Ele riu novamente e acenou um adeus.
Dirigindo-se para a sua unidade, entrou, ligou a cafeteira elétrica e observou em
torno de si o interior sombrio antes de dirigir-se para o chuveiro fraco, imaginando se ele jorraria água quente ou fria
essa manhã. Ele esperava que o apartamento dela fosse melhor que o dele. Era um pensamento estranho para aparecer
de repente em sua cabeça, mas ele só esperava que fosse melhor, isso era tudo. Com certeza, do lado de fora ele era
extremamente bem cuidado. Talvez o marido dela o tivesse pintado. E ele tinha esperanças de que a mobília dela fosse
mais bonita do que a fornecida pelo senhorio. Ainda assim, isso não compensaria o barulho... Saindo do chuveiro, ele
podia ouvir seus vizinhos brigando novamente, e para Ben, quanto mais cedo fosse o leilão, melhor. Ele fez um pouco
de café e sorriu novamente enquanto colocava colheres de açúcar nele. Ela não precisava fazer dieta, ela era curvilínea,
sim, mas estava grávida. Ele pensou naquele traseiro arredondado adorável, requebrando pela praia na frente dele, e
apenas a imagem dela, tão clara em sua memória, deixou-o sobressaltado, então, ele imediatamente voltou sua mente
para pensamentos mais práticos. A taxa glicêmica dela estava provavelmente alta. Ela deveria estar no sétimo mês de
gravidez, ou quase isso... Ele forçou-se a empurrá-la para fora de sua cabeça, e não iria permitir-se outro pensamento
com ela, mas mesmo assim, sentiu-se desconfortável quando, dirigindo pela escorregadia entrada de sua garagem, viu
Celeste regando seus girassóis e acenando para ele. Ele acenou de volta, um tanto relutante. Ben não gostava de acenar
para os vizinhos ou, apesar de sua brincadeira, aparecer para pedir açúcar, ou procurando bater papo. Se ela não
parecesse precisar de ajuda na praia, ele teria continuado direto na caminhada, fechado. Era exatamente como ele
gostava que as coisas fossem. Uau! À medida que ele dirigia passando por ela, Celeste podia sentir seu rosto ficar
vermelho mesmo enquanto ela, ah, acenava tão despreocupadamente. Ele. Era. Lindo! Lindo! Bem acima de 1,80m com
ombros largos, as pernas dele eram grossas e sólidas como as de um jogador de rúgbi, e aquele cabelo castanho e um
tanto longo caindo pesado sobre seus olhos enquanto ele a encarava na praia, já a fazia querer acariciá-los. E quanto
àqueles olhos verdes... Por que diabos não havia médicos como aquele onde ela trabalhava? Então, ela parou de sentir-
se com 24 anos e solteira e se lembrou que havia jurado manter homens afastados pela próxima década, no mínimo. E
também, em algumas semanas ela iria ser mãe. Engraçado, por um momento ela havia esquecido. Conversando com
Ben, batendo papo enquanto caminhavam, por um momento ela havia esquecido que estava grávida, e tinha apenas se
sentindo como, bem, como uma mulher normal! O que ela era, claro, não havia nada mais feminino ou normal do que
uma gravidez. Mas naquela manhã ela havia fantasiado e corado, e dito todas as coisas erradas na frente de um homem
muito sexy. Celeste tinha suposto, embora ela não tivesse lido ou alguém tivesse dito isso, que o “botão fantasia” ficava
desligado durante a gravidez, que se entrava num estado de reclusão hormonal no qual os homens não eram atraentes,
e você não flertava ou mesmo olhava duas vezes. E por seis meses havia sido daquele jeito... E ficaria daquele jeito,
Celeste disse a si mesma com firmeza. Não que ela devesse se preocupar. Um chute vigoroso de seu bebê a lembrou
que naquele assunto ela não tinha escolha, dificilmente ela era candidata a qualquer tipo de romance. CAPÍTULO 2 –
CELESTE, o que você está fazendo aqui? – Meg, a enfermeira-chefe, desaprovou com a cabeça enquanto Celeste lhe
entregava o atestado médico que lhe permitia voltar ao trabalho, se juntava à turma de enfermeiras que iria tomar
parte no plantão daquele dia e estava ali para receber suas tarefas. – Estou bem para trabalhar, ontem tive outra
consulta com meu obstetra – Celeste explicou. Meg verificou o atestado e, mesmo depois de ler que estava tudo bem e
que Celeste podia trabalhar, não tinha muita certeza. – Você estava exausta quando a mandei para casa na semana
passada, Celeste. Fiquei muito preocupada com você. – Estou bem agora, depois da licen