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Ben, um médico, não se preocupava com nada até que um incômodo começou a afetá-lo no Hospital Bay View, onde lidava com situações de emergência. Após um dia cansativo, ele se encontra com sua colega Celeste, e juntos vão à praia para um jantar improvisado, onde Ben começa a sentir um novo tipo de preocupação por ela. A interação entre eles sugere um desenvolvimento emocional que Ben não esperava, trazendo uma nova perspectiva à sua vida.

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Ben, um médico, não se preocupava com nada até que um incômodo começou a afetá-lo no Hospital Bay View, onde lidava com situações de emergência. Após um dia cansativo, ele se encontra com sua colega Celeste, e juntos vão à praia para um jantar improvisado, onde Ben começa a sentir um novo tipo de preocupação por ela. A interação entre eles sugere um desenvolvimento emocional que Ben não esperava, trazendo uma nova perspectiva à sua vida.

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BEN NÃO se preocupava.

Ele ficava apreensivo por seus pacientes de vez em quando, mas preocupação não era com
ele. O pior dia da vida dele acontecera havia muito tempo, e ele sabia que as coisas jamais poderiam ficar tão ruins
novamente; consequentemente, ele apenas seguia em frente. Não se afligia, nem ficava se remoendo ou se
preocupava. Ele não se preocupava fazia anos. Mas agora havia alguma coisa lhe incomodando, e, ainda que tentasse
ignorar o fato, o incômodo persistia. Era apenas o segundo dia dele no Hospital Bay View, e haviam aberto a porteira.
Uma pessoa afogada havia sido trazida às pressas, assim como as vítimas de um engavetamento na estrada à beira-mar.
Estava fazendo mais de 40 graus, e as pessoas estavam desmaiando por toda a parte. Era mais um daqueles dias em que
todos se esforçavam para dar conta do trabalho, e trabalhavam até o limite e além. Inclusive Celeste. Ele podia ver os
tornozelos dela inchando à medida que o plantão prosseguia, a observava expirando pesadamente pela boca e suas
faces vermelhas, enquanto ela esvaziava mais um carrinho e o preparava para a interminável lista de recipientes; podia
ver o esforço nos movimentos dela, e, então, finalmente, a expressão de puro alívio em seu rosto às 3:30 da tarde,
quando o plantão dela acabou. Enquanto a observava caminhar trêmula, gostando ou não, Ben estava preocupado. – O
que você vai fazer esta noite? – Belinda estava digitando rapidamente em seu computador. No final da casa dos 30, e
absolutamente estonteante, ela era também inteligente. Com cabelos negros compridos, tinha olhos castanhos
amendoados, lábios vermelhos e grossos, e se vestia como se tivesse acabado de sair de uma capa de revista.
Felizmente, felizmente mesmo, Ben não se sentia nem um pouco atraído por ela, o que significava que não havia
problemas em dividir uma sala minúscula e que eles podiam conversar com facilidade sobre as coisas, o que faziam
naquele momento, enquanto Ben encerrava seu expediente e arrumava sua maleta. Era apenas o segundo dia de
trabalho dele, e a papelada já estava se acumulando. – Eu vou dar uma parada no escritório do corretor de imóveis, e
então vou até a delicatessen para comprar uma salada de galinha em vez de um hambúrguer – Ben pensou por um
momento –, e depois eu vou me obrigar a ir correr esta noite. E você? – Eu vou te mostrar… – Ela sorriu maliciosamente.
– Venha cá. Curioso, Ben foi até a mesa dela e olhou para a tela do computador, deparando-se com a imagem de um
homem de aparência bem comum. – Clínico geral, perto dos 40, tem filhos, mas não quer envolvê-los ainda... – Como? –
Ben não fazia ideia do que ela estava falando. – Isso é bom – disse Belinda. – O último cara com quem eu saí levou os
filhos no segundo encontro! Nós conversamos pelo telefone – Belinda explicou para um divertido Ben –, e ele parece
ótimo; nós vamos sair para tomar um café esta noite. – Você tem um encontro com ele? – Café. – Belinda riu. – Você
deveria tentar, faria o maior sucesso! Ben sacudiu a cabeça. – Namoro via internet não é para mim. – Não descarte a
possibilidade antes de tentar. – Tome cuidado. – Ben franziu as sobrancelhas. – Você não deveria levar alguém quando
for encontrá-lo? Ele pode ser qualquer tipo de pessoa! – Ele é exatamente quem diz ser. – Belinda deu uma piscadinha.
– Eu verifiquei a ficha dele. – Bem, boa sorte. O corretor de imóveis estava sendo gentil com Ben novamente; ele havia
ficado um tanto chateado no começo quando Ben não comprara o apartamento, mas obviamente havia superado aquilo
e era o melhor amigo de Ben de novo, agora que tinha um genuíno cliente em potencial para a casa. – Eu posso dar uma
olhada? – Ben perguntou. – Não até abrirmos para visitação no final de semana – disse o corretor. – Depois disso, eu
posso marcar uma visita particular para você. – Na verdade, eu estou trabalhando neste final de semana – disse Ben –,
então não se preocupe. – Mas você vai vir dar uma olhada? – o corretor perguntou, ansioso. – Como eu disse... – Ben
deu de ombros. – Eu estou trabalhando, mas isso não é um problema, realmente. Na verdade, eu vou visitar outra casa
esta noite. Aquilo certamente fez com que o corretor pegasse o telefone. Uma visita particular foi marcada em menos
de uma hora, e Ben andou à vontade pela casa que estava pensando seriamente em chamar de lar. Seria preciso muito
trabalho; a cozinha estava um desastre, e o banheiro do andar de baixo teria que ser totalmente refeito, mas o quarto
principal já havia sido reformado, com janelas que iam do chão ao teto com uma vista espetacular da baía, e um
banheiro fantástico. Sim, a casa era grande demais para uma pessoa, mas ela simplesmente parecia ser a escolha certa.
Ele poderia reformá-la, pensou Ben, fazer tudo bem devagar, reconstruir a cozinha, organizar o quintal... De pé no
quarto principal, olhando pela janela para a baía, Ben sentiu o primeiro sopro de contentamento em anos, a primeira,
primeiríssima sensação de como estar em casa deve ser, finalmente. Apesar de sua indiferença com o corretor, apesar
de ter sacudido a cabeça ao descobrir o preço da casa e que o proprietário queria um acordo rápido, ele estava apenas
jogando o jogo necessário. Ben mal podia esperar pelo leilão. Uma onda de calor atingiu Ben quando ele abriu a porta
de seu apartamento. Ele abriu as janelas, ligou um ventilador e colocou seu jantar na geladeira; então, tirou a roupa e
rezou para que o chuveiro estivesse frio naquela noite, o que felizmente aconteceu. Depois de tomar banho, vestiu
shorts e foi para a cozinha. De repente, sem aviso, ouviu-se um ruído longo, como um rosnado, e tudo parou. Aquilo
estava acontecendo em todo lugar em Melbourne: quedas de energia todas as noites, por causa dos sortudos que
tinham ar-condicionado e, egoisticamente, ligavam os aparelhos no máximo. Ben tinha apenas um ventilador, que
agora, obviamente, não estava funcionando. Ele foi até o lado de fora para checar os fusíveis, só para garantir que o
problema não era só dele, e olhando para a fileira de unidades da rua, viu Celeste fazendo a mesma coisa. Ela vestia um
par de shorts lilás desta vez, e uma blusa preta sem mangas. O cabelo dela estava molhado, e ela parecia bastante
irritada. – De novo! – Ela revirou os olhos, acenou de leve para ele, e voltou para o que certamente se tornaria uma
fornalha em breve; ao contrário do apartamento dele, o de Celeste tinha a vantagem questionável de receber todo o sol
da tarde. E foi então que aquele incômodo o atingiu de novo: uma sensação estranha, há muito tempo esquecida, que
lhe deu um frio no estômago enquanto abria a geladeira às escuras e retirava as embalagens plásticas que trouxera da
delicatessen; um estranho sentimento de preocupação por uma pessoa. Ben não queria vizinhos que aparecessem à sua
porta sem aviso e, certamente, jamais imaginara que seria um vizinho que fizesse uma coisa dessas, mas lá estava ele,
na soleira da porta dela. Ela atendeu segurando uma tigela de cereal e estava claramente aborrecida com a invasão, mas
tentava ser educada. – A eletricidade deve voltar em algumas horas; isto anda acontecendo bastante ultimamente –
disse Celeste, fechando a porta. Ela não estava realmente irritada com ele, e não queria parecer rude; estava
simplesmente tentando ignorar o fato de que ele vestia apenas um par de shorts. O que era normal, obviamente, no
meio de uma onda de calor. Se ele tivesse chegado dois minutos mais tarde, ela mesma teria que se vestir novamente
antes de atender a porta! A visão do corpo dele exposto a fez corar mesmo assim, e ela não queria que ele percebesse.
– Você já jantou? – ele perguntou para a porta que se fechava, e ela fez uma pausa, olhando de forma culpada para a
tigela de cereal, que provavelmente não era a melhor opção de jantar para uma mulher nos últimos meses de gravidez,
e imediamente se colocou na defensiva. – Não dá para cozinhar sem eletricidade. – Não precisa, eu tenho bastante. –
Ele mostrou os pratos, para tentá-la. – Vamos comer na praia, é bem mais fresco lá. E era. Havia uma brisa deliciosa
vinda do sul, e enquanto Celeste caminhava na areia à beira-mar, Ben podia praticamente ouvir o chiado quando os
tornozelos vermelhos e inchados dela tocavam a água. – Eu devia ter vindo para cá mais cedo. – Celeste deu um suspiro
de alívio. – Eu sempre tenho vontade de vir, e fico tão feliz quando chego aqui... – Eu também. – Ben sorriu, e era tão
bom, depois de um dia tão agitado, simplesmente caminhar e não ter que dizer muita coisa, apenas observar os
cachorros, os barcos, os casais... simplesmente ser. E depois sentar. Galinha ao molho de estragão e maionese, com
salada grega, era certamente muito melhor que cereal, e acompanhada de uma salada de frutas frescas, era
praticamente a refeição mais saudável de toda a gravidez dela. O bebê deu um chute satisfeito quando ela se recostou
novamente.

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