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Texto Rectec

O documento discute a importância dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) na educação superior, enfatizando a necessidade de reflexão teórica e prática para superar modelos tradicionais de ensino. Apresenta um projeto piloto da UERJ que visa capacitar educadores para utilizar tecnologias de informação e comunicação de forma interativa e colaborativa. O curso proposto busca desenvolver competências para a construção de conhecimento em um ambiente virtual, promovendo a autonomia e a comunicação entre os participantes.

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Ana Livia Silva
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O documento discute a importância dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) na educação superior, enfatizando a necessidade de reflexão teórica e prática para superar modelos tradicionais de ensino. Apresenta um projeto piloto da UERJ que visa capacitar educadores para utilizar tecnologias de informação e comunicação de forma interativa e colaborativa. O curso proposto busca desenvolver competências para a construção de conhecimento em um ambiente virtual, promovendo a autonomia e a comunicação entre os participantes.

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AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NA

EDUCAÇÃO SUPERIOR:
DA TEORIA À PRÁTICA

ABRIL/2007

Marcia Taborda – UERJ – mtaborda@[Link]

Categoria: Estratégias e Políticas

Setor: Educacional Educação Universitária

Natureza: Descrição de Projeto em Andamento

Classe: Experiência Inovadora

RESUMO
O impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação no mundo
contemporâneo é indiscutível, especialmente, para a educação, onde há
possibilidades de exploração do espaço virtual para a potencialização da
aprendizagem. Por ser um espaço pouco vivenciado pelos educadores, é
importante que se reflita sobre os pressupostos teóricos que fundamentam a
incorporação dessas ferramentas na educação. Devido à inexistência de
modelos, é difícil superarmos os mitos criados historicamente e
vislumbrarmos a aprendizagem dos sujeitos sem que seja privilegiada a
transmissão passiva do conteúdo e sem o compartilhamento de espaço e
tempo. Esse conhecimento só virá a partir do momento em que nos
oportunizarmos habitar o espaço virtual, vivenciando-o em toda sua
plenitude. Explorar esse ambiente, articulando reflexões teóricas e
atividades práticas foi a proposta do Curso “Ambientes Virtuais de
Aprendizagem (AVA) na Educação Superior”, apresentada neste trabalho,
projeto piloto na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, como estratégia
de implantação do AVA. Evitando a incorporação passiva dos modismos e
consciente dos limites e das possibilidades na utilização de AVA, será possível
ultrapassar os modelos tradicionais e delinear novos caminhos metodológicos
para a educação em uma sociedade que cada vez mais incorpora as
tecnologias em seu cotidiano.
Palavras-chave: Ambiente Virtual de Aprendizagem; Tecnologias de
Informação e Comunicação; Educação Superior

O papel da educação na Sociedade em Rede


Vários estudos contemporâneos afirmam que as transformações pelas
quais a sociedade está passando estão criando um novo espaço sociológico,
onde poder-se-á realizar uma cultura diferente, caracterizada como
"cibercultura", modificando as formas de produção e apropriação dos saberes
[1].
2

Esse movimento foi denominado por Toffler [2] de “Terceira Onda”.


Para caracterizar essa nova sociedade que emerge têm surgido denominações
como “Sociedade da Informação” [3] e “Sociedade em Rede” [4]. Autores com
diferentes concepções, por vezes divergentes, analisam os indicativos de
mudança, projetando conseqüências futuras.
Recente pesquisa feita em parceria com o jornal "Financial Times",
apontou que a marca mais valiosa do mundo em 2006 pertence ao mundo
virtual – Google, avaliada em US$ 66,3 bilhões. De acordo com o
levantamento, o gigante de buscas aumentou o valor de sua marca em 77% no
último ano. Na seqüência ficaram as tradicionais General Electric (GE), cujo
valor foi estimado em US$ 61,8 bilhões; a Microsoft, com US$ 54,9 bilhões, e a
Coca-Cola, US$ 44,1 bilhões [5]. Essa constatação não deixa dúvida sobre a
importância do ciberespaço.
Segundo Lévy [6], a emergência do ciberespaço, provavelmente, terá
um efeito tão radical quanto à invenção da escrita, aumentando o potencial de
inteligência coletiva dos grupos humanos. Todavia, não é necessária uma
análise profunda da economia mundial para perceber-se que nem todos os
países acompanham essa mudança, principalmente no caso dos países
emergentes, que ainda não conseguiram suprir as necessidades básicas de
grande parte da população. É importante, porém, ressaltar que, por menor que
tenha sido a apropriação de recursos tecnológicos, todas as sociedades são
penetradas pela lógica difusa da sociedade em rede, que aos poucos absorve
e supera as formas sociais preexistentes [4].
Nesse contexto, “os sistemas educacionais têm sido profundamente
questionados por não buscarem fundamentos que possibilitem a efetivação
necessária às novas competências para o cidadão planetário” [7]. É um desafio
que vai muito além da incorporação pela escola das Tecnologias de Informação
e Comunicação (TIC); “não se trata mais de uma questão de acesso, mas de
modos e sentidos de acesso” [8].
Devido ao fato de a educação se revelar como instância estratégica
para romper com o atraso tecnológico, Frigotto [9] alerta sobre a possibilidade
de que seja utilizada como instrumento de conformação social, sendo
subordinada a necessidades de novas formas de inserção social postas
exclusivamente pelo capital, servindo como mais uma forma de impedimento
para o ingresso ao mercado de trabalho, ou seja, excluindo mais do que
incluindo.
Espera-se, então, que seja repensado o papel de uma educação
emancipatória frente a essa nova perspectiva. Trata-se não de um entrave
técnico, mas sim político [10] e, sobretudo, pedagógico, pois é indispensável
“(...) mudar a forma de ensinar e aprender” [11].

O grande desafio
O ambiente informatizado proporciona diversas formas de
comunicação: a utilização do e-mail, dos fóruns de discussão, das salas de
bate-papo que além de estimularem a possibilidade de relações sociais entre
pessoas distantes, ampliam as formas de pensar e de perceber as diversas
situações, podendo impactar social, econômica e politicamente. Uma proposta
de formação que utilize as Tecnologias de Informação e Comunicação e o
espaço virtual deve ter como base a comunicação e o diálogo entre os sujeitos,
3

que para Freire é a forma de se desenvolver a autonomia. Como, porém,


mudar a forma de ensinar e aprender, com o uso dos artefatos tecnológicos, se
as capacitações em informática, quando ocorrem, se limitam ao treinamento
operacional de informática?
A implementação de um sistema de tecnologia educacional que
conjugue estes instrumentos e idéias, com base em um rigoroso conceito de
qualidade e na necessária dialogicidade, que seja capaz de incentivar o
desenvolvimento de redes de conhecimentos que integre os sujeitos,
extrapolando os conceitos de espaço-tempo, este sim, é um grande desafio.
Várias propostas metodológicas arrojadas se encontram em
desenvolvimento atualmente e a utilização de Ambientes Virtuais de
Aprendizagem (AVA) como espaço de formação constitui-se hoje uma
realidade em instituições no mundo inteiro. A Universidade do Estado do Rio de
Janeiro (UERJ), no rol das instituições educativas que buscam a inovação,
inicia o processo de implantação do seu AVA, disponível no endereço
[Link]/moodle. O AVA possibilita tanto a realização de cursos à
distância, quanto a utilização do espaço virtual como apoio a atividades
presenciais.

Ambiente Virtual de Aprendizagem


O Ambiente Virtual de
Aprendizagem (AVA) é um
sistema desenvolvido
especialmente para o estudo pela
Internet que possibilita o uso de
uma série de ferramentas para a
interação entre todos os
envolvidos no curso,
potencializando a aprendizagem
em cursos à distância e
presenciais. Pode ser utilizado FIG.1 Página inicial do AVA/UERJ
como espaço de conteúdos das disciplinas, entretanto é o processo de
comunicação, que garantindo o diálogo entre os participantes, dever ser
valorizado, diferenciando-o de um simples site que visa ser um depósito de
conteúdos.
Assim, o aprendizado pode ultrapassar os modelos tradicionais de
educação, pois deixa de ser focado na distribuição de conteúdos e torna-se
voltado para a realização de atividades colaborativas, daí a importância em
ressaltar-se uma aproximação entre o enfoque sócio-interacionista e os
princípios norteadores de utilização do AVA. O grande objetivo da utilização
do AVA é oferecimento de um ambiente que visa ampliar e enriquecer os
espaços de aprendizagem, oportunizando a interação e privilegiando a
atividade dos sujeitos envolvidos.
Também pode ser utilizado como um espaço para reforçar a
transmissão passiva de conteúdos. Depende, fundamentalmente, de quem
o utiliza e de como é utilizado o ambiente. Por isso, o papel do professor é
indispensável, a quem cabe a tarefa de planejar, participar, instigar as
discussões, acompanhar e analisar a construção do conhecimento através
4
da participação individualizada e coletiva dos alunos nos espaços de
interação disponibilizados no ambiente.
O processo continuado de aprendizagem através de trocas incentiva o
trabalho cooperativo entre os diferentes sujeitos, estimulando a constituição de
comunidades de aprendizagem. Constituir uma comunidade de aprendizagem,
porém, é um desafio para todos e implicará em uma nova reorganização dos
espaços de aprendizagem da sala de aula.
Diversos são os softwares de gerenciamento de cursos; alguns com
elevado custo, outros gratuitos. O Ambiente Virtual de Aprendizagem da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro é gerenciado por um software
chamado Moodle (o acrônimo de Modular Object-Oriented Dynamic Learning
Environment). Está instalado em um servidor localizado na Diretoria de
Informática, mas pode estar acessado em qualquer lugar do mundo onde haja
um computador, conexão com a Internet e um navegador web.
O Moodle é uma ferramenta de gestão de cursos à distância,
desenhada para ajudar educadores a criar, com facilidade, cursos online de
qualidade. Ferramentas como o Moodle também podem ser chamadas de LMS
(Learning Management Systems, que significa Sistemas de Gerenciamento de
Aprendizagem). Pode ser aplicado como opção totalmente virtual ou como
complemento/suporte a turmas presenciais.
A adesão da UERJ ao Moodle se deve em virtude de ser ele um
sistema aberto, ou seja, significa que os usuários têm acesso ao código fonte
do software e podem alterar, ampliar e modificar o programa. Em segundo
lugar, o Moodle pode ser instalado sem nenhum custo em quantos servidores
quisermos.
A arquitetura do Moodle é fundamentada na Teoria Sócio-Construvista,
fundamentada na concepção de que pessoas aprendem melhor quando
engajadas em um processo social de construção do conhecimento. Esse foi o
terceiro e mais importante motivo que consideramos ao optar pelo Moodle. A
plataforma oportuniza a interação entre todos os participantes, que inclui
colaboração, reflexão crítica, permitindo máxima interação e integração entre a
comunidade virtual. Além disso, oferece uma variedade de ferramentas que
podem aumentar a interatividade entre os participantes do curso. Pode-se,
facilmente, compartilhar materiais de estudo e manter discussões.
O que se tem percebido é que, devido ao caráter inovador do ambiente
virtual, há poucos profissionais com conhecimento consolidado para criação e
gerenciamento desse espaço.
Objetivando a formação de profissionais (docentes e equipes de apoio
pedagógico) que elaborem e dinamizem de forma crítica, reflexiva e, sobretudo,
interativa atividades educativas em AVA, está sendo oferecido o Curso piloto
Ambientes Virtuais de Aprendizagem na Educação Superior, pelo Laboratório
de Educação à Distância (LEAD), vinculado à Sub-reitoria de Graduação da
UERJ.

O Curso Ambientes Virtuais de Aprendizagem na Educação Superior


Tradicionalmente, os cursos à distância são constituídos por
materiais instrucionais, apresentados sob o formato de apostilas, nas quais
os aprendizes devem seguir a uma seqüência de conteúdos previamente
5
designados pelo respectivo autor. Apesar dos avanços conquistados e
das possibilidades interativas das tecnologias digitais, a maior parte dos
cursos à distância ainda é estruturada e apresenta o material da mesma
forma. Esta distorção se justifica pela preocupação exclusiva com
a organização interna do conteúdo, acreditando que o material instrucional
(como o próprio nome já diz), quando preparado obedecendo a uma lógica
linear, por si só assegura o aprendizado de qualquer educando. Entretanto,
não se pode reduzir o processo educacional desenvolvido em AVA apenas
à produção de um material a priori. Ao contrário dos outros suportes, o
ciberespaço permite uma comunicação efetiva e a exploração da co-autoria
devido, principalmente, às suas características interativas e à possibilidade
de utilização de materiais didáticos em diferentes formatos. Foi essa
concepção que norteou a elaboração e implementação do curso piloto.
Foram convidados a participar do curso: treze pedagogos do
Departamento de Orientação e Supervisão Pedagógica (que atuam nas
diversas Unidades Acadêmicas da universidade); uma professora Faculdade
de Ciências Médicas; uma aluna do curso de Graduação em Ciências
Biológicas; uma psicóloga e uma administradora de empresas, ambas
trabalham no CETREINA (departamento responsável pelos estágios da
universidade). Esse grupo foi escolhido com objetivo principal de avaliar a
estrutura do curso para que, depois de validado, seja oferecido aos docentes e
equipes de apoio pedagógico como atividade de rotina do LEAD.
O curso foi desenvolvido à distância no Ambiente Virtual de
Aprendizagem e houve apenas um encontro no início das atividades, que se
desenvolveu no Laboratório Minato (montado com recursos do governo
Japonês e é referência latino-americana no estudo do idioma,
principalmente, devido à sua arquitetura e infra-estrutura tecnológica).
Nesse momento inicial, os participantes fizeram o cadastramento no AVA e
foram apresentados às ferramentas básicas do software Moodle.
O curso, estruturado em oito unidades, teve a duração total de um mês
e meio e a carga horária estimada de 45 horas.
Na parte teórica, foram propostos materiais em diferentes formatos:
textos, vídeos (filmes curtos e tutoriais desenvolvidos especialmente para
curso), apresentações e assim como a realização de variadas atividades
(tarefas, WIKI, Laboratório de Atividades e Fórum) que visaram estimular a
pesquisa e a reflexão coletiva acerca dos assuntos abordados.
Visando oferecer subsídios Em algumas unidades, havia
teóricos e práticos, cada uma das também o tópico Atividade no
unidades está dividida em três Laboratório. Ao clicar no link
tópicos: Conteúdo, Atividade e Atividade no Laboratório cada
Comunicação. No tópico Conteúdo participante tem a descrição da
está a parte teórica da unidade; no atividade proposta a ser
tópico Atividade são propostas as desenvolvida no Laboratório Virtual
atividades a serem desenvolvidas, (instalado em outro servidor) para a
ora individualmente, ora simulação das atividades práticas.
coletivamente. No laboratório foi criado um curso
para cada participante. Assim, ao
final do nosso curso os participantes
FIG.2 Página inicial do Laboratório Virtual/UERJ
6
que quiseram já tinham iniciado a construção do curso no ambiente Moodle.
A orientação aos participantes e a mediação das atividades foi
realizada durante todas as etapas do curso pela própria pedagoga autora
do curso e por dois bolsistas (um do Curso de Pedagogia e outro do Curso
de Informática).
No curso não foi prevista nenhuma avaliação formal, mas na maioria
das atividades foram configuradas avaliações, a fim de vivenciarmos as
formas de avaliação disponibilizadas no AVA desenvolvido com o Moodle.
Vale ressaltar que para todas as atividades solicitadas foi encaminhado ao
aluno um feedback.

O programa do curso
As oito unidades abordaram os seguintes temas:
Unidade 1 - AVA - Ambientes Virtuais de Aprendizagem na Educação
Superior - O objetivo dessa unidade inicial foi que os participantes
encontrassem subsídios teóricos e práticos para uma análise crítica sobre a
utilização de AVA, especialmente, na Educação Superior. Para alcançar o
objetivo da primeira unidade do curso foram propostos: a leitura de textos, a
realização de uma tarefa e as discussões nos fóruns.
Unidade 2 - Utilização do Moodle na UERJ - A segunda unidade do
curso teve como objetivo apresentar o Moodle de uma forma bem sucinta e os
passos iniciais para a criação de cursos com o software. Sugeriu-se uma
pesquisa sobre a utilização do Moodle nas universidades brasileiras. Nesta
unidade também foram iniciadas as atividades práticas no Laboratório Virtual,
com a realização da primeira etapa da criação do curso no AVA por cada um
dos participantes - a configuração inicial do curso.
Unidade 3 - Elaboração de material didático - Nessa terceira unidade,
os textos sugeridos tiveram como objetivo fundamentar reflexões sobre os
desafios da construção de curricular, a importância do planejamento e a
elaboração do material didático para EAD. A atividade proposta foi a
exploração do fórum como espaço para discussão das questões levantadas na
unidade.
Unidade 4 - Adição de material no AVA - A Unidade quatro teve um
objetivo bem prático: subsidiar a criação e a inserção de materiais no Ambiente
Virtual de Aprendizagem através dos textos e tutoriais. A atividade proposta foi
uma auto-avaliação sobre o desempenho do participante no curso. O fórum foi
utilizado para as dúvidas sobre os assuntos abordados na unidade. Como
segunda etapa de criação do curso, a proposta de atividade no Laboratório
Virtual foi a elaboração e inserção de materiais no curso.
Unidade 5 - Desenvolvimento de atividades interativas para os alunos -
O objetivo da Unidade cinco foi ressaltar a importância e subsidiar a escolha
adequada das atividades interativas em Ambientes Virtuais de Aprendizagem,
através da articulação entre a parte teórica e as atividades práticas. Além do
exercício sugerido para ser realizado no Laboratório Virtual (terceira etapa de
criação do curso), foi proposta a elaboração colaborativa de um texto pelos
participantes com a utilização da ferramenta WIKI. Nessa unidade também foi
solicitada uma avaliação parcial do curso. O fórum da unidade pôde ser
utilizado para as dúvidas sobre o tema abordado.
7
Unidade 6 - Avaliação da aprendizagem em ambientes virtuais - A
Unidade seis abordou o tema da avaliação, especialmente quando
desenvolvida em Ambientes Virtuais. Além dos dois links que apresentavam as
ferramentas de avaliação do Moodle, na pasta de Material Complementar
foram disponibilizados textos que subsidiaram a reflexão teórica sobre o
assunto. Foi proposta uma atividade avaliativa utilizando a ferramenta
Laboratório de Avaliação com o objetivo de vivenciar a utilização a avaliação
por pares. A atividade sugerida no Laboratório Virtual foi a inclusão de uma das
Pesquisas de Avaliação pré-definidas no curso.
Unidade 7 - Gestão do curso – Foi abordada a questão da mediação
nos fóruns e chats, o gerenciamento os alunos, distribuição dos alunos em
grupo, a realização do backup e restauração do curso. A atividade proposta foi
que os participantes através do fórum da unidade fizessem a divulgação dos
seus respectivos cursos, aproveitando para convidar outros participantes a se
inscreverem como alunos.
Unidade 8 – Considerações Finais – A última unidade abordou os
aspectos legais (MEC e da própria instituição) sobre a realização de atividades
à distância na Educação Superior, além de realizar uma síntese de todos os
aspectos técnicos abordados durante o curso. Em relação aos aspectos
teóricos foram propostas leituras que indicaram a importância de todas as
etapas do projeto de atividades educativas realizadas em ambientes virtuais. A
atividade sugerida foi a realização de uma avaliação pré-definidada de curso no
Moodle. A atividade proposta para o Laboratório Virtual foi a realização de um
fórum com os alunos inscritos, para que os participantes vivenciam o papel de
mediador.

Considerações Finais
A concepção e implementação de um curso à distância realizado no
espaço virtual sobre a utilização do próprio Ambiente Virtual de Aprendizagem
foi uma atividade bastante significativa para instituição, pois mobilizou variadas
expectativas dos sujeitos envolvidos. Expectativas que expressaram,
principalmente, o medo frente ao novo, afinal foram apresentados novos
conceitos que visaram, sobretudo, romper com os paradigmas da educação
tradicional, seja na modalidade presencial, seja na modalidade à distância. Mas
que paradoxalmente representavam também a vontade de caminhar rumo ao
novo, de experenciar, de vivenciar.
Os participantes avaliaram o curso como uma atividade pioneira na
universidade e que oportunizou a ampliação sobre as concepções e possíveis
estratégias de utilização de AVA. Avaliaram que os itens levantados no
encontro presencial que poderiam dificultar a participação de todos no curso,
não se concretizaram na prática. Segundo eles, não houve falta de
computadores, pois foram disponibilizados outros laboratórios; os monitores
foram colocados à disposição para acompanhamento presencial em caso de
dificuldade; e as atividades estavam inseridas no horário de trabalho.
Em relação à estrutura proposta, foi sugerido que o curso seja divido
em dois módulos: o primeiro voltado para reflexões e para a própria vivência do
AVA; o segundo, para as atividades de construção de cursos. Assim, os
8
participantes que possuem mais dificuldades poderão realizar todas as
atividades propostas.
Foi apontado que como alguns participantes têm dificuldades para
realização de leituras na tela do computador, poderia ser desenvolvido um
material concentrando todas as informações e os diversos textos seriam
disponibilizados na biblioteca do curso.
Como resultados práticos, a tarefa em que propunha a cada um dos
participantes que contribuíssem com uma sugestão de atividade a ser
desenvolvida em um AVA, foi a que mais envolveu o grupo, cada um nas
suas especificidades. Foram feitas as seguintes propostas:
• “Poderíamos criar um AVA para estudo dos conteúdos de cálculo e
orientação dos alunos”;
• “Um instrumento institucional para fazer parte da Programação da
Semana do Calouro para todos receberem as mesmas informações iniciais
de forma mais agradável e moderna”;
• “Exploração do AVA para estudos de caso nas disciplinas da Faculdade
de Ciências Médicas”;
• “Apoio à realização de um Curso de Especialização semi-presencial para
atualização dos pedagogos da universidade”;
• “O AVA pode tornar-se um ambiente de aprendizagem que possibilite
agilizar a comunicação com alunos, Unidades Acadêmicas, funcionários e
professores”;
• “Utilização do AVA como sistema de apoio à monitoria”.
Na avaliação foram levantadas outras duas possibilidades:
desenvolvimento de um ambiente para acompanhamento dos alunos que
participam do PROINICIAR, voltado para os alunos oriundos do sistema de
cotas; e criação de atividades no AVA que dêem continuidade as atividades
de ambientação para os docentes que ingressam na UERJ.
As discussões nos fóruns do curso acerca dos desafios na
implantação de AVA na universidade também foi um outro ponto positivo do
curso e giraram em torno de dois aspectos:
• Infra-estrutura – há necessidade de que a universidade esteja preparada
não só para os alunos, como também para fornecer boa infra-estrutura
tecnológica aos seus profissionais, com uma boa conexão, equipamentos
atualizados e em quantidade suficiente.
• Cultural - é uma mudança de paradigma, que dada sua forma
avassaladora, é permeada por resistências de origem "emocional"
(acredita-se que o computador substituirá os livros, por exemplo) e técnica
(ainda há um grupo que vislumbra possibilidades e que, no entanto, não
sabe manusear os recursos básicos do computador).
O primeiro é um desafio que para ser vencido necessita de
investimento financeiro, enquanto o cultural exige uma maior complexidade
nas ações. Esses dois aspectos foram constatados não só nas discussões
teóricas, como na prática no decorrer do curso. Ambos precisam ser
enfrentados com ações institucionais.
As sementes foram lançadas na instituição... Mas se estamos
prontos e dispomos de tempo para pôr em prática nossas propostas é outra
questão. É fundamental termos em mente que, independente da nossa
opção pessoal e/ou institucional, os avanços tecnológicos não nos
9
esperarão. Resta buscarmos a concretização do inédito viável, como dizia
Paulo Freire, que "é na realidade uma coisa inédita, ainda não claramente
conhecida e vivida, mas sentida e quando se torna um 'percebido destacado'
pelos que pensam utopicamente, esses sabem, então que o problema não é
mais um sonho, que ele pode se tornar realidade" [12].

Referências bibliográficas

[1] LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed 34, 2000 (2ª edição).
[2] TOFFLER, Alvin. A Terceira Onda. Rio de Janeiro: Record, 2001 (25ª
edição).
[3] BELL, Daniel. El Advenimiento de la sociedad post-industrial. Madri:
Alianza Editorial: 1991.
[4] CASTELLS, Manuel. A Era da Informação: economia, sociedade e cultura.
São Paulo: Paz e Terra, 1999.
[5] Folha Online. [Link]
(25/04/2007)
[6] LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o Futuro do Pensamento na
Era da Informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993.
[7] PRETTO, Nelson. Desafios da educação na sociedade do conhecimento.
Publicado em 11/07/2000. Disponível por:
[Link] (10/06/2001).
[8] BARRETO, Raquel Goulart. Formação de professores, tecnologias e
linguagens: mapeando velhos e novos (des) encontros. São Paulo: Edições
Loyola, 2002.
[9] FRIGOTTO, Gaudêncio. Educação e crise do capitalismo real. São Paulo:
Cortez, 1999 ( 3ª edição).
[10] FREIRE, Paulo e GUIMARÃES, Sérgio. Sobre educação: diálogos.
Volume II. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984 (2ª edição).
[11] MORAN, José M. Mudar a forma de ensinar e de aprender com
tecnologias. Disponível por: [Link]
(09/10/01).
[12] FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 2002,
p.107 (33ª edição).
Nome do arquivo: [Link]
Pasta: C:\ABED\Trabalhos_13CIED
Modelo: C:\Documents and Settings\Marcelo\Dados de
aplicativos\Microsoft\Modelos\[Link]
Título: AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM NA
EDUCAÇÃO SUPERIOR:
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