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Direito Processual Civil: Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais

O documento aborda o Direito Processual Civil, focando em Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais. Ele é estruturado para ser uma fonte de estudo autossuficiente, com exercícios e gabaritos, visando preparar alunos para concursos públicos. A obra também discute a função jurisdicional do Estado e suas características, como inércia e substitutividade.

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Neilton Lins
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Direito Processual Civil: Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais

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DIREITO PROCESSUAL

CIVIL
Jurisdição, Ação e Pressupostos
Processuais

Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra

Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais
do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às
penalidades previstas civil e criminalmente.

CÓDIGO:
251202362975

GUSTAVO DEITOS

Professor de cursos preparatórios para concursos públicos. Analista Judiciário do


Tribunal Superior do Trabalho (Gabinete de Ministro).
Outras convocações: Técnico Judiciário do TRT-SC (7° lugar) e Analista Judiciário do
TRF da 3ª Região. Aprovado em 8° lugar para Analista Judiciário do TRT-MS.

O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para HEBER GABRIEL MASCARENHAS DIAS - 08530949501, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
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Direito Processual Civil
Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Gustavo Deitos

SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1. Jurisdição . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.1. Teoria Geral da Jurisdição. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.2. Dos Limites da Jurisdição Nacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2. Ação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.1. Condições da Ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.2. Elementos Identificadores da Ação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
2.3. Classificação das Ações (Características) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
3. Pressupostos Processuais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.1. Pressupostos Processuais de Existência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 44
3.2. Pressupostos Processuais de Validade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Resumo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Exercícios. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Gabarito. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
Gabarito Comentado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

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APRESENTAÇÃO
Olá, querido(a) aluno(a) do Gran Cursos Online! Espero encontrá-lo muito bem!
Esta aula foi elaborada de modo que você possa tê-la como fonte autossuficiente de
estudo, isto é, como um material de estudo completo e capaz de possibilitar um aprendizado
tão integral quanto outros meios de estudo.
A preferência por aulas em PDF e/ou vídeos pertence a cada aluno, que, individualmente,
avalia suas facilidades e necessidades, a fim de encontrar seus meios de estudo ideais.
Dessa forma, o aluno pode optar pelo estudo com aulas em PDF e vídeos, ou somente com
um ou outro meio.
Aqueles que preferem estudar somente com materiais em PDF terão o privilégio de
contar com as aulas em PDF autossuficientes do nosso curso, a exemplo desta. De qualquer
forma, nada impede que as aulas em PDF sejam utilizadas como fonte de estudos de
forma aliada com as aulas em vídeo do Gran Cursos Online. Tudo depende, unicamente, da
preferência de cada aluno.
Nesta aula, estudaremos especialmente os seguintes tópicos de Direito Processual Civil:
Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais.
A aula é acompanhada de exercícios selecionados e reunidos de modo a abranger todos
os pontos importantes da aula, a fim de que seu conhecimento seja ainda mais solidificado.
O número de exercícios é determinado de acordo com dois parâmetros: complexidade
do conteúdo e número de questões de concursos existentes. Por resultado, o número de
exercícios disponibilizados é determinado de modo que seu conhecimento sobre os temas
seja efetivamente testado e fixado, mas sem que haja uma repetição obsoleta.
Nosso curso possibilita a avaliação de cada aula em PDF de forma fácil e rápida. Considero
o resultado das avaliações extremamente importante para a continuidade da produção e
edição de aulas, como fonte fidedigna e transparente de informações quanto à qualidade
do material.
Peço-lhe que fique à vontade para avaliar as aulas do curso, demonstrando seu grau de
satisfação relativamente aos materiais. Seu feedback é importantíssimo para nós. Caso
você tenha ficado com dúvidas sobre pontos deste material, ou tenha constatado algum
problema, por favor, entre em contato comigo pelo Fórum de Dúvidas antes de realizar
sua avaliação. Procuro sempre fazer todo o possível para sanar eventuais dúvidas ou corrigir
quaisquer problemas nas aulas.
Cordialmente, torço para que a presente aula que seja de profunda valia para você e sua
prova, uma vez que foi elaborada com muita atenção, zelo e consideração ao seu esforço,
que, para nós, é sagrado.
Caso fique com alguma dúvida após a leitura da aula, por favor, envie-a a mim por
meio do Fórum de Dúvidas, e eu, pessoalmente, a responderei o mais rápido possível. Será
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um grande prazer verificar sua dúvida com atenção, zelo e profundidade, e com o grande
respeito que você merece.
Bons estudos!
Seja imparável!

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JURISDIÇÃO, AÇÃO E PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS

1. JURISDIÇÃO
Jurisdição é uma terminologia derivada do latim, com a junção dos termos juris (direito)
e dicere (dizer). Jurisdição, semanticamente, consiste no ato de dizer o direito. A partir
do momento em que a jurisdição é exercida por um Estado soberano, ela passa a consistir
na função pela qual o Estado aplica a lei geral e abstrata a todos os casos concretos que
devam ser apreciados por órgãos e/ou agentes do Estado.
Diante da moderna separação dos poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), a
jurisdição passa a servir como elemento essencial para a distinção da função do Poder
Judiciário: a função jurisdicional.
Todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) exercem, de forma principal, uma
função. As funções principais de cada Poder são:
• Poder Executivo: função administrativa/executiva
• Poder Legislativo: função legislativa (normativo-criativa)
• Poder Judiciário: função jurisdicional (dizer o direito)
Ao aplicar o direito ao caso concreto – e, por consequência, exercer a função jurisdicional
–, o Estado passa a ser tido como Estado-juiz, exercendo a tutela jurisdicional sobre os
negócios jurídicos, os atos e as pessoas.
O conceito acima afirmado é oriundo da doutrina clássica da jurisdição. Modernamente,
tem-se sustentado que a atividade jurisdicional não se limita à aplicação do direito objetivo
ao caso concreto. Afinal, o Estado deve preocupar-se, em igual intensidade, com a plena
satisfação do direito reconhecido em juízo.
No ritmo dessa visão moderna da jurisdição, o CPC de 2015, no art. 4º, dispõe: “As partes
têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade
satisfativa”.
O prestígio à diligência do Estado sobre a atividade satisfativa, com tanta eficiência
quanto aquela empregada para o reconhecimento do direito a ser satisfeito, deu lugar a
uma divisão quanto ao sentido de jurisdição:
1) JURIS-DICÇÃO: A jurisdição é e continuará sendo o ato de aplicar o direito objetivo
ao caso concreto, na fase de conhecimento.
2) JURIS-SATISFAÇÃO: O órgão jurisdicional deve garantir a realização concreta do
direito já reconhecido em juízo, na fase de execução.

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1.1. TEORIA GERAL DA JURISDIÇÃO


Em contexto já aplicado ao direito processual, pode-se conceituar a jurisdição como um
poder-dever do Estado que, no papel de solucionar os conflitos de interesses submetidos à
análise do Poder Judiciário, consiste em aplicar as normas jurídicas previstas abstratamente
no ordenamento jurídico aos casos concretos em que se situem tais conflitos.
A jurisdição estatal possui diversas características essenciais à sua configuração. Além
de muito importantes para a compreensão do conteúdo, tais características aparecem,
esporadicamente, como objetos de questões objetivas de prova. A seguir, apresentarei as
características nominalmente destacadas na doutrina e reconhecidas pelas bancas.

1.1.1. INÉRCIA
A jurisdição não é aplicada aos casos concretos se os sujeitos interessados não provocarem
o Poder Judiciário para tanto. Em termos propriamente ditos, a jurisdição é inerte. O ato
de “dizer o direito”, por parte do Estado-juiz, só será praticado se os sujeitos interessados
no conflito solicitarem ao Estado-juiz que a lide seja resolvida.
Alia-se a esta característica, teoricamente, o princípio dispositivo (ou princípio da
demanda), segundo o qual o juiz não pode decidir questões senão mediante provocação
das partes (art. 2º do CPC).

1.1.2. SUBSTITUTIVIDADE
O Estado-juiz, ao aplicar o direito aos casos concretos, substitui as próprias partes no
papel de tutelar o direito envolvido no conflito.
No direito natural, as próprias partes tutelam seus direitos, à base das próprias forças. Isso
é o que se conhece por autotutela. A fim de que os bens jurídicos não sejam autotutelados
pelos sujeitos, e de modo que seja evitado o retrocesso ao estado de barbárie, o Estado
substitui os sujeitos no papel de tutelar os direitos envolvidos.
Como condição necessária para que a substituição das partes seja exercida pelo Estado-
juiz com justiça, deve o órgão judicial ser imparcial: não deve o Estado-juiz conservar
tendências de cunho institucional ou pessoal que possam beneficiar uma ou outra parte
do conflito. O direito deve ser aplicado ao caso concreto com o máximo de imparcialidade
possível, sem que sejam observadas as pessoas envolvidas, mas, sim, o direito envolvido e
a norma jurídica aplicável.

1.1.3. INDELEGABILIDADE
O Poder Judiciário não pode delegar – atribuir a outrem – a função jurisdicional (de aplicar
o direito ao caso concreto) quando esta for exercida com caráter de definitividade. Esta

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função, com definitividade, é privativa dos órgãos do Poder Judiciário, e a atribuição dessa
função, de forma típica, a outros Poderes configuraria violação ao princípio da separação
dos poderes (art. 2º da Constituição Federal).
A indelegabilidade é tratada academicamente sob dois âmbitos:
1) ÂMBITO EXTERNO: Fundamenta o conceito clássico de indelegabilidade: não pode o
Poder Judiciário delegar, por sua própria inciativa, a função jurisdicional a outros Poderes
da República.
2) ÂMBITO INTERNO: Decorre de visão moderna do instituto: Os órgãos do Poder Judiciário
não podem, arbitrariamente, delegar/transferir competências de que são titulares a outros
órgãos do Poder Judiciário.

EXEMPLO
Não pode o Superior Tribunal de Justiça determinar que Tribunais de Justiça julguem o
mérito de recursos especiais, cujo processo e julgamento compete-lhe por determinação
constitucional.

Ademais, a atribuição de exercício da função jurisdicional com força de definitividade a


terceiros também poderia configurar ofensa ao princípio do juiz natural, segundo o qual
ninguém pode ser processado e julgado senão pela autoridade competente, isto é, com
competência legal e/ou constitucional para apreciar determinada demanda (art. 5º, LIII,
Constituição Federal).
O princípio do juiz natural tem desdobramento que proíbe a criação de juízos e tribunais
de exceção, que são aqueles concebidos para processar e julgar um determinado problema,
de forma apartada dos órgãos jurisdicionais já existentes. Essa proibição consta do art. 5º,
XXXVII, da Constituição Federal.

O direito processual brasileiro permite a existência da arbitragem, que é uma forma de


exercício da jurisdição, mas sem definitividade. Isso significa que, embora pessoas privadas
possam exercer atividade jurisdicional, a conclusão obtida nessa atividade é sujeita à
reanálise pelo Poder Judiciário, se provocado por alguma das partes interessadas.

A fim de evitar que o problema seja carregado por muito tempo, e com o propósito de
tirar do juiz o popular “poder da caneta”, as partes podem procurar formas extrajudiciais
de solução do problema, lançando mão de concessões recíprocas até que cada parte consiga
a parcela mais favorável para si, respeitando as limitações da outra parte. Desse propósito,

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decorre o surgimento das ferramentas alternativas de resolução de conflitos, dentre as


quais figura a arbitragem.
As formas alternativas de solução de conflitos aparecem com o propósito de proporcionar
às partes maior celeridade na resolução do problema. A judicialização da causa, no fundo,
não é o que as partes querem. O que elas querem, intimamente, é a resolução do problema
havido entre elas da forma mais favorável possível.
O CPC, em seu art. 3º, § 1º, dispõe: “É permitida a arbitragem, na forma da lei.”. A
arbitragem, no Brasil, é estruturada na Lei n. 9.307/96 (Lei de Arbitragem). O art. 1º desta
lei afirma que a arbitragem se dirige a dirimir conflitos relativos a “direitos patrimoniais
disponíveis”.
De acordo com os arts. 13 e 14 da Lei de Arbitragem, pode ser árbitro qualquer pessoa
capaz e que tenha a confiança das partes, e que não recaiam em nenhuma causa de
suspeição ou impedimento dentre aquelas mesmas previstas para os juízes no CPC.
As partes podem, também, em vez de nomear uma só pessoa como árbitro, nomear
várias pessoas, constituindo um Tribunal Arbitral.
Conforme o art. 19 da Lei de Arbitragem, considera-se instituída a arbitragem quando
aceita a nomeação pelo árbitro, se for único, ou por todos, se forem vários (tribunal arbitral).
O árbitro proferirá sua sentença arbitral no prazo dado pelas partes ou, não havendo
prazo estipulado, no prazo de seis meses (art. 23 da Lei de Arbitragem). A sentença arbitral
deve ter os mesmos requisitos da sentença judicial: relatório, fundamentação e dispositivo,
além de indicação da data e do lugar da prolação (art. 26).
Sendo realizada a convenção de arbitragem, a causa julgada pelo árbitro não poderá
ser rediscutida em ação judicial, a menos que o contexto envolva alguma causa de nulidade
da sentença arbitral, ou se o réu deixar de alegar a existência de convenção de arbitragem
em seu favor. Inclusive, se o réu deixar que isso aconteça, será legalmente presumida sua
aceitação da jurisdição estatal e renúncia ao juízo arbitral (art. 337, § 6º, CPC).
Na prática, existem instituições incumbidas estatutariamente de exercer a atividade de
arbitragem. Nessas instituições, são matriculadas pessoas aptas a exercer a arbitragem.
Essas instituições existem para tornar mais acessível a opção pela arbitragem. Não significa
que sem elas a arbitragem não possa ser operacionalizada.

1.1.4. DEFINITIVIDADE
O exercício da jurisdição, por parte do Poder Judiciário, tem a prerrogativa de tornar
definitivas as decisões por ele tomadas. Os atos jurisdicionais, depois do término das
possibilidades de impugnação, tornam-se imutáveis e definitivos, não podendo ser
rediscutidos em sede de processos administrativos e, ainda, processos judiciais, exceto nos

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casos especiais legalmente justificáveis (como no caso de ação rescisória, ação anulatória
ou ação revisional, nas respectivas hipóteses de cabimento).

1.1.5. INAFASTABILIDADE
O exercício da atividade jurisdicional é inafastável. Não há objeto ou sujeito de direito
que seja imune ao poder jurisdicional do Estado. A característica da inafastabilidade possui
duas óticas:
1) A lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma ameaça ou lesão a
direito (art. 5º, XXXV, da Constituição). Esta, inclusive, é uma parte da essência do princípio
do acesso à justiça.
2) O juiz não pode deixar de julgar um conflito alegando existência de lacuna no
ordenamento jurídico: ele deverá valer-se de alguma ferramenta de integração do direito
(fontes formais acessórias ou fontes não formais), como analogia e princípios gerais do
direito, para julgar o caso concreto posto à sua análise.

1.1.6. IMPRORROGABILIDADE
Se a jurisdição for exercida por quem não a possui, ou por órgão judiciário incompetente
para exercê-la em certo caso, a jurisdição não será estendida ao sujeito que dela se valeu
irregularmente. A irregularidade permanecerá, mesmo que tenha se mantido por longo tempo.
A característica da improrrogabilidade comporta exceções (caso da incompetência
relativa, que estudaremos ainda nesta aula).

1.1.7. IMPERATIVIDADE (OU INEVITABILIDADE)


As decisões proferidas pelo Poder Judiciário têm poder coativo/coercitivo sobre os
sujeitos envolvidos ( jurisdicionados). Os termos das decisões judiciais, portanto, obrigam
os jurisdicionados.
O cumprimento da decisão judicial deve ser acatado pelos sujeitos envolvidos, sob pena
de aplicação de todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias
que o Judiciário puder adotar no contexto (multa, busca e apreensão, inscrição em dívida
ativa etc.). Eventual inobservância da decisão judicial somente poderá ocorrer nos limites
das possibilidades de impugnação (recurso ou anulação, por exemplo), ou nas hipóteses
de obtenção de efeito suspensivo das decisões (suspensão da eficácia da decisão), nos
termos da lei.

1.1.8. INDIVISIBILIDADE
A atividade jurisdicional é exercível pelos juízes e pelos tribunais em todo o território
nacional. Portanto, a jurisdição é una, isto é, indivisível.

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Você sabe que os órgãos jurisdicionais de primeira e segunda instância exercem jurisdição
em apenas parte do território nacional. No entanto, essa limitação não decorre da jurisdição,
mas, sim, da competência.
A competência é que é sujeita a divisão e, portanto, divisível. A jurisdição, por sua vez,
é indivisível. O Poder Judiciário, integrado pelos juízes e tribunais enumerados no art. 92
da Constituição Federal, exerce plenamente a função jurisdicional em todo o território
brasileiro (com exceção do CNJ, que é órgão do Poder Judiciário e exerce apenas funções
administrativas), por meio de órgãos estrategicamente concentrados em determinadas
competências.
A característica da indivisibilidade tem por decorrência, de forma complementar, o
princípio da territorialidade: o juiz ou tribunal somente tem autoridade, no sentido
jurisdicional, dentro do território nacional, como consequência da soberania da República
Federativa do Brasil e do respeito à soberania dos Estados estrangeiros.
Além dessas características, é importantíssimo assimilar que a jurisdição somente poderá
ser exercida por agente público investido de jurisdição. Há quem chame essa característica
de “princípio da investidura”. Para investir-se de jurisdição, deve o agente preencher todos
os requisitos legais/normativos para exercer as atribuições da magistratura.
Em se tratando de juízes togados, é necessária a aprovação em concurso público de
provas e títulos, além do preenchimento de eventuais requisitos especiais para magistrados
de tribunais de segunda instância ou instância superior (idade, tempo de exercício na
advocacia ou Ministério Público, idoneidade moral e reputação ilibada etc.).
Quanto aos juízes leigos, não aprovados em concurso público (atuantes em Juizados
Especiais), é necessário o preenchimento dos requisitos legais para a assunção desse cargo
(bacharel em direito, cinco anos de experiência na advocacia etc.).
A jurisdição, ainda, pode ser contenciosa ou voluntária. Abaixo, apresento a diferenciação
básica entre estas duas espécies.
• JURISDIÇÃO CONTENCIOSA: O Estado visa à composição de litígios por meio de um
processo autêntico, no qual exista uma lide (conflito) a ser resolvida, com a presença
das partes (autor e réu) e aplicação das regras processuais de ônus probatório, revelia
e confissão. Nessa modalidade jurisdicional, a decisão judicial pode produzir coisa
julgada formal e material.
• JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA: O Estado participa como mero administrador de interesses
privados, dando validade a negócios jurídicos por meio de um procedimento judicial.
Neste caso, não existe lide (conflito) e nem partes (autor e réu), mas apenas
interessados (requerentes). Nesta modalidade jurisdicional, a decisão judicial pode
produzir tão somente coisa julgada formal.

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Coisa julgada material é a força impositiva que torna imutável e indiscutível a decisão
de mérito não mais sujeita a recurso. A decisão judicial, neste estágio, já ganha força de
lei (art. 503, caput).
Coisa julgada formal restringe-se à impossibilidade de manifestação, sobre a causa, no
mesmo processo, em razão de este ter sido extinto. Neste caso, o mérito da ação (alegações
do autor e do réu, ou dos requerentes, se de jurisdição voluntária) não é apreciado.

DICA
A coisa julgada formal não impede o ajuizamento de nova
ação acerca da mesma causa;
A coisa julgada material IMPEDE o ajuizamento de nova
ação sobre a mesma causa.

Ainda, registro que a jurisdição voluntária tem sua natureza jurídica conceituada na
doutrina de duas formas:
• TEORIA CLÁSSICA OU ADMINISTRATIVISTA: Segundo os filiados a essa teoria, na
jurisdição voluntária, o juiz não atua exercendo atividade propriamente jurisdicional.
Ele atua exercendo mera administração de interesses privados.

Obs.: As bancas CESPE e VUNESP já adotaram este posicionamento.


• TEORIA REVISIONISTA OU JURISDICIONALISTA: De acordo com esta teoria, apesar de
a jurisdição voluntária ter suas peculiaridades, o juiz atua exercendo, sim, atividade
jurisdicional no sentido próprio da palavra.

Obs.: Quando a banca não sinalizar a adoção de teoria diversa, será preferível levar em
conta esta teoria para a resolução da questão.
Também é válido ter em mente algumas considerações básicas sobre o tema
“competência”. Jurisdição e competência são temas interligados de uma forma especial
porque a competência é o limite da jurisdição.

Como assim, professor?

A jurisdição não pode ser exercida, amplamente, por qualquer magistrado. Na verdade,
a atividade jurisdicional será exercida nos limites da competência do juiz.
Para imediato entendimento do raciocínio, esclareço que a competência possui várias
espécies, a saber:
1) Competência Material (em razão da matéria). Exemplo: ações oriundas das relações
de trabalho são julgadas pelos órgãos da Justiça do Trabalho. Logo, um juiz de direito, por

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exemplo, seria incompetente para apreciar a causa trabalhista (sua jurisdição não poderia
ser exercida sobre as relações de trabalho).
2) Competência Pessoal (em razão da pessoa). Exemplo: as causas e os conflitos
entre a União e os Estados são processadas e julgadas pelo STF, originariamente (art. 102,
I, f, CF/88).
3) Competência Funcional (em razão do funcionamento/função). Exemplo: o julgamento
de mandado de segurança impetrado contra ato de juiz federal compete originariamente
ao TRF, e não pode ser impetrado perante outro juiz federal (art. 109, I, c, CF/88).
4) Competência Territorial (em razão do lugar/território). Exemplo: é competente o
juiz do lugar do ato ou fato para a ação de reparação de dano (art. 53, IV, a, CPC).
5) Competência em razão do valor. Exemplo: é possível que o Juizado Especial Cível
aprecie litígio comum valorado em até 40 salários-mínimos (art. 3º, I, Lei n. 9.099/95).
Mais adiante, estudaremos que algumas dessas competências são absolutas (observadas
obrigatoriamente, sob pena de nulidade) e outras são relativas (se não alegadas até um
certo momento, não provocam nulidade. Neste momento, o objetivo é que você assimile
que o poder jurisdicional do juiz (ou do tribunal) é limitado pelas suas competências.
Confira o que dispõe o art. 16 do CPC: “A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos
tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código.”. Este
artigo ilustra perfeitamente que a jurisdição, por si só, é abrangente, mas encontra limites
nas disposições do CPC: especialmente as que versam sobre competência interna. Isso sem
falar nas disposições constitucionais sobre competência.
Se o juiz/tribunal não tiver competência constitucional ou legal para apreciar uma
causa, ele não poderá exercer a jurisdição. Logo, suas decisões não serão imperativas,
definitivas e muito menos indelegáveis.

1.2. DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL


Primeiramente, é importante conhecermos o art. 13 do CPC:

Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte.

Como regra geral, a atividade jurisdicional exercida no Brasil, em processos cíveis (em
sentido amplo, abrangendo-se as ações de competência da Justiça do Trabalho), é regida
por normas processuais brasileiras, com destaque para as leis, as normas de organização
judiciária e os regimentos internos dos tribunais.
No entanto, é plenamente possível que o Brasil ratifique tratados e/ou convenções
internacionais que versem, no todo ou em parte, sobre matéria processual. Nesse caso,
deverá o Brasil dar aplicabilidade às disposições específicas desses diplomas de direito

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internacional. O mesmo raciocínio é válido para os acordos internacionais celebrados entre


o Brasil e determinada pessoa jurídica de direito público externo (Estado estrangeiro ou
organismo internacional).
Cabe registrar, ainda, os pressupostos objetivos das normas processuais civis internas.
Basicamente, são questões relacionadas à competência para legislar acerca do tema (no caso
de normas legais) e à legitimação jurídica para a criação de normas processuais infralegais.:
1) No que toca às leis genericamente destinadas a dispor sobre direito processual, a
respectiva competência legislativa é privativa da União (art. 22, I, Constituição Federal);
2) Em relação às leis destinadas a dispor sobre procedimentos em matéria processual,
a respectiva competência legislativa é concorrente entre a União, os Estados e o Distrito
Federal (art. 24, XI, Constituição Federal);
3) Quanto às leis destinadas a dispor sobre criação, funcionamento e processo do juizado
de pequenas causas, a respectiva competência legislativa é concorrente entre a União, os
Estados e o Distrito Federal (art. 24, X, Constituição Federal);
4) A competência para a criação das normas de organização judiciária é privativa da
União, quanto aos órgãos jurisdicionais que lhe são vinculados (art. 22, XVII, Constituição
Federal), e do Estado ou Distrito Federal, quanto aos que lhe são vinculados (Tribunais de
Justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios);
• No caso da União, a iniciativa cabe ao Congresso Nacional (observadas as demais
regras dos regimentos das Casas Legislativas), conforme o art. 48, IX, da Constituição
Federal;
• No caso do Estado e do Distrito Federal, a iniciativa cabe ao próprio Tribunal de
Justiça, conforme o art. 125, § 1º, da Constituição Federal;
5) Já a elaboração dos Regimentos Internos é de competência privativa de cada Tribunal
(art. 96, I, alínea “a”, Constituição Federal);

4.1. Os Tribunais não são tão livres para a elaboração de seus regimentos internos, pois o próprio
art. 96, I, alínea “a”, da Constituição Federal impõe que sejam devidamente observadas as normas
de processo e as garantias processuais das partes, e que devem ser criadas regras sobre a
competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos;

A título informativo: a principal norma de direito internacional que contém regras


processuais aplicáveis ao processo civil brasileiro é a Convenção Americana sobre Direitos
Humanos, também conhecida como Pacto de San José da Costa Rica.
O CPC contempla um capítulo específico para o regramento dos limites da jurisdição
dos órgãos judiciários brasileiros. Tal regramento consiste na determinação das hipóteses
em que o Poder Judiciário do Brasil poderá processar e julgar uma demanda, diante de uma
possível relação do conflito com o poder de império de Estados estrangeiros.

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Essa relação com o poder de império estrangeiro pode decorrer de diversos fatores,
como: nacionalidade do autor ou do réu, nacionalidade de terceiros interessados, local da
prática de um ato discutido, local de surgimento dos resultados de um ato praticado e
discutido, dentre vários outros.
À frente de fatores como aqueles, podem surgir dúvidas acerca de qual país seria
competente para julgar uma demanda. A fim de tornar mais objetivas as regras de
competência que atribuam ao Brasil a competência para julgar uma demanda, o legislador
redigiu o capítulo que, doravante, será estudado com comentários individualizados.
TÍTULO II
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL E DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
CAPÍTULO I
DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL
Como estudamos acima, a competência é o limite da jurisdição. Os limites da jurisdição
nacional, como não poderia ser diferente, são definidos mediante estabelecimento de
competências. As competências de que trata este capítulo podem ser de duas espécies:
1) COMPETÊNCIA CONCORRENTE: Os órgãos judiciários brasileiros podem julgar a
ação, mas os órgãos estrangeiros também poderão. O Brasil é competente, sim, para
julgar uma demanda, mas é perfeitamente possível que as partes resolvam submeter-se
a julgamento de órgão judiciário estrangeiro, se assim preferirem, observadas as regras de
competência do outro país.

EXEMPLO
No Brasil, ocorre um acidente entre dois cidadãos franceses. O art. 21, III, do CPC autoriza
que essa demanda seja processada e julgada no Brasil, mas os dois franceses preferem
discutir esta questão em órgãos judiciários da França. Pelo fato de a França reconhecer
que é concorrentemente competente para julgar a demanda, o processo tramitará sob o
procedimento francês.

2) COMPETÊNCIA EXCLUSIVA: O Brasil, e somente o Brasil, poderá processar e julgar


uma demanda. Decisões proferidas no estrangeiro sobre os temas de competência exclusiva
dos órgãos judiciários brasileiros não terão validade, tampouco eficácia, no Brasil.

EXEMPLO
Ações relativas a imóveis situados no Brasil somente podem ser processadas e julgadas por
órgãos judiciários brasileiros, por força do art. 23, I, do CPC. Se um processo relativo a imóvel
situado no Brasil tramitar na Rússia, a decisão final russa não terá nenhuma eficácia no Brasil,
e não poderá ser reconhecida.

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Os arts. 21 e 22 do CPC, que citarei abaixo, estabelecem competências concorrentes.


Portanto, em se tratando das matérias inseridas nos incisos destes dois artigos, tanto o
Brasil quanto os Estados estrangeiros poderão processar e julgar as respectivas demandas.

Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I – o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;

Veja: basta que o réu esteja domiciliado no Brasil no momento do ajuizamento da ação.
Não é necessário que o réu tenha tido domicílio no Brasil ao tempo dos fatos narrados na
petição inicial.

EXEMPLO
Ocorre um acidente automobilístico na Argentina, e o suposto culpado pelo acidente passa a
residir, meses depois, no Brasil. Neste caso, se o pretenso autor da ação indenizatória preferir,
ele poderá ajuizar esta ação no Brasil.

Obs.: O parágrafo único dispõe que será considerada domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que tiver, no Brasil, agência, filial ou sucursal. Exemplos práticos
são inúmeros: Google, Apple, Microsoft etc. Portanto, se a ação for ajuizada contra
qualquer pessoa jurídica que tenha agência, filial ou sucursal no Brasil, poderá tal
ação tramitar sob os órgãos brasileiros.

II – no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;

EXEMPLO
Um cidadão inglês é dono de cinco veículos de exposição que se encontram no Brasil. Este
cidadão celebra contrato com um estabelecimento comercial brasileiro, na Inglaterra, dispondo
que seria obrigação do estabelecimento brasileiro proceder à pintura anual dos veículos. A
fim de discutir esta obrigação, poderá o cidadão inglês, se preferir, ajuizar a ação no Brasil.

III – o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.

EXEMPLO
No Brasil, ocorre um acidente entre dois cidadãos franceses. A depender da opção do
autor, a ação pode ser ajuizada no Brasil. A mesma lógica vale para qualquer ato ou fato,
independentemente da nacionalidade dos envolvidos.

Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I – de alimentos, quando:

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a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;

EXEMPLO
Ação de alimentos que vise beneficiar uma pessoa (frequentemente, uma criança) domiciliada
ou residente no Brasil, independentemente de sua nacionalidade, poderá ser ajuizada no Brasil.

b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de
renda ou obtenção de benefícios econômicos;

Qualquer ação poderá ser ajuizada contra uma pessoa que, mesmo não tendo nunca
pisado em solo brasileiro, tenha posses, propriedades, rendas ou outros lucros vindos
do Brasil.

EXEMPLO
John, cidadão estadunidense, é titular de ações de empresa brasileira. Em razão disso, eventual
ação cível em face de John poderá ser ajuizada no Brasil. A lógica desta possibilidade reside
no fato de que a existência de posses e rendas de John no Brasil é um fator que favorece a
execução da sentença (satisfação do direito), mediante possível penhora de ações. Quem
sabe, no estrangeiro, nenhum bem de John seria localizado, o que significaria dizer que o
direito do autor não seria satisfeito.

II – decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no


Brasil;

EXEMPLO
Maria, que sempre residiu no Brasil, compra roupas e calçados, por meio da internet, de uma
empresa chinesa. Ao se ver prejudicada nesta relação, em decorrência de algum problema
em sua compra, Maria poderá ajuizar ação contra a respectiva empresa no Brasil.

III – em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.

Seja qual for o negócio jurídico celebrado entre as partes, elas poderão inserir, no
instrumento do contrato, cláusula de eleição de foro em que escolhem dirimir quaisquer
conflitos decorrentes desse negócio perante os órgãos judiciários brasileiros.

EXEMPLO
Jack e Paul, cidadãos estadunidenses, celebram contrato de compra e venda de um veículo,
e inserem neste contrato cláusula elegendo como foro competente o de Florianópolis (SC),
no Brasil. Neste caso, será perfeitamente possível a discussão desse contrato no referido
foro brasileiro.

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O art. 23, abaixo citado, elenca várias matérias de competência exclusiva do Poder
Judiciário brasileiro. Acerca delas, nenhum outro país poderá dispor em decisão judicial.

Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I – conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II – em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e
ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III – em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens
situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora
do território nacional.

Todas as matérias dos incisos do art. 23, de forma nuclear, referem-se a bens situados
no Brasil.
Sabendo desse detalhe, você já percorreu mais da metade do caminho para aprender a
diferencias as hipóteses de competência concorrente das de competência exclusiva do
Poder Judiciário brasileiro.

Basicamente, você pode tomar em consideração o seguinte:


1) BENS IMÓVEIS situados no Brasil: a competência será exclusiva do Brasil
independentemente da espécie da ação ajuizada, seja uma ação possessória, ação
indenizatória, ação de nunciação de obra nova etc.
2) BENS MÓVEIS situados no Brasil: a competência será exclusiva do Brasil somente
quando a ação ajuizada envolver:
• Confirmação de testamento particular que envolva tais bens
• Inventário e partilha
• Partilha de bens em decorrência de divórcio, separação judicial ou dissolução de
união estável

Obs.: Em todas as hipóteses do item n. 2, não importa a nacionalidade das partes envolvidas
na ação.

DICA
Veja como, agora, ficou simples:

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IMÓVEIS: sempre no Brasil


MÓVEIS: somente em hipóteses específicas (testamento
particular, inventário, divórcio etc.) será do Brasil a
competência exclusiva

Professor, se um órgão estrangeiro proferir uma sentença sobre matéria de compe-


tência concorrente, como esta decisão poderia ser cumprida no Brasil?

Caro(a) aluno(a), a sentença estrangeira, para ter eficácia no Brasil, depende de


homologação. Quem realiza o juízo acerca dessa homologação é o Superior Tribunal
de Justiça (STJ), originariamente (art. 105, I, alínea i, CF/88). O procedimento para a
homologação de sentenças estrangeiras é delineado nos arts. 960 a 965 do CPC.
Interprete o termo “sentença” com sentido amplo. O art. 961, § 1º, do CPC permite a
homologação de quaisquer decisões que, mesmo não vindo de órgãos do Poder Judiciário
do Estado estrangeiros, teriam caráter jurisdicional de acordo com a sistemática brasileira.
Ademais, o art. 962 permite a execução, no Brasil, de decisões que concedam tipos de
“tutelas provisórias de urgência”, reconhecidas de forma parecida com esta no estrangeiro.
O trabalho do STJ é exercer um juízo de admissibilidade, aferindo a possibilidade jurídica
de que as disposições da decisão estrangeira sejam efetivadas no Brasil. O art. 963 do CPC
institui requisitos indispensáveis para a homologação da sentença estrangeira:

Art. 963. Constituem requisitos indispensáveis à homologação da decisão:


I – ser proferida por autoridade competente;
II – ser precedida de citação regular, ainda que verificada à revelia;
III – ser eficaz no país em que foi proferida;
IV – não ofender a coisa julgada brasileira;
V – estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense prevista em tratado;
VI – não conter manifesta ofensa à ordem pública.

A homologação da sentença estrangeira, originariamente, compete ao STJ. Todavia, a


execução da sentença estrangeira compete aos juízes federais (art. 109, X, CF/88), após
a homologação do STJ.

Outra forma de concessão de eficácia à decisão judicial estrangeira no Brasil é a concessão


de exequatur às cartas rogatórias, que também compete originariamente ao STJ (art.
105, I, alínea i, CF/88).
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O exequatur consiste numa autorização do STJ para que a carta rogatória seja cumprida
no Brasil, concedida após um juízo de admissibilidade relativo ao atendimento das normas
brasileiras, de modo que sejam afastadas eventuais “aberrações jurídicas” decorrentes das
diferenças entre o direito brasileiro e o direito do país prolator da carta.

A concessão do exequatur às cartas rogatórias cabe ao STJ, originariamente. A execução


das disposições das cartas rogatórias, após o exequatur, compete aos juízes federais (art.
109, X, CF/88).

Voltemos, agora, aos comentários dos dispositivos do CPC relativos aos limites da
jurisdição nacional:

Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que
a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas
as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil.

Litispendência ocorre quando duas ações de iguais partes, pedidos e causas de pedir
tramitarem ao mesmo tempo. Se estas duas ações tramitarem concomitantemente no
Brasil, a segunda ação deverá ser extinta sem resolução do mérito (art. 485, V, CPC). Veja,
ainda, o que dispõem os arts. 337, §§ 1º e 2º:

§ 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada.


§ 2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir
e o mesmo pedido.

Obs.: Partes, causa de pedir e pedido são os três elementos configuradores da ação judicial.
Entretanto, se duas ações de iguais partes, pedidos e causas de pedir tramitarem ao
mesmo tempo em países diferentes (em razão de competência concorrente), o fenômeno
da litispendência será relevado, isto é, não produzirá a consequência da extinção. É como
se a litispendência não existisse neste caso.
Conclusão: é perfeitamente possível que, no Brasil e no Paraguai, por exemplo, tramitem
duas ações com idênticas partes, pedidos e causas de pedir.

A regra acima (inexistência de litispendência entre ações que tramitem em países distintos)
comporta exceção: se tratados internacionais e/ou acordos bilaterais determinarem

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que deva ser reconhecida a litispendência em ações idênticas que tramitem nos países
signatários do tratado/acordo, a litispendência será, sim, reconhecida e provocará a extinção
do processo.

EXEMPLO
Brasil e Peru, por intermédio de seus representantes diplomáticos, resolvem celebrar acordo
bilateral determinando que os processos que tramitarem no Brasil e no Peru, com iguais partes,
pedidos e causas de pedir, ou envolvendo ações conexas, devem produzir a consequência da
extinção de uma das ações ou a reunião delas.

Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a homologação
de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no Brasil.

Você já sabe de que é perfeitamente possível o andamento de duas ações idênticas em


países distintos. Até aí, tudo bem.
É necessário que você saiba, também, que em determinado momento será possível
que uma dessas ações seja extinta em razão da existência da homologação de sentença
proferida na outra. É a regra do parágrafo único. Convido-o para entendê-lo com o
seguinte exemplo:

EXEMPLO
No Brasil, é processada ação idêntica a uma ajuizada na Nova Zelândia. A ação processada sob
os órgãos neozelandeses finalizou-se rapidamente. As partes requereram a homologação da
sentença final neozelandesa ao STJ, que a homologou.
A partir do momento em que o STJ homologa a sentença estrangeira, aquela ação idêntica
que tramita no Brasil será, finalmente, extinta sem resolução do mérito, em razão de
litispendência.
Afinal de contas, se a sentença proferida pela autoridade da Nova Zelândia atende a todos os
requisitos do art. 963 do CPC, tal sentença está em plena adequação com o direito brasileiro.

DICA
Ações idênticas ou conexas em países distintos: não ocorre
litispendência, reunião ou extinção em razão da identidade/
conexão.
Exceções: tratado internacional ou acordo bilateral, que
pode determinar o contrário; e homologação de sentença
estrangeira pelo STJ.

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Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação
quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional,
arguida pelo réu na contestação.
§ 1º Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva
previstas neste Capítulo.
§ 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º.

É perfeitamente possível que as partes, em negócio jurídico privado, instituam a cláusula


de eleição de foro, indicando que eventuais lides sobre aquele negócio deverão ser dirimidas
em órgão judiciário de outro país (Bélgica, Japão, México etc.).
Se existir esta cláusula, o processo deverá ser extinto sem resolução do mérito. Todavia,
existe um limite para que esta cláusula seja informada ao juiz: contestação do réu.

EXEMPLO
João e Pedro, brasileiros e viajantes frequentes, celebram contrato e escolhem como foro
competente para dirimir eventuais conflitos uma Vara Cível de Munique (Alemanha). João
resolve ajuizar ação indenizatória, no Brasil, relativamente a este contrato. Para que a ação seja
extinta e a jurisdição brasileira seja inacessível a este caso, deverá Pedro, até o oferecimento
de sua contestação, indicar a existência da cláusula de eleição de foro exclusivo de Munique
(Alemanha).
Se Pedro nada alegar em sua contestação, o órgão judiciário brasileiro passará a ser plenamente
competente para processar e julgar a ação, e o direito de valer-se da cláusula restará precluso.
Conforme o art. 63 e seus parágrafos, deve a cláusula de eleição de foro ser escrita
e aludir expressamente ao negócio jurídico discutido. Ademais, essa cláusula obriga os
herdeiros e sucessores das partes.
A celebração de cláusula de eleição de foro tem um limite intransponível: as matérias
de competência exclusiva dos órgãos judiciários brasileiros (art. 23 do CPC).
Em negócios jurídicos que envolvam imóveis situados no brasil, por exemplo, as partes
não poderão eleger como foro competente um órgão estrangeiro, pois a matéria que
envolva imóveis situados no Brasil deve ser apreciada pela autoridade judiciária brasileira,
com exclusão de qualquer outra (art. 23).

2. AÇÃO
A ação, ao longo da história, foi conceituada à luz de diferentes teorias. Apresentá-
las-ei de forma sucinta.
• TEORIA CIVILISTA ou TEORIA IMANENTISTA: A ação é o próprio direito material que
o sujeito quer defender. A ação, a rigor, seria uma reação do próprio direito material,
quando violado. O direito de ação e o direito material seriam, na prática, a mesma
coisa. Quem tem o direito material carrega consigo, automaticamente, o direito de
ação para tutelá-lo.

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• TEORIA CONCRETA: O direito de ação, embora muito relacionado ao direito material


violado, não se confunde com este. Tecnicamente, o direito de ação consistiria numa
pretensão. Em razão disso, o direito de ação existiria somente diante de um pleito
que atendesse a determinadas condições (as atuais “condições da ação”). Além disso,
seria imprescindível para a existência de um direito de ação o fato de a pretensão
do sujeito ser procedente.
• TEORIA ABSTRATA: O direito de ação e o direito material supostamente violado tomam
caminhos muito distintos. É suficiente que, no ordenamento jurídico, o interesse da
parte seja tutelado por alguma norma para que ela possa exercer o direito de ação.
Não é necessário que a parte de fato tenha uma pretensão procedente: basta que
ela possa submeter seu conflito ao Estado-juiz.
• TEORIA ECLÉTICA (adotada pelo CPC de 2015): O direito de ação é a possibilidade
de exigir do Estado uma postura na resolução do conflito que lhe for submetido.
Mais do que o mero direito de pedir a tutela de um direito, o direito de ação seria
o poder de cobrar do Estado uma postura efetiva e real. Em decorrência deste
raciocínio, as partes teriam direito a, sempre que possível, uma decisão de mérito.
As partes (autor e réu) têm direito a uma real solução do conflito, de modo que ela
seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco importando se a pretensão do autor
é procedente ou improcedente.
− Esta teoria dá suporte para a existência do princípio da primazia da decisão de
mérito. Este princípio encontra expressão em alguns artigos do CPC, em especial
os arts. 6º, 317 e 488, que, respectivamente, dispõem:

Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo
razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
Art. 317. Antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte
oportunidade para, se possível, corrigir o vício.
Art. 488. Desde que possível, o juiz resolverá o mérito sempre que a decisão for favorável à
parte a quem aproveitaria eventual pronunciamento nos termos do art. 485 [extinção sem
resolução do mérito].

Perceba que o direito de ação não possui um conceito universal. Diferentes ordenamentos
jurídicos podem tratá-lo de formas muito distintas, com condições e extensões variadas.
O CPC de 2015, como já alertado, adota a teoria eclética.

2.1. CONDIÇÕES DA AÇÃO


Muito embora exista uma preferência legislativa pela resolução do mérito dos conflitos, a
lei traça algumas condições para que a ação possa ter prosseguimento no Poder Judiciário.
Sem o preenchimento dessas condições, a ação deve ser extinta sem resolução do mérito.

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O CPC de 2015 reformulou a regra das condições da ação, e este fato tem dado causa a
uma exploração muito frequente, em concursos, das condições da ação.

As condições da ação são instituídas no art. 17 do CPC: “Para postular em juízo é


necessário ter interesse e legitimidade.”.
No CPC de 1973 (revogado), havia uma terceira condição da ação: possibilidade jurídica
do pedido. A ação teria prosseguimento somente se a pretensão do autor fosse respaldada
por normas jurídicas.
A partir do CPC de 2015, a possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição
da ação. Agora, a possibilidade jurídica do pedido será um fator analisado como mérito
do processo: se o pedido é possível, ou não, é o juiz quem decidirá na sentença de mérito.
Antes disso, a ação terá prosseguimento mediante existência de interesse e legitimidade,
como as duas únicas condições da ação.

DICA
A possibilidade jurídica do pedido é um fator a ser analisado
ao longo do processo, isto é, no curso da instrução
probatória, das manifestações das partes e de terceiros e
da análise do juiz. Para que a ação seja ajuizada, é suficiente
que haja interesse e legitimidade.

Portanto, são condições da ação:

Interesse deve ser compreendido, em sentido completo, como interesse processual.


Tradicionalmente, chama-se tal condição de interesse de agir. Portanto, é possível que você
veja em provas esta condição com os nomes “interesse”, “interesse de agir” ou “interesse
processual”.
O interesse existirá quando o autor da ação completar um binômio técnico: necessidade
+ adequação. Explicarei cada um destes itens.
• NECESSIDADE: A ação deve ser necessária e útil para que o direito seja protegido,
restaurado ou compensado. Se a proteção, restauração ou compensação do direito
for perfeitamente possível sem o ajuizamento de ação, não existirá necessidade;
logo, não existirá interesse.

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EXEMPLO
A ação de consignação em pagamento só é necessária quando o credor de uma dívida se
recusa a receber, desaparece, dentre outras hipóteses. Se o credor da dívida estiver disponível
e colaborando para receber seu crédito, o devedor não terá interesse para o ajuizamento da
ação de consignação em pagamento, em razão de a medida judicial ser desnecessária.
• ADEQUAÇÃO: Não basta que o autor tenha a necessidade de buscar o Judiciário: ele
deve escolher o meio processual legalmente adequado para a tutela de seu direito,
e deve apresentar os pedidos capazes de resolver o conflito de interesses. Se o
autor procurar a tutela de seu direito por meio de uma espécie incorreta de ação,
incompatível com sua pretensão, ou por uma ferramenta inapropriada, igualmente
incompatível, sua pretensão não poderá ter seguimento, em razão de a via processual
por ele escolhida ser inadequada; logo, o autor não terá interesse processual, em
razão de a medida processual eleita ser incorreta (inadequada). Ademais, também
não haverá adequação se o pedido apresentado pelo autor não for capaz de resolver
o problema que constituiu a pretensão resistida.
Confira, abaixo, dois exemplos práticos:

EXEMPLO
1) José, condenado numa ação indenizatória, depois de um ano do trânsito em julgado da
ação, pretende desconstituir a sentença que o condenou, por entender que houve grave
erro de fato no julgamento consubstanciado na sentença. Para isso, José ajuizou uma ação
comum de revisão, enquanto, na verdade, deveria ajuizar ação rescisória, que é uma ação
especialmente destinada à desconstituição da coisa julgada, inclusive por erro de fato, e
tem pressupostos processuais específicos. Ao ajuizar uma ação de procedimento comum
em primeira instância, José elegeu uma via processual inadequada; logo, José não tem
interesse processual.
2) Fagner apresenta como causa de pedir a falta de pagamento de aluguel de uma sala
comercial objeto de contrato de locação celebrado com Rafael. Apesar da clareza dos fatos
narrados na petição inicial, Fagner apresentou pedido de declaração de que a sala comercial
é de sua propriedade. Neste caso, o pedido declaratório (existência da propriedade) não é
capaz de resolver o conflito que compõe a causa de pedir. O pedido é inadequado à tutela
claramente pretendida. Logo, inexiste interesse processual.

Obs.: É possível que o autor tenha necessidade, mas não tenha interesse, uma vez que
a necessidade deve aliar-se à adequação do meio processual escolhido (ação e
pedido adequados) para ter interesse de agir (interesse processual), no sentido
técnico da palavra.

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Não é suficiente que o autor tenha pleno interesse processual. Agora, vamos à segunda
condição da ação: legitimidade. Trata-se de uma condição aplicável tanto ao autor
como ao réu.
A legitimidade, no processo, deve ser compreendida como legitimidade para a causa
(legitimidade ad causam). Deve o autor, assim como o réu, ser legalmente autorizado a
requerer a tutela do direito envolvido no conflito de interesses.

DICA
Quando inerente ao autor, toma-se o termo LEGITIMIDADE
ATIVA (do polo ativo – autor)
Se pertinente ao réu, usa-se o termo LEGITIMIDADE PASSIVA
(do polo passivo – réu)

A extensão da legitimidade ad causam é disposta no art. 18 do CPC:

Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo
ordenamento jurídico.
Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente
litisconsorcial.

A legitimidade para a causa pode ter uma de duas naturezas:


1) LEGITIMIDADE ORDINÁRIA: O direito pleiteado pertence à própria parte que participa
do processo. Trata-se do pleito de direito próprio em nome próprio.

EXEMPLO
Maria sofre acidente de trânsito e ajuíza ação em face do culpado pelo acidente, requerendo
reparação de danos morais e materiais decorrentes do fato danoso.

2) LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA: O direito é pleiteado por uma pessoa que, a rigor,


não é a própria titular desse direito. Trata-se do pleito de direito alheio em nome próprio.
A legitimidade extraordinária, para preencher a condição da ação “legitimidade”, deve ser
expressamente autorizada por lei, para certa e determinada hipótese.
• O legitimado extraordinário, por defender direito alheio em nome próprio, é
tecnicamente denominado SUBSTITUTO PROCESSUAL. Logo, havendo participação
do legitimado extraordinário, ocorre o fenômeno da substituição processual, ao
qual se refere o parágrafo único do art. 18 do CPC.

EXEMPLO
Associação existente há mais de um ano e institucionalmente incumbida de representar os
interesses dos consumidores de determinada localidade possui legitimidade (extraordinária)
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para ajuizar ações coletivas em defesa dos direitos dos consumidores, em face de alguma
prática abusiva cometida reiteradamente pelos estabelecimentos comerciais da localidade. A
autorização para defesa de direito alheio (do consumidor) em nome próprio, pela associação,
é expressa no art. 82, IV, do Código de Defesa do Consumidor.

Obs.: A legitimidade ordinária consiste na regra geral. Já a legitimidade extraordinária


configura-se como uma exceção, e somente existirá quando houver norma específica
autorizando que, em dada hipótese, um direito alheio seja tutelado por outra pessoa.
É esta a regra do caput do art. 18 do CPC, acima citado. Ademais, a legitimidade
extraordinária pode ser referida, em questões de concurso, na forma de seu
sinônimo: substituição processual, conforme antes mencionado.

DICA
LEGITIMIDADE ORDINÁRIA – regra geral
LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA – exceção

LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA
LEGITIMIDADE ORDINÁRIA
(Substituição Processual)
Direito próprio em nome próprio Direito alheio em nome próprio
Regra geral Exceção

Professor, e quais seriam, tecnicamente, as consequências da falta do preenchimento


de uma das condições da ação?

Isto é importantíssimo caro(a) aluno(a): faltando qualquer das condições da ação,


ocorre o fenômeno processual da carência de ação.
Logo, se o autor não tiver interesse (necessidade e/ou adequação) ou legitimidade para
a causa, ou se o réu apontado pelo autor não for passivamente legitimado a responder pela
lesão, concluir-se-á que o autor carece de interesse e/ou legitimidade.
Entendo que seja mais fácil visualizar a carência de ação quando o autor carece de
interesse processual ou de legitimidade ativa. Quando o réu alegar ser parte ilegítima,
ou alegar não ter responsabilidade por um dano com o qual tiver alguma relação, o rumo
processual será um pouco mais complexo. Deverá ser observado o procedimento dos arts.
338 e 339 do CPC:

Art. 338. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima ou não ser o responsável pelo
prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial
para substituição do réu.

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Parágrafo único. Realizada a substituição, o autor reembolsará as despesas e pagará os honorários


ao procurador do réu excluído, que serão fixados entre três e cinco por cento do valor da causa
ou, sendo este irrisório, nos termos do art. 85, § 8º.
Art. 339. Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação
jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais
e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
§ 1º O autor, ao aceitar a indicação, procederá, no prazo de 15 (quinze) dias, à alteração da
petição inicial para a substituição do réu, observando-se, ainda, o parágrafo único do art. 338.
§ 2º No prazo de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir,
como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu.

Quando o autor ajuizar a ação contra um réu que alega que, na verdade, não tem
legitimidade para atuar no processo (preliminar de ilegitimidade passiva) ou não tem
responsabilidade pelo dano reclamado, o autor terá 15 dias para alterar, em sua petição
inicial, o réu contra o qual pretende litigar.

O prazo de 15 dias para alteração do réu terá início independentemente de o juiz concordar,
ou não, com a ilegitimidade passiva alegada pelo réu. Portanto, é suficiente para o início do
prazo de 15 dias para “troca de réus” que o réu simplesmente alegue sua ilegitimidade passiva.

Se, após o transcurso do prazo de 15 dias, o autor não trocar o réu, em razão de discordar
da preliminar de ilegitimidade ou simplesmente em razão de silenciar-se, o juiz decidirá
se o réu é, ou não, parte legítima do processo. As consequências possíveis são duas:
1) Se o juiz entender que o réu é parte legítima, o processo terá prosseguimento normal.
2) Entendendo o juiz pela ilegitimidade passiva do réu, o processo será extinto sem
resolução do mérito, por falta de preenchimento de todos os aspectos da legitimidade
(art. 485, VI, CPC).

Obs.: A extinção sem resolução do mérito por ilegitimidade passiva somente acontecerá
se o autor perder o prazo de 15 dias para trocar de réus, ou se o autor discordar da
ilegitimidade e se o juiz entender que, de fato, o réu é parte passivamente ilegítima.
Se o réu se valer da preliminar de ilegitimidade passiva, e houver alguma razão lógica
que leve a concluir que o réu é capaz, sim, de indicar o sujeito que deva responder pelos
fatos (o legítimo réu), terá ele o dever de indicar, ao mesmo tempo, quem seria o legítimo
réu da ação.
Não haverá problemas se o réu demonstrar razões convincentes de que ele não tem
conhecimento do sujeito que deva responder pelos fatos narrados na petição inicial. Todavia,
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se o réu realmente puder indicar o sujeito responsável e não fizer essa indicação, ele deverá
pagar todas as despesas do processo, bem como deverá indenizar o autor pelos prejuízos
que decorrerem do seu silêncio no tocante à indicação.
Conclusão: mesmo que o processo acabe extinto sem resolução do mérito por ilegitimidade
passiva, se o réu deixar de indicar o verdadeiro legitimado quando puder fazer a indicação,
ele pagará as custas processuais e os honorários advocatícios. Trata-se de uma expressão
do princípio da causalidade: quem der causa à extinção do processo (neste caso, o réu, em
razão da impossibilidade de prosseguimento em face do real responsável) deve arcar com
as despesas processuais.
Quando o réu indicar o verdadeiro legitimado ou responsável, o autor poderá tomar
uma de duas atitudes:
1) Dentro do prazo de 15 dias para alteração (aditamento) da petição inicial, poderá
excluir o atual réu e incluir aquele indicado na preliminar de ilegitimidade passiva da
contestação. Neste caso, somente o novo réu (incluído) continuará no processo (art. 339,
§ 1º, CPC).
• Nesta primeira hipótese, o autor pagará ao advogado do réu excluído (ilegítimo)
honorários advocatícios, em montante a ser fixado pelo juiz, respeitado o limite
mínimo de 3% e máximo de 5%, calculados sobre o valor da causa ( já que nesta fase
do processo ainda não há condenação).

Obs.: Se o valor da causa for muito irrisório (baixo), os honorários ao advogado do réu excluído
poderão observar a regra do art. 85, § 8º, do CPC: o juiz fixará, de forma equitativa
( justa), um valor que dignamente remunere a atividade do advogado no processo,
levando-se em conta o tempo despendido, o zelo, o lugar da prestação dos serviços,
o trabalho despendido, a natureza e a importância da causa (art. 85, § 2º, CPC).
2) Também dentro do prazo de 15 dias para aditamento da inicial, o autor poderá
manter o primeiro réu e incluir, como litisconsorte passivo (outro réu), o sujeito indicado

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na preliminar de ilegitimidade. É uma situação em que ambos os réus (o originário e o


indicado) permanecerão no processo (art. 339, § 2º, CPC). Logo, nesta hipótese, não haverá
necessidade de pagamento de honorários de advogado ao primeiro réu, eis que que continua
no processo.

Tome muito cuidado para não confundir as regras de substituição de réus (quando há alegação
de ilegitimidade passiva na contestação), com o fenômeno da substituição processual.
A substituição processual é sinônimo de legitimidade extraordinária: quando uma pessoa
pleiteia direito alheio em nome próprio, nos casos em que o ordenamento jurídico permitir.
As regras sobre substituição de réus nada têm a ver com substituição processual, no
sentido técnico.

Obs.: Em caso de ilegitimidade passiva manifesta (grosseira), que não dê nenhuma


margem minimamente razoável de dúvida, não haverá nem mesmo o procedimento
dos arts. 338 e 339 do CPC: a petição inicial será indeferida (art. 330, II, CPC).
Afinal de contas, aquele procedimento tem utilidade quando o réu tiver alguma
possibilidade de indicar o legítimo réu. Se a ilegitimidade for extremamente patente,
a petição inicial será indeferida antes mesmo da oportunidade de aditamento em
15 dias.
Para finalizar esta parte, saliento que se o autor for parte manifestamente ilegítima
ou se ele não tiver interesse processual, a petição inicial será indeferida, e o réu não
será sequer citado para audiência de conciliação ou contestação. É a regra do art. 330,
caput, do CPC:

Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:


I – for inepta;
II – a parte for manifestamente ilegítima;
III – o autor carecer de interesse processual;
IV – não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321.

Passadas essas considerações, é possível apresentar-lhe uma ilustração ainda mais


completa das condições da ação:

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O estudo das condições da ação exige, ainda, conhecimento da teoria da asserção. Para
compreendê-la, acompanhe o seguinte exemplo prático:

EXEMPLO
Cássio ajuizou ação de cobrança contra Rafael, de modo a cobrar o pagamento de dívida
decorrente de contrato particular escrito. Em contestação, Rafael apresenta questão preliminar
de extinção do processo sem resolução do mérito, por ilegitimidade passiva, em razão de
nunca ter celebrado com Cássio qualquer contrato escrito, nem mesmo aquele apontado
na causa de pedir da ação.
Neste caso, à luz da teoria da asserção, se o juiz reconhecer que Rafael realmente nunca
celebrou qualquer contrato com Cássio, a sentença não poderá ter por resultado a extinção
do processo sem resolução do mérito por ilegitimidade passiva de Rafael, porque a verificação
da existência, ou não, da relação jurídica contratual era afeta ao mérito da demanda. Afinal,
a inexistência do contrato alegado pelo autor seria um fato impeditivo do direito do autor,
cuja análise ficou abrangida pela análise das questões de mérito por parte do juiz.
Na situação, se o juiz ficar convencido da inexistência da relação contratual alegada pelo
autor, deverá, à luz da teoria da asserção, julgar a ação improcedente, examinando o mérito.

Diante desse exemplo, é mais fácil compreender o fundamento da teoria da asserção:


se uma alegação inerente à questão preliminar, separada do mérito, depender de uma
efetiva análise de aspectos de mérito da ação (como existência de relações jurídicas ou
a responsabilidade de alguém por um determinado dano), essa alegação não poderá ser
apreciada apenas como questão preliminar, mas, sim, como um dos capítulos da sentença
que resolvem o mérito da demanda.

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Para compreender de forma ainda mais clara a teoria da asserção, confira o seguinte exemplo:

EXEMPLO
Jairo ajuizou ação trabalhista contra sua ex-empregadora, a sociedade empresária Chutou
é Gol Ltda, alegando que trabalhou para tal sociedade por um ano, em jornada de trabalho
excessiva, pelo que postulou o pagamento de horas extraordinárias. Na contestação, a
sociedade empresária alegou a carência de ação, por ausência de legitimidade passiva, já que
Jairo nunca teria trabalhado para ela.
Nessa situação, o juiz não deverá extinguir a ação sem resolução do mérito por carência de
ação, já que a legitimidade passiva da sociedade empresária Chutou é Gol Ltda depende,
necessariamente, de enfrentamento do mérito, com análise de provas a respeito do fato
de Jairo ter, ou não, trabalhado para essa sociedade. Dessa forma, se o juiz se convencer de
que Jairo nunca trabalhou para a sociedade empresária em questão, deverá, à luz da teoria
da asserção, julgar a ação improcedente.
Todavia, a necessidade de avaliação das condições da ação no mérito da demanda não
é a definição da teoria da asserção. Na verdade, essa situação é apenas a que mais exige
a aplicação da teoria da asserção, e não um conceito que lhe seja próprio. Na realidade, a
teoria da asserção é mais ampla que isso.
De maneira técnica, o STJ expressa o seguinte:

JURISPRUDÊNCIA
A teoria da asserção impõe que as condições da ação, entre elas a legitimidade passiva,
sejam aferidas mediante análise das alegações delineadas na petição inicial” (AgInt
no AREsp 2003195/GO).

Brocardo jurídico frequentemente utilizado para acompanhar esse conceito denomina-


se in status assertionis, que significa “à vista das afirmações”.
Desse modo, se as alegações do autor, na petição inicial, tornarem clara, patente, evidente
a inexistência de legitimidade passiva por parte da pessoa indicada como ré, o processo
poderá tranquilamente ser extinto sem resolução do mérito, à luz da teoria da asserção.

EXEMPLO
Ação é ajuizada contra determinada pessoa física, mas todas as alegações de fato e de direito
apontam para a responsabilidade civil de outra pessoa, que não tem nada a ver com a lide.
Neste caso, a extinção do processo sem resolução do mérito, por ilegitimidade passiva, será
medida correta e coerente por parte do juiz.

Outra definição precisa da teoria da asserção, por parte do STJ, consta do seguinte
trecho jurisprudencial:

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JURISPRUDÊNCIA
As condições da ação são apuradas de acordo com a teoria da asserção. Assim, o
reconhecimento da legitimidade das partes se dá com base nos argumentos apresentados
na inicial, que devem possibilitar a dedução, em abstrato, de que o autor pode ser o
titular da relação jurídica levada a juízo (REsp 1842613/SP)

Portanto, se, em abstrato, as alegações do autor apresentarem circunstância que


pode ser verdadeira, se confirmada por provas a serem produzidas ao longo do processo,
e atribuir ao autor a titularidade do direito postulado, a legitimidade da parte ré não será
aferida preliminarmente, mas, sim, à luz do conjunto de provas, no mérito.
À luz do CPC, a teoria da asserção pode fazer com que a causa de extinção processual
sem resolução do mérito prevista no art. 485, VI (falta de interesse ou legitimidade), seja
absorvida, em alguns casos, pela causa de extinção do processo com resolução do mérito,
prevista no art. 487, I: “Haverá resolução de mérito quando o juiz (...) acolher ou rejeitar o
pedido formulado na ação ou na reconvenção”.
Veja, abaixo, um exemplo real, encontrado na jurisprudência do STJ:

JURISPRUDÊNCIA
AGRAVOS INTERNOS NOS AGRAVOS EM RECURSO ESPECIAL – AUTOS DE AGRAVO
DE INSTRUMENTO – DECISÕES MONOCRÁTICAS QUE NEGARAM PROVIMENTO AO
RECLAMO DA PARTE AGRAVADA E NÃO CONHECERAM DO APELO MANEJADO PELA
AGRAVANTE. INSURGÊNCIA RECURSAL DE AMBAS AS PARTES.
1. O Tribunal local, ao apreciar a controvérsia, abordou a questão relacionada à suficiência
da documentação juntada aos autos para a aferição da legitimidade ativa, a denotar o
prequestionamento das matérias debatidas no recurso especial. Necessário provimento
do agravo interno, com a consequente análise, de plano, do recurso especial.
2. Consoante entendimento firmado nesta Corte Superior, as condições da ação, aí
incluída a legitimidade para a causa, devem ser aferidas in status assertionis, ou
seja, à luz das afirmações deduzidas na petição inicial. Precedentes.
2.1. Hipótese em que o Tribunal local, ao apreciar as condições da ação, não se valeu da
acima referida teoria da asserção, na medida em que condicionou o reconhecimento
da legitimidade ativa à juntada de documento apontado na inicial como inexistente
e de impossível produção pela autora, diante das particularidades da causa.
2.2. Presença de documentos que, desde logo, permitem a aferição da legitimidade ativa.
3. Agravo interno de fls. 2064-2073, e-STJ, provido, para conhecer do agravo (art.
1.042 do CPC/2015) e, desde logo, dar provimento ao recurso especial de fls. 1736-
1748, e-STJ. Agravo interno de fls. 2076-2087, e-STJ, prejudicado.
(AgInt no AREsp n. 1.141.325/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado
em 7/6/2022, DJe de 20/6/2022.)
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Tome muito cuidado: a teoria da asserção não, não torna obrigatório o exame das condições
da ação apenas no mérito da demanda. Na verdade, a teoria da asserção só possibilita que
as condições da ação, enquanto questões preliminares, sejam absorvidas pelo mérito, mas
não impede que a carência de ação seja declarada se a ausência das condições da ação for
evidente, a partir das próprias alegações da petição inicial.
Afinal, a ausência de interesse e/ou legitimidade é e continuará sendo causa de extinção
do processo sem resolução do mérito (art. 485, VI, CPC).

2.2. ELEMENTOS IDENTIFICADORES DA AÇÃO


Agora que você já conhece as condições da ação, você já pode estudar os elementos
que identificam a ação, que são itens totalmente diferentes.
Os elementos podem existir, até mesmo, quando a ação não preencher todas as suas
condições. Isso porque os elementos são inerentes à essência da ação (estruturais da
ação). São três:
1) Partes: autor e réu (ou requerente e requerido, como preferir), em se tratando de
jurisdição contenciosa, ou os meros interessados, em se tratando de jurisdição voluntária.
2) Causa de pedir: existem a causa de pedir próxima e a causa de pedir remota.
• Causa de pedir remota: é o elemento real em que a pretensão discutida se baseia.
É o contrato, na ação que discute obrigações contratuais; o casamento, na ação
de divórcio; a obrigação legal de reparar o dano, na ação de indenização por danos
morais, por exemplo.
• Causa de pedir próxima: são os fatos narrados pelo autor na petição inicial. É o
acontecimento fático que levou o autor a ajuizar a ação. Por exemplo, em uma ação
de indenização por danos morais, é a ofensa específica praticada pelo réu.

A doutrina é divergente sobre a definição de causa de pedir próxima e remota. Alguns


doutrinadores classificam a causa de pedir de forma inversa à apresentada acima, trocando
as definições de causa de pedir próxima e remota.
Para Daniel Amorim Assumpção Neves, essa divergência não tem lado certo ou errado:
aqueles que consideram o fato como causa de pedir remota o fazem tendo como
perspectiva de proximidade o pedido do autor, porque o pedido é formulado com base
no fundamento jurídico; já aqueles que consideram o fato como causa de pedir próxima o
fazem tendo como perspectiva de proximidade a pretensão jurídica do autor, porque ela
nasce diretamente do fato.

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3) Pedido: é a pretensão formulada pelo autor: condenar o réu a pagar ou fazer


alguma coisa, declarar a existência de uma relação jurídica etc. Há o pedido imediato e o
pedido mediato:
• Pedido imediato (próximo): é o formulado no final da petição inicial (condenação
da ré a pagar, fazer etc.),
• Pedido mediato (distante): é o bem jurídico tutelado (direito à moradia, à propriedade
etc.).
A ausência de pedido ou de causa de pedir é uma causa de indeferimento da petição
inicial por inépcia. Logo, grave desde já que uma petição inicial que não demonstre pedido
e/ou causa de pedir é inepta. Confira, abaixo, a regra do art. 330, caput, I e § 1º, I, do CPC:

Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:


I – for inepta;
(...)
§ 1º Considera-se inepta a petição inicial quando:
I – lhe faltar pedido ou causa de pedir; (...)

Existem outras hipóteses de inépcia, que são estudadas na aula pertinente à petição
inicial. Desde já, saiba que a falta dos elementos pedido e/ou causa de pedir acarreta
inépcia da petição inicial, que é um fundamento para que a petição inicial seja indeferida,
e para que o processo, por consequência imediata, seja extinto sem resolução do mérito
(art. 485, I, CPC).
Ademais, se a(s) parte(s) for(em) manifestamente ilegítima(s), também ficará configurada
causa de indeferimento da petição inicial. É a regra do art. 330, II, do CPC:

Art. 330. A petição inicial será indeferida quando:


(...)
II – a parte for manifestamente ilegítima;
(...)

Em caso de ilegitimidade manifesta (grotesca, grosseira, evidentíssima), seja do autor


ou do réu, a petição inicial será indeferida, e o processo, por consequência imediata, será
extinto sem resolução do mérito (art. 485, I, CPC).

Obs.: Em caso de ilegitimidade passiva manifesta (grosseira), que não dê nenhuma


margem minimamente razoável de dúvida, não haverá nem mesmo o procedimento
dos arts. 338 e 339 do CPC: a petição inicial será indeferida (art. 330, II, CPC).
Afinal de contas, aquele procedimento tem utilidade quando o réu tiver alguma
possibilidade de indicar o legítimo réu. Se a ilegitimidade for extremamente patente,
a petição inicial será indeferida antes mesmo da oportunidade de aditamento em
15 dias.

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Agora, tome cuidado para não confundir os elementos com as condições da ação:

2.2.1. AÇÕES CONEXAS E CONTINENTES


Para solucionar situações em que duas ou mais ações tenham iguais elementos
identificadores (partes, causa de pedir e/ou pedido), existem no CPC os fenômenos da
conexão e da continência. Veja:

Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a
causa de pedir.
§ 1º Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já
houver sido sentenciado.
§ 2º Aplica-se o disposto no caput:
I – à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico;
II – às execuções fundadas no mesmo título executivo.

O fenômeno da conexão verifica-se quando as ações conexas têm, por igual, um dos
seguintes elementos:
1) Pedido;
2) Causa de pedir.

Obs.: É suficiente a igualdade de somente um destes elementos para que a conexão reste
configurada (pedido ou causa de pedir). É uma regra alternativa, e não cumulativa.
A igualdade de causas de pedir é fácil de visualizar: o fato que fundou o ajuizamento
das duas ações é o mesmo, ou decorrem de um mesmo fator.
Já a igualdade de pedidos é algo de lógica um pouco distinta. Não se trata de serem
pedidos iguais de forma isolada, mas, sim, de dois pedidos certos e determinados de
forma idêntica.

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EXEMPLO
Dois pedidos de condenação de uma mesma empresa a implementar mecanismos de
acessibilidade a pessoas com deficiência em um estabelecimento empresarial específico.

A conexão pode ser configurara mesmo que as partes dos processos conexos sejam diferentes.
É suficiente para a constatação da conexão a igualdade do pedido (certo e determinado)
ou da causa de pedir. Não importa quem sejam as partes.

Tão logo seja reconhecida a conexão entre dois ou mais processos, eles serão reunidos
para decisão conjunta, no juízo prevento (primeiro em que tenha sido registrada/distribuída
a primeira das ações).
Esta reunião deve ocorrer por determinação do juiz, de ofício. Afinal, a conexão consiste
em matéria de ordem pública, tida como expressão da isonomia e da segurança jurídica
(decisões não conflitantes sobre conflitos atrelados).

Não haverá decisão conjunta se um dos processos conexos já houver sido sentenciado.
Neste caso, o processo sentenciado ficará como está, e os demais – ainda pendentes de
decisão – serão reunidos para sentença conjunta (§ 1º).

Em igual sentido, enuncia a Súmula n. 235 do STJ:

JURISPRUDÊNCIA
Súmula n. 235 do STJ
A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi
julgado.

A conexão pode existir entre:


• Duas ou mais ações de conhecimento;
• Duas ou mais ações de execução;
• Uma ou mais ações de conhecimento e uma ou mais de execução.
Nestas diferentes situações, a conexão ficará evidenciada pelos seguintes parâmetros:
1) Duas ou mais ações de conhecimento: identidade de pedido ou causa de pedir (no
sentido mais comum)

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2) Duas ações de execução: o título executivo é o mesmo (equipara-se à igualdade de


causa de pedir)
3) Uma ou mais execuções de título extrajudicial e uma ou mais ações de conhecimento: o
ato jurídico utilizado como fundamento é o mesmo (equipara-se à igualdade de causa de pedir)

§ 3º Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação
de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão
entre eles.

O § 3º do art. 55 cria uma hipótese de conexão que não precisa de identidade de pedidos
ou causa de pedir para ser configurada.

Anteriormente, você estudou as hipóteses de conexão própria, que se caracterizam


pela identidade de pedidos ou de causa de pedir.
O § 3º trata de uma hipótese especial de conexão, que não leva em conta a identidade
de pedidos ou de causas de pedir. Trata-se da chamada conexão imprópria.
Marinoni, Arenhart e Mitidiero qualificam o § 3º como uma hipótese de conexão imprópria
por homogeneidade. Explicarei o fundamento.
Processos que se sujeitem a risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias
caso decididos separadamente, certamente, versam sobre matérias iguais ou muito atreladas
uma à outra: normalmente, trata-se de relações jurídicas praticamente iguais. Em outras
palavras, os processos nesta condição tendem a influenciar no mesmo nicho jurisprudencial,
isto é, criando precedentes da mesma temática.
Imagine que dois processos versem sobre dano moral fundado em resolução antecipada
de contrato de locação, envolvendo pessoas de localidades distintas. Nesse caso, não há
identidade de pedidos certos e determinados, nem de causas de pedir. Não há uma relação
muito próxima de identidade. Todavia, em razão de a matéria envolvida ser praticamente
igual, a reunião dos processos passa a ser necessária para que se previna uma divergência
jurisprudencial (entre órgãos) que leve os jurisdicionados a uma situação de insegurança.

Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto
às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais.

A configuração da continência entre dois ou mais processos é algo mais complexo. Exige-
se a identidade de dois elementos: partes e causa de pedir. São elementos cumulativamente
idênticos.

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Na continência, existem:
1) Ação Continente: Aquela que possui pedidos mais abrangentes, mais
profundos/robustos.
2) Ação Contida: Aquela que contenha menor número de pedidos, sendo, por isso, uma
ação menor.
Além de as partes e as causas de pedir serem idênticas, é necessária a existência de uma
abrangência de uma ação sobre outra. De grosso modo, é necessário que a ação menor
“caiba” dentro da ação maior, como se a ação maior tivesse o poder de absorver toda a
ação menor.
Ilustro:

Para diferenciar conexão de continência:

2.3. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES (CARACTERÍSTICAS)


As ações podem ser classificadas e identificadas de acordo com os seus fundamentos,
seus resultados e, ainda pelo tipo de tutela que pretendem do juiz.

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As classificações com base em fundamentos e em resultados não são mais aceitas pela
doutrina moderna, uma vez que se fundam no direito material invocado na ação, e a teoria
eclética, atualmente adotada pelo CPC para a definição da ação, não admite que a ação seja
vinculada ao direito material envolvido. Com base em tais classificações, muitos nomeiam
as ações como “ação de rescisão de contrato”, “ação real” (quando envolve direitos reais),
“ação pessoal” (pertinente a direitos pessoais) etc.
Atualmente, em razão de a teoria válida da ação considerar que esta é totalmente
separada do direito material, as ações são classificadas em conformidade com a espécie
de tutela jurisdicional que pretendem. Dessa forma, aceita-se amplamente a seguinte
classificação:

2.3.1. AÇÃO DECLARATÓRIA


É aquela em que o autor, predominantemente, pede ao juiz uma decisão que declare a
existência, a inexistência ou o modo de ser de uma relação jurídica. É prevista nos arts. 19
e 20 do CPC:

Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração:


I – da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica;
II – da autenticidade ou da falsidade de documento.
Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do
direito.

Mesmo que em uma relação jurídica tenha alguma das partes sofrido danos, por culpa
da outra parte ou de terceiros, é perfeitamente possível que o sujeito prejudicado ajuíze
uma ação meramente declaratória, buscando tornar imutável o fato de a relação existir,
inexistir ou a forma como a relação ocorreu ou deva ocorrer.
Exemplo popular de ação meramente declaratória é a ação destinada ao reconhecimento
de tempo de serviço de um trabalhador para uma empresa ou pessoa, na Justiça do Trabalho,
a fim de que este tempo seja levado em consideração para futuras concessões de benefícios
previdenciários (aposentadoria, na maioria dos casos). Não importa se o trabalhador sofreu
alguma violação durante o trabalho: ele pode pedir ao juiz, tão somente, a declaração de
existência da relação de emprego.
É plenamente possível que, em ação declaratória, o autor pretenda que um documento
seja declarado pelo juiz como autêntico, ou, em outras situações, como falso.

2.3.2. AÇÃO CONSTITUTIVA


É destinada a criar (constituir), extinguir (desconstituir) ou produzir modificações
em relações jurídicas.

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EXEMPLO
Ações de divórcio (desconstituição da relação matrimonial).
Em algumas situações, as ações constitutivas, quando se destinem a desconstituir uma
relação jurídica (como no caso do divórcio), são chamadas de ações desconstitutivas ou,
ainda, de ações constitutivas negativas.
Assim como no caso da ação meramente declaratória, o autor pode limitar-se a formular
uma pretensão meramente constitutiva, sem pedir ao juiz qualquer condenação em
face do réu, mesmo que tenha havido alguma violação de direito na relação constituída/
desconstituída.

2.3.3. AÇÃO CONDENATÓRIA


A ação condenatória é a que mais representa o caráter litigante das ações judiciais.
Trata-se da espécie de ação que visa formar um título executivo judicial. Este título
possibilita que o réu seja obrigado a cumprir uma obrigação de pagar quantia, de entregar
coisa, de fazer ou de não fazer alguma coisa.
Se procedente a ação condenatória, o réu é condenado a cumprir obrigação descumprida,
que, como dito, pode ser de dar (pagar quantia ou entregar coisa), fazer ou não fazer.
Exemplos práticos são incontáveis: ação indenizatória por danos morais, ação de despejo,
ação de cobrança.

2.3.4. AÇÃO MANDAMENTAL


São as ações que permitem ao juiz, como meio de satisfação, emitir uma ordem e/
ou comando obrigatório ao réu, que deverá atendê-lo, sob pena de medidas indutivas e
coercitivas (imposição de multa, busca e apreensão, inscrição em órgãos de proteção ao
crédito etc.).
Ademais, as ações mandamentais caracterizam-se pelo envolvimento de comandos
judiciais que, se descumpridos, dão ensejo à configuração de crime de desobediência.

EXEMPLO
Mandado de segurança, Habeas data, ação fundada em obrigação de fazer ou não fazer.

Nas ações mandamentais, o comando expedido pelo juiz (mediante mandado judicial,
normalmente) é cumprido pelo próprio devedor. Este cumprimento ocorre sob certa
pressão, como a cominação de multa, previsão da possibilidade de busca e apreensão etc.
É neste ponto que reside a diferença crucial entre a ação mandamental e a ação executiva
lato sensu, que é a próxima a ser estudada.

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2.3.5. AÇÃO EXECUTÓRIA/EXECUTIVA LATO SENSU


A ação executória lato sensu, ou executiva lato sensu (como preferir), é, no fim das contas,
uma decorrência da ação condenatória. Ela tem por objeto a estipulação de meios pelos
quais o próprio Estado-juiz satisfará a pretensão do autor, por meio de indisponibilidade
de bens, bloqueio de contas bancárias, penhoras, expropriações etc.
O ponto que diferencia a ação executória lato sensu da ação mandamental é este: quem
cumprirá o comando judicial.

DICA
Se o comando for cumprido pelo próprio devedor, sob
pressão do juiz, a ação será mandamental.
Quando o comando for cumprido como decorrência de atos
do próprio juiz (determinação de penhora, indisponibilidade
de bens, bloqueio de contas etc.), a ação será executória.

Perceba que as ações são tradicionalmente classificadas em uma dentre cinco categorias.
Este fato enquadra a referida classificação na teoria quinária (quíntupla) das ações, pois
podem ser classificadas de cinco formas.
Alguns doutrinadores (mais conservadores) adotam a teoria ternária (trinária) das ações,
reconhecendo somente a declaratória, a constitutiva e a condenatória (três categorias).
Em questões de concurso, são cobradas as cinco categorias – inclusive a executória lato
sensu e a mandamental –, razão pela qual recomendo a consideração da teoria quinária.

Professor, não consigo classificar as ações com base nesses critérios, uma vez que
existem ações que se encaixariam em vários deles. O que eu faço?

Não se preocupe com isso, caro(a) aluno(a). Na prática, as ações enquadram-se em


várias dessas classificações. Você verá ações com objetos declaratórios e constitutivos,
condenatórios e executórios, constitutivos e mandamentais, dentre outros exemplos
possíveis. Inclusive, saliento que o objeto declaratório é presente em quase todas as ações.

EXEMPLO
A constituição de uma relação jurídica de prestação de serviços, com o objetivo final de
condenação do réu por perdas e danos, geralmente é acompanhada da declaração da existência
da obrigação de prestar os serviços. Ao final, é possível a execução da obrigação descumprida.
Veja que, numa só ação, identificam-se quatro critérios classificadores.

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2.3.6. CLASSIFICAÇÃO TEÓRICA TRADICIONAL: CONHECIMENTO, EXECUÇÃO E CAUTELAR


Existe uma forma de classificação das ações, ainda existente na doutrina e cobrada em
questões de foco mais conservador e teórico, que separa as ações em: ação de conhecimento,
ação de execução e ação cautelar.
O CPC de 2015 torna praticamente inócua esta classificação, uma vez que a fase executiva
(cumprimento de sentença) ocorre no mesmo processo em que tenha existido a fase de
conhecimento. Logo, a tutela cognitiva (conhecimento) e a tutela satisfativa (execução)
ocorrem na mesma ação, mas em fases distintas. Logo, não se sustenta mais a separação
das ações em “ação de conhecimento” e “ação de execução”.
Ademais, o CPC de 2015 extinguiu as ações cautelares autônomas, que eram ajuizadas
com o objetivo principal de pedir ao juiz uma medida liminar antecipada ou cautelar, com
base em probabilidade do direito (fumus boni juris) e perigo na demora (periculum in
mora). Agora, as referidas liminares devem ser formuladas de acordo com as regras da
tutela provisória, que normalmente é concedida nos mesmos autos do processo principal,
onde também ocorrem as fases de conhecimento e execução. Logo, não se sustenta mais,
tecnicamente, uma classificação que dê espaço a “ações cautelares” propriamente ditas.
Passadas estas considerações, e tendo em vista que algumas bancas ainda exploram
esta classificação, apresento, abaixo, a teoria doutrinária pertinente.
1) AÇÃO DE CONHECIMENTO: Tem por finalidade o reconhecimento (certificação)
da existência ou inexistência do direito, bem como da maneira como tal direito pode ser
exercido e de seus parâmetros de aplicação. É a ação que visa a descoberta da verdade
sobre o conflito, mediante coleta de provas, oportunidade de defesa, narração dos fatos,
dentre outros atos, todos destinados a formar o convencimento do juiz sobre a verdade
real do conflito de interesses (lide) existente. O objetivo da ação de conhecimento é o
esclarecimento do conflito, de modo que o juiz possa aplicar o direito da forma mais justa
possível ao caso concreto.
2) AÇÃO DE EXECUÇÃO: Tem por finalidade a satisfação do titular do bem jurídico,
que tem seu direito “entregue” pelo Estado após o efetivo conhecimento de seu direito. É,
em outras palavras, a satisfação de um direito já certificado e reconhecido numa ação de
conhecimento, ou de um direito que, por preencher alguns requisitos legais, não precisou
de um processo de conhecimento para ser satisfeito diretamente. O objetivo da ação de
execução é a efetiva entrega de um direito que já é certo.
3) AÇÃO CAUTELAR: Tem por objeto evitar que um direito ou uma prova se deteriore
pelo transcurso do tempo, bem como buscar a antecipação de um direito, em razão de
eventual demora causar a sua perda definitiva. Funda-se nos pressupostos probabilidade
do direito (fumus boni juris) e perigo na demora (periculum in mora).

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3. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
Os pressupostos processuais são elementos que devem existir para que o processo
seja constituído e, além de constituído, tenha andamento, a fim de que se possa chegar
ao resultado final: a entrega da tutela jurisdicional pelo Estado-juiz.
Dessa forma, podemos concluir que os processos devem preencher pressupostos de
constituição e de desenvolvimento válido e regular. A ausência de quaisquer desses
pressupostos acarreta a extinção do processo sem resolução do mérito (art. 485, IV, CPC).
Estes dois tipos de pressupostos podem ser definidos de uma maneira mais simples:
pressupostos de existência e de validade.
• PRESSUPOSTOS DE EXISTÊNCIA: São os elementos que devem existir para que o
processo se considere existente, isto é, constituído de pleno direito.
• PRESSUPOSTOS DE VALIDADE: São os elementos que devem se fazer presentes a fim
de que o processo tenha um andamento válido, de modo que a tutela jurisdicional seja
considerada entregue perfeitamente de acordo com o direito, independentemente
de seu conteúdo.

Obs.: A definição de quais sejam, exatamente, os pressupostos de existência e de validade


não são uníssonas na doutrina. Logo, você poderá encontrar doutrinadores que
classifiquem os pressupostos processuais de maneiras diferentes. Nesta aula,
apresentarei a você a classificação que, a meu sentir, é a mais considerada pelas
bancas nas questões de concursos.
Tanto os pressupostos de existência como os de validade podem ser objetivos ou
subjetivos. Serão objetivos quando referentes a algum objeto do processo, como pedido ou
causa de pedir, e subjetivos quando pertinentes a algum sujeito processual (parte, juiz etc.).
Ademais, os pressupostos de existência e de validade podem ser positivos ou negativos.
Serão positivos (ou “intrínsecos”) quando o pressuposto deva estar presente para que o
processo seja válido, e negativos (ou “extrínsecos”) quando determinado fator deva ser
ausente (não existir) para que o processo seja considerado válido.
Absorvida esta introdução teórica, você está pronto para aprender a classificação mais
específica dos pressupostos processuais.

3.1. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE EXISTÊNCIA


Os pressupostos processuais de existência são todos positivos, isto é, devem estar
presentes para que o processo seja considerado perfeitamente constituído (existente).
Pressuposto de existência objetivo:
1) Presença de um pedido (demanda). Deve haver ao menos um pedido para que o
processo exista, formulado na petição inicial. Se o autor não quiser nada vindo do Judiciário,
não existirá processo.

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Obs.: Algumas bancas podem chamar este pressuposto de “petição inicial”, com o mesmo
sentido de “pedido” e “demanda”.
Pressupostos de existência subjetivos:
1) Juiz investido de jurisdição. Deve o julgador preencher todos os requisitos legais
para poder aplicar a lei ao caso concreto com força de coisa julgada: aprovação em concurso
público regular, idade mínima nos casos em que a lei a exigir, estar em efetivo exercício etc.
2) Deve o réu ser citado. Deve haver alguma tentativa real de citação do réu, mesmo
que inválida. Se a citação for inválida, tratar-se-á de um vício em pressuposto de validade,
e não de existência. Para a constituição (existência) do processo, basta que exista uma
citação, ainda que nula.

A maior divergência doutrinária é instaurada no tocante à capacidade processual e à


capacidade postulatória. Alguns doutrinadores apontam que tais capacidades seriam
pressupostos de existência, e outros, que seriam pressupostos de validade.
Em razão dessa grande divergência, as bancas não têm cobrado a classificação das capacidades
da parte (ser parte, processual e postulatória) dentro dos pressupostos processuais. A
única banca que o fez, até então, foi a VUNESP, em 2019, que considerou a capacidade
postulatória como pressuposto de validade.

3.2. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DE VALIDADE


Os pressupostos de validade podem ser positivos ou negativos. Reitero que um
pressuposto será positivo quando deva existir para que o processo seja válido. Será negativo
quando não deva existir a fim de que o processo seja válido.
Pressupostos de validade objetivos e positivos:
1) Competência do juízo. A competência é considerada pressuposto processual. Quando
ela for de ordem absoluta (em razão da matéria, da pessoa ou da função), ela não poderá
ser suprida (improrrogável). Se ela for de ordem relativa (em razão do lugar ou do valor),
ela poderá ser prorrogada, se a incompetência do juízo não for alegada até a contestação.
2) Petição inicial válida. Quando existe um pedido, está presente um pressuposto de
existência. Quando a petição inicial atende a todos os seus requisitos legais de regularidade
(arts. 319 e seguintes do CPC), está presente um pressuposto de validade.
Pressupostos de validade subjetivos e positivos:
1) Imparcialidade do juiz. Não basta que ele seja investido de jurisdição (pressuposto
de existência). O juiz deve ser imparcial, sem tendências pessoas e obscuras, para que o
processo tenha validade.
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2) Citação válida do réu. A existência de uma citação (pressuposto de existência) não é


suficiente. Deve essa citação ser válida, isto é, ocorrer pela forma prescrita em lei apontada
para cada caso concreto. Há casos em que a citação deve ser feita por meio eletrônico, por
oficial de justiça ou por Correios. Deverá a citação se dar na forma prescrita em lei para a
situação concreta.

Lembre-se que, como dito logo acima, a capacidade das partes é ponto de divergência
doutrinária, se seria um pressuposto de validade ou de existência. Fato é que a capacidade
das partes é um pressuposto processual, mas não se definiu ainda, ao certo, se de validade
ou de existência.

Pressupostos de validade negativos:


Os pressupostos negativos – os que não devem ser verificados para que o processo seja
válido – são todos objetivos. São eles:
1) Não deve haver litispendência. Não deve haver um processo idêntico (com mesmas
partes, causas de pedir e pedidos) ainda em andamento.
2) Não deve haver coisa julgada. Não pode a causa já ter sido decidida por decisão de
mérito transitada em julgado, com mesmas partes, causas de pedir e pedidos.
3) Não deve haver perempção. Não pode a parte ter sido punida pelo juiz a ficar algum
tempo, ou permanentemente, sem poder ajuizar ação.

EXEMPLO
Se o autor abandonar a causa por três vezes, ele não mais poderá ajuizar ação com iguais
pedidos contra o mesmo réu (art. 486, § 3º do CPC).

Alguns doutrinadores apontam um quarto pressuposto negativo: não deve existir


convenção de arbitragem. Todavia, nem toda a doutrina reconhece esta quarta hipótese
porque o juiz não pode conhecer de convenção de arbitragem de ofício. De qualquer forma,
se o réu alegar a existência dessa convenção até a contestação, o processo não poderá
validamente ter prosseguimento, devendo o juízo abster-se de apreciar a causa antes do
árbitro elegido pelas partes.

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RESUMO
O assunto desta aula contém uma densidade teórica que a distingue das aulas em que
estudamos o CPC mediante comentários individualizados. Portanto, de modo a viabilizar uma
absorção mais célere das importantes palavras-chave relativas a cada tema, apresentarei,
neste capítulo, breve síntese dos tópicos teóricos, de modo a facilitar seu processo de revisão:
• A jurisdição constitui a função típica do Poder Judiciário;
• O conceito moderno de jurisdição exige que se considerem dois elementos:
− 1) JURIS-DICÇÃO: A jurisdição é e continuará sendo o ato de aplicar o direito ob-
jetivo ao caso concreto, na fase de conhecimento.
− 2) JURIS-SATISFAÇÃO: O órgão jurisdicional deve garantir a realização concreta
do direito já reconhecido em juízo, na fase de execução.
• A jurisdição tem por característica a inércia: só é aplicada aos casos concretos se os
sujeitos interessados provocarem o Poder Judiciário para tanto;
• A atividade jurisdicional caracteriza-se pela substitutividade: o Estado substitui as
próprias partes no papel de tutelar o direito envolvido no conflito;
• A jurisdição é norteada pela característica da indelegabilidade: os órgãos do Poder
Judiciário não podem delegar a função jurisdicional (de aplicar o direito ao caso
concreto) a outros órgãos ou pessoas;
• Outra característica principiológica da jurisdição é a definitividade: o exercício da
jurisdição, por parte do Poder Judiciário, tem a prerrogativa de tornar definitivas as
decisões por ele tomadas;
• A atividade jurisdicional ainda tem por característica a inafastabilidade (ou
obrigatoriedade): não há objeto ou sujeito de direito que seja imune ao poder
jurisdicional do Estado;
• A improrrogabilidade, como característica da jurisdição, significa que, se a jurisdição
for exercida por quem não a possui, ou por órgão judiciário incompetente para
exercê-la em certo caso, a jurisdição não será estendida ao sujeito que dela se valeu
irregularmente. Há exceções;
• A jurisdição caracteriza-se pela imperatividade (ou inevitabilidade): as decisões
proferidas pelo Poder Judiciário têm poder coativo/coercitivo sobre os sujeitos
envolvidos;
• A atividade jurisdicional é exercível pelos juízes e pelos tribunais em todo o território
nacional ( jurisdição una e indivisível);
• A competência dos órgãos jurisdicionais brasileiros, em relação aos órgãos
estrangeiros, pode ser dividida em duas espécies:

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− CONCORRENTE: Os órgãos judiciários brasileiros podem julgar a ação, mas os ór-


gãos estrangeiros também poderão. O Brasil é competente, sim, para julgar uma
demanda, mas é perfeitamente possível que as partes resolvam submeter-se a
julgamento de órgão judiciário estrangeiro, se assim preferirem, observadas as
regras de competência do outro país.
− EXCLUSIVA: O Brasil, e somente o Brasil, poderá processar e julgar uma demanda.
Decisões proferidas no estrangeiro sobre os temas de competência exclusiva dos
órgãos judiciários brasileiros não terão validade, tampouco eficácia, no Brasil.
• A ação, historicamente, foi conceituada de quatro formas:
− TEORIA CIVILISTA ou TEORIA IMANENTISTA: A ação é o próprio direito material
que o sujeito quer defender.
− TEORIA CONCRETA: O direito de ação não se confunde com o direito material viola-
do. Tecnicamente, o direito de ação consistiria numa pretensão. Em razão disso, o
direito de ação existiria somente diante de um pleito que atendesse a determinadas
condições (as atuais “condições da ação”). Além disso, seria imprescindível para a
existência de um direito de ação o fato de a pretensão do sujeito ser procedente.
− TEORIA ABSTRATA: O direito de ação e o direito material supostamente violado
tomam caminhos muito distintos. É suficiente que, no ordenamento jurídico, o
interesse da parte seja tutelado por alguma norma para que ela possa exercer o
direito de ação.
− TEORIA ECLÉTICA (adotada pelo CPC de 2015): O direito de ação é a possibilidade
de exigir do Estado uma postura na resolução do conflito que lhe for submetido.
As partes teriam direito a, sempre que possível, uma decisão de mérito.
• São condições da ação: interesse e legitimidade;
− O interesse existirá quando o autor da ação completar um binômio técnico: ne-
cessidade + adequação;
◦ NECESSIDADE: A ação deve ser necessária e útil para que o direito seja prote-
gido, restaurado ou compensado.
◦ ADEQUAÇÃO: Não basta que o autor tenha a necessidade de buscar o Judiciário:
ele deve escolher o meio processual legalmente adequado para a tutela de seu
direito, e seus pedidos devem ser capazes de resolver o conflito de interesses.
− A legitimidade, no processo, deve ser compreendida como legitimidade para a
causa (legitimidade ad causam);
◦ Quando inerente ao autor, toma-se o termo LEGITIMIDADE ATIVA (do polo
ativo – autor);
◦ Se pertinente ao réu, usa-se o termo LEGITIMIDADE PASSIVA (do polo passivo
– réu).

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Gustavo Deitos

• A legitimidade para a causa pode ter uma de duas naturezas:


− 1) LEGITIMIDADE ORDINÁRIA: O direito pleiteado pertence à própria parte que
participa do processo. Trata-se do pleito de direito próprio em nome próprio.
− 2) LEGITIMIDADE EXTRAORDINÁRIA: O direito é pleiteado por uma pessoa que,
a rigor, não é a própria titular desse direito. Trata-se do pleito de direito alheio
em nome próprio.
◦ O legitimado extraordinário, por defender direito alheio em nome próprio, é
tecnicamente denominado SUBSTITUTO PROCESSUAL.
• São elementos identificadores da ação:
− 1) Partes: autor e réu (ou requerente e requerido, como preferir), em se tratando
de jurisdição contenciosa, ou os meros interessados, em se tratando de jurisdição
voluntária;
− 2) Causa de pedir: existem a causa de pedir próxima e a causa de pedir remota;
◦ Causa de pedir remota: é o elemento real em que a pretensão discutida se baseia;
◦ Causa de pedir próxima: são os fatos narrados pelo autor na petição inicial. É o
acontecimento fático que levou o autor a ajuizar a ação;
− 3) Pedido: é a pretensão formulada pelo autor: condenar o réu a pagar ou fazer
alguma coisa, declarar a existência de uma relação jurídica etc.
• A teoria quinária divide a ação em cinco espécies: declaratória, constitutiva,
condenatória, mandamental e executiva lato sensu;
• A teoria ternária, por sua vez, separa a ação em apenas três espécies: declaratória,
constitutiva e condenatória;
• A classificação tradicional das ações, sob o ponto de vista processual, aceita três
espécies de ação: a ação de conhecimento (certificação do direito), a ação de execução
(satisfação do direito) e a ação cautelar (obtenção de medidas indispensáveis à
tutela do direito).
• Os pressupostos processuais são elementos que devem existir para que o processo
seja constituído e, além de constituído, tenha andamento, a fim de que se possa
chegar ao resultado final: a entrega da tutela jurisdicional pelo Estado-juiz.
• Existem os pressupostos de existência e os de validade.
− PRESSUPOSTOS DE EXISTÊNCIA: São os elementos que devem existir para que o
processo se considere existente, isto é, constituído de pleno direito.
− PRESSUPOSTOS DE VALIDADE: São os elementos que devem se fazer presentes
a fim de que o processo tenha um andamento válido, de modo que a tutela juris-
dicional seja considerada entregue perfeitamente de acordo com o direito, inde-
pendentemente de seu conteúdo.

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Gustavo Deitos

• Tanto os pressupostos de existência como os de validade podem ser objetivos ou


subjetivos.
− Objetivos: referentes a algum objeto do processo, como pedido ou causa de pedir.
− Subjetivos: pertinentes a algum sujeito processual (parte, juiz etc.).
• Os pressupostos de existência e de validade podem ser positivos ou negativos.
− Positivos (ou “intrínsecos”): quando o pressuposto deva estar presente para que
o processo seja válido,
− Negativos (ou “extrínsecos”): quando determinado fator deva ser ausente (não
existir) para que o processo seja considerado válido.
• É pressuposto de existência objetivo: demanda (petição inicial);
• São pressupostos de existência subjetivos: juiz investido de jurisdição e citação
do réu.
• São pressupostos de validade objetivos e positivos: juízo competente e petição
inicial válida.
• São pressupostos de validade subjetivos e positivos: juiz imparcial e citação válida
do réu.
• São pressupostos de validade negativos: inexistência de litispendência, de coisa
julgada e de perempção.

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Gustavo Deitos

EXERCÍCIOS
001. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA DIREITO/2025)
Com base no CPC e na doutrina contemporânea, julgue os seguintes itens, acerca das
condições da ação.
I – O direito de ação é concreto e autônomo, ou seja, no momento da propositura da
demanda, pressupõe-se a existência e a titularidade do direito material afirmado em juízo.
II – Conforme interpretação sistemática do CPC, a ausência de possibilidade jurídica do
pedido é causa de inépcia da petição inicial e, por isso, conduz à extinção do processo sem
resolução do mérito.
III – Consoante a teoria da asserção, o magistrado deve tomar como parâmetro as alegações
do autor para aferir a presença das condições da ação.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item II está certo.
b) Apenas o item III está certo.
c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens I e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

002. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA DIREITO/2025)


No que se refere a jurisdição, julgue os itens a seguir, de acordo com o CPC e com a doutrina
contemporânea.
I – A jurisdição é uma função estatal que se caracteriza pela heterocomposição.
II – A jurisdição, em certa medida, é uma atividade criativa, pois, ao solucionar o caso
concreto, o juiz produz a norma jurídica individual e, por meio do sistema de precedentes,
pode firmar entendimentos que servirão de norma para casos futuros.
III – O princípio da inafastabilidade da jurisdição impede qualquer condicionamento ao
acesso à justiça, como o prévio esgotamento da via administrativa para a propositura de
ação judicial.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item II está certo.
b) Apenas o item III está certo.
c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens I e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

003. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/CONSELHEIRO SUBSTITUTO/2025) João ajuizou demanda


em nome próprio, tendo pleiteado um direito que, em decorrência dos fatos por ele narrados,
pertence a seu irmão, Paulo. Em razão disso, o juiz indeferiu a inicial.

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Gustavo Deitos

Nessa situação hipotética, a decisão do magistrado encontra respaldo na


a) teoria da asserção, pela qual se verifica a legitimidade a partir das alegações do autor
na petição inicial.
b) ausência de capacidade postulatória.
c) ausência de interesse de agir.
d) ausência de pressuposto processual negativo.
e) teoria eclética, segundo a qual a legitimidade é questão de mérito.

004. (FGV/PGM-RJ/ANALISTA DE PROCURADORIA – DIREITO/2025) João e Maria, após sete


anos de união estável, decidiram formalizar a partilha consensual dos bens adquiridos durante
a convivência. Diante da ausência de filhos e da inexistência de litígio, protocolizaram petição
conjunta perante o Juízo Cível da Comarca de sua residência, pugnando pela homologação
judicial da divisão acordada.
No despacho inicial, o juiz destacou que, mesmo na ausência de controvérsia, caberia ao
Judiciário exercer controle quanto à legalidade e à proteção do interesse público envolvido
na partilha. Com base na situação narrada, assinale a opção que indica o tipo de jurisdição
exercida pelo Poder Judiciário em tal hipótese.
a) Jurisdição contenciosa, pois há pretensão resistida.
b) Jurisdição penal, pois o pedido foi feito judicialmente.
c) Jurisdição administrativa, pois se trata de homologação.
d) Jurisdição voluntária, pois não há litígio entre as partes.
e) Jurisdição arbitral, pois decorre de consenso.

005. (QUADRIX/CREMAM/ADVOGADO/2025) Em consonância com o Código de Processo Civil,


quando uma ação repete outra que está em curso, há o fenômeno da
a) continência.
b) conexão.
c) litispendência.
d) equivalência.
e) prejudicialidade.

006. (FGV/TJ-CE/JUIZ SUBSTITUTO/2025) Em um primeiro processo, o autor da ação, na


respectiva petição inicial, pleiteou a prolação de sentença que declarasse que a relação
jurídico-contratual ali mencionada estava sujeita a uma determinada condição resolutiva,
e não a um termo final.
Em um segundo feito, o autor da demanda, embora já dispusesse de um título executivo
extrajudicial, pugnou pela condenação do réu a pagar a dívida ali representada.
Sobre os fatos apresentados, assinale a afirmativa correta.

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Gustavo Deitos

a) Em ambas as demandas, as respectivas petições iniciais devem ser indeferidas, estando


ausente o interesse de agir.
b) Em ambas as demandas, deve haver o juízo positivo de admissibilidade, estando presente,
numa e noutra, o interesse de agir.
c) Na primeira demanda, deve haver o juízo positivo de admissibilidade, devendo ser
indeferida a petição inicial da segunda, por estar ausente o interesse de agir.
d) Na segunda demanda, deve haver o juízo positivo de admissibilidade, devendo ser
indeferida a petição inicial da primeira, por estar ausente o interesse de agir.
e) Na segunda demanda, deve haver a determinação judicial de oferecimento de emenda
à petição inicial para que seja ela convertida em ação de execução, devendo ser indeferida
a petição inicial da primeira, por estar ausente o interesse de agir.

007. (INSTITUTO AOCP/TRF-2ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2024)


Conforme prevê o Código de Processo Civil, para postular em juízo (propor ação), é
necessário ter
a) legitimidade e recursos financeiros.
b) interesse e legitimidade.
c) capacidade civil e possibilidade jurídica do pedido.
d) interesse e direito.
e) liberdade e advogado.

008. (VUNESP/PREFEITURA DE VISTA ALEGRE DO ALTO-SP/ADVOGADO MUNICIPAL/2024)


O art. 2º do Código de Processo Civil estabelece que “o processo começa por iniciativa da
parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”.
Entre outros princípios, esse artigo faz menção ao princípio da
a) inafastabilidade da jurisdição.
b) efetividade.
c) inércia da jurisdição.
d) eficiência.
e) cooperação.

009. (FCC/DPE-RR/DEFENSOR PÚBLICO/2021) De acordo com a teoria da asserção,


a) a análise das condições da ação são questões de mérito e, por este motivo, deve ser feita
no momento da sentença.
b) a verificação de ilegitimidade passiva do réu após a produção de provas enseja a extinção
do processo com resolução do mérito.
c) a análise das condições da ação deve ser feita in statu assertionis, isto é, em conformidade
com as assertivas decorrentes da prova produzida sob o crivo do contraditório.

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d) as condições da ação foram abolidas do Código de Processo Civil de 2015.


e) as condições da ação subsistem no Código de Processo Civil de 2015, mas sob a forma
de pressupostos processuais.

010. (FCC/TJ-MS/JUIZ SUBSTITUTO/2020) No que tange à jurisdição, é correto afirmar:


a) em obediência ao princípio da inafastabilidade da jurisdição, em nenhuma hipótese a
parte precisará exaurir a via administrativa de solução de conflitos, podendo sempre, desde
logo, buscar a solução pela via do Poder Judiciário.
b) a integração obrigatória à relação jurídico-processual concerne ao princípio da inevitabilidade
da jurisdição, gerando o estado de sujeição das partes às decisões jurisdicionais.
c) o princípio segundo o qual ninguém será processado senão pela autoridade competente
diz respeito à indelegabilidade da jurisdição.
d) nos procedimentos especiais de jurisdição voluntária, a intervenção do Judiciário não é
obrigatória para que se obtenha o bem da vida pretendido, mostrando-se sempre facultativa
essa interferência.
e) em obediência ao princípio do juiz natural, é defesa a criação de varas especializadas,
câmaras especializadas nos tribunais ou foros distritais.

011. (FGV/MPE-BA/ESTAGIÁRIO DE DIREITO/2022) Antônia, civilmente capaz, inconformada


com as fartas provas das agressões que sua filha Maria sofre de seu genro Paulo, com quem
Maria é casada, propõe ação de divórcio em face deste, por intermédio de seu procurador
constituído nos autos, para dissolver o casamento de sua filha.
Nesse cenário, é correto afirmar que:
a) Antônia tem legitimidade ordinária para a propositura da ação de divórcio;
b) Antônia tem legitimidade extraordinária para a propositura da ação de divórcio;
c) falta uma das condições para o legítimo exercício do direito de ação;
d) falta a capacidade postulatória para que Antônia ajuíze a ação de divórcio;
e) o juiz deve julgar desde logo procedente o pedido, uma vez que há provas do fato.

012. (CEBRASPE/DPE-PI/DEFENSOR PÚBLICO/2022) Pretendendo deixar clara a natureza


de uma relação jurídica contratual, o interessado deverá manejar
a) tutela de evidência.
b) interpelação judicial.
c) embargos de terceiro.
d) ação monitória.
e) ação declaratória.

013. (CEBRASPE/PGE-MS/PROCURADOR DO ESTADO/2021) Suponha que Roberto tenha


ingressado em juízo com ação de cobrança da quantia de R$ 150, proveniente da venda de
uma bicicleta usada. O juiz indeferiu a petição inicial sob o pretexto de que o valor pretendido
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pelo requerente era inferior ao valor das despesas despendidas pelo Estado na solução da
controvérsia. Nessa situação, a decisão do juiz constitui ofensa ao princípio
a) do contraditório.
b) da ampla defesa.
c) da indisponibilidade da jurisdição.
d) da preclusão.
e) da inércia da jurisdição.

014. (FCC/TJ-AL/JUIZ SUBSTITUTO/2019) Em relação à jurisdição, é correto afirmar que


a) ao se dizer que a lei não excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito, o
ordenamento jurídico processual refere-se ao princípio da indelegabilidade.
b) à jurisdição voluntária não se aplicam as garantias fundamentais do processo, pela
inexistência de lide e pela possibilidade de se julgar por equidade.
c) viola o princípio do Juiz natural a instituição de Câmaras de Recesso nos tribunais, por
julgarem em períodos nos quais, em regra, não deve haver atividade jurisdicional.
d) só haverá atividade jurisdicional relativa à disciplina e às competições desportivas após
esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva reguladas em lei.
e) por ter natureza jurisdicional, a arbitragem pode tutelar quaisquer direitos, patrimoniais
ou imateriais, disponíveis ou não.

015. (FCC/DPE-AM/DEFENSOR PÚBLICO/2018) A teoria ternária classifica a tutela jurisdicional


em condenatória, constitutiva e declaratória. Cada uma dessas tem relação de proximidade
com institutos de caducidade. Assim, é possível associar como regra as tutelas condenatórias,
constitutivas e declaratórias, respectivamente, com a
a) prescrição, a decadência e a imprescritibilidade.
b) decadência, a prescrição e a imprescritibilidade.
c) imprescritibilidade, a decadência e a prescrição.
d) prescrição, a imprescritibilidade e a decadência.
e) decadência, a imprescritibilidade e a prescrição.

016. (FCC/ALESE/ANALISTA LEGISLATIVO – PROCESSO LEGISLATIVO/2018) Os princípios


processuais da inércia da jurisdição, da isonomia e da primazia do mérito significam,
respectivamente, que o Judiciário
a) só age, como regra, quando provocado pelas partes; deve o juiz tratar as partes com
igualdade no processo; e deve, o juiz, priorizar a prestação da jurisdição julgando o mérito
da ação, sempre que for possível suprindo e sanando irregularidades processuais.
b) age com menos eficiência do que deveria, mostrando-se inerte; o juiz deve tratar as partes
com igualdade; e o juiz deve julgar com prioridade o mérito, sanando as irregularidades
processuais sempre que possível.

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c) só age quando provocado pelas partes; deve o juiz tratar as partes com base na lei,
observando o contraditório e a ampla defesa; e somente quem tem mérito deve vencer o
processo, não se permitindo privilégios a ninguém por sua condição pessoal.
d) deve vencer sua inércia, visando a tornar-se mais eficiente, em prol da sociedade; deve
o juiz tratar as partes com igualdade; e o mérito do pedido deve prevalecer, devendo o juiz
suprir e sanar irregularidades em qualquer ocasião.
e) só age, como regra, quando provocado pelas partes; o juiz deve ser imparcial e observar
o contraditório e a ampla defesa; e o pedido de maior mérito deve ser julgado procedente
pelo juiz.

017. (FCC/DPE-AP/DEFENSOR PÚBLICO/2018) Não se excluirá da apreciação jurisdicional


ameaça ou lesão a direito.
Esse é o princípio da
a) inclusão obrigatória, decorrente da dignidade humana e do mínimo existencial, tratando-
se de princípio constitucional e, simultaneamente, infraconstitucional do processo civil.
b) vedação a tribunais de exceção ou do juiz natural, tratando-se apenas de princípio
constitucional do processo civil.
c) legalidade ou obrigatoriedade da jurisdição, tratando-se apenas de princípio
infraconstitucional do processo civil.
d) reparação integral do prejuízo, tratando-se de princípio constitucional e também
infraconstitucional do processo civil.
e) inafastabilidade ou obrigatoriedade da jurisdição e é, a um só tempo, princípio constitucional
e infraconstitucional do processo civil.

018. (FCC/TRF-5ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR


FEDERAL/2017) Acerca da jurisdição e da ação,
a) carece de interesse o autor da ação que se limita a pleitear a declaração da autenticidade
de documento.
b) é permitido pleitear direito alheio em nome próprio, independentemente de autorização
normativa, desde que demonstrado interesse.
c) é inadmissível a ação meramente declaratória caso tenha ocorrido a violação do direito.
d) o interesse do autor pode se limitar à declaração do modo de ser de uma relação jurídica.
e) havendo substituição processual, ao substituído não será admitido intervir como assistente
litisconsorcial.

019. (VUNESP/PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO-SP/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2019)


Jurisdição é o poder que o Estado tem de resolver os conflitos, substituindo a vontade das
partes e impondo essa decisão coercitivamente. Assinale a alternativa que estabelece, de
acordo com a teoria clássica, majoritária no Brasil, a característica da jurisdição voluntária.

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a) Tem caráter administrativo.


b) Ocorre em um procedimento em que há interessados e coisa julgada.
c) A jurisdição atua a partir de uma lide, na qual há conflitos de interesse.
d) Tem por finalidade a atuação do direito e a pacificação social.
e) Um exemplo de jurisdição voluntária é a ação de restauração de autos.

020. (FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR JURÍDICO/2019) Constitui uma exceção à característica


inerte da jurisdição:
a) ação possessória tendo por objeto bem público;
b) habeas data;
c) restauração de autos;
d) ação popular;
e) mandado de injunção.

021. (NC-UFPR/TJ-PR/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) O Estado


democrático de direito é caracterizado pela distribuição de suas funções ou poderes e
pelo respeito à Constituição Federal. Sobre a função jurisdicional do Estado, assinale a
alternativa INCORRETA.
a) A jurisdição é atividade estatal revestida de imperatividade, e é exercida por agente
imparcial.
b) As decisões dos órgãos jurisdicionais têm aptidão para se tornarem indiscutíveis, mas
são passíveis de revisão pelas demais funções estatais.
c) Embora dotada de imperatividade, a jurisdição não é o único meio de solução de conflitos
reconhecido pelo Estado, podendo o jurisdicionado optar por outros meios, como, por
exemplo, a autocomposição.
d) Embora as formas de atuação da jurisdição possam ser divididas, como função exercida
pelo Poder Judiciário a jurisdição é una.
e) Pelo princípio da inércia, em regra a jurisdição deverá ser provocada. Depois de instaurada
a demanda, o processo se desenvolve por impulso oficial.

022. (FCC/CÂMARA LEGISLATIVA DO DF/PROCURADOR LEGISLATIVO/2018) Em relação à


função jurisdicional, é correto afirmar:
a) Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, em nenhuma hipótese.
b) A possibilidade jurídica da ação é uma das condições preliminares a serem observadas
no atual CPC por ocasião da prestação jurisdicional, até mesmo de ofício.
c) É admissível a ação meramente declaratória, salvo se houver ocorrido a violação do direito.
d) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a
que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas,

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ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais


em vigor no Brasil.
e) Compete à autoridade judiciária brasileira, em qualquer hipótese, o processamento e
o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em
contrato internacional, por sua ineficácia.

023. (TRF-3ª REGIÃO/ÓRGÃO/ JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/2018/ADAPTADA) Sobre a jurisdição


é CORRETO afirmar que:
a) Ela é invariavelmente uma atividade estatal a cargo do Poder Judiciário.
b) Seu escopo social é a pacificação mediante a eliminação dos conflitos.
c) Seu escopo jurídico abrange a descoberta da verdade e a formação da coisa julgada
material.
d) Ela é sempre uma atividade voltada à atuação do direito objetivo em concreto.

024. (CESPE/DPE-AC/DEFENSOR PÚBLICO/2017) No que se refere à jurisdição civil nacional,


assinale a opção correta.
a) Pode ser de caráter administrativo ou judicial.
b) A desconstituição de uma sentença transitada em julgado por meio de ação rescisória
é um exemplo de exercício dessa jurisdição.
c) Em decorrência do princípio da inevitabilidade, essa jurisdição não alcança a todos os
indivíduos.
d) O exercício dessa jurisdição inclui a expedição de cartas rogatórias, responsáveis por
determinar que os órgãos jurisdicionais brasileiros cumpram atos processuais.
e) Trata-se de direito inerente e exclusivo dos cidadãos brasileiros.

025. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
Na jurisdição voluntária não há lide: trata-se de uma forma de a administração pública
participar de interesses privados.

026. (BANCA DO ÓRGÃO/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2019) De acordo com o Código de


Processo Civil, reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto
ou a causa de pedir.

027. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) A respeito da jurisdição,


julgue o item que se segue.
Entre os princípios que regem a jurisdição, o da investidura é aquele que determina que o
juiz exerça a atividade judicante dentro de um limite espacial sujeito à soberania do Estado.

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028. (CESPE/STJ/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018)


À luz das disposições do Código de Processo Civil (CPC), julgue o próximo item.
Ao tratar dos limites da jurisdição nacional, o CPC determina que a justiça brasileira possui
competência concorrente para conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil.

029. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
A jurisdição é divisível.

030. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
Jurisdição consiste na função estatal de compor litígios e de declarar e realizar o direito.

031. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
São inerentes à jurisdição os princípios do juiz natural, da improrrogabilidade e da
indelegabilidade.

032. (CESPE/TCE-PE/ANALISTA DE GESTÃO – JULGAMENTO/2017) Com relação à jurisdição


e ao poder jurisdicional, julgue o próximo item.
A jurisdição não pode ser considerada uma função unitária, em razão da diversidade de
instâncias, juízos, competências e áreas do direito.

033. (NC-UFPR/ITAIPU BINACIONAL/PROFISSIONAL DE NÍVEL UNIVERSITÁRIO JR –


DIREITO/2019) Sobre a competência do Poder Judiciário brasileiro, identifique como
verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:

( ) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são
conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos
bilaterais em vigor no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu,
qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que no
Brasil tiver de ser cumprida a obrigação.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, conhecer
de ações relativas a imóveis situados no Brasil.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
Gustavo Deitos

a) F – F – V – F.
b) V – F – V – F.
c) V – V – V – V.
d) F – V – F – V.
e) F – V – F – F.

034. (INÉDITA/2025) Tendo em vista as competências pertinentes aos limites da jurisdição


nacional, julgue o item subsequente:
Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o fundamento
seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.

035. (INÉDITA/2025) Tendo em vista as competências pertinentes aos limites da jurisdição


nacional, julgue o item subsequente:
Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu, qualquer
que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil. Se o réu for pessoa jurídica
estrangeira, ele será considerado domiciliado no Brasil se, neste país, tiver sua sede principal.

036. (CESPE/TCE-RO/PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS/2019) A respeito


de jurisdição e ação, assinale a opção correta.
a) A jurisdição civil é exercida pelos juízes e tribunais nacionais e internacionais.
b) Em regra, não é competência da jurisdição nacional ação cuja obrigação deva ser cumprida
no Brasil.
c) Para postular em juízo, é necessário haver interesse, legitimidade e possibilidade jurídica
do pedido.
d) É permitida a postulação de direito alheio em nome próprio, desde que autorizada pelo
ordenamento jurídico.
e) A cooperação jurídica internacional somente é possível sob a vigência de tratado assinado
pelo Brasil.

037. (CONSULPLAN/TJ-MG/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) Segundo


as normas e princípios contidos no Código de Processo Civil, analise as afirmativas a seguir.
I – A competência em razão da matéria é derrogável pela vontade das partes. II. A conexão
não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado.
III – Para se postular em juízo é necessário que se tenha interesse, legitimidade e que o
pedido seja juridicamente possível.
IV – É possível ter capacidade de ser parte e não ter capacidade processual.
Estão corretas as afirmativas
a) I, II, III e IV.
b) II e IV, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) I, III e IV, apenas.
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Gustavo Deitos

038. (CESPE/MPE-PI/ANALISTA MINISTERIAL – ÁREA PROCESSUAL/2012) Na legitimidade


das partes, pode-se afirmar que a dívida do sócio, por exemplo, não pode ser cobrada da
sociedade e vice-versa, hipóteses em que se dá a ilegitimidade passiva para a causa.

039. (BANCA DO ÓRGÃO/MPE-SP/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/2019) A Associação “X”,


constituída em 1999 com a única finalidade de tutela coletiva dos direitos dos consumidores,
ingressou com ação civil pública ambiental em face do Município “Y”, pretendendo impedir a
continuidade de obras de alargamento de um logradouro, sob alegação de que a ampliação
poderia causar dano ao meio ambiente. O magistrado, embora reconhecendo o atendimento do
requisito da pré-constituição, considerou ausente a pertinência temática para a propositura
da demanda. Nesse caso, o processo deve ser extinto, sem resolução do mérito,
a) por ausência de possibilidade jurídica do pedido.
b) por falta de interesse processual.
c) por ausência de legitimidade ativa.
d) por ausência de pressuposto processual.
e) por falta de capacidade jurídica.

040. (QUADRIX/CRECI–14ª REGIÃO-MS/ADVOGADO/2021) A jurisdição pode ser conceituada


como a função atribuída a terceiro imparcial de realizar o direito, de modo imperativo
e criativo, reconhecendo, efetivando e protegendo situações jurídicas concretamente
deduzidas, em decisão insuscetível de controle externo e com aptidão para tornar-se
indiscutível. Acerca das características da jurisdição, julgue o item.
Por se tratar de monopólio do Estado, a função jurisdicional é indelegável e não pode ser
exercida por agentes privados.

041. (FGV/DPE-RJ/TÉCNICO MÉDIO DE DEFENSORIA PÚBLICA/2019) São condições genéricas


para o regular exercício da ação:
a) partes capazes e demanda regularmente formulada;
b) pedido e causa de pedir;
c) legitimidade ad causam e interesse de agir;
d) juízo competente e capacidade postulatória;
e) capacidade para estar em juízo e representação processual.

042. (NC-UFPR/TJ-PR/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) A ação é


considerada um direito público, subjetivo e abstrato de provocar a jurisdição. Assim, todos
têm o direito de ingressar em juízo, mas só aqueles que preenchem as condições da ação
têm direito a uma decisão de mérito. Com relação aos elementos e às condições da ação,
identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:

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( ) A causa de pedir, um dos elementos da ação, se desdobra em causa de pedir próxima


(a descrição dos fatos da causa) e causa de pedir remota (os fundamentos jurídicos
da demanda).
( ) Interesse e legitimidade são condições para se postular em juízo.
( ) Legitimado ordinário para a ação é aquele que pleiteia em juízo, em seu próprio
nome, direito de que se considera titular.
( ) Entre os elementos da ação está o pedido, que se desdobra em imediato (a providência
requerida) e mediato (o bem da vida que se quer tutelar).

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.


a) F – V – V – V.
b) V – V – F – V.
c) F – V – F – V.
d) V – F – V – F.
e) V – F – F – F.

043. (IADES/AL-GO/PROCURADOR/2019) Uma ação é idêntica à outra, de acordo com o


Código de Processo Civil, quando
a) os fatos jurídicos forem os mesmos em ambas as ações.
b) os autores e os réus dos processos forem os mesmos em ambas as ações.
c) o pedido de uma ação for mais amplo que o da outra.
d) as partes, a causa de pedir e os pedidos forem os mesmos em ambas as ações.
e) os fundamentos jurídicos forem os mesmos em ambas as ações.

044. (BANCA DO ÓRGÃO/MPE-PR/PROMOTOR SUBSTITUTO/2019) Sobre a jurisdição e a


ação, assinale a alternativa correta, de acordo com o Código de Processo Civil:
a) De acordo com o Código de Processo Civil, é necessário ter interesse, legitimidade e
possibilidade jurídica do pedido para postular em juízo.
b) A restrição para se pleitear direito alheio em nome próprio é absoluta e não possui
exceções.
c) É cabível ação declaratória do modo de ser da relação jurídica.
d) A ação declaratória de autenticidade de documento não é admitida pelo ordenamento
jurídico.
e) Se houver afirmação de violação de um direito, não se admite a ação meramente
declaratória.

045. (VUNESP/PREFEITURA DE PONTAL-SP/PROCURADOR/2018) O reconhecimento da


ilegitimidade passiva da parte pelo magistrado implica

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
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a) no julgamento antecipado da lide.


b) na nulidade do processo.
c) na extinção do processo com resolução do mérito.
d) na extinção do processo por carência da ação.
e) na extinção do processo por falta de pressuposto processual.

046. (FEPESE/PGE-SC/PROCURADOR DO ESTADO/2018) Em uma ação de conhecimento pelo


procedimento ordinário, é apontada como ré a “Secretaria de Saúde do Estado de Santa
Catarina”. Nessa hipótese:
a) Não há qualquer defeito processual a ser considerado.
b) Falta legitimidade passiva, razão pela qual é cabível a extinção do feito sem julgamento
do mérito.
c) Falta capacidade postulatória e, por esse motivo, deve ser dado prazo para a solução do
defeito processual.
d) Falta capacidade de ser parte, razão pela qual está ausente pressuposto de constituição
do processo.
e) É mera possibilidade de nulidade relativa do feito e, por esse motivo, não necessita de
qualquer providência imediata.

047. (FCC/SEFAZ-SC/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL – GESTÃO TRIBUTÁRIA/2018)


A ação meramente declaratória
a) não é admissível, pela falta de conteúdo condenatório na sentença a ser proferida.
b) é admissível, salvo se houver ocorrido a violação do direito.
c) não é admissível, pela falta de conteúdo mandamental na sentença a ser proferida.
d) é admissível, ainda que tenha ocorrido a violação do direito.
e) poderá ou não ser admissível, se a sentença a ser proferida não possuir efeitos patrimoniais
nem definir a existência ou a inexistência de uma relação jurídica.

048. (QUADRIX/CREF–13ª REGIÃO BA-SE/ANALISTA – ADVOGADO/2018) A Lei n. 13.105/2015


adotou, para explicar a natureza jurídica do direito de ação, conforme entendimento
doutrinário, a teoria eclética, segundo a qual o direito de ação não se confunde com o direito
material, inclusive existindo de forma autônoma e independente. A respeito do direito de
ação, julgue o item que se segue.
Por falta de interesse processual, não se admite a postulação em juízo apenas com a
finalidade de declaração do modo de ser de uma relação jurídica.

049. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Julgue o item a seguir,


a respeito das ações no processo civil.

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
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A ação de conhecimento ou cognição visa prevenir, conservar, defender ou assegurar a


eficácia de um direito.

050. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Julgue o item a seguir,


a respeito das ações no processo civil.
A teoria eclética da ação, adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, define ação como
um direito autônomo e abstrato, independente do direito subjetivo material, condicionada
a requisitos para que se possa analisar o seu mérito.

051. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir.
Os vícios relativos ao interesse de agir e à legitimidade podem ser reconhecidos a qualquer
tempo, mesmo após o trânsito em julgado da ação.

052. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Conforme o


Código de Processo Civil vigente, julgue o item seguinte, a respeito da função jurisdicional,
dos deveres das partes e de procuradores, do litisconsórcio e da assistência.
O modo de ser de uma relação jurídica pode ser objeto de ação declaratória.

053. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir.
Ninguém poderá pleitear, em seu próprio nome, direito alheio, salvo quando autorizado
por lei.

054. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir.
Integram as condições da ação o interesse de agir e a legitimidade ad causam.

055. (CESPE/PGE-AM/PROCURADOR DO ESTADO/2016) A respeito das normas processuais


civis pertinentes a jurisdição e ação, julgue o item seguinte.
Segundo as regras contidas no novo CPC, a legitimidade de parte deixou de ser uma condição
da ação e passou a ser analisada como questão prejudicial. Sendo assim, tal legitimidade
provoca decisão de mérito.

056. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA FISCALIZAÇÃO – DIREITO/2016)


A respeito da jurisdição, da ação e dos sujeitos do processo, julgue o item subsecutivo.
Na hipótese de substituição processual, é vedada pela legislação processual civil a intervenção
do substituído como assistente litisconsorcial.

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
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057. (CESPE/TCE-RN/AUDITOR/2015) Na hipótese de uma ação judicial possuir como objeto


a rescisão de contrato inadimplido, o interesse de agir estará configurado na satisfação do
bem da vida vindicado, qual seja, a rescisão referida.

058. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) A respeito de jurisdição, ação e processo, julgue


o item seguinte.
O interesse de agir, a possibilidade jurídica do pedido e a capacidade processual são condições
indispensáveis da ação sem os quais o processo é extinto com a resolução do mérito.

059. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR LEGISLATIVO


ÁREA V/2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação.
A escola clássica, imanentista ou civilista, segundo a qual a ação é uma qualidade de todo direito
ou o próprio direito como forma de reação a uma violação, é a teoria predominantemente
adotada no direito processual civil brasileiro.

060. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR LEGISLATIVO


ÁREA II/2014) Com referência a jurisdição, ação e competência, julgue os itens que se seguem.
O Código de Processo Civil (CPC) adotou a teoria concreta do direito de ação que proclama
como desdobramento lógico o reconhecimento da pretensão posta em juízo

061. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/2013/


ADAPTADA) São elementos da ação: o interesse de agir e a legitimidade da parte.

062. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/2013) O


interesse processual consiste na necessidade de o autor pleitear em juízo e na utilidade
que o provimento jurisdicional poderá proporcionar ao autor do pedido.

063. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/2013 –


ADAPTADA) Somente mediante autorização do ordenamento jurídico é possível pleitear,
em nome próprio, direito alheio.

064. (CESPE/TJ-DFT/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) O interesse de


agir é um interesse instrumental, de natureza processual.

065. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2013) O direito de ação


representa um direito subjetivo do jurisdicionado, vinculado ao seu direito material, razão
por que o direito de ação se confunde com o próprio direito material invocado, não havendo
autonomia entre um direito e outro.

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066. (CESPE/TJ-RR/ANALISTA – ÁREA PROCESSUAL/2012) Acerca das condições da ação,


das partes e dos procuradores, julgue os itens que se seguem.
O juiz que verificar incapacidade processual ou irregularidade da representação das partes
deverá julgar extinto o processo sem resolução de mérito.

067. (FGV/MPE-RJ/TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO/2016) A possibilidade de concessão,


pelo juiz da causa, de tutela antecipatória do mérito, inaudita altera parte, em razão de
requerimento formulado nesse sentido pela parte autora em sua petição inicial, está
diretamente relacionada ao princípio:
a) do juiz natural;
b) da inércia da jurisdição;
c) da inafastabilidade do controle jurisdicional;
d) do contraditório;
e) da motivação das decisões judiciais.

068. (CESPE/TJ-DFT/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) A respeito


de pressupostos processuais subjetivos, assinale a opção correta.
a) Em regra, pessoas físicas e jurídicas possuem capacidade de serem partes em processo,
mas não as pessoas formais, tais como a massa falida, o condomínio edilício e o espólio,
por serem entes despersonalizados.
b) As pessoas incapazes de modo absoluto e aquelas que o sejam de modo relativo não
possuem capacidade para estar em juízo, razão pela qual precisam ser, respectivamente,
assistidas e representadas.
c) Embora o advogado possua capacidade postulatória plena, a parte poderá atuar nos
autos sem advogado em casos como nos juizados especiais cíveis em causas de primeira
instância cujo valor seja de até vinte salários-mínimos.
d) Os magistrados podem ter duas extensões de parcialidade: a suspeição, que é fruto de
uma presunção absoluta; e o impedimento, que decorre de uma presunção relativa.
e) No processo, o dever de imparcialidade é do juiz, assim, não se aplicam aos auxiliares da
justiça as hipóteses legais de impedimento e de suspeição.

069. (VUNESP/IPREMM-SP/PROCURADOR JURÍDICO/2019) A doutrina majoritária atual,


com base no disposto no Código de Processo Civil, classifica os pressupostos processuais
como positivos ou negativos, sendo os positivos divididos em pressupostos de existência
e de validade.
Sobre o tema, considerando o entendimento doutrinário, são pressupostos
a) negativos de validade: inexistência de perempção, litispendência e coisa julgada.
b) positivos de existência: legitimidade processual, citação e jurisdição.

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c) positivos de validade: demanda, capacidade postulatória e compromisso arbitral.


d) positivos de existência: compromisso arbitral, citação válida e competência.
e) positivos de validade: jurisdição, demanda e legitimidade processual.

070. (VUNESP/PREFEITURA DE SOROCABA-SP/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2018) De acordo


com o entendimento da doutrina majoritária, a inexistência de capacidade postulatória
representa a ausência de um pressuposto processual
a) objetivo, de validade.
b) subjetivo, de validade.
c) objetivo, de existência
d) subjetivo, de existência.
e) objetivo, de desenvolvimento.

071. (INÉDITA/2025) Acerca dos pressupostos processuais, levando em conta as tradicionais


classificações doutrinárias que lhes são pertinentes, assinale a alternativa que indica os
itens corretos:
I – A imparcialidade do juiz é um pressuposto processual de validade subjetivo.
II – A petição inicial válida é um pressuposto processual de validade objetivo.
III – Os pressupostos processuais de existência e de validade são todos positivos, isto é, são
elementos que devem se fazer presentes para que o processo seja regularmente constituído
e se desenvolva validamente.
a) I e III
b) I e II
c) II e III
d) I, II e III
e) II, apenas

072. (INÉDITA/2025) Acerca dos pressupostos processuais, levando em conta as tradicionais


classificações doutrinárias que lhes são pertinentes, assinale a alternativa que indica os
itens corretos:
I – A coisa julgada é um pressuposto processual negativo de existência.
II – A perempção é um pressuposto processual negativo de validade.
III – A litispendência é um pressuposto processual positivo de validade.
a) III, apenas
b) II, apenas
c) I e III
d) I, II e III
e) I e II

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073. (FUNDEP/TCE-MG/AUDITOR – CONSELHEIRO SUBSTITUTO/2015/ADAPTADA) Sobre o


Direito Processual Civil, julgue o item a seguir.
Os pressupostos processuais, diferentemente do que ocorre com as condições da ação,
não podem ser aferidos de ofício pelo magistrado, haja vista que o sistema processual
brasileiro se assenta no princípio dispositivo que confere apenas às partes litigantes o
poder de provocar o juiz para o exame de tais pressupostos.

074. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
A existência de um pedido configura pressuposto processual de existência, e a regularidade
da respectiva petição inicial configura pressuposto processual de validade.

075. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
O fato de o juiz da causa estar investido de jurisdição configura pressuposto processual
de validade.

076. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
A competência do juízo, por ser pressuposto processual de validade, sempre provocará a
nulidade do processo se não tiver suas regras observadas.

077. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
A citação do réu, por si só, configura pressuposto processual de validade do processo.

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GABARITO

1. b 27. E 53. C
2. c 28. E 54. C
3. a 29. E 55. E
4. d 30. C 56. E
5. c 31. C 57. E
6. b 32. E 58. E
7. b 33. c 59. E
8. c 34. C 60. E
9. b 35. E 61. E
10. b 36. d 62. C
11. c 37. b 63. C
12. e 38. C 64. C
13. c 39. c 65. E
14. d 40. E 66. E
15. a 41. c 67. c
16. a 42. a 68. c
17. e 43. d 69. a
18. d 44. c 70. b
19. a 45. d 71. b
20. c 46. d 72. b
21. b 47. d 73. E
22. d 48. E 74. C
23. b 49. E 75. E
24. b 50. C 76. E
25. C 51. E 77. E
26. E 52. C

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GABARITO COMENTADO

001. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA DIREITO/2025)


Com base no CPC e na doutrina contemporânea, julgue os seguintes itens, acerca das
condições da ação.
I – O direito de ação é concreto e autônomo, ou seja, no momento da propositura da
demanda, pressupõe-se a existência e a titularidade do direito material afirmado em juízo.
II – Conforme interpretação sistemática do CPC, a ausência de possibilidade jurídica do
pedido é causa de inépcia da petição inicial e, por isso, conduz à extinção do processo sem
resolução do mérito.
III – Consoante a teoria da asserção, o magistrado deve tomar como parâmetro as alegações
do autor para aferir a presença das condições da ação.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item II está certo.
b) Apenas o item III está certo.
c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens I e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

I – Errada. Na verdade, a teoria concretista não predomina no direito processual atual.


O direito de ação é autônomo, mas é abstrato, e não concreto. O direito de ação não se
confunde com o direito material em movimento.
II – Errada. A possibilidade jurídica do pedido não é mais uma figura específica do direito
processual. Não é mais condição da ação, nem pressuposto processual ou outro elemento
específico. Na verdade, a possibilidade jurídica do pedido é uma circunstância averiguada
no exame do mérito, com a análise da procedência do pedido.
III – Certa. É exatamente a lógica da teoria da asserção.
Letra b.

002. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA DIREITO/2025)


No que se refere a jurisdição, julgue os itens a seguir, de acordo com o CPC e com a doutrina
contemporânea.
I – A jurisdição é uma função estatal que se caracteriza pela heterocomposição.
II – A jurisdição, em certa medida, é uma atividade criativa, pois, ao solucionar o caso
concreto, o juiz produz a norma jurídica individual e, por meio do sistema de precedentes,
pode firmar entendimentos que servirão de norma para casos futuros.

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
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III – O princípio da inafastabilidade da jurisdição impede qualquer condicionamento ao


acesso à justiça, como o prévio esgotamento da via administrativa para a propositura de
ação judicial.
Assinale a opção correta.
a) Apenas o item II está certo.
b) Apenas o item III está certo.
c) Apenas os itens I e II estão certos.
d) Apenas os itens I e III estão certos.
e) Todos os itens estão certos.

I – Certa. A resolução de conflito por terceiro estranho à relação jurídica, como o magistrado,
consiste na heterocomposição.
II – Certa. A jurisdição tem, em medida ponderada, uma função criativa, e o sistema de
precedentes é um positivo exemplo dessa função.
III – Errada. O prévio esgotamento das vias administrativas pode ser exigido diante de ações
de objeto especial, como a reclamação, a fim de evitar a judicialização de problemas que
possam ser resolvidos na esfera administrativa. Todavia, é importante lembrar de que essa
não é a regra geral das ações de procedimento comum, nas quais, via de regra, não se exige
sequer enfrentamento da via administrativa para obter a reparação por decisão judicial.
Letra c.

003. (CESPE/CEBRASPE/TCE-MS/CONSELHEIRO SUBSTITUTO/2025) João ajuizou demanda


em nome próprio, tendo pleiteado um direito que, em decorrência dos fatos por ele narrados,
pertence a seu irmão, Paulo. Em razão disso, o juiz indeferiu a inicial.
Nessa situação hipotética, a decisão do magistrado encontra respaldo na
a) teoria da asserção, pela qual se verifica a legitimidade a partir das alegações do autor
na petição inicial.
b) ausência de capacidade postulatória.
c) ausência de interesse de agir.
d) ausência de pressuposto processual negativo.
e) teoria eclética, segundo a qual a legitimidade é questão de mérito.

A legitimidade para a causa é verificada a partir dos fatos alegados na inicial. Se a partir da
própria leitura da peça ficar claro que o direito pleiteado não pertence propriamente ao
autor, fica configurada a ilegitimidade passiva (ausência de legitimidade, prevista no art. 17

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Jurisdição, Ação e Pressupostos Processuais
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do CPC como condição da ação). É essa a lógica da teoria da asserção: verificar condições
da ação a partir das alegações da petição inicial, abstratamente.
Letra a.

004. (FGV/PGM-RJ/ANALISTA DE PROCURADORIA – DIREITO/2025) João e Maria, após sete


anos de união estável, decidiram formalizar a partilha consensual dos bens adquiridos durante
a convivência. Diante da ausência de filhos e da inexistência de litígio, protocolizaram petição
conjunta perante o Juízo Cível da Comarca de sua residência, pugnando pela homologação
judicial da divisão acordada.
No despacho inicial, o juiz destacou que, mesmo na ausência de controvérsia, caberia ao
Judiciário exercer controle quanto à legalidade e à proteção do interesse público envolvido
na partilha. Com base na situação narrada, assinale a opção que indica o tipo de jurisdição
exercida pelo Poder Judiciário em tal hipótese.
a) Jurisdição contenciosa, pois há pretensão resistida.
b) Jurisdição penal, pois o pedido foi feito judicialmente.
c) Jurisdição administrativa, pois se trata de homologação.
d) Jurisdição voluntária, pois não há litígio entre as partes.
e) Jurisdição arbitral, pois decorre de consenso.

O exemplo retratado na questão é típico de jurisdição voluntária, em que não há oposição de


interesses, mas necessidade de o Poder Judiciário administrar certos interesses privados.
Letra d.

005. (QUADRIX/CREMAM/ADVOGADO/2025) Em consonância com o Código de Processo Civil,


quando uma ação repete outra que está em curso, há o fenômeno da
a) continência.
b) conexão.
c) litispendência.
d) equivalência.
e) prejudicialidade.

A identidade de partes, causas de pedir e pedidos ocasiona a litispendência (repetição de


ação idêntica em curso).
Letra c.

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006. (FGV/TJ-CE/JUIZ SUBSTITUTO/2025) Em um primeiro processo, o autor da ação, na


respectiva petição inicial, pleiteou a prolação de sentença que declarasse que a relação
jurídico-contratual ali mencionada estava sujeita a uma determinada condição resolutiva,
e não a um termo final.
Em um segundo feito, o autor da demanda, embora já dispusesse de um título executivo
extrajudicial, pugnou pela condenação do réu a pagar a dívida ali representada.
Sobre os fatos apresentados, assinale a afirmativa correta.
a) Em ambas as demandas, as respectivas petições iniciais devem ser indeferidas, estando
ausente o interesse de agir.
b) Em ambas as demandas, deve haver o juízo positivo de admissibilidade, estando presente,
numa e noutra, o interesse de agir.
c) Na primeira demanda, deve haver o juízo positivo de admissibilidade, devendo ser
indeferida a petição inicial da segunda, por estar ausente o interesse de agir.
d) Na segunda demanda, deve haver o juízo positivo de admissibilidade, devendo ser
indeferida a petição inicial da primeira, por estar ausente o interesse de agir.
e) Na segunda demanda, deve haver a determinação judicial de oferecimento de emenda
à petição inicial para que seja ela convertida em ação de execução, devendo ser indeferida
a petição inicial da primeira, por estar ausente o interesse de agir.

A ação que vise declarar a existência ou o modo de ser de uma relação jurídica pode ser
ajuizada, estando, portanto, presente o interesse processual (art. 19, I, CPC). Igualmente,
pode ser ajuizada ação de conhecimento mesmo que a parte tenha título extrajudicial, nos
termos do art. 785 do CPC.
Letra b.

007. (INSTITUTO AOCP/TRF-2ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2024)


Conforme prevê o Código de Processo Civil, para postular em juízo (propor ação), é
necessário ter
a) legitimidade e recursos financeiros.
b) interesse e legitimidade.
c) capacidade civil e possibilidade jurídica do pedido.
d) interesse e direito.
e) liberdade e advogado.

São as condições da ação previstas no art. 17 do CPC.


Letra b.

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008. (VUNESP/PREFEITURA DE VISTA ALEGRE DO ALTO-SP/ADVOGADO MUNICIPAL/2024)


O art. 2º do Código de Processo Civil estabelece que “o processo começa por iniciativa da
parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”.
Entre outros princípios, esse artigo faz menção ao princípio da
a) inafastabilidade da jurisdição.
b) efetividade.
c) inércia da jurisdição.
d) eficiência.
e) cooperação.

Trata-se de dispositivo que insculpe claramente o princípio da inércia, também conhecido


como princípio da demanda, segundo o qual o juiz não age para iniciar a demanda, mas
somente depois que ela é proposta e a ele distribuída.
Letra c.

009. (FCC/DPE-RR/DEFENSOR PÚBLICO/2021) De acordo com a teoria da asserção,


a) a análise das condições da ação são questões de mérito e, por este motivo, deve ser feita
no momento da sentença.
b) a verificação de ilegitimidade passiva do réu após a produção de provas enseja a extinção
do processo com resolução do mérito.
c) a análise das condições da ação deve ser feita in statu assertionis, isto é, em conformidade
com as assertivas decorrentes da prova produzida sob o crivo do contraditório.
d) as condições da ação foram abolidas do Código de Processo Civil de 2015.
e) as condições da ação subsistem no Código de Processo Civil de 2015, mas sob a forma
de pressupostos processuais.

a) Errada. As condições da ação continuam sendo, a princípio e naturalmente, questões


preliminares, cuja ausência justifica a extinção do processo sem resolução do mérito
(art. 485, VI, CPC). O que a teoria da asserção possibilita é que as condições da ação, em
determinados casos, a depender das alegações do autor na petição inicial, sejam analisadas
de maneira dependente do mérito da ação.
b) Certa. Se apenas após a produção de provas é constatada a ausência de legitimidade
do réu para a causa (ilegitimidade passiva), deverá o processo ter o mérito apreciado, com
fundamento no art. 487, I, do CPC: “Haverá resolução de mérito quando o juiz: I – acolher
ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção”.

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c) Errada. O equívoco da alternativa está em condicionar o exame das condições da ação,


necessariamente, ao contraditório do réu. Na verdade, de acordo com o STJ, “A teoria da
asserção impõe que as condições da ação, entre elas a legitimidade passiva, sejam aferidas
mediante análise das alegações delineadas na petição inicial” (AgInt no AREsp 2003195/
GO). O brocardo “in status assertionis” refere-se apenas às afirmações do autor, e não ao
contraditório, que, por natureza, é exercido de maneira típica na contestação.
d) Errada. As condições da ação continuam a existir, embora de modo mais restrito (interesse
e legitimidade).
e) Errada. Tal conversão não foi implementada pelo CPC de 2015.
Letra b.

010. (FCC/TJ-MS/JUIZ SUBSTITUTO/2020) No que tange à jurisdição, é correto afirmar:


a) em obediência ao princípio da inafastabilidade da jurisdição, em nenhuma hipótese a
parte precisará exaurir a via administrativa de solução de conflitos, podendo sempre, desde
logo, buscar a solução pela via do Poder Judiciário.
b) a integração obrigatória à relação jurídico-processual concerne ao princípio da inevitabilidade
da jurisdição, gerando o estado de sujeição das partes às decisões jurisdicionais.
c) o princípio segundo o qual ninguém será processado senão pela autoridade competente
diz respeito à indelegabilidade da jurisdição.
d) nos procedimentos especiais de jurisdição voluntária, a intervenção do Judiciário não é
obrigatória para que se obtenha o bem da vida pretendido, mostrando-se sempre facultativa
essa interferência.
e) em obediência ao princípio do juiz natural, é defesa a criação de varas especializadas,
câmaras especializadas nos tribunais ou foros distritais.

a) Errada. O erro está na generalização. Há raras hipóteses em que o esgotamento da via


administrativa será imprescindível ao acesso à jurisdição típica. Exemplo importante consta
do art. 7º, § 1º, da Lei n. 11.417/2006 (Lei da Súmula Vinculante): “Contra omissão ou ato
da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das
vias administrativas”.
b) Certa. Trata-se do correto significado de inevitabilidade, também chamado de
imperatividade. Os sujeitos do processo devem acatar as decisões judiciais, podendo
impugná-las de acordo com as regras processuais, as “regras do jogo”.
c) Errada. Trata-se do princípio do juiz natural.
d) Errada. Há hipóteses em que a jurisdição voluntária será obrigatória.

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e) Errada. O princípio do juiz natural tem desdobramento que proíbe a criação de juízos e
tribunais de exceção, que são aqueles concebidos para processar e julgar um determinado
problema, de forma apartada dos órgãos jurisdicionais já existentes. Essa proibição consta
do art. 5º, XXXVII, da Constituição Federal. No entanto, a criação de órgãos especializados
em determinadas matérias, integrantes da estrutura do Poder Judiciário, não ofende tal
preceito.
Letra b.

011. (FGV/MPE-BA/ESTAGIÁRIO DE DIREITO/2022) Antônia, civilmente capaz, inconformada


com as fartas provas das agressões que sua filha Maria sofre de seu genro Paulo, com quem
Maria é casada, propõe ação de divórcio em face deste, por intermédio de seu procurador
constituído nos autos, para dissolver o casamento de sua filha.
Nesse cenário, é correto afirmar que:
a) Antônia tem legitimidade ordinária para a propositura da ação de divórcio;
b) Antônia tem legitimidade extraordinária para a propositura da ação de divórcio;
c) falta uma das condições para o legítimo exercício do direito de ação;
d) falta a capacidade postulatória para que Antônia ajuíze a ação de divórcio;
e) o juiz deve julgar desde logo procedente o pedido, uma vez que há provas do fato.

Perceba que se trata de hipótese em que a ausência de legitimidade ativa é evidente. Afinal,
o divórcio é questão afeta à titularidade jurídica dos próprios cônjuges, e não com seus
familiares. Neste caso, como da própria afirmação da petição inicial é possível constatar
a ausência de uma das condições da ação, deverá o processo ser extinto sem resolução do
mérito. Afinal, neste caso, não haveria prova ou instrução capaz de afastar tal ausência.
Letra c.

012. (CEBRASPE/DPE-PI/DEFENSOR PÚBLICO/2022) Pretendendo deixar clara a natureza


de uma relação jurídica contratual, o interessado deverá manejar
a) tutela de evidência.
b) interpelação judicial.
c) embargos de terceiro.
d) ação monitória.
e) ação declaratória.

A declaração do modo de ser de uma relação jurídica é uma das hipóteses de pertinência
da ação declaratória (art. 19, I, CPC).
Letra e.

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013. (CEBRASPE/PGE-MS/PROCURADOR DO ESTADO/2021) Suponha que Roberto tenha


ingressado em juízo com ação de cobrança da quantia de R$ 150, proveniente da venda de
uma bicicleta usada. O juiz indeferiu a petição inicial sob o pretexto de que o valor pretendido
pelo requerente era inferior ao valor das despesas despendidas pelo Estado na solução da
controvérsia. Nessa situação, a decisão do juiz constitui ofensa ao princípio
a) do contraditório.
b) da ampla defesa.
c) da indisponibilidade da jurisdição.
d) da preclusão.
e) da inércia da jurisdição.

A banca preferiu um nome doutrinário alternativo do princípio da inafastabilidade da


jurisdição. De toda forma, as alternativas não deixaram dúvida do sentido do princípio da
“indisponibilidade” da jurisdição, ou seja, de que não se pode dispor da jurisdição como
meio de solução de conflitos.
Letra c.

014. (FCC/TJ-AL/JUIZ SUBSTITUTO/2019) Em relação à jurisdição, é correto afirmar que


a) ao se dizer que a lei não excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito, o
ordenamento jurídico processual refere-se ao princípio da indelegabilidade.
b) à jurisdição voluntária não se aplicam as garantias fundamentais do processo, pela
inexistência de lide e pela possibilidade de se julgar por equidade.
c) viola o princípio do Juiz natural a instituição de Câmaras de Recesso nos tribunais, por
julgarem em períodos nos quais, em regra, não deve haver atividade jurisdicional.
d) só haverá atividade jurisdicional relativa à disciplina e às competições desportivas após
esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva reguladas em lei.
e) por ter natureza jurisdicional, a arbitragem pode tutelar quaisquer direitos, patrimoniais
ou imateriais, disponíveis ou não.

a) Errada. Trata-se do princípio da inafastabilidade da jurisdição.


b) Errada. Garantias constitucionais do processo aplicam-se a todos os processos, quer de
jurisdição voluntária, quer de jurisdição contenciosa.
c) Errada. Câmaras de recesso são órgãos que funcionam dentro de tribunais já existentes,
de modo a tornar permanente a prestação jurisdicional inclusive em períodos de recesso
do Judiciário. A instituição dessas câmaras, por não configurar órgão excepcionalmente
criado para determinado problema, não ofende o princípio do juiz natural.

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d) Certa. A matéria retratada na alternativa, realmente, depende de prévio esgotamento


das instâncias administrativas, da Justiça Desportiva, para que seja objeto de pretensão
posta ao exame do Poder Judiciário (art. 217, § 1º, Constituição Federal).
e) Errada. A arbitragem é forma alternativa de solução de conflitos, que pode tratar de
direitos patrimoniais disponíveis (art. 1º, caput, Lei n. 9.307/1996).
Letra d.

015. (FCC/DPE-AM/DEFENSOR PÚBLICO/2018) A teoria ternária classifica a tutela jurisdicional


em condenatória, constitutiva e declaratória. Cada uma dessas tem relação de proximidade
com institutos de caducidade. Assim, é possível associar como regra as tutelas condenatórias,
constitutivas e declaratórias, respectivamente, com a
a) prescrição, a decadência e a imprescritibilidade.
b) decadência, a prescrição e a imprescritibilidade.
c) imprescritibilidade, a decadência e a prescrição.
d) prescrição, a imprescritibilidade e a decadência.
e) decadência, a imprescritibilidade e a prescrição.

A pretensão condenatória, por envolver exigibilidade de obrigação civil, sujeita-se à prescrição,


que é a perda da exigibilidade de um direito pelo titular. Por sua vez, a tutela constitutiva
sujeita-se à decadência, que é a perda do próprio direito, isto é, a perda da oportunidade de
se constituir determinado direito. Ademais, a tutela declaratória não se sujeita à prescrição,
já que a declaração da ocorrência, ou não, de fatos é imprescritível. Portanto, fatos não
prescrevem, nem decai. O que prescreve ou decai é a consequência jurídica do fato.
Letra a.

016. (FCC/ALESE/ANALISTA LEGISLATIVO – PROCESSO LEGISLATIVO/2018) Os princípios


processuais da inércia da jurisdição, da isonomia e da primazia do mérito significam,
respectivamente, que o Judiciário
a) só age, como regra, quando provocado pelas partes; deve o juiz tratar as partes com
igualdade no processo; e deve, o juiz, priorizar a prestação da jurisdição julgando o mérito
da ação, sempre que for possível suprindo e sanando irregularidades processuais.
b) age com menos eficiência do que deveria, mostrando-se inerte; o juiz deve tratar as partes
com igualdade; e o juiz deve julgar com prioridade o mérito, sanando as irregularidades
processuais sempre que possível.
c) só age quando provocado pelas partes; deve o juiz tratar as partes com base na lei,
observando o contraditório e a ampla defesa; e somente quem tem mérito deve vencer o
processo, não se permitindo privilégios a ninguém por sua condição pessoal.
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d) deve vencer sua inércia, visando a tornar-se mais eficiente, em prol da sociedade; deve
o juiz tratar as partes com igualdade; e o mérito do pedido deve prevalecer, devendo o juiz
suprir e sanar irregularidades em qualquer ocasião.
e) só age, como regra, quando provocado pelas partes; o juiz deve ser imparcial e observar
o contraditório e a ampla defesa; e o pedido de maior mérito deve ser julgado procedente
pelo juiz.

a) Certa. O item reproduz, de forma perfeita, conceitos tradicionais dos princípios da inércia,
da isonomia e da primazia da solução do mérito, na mesma ordem.
b) Errada. Agir com menos eficiência nada tem a ver com o princípio da inércia.
c) Errada. O mérito relaciona-se ao objeto da demanda, e não ao sujeito que dela participa.
Ademais, privilégios processuais existem em determinadas situações, como em relação aos
prazos e à intimação da Fazenda Pública e às hipóteses de tramitação processual prioritária.
d) Errada. O juiz não pode deixar de observar que sua atuação inicial nas demandas somente
ocorre por iniciativa da parte interessada, e a resolução do mérito não é um primado
absoluto, pois determinadas questões de ordem pública podem impedir seu exame, ainda
que na prática esse exame seja conveniente a alguma das partes.
e) Errada. Não há relação entre o princípio da primazia da solução do mérito e o julgamento
procedente de um dos pedidos, até em razão de não existir um “maior” ou “menor” mérito
entre os objetos do processo.
Letra a.

017. (FCC/DPE-AP/DEFENSOR PÚBLICO/2018) Não se excluirá da apreciação jurisdicional


ameaça ou lesão a direito.
Esse é o princípio da
a) inclusão obrigatória, decorrente da dignidade humana e do mínimo existencial, tratando-
se de princípio constitucional e, simultaneamente, infraconstitucional do processo civil.
b) vedação a tribunais de exceção ou do juiz natural, tratando-se apenas de princípio
constitucional do processo civil.
c) legalidade ou obrigatoriedade da jurisdição, tratando-se apenas de princípio
infraconstitucional do processo civil.
d) reparação integral do prejuízo, tratando-se de princípio constitucional e também
infraconstitucional do processo civil.
e) inafastabilidade ou obrigatoriedade da jurisdição e é, a um só tempo, princípio constitucional
e infraconstitucional do processo civil.

O princípio da inafastabilidade da jurisdição, que também pode ser chamado de obrigatoriedade


da jurisdição, tem hierarquia legal (art. 3º, caput, CPC) e constitucional (art. 5º, XXXV,
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Constituição Federal). O enunciado apresenta o conceito clássico desse princípio, e as demais


alternativas apresentam princípios sem correspondência com a doutrina processual civil.
Letra e.

018. (FCC/TRF-5ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR


FEDERAL/2017) Acerca da jurisdição e da ação,
a) carece de interesse o autor da ação que se limita a pleitear a declaração da autenticidade
de documento.
b) é permitido pleitear direito alheio em nome próprio, independentemente de autorização
normativa, desde que demonstrado interesse.
c) é inadmissível a ação meramente declaratória caso tenha ocorrido a violação do direito.
d) o interesse do autor pode se limitar à declaração do modo de ser de uma relação jurídica.
e) havendo substituição processual, ao substituído não será admitido intervir como assistente
litisconsorcial.

a) Errada. A ação declaratória pode limitar-se a pretender a declaração de autenticidade


ou falsidade de documento (art. 19, II, CPC).
b) Errada. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado
pelo ordenamento jurídico (art. 18, caput, do CPC).
c) Errada. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação
do direito (art. 20 do CPC).
d) Certa. É a regra do art. 19, I, do CPC.
e) Errada. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente
litisconsorcial (art. 18, parágrafo único, CPC).
Letra d.

019. (VUNESP/PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO-SP/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2019)


Jurisdição é o poder que o Estado tem de resolver os conflitos, substituindo a vontade das
partes e impondo essa decisão coercitivamente. Assinale a alternativa que estabelece, de
acordo com a teoria clássica, majoritária no Brasil, a característica da jurisdição voluntária.
a) Tem caráter administrativo.
b) Ocorre em um procedimento em que há interessados e coisa julgada.
c) A jurisdição atua a partir de uma lide, na qual há conflitos de interesse.
d) Tem por finalidade a atuação do direito e a pacificação social.
e) Um exemplo de jurisdição voluntária é a ação de restauração de autos.

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a) Certa. A banca adotou a teoria clássica/administrativista, a qual preceitua que o juiz,


na jurisdição voluntária, atua como mero gestor de negócios privados. Dessa forma, sua
decisão produziria mera coisa julgada formal.
b) Errada. A banca deu ao termo “coisa julgada” o significado de coisa julgada material,
que é aquela com força de lei e definitividade. Na jurisdição voluntária, não existe coisa
julgada material.
c) Errada. A existência de lides/conflitos é própria da jurisdição contenciosa.
d) Errada. Pacificação social relaciona-se à existência de conflitos na sociedade, e a existência
de lides/conflitos é própria da jurisdição contenciosa.
e) Errada. Ação de restauração de autos é um procedimento especial de jurisdição contenciosa,
pois pode ter autor e réu (art. 714 do CPC).
Letra a.

020. (FGV/DPE-RJ/TÉCNICO SUPERIOR JURÍDICO/2019) Constitui uma exceção à característica


inerte da jurisdição:
a) ação possessória tendo por objeto bem público;
b) habeas data;
c) restauração de autos;
d) ação popular;
e) mandado de injunção.

A questão cobrou a parte teórica da jurisdição em conjunto com os procedimentos especiais.


A ação de restauração de autos pode ser instaurada, inclusive, de ofício pelo juiz (art. 712,
caput, do CPC).
Letra c.

021. (NC-UFPR/TJ-PR/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) O Estado


democrático de direito é caracterizado pela distribuição de suas funções ou poderes e
pelo respeito à Constituição Federal. Sobre a função jurisdicional do Estado, assinale a
alternativa INCORRETA.
a) A jurisdição é atividade estatal revestida de imperatividade, e é exercida por agente
imparcial.
b) As decisões dos órgãos jurisdicionais têm aptidão para se tornarem indiscutíveis, mas
são passíveis de revisão pelas demais funções estatais.

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c) Embora dotada de imperatividade, a jurisdição não é o único meio de solução de conflitos


reconhecido pelo Estado, podendo o jurisdicionado optar por outros meios, como, por
exemplo, a autocomposição.
d) Embora as formas de atuação da jurisdição possam ser divididas, como função exercida
pelo Poder Judiciário a jurisdição é una.
e) Pelo princípio da inércia, em regra a jurisdição deverá ser provocada. Depois de instaurada
a demanda, o processo se desenvolve por impulso oficial.

a) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa reproduz corretamente
a noção teórica da característica da definitividade. Ademais, como decorrência de outras
características, como a da substitutividade, o juiz deve ser imparcial.
b) Certa. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa afronta a noção de
imperatividade, que é uma das características essenciais da função jurisdicional: outros
órgão não podem negar força às decisões judiciais.
c) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa é correta pelo fato
de não ignorar a autocomposição, que é uma forma de tutela jurídica não jurisdicional, ao
lado das ferramentas alternativas de solução de conflitos, como a arbitragem.
d) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa está correta: a função
jurisdicional pode ser exercida de forma dividida em variados ramos (Justiça Estadual,
Federal, do Trabalho etc.). De qualquer forma, a função jurisdicional pertence a uma única
fonte imperativa: o Estado (República Federativa do Brasil).
e) Errada. A questão pede pela alternativa incorreta, e esta alternativa reproduz de forma
perfeita a característica da inércia, corroborada pela norma principiológica do art. 2º do CPC.
Letra b.

022. (FCC/CÂMARA LEGISLATIVA DO DF/PROCURADOR LEGISLATIVO/2018) Em relação à


função jurisdicional, é correto afirmar:
a) Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, em nenhuma hipótese.
b) A possibilidade jurídica da ação é uma das condições preliminares a serem observadas
no atual CPC por ocasião da prestação jurisdicional, até mesmo de ofício.
c) É admissível a ação meramente declaratória, salvo se houver ocorrido a violação do direito.
d) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a
que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas,
ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais
em vigor no Brasil.
e) Compete à autoridade judiciária brasileira, em qualquer hipótese, o processamento e
o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em
contrato internacional, por sua ineficácia.

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a) Errada. Trata-se de conteúdo a ser aprofundado na aula sobre a teoria geral do processo.
Conforme o art. 18, caput, “Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo
quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”. Portanto, há possibilidade de exceções no
sentido de que o pleito de direito alheio em nome próprio será possível.
b) Errada. Trata-se de conteúdo a ser aprofundado na aula sobre a teoria geral do processo.
Conforme o art. 17, “Para postular em juízo é necessário ter interesse e legitimidade.”. A
possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação, no Novo CPC.
c) Errada. Trata-se de conteúdo a ser aprofundado na aula sobre a teoria geral do processo.
Conforme o art. 20, “É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido
a violação do direito.”.
d) Certa. Trata-se da correta regra literal, e estudada na aula, do art. 24, caput, do CPC.
e) Errada. Conforme o art. 25, caput, do CPC, “Não compete à autoridade judiciária brasileira
o processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo
estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação.”.
Letra d.

023. (TRF-3ª REGIÃO/ÓRGÃO/ JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/2018/ADAPTADA) Sobre a jurisdição


é CORRETO afirmar que:
a) Ela é invariavelmente uma atividade estatal a cargo do Poder Judiciário.
b) Seu escopo social é a pacificação mediante a eliminação dos conflitos.
c) Seu escopo jurídico abrange a descoberta da verdade e a formação da coisa julgada
material.
d) Ela é sempre uma atividade voltada à atuação do direito objetivo em concreto.

a) Errada. Esta alternativa levou em conta a possibilidade de exercício de atividade jurisdicional


por outros poderes, de forma atípica ou excepcional, como no caso de julgamento de
processo de impeachment pelo Poder Legislativo. Portanto, a atividade de “dizer o direito”
não é invariavelmente pertencente ao Judiciário: ela pode ser exercida mediante outras
óticas por outros Poderes.
b) Certa. A eliminação/redução de conflitos é a causa da pacificação social, e o atingimento
desta causa necessita da atividade jurisdicional (aplicação do direito ao caso concreto,
evitando-se conflitos de homem a homem, como num estado de barbárie).
c) Errada. A descoberta da verdade não se insere como escopo (elementar) da jurisdição. Tal
descoberta pode, ou não ocorrer no campo das provas apresentadas, mas é perfeitamente
possível o exercício de jurisdição sem a efetiva descoberta da verdade real. Esta é, até mesmo,

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a regra geral na prática processual. Ademais, também é possível o exercício de jurisdição


sem formação de coisa julgada material. Utilizemos o exemplo da jurisdição voluntária: ela
não forma coisa julgada material, mas, somente, coisa julgada formal.
d) Errada. Nem sempre o exercício da jurisdição será pautado na aplicação da lei ao caso
concreto. É muito frequente – e até incentivada pelo CPC – a realização de conciliações
em processos. Veja: havendo conciliação, o direito objetivo (abstrato) não será imposto
às partes por um agente investido de jurisdição ( juiz). Esta situação já é suficiente para
desconstituirmos a credibilidade do advérbio “sempre”, desta alternativa.
Letra b.

024. (CESPE/DPE-AC/DEFENSOR PÚBLICO/2017) No que se refere à jurisdição civil nacional,


assinale a opção correta.
a) Pode ser de caráter administrativo ou judicial.
b) A desconstituição de uma sentença transitada em julgado por meio de ação rescisória
é um exemplo de exercício dessa jurisdição.
c) Em decorrência do princípio da inevitabilidade, essa jurisdição não alcança a todos os
indivíduos.
d) O exercício dessa jurisdição inclui a expedição de cartas rogatórias, responsáveis por
determinar que os órgãos jurisdicionais brasileiros cumpram atos processuais.
e) Trata-se de direito inerente e exclusivo dos cidadãos brasileiros.

Caro(a) aluno(a), o professor entende que esta questão teria, a rigor, dois gabaritos: A e B.
Explicarei nos comentários.
a) Errada. Entendo que esta alternativa também estaria correta, em razão de a jurisdição
voluntária ter essência predominantemente administrativa. Inclusive, a questão de n. 7
deste material, também da CESPE, afirma: “Na jurisdição voluntária não há lide: trata-se
de uma forma de a administração pública participar de interesses privados.”. A CESPE, na
oportunidade, considerou esta afirmação como correta. A banca VUNESP, na questão de n.
1 deste material, também considera a jurisdição voluntária como de caráter administrativo.
Nesta questão, o elaborador, provavelmente, estava pensando somente na jurisdição
contenciosa, que, por sua vez, não tem caráter administrativo.
b) Certa. A ação rescisória, de objeto especial (desconstituição de coisa julgada), pertence
à jurisdição contenciosa, pois envolve interesses opostos. Logo, não há razão que justifique
o tratamento da ação rescisória de forma estranha.
c) Errada. Inevitabilidade é sinônimo de imperatividade, a qual consiste no pleno poder do
Judiciário para apreciar lesões ou ameaças a direitos. Isso nada tem a ver com o número
de indivíduos alcançados.

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d) Errada. Veremos isso profundamente na aula sobre a Comunicação dos Atos Processuais.
Desde já, adianto que cartas rogatórias se destinam a órgãos estrangeiros.
e) Errada. Cidadãos estrangeiros também podem valer-se do direito de ação e, portanto,
provocar a jurisdição.
Letra b.

025. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
Na jurisdição voluntária não há lide: trata-se de uma forma de a administração pública
participar de interesses privados.

Trata-se da característica basilar e principal da jurisdição voluntária: o interesse das


partes é privado e comum a ambas, e o Poder Judiciário atua de forma essencialmente
administrativa, limitando-se à homologação do pactuado.
Certo.

026. (BANCA DO ÓRGÃO/MPE-SC/PROMOTOR DE JUSTIÇA/2019) De acordo com o Código de


Processo Civil, reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes for comum o objeto
ou a causa de pedir.

O art. 55 dispõe: “Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o
pedido ou a causa de pedir.”.
Errado.

027. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) A respeito da jurisdição,


julgue o item que se segue.
Entre os princípios que regem a jurisdição, o da investidura é aquele que determina que o
juiz exerça a atividade judicante dentro de um limite espacial sujeito à soberania do Estado.

Na verdade, o princípio da investidura determina que o agente estatal aplicador da atividade


jurisdicional deve cumprir todos os requisitos legais e constitucionais para investir-se
no cargo: aprovação em concurso público para juízes de carreira, idade e tempo de atividade
profissional para membros do quinto constitucional etc.
Errado.

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028. (CESPE/STJ/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR FEDERAL/2018)


À luz das disposições do Código de Processo Civil (CPC), julgue o próximo item.
Ao tratar dos limites da jurisdição nacional, o CPC determina que a justiça brasileira possui
competência concorrente para conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil.

Ações relativas a imóveis situados no Brasil são de competência exclusiva dos órgãos
judiciários brasileiros, com exclusão de qualquer outro (art. 23, I, CPC).
Errado.

029. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
A jurisdição é divisível.

Uma das características da jurisdição é a indivisibilidade: somente o Estado pode exercê-


la, por meio de seus órgãos judiciários (Poder Judiciário), e ninguém mais. Na verdade,
a possibilidade de divisão refere-se à competência: os órgãos integrantes do Judiciário
repartem (dividem) as competências, mas não a jurisdição.
Errado.

030. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
Jurisdição consiste na função estatal de compor litígios e de declarar e realizar o direito.

Trata-se do conceito básico de jurisdição, muito semelhante ao trazido nesta aula: solucionar
conflitos e aplicar o direito ao caso concreto, reconhecendo sua pertinência.
Certo.

031. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de jurisdição, julgue o item a seguir.
São inerentes à jurisdição os princípios do juiz natural, da improrrogabilidade e da
indelegabilidade.

As características de improrrogabilidade e da indelegabilidade foram abordadas nesta aula.


Ademais, o princípio do juiz natural tem total relação com a atividade jurisdicional: trata-

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se da necessidade de que o juiz legalmente competente, ou prevento, aprecie a demanda


e aplique o direito, sendo proibidos órgãos de exceção.
Certo.

032. (CESPE/TCE-PE/ANALISTA DE GESTÃO – JULGAMENTO/2017) Com relação à jurisdição


e ao poder jurisdicional, julgue o próximo item.
A jurisdição não pode ser considerada uma função unitária, em razão da diversidade de
instâncias, juízos, competências e áreas do direito.

A jurisdição é, sim, una (indivisível). Uma das características da jurisdição é a indivisibilidade:


somente o Estado pode exercê-la, por meio de seus órgãos judiciários (Poder Judiciário), e
ninguém mais. Na verdade, a possibilidade de divisão refere-se à competência: os órgãos
integrantes do Judiciário repartem (dividem) as competências (funcionais, materiais,
territoriais etc.), mas não a jurisdição.
Errado.

033. (NC-UFPR/ITAIPU BINACIONAL/PROFISSIONAL DE NÍVEL UNIVERSITÁRIO JR –


DIREITO/2019) Sobre a competência do Poder Judiciário brasileiro, identifique como
verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:

( ) A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta
a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são
conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos
bilaterais em vigor no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu,
qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que no
Brasil tiver de ser cumprida a obrigação.
( ) Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, conhecer
de ações relativas a imóveis situados no Brasil.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.


a) F – F – V – F.
b) V – F – V – F.
c) V – V – V – V.
d) F – V – F – V.
e) F – V – F – F.

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Todas as afirmações estão corretas, e, respectivamente, em conformidade com os seguintes


dispositivos: art. 24, caput; art. 21, I; art. 21, II; art. 23, I.
Letra c.

034. (INÉDITA/2025) Tendo em vista as competências pertinentes aos limites da jurisdição


nacional, julgue o item subsequente:
Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o fundamento
seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.

Trata-se da regra estabelecida no art. 21, III, do CPC.


Certo.

035. (INÉDITA/2025) Tendo em vista as competências pertinentes aos limites da jurisdição


nacional, julgue o item subsequente:
Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu, qualquer
que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil. Se o réu for pessoa jurídica
estrangeira, ele será considerado domiciliado no Brasil se, neste país, tiver sua sede principal.

O único erro do item está no requisito para que a pessoa jurídica estrangeira se considere
domiciliada no Brasil. Conforme o art. 21, parágrafo único, “considera-se domiciliada no
Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.”. O primeiro
período do item, sobre a competência, está correto (art. 21, I, CPC).
Errado.

036. (CESPE/TCE-RO/PROCURADOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO DE CONTAS/2019) A respeito


de jurisdição e ação, assinale a opção correta.
a) A jurisdição civil é exercida pelos juízes e tribunais nacionais e internacionais.
b) Em regra, não é competência da jurisdição nacional ação cuja obrigação deva ser cumprida
no Brasil.
c) Para postular em juízo, é necessário haver interesse, legitimidade e possibilidade jurídica
do pedido.
d) É permitida a postulação de direito alheio em nome próprio, desde que autorizada pelo
ordenamento jurídico.
e) A cooperação jurídica internacional somente é possível sob a vigência de tratado assinado
pelo Brasil.
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a) Errada. A jurisdição civil é exercida pelos órgãos nacionais, sendo respeitadas as disposições
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil
seja parte (art. 13 do CPC).
b) Errada. Tal matéria é de competência concorrente dos órgãos jurisdicionais brasileiros
(art. 21, II, CPC).
c) Errada. De acordo com o art. 17, “para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade.”. A possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação.
d) Certa. É a regra literal o art. 18, caput, do CPC.
e) Errada. O art. 26, § 1º, dispõe que “na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional
poderá realizar-se com base em reciprocidade, manifestada por via diplomática”.
Letra d.

037. (CONSULPLAN/TJ-MG/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) Segundo


as normas e princípios contidos no Código de Processo Civil, analise as afirmativas a seguir.
I – A competência em razão da matéria é derrogável pela vontade das partes. II. A conexão
não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado.
III – Para se postular em juízo é necessário que se tenha interesse, legitimidade e que o
pedido seja juridicamente possível.
IV – É possível ter capacidade de ser parte e não ter capacidade processual.
Estão corretas as afirmativas
a) I, II, III e IV.
b) II e IV, apenas.
c) I, II e III, apenas.
d) I, III e IV, apenas.

I – Errada. Tal espécie de competência é inderrogável (art. 62 do CPC).


II – Certa. É a regra do art. 55, § 1º.
III – Errada. De acordo com o art. 17, “para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade.”. A possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação.
IV – Errada. A capacidade processual é a possibilidade de defender o próprio direito em
juízo, sem necessidade de representação/assistência. A capacidade de ser parte é tida por
qualquer sujeito, que pode precisar, ou não, de representação/assistência. Logo, se um
sujeito não precisar de representação/assistência, ele terá a capacidade de ser parte, mas
não a capacidade processual.
Letra b.

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038. (CESPE/MPE-PI/ANALISTA MINISTERIAL – ÁREA PROCESSUAL/2012) Na legitimidade


das partes, pode-se afirmar que a dívida do sócio, por exemplo, não pode ser cobrada da
sociedade e vice-versa, hipóteses em que se dá a ilegitimidade passiva para a causa.

Quando um réu é cobrado por pretensão cuja satisfação não seja de sua responsabilidade,
ele será parte ilegítima; logo, haverá ilegitimidade passiva.
Certo.

039. (BANCA DO ÓRGÃO/MPE-SP/PROMOTOR DE JUSTIÇA SUBSTITUTO/2019) A Associação “X”,


constituída em 1999 com a única finalidade de tutela coletiva dos direitos dos consumidores,
ingressou com ação civil pública ambiental em face do Município “Y”, pretendendo impedir a
continuidade de obras de alargamento de um logradouro, sob alegação de que a ampliação
poderia causar dano ao meio ambiente. O magistrado, embora reconhecendo o atendimento do
requisito da pré-constituição, considerou ausente a pertinência temática para a propositura
da demanda. Nesse caso, o processo deve ser extinto, sem resolução do mérito,
a) por ausência de possibilidade jurídica do pedido.
b) por falta de interesse processual.
c) por ausência de legitimidade ativa.
d) por ausência de pressuposto processual.
e) por falta de capacidade jurídica.

A associação é legitimada a ajuizar ações para representar os interesses da classe abrangida


por suas atribuições institucionais. Logo, se a associação é incumbida de representar
consumidores, ela não terá legitimidade (ativa) para ajuizar ação em defesa do meio
ambiente. Trata-se de direito alheio, que não pode ser tutelado por associação de outro
ramo de representação jurídica. Aplica-se a regra do art. 18, caput: “Ninguém poderá pleitear
direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”.
Letra c.

040. (QUADRIX/CRECI–14ª REGIÃO-MS/ADVOGADO/2021) A jurisdição pode ser conceituada


como a função atribuída a terceiro imparcial de realizar o direito, de modo imperativo
e criativo, reconhecendo, efetivando e protegendo situações jurídicas concretamente
deduzidas, em decisão insuscetível de controle externo e com aptidão para tornar-se
indiscutível. Acerca das características da jurisdição, julgue o item.
Por se tratar de monopólio do Estado, a função jurisdicional é indelegável e não pode ser
exercida por agentes privados.

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No enunciado, ao citar o “terceiro imparcial”, a banca sinalizou que não entende como
exclusividade do Poder Judiciário o exercício da jurisdição, no sentido de dizer o direito
aplicável ao caso concreto. Dessa maneira, a banca esperava que o candidato lembrasse
da arbitragem, que é uma forma de exercício de jurisdição (aplicação do direito a um caso
concreto) em casos específicos, por pessoa privada eleita pelas partes.
Errado.

041. (FGV/DPE-RJ/TÉCNICO MÉDIO DE DEFENSORIA PÚBLICA/2019) São condições genéricas


para o regular exercício da ação:
a) partes capazes e demanda regularmente formulada;
b) pedido e causa de pedir;
c) legitimidade ad causam e interesse de agir;
d) juízo competente e capacidade postulatória;
e) capacidade para estar em juízo e representação processual.

São as condições genéricas instituídas pelo art. 17 do CPC.


Letra c.

042. (NC-UFPR/TJ-PR/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) A ação é


considerada um direito público, subjetivo e abstrato de provocar a jurisdição. Assim, todos
têm o direito de ingressar em juízo, mas só aqueles que preenchem as condições da ação
têm direito a uma decisão de mérito. Com relação aos elementos e às condições da ação,
identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas:

( ) A causa de pedir, um dos elementos da ação, se desdobra em causa de pedir próxima


(a descrição dos fatos da causa) e causa de pedir remota (os fundamentos jurídicos
da demanda).
( ) Interesse e legitimidade são condições para se postular em juízo.
( ) Legitimado ordinário para a ação é aquele que pleiteia em juízo, em seu próprio
nome, direito de que se considera titular.
( ) Entre os elementos da ação está o pedido, que se desdobra em imediato (a providência
requerida) e mediato (o bem da vida que se quer tutelar).

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta, de cima para baixo.


a) F – V – V – V.
b) V – V – F – V.

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c) F – V – F – V.
d) V – F – V – F.
e) V – F – F – F.

Primeira afirmativa – Falsa. No entendimento da banca, causa de pedir próxima é o fundamento


jurídico, e a causa de pedir remota consiste nos fatos da causa. É uma divisão doutrinária
polêmica, como comentamos em aula.
Segunda afirmativa – Verdadeira. São estas as condições da ação (art. 17 do CPC).
Terceira afirmativa – Verdadeira. Legitimado ordinário é o titular do direito. Legitimado
extraordinário é quem defende direito alheio em nome próprio, em caso legalmente permitido
(como no caso da associação e do sindicato, em representação da classe, grupo ou categoria).
Quarta afirmativa – Verdadeira. Elementos da ação são o pedido, a causa de pedir e as
partes. O pedido imediato é o formulado no final da petição inicial (condenação da ré a
pagar, fazer etc.), enquanto o pedido mediato (distante) é o bem jurídico tutelado (direito
à moradia, à propriedade etc.).
Letra a.

043. (IADES/AL-GO/PROCURADOR/2019) Uma ação é idêntica à outra, de acordo com o


Código de Processo Civil, quando
a) os fatos jurídicos forem os mesmos em ambas as ações.
b) os autores e os réus dos processos forem os mesmos em ambas as ações.
c) o pedido de uma ação for mais amplo que o da outra.
d) as partes, a causa de pedir e os pedidos forem os mesmos em ambas as ações.
e) os fundamentos jurídicos forem os mesmos em ambas as ações.

Os elementos identificadores da ação são: pedido, causa de pedir e partes. Portanto, se outra
ação reproduzir os mesmos três elementos, será idêntica à primeira, e ficará caracterizada
a litispendência (causa de extinção do processo sem resolução do mérito). Assim dispõe
o art. 337, § 2º, do CPC: “Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a
mesma causa de pedir e o mesmo pedido.”.
Letra d.

044. (BANCA DO ÓRGÃO/MPE-PR/PROMOTOR SUBSTITUTO/2019) Sobre a jurisdição e a


ação, assinale a alternativa correta, de acordo com o Código de Processo Civil:
a) De acordo com o Código de Processo Civil, é necessário ter interesse, legitimidade e
possibilidade jurídica do pedido para postular em juízo.

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b) A restrição para se pleitear direito alheio em nome próprio é absoluta e não possui
exceções.
c) É cabível ação declaratória do modo de ser da relação jurídica.
d) A ação declaratória de autenticidade de documento não é admitida pelo ordenamento
jurídico.
e) Se houver afirmação de violação de um direito, não se admite a ação meramente
declaratória.

a) Errada. De acordo com o art. 17, “para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade.”. A possibilidade jurídica do pedido não é mais uma condição da ação.
b) Errada. Confira a regra do art. 18, caput: “Ninguém poderá pleitear direito alheio em
nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”. Tal restrição não é
absoluta, portanto.
c) Certa. Trata-se da regra do art. 19, I, CPC.
d) Errada. O art. 19, II, permite o ajuizamento de ação declaratória de autenticidade de
documento.
e) Errada. O art. 20 dispõe que “é admissível a ação meramente declaratória, ainda que
tenha ocorrido a violação do direito”.
Letra c.

045. (VUNESP/PREFEITURA DE PONTAL-SP/PROCURADOR/2018) O reconhecimento da


ilegitimidade passiva da parte pelo magistrado implica
a) no julgamento antecipado da lide.
b) na nulidade do processo.
c) na extinção do processo com resolução do mérito.
d) na extinção do processo por carência da ação.
e) na extinção do processo por falta de pressuposto processual.

A legitimidade (ativa e passiva), ao lado do interesse processual, é uma condição da ação.


Logo, uma ação sem o preenchimento das suas condições deve ser extinta, por carência de
ação (ausência de suas condições genéricas). O fundamento legal da extinção por carência
de ação é o art. 485, VI, do CPC.
Letra d.

046. (FEPESE/PGE-SC/PROCURADOR DO ESTADO/2018) Em uma ação de conhecimento pelo


procedimento ordinário, é apontada como ré a “Secretaria de Saúde do Estado de Santa
Catarina”. Nessa hipótese:

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a) Não há qualquer defeito processual a ser considerado.


b) Falta legitimidade passiva, razão pela qual é cabível a extinção do feito sem julgamento
do mérito.
c) Falta capacidade postulatória e, por esse motivo, deve ser dado prazo para a solução do
defeito processual.
d) Falta capacidade de ser parte, razão pela qual está ausente pressuposto de constituição
do processo.
e) É mera possibilidade de nulidade relativa do feito e, por esse motivo, não necessita de
qualquer providência imediata.

Um órgão público (Secretaria), em regra, não tem capacidade de atuar em juízo na defesa
de seus atos. A representação como parte, no processo, incumbe à pessoa jurídica principal
(no caso, o Estado de Santa Catarina), que apresentará a defesa do órgão por intermédio
de sua procuradoria. Logo, a Secretaria (órgão) não possui capacidade de ser parte (estar
em juízo), pois tal capacidade pertence à pessoa jurídica (Estado).
Letra d.

047. (FCC/SEFAZ-SC/AUDITOR-FISCAL DA RECEITA ESTADUAL – GESTÃO TRIBUTÁRIA/2018)


A ação meramente declaratória
a) não é admissível, pela falta de conteúdo condenatório na sentença a ser proferida.
b) é admissível, salvo se houver ocorrido a violação do direito.
c) não é admissível, pela falta de conteúdo mandamental na sentença a ser proferida.
d) é admissível, ainda que tenha ocorrido a violação do direito.
e) poderá ou não ser admissível, se a sentença a ser proferida não possuir efeitos patrimoniais
nem definir a existência ou a inexistência de uma relação jurídica.

O art. 20 dispõe que “é admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido
a violação do direito.”.
Letra d.

048. (QUADRIX/CREF–13ª REGIÃO BA-SE/ANALISTA – ADVOGADO/2018) A Lei n. 13.105/2015


adotou, para explicar a natureza jurídica do direito de ação, conforme entendimento
doutrinário, a teoria eclética, segundo a qual o direito de ação não se confunde com o direito
material, inclusive existindo de forma autônoma e independente. A respeito do direito de
ação, julgue o item que se segue.

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Por falta de interesse processual, não se admite a postulação em juízo apenas com a
finalidade de declaração do modo de ser de uma relação jurídica.

A ação declaratória acerca do modo de ser de uma relação jurídica pode, sim, ser ajuizada
(art. 19, I, CPC). Não há, portanto, falta de interesse processual nesta hipótese.
Errado.

049. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Julgue o item a seguir,


a respeito das ações no processo civil.
A ação de conhecimento ou cognição visa prevenir, conservar, defender ou assegurar a
eficácia de um direito.

Conforme tradicional classificação doutrinária, a ação cautelar visa prevenir, conservar,


defender ou assegurar a eficácia de um direito. A ação de conhecimento visa certificar/
reconhecer um direito. Mesmo que o Novo CPC não tenha contemplado a ação cautelar
autônoma, a questão direcionou-se a cobrar a conceituação doutrinária das ações de
conhecimento, cautelar e de execução.
Errado.

050. (CESPE/STJ/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2018) Julgue o item a seguir,


a respeito das ações no processo civil.
A teoria eclética da ação, adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, define ação como
um direito autônomo e abstrato, independente do direito subjetivo material, condicionada
a requisitos para que se possa analisar o seu mérito.

O direito de ação é assegurado a todas as pessoas. O direito subjetivo material, a ser


pleiteado na ação, pode ser procedente ou não. De qualquer forma, o acesso à justiça deve
ser assegurado, para que a certificação da existência ou inexistência do direito passe pelo
crivo do Estado-juiz. Logo, o direito de ação é autônomo e abstrato, não guardando relação
com o direito material invocado. Ademais, a análise do mérito da ação é condicionada ao
atendimento de suas condições: interesse e legitimidade. Além dessas condições, deve o
processo atender a todos os seus pressupostos processuais e demais requisitos legais de
regularidade processual (como os requisitos da petição inicial). Esta é a teoria eclética.
Certo.

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051. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir.
Os vícios relativos ao interesse de agir e à legitimidade podem ser reconhecidos a qualquer
tempo, mesmo após o trânsito em julgado da ação.

Conforme o art. 485, § 3º, do CPC, “o juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos
incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito
em julgado.”. Após o trânsito em julgado, as questões da legitimidade e do interesse (inciso
VI) são absorvidas pelo mérito e, portanto, acobertadas pela coisa julgada material.
Errado.

052. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2017) Conforme o


Código de Processo Civil vigente, julgue o item seguinte, a respeito da função jurisdicional,
dos deveres das partes e de procuradores, do litisconsórcio e da assistência.
O modo de ser de uma relação jurídica pode ser objeto de ação declaratória.

Trata-se da regra do art. 19, I, do CPC.


Certo.

053. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir.
Ninguém poderá pleitear, em seu próprio nome, direito alheio, salvo quando autorizado
por lei.

Trata-se da regra quase literal do art. 18: “Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome
próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico.”. Entendo que o gabarito da
banca é questionável, uma vez que o “ordenamento jurídico” contempla várias outras
fontes do direito, muito além da lei estrita.
Certo.

054. (CESPE/TRF-1ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2017) A respeito


de aspectos relativos à ação, julgue o item a seguir.
Integram as condições da ação o interesse de agir e a legitimidade ad causam.

São as condições da ação expressas no art. 17 do CPC.


Certo.

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055. (CESPE/PGE-AM/PROCURADOR DO ESTADO/2016) A respeito das normas processuais


civis pertinentes a jurisdição e ação, julgue o item seguinte.
Segundo as regras contidas no novo CPC, a legitimidade de parte deixou de ser uma condição
da ação e passou a ser analisada como questão prejudicial. Sendo assim, tal legitimidade
provoca decisão de mérito.

Na verdade, a antiga condição da ação que passou a ser uma questão de mérito é a
possibilidade jurídica do pedido. A legitimidade continua sendo condição da ação (art. 17
do CPC), analisada como questão preliminar.
Errado.

056. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO – ÁREA FISCALIZAÇÃO – DIREITO/2016)


A respeito da jurisdição, da ação e dos sujeitos do processo, julgue o item subsecutivo.
Na hipótese de substituição processual, é vedada pela legislação processual civil a intervenção
do substituído como assistente litisconsorcial.

O art. 18, parágrafo único, do CPC dispõe que “havendo substituição processual, o substituído
poderá intervir como assistente litisconsorcial.”.
Errado.

057. (CESPE/TCE-RN/AUDITOR/2015) Na hipótese de uma ação judicial possuir como objeto


a rescisão de contrato inadimplido, o interesse de agir estará configurado na satisfação do
bem da vida vindicado, qual seja, a rescisão referida.

O interesse de agir (interesse processual) é resultado do binômio necessidade + adequação.


A rescisão do contrato, por si, configura objeto da ação, e não uma de suas condições.
Errado.

058. (CESPE/TELEBRAS/ADVOGADO/2015) A respeito de jurisdição, ação e processo, julgue


o item seguinte.
O interesse de agir, a possibilidade jurídica do pedido e a capacidade processual são condições
indispensáveis da ação sem os quais o processo é extinto com a resolução do mérito.

Por primeiro, a possibilidade jurídica do pedido não é condição da ação. Por segundo,
havendo carência de ação (falta de interesse e/ou legitimidade), o processo será extinto
sem resolução do mérito (art. 485, VI, CPC).
Errado.

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059. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR LEGISLATIVO


ÁREA V/2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação.
A escola clássica, imanentista ou civilista, segundo a qual a ação é uma qualidade de todo direito
ou o próprio direito como forma de reação a uma violação, é a teoria predominantemente
adotada no direito processual civil brasileiro.

No CPC de 2015, predomina a teoria eclética: as partes (autor e réu) têm direito a uma
real solução do conflito, de modo que ela seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco
importando se a pretensão do autor é procedente ou improcedente. A conceituação da
teoria imanentista ou civilista, por sua vez, está correta. O erro da questão é afirmar que
tal teoria prevaleceria no direito processual atual.
Errado.

060. (CESPE/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO – CONSULTOR LEGISLATIVO


ÁREA II/2014) Com referência a jurisdição, ação e competência, julgue os itens que se seguem.
O Código de Processo Civil (CPC) adotou a teoria concreta do direito de ação que proclama
como desdobramento lógico o reconhecimento da pretensão posta em juízo

No CPC de 2015, predomina a teoria eclética: as partes (autor e réu) têm direito a uma
real solução do conflito, de modo que ela seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco
importando se a pretensão do autor é procedente ou improcedente.
Errado.

061. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/2013/


ADAPTADA) São elementos da ação: o interesse de agir e a legitimidade da parte.

O interesse e a legitimidade são condições da ação. Os elementos, por sua vez, são as partes,
a causa de pedir e o pedido.
Errado.

062. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/2013) O


interesse processual consiste na necessidade de o autor pleitear em juízo e na utilidade
que o provimento jurisdicional poderá proporcionar ao autor do pedido.

O item albergou a primeira parte do binômio necessidade-adequação: a necessidade,


também compreendida como aliada da utilidade. Alguns doutrinadores mencionam o binômio
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configurador do interesse de agir como “necessidade-utilidade”, embora modernamente


prefira-se o binômio “necessidade-adequação”, eis que a utilidade estaria inserida no item
“necessidade”.
Certo.

063. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE JUSTIÇA AVALIADOR/2013 –


ADAPTADA) Somente mediante autorização do ordenamento jurídico é possível pleitear,
em nome próprio, direito alheio.

É a regra do art. 18, caput, do CPC de 2015.


Certo.

064. (CESPE/TJ-DFT/TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA/2013) O interesse de


agir é um interesse instrumental, de natureza processual.

Questão interessante. Ela coloca o interesse de agir, claramente, na posição de pressuposto


processual. Não é um interesse no sentido comum da palavra, mas, sim, num sentido
técnico, como um elemento complexo a ser constituído pelo autor da ação, como condição
de procedibilidade.
Certo.

065. (CESPE/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA JUDICIÁRIA/2013) O direito de ação


representa um direito subjetivo do jurisdicionado, vinculado ao seu direito material, razão
por que o direito de ação se confunde com o próprio direito material invocado, não havendo
autonomia entre um direito e outro.

No CPC de 2015, predomina a teoria eclética: as partes (autor e réu) têm direito a uma
real solução do conflito, de modo que ela seja definitivamente finalizado/resolvido, pouco
importando se a pretensão do autor é procedente ou improcedente. Logo, o direito material é
totalmente separado do direito de ação. Logo, o direito de ação é autônomo e independente.
Errado.

066. (CESPE/TJ-RR/ANALISTA – ÁREA PROCESSUAL/2012) Acerca das condições da ação,


das partes e dos procuradores, julgue os itens que se seguem.

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O juiz que verificar incapacidade processual ou irregularidade da representação das partes


deverá julgar extinto o processo sem resolução de mérito.

Conforme o art. 317, “antes de proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá
conceder à parte oportunidade para, se possível, corrigir o vício.”. Ademais, o art. 76 do
CPC de 2015, de forma específica, prevê a concessão de prazo razoável para regularização
da representação processual e da capacidade das partes.
Errado.

067. (FGV/MPE-RJ/TÉCNICO DO MINISTÉRIO PÚBLICO/2016) A possibilidade de concessão,


pelo juiz da causa, de tutela antecipatória do mérito, inaudita altera parte, em razão de
requerimento formulado nesse sentido pela parte autora em sua petição inicial, está
diretamente relacionada ao princípio:
a) do juiz natural;
b) da inércia da jurisdição;
c) da inafastabilidade do controle jurisdicional;
d) do contraditório;
e) da motivação das decisões judiciais.

A questão é polêmica, em razão de seu enunciado abranger, em tese, mais de um dos princípios
arrolados nas alternativas. O pensamento mais coerente a justificar o posicionamento da
banca é o de que a existência da possibilidade de concessão de tutela provisória sem a
manifestação prévia da parte contrária destina-se a tutelar situações de maior gravidade,
das quais podem surgir graves danos se sua efetiva tutela não for implementada de imediato.
No entanto, seria sustentável, também a relação direta com o princípio da inércia, pelo fato
de a concessão da tutela provisória decorrer de requerimento da parte.
Letra c.

068. (CESPE/TJ-DFT/TITULAR DE SERVIÇOS DE NOTAS E DE REGISTROS/2019) A respeito


de pressupostos processuais subjetivos, assinale a opção correta.
a) Em regra, pessoas físicas e jurídicas possuem capacidade de serem partes em processo,
mas não as pessoas formais, tais como a massa falida, o condomínio edilício e o espólio,
por serem entes despersonalizados.
b) As pessoas incapazes de modo absoluto e aquelas que o sejam de modo relativo não
possuem capacidade para estar em juízo, razão pela qual precisam ser, respectivamente,
assistidas e representadas.

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c) Embora o advogado possua capacidade postulatória plena, a parte poderá atuar nos
autos sem advogado em casos como nos juizados especiais cíveis em causas de primeira
instância cujo valor seja de até vinte salários-mínimos.
d) Os magistrados podem ter duas extensões de parcialidade: a suspeição, que é fruto de
uma presunção absoluta; e o impedimento, que decorre de uma presunção relativa.
e) No processo, o dever de imparcialidade é do juiz, assim, não se aplicam aos auxiliares da
justiça as hipóteses legais de impedimento e de suspeição.

a) Errada. A massa falida, o condomínio edilício e o espólio possuem, sim, capacidade de


serem partes, pois o art. 75 do CPC trata de elencar quem são seus representantes em
juízo (incisos V, VII e XI).
b) Errada. Capacidade de estar em juízo (ser parte) é tida por todo sujeito, ainda que incapaz,
absoluta ou relativamente.
c) Certa. De fato, tal situação é um exemplo em que uma pessoa poderá postular sem
advogado (art. 9º da Lei n. 9.099/95).
d) Errada. É o contrário: a suspeição importa presunção relativa de parcialidade, e o
impedimento, absoluta.
e) Errada. Os auxiliares da justiça sujeitam-se às mesmas regras de impedimento e suspeição
(art. 148, II, CPC).
Letra c.

069. (VUNESP/IPREMM-SP/PROCURADOR JURÍDICO/2019) A doutrina majoritária atual,


com base no disposto no Código de Processo Civil, classifica os pressupostos processuais
como positivos ou negativos, sendo os positivos divididos em pressupostos de existência
e de validade.
Sobre o tema, considerando o entendimento doutrinário, são pressupostos
a) negativos de validade: inexistência de perempção, litispendência e coisa julgada.
b) positivos de existência: legitimidade processual, citação e jurisdição.
c) positivos de validade: demanda, capacidade postulatória e compromisso arbitral.
d) positivos de existência: compromisso arbitral, citação válida e competência.
e) positivos de validade: jurisdição, demanda e legitimidade processual.

a) Certa. Estes são exatamente os três exemplos mais trazidos pelos doutrinadores de
pressupostos negativos de validade, que não devem estar presentes para que o processo
seja válido (por isso, são negativos).
b) Errada. Dentre estes três, a legitimidade processual não é pressuposto de existência,
mas de validade.

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c) Errada. Capacidade postulatória é apontada como pressuposto de existência por uma


parte da doutrina, e de validade por outra, mas prevalece em questões que é pressuposto
de validade. A demanda (objeto, pedido) é pressuposto de existência, e a arbitragem é
reconhecida como pressuposto processual negativo de validade.
d) Errada. Dentre estes três, somente a citação válida é pressuposto de existência. A
competência é pressuposto de validade, e a arbitragem é reconhecida como pressuposto
processual negativo de validade.
e) Errada. A demanda (objeto, pedido) é pressuposto de existência, e a jurisdição é um
pressuposto de existência. Somente a legitimidade é que é de fato um pressuposto positivo
de validade.
Letra a.

070. (VUNESP/PREFEITURA DE SOROCABA-SP/PROCURADOR DO MUNICÍPIO/2018) De acordo


com o entendimento da doutrina majoritária, a inexistência de capacidade postulatória
representa a ausência de um pressuposto processual
a) objetivo, de validade.
b) subjetivo, de validade.
c) objetivo, de existência
d) subjetivo, de existência.
e) objetivo, de desenvolvimento.

A doutrina diverge sobre a classificação da capacidade postulatória. Uns apontam como


pressuposto de existência (como Marinoni, Arenhart e Mitidiero), e outros, como pressuposto
de validade. Para a banca VUNESP, o entendimento aplicável é o segundo: capacidade
postulatória é pressuposto de validade. Por ser inerente aos sujeitos processuais (parte e
advogado), é pressupostos subjetivo.
Letra b.

071. (INÉDITA/2025) Acerca dos pressupostos processuais, levando em conta as tradicionais


classificações doutrinárias que lhes são pertinentes, assinale a alternativa que indica os
itens corretos:
I – A imparcialidade do juiz é um pressuposto processual de validade subjetivo.
II – A petição inicial válida é um pressuposto processual de validade objetivo.
III – Os pressupostos processuais de existência e de validade são todos positivos, isto é, são
elementos que devem se fazer presentes para que o processo seja regularmente constituído
e se desenvolva validamente.
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a) I e III
b) I e II
c) II e III
d) I, II e III
e) II, apenas

I – Certa. É subjetivo por dizer respeito a um sujeito do processo, e de validade por não ser
essencial à constituição, mas sim ao desenvolvimento válido e regular do processo.
II – Certa. É objetivo por dizer respeito a um ato processual praticado em conformidade
com a lei, e de validade por não ser essencial à constituição, mas sim ao desenvolvimento
válido e regular do processo.
III – Errada. Os pressupostos de existência são todos positivos, mas, dentre os de validade,
existem pressupostos negativos: os que não devem se fazer presentes para que o processo
tenha desenvolvimento válido e regular. É o caso da coisa julgada, da litispendência, da
perempção e da convenção de arbitragem.
Letra b.

072. (INÉDITA/2025) Acerca dos pressupostos processuais, levando em conta as tradicionais


classificações doutrinárias que lhes são pertinentes, assinale a alternativa que indica os
itens corretos:
I – A coisa julgada é um pressuposto processual negativo de existência.
II – A perempção é um pressuposto processual negativo de validade.
III – A litispendência é um pressuposto processual positivo de validade.
a) III, apenas
b) II, apenas
c) I e III
d) I, II e III
e) I e II

I – Errada. A coisa julgada é um pressuposto processual negativo de validade.


II – Certa. De fato, a perempção não deve existir para que o processo tenha desenvolvimento
válido e regular.
III – Errada. A litispendência é um pressuposto processual negativo de validade.
Letra b.

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073. (FUNDEP/TCE-MG/AUDITOR – CONSELHEIRO SUBSTITUTO/2015/ADAPTADA) Sobre o


Direito Processual Civil, julgue o item a seguir.
Os pressupostos processuais, diferentemente do que ocorre com as condições da ação,
não podem ser aferidos de ofício pelo magistrado, haja vista que o sistema processual
brasileiro se assenta no princípio dispositivo que confere apenas às partes litigantes o
poder de provocar o juiz para o exame de tais pressupostos.

O juiz pode, sim, reconhecer a falta de pressupostos processuais de ofício, conforme o


comando do art. 485, § 3º do CPC, que dá aos pressupostos processuais caráter de ordem
pública.
Errado.

074. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
A existência de um pedido configura pressuposto processual de existência, e a regularidade
da respectiva petição inicial configura pressuposto processual de validade.

É neste sentido que se classifica a petição inicial nos pressupostos processuais. A existência
de petição contendo algum pedido atende aos pressupostos de existência, e a obediência
aos requisitos legais da petição inicial (arts. 319 e seguintes do CPC) atende aos de validade.
Certo.

075. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
O fato de o juiz da causa estar investido de jurisdição configura pressuposto processual
de validade.

Na verdade, a investidura do juiz em jurisdição é um pressuposto subjetivo de existência.


Errado.

076. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
A competência do juízo, por ser pressuposto processual de validade, sempre provocará a
nulidade do processo se não tiver suas regras observadas.

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Embora a competência do órgão jurisdicional realmente seja um pressuposto de validade,


nem sempre a inobservância das regras de competência provocará a nulidade dos atos
processuais. Se a incompetência do juízo for relativa, ela será convalidada/prorrogada se
não alegada pelo réu até a contestação.
Errado.

077. (INÉDITA/2025) Considerando as tradicionais classificações doutrinárias dos pressupostos


processuais, julgue o item subsequente:
A citação do réu, por si só, configura pressuposto processual de validade do processo.

Por si só, a citação do réu é um pressuposto de existência. Pressuposto de validade seria a


citação válida, isto é, a implementada pela exata forma prescrita em lei para o caso concreto.
Errado.

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