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O Modelo Pedagógico: (Movimento Da Escola Moderna)

O Movimento da Escola Moderna (MEM) é uma associação de educadores que promove práticas pedagógicas democráticas e cooperativas, com foco na educação infantil e no 1º ciclo do ensino básico. Desde sua fundação nos anos 60, o MEM tem se consolidado como uma referência na formação contínua de professores em Portugal, enfatizando a importância da interação social e da construção coletiva do conhecimento. O modelo pedagógico do MEM visa a iniciação às práticas democráticas, a reinstituição de valores sociais e a reconstrução cooperada da cultura, promovendo uma educação centrada na comunidade e na participação ativa dos alunos.

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O Modelo Pedagógico: (Movimento Da Escola Moderna)

O Movimento da Escola Moderna (MEM) é uma associação de educadores que promove práticas pedagógicas democráticas e cooperativas, com foco na educação infantil e no 1º ciclo do ensino básico. Desde sua fundação nos anos 60, o MEM tem se consolidado como uma referência na formação contínua de professores em Portugal, enfatizando a importância da interação social e da construção coletiva do conhecimento. O modelo pedagógico do MEM visa a iniciação às práticas democráticas, a reinstituição de valores sociais e a reconstrução cooperada da cultura, promovendo uma educação centrada na comunidade e na participação ativa dos alunos.

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uma escola onde se aprende a crescer

o modelo
pedagógico
(movimento da escola
moderna)
movimento
escola
moderna

A investigação tem apontado que só uma educação pré-escolar de


qualidade tem repercussões positivas no desenvolvimento das crianças.
Alguns estudos indicam que apenas 25% dos educadores de infância
seguem um modelo pedagógico bem definido (Vasconcelos, 1990; Lopes da
Silva, 2004, cit. por Folque, 2008). A adopção de um modelo curricular é um
instrumento de sustentação da práxis essencial para a superação da
pedagogia burocrática (Oliveira - Formosinho, 2007).

O Movimento da Escola Moderna (MEM) assinalou em 2005 quarenta anos


de actividade assumindo-se como” a experiência mais sistemática de
formação contínua de professores em Portugal” (Estrela, cit. Por Nóvoa 1998).
O Movimento define-se como uma associação de profissionais de Educação
de todos os graus de ensino com predominância para os Educadores de
infância e os Professores do 1º CEB que apostam numa” prática obsessiva da
democracia e da cooperação como matrizes epistémicas e organizacionais”.
(Peças, 2006 p.3).

A resistência e longevidade desta associação no cenário educativo português


denunciam uma força mobilizadora da acção presente na sua origem. Nóvoa
(1998) destacou a importância do passado histórico, cultural e colectivo na
criação do futuro.” O Movimento da Escola Moderna percebeu, desde o
princípio, que não há educação nem (pedagogia) sem raízes, que o futuro de
qualquer movimento associativo se conquista, antes de mais, na capacidade
para criar alicerces no tempo histórico. E o MEM criou um passado”. (p.14).

A actividade teve início nos anos 60 numa conjuntura política marcada pela
censura e pelo obscurantismo. Segundo um dos seus fundadores e principal
teorizador Sérgio Niza (2007) a criação desta associação deveu-se à fusão de

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três práticas convergentes: a concepção de um município escolar em Évora a
partir da proposta de Educação Cívica de António Sérgio, as técnicas de
Freinet difundidas no Centro Infantil Helen Keller e os cursos de
Aperfeiçoamento Profissional do então Sindicato dos Professores
organizados por Rui Grácio. Outro marco importante nas raízes neste
movimento acontece após a revolução de Abril e consiste na formalização
jurídica em 1976 desta associação de profissionais de educação.

A partir desta época a consolidação e a expansão do MEM enquanto


associação assume dimensões significativas. Actualmente a associação
organiza – se em núcleos regionais (comissões de investigação/formação)
desenvolvendo a sua acção em várias zonas do país. A publicação da revista
“Escola Moderna” constituiu outra referência incontornável apostando ao
longo da sua publicação na divulgação e aprofundamento das práticas de
uma comunidade educativa que reflecte e constrói um percurso comum
através do “supremo artifício que é a escrita”. A 5ºsérie deste boletim
apresenta um número crescente de sínteses, extratos e ensaios de teses de
mestrado e doutoramento evidenciando uma procura crescente da
cientificidade ao serviço das práticas educativas.

A criação e reformulação do MEM fez-se a partir de um conjunto exemplar


de profissionais que soube constituir – se como” um colégio colaborante
onde em comum trabalhamos sobre as nossas obras. O tudo que nos vai
espantando por sermos vários, multiplicando cada coisa, é o
deslumbramento de cultura pedagógica que assim vamos erguendo
insatisfeitos. Mas sempre renovadamente curiosos e críticos. Continuamos
olhando no espelho poliédrico do Movimento as nossas práticas”. (Niza, cit.
Por Nóvoa, 1998, pp.14,15) Neste contexto, as ideias de Freinet constituíram
património deste movimento que, através de um processo de reflexão
epistemológico – didático, foi evoluindo para uma perspectiva de acção sócio
- construtivista sustentada nas conceções de Vigotsky e Bruner.
A acção pedagógica sofreu uma reestruturação e uma refundamentação por
parte do coletivo reflexivo e mobilizador. Niza (2007) destaca a ênfase inicial

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colocada nas expressões, nas técnicas pedagógicas, na avaliação social da
Assembleia de cooperativa e no jornal de parede retratando fielmente os
primeiros anos de trabalho dos associados ao MEM. Estas práticas
consubstanciando-se em instrumentos legitimadores dos princípios
partilhados foram paulatinamente sendo substituídos por circuitos de
comunicação efectiva entre alunos, na organização participada como treino
democrático e pelo Conselho como órgão de tomada de decisão negociada
baseado no Diário de Turma o instrumento de regulação formativa. De um
enfoque pedocêntrico centrado na criança em abstrato evoluiu-se para uma
visão sociocêntrica de educação “no qual o grupo se constitui como o lugar
desafiador ideal para o desenvolvimento social, inteletual e moral das
crianças”. (Folque, 1999, p.6)

O Modelo pedagógico do MEM assenta em três finalidades formativas:


1) Iniciação às práticas democráticas;
2) Reinstituição dos valores e das significações sociais;
3) Reconstrução cooperada da cultura (Niza, 2007)

O enfoque é colocado na escola como comunidade de partilha, cooperação


e formação democrática. Os alunos inseridos no grupo - turma participam
nos processo de, organização regulação e avaliação constituindo verdadeiras
comunidades democráticas formadas por cidadãos. O processo contínuo de
construção de normas de grupo significativas e consensuais processa-se
através da interação social negociada, regulada em que a criança aprende a
comunicar efectivamente com o outro. No terceiro item o enfoque é
colocado na participação do grupo nos processos de construção dos
significados que dão sentido social às aprendizagens.

Este modelo organiza-se em torno de três conceitos com profundas


repercussões no acto de ensino - aprendizagem: Os circuitos de
comunicação, as estruturas de cooperação educativa e a participação
democrática directa (Niza, 2007).
A articulação destes conceitos constroem uma escola enquanto comunidade
ativa e reflexiva que permanentemente atribui sentidos à apropriação do
acto de ensino - aprendizagem e aos seus agentes, os cidadãos que a

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compõem e definem. Tal só é possível se for criado na sala de aula um clima
afetivo de expressão livre onde as produções diferenciadas da criança sejam
acolhidas e valorizadas pelo grupo - turma e pelo Professor/Educador. As
práticas assentes em estruturas de cooperação contrariam todo um ensino
tradicional individualista e promove uma cultura de grupo onde cada um é
corresponsável pelo percurso de cada elemento. Sobre este assunto
Benavente (1996, cit. Por Grave - Resendes & Soares, 2002, p.22) acrescenta
“diferenciar não significa individualizar o ensino: significa que as regulações e
os percursos devem ser individualizados num contexto de cooperação
educativa que vão desde o trabalho contratado ao ensino entre pares”. A
participação democrática assenta no sentido social das aprendizagens. As
competências pessoais e sociais constroem-se através das vivências na sala
de aula. O educador/professor estimula a autonomia, promove as
interacções e apoia o processo de desenvolvimento como pessoa e cidadão.
Estes saberes não se ensinam, mas aprendem-se, constroem-se através da
mediação dos educadores enquanto modelos coerentes e autênticos.

Delors (1996) salienta no relatório da Comissão Internacional sobre


Educação para o séc. XXI, da UNESCO a importância de quatro pilares
fundamentais que sustentam uma finalidade educativa comummente aceite
“aprender a aprender”. Para este autor a educação concebida como um todo
deve privilegiar os processos onde a criança: aprenda a conhecer; aprenda a
fazer; aprenda a viver juntos e aprender a ser. Concordamos com Grave –
Resendes & Soares (2002, p.29) quando afirmam que “o Movimento da
Escola Moderna responde directamente aos requisitos de uma educação
para o futuro”.

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