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Módulo 1

O documento aborda o direito de acesso à informação no Brasil, regulamentado pela Lei de Acesso à Informação (LAI), enfatizando sua importância para a democracia e a transparência na administração pública. Ele detalha a abrangência da LAI, incluindo quem está sujeito a ela e o que pode ser solicitado, além de descrever os mecanismos de transparência ativa e passiva. O texto também menciona a regulamentação da LAI no Poder Executivo federal, incluindo a função da Controladoria-Geral da União e da Comissão Mista de Reavaliação de Informações.

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Módulo 1

O documento aborda o direito de acesso à informação no Brasil, regulamentado pela Lei de Acesso à Informação (LAI), enfatizando sua importância para a democracia e a transparência na administração pública. Ele detalha a abrangência da LAI, incluindo quem está sujeito a ela e o que pode ser solicitado, além de descrever os mecanismos de transparência ativa e passiva. O texto também menciona a regulamentação da LAI no Poder Executivo federal, incluindo a função da Controladoria-Geral da União e da Comissão Mista de Reavaliação de Informações.

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Controladoria-Geral da União

Secretaria Nacional de Transparência e Acesso à Informação

ACESSO À
INFORMAÇÃO
MÓDULO 1

O direito de acesso à informação no


Brasil: contexto, conceitos, abrangência e
operacionalização

Brasília • 2026
Conteúdo
Secretaria Nacional de Transparência e Acesso à Informação
Controladoria-Geral da União

Enap, 2026.
Fundação Escola Nacional de Administração Pública
Diretoria de Desenvolvimento Profissional
SAIS – Área 2-A – 70610-900 – Brasília, DF
Sumário

1. Direito de Acesso à Informação 4

1.1. Introdução 4
1.2. Abrangência subjetiva: quem está sujeito à LAI? 5
1.3. Abrangência objetiva: o que pode ser solicitado? 6
1.4. Regulamentação da LAI no Poder Executivo federal 7

1.4.1. Autoridade de Monitoramento da LAI 7


1.4.2. Controladoria-Geral da União (CGU) 8
1.4.3. Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI) 8
1.4.4. Entidades privadas e conselhos profissionais 9

2. Transparência Ativa 9
3. Transparência Passiva 12

3.1. Serviço de Informações ao Cidadão 14


3.2. Prazos e procedimentos de transparência passiva 14

3.2.1. Informação inexistente 15


3.2.2. Canal ou procedimento específico 15
3.2.3. Consulta de informação e reprodução de documentos 16
3.2.4. Informação disponível em Transparência Ativa 17
3.3. Instâncias recursais no Poder Executivo federal 18

3.3.1. Prazos dos recursos 18


3.3.2. Tipos de decisão nas instâncias recursais 19
3.3.3. Inovação em fase recursal 20
3.3.4. Cumprimento da decisão 21
3.4. Reclamação por omissão 21

4. O que é (e o que não é) um pedido de acesso 23

4.1. Pedidos de acesso à informação 23


4.2. Manifestações de ouvidoria 23
4.3. Consultas diversas 26
4.4. Alteração de Tipo e Pedido de Revisão 27

5. Revisão do Módulo 1 28
MÓDULO 1
O direito de acesso à informação no Brasil: contexto, conceitos,
abrangência e operacionalização

Neste módulo também vamos


estudar a regulamentação da Lei
de Acesso à Informação (LAI) no âm-
bito do Poder Executivo federal, bem
como os procedimentos específicos e o sis-
tema recursal e de monitoramento e supervisão da aplica-
ção da LAI definidos nela.
Ao longo do curso, estudaremos os três principais eixos do
acesso à informação: a transparência ativa, que pressupõe
a divulgação proativa de informações de interesse coleti-
vo ou geral; a transparência passiva, que se dá por meio
do atendimento aos pedidos de acesso à informação; e
as diretrizes para a abertura de dados públicos, com foco
na Política de Dados Abertos do Poder Executivo federal.
Bons estudos!

1. Direito de Acesso à Informação

1.1. Introdução
O direito de acesso à informação é um pilar essencial da democracia e está pre-
visto na Constituição Federal de 1988 como desdobramento do princípio da pu-
blicidade e da liberdade de expressão. No Brasil, a Lei de Acesso à Informação
(LAI, Lei nº 12.527/2011) regulamenta esse direito, garantindo à sociedade o acesso
amplo, transparente e tempestivo a dados e documentos públicos. Ao possibili-
tar o conhecimento sobre a atuação do Estado e o uso dos recursos públicos, a
LAI fortalece o controle social e consolida a cidadania, promovendo uma cultura
de transparência como valor fundamental da Administração pública.
No ordenamento jurídico brasileiro, o direito de acesso à informação está previs-
to na Constituição como um direito fundamental, nos seguintes termos:
Art. 5º (...)
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações
de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que
serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade,
ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da
sociedade e do Estado;

Esse direito foi regulamentado pela primeira vez em 2005, por meio da Lei nº
11.111/2005, que tratava apenas da parte final do dispositivo constitucional e, as-
sim, apresentava o sigilo como regra.
A LAI revogou essa norma e revolucionou a lógica vigente na Admi-
nistração pública, ao estabelecer a publicidade como regra e o si-
gilo como exceção1. Sua promulgação alterou profundamente a
relação entre cidadãos e governo ao criar regras claras e forta-
lecer as garantias para o efetivo exercício do direito de acesso à
informação, da forma como previsto na Constituição. Entre as
principais inovações, destacam-se a obrigatoriedade de criação
do Serviço de Informação ao Cidadão (SIC) em todos os órgãos
e entidades públicas, unidade responsável por atender o cidadão
e prestar orientações sobre o direito de acesso à informação, além
de receber pedidos e assegurar que sejam devidamente respondidos,
dentro dos prazos legais.
A Lei de Acesso também definiu os prazos de atendimento dos pedidos de aces-
so à informação, estabeleceu os mecanismos de recurso e reclamação, permi-
tindo ao cidadão contestar negativas ou omissões na prestação de informações.
Além disso, instituiu regras para o monitoramento e para a supervisão da sua
aplicação no Poder Executivo federal e determinou que cada poder e esfera de
governo regulamentasse seus procedimentos específicos, bem como suas ins-
tâncias recursais e de controle2.

1.2. Abrangência subjetiva: quem está sujeito à LAI?


A Lei de Acesso à Informação (LAI) é uma norma de caráter nacional, cujas regras
gerais devem ser observadas por todos os entes da Federação – União, Estados,
Distrito Federal e Municípios – e por todos os Poderes da República: Executivo,
Legislativo e Judiciário, incluindo os Tribunais de Contas, o Ministério Público e
as Defensorias Públicas.
Estão sujeitos à LAI os órgãos e entidades da Administração direta e indireta,
incluindo autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de
economia mista, além de outras instituições controladas, direta ou indiretamen-
te, pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.
Entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos para a re-
alização de ações de interesse público também se submetem à LAI. Nesse caso,

1 Art. 3º, inciso I da LAI.


2 Art. 45 da LAI.
entretanto, o dever de publicidade restringe-se a informações relacionadas à
parcela dos recursos públicos recebidos e à sua destinação.
Por fim, é importante ressaltar que, embora as normas gerais da LAI devam ser
observadas por todos esses órgãos e entidades, cada ente federativo e cada Po-
der devem regulamentar a aplicação da Lei em seu âmbito3. Essa regulamen-
tação é necessária para definir aspectos específicos como, por exemplo, as ins-
tâncias recursais, as medidas de proteção a informações sigilosas e o órgão ou
autoridade responsável pela supervisão e pelo monitoramento da aplicação da
norma.

1.3. Abrangência objetiva: o que pode ser solicitado?


O direito de acesso regulamentado pela LAI é amplo e abrange não apenas as
informações produzidas pelos órgãos e entidades públicas, mas também as que
estejam sob sua custódia, entendidas como aquelas sob sua guarda para o exer-
cício de suas funções. Isso inclui documentos, dados e registros provenientes
de terceiros como, por exemplo, dados pessoais de beneficiários de programas
governamentais, prontuários médicos em hospitais públicos e informações re-
cebidas de organizações da sociedade civil, entre outros.
A LAI estabelece o princípio da “máxima divulgação”, que determina a transpa-
rência como regra e o sigilo como exceção. O Estado não é proprietário das infor-
mações que produz ou custodia – elas são bens públicos acessíveis a qualquer
pessoa. Nesse contexto, a lei define claramente as situações em que o acesso
deve ser restringido, como questões relacionadas à segurança da sociedade e
do Estado, a privacidade dos indivíduos e a outros bens jurídicos relevantes.
Em resumo, a abrangência objetiva da LAI compreende o direito de qualquer
pessoa obter acesso a dados ou informações produzidas, recebidas, armazena-
das ou controladas pelos órgãos e entidades públicas, independentemente do
suporte ou do formato em que estejam, sejam elas informações pessoais ou de
interesse coletivo ou geral, ressalvadas as exceções previstas na legislação, que
serão detalhadas nos módulos seguintes.

SAIBA MAIS
INFORMAÇÕES X DADOS – Informações são dados, processados
ou não, que estão registrados em qualquer meio, suporte ou
formato4, podendo ser utilizadas para produzir e transmitir
conhecimento. Dados, por sua vez, são sequência de símbolos
ou valores, representados em qualquer meio, produzidos
como resultado de um processo natural ou artificial5. Os
dados, por si sós, não conduzem uma compreensão de
determinado fato ou situação, já a informação é um dado
contextualizado, capaz de transmitir uma mensagem.

3 Artigos 18, 42 e 45 da LAI.


4 Art. 2º, I, do Decreto nº 7.724/2012.
5 Art. 2, I, do Decreto nº 8.777/2016.
O acesso à informação pode se dar de duas formas: pela publicação proativa de
informações de interesse coletivo ou geral, que ficou conhecida como “transpa-
rência ativa”; e pelo atendimento aos pedidos de acesso baseados na LAI, cha-
mada de “transparência passiva”.
Nesse contexto, deve-se compreender que a transparência passiva alcança to-
das as informações produzidas ou custodiadas pelos órgãos e entidades públi-
cas, uma vez que podem ser obtidas por meio de um pedido de acesso à infor-
mação, respeitando-se as exceções legais. A transparência ativa, por sua vez, diz
respeito a um subconjunto dessas informações, que são as de interesse coletivo
ou geral6.
Complementando o princípio da máxima divulgação, a Política de Dados Aber-
tos do Poder Executivo federal, instituída pelo Decreto nº 8.777/2016, define re-
gras para a abertura proativa das bases de dados governamentais, e prevê que
qualquer pessoa pode solicitar a abertura de uma base de dados, por meio de
um pedido de acesso à informação7. Veremos suas diretrizes específicas no Mó-
dulo 3.

1.4. Regulamentação da LAI no Poder Executivo federal


A Lei de Acesso à Informação (LAI) traz alguns dispositivos aplicáveis apenas
para o Poder Executivo federal como, por exemplo, a definição da Controlado-
ria-Geral da União (CGU) e da Comissão Mista de Reavaliação de Informações
(CMRI) como instâncias recursais8 e a obrigatoriedade de que o dirigente máxi-
mo de cada órgão ou entidade designe uma autoridade de monitoramento da
LAI que lhe seja diretamente subordinada9.
O Decreto nº 7.724/2012 regulamenta a LAI no âmbito federal, estabelecendo
regras específicas, como, por exemplo, o detalhamento das instâncias recursais
e das competências de monitoramento e de supervisão da aplicação da LAI.

1.4.1. Autoridade de Monitoramento da LAI


O dirigente máximo de cada órgão e de cada entidade do Poder Executivo fede-
ral deve designar uma pessoa que lhe seja diretamente subordinada para exer-
cer o papel de Autoridade de Monitoramento da LAI (AMLAI), a quem compete10:

6 Art. 8º da LAI.
7 Art. 6º do Decreto nº 8.777/2012,
8 Art. 16 da LAI.
9 Art. 40 da LAI.
10 Art. 40 da LAI e art. 67 do Decreto nº7.724/2012.
• Assegurar o cumprimento eficiente das normas de acesso à informação;
• Monitorar a implementação da LAI e apresentar relatório anual;
• Recomendar medidas para aprimorar normas e procedimentos necessários à
implementação da LAI e do Decreto nº 7.724/2012;
• Orientar as unidades sobre os procedimentos da LAI e do Decreto nº 7.724/2012;
e
• Manifestar-se sobre reclamações por omissão em pedidos de acesso.

1.4.2. Controladoria-Geral da União (CGU)


A CGU monitora e supervisiona a aplicação da LAI
pelos órgãos e entidades do Poder Executivo fede-
ral, e atua como 3ª instância recursal dos pedidos de
acesso à informação. Suas competências limitam-se
ao Poder Executivo federal e incluem11:
• Manter o [Link], sistema eletrônico obrigatório
para registro e atendimento de pedidos de acesso à informação12;
• Examinar a regularidade da aplicação da LAI e sugerir providências em casos
de descumprimento13;
• Supervisionar prazos, procedimentos e qualidade do serviço de acesso14.
• Estabelecer padrões de divulgação e procedimentos necessários à busca, à
estruturação e à prestação de informações15.
• Normatizar entendimentos e procedimentos complementares, por meio de
enunciados e instruções16.
• Monitorar a classificação de informações em grau de sigilo17.

1.4.3. Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI)

Instituída pela LAI18 e regulamentada pelo Decreto nº7.724/201219, a CMRI é um


colegiado composto por 10 órgãos do Poder Executivo federal, que se reúne
mensalmente de forma ordinária, podendo convocar reuniões extraordinárias.
Suas competências podem ser divididas em três blocos:

11 Art. 68 do Decreto nº 7.724/2012.


12 Art. 11-A do Decreto nº7.724/2012.
13 Art. 68, IV do Decreto nº7.724/2012.
14 Art. 68, VI, do Decreto nº7.724/2012.
15 Art. 69, I e II do decreto nº7.724/2012.
16 Art. 68, VII, do Decreto nº 7.724/2012.
17 Art. 27, §2º; art. 32, II; e §1º, I e II, do Decreto nº7.724/2012.
18 Art. 32, §1º da LAI.
19 Art. 46 a 54 do Decreto nº 7.724/2012.
1. Atuar como quarta e última instância recursal contra a negativa a pedidos de
acesso à informação;
2. Tratar informações classificadas (tópico a ser abordado no Módulo 3);
3. Estabelecer orientações normativas por súmulas vinculantes para suprir lacu-
nas na LAI e no Decreto nº 7.724/2012.

1.4.4. Entidades privadas e conselhos profissionais


O Decreto nº 7.724/2012 também estabelece regras de transparência ativa e de
transparência passiva para:
• Entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos federais para
ações de interesse público20;
• Entidades de direito privado sob a forma de serviço social autônomo com re-
cursos públicos via contrato de gestão; e
• Conselhos de fiscalização profissional21.

2. Transparência Ativa

A LAI estabelece que os órgãos e entida-


des públicas devem promover a di-
vulgação proativa de informações
por eles produzida ou custodia-
das que sejam de interesse co-
letivo ou geral22. Para cumprir
essa obrigação, os órgãos e en-
tidades devem disponibilizar
as informações na Internet23,
independentemente de reque-
rimento, sem a necessidade de
qualquer tipo de login ou cadastro.

20 Art. 63 e 64 do Decreto nº 7.724/2012.


21 Art. 64-A do Decreto nº 7.724/2012.
22 Art. 8º da LAI.
23 Art. 8º, §2º, da LAI.
Art. 8º É dever dos órgãos e entidades públicas promover,
independentemente de requerimentos, a divulgação em local de
fácil acesso, no âmbito de suas competências, de informações de
interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas.
(...)
§ 2º Para cumprimento do disposto no caput, os órgãos e entidades
públicas deverão utilizar todos os meios e instrumentos legítimos de
que dispuserem, sendo obrigatória a divulgação em sítios oficiais da
rede mundial de computadores (internet).

Embora a previsão legal seja abrangente, englobando qualquer informação de


interesse coletivo ou geral produzida ou custodiada, a LAI especifica um con-
junto mínimo de informações que obrigatoriamente devem ser publicadas nos
sites oficiais dos órgãos e entidades24. São elas:
• Estrutura organizacional, competências, legislação aplicável, principais car-
gos e seus ocupantes, endereço, telefones e horários de atendimento;
• Programas, projetos, ações, obras e atividades, com indicação das unidades
responsáveis, principais metas, resultados e indicadores de impacto, quando
disponíveis;
• Repasses ou transferências de recursos financeiros;
• Execução orçamentária e financeira detalhada;
• Licitações realizadas e em andamento, com editais, anexos, resultados, con-
tratos firmados e notas de empenho;
• Informações individualizadas sobre remunerações e subsídios de servidores,
incluindo benefícios, auxílios, jetons, proventos e pensões;
• Respostas a perguntas frequentes da sociedade;
• Contato da Autoridade de Monitoramento da LAI e do Serviço de Informações
ao Cidadão (SIC);
• Programas financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

É importante ressaltar que o rol de informações cuja publicação é obrigatória foi


ampliado por outras leis, como a de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar
nº 101/2020); a do Conflito de Interesses (Lei nº 12.813/2013); e a do Governo Digital
(Lei nº 14.129/2021), entre outras, que contêm obrigações de transparência ativa.
A divulgação das informações de interesse coletivo ou geral deve ser organizada
em seção específica25, intitulada “Acesso à Informação”.

24 Art. 8º, §1º, da LAI e art. 8º, §3º, do Decreto nº7.724/2012.


25 Art. 7º, §§1º e 3º do Decreto nº 7.724/2012.
IMPORTANTE
GUIA DE TRANSPARÊNCIA – Para auxiliar o Poder Executivo
federal no cumprimento das obrigações de transparência
ativa previstas na legislação, a CGU disponibiliza o Guia
de Transparência Ativa (GTA), que consolida os requisitos
legais e define padrões mínimos para a divulgação das
informações. O GTA pode ser acessado no site da LAI.

MONITORAMENTO – A CGU monitora e avalia continuamente


o cumprimento das obrigações legais de Transparência
Ativa e da padronização estabelecida no GTA. Os resultados
desse monitoramento são publicados no Painel LAI.

Não é necessário replicar, na seção “Acesso à Informação”, informações existen-


tes em outros locais do site oficial do órgão ou da entidade, ou em outros sites
oficiais como, por exemplo, o Portal da Transparência do Governo Federal. Nesse
caso, a legislação permite que se utilize ferramenta de redirecionamento (link)
para as informações que já estão publicadas26.
Entes subnacionais
Estados, Distrito Federal e municípios também devem cumprir as obrigações de
transparência ativa previstas na LAI, regulando internamente as formas de cum-
primento, considerando a legislação de transparência aplicável em seu âmbito.
Municípios com até 10 mil habitantes estão dispensados de publicar na Internet
informações gerais, devendo divulgar em tempo real dados sobre execução or-
çamentária e financeira, conforme previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal27.

Entidades privadas que recebem recursos da União


Entidades privadas sem fins lucrativos que recebem recursos públicos federais
devem publicar em seus sites e disponibilizar em suas sedes28:
• Cópia do estatuto social:
• Relação nominal dos dirigentes; e
• Cópias integrais dos convênios, contratos, termos de parceria e respectivos
aditivos, desde a celebração, devendo atualizá-los periodicamente e mantê-los
disponíveis até 180 dias após a prestação de contas.

A dispensa de divulgação na Internet só pode ocorrer mediante justificativa ex-


pressa da entidade e decisão do órgão ou entidade a que estiver vinculada.
Entidades do “Sistema S”
As entidades com personalidade jurídica de direito privado criadas como servi-
ços sociais autônomos (exemplos: SESI, SENAC, SESC) que recebem recursos fe-
derais via contratos de gestão também se submetem às regras de transparência
ativa previstas na LAI e no Decreto nº 7.724/201229.
26 Art. 7º, §4º da LAI.
27 Art. 8º, §4º da LAI.
28 Art. 63 do Decreto nº 7.724/2012.
29 Art. 64-A, I, do Decreto nº7.724/2012.
Tais entidades devem obrigatoriamente publicar as seguintes informações so-
bre seus empregados30:
• Plano de cargos e salários e critérios para progressão e política salarial;
• Quantitativo total de empregados por cargo e faixa salarial, com nomes e
funções;
• Detalhes das parcelas remuneratórias e indenizatórias, inclusive auxílios e
gratificações;
• Quantitativo e critérios para ocupação de funções gratificadas, além da lista
dos ocupantes.

Conselhos de fiscalização profissional


Os conselhos de fiscalização profissional (federais e regionais, como os medi-
cina, e os de engenharia e agronomia, por exemplo) também estão sujeitos às
obrigações da transparência ativa previstas na LAI e no Decreto nº 7.724/2012,
e devem obrigatoriamente publicar, em relação a seus empregados, a lista de
parcelas remuneratórias e indenizatórias, incluindo auxílios e gratificações rece-
bidas, de forma individualizada31.

3. Transparência Passiva

A transparência passiva é aquela que se dá em atendimento a um pedido de


acesso à informação, ou seja, depende de uma solicitação. A LAI garante a qual-
quer pessoa o direito de solicitar informações ao poder público, nos seguintes
termos:

Art. 10. Qualquer interessado poderá apresentar pedido de acesso a


informações aos órgãos e entidades referidos no art. 1º desta Lei, por
qualquer meio legítimo, devendo o pedido conter a identificação do
requerente e a especificação da informação requerida.

Vamos destrinchar os elementos contidos no dispositivo legal:


Qualquer interessado
O direito de acesso à informação pode ser exercido por qualquer pessoa, não
apenas cidadãos e cidadãs, mas qualquer pessoa mesmo! Por exemplo, empre-
sas ou instituições (pessoas jurídicas) e estrangeiros residentes ou não no país
podem formular um pedido de acesso à informação.
Qualquer meio legítimo
Desde que contenham os elementos necessários previstos na legislação, um pe-
dido de acesso à informação pode ser apresentado por qualquer meio legítimo,

30 Art. 8º-A da LAI.


31 Art. 8º-B da LAI.
como carta, e-mail, petição eletrônica ou presencialmente, no balcão do Serviço
de Informações ao Cidadão (SIC).
Identificação do requerente
O pedido de acesso à informação não pode ser anônimo, o requerente deve se
identificar apresentando documento de identificação válido32.
Especificação da informação
O pedido deve conter especificação, de forma clara e precisa, da informação
desejada33. Em outras palavras, deve conter elementos suficientes para o órgão
ou a entidade consultada possa compreender qual é informação de interesse e
localizá-la em seus documentos ou bancos de dados.

IMPORTANTE
MOTIVAÇÃO – Um aspecto muito importante da LAI é a
vedação de quaisquer exigências relativas aos motivos
determinantes da solicitação de informações34. Isso
significa que o requerente não precisa explicar a razão do
seu pedido ou dizer o que fará com a informação. Pedir
é seu direito, não importa o porquê. Simples assim!

No Poder Executivo federal é obrigatório que todos os pedidos de acesso à in-


formação sejam registrados e tratados na Plataforma Integrada de Ouvidoria e
Acesso à Informação – Fala.BR35, sistema desenvolvido e mantido pela CGU.
Isso não significa que o solicitante de informação seja obrigado, necessariamen-
te, a utilizar a plataforma, embora deva ser encorajado a fazê-lo, sempre que
possível, uma vez que ela permite o adequado acompanhamento dos prazos
legais, bem como o acesso às garantias previstas na LAI.
O solicitante de informação continua tendo o direito de apresentar seu pedido
por qualquer meio legítimo, se assim o desejar. Caso receba por outro canal um
pedido de acesso fundamentado na LAI, o SIC deve registrá-lo na Plataforma
[Link] no dia do recebimento36, informando ao interessado o protocolo gerado.

IMPORTANTE
PAINEL DA LAI – a base de dados da Plataforma [Link] alimenta
o Painel da Lei de Acesso à Informação (Painel da LAI), que
contém dados estatísticos sobre a LAI no Poder Executivo
federal, desde a vigência da lei, com atualização diária.

32 Art. 12, II, do Decreto nº 7.724/2012.


33 Art. 12, III do Decreto nº 7.724/2012.
34 Art. 10, §3º da LAI e art. 14 do Decreto nº 7.724/2012.
35 Art. 11-A do Decreto nº 7.724/2012.
36 Art. 11-A, §2º do Decreto nº7.724/2012.
IDENTIDADE PRESERVADA – a LAI não admite o anonimato.
No entanto, é facultado ao solicitante de acesso à
informação devidamente cadastrado na Plataforma Fala.
BR utilizar a ferramenta de preservação de sua identidade
perante os órgãos e entidades demandados37. Essa
opção deve ser feita no momento do cadastro de cada
nova solicitação de acesso à informação, permitindo a
identificação do solicitante por um número identificador.

3.1. Serviço de Informações ao Cidadão


Todo órgão ou entidade abrangido pela LAI deve manter um Serviço de Infor-
mações ao Cidadão (SIC), unidade responsável por receber pedidos, fornecer
respostas imediatas, quando possível, e encaminhá-los às unidades competen-
tes, zelando pelos prazos e qualidade das respostas38.
Nada impede que o SIC faça parte da unidade responsável pela gestão da Ouvi-
doria no âmbito do órgão ou da entidade. A estrutura interna é matéria discricio-
nária, e cabe a cada órgão ou entidade organizá-la da melhor forma, de acordo
com os recursos de que dispõe. Nesse caso, é preciso atentar para as diferenças
de tratamento entre os pedidos de acesso à informação, regidos pela LAI, e as
manifestações de ouvidoria, regidas pela Lei nº 13.460/2017, que estabelece pro-
cedimentos e prazos distintos daqueles previstos na LAI.

3.2. Prazos e procedimentos de transparência passiva


A LAI prevê resposta imediata aos pedidos, sempre que possível. Caso contrário, os
órgãos e entidades têm até 20 dias para responder, prorrogáveis por mais 10 dias
mediante justificativa expressa comunicada ao solicitante, totalizando até 30 dias.
Vale ressaltar que responder o pedido não é o mesmo que conceder acesso inte-
gral à informação: essa é uma das possibilidades de resposta, mas nem sempre
ela será possível! Nos casos em que não for possível conceder o acesso, a respos-
ta deve39:
• Comunicar que o órgão ou a entidade não possui a informação e
indicar, se for de seu conhecimento, quem a detém, podendo re-
encaminhar o pedido;
• Informar as razões de fato ou de direito da recusa, total
ou parcial, do acesso pretendido (veremos as possibili-
dades de negativa nos módulos 2 e 3);
• Indicar data, local e modo para que o interes-
sado consulte a informação, efetue a repro-
dução de documentos ou obtenha certidão,
conforme o caso.

37 Art. 12, parágrafo único, do Decreto nº 7.724/2012.


38 Art. 9º, I, da LAI.
39 Art. 11, §1º, I a III da LAI.
3.2.1. Informação inexistente
Uma das respostas possíveis a um pedido de acesso à informação é “comunicar
que não possui a informação”. Observe que, nesse caso, não há que se falar em
negativa de acesso – não se pode negar o que não existe!

SAIBA MAIS
SÚMULA CMRI Nº 06/2015 – A declaração de inexistência de
informação objeto de solicitação constitui resposta de natureza
satisfativa; caso a instância recursal verifique a existência
da informação ou a possibilidade de sua recuperação ou
reconstituição, deverá solicitar a recuperação e a consolidação
da informação ou reconstituição dos autos objeto de
solicitação, sem prejuízo de eventuais medidas de apuração de
responsabilidade no âmbito do órgão ou da entidade em que
tenha se verificado sua eliminação irregular ou seu descaminho.

Em casos de informação parcialmente inexistente, o SIC deve responder pela


parte disponível e indicar, se for de seu conhecimento, o responsável pelas de-
mais informações, de modo que o requerente possa cadastrar um novo pedido,
direcionando-o à instituição competente, se assim o desejar.
Quando a informação é integralmente inexistente no âmbito do órgão/entida-
de, há a possibilidade de reencaminhar o pedido à instituição responsável, se for
de seu conhecimento. Isso pode ser feito pela própria Plataforma [Link], quan-
do se tratar de informação no âmbito do Poder Executivo federal.
Recomenda-se, como boa prática, nesse caso, contactar o SIC do órgão ou da
entidade que receberá o pedido para confirmar a competência. Isso porque o
prazo de atendimento reinicia quando um pedido é encaminhado, podendo ha-
ver prejuízo ao solicitante no caso de reencaminhamentos sucessivos.
Se a informação solicitada não for da alçada do Poder Executivo federal ou se o
SIC não souber de quem é a competência, deve-se explicar a situação no campo
de resposta e, na medida do possível, passar alguma informação sobre como o
interessado poderia obter o acesso pretendido.

3.2.2. Canal ou procedimento específico


Outro atendimento que foge do comum é quando o órgão ou a entidade possui
um canal ou procedimento específico para conceder determinado tipo de infor-
mação. Nesse caso, é válido responder ao pedido de acesso formulado com base
na LAI orientando o procedimento específico para acesso à informação.
SAIBA MAIS
SÚMULA CMRI Nº 01/2015 - Caso exista canal ou procedimento
específico efetivo para obtenção da informação solicitada,
o órgão ou a entidade deve orientar o interessado a
buscar a informação por intermédio desse canal ou
procedimento, indicando os prazos e as condições para
sua utilização, sendo o pedido considerado atendido.

É importante observar que nem todo canal pode ser utilizado para essa finalida-
de. Para ser válido, nesse contexto, ele deve ter prazos e procedimentos compa-
tíveis com a LAI, definidos em norma divulgada ao público. Assim, um e-mail do
tipo “fale conosco”, sem prazos e procedimentos definidos, não constitui canal
válido para atendimento a um pedido de acesso à informação.
São requisitos para o canal específico:
• Prazos e procedimentos bem definidos e documentados (preferencialmente
formalizados em portaria ou outro instrumento normativo);
• Prazos de atendimento compatíveis com a LAI: no máximo, 30 dias;
• Não pode haver exigências incompatíveis como, por exemplo, necessidade de
informar dados que não são obrigatórios em um pedido de acesso;
• Divulgação, em local de fácil acesso, de informações detalhadas sobre a utili-
zação do canal ou procedimento específico.

Quando a resposta a um pedido de acesso à informação indica canal ou pro-


cedimento específico, considera-se “acesso concedido”, com uma ressalva: se
o interessado comprovar que o canal não funcionou ou que ele é incompatível
com os procedimentos e prazos da LAI, passará a ser obrigatório o tratamento
do pedido por meio do [Link].

3.2.3. Consulta de informação e reprodução de documentos


O serviço de busca e fornecimento de informações é gratuito40. A única exceção
ocorre quando for necessária a reprodução de documentos, situação em que
poderá ser cobrado apenas o valor necessário ao ressarcimento dos custos dos
serviços e dos materiais utilizados.
O requerente será isento desse pagamento se comprovar que sua condição eco-
nômica não lhe permite arcar com o custo sem prejuízo do próprio sustento ou
de sua família. Cada órgão ou entidade pode definir, em norma interna, os valo-
res e critérios para essa cobrança.
Sempre que necessário, deve-se oferecer meios para que o cidadão consulte di-
retamente as informações de que necessita, preservando, contudo, a integrida-
de dos documentos41. Quando se tratar de documento cuja manipulação possa
comprometer sua conservação, deve ser oferecida cópia, com certificação de
que confere com o original. Se não houver possibilidade de cópia, o interessado
poderá solicitar que a reprodução seja feita por outro meio que não ponha em
risco a preservação do documento.

40 Art. 12 da LAI.
41 Art. 13 da LAI.
3.2.4. Informação disponível em Transparência Ativa
Quando o pedido de acesso tiver por objeto informação já disponível na Inter-
net, é recomendável que o órgão ou a entidade oriente o cidadão sobre como
acessá-la. A orientação deve ser precisa, incluindo, sempre que possível, o link
para a página exata onde a informação se encontra e, se necessário, um passo a
passo para auxiliar a busca na página indicada.
Respostas como “a informação se encontra no Diário Oficial da União” ou “no
sítio do órgão” não devem ser adotadas. Também não é suficiente informar ape-
nas o link da página inicial, sem qualquer explicação sobre como localizar a in-
formação. Esse tipo de resposta impõe dificuldades ao cidadão e pode repre-
sentar um obstáculo intransponível ao acesso à informação.

IMPORTANTE
BOA PRÁTICA – Caso se observe que determinada informação
tem sido muito solicitada, é uma boa prática disponibilizá-
la em transparência ativa. Essa medida tende a agilizar o
atendimento aos pedidos de acesso, seja pela redução do
número de solicitações, seja por tornar o atendimento mais
rápido, uma vez que é válida a resposta que indique link
para informação disponível em transparência ativa.

Entidades privadas sem fins lucrativos


Entidades privadas sem fins lucrativos que recebem recursos para a realização
de ações de interesse público também se submetem à LAI, limitando-se seu
dever de publicidade à parcela dos recursos públicos recebidos e à sua destina-
ção. Nesses casos, os pedidos de acesso à informação devem ser apresentados
ao órgão ou à entidade pública responsável pelo repasse dos recursos, cabendo
a este a prestação das informações solicitadas42. Tais pedidos serão, portanto,
processados na Plataforma [Link].
Entidades do “Sistema S” e conselhos de fiscalização profissional
As entidades constituídas na forma de serviço social autônomo e dos conselhos
de fiscalização profissional também se submetem à LAI. Nesse caso, os pedi-
dos de acesso à informação devem ser apresentados diretamente a essas insti-
tuições, que são responsáveis por responder aos pedidos e definir, em regula-
mentação própria, as instâncias recursais às quais o interessado poderá recorrer,
no caso de negativa de acesso ou de não fornecimento das razões da negativa.
Caso não haja resposta, o interessado pode apresentar reclamação à autoridade
máxima dessas instituições. Nesses casos, o pedido deve ser formalizado confor-
me a regulamentação específica da LAI na entidade ou no conselho43.

42 Art. 64 do Decreto nº 7.724/2012.


43 Art. 64-A do Decreto nº7.724/2012.
Termo de adesão à Plataforma [Link]
A CGU disponibiliza a Plataforma [Link], por meio de termo de adesão, para
os órgãos e entidades que manifestem interesse em utilizá-la no tratamento de
seus pedidos de acesso à informação. Podem aderir os órgãos e entidades:
• do Poder Executivo estadual, municipal e do DF;
• do Poder Legislativo federal, estadual, do DF e dos municípios;
• do Poder Judiciário federal, estadual e do DF;
• que sejam Conselhos Profissionais;
• que sejam Serviços Sociais Autônomos (Sistema S); e
• de outras instituições públicas federadas.

Nesses casos, a utilização do [Link] é voluntária, e a participação da CGU limi-


ta-se à disponibilização, gestão, atualização e manutenção do sistema.

3.3. Instâncias recursais no Poder Executivo federal


Uma das garantias previstas na LAI é o direito de recorrer contra decisão que
nega acesso à informação ou não apresenta adequadamente a justificativa le-
gal para a negativa. No Poder Executivo federal, o interessado pode recorrer a
até quatro instâncias administrativas:
1. Autoridade hierarquicamente superior à que proferiu a resposta inicial;
2. Autoridade máxima do órgão ou da entidade;
3. Controladoria-Geral da União (CGU);
4. Comissão Mista de Reavaliação de Informações (CMRI).

Observe que as duas primeiras são instâncias internas ao órgão responsável,


que podem reiterar a resposta inicial ou revisar a decisão, complementando a
informação prestada ou fornecendo a informação inicialmente negada.
As duas últimas são instâncias externas que, após análise do caso concreto, po-
derão determinar a entrega da informação, caso entendam que a justificativa da
negativa não tem respaldo legal, fixando prazo para o cumprimento da decisão.

3.3.1. Prazos dos recursos


Quando a resposta ao pedido é cadastrada no [Link], o interessado é notifica-
do por e-mail, momento que inicia a contagem do prazo para recorrer. O mes-
mo ocorre a cada decisão nas instâncias subsequentes. O prazo para recorrer é
de 10 dias em todas as instâncias. As autoridades responsáveis têm 5 dias para
decidir sobre os recursos, nas instâncias internas. Nas instâncias externas, o pra-
zo é diferenciado.
A CGU (3ª instância) tem a prerrogativa de solicitar esclarecimentos ao órgão/
entidade responsável sobre o contexto da negativa de acesso44. Quando isso
acontece, pode utilizar o prazo previsto na Lei do Processo Administrativo, cuja
aplicação é admitida, nesse caso, de forma subsidiária.
Assim, o prazo para decisão em 3ª instância será de 30 dias, contados a partir
do recebimento dos esclarecimentos adicionais considerados adequados para a
tomada de decisão, podendo ser prorrogado por igual período, desde que haja
justificativa expressa45.
44 Art. 20 da LAI eart. 23, §1º, do Decreto nº 7.724/2012.
45 Art. 46 da Lei nº 9.784/1999.
Já a CMRI (4ª e última instância) deverá emitir sua decisão até a 3ª reunião ordi-
nária após o recebimento do recurso. A CMRI se reúne uma vez por mês46.

3.3.2. Tipos de decisão nas instâncias recursais


Para que a instância recursal analise o mérito do pedido de acesso e examine se
a negativa de acesso foi (ou não) corretamente fundamentada, o recurso deve ser
apresentado no curso regular do processo de um pedido de acesso à informação,
por meio da Plataforma [Link], e dentro do prazo previsto em lei. Além disso, o
recurso deve se referir efetivamente a uma negativa de acesso à informação.
Esses são requisitos de admissibilidade; caso não sejam cumpridos, não haverá
análise de mérito. Por exemplo, informações inexistentes ou manifestações que
não são pedidos de acesso não serão analisadas, e o recurso receberá decisão
de “não conhecimento”.
46 Art. 48 do Decreto nº7.724/2012.
Importa destacar que não é requisito de admissibilidade que a decisão anterior
tenha sido proferida por autoridade formalmente competente. Isso assegura
o direito do cidadão, permitindo a revisão da decisão, independentemente da
competência do agente que decidiu nas instâncias anteriores.

SAIBA MAIS
SÚMULA CMRI Nº 05/2015 – Poderão ser conhecidos recursos
em instâncias superiores, independente da competência
do agente que proferiu a decisão anterior, de modo a não
cercear o direito fundamental de acesso à informação.

Nas instâncias externas ao órgão/entidade, os tipos de decisões são:


• Não conhecimento: o mérito do recurso não é analisado devido à falta de re-
quisito de admissibilidade.
• Deferido: verifica a improcedência das razões da negativa e determina prazo
para que o acesso à informação seja concedido.
• Indeferido (total ou parcialmente): a autoridade recursal entende que as ra-
zões da negativa de acesso são adequadas, nos termos da legislação.
• Perda de objeto (total ou parcial): a informação é fornecida pelo recorrido
antes da decisão do recurso, ou é firmado o compromisso de disponibilizar a
informação solicitada, indicando prazo, local e modo de acesso.

3.3.3. Inovação em fase recursal


Quando o recurso aborda matéria diversa da solicitação inicial, ou seja, apre-
senta um novo pedido na fase recursal, o órgão ou a entidade pode decidir por
conhecer ou não essa inovação.
Caso opte por não conhecer a inovação, deve orientar o requerente a cadastrar
um novo pedido na Plataforma [Link], para ele possa ser analisado desde a ins-
tância inicial. Por outro lado, se conhecer a inovação, concedendo acesso total
ou parcial à informação solicitada na fase recursal, essa matéria passa a integrar
o escopo do pedido, exigindo análise de mérito em instâncias superiores, caso o
interessado decida recorrer a elas.

SAIBA MAIS
SÚMULA CMRI Nº 02/2015 – É facultado ao órgão ou à entidade
demandada conhecer parcela do recurso que contenha matéria
estranha: i) ao objeto do pedido inicial ou; ii) ao objeto do recurso
que tiver sido conhecido por instância anterior, devendo o órgão
ou entidade, sempre que não conheça a matéria estranha, indicar
ao interessado a necessidade de formulação de novo pedido para
apreciação da matéria pelas instâncias administrativas iniciais.
3.3.4. Cumprimento da decisão
Quando um recurso é deferido em terceira ou quarta instância, a autoridade
recursal define prazo para que o órgão ou a entidade forneça a informação, de-
vendo registrá-la na Plataforma [Link], na aba “Cumprimento da Decisão”.
Após o suposto cumprimento da decisão na terceira instância recursal (CGU),
caso o recorrente entenda que a informação fornecida está incompleta ou não
corresponde à solicitada, dispõe da possibilidade de denunciar o descumpri-
mento da decisão igualmente na Plataforma [Link].
Ao receber a denúncia, a CGU avaliará sua admissibilidade. Uma vez acolhida,
atuará junto ao órgão ou à entidade para que a decisão seja devidamente cum-
prida, podendo reportar a situação à Corregedoria-Geral da União, para apura-
ção de responsabilidade, caso o descumprimento persista mesmo após as tra-
tativas.
Além das tratativas relacionadas a denúncias de descumprimento, a CGU tam-
bém realiza o monitoramento proativo do cumprimento das decisões em ter-
ceira instância, nos casos em que constata omissão, isto é, quando o órgão ou a
entidade não observa o prazo definido para o cumprimento.

IMPORTANTE
BUSCA LAI – As decisões da CGU e da CMRI são emitidas em
pareceres que detalham o caso concreto e a decisão adotada. Tais
pareceres ficam disponíveis em transparência ativa e podem ser
consultados na ferramenta “Busca LAI”, disponível na Internet.

3.4. Reclamação por omissão


No Poder Executivo federal, quando um órgão ou entidade não responde um
pedido de acesso à informação dentro do prazo legal, o interessado pode apre-
sentar uma reclamação por omissão. A opção de reclamar é disponibilizada, no
[Link], 30 dias após o cadastro do pedido e fica disponível por 10 dias.
A reclamação por omissão deverá ser direcionada à Autoridade de Monitora-
mento da LAI, que terá 5 dias para tomar providências no sentido de que a res-
posta seja fornecida ao interessado. Caso a reclamação não surta efeito, o inte-
ressado terá 10 dias para recorrer à CGU que, no prazo de 5 dias, determinará que
o órgão ou a entidade responsável apresente uma resposta ao pedido.
IMPORTANTE
DECISÃO SOBRE RECLAMAÇÃO INFRUTÍFERA – Quando a
CGU recebe recurso decorrente de reclamação infrutífera
(reclamação que não teve efeito), a decisão será no sentido
de determinar que o órgão/entidade responda ao pedido
em tramitação fora do prazo, seja concedendo a informação,
seja indicando as razões da negativa, se for o caso. Nesse
momento, não há avaliação de mérito pela CGU, o que só
ocorre quando provocada em 3ª instância recursal.

A imagem a seguir detalha o passo a passo da reclamação por omissão.


SAIBA MAIS
MONITORAMENTO DAS OMISSÕES – Independentemente de
haver ou não reclamações por omissão, a CGU monitora as
solicitações (pedidos ou recursos) em tramitação fora do prazo, e
adota providências no sentido de notificar os responsáveis sobre
o descumprimento da LAI e, se necessário, orientá-los sobre
o adequado atendimento das demandas em atraso. Em casos
extremos, após empreendidos todos os esforços possíveis para
que as omissões sejam resolvidas, sem sucesso, a situação poderá
ser reportada à Corregedoria-Geral da União, para apuração de
responsabilidade dos agentes públicos responsáveis pela omissão47.

4. O que é (e o que não é) um pedido de acesso

4.1. Pedidos de acesso à informação


O termo “acesso à informação” pode
parecer autoexplicativo, mas, na
prática, o entendimento do es-
copo do direito de acesso ga-
rantido pela LAI pode gerar
confusão, pois o significado é
bem específico: refere-se a in-
formações produzidas ou cus-
todiadas pelos órgãos e entida-
des públicas48.
Significa dizer, em outras palavras, que
a LAI garante o acesso a informações já existen-
tes em documentos ou em bancos de dados públicos. Ge-
ralmente, quando o atendimento a uma demanda requer
a produção de nova informação ou documento, como, por
exemplo, a elaboração de parecer ou a emissão de certi-
dão, ou quando requer adoção de providências, apuração
de ilícitos ou análise jurídica, ele não se insere no escopo de
garantias previsto na LAI.

4.2. Manifestações de ouvidoria


Demandas como denúncias, reclamações, sugestões ou solicitações diversas
não visam à obtenção de informação produzida ou custodiada pelo poder públi-
co. Elas se caracterizam como manifestações de ouvidoria, e são regidas pela Lei
nº 13.460/2017, com procedimentos e prazos distintos daqueles previstos na LAI.

As manifestações de ouvidoria são uma forma de o cidadão comunicar ao po-

47 Art. 32 da LAI.
48 Art. 7º, incisos I a VII, da LAI.
der público seus anseios, dúvidas, opiniões, satisfações ou insatisfações com os
serviços prestados por determinado órgão ou entidade, bem como questões
relacionadas à conduta de agentes e à prestação dos serviços públicos. É im-
portante diferenciar adequadamente cada tipo de demanda, para conferir-lhe
o tratamento adequado.

Denúncia - Quando o cidadão comunica uma irregularidade ou um ato ilegal


praticado por agente público, trata-se de uma denúncia e não de um pedido de
acesso à informação. Nesse caso, o objetivo não é obter qualquer informação
acumulada pela Administração, mas sim comunicar a prática de um ilícito cuja
resolução dependa da atuação dos órgãos de controle interno ou externo.
Reclamação - Trata-se de uma manifestação de insatisfação relacionada à pres-
tação de um serviço público. Aqui o objetivo não é obter informações, mas sim
levar à Administração o conhecimento de falhas na prestação do serviço, de
modo que posa adotar medidas corretivas.

Solicitação de providências administrativas - É a manifestação em que o cida-


dão pede à administração que adote alguma providência, como, por exemplo,
que revise seu posicionamento em um recurso administrativo ou que corrija
dados cadastrais do requerente. O objetivo, nesse caso, não é solicitar acesso a
um dado ou a uma informação pública.
Elogio - manifestação de aprovação, reconheci-
mento ou contentamento, com o objetivo de des-
tacar aspectos positivos de um serviço público, de
uma atividade executada ou do atendimento re-
cebido. Representa o ato de valorizar a qualidade,
a eficiência, a cordialidade ou a presteza demons-
trada na prestação do serviço, funcionando como
um retorno positivo que incentiva a manutenção e
o aprimoramento das boas práticas institucionais.
Sugestão - apresentação voluntária de ideia, opi-
nião ou proposta destinada a contribuir para o aperfeiço-
amento das políticas públicas, dos procedimentos admi-
nistrativos ou dos serviços públicos. Trata-se de uma forma
de participação cidadã que visa identificar oportunidades de
melhoria, promover a inovação, otimizar recursos e fortalecer a
eficiência e a qualidade das ações governamentais.

Simplifique - instrumento por meio do qual o cidadão pode solicitar a revisão


e/ou a simplificação de procedimentos considerados excessivamente burocráti-
cos, complexos ou desnecessários na prestação de serviços públicos.

4.3. Consultas diversas


Quando o atendimento a uma demanda requer análise e manifestação técnica,
jurídica ou opinativa sobre a aplicação ou a interpretação de dispositivos legais,
normativos ou situações concretas, trata-se de uma consulta e não de um pedi-
do de acesso à informação.
As consultas não estão
abrangidas pelo escopo da
LAI, que se destina ao for-
necimento de informações
já existentes e registradas
no âmbito da Administra-
ção Pública. Nesses casos,
cabe ao cidadão verificar se
o órgão ou a entidade dis-
põe de canal próprio para
o recebimento de consul-
tas, o que varia de acordo
com suas competências
institucionais e não implica a obrigatoriedade de
existência desse tipo de canal em todos eles.
Ressalte-se que, eventualmente, o órgão ou a entidade
pode já ter elaborado análises, orientações ou manuais so-
bre o tema objeto da consulta. Nessa hipótese, tais informações
poderão ser disponibilizadas. Todavia, isso não significa, necessariamente, que o
órgão (ou a entidade) esteja obrigado a se manifestar sobre a situação específi-
ca apresentada pelo cidadão.

4.4. Alteração de Tipo e Pedido de Revisão


No Poder Executivo federal, o canal de entrada dos pedidos de acesso à infor-
mação e das manifestações de ouvidoria é o mesmo: a Plataforma Integrada
de Ouvidoria e Acesso à Informação – [Link]. Como o próprio nome sugere, a
plataforma integra dois módulos distintos, sendo um deles configurado confor-
me os prazos e procedimentos definidos na LAI (Módulo Acesso à Informação)
e outro, conforme as regras que regem as manifestações de ouvidoria (Módulo
Ouvidoria).
Ao cadastrar sua demanda no [Link], o interessado indica se se trata de uma
manifestação ouvidoria ou de um pedido de acesso à informação. Essa marca-
ção determina o módulo no qual sua demanda será inicialmente tratada.

No entanto, não é raro o interessado se equivocar no momento de cadastrar o


tipo da demanda. Sabendo disso, com o objetivo de agilizar o atendimento, o
[Link] permite que o órgão ou a entidade responsável pelo atendimento altere
o tipo, para que a demanda seja tratada no módulo correto, conforme a legisla-
ção pertinente.
A alteração de tipo somente pode ser feita nos primeiros cinco dias de prazo
para tratamento da demanda, considerando a data de seu registro, após o qual
a opção de alteração de tipo ficará indisponível. Caso a demanda seja encami-
nhada a outro órgão, embora o prazo de tratamento da demanda reinicie, o
mesmo não acontece com o prazo para alterar o tipo.
Alteração de tipo de pedido de acesso à informação
A alteração de tipo de um pedido de acesso à informação para uma manifesta-
ção de ouvidoria requer especial cautela. Isso porque uma alteração equivocada
implicará prejuízo ao direito constitucional de acesso à informação, uma vez que
a legislação de ouvidoria não prevê algumas garantias, como a possibilidade de
recorrer da resposta. Além disso, o prazo de atendimento das manifestações é
significativamente maior, podendo se prolongar por até 60 dias.
Por isso mesmo, na hipótese de alteração de tipo LAI à Ouvidoria, o [Link]
garante um prazo de 10 dias para que o interessado questione a mudança, por
meio de um “Pedido de Revisão”, que será julgado pela CGU no prazo de cinco
dias. Nesse prazo, a CGU avaliará se a demanda se enquadra no escopo da LAI, e
decidirá se a alteração de tipo deve ser mantida ou revertida.
Nem sempre as demandas são redigidas de forma clara e organizada, podendo
gerar dúvidas sobre seu correto enquadramento quanto ao tipo. Se uma de-
manda cadastrada como pedido de acesso contiver pelo menos uma matéria
de LAI, ou se houver dúvida sobre o enquadramento, recomenda-se que o tipo
seja mantido.
Por exemplo, caso uma demanda cadastrada como LAI contenha um longo tex-
to predominantemente caracterizado como reclamação, mas em algum mo-
mento haja pedido de informação custodiada pelo órgão ou pela entidade, a
demanda deve ser mantida como LAI. Nesse caso, a resposta deve indicar ex-
pressamente qual parte da solicitação está sendo tratada como pedido de aces-
so à informação e orientar o interessado sobre o canal adequado para cadastrar
sua reclamação.

5. Revisão do Módulo 1

Aprendemos que a Lei de Acesso à Informação (LAI) tem como diretriz o prin-
cípio da “máxima divulgação” – a publicidade é a regra e o sigilo, a exceção.
Podem ser solicitadas, via Lei de Acesso, informações públicas ou particulares,
produzidas ou acumuladas pela Administração, e o governo é quem precisa de-
monstrar as razões pelas quais determinada informação não pode ser concedi-
da, se for o caso.
A LAI tem abrangência nacional e por isso deve ser observada por todos os ór-
gãos e entidades da Administração direta e indireta (incluindo autarquias, fun-
dações e empresas estatais), de todos os entes da federação (União, Estados,
Distrito Federal e Municípios) e de todos os poderes da república (Executivo, Le-
gislativo e Judiciário). A LAI abrange também o Ministério Público, os Tribunais
de Contas e as Defensorias Públicas, bem como entidades privadas sem fins
lucrativos que tenham recebido recursos públicos.
Embora as regras gerais da LAI devam ser cumpridas por todos esses órgãos e
entidades, cada um deles, em cada Poder, deve regulamentar as regras especí-
ficas da LAI em seu âmbito. No Poder Executivo federal, a LAI é regulamentada
pelo Decreto nº 7.724/2012, que estabelece os procedimentos específicos a se-
rem observados, bem como o sistema recursal e de monitoramento e supervi-
são da aplicação da LAI, no âmbito desse Poder.
Também vimos que o Direito de Acesso à Informação é sustentado por três pi-
lares: a transparência ativa (publicação proativa de informações de interesse co-
letivo ou geral, independentemente de requerimentos), a transparência passiva
(atendimento aos pedidos de acesso
à informação) e os dados aber-
tos, que estudaremos em
mais detalhes no Módulo 3.
Aprendemos sobre as re-
gras de transparência
ativa, o conjunto de infor-
mações que devem obri-
gatoriamente ser publicadas
nos sites oficiais dos órgãos e en-
tidades, em seção específica intitulada
“Acesso à Informação”. Vimos que a CGU disponibiliza um
guia que compila essas obrigações e estabelece padrões
mínimos para sua divulgação, e monitora seu cumprimen-
to, disponibilizando os resultados no Painel LAI.
Por fim, estudamos os prazos e procedimentos para aten-
dimento a um pedido de acesso à informação, com foco
na regulamentação da LAI no Poder Executivo federal,
aprendemos a diferenciar os pedidos de acesso à informa-
ção das manifestações de ouvidoria, e vimos como fun-
ciona o fluxo recursal – uma das garantias ao direito de
acesso à informação previstas na LAI.

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