Direito Processual Civil: Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Direito Processual Civil: Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
CIVIL
Jurisdição, Ação e Pressupostos
Processuais
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CÓDIGO:
251202362975
GUSTAVO DEITOS
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Direito Processual Civil
Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Gustavo Deitos
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1. Jurisdição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.1. Teoria Geral da Jurisdição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.2. Dos Limites da Jurisdição Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2. Ação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.1. Condições da Ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.2. Elementos Identificadores da Ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
2.3. Classificação das Ações (Características) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3. Pressupostos Processuais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.1. Pressupostos Processuais de Existência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.2. Pressupostos Processuais de Validade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Exercícios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Gabarito. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
Gabarito Comentado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
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APRESENTAÇÃO
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avalia suas facilidades e necessidades, a fim de encontrar seus meios de estudo ideais.
Dessa forma, o aluno pode optar pelo estudo com aulas em PDF e vídeos, ou somente com
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Aqueles que preferem estudar somente com materiais em PDF terão o privilégio de
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Nesta aula, estudaremos especialmente os seguintes tópicos de Direito Processual Civil:
Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais.
A aula é acompanhada de exercícios selecionados e reunidos de modo a abranger todos
os pontos importantes da aula, a fim de que seu conhecimento seja ainda mais solidificado.
O número de exercícios é determinado de acordo com dois parâmetros: complexidade
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edição de aulas, como fonte fidedigna e transparente de informações quanto à qualidade
do material.
Peço-lhe que fique à vontade para avaliar as aulas do curso, demonstrando seu grau de
satisfação relativamente aos materiais. Seu feedback é importantíssimo para nós. Caso
você tenha ficado com dúvidas sobre pontos deste material, ou tenha constatado algum
problema, por favor, entre em contato comigo pelo Fórum de Dúvidas antes de realizar
sua avaliação. Procuro sempre fazer todo o possível para sanar eventuais dúvidas ou corrigir
quaisquer problemas nas aulas.
Cordialmente, torço para que a presente aula que seja de profunda valia para você e sua
prova, uma vez que foi elaborada com muita atenção, zelo e consideração ao seu esforço,
que, para nós, é sagrado.
Caso fique com alguma dúvida após a leitura da aula, por favor, envie-a a mim por
meio do Fórum de Dúvidas, e eu, pessoalmente, a responderei o mais rápido possível. Será
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um grande prazer verificar sua dúvida com atenção, zelo e profundidade, e com o grande
respeito que você merece.
Bons estudos!
Seja imparável!
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1. JURISDIÇÃO
Jurisdição é uma terminologia derivada do latim, com a junção dos termos juris (direito)
e dicere (dizer). Jurisdição, semanticamente, consiste no ato de dizer o direito. A partir
do momento em que a jurisdição é exercida por um Estado soberano, ela passa a consistir
na função pela qual o Estado aplica a lei geral e abstrata a todos os casos concretos que
devam ser apreciados por órgãos e/ou agentes do Estado.
Diante da moderna separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), a
jurisdição passa a servir como elemento essencial para a distinção da função do Poder
Judiciário: a função jurisdicional.
Todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) exercem, de forma principal, uma
função. As funções principais de cada Poder são:
• Poder Executivo: função administrativa/executiva
• Poder Legislativo: função legislativa (normativo-criativa)
• Poder Judiciário: função jurisdicional (dizer o direito)
Ao aplicar o direito ao caso concreto – e, por consequência, exercer a função jurisdicional
–, o Estado passa a ser tido como Estado-juiz, exercendo a tutela jurisdicional sobre os
negócios jurídicos, os atos e as pessoas.
O conceito acima afirmado é oriundo da doutrina clássica da jurisdição. Modernamente,
tem-se sustentado que a atividade jurisdicional não se limita à aplicação do direito objetivo
ao caso concreto. Afinal, o Estado deve preocupar-se, em igual intensidade, com a plena
satisfação do direito reconhecido em juízo.
No ritmo dessa visão moderna da jurisdição, o CPC de 2015, no art. 4º, dispõe: “As partes
têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade
satisfativa”.
O prestígio à diligência do Estado sobre a atividade satisfativa, com tanta eficiência
quanto aquela empregada para o reconhecimento do direito a ser satisfeito, deu lugar a
uma divisão quanto ao sentido de jurisdição:
1) JURIS-DICÇÃO: A jurisdição é e continuará sendo o ato de aplicar o direito objetivo
ao caso concreto, na fase de conhecimento.
2) JURIS-SATISFAÇÃO: O órgão jurisdicional deve garantir a realização concreta do
direito já reconhecido em juízo, na fase de execução.
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1.1.1. INÉRCIA
A jurisdição não é aplicada aos casos concretos se os sujeitos interessados não provocarem
o Poder Judiciário para tanto. Em termos propriamente ditos, a jurisdição é inerte. O ato
de “dizer o direito”, por parte do Estado-juiz, só será praticado se os sujeitos interessados
no conflito solicitarem ao Estado-juiz que a lide seja resolvida.
Alia-se a esta característica, teoricamente, o princípio dispositivo (ou princípio da
demanda), segundo o qual o juiz não pode decidir questões senão mediante provocação
das partes (art. 2º do CPC).
1.1.2. SUBSTITUTIVIDADE
O Estado-juiz, ao aplicar o direito aos casos concretos, substitui as próprias partes no
papel de tutelar o direito envolvido no conflito.
No direito natural, as próprias partes tutelam seus direitos, à base das próprias forças. Isso
é o que se conhece por autotutela. A fim de que os bens jurídicos não sejam autotutelados
pelos sujeitos, e de modo que seja evitado o retrocesso ao estado de barbárie, o Estado
substitui os sujeitos no papel de tutelar os direitos envolvidos.
Como condição necessária para que a substituição das partes seja exercida pelo Estado-
juiz com justiça, deve o órgão judicial ser imparcial: não deve o Estado-juiz conservar
tendências de cunho institucional ou pessoal que possam beneficiar uma ou outra parte
do conflito. O direito deve ser aplicado ao caso concreto com o máximo de imparcialidade
possível, sem que sejam observadas as pessoas envolvidas, mas, sim, o direito envolvido e
a norma jurídica aplicável.
1.1.3. INDELEGABILIDADE
O Poder Judiciário não pode delegar – atribuir a outrem – a função jurisdicional (de aplicar
o direito ao caso concreto) quando esta for exercida com caráter de definitividade. Esta
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função, com definitividade, é privativa dos órgãos do Poder Judiciário, e a atribuição dessa
função, de forma típica, a outros Poderes configuraria violação ao princípio da separação
dos poderes (art. 2º da Constituição Federal).
A indelegabilidade é tratada academicamente sob dois âmbitos:
1) ÂMBITO EXTERNO: Fundamenta o conceito clássico de indelegabilidade: não pode o
Poder Judiciário delegar, por sua própria inciativa, a função jurisdicional a outros Poderes
da República.
2) ÂMBITO INTERNO: Decorre de visão moderna do instituto: Os órgãos do Poder Judiciário
não podem, arbitrariamente, delegar/transferir competências de que são titulares a outros
órgãos do Poder Judiciário.
EXEMPLO
Não pode o Superior Tribunal de Justiça determinar que Tribunais de Justiça julguem o
mérito de recursos especiais, cujo processo e julgamento compete-lhe por determinação
constitucional.
A fim de evitar que o problema seja carregado por muito tempo, e com o propósito de
tirar do juiz o popular “poder da caneta”, as partes podem procurar formas extrajudiciais
de solução do problema, lançando mão de concessões recíprocas até que cada parte consiga
a parcela mais favorável para si, respeitando as limitações da outra parte. Desse propósito,
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1.1.4. DEFINITIVIDADE
O exercício da jurisdição, por parte do Poder Judiciário, tem a prerrogativa de tornar
definitivas as decisões por ele tomadas. Os atos jurisdicionais, depois do término das
possibilidades de impugnação, tornam-se imutáveis e definitivos, não podendo ser
rediscutidos em sede de processos administrativos e, ainda, processos judiciais, exceto nos
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casos especiais legalmente justificáveis (como no caso de ação rescisória, ação anulatória
ou ação revisional, nas respectivas hipóteses de cabimento).
1.1.5. INAFASTABILIDADE
O exercício da atividade jurisdicional é inafastável. Não há objeto ou sujeito de direito
que seja imune ao poder jurisdicional do Estado. A característica da inafastabilidade possui
duas óticas:
1) A lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma ameaça ou lesão a
direito (art. 5º, XXXV, da Constituição). Esta, inclusive, é uma parte da essência do princípio
do acesso à justiça.
2) O juiz não pode deixar de julgar um conflito alegando existência de lacuna no
ordenamento jurídico: ele deverá valer-se de alguma ferramenta de integração do direito
(fontes formais acessórias ou fontes não formais), como analogia e princípios gerais do
direito, para julgar o caso concreto posto à sua análise.
1.1.6. IMPRORROGABILIDADE
Se a jurisdição for exercida por quem não a possui, ou por órgão judiciário incompetente
para exercê-la em certo caso, a jurisdição não será estendida ao sujeito que dela se valeu
irregularmente. A irregularidade permanecerá, mesmo que tenha se mantido por longo tempo.
A característica da improrrogabilidade comporta exceções (caso da incompetência
relativa, que estudaremos ainda nesta aula).
1.1.8. INDIVISIBILIDADE
A atividade jurisdicional é exercível pelos juízes e pelos tribunais em todo o território
nacional. Portanto, a jurisdição é una, isto é, indivisível.
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Você sabe que os órgãos jurisdicionais de primeira e segunda instância exercem jurisdição
em apenas parte do território nacional. No entanto, essa limitação não decorre da jurisdição,
mas, sim, da competência.
A competência é que é sujeita a divisão e, portanto, divisível. A jurisdição, por sua vez,
é indivisível. O Poder Judiciário, integrado pelos juízes e tribunais enumerados no art. 92
da Constituição Federal, exerce plenamente a função jurisdicional em todo o território
brasileiro (com exceção do CNJ, que é órgão do Poder Judiciário e exerce apenas funções
administrativas), por meio de órgãos estrategicamente concentrados em determinadas
competências.
A característica da indivisibilidade tem por decorrência, de forma complementar, o
princípio da territorialidade: o juiz ou tribunal somente tem autoridade, no sentido
jurisdicional, dentro do território nacional, como consequência da soberania da República
Federativa do Brasil e do respeito à soberania dos Estados estrangeiros.
Além dessas características, é importantíssimo assimilar que a jurisdição somente poderá
ser exercida por agente público investido de jurisdição. Há quem chame essa característica
de “princípio da investidura”. Para investir-se de jurisdição, deve o agente preencher todos
os requisitos legais/normativos para exercer as atribuições da magistratura.
Em se tratando de juízes togados, é necessária a aprovação em concurso público de
provas e títulos, além do preenchimento de eventuais requisitos especiais para magistrados
de tribunais de segunda instância ou instância superior (idade, tempo de exercício na
advocacia ou Ministério Público, idoneidade moral e reputação ilibada etc.).
Quanto aos juízes leigos, não aprovados em concurso público (atuantes em Juizados
Especiais), é necessário o preenchimento dos requisitos legais para a assunção desse cargo
(bacharel em direito, cinco anos de experiência na advocacia etc.).
A jurisdição, ainda, pode ser contenciosa ou voluntária. Abaixo, apresento a diferenciação
básica entre estas duas espécies.
• JURISDIÇÃO CONTENCIOSA: O Estado visa à composição de litígios por meio de um
processo autêntico, no qual exista uma lide (conflito) a ser resolvida, com a presença
das partes (autor e réu) e aplicação das regras processuais de ônus probatório, revelia
e confissão. Nessa modalidade jurisdicional, a decisão judicial pode produzir coisa
julgada formal e material.
• JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA: O Estado participa como mero administrador de interesses
privados, dando validade a negócios jurídicos por meio de um procedimento judicial.
Neste caso, não existe lide (conflito) e nem partes (autor e réu), mas apenas
interessados (requerentes). Nesta modalidade jurisdicional, a decisão judicial pode
produzir tão somente coisa julgada formal.
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Coisa julgada material é a força impositiva que torna imutável e indiscutível a decisão
de mérito não mais sujeita a recurso. A decisão judicial, neste estágio, já ganha força de
lei (art. 503, caput).
Coisa julgada formal restringe-se à impossibilidade de manifestação, sobre a causa, no
mesmo processo, em razão de este ter sido extinto. Neste caso, o mérito da ação (alegações
do autor e do réu, ou dos requerentes, se de jurisdição voluntária) não é apreciado.
DICA
A coisa julgada formal não impede o ajuizamento de nova
ação acerca da mesma causa;
A coisa julgada material IMPEDE o ajuizamento de nova
ação sobre a mesma causa.
Ainda, registro que a jurisdição voluntária tem sua natureza jurídica conceituada na
doutrina de duas formas:
• TEORIA CLÁSSICA OU ADMINISTRATIVISTA: Segundo os filiados a essa teoria, na
jurisdição voluntária, o juiz não atua exercendo atividade propriamente jurisdicional.
Ele atua exercendo mera administração de interesses privados.
Obs.: Quando a banca não sinalizar a adoção de teoria diversa, será preferível levar em
conta esta teoria para a resolução da questão.
Também é válido ter em mente algumas considerações básicas sobre o tema
“competência”. Jurisdição e competência são temas interligados de uma forma especial
porque a competência é o limite da jurisdição.
A jurisdição não pode ser exercida, amplamente, por qualquer magistrado. Na verdade,
a atividade jurisdicional será exercida nos limites da competência do juiz.
Para imediato entendimento do raciocínio, esclareço que a competência possui várias
espécies, a saber:
1) Competência Material (em razão da matéria). Exemplo: ações oriundas das relações
de trabalho são julgadas pelos órgãos da Justiça do Trabalho. Logo, um juiz de direito, por
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exemplo, seria incompetente para apreciar a causa trabalhista (sua jurisdição não poderia
ser exercida sobre as relações de trabalho).
2) Competência Pessoal (em razão da pessoa). Exemplo: as causas e os conflitos
entre a União e os Estados são processadas e julgadas pelo STF, originariamente (art. 102,
I, f, CF/88).
3) Competência Funcional (em razão do funcionamento/função). Exemplo: o julgamento
de mandado de segurança impetrado contra ato de juiz federal compete originariamente
ao TRF, e não pode ser impetrado perante outro juiz federal (art. 109, I, c, CF/88).
4) Competência Territorial (em razão do lugar/território). Exemplo: é competente o
juiz do lugar do ato ou fato para a ação de reparação de dano (art. 53, IV, a, CPC).
5) Competência em razão do valor. Exemplo: é possível que o Juizado Especial Cível
aprecie litígio comum valorado em até 40 salários-mínimos (art. 3º, I, Lei n. 9.099/95).
Mais adiante, estudaremos que algumas dessas competências são absolutas (observadas
obrigatoriamente, sob pena de nulidade) e outras são relativas (se não alegadas até um
certo momento, não provocam nulidade. Neste momento, o objetivo é que você assimile
que o poder jurisdicional do juiz (ou do tribunal) é limitado pelas suas competências.
Confira o que dispõe o art. 16 do CPC: “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos
tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código.”. Este
artigo ilustra perfeitamente que a jurisdição, por si só, é abrangente, mas encontra limites
nas disposições do CPC: especialmente as que versam sobre competência interna. Isso sem
falar nas disposições constitucionais sobre competência.
Se o juiz/tribunal não tiver competência constitucional ou legal para apreciar uma
causa, ele não poderá exercer a jurisdição. Logo, suas decisões não serão imperativas,
definitivas e muito menos indelegáveis.
Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte.
Como regra geral, a atividade jurisdicional exercida no Brasil, em processos cíveis (em
sentido amplo, abrangendo-se as ações de competência da Justiça do Trabalho), é regida
por normas processuais brasileiras, com destaque para as leis, as normas de organização
judiciária e os regimentos internos dos tribunais.
No entanto, é plenamente possível que o Brasil ratifique tratados e/ou convenções
internacionais que versem, no todo ou em parte, sobre matéria processual. Nesse caso,
deverá o Brasil dar aplicabilidade às disposições específicas desses diplomas de direito
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4.1. Os Tribunais não são tão livres para a elaboração de seus regimentos internos, pois o próprio
art. 96, I, alínea “a”, da Constituição Federal impõe que sejam devidamente observadas as normas
de processo e as garantias processuais das partes, e que devem ser criadas regras sobre a
competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos;
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Essa relação com o poder de império estrangeiro pode decorrer de diversos fatores,
como: nacionalidade do autor ou do réu, nacionalidade de terceiros interessados, local da
prática de um ato discutido, local de surgimento dos resultados de um ato praticado e
discutido, dentre vários outros.
À frente de fatores como aqueles, podem surgir dúvidas acerca de qual país seria
competente para julgar uma demanda. A fim de tornar mais objetivas as regras de
competência que atribuam ao Brasil a competência para julgar uma demanda, o legislador
redigiu o capítulo que, doravante, será estudado com comentários individualizados.
TÍTULO II
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL E DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
CAPÍTULO I
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL
Como estudamos acima, a competência é o limite da jurisdição. Os limites da jurisdição
nacional, como não poderia ser diferente, são definidos mediante estabelecimento de
competências. As competências de que trata este capítulo podem ser de duas espécies:
1) COMPETÊNCIA CONCORRENTE: Os órgãos judiciários brasileiros podem julgar a
ação, mas os órgãos estrangeiros também poderão. O Brasil é competente, sim, para
julgar uma demanda, mas é perfeitamente possível que as partes resolvam submeter-se
a julgamento de órgão judiciário estrangeiro, se assim preferirem, observadas as regras de
competência do outro país.
EXEMPLO
No Brasil, ocorre um acidente entre dois cidadãos franceses. O art. 21, III, do CPC autoriza
que essa demanda seja processada e julgada no Brasil, mas os dois franceses preferem
discutir esta questão em órgãos judiciários da França. Pelo fato de a França reconhecer
que é concorrentemente competente para julgar a demanda, o processo tramitará sob o
procedimento francês.
EXEMPLO
Ações relativas a imóveis situados no Brasil somente podem ser processadas e julgadas por
órgãos judiciários brasileiros, por força do art. 23, I, do CPC. Se um processo relativo a imóvel
situado no Brasil tramitar na Rússia, a decisão final russa não terá nenhuma eficácia no Brasil,
e não poderá ser reconhecida.
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Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I – o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
Veja: basta que o réu esteja domiciliado no Brasil no momento do ajuizamento da ação.
Não é necessário que o réu tenha tido domicílio no Brasil ao tempo dos fatos narrados na
petição inicial.
EXEMPLO
Ocorre um acidente automobilístico na Argentina, e o suposto culpado pelo acidente passa a
residir, meses depois, no Brasil. Neste caso, se o pretenso autor da ação indenizatória preferir,
ele poderá ajuizar esta ação no Brasil.
Obs.: O parágrafo único dispõe que será considerada domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que tiver, no Brasil, agência, filial ou sucursal. Exemplos práticos
são inúmeros: Google, Apple, Microsoft etc. Portanto, se a ação for ajuizada contra
qualquer pessoa jurídica que tenha agência, filial ou sucursal no Brasil, poderá tal
ação tramitar sob os órgãos brasileiros.
EXEMPLO
Um cidadão inglês é dono de cinco veículos de exposição que se encontram no Brasil. Este
cidadão celebra contrato com um estabelecimento comercial brasileiro, na Inglaterra, dispondo
que seria obrigação do estabelecimento brasileiro proceder à pintura anual dos veículos. A
fim de discutir esta obrigação, poderá o cidadão inglês, se preferir, ajuizar a ação no Brasil.
EXEMPLO
No Brasil, ocorre um acidente entre dois cidadãos franceses. A depender da opção do
autor, a ação pode ser ajuizada no Brasil. A mesma lógica vale para qualquer ato ou fato,
independentemente da nacionalidade dos envolvidos.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I – de alimentos, quando:
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EXEMPLO
Ação de alimentos que vise beneficiar uma pessoa (frequentemente, uma criança) domiciliada
ou residente no Brasil, independentemente de sua nacionalidade, poderá ser ajuizada no Brasil.
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou obtenção de benefícios econômicos;
Qualquer ação poderá ser ajuizada contra uma pessoa que, mesmo não tendo nunca
pisado em solo brasileiro, tenha posses, propriedades, rendas ou outros lucros vindos
do Brasil.
EXEMPLO
John, cidadão estadunidense, é titular de ações de empresa brasileira. Em razão disso, eventual
ação cível em face de John poderá ser ajuizada no Brasil. A lógica desta possibilidade reside
no fato de que a existência de posses e rendas de John no Brasil é um fator que favorece a
execução da sentença (satisfação do direito), mediante possível penhora de ações. Quem
sabe, no estrangeiro, nenhum bem de John seria localizado, o que significaria dizer que o
direito do autor não seria satisfeito.
EXEMPLO
Maria, que sempre residiu no Brasil, compra roupas e calçados, por meio da internet, de uma
empresa chinesa. Ao se ver prejudicada nesta relação, em decorrência de algum problema
em sua compra, Maria poderá ajuizar ação contra a respectiva empresa no Brasil.
Seja qual for o negócio jurídico celebrado entre as partes, elas poderão inserir, no
instrumento do contrato, cláusula de eleição de foro em que escolhem dirimir quaisquer
conflitos decorrentes desse negócio perante os órgãos judiciários brasileiros.
EXEMPLO
Jack e Paul, cidadãos estadunidenses, celebram contrato de compra e venda de um veículo,
e inserem neste contrato cláusula elegendo como foro competente o de Florianópolis (SC),
no Brasil. Neste caso, será perfeitamente possível a discussão desse contrato no referido
foro brasileiro.
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O art. 23, abaixo citado, elenca várias matérias de competência exclusiva do Poder
Judiciário brasileiro. Acerca delas, nenhum outro país poderá dispor em decisão judicial.
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I – conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II – em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e
ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III – em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens
situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora
do território nacional.
Todas as matérias dos incisos do art. 23, de forma nuclear, referem-se a bens situados
no Brasil.
Sabendo desse detalhe, você já percorreu mais da metade do caminho para aprender a
diferencias as hipóteses de competência concorrente das de competência exclusiva do
Poder Judiciário brasileiro.
Obs.: Em todas as hipóteses do item n. 2, não importa a nacionalidade das partes envolvidas
na ação.
DICA
Veja como, agora, ficou simples:
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O exequatur consiste numa autorização do STJ para que a carta rogatória seja cumprida
no Brasil, concedida após um juízo de admissibilidade relativo ao atendimento das normas
brasileiras, de modo que sejam afastadas eventuais “aberrações jurídicas” decorrentes das
diferenças entre o direito brasileiro e o direito do país prolator da carta.
Voltemos, agora, aos comentários dos dispositivos do CPC relativos aos limites da
jurisdição nacional:
Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que
a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas
as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil.
Litispendência ocorre quando duas ações de iguais partes, pedidos e causas de pedir
tramitarem ao mesmo tempo. Se estas duas ações tramitarem concomitantemente no
Brasil, a segunda ação deverá ser extinta sem resolução do mérito (art. 485, V, CPC). Veja,
ainda, o que dispõem os arts. 337, §§ 1º e 2º:
Obs.: Partes, causa de pedir e pedido são os três elementos configuradores da ação judicial.
Entretanto, se duas ações de iguais partes, pedidos e causas de pedir tramitarem ao
mesmo tempo em países diferentes (em razão de competência concorrente), o fenômeno
da litispendência será relevado, isto é, não produzirá a consequência da extinção. É como
se a litispendência não existisse neste caso.
Conclusão: é perfeitamente possível que, no Brasil e no Paraguai, por exemplo, tramitem
duas ações com idênticas partes, pedidos e causas de pedir.
A regra acima (inexistência de litispendência entre ações que tramitem em países distintos)
comporta exceção: se tratados internacionais e/ou acordos bilaterais determinarem
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que deva ser reconhecida a litispendência em ações idênticas que tramitem nos países
signatários do tratado/acordo, a litispendência será, sim, reconhecida e provocará a extinção
do processo.
EXEMPLO
Brasil e Peru, por intermédio de seus representantes diplomáticos, resolvem celebrar acordo
bilateral determinando que os processos que tramitarem no Brasil e no Peru, com iguais partes,
pedidos e causas de pedir, ou envolvendo ações conexas, devem produzir a consequência da
extinção de uma das ações ou a reunião delas.
Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a homologação
de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no Brasil.
EXEMPLO
No Brasil, é processada ação idêntica a uma ajuizada na Nova Zelândia. A ação processada sob
os órgãos neozelandeses finalizou-se rapidamente. As partes requereram a homologação da
sentença final neozelandesa ao STJ, que a homologou.
A partir do momento em que o STJ homologa a sentença estrangeira, aquela ação idêntica
que tramita no Brasil será, finalmente, extinta sem resolução do mérito, em razão de
litispendência.
Afinal de contas, se a sentença proferida pela autoridade da Nova Zelândia atende a todos os
requisitos do art. 963 do CPC, tal sentença está em plena adequação com o direito brasileiro.
DICA
Ações idênticas ou conexas em países distintos: não ocorre
litispendência, reunião ou extinção em razão da identidade/
conexão.
Exceções: tratado internacional ou acordo bilateral, que
pode determinar o contrário; e homologação de sentença
estrangeira pelo STJ.
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Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação
quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional,
arguida pelo réu na contestação.
§ 1º Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva
previstas neste Capítulo.
§ 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º.
EXEMPLO
João e Pedro, brasileiros e viajantes frequentes, celebram contrato e escolhem como foro
competente para dirimir eventuais conflitos uma Vara Cível de Munique (Alemanha). João
resolve ajuizar ação indenizatória, no Brasil, relativamente a este contrato. Para que a ação seja
extinta e a jurisdição brasileira seja inacessível a este caso, deverá Pedro, até o oferecimento
de sua contestação, indicar a existência da cláusula de eleição de foro exclusivo de Munique
(Alemanha).
Se Pedro nada alegar em sua contestação, o órgão judiciário brasileiro passará a ser plenamente
competente para processar e julgar a ação, e o direito de valer-se da cláusula restará precluso.
Conforme o art. 63 e seus parágrafos, deve a cláusula de eleição de foro ser escrita
e aludir expressamente ao negócio jurídico discutido. Ademais, essa cláusula obriga os
herdeiros e sucessores das partes.
A celebração de cláusula de eleição de foro tem um limite intransponível: as matérias
de competência exclusiva dos órgãos judiciários brasileiros (art. 23 do CPC).
Em negócios jurídicos que envolvam imóveis situados no brasil, por exemplo, as partes
não poderão eleger como foro competente um órgão estrangeiro, pois a matéria que
envolva imóveis situados no Brasil deve ser apreciada pela autoridade judiciária brasileira,
com exclusão de qualquer outra (art. 23).
2. AÇÃO
A ação, ao longo da história, foi conceituada à luz de diferentes teorias. Apresentá-
las-ei de forma sucinta.
• TEORIA CIVILISTA ou TEORIA IMANENTISTA: A ação é o próprio direito material que
o sujeito quer defender. A ação, a rigor, seria uma reação do próprio direito material,
quando violado. O direito de ação e o direito material seriam, na prática, a mesma
coisa. Quem tem o direito material carrega consigo, automaticamente, o direito de
ação para tutelá-lo.
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Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo
razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
Art. 317. Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte
oportunidade para, se possível, corrigir o vício.
Art. 488. Desde que possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável à
parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485 [extinção sem
resolução do mérito].
Perceba que o direito de ação não possui um conceito universal. Diferentes ordenamentos
jurídicos podem tratá-lo de formas muito distintas, com condições e extensões variadas.
O CPC de 2015, como já alertado, adota a teoria eclética.
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O CPC de 2015 reformulou a regra das condições da ação, e este fato tem dado causa a
uma exploração muito frequente, em concursos, das condições da ação.
DICA
A possibilidade jurídica do pedido é um fator a ser analisado
ao longo do processo, isto é, no curso da instrução
probatória, das manifestações das partes e de terceiros e
da análise do juiz. Para que a ação seja ajuizada, é suficiente
que haja interesse e legitimidade.
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EXEMPLO
A ação de consignação em pagamento só é necessária quando o credor de uma dívida se
recusa a receber, desaparece, dentre outras hipóteses. Se o credor da dívida estiver disponível
e colaborando para receber seu crédito, o devedor não terá interesse para o ajuizamento da
ação de consignação em pagamento, em razão de a medida judicial ser desnecessária.
• ADEQUAÇÃO: Não basta que o autor tenha a necessidade de buscar o Judiciário: ele
deve escolher o meio processual legalmente adequado para a tutela de seu direito,
e deve apresentar os pedidos capazes de resolver o conflito de interesses. Se o
autor procurar a tutela de seu direito por meio de uma espécie incorreta de ação,
incompatível com sua pretensão, ou por uma ferramenta inapropriada, igualmente
incompatível, sua pretensão não poderá ter seguimento, em razão de a via processual
por ele escolhida ser inadequada; logo, o autor não terá interesse processual, em
razão de a medida processual eleita ser incorreta (inadequada). Ademais, também
não haverá adequação se o pedido apresentado pelo autor não for capaz de resolver
o problema que constituiu a pretensão resistida.
Confira, abaixo, dois exemplos práticos:
EXEMPLO
1) José, condenado numa ação indenizatória, depois de um ano do trânsito em julgado da
ação, pretende desconstituir a sentença que o condenou, por entender que houve grave
erro de fato no julgamento consubstanciado na sentença. Para isso, José ajuizou uma ação
comum de revisão, enquanto, na verdade, deveria ajuizar ação rescisória, que é uma ação
especialmente destinada à desconstituição da coisa julgada, inclusive por erro de fato, e
tem pressupostos processuais específicos. Ao ajuizar uma ação de procedimento comum
em primeira instância, José elegeu uma via processual inadequada; logo, José não tem
interesse processual.
2) Fagner apresenta como causa de pedir a falta de pagamento de aluguel de uma sala
comercial objeto de contrato de locação celebrado com Rafael. Apesar da clareza dos fatos
narrados na petição inicial, Fagner apresentou pedido de declaração de que a sala comercial
é de sua propriedade. Neste caso, o pedido declaratório (existência da propriedade) não é
capaz de resolver o conflito que compõe a causa de pedir. O pedido é inadequado à tutela
claramente pretendida. Logo, inexiste interesse processual.
Obs.: É possível que o autor tenha necessidade, mas não tenha interesse, uma vez que
a necessidade deve aliar-se à adequação do meio processual escolhido (ação e
pedido adequados) para ter interesse de agir (interesse processual), no sentido
técnico da palavra.
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Não é suficiente que o autor tenha pleno interesse processual. Agora, vamos à segunda
condição da ação: legitimidade. Trata-se de uma condição aplicável tanto ao autor
como ao réu.
A legitimidade, no processo, deve ser compreendida como legitimidade para a causa
(legitimidade ad causam). Deve o autor, assim como o réu, ser legalmente autorizado a
requerer a tutela do direito envolvido no conflito de interesses.
DICA
Quando inerente ao autor, toma-se o termo LEGITIMIDADE
ATIVA (do polo ativo – autor)
Se pertinente ao réu, usa-se o termo LEGITIMIDADE PASSIVA
(do polo passivo – réu)
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo
ordenamento jurídico.
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente
litisconsorcial.
EXEMPLO
Maria sofre acidente de trânsito e ajuíza ação em face do culpado pelo acidente, requerendo
reparação de danos morais e materiais decorrentes do fato danoso.
EXEMPLO
Associação existente há mais de um ano e institucionalmente incumbida de representar os
interesses dos consumidores de determinada localidade possui legitimidade (extraordinária)
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para ajuizar ações coletivas em defesa dos direitos dos consumidores, em face de alguma
prática abusiva cometida reiteradamente pelos estabelecimentos comerciais da localidade. A
autorização para defesa de direito alheio (do consumidor) em nome próprio, pela associação,
é expressa no art. 82, IV, do Código de Defesa do Consumidor.
DICA
LEGITIMIDADE ORDINÁRIA – regra geral
LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA – exceção
LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA
LEGITIMIDADE ORDINÁRIA
(Substituição Processual)
Direito próprio em nome próprio Direito alheio em nome próprio
Regra geral Exceção
Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo
prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial
para substituição do réu.
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Quando o autor ajuizar a ação contra um réu que alega que, na verdade, não tem
legitimidade para atuar no processo (preliminar de ilegitimidade passiva) ou não tem
responsabilidade pelo dano reclamado, o autor terá 15 dias para alterar, em sua petição
inicial, o réu contra o qual pretende litigar.
O prazo de 15 dias para alteração do réu terá início independentemente de o juiz concordar,
ou não, com a ilegitimidade passiva alegada pelo réu. Portanto, é suficiente para o início do
prazo de 15 dias para “troca de réus” que o réu simplesmente alegue sua ilegitimidade passiva.
Se, após o transcurso do prazo de 15 dias, o autor não trocar o réu, em razão de discordar
da preliminar de ilegitimidade ou simplesmente em razão de silenciar-se, o juiz decidirá
se o réu é, ou não, parte legítima do processo. As consequências possíveis são duas:
1) Se o juiz entender que o réu é parte legítima, o processo terá prosseguimento normal.
2) Entendendo o juiz pela ilegitimidade passiva do réu, o processo será extinto sem
resolução do mérito, por falta de preenchimento de todos os aspectos da legitimidade
(art. 485, VI, CPC).
Obs.: A extinção sem resolução do mérito por ilegitimidade passiva somente acontecerá
se o autor perder o prazo de 15 dias para trocar de réus, ou se o autor discordar da
ilegitimidade e se o juiz entender que, de fato, o réu é parte passivamente ilegítima.
Se o réu se valer da preliminar de ilegitimidade passiva, e houver alguma razão lógica
que leve a concluir que o réu é capaz, sim, de indicar o sujeito que deva responder pelos
fatos (o legítimo réu), terá ele o dever de indicar, ao mesmo tempo, quem seria o legítimo
réu da ação.
Não haverá problemas se o réu demonstrar razões convincentes de que ele não tem
conhecimento do sujeito que deva responder pelos fatos narrados na petição inicial. Todavia,
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se o réu realmente puder indicar o sujeito responsável e não fizer essa indicação, ele deverá
pagar todas as despesas do processo, bem como deverá indenizar o autor pelos prejuízos
que decorrerem do seu silêncio no tocante à indicação.
Conclusão: mesmo que o processo acabe extinto sem resolução do mérito por ilegitimidade
passiva, se o réu deixar de indicar o verdadeiro legitimado quando puder fazer a indicação,
ele pagará as custas processuais e os honorários advocatícios. Trata-se de uma expressão
do princípio da causalidade: quem der causa à extinção do processo (neste caso, o réu, em
razão da impossibilidade de prosseguimento em face do real responsável) deve arcar com
as despesas processuais.
Quando o réu indicar o verdadeiro legitimado ou responsável, o autor poderá tomar
uma de duas atitudes:
1) Dentro do prazo de 15 dias para alteração (aditamento) da petição inicial, poderá
excluir o atual réu e incluir aquele indicado na preliminar de ilegitimidade passiva da
contestação. Neste caso, somente o novo réu (incluído) continuará no processo (art. 339,
§ 1º, CPC).
• Nesta primeira hipótese, o autor pagará ao advogado do réu excluído (ilegítimo)
honorários advocatícios, em montante a ser fixado pelo juiz, respeitado o limite
mínimo de 3% e máximo de 5%, calculados sobre o valor da causa ( já que nesta fase
do processo ainda não há condenação).
Obs.: Se o valor da causa for muito irrisório (baixo), os honorários ao advogado do réu excluído
poderão observar a regra do art. 85, § 8º, do CPC: o juiz fixará, de forma equitativa
( justa), um valor que dignamente remunere a atividade do advogado no processo,
levando-se em conta o tempo despendido, o zelo, o lugar da prestação dos serviços,
o trabalho despendido, a natureza e a importância da causa (art. 85, § 2º, CPC).
2) Também dentro do prazo de 15 dias para aditamento da inicial, o autor poderá
manter o primeiro réu e incluir, como litisconsorte passivo (outro réu), o sujeito indicado
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Tome muito cuidado para não confundir as regras de substituição de réus (quando há alegação
de ilegitimidade passiva na contestação), com o fenômeno da substituição processual.
A substituição processual é sinônimo de legitimidade extraordinária: quando uma pessoa
pleiteia direito alheio em nome próprio, nos casos em que o ordenamento jurídico permitir.
As regras sobre substituição de réus nada têm a ver com substituição processual, no
sentido técnico.
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O estudo das condições da ação exige, ainda, conhecimento da teoria da asserção. Para
compreendê-la, acompanhe o seguinte exemplo prático:
EXEMPLO
Cássio ajuizou ação de cobrança contra Rafael, de modo a cobrar o pagamento de dívida
decorrente de contrato particular escrito. Em contestação, Rafael apresenta questão preliminar
de extinção do processo sem resolução do mérito, por ilegitimidade passiva, em razão de
nunca ter celebrado com Cássio qualquer contrato escrito, nem mesmo aquele apontado
na causa de pedir da ação.
Neste caso, à luz da teoria da asserção, se o juiz reconhecer que Rafael realmente nunca
celebrou qualquer contrato com Cássio, a sentença não poderá ter por resultado a extinção
do processo sem resolução do mérito por ilegitimidade passiva de Rafael, porque a verificação
da existência, ou não, da relação jurídica contratual era afeta ao mérito da demanda. Afinal,
a inexistência do contrato alegado pelo autor seria um fato impeditivo do direito do autor,
cuja análise ficou abrangida pela análise das questões de mérito por parte do juiz.
Na situação, se o juiz ficar convencido da inexistência da relação contratual alegada pelo
autor, deverá, à luz da teoria da asserção, julgar a ação improcedente, examinando o mérito.
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Para compreender de forma ainda mais clara a teoria da asserção, confira o seguinte exemplo:
EXEMPLO
Jairo ajuizou ação trabalhista contra sua ex-empregadora, a sociedade empresária Chutou
é Gol Ltda, alegando que trabalhou para tal sociedade por um ano, em jornada de trabalho
excessiva, pelo que postulou o pagamento de horas extraordinárias. Na contestação, a
sociedade empresária alegou a carência de ação, por ausência de legitimidade passiva, já que
Jairo nunca teria trabalhado para ela.
Nessa situação, o juiz não deverá extinguir a ação sem resolução do mérito por carência de
ação, já que a legitimidade passiva da sociedade empresária Chutou é Gol Ltda depende,
necessariamente, de enfrentamento do mérito, com análise de provas a respeito do fato
de Jairo ter, ou não, trabalhado para essa sociedade. Dessa forma, se o juiz se convencer de
que Jairo nunca trabalhou para a sociedade empresária em questão, deverá, à luz da teoria
da asserção, julgar a ação improcedente.
Todavia, a necessidade de avaliação das condições da ação no mérito da demanda não
é a definição da teoria da asserção. Na verdade, essa situação é apenas a que mais exige
a aplicação da teoria da asserção, e não um conceito que lhe seja próprio. Na realidade, a
teoria da asserção é mais ampla que isso.
De maneira técnica, o STJ expressa o seguinte:
JURISPRUDÊNCIA
A teoria da asserção impõe que as condições da ação, entre elas a legitimidade passiva,
sejam aferidas mediante análise das alegações delineadas na petição inicial” (AgInt
no AREsp 2003195/GO).
EXEMPLO
Ação é ajuizada contra determinada pessoa física, mas todas as alegações de fato e de direito
apontam para a responsabilidade civil de outra pessoa, que não tem nada a ver com a lide.
Neste caso, a extinção do processo sem resolução do mérito, por ilegitimidade passiva, será
medida correta e coerente por parte do juiz.
Outra definição precisa da teoria da asserção, por parte do STJ, consta do seguinte
trecho jurisprudencial:
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JURISPRUDÊNCIA
As condições da ação são apuradas de acordo com a teoria da asserção. Assim, o
reconhecimento da legitimidade das partes se dá com base nos argumentos apresentados
na inicial, que devem possibilitar a dedução, em abstrato, de que o autor pode ser o
titular da relação jurídica levada a juízo (REsp 1842613/SP)
JURISPRUDÊNCIA
AGRAVOS INTERNOS NOS AGRAVOS EM RECURSO ESPECIAL – AUTOS DE AGRAVO
DE INSTRUMENTO – DECISÕES MONOCRÁTICAS QUE NEGARAM PROVIMENTO AO
RECLAMO DA PARTE AGRAVADA E NÃO CONHECERAM DO APELO MANEJADO PELA
AGRAVANTE. INSURGÊNCIA RECURSAL DE AMBAS AS PARTES.
1. O Tribunal local, ao apreciar a controvérsia, abordou a questão relacionada à suficiência
da documentação juntada aos autos para a aferição da legitimidade ativa, a denotar o
prequestionamento das matérias debatidas no recurso especial. Necessário provimento
do agravo interno, com a consequente análise, de plano, do recurso especial.
2. Consoante entendimento firmado nesta Corte Superior, as condições da ação, aí
incluída a legitimidade para a causa, devem ser aferidas in status assertionis, ou
seja, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Precedentes.
2.1. Hipótese em que o Tribunal local, ao apreciar as condições da ação, não se valeu da
acima referida teoria da asserção, na medida em que condicionou o reconhecimento
da legitimidade ativa à juntada de documento apontado na inicial como inexistente
e de impossível produção pela autora, diante das particularidades da causa.
2.2. Presença de documentos que, desde logo, permitem a aferição da legitimidade ativa.
3. Agravo interno de fls. 2064-2073, e-STJ, provido, para conhecer do agravo (art.
1.042 do CPC/2015) e, desde logo, dar provimento ao recurso especial de fls. 1736-
1748, e-STJ. Agravo interno de fls. 2076-2087, e-STJ, prejudicado.
(AgInt no AREsp n. 1.141.325/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado
em 7/6/2022, DJe de 20/6/2022.)
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Gustavo Deitos
Tome muito cuidado: a teoria da asserção não, não torna obrigatório o exame das condições
da ação apenas no mérito da demanda. Na verdade, a teoria da asserção só possibilita que
as condições da ação, enquanto questões preliminares, sejam absorvidas pelo mérito, mas
não impede que a carência de ação seja declarada se a ausência das condições da ação for
evidente, a partir das próprias alegações da petição inicial.
Afinal, a ausência de interesse e/ou legitimidade é e continuará sendo causa de extinção
do processo sem resolução do mérito (art. 485, VI, CPC).
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Gustavo Deitos
Existem outras hipóteses de inépcia, que são estudadas na aula pertinente à petição
inicial. Desde já, saiba que a falta dos elementos pedido e/ou causa de pedir acarreta
inépcia da petição inicial, que é um fundamento para que a petição inicial seja indeferida,
e para que o processo, por consequência imediata, seja extinto sem resolução do mérito
(art. 485, I, CPC).
Ademais, se a(s) parte(s) for(em) manifestamente ilegítima(s), também ficará configurada
causa de indeferimento da petição inicial. É a regra do art. 330, II, do CPC:
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Gustavo Deitos
Agora, tome cuidado para não confundir os elementos com as condições da ação:
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a
causa de pedir.
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já
houver sido sentenciado.
§ 2º Aplica-se o disposto no caput:
I – à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II – às execuções fundadas no mesmo título executivo.
O fenômeno da conexão verifica-se quando as ações conexas têm, por igual, um dos
seguintes elementos:
1) Pedido;
2) Causa de pedir.
Obs.: É suficiente a igualdade de somente um destes elementos para que a conexão reste
configurada (pedido ou causa de pedir). É uma regra alternativa, e não cumulativa.
A igualdade de causas de pedir é fácil de visualizar: o fato que fundou o ajuizamento
das duas ações é o mesmo, ou decorrem de um mesmo fator.
Já a igualdade de pedidos é algo de lógica um pouco distinta. Não se trata de serem
pedidos iguais de forma isolada, mas, sim, de dois pedidos certos e determinados de
forma idêntica.
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Gustavo Deitos
EXEMPLO
Dois pedidos de condenação de uma mesma empresa a implementar mecanismos de
acessibilidade a pessoas com deficiência em um estabelecimento empresarial específico.
A conexão pode ser configurara mesmo que as partes dos processos conexos sejam diferentes.
É suficiente para a constatação da conexão a igualdade do pedido (certo e determinado)
ou da causa de pedir. Não importa quem sejam as partes.
Tão logo seja reconhecida a conexão entre dois ou mais processos, eles serão reunidos
para decisão conjunta, no juízo prevento (primeiro em que tenha sido registrada/distribuída
a primeira das ações).
Esta reunião deve ocorrer por determinação do juiz, de ofício. Afinal, a conexão consiste
em matéria de ordem pública, tida como expressão da isonomia e da segurança jurídica
(decisões não conflitantes sobre conflitos atrelados).
Não haverá decisão conjunta se um dos processos conexos já houver sido sentenciado.
Neste caso, o processo sentenciado ficará como está, e os demais – ainda pendentes de
decisão – serão reunidos para sentença conjunta (§ 1º).
JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 235 do STJ
A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi
julgado.
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Gustavo Deitos
§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação
de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão
entre eles.
O § 3º do art. 55 cria uma hipótese de conexão que não precisa de identidade de pedidos
ou causa de pedir para ser configurada.
Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto
às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.
A configuração da continência entre dois ou mais processos é algo mais complexo. Exige-
se a identidade de dois elementos: partes e causa de pedir. São elementos cumulativamente
idênticos.
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Na continência, existem:
1) Ação Continente: Aquela que possui pedidos mais abrangentes, mais
profundos/robustos.
2) Ação Contida: Aquela que contenha menor número de pedidos, sendo, por isso, uma
ação menor.
Além de as partes e as causas de pedir serem idênticas, é necessária a existência de uma
abrangência de uma ação sobre outra. De grosso modo, é necessário que a ação menor
“caiba” dentro da ação maior, como se a ação maior tivesse o poder de absorver toda a
ação menor.
Ilustro:
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As classificações com base em fundamentos e em resultados não são mais aceitas pela
doutrina moderna, uma vez que se fundam no direito material invocado na ação, e a teoria
eclética, atualmente adotada pelo CPC para a definição da ação, não admite que a ação seja
vinculada ao direito material envolvido. Com base em tais classificações, muitos nomeiam
as ações como “ação de rescisão de contrato”, “ação real” (quando envolve direitos reais),
“ação pessoal” (pertinente a direitos pessoais) etc.
Atualmente, em razão de a teoria válida da ação considerar que esta é totalmente
separada do direito material, as ações são classificadas em conformidade com a espécie
de tutela jurisdicional que pretendem. Dessa forma, aceita-se amplamente a seguinte
classificação:
Mesmo que em uma relação jurídica tenha alguma das partes sofrido danos, por culpa
da outra parte ou de terceiros, é perfeitamente possível que o sujeito prejudicado ajuíze
uma ação meramente declaratória, buscando tornar imutável o fato de a relação existir,
inexistir ou a forma como a relação ocorreu ou deva ocorrer.
Exemplo popular de ação meramente declaratória é a ação destinada ao reconhecimento
de tempo de serviço de um trabalhador para uma empresa ou pessoa, na Justiça do Trabalho,
a fim de que este tempo seja levado em consideração para futuras concessões de benefícios
previdenciários (aposentadoria, na maioria dos casos). Não importa se o trabalhador sofreu
alguma violação durante o trabalho: ele pode pedir ao juiz, tão somente, a declaração de
existência da relação de emprego.
É plenamente possível que, em ação declaratória, o autor pretenda que um documento
seja declarado pelo juiz como autêntico, ou, em outras situações, como falso.
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EXEMPLO
Ações de divórcio (desconstituição da relação matrimonial).
Em algumas situações, as ações constitutivas, quando se destinem a desconstituir uma
relação jurídica (como no caso do divórcio), são chamadas de ações desconstitutivas ou,
ainda, de ações constitutivas negativas.
Assim como no caso da ação meramente declaratória, o autor pode limitar-se a formular
uma pretensão meramente constitutiva, sem pedir ao juiz qualquer condenação em
face do réu, mesmo que tenha havido alguma violação de direito na relação constituída/
desconstituída.
EXEMPLO
Mandado de segurança, Habeas data, ação fundada em obrigação de fazer ou não fazer.
Nas ações mandamentais, o comando expedido pelo juiz (mediante mandado judicial,
normalmente) é cumprido pelo próprio devedor. Este cumprimento ocorre sob certa
pressão, como a cominação de multa, previsão da possibilidade de busca e apreensão etc.
É neste ponto que reside a diferença crucial entre a ação mandamental e a ação executiva
lato sensu, que é a próxima a ser estudada.
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DICA
Se o comando for cumprido pelo próprio devedor, sob
pressão do juiz, a ação será mandamental.
Quando o comando for cumprido como decorrência de atos
do próprio juiz (determinação de penhora, indisponibilidade
de bens, bloqueio de contas etc.), a ação será executória.
Perceba que as ações são tradicionalmente classificadas em uma dentre cinco categorias.
Este fato enquadra a referida classificação na teoria quinária (quíntupla) das ações, pois
podem ser classificadas de cinco formas.
Alguns doutrinadores (mais conservadores) adotam a teoria ternária (trinária) das ações,
reconhecendo somente a declaratória, a constitutiva e a condenatória (três categorias).
Em questões de concurso, são cobradas as cinco categorias – inclusive a executória lato
sensu e a mandamental –, razão pela qual recomendo a consideração da teoria quinária.
Professor, não consigo classificar as ações com base nesses critérios, uma vez que
existem ações que se encaixariam em vários deles. O que eu faço?
EXEMPLO
A constituição de uma relação jurídica de prestação de serviços, com o objetivo final de
condenação do réu por perdas e danos, geralmente é acompanhada da declaração da existência
da obrigação de prestar os serviços. Ao final, é possível a execução da obrigação descumprida.
Veja que, numa só ação, identificam-se quatro critérios classificadores.
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3. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
Os pressupostos processuais são elementos que devem existir para que o processo
seja constituído e, além de constituído, tenha andamento, a fim de que se possa chegar
ao resultado final: a entrega da tutela jurisdicional pelo Estado-juiz.
Dessa forma, podemos concluir que os processos devem preencher pressupostos de
constituição e de desenvolvimento válido e regular. A ausência de quaisquer desses
pressupostos acarreta a extinção do processo sem resolução do mérito (art. 485, IV, CPC).
Estes dois tipos de pressupostos podem ser definidos de uma maneira mais simples:
pressupostos de existência e de validade.
• PRESSUPOSTOS DE EXISTÊNCIA: São os elementos que devem existir para que o
processo se considere existente, isto é, constituído de pleno direito.
• PRESSUPOSTOS DE VALIDADE: São os elementos que devem se fazer presentes a fim
de que o processo tenha um andamento válido, de modo que a tutela jurisdicional seja
considerada entregue perfeitamente de acordo com o direito, independentemente
de seu conteúdo.
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Obs.: Algumas bancas podem chamar este pressuposto de “petição inicial”, com o mesmo
sentido de “pedido” e “demanda”.
Pressupostos de existência subjetivos:
1) Juiz investido de jurisdição. Deve o julgador preencher todos os requisitos legais
para poder aplicar a lei ao caso concreto com força de coisa julgada: aprovação em concurso
público regular, idade mínima nos casos em que a lei a exigir, estar em efetivo exercício etc.
2) Deve o réu ser citado. Deve haver alguma tentativa real de citação do réu, mesmo
que inválida. Se a citação for inválida, tratar-se-á de um vício em pressuposto de validade,
e não de existência. Para a constituição (existência) do processo, basta que exista uma
citação, ainda que nula.
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Lembre-se que, como dito logo acima, a capacidade das partes é ponto de divergência
doutrinária, se seria um pressuposto de validade ou de existência. Fato é que a capacidade
das partes é um pressuposto processual, mas não se definiu ainda, ao certo, se de validade
ou de existência.
EXEMPLO
Se o autor abandonar a causa por três vezes, ele não mais poderá ajuizar ação com iguais
pedidos contra o mesmo réu (art. 486, § 3º do CPC).
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RESUMO
O assunto desta aula contém uma densidade teórica que a distingue das aulas em que
estudamos o CPC mediante comentários individualizados. Portanto, de modo a viabilizar uma
absorção mais célere das importantes palavras-chave relativas a cada tema, apresentarei,
neste capítulo, breve síntese dos tópicos teóricos, de modo a facilitar seu processo de revisão:
• A jurisdição constitui a função típica do Poder Judiciário;
• O conceito moderno de jurisdição exige que se considerem dois elementos:
− 1) JURIS-DICÇÃO: A jurisdição é e continuará sendo o ato de aplicar o direito ob-
jetivo ao caso concreto, na fase de conhecimento.
− 2) JURIS-SATISFAÇÃO: O órgão jurisdicional deve garantir a realização concreta
do direito já reconhecido em juízo, na fase de execução.
• A jurisdição tem por característica a inércia: só é aplicada aos casos concretos se os
sujeitos interessados provocarem o Poder Judiciário para tanto;
• A atividade jurisdicional caracteriza-se pela substitutividade: o Estado substitui as
próprias partes no papel de tutelar o direito envolvido no conflito;
• A jurisdição é norteada pela característica da indelegabilidade: os órgãos do Poder
Judiciário não podem delegar a função jurisdicional (de aplicar o direito ao caso
concreto) a outros órgãos ou pessoas;
• Outra característica principiológica da jurisdição é a definitividade: o exercício da
jurisdição, por parte do Poder Judiciário, tem a prerrogativa de tornar definitivas as
decisões por ele tomadas;
• A atividade jurisdicional ainda tem por característica a inafastabilidade (ou
obrigatoriedade): não há objeto ou sujeito de direito que seja imune ao poder
jurisdicional do Estado;
• A improrrogabilidade, como característica da jurisdição, significa que, se a jurisdição
for exercida por quem não a possui, ou por órgão judiciário incompetente para
exercê-la em certo caso, a jurisdição não será estendida ao sujeito que dela se valeu
irregularmente. Há exceções;
• A jurisdição caracteriza-se pela imperatividade (ou inevitabilidade): as decisões
proferidas pelo Poder Judiciário têm poder coativo/coercitivo sobre os sujeitos
envolvidos;
• A atividade jurisdicional é exercível pelos juízes e pelos tribunais em todo o território
nacional ( jurisdição una e indivisível);
• A competência dos órgãos jurisdicionais brasileiros, em relação aos órgãos
estrangeiros, pode ser dividida em duas espécies:
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EXERCÍCIOS
001. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA DIREITO/2025)
Com base no CPC e na doutrina contemporânea, julgue os seguintes itens, acerca das
condições da ação.
I – O direito de ação é concreto e autônomo, ou seja, no momento da propositura da
demanda, pressupõe-se a existência e a titularidade do direito material afirmado em juízo.
II – Conforme interpretação sistemática do CPC, a ausência de possibilidade jurídica do
pedido é causa de inépcia da petição inicial e, por isso, conduz à extinção do processo sem
resolução do mérito.
III – Consoante a teoria da asserção, o magistrado deve tomar como parâmetro as alegações
do autor para aferir a presença das condições da ação.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item II está certo.
b) Apenas o item III está certo.
c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens I e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.
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pelo requerente era inferior ao valor das despesas despendidas pelo Estado na solução da
controvérsia. Nessa situação, a decisão do juiz constitui ofensa ao princípio
a) do contraditório.
b) da ampla defesa.
c) da indisponibilidade da jurisdição.
d) da preclusão.
e) da inércia da jurisdição.
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c) só age quando provocado pelas partes; deve o juiz tratar as partes com base na lei,
observando o contraditório e a ampla defesa; e somente quem tem mérito deve vencer o
processo, não se permitindo privilégios a ninguém por sua condição pessoal.
d) deve vencer sua inércia, visando a tornar-se mais eficiente, em prol da sociedade; deve
o juiz tratar as partes com igualdade; e o mérito do pedido deve prevalecer, devendo o juiz
suprir e sanar irregularidades em qualquer ocasião.
e) só age, como regra, quando provocado pelas partes; o juiz deve ser imparcial e observar
o contraditório e a ampla defesa; e o pedido de maior mérito deve ser julgado procedente
pelo juiz.
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( ) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são
conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos
bilaterais em vigor no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu,
qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que no
Brasil tiver de ser cumprida a obrigação.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, conhecer
de ações relativas a imóveis situados no Brasil.
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a) F – F – V – F.
b) V – F – V – F.
c) V – V – V – V.
d) F – V – F – V.
e) F – V – F – F.
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Gustavo Deitos
GABARITO
1. b 27. E 53. C
2. c 28. E 54. C
3. a 29. E 55. E
4. d 30. C 56. E
5. c 31. C 57. E
6. b 32. E 58. E
7. b 33. c 59. E
8. c 34. C 60. E
9. b 35. E 61. E
10. b 36. d 62. C
11. c 37. b 63. C
12. e 38. C 64. C
13. c 39. c 65. E
14. d 40. E 66. E
15. a 41. c 67. c
16. a 42. a 68. c
17. e 43. d 69. a
18. d 44. c 70. b
19. a 45. d 71. b
20. c 46. d 72. b
21. b 47. d 73. E
22. d 48. E 74. C
23. b 49. E 75. E
24. b 50. C 76. E
25. C 51. E 77. E
26. E 52. C
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GABARITO COMENTADO
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I – Certa. A resolução de conflito por terceiro estranho à relação jurídica, como o magistrado,
consiste na heterocomposição.
II – Certa. A jurisdição tem, em medida ponderada, uma função criativa, e o sistema de
precedentes é um positivo exemplo dessa função.
III – Errada. O prévio esgotamento das vias administrativas pode ser exigido diante de ações
de objeto especial, como a reclamação, a fim de evitar a judicialização de problemas que
possam ser resolvidos na esfera administrativa. Todavia, é importante lembrar de que essa
não é a regra geral das ações de procedimento comum, nas quais, via de regra, não se exige
sequer enfrentamento da via administrativa para obter a reparação por decisão judicial.
Letra c.
A legitimidade para a causa é verificada a partir dos fatos alegados na inicial. Se a partir da
própria leitura da peça ficar claro que o direito pleiteado não pertence propriamente ao
autor, fica configurada a ilegitimidade passiva (ausência de legitimidade, prevista no art. 17
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do CPC como condição da ação). É essa a lógica da teoria da asserção: verificar condições
da ação a partir das alegações da petição inicial, abstratamente.
Letra a.
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A ação que vise declarar a existência ou o modo de ser de uma relação jurídica pode ser
ajuizada, estando, portanto, presente o interesse processual (art. 19, I, CPC). Igualmente,
pode ser ajuizada ação de conhecimento mesmo que a parte tenha título extrajudicial, nos
termos do art. 785 do CPC.
Letra b.
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e) Errada. O princípio do juiz natural tem desdobramento que proíbe a criação de juízos e
tribunais de exceção, que são aqueles concebidos para processar e julgar um determinado
problema, de forma apartada dos órgãos jurisdicionais já existentes. Essa proibição consta
do art. 5º, XXXVII, da Constituição Federal. No entanto, a criação de órgãos especializados
em determinadas matérias, integrantes da estrutura do Poder Judiciário, não ofende tal
preceito.
Letra b.
Perceba que se trata de hipótese em que a ausência de legitimidade ativa é evidente. Afinal,
o divórcio é questão afeta à titularidade jurídica dos próprios cônjuges, e não com seus
familiares. Neste caso, como da própria afirmação da petição inicial é possível constatar
a ausência de uma das condições da ação, deverá o processo ser extinto sem resolução do
mérito. Afinal, neste caso, não haveria prova ou instrução capaz de afastar tal ausência.
Letra c.
A declaração do modo de ser de uma relação jurídica é uma das hipóteses de pertinência
da ação declaratória (art. 19, I, CPC).
Letra e.
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d) deve vencer sua inércia, visando a tornar-se mais eficiente, em prol da sociedade; deve
o juiz tratar as partes com igualdade; e o mérito do pedido deve prevalecer, devendo o juiz
suprir e sanar irregularidades em qualquer ocasião.
e) só age, como regra, quando provocado pelas partes; o juiz deve ser imparcial e observar
o contraditório e a ampla defesa; e o pedido de maior mérito deve ser julgado procedente
pelo juiz.
a) Certa. O item reproduz, de forma perfeita, conceitos tradicionais dos princípios da inércia,
da isonomia e da primazia da solução do mérito, na mesma ordem.
b) Errada. Agir com menos eficiência nada tem a ver com o princípio da inércia.
c) Errada. O mérito relaciona-se ao objeto da demanda, e não ao sujeito que dela participa.
Ademais, privilégios processuais existem em determinadas situações, como em relação aos
prazos e à intimação da Fazenda Pública e às hipóteses de tramitação processual prioritária.
d) Errada. O juiz não pode deixar de observar que sua atuação inicial nas demandas somente
ocorre por iniciativa da parte interessada, e a resolução do mérito não é um primado
absoluto, pois determinadas questões de ordem pública podem impedir seu exame, ainda
que na prática esse exame seja conveniente a alguma das partes.
e) Errada. Não há relação entre o princípio da primazia da solução do mérito e o julgamento
procedente de um dos pedidos, até em razão de não existir um “maior” ou “menor” mérito
entre os objetos do processo.
Letra a.
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a) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa reproduz corretamente
a noção teórica da característica da definitividade. Ademais, como decorrência de outras
características, como a da substitutividade, o juiz deve ser imparcial.
b) Certa. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa afronta a noção de
imperatividade, que é uma das características essenciais da função jurisdicional: outros
órgão não podem negar força às decisões judiciais.
c) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa é correta pelo fato
de não ignorar a autocomposição, que é uma forma de tutela jurídica não jurisdicional, ao
lado das ferramentas alternativas de solução de conflitos, como a arbitragem.
d) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa está correta: a função
jurisdicional pode ser exercida de forma dividida em variados ramos (Justiça Estadual,
Federal, do Trabalho etc.). De qualquer forma, a função jurisdicional pertence a uma única
fonte imperativa: o Estado (República Federativa do Brasil).
e) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa reproduz de forma
perfeita a característica da inércia, corroborada pela norma principiológica do art. 2º do CPC.
Letra b.
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a) Errada. Trata-se de conteúdo a ser aprofundado na aula sobre a teoria geral do processo.
Conforme o art. 18, caput, “Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo
quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”. Portanto, há possibilidade de exceções no
sentido de que o pleito de direito alheio em nome próprio será possível.
b) Errada. Trata-se de conteúdo a ser aprofundado na aula sobre a teoria geral do processo.
Conforme o art. 17, “Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade.”. A
possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação, no Novo CPC.
c) Errada. Trata-se de conteúdo a ser aprofundado na aula sobre a teoria geral do processo.
Conforme o art. 20, “É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido
a violação do direito.”.
d) Certa. Trata-se da correta regra literal, e estudada na aula, do art. 24, caput, do CPC.
e) Errada. Conforme o art. 25, caput, do CPC, “Não compete à autoridade judiciária brasileira
o processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo
estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação.”.
Letra d.
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Caro(a) aluno(a), o professor entende que esta questão teria, a rigor, dois gabaritos: A e B.
Explicarei nos comentários.
a) Errada. Entendo que esta alternativa também estaria correta, em razão de a jurisdição
voluntária ter essência predominantemente administrativa. Inclusive, a questão de n. 7
deste material, também da CESPE, afirma: “Na jurisdição voluntária não há lide: trata-se
de uma forma de a administração pública participar de interesses privados.”. A CESPE, na
oportunidade, considerou esta afirmação como correta. A banca VUNESP, na questão de n.
1 deste material, também considera a jurisdição voluntária como de caráter administrativo.
Nesta questão, o elaborador, provavelmente, estava pensando somente na jurisdição
contenciosa, que, por sua vez, não tem caráter administrativo.
b) Certa. A ação rescisória, de objeto especial (desconstituição de coisa julgada), pertence
à jurisdição contenciosa, pois envolve interesses opostos. Logo, não há razão que justifique
o tratamento da ação rescisória de forma estranha.
c) Errada. Inevitabilidade é sinônimo de imperatividade, a qual consiste no pleno poder do
Judiciário para apreciar lesões ou ameaças a direitos. Isso nada tem a ver com o número
de indivíduos alcançados.
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d) Errada. Veremos isso profundamente na aula sobre a Comunicação dos Atos Processuais.
Desde já, adianto que cartas rogatórias se destinam a órgãos estrangeiros.
e) Errada. Cidadãos estrangeiros também podem valer-se do direito de ação e, portanto,
provocar a jurisdição.
Letra b.
O art. 55 dispõe: “Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o
pedido ou a causa de pedir.”.
Errado.
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Ações relativas a imóveis situados no Brasil são de competência exclusiva dos órgãos
judiciários brasileiros, com exclusão de qualquer outro (art. 23, I, CPC).
Errado.
Trata-se do conceito básico de jurisdição, muito semelhante ao trazido nesta aula: solucionar
conflitos e aplicar o direito ao caso concreto, reconhecendo sua pertinência.
Certo.
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( ) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são
conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos
bilaterais em vigor no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu,
qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que no
Brasil tiver de ser cumprida a obrigação.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, conhecer
de ações relativas a imóveis situados no Brasil.
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O único erro do item está no requisito para que a pessoa jurídica estrangeira se considere
domiciliada no Brasil. Conforme o art. 21, parágrafo único, “considera-se domiciliada no
Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.”. O primeiro
período do item, sobre a competência, está correto (art. 21, I, CPC).
Errado.
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a) Errada. A jurisdição civil é exercida pelos órgãos nacionais, sendo respeitadas as disposições
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil
seja parte (art. 13 do CPC).
b) Errada. Tal matéria é de competência concorrente dos órgãos jurisdicionais brasileiros
(art. 21, II, CPC).
c) Errada. De acordo com o art. 17, “para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade.”. A possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação.
d) Certa. É a regra literal o art. 18, caput, do CPC.
e) Errada. O art. 26, § 1º, dispõe que “na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional
poderá realizar-se com base em reciprocidade, manifestada por via diplomática”.
Letra d.
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Quando um réu é cobrado por pretensão cuja satisfação não seja de sua responsabilidade,
ele será parte ilegítima; logo, haverá ilegitimidade passiva.
Certo.
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No enunciado, ao citar o “terceiro imparcial”, a banca sinalizou que não entende como
exclusividade do Poder Judiciário o exercício da jurisdição, no sentido de dizer o direito
aplicável ao caso concreto. Dessa maneira, a banca esperava que o candidato lembrasse
da arbitragem, que é uma forma de exercício de jurisdição (aplicação do direito a um caso
concreto) em casos específicos, por pessoa privada eleita pelas partes.
Errado.
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c) F – V – F – V.
d) V – F – V – F.
e) V – F – F – F.
Os elementos identificadores da ação são: pedido, causa de pedir e partes. Portanto, se outra
ação reproduzir os mesmos três elementos, será idêntica à primeira, e ficará caracterizada
a litispendência (causa de extinção do processo sem resolução do mérito). Assim dispõe
o art. 337, § 2º, do CPC: “Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a
mesma causa de pedir e o mesmo pedido.”.
Letra d.
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b) A restrição para se pleitear direito alheio em nome próprio é absoluta e não possui
exceções.
c) É cabível ação declaratória do modo de ser da relação jurídica.
d) A ação declaratória de autenticidade de documento não é admitida pelo ordenamento
jurídico.
e) Se houver afirmação de violação de um direito, não se admite a ação meramente
declaratória.
a) Errada. De acordo com o art. 17, “para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade.”. A possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação.
b) Errada. Confira a regra do art. 18, caput: “Ninguém poderá pleitear direito alheio em
nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”. Tal restrição não é
absoluta, portanto.
c) Certa. Trata-se da regra do art. 19, I, CPC.
d) Errada. O art. 19, II, permite o ajuizamento de ação declaratória de autenticidade de
documento.
e) Errada. O art. 20 dispõe que “é admissível a ação meramente declaratória, ainda que
tenha ocorrido a violação do direito”.
Letra c.
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Um órgão público (Secretaria), em regra, não tem capacidade de atuar em juízo na defesa
de seus atos. A representação como parte, no processo, incumbe à pessoa jurídica principal
(no caso, o Estado de Santa Catarina), que apresentará a defesa do órgão por intermédio
de sua procuradoria. Logo, a Secretaria (órgão) não possui capacidade de ser parte (estar
em juízo), pois tal capacidade pertence à pessoa jurídica (Estado).
Letra d.
O art. 20 dispõe que “é admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido
a violação do direito.”.
Letra d.
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Por falta de interesse processual, não se admite a postulação em juízo apenas com a
finalidade de declaração do modo de ser de uma relação jurídica.
A ação declaratória acerca do modo de ser de uma relação jurídica pode, sim, ser ajuizada
(art. 19, I, CPC). Não há, portanto, falta de interesse processual nesta hipótese.
Errado.
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Conforme o art. 485, § 3º, do CPC, “o juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos
incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito
em julgado.”. Após o trânsito em julgado, as questões da legitimidade e do interesse (inciso
VI) são absorvidas pelo mérito e, portanto, acobertadas pela coisa julgada material.
Errado.
Trata-se da regra quase literal do art. 18: “Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome
próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”. Entendo que o gabarito da
banca é questionável, uma vez que o “ordenamento jurídico” contempla várias outras
fontes do direito, muito além da lei estrita.
Certo.
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Na verdade, a antiga condição da ação que passou a ser uma questão de mérito é a
possibilidade jurídica do pedido. A legitimidade continua sendo condição da ação (art. 17
do CPC), analisada como questão preliminar.
Errado.
O art. 18, parágrafo único, do CPC dispõe que “havendo substituição processual, o substituído
poderá intervir como assistente litisconsorcial.”.
Errado.
Por primeiro, a possibilidade jurídica do pedido não é condição da ação. Por segundo,
havendo carência de ação (falta de interesse e/ou legitimidade), o processo será extinto
sem resolução do mérito (art. 485, VI, CPC).
Errado.
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No CPC de 2015, predomina a teoria eclética: as partes (autor e réu) têm direito a uma
real solução do conflito, de modo que ela seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco
importando se a pretensão do autor é procedente ou improcedente. A conceituação da
teoria imanentista ou civilista, por sua vez, está correta. O erro da questão é afirmar que
tal teoria prevaleceria no direito processual atual.
Errado.
No CPC de 2015, predomina a teoria eclética: as partes (autor e réu) têm direito a uma
real solução do conflito, de modo que ela seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco
importando se a pretensão do autor é procedente ou improcedente.
Errado.
O interesse e a legitimidade são condições da ação. Os elementos, por sua vez, são as partes,
a causa de pedir e o pedido.
Errado.
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No CPC de 2015, predomina a teoria eclética: as partes (autor e réu) têm direito a uma
real solução do conflito, de modo que ela seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco
importando se a pretensão do autor é procedente ou improcedente. Logo, o direito material é
totalmente separado do direito de ação. Logo, o direito de ação é autônomo e independente.
Errado.
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Conforme o art. 317, “antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá
conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício.”. Ademais, o art. 76 do
CPC de 2015, de forma específica, prevê a concessão de prazo razoável para regularização
da representação processual e da capacidade das partes.
Errado.
A questão é polêmica, em razão de seu enunciado abranger, em tese, mais de um dos princípios
arrolados nas alternativas. O pensamento mais coerente a justificar o posicionamento da
banca é o de que a existência da possibilidade de concessão de tutela provisória sem a
manifestação prévia da parte contrária destina-se a tutelar situações de maior gravidade,
das quais podem surgir graves danos se sua efetiva tutela não for implementada de imediato.
No entanto, seria sustentável, também a relação direta com o princípio da inércia, pelo fato
de a concessão da tutela provisória decorrer de requerimento da parte.
Letra c.
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c) Embora o advogado possua capacidade postulatória plena, a parte poderá atuar nos
autos sem advogado em casos como nos juizados especiais cíveis em causas de primeira
instância cujo valor seja de até vinte salários-mínimos.
d) Os magistrados podem ter duas extensões de parcialidade: a suspeição, que é fruto de
uma presunção absoluta; e o impedimento, que decorre de uma presunção relativa.
e) No processo, o dever de imparcialidade é do juiz, assim, não se aplicam aos auxiliares da
justiça as hipóteses legais de impedimento e de suspeição.
a) Certa. Estes são exatamente os três exemplos mais trazidos pelos doutrinadores de
pressupostos negativos de validade, que não devem estar presentes para que o processo
seja válido (por isso, são negativos).
b) Errada. Dentre estes três, a legitimidade processual não é pressuposto de existência,
mas de validade.
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a) I e III
b) I e II
c) II e III
d) I, II e III
e) II, apenas
I – Certa. É subjetivo por dizer respeito a um sujeito do processo, e de validade por não ser
essencial à constituição, mas sim ao desenvolvimento válido e regular do processo.
II – Certa. É objetivo por dizer respeito a um ato processual praticado em conformidade
com a lei, e de validade por não ser essencial à constituição, mas sim ao desenvolvimento
válido e regular do processo.
III – Errada. Os pressupostos de existência são todos positivos, mas, dentre os de validade,
existem pressupostos negativos: os que não devem se fazer presentes para que o processo
tenha desenvolvimento válido e regular. É o caso da coisa julgada, da litispendência, da
perempção e da convenção de arbitragem.
Letra b.
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É neste sentido que se classifica a petição inicial nos pressupostos processuais. A existência
de petição contendo algum pedido atende aos pressupostos de existência, e a obediência
aos requisitos legais da petição inicial (arts. 319 e seguintes do CPC) atende aos de validade.
Certo.
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