É primavera, período de Ascenção Verde, festival Líkara, no primeiro dia do
primeiro mês, nasce um pequeno sátiro, em uma aldeia afastada de qualquer outra,
todos celebram a chegada de uma nova vida, bebem Rum e dançam juntos ao redor
da fogueira. Mesmo morando em um lugar simples os sátiros que la habitavam
viviam bem, em paz com a natureza.
Hilda foi o nome escolhido por seu pai, ja um pouco velho, com quase dois metros,
forte, destemido, porém gentil e muito cuidadoso com os que ama.
Sua mãe, sempre alegre e brincalhona, tem paixão a
vida e aproveita cada momento como se fosse seu
último, com seus cabelos ruivos curtos e bagunçados e
um sorriso tão doce, encanta qualquer um. Hilda teve
sorte em ter uma família como essa, quando criança seu
maior hobby era explorar novos lugares para ler seus
livros de fantasias e aventuras, amava se imaginar no
lugar dos protagonistas, derrotando monstros grandes
apenas com a força, infelizmente isso ficaria apenas em
sua imaginação, pois havia nascido muito pequena e
fraca, e era constantemente zombada pelas outras
crianças. Stóiko Kornel (51 anos)
Sabendo disso seus pais a ensinara que a força bruta não é tudo
que se precisa ter, e sim o conhecimento
“Até mesmo o gigante mais forte pode ser derrotado pelo anão
mais esperto”
É oque seu pai dizia sempre que ela voltava para casa
choramingando por conta dos comentarios maldosos sobre sua
aparência. Mas mesmo com tantas crianças horríveis a menina
conseguiu achar uma que se destacava em meio as outras, um
garotinho que sempre parecia estar em outro mundo, perdido em
Evelyne Shanti (39 anos)
seus próprios pensamentos.
No mesmo instante em que seus olhos se cruzaram os
dois souberam que seriam ótimos amigos. Desde então fazem
tudo juntos, se tornaram inseparáveis, como água e peixe.
Rizy Vréier
Ainda na infância ao se conhecerem melhor, Ri contou que ficava a maior parte de seu
tempo na biblioteca da aldeia, pois seu pai era o encarregado de tomar conta do local, Hilda
ao saber daquilo ficou em êxtase, pulava de alegria e soltava gritinhos de felicidade só de
pensar em quantas histórias novas poderia ler, e agora, com uma companhia ao seu lado.
A garota sempre quis ver o que havia na parte proibida da biblioteca, onde os adultos não a
deixavam entrar.
Com muito esforço convenceu Ri a pegar a chave escondido de seu pai, o Sr. Vréier, como
todos os chamavam, ao entardecer os dois foram juntos até la, o garotinho girou a chave na
fechadura e a porta se abriu mostrando aos dois uma grande escada que descia, eles se
olharam com um pouco de medo e desceram. Chegando ao fim se encontraram em uma
pequena sala, com muitos livros empoeirados, estava claro para Ri que Hilda não iria sair
dali até ler cada livro que encontrar. Algumas horas depois a menina viu uma capa que
chamou sua atenção, era grande de couro, sem título aparente, o livro ja muito velho com
paginas amareladas e algumas faltando, dentro contava sobre uma antiga bruxa que vivia
no interior da floresta, se afastou após perceber que seus rituais e magias não eram bem vistos
pelos moradores, diziam que ela havia feito um pacto com algum Deus tirano para ter vida
eterna. De repente, ouviram passos descendo as escadas, Hilda rapidamente escondeu o livro
dentro de sua bolsa, era o Sr. Vréier que estava preocupado com o sumiço das crianças,
quando os viu ali deu uma bronca bem dada e tirou os dois pelas orelhas de lá, levou Hilda
até sua casa e contou a Evelyne e Stóiko onde ela estava. As duas crianças ficaram de castigo
por uma semana inteira, mas continuaram aprontando depois disso.
Se passou um tempo, porém Hilda após ler o livro, passou a receber visitas de uma figura
feminina em seus sonhos, e começou a ter visões de uma cabana no meio da floresta, porém
tudo mudou quando pela primeira vez Hilda viu vermes comendo sua casa de madeira,
rapidamente avisou seu pai e o mesmo conseguiu dar um jeito, entretanto mais coisas ruins
começaram a acontecer em cadeia na aldeia, a água passou a ter um gosto estranho e um
aspecto viscoso, alguns sátiros começaram a adoecer, e junto disso o exército da aldeia se
enfraqueceu.
Hilda começou a se preocupar com o poder de combate do local mesmo que não fosse seu
problema, ela sabia que não conseguiria entrar no exército, então tomou uma decisão
arriscada, tentou seguir a floresta sozinha, atrás da cabana que ela tanto via em seus
sonhos, algo dentro dela dizia que aquele lugar poderia ajudar, talvez ela encontrasse a
bruxa do livro ou a mulher de seus sonhos, talvez um artefato antigo, talvez o motivo de
tanta desgraça em sua aldeia, não contou a Ri ou seus pais pois sabia que eles o
impediriam, Hilda partiu ao anoitecer.
Ela enfrentou uma forte tempestade no caminho, mas era como se tivesse algo ou alguém
guiando ela por aquela fauna obscura, ela finalmente encontrou a cabana, bateu na porta, e foi
atendida pela mulher que sonhava, ela vestia um vestido verde de setim, tinha uma pele
pálida, cabelos longos cor de sangue que batia na cintura, e tinha uma aparência jovem, e a
convidou para entrar, Hilda aceitou o convite, como poderia recusar o convite de uma mulher
tão linda como ela?
Hilda então entrou em sua cabana e se sentou em um sofá próximo, a mulher a questionou sobre
o motivo de estar ali, então Hilda pediu sua ajuda, queria ser forte o suficiente para ajudar seu
povo, estava indo tudo bem, até a bela mulher chamar Hilda pelo nome, a mesma logo
perguntou
-Como sabe meu nome?
Tudo mudou, o rosto da mulher começou a derreter, junto da cabana, vermes começaram a
aparecer e a bela mulher se mostrou como um ser esquelético, porém Hilda não quis testar a
sorte, saiu correndo horrorizada com oque acabara de ver, mas algo estava diferente naquela
floresta, então percebeu uma coisa, enquanto ela corria o seu corpo foi mudando, ela havia se
tornado algo na qual ela não conhecia, estava desesperada em meio a tempestade com aquela
forma que havia tomado, a mesma se perdeu.
As árvores estavam podres e a vegetação seca, Hilda não conhecia aquele lugar, começou a
procurar sua casa, estava desesperada, não conseguia falar com a sua voz, após longas horas
procurando o caminho que havia pegado acabou adormecendo dentro da casca de uma árvore
seca.
Se passaram semanas, e Hilda ainda não havia achado seu lar, estava começando a se
acostumar com a "maldição" que a bruxa jogou nela, se camuflou com os musgos e carcaças de
animais mortos que achou pelo trajeto.
Até que aquela mesma sensação estranha voltou a atormentar a garota, algo estava a guiando
para algum lugar, sem muita escolha ela decidiu seguir seus instintos e acabou chegando a uma
cidade estranha.