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Dip Ii

O documento aborda o funcionamento e a importância do Direito Internacional Penal e do Tribunal Penal Internacional, destacando a proteção da dignidade humana e a tipificação de crimes como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele menciona a evolução do direito penal após a Segunda Guerra Mundial, incluindo os julgamentos de Nuremberga e Tóquio, e discute a legitimidade da força em situações específicas. Além disso, o texto explora a responsabilidade internacional de estados e indivíduos, enfatizando a necessidade de garantias processuais justas.

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O documento aborda o funcionamento e a importância do Direito Internacional Penal e do Tribunal Penal Internacional, destacando a proteção da dignidade humana e a tipificação de crimes como genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele menciona a evolução do direito penal após a Segunda Guerra Mundial, incluindo os julgamentos de Nuremberga e Tóquio, e discute a legitimidade da força em situações específicas. Além disso, o texto explora a responsabilidade internacional de estados e indivíduos, enfatizando a necessidade de garantias processuais justas.

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DIP II – 23/02/2022

Continuação:
1 ) Diretos Humanos (Sujeitos – Estados e indivíduo; Fontes - Convenções):
Direito Internacional Penal

DI Penal - Funcionamento do Tribunal Internacional Penal


A sua evolução deve-se ao aumento da importância do papel do indivíduo na via
internacional. É um tribunal criado por um tratado (Estatuto de Roma – 2002 com 60
ratificações) celebrado entre estados. Falar deste tribunal implica falar do seu
funcionamento e importância para aplicar o direito internacional penal e a proteção da
pessoa humana. Este é um ramo determinante do DIP, e falamos deste como um
conjunto de normas que regula (alguns) crimes internacionais. Existem 4 momentos
principais no DI penal:
1) Classificação de normas internacionais que se traduzem no DI humanitário
(aquilo que designamos com jus in bello – na guerra) - 1864 (Convenção de
Genebra - 1º convenção de proteção das populações em tempo de guerra-
Hugo Grócio) -1929 (Traduziram um avanço na criação de tribunais arbitrais
para proteger tais populações)
DI Humanitário - Normas jurídicas que visam proteger as populações em tempo
de guerra (prisioneiros, populações civis, os feridos). Convenções de Genebra
foram importantes para o desenvolvimento do DI Penal. Quando se coloca em
causa indivíduos como feridos e populações civis, existe princípios jurídicos
internacionais que emergem do valor da pessoa humana cuja violação leva a
constituir um crime internacional. Então, para proteger as pessoas em tempos
de guerra são criadas tais convenções que mais tarde vêm originar o direito de
genebra (Artigo 8º - 1946, entram em vigor a 1949 (visam proteger os valores
da dignidade da pessoa humana). É influenciado pela visão de Hugo Grócio
(certos princípios têm de ser sempre protegidos independentemente de ser
tempo de guerra ou não). Artigo 8º da CV é um culminar do Direito de Genebra.
Como exemplo – a cruz vermelha enquanto organização imparcial que apoio
os feridos em campo de batalha (respeitam os valores mesmo em tempo de
guerra).
Em tempos de guerra, o Direito Internacional Penal prevalece sempre, e tais
crimes que vão contra a estes princípios podem ser punidos por este mesmo
direito.
Identificação dos Crimes de Guerra!!!!!

2) Pós 2º guerra mundial – Atrocidades contra a dignidade da pessoa humana,


culminou em dois julgamentos marcantes na história do DI, e DI Penal.
1945 – Julgamento de Nuremberga
1948 – Julgamento de Tóquio
Julgamento de criminosos de Guerra (Alemanha – Partido Nazi; Nipon) –
cometidos contra civilizações (genocídio); Princípios de Nuremberga. Tribunais
foram criados devido a estas atrocidades.
Identificação dos crimes contra a humanidade (nomeadamente o genocídio).
7 princípios de Nuremberga vieram influenciar as constituições.

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4 tipos de crimes:
- Crimes de guerra (Artigo 8º): Convenção de Campala

- Crimes contra a humanidade (grande escala de forma sistemática,


permanente, repetida, racionalizada

– GENOCÍDIO (parte dos crimes contra a humanidade): devido à sua


gravidade, este é agravado pois tem um dolo (contraste com o descuido)
específico, pois existe uma intenção específica – destruir uma determinada
população/camada de pessoas devido a motivos éticos, religiosos, políticos,
nacionalistas)

- O mais demorado a ser considerado como tal: Agressão – uso da força,


estado contra estado, e este passou a ser julgado apenas a partir de 2017 –
mas sempre indivíduos (Artigo 25º). Em 2010, foi criado o conceito de
agressão.

O Tribunal Internacional Penal (julga só indivíduos – não julga estados) julga


apenas 4 tipos de crimes: guerra, humanidade, genocídio e agressão – Artigo
5º no Estatuto de Roma. Existem outros crimes internacionais, mas não estão
declarados no Estatuto de Roma, como a pirataria, logo não são julgados pelo
tribunal internacional penal). Estes tribunais têm uma função subsidiária, e
uma função complementar – em primeiro quem deve julgar são os tribunais
nacionais (1º instância – princípio da territorialidade e personalidade), sendo
que este então só deve intervir
Artigo 31º/2004 de 22 de junho – tipificação dos crimes internacionais pelo
direito penal- determinado comportamento que está previsto/expresso na lei.
Crimes são considerados internacionais pois os outros estados o reconhecem.
1948 – Aprovada a convenção da ONU sobre o genocídio, este crime teve uma
importância de tal ordem que as nações unidas produzissem uma convenção.

3) Tribunais Penais Ad Hoc 1994 e 1993 – verdadeiros órgãos jurisdicionais;


criados no termos a carta das nações unidas (Artigo 29º - competência do
conselho de segurança – criação de órgãos subsidiários) para aquele fim, não
permanentes, são temporários, criados no âmbito na convenção das nações
unidas.

Tribunais híbridos ou internacionalizados – (Tribunal de Timor-Leste ou Serra


Leoa) são tribunais nacionais que aplicam o direito interno e o nacional.

4) 1998 – Tribunal Internacional Penal, começa a funcionar em 2003 (este não


completa a pena de morte, mas a pena de prisão perpétua)
Direito penal: última ratio da política social, intervém em último lugar pois
implica uma condenação por crimes de tal forma censuráveis que justificam a
limitação da liberdade do condenado (corresponde à responsabilidade penal).
Visam proteger os direitos humanos, mas também só julga pessoas humanas,
logo está sempre em causa a personalidade jurídica do indivíduo (legitimidade
passiva)

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Existem apenas 3 situações onde uso da força é legitimo (exclui o direito a fazer a
guerra):
- Legitima defesa
- Intervenções humanitárias
- Utilizada pela Organização das Nações Unidas – Conselho de Segurança

Antes da entrada para a 2), no Pós 2º guerra mundial tentou se criar um tribunal
internacional destinado ao julgamento de crimes de guerra emitidos pelos
responsáveis alemães pelos crimes de guerra. Estava previsto no Tratado de
Versalhes a criação desse tribunal. Com o tribunal de Nuremberga, passamos a julgar
indivíduos por crimes (os que mencionaste acima - Contra a paz: crime de agressão;
Contra a Humanidade: Genocídio; Guerra)
O Tribunais de Tóquio e de Nuremberga não estavam isentes de críticas pois eram
tribunais dos vencedores; o princípio da aplicação retroativa da lei penal desfavorável;
princípio nullum crimes (não há crime se não existir lei na data em que este foi
praticado) e por este princípio, o tribunal foi criticado (lógica positivista veio colocar em
questão esta crítica visto que estão direitos humanos estavam a ser violados; não
existe justificação para não existir plena consciência de tais atos cometidos).
O Artigo 29º na CRP consagra o princípio de não há crime se não existir lei na data
em que este foi praticado. (Incriminação da PIDE vs Artigo 29º - seria necessária
existir um artigo que preveja – Artigo (excecional) 292º - epígrafe; passam a existir
duas normas constitucionais no qual a última legitima a incriminação)
7 princípios de Nuremberga (estão no estatuto de Roma – Estatuto do Tribunal
Internacional) (estes foram reforçados pelos tribunais ad hoc):
1) Toda e qualquer pessoa/indivíduo pode ser julgada por um crime internacional
(têm personalidade passiva)
2) Mesmo que este crime não seja considerado nacionalmente crime,
internacionalmente pode ser julgado desde que seja também
internacionalmente crime
3) Princípio da Irrelevância da Qualidade oficial – por efeitos de acusação,
julgamento e até de defesa do arguido, não refere as funções que por ele
desempenha – Artigo 27º.
4) Obediência à ordem não é motivo de desculpa, não justifica o comportamento
(exceção: quando não tem domínio da sua própria vontade, exemplo: quando
te obrigam a matar alguém)
5) O julgamento terá de ser justo, devem ser prestadas e reconhecidas as
garantias dignas de u processo penal de defesa do due process aos arguidos;
sendo crime contra a humanidade, guerra ou genocídio, não justifica eliminar
as garantias ao arguido.
6) Crimes contra a paz, humanidade e de guerra
7) A cumplicidade é punível

02/03/2022
Tribunal Penal Internacional – Estatuto de Roma

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Quando falamos do Direito Internacional Penal falamos de um processo
evolutivo que no seu seio tem um valor fundamental, a proteção da dignidade
da pessoa humana.
Todas as normas jurídicas internacionais são fundamentais e integram o direito
constitucional internacional (ius cogens) e devem integrar as constituições de
cada país (abertura do direito constitucional às normas imperativas de direito
constitucional e limitam o poder constituinte originário – perspetiva monista
(receção automática) - dando legitimidade aos tribunais nacionais serem de 1º
instância).
Quando a pessoas sentem que não tem proteção perante os atentados
aos direitos fundamentais da pessoa humana, (os indivíduos) tem direito de
atuar sobre o estado se este integrarem um dos sistemas internacionais -
mecanismos de proteção dos direitos humanos - baseados em 3 convenções
(interamericano, africano e europeu). Não existe um tribunal universal de
proteção dos direitos fundamentais à qual os cidadãos do mundo podem
recorrer quando à lesão dos seus direitos de forma a fazer cessar essa lesão e
de forma a ser ressarcidos pelos danos causados.
Recurso do Tribunal Internacional de Justiça é o órgão jurisdicional mais
relevante da Organização das Nações Unidas - é o tribunal constitucional por
excelência da organização das nações unidas. O seu estatuto faz parte da
carta das nações unidas, se bem que o seu funcionamento e processo está
regulado no estatuto enquanto anexo. No termos do estatuto o TIJ apenas
julga litígios entre estados relativamente à violação do Direito Internacional, e
este deve ser reconhecida a jurisdição desse tribunal (depende de um ato
unilateral dos estados - Princípio da consensualidade) e este devem ser
acatados pelos estados-membros das nações unidas. Quem pode ser réu
(legitimidade processual passiva) são apenas os estados.
Invoca-se aqui a convenção do genocídio, mas não se debruça ela já
sobre um crime contra a humanidade? Quando se fala de um recurso, só pode
ser um recurso contra um estado da Ucrânia (legitimidade processual ativa)
contra a Rússia. Convenção do Genocídio (1948) logo após a 2 guerra mundial
que vem regular o crime que os estados acordam de afastar esse tipo de
conduta (lesão dos direitos fundamentais da pessoa humana). Quando se fala
de um recurso, referimos uma violação a uma convenção (tratado
internacional) o que significa que o estado demandado (réu) viesse a ser
condenado (pagamento de indemnizações pois não é possível existir uma
restituição natural – mero equivalente), teria que ser condenado sobre
fundamentação da convenção do genocídio. Não está em causa uma
responsabilidade penal internacional, mas sim, por factos ilícitos cometidos por
Estados, uma responsabilidade ressarcitória, civil e indemnizatória.
Responsabilidade Internacional (estas duas podem ser cumulativas):
1) Dos Estados: Recurso do Tribunal internacional de Justiça
Está previsto num texto de Direito Internacional, os chamados Draft
Articles (projeto de artigo) - projeto da comissão das organizações das
nações unidas mas que condensa todos a nível da responsabilidade
internacional dos estados (extracontratual). Não são aplicadas penas,
mas sim, pode aplicar, no princípio da resolução pacífica de conflitos,
indemnizações. No entanto não existe responsabilização penal?

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2) Dos indivíduos: Tribunal Penal Internacional poderá vir a julgar os
governantes russos. Artigo 27º - Princípio da Irrelevância da
Qualidade Oficial (mantém-se desde Nuremberga). Crimes de
Guerra – Artigo 8/2/a do Estatuto do Tribunal Penal Internacional.
Artigo 25º do Estatuto do Tribunal Penal Internacional -
Responsabilidade Criminal Individual. Artigo 26º.
Artigo 13º - O que pode desencadear um processo no TPI, existem
3 vias:
- se parte a denunciar ao Procurador (Artigo 15º) (as tomadas
de decisão deste procurador estão sempre dependentes de (o due
process) 3 juízos de instrução – este acompanha a fase de inquérito
até ao julgamento, depois outro no julgamento, depois temos um de
recurso sendo este uma instância de recurso onde se pode recorrer)
quando existe prática de um crime (entre os 4). Artigo 14º - qualquer
estado pode submeter ao procurador o pedido de investigação de
um ou mais crimes. Artigo 15/2º. Artigo 7º (crimes contra a
humanidade); guerra; agressão (introduzido em 2010 – Campala)
09/03/2022 – Teórica
Funcionamento Do Tribunal Penal Internacional
O Direito Internacional Penal veio dar legitimidade á personalidade jurídica do
indivíduo (direito internacional humanitário). Direito internacional humanitário é um
conjunto de normas que devem vigorar e respeitadas até mesmo em tempo de guerra,
introduzido por Hugo Grócio – ius in bellum. Não se confunde com o direito à guerra
ou fazer a guerra. Este é o Direito na Guerra. Podemos admitir o recurso à força, mas
não o direito À guerra. Este é um meio que os estados têm para se defenderem de
forma legitima e não como forma de ataque. O direito na Guerra foi aprofundado e
desenvolvido, durante mais de um século, querendo dizer que, existem normas hoje
que estabelecem certos princípios/normas/preceitos de direito humanitário que
permanecem na guerra. Este princípio tem alicerces com Genebra e Haia. O direito de
genebra e as suas convenções visam proteger as pessoas, os feridos na guerra, os
prisioneiros. A cruz vermelha como organização internacional tem uma organização
com objetivo de proteger os feridos na guerra. O direito da Haia e as suas convenções
que deram origem a uma parcela do direito humanitário, e foi convocado por (?),
limitações à utilização de armamento nas guerras, e os de Genebra pretendem
proteger o indivíduo.
4 convenções de Genebra (1949) que constituem um núcleo do direito internacional
humanitário, após a segunda guerra mundial, convenção de:
1) Proteção dos feridos
2) Proteção dos Marinheiros
3) Proteção dos Prisioneiros
4) Proteção dos Populações civis
Violado o direito humanitário, é praticado um crime de guerra, mas não posso
deixar de dizer que, quando falamos deste direito, não podemos olhar de uma forma
unicamente formal, relativa a quem está vinculado ou não. O efeito dos tratados para
quem não esta vinculado, a via consuetudinária irá colocar esses estados vinculado a
estas convenções. O artigo 8º do Estatuto do Tribunal Penal Internacional. Estatuto de

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Roma (mete as datas bestie) consagra e tipifica 4 tipos de crimes (Genebra). Aqui
também se aplicam os costumes internacionais (exemplo: atacar a população civil).
E estes colocam em causa o indivíduo titular de direitos fundamentais de direito
internacional.
Tribunais Ad Hoc distinguem-se do Tribunal de Nuremberga pelo princípio no estatuto
do tribunal penal internacional no artigo 20º - Ne bis in idem. A pena máxima de 30
anos pode ser aplicada, como a prisão perpétua (Artigo 77º), no entanto, a pena de
morte é proibida. Nos termos do Artigo (?) é aberta a possibilidade das penas serem
revistas e diminuídas após 25 anos - Artigo 110º/10 quando forem cumpridos 1/3 da
pena ou 25 anos em caso de prisão perpetua, o tribunal irá reexaminar o caso. Artigo
25º/4 – O estado a que um indivíduo está ligado, pode ser responsabilizado e ter de
pagar indemnizações. O tribunal que o poderá julgar será o Tribunal Internacional de
Justiça.
Natureza convencional e com natureza subsidiária e complementar (das jurisdições
penais nacionais) do Tribunal Penal Internacional, previstas no Preâmbulo do Estatuto.
No entanto, existe crimes que o Tribunal Penal Internacional não julga. Este tribunal é
de última instância, sito é, os tribunais nacionais têm prevalência, sendo que o penal
só deve intervir se este crime não for julgado ou dar uma reposta insuficiente sobre a
matéria.
Como iniciar um processo no tribunal penal internacional:
- a iniciativa cabe a um dos órgãos, o Procurador (corresponde ao ministério público)
promove a ação penal, e que abre o inquérito com autorização. Artigo 13º/a - vias de
denuncias ao procurador uma situação de um ou mais crimes. O conselho de
Segurança tem também legitimidade ativa.
- Juízo de Instrução; Juízo de Julgamento; Juízo de Recurso

Admissibilidade ao Tribunal penal Internacional (Artigo 17º) – este pode admitir sobre a
não admissibilidade de um caso se, o caso for objeto de inquérito por parte de um
estado que tenha jurisdição sobre o mesmo salvo se este não tiver vontade o
inquérito. Este tribunal mesmo tendo iniciado o inquérito pode chegar à conclusão que
esse caso não deve ser admitido.

11/03/2022 – Prática
Caso Prático nº 1
Em 2012, Chefe de Estado A, (…)
1) Direito Internacional Penal: Noção;
O que está em causa é a responsabilidade do indivíduo e não de um Estado, e
que esta é do tipo sancionatório (não civil) e que estes crimes internacionais
serão violações especialmente do Direito Internacional.
Condições que garantem a sua criação: afirmação do individuo como sujeito de
direito internacional; progressiva ativação dos direitos humanos e uma
radicação cada vez mais profunda destes direitos humanos (consciência
jurídica da comunidade internacional), e portanto, esta radicação resulta a

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partir de certos valores ditos fundamentais cuja tutela/proteção pode justificar a
criação dos crimes internacionais e crimes penais internacionais; movimento de
culto da responsabilidade que se vai alargando em todas as dimensões, como
a responsabilização penal do individuo pelas violações que lhe possam ver
invocadas. Tendo previsto o crime internacional, a atribuição da
responsabilidade pode também ser pedida a tribunais nacionais. Podemos
distinguir uma aplicação direta: aquele em que as normas do direito intencional
penal vão ser aplicadas por tribunais internacionais, ou temos um sistema de
aplicação indireto: é aplicado pelos tribunais nacionais. A aplicação indireta
pode ser dividir em dois, referentes à jurisdição: universal - qualquer tribunal de
um estado membro podia julgar o individuo independemente do Estado e do
Crime (um tribunal português podia julgar um individuo cometido noutro país,
pois este é de um interesse geral); não universal – tem de existir uma conexão
entre o crime e o estado que o irá julgar, através do crime em si, das vítimas ou
do local do crime.
Tribunal Penal Internacional criado pelo Estatuto de Roma, não foi o primeiro
tribunal internacional a ser criado. Estes foram criados no final da 2º Guerra
Mundial. O grande marco na evolução são os Tribunais de Nuremberga e de
Tóquio que se tornaram muito importantes por: Ativaram-se princípios de
responsabilidade que passaram a ser reconhecidos.
A obediência às ordens superiores, justificação normalmente usada para
desculpar condutas gravosas, não é válida.
Estes tribunais foram alvos de críticas: tratavam de uma justiça parcial, de
vencedores pois os tribunais foram criados pelos vencedores (Aliados); julgar
por crimes que não estavam tipificados, no entanto, devido à dimensão das
atrocidades cometidas, foi necessária uma ação penal.
Tribunais Ad Hoc para a Ex-Jugoslávia e para o Ruanda foram criados por
decisão do Conselho de Segurança, e houve aprofundamento de pontos de
justiça penal nomeadamente no processo como os órgãos jurídicos, duplo grau
de jurisdição e os princípios de determinação de sentenças. Criada a
articulação com os tribunais nacionais de forma ninguém ser julgado duas
vezes pelo mesmo crime (“Ne Bis In Idem”). É de relevar a característica
subsidiária dos tribunais internacionais penais (só vão agir se não existir um
julgamento pelos tribunais nacionais ou se a resposta for insatisfeita).
Aspetos negativos destes tribunais: tratam se de tribunais ad hoc, que são
tratados para situações específicas, e o mesmo direito internacional penal vai
ser aplicado de forma diverso, e nesse contexto foi necessário a criação de um
tribunal de caracter permanente que depois dispensará a necessidade de criar
tribunais temporários, e a possibilidade de existir uma aplicação uniforme do
direito internacional penal.
Estatuto de Roma60 estados
Tribunal Penal Internacional:
Principais objetivos: a) Garantia dos interesses gerais do direito
público: preservação da paz e da segurança, proteção dos direitos humanos
porque o próprio tribunal, ao exercer a sua jurisdição, vai salvaguardar os
direitos humanos, se for por outro lado, ele também é instrumento de
pedagogia.

2) Jurisdição do TPI em vários critérios:


a) Em razão da matéria

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Julga os crimes que estão previstos no artigo 5º e desenvolvidos no
capítulo seguinte, cuja tipificação é complementada pelo diploma aprovado
pelos estados-membros que se integra. Esses crimes são o crime de
genocídio (elemento objetivo e subjetivo), crimes de guerra, crimes contra a
humanidade e agressão.
b) Do tempo
Vale apenas para o futuro, isto é, só julga após a entrada em vigor no
estatuto do tribunal penal internacional – não retroatividade da lei penal. Os
crimes são imprescritíveis.
c) Da pessoa
Nacionalidade ou território.
d) Relação com os Tribunais Nacionais
23/03/2022
Artigo 12º do Estatuto do Tribunal Penal Internacional
Artigo 11º - Competência Rationes Temporis

Direito Internacional Económico


Memorando (anexo ao GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) – tratado
internacional) do órgão de resolução de litígios do fundo internacional e organização
mundial do comércio: regras de legitimidade/resolução dos litígios de entre os estados-
membros da OMC.
Organização Mundial de Comércio

24/03/2022
Os estados são julgados por quaisquer normas de direito internacional penal enquanto
os indivíduos são julgados por crimes internacionais.
Desenvolvimento histórico
Começa em Genebra e nas convenções de Haia, são um conjunto de normas que
dizem como fazer a guerra (direito humanitário – the law of war). Um adas regras
fundamentais para estar numa guerra é de que reagir contra militares pode ser mas
contra civis, não é.
Primeira guerra mundial no qual foi tentado julgar pelos crimes internacionais que
ocorreram onde houve um ensaio do direito penal internacional, mas que foi um
falhanço.
Na segunda guerra mundial houve então a criação do real direito penal internacional
com a criação dos tribunais de Nuremberga e Tóquio, os tribunais ad hoc e o tribunal
penal internacional.
30/03/2022
Direito internacional público - Relações económicas públicas
Financiamento das transações internacionais, do comércio internacional. Vamo-nos
desbrochar sobre normas que regulam estas transações.

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Carta das Nações Unidas – Desenvolvimento Económico e Social. Só o podemos
fazer quando os direitos humanos estiverem concretizados.
Quando falamos de instituições que regulam o crédito internacional, regulam o
comercio internacional, em banco mundial, em organização mundial do comércio é
falar de instituições que estão institucionalizadas ao comércio internacional.

Instituições que são criadas a partir de 1944, ainda não tinham terminado a WWII, de
forma a corrigir erros do passado, reflexos da crise económica. Se houver mais trocas
internacionais, maior será o bem-estar dos povos, dos que exportam e dawueles que
recebem, logo se é possível que um pais aposte em investir tem que ter facilidade de
crédito.
Os direitos humanos podem funcionar ao mesmo tempo como um vetor como um
escodo, mas como travão ao direito internacional económico.
Organização mundial de comércio demorou 50 anos a existir, só em 1994 entra em
vigor com o Acordo de Marraquexe, pois a Europa estava destruída e era necessário
reconstruir.
1947 vamos encontrar o embrião do que vai ser a OMC, é o acordo GATT (1944),
Acordo geral de tarifas e comércio. O facto de dizermos que o GATT é o embrião a
OMC, e o segundo de 1994 incorpora o 1947.
Há 3 instituições internacionais económicas:
 Banco Económico
 Organização Mundial de Comércio:
a) GATT de 47 metido no 94 (contemporâneo da criação da organização mundial do
comércio)
b) GATS (serviços financeiros)
c) TRIPs
Estes acordos alicerçam se em 3 princípios fundamentais:
1. Princípio da Cláusula da Nação mais favorecida
2. Princípio do Congelamento dos Direitos Alfandegários
3. Princípio do Tratamento Nacional
Banco Mundial para a construção e desenvolvimento
É uma instituição de natureza económico-financeira, e visa fornecer créditos (a médio
ou longo prazo) aos estados ou aqueles que estejam numa situação mais
desfavorecida, e para não terem de recorrer ao mercado de capitais, o privado, existir
uma fundação ele lhes irá fornecer créditos necessários.
Assembleias de Representantes
Conselho dos Diretores Executivos
Mas cada estado tem direito a um voto? Cada estado tem uma participação no capital
do banco e no fundo monetário. Quanto mais for a participação maior é o peso dos

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votos. Crítica: serem controlados pelos países mais desenvolvidos, mas também são elas que
tem as contra participações mais elevadas.

Este tem vindo a ser criticado pelo Brasil pois são financiados negócios brasileiros que não
contemplam os investimentos.

As normas que regem o OMC são:

- todos os empréstimos que fizer têm de ser analisados apenas do ponto de vista estritamente
económico, inclusivamente não pode atribuir sobre critério de natureza do regime que podem
abolir com os direitos humanos e com os direitos ambientais. Logo foi criado um órgão quase
jurisdicional que pode e funciona como soft law – painel de inspeção do banco mundial –
autocontenção do banco que não é uma instituição alheia ao banco mundial, mas sim
órgão de controlo e fiscalização para poderem avaliar os efeitos que a concessão e
empréstimos de vários estados podem vir a produzir. Auto critica em relação ao Banco
Mundial. Lá se encontram pessoas que respondem às queixas apresentados

Fundo Monetário Internacional


Os estados-membros contraem crédito a curto prazo. Este tem vindo a ser estes dois
cargos distribuídos pelo acordo trabalheiros onde os USA indica o presidente do OMC
e a europa o diretor do FMI. Tem a sua sede em Washington.
Também os membros do fundo monetário internacional têm a sua continuação, qual
maior for o fundo que ele der, maior vai ser o controlo sobre o fundo monetário. Tem
uma estrutura institucional semelhante ao banco mundial.
Estrutura societária pois tem uma assembleia de representa todos (sobre cotas), tem
um órgão executivo designado diretório executivo que elege o diretor geral.
Financiamento: o fundo mi é constituído por transes de reserva. Os estados podem até
200% da transreserva (daquele que empregou – da sua participação). Ainda existem
os apoios de standby – um estado acorda com o FMI, um empréstimo que é
necessário que o devedor assuma perante o banco mundial determinadas condições
como condições restritivas à soberania estadual. O empréstimo é recebido em sack
(provavelmente cripto moedas).

Organização Mundial de Comércio


Está em causa o desenvolvimento económico. Tem como objetivo liberalizar o
comércio internacional. A política fiscal dos estados não pode ser impedimento ao
comércio internacional. Os estados não podem, á luz dos GATT, utilizar o imposto de
forma a perturbar as trocas comerciais entre os vários estados liberdade de comércio.

06/04/2022
O BM tem como objetivos:
1) Financiar investimentos a médio/longo prazo de índole estrutural
O FMI visa:
1) Facilitar a transferência de crédito

Estes estão sujeitos a críticas – Banco Mundial:

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Painel de Inspeção – órgão de controlo interno dentro do próprio banco mundial
e visa verificar se os investimentos estruturais fornecidos pelo Banco Mundial,
se colocam em causa os direitos humanos ou os direitos ambientais. Orgão
quase jurisdicional, que tenta resolver as questões de forma “amigável”, e
formulam recomendações aos estados em causa.
As críticas estão direcionadas se os investimentos estão dirigidos a ataques
aos direitos humanos e ambientais.
O Banco Mundial deve apreciar questões de natureza económica, logo não tem
em conta questões políticas nem questões jurídicas.
FMI – Acordos Stand-By:
Este acordo inclui uma “Carta de Intenções”. Esta pressão que exerce sobre os
estados a partir desta Carta, é criticado.

Organização mundial de Comércio:


Vem estabelecer de uma forma institucional um sistema multilateral do comércio
mundial. Iniciou no dia 1 de janeiro de 1994, e visa a liberalização dos
pagamentos/das trocas. Este não é constituído apenas por estados, mas também
Organizações Internacionais, mas todas elas são sempre entidades públicas como a
União Europeia. Os órgãos só têm de ser compatíveis com a organização de forma a
integrarem a mesma.
1944 – Segunda Guerra Mundial, já se pensava numa estrutura a nível mundial que
tivesse como objetivo liberalizar as trocas.
Acordo GATT (1947): geral de tarifas do comércio. Este começou a ser pensado
também logo em 1944, mas só em 1947 é colocado em vigor. Visa facilitar as trocas
internacionais (favorece os estados menos desenvolvidos, pois a tributação é reduzida
logo conseguem vender os seus produtos para fora, de forma mais barata e fácil),
pacificar as relações entre os estados.
GATT de 1994: (não são diretamente aplicáveis nos ordenamentos jurídicos dos
estados)

Como se processa a liberalização das trocas?


1) Eliminação de bandeiras alfandegárias através da diminuição de impostos
aduaneiros. Não implica que os estados aceitem o princípio da porta aberta.
2) Eliminação de limitações quantitativas e qualificativas que não tem de natureza
alfandegária, mas sim, tributária.
3) Evitar os subsídios à transportação.
Estes são proibidos pelos acordos GATT (1 e 2).
3 princípios fundamentais consagrados no Acordo GATT:
1. Princípio da Cláusula da Nação mais favorecida
2. Princípio do Congelamento dos Direitos Alfandegários
3. Princípio do Tratamento Nacional

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A OMC não trabalha apenas com o GATT mas também mais dois tratados, o GATS
(aplicado agora também aos serviços) e o TRIPS (propriedade intelectual no comércio
internacional – 3 pilar normativo da organização mundial do comércio). Os estados
internamente visaram a proteção da propriedade intelectual que tem duas dimensões
fundamentais: 1) Pela própria obra (isto significa que a OMC criou um acordo que visa
proteger os titulares das patentes, dos direitos de autor, os proprietários.); 2)
Afastemo-nos de direitos económicos e dos direitos de natureza pessoal, como o
direito à saúde.

Órgão de resolução de litígios:


Quase jurisdicional que visa solucionar os litígios entre os membros da OMC
quanto à aplicação dos 3 tratados (GATT, GATS, TRIPS).
Quem tem iniciativa de apresentar uma queixa?
Só os estados/órgãos-membros, não existindo possibilidade das
entidades privadas fazerem queixa.
1) Consultas – troca de opiniões entre o estado que apresenta a
queixa e o estado sobre o qual foi feita a queixa, a través
destas, podem chegar a acordo.
2) Oportunidade de recorrer a 3 meios de resolução pacifica de
conflitos: Artigo 4º do Memorando de resolução pacifica de conflitos
a. Bons ofícios: aproximar as partes para ver se estas
chegam a um acordo
b. Conciliação: órgão coletivo que apresenta uma
proposta de resolução e se as partes não estiverem de
acordo, a decisão é tomada ali.
c. Mediação: processo com um papel mais ativo pois não
se limita apenas a aproximar as partes em litígios, mas
apresenta já uma proposta de resolução.
3) Parte queixosa que apresenta a queixa à OMC, de pedir a
criação de um painel: órgão colegial semelhante a um tribunal
coletivo e que vai apreciar/julgar a questão (a matéria de facto
e direito).
4) Órgão de recursos: segunda instância convocada por uma das
partes relativa à decisão.
Uma empresa (privada) não tem legitimidade ativa.
Nunca se apresenta a queixa no órgão de recurso, este só funciona após este ter sido
julgado no painel.

20/04/2022
Órgão de resolução de litígios da Organização Mundial de Comércio:
Não é um órgão jurisdicional, que é gerido pelo Memorando anexo ao GATT.
Conflito já implica o uso da força
Mecanismo de resolução de litígios que ocorrem no âmbito da OMC.
Quando surge uma qualquer incompatibilidade da parte da atuação da OMC
relativamente aos diplomas internacionais, dizemos que temos um litígio e logo, é a
própria OMC que contempla um mecanismo de resolução destes. Existem outros
meios de resolução destes litigios comerciais como o Tribunal Internacional de Justiça.
Este órgão não é mais o que uma dimensão funcional de um dos órgãos de uma das
instituições da própria OMC. Os dois grandes órgãos da OMC são a conferência
ministerial (2 em 2 anos – equivalente ao parlamento), Conselho Geral e Secretariado.

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O ORL é falar do conselho geral que aprova a criação de um painel para
resolução de litígios. A legitimidade processual ativa é dos países-membros da OMC
(sendo que empresas ou particulares não podem desencadear o processo). Quando
se fala de iniciar o processo de resolução de litigios, inicia-se no ORL e inicia-se com
as consultas. O órgão de recurso existe também na estrutura como segunda instância
(atualmente inativo).
Passos:
1) Consultas
2) Bons Ofícios (intervenção do terceiro para aproximar as partes), mediação
(já existe um proposta para resolver o litígios) e conciliação (o terceiro
analisa os factos, fizesse um projeto de resolução e as partes aceitam)
3) Painéis
4) Recurso
Na 1ª instância quando surge um litígio entre membros da OMC, há um membro que
vai apresentar uma queixa perante o ORL. Isto origina um processo de consultas. Os
estados assumiram que, através do memorando considerada como uma convenção,
estão abertos às consultas. Em paralelo com as consultas é possível que os estados
como terceiro, personalidade imparcial, que vai tentar aproximar as partes no litígio de
forma a resolver. Essa participação é cada vez mais intensa á medida em que
passamos dos bons ofícios para a conciliação. Isto é 1 pode ocorrer ao mesmo tempo
que o 2.
No entanto pode não existir a abertura de um estado às consultas/resolver as
questões. Aqui começa a fase jurisdicional, com a abertura de um painel – juízo de
primeira instância. Pode ter 3 ou 5 “juízes”, e que decidem a matéria de facto e matéria
de direito. Matéria de facto: se efetivamente o estado A violou o tratado GATT –
através da prova, com o contraditório, a boa-fé, vai ouvir entidades. É possível que os
estados sintam que devam ser ouvidos porque podem vir a ser lesados – chamado a
demanda. Matéria de Direito: aplicação do direito.
Inversão do ónus da prova: quem vai ter de provar que tem um direito. Não é o
queixoso que tem de provar que o outro estado viola certas normas, mas sim o
acusado tem de provar que não o fez.
Ónus da prova: se alego um direito tenho ónus da prova. Se digo que sou proprietário de um livro
e uma entidade diz que não, quem invoca um direito tem de provar as provas.

Isto vai resultar um consenso e ou nenhuma das partes recorre – ao fim de 60 dias a
decisão torna-se executória, tem de ser executada; ou existe um recurso de uma das
partes – pode ser revogado ou alterar a decisão. Os recursos das deliberações do
painel para o ORL, é um recurso em apenas de matéria de Direito. A 1ª instância é o
painel e esse toma a uma deliberação sobre a matéria de facto e do direito, e o
recurso é só sobre a matéria de direito, a interpretação das normas jurídicas. Mesmo
havendo uma decisão de recurso, o ORL tem de aceitar a última decisão. O método
de aceitação é por consenso negativo (a regra inicial era o consenso positivo – todos
estivessem de acordo), é preciso que todos estejam em desacordo, neste caso, todos
têm que querer alterar.
Haverá ainda um procedimento de arbitragem que é excecional: meio jurisdicional
onde se um estado não aceitar, não cumpre ou comprometer-se a aceitar as
recomendações, log são aplicadas contra-medidas/retaliações da parte do estado ou
de um terceiro.
O ORL funciona como um meio de resolução pacifica de conflitos da OMC.

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Há certos espaços terrestres, marítimos, aéreos que estão fora dos poderes
soberanos dos estados, e a esses chamamos espaços internacionais – conjunto de
normas jurídicas que regulam esses espaços que estão fora da alçada da soberania.
Alto mar
Espaço aéreo
Regime de Antártida
Regime extra-atmosférico
Convenção do direito do mar – Convenção de Montego Bay, e o Protocolo – Acordo
do Nova Iorque.
Regulação da utilização dos espaços – não estão sujeitos à soberania, como +e que
se regula a sua utilização? Teorias:
Domínio Público
Interesses da Comunidade
Património comum da humanidade
Res Nulus
Res Comunes
O facto de não pertencerem a nenhum estado são consideradas res nules, mas não,
estes não podem ser utilizados por quem e como quiserem. Quando se fala de
espaços internacionais não são res nules, logo têm que ter um estatuto jurídico. A
doutrina tem vido a designar que como o alto mar como a área (fundos marinhos –
solo e subsolo) como o espaço aéreo, como Res Communes – comum a todos. Estes
não excluem de serem de provadoras de um regime jurídico específico, regulados
através de normas jurídicas e consuetudinárias, consagradas em tratados como a
Convenção Europeia e a Convenção do Direito Do Mar. Devido ao seu aproveitamento
económico é necessária uma regulação jurídica destes espaços.
Mare Liberum consagrado na Convenção do Direito do Mar – 5 liberdades:
- Liberdade de utilização/navegação
Existem restrições à utilização do alto mar.
O facto de falarmos do mar territorial e da zona contigua e ZEE, é necessária para
definirmos e aplicarmos o regime do alto mar.
Quanto ao regime do alto mar, neste vigora em 5 liberdades - Utilização livre do alto-
mar enquanto res communes:
1) Liberdade de navegação
2) Liberdade de pesca
3) Liberdade de implantação de cabos e ductos submarinos
4) Liberdade de investigação científica
5) Liberdade de construir ilhas artificiais
Artigo 87º na Convenção de Montego bay
1) Todos estados (costeiros e sem litoral) tem a liberdade navegar no alto mar –
artigo 90º Malta, Chipre, Panamá comercializam o pavilhão/bandeira, pois em
princípio só os estados com a bandeira é que podem intercetar esses navios.
Artigo 88º navegação pacífica.
Artigo 89º é res communes.
No entanto, podem existir compressões a estas liberdades – artigo 99º, 100º, 108º, e
no 109º, 110º e 111º. Liberdade de navegação – artigo 99º; 100º.
Artigo 105º - pirataria, regime que beneficia sobre os estados.
Artigo 107º - quem pode? Navios de guerra/militares pois estes estão sobre imunidade
de jurisdição (não pode ser apresado) remeter para o 95º e 96º
Artigo 108º -
Artigo 109º/3 e 4 (quais os tribunais que podem julgar as pessoas responsáveis)
- proibição das transmissões ilícitas

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Artigo 110º e 111º - direito de visita e de perseguição a quente são institutos
fundamentais.

Casos Práticos
Nº 1
4 requisitos de acesso: 1) Complementaridade e subsidiariedade; 2) Âmbito Material 3)
Âmbito Temporal 4) Âmbito Pessoal. O procurador teria que avaliar se as autoridades
judiciais nacionais já tornaram o objeto do inquérito um caso atribuído aos tribunais
nacionais, se este tenham decidido não dar seguimento ao procedimento criminal, se a
pessoa já foi julgada ou seu a caso não é suficientemente grave para justificar a
ulterior intervenção do tribunal. Face a este litígio ser proveniente de um conflito
nacional, não é de esperar que algum desde passos tenha sido tomado, logo, visto
que o tribunal tem competência para julgar crimes contra a humanidade (Artigo 8º/h).
Para este processo temos 4 fases: 1) a queixa; 2) a fase de inquérito; 3) instrução; 4)
julgamento e caso requerido 5) Recurso.

Resolução dos Casos Práticos


Nº1)
1- Identificar o tema
2- Enquadramento Teórico (O que é TPI?
3- Aplicar ao Caso
4 requisitos de acesso:
1) Complementaridade e subsidiariedade;
2) Âmbito Material
3) Âmbito Temporal
4) Âmbito Pessoal

Nº2)
Genocídio: - intenção psicológica de matar as pessoas
- não é uma quantidade suficiente para classificarmos como
genocídio, como o Holocausto, Bósnia, Ruanda.
- intenção de eliminar esse grupo
Nº3)
Denúncia pelo CS da ONU, e sobre esta, não é necessário um requisito
adicional. O TPI tem então juridicidade para intervir sempre quando a denúncia
é feita pelo CS da ONU. Se fosse um estado ou pelo Procurador, não poderia
intervir se não, a partir do critério da nacionalidade ou do critério da
territorialidade.
(crime de agressão normalmente é entre dois estados que estão em conflito)

27/04/2022
Liberdade de navegação – concedem aos estados poderes que se traduzem no
apresamento de navios, de tribulações, julgar a tribulação que cometeu os atos ilícitos
(trafico de escravos, pirataria, transmissão de mensagens ilegais, tráfico de droga).
Transmissões ilegais: 1) Direito de visita – um determinado navio, existindo uma
suspeita de que outro navio que está a cometer um ato ilícito. Direito de intercetar
esse navio.

Espaço aéreo:
1) Internacional – que está subjacente ao alto mar. A questão principal que se
coloca é de estabelecer os seus limites, saber até onde são os limites

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superiores. O limite superior internacional (o inferior do extra-atmosférico) é
estabelecido por dois critérios:
a. Até onde pode um avião sobrevoar
b. Altura dos satélites
2) Extra-atmosférico
05/05/2022
Atos Ilícitos – contrários ao direito internacional
No entanto existir circunstância onde excluímos a ilicitude como o consentimento do
lesado, a legítima defesa, contramedidas e etc…
O facto de o estado invocar uma destas causas onde excluímos a ilicitude, não
obstante isto não exclui a reparação de danos, estes continuam obrigados a reparar
danos com os estados terceiros.

1) Consentimento de lesado: o estado que sofreu os prejuízos consentiu na


atuação de estado.
2) Legitima defesa: se realizada nos limites previsto na Carta das Nações Unidas
3) Contramedidas: conflito entre dois estados e uma contramedida é uma atuação
do estado A que é ilícito mas que é uma resposta a um ato ilícito do estado B.
Estas são pacíficas logo não envolve a força.
a. Avisar o estado que está a incumprir
b. Avisar o estado que o estado B vai usar as contramedidas
4) Força maior: eventos externos inesperados (o estado não podia prever) como
desastres naturais
5) Perigo: gera num estado uma situação de perturbação e que o leva a agir. Só
temos perigo se estiver numa situação de vida ou morte (ameaça à vida).
6) Estado de necessidade: situação de ameaça a bens ou interesses de um
estado e por consequência existe um ato de um estado para salvaguardar bens
de outro.
Nexo de Imputação: o estado é uma entidade abstrata e por isso mesmo não é tão
fácil dizer que um estado aplicou um ato físico.

Caso nº1
1) O Estado de Nicarágua tem autorização para fez pesca e de investigação
científica. na zona económica exclusiva podem fazer investigação científica,
logo o comportamento da Colômbia fez uma violação de uma norma de direito
internacional, e log há um ato ilícito. O próximo passo é saber se este ato foi
praticado por alguém que possa ser ligado ao Estado da Colômbia. A resposta
aqui é afirmativa devido aos navios navais. Não parece existir dano logo não
questionamos o nexo de casualidade.
Em conclusão, parece existir responsabilidade internacional da Colômbia, logo
estes são obrigados a cessar a violação e a não repetir (não existir um dever
de reparação pois não existe um estado lesado).
Caso nº2
1) Existe um evidente ato ilícito por parte de Israel, no entanto poderíamos
identificar estes como legitima defesa, mas normalmente esta surge como uma
resposta a um ataque prévio. Então após excluir a legitima defesa, teríamos de
escolher o Estado de Necessidade ou Perigo, mas visto que não existe indício
de ataque ou ameaça á vida, mas sim uma ameaça abstrata á segurança do
estado, o mais adequado seria o Estado de Necessidade. Ao preencher os
requisitos da ilicitude e que existe exclusão da ilicitude, não precisamos de

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verificar os outros requisitos como a responsabilidade internacional (esta não é
concebível).
Caso nº3
1) Existiu um consentimento por parte do lesado logo existe exclusão da ilicitude,
até 1998. A partir de 1999 existe uma responsabilização internacional, onde
existe um claro nexo de casualidade visto estes foram apoiados pelo Governo.
Os danos, no entanto, são morais, psicológicos, que são ressarcíeis mas o
valor é sempre um tópico problemático. É de relevar que neste caso é difícil
dizer que os deslocados saíram do seu país só em virtude dos danos diretos.

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