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Saneamento Ambiental

A disciplina de Saneamento Ambiental aborda a interrelação entre saneamento, saúde, sociedade, meio ambiente e sustentabilidade, estruturada em quatro unidades de estudo. Os alunos aprenderão sobre gestão de resíduos sólidos, esgotamento sanitário e abastecimento de água, além de aspectos legais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O curso visa preparar os estudantes para reconhecer a importância do saneamento como um direito fundamental e sua relevância para a saúde pública e o meio ambiente.
Direitos autorais
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Saneamento Ambiental

A disciplina de Saneamento Ambiental aborda a interrelação entre saneamento, saúde, sociedade, meio ambiente e sustentabilidade, estruturada em quatro unidades de estudo. Os alunos aprenderão sobre gestão de resíduos sólidos, esgotamento sanitário e abastecimento de água, além de aspectos legais e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O curso visa preparar os estudantes para reconhecer a importância do saneamento como um direito fundamental e sua relevância para a saúde pública e o meio ambiente.
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Saneamento Ambiental

Nesta disciplina vamos compreender a interrelação entre saneamento, saúde,


sociedade, meio ambiente e sustentabilidade. Para isso, o conteúdo foi estruturado em
quatro unidades, nas quais discutiremos a introdução ao saneamento ambiental, os
aspectos técnicos da gestão de resíduos sólidos urbanos, bem como da gestão de
águas pluviais, dos sistemas de esgotamento sanitário e dos sistemas de
abastecimento de água.

Você aprenderá também aspectos importantes de sua atuação profissional a partir dos
recursos de aprendizagem, das atividades e das discussões sugeridas. Desde já,
propomos que aproveite bem o material disponibilizado, em especial, nosso e-book e
vídeos síntese.

Sugerimos que você se organize para ler os conteúdos sugeridos com calma, mas
dentro dos prazos estabelecidos. Em caso de dúvidas, você pode (e deve!) consultar o
professor tutor da disciplina!

Bons estudos!

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de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o upload para
sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge.
Objetivos

Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de:

• Correlacionar os quatro pilares do saneamento ambiental a aspectos sociais,


ambientais e de saúde pública.
• Reconhecer os principais aspectos legais e o panorama do saneamento
ambiental no Brasil.
• Lembrar a relação entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS
e o saneamento ambiental.
• Lembrar as características gerais dos sistemas de gestão de Resíduos Sólidos
Urbanos – RSU e dos sistemas de drenagem pluvial.
• Comparar diferentes técnicas de tratamento, destinação e disposição final de
Resíduos Sólidos Urbanos – RSU.
• Comparar médias estruturais e não estruturais para o controle de cheias
urbanas.
• Reconhecer as características fundamentais dos sistemas de esgotamento
sanitário para o exercício profissional assertivo que integre visão teórica e
prática.
• Aplicar diferentes métodos e formulações empíricas para o correto pré-
dimensionamento dos elementos que integram os sistemas de esgotamento
sanitário.
• Analisar aspectos legais e normativos para o correto dimensionamento de
sistemas de esgotamento sanitário.
• Reconhecer as características fundamentais dos sistemas de abastecimento
de água para um exercício profissional assertivo, que integre visão teórica e
prática.
• Aplicar diferentes métodos e formulações empíricas para o correto pré-
dimensionamento de elementos que integram os sistemas de abastecimento
de água.
• Analisar aspectos legais e normativos para o correto dimensionamento de
sistemas de abastecimento de água.

Conteúdo Programático

Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades:

• Unidade 1 – Introdução ao saneamento ambiental


• Unidade 2 – Aspectos técnicos da gestão de resíduos sólidos urbanos e
da gestão de águas pluviais
• Unidade 3 – Aspectos técnicos dos sistemas de esgotamento sanitário
• Unidade 4 – Aspectos técnicos dos sistemas de abastecimento de água

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Autoria

Carlos Eduardo Soares Canejo Pinheiro da Cunha

Doutor em Engenharia Ambiental pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro –


Uerj, mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental por aquela instituição, pós-
graduado em Gestão de Empresas de Petróleo e Gás pela Universidade Federal
Fluminense – UFF e engenheiro civil graduado pela Universidade Veiga de Almeida –
UVA. É coordenador e professor da graduação em Engenharia Civil, professor do
mestrado profissional em Ciências do Meio Ambiente, na UVA e professor das
disciplinas Hidrologia, Hidráulica, Saneamento, Gestão de Efluentes, Gestão de
Recursos Hídricos, Sistemas de Drenagem, Gestão Integrada de Resíduos,
Licenciamento Ambiental, Gestão de Riscos, Gestão de Projetos e outras dos cursos
de graduação e pós-graduação presencial da UVA.

É tutor de graduação on-line em Gestão Ambiental, Gestão de Negócios e


Administração, membro da Comissão Permanente de Avaliação – CPA da UVA e da
Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública – ABLP. Líder do grupo
de pesquisa “Tratamento, destinação e disposição final de resíduos” da UVA. É
coordenador do Observatório da gestão integrada de resíduos sólidos do Estado do
Rio de Janeiro. Participa da direção executiva, é palestrante, professor e mentor da
Visio treinamentos em gestão e meio ambiente.

É ainda perito judicial e assistente técnico atuante nas áreas de Engenharia Civil e
Meio Ambiente. Consultor estratégico, mentor e coordenador de projetos de gestão
ambiental, licenciamento ambiental e gestão integrada de resíduos. Já atuou como
coordenador do Núcleo de negócios da pós-graduação da UVA, do Núcleo de
sustentabilidade e do curso de Engenharia Civil semipresencial daquela instituição. Já
atuou também como gerente de licenciamento ambiental no Instituto Estadual do
Ambiente – INEA e como coordenador de projetos na Secretaria de Estado do
Ambiente Sustentabilidade – SEAS.

Tem sólidos conhecimentos em Planejamento e Gestão Ambiental, Sustentabilidade


Empresarial, Licenciamento Ambiental, Saneamento Ambiental, Gestão de Efluentes
Domésticos e Industriais, Hidráulica e Hidrologia Aplicada, Gestão de Resíduos
Sólidos, Reciclagem, Perícia Ambiental, Indicadores de Desempenho, Gestão
Estratégica de Negócios e Gestão de Projetos.

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Introdução ao saneamento ambiental

Você sabe o que é saneamento ambiental? Ou quais são as interrelações entre os


aspectos ambientais, sociais e de saúde pública inerentes a ele? Quais são as
principais legislações e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS vinculados
a esse tema? Nesta unidade discutiremos os principais aspectos do Saneamento
Ambiental e abordaremos sua importância na formação dos estudantes de graduação.
Por meio dessa reflexão, esperamos que o estudante possa compreender a relação
entre saneamento, saúde e sociedade, reconhecendo os aspectos legais mais
relevantes desse segmento em nosso país, bem como o panorama nacional dos
quatro pilares do saneamento (abastecimento, esgotamento, drenagem urbana e
gestão de resíduos) e sua relação com os objetivos do Desenvolvimento Sustentável –
ODS de 2030. Bons estudos!

Objetivo

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Correlacionar os quatro pilares do saneamento ambiental aos aspectos sociais,


ambientais e de saúde pública.
• Reconhecer os principais aspectos legais e o panorama do saneamento
ambiental no Brasil.
• Lembrar a relação entre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS
e o saneamento ambiental.

Conteúdo Programático

Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

• Tema 1 - A interrelação entre saneamento, saúde, sociedade e meio


ambiente
• Tema 2 - Aspectos legais: da PNMA, de 1981, ao novo marco do
saneamento, de 2020
• Tema 3 - Panorama nacional dos quatro pilares do Saneamento Ambiental
• Tema 4 - Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS e o
saneamento ambiental

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PradeepGaurs / [Link]

Você sabia que uma em cada três pessoas em todo o mundo não tem acesso à água
potável? E que mais da metade do mundo não possui acesso a serviços de
saneamento seguros? Infelizmente, essas e outras informações são apresentadas
como conclusões do relatório produzido em 2017 pelo Fundo das Nações Unidas para
a Infância – Unicef e pela Organização Mundial da Saúde – OMS. Em reportagem,
essa apresentou a síntese daquele documento, que, após leitura, influenciará sua
percepção acerca da urgência quanto à universalização do saneamento básico e
ambiental.

Saiba mais
Para conhecer o inteiro teor do artigo, acesse, no Portal da ONU News: Uma em cada
três pessoas em todo o mundo não tem acesso a água potável, publicada em 18
de junho de 2019.

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Tema 1
A interrelação entre saneamento, saúde,
sociedade e meio ambiente

O que é o saneamento ambiental?


Você sabia que uma em cada três pessoas no mundo não tem acesso à água potável?
E que mais da metade do mundo não tem acesso a serviços de saneamento de forma
segura? Não?! Essas e diversas outras informações de extrema relevância foram
apresentadas no relatório publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância –
Unicef e pela Organização Mundial da Saúde – OMS, em 2019.

Infelizmente, apesar de hoje vivermos a Revolução Tecnológica inimaginável há 10


anos, continuamos com problemas de saneamento que remontam à Idade Média.
Segundo relatório da Unicef e da ONU, cerca de 2,2 bilhões de pessoas não têm
acesso à água potável e cerca de 4,2 bilhões de indivíduos não têm serviços de
saneamento na Contemporaneidade.

PradeepGaurs / [Link]

Não é assustador imaginar que em todos os continentes, temos, neste exato


momento, cerca de três bilhões de pessoas que não possuem infraestrutura
necessária para lavarem as mãos com água e sabão?

Segundo o relatório, todos os anos, aproximadamente 297 mil crianças com menos de
cinco anos morrem de diarreia causada por falta de higiene. Essa questão também
está ligada à transmissão de doenças como cólera, disenteria, hepatite A e febre
tifoide. Fica claro que os problemas ambientais e de saúde pública, associados à falta
de saneamento ambiental, são incomensuráveis e sobrecarregam os sistemas de
saúde.

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Importante!
É importante lembrar que o saneamento é um direito fundamental assegurado pela
Constituição Brasileira e pelas Leis nº 11.445/07 e nº 14.026/20 e, por isso, elas
deveriam ser pautas prioritárias para governantes em todas as esferas de poder.

Para conhecer o texto das Leis que asseguram o direito ao saneamento básico da
população, acesse:

• Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007.


• Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020.

Por esses motivos, a temática saneamento deve entrar no cotidiano da sociedade, que
deve lutar e cobrar pelo atendimento desse direito fundamental!

O que significa sanear?

Sanear é uma palavra derivada do latim, que significa “fazer saúde”, “desinfetar” e
“limpar”.

Os problemas ambientais estão presentes no cotidiano do ser humano desde os


primeiros agrupamentos sociais. Enquanto nossos ancestrais ainda apresentavam
o perfil nômade, os impactos ambientais eram descentralizados e muito menos
perceptíveis.

Perfil nômade

Quando a natureza não supria mais as necessidades de um grupo em


certa localidade, buscava-se outro lugar com maior quantidade e qualidade
de recursos. Essa foi a lógica de todas as civilizações antigas até a efetiva
fixação em territórios.

Com o tempo e a evolução dos conhecimentos em agricultura, clima e irrigação,


nossos ancestrais começaram a formar as primeiras cidades.

A importância dos rios nas formações urbanas

Uma característica importante a ser destacada é que as civilizações antigas sempre


valorizavam a proximidade dos corpos hídricos. Em especial, os rios tiveram
destaque em muitas culturas, sendo, inclusive, cultuados como divindade em muitas
delas.

Para as civilizações antigas, o desenvolvimento das cidades próximo aos rios não foi
em vão.

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Os rios eram utilizados para, entre outros, os seguintes fins:

• Abastecer as cidades com água potável e alimentos.


• Dessedentar animais.
• Irrigar plantações.
• Transporte.
• Higienização.
• Cerimônias religiosas.
• Descarte dos detritos.

Ou seja, os rios propiciaram migração, fixação e ocupação de territórios, bem como o


desenvolvimento socioeconômico das cidades.

O mesmo processo histórico de ocupação de margens ocorreu em diversas


civilizações antigas, conforme listamos a seguir:

Sumérios e babilônios

Os sumérios e os babilônios (na Antiga Mesopotâmia), habitavam a região dos rios


Tigre e Eufrates e, naquela época (1700 a.C.), já conviviam com problemas rotineiros
de escassez de águas para plantio e cultivo de alimentos.

Civilizações do Egito, China e Índia

Essas civilizações já possuíam tecnologias construtivas de diques e pequenas


estruturas de desvio de rios para irrigação e cultivo de alimentos. Há registros
chineses, datados de 1.000 a. C., com observações pluviométricas, com o objetivo de
quantificação e previsão de eventos extremos, para a preservação de safras e
moradias, em um esforço claro de harmonizar o desenvolvimento das cidades às
ocorrências naturais.

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Romanos

Durante cinco séculos (27 a.C. e 476 d.C.), os romanos realizaram obras notórias para
a construção de aquedutos, reservatórios e redes de distribuição.

A partir das propostas romanas, surgem novos conceitos técnicos sobre o saneamento
no mundo, que, inclusive, vieram a influenciar a Arquitetura Moderna, a Engenharia e
o modo como o ser humano relaciona-se com as águas. Os romanos transcenderam
as limitações naturais de aproveitamento do recurso e criaram diferentes formas de
valorização e, infelizmente, desvalorização do recurso.

Na imagem a seguir, observamos o aqueduto construído na França, na época do


Império Romano:

Em síntese, nos tempos antigos, as sociedades aprenderam que o acúmulo de


esgotos e resíduos causava transtornos, pois atraía vetores, espalhava doenças,
alterava a qualidade dos solos e a da própria água. Por esse motivo, nossos
ancestrais perceberam a necessidade de desenvolver formas e tecnologias para
preservar as águas limpas, no intuito de manter a salubridade dos ambientes.

Saneamento e saúde pública

Entretanto, segundo Rocha (2018), em meados de 1700, durante a Revolução


Industrial na Inglaterra, os problemas derivados da concentração populacional, aliados
aos problemas da expansão industrial, começaram a despertar maiores preocupações
na sociedade, induzindo à adoção de medidas preventivas e corretivas, a fim de
preservar ou corrigir possíveis agravos ao meio ambiente e à saúde.

Ainda segundo Rocha (2018), é nesse contexto que surgem os conceitos de


saneamento e de saúde pública. A partir deles e das definições básicas de Ecologia,
Engenharia, Medicina, Geologia, Farmácia, Química, Bioquímica e Epidemiologia,

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entre outros, o saneamento e a saúde pública passaram a buscar soluções aos
problemas ambientais da época.

De acordo com o Instituto Trata Brasil (2023), saneamento é o conjunto de medidas


que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente com a finalidade de
prevenir doenças e promover a saúde, bem como melhorar a qualidade de vida da
população e a produtividade do indivíduo, além de facilitar a atividade econômica.

De acordo com a Lei nº 11.445/2007, saneamento básico é como o conjunto dos


serviços públicos, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água
potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos,
drenagem e manejo das águas pluviais urbanas.

Dessa forma, podemos entender o saneamento como o produto de uma percepção


social pela necessidade de proteção ao meio ambiente e à saúde pública. Ao longo
dos anos, esse pensamento se expandiu significativamente para a organização e a
estruturação dos quatro pilares fundamentais (água, esgoto, resíduos e drenagem)
que orientam o desenvolvimento de sistemas públicos de saneamento que,
geralmente, visam controlar a disseminação de doenças infectocontagiosas,
contribuindo, assim, para a preservação da saúde da coletividade e do meio ambiente.

Leitura
Acesse o site Trata Brasil para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema.

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Tema 2
Aspectos Legais: da PNMA, de 1981, ao novo
marco do saneamento, de 2020

Por que as legislações são tão importantes para


alavancar o saneamento?
A partir da Política Nacional de Meio Ambiente – PNMA, a Lei nº 6.938/1981, baseada
nos incisos VI e VII do artigo 23 e no artigo 225 da Constituição Brasileira, os três
poderes do país passam a ter diretrizes para o planejamento e para a gestão
ambiental em território nacional.

De acordo com o artigo segundo da referida Lei, a PNMA tem por objetivo a
preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida,
visando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos
interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana.

A Lei baseia-se nos seguintes princípios:

“I - Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio


ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido,
tendo em vista o uso coletivo;
II - Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar;
Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais;
IV - Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas;
V - Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras;
VI - Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e
a proteção dos recursos ambientais;
VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental;
VIII - recuperação de áreas degradadas;
IX - Proteção de áreas ameaçadas de degradação;
X - Educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da
comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio
ambiente..”

A Lei traz ainda no bojo do artigo terceiro definições importantes, que foram a base de
legislações específicas sobre o saneamento, o que se deu anos depois.
Destacamos as seguintes definições:

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“I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem
física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas;
II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do
meio ambiente;
III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta
ou indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota;
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos;
IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável,
direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental;
V - recursos ambientais, a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas,
os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera.”

Leitura
Para conhecer o texto na íntegra, acesse Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.
Após 16 anos de vigência da PNMA, em função da necessidade clara de um marco
normativo específico para o saneamento, foi editada e aprovada a Lei nº 11.445/2007,
que mencionamos anteriormente.

A importância dessa Lei dá-se pelos seguintes fatores:

• Estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico.


• Cria o Comitê Interministerial de Saneamento Básico.
• Altera as Leis nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979, nº 8.666, de 21 de junho
de 1993, e nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995.
• Revoga a Lei nº 6.528, de 11 de maio de 1978.

Esse é o principal instrumento legal sobre o saneamento em nosso país.


Em seu artigo segundo, são estabelecidos seus princípios fundamentais, que
destacamos a seguir:

“I - universalização do acesso e efetiva prestação do serviço;


II - integralidade, compreendida como o conjunto de atividades e componentes de
cada um dos diversos serviços de saneamento que propicie à população o acesso a
eles em conformidade com suas necessidades e maximize a eficácia das ações e dos
resultados;
III - abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo dos
resíduos sólidos realizados de forma adequada à saúde pública, à conservação dos
recursos naturais e à proteção do meio ambiente;
IV - disponibilidade, nas áreas urbanas, de serviços de drenagem e manejo das águas

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pluviais, tratamento, limpeza e fiscalização preventiva das redes, adequados à saúde
pública, à proteção do meio ambiente e à segurança da vida e do patrimônio público e
privado;
V - adoção de métodos, técnicas e processos que considerem as peculiaridades locais
e regionais;
VI - articulação com as políticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitação,
de combate à pobreza e de sua erradicação, de proteção ambiental, de promoção da
saúde, de recursos hídricos e outras de interesse social relevante, destinadas à
melhoria da qualidade de vida, para as quais o saneamento básico seja fator
determinante;
VII - eficiência e sustentabilidade econômica;
VIII - estímulo à pesquisa, ao desenvolvimento e à utilização de tecnologias
apropriadas, consideradas a capacidade de pagamento dos usuários, a adoção de
soluções graduais e progressivas e a melhoria da qualidade com ganhos de eficiência
e redução dos custos para os usuários;
IX - transparência das ações, baseada em sistemas de informações e processos
decisórios institucionalizados;
X - controle social;
XI - segurança, qualidade, regularidade e continuidade;
XII - integração das infraestruturas e dos serviços com a gestão eficiente dos recursos
hídricos;
XIII - redução e controle das perdas de água, inclusive na distribuição de água tratada,
estímulo à racionalização de seu consumo pelos usuários e fomento à eficiência
energética, ao reúso de efluentes sanitários e ao aproveitamento de águas de chuva;
XIV - prestação regionalizada dos serviços, com vistas à geração de ganhos de escala
e à garantia da universalização e da viabilidade técnica e econômico-financeira dos
serviços;
XV - seleção competitiva do prestador dos serviços; e
XVI - prestação concomitante dos serviços de abastecimento de água e de
esgotamento sanitário.”

De acordo com o inciso primeiro do artigo terceiro da referida Lei, o saneamento


básico é entendido como o conjunto de serviços públicos, infraestruturas e instalações
operacionais voltados para as garantias listadas a seguir.

Abastecimento de água potável

É constituído pelas “atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas


e instalações operacionais necessárias ao abastecimento público de água potável,
desde a captação até as ligações prediais e seus instrumentos de medição”.

Esgotamento sanitário

É constituído pelas “atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas


e instalações operacionais necessárias à coleta, ao transporte, ao tratamento e à
disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até sua

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destinação final para produção de água de reúso ou seu lançamento de forma
adequada no meio ambiente”.

Limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos

Constituídos pelas “atividades e pela disponibilização e manutenção de infraestruturas


e instalações operacionais de coleta, varrição manual e mecanizada, asseio e
conservação urbana, transporte, transbordo, tratamento e destinação final
ambientalmente adequada dos resíduos sólidos domiciliares e dos resíduos de
limpeza urbana”.

Drenagem e manejo das águas pluviais urbanas

Constituídos pelas “atividades, pela infraestrutura e pelas instalações operacionais de


drenagem de águas pluviais, transporte, detenção ou retenção para o amortecimento
de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas,
contempladas a limpeza e a fiscalização preventiva das redes”.

Titularidade dos serviços públicos de saneamento

Uma questão importante trazida pela lei está relacionada à titularidade dos serviços
públicos de saneamento; ou seja: de quem é a responsabilidade para dar a oferta
dos serviços?

No artigo oitavo, fica definido que os municípios e o Distrito Federal são titulares nos
casos de interesse local. Em casos de regionalização ou criação de microrregiões com
mais de um município envolvido, o Estado passa a ser o titular em conjunto com os
demais envolvidos.

Ademais, na lei, também fica estabelecido que o exercício da titularidade poderá ser
realizado por gestão associada, mediante consórcio público ou convênio de
cooperação.

Quais são as responsabilidades titular do serviço de saneamento?

Em síntese, de acordo com a Lei nº 11.445/2007, e como destacado na citação a


seguir, os titulares devem formular as políticas públicas, devendo, para tal:

“I - elaborar os planos de saneamento básico, nos termos desta Lei, bem como
estabelecer metas e indicadores de desempenho e mecanismos de aferição de
resultados, a serem obrigatoriamente observados na execução dos serviços prestados
de forma direta ou por concessão;
II - prestar diretamente os serviços, ou conceder a prestação deles, e definir, em
ambos os casos, a entidade responsável pela regulação e fiscalização da prestação

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dos serviços públicos de saneamento básico;
III - definir os parâmetros a serem adotados para a garantia do atendimento essencial
à saúde pública, inclusive quanto ao volume mínimo per capita de água para
abastecimento público, observadas as normas nacionais relativas à potabilidade da
água;
IV - estabelecer os direitos e os deveres dos usuários;
V - estabelecer os mecanismos e os procedimentos de controle social;
VI - implementar sistema de informações sobre os serviços públicos de saneamento
básico, articulado com o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico
(Sinisa), o Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos
(Sinir) e o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh),
observadas a metodologia e a periodicidade estabelecidas pelo Ministério do
Desenvolvimento Regional; e
VII - intervir e retomar a operação dos serviços delegados, por indicação da entidade
reguladora, nas hipóteses e nas condições previstas na legislação e nos contratos.”

(BRASIL, 2007)

Claramente, a lei chama os titulares para a responsabilidade de planejar, executar,


monitorar e controlar os serviços de saneamento no âmbito nacional.

Essa é uma questão de extrema relevância para que o país possa caminhar na
direção da universalização do saneamento.

Vale ainda destacar os seguintes pontos apresentados na lei:

I. São estabelecidas as condições de validade dos contratos de prestação de


serviço.
II. São apresentadas as diretrizes para a prestação regionalizada de serviços
públicos de saneamento básico.
III. São apresentados o escopo mínimo para a elaboração de planos de
saneamento e as diretrizes da política federal de saneamento.
IV. São apresentados os critérios para a regulação dos serviços de saneamento.
V. São apresentados aspectos técnicos, econômicos e sociais no âmbito do
saneamento.

Brasil – Novo marco do saneamento

O ano de 2020 foi muito importante para o saneamento em nosso país. Após dois
anos de discussões técnicas e políticas, em julho de 2020 foi sancionada a Lei nº
14.026/2020, que instituiu o novo marco do saneamento o Brasil.

Leitura
Para conhecer o texto na íntegra, acesse Lei nº 14.026, de 15 de julho de 2020.
A Lei atualiza o marco legal do saneamento básico e altera as seguintes Leis:

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• Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, atribuindo à Agência Nacional de Águas e
Saneamento Básico – ANA a competência para editar normas de referência
sobre o serviço de saneamento.
• Lei nº 10.768, de 19 de novembro de 2003, para alterar o nome e as
atribuições do cargo de especialista em Recursos Hídricos.
• Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005, para vedar a prestação por contrato de
programa dos serviços públicos, de que trata o art. 175 da Constituição
Federal.
• Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, para aprimorar as condições estruturais
do saneamento básico no país.
• Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, para tratar os prazos para a disposição
final ambientalmente adequada dos rejeitos.
• Lei nº 13.089, de 12 de janeiro de 2015 (Estatuto da Metrópole), para estender
seu âmbito de aplicação às microrregiões.
• Lei nº 13.529, de 4 de dezembro de 2017, para autorizar a União a participar
do fundo, com a finalidade exclusiva de financiar serviços técnicos
especializados.

Importante!
Universalização é a ampliação progressiva do acesso de todos os domicílios ocupados
ao saneamento básico, em todos os serviços públicos de saneamento básico de
interesse comum, incluídos o tratamento e a disposição final adequados dos esgotos
sanitários.

Como podemos perceber, o novo marco contribui para o alinhamento das ações de
saneamento básico em âmbito nacional, objetivando criar condições para a
universalização. Muitas das alterações propostas no marco já foram incorporadas no
texto da Lei nº 11.445/2007, conforme pudemos observar.

Observação

Serviços públicos de saneamento básico de interesse comum são os de


saneamento básico prestados em regiões metropolitanas, aglomerações
urbanas e microrregiões instituídas por lei complementar estadual, em que
se verifica o compartilhamento de instalações operacionais de
infraestrutura de abastecimento de água e/ou esgotamento sanitário entre
dois ou mais municípios, denotando a necessidade de organizá-los,
planejá-los, executá-los e operá-los de forma conjunta e integrada pelo
Estado e pelos munícipios que compartilham, no todo ou em parte, as
referidas instalações operacionais.

Dessa forma, destacaremos apenas seis pontos inovadores da referida Lei.

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Ponto 1: participação da iniciativa privada

O primeiro ponto de destaque é que o novo marco prevê a participação da iniciativa


privada na exploração de serviços de saneamento, a partir de licitação, e não mais a
partir de contratos, sem concorrência.

Ponto 2: titularidade pela prestação dos serviços

O segundo ponto é a definição da titularidade pela prestação dos serviços de


saneamento, até então, com questões nebulosas que levaram a disputas políticas e
judiciais que atrasaram o avanço da universalização.

Ponto 3: ampliação da competência da ANA

O terceiro ponto é a ampliação da competência da Agência Nacional de Águas –


ANA, que, a partir de então, passa a ter novas competências; em especial, com poder
para definir padrões de qualidade, avaliar a eficiência na prestação de serviços, regular
tarifas e padronizar contratos, entre outros.

Ponto 4: metas dos contratos

Fica estabelecido que os contratos deverão conter as seguintes metas:


• Expansão dos serviços.
• Redução de perdas na distribuição de água tratada.
• Qualidade na prestação dos serviços.
• Eficiência e uso racional da água, da energia e de outros recursos naturais.
• Reúso de efluentes sanitários.
• Aproveitamento de águas de chuva.
• Acesso ao saneamento e à água potável.

Ponto 5: metas nacionais

O quinto ponto é a definição das metas nacionais a serem atingidas até 2033.
Destacamos que 99% da população deverá ter acesso à água potável e 90% dela terá
acesso ao tratamento e à coleta de esgoto.

Ponto 6: encerramento dos lixões

O sexto ponto está associado às diretrizes para o encerramento dos lixões em nosso
país até 31 de dezembro de 2020 (o que, no entanto, não ocorreu até fevereiro de 2023).

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Nota
Cabe destacar que aquela data não valerá para municípios com plano intermunicipal
de resíduos sólidos ou plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos.
Nesses casos, os prazos vão variar de agosto de 2021 a agosto de 2024, dependendo
da localização e do tamanho do município.

Sem dúvida alguma, com tantas inovações e diretrizes nesse segmento, após o
advento da Lei nº 14.026/20 o mercado de saneamento gerará muitas oportunidades
em nosso país nos próximos anos. Apesar da situação real atual ser bem distinta da
situação almejada para a próxima década (sendo consenso técnico que alguns dos
objetivos são virtualmente impossíveis de serem atendidos no prazo estabelecido), é
um fato que próximos anos o mercado demandará, cada vez mais, a preparação de
profissionais para atuação nas diferentes frentes de planejamento, execução e gestão
dos quatro pilares do saneamento.

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Tema 3
Panorama nacional dos quatro pilares do
Saneamento Ambiental

Você sabe qual é a importância do Sistema Nacional de


Informações Sobre Saneamento – SNIS?
O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS foi criado pelo governo
federal em 1994, para que o nosso país passasse a ter um sistema de informações
sobre a prestação dos serviços de água e esgotos.

Importante!
Ao longo deste tema, apresentaremos informações e recursos fornecidos pelo
SNIS. É muito importante que você explore, pesquise e busque informações.

Acesse: Sistema nacional de informações sobre saneamento.

Inicialmente, o SNIS baseou-se na coleta de informações das empresas estaduais e


de algumas municipais de água e esgotos.

De acordo com o diagnóstico temático dos serviços de água e esgoto de 2021,


publicado em 2022, os principais objetivos do SNIS são:

• Subsídios para planejamento e execução de políticas públicas.


• Orientação da aplicação de recursos.
• Conhecimento e avaliação do setor de saneamento.
• Avaliação de desempenho dos serviços.
• Aperfeiçoamento da gestão.
• Orientação de atividades regulatórias e de fiscalização.
• Exercício de controle social.

Nas últimas décadas, o SNIS iniciou processo de melhoria contínua. A partir de um


maior engajamento com as prefeituras e concessionárias, novos prestadores de
serviços juntaram-se à pesquisa do governo federal, contribuindo, assim, com a
disponibilização de dados sobre as quatro vertentes do saneamento.

Nota
Entretanto, cabe destacar que ainda há cerca de 2.000 municípios brasileiros que não
reportam suas informações. Seja por falta de corpo técnico necessário, de
conhecimento técnico sobre a pauta ou simplesmente por falta de interesse, é
lamentável perceber que pouco mais de um terço dos municípios brasileiros não
reportam seus status de saneamento no SNIS.

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A partir de 2003, com base nos dados de 2002, foi criado um componente de
Resíduos Sólidos Urbanos – RSU. Assim como o módulo RSU, com início em 2016 e
término em 2015, o SNIS passou a incorporar a vertente de águas pluviais urbanas.

Principais números da prestação de serviços de


saneamento no Brasil

De acordo com os dados de 2021 do SNIS, o Brasil possui 213,3 milhões de


habitantes, divididos em 5.570 municípios. 84,7% da população — cerca de 180,8
milhões de pessoas — vivem em áreas urbanas, e o restante, cerca de 32,5 milhões,
em áreas rurais.

Segundo dados de 2021, 84,2% de toda população brasileira — ou seja, cerca de 177
milhões de pessoas — possuem atendimento com rede de água. Quando avaliamos
essa vertente; porém, restringindo o universo amostral à população urbana, esse
percentual alcança 93,5%; ou seja, cerca de 167,5 milhões de pessoas.

Nota
Um ponto importante é que cerca de 91,3% da população atendida por abastecimento
de água possui hidrômetro, logo, ela é passível de cobrança proporcional ao consumo
realizado.

Agora, veremos como são distribuídos o atendimento com rede de esgoto, a cobertura
de coleta domiciliar de resíduos sólidos urbanos e os sistemas de drenagem urbana.

Rede de esgoto

Quanto ao atendimento com rede de esgoto, segundo dados de 2021, 55,8% da


população brasileira, cerca de 117,3 milhões de pessoas, são efetivamente atendidas.
Porém, quando avaliamos essa vertente, mas restringindo o universo amostral à
população urbana, esse percentual alcança 64,1%; ou seja, cerca de 114,8 milhões de
pessoas.

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Infelizmente, nem todo esgoto coletado é tratado de modo efetivo no Brasil.
Apenas 51,2% do que é coletado é encaminhado para Estação de Tratamento de
Esgoto – ETE. O restante é lançado in natura nos corpos hídricos do país,
causando impactos ambientais em todo território nacional.

Coleta domiciliar de resíduos sólidos urbanos

Quanto à cobertura de coleta domiciliar de resíduos sólidos urbanos, segundo


dados de 2021, 89,9% da população brasileira — cerca 191,3 milhões de pessoas —
são efetivamente atendidas. Quando avaliamos essa vertente; porém, restringindo o
universo amostral à população urbana, esse percentual alcança incríveis 98,3% (ou
seja, cerca de 177,8 milhões de pessoas). No que tange à disposição final, das 64,11
milhões de toneladas de RSU geradas anualmente em nosso país, 73,3% são
encaminhados para 669 aterros sanitários, 11,8% para 595 aterros controlados e 15%
para 1.572 lixões ativos.

Drenagem urbana

Quanto a essa vertente, segundo dados de 2021, 43,5% dos municípios possuem
sistema exclusivo de drenagem, dos quais:

• 11,9% dos municípios possuem sistema unitário (misto com esgotamento


unitário).
• 22,1% dos municípios possuem sistema combinado para drenagem.
• 17% dos municípios não possuem sistema de drenagem.
• 5,5% dos municípios possuem outras formas de drenagem.

Painel de informações sobre saneamento

Com o intuito de dar total transparência aos dados coletados ano a ano junto às
prefeituras, o SNIS criou e disponibilizou gratuitamente para a população, por meio do
portal do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, o painel de
informações sobre saneamento.

Nele, conseguimos aplicar filtros regionais e/ou municipais para as quatro vertentes do
saneamento (que acabamos de apresentar). Assim, conseguimos compreender os
diferentes cenários do saneamento nacional e levantar dados para a produção de
pesquisas, estudos técnicos e projetos de engenharia.

Visite o portal do SNIS para conhecer de forma mais aprofundada as diversas


funcionalidades, consultar os dados e acessar informações e relatórios.

Acesse: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.


A seguir, destacamos os dois principais dashboards do SNIS.

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Dashboard 1 do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento – SNIS

Fonte: [Link].

Dashboard 2 do Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento – SNIS

Fonte: [Link].

Ademais, nos dashboards podemos verificar muitas outras informações além das
apresentadas!

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Importante!
Todos os dados do SNIS são públicos. A coleta é realizada junto às prefeituras e suas
secretarias, bem como junto às concessionárias e demais prestadoras de serviço.
Anualmente, é estabelecido um cronograma para envio das informações, que se inicia
com uma pré-coleta, baseada na atualização cadastral e no envio dos convites de
participação, seguida de coleta de dados, análise e discussão preliminar, bem como
desenvolvimento das publicações e, por fim, a efetiva publicação do SNIS.

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Tema 4
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável –
ODS e o saneamento ambiental

Como os ODS podem contribuir para a melhora do


cenário de saneamento ambiental?
A agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável corresponde a um conjunto de
programas, ações e diretrizes que orientam os trabalhos das Nações Unidas e seus
países membros rumo ao desenvolvimento sustentável (CNM, 2023).

Em setembro de 2015, os 193 países membros da Organização das Nações Unidas –


ONU assumiram o compromisso com a nova agenda intitulada “Transformando nosso
mundo: a agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável” (CNM, 2023).

Ela tem validade de 2015 a 2030 e está representada em 17 Objetivos de


Desenvolvimento Sustentável – ODS, também conhecidos como objetivos globais.
Trata-se de uma evolução dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM,
pois adota a DS como o princípio organizador da cooperação mundial e dos esforços
de desenvolvimento do governo, da sociedade e de atores privados.

Os 17 ODS são:

Para conhecer cada um deles, acesse: objetivos que apoiamos através desta
iniciativa.

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sites) são estritamente proibidos e sujeitos às penalidades legais aplicáveis. Todos os direitos são reservados à UVA & Unijorge.
Os cinco P

Para facilitar a compreensão dos 17 objetivos de desenvolvimento


sustentável, as Nações Unidas adotaram o enfoque dos cinco P, que
representam as esferas de importância crítica para a humanidade e o
planeta.

São eles (ONU, 2023):

• Pessoas.
• Planeta.
• Prosperidade.
• Paz.
• Parcerias.

Para entender como eles se relacionam com os 17 ODS, observe o quadro


a seguir:

P ODS

Pessoas. 1, 2, 3, 4, 5 e 6.

Prosperidade. 7, 8, 9 e 10.

Planeta. 11, 12, 13, 14 e 15.

Parcerias. 16.

Paz. 17.

Veremos, agora, o ODS específico sobre a temática desta disciplina.

ODS 6 – Água e saneamento

Esse diz respeito a água e saneamento e tem como meta a definição a seguir:

“Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos.”

Essa meta é traduzida pelos seguintes pontos:

• Distribuição de água de forma igualitária para a população mundial.


• Melhoria da qualidade da água.

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• Fim da defecação a céu aberto.
• Garantia de saneamento para todos.

O ODS tem ainda como meta ampliar a reciclagem e a reutilização da água,


enfatizando que países mais ricos devem oferecer apoio aos em desenvolvimento,
com recursos tecnológicos e atividades como dessalinização e tratamento de água.

A seguir, apresentaremos, com maiores detalhes e de acordo com o Instituto de


Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA (2023), as metas e os indicadores das
Nações Unidas para o alcance do ODS 6:

• Meta 6.1: até 2030, alcançar o acesso universal e equitativo à água potável e
segura para todos.

Indicador:
1) Proporção da população que utiliza serviços de água potável gerenciados de
forma segura.

• Meta 6.2: até 2030, alcançar o acesso a saneamento e higiene adequados e


equitativos para todos e acabar com a defecação a céu aberto, com especial
atenção para as necessidades de mulheres e meninas e daqueles em situação
de vulnerabilidade.

Indicadores:
1) Proporção da população que utiliza serviços de saneamento gerenciados de
forma segura.
2) Proporção da população que utiliza instalações para lavagem das mãos com
água e sabão.

• Meta 6.3: até 2030, melhorar a qualidade da água, reduzindo a poluição,


eliminando despejo e minimizando a liberação de produtos químicos e
materiais perigosos, reduzindo, assim, à metade a proporção de águas
residuais não tratadas e aumentando substancialmente a reciclagem e a
reutilização segura globalmente.

Indicadores:
1) Proporção de águas residuais tratadas de forma segura.
2) Proporção de corpos hídricos com boa qualidade ambiental.

• Meta 6.4: até 2030, aumentar substancialmente a eficiência do uso da água


em todos os setores e assegurar retiradas sustentáveis, o abastecimento de
água doce para enfrentar a escassez de água e reduzir substancialmente o
número de pessoas que sofrem com a escassez de água.

Indicadores:
1) Alteração da eficiência no uso da água ao longo do tempo.

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2) Nível de stress hídrico: proporção das retiradas de água doce em relação ao
total de seus recursos disponíveis.

• Meta 6.5: até 2030, implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em
todos os níveis; inclusive, via cooperação transfronteiriça, conforme apropriado.

Indicadores:
1) Grau de implementação da gestão integrada de recursos hídricos (0-100).
2) Proporção das áreas de bacias hidrográficas transfronteiriças abrangidas por
um acordo operacional para cooperação hídrica.

• Meta 6.6: até 2020, proteger e restaurar ecossistemas relacionados à água,


incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos.

Indicador:
1) Alteração na extensão dos ecossistemas relacionados à água ao longo do
tempo.

• Meta 6.a: até 2030, ampliar a cooperação internacional e o apoio à


capacitação para os países em desenvolvimento em atividades e programas
relacionados à água e ao saneamento, incluindo coleta de água,
dessalinização, eficiência no uso da água, tratamento de efluentes, reciclagem
e tecnologias de reúso.

Indicadores:
1) Montante de ajuda oficial ao desenvolvimento na área da água e
saneamento, inserida num plano governamental de despesa.

• Meta 6.b: apoiar e fortalecer a participação das comunidades locais para


melhorar a gestão da água e do saneamento.

Indicador:
1) Proporção das unidades administrativas locais com políticas e
procedimentos estabelecidos e operacionais para a participação das
comunidades locais na gestão de água e saneamento.

Vídeo

Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no


Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Encerramento

O que é o saneamento ambiental?


Podemos entendê-lo como o produto de uma percepção social pela necessidade de
proteção ao meio ambiente e à saúde pública. Ao longo dos anos esse pensamento se
expandiu significativamente para a organização e a estruturação de quatro pilares
fundamentais (água, esgoto, resíduos e drenagem) que orientam o desenvolvimento
de sistemas públicos de saneamento que, geralmente, visam controlar a disseminação
de doenças infectocontagiosas, contribuindo para a preservação da saúde da
coletividade e do meio ambiente.

Por que as legislações são tão importantes para


alavancar o saneamento?
O saneamento é de interesse de todos. O governo federal, os Estados e municípios
precisam de um ordenamento para promover ações assertivas de saneamento. Por
esse motivo, as legislações passam a ser fundamentais para definir estratégias e
disciplinar posturas que visem atender, com o devido saneamento ambiental, maiores
parcelas da sociedade.

Você sabe qual é a importância do Sistema Nacional de


Informações Sobre Saneamento – SNIS?
O SNIS foi criado em 1994 pelo governo federal para que nosso país passasse a ter
um sistema de informações sobre a prestação dos serviços de água e esgotos. Com o
passar dos anos, ele incluiu as vertentes resíduos sólidos urbanos e drenagem
urbana. Ele tornou-se a maior referência nacional para o desenvolvimento de projetos
na área de saneamento, pois fornece os dados necessários para que seja possível
diagnosticar problemas e dimensionar soluções de saneamento no Brasil.

Como os ODS podem contribuir para a melhora do


cenário de saneamento ambiental?
A ONU propôs 17 ODS que, juntos, objetivam criar um mundo mais sustentável para
as futurar gerações. Dessa forma, indiretamente, todos contribuem para a melhora do
saneamento ambiental. Entretanto, o ODS é único e específico sobre o tema. O ODS
6 tem como proposta “assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e
saneamento para todos”. Nele estão definidas como metas a distribuição de água de
forma igualitária para a população mundial, a melhoria da qualidade dela, o fim da
defecação a céu aberto e a garantia de saneamento para todos.

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Resumo da Unidade

Nesta unidade conhecemos pontos importantes da interrelação entre saneamento,


saúde, sociedade e meio ambiente. Vimos a importância da política nacional de meio
ambiente, da política nacional de saneamento básico e do novo marco pelo
saneamento para a preservação da qualidade ambiental e da saúde pública.
Conhecemos o panorama nacional dos quatro pilares do saneamento ambiental a
partir de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento – SNIS.
Aprendemos que, no ano de 2021, 84,2% da população brasileira possuía
abastecimento de água, 55,8% tinham rede de esgoto sanitário, 89,9% possuíam
coleta domiciliar de resíduos sólidos urbanos e que apenas 43,5% dos municípios
tinham sistema exclusivo de drenagem. Por fim, conhecemos os 17 Objetivos do
Desenvolvimento Sustentável – ODS e apresentamos, com maiores detalhes, o ODS 6
“Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos”,
bem como suas metas e indicadores. Esperamos que você tenha absorvido os
conteúdos apresentados.

Referências da Unidade

• BRASIL. Confederação nacional de municípios. Agenda 2030 para o


desenvolvimento sustentável.
• CHADWICK, A.; MORFETT, J.; BORTHWICK, M. Hidráulica para engenharia
civil e ambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017. Minha Biblioteca. ISBN:
9788535285222.
• COUTO, L. M. M. Elementos da hidráulica. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus-
Elsevier, 2019. Minha Biblioteca. ISBN: 9788535291414.
• CUNHA, C. E. S. C. P. Gestão integrada de resíduos sólidos: múltiplas
perspectivas para um gerenciamento sustentável e circular. Rio de Janeiro:
Freitas Bastos, 2021. Biblioteca Virtual Pearson. ISBN: 9786556750866.
• ESPARTEL, L. Hidráulica aplicada. Porto Alegre: SAGAH, 2017. Minha
Biblioteca. ISBN: 9788595020276.
• GRIBBIN, J. E. Introdução à hidráulica, hidrologia e gestão de águas
pluviais. 4. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2014. Minha Biblioteca. ISBN:
9788522116348.
• INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA –
IBGE. Indicadores brasileiros para os objetivos de desenvolvimento
sustentável. Brasília, DF: IBGE, [s. d.].
• INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA – IPEA. ODS 6 – Água
potável e saneamento. Brasília, DF: IPEA, [s. d.].
• MIGUEZ, M. G.; VERÓL, A. P.; REZENDE, O. M. Drenagem urbana: do
projeto tradicional à sustentabilidade. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2015.
Minha Biblioteca. ISBN: 9788535277470.
• NETTO, J. M. A.; FERNANDEZ, M, F. Manual de hidráulica. 9. ed. São Paulo:
Blücher, 2015. Minha Biblioteca. ISBN: 9788521208891.

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• ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS –ONU. Sobre o nosso trabalho
para alcançar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável no Brasil.
• SANTOS, A. S. P.; JUNIOR, A. A. O. (org.). Engenharia e meio
ambiente: aspectos conceituais e práticos. Rio de Janeiro: LTC, 2020. Minha
Biblioteca. ISBN: 9788521637516.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino
publicado na página inicial da disciplina.

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