0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações1 página

5

5

Enviado por

rosadeandrade86
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações1 página

5

5

Enviado por

rosadeandrade86
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Capítulo 7 – Primeiras escolhas Os dias seguintes passaram com uma calma aparente.

Eun-ha percebia que não havia se


tornado outra pessoa da noite para o dia: continuava reservada, mais observadora do que falante. Mas agora
compreendia algo essencial — seu temperamento fechado não era defeito. Era o seu modo de existir. Ainda assim,
compreendia também que não podia se esconder para sempre. O silêncio era um abrigo, mas não uma casa. Quando a
situação exigisse, deveria ter voz. Era essa mistura de serenidade e decisão que agora a acompanhava. “Sou assim”,
pensava. “Mas posso me impor quando for preciso.” Numa tarde de outono, encontraram-se em um café pequeno,
quase escondido entre prédios altos. Min-jun parecia mais sério do que de costume, o olhar distante antes de começar
a falar. — Eun-ha… preciso te dizer uma coisa. — fez uma pausa breve. — Estou pensando em ir embora de Seul. Ela
arregalou os olhos. — Ir embora? Para onde? — Para uma cidade menor. — Ele suspirou. — Seul é grande demais para
mim, barulhenta demais. Acho que não consigo mais respirar aqui. 32 As palavras caíram sobre Eun-ha como uma prova
inesperada. Ficou em silêncio por alguns instantes, tentando absorver. Antes, talvez tivesse apenas assentido,
guardando a dor. Mas não agora. Respirou fundo e, com calma, disse: — Eu precisaria de você aqui. A voz era firme, mas
sem desespero. Não era um pedido que implorava, mas uma afirmação que se oferecia. — Se você ficar, eu gostaria.
Min-jun a olhou, surpreso. Não pelo conteúdo — ele sempre desconfiara dos sentimentos dela —, mas pelo modo como
as palavras vieram: diretas, desprendidas, como quem fala a verdade sem medo do resultado. Ele sorriu, um sorriso que
começou nos olhos antes de chegar à boca. — Eu sempre quis ouvir isso de você. Min-jun ficou alguns segundos
olhando para ela, como se buscasse coragem numa xícara de café já fria. Depois soltou, sem aviso: — Eun-ha, eu a amo.
— disse como quem anuncia algo óbvio, mas que ninguém nunca tinha se atrevido a colocar em voz alta. — Desde o
primeiro bilhete, desde aquele quase-girassol torto que você me vendeu sem acreditar que valia alguma coisa. Sempre a
amei. Eun-ha congelou. Sentiu como se o ar tivesse ficado denso demais para respirar. Ele continuou, agora com um
meio sorriso, nervoso e divertido ao mesmo tempo: 33 — Sua existência já é suficiente para eu viver feliz. Mas,
confesso, estava prestes a ir embora. Achei que não cabia mais no seu coração. Que meu amor era uma dessas histórias
de mão única. Deu um gole no café, fez uma careta por estar frio, e completou: — Engraçado… precisei anunciar que ia
fugir de Seul para você finalmente reagir. Tipo dar um choque elétrico numa flor para ver se abre. Ela riu, surpresa até
consigo mesma, riu com lágrimas nos olhos. — Então quer dizer que você estava me testando? — Talvez. — ele inclinou
a cabeça, divertido. — Ou talvez eu só estivesse cansado de falar sozinho. A leveza do riso se misturava ao peso da
confissão. Min-jun segurou a mão dela sobre a mesa e sorriu, com aquele jeito de quem ri de si mesmo, mas está
aliviado: — Se esse foi o susto que você precisava para acordar… então valeu a pena quase ir embora. Eun-ha, sem
hesitar, apertou a mão dele de volta. —Mas agora não precisa ir a lugar nenhum. Saíram do café quando a noite já havia
tomado a rua. O ar estava frio, mas não o bastante para incomodar; o tipo de frio que desperta, que mantém a mente
clara. Andaram lado a lado, em silêncio por alguns minutos, até que Min-jun falou: — Preciso confessar: quando disse
que iria embora, metade de mim falava sério. 34 Ele olhou para ela de canto, com um sorriso de quem entrega uma
travessura. — Mas a outra metade só queria ver se você ia me impedir. Eun-ha suspirou, fingindo indignação. — Então
eu sou uma espécie de… teste? — Não, nada disso. — ele balançou a cabeça, divertido. — Você é mais como… uma
prova final de Letras. Daquelas que a gente não sabe se passou ou não até o professor entregar o resultado semanas
depois. Ela riu, balançando a cabeça. — Que comparação horrível. — Horrível, mas verdadeira. — retrucou ele, com o
mesmo sorriso. Pararam no cruzamento, à espera do sinal abrir. As luzes vermelhas refletiam no asfalto molhado. Nesse
instante, Min-jun virou o rosto para ela, e a expressão leve deu lugar a algo mais sério. — Promete uma coisa? — O
quê? — Não precisa virar alguém falante. Nem mudar quem você é. — disse com firmeza. — Só não se esconda de mim
de novo. Eun-ha sentiu um nó se desfazer dentro dela. Sorriu, simples e desprendida. — Prometo. 35 O sinal abriu.
Atravessaram a rua, e, pela primeira vez em muito tempo, Eun-ha sentiu que não havia nada preso dentro dela. Tinha
falado, tinha escutado, tinha rido. Era como se uma porta tivesse se aberto — e não precisava ser escancarada. Bastava
estar entreaberta para deixar entrar e sair o ar. Do lado de fora, a cidade continuava caótica, cheia de buzinas e vozes.
Mas, ao lado de Min-jun, tudo parecia encontrar lugar. E assim terminaram a noite: caminhando juntos, sem pressa,
compartilhando piadas tolas e confidências sérias, misturando risos e silêncios. Mas havia, finalmente, a sensação de
que ambos, depois de tanto tempo, estavam caminhando na mesma direção.

Você também pode gostar