CAPÍTULO 2
Saio da cela com Lucien e estamos saindo da masmorra onde me enfiaram
quando paro bruscamente fazendo com que ele também pare, ele me olha
confuso e meu coração começa a acelerar, uma onda de pânico se forma no
meu peito e aperto leve seu ele se vira devagar cuidado me olhando com
cautela e segura a minha mão com delicadeza, sua voz me traz de volta pra
realidade e me pergunta.
— Emma? Está tudo bem? O que aconteceu? —pergunta com a voz baixa.
— O que vai acontecer comigo Lucien? Eu não posso voltar para as estepes, eles
vão me matar lá, eu não posso voltar aquele, não dá. —retrocedo um passo e
ele avança um. — Eu prefiro passar um inferno aqui do que voltar, não me fez
voltar por favor. —olho para ele e em seguida para o Eris que abaixa a cabeça e
imagino que ele está com pena de mim e odeio, odeio que ele sinta mas eu
estou morrendo de medo, o medo toma conta de mim e vejo como Lucien me
olha e ele se aproxima cauteloso. — Por favor.
— Emma você não vai voltar pra lá, fica tranquila, nós vamos nos encontrar com
Rhysand e eles vão ver qual é o melhor caminho para você, ele me mandou te
resgatar, ele não vai desamparar você. —eu aperto a mão dele e com
delicadeza ele me faz voltar a andar, Eris vem logo atrás e eu não sei porque,
não faço a menor ideia na verdade mas me sinto segura com eles ali.
— Andem logo vocês dois, o humor de Keir não vai estar dos melhores então é
melhor que se mandem daqui de uma vez. —ele me olha e me dá um sorriso
malicioso. — Adeus Emma, espero que a corte te trate bem, nos vemos logo.—
isso soou como uma promessa e eu assinto levemente com a cabeça quando ele
limpa a garganta e paramos olhando para ele. — Esperem, Lucien… você tem
que me dar um soco. —vejo Lucien sorrir e olho para eles confusa.
— O que? —pergunto confusa e Eris nega com a cabeça dispensando a minha
pergunta.
— Vamos não temos muito tempo, tem que parecer real. —se prepara e vejo o
sorriso de Lucien crescer de forma maliciosa.
— Eu vou adorar fazer isso irmãozinho. —mesmo antes de Eris responder Lucien
acerta o rosto dele em cheio, ele se prepara para outro mas seguro seu braço
com delicadeza.
—Acho que um só basta. —digo e Lucien me olha com certa diversão nos olhos.
— Obrigada irmão, esse foi o melhor presente que você poderia ter me dado.
—diz Lucien e Eris o encara limpando a boca cheia de sangue.
— Achei que esse fosse eu ter poupado a sua vida enquanto nosso pai queria te
matar, ou você acha que o Tamlim te aceitou de braços abertos na corte dele.
—Eris diz com certo ressentimento e sinto como Lucien fica tenso do meu lado.
— Vamos Emma, Feyre está nos esperando. —sem aviso Lucien me toma pela
cintura e pelo susto agarro sua camisa sentindo o seu peitoral debaixo de
minhas mãos, ele é tão forte quanto parece, não que o trabalho que ele fez no
rosto do irmão dele não demonstrasse isso, sumimos da masmorra e em
segundos eu estou em um lugar completamente diferente.
— Feyre? —olho para ele confusa. — Ela não acabou de ter um filho? —consigo
perguntar antes de me sentir completamente tonta e me segurar nos braços de
Lucien antes de cair feito uma idiota no chão.
— Ey! Calma, eu deveria ter te avisado sobre os efeitos de atravessar. —ele me
olha com um pequeno sorriso nos labios e sinto meu coração acelerar. — E
quanto a Feyre, ela fez questão disso. —ele responde como se não fosse nada
demais.
— Eu não sou ninguém, por que ela faria isso por uma ninguém? Se eu
morresse hoje ninguém sentiria a minha falta, porque o Rhysand se preocupa
agora, eu sempre tive uma vida miserável, esse é só mais um dia comum. —falo
com indiferença e dessa vez é ele quem para e se coloca na minha frente, Lucien
fica me olhando sem dizer nada e eu começo a ficar ansiosa, cruzo os braços na
frente do meu corpo e por mais que minha vida tenha sido miserável nunca
nenhum macho me fez encolher como ele nesse minuto, não abaixo o meu olhar
do dele e em um gesto inesperado ele coloca uma mecha do meu cabelo atrás
da minha orelha e com isso eu sinto todo o ar deixando o meu corpo.
— Emma a sua vida não é miserável, Rhysand achou que valia a pena te salvar,
e por mais que eu odeie admitir e eu vou negar cada palavra caso você conte
isso a alguém mas ele erra pouco, e o julgamento dele quanto as pessoas
costuma ser muito bom, você pode confiar nele, na família dele, mudanças
demoram a acontecer, eu sinto muito pelas coisas que você teve que passar,
ninguém merece ter uma vida miserável, eu sei disso, sei muito bem. —eu
relaxo e meu corpo deixa a tensão de lado, olho pra sua cicatriz e aqueles anos
de tormento voltam, todos conhecem a história dele, pelo menos parte dela, de
como a Amarantha tirou seu olho com a unha por puro prazer e sadismo, que
bom que aquela vadia já está morta com os ossos apodrecendo naquela
maldita montanha.
— Eu também sinto muito por tudo o que você teve que passar, não foi justo,
não foi justo com ninguém. —levanto minha mão pra acariciar seu rosto mas
paro no meio do caminho e ele percebe, fecho os dedos na palma e ele volta a
segura-la, aperto seu braço com a outra mão e saímos dali, eu quero estar o
mais longe possível desse lugar o mais rápido que puder, Lucien manda um sinal
e ela aparece, linda, como se o rosto tivesse sido desenhado pela própria mãe, o
vestido dela é preto como nanquim o que faz a pele dela reluzir, ela me toma
por um lado e o Lucien pelo outro, eu não sei porque mas não gosto dessa
pequena separação, atravessamos para outro lugar, um lugar lindo que nem
nos meus melhores sonhos eu pensei que pudesse existir, então essa é Velaris,
feita de todas as coisas boas que se pode imaginar, o ar é puro e frio o céu é
estrelado tão estrelado que parece que estamos dentro dele, pousamos em
uma casa linda, com certeza a casa dela e de seu Grão-Senhor, fico um pouco
sem ar pela travessia e minha cabeça gira um pouco, ela me ajuda a me
estabilizar e me recebe com um sorriso, tão lindo quanto ela.
— Tudo bem Emma? Vem vamos entrar, aqui fora está congelando e vocês
precisam se aquecer e tomar algo quente.
Eu só assinto com a cabeça e sigo ela até o interior da casa, tão quente, tão
familiar, tão acolhedor, isso não é só uma casa é um lar, ela nos leva por um
corredor amplo e entramos em uma enorme sala de estar com uma lareira no
centro, minha vontade é me sentar e me aninhar bem em frente a ela, há
algumas pessoas na sala entre elas o Grão-Senhor da corte noturna, minha
garganta da um nó, eu faço uma pequena reverência e com o meu vestido
maltrapilho olho para ele, me encolho ao perceber como estou suja e
maltratada, me coloco atras de Lucien com vergonha e seguro na sua camisa,
abaixo o olhar e sinto seus olhos violeta me fitando, olho para ele cautelosa e
eles brilham com pequenos pontos de luz como se estrelas estivessem presas ali,
ele está com uma roupa toda preta e um sobretudo da mesma cor, fazendo par
com o vestido de Feyre, ela se aproxima dele e o cumprimenta com um leve
beijo nos lábios, eles são tão lindos, são de tirar o fôlego, estar na presença
deles é algo que eu jamais poderia ter sequer imaginado, na casa deles, com a
família deles, olho pro canto da sala e Azriel e Amrem estão ali, impassível e
indecifrável como sempre, já vi ele, Cassian e Rhysand nas estepes treinando
com os soldados, eles são magníficos no que fazem, suas almas parecem
conectadas de alguma forma, seus treinos sempre são os melhores de se
observar, volto o olhar pro majestoso casal a minha frente e como se eu tivesse
me lembrado de como se respira e então falo com a voz trêmula e um pouco
rouca, minha garganta ainda dói.
— Grão-Senhor... obrigada, obrigada por me resgatar, estou para servi-lo, se...
eu lhe for útil, eu... eu só... —sinto uma pontada de dor nas minhas asas e
franzo a testa tentando não transparecer o que estou sentindo, ele me olha e se
aproxima, me aproximo mais de Lucien porque me sinto segura com ele, me
senti segura desde o primeiro momento em que ele ofereceu sua mão para
mim, Rhysand vê a minha insegurança e para no meio do caminho.
— Tudo bem Emma, ninguém aqui vai machucar você, e você também não vai
voltar para as estepes, você vai ficar aqui em Velaris, vai encontrar um lugar e
começar uma nova vida, aqui você estará segura e poderá se reconstruir. —ele
fala me tirando o medo que estava sentindo há poucos instantes.
— Eu... antes de tentarem cortar as minhas asas, eu treinava poucas vezes na
semana, mas eu era boa.
Digo com um pouco mais de segurança e vejo alguns membros de sua família
adentrarem o espaço, as duas irmãs de Feyre, Cassian e Mor, me encolho outra
vez me sentindo intimidada com tantas pessoas em um único ambiente, eu sei
quem eles são mas acho que nunca ninguém reparou em mim por tanto tempo,
a não ser claro os machos Illyrianos, mas esse tipo de atenção eu nunca quis ter,
o fato é que eu nunca tive uma família grande, sempre fomos eu e meu pai, é
incomum para mim estar cercada de tantas pessoas, todos me olham com
atenção e compaixão acho que a unica pessoa que não me olha assim é
Nestha, isso me deixa um pouco mais tranquila mas mesmo assim me aproximo
um pouco mais de Lucien que em um gesto reconfortante coloca a mão em
minha cintura um pouco abaixo de minhas asas, sinto um alívio instantâneo
quando sinto o toque dele, sinto um olhar vindo da lateral da sala e acho... acho
que vem de Elain, a irmã mais velha de Feyre, não desvio meu olhar de Rhysand
e ele volta finalmente a falar comigo, agradeço por isso.
— Você quer continuar treinando Emma? —asinto com a cabeça e Nestha fala
antes de qualquer um.
— Ela pode vir pra casa do vento, eu não deixei de recrutar valquírias, você
pode começar o treinamento assim que se sentir melhor e vai ser mais fácil se
você estiver lá em cima, tem quartos sobrando naquela casa, vai ser bom ter
mais companhia feminina por lá. —diz ela com a voz séria e dura mas Cassian
da um sorriso bem humorado e ouço Azriel murmurar algo como “Boa sorte
com isso” olho para ele algo confusa e vejo um olhar de cumplicidade entre ele
e Cassian, o que quer que seja isso não tem volta atrás e eu não quero que
tenha, assinto com a cabeça em resposta a Nestha e ela só me dá um breve
aceno de aprovação, ainda estou agarrada a Lucien quando Rhysand volta a
falar.
— Bem, você concorda com isso Emma? —me pergunta e todos os olhares se
voltam pra mim e dou um passo atrás quase tropeçando se não fosse pela mão
de Lucien ainda em minha cintura.
— Claro... tudo ótimo por mim... mas eu não quero depender de vocês, eu
quero pagar por tudo, pela casa, estadia...
— Não se preocupe com isso agora Emma. —diz Feyre com um sorriso
tranquilizador. — Quando você se tornar uma valquíria você vai receber um
salário, por agora tome seu tempo pra treinar e se aperfeiçoar.
— Pela mãe, muito obrigada, eu... eu não vou decepcionar nenhum de vocês
obrigada de verdade. —faço uma reverência e Nestha fala.
— Bem quando estiver pronta podemos ir, você prefere ir voando ou
atravessar? —me pergunta e lembro que minhas asas ainda estão feridas pela
tentativa de mutilação.
— Am minhas asas... eles não conseguiram mas tentaram com muito afinco e...
elas estão doendo um pouco. —tento minimizar o estrago que fizeram e abaixo
o olhar sentindo cada pontada de dor que percorre todo o meu corpo, eu estou
exausta e me sinto como se a qualquer momento fosse desabar.
— Não se preocupe com isso Emma, eu vou mandar uma curandeira para casa
do vento para cura-las enquanto isso alguém pode atravessar você, você pode
escolher quem deseja. —diz Rhysand olhando diretamente para Lucien e seguro
mais forte em sua mão. — Temos eu, Azriel e Feyre, Mor teve que sair pra
resolver algo que precisava de atenção. —olho pra todos eles e para Lucien e
Feyre fala com a voz doce.
— Lucien também está disponivel Emma, você prefere ir com ele? —me
pergunta com os olhos brilhando.
— Sim, por favor. —digo algo tímida e ele me da um sorriso gentil e sinto a
tensão que ele estava sentindo se dissipar um pouco, ele não abriu a boca desde
que entramos aqui e parece que ele que sair tão rápido quanto eu, quando
estou prestes a falar outra vez ouço uma voz diferente e é Amrem quem fala.
— Tudo bem, leve ela Lucien, a garota parece que vai desmaiar a qualquer
momento, ela precisa de um banho e descanso pelos Deuses, olhem o estado
dela, depois que ela estiver melhor podemos conversar mais, agora vão vão
vão. —diz ela nos dispensando e de certa forma me sinto agradecida porque eu
sinto que a qualquer momento eu posso mesmo desmaiar.
— Amrem tem razão, você precisa descansar Emma, quando você chegar uma
curandeira estará esperando por você, bem vinda a Velaris.
Com um simples aceno nos despedimos e atravesso com Lucien, fico tonta outra
vez e ele me segura, olho para ele e vejo uma tristeza que não estava ali antes,
ou talvez eu não tenha percebido.
— Está tudo bem? Você estava um pouco tenso lá embaixo. —pergunto e
Lucien não responde por um longo momento, eu com certeza ultrapassei algum
limite. — Você não tem que responder eu só… me desculpe se ultrapassei
algum limite.
— Você não ultrapassou nenhum limite Emma, está tudo bem, não se preocupe
por mim, é você quem precisa de cuidados, vamos, entre, a curandeira já está
te esperando. —assinto com a cabeça mas não me movo, olha a vista da
sacada onde estamos e não consigo deixar de pensar no quanto esse lugar é
maravilhoso, sinto o olhar de Lucien sobre mim e volto o meu para ele, seus
olhos me encaram fixamente e me aproximo um pouco mais dele.
— Bem, obrigada, por me trazer e… obrigada por me tirar daquele lugar. —ele é
tão alto e eu estou tão próxima dele que tenho que curvar um pouco meu
pescoço para conseguir o olhar para ele.
— Não foi nada Emma, espero que tudo dê certo pra você. —sinto como se isso
fosse uma despedida, como se eu não fosse mais vê-lo e essa sensação pesa
dentro de mim.
— Desejo o mesmo para você Lucien... —em um ímpeto abraço ele e sinto a sua
surpresa, seus braços passam suavemente pela minha cintura e sinto sua
respiração no meu pescoço, suave e quente, absorvo o seu cheiro e ele cheira a
cidra de maçã e canela, é... delicioso, me perco por poucos segundos em seu
cheiro quando ouço a voz forte de Rhysand em meus ouvidos.
— Ah vocês estão aí, achei que tivessem se perdido, a curandeira já está pronta
para você Emma, Lucien pode te acompanhar, você vai sentir muita dor. —eu
me separo de Lucien e assinto sentindo o pânico dentro de mim, a mão de
Lucien agarra a minha e sinto minha respiração acelerar.
— Bem… parece que ficaremos um pouco mais de tempo juntos. —ele me da
um leve sorriso que faz meu coração palpitar, um misto de medo e nervosismo,
entramos na casa e o calor nos recebe, Rhysand nos leva no que será meu
quarto e uma senhora Feerica baixinha e de rosto marcado pela idade nos
espera.
— Deite-se garota, não temos todo o tempo do mundo e quanto mais
esperarmos pior será. —eu obedeço a mulher grosseira e deito na cama
deixando minhas asas feridas para cima, Lucien se coloca a meu lado e a mulher
volta a falar. — Fui informada que você tem o dom da cura garoto. —ela fala
com Lucien y olho na direção dele, ele responde com um simples “Sim, eu
tenho” e a mulher fala outra vez. — Ótimo isso é ótimo, fique aqui, você vai me
ajudar, pela mãe, não seu como você ainda tem asas menina, você não está
morrendo de dor? —uma lágrima escorre dos meus olhos e assinto com a
cabeça, Lucien con delicadeza limpa a lágrima rebelde e arruma meu cabelo. —
A recuperação vai ser dura mas você vai conseguir, agora é a pior parte, vamos
ter que tocar as suas asas para curar, aguenta firme.
Eu assinto com a cabeça e a curandeira começa a trabalhar, sinto uma dor
lancinante quando ela passa pelos lugares mais feridos, sinto os dedos de
Lucien sobre as minhas asas e o toque dele é suave e gentil, de alguma forma
ele deixa a dor menos intensa, mas mesmo assim solto um grito de dor quando
a curandeira vai para o corte mais profundo, eu não senti nada quando fizeram
isso comigo, eu estava desacordada, mas agora eu sinto tudo, quase desmaio
de dor quando Lucien me oferece um pouco de agua e dispensa a curandeira,
ele termina o trabalho com as minhas asas e quando acaba eu estou exausta e
dolorida, covardes malditos eu vou matar cada um que se atreveu a encostar
em mim, duas criadas entram em seguida e Lucien se coloca em meu campo de
visão.
— Tudo bem Emma? —ele me pergunta quando me enconlho na cama.
— S...sim. —digo exausta e ele tira uma mecha de cabelo da minha testa e
coloca atrás da orelha. — Só… estou cansada.
— Já está quase acabando, eles pegaram em alguns nervos profundos mas a
curandeira fez um bom trabalho, você vai se recuperar e vai voltar a voar, como
você conseguiu sair viva disso? —me pergunta olhando meus ferimentos e
hematomas, eu não tenho uma resposta pra isso mas falo mesmo assim.
— Sempre fui eu por eu mesma, o meu pai... ele não era como os outros, ele
não queria aquela vida para mim, ele me protegia e me ensinava golpes de luta,
me ensinou a lutar com a espada e um pouco antes de morrer me inscreveu
para treinar com outras mulheres Illyrianas, só que no nosso acampamento a
tolerância quanto a isso sempre foi mínima, não é como no acampamento mais
proximo de Velaris, eu tive que enfrentar muitos desafios, treinar com Illyrianos
intolerantes e preconceituosos, então meu pai não me deixou voltar, ele disse
que iríamos pra outro acampamento, um mais tolerante, mas antes disso
acontecer encontram ele e tiraram a sua vida porque ele era muito coração
mole e não sabia como criar uma verdadeira mulher Illyriana, a partir dai eu tive
que aprender a me virar sozinha e a me proteger, não foi a primeira vez que
tentaram cortar as minhas asas, mas foi a que chegaram mais perto. —ele se
aproxima de mim e se senta ao meu lado na cama, toma a minha mão com
cuidado e acaricia os nós dos meus dedos, sinto o seu calor irradiando pela
minha mão meu corpo e parece que a dor desaparece por um instante, ele é
muito quente mais não queima, é um calor confortável, fecho os olhos sentindo
a sensação e escuto quando ele volta a falar.
— Aqui você não vai precisar se preocupar com isso Emma, se você decidir ficar
com certeza vão te acolher, Rhysand e Feyre são pessoas justas e sempre
ajudam aqueles que precisam, você vai treinar e quem sabe, se transformar em
uma guerreira poderosa e ninguém nunca mais vai te tocar sem seu
consentimento. —eu me levanto um poco com dificuldade e o abraço pelo
pescoço, uma lágrima rebelde escorre pelo meu olho direito, e ele com
delicadeza envolve a minha cintura e apoia o queixo no meu ombro. — Tudo
bem Emma. —diz com a voz suave e acaricia minha cintura com delicadeza.
— Me desculpe eu… —me afasto devagar me sentando na cama e cruzo meus
dedos colocando minhas mãos sobre minhas pernas. — Eu só… obrigada Lucien,
obrigada por tudo. —digo e levanto o olhar para olhar para ele. — Eu não sinto
mais dor nenhuma, você é muito bom. —ele continua sentado ali e me dá um
sorriso gentil, pela mãe, ele é lindo!
— Isso é bom, você vai precisar de pelo menos mais uma sessão mas você já
pode tentar mexer as suas sem sentir dor, quer tentar? —ele levanta e se
coloca atrás de mim, toca o meu ombro direito e voltar a falar, sinto o seu
toque e me arrepio um pouco tentando não reagir, olho para ele por cima do
ombro e assinto. — Devagar, sem pressa, só tente, não se esforce muito.
— Ok… —começo a movimentar as minhas asas devagar e sinto um pouco de
dor, fecho os meus olhos e tento outra vez, devagar. — Ainda… dói um pouco.
— Bem… descanse um pouco, eu vou sair e duas criadas virão te ajudar com o
banho, você vai se sentir melhor, eu vou pedir para que tragam alguma coisa
para que você comer. —eu assinto e me acomodo na cama.
— Obrigada Lucien. —vejo ele sair e fico sozinha no quarto, pela primeira vez
desde que cheguei reparo da decoração do quarto, o quarto é grande, a cama
tem um dossel que eu não tinha visto antes as roupas de cama são de um tom
de roxo e preto, as paredes são claras e a iluminação é tênue, o quarto tem um
sacada para a vista la fora e vejo as montanhas cobertas de neve, há uma
lareira acessa o que deixa um clima agradável, também há um guarda-roupa
todo entalhado a mão e uma escrivaninha perto da porta da sacada, a cama é
confortável e quente e se as criadas não tivessem acabado de entrar acho que
eu teria dormido agora mesmo, elas me ajudam a me livrar das roupas rasgadas
e trazem algumas roupas para me vestir, devagar vamos ao banheiro que não
fica nem um pouco devendo para o quarto, os pisos de mármore branco de
alguma forma são aquecidos, a banheira é grande e quando eu entro ela
acomoda perfeitamente as minhas asas, claro em uma de Illyrianos isso seria
um requisito eu sinto a água relaxar meu corpo e quase durmo sentindo o calor
confortável que tira o restante das minhas dores, as criadas me ajudam a me
levantar e trocar, elas me vestem com um pijama de cor violeta e o tecido é
macio e se acomoda perfeitamente ao meu corpo, quando volto ao quarto já
tem um cima da mesa uma bandeja com um ensopado que cheira
deliciosamente bem, eu como ele todo e parece que metade da minha força
voltou só com esse ensopado feito pelos Deuses, as criadas se retiram e levam
toda a sujeira do jantar com elas, peço para chamem Lucien outra vez e ele
volta, me cubro com o cobertor antes que ele volte e assim que ele entra no
quarto parece que metade do calor volta com ele.
— Tudo bem Emma? —me pergunta se aproximando da cama.
— Sim. —respondo simplesmente. — Eu só queria perguntar, você… volta
amanhã, para terminar de curar as minhas asas? —sinto borboletas no meu
estômago e ele se ajoelha ao lado da cama e pergunta.
— Você quer que eu volte? —o cheiro dele pega no meu nariz e eu suspiro
levemente tentando absorver mais dele, eu com certeza quero que ele volte.
— Sim, sim eu quero. —digo olhando para ele e ele me dá um sorriso em
resposta, pelos Deuses esse sorriso, tento acalmar o meu nervosismo quando
ele responde simplesmente.
— Então eu voltarei Emma...