcionamento
dos sistemas urbanos de drenagem:
• Superação da capacidade de escoamento da rede, pelo crescimento urbano
que contribui diretamente para o sistema, atingindo valores de vazão além
daqueles previstos no horizonte de projeto da cidade.
• Falta de controle de crescimento urbano à montante da área de projeto
(eventualmente em um município diverso daquele que sofre o problema), em
áreas que originalmente eram naturais, lançando sobre o sistema um
incremento de vazão não compatível.
• Ocupação inadvertida do solo em áreas ribeirinhas, que deveriam ser
preservadas como planícies de inundação, com a exposição direta das
comunidades que ali se instalam ao risco de cheias.
• Falta de integração entre os sistemas do saneamento básico, que devem
ser compreendidos como complementares, e não independentes entre si.
O correto funcionamento de um dos pilares do saneamento é condição essencial
para a eficiência do outro. Assim, por exemplo, percebe-se claramente que o
sistema de drenagem não pode funcionar a contento no caso de deficiência no
sistema de coleta de resíduos ou de interligação inapropriada com o sistema de
esgotos.
Situações de desequilíbrio no funcionamento conjunto da micro e
macrodrenagem podem trazer vários problemas, com consequências
diferenciadas.
A seguir, abordaremos alguns exemplos que concretizam a condição essencial de
projeto de saneamento bem-sucedido que acabamos de mencionar: eficiência
concomitante de todos os pilares do saneamento básico.
Imaginemos uma situação em que a microdrenagem esteja
adequadamente dimensionada, com capacidade de funcionar
corretamente, mas a respectiva macrodrenagem não tenha condições de
receber todo o volume de água vindo da microdrenagem.
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Quais seriam as consequências desse contexto?
A água dos escoamentos gerados pelas áreas urbanas acabaria retida
sobre a superfície, gerando alagamentos e escoamento sobre ruas, por
efeito de represamento, por falha de captação associada à limitação do
corpo receptor.
Nos casos em que a macrodrenagem não tem capacidade suficiente, pode
ocorrer também o seu extravasamento, gerando diversas áreas alagadas e
formando grandes remansos.
Esse caso equivaleria ao de uma grande cheia natural, quando grandes
planícies adjacentes aos rios funcionam como reservatórios temporários
(MIGUEZ et al., 2016).
Agora, vejamos um contexto em que a macrodrenagem, por sua vez,
esteja adequadamente dimensionada: as águas não verterão para as ruas
e o paralelo com as cheias naturais não se estabelece.
Porém, se a microdrenagem não possuir capacidade suficiente de
captação e/ou condução das águas superficiais — seja por
subdimensionamento, por obsolescência ou por entupimento das bocas-
de-lobo e galerias por resíduos ou sedimentos — uma série de
alagamentos localizados tende a ocorrer.
As ruas passariam a funcionar como canais e a conduzir os excedentes
superficiais para regiões mais baixas, algumas vezes sendo captadas por
outros trechos de rede de microdrenagem, em outras, sub-bacias que não
previam essa captação, outras vezes chegando diretamente à
macrodrenagem, ou ainda, eventualmente, ficando presas em retenções
do terreno.
Nesse caso, os transtornos também são grandes, como no caso anterior. A
diferença é que, com a macrodrenagem funcionando, existe possibilidade
de escoamento para essas águas e a tendência é que o tempo de
alagamento seja mais breve, podendo se resolver pouco depois do término
da chuva (MIGUEZ et al., 2016).
No caso em que macro e microdrenagem falham, os alagamentos tendem
a ser maiores e mais graves. A água não apenas permanece na superfície
por incapacidade da microdrenagem, mas também não encontra saída por
insuficiência de escoamento da macrodrenagem e, ainda por cima, recebe
contribuição das águas extravasadas da própria rede de rios, canais e
galerias (MIGUEZ et al., 2016).
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Na imagem a seguir podemos observar um exemplo de cheia em ambiente
urbano.
Capix Denan / [Link]
Assim, vale destacar os seguintes pontos de atenção:
I. As falhas na microdrenagem geram alagamentos superficiais espalhados pela
bacia, enquanto as falhas na macrodrenagem geram manchas de alagamento
maiores e homogêneas a partir do extravasamento da rede. Por fim, a
conjugação de ambas gera alagamentos generalizados.
II. Geralmente, as maiores catástrofes ocorrem nos casos de falha da
macrodrenagem, quando eventos de chuvas intensas com grandes tempos de
recorrência acontecem na bacia.
O processo de controle de cheias urbanas passa, necessariamente, pelo
entendimento de que a bacia funciona como um sistema integrado, ou seja, o
funcionamento da bacia, o processo de urbanização e o sistema de drenagem
são interdependentes.
Agora, falaremos das medidas possíveis que visam à redução de problemas das
cheias urbanas para, então, apresentar as tendências técnicas e científicas para
controlá-las.
Medidas para redução de problemas de cheias urbanas
De acordo com Miguez et al. (2016), dois grandes grupos de medidas podem ser
considerados como alternativas para equacionar os problemas associados às cheias
urbanas, sendo elas as Medidas Estruturais e as Medidas Não Estruturais, que
apresentaremos a seguir.
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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para
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Medidas estruturais
De acordo com o Miguez et al. (2016), as medidas estruturais envolvem obras
hidráulicas sobre a rede de drenagem, atuando, basicamente, em sua capacidade de
descarga.
As obras também contemplam medidas que modificam as relações entre o ambiente
construído e sua capacidade de geração de escoamentos, com o objetivo de adequar
as vazões geradas pela superfície urbana, para que estas possam ser conduzidas
pela rede existente.
A classificação dessas medidas estruturais de controle do escoamento pode ser
feita de acordo com sua localização na bacia hidrográfica, conforme apresentamos
a seguir.
Distribuídas Na microdrenagem Na macrodrenagem
Tipo de controle que atua em Controle sobre o hidrograma Controle sobre os rios e
praças, lotes e passeios. de um ou mais loteamentos. canais urbanos.
Outra possibilidade de classificação organiza as medidas de controle de acordo com
sua ação sobre o hidrograma da bacia hidrográfica.
Aumento da eficiência do Medidas de infiltração e
Medidas de armazenamento
escoamento percolação
Uso de reservatórios, retendo Criação de condições para
Condutos e canais, drenando
parte do volume da cheia, maior infiltração da água, a fim
áreas alagadas, ou diques,
reduzindo o seu pico e de retardar e diminuir o volume
canalizando o rio.
distribuindo a vazão no tempo. do escoamento superficial.
Medidas não estruturais
De acordo com o Miguez et al. (2016), as medidas não estruturais podem ser vistas
como preventivas, visando uma convivência mais harmônica com os rios e suas
cheias naturais.
Entre elas, incluem-se, entre outros, os seguintes conceitos:
• Preservação ambiental e não desmatamento.
• Manutenção de áreas permeáveis.
• Disposição adequada de resíduos.
• Construção de mapas de inundação para o zoneamento urbano.
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Essas medidas devem ser compatibilizadas também com o projeto de crescimento
urbano.
Mais recentemente, engenheiros de todo o mundo vêm investindo em soluções a partir
do conceito de drenagem sustentável. Esse conceito configura-se como uma medida
não estrutural, uma vez que que busca não ampliar a cheia natural com o processo de
urbanização.
Assim, posto que a urbanização traz modificações sobre a bacia, o importante é
procurar soluções que tentem contrabalançar essas modificações a fim de que os
efeitos sobre o escoamento sejam os mínimos possíveis, em vez de se procurar
adaptar a capacidade de escoamento da rede de drenagem da bacia para receber
uma cheia maior.
Tendências técnicas e científicas no controle de enchentes
urbanas
Na contemporaneidade, as discussões técnicas e científicas quanto aos problemas
das cheias urbanas vêm convergindo para a importância da criação de uma ótica cada
vez mais sistemática.
Logo, torna-se cada vez mais importante tratar o problema em sua causa, com
atuações distribuídas sobre a paisagem urbana, para reduzir e retardar picos de cheia,
permitindo também a recarga do lençol freático, buscando restaurar condições
aproximadas do escoamento natural.
Reservatórios de detenção em lotes, praças, parques ou ao longo dos rios, medidas
de infiltração — como pavimentos permeáveis, trincheiras, valas, jardins de chuva,
ações de reflorestamento e manutenção de áreas verdes — em geral, entre outras,
são opções para a consecução desses objetivos, podendo ainda integrar o ambiente
urbano harmonicamente, configurando áreas de lazer em tempo seco e assim assumir
características de paisagens multifuncionais. (MIGUES et al., 2016).
Importante
Paisagens Multifuncionais baseiam-se na ideia de que uma área pode
cumprir diferentes objetivos e funções quanto a interesses ecológicos,
econômicos, culturais, históricos, sociais e estéticos.
De acordo com o Miguez et al. (2016), a integração de soluções de drenagem com
revitalização e valorização do espaço urbano pode ser um caminho importante para a
solução do problema de cheias. Seja pela possibilidade de projetar atuações
distribuídas sobre toda a bacia urbanizada, fugindo do foco tradicional que direciona
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esforços para a adequação da rede de drenagem, ou pela possibilidade de
financiamento, pelo poder público, de obras com múltiplas finalidades, esse caminho
traz em si o bônus da melhoria do ambiente em que ela se insere.
Mais recentemente, as ações de revitalização em rios urbanos também surgem como
uma nova possibilidade de minimizar cheias. A revitalização de rios geralmente inclui
soluções para o ambiente construído, reconectando-o à cidade, mas não
necessariamente recuperando as características naturais.
Nota
O conceito de reabilitação ou requalificação de um rio, no entanto, tenta integrar
hidrologia, morfologia, riscos hidráulicos, qualidade das águas e do estado ecológico
do rio, o que é uma proposta bastante complexa em ambientes urbanos.
Gusmaroli et al. (2011) apud Miguez et al. (2016), porém, propõem a adoção de uma
abordagem ecossistêmica, a fim de aproveitar a oportunidade de introduzir o conceito
de reabilitação do rio a partir do ponto de vista de uma melhoria ambiental, olhando a
cidade como um organismo em constante transformação e, portanto, capaz de
modelar-se e adaptar-se (mesmo que apenas em parte) às demandas de recuperação
dos cursos d'agua.
Vídeo
Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no
Ambiente Virtual de Aprendizagem.
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Encerramento
Qual é a diferença entre gestão e gerenciamento de
resíduos?
Gerenciamento de resíduos sólidos é o conjunto de ações exercidas, direta ou
indiretamente, pelo gerador dos resíduos, contendo, minimamente, planejamento,
execução, monitoramento e controle de ações nas etapas de armazenamento
temporário, coleta, transporte, transbordo, destinação e disposição final do resíduo. Já
a gestão é o conjunto de ações enveredadas com foco na otimização de processos a
partir da análise crítica de cenários e de tomadas de decisão éticas e racionais
baseadas em informações derivadas do gerenciamento, com o objetivo de garantir o
alcance de um objetivo, meta ou estratégia, além da satisfação das principais partes
interessadas na ação/projeto em curso.
Quais são as diferenças entre um lixão e um aterro
sanitário?
Em síntese, um lixão não possui rigor no controle ambiental. Os resíduos são lançados
sem qualquer critério no solo, causando poluição ambiental, atraindo vetores e
causando incômodos à população. Os aterros sanitários são obras de engenharia
complexas, que preveem a execução de sistemas de impermeabilização de base,
projeto de redes de drenagem subterrânea e superficial, drenagem de gases,
tratamento de chorume e vários outros critérios técnicos.
Você sabe qual é a importância dos sistemas de
drenagem para os ambientes urbanos?
Os sistemas de drenagem urbana compensam as parcelas de infiltração que foram
suprimidas do ciclo hidrológico por força da impermeabilização por concreto e asfalto
do processo de urbanização. Em geral, os sistemas de drenagem englobam dois
subsistemas caracteristicos, sendo eles a microdrenagem e a macrodrenagem. A
microdrenagem é definida por um sistema de condutos em nível de loteamento ou de
rede primária urbana, construído localmente para captação distribuída dos
escoamentos superficiais gerados pelas áreas urbanizadas, sendo destinada a
receber e conduzir as águas das chuvas vindas de construções, lotes, ruas, praças
etc. Já a macrodrenagem corresponde à rede de maior porte, que recebe águas ja
concentradas. Os primeiros componentes da rede de macrodrenagem se referem aos
próprios caminhos de drenagem natural, preexistentes à urbanização, constituídos por
rios e córregos, localizados nos talvegues dos vales. A rede de macrodrenagem, em
geral, no contexto da drenagem urbana, recebe obras que modificam e complementam
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os caminhos naturais, recebendo as contribuições do sistema de microdrenagem e
lançando-as no corpo receptor final.
Como podemos equacionar a problemática das cheias
urbanas?
As cheias urbanas são um problema que assola os centros urbanos, em especial nos
períodos de maior pluviosidade. Em função dos grandes volumes precipitados e da
falta de manutenção dos sistemas de micro e macrodrenagem, as enchentes causam
transtornos e perdas, em especial para as populações que residem em áreas urbanas
de baixadas e próximas a grandes rios. Temos, basicamente, duas formas de resolver
a problemática das cheias urbanas: a partir de medidas estruturais e de medidas não
estruturais. As Medidas Estruturais envolvem obras hidráulicas sobre a rede de
drenagem, atuando, basicamente, em sua capacidade de descarga, bem como
contemplam medidas que modificam as relações entre o ambiente construído e sua
capacidade de geração de escoamentos, com o objetivo de adequar as vazões
geradas pela superfície urbana, para que elas possam ser conduzidas pela rede
existente. Já as medidas Não Estruturais podem ser vistas como medidas preventivas,
para uma convivência mais harmónica com os rios e suas cheias naturais, aí se
incluindo conceitos de preservação ambiental e não desmatamento, manutenção de
áreas permeáveis, disposição adequada de resíduos, construção de mapas de
inundação para o zoneamento urbano, entre outros. Essas medidas devem ser
compatibilizadas também com o projeto de crescimento urbano.
Resumo da Unidade
Nesta unidade aprendemos um rol de conceitos que permeiam a gestão e o
gerenciamento de Resíduos Sólidos Urbanos (RSUs), bem como os sistemas de
drenagem pluvial. Conhecemos um pouco sobre as diferentes tipologias de resíduos e
como podemos proceder para realizar a caracterização dos RSUs. Aprendemos que a
valorização dos RSUs se dá a partir da coleta seletiva, das usinas de triagem, da
compostagem, da reciclagem e da recuperação energética. Demos destaque às
diferentes técnicas de disposição final, sendo elas os lixões, os aterros controlados e
os aterros sanitários. Vimos como a micro e macrodrenagem precisam ser planejadas,
implantadas e mantidas com rigor técnico para o correto escoamento das águas
pluviais, reduzindo assim os riscos de alagamentos. Por fim, aprendemos as
diferenças entre medidas estruturais e não estruturais para o controle de cheias
urbanas.
Esperamos que você tenha absorvido os conteúdos apresentados!
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Referências da Unidade
• CANEJO, C. Gestão Integrada de Resíduos Sólidos: múltiplas perspectivas
para um gerenciamento sustentável e circular. Rio de Janeiro: Freitas Bastos,
2021, 120 p. E-book. ISBN: 9786556750866. Biblioteca Virtual Pearson.
• CANEJO, C. Proposta de índice de Sustentabilidade Operacional de
Aterros Sanitários ISOAS. Orientador: Elisabeth Ritter. 2019. Doutorado em
Engenharia Ambiental (Tese) – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-
Graduação e Pesquisa em Engenharia – COPPE/UFRJ. Universidade Federal
do Rio de Janeiro, RJ, 2019.
• (Saiba um pouco mais sobre os critérios de implantação e de operação de
aterros sanitários a partir da leitura do item 1.5. Concepção Geral de Aterros
Sanitários, entre as páginas 57 a 66 e, de forma complementar, leitura do
Anexo III - Aspectos relevantes da ABNT NBR 13.896/97: Aterros Não
Perigosos: Critérios de Projeto, Implantação e Operação.)
• CHADWICK, A.; MORFETT, J.; BORTHWICK, M. Hidráulica para Engenharia
Civil e Ambiental. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2017, 521 p. E-book.
ISBN: 9788535285222. Minha Biblioteca.
• MIGUEZ, M. G.; VERÓL, A. P.; REZENDE, O. M. Drenagem Urbana: do
projeto tradicional à sustentabilidade. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2015,
365 p. E-book. ISBN: 9788535277470. Minha Biblioteca.
• NETTO, J. M. A.; FERNANDEZ, M. F. Manual de Hidráulica. 9. ed. São Paulo:
Blücher, 2015, 632 p. E-book. ISBN: 978852120889. Minha Biblioteca.
• SANTOS, A. S. P.; JUNIOR, A. A. O. (orgs.). Engenharia e Meio
Ambiente: aspectos conceituais e práticos. Rio de Janeiro: LTC, 2020, 336
p. E-book. ISBN: 9788521637516. Minha Biblioteca.
Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos
abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino
publicado na página inicial da disciplina.
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