TEXTO 5 — GRUPO DE FILOSOFIA
Sobre a Liberdade
Do livre-arbítrio à liberdade política
Estar condenado a escolher pode ser, ao mesmo tempo, a maior prova de
nossa liberdade e o maior peso que carregamos.
Somos realmente livres? O problema do livre-arbítrio
Um dos debates mais antigos da filosofia pergunta se nossas escolhas são realmente livres,
ou se são apenas o resultado inevitável de causas anteriores — genética, criação, contexto
social, estados cerebrais — sobre as quais não temos controle algum. Os deterministas
argumentam que a sensação de 'escolher livremente' é uma ilusão útil, mas uma ilusão. Os
libertaristas (no sentido metafísico, não político) defendem que existe um espaço genuíno
de escolha, não redutível a causas anteriores.
Entre os dois extremos, o compatibilismo tenta uma saída: mesmo que tudo tenha uma
causa, podemos chamar de 'livre' uma ação quando ela nasce dos nossos próprios desejos
e deliberações, e não de coerção externa. A pergunta que fica é se essa liberdade
'compatibilista' é liberdade de verdade, ou apenas um novo nome para a ausência de
obstáculos visíveis.
Sartre: condenados a ser livres
Para o existencialismo de Sartre, a questão se inverte: o ser humano não escolhe se é livre
ou não — ele está condenado à liberdade, porque não existe uma natureza humana fixa
que determine antecipadamente quem devemos ser. Somos, antes de tudo, aquilo que
fazemos de nós mesmos através de nossas escolhas, e nenhuma circunstância nos isenta
totalmente dessa responsabilidade.
Essa ideia tem um lado libertador e um lado angustiante. Libertador, porque nenhuma
identidade nos aprisiona definitivamente. Angustiante, porque também não há desculpa
última: nem a educação, nem a sociedade, nem o destino nos isentam de responder pelo
que fazemos com a liberdade que temos.
Isaiah Berlin: dois conceitos de liberdade
No plano político, Isaiah Berlin propôs uma distinção influente entre liberdade negativa e
liberdade positiva. A liberdade negativa é a ausência de interferência externa: sou livre na
medida em que ninguém me impede de agir. A liberdade positiva é a capacidade efetiva de
agir: sou livre na medida em que tenho os meios reais — educação, saúde, recursos —
para realizar minhas escolhas.
Um Estado pode garantir plenamente a liberdade negativa (não impedir ninguém de nada)
e, ainda assim, deixar grande parte da população sem condições reais de exercer essa
liberdade. Berlin alertava, porém, que perseguir a liberdade positiva de forma excessiva
também tem riscos: em nome de 'libertar' as pessoas para seu suposto bem maior, regimes
autoritários já justificaram amplas restrições à liberdade negativa.
Para o debate
1 Se toda escolha tem uma causa anterior, faz sentido ainda falar em liberdade — ou
deveríamos falar apenas em graus de complexidade das causas?
2 A ideia de Sartre de que 'estamos condenados a ser livres' liberta ou angustia mais?
3 Entre liberdade negativa e liberdade positiva, qual deveria ser prioridade para um Estado
— e em que medida uma pode ser perseguida sem sacrificar a outra?
4 Existe alguma escolha na vida de vocês que, olhando em retrospecto, parecia livre na
hora, mas hoje parece ter sido bastante determinada por circunstâncias?
Texto preparado para discussão em grupo — as posições aqui apresentadas são propositalmente abertas e
não pretendem esgotar o tema.