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Sentenca

Magali Kuri Nardini ajuizou uma Ação de Nunciação de Obra Nova contra José Dalmiro e Silva Luiz, alegando irregularidades na construção do réu ao lado de seu imóvel. A perícia confirmou diversas irregularidades na obra, levando à decisão de que o réu deve corrigir as falhas, enquanto o pedido de indenização por perdas e danos foi negado. O réu foi condenado a pagar custas processuais e honorários advocatícios.

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Magali Kuri Nardini ajuizou uma Ação de Nunciação de Obra Nova contra José Dalmiro e Silva Luiz, alegando irregularidades na construção do réu ao lado de seu imóvel. A perícia confirmou diversas irregularidades na obra, levando à decisão de que o réu deve corrigir as falhas, enquanto o pedido de indenização por perdas e danos foi negado. O réu foi condenado a pagar custas processuais e honorários advocatícios.

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COMARCA DE RODEIO BONITO

VARA JUDICIAL
Rua General Osório, 366
_________________________________________________________________________

Processo nº: 158/1.12.0001329-5 (CNJ:.0002896-51.2012.8.21.0158)


Natureza: Nunciação de Obra Nova
Autor: Magali Kuri Nardini
Réu: José Dalmiro e Silva Luiz
Juiz Prolator: Juíza de Direito - Dra. Marilene Parizotto Campagna
Data: 30/05/2018

Vistos.

MAGALI KURI NARDINI ajuizou a presente AÇÃO DE


NUNCIAÇÃO DE OBRA NOVA contra JOSÉ DALMIRO E SILVA LUIZ.
Sustentou, em suma, ser proprietária de um imóvel urbano nº 12-A, da
quadra “l”, com área de 125m², com uma construção de 60m², conforme
matrícula 8116, ficha 01, Livro 2, registro geral, do CRI de Seberi, RS,
situado na Avenida do Comércio, 822, no centro da cidade de Rodeio
Bonito. Arguiu que o demandado é seu vizinho e iniciou uma construção
com área de 663,22m², com três pisos, ao lado do imóvel da requerente.
Arguiu que a construção apresenta diversas irregularidades, razão pela
qual pugnou pelo embargo da obra. Requereu ainda a condenação do
demandado ao pagamento de perdas e danos. Juntou documentos (fls.
02/21).

A inicial foi recebida e indeferido o pedido liminar (fl. 22).

Citado, o demandado apresentou contestação. Arguiu que as


normas técnicas e legais foram devidamente observadas. Pugnou pela
improcedência dos pedidos vertidos na inicial (fls. 26/32).

Houve réplica (fls. 34/45).

Foi determinada a realização de prova pericial (fl. 72),

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sobreveio laudo técnico (fls. 99/116) e posteriormente, laudo
complementar (fls. 125/126).
Durante a instrução foram inquiridas 05 (cinco) testemunhas
(fls. 71 e 141).

As partes não apresentaram memoriais.

Relatado. Passo a fundamentar e decidir.

2. Fundamentação

Sustenta a autora que a construção pertencente ao


demandado está na divisa do imóvel de sua propriedade, com aberturas
de janelas nos três andares, e ao longo da construção, sem observação
das normas técnicas e legais. Por sua vez, o requerido arguiu inexistir
qualquer irregularidade na obra.

A fim de dirimir a questão, foi determinada a realização de


prova pericial, oportunidade em que o expert assim concluiu:

(…) 7. CONSIDERAÇÕES TÉCNICAS E CONCLUSÕES


O imóvel de propriedade do Réu apresenta indícios da existência
de, pelo menos três tipos de irregularidades:
- De Projeto(o profissional responsável pelo Projeto Arquitetônico):
iluminação e ventilação de sanitários (exaustores (DOC 15) e
aberturas menores de 0,2 m (fls. 13)), varanda com abertura
lateral, sanitários sem janelas, dimensões das reentrâncias,
aberturas laterias nas reentrâncias, dimensões das áreas de
ventilação e iluminação, fechamento de espaços livres, despejos
de águas pluviais na construção vizinha, ausência de portas e ralos
nas áreas de ventilação e iluminação, todo o tipo de aberturas na
divisa (janelas e exaustores), janelas a menos de 1,5 m da divisa;
- De Avaliação do Projeto (o profissional que realizou a análise e

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aprovação do projeto arquitetônico): todo o tipo de aberturas na
divisa (janelas e exaustores) janelas a menos de 1,5 m da divisa,
varanda com abertura lateral, dimensões das reentrâncias,
ausência de portas e ralos nas áreas de ventilação e iluminação,
dimensões das áreas de ventilação e iluminação, iluminação e
ventilação de sanitários (exaustores (DOC 15) e aberturas menores
de 0,2 m (fls. 13)), sanitários sem janelas, aberturas laterais nas
reentrâncias, despejos de águas pluviais na construção vizinha,
ausência de portas e ralos nas áreas de ventilação e iluminação;
- De execução (o profissional responsável pela execução da obra e
os profissionais responsáveis pela fiscalização da obra e seu
habite-se): despejos de águas pluviais na construção vizinha, todo
o tipo de aberturas na divisa (janelas e exaustores), janelas a
menos de 1,5 m da divisa, varanda com abertura lateral e
ausência de portas e ralos nas áreas de ventilação e iluminação,
dimensões das reentrâncias, aberturas laterias nas reentrâncias,
iluminação e ventilação de sanitários, sanitários sem janelas, inciar
a obra sem aprovação do projeto, não notificação do infrator com
auto de infração, não aplicação das penalidades previstas na
legislação, não adoção do Código de Obras para intimação e
aprovação do projeto (…).

Também foram inquiridas 05 (cinco) testemunhas em juízo:

Arizoli Schobert Nunes, em juízo, relatou ser fiscal do


município. Narrou que havia algumas alterações a serem feitas e estas
foram realizadas na obra. Asseverou que a obra está regular.

Vilmar Luiz Vivan, ao ser ouvido em juízo, informou saber


apenas da parte burocrática da obra. Disse que a obra obedeceu todos os
trâmites legais e o projeto foi aprovado. Relatou ainda, que pela lei, o
imóvel não poderia estar em uso, pois falta o habite-se.

Já a testemunha Juliano Acadroli, em juízo, afirmou que as

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janelas que estão de frente para o terreno vizinho tem 1,5 m. Narrou que
existiram algumas irregularidades na execução da obra, porém estas
foram sanadas.
Por sua vez, Cesar Tomazoni, narrou ter trabalhado na
obra. Disse inexistirem irregularidades. Asseverou que tiveram que fazer
algumas alterações na obra.

Por fim, Elio Antonio Tres, relatou que a obra foi construída
de acordo com o projeto. Asseverou que ocorreram algumas reclamações
e foram feitas algumas alterações. Por fim, arguiu inexistirem
irregularidades no imóvel.

Diante do contexto probatório produzido em juízo, inobstante


a alegação das testemunhas, infere-se que existe razão à parte autora,
pois de fato a obra foi realizada em desacordo com as normas técnicas e
legais.

Ao realizar perícia no local, o expert apontou diversas


irregularidades na construção do imóvel, conforme laudo pericial de fls.
99/116.

Nesse contexto, embora o demandado sustente que a obra


realizou-se se acordo com as normas técnicas, inexistindo qualquer
irregularidade, a prova técnica demonstra o contrário, conforme já
exposto.

Sendo assim, é caso de procedência da demanda para que


sejam sanadas as irregularidades estruturais no imóvel.

Por fim, o pedido de condenação do requerido ao pagamento


de perdas e danos sofridos pela autora não merece procedência.

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A requerente não logrou êxito em comprovar o uso de seu
imóvel para depósito de material e andaimes. Quanto as irregularidades
no imóvel construído, nos termos da decisão supra, estas serão sanadas.
3. Dispositivo

Pelo exposto, julgo procedente a AÇÃO DE NUNCIAÇÃO DE


OBRA NOVA para determinar que o demandado proceda a correção das
irregularidades do imóvel, apontadas pelo perito, no item 7
(CONSIDERAÇÃO TÉCNICAS E CONCLUSÕES - fls. 99/116).

Ainda, julgo improcedente o pedido de condenação do


demandado ao pagamento de perdas e danos.

Condeno o demandado ao pagamento das custas


processuais e dos honorários advocatícios em favor do patrono da parte
contrária, que fixo em 954,00, com fundamento no artigo 85, do CPC.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Transitada em julgado, arquive-se.

Procedi o lançamento da sentença junto ao Sistema Themis.

Rodeio Bonito, 30 de maio de 2018.

Marilene Parizotto Campagna,


Juíza de Direito

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