Exames Complementares
→ Os exames complementares podem ser Exames Laboratoriais
definidos como todos os recursos Microbiológico:
acrescidos à avaliação clínica com o → Coloração de Gram.
objetivo de estabelecer um diagnóstico 1. Fazer a preparação
preciso. Exemplos: hemograma, modelos 2. Imundar com violeta-de-cristal
de gesso, radiografias, exames 3. As células absorvem a solução
anatomopatológicos, etc. 4. Imundar com solução de Lugol
● Exame de imagem: 5. As células ficam azul-escuras
- Radiografia; 6. Usar agente descorante
- Tomografia; 7. Células gram-positivas estão azul
- Ressonância magnética. escuras; células gram-negativas
● Exames laboratoriais: estão sem cor
- Microbiológico; 8. Usar agente contrastante
- Citológico; 9. Células gram positivas estão
- Anatomopatológico. azul-escuras; células
→ Após a anamnese e o exame físico, os gram-negativas estão vermelhas.
exames complementares podem ser Forma de Coleta:
requeridos para ajudar a construir ou Punção/Aspiração
confirmar o diagnóstico e prognóstico ou,
às vezes, simplesmente para excluir
algum diagnóstico e tranquilizar o
paciente (e acompanhantes, família ou
profissional).
→ A punção permite o diagnóstico de
→ Exames inadequados poderiam levar a:
conteúdos líquidos presentes nas lesões.
● falso diagnóstico;
→ Como vantagens tem o menor trauma
● diagnóstico errado;
desencadeado, sendo bastante usado em
● queixa de uma prática mal
lesões vasculares ou naquelas situadas
conduzida;
em regiões profundas e de difícil acesso.
● ação legal.
→ Quanto ao material puncionado:
sangue, saliva, líquido cístico (citrino),
ceratina (semi sólido), etc.
→ Pulsionar com a seringa e aspirar o Exame de Urina:
conteúdo (líquido, pastoso) de dentro de → Podem revelar:
uma lesão. ● Glicosúria, que pode sugerir
→ Será utilizada nos cistos, tumores diabetes mellitus;
ontogênicos que estão dentro da ● Cetonúria, que pode ser um sinal
maxila/mandíbula; para esvaziar um de cetoacidose diabética ou
pouco a lesão, assim ela fica menor e inanição.
consequentemente conseguir operar com ● Bilirrubina ou urobilinogênio, que
mais facilidade (marsupialização). podem indicar desordens
→ Tem a vantagem de ser o menor hepatobiliárias.
trauma, mas em termos de diagnóstico ● Proteinúria, que pode ser devido à
não é tão utilizado quanto para efeito de menstruação ou indicar doença
tratamento (utilizada como aliada a renal, do trato urinário ou
marsupialização ou quando não se pode cardíaca.
realizar uma biópsia). ● hematúria, que pode ser devido à
menstruação ou indicar doença
Normativa 465 da ANS
renal ou do trato urinário
As solicitações de exames laboratoriais
Citológico:
complementares como por exemplo os
→ Citologia esfoliativa.
de sangue e de urina, os radiográficos, e
→ É a coleta e o exame de um esfregaço
tomográficos, os de ressonância
magnética e as internações solicitadas de células obtidas pela raspagem na
por cirurgiões-dentistas não poderão superfície de uma lesão transferida para
mais ser recusadas pelos planos de uma lâmina histológica.
saúde. → Possibilita analisar e avaliar as
→ Exame microbiológico em caso de características das células de forma a
infecções persistentes, por exemplo. classificar uma lesão conforme padrões
Punção Venosa/Exame de Sangue: já estabelecidos.
→ Permite que o profissional evite - O tecido não é visto na imagem
situações de infecções secundárias, má microscópica, devido que apenas
cicatrização, processos hemorrágicos, as células foram coletadas.
entre outras complicações no tratamento → Diagnóstico de mucosa bucal não é
odontológico. possível ser feito com esse procedimento.
- Devido que o tecido da boca é 3. Fixe o esfregaço imediatamente
grosso, por conta do revestimento em álcool metilado industrial. Não
de queratina (acaba destacando permita secar no ar, visto que
apenas células mais superficiais); detalhes celulares podem ser
→ As doenças de boca que são possíveis rapidamente perdidos e gerar
de fazer citologia são as que estão mais artefatos.
abertas, com feridas (o que dá mais 4. Após 20 minutos de fixação, o
facilidade de ter acesso ao interior do esfregaço pode ser deixado para
tecido). secar ao ar ou em um fixador.
→ Indicação: É utilizada em lesões de
superfície.
→ Importante: deve ser passado várias
vezes o instrumento na mucosa e depois
quando transferir passar uma única vez
na lâmina.
→ Morfologia de microrganismos: às
vezes se tem uma estomatite (inflamação
na mucosa bucal). Então se for realizado
um esfregaço é possível ver as células do
vírus. Em caso de esfregaço, estes deverão ser
- A Estomatite pode ser causada por armazenados em solução alcoólica
vários motivos: pelo vírus herpes; 100%.
por afta; medicamentosa; entre - o fraco com a solução de álcool e o
outras. formol é fornecido gratuitamente
pelos laboratórios.
Procedimento:
1. Faça o esfregaço com uma Indicações:
espátula de madeira ou metal, ou → Nas lesões com localização em
com um instrumento plástico superfície que apresentem aspectos
odontológico. clínicos e que são comuns a várias
2. Espalhe o esfregaço entidades patológicas.
uniformemente no centro de duas → Nas lesões extensas ou múltiplas,
lâminas de vidro previamente visando orientar o melhor local para
etiquetadas. biópsia.
→ Nas lesões em pacientes que tratamento e o que as difere é a intenção.
apresentem inoportunidade cirúrgica A intenção da biópsia é estabelecer um
momentânea para a realização de uma diagnóstico.
biópsia e naqueles que se recusam a Biópsia
executá-la. → Remoção de fragmento de tecido de
→ Para se determinar a morfologia de um paciente para processamento
microrganismos presentes na lesão histotécnico e análise microscópica.
→ No seguimento pós operatório de → Procedimento clínico-cirúrgico
operados ou irradiados, com pacientes realizado para fins de diagnóstico.
controlar o resultado terapêutico. → O material biopsiado deverá ser
→ Por ser um procedimento de baixo armazenado em formol a 10% (não há
custo e isento de seqüelas. prazo de validade).
→ Relatividade dos resultados. - Retira o material e já deve ser
Anatomopatológico colocado no formal
(histopatológico): imediatamente. Planejar a cirurgia
→ A partir de uma peça cirúrgica. antes, com patologistas.
→ Exame da anatomia patológica de
material removido de um paciente
através de biópsia ou uma peça cirúrgica.
→ É um exame complementar realizado
em laboratório através da análise → Ao fazer a remoção é feito a imagem
microscópica e macroscópica de do elemento ao lado de algum item para
fragmentos de tecido, o qual é submetido ter noção do tamanho.
a um procedimento cirúrgico, seja → Anatomia patológica: retirada de um
ambulatorial ou não. pedaço de tecido que será mandado para
→ O procedimento clínico realizado no a análise (tem que ser fixado em formol
paciente é a biópsia, o procedimento de 10%).
análise laboratorial desse tecido é o → A hipótese diagnóstica: noção do que é,
exame anatomopatológico. é o que manda na biópsia!
→ A origem de um material para exame - Placa branca: ver quais as doenças
anatomopatológico pode ser proveniente que têm essa característica.
de uma biópsia ou de uma cirurgia de - Quando o diagnóstico clínico não é
o suficiente é formulada hipótese
diagnóstica (que pode ser mais de ↳ Um dos aspectos a ser considerado na
uma) e para saber qual das opção de biópsia é a hipótese diagnóstica.
hipóteses o paciente de fato tem se ● Excisional:
aciona os exames ↳ Quando se remove a lesão por completo
complementares. (a opção mais utilizada).
→ Critério para tipo de biópsia: tamanho; ↳ Para facilitar a leitura histopatológica,
condição sistêmica do paciente; em especial quanto às características
localização; base de inserção da lesão: celulares na área de transição normal e
(séssil ou pediculada). não normal, deve ser incluída parte de
→ Se tiver uma lesão óssea a radiografia ambos os tecidos onde ela se situa.
é indispensável, ou seja, obrigatoriamente ↳ A quantidade de tecido removida deve
deve ser anexada (junto com a peça) a ser suficiente para permitir os
imagem radiográfica ou tomográfica procedimentos de rotina laboratoriais e a
juntamente com o laudo leituras dos achados morfológicos
anatomopatológico. através da análise histopatológica.
Tipos de Biópsia: ↳ A opção de realizar biópsia excisional
● Incisional: dependerá de vários fatores, sendo o
↳ Quando se pega apenas um pedaço da principal a hipótese diagnóstica.
lesão. ● Por congelamento:
↳ Está especialmente indicada para ↳ Nada mais é do que retirar um pedaço
entidades patológicas muito amplas, da lesão, durante o procedimento
múltiplas, de difícil acesso. cirúrgico. (É incisional, porém durante a
↳ A indicação inclui ainda os locais cirurgia)
(tecidos) que venham a ter complicações ↳ É realizada durante a intervenção
trans ou pós operatórias importante. cirúrgica, com a presença do patologista
↳ O material colhido deve incluir uma no centro cirúrgico.
porção representativa da lesão e pelo ↳ Em poucos minutos emite-se um
menos fragmento de tecido normal parecer diagnóstico ao cirurgião que, a
justaposto. partir deste, adotará a conduta a ser
↳ A opção de realizar biópsia incisional, seguida.
assim como na biópsia excisional, ↳ É um exame que possui limitações pelos
dependerá de vários fatores artefatos causados pelo processo de
congelamento e pela própria análise Etapas do Procedimento
imediata, devendo ser, portanto, bem Histopatológico/ Processamento
indicada.
Histotécnico:
↳ Após a liberação do resultado a amostra → Cada peça de cada paciente vai dentro
é submetida ao processamento de uma cápsula junto com um número
histopatológico normal, com posterior que corresponde aquele paciente, que
liberação de resultado complementar. será mergulhada nas soluções (xenol,
→ O que é importante para o cirurgião parafina líquida, entre outros). A lâmina é
dentista: quanto mais informações forem mergulhada e um fragmento cola nela e
dadas mais o laboratório sabe o que fazer daí vai para a coloração. Fatia de parafina
com o material (fazendo com que a com o material que deve ser analisado.
análise seja mais rápida). 1. Coleta
↳ É a primeira etapa e consiste na retirada
Exame Anatomopatológico
→ Etapas: de tecido para investigação.
● Macroscopia: é a primeira etapa 2. Fixação
do exame anatomopatológico; é ↳ Ao remover qualquer material (órgão ou
quando a peça é vista a olho nú tecido) de um organismo se inicia um
proveniente de uma cirurgia ou de processo de autólise (autodigestão).
biópsia. Portanto, a fixação evita a autólise celular
- Todas entram no processo de e impede a proliferação de
formação da lâmina. microrganismos, preservando a
- Quando olha, mede e pesa a lesão. morfologia do tecido e fornecendo maior
(para encaminhar: nome do resistência para as etapas seguintes.
paciente, idade, sexo, tipo de ↳ Dessa forma, a fixação utiliza processos
tecido: mucosa jugal, fragmento físicos ou químicos para imobilizar as
de mucosa bucal...) substâncias constituintes das células e
● Processamento histotécnico; dos tecidos. Os agentes fixadores mais
● Microscopia: visível no utilizados são o formol tamponado e o
microscópio. líquido de Bouin.
→ Resultado: 3. Desidratação
● Laudo anatomopatológico: ↳ Consiste na remoção da água dos
resultado tecidos. Vários métodos são utilizados,
porém o mais comum compreende uma
série de soluções alcoólicas em ↳ Os cassetes histológicos são utilizados
concentrações diferentes, chegando até o durante todos os processos, até mesmo
álcool 100%. na inclusão. Eles permitem escrever o
4. Clarificação ou Diafanizarão número de registro do material,
↳ Essa etapa remove totalmente o álcool, identificando o espécime. Também são
preparando o espécime para a etapa importantes para a microtomia, pois
seguinte. Para remover o álcool e podem ser adaptados ao micrótomo.
preparar o tecido para a penetração da 6. Microtomia
parafina, utiliza-se o xilol. ↳ Depois de endurecido, o bloco de
↳ Conforme o xilol penetra o tecido, em parafina deve ser cortado em seções
substituição ao álcool, o material se torna extremamente finas, que permitam a
mais claro, transparente. Por essa razão, visualização do tecido ao microscópio.
é denominada de clarificação. Para isso, é utilizado o equipamento de
5. Inclusão precisão micrótomo, que alcança a
↳ Mesmo após a fixação e a desidratação, espessura dos cortes de 5 a 15 μm
as amostras de tecido são ainda muito (micrômetros).
frágeis. Acontece então a impregnação do ↳ 1 micrômetro (μm) é igual a 1/1.000 de
tecido com uma substância de 1 milímetro (mm). Assim, os cortes dos
consistência firme. Assim o tecido é tecidos, extremamente finos e
endurecido, o que facilita o corte em transparentes, são montados em lâminas
camadas finas. de vidro.
↳ A parafina é a mais utilizada neste 7. Coloração
procedimento. Além do fácil manuseio e ↳ Como as secções de parafina são
bons resultados, endurece em poucos incolores, os espécimes não estão ainda
minutos e preenche os lugares adequados para exame com microscópio
anteriormente ocupados pela água. de luz. São então corados para
Forma-se um bloco de parafina, que possibilitar a análise.
contém o espécime em seu interior. ↳ A parafina deve ser dissolvida e
removida. Em seguida os tecidos na
lâmina são reidratados por meio de uma
série de soluções de álcool em
concentrações decrescentes.
↳ Os cortes de tecido podem então ser ↳ Diversas aplicações como diagnóstico
corados com hematoxilina. Por sua de doenças inflamatórias, infecciosas e
natureza básica, a hematoxilina vai corar neoplasias.
os ácidos nucleicos dos núcleos. ↳ Especificidades das lesões
↳ Em seguida, os cortes são lavados em e odontogênicas.
corados pela eosina, um corante de ↳ É específica da patologia para avaliar a
natureza ácida e que irá corar os presença de malignidade, ela consegue
componentes básicos predominantes no identificar o DNA do tumor. Então se a
citoplasma das células. Finalmente após a célula estiver totalmente anaplásica a
coloração, os cortes são protegidos Imunohistoquímica consegue identificar.
por uma lamínula e podem ser analisados Laudo Anatomopatológico
por microscopia. → Todo laudo tem uma observação.
→ Laudo é constituído por:
→ Após a fabricação da lâmina é feita a
● Nome e idade do paciente.
análise microscópica a partir da
● Nome do profissional que
morfologia anatomia/patológica é que
encaminhou.
será deliberado o laudo.
● Descrição macroscópica.
Coloração
● Descrição microscópica.
→ Rotina:
→ Resultado: laudo anatomopatológico
● Hematoxilina
com diagnóstico definitivo em geral
● Eosina
pronto a partir de 24 a 48 horas. O prazo
→ Especiais:
de 24 a 48h poderá aumentar
● PAS:
dependendo da necessidade de
↳ Estruturas ricas em açúcares assumem
procedimentos especiais.
uma coloração magenta
→ O resultado do exame ou prescrição
(violeta/avermelhada) após serem
não podem ser dadas por telefone.
submetidas ao PAS.
● Grocott: Leitura e interpretação:
● Compatível com C/C:
↳ Utilizado para a visualização de fungos.
↳ C/C: compatível com (75% de certeza);
● Perls
se não for colocada nenhuma letra é que
● Imunohistoquímica:
se tem 100% de certeza;
↳ Método de análise molecular através de
marcadores.
↳ Descrição macroscópica: condizente
com a história clínica.
↳ Descrição microscópica: destacar a
característica marcante com neoplasia,
processo inflamatório, aspectos que
indicarão o fator etiológico, a natureza da
lesão.
↳ Diagnóstico: nome da lesão.
● Sugestivo de:
↳ Teoricamente é 50% de certeza.
Peculiaridades da Patologia Bucal:
● Odontogênese e epitélio
odontogênico
● Associações com aspectos
radiográficos
● Procedimentos odontológicos
● Prognóstico
● Proservação