turismo e hospitalidade
Postura Profissional e
Organização no Trabalho
Programa de
Capacitação
Profissional
e Empresarial
para o Turismo
Execução: Promoção / Realização:
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial
Departamento Regional do Ceará
Presidente da República Senac - Serviço Nacional
Luiz Inácio Lula da Silva de Aprendizagem Comercial
Ministro do Turismo Presidnte
Luiz Eduardo Pereira Barreto Filho Luiz Gastão Bittencourt da Silva
Secretário Nacional de Programas Diretora Regional
de Desenvolvimento do Turismo Ana Cláudia Martins Maia Alencar
Frederico Silva da Costa Diretora de Educação Profissional
Diretor do Departamento de Programas Mazza Maciel
Regionais de Desenvolvimento do Turismo Diretor Administrativo-Financeiro
Edimar Gomes da Silva Sylvio Britto dos Santos
Coordenador Geral de Programas Regionais I Gerente de Desenvolvimento
Cláudio Corrêa Vasques e Tecnologia Educacional
Coordenadora Técnica Lane Primo
Fernanda Matos Gerente de Produção e Disseminação
do Conhecimento
Governador do Estado do Ceará Rodrigo Leite
Cid Ferreira Gomes Coordenador Geral do Projeto
Isaac Coimbra
Secretaria do Turismo do Estado do Ceará Coordenadoras de Polos
Bismark Pinheiro Maia Cintia Oliveira, Doraneide Fernandes, Josy Sales,
Secretário Adjunto do Turismo Lena Arcanjo e Sara Sales
Osterne Feitosa Ferro Neto Consultora Pedagógica
Secretária Executiva Virgínia Rodrigues
Maria Izelda Rocha Almeida Consultora Técnica do Eixo Hospitalidade
e Laser
Presidente do Banco Interamericano Loiuse Benevides
de Desenvolvimento Consultor Técnico do Segmento Turismo
Luiz Alberto Moreno Isaac Coimbra
Representante do BID no Brasil Consultor Técnico do Segmento Idiomas
José Luis Lupo Raquel Cajé
Especialista Setorial (RND/CBR) Supervisoras Pedagógicas
Joseph Christofer Milewski Márcia Ribeiro; Denise Dantas; Marcela de Sousa;
Rossana Carvalho Soares; Marystar Costa Oliveira
Presidente do Banco do Nordeste do Brasil Equipe Administrativa
Roberto Smith Suellen Coelho; Aparecida Costa; Liduina Marques;
Diretor de Gestão do Desenvolvimento Francisco José; Israela Furtado; Andréa Ferreira de
José Sydrião de Alencar Júnior Assis; Ana Raquel Costa Abreu; Jonas Silva Araújo
Gerente da Central Operacional Organização de Conteúdo
para o Setor Público Iranita Sá
Bruno Gabai Supervisão de Textos
Gisela do Amaral Sales
Projeto Gráfico
Roberto Santos
Direitos Reservados ao
Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - Senac/AR/CE
Departamento Regional do Ceará
Av. Tristão Gonçalves, 1245 – Centro - CEP: 60.015-002
Telefone: (85) 3452-7005/FAX: (85) 3452-7070
[Link] info@[Link]
Sumário
Apresentação .................................................................... 7
Unidade I ......................................................................... 9
1. Comunicação: pessoas e culturas ........................................................ 9
1.1. Comunicação: estrutura e funcionamento ................................... 10
1.1.1 Comunicação e demanda turística.......................................... 11
1.1.2 Comunicação e atividades promocionais em turismo .............. 13
1.2. A linguagem .............................................................................. 14
1.2.1. A linguagem verbal e a não-verbal ........................................ 14
1.2.2. A linguagem não-verbal e a corporal .................................... 15
1.3. Variações linguísticas: dialetos e registros.................................... 16
1.4. Níveis de linguagem ................................................................... 17
1.4.1. Linguagem da publicidade: técnicas de comunicação
para informar ou para influenciar ................................................. 18
1.5. As funções da linguagem ........................................................... 20
1.6. O texto na promoção do turismo ............................................... 21
Unidade II ....................................................................... 25
2. Turismo e hospitalidade ................................................................... 25
2.1. História e evolução .................................................................... 26
2.2. Sistema turístico: estrutura sistêmica .......................................... 30
Unidade III ...................................................................... 33
3. Cultura e turismo............................................................................. 33
3.1. Cultura...................................................................................... 33
3.1.1. Evolução cultural do homem............................................... 34
3.1.2. Cultura e socialização ......................................................... 34
3.1.3. Identidade social, pluralidade e multiculturalismo................ 35
3.2. Cultura cearense: alguns elementos para a composição
do produto do Ceará ....................................................................... 37
3.3. Turismo, impactos e capacidade de carga ................................... 45
3.3.1. Impactos socioculturais do turismo ..................................... 45
3.3.2. Ceará: impactos socioculturais negativos ............................ 47
Unidade IV ...................................................................... 51
4. Políticas e planejamento: a experiência brasileira e os
caminhos trilhados ............................................................................... 51
4.1. Tipologia do turismo no Brasil ................................................... 53
4.2. Turismo e sustentabilidade: social, cultural,
ambiental e econômica ..................................................................... 57
4.3. Turismo e sustentabilidade ......................................................... 58
4.3.1. Dimensões da sustentabilidade ............................................ 58
4.3.2. Capacidade de cargas e impactos.......................................... 60
4.3.3. Turismo e exploração sexual ................................................ 61
Unidade V ....................................................................... 65
5. Administração: organização e recursos humanos .............................. 65
5.1. Abordagens teóricas da administração ........................................ 66
5.2. Administração: empresas e gestores ............................................ 68
5.2.1. Funções administrativas e características do gestor .............. 69
5.2.2. A empresa turística: administração de serviços .................... 70
5.2.3. Serviço de qualidade ........................................................... 70
5.3 Modelos organizacionais: hotelaria e agenciamento ..................... 71
5.3.1 Empresa hoteleira. ............................................................... 71
5.4 Os recursos humanos ................................................................. 75
5.4.1. Relações interpessoais......................................................... 77
5.4.2. Relações interpessoais em turismo ..................................... 79
5.4.3 Motivação e Atendimento................................................... 80
5.4.4 Ética e trabalho .................................................................. 82
5.5 Mercado de trabalho .................................................................. 83
5.6 Recursos humanos e mercado de trabalho ................................... 85
5.7 Processo econômico e profissões................................................. 87
5.8 O mercado turístico: serviços ...................................................... 88
5.9 Caracterização do Marketing Turístico ....................................... 88
Unidade VI ...................................................................... 93
6. Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade ................................ 93
6.1. Saúde ........................................................................................ 93
6.1.1. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes-CIPA ............ 96
6.1.2. Histórico dos riscos relacionados ao local de trabalho ......... 96
6.1.3. Classificação dos riscos ...................................................... 97
6.1.4. Riscos relacionados ao local de trabalho ............................. 97
6.1.5. Riscos ergonômicos ........................................................... 97
6.1.6. Riscos mecânicos ............................................................... 97
6.1.7. Fatores geradores de stress.................................................. 98
6.1.8. Poluição sonora ................................................................. 98
6.1.9. Saúde e atividade física ...................................................... 98
6.1.10. A higiene no trabalho ....................................................... 98
6.2. Meio ambiente........................................................................... 99
6.2.1. Meio ambiente e educação ambiental ............................... 100
6.2.2. Educação ambiental e sustentabilidade ............................. 102
6.3. Qualidade na vida e na prestação dos serviços .......................... 103
6.3.1. A ISO 9000 e a indústria da hospitalidade......................... 104
6.3.2. Técnicas da qualidade ...................................................... 105
6.3.3. Ferramentas da qualidade ................................................ 105
6.3.4. Qualidade de vida ............................................................ 107
6.4. Empreendedorismo.................................................................. 108
6.5. Cidadania e responsabilidade social.......................................... 109
Unidade VII ................................................................... 113
7. Fortaleza: o cenário ........................................................................ 113
7.1. A história de Fortaleza: A loira desposada do sol ...................... 113
7.2. A geografia de Fortaleza ......................................................... 115
7.2.1. Aspectos da Hidrografia ................................................... 115
7.3. O litoral leste de Fortaleza ....................................................... 118
7.4. O turismo em Fortaleza e no litoral leste:
diagnóstico, planejamento, prognóstico .......................................... 120
7.4.1. RT Litoral Leste .............................................................. 122
7.5. RT Litoral Oeste ..................................................................... 124
Unidade VIII.................................................................. 131
8. Destinos Indutores do Turismo ....................................................... 131
8.1. Resultado Final ....................................................................... 132
Referências .................................................................... 133
Apresentação
O Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste - PRODE-
TUR NE II - tem o objetivo geral de melhorar a qualidade de vida da popu-
lação que reside nos Estados pertencentes aos polos turísticos contemplados
nesse projeto, por meio de ações que visem ao desenvolvimento sustentável
desse ramo.
Na segunda etapa, iniciada em 2005, com previsão de término para
2010, a área de planejamento no Estado do Ceará foi ampliada com vistas ao
atendimento de 18 municípios, dentre eles, Aquiraz (impactado na primeira
fase do programa) e os municípios do litoral extremo oeste, criando, assim, o
Polo Ceará Costa do Sol.
A avaliação do PRODETUR/NE II revelou que as ações de capaci-
tação realizadas para a população não foram suficientes para qualificar os
profissionais que prestam serviços nesse setor. Dessa forma, nas estratégias
dessa segunda fase, os temas sobre a capacitação profissional e a empresarial
constituem subcomponentes específicos e prioritários, pois deles depende o
nível de qualidade na prestação dos serviços e a sustentabilidade dos destinos
turísticos.
O programa de capacitação foi elaborado, referendado e sistematizado
com base nos dados coletados através de pesquisa diagnóstica realizada em
cada município.
O objetivo dele é implementar ações de capacitação tanto profissional
como empresarial nos municípios que compõem o polo, para torná-los desti-
nos turísticos competitivos, para apoiar a constituição de uma visão empre-
sarial que valorize a qualidade profissional, para a melhoria da prestação dos
serviços e para incutir o senso de responsabilidade socioambiental.
Unidade I
Comunicação: pessoas e
culturas
Nesta unidade, você estudará para desenvolver as seguintes
competências:
> Conhecer o significado da comunicação nas relações humanas;
> Identificar a comunicação na promoção em turismo;
> Interpretar os diferentes textos da linguagem publicitária no
turismo;
> Estabelecer a diferença entre linguagem verbal e não-verbal e
seus diferentes usos.
A informação, os relacionamentos e toda a convivência humana exigem comu-
nicação entre as pessoas. Através dela, é possível compartilhar ideias, sonhos
e as diferentes experiências da [Link] os homens primitivos, o pelo também ti-
nha a função de proteger contra as intempéries do tempo. Porém, com o passar
dos séculos, essa função deixou de existir, passando a ter apenas uma função
decorativa e proteger contra as radiações solares.
Ela possibilita que os homens se encontrem, conheçam-se e transmitam co-
nhecimentos uns aos outros, de geração em geração. As viagens são também ex-
celentes oportunidades para realizar diversos e novos contatos. A divulgação de
muitos destinos turísticos se faz por ela entre turistas reais e potenciais, momento
em que há socialização das experiências de viagem.
Reconhecida como essencial para a vida humana, hoje, a comunicação con-
ta com um arsenal tecnológico imenso que possibilita a troca de informações das
mais variadas formas e com uma velocidade incontestável. O volume de conheci-
mentos disponíveis e a democratização do acesso a eles fizeram com que o atual
século fosse chamado de “século da comunicação e do conhecimento”.
As pessoas utilizam-se das várias linguagens existentes para estabelecer rela-
ções umas com as outras. Essa faculdade humana permite a expressão das realida-
des interiores e exteriores de forma intencional.
10 Unidade I
Além da capacidade de comunicação, o homem é também um ser que inter-
roga e essa curiosidade o leva, desde tempos remotos, a buscar o desconhecido, a
desenvolver capacidade crítica e a buscar soluções para os desafios diários. As neces-
sidades de sobrevivência e de trabalho foram e continuam a ser motivos que levam os
homens a se deslocar, a realizar viagens que se intensificam mundialmente.
Mas, a comunicação efetiva-se pela linguagem que, segundo explica Terra
(2001), é um trabalho construído e reconstruído constantemente. Portanto, ela não
é algo mecânico e não é um ato solitário, pois conta com um expressivo repertório
de palavras, de gestos, de textos, os quais sofrem inúmeras influências. Trata-se de
uma atividade complexa, realizada pelos povos ao longo da história, traduzida pe-
los costumes, pelo vestuário, pela alimentação, pelos rituais e por uma série de ou-
tras possibilidades conscientemente produzidas para realizar o ato comunicativo.
Para Manguel (1997), a arte de ler livros, decifrar e traduzir signos é com-
partilhada com outras inúmeras possibilidades de comunicação, utilizando-se de
“várias linguagens”: o astrônomo lendo um mapa de estrelas; o zoólogo lendo os
rastros dos animais;o jogador lendo os gestos do parceiro;o tecelão lendo o dese-
nho intrincado de um tapete; o organista lendo várias linhas musicais simultâneas;
os pais lendo o rosto do bebê e tantas outras formas de leituras que levam à comu-
nicação e à produção e transmissão de mensagens.
1.1 Comunicação: estrutura e funcionamento
A palavra comunicação, etimologicamente falando, provém do verbo latino
communicare, que significa “por em comum”, não apenas ideias, sentimentos, pen-
samentos, desejos, conhecimentos, informações, mas também compartilhar for-
mas de comportamento, socializar valores, crenças e a própria cultura. Segundo
Fique
sabendo Bordenave (1986), a comunicação confunde-se com a própria vida, pois há dela
necessidade, como de respirar ou de andar.
“Etimologica- Com o objetivo de propiciar o entendimento entre os homens, a comunicação
mente falando”: encontra-se sempre inserida em um dado contexto com finalidades diversificadas,
falar sobre a origem implicando a utilização de algum tipo de linguagem que a viabilize. Destaca-se,
da palavra. entre os vários tipos de linguagem, a humana como o mais importante e complexo
sistema de signos linguísticos (JAKOBSON, 1969).
Para que haja comunicação, faz-se necessário que os interlocutores utilizem
um sistema de sinais, de qualquer natureza, mas que seja organizado e comum a
ambos. De acordo com o modelo proposto pelo linguista russo Jakobson (1969),
operam seis fatores: remetente, mensagem, destinatário, contexto, código e con-
tato. Ele explica que o remetente envia uma mensagem ao destinatário, que para
ser eficaz necessita de um contexto a que se refere. A mensagem necessita de um
código para ser expressa e de um contato ou de um canal físico.
Comunicação: pessoas e cultura 11
Figura 1.1 - Comunicação no hotel
A comunicação concretiza-se, portanto, quando o falante (emissor) ajusta
sua linguagem ao destinatário. De acordo com Sapir (1969), escrita ou falada, as
línguas apresentam níveis ou registros que são utilizados, tendo em vista a con-
dição social, a profissão, o grau de instrução, o ambiente, o momento, a região
geográfica, entre outras circunstâncias dos interlocutores. É pela linguagem que a
comunicação se efetiva.
Mas é importante saber que pode haver obstáculos ou ruídos, os quais difi-
cultem a compreensão da mensagem. Para Reilly (1990), o ato da comunicação em
si é um processo e sua realização eficiente pode ser prejudicada quando se trata de
um público distante e variado. Alguns problemas podem ser de natureza interpes-
soal (quando alguém tenta se expressar diante de pessoas hostis, por exemplo); téc-
nica (diversidade de público, uma interrupção na transmissão, ruídos, entre outros)
e podem se referir à dinâmica do grupo (falta de retorno ou de feedback).
Para Weil (2002), existem outras categorias de comunicação, quais sejam:
as que se realizam por mímica, pelo olhar, pela postura corporal e também as
conscientes e as inconscientes. Ressalta também que algumas barreiras ou ruídos
referem-se às opiniões, às atitudes, ao egocentrismo, à percepção influenciada
por preconceitos e por estereótipos, às competições, às frustrações, às projeções,
às inibições e a outros ruídos que podem verdadeiramente impedir o entendi-
mento entre as pessoas.
1.1.1 Comunicação e demanda turística
A comunicação, voltada para a demanda turística potencial e real, é ta-
refa bastante complexa. Ela deve atingir um grande número de pessoas, em
12 Unidade I
regiões ou em países de estruturas socioeconômicas e culturais diversas, com
necessidades, com atitudes, com gostos, com expectativas e com padrões com-
portamentais diferenciados.
Nesse caso, uma comunicação eficaz é aquela em que o emissor consegue
detectar os gostos e as preferências dos receptores, ao criar imagens que os influen-
ciem a viajar para uma destinação específica. O êxito depende de como as mensa-
gens são transmitidas, utilizando os canais mais interessantes, fluentes e os meios
mais efetivos do mercado.
Para se destacar das outras mensagens, é preciso que haja a estimula-
ção do cliente por meio de fatores adequados, de sinais originais, que causem
impacto e chamem a atenção dos receptores e superem as outras milhares de
informações existentes.
A Organização Mundial do Turismo – OMT (2001) sugere três metas e as
respectivas estratégias para alcançá-las:
a) aumentar o fluxo de turistas, para tanto, é preciso persuadi-los a irem para
a destinação, utilizando as ações promocionais e publicitárias;
b) obter a fidelidade deles, convencendo-os de que fizeram uma boa escolha;
c) aumentar o tempo de permanência deles no local escolhido, tornando
conhecidas as novas possibilidades de recreação e de entretenimento à disposi-
ção dos visitantes.
Alcançar os objetivos propostos exigirá um esforço integrado por parte dos
produtores turísticos, das empresas hoteleiras, dos restaurantes, das agências de
viagem, das locadoras de automóveis, dos centros de congressos e de eventos, dos
órgãos públicos, dentre outros.
Ao analisar as várias técnicas de comunicação aplicadas à indústria de via-
gens, Nielsen (2002) comenta que influenciar turistas em potencial é uma tarefa
mais eficientemente atingida usando-se o princípio “AIDA” (YOUELL, 1995),
cujas letras significam: A = atenção (atraída para o produto turístico em particular
- por exemplo, um anúncio de jornal); I = interesse (pelo anúncio, usando lingua-
gem e imagem claras, concisas e adequadas); D = desejo de (influenciar padrões de
compra em potencial, oferecendo incentivos ou gerando o impulso para adquirir
o produto turístico) e A = ação (informações ou recursos para chamar a atenção e
transformar o comprador potencial em efetivo).
Outro aspecto a ser observado é em relação à escolha do veículo apropriado,
para a transmissão da mensagem, em função de orçamentos, de mercado alvo,
de processos de tomada de decisão mais acelerada. Deve-se escolher entre rádio,
televisão, jornais, revistas e Internet. Se há uma motivação para a viagem, ou infor-
mações sobre ela, a importância de estímulos gerados por anúncios pode incentivar
os turistas potenciais a uma resolução mais rápida.
No entanto, adverte que apesar de haver muitas informações e de estarem
disponíveis em abundância, saber interpretá-las e usá-las é uma tarefa que exige
atenção, tanto por parte de turistas como de especialistas em marketing e em publi-
cidade, que lidam com elas e selecionam as melhores opções de atingir a demanda
para o produto ou o serviço turístico, em especial (NIELSEN, 2002).
Mas há muitos problemas referentes a informações enfrentados pela indús-
Comunicação: pessoas e cultura 13
tria turística. Entre eles, estão: excesso de conteúdo e dificuldade em processá-lo;
questões de credibilidade nos emissores; falta de clareza do objetivo das mensa-
gens; ausência de percepção dos benefícios oferecidos pelos receptores e tantos
outros. Esse mesmo autor destaca que quanto maior a quantidade e a variedade de
informações recebidas, maiores as dificuldades encontradas pelo cérebro humano
em processá-las e em elaborar mensagens individuais.
1.1.2 Comunicação e atividades promocionais em turismo
No mundo atual, as pessoas dependem, de uma ou de outra forma, da comu-
nicação de massa, no que diz respeito a muitas das informações que recebem. O re-
lacionamento entre emissor e receptor também é muito importante, pois a percepção
que têm, um do outro, pode influenciar significativamente essa experiência.
A mídia, segundo Nielsen (2002), está dividida em: impressa e eletrônica. A
primeira tem como formas dominantes: jornais, revistas, folhetos, periódicos, bo-
letins informativos. Já a segunda: televisão, rádio, Internet, filmes/cinema. Além
desses, há os outdoors (cartazes, painéis, entre outros), os cartões postais, os anún-
cios em pontos de ônibus, nas latas de lixo, em postes das cidades e tantos mais.
Mas, para a escolha e para a utilização, diz o autor que se deve fazer um estudo de
custos e de benefícios, em função da demanda ou do público alvo.
Acerca do papel da mídia para um turismo estável, seguro e confiável, (Ri-
tchie, 1990) apud Nielsen (2002) comenta que, fundamentando a evolução do tu-
rismo em todo o mundo, está o correspondente desenvolvimento dos meios de
informações e da sociedade baseada no conhecimento. Continua a explicar que o
comportamento das pessoas, na atual conjuntura social, deve ser analisado, uma
vez que tem repercussões nas operadoras de turismo e nas gerências responsáveis
pela geração de políticas e de planejamento estratégico do turismo.
Em relação às atividades promocionais, Echentille (2006) alerta para a es-
colha certa do instrumento a ser utilizado, para alcançar o público alvo. Cita os
seguintes veículos:
a) mala direta - (envio de correspondências) é bastante utilizada na indústria
hoteleira, a qual possui um banco de dados de clientes, oferece pacotes pro-
mocionais e caracteriza-se pela construção de relacionamento com as pes-
soas interessadas;
b) release - (texto para imprensa) tem ampla cobertura local e dá credibilidade
ao negócio e é vantajoso para novos empreendimentos;
c) feiras e exposições - (exibição de produtos) amplamente utilizadas pelas
empresas que compõem o trade turístico e pelos órgãos oficiais de turismo.
São negócios que se beneficiam dessa atividade promocional;
d) site - oferece a oportunidade de anunciar produtos e serviços e também fa-
cilita vendas diretamente ao consumidor. As companhias aéreas, os meios
de hospedagem e outros têm-se beneficiado dessa opção para contato com
consumidores.
14 Unidade I
1.2 A linguagem
Os povos, ao longo da história, construíram diversas linguagens que servem
para as mais variadas formas de comunicação. Elas se originam a partir de um siste-
ma chamado código que, no caso da manifestação verbal, é a língua.
Para Saussure (1977), a linguagem, de caráter universal, apresenta um aspecto
exterior, a fala, e um outro interior, que é o pensamento. Veicula o intangível, por
meio do tangível (SAPIR, 1971). A dos seres humanos é exclusiva, pois é articulada e
se apresenta de forma verbal (oral ou escrita) e não-verbal (sinais, sons, gestos, cores,
pintura, dança, mímica e outros).
A língua, segundo Saussure (1977), é um sistema de signos convencionais usa-
Fique dos pelos membros de uma mesma comunidade. Conjunto de potencialidades e de
sabendo virtualidades dos atos de fala. São constituídos de significante e de significado unidos
de forma indissolúvel. A cada conceito, associa-se uma imagem visual e acústica.
“Intangível”: A linguagem humana é um sistema de sinais articulados que podem ser de natu-
em que não se reza sonora, visual, tátil, ou de outra qualquer e é caracterizada pela universalidade.
pode tocar.
Nesse contexto, dentre as inúmeras invenções existentes, segundo alguns teóri-
“Tangível: que se cos, a linguagem é um dos mais complexos instrumentos criados pelo homem, para
pode tocar. expressar o próprio pensamento. É uma espécie de encontro consigo mesmo para
compreender o mundo que o cerca e ser compreendido por ele.
A elaboração e o uso dela são de forma coletiva. Isso significa que indivíduos
de diferentes sociedades se comunicam a partir de códigos comuns ensinados a gera-
ções sucessivas e pelos quais são identificados.
1.2.1 A linguagem verbal e a não-verbal
Em interações e em relacionamentos, o homem moderno utiliza, como se
pode constatar no cotidiano dele, a linguagem predominantemente oral, a qual pode
ser acompanhada de uma série de outros sinais e de mímicas, de gestos que, muitas
vezes, identificam o falante, como uma marca característica.
A linguagem pode ser classificada em verbal e não-verbal. A primeira pode
ser distinguida como afirma Câmara Júnior (1976): “faculdade que tem o ho-
mem de exprimir seus estados mentais por meio de um sistema de sons vocais
chamado língua(...)”.
A língua, o mais importante dos códigos, é um sistema de signos (...), e pode
ser falada ou escrita (SAUSURRE, 1969). A primeira é livre e individual, espontâ-
nea, criativa e identifica o falante pelo modo peculiar com que faz suas opções de
harmonização das palavras, das frases, imprimindo um estilo pessoal.
A segunda apresenta-se como mais elaborada, observa as regras da gramática
e o padrão culto. Para quem escreve, o contato fica estabelecido de forma indireta
com o leitor. Ambas as possibilidades comunicativas são de larga utilização pelos
homens, em contextos diversos, propiciando-lhes a interação. Mas é fundamental
conhecer a dinâmica que envolve esses processos linguísticos e suas variações.
Comunicação: pessoas e cultura 15
1.2.2 A linguagem não-verbal e a corporal
A linguagem não-verbal é aquela que utiliza qualquer código que não seja a
palavra. A pintura, a escultura, a mímica, a dança, entre outros são exemplos cla-
ros dela. Ela também produz textos (sem palavras), mas de muita expressividade
e significação.
Ao explicar sobre as comunicações não-verbais, Weil (2002) diz que “(...) na rea-
lidade, estamos além das mensagens verbais e, na maioria das vezes, ao mesmo tempo,
emitindo mensagens não-verbais”. Segundo o autor, há as seguintes categorias:
a) por mímica que são os gestos (mãos), a movimentação do corpo, da face, as
caretas e uma série de outras possibilidades;
b) pelo olhar, quando as pessoas se olham fica estabelecida uma comunicação
entendida pelos que estão envolvidos em uma determinada situação, além
de se poder piscar, deixar os olhos semi-abertos, ou o contrário. Também a
alegria e a tristeza podem ser percebidas pela expressão deles;
c) pela postura que se refere à atitude física corporal - braços cruzados, dorso
curvado ou erguido e uma série de outras posições de membros que trans-
mitem ideias e informações;
d) por manifestações conscientes e inconscientes que podem dizer o contrário
do que se tenta expressar. Por exemplo, se alguém se diz calmo e não para de
roer as unhas ou está sempre em movimento, isso não corresponde ao que
foi afirmado pelo indivíduo.
Em relação ao modo como as pessoas processam a informação, Echentille
(2006) comenta que o hemisfério esquerdo do cérebro assume a função do pensa-
mento lógico, da análise e da leitura e que o direito reconhece os padrões e os sím-
bolos (ícones) que são assimilados instantaneamente. Por isso, segundo essa autora,
as mensagens que serão transmitidas aos clientes devem ser trabalhadas de modo a
alcançar os dois lados, pois as pessoas podem estar mais predispostas a uma ou a
outra assimilação.
Os ícones, muito utilizados para comunicar mensagens, devem ser, ao mesmo
tempo, para chamar a atenção da audiência para que continue a leitura e devem
ser formados por símbolos, por imagens ou por palavras reconhecidas rapidamente
pelas pessoas. A autora destaca os seguintes ícones: gráficos (imagens, padrões ou
símbolos que são emocionalmente traduzidos); verbais (palavras selecionadas que
são reconhecidas tanto pela repetição, como pela evocação e podem provocar sen-
sações que reproduzam, nas pessoas, lembrança de algo ou até mesmo desperte-as
para alguma coisa nova) e ícones numéricos (para produzir uma resposta emocional
de ordem, simplicidade, objetividade e quantificação).
Para que a propaganda possa atingir seus objetivos de comunicação e de infor-
mação, em termos persuasivos, necessita ser organizada de modo a observar essas re-
gras, além do conhecimento de outros aspectos da linguagem como: funções, níveis;
e a utilização correta das possibilidades que a língua oferece: recursos estilísticos,
figuras, entre tantos dispositivos existentes.
16 Unidade I
Todavia, deve-se compreender a linguagem em uma perspectiva mais
ampla, pois o homem tem uma vida repleta de inúmeras manifestações co-
municativas.
Segundo Campendelli e Souza (2002), “o corpo fala; a fotografia flagra; a
arquitetura recorta espaços; a pintura imprime; o teatro encena o verbo, o visual,
o sonoro; a poesia surpreende; a música irradia sons; a escultura tateia; o cinema
movimenta”.
1.3 Variações linguísticas: dialetos e registros
Há sempre muita complexidade nas situações de comunicação, tanto na fala
como na escrita. Isso ocorre pela sua própria dinâmica e utilização pelos falantes, o
que configura um conjunto de variações, pois não se pode entender a língua como
um todo uniforme e imutável.
Essa diversidade, segundo os estudiosos, ocorre não apenas por questões ge-
ográficas, mas de um indivíduo para outro, assim como também do comportamen-
to linguístico de um mesmo indivíduo. Ao ter acesso a estudos de nível superior,
por exemplo, dentro de uma classe profissional, uma pessoa passa por mudanças
em seu desempenho como falante, até por necessidade de pertencer ao novo grupo
social e profissional.
Dessa forma, um mesmo emissor pode utilizar-se de diversas variantes, em
função da situação em que se encontra. No Brasil, por exemplo, embora se fale Por-
tuguês, em Salvador, no Rio de Janeiro, em Recife, em Fortaleza e nas outras loca-
lidades, percebem-se variedades e até divergências, em relação ao modo de falar, à
entonação, ao acento, ao significado de algumas palavras ou termos e até as várias
denominações, para um mesmo objeto, uma mesma fruta, por exemplo. Para desig-
nar um tipo de laranja, usa-se, em Recife, o nome “laranja cravo”, conhecida pelos
fortalezenses como “tangerina”, mas também chamada de “mexerica”, em outros
estados do sul do país.
A sistematização, para efeitos de estudo, dessas variações linguísticas, de acor-
do com pesquisadores, podem ser em relação a vários fatores, mas não se excluem,
apenas passam a ser mais utilizadas, com significação para os usuários:
a) períodos de tempo (diacrônica) refere-se à variação histórica, pela qual se
pode comparar a comunicação em função do tempo (exemplo: educação
física/fazer ginástica/malhar);
b) espaços geográficos (diatópica ou dialeto), o modo de falar das pessoas de
diferentes regiões. Observa-se pelo sotaque, são os chamados regionalismos,
que apresentam “desvios” de caráter fônico, gramatical e vocabular;
c) camadas sociais (diastrática) de natureza social, em se tratando de comuni-
cação nas variadas classes e/ou jargões profissionais e linguagens nas dife-
rentes áreas profissionais (médicos, advogados e outros que se utilizam de
termos técnicos, às vezes de difícil compreensão pelas pessoas leigas);
d) diferentes gerações (diafásica), ou seja, em relação ao modo como pessoas
de diferentes idades se expressam. O Português falado por um adolescente
não é o mesmo que o praticado por uma senhora de meia idade e assim por
Comunicação: pessoas e cultura 17
diante. Dessa forma, crianças, jovens, adultos, idosos utilizam-se, nos atos
de comunicação, das possibilidades que a língua oferece e que fazem parte
do repertório específico de cada um, podendo praticar os diferentes registros
(linguagem culta, coloquial – informal, entre outros).
Muitas vezes, os emissores percebem algumas variações no modo de falar das
pessoas, apesar de não saberem explicar, cientificamente, as razões de isso acontecer;
mas há a percepção da existência delas.
No turismo, a língua também pode ser considerada importante fator de atra-
ção e de decisão de viagens, por parte do consumidor. Como patrimônio cultural, ela
e suas variedades causam muita curiosidade e expressam a identidade de um povo.
Há pessoas que viajam para aprender o idioma local e muitas outras para ouvir, na
realidade do próprio país, os desempenhos linguísticos de seus falantes, nas situações
diversas do cotidiano e nas ocasiões em que os serviços são prestados.
1.4 Níveis de linguagem
A comunicação eficaz exige um código comum, mesmo havendo variações.
No entanto, a escolha adequada da linguagem é fundamental para um bom entendi-
mento entre as pessoas e, por isso, o nível dela deve adaptar-se às situações.
Além dos conhecimentos relativos às funções dela é também fundamental co-
nhecer seus níveis, pois tanto a língua oral como a escrita apresentam variações que
são condicionadas por um conjunto de possibilidades, devendo-se levar em considera-
ção aspectos ambientais, estruturais, sociais e outras circunstâncias que determinam
o tipo de registro linguístico a ser utilizado. Assim, jornalistas e publicitários devem
ajustar a fala ou a escrita ao público a que se destina o texto produzido, utilizando-se
dos inúmeros recursos que a língua oferece (VANOY, 1985).
Do ponto de vista sociolinguístico, os níveis de linguagem podem ser: culto,
comum e popular. Entre cada uma dessas divisões, é possível encontrar algumas
subdivisões que seriam as intermediárias. As características delas foram assim expli-
cadas por Preti (1982):
a) o culto, registro formal caracteriza-se como uma linguagem cuidada que
obedece às regras gramaticais, utiliza-se da língua padrão e desfruta de pres-
tígio, utilizado em situações formais por falantes altamente escolarizados;
b) o comum, ou registro familiar, ou coloquial é uma variante da linguagem
empregada por falantes medianamente escolarizados, nos contactos com
familiares e coloquiais entre amigos. Não há preocupação com as formali-
dades e com os rigores gramaticais. O vocabulário empregado é limitado e
pouco variado e a sintaxe é simples, com o uso de repetições;
c) o popular, ou informal é uma variante de pouco prestígio social se compa-
rada com os outros dois, sendo rica em frases feitas. É espontânea e des-
contraída, pertence a pessoas de um mesmo grupo social de baixo grau de
escolaridade ou analfabetas. Nesse nível, a língua ainda pode ser vulgar,
com a utilização de gírias e até de palavras de baixo calão.
18 Unidade I
1.4.1 Linguagem da publicidade: técnicas de comunicação para
informar ou para influenciar
Na publicidade, os textos são estreitamente ligados com as expectativas e as
preocupações da comunidade, construídos em torno da função apelativa e apresen-
tando somente o aspecto positivo do que é descrito. Objetiva transformar o produto
em objeto de desejo das pessoas (VANOYE, 1990).
Essa ênfase no aspecto conativo da linguagem publicitária tem incorporado
outros elementos, combinados ou não, das seis funções existentes, dependendo da
criatividade e da capacidade inovadora de organizar: palavras, textos, cores, formas,
entre outros. Por isso, pode-se dizer que, no xadrez da composição das peças, são
utilizados recursos que acionam os aspectos:
a) referencial, voltado para o assunto tratado;
b) emotivo, fazendo aflorar emoções, lembranças e desejos;
c) fático, no qual há uma chamada de atenção que nos textos escritos podem ser
em função da disposição gráfica do papel, até a seleção vocabular e outros.
A publicidade, em seu texto, combina, em geral, o escrito ou falado com ima-
gem. Ele se compõe, basicamente, de título, de desenvolvimento ou corpo e de assi-
natura. No primeiro, em regra, há uma frase, nem sempre completa, interpela-se o
destinatário, põe-se diante dele um fato ou uma situação, usando, naturalmente, a
brevidade. No segundo, há a apresentação de maiores detalhes a respeito do assunto
já apresentado, são feitas considerações diversas e mais generalizadas. Por último,
apresentam-se, em geral, o nome do produto ou o serviço, a marca e a solução para
o que se considerou anteriormente (SANDMANN, 2005).
O texto persuasivo, predominante nas peças publicitárias, é aquele que tem o
objetivo de convencer o leitor a comprar um produto, a aderir a uma ideia ou a ado-
tar determinado comportamento. A linguagem adotada dirige-se ao destinatário e
nela estão presentes três elementos: o slogan, a ilustração e o corpo textual.
Mas é importante observar que persuadir não é apenas sinônimo de enganar.
Trata-se de utilizar-se dos recursos que a língua disponibiliza para criar, para elaborar
mensagens e para permitir uma certa forma de organização do discurso que o cons-
titua como verdadeiro para o receptor (CITELLI, 1999).
O ato de persuadir comparado com o ato de convencer pode assim se carac-
terizar: o primeiro é ideológico, subjetivo, temporal e particular (ex. o anúncio pu-
blicitário e qualquer discurso que queira interferir na vontade e na ação do outro),
utiliza-se de argumentos para que haja adesão ao que está sendo sugerido. O segun-
do é lógico, objetivo, atemporal e universal, por exemplo, o raciocínio matemático
(KOCH, 1996).
Comunicação: pessoas e cultura 19
Figura 1.2 - Slogan – Aqui, a alegria é como o sol: está presente o tempo inteiro - 2006
Contexto: em um porta-retrato (estilo placard), estão fixados por ímãs em for-
ma de estrela do mar, cinco fotos retratando o litoral cearense.
Na maior delas, a paisagem com mar escuro e dunas com sombras sugerem o
pôr do sol, apesar de o mesmo não estar visível, apenas o efeito dele. Sobreposta a
ela, como aplique, cuja moldura são búzios pequenos, uma menor com o slogan e
com outra cena litorânea com várias jangadas, com âncoras na praia.
As que estão fixadas, abaixo da maior, mostram as mais importantes praias do
litoral, conhecidas até mundialmente. A ênfase é para as belezas naturais, a paisagem,
o clima, as cores do mar, as barracas, as perspectivas da areia para o mar e do mar para
a areia, a claridade (que representa a presença do sol) e as sombras (o pôr do sol).
No Ceará, tanto se frequenta a praia durante o dia (calor, sol, conversas, en-
contros e outros) como durante a noite (barracas com excelente infraestrutura, sa-
raus à noite, roda de violão e banho de mar). As imagens mostram que o litoral, por
suas características, beleza e condições excepcionais, pode ser usufruído de dia e de
noite, sempre de forma alegre e agradável.
Análise: o slogan, de grande simplicidade estrutural (SANDMANN, 2005),
recorre, em seu aspecto morfológico, à utilização do advérbio “aqui”, com uma força
ao mesmo tempo estética e poética, para marcar o produto litoral. Segundo Nelly
(1998), a utilização de advérbios proporciona uma intensificação linguística que pro-
20 Unidade I
duz um processo semântico, fazendo com que o rendimento estilístico desse vocábu-
lo seja carregado de expressividade com uma tonalidade emotiva (RIFFATERRE,
1973). Encontram-se, também, duas figuras de linguagem: comparação (alegria e
sol) e hipérbole (presente o tempo inteiro, podendo significar dia e noite, todos os
dias). Trata-se de um slogan fácil de lembrar (GITELSON; KLENOSKY, 1997) e
que expressa a imagem do Estado. Na descrição das praias selecionadas, aparecem
termos axiológicos lisonjeadores (CARVALHO, 1998) e a utilização do léxico da
confiabilidade (NIELSEN, 1969).
Quadro 1
Aplicação dos Oxidantes
Cobertura Conteúdo da
Objetivos Mídia Alvo
geográfica Comunicação
- divulgar o des- -televisão -veicular nos -mercados poten- -praia
tino turístico -jornais/revistas países, nos ciais -sol
- criar a ima- -rádios estados ou nas -clientes -mar
gem desejada regiões que -intermediários -cidade
- posicionar o são origem de -natureza
local como des- turistas -cultura
tino turístico
Fonte: Adaptação Petrocchi (2000)
1.5 As funções da linguagem
O estudo e a classificação das funções da linguagem têm sido objeto de interesse
e de atenção de cientistas que buscam adequar suas aplicações nos mais variados ra-
mos do conhecimento. Elas se relacionam aos diferentes propósitos comunicativos.
Na sistematização de outro autor, Carvalho (1973), elas estão assim apre-
sentadas:
a) informação: é a função linguística pela qual se exteriorizam conteúdos cog-
nitivos de natureza predominantemente intelectual;
b) expressão: é a que o indivíduo dá vazão a seus sentimentos;
c) apelo: é a manifestação de caráter volitivo, orientando-se para a ação, para
uma finalidade prática.
O conhecimento delas é muito importante para que se percebam as diferenças
e as semelhanças entre os vários tipos de mensagens. A linguagem estrutura-se em
função do fator de comunicação a que se inclina (referente, emissor, receptor, canal,
mensagem, código). Em cada enunciado linguístico, predomina uma determinada
função. Isso não significa a ausência das outras em uma mesma mensagem, apenas
a ênfase recai sobre uma delas.
As funções abaixo descritas seguem a sistematização e a conceituação de Ja-
ckobson (1981):
a) a referencial (referente) é o objeto ou a situação de que trata a mensagem.
Ela privilegia justamente o referente da mensagem, buscando transmitir in-
formações objetivas sobre ele. Valoriza-se, assim, o objeto ou a situação de
que trata o texto, sem manifestações pessoais ou persuasivas. Ela é predomi-
nante nos textos científicos e em muitos jornalísticos;
Comunicação: pessoas e cultura 21
b) na emotiva (ou expressiva), o emissor imprime as marcas de sua atitude pesso-
al: emoções, opiniões, avaliação. Pode-se sentir, no enunciado, a presença do
“eu” autor de modo claro ou sutil. Nas cartas pessoais, nas resenhas críticas,
na poesia confessional, nas canções sentimentais predomina essa função;
c) a conativa (ou apelativa) tem o objetivo de influir no comportamento do
receptor, ou do consumidor, por meio de um apelo ou de uma ordem. Pro-
cura organizar o texto de forma a que se imponha sobre o destinatário da
mensagem, a fim de persuadi-lo, de seduzi-lo. Nos enunciados em que ela
predomina (como, por exemplo, o publicitário), busca-se envolver o leitor
com o conteúdo transmitido, levando-o a adotar este ou aquele comporta-
mento. A persuasão pode ser construída de forma sutil, utilizando artifícios
de linguagem que a mascaram. São características dessa função: verbos no
imperativo; presença de vocativos e de pronomes de 2ª pessoa. Entra-se no
receptor e é eminentemente persuasória;
d) a fática ocorre quando a mensagem se orienta sobre o canal da comunicação
ou contato, buscando verificar e fortalecer sua eficiência. Para ela, contri-
buem, nos textos escritos, a disposição gráfica sobre o papel até a seleção
vocabular e as estruturas de frase utilizadas;
e) a metalingüística se caracteriza pelo fato de a língua voltar-se sobre si mesma,
transformando-a em seu próprio referente. Dessa forma, a mensagem se orienta
para os elementos do código e explica-os ou analisa-os. É isso que acontece nos
dicionários, nos textos que estudam e que interpretam tantos outros, nos poe-
mas que falam de outras canções ou de como se fazem as letras de músicas;
f) a poética acontece quando a mensagem é elaborada de forma inovadora e im-
prevista, utilizando combinações sonoras ou rítmicas, jogos de imagens ou de
idéias. Nela, a linguagem é manipulada de forma pouco convencional, capaz
de despertar, no leitor, surpresa e prazer estático. Ela, predominante na poe-
sia, pode ser também encontrada em textos publicitários, em determinadas
formas jornalísticas e populares (usada por cronistas e em provérbios).
O estudo das funções da linguagem traduz-se como importante elemento, pois
permite não apenas a comparação das diferenças e das semelhanças existentes entre
os vários tipos de mensagem, como também possibilita a análise do modo como elas
se organizam nos textos, detectando as finalidades que orientam sua elaboração, de
modo a fortalecer a eficácia e a expressividade dos enunciados.
1.6 O texto na promoção do turismo
O texto, falado ou escrito, constrói-se com palavras, com ideias e com inten-
ções que se materializam no momento em que expressam o pensamento do homem.
Na seleção e na combinação das palavras e de outros elementos, as frases são orga-
nizadas e a imaginação do emissor adquire sentido.
Por sua vez, os enunciados podem ser organizados por uma palavra ou por
várias, não sendo obrigatória a presença de um verbo, desde que fique estabelecida
comunicação.
22 Unidade I
No caso da elaboração de textos, não é possível pensar que apenas a união de
várias frases possa compô-los. É necessário que elas estejam relacionadas entre si,
formando unidades maiores, para que haja uma composição com início, com meio
e com fim. Os escritos em prosa, sejam narrativos, descritivos ou dissertativos, são
estruturados em unidades menores, chamadas parágrafos.
De um modo geral, os textos organizados obedecem à seguinte estruturação:
a) introdução: ou tópico frasal, constituída de uma ou duas frases curtas, que
expressam, de maneira sintética, a ideia principal do parágrafo, definindo
seu objetivo;
b) desenvolvimento: trata-se da ampliação do tópico frasal, com a apresenta-
ção de ideias secundárias que fundamentam e esclarecem o que foi enuncia-
do na introdução;
c) conclusão: retoma a ideia central, fazendo referência aos aspectos mencio-
nados no desenvolvimento.
O texto narrativo é caracterizado pelo encadeamento de fatos em que per-
sonagens são mostrados e se movimentam em um espaço de tempo e em um
contexto. Pode ser oral e escrito e, no cotidiano, são as histórias que se ouvem
e que se contam. Geralmente se apresenta organizado por um parágrafo inicial
seguido de um encadeamento de fatos que culminam em um ponto máximo e o
desfecho, o qual é a solução ou a avaliação do que foi exposto. Mas, as narrações
comportam também momentos dissertativos e descritivos e outros que reprodu-
zem as falas dos personagens.
O texto descritivo é a utilização da linguagem verbal, para construir imagens
que representam seres, objetos, lugares, aspectos da realidade, a partir de determina-
da perspectiva. Há um tipo de descrição que trata de mera informação objetiva, sem
o concurso de emoções ou sem a preocupação em evocar sentimentos.
Além dos aspectos de correção da língua, ele pode propor-se a várias fina-
lidades: informar o leitor, ou o turista; convencê-lo; transmitir-lhe impressões ou
comunicar-lhe emoções. Mas há vários modos de descrever não só o texto escrito: a
fotografia, a pintura, a escultura, entre outros.
As dissertações expõem fatos, ideias, conceitos para chegar a conclusões. Em
sua construção, a argumentação tem papel central e quanto melhor elaborada, mais
rico será o texto produzido, com maiores poderes de convencimento. Além disso,
pressupõe-se que o escritor tenha conhecimento do assunto que aborda, confronte
opiniões e adote uma postura crítica, para que seja possível alcançar os objetivos
propostos. São muito usadas em peças publicitárias.
Para qualquer tipo de composição, deve-se considerar que as palavras podem
ser usadas em sentido primitivo, o que consta do dicionário - denotativo - ou figura-
do - conotativo. Além disso, há dois aspectos fundamentais na feitura de redações:
coerência e coesão. A primeira se refere ao texto como um todo e sua organização
- início, meio e fim - cujas informações são adequadas e verdadeiras e a segunda se
realiza durante a construção dos parágrafos, com os elementos da língua que contri-
buem para uma concatenação em suas partes.
O texto publicitário, cujo objetivo é veicular diferentes mensagens ao público
Comunicação: pessoas e cultura 23
alvo, é uma forma de comunicação que vem sendo objeto de estudo de especialistas
e de pesquisadores, dadas suas peculiaridades e diversificação de uso.
Elaborado com a finalidade de interagir com o interlocutor ao qual se destina,
procura induzir e persuadir a clientela, através de argumentos, a apreciar, a experi-
mentar e até a julgar os produtos anunciados (KOCH, 1990).
A análise desses escritos só será possível a partir da compreensão de suas con-
dições de produção e a percepção dos mecanismos neles utilizados, como linguagens
variadas, discurso persuasivo, argumentação e recursos estilísticos, para produzir o
significado esperado (BARTHES, 1972).
Diante disso, analisar esse tipo de composição, vai além de comparar resulta-
dos, a partir de dados quantitativos de material publicitário, sua distribuição e de-
mandas efetivas de turistas para a utilização do produto referido. Na perspectiva
linguística, significa importante esforço teórico-prático de compreensão e de tradu-
ção que envolve: a escolha do gênero a ser trabalhado, a depreensão do significado
contextual, a interpretação apropriada e a leitura do texto verbal (oral/escrito) e não-
verbal (sinais, formas, imagens, cores, além de tantas outras maneiras existentes) e
demais aspectos que auxiliam a construir significados (NELLY,1998).
Todo texto além de encerrar uma mensagem, uma significação, faz parte de
um determinado contexto histórico e cultural e não se trata de um evento isolado.
Por isso, deve ser percebido como um todo, como um conjunto de palavras que for-
mam um sentido.
Assim, a comunicação em marketing deverá seguir os passos abaixo elencados:
Passos para Comunicação em Marketing Quadro 2
1 Identificar o Público Alvo
2 Determinar a resposta a obter
3 Escolher a mensagem
4 Escolher o meio de comunicação da mensagem
5 Escolher a origem da mensagem
6 Obter feedback
Fonte: Kottler (1996).
A comunicação voltada para a demanda turística potencial e real é tarefa
bastante complexa. Ela deve atingir um grande número de pessoas, em regiões
ou em países de estruturas socioeconômicas e culturais diversas; com necessida-
des, com atitudes, com gostos, com expectativas, com padrões comportamentais
os mais distintos.
24 Unidade I
Atividades
Teste seus conhecimentos. Realize os exercícios para verificar como foi a sua
aprendizagem.
1- Redija um texto descritivo sobre o litoral cearense.
2- Escolha quatro símbolos e explique o significado da linguagem não-verbal
que eles comunicam.
3- Que interpretação você daria para a expressão: “Ceará. Pense num lugar
bom”.
4- Elabore uma caricatura na qual se entendam as seguintes emoções: 1. Turis-
ta Satisfeito; 2. Turista Insatisfeito
Unidade II
Turismo e Hospitalidade
Nesta unidade, você estudará para desenvolver as seguintes
competências:
> Conhecer a história e a evolução das viagens e do turismo;
> Entender o turismo como sistema aberto e sua respectiva
composição;
> Analisar os relacionamentos entre os componentes do
SISTUR: empresas, governos, comunidade, prestadores de
serviços, meio ambiente e outros.
O turismo é uma atividade tão dinâmica, versátil e complexa que sua sistemati-
zação torna-se uma tarefa muito difícil e desafiadora.
Há uns 10 anos, início do atual século XXI, várias matérias jornalísticas em
revistas especializadas e também muitas entrevistas comentavam sobre uma forma
de turismo nunca antes imaginada: o espacial, cujo preço pago para o primeiro voo
à Estação Espacial Internacional, em 2001, foi de 20 milhões de dólares.
Com um custo estimado de 200 mil dólares por passageiro, 160 indivíduos
já estão com as passagens pagas rumo ao espaço, pela empresa Virgin Galactic.
Outras informações divulgadas estipulam que, até o ano 2020, segundo estudos
independentes, 15 mil pessoas devem realizar, regularmente, essa viagem.
Para esse seleto público, a Space Adventure já fez roteiros e anunciou, para
o fim dessa década, 2010, pacotes de passeios espaciais ao redor da Lua. Assim, o
turista poderá ver o “planeta azul” (terra) de forma e em ângulos inéditos.
De acordo com a matéria - jornada nas estrelas: a última fronteira - em alu-
são ao filme com mesmo título, a descrição do ambiente interno da nave apresenta
um espaço de 13 metros de altura por 30 metros de comprimento, cozinha com
refrigerador, freezer e uma mesa que também pode ser utilizada para o trabalho.
As camas são presas à parede de revestimentos de sacos de dormir e um banheiro
por tripulante.
O piso e o teto são pintados com cores diferentes para a orientação dentro da
espaçonave. Há bicicletas e esteiras para a prática de exercícios que evitam dores
26 Unidade II
musculares, um processador que recicla a água usada e a condensa para emprego
em aparelhos geradores de oxigênio. A comida é desidratada. Há frutas, macarrão,
brownie, frango e tempero como catchup e sal líquido.
De acordo com a entrevista de Daniel Goldin, presidente da NASA, à revis-
ta, em outubro de 2000: “no máximo em vinte anos o homem já terá pisado em
Marte e haverá voos comerciais para lá”.
No contraponto desse super tour ao espaço, de acesso restrito e elitista, está o
grand tour terrestre, que surgiu para diferenciar entre as viagens menores, realizadas
nas imediações, para citar um lugar, de Paris, conhecidas como petit tour, passaram a
ser chamadas de de grand tour as mais longas e foram incorporadas com essa denomi-
nação pela nobreza inglesa, que mais realizou viagens (ACERENZA, 1986).
O grand tour europeu era realizado pela nobreza, pelo clero e pelos aristocra-
tas e, mais tarde, pela burguesia. Essa demanda seleta viajava para fins culturais:
visitar ruínas, obras de arte, entre outros. Daí, até hoje, o turismo ainda ser enten-
dido como atividade elitista, para pessoas de posse.
Com a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, a nova classe so-
cial, no fim do século XVIII, o grand tour passou a recepcionar plebeus que tinham
recursos para custear as viagens que antes eram restritas aos mais ricos.
A demarcação do início das jornadas turísticas tem sido objeto de interesse
Fique de inúmeros pesquisadores. Uns acreditam que, desde sempre, os homens, com
sabendo seus deslocamentos e posterior utilização de animais para as diferentes necessida-
des, começaram a ensaiar a prática das pequenas viagens.
“Petit Tour”: Há outros que fazem referências aos antepassados e às civilizações antigas e
Pequena volta. já com bastante organização e avanço, para situar o início do turismo. Existem os
“Grand Tour”:
que creem que o marco situa-se no século XVIII e a revolução industrial foi o acon-
Grande volta”
tecimento ideal para impulsionar essa atividade, ainda muito tímida e restrita.
Mas alguns pesquisadores situam os passeios turísticas no início do século XX,
quando foram organizados grupos para um certo destino, iniciando-se, assim, as
atividades elementares do que, no futuro, viriam a ser as “agências de viagem”. De
uma ou de outra forma, pode-se entender que o turismo é, como muitas outras áreas
profissionais, uma construção histórica, que evoluiu com o avanço humanidade.
Essa evolução trouxe necessidades que fizeram também desenvolver outras
atividades ligadas e exigidas para a concretização e para a ampliação do que, no
século XX, passou a chamar-se “turismo”. Foram elas: a hospitalidade, a alimen-
tação, os transportes. Por isso, para que se tenha uma visão histórica integradora,
serão abordados aspectos delas que se inter-relacionam.
2.1 História e evolução
Para a contextualização do tema – turismo e hotelaria - será observada
uma cronologia histórica, sem, contudo, pretender ser exaustiva, minuciosa
ou esquemática.
Na Grécia Antiga, o lazer e a religião motivaram os deslocamentos e o tem-
po livre era dedicado à cultura, à diversão, à religião e ao desporto. É dessa época,
chamada de Antiguidade (de 4 mil a.C. até 476 d.C.), que as importantes jornadas
Turismo e Hospitalidade 27
para as olimpíadas ocorriam de 4 em 4 anos, para a cidade de Olímpia, para os
oráculos de Delfos e ao de Dódona.
Essas viagens foram motivadas pelo esporte e pela peregrinação religiosa.
Por essa informação, pode-se entender que os deslocamentos sempre tiveram uma
razão e que, provavelmente, eram tipos diferentes de motivação.
Em relação às acomodações das pessoas, existem relatos de historiadores
que situam essa ideia, por volta de 3000 a.C., devido às constantes viagens dos co-
merciantes e de suas necessidades de abrigo e de alimentação. Com a expansão do
comércio, inicialmente na Mesopotâmia, no Egito e na China, surgiram os estabe-
lecimentos de hospedagem, chamados de “casa de repouso” (China), de “khans”
(Pérsia) ou de “tavernas” (Roma), iniciando, assim, essa tradição que permanece e
amplia-se até os dias atuais (CHON, 2003).
Na antiguidade, as estalagens, que eram abrigos para animais, serviram a
viajantes, que também se utilizaram das tavernas. Mas com os jogos olímpicos, na
Grécia Antiga, ocorrem registros da criação de espaços destinados à hospedagem,
com a construção de balneários e de hospedaria. Antes, porém, muitas pessoas
instalavam-se em estábulos, nas casas de residentes que cediam esses lugares de
forma cordial. Fique
sabendo
Na antiguidade, as estalagens, que eram abrigos para animais, serviram a
viajantes, que também se utilizaram das tavernas. Mas com os jogos olímpicos, na
Motivação
Grécia Antiga, ocorrem registros da criação de espaços destinados à hospedagem,
com a construção de balneários e de hospedaria. Antes, porém, muitas pessoas 1. Ato ou efeito
instalavam-se em estábulos, nas casas de residentes que cediam esses lugares de de motivar.
forma cordial. 2. Exposição
As águas termais, espetáculos teatrais, deslocamento para a costa e suas de motivos ou
praias, durante o Império Romano, deveram-se a alguns fatores, como pax roma- causas.
3.V. móbil (2).
na; desenvolvimento das vias de tráfego e a prosperidade econômica, que possibili-
4. Conjunto
taram essas viagens e a prática do lazer. Aí estão alguns importantes indícios para de fatores
análise das condições e das possibilidades do turismo e que permanecem como psicológicos
condição básica: acesso, tempo, segurança e situação econômica favoráveis. (conscientes ou
Daí o nascedouro dos segmentos hoje caracterizados como turismo cultural, inconscientes) de
de saúde e de praia que, naquela época, beneficiaram-se com a construção, pelos ordem fisiológica,
romanos, de vários “abrigos”, para viajantes, também chamados de hospedaria, intelectual ou
afetiva, os quais
que só aceitavam pessoas que apresentassem carta assinada por uma autoridade,
agem entre si e
informando o tipo de viagem que o destinatário realizava. determinam a
No longo período da Idade Média (de 476 d.C. até 1453 d.C.), corresponden- conduta de um
do do século V ao século XV, houve, segundo historiadores, grandes mudanças na indivíduo.
vida de romanos e de gregos, cujas culturas misturaram-se às dos povos bárbaros
que invadiram e destruíram Roma.
Nesse período, as cidades e o comércio perderam a importância que usufruíam
durante o império romano. A maioria das pessoas foi morar no campo, nas fazen-
das - os feudos - onde quase tudo era produzido para a sobrevivência dos senhores
feudais e de seus servos. Mas houve, nessa época, longas peregrinações religiosas:
Veneza; Terra Santa; Caminho de Santiago; Meca. Os deslocamentos, com outras
finalidades, foram reduzidos e as condições de progresso ficaram adormecidas.
28 Unidade II
Essas viagens com fins espirituais trouxeram o fortalecimento do que hoje se
conhece como turismo religioso, pois a igreja era a instituição mais sólida e exercia
grande influência na mentalidade medieval. Foi também ela quem abriu os monas-
térios para alojar os peregrinos (com oferta de alimentação), pela insegurança das
estradas e das hospedarias existentes.
Fique Nos séculos XI, XII, e XIII, a economia da Europa Ocidental viveu grandes
sabendo transformações e novidades tecnológicas aumentaram a produção agrícola e arte-
sanal. O comércio e as cidades voltaram a ser importantes e surgiu uma nova classe
“Monastério”: social: a burguesia. Foi por intermédio dela que as relações capitalistas brotaram
mosteiro,
do interior da sociedade feudal, produzindo uma revolução na vida e no trabalho
residência solitária
das pessoas (SCHMIDT, 2001).
No reinado de Luiz XV (1715-1774), surgiram estabelecimentos de hospe-
dagem e a utilização do termo “hotel garni”, expressão que significava “mansão
ampla e mobiliada”, que em 1760, em Londres, passou a chamar-se “hotel”, como
se conhece até hoje (VALLENS, 2003).
Na Idade Moderna, compreendida entre os séculos XVI a XVIII, na qual
as cidades, o dinheiro e o comércio eram muito importantes, surgiram: inovações
tecnológicas, mercantilismo, grandes navegações, reforma protestante, armas de
fogo, imprensa; e uma nova visão de mundo tomou conta da vida dos europeus,
caracterizada pelo nome de Renascimento.
Destaque-se, em se tratando de deslocamento e de turismo, a época de gran-
des expedições marítimas para saciar a curiosidade e o interesse dos europeus,
pelas grandes viagens, algo que só foi possível graças aos inventos tecnológicos:
bússola, astrolábio, lunetas, canhões e o desenvolvimento dos variados tipos de
transportes náuticos.
Hoje, o avanço do turismo náutico e de cruzeiros marítimos têm seu berço
nessa longínqua época. E chega-se à conclusão de que sem os transportes e sem os
grandes inventos, além da enorme curiosidade e da coragem humana de se aventu-
rar e de enfrentar o novo, pouco se teria avançado e conhecido.
É também desse período, a proliferação de hospedarias na Europa e a con-
sequente melhoria de instalações, em função do progresso das construções e pela
inspiração das obras palacianas da época.
Também, na América do Norte, o desenvolvimento da hospedagem seguiu
um caminho de progresso rápido, com o aumento das viagens em diligências, meio
de transporte utilizado então.
Com o uso dos trens, as viagens se intensificaram por lá e surgiram, pouco a
pouco, os hotéis que se juntaram às hospedarias. Esse foi o nascedouro das grandes
cadeias e estruturas hoteleiras que influenciaram a hotelaria brasileira.
O século XVIII, chamado de “século das luzes”, foi um período de gran-
des transformações com mudança do regime político inglês e as idéias liberais de
Locke que com outros pensadores receberam o nome de iluministas. Na França,
ocorreu a publicação de uma famosa enciclopédia que “iluminava” as ciências, as
artes, os ofícios. O esclarecimento, a razão era o valor supremo deles.
São também dessa época dois grandes marcos na história da hotelaria, com a
atuação revolucionária de César Ritz na administração de grandes hotéis na Suíça,
Turismo e Hospitalidade 29
em Paris e em Londres, juntamente com seu “chef de cozinha”, Auguste Escoffier,
que transformou a história da restauração. Na América do Norte, surgiu o Tremont
House, considerado o primeiro hotel de primeira classe nos moldes dos atuais meios
de hospedagem, apresentando uma série de inovações, para a época: treinou staff
(equipe); figura dos mensageiros; apartamentos com fechadura e outros detalhes.
A Revolução Industrial, ocorrida nessa fase, foi um marco na história da hu-
manidade. Ela, além de sinalizar o período de um processo de transição que teve
a Inglaterra como berço, significou a passagem da oficina artesanal ou de manu-
fatura para a fábrica. Ou seja, a despedida da agricultura feudal de base comum,
sociedade senhorial hierarquizada, para a chegada de uma sociedade capitalista de
base individualista, voltada para o lucro imediato.
As consequências dessa nova ordem social e laboral trouxeram avanços que
possibilitaram ainda mais a prática dos deslocamentos e das viagens mais longas
por via terrestre: avanço das regiões industriais; incremento do comércio interno
e internacional; aperfeiçoamento dos meios de transporte; crescimento demográ-
fico; redistribuição da riqueza e da influência. Todo esse contexto foi altamente
favorável ao sucessivo aumento e diversificação das viagens.
O invento das máquinas a vapor, a revolução no âmbito dos transportes (na-
vios e trens passaram a cobrir cada vez maiores distâncias em menor tempo) e as
travessias transoceânicas, na segunda metade do século XIX, favoreceram as cor-
rentes migratórias européias para as Américas.
Mas foi no alvorecer do século XX que as movimentações humanas, em
várias direções, foram cada vez mais regulares e, após a segunda grande guerra,
além dos convencionais meios de locomoção, os aviões passaram a ser utilizados
Fique
também para o deslocamento de passageiros e de cargas. Esse desenvolvimento sabendo
dos transportes, rápidos e confortáveis, deu ainda mais incentivos à realização de
percursos mais longos. Novidade
Mais tarde, na América do Norte, anos 50, surgiram os motéis que eram
construídos verticalmente e destinados aos motoristas que pernoitavam às margens 1. Qualidade ou
das estradas. Nos anos da década de 1970, surgiram as grandes cadeias hoteleiras caráter de novo.
americanas com muitas inovações e com crescente melhoria estrutural nos servi-
2. Aquilo que é
ços, no conforto, no estilo e na sofisticação. Fato que diversificou a oferta dessa novo; coisa nova;
indústria que não parou mais de evoluir. inovação.
Definitivamente, o homem do século XX, com benefícios trabalhistas (remu-
neração), férias (tempo livre), melhor nível cultural e o desejo de conhecer outras 3. Produção ou
culturas (acesso à escolaridade), razões essas unidas ao desejo de evadir-se das gran- artigo lançado
des concentrações urbanas, incorporou o turismo ao seu estilo de vida. No alvorecer recentemente no
mercado.
desse novo século XXI, entre tantas novidades, uma chama mais atenção pela inova-
ção que representa nessa área tão repleta de mudanças: o turismo espacial. Esse novo
segmento vem ao encontro do sonho de pessoas exigentes e ávidas por produtos
ousados, diversificados e surpreendentes do ponto de vista da oferta em geral.
30 Unidade II
2.2 Sistema turístico: estrutura sistêmica
A atividade turística, como objeto de estudo, necessita ser explicitada e vista
de forma global, na perspectiva sistêmica, integradora e holística.
A compartimentalização do saber e das diferentes atividades que compõem
o organismo turístico dificultariam a compreensão dessa totalidade e a percepção
do sistema e de seu funcionamento.
Dessa forma, é fundamental o estudo do Sistema Turístico - SISTUR, seus
componentes internos e externos e suas influências mútuas. A partir daí, pode-se
compreender o turismo como atividade econômica, social, ambiental e cultural,
cujos impactos nessas áreas poderão ser positivos ou negativos.
Você sabia?
Os atrativos só se tornam realidades turísticas depois de localizados e correta-
mente explorados.
De acordo com a Teoria de Sistemas, cujas bases foram abordadas pelo biólo-
go alemão Bertalanffy (1977), na qual identificou que as partes se inter-relacionam
e exercem influências mútuas, sendo que o resultado não era um simples somató-
rio de partes ou de componentes, mas o produto de complexas interações de um
conjunto perfeitamente identificado (DIAS, 2005).
Dessa forma, compreender o sistema turístico significa a percepção de sua
composição interna e externa, das influências mútuas entre seus componentes e
seus inter-relacionamentos. Daí a necessidade de estudá-lo de forma interdisci-
plinar e multidisciplinar, pois permeia várias áreas do conhecimento e da ativi-
dade humana.
O turístico, como os demais sistemas sociais, é aberto, sofre interferências
e acolhe inovações, daí sua versatilidade. Na perspectiva externa, influencia e é
influenciado pelos sistemas: econômicos; sociais; ambientais; culturais; políticos e
outros, analisado em função dos objetivos do estudo. Internamente, a dinâmica de
seu funcionamento está na dependência da efetividade de seus componentes, em
termos de organização e de arranjos. Assim, a agência – que vende o pacote turís-
tico - é responsável pelo consumo desse produto, até o retorno do turista, quando
sua experiência fica concluída.
Mas para a elaboração do pacote, faz-se necessária uma combinação de ser-
viços variados que vão desde o transporte, a hospedagem, a alimentação, o entrete-
nimento e outros atrativos que combinados são oferecidos ao consumidor por um
determinado preço.
O turismo, essa atividade multifacetada, segundo a Organização Mundial do
Turismo – OMT: “compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas
viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período
Turismo e Hospitalidade 31
consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócio ou outras” (SAN-
CHO, 2001). Há muitas outras definições de estudiosos e de pesquisadores que já
tratam dessas sistematizações há pelo menos um século. Diferentes abordagens em
cada uma, mas aspectos comuns a todas: deslocamento, estada fora do local de re-
sidência, período limitado, ausência de trabalho remunerado, motivações variadas, Fique
utilização de serviços e experiência tangível e intangível. sabendo
De acordo com a OMT (2000), os fatores que são considerados elementos
básicos no conceito da atividade turística na ótica do sistema são: demanda; oferta;
espaço geográfico e operadores de mercado. A demanda é formada pelo conjunto “Multifacetada”:
dos consumidores, ou possíveis consumidores de bens e de serviços turísticos. A diversas facetas
oferta é composta por uma série de produtos, de serviços e de organizações envol-
vidas ativamente nessa experiência.
Considera-se espaço geográfico a base física na qual há o encontro entre a
oferta e a demanda, em que está também a população local residente, também
chamados de ambientes turísticos e podem ser meios urbanos, rurais, litorâneos e
tantos outros. Os operadores de mercado são as empresas e outras instituições cuja
função é facilitar esse momento. Citam-se as agências de viagens, as companhias
aéreas, os órgãos do governo que regulam a organização e realizam a promoção
do turismo.
Atenção!
Um sistema é a forma como um conjunto se organiza para produzir um resultado.
Atividades
Teste seus conhecimentos. Realize os exercícios para verificar como foi a sua
aprendizagem:
1. Procure olhar para sua cidade ou região como se não a conhecesse. Observe
e faça uma relação do que ela tem a oferecer a você a aos visitantes.
2. Descreva dois atrativos naturais e culturais que podem ser utilizados pelo
turismo em sua cidade.
3. Identifique três aspectos que precisam ser melhorados em sua cidade do
ponto de vista da infraestrutura ou dos elementos que compõem o turismo.
32 Unidade II
Unidade III
Cultura e turismo
Nesta unidade, você estudará para desenvolver as seguintes
competências:
> Conceituar cultura, identidade cultural e multiculturalismo;
> Entender o processo de socialização dos indivíduos;
> Conhecer os elementos da cultura cearense;
> Identificar os impactos positivos e negativos: socioculturais,
econômicos e ambientais.
Percebe-se que a melhoria do nível de vida das pessoas é o principal benefício
a ser alcançado e o desenvolvimento dessa realidade, que deve contar com os seg-
mentos: comunidade, proprietários e autoridades governamentais, passa pela com-
preensão de seus benefícios e de seus prováveis impactos, que podem ser positivos
ou negativos, em relação ao ambiente, à economia, à cultura e à sociedade.
O turismo é visto, portanto, como elemento estimulador da proteção das civili-
zações e das heranças culturais, dos ambientes físicos onde está a base de sua realiza-
ção e de sua atividade econômica geradora de emprego e de renda, com amplo leque
de benefícios diretos e indiretos na cadeia produtiva da localidade que o adota.
3.1 Cultura
O trabalho humano resulta em uma ação transformadora, na qual o indiví-
duo age sobre o meio em que vive, para produzir as condições de sua existência.
Trata-se de uma atitude solidária e não solitária, uma vez que o homem é um ser
social e torna-se completo em sociedade.
Em seu trajeto histórico, a humanidade teve necessidades de: comunicação;
alimentação; locomoção e tantas outras que impulsionaram as pessoas a descobri-
rem formas para superarem suas limitações. E, para satisfazê-las, teve de vencer
inúmeros obstáculos, agindo sobre o meio no qual vivia, para transformá-lo. Com
isso, criou um conjunto de realizações, um sistema de ideias, de conhecimentos,
34 Unidade III
de técnicas capazes de satisfazer às suas expectativas, superando, muitas vezes, as
próprias dificuldades.
A esse conjunto de realizações foi dado o nome de “cultura”. Portanto, a
mesma é um produto global resultante do trabalho do homem em sociedade e em
sua relação com a natureza. Nesse contexto, tanto o indivíduo influencia o meio
como é por ele influenciado (PILETTI, 1986).
3.1.1 Evolução cultural do homem
A história da evolução do homem é também a de sua superação, impulsiona-
do que sempre esteve para dominar e para transformar os elementos da natureza
e satisfazer suas expectativas. O convívio humano evoluiu e o indivíduo sentiu
aumentarem as próprias necessidades: a de comunicação, a de alimentação, a de
locomoção, para citar algumas.
A história da cultura é a das sociedades, pois estão intimamente associadas e
dependem uma da outra. Ela é importante, pois é determinante da forma de agir,
de pensar e de se comportar do homem na realidade em que está inserido.
Ao longo da vida, as pessoas adquirem conhecimentos, crenças, hábitos, nor-
mas de comportamento que fazem parte da cultura. Ela encerra em si a somatória
de costumes, de tradições e de valores que conferem ao indivíduo um jeito próprio
de ser, de sentir, de se expressar e de estar no mundo. É um produto da construção
humana que a cria e a recria continuamente.
Esse imenso acervo cultural e as conquistas da humanidade são transmitidos
de geração a geração pela capacidade que as pessoas têm de se comunicarem umas
com as outras.
O conceito de cultura está entre as noções mais usadas em sociologia. Ao
pensar ou ao falar sobre ela, em conversas cotidianas, frequentemente é vista como
equivalente a “coisas mais elevadas da mente - à arte, à literatura, à música e à pin-
tura”. Da maneira como os sociólogos usam o termo, eles incluem tais atividades
e ainda muito mais. Ela se refere às formas de vida dos membros de uma sociedade
ou de um grupo específico da mesma. Isso inclui como eles se vestem, os costumes
matrimoniais e a vida familiar, os padrões de trabalho, as cerimônias religiosas, as
ocupações e o lazer (GIDDENS, 2005).
3.1.2 Cultura e socialização
A cultura de uma sociedade compreende tanto aspectos intangíveis como
tangíveis. Dos primeiros, fazem parte as crenças, as ideias, os valores, a linguagem,
os costumes e os hábitos de um povo que formam o conteúdo da cultura. Destes,
destacam-se a parte material de seu conteúdo, os objetos, os símbolos, a tecnologia,
as manufaturas, os artefatos (ferramentas, prédios, móveis, meios de transporte, es-
tradas, pontes, cadernos, entre outros). Ambos são interligados, interdependentes,
sendo que o não-material atribui significado ao material (PILETTI, 1986).
Apesar de o conceito de cultura estar no âmbito dos estudos sociológicos, é
importante observar que “(...) a sociologia não pretende explicar todos os fatos da
sociedade, mas sim, apenas aquilo que é observável nas relações sociais num de-
terminado momento (...)”. Dessa forma, os problemas sociais que interessam aos
Cultura e turismo 35
sociólogos são aqueles que podem ser transformados em questões sociológicas ou
em fatos sociais (VILA NOVA, 1995).
Para Giddens (2005), quando os sociólogos se referem à cultura, estão preo-
cupados com aqueles aspectos da sociedade humana que são antes aprendidos do
que herdados. Esses elementos são compartilhados por membros da sociedade e
tornam possível a cooperação e a comunicação.
Na herança social, tem-se o processo pelo qual as crianças, ou os novos membros
se apropriam das regras e dos costumes da sociedade, o que é chamado de socializa-
ção. Ela conecta diferentes gerações umas com as outras. O nascimento de uma crian-
ça altera a vida daqueles que são responsáveis pela sua criação (GIDDENS, 2005).
Como explica esse sociólogo, a socialização é um processo de aquisição de
conhecimentos que pode ter como uma das fontes a transmissão oral da cultura – a
tradição, isto é, tudo o que vai passando de geração para geração, através da pala-
vra oral: histórias, lendas, costumes, crenças, experiências, conhecimentos, técni-
cas, entre outros. E a outra é a escrita - os documentos, como cartas, livros, jornais,
inscrições, decretos, e outros.
Além delas, há também monumentos, utensílios, armas, moedas, desenhos,
ruínas de construções, esqueletos. Modernamente, pode-se ter outras fontes: foto-
grafias, fitas de cinema, gravações em áudio e em vídeo, discos, material produzido
por computador.
3.1.3 Identidade social, pluralidade e multiculturalismo
No contexto que o cerca, o homem está envolvido por padrões culturais ante-
riores à sua existência. A cultura do local em que se nasce e se amadurece influen-
cia o comportamento, mas isso não significa que haja privação da individualidade
e do livre arbítrio.
O conceito de identidade na sociologia é multifacetado e pode ser abordado de
inúmeras formas. De modo geral, ela se relaciona ao conjunto de compreensões que
as pessoas mantêm sobre quem elas são e sobre o que é significativo para elas. Essas
compreensões são formadas em relação a certos atributos (GIDDENS, 2005).
Para esse autor, as identidades sociais, portanto, envolvem uma dimensão coleti-
va. Elas marcam as formas pelas quais os indivíduos são os mesmos que os outros.
Ao mesmo tempo, esses marcadores posicionam uma pessoa em relação a
outros seres que compartilham os mesmos atributos.
Como exemplo de identidades sociais, Giddens cita: os estudantes, a mãe, o
advogado, o católico, o sem-teto, o asiático, o casado e assim por diante. Porém,
explica que pode haver mais de uma identidade social, pois “muitos indivíduos
têm identidades sociais que compreendem mais de um atributo”. Uma mulher
pode ser mãe, engenheira, muçulmana e vereadora. Múltiplas facetas refletem as
muitas dimensões das vidas das pessoas (GIDDENS, 2005).
A cultura brasileira é também exaltada pela pluralidade, resultante de ele-
mentos vários de índios a europeus, passando pelos africanos que, ao se misturarem,
compõem um grande mosaico de combinações. Ela tem sido aclamada e considera-
da patrimônio do país, de acordo com o texto do Mtur (2006) “Turismo Cultural”.
36 Unidade III
Trata-se de um esforço no sentido de refletir aspectos do multiculturalismo,
cujos significados ganham novos contornos pela própria dinâmica social, no contex-
to de um programa de inclusão. Mas há alguns pesquisadores que entendem ser ele
uma proposta ingênua e leviana ou um verdadeiro estímulo à fragmentação social,
outros defendem-no atribuindo a ideia de estratégia política de integração. Há tam-
bém os que acreditam que há uma cultura que se julga superior às outras e isso im-
pede que exista, de fato, uma política multicultural (GONÇALVES; SILVA, 2006).
Na análise que fazem os autores acima, esse tema pode ser analisado sob
diferentes linhas de reflexão, portanto impossível fazer uma leitura linear do fato.
Mas, em um balanço social e histórico, explicam que, no Brasil, o movimento
multicultural foi ao mesmo tempo um trabalho de conservação, de inovação e de
valorização do patrimônio cultural afro-brasileiro.
Para esses escritores, alguns fatores internos e externos e outros movimen-
tos (feministas, homossexuais, deficientes, empobrecidos e outros que conseguiram
apoio das universidades e de outras instâncias sociais), fizeram com que fosse repen-
sada, ou antes, pensada a questão do multiculturalismo, em função de oportunidades
de educação, de integração e de justiça social. Aspectos esses que são incorporados
aos documentos ministeriais que traçam as políticas do turismo no Brasil.
Mas essa fase de valorização cultural, em relação ao turismo, está diretamen-
te ligada às políticas públicas que têm adotado medidas para que haja não só esse
reconhecimento, mas a incorporação e até a exaltação desses elementos, em um
esforço para a divulgação e para a preservação desse patrimônio social.
De acordo com o documento do Mtur (2006), a relação cultura e turismo
fundamenta-se em dois pilares:
a) a existência de pessoas motivadas em conhecer realidades diversas;
b) o turismo servir como instrumento de valorização da identidade nacional,
da preservação, da conservação do patrimônio e da promoção econômica
dos bens culturais.
Nessa ótica, o Mtur, em parceria com o IPHAN, apoiado pela Câmara Te-
mática de Segmentação do Conselho Nacional de Turismo - CNT, apresenta a
seguinte definição para esse segmento:
“Turismo Cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência
do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos even-
tos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura”.
Dessa forma, fica evidente que a existência do turismo cultural é o somatório
de costumes, de bens e das atividades que são produzidas, independentemente da
ação turística. Mas para que seja possível estabelecer ou sedimentar a identidade
cultural da região ou do destino, diferenciando-o dos mercados concorrentes, é
fundamental estabelecer o conceito do produto, os atributos e os benefícios, cujas
características possam ser identificadas com a região ou com o local que se deseja
promover, por suas características e por suas riquezas.
Nessa perspectiva, entende-se que o país apresenta a salutar orientação para
a inclusão de todos na atividade turística e da clara percepção de que as dimensões
continentais do país devem ser aproveitadas pela diversidade e pelos recursos ím-
pares que existem, sem estigmas ou sem hierarquizações.
Cultura e turismo 37
Nesse ponto, pode-se trabalhar produtos com características interessantes e
de grande atratividade, compondo uma variada oferta turística.
3.2 Cultura cearense: alguns elementos para a composi-
ção do produto do Ceará
O Estado do Ceará tem uma denominação que o apresenta de forma muito
favorável e poética: “terra da luz”. Essa expressão é bastante usada na comunica-
ção turística e nas informações de marketing, em alusão à “luz do sol”, à claridade
e, por conseguinte, à praia, à alegria, e a outras tantas boas qualidades. Mas essa
alcunha refere-se, originalmente, ao fato de ser o primeiro estado da federação a
abolir a escravidão, em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea. Motivo que inspirou
o jornalista José do Patrocínio a exaltar o Estado com esse apelido carinhoso que
se consolidou histórica e culturalmente.
O Ceará, de tão conhecido pelo extenso e belo litoral, sempre tem sido por
isso lembrado, tanto em campanhas de marketing, como na lembrança dos que
aqui vieram. Pouco se tem mostrado da cultura cearense que, para alguns menos
avisados, parece que não existe ou que não tem expressividade. Grande engano
e é por isso que se deve explicar, enumerar e mostrar, principalmente aos que
trabalham no turismo, para que estejam atentos e sejam elementos de dissemina-
ção dessa cultura em quaisquer áreas de atuação: garçons, guias, barraqueiros,
taxistas, entre outros.
A jangada, um dos maiores símbolos do povo e da cultura cearense, jun-
tamente com o jangadeiro; o vaqueiro; a rendeira; o repentista; a índia Iracema,
destemida e bela representante da tribo dos tabajaras, cuja criação do romancista
José de Alencar é o símbolo da mulher primitiva do Ceará. Sua imagem, esculpida
por inúmeros artistas, compõe a paisagem dos lugares onde se encontra.
Foto 3.1 - Estátua de Iracema na Lagoa da Messejana
Iracema, a virgem dos lábios de mel, é o personagem central do livro do
grande poeta indianista cearense, José de Alencar. Diz a lenda que, em meados do
38 Unidade III
século XV, uma índia tabajara veio morar na zona das praias do Siará, a légua e
meia das alvas dunas, dentre os rios Cocó e Pacoti, onde os verdes mares bravios,
ao sopro da brisa, vem quebrar valentemente suas ondas espumantes. A história de
amor entre a nativa e o estrangeiro português, aqui chegado, para garantir o domí-
nio da Coroa. Um romance tecido cuidadosamente, com imagens ricas e coloridas
de um mundo selvagem: habitantes, hábitos, costumes, cultura indígena, tendo,
como ambiente, a diversidade da fauna e da flora, das planícies, dos planaltos, do
litoral, das serras e do sertão.
Os pesquisadores e estudiosos da cultura cearense a caracterizam como pos-
suindo, na base, elementos europeus, indígenas (primeiros habitantes) e influências
aficanas. Os índios já produziam, no século XVII, os primeiros s - arte popular -
com materiais até hoje utilizados: cipó, carnaúba e dominavam técnicas rudimen-
tares de tecelagem do algodão.
No artesanato, destacam-se a produção de redes; os bordados e as rendas
variadas, incluindo as de bilro, muito destacadas entre as demais; os labirintos; as
pedras semipreciosas, para a confecção de joias criativas; artesanatos de madeira,
de barro; produção de escultura, de vasos, de garrafas com areias coloridas, com
diferentes paisagens e temas. Tudo isso representa alguns aspectos da riqueza da
expressão artística do artesanato local.
Foto 3.2 - Estátua de Iracema na Lagoa da Messejana
Fonte: SETUR-CE
No âmbito espiritual, há as festas religiosas que acontecem nas cidades de todo
o interior do estado, em especial, as dos padroeiros que envolvem não apenas as ce-
rimônias tradicionais, mas as músicas, as danças e outras formas de entretenimento.
A religião é muito importante na cultura da maior parte do povo cearense, uma vez
que todos os seus 184 municípios possuem padroeiros. A maior de todas ocorre em
junho: as juninas. Em março, comemora-se São José, padroeiro do Ceará, cujo dia
é feriado estadual. Há alguns destaques para a festa de Santo Antônio (pau da ban-
Cultura e turismo 39
deira); de Padre Cícero, no Juazeiro; de São Francisco, em Canindé; o Santuário de
Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão, em Quixadá; e tantas outros santos.
Você sabia?
As festas populares nascem dentro da comunidade. Elas são organizadas de
forma caseira, depois vão para as ruas, desenvolvem suas próprias histórias e de um
acontecimento da comunidade passam a evento turístico.
Um dos esportes muito populares no Ceará é a vaquejada, realizada anual-
mente. Estima-se que ocorrem mais de cem realizadas todo ano e junto dela está
também o hipismo, bastante popular, notadamente em Fortaleza e em Sobral, cida-
des com grande tradição em corridas de cavalo. O futebol, o motociclismo (rallys)
e o automobilismo também têm expressividade no estado, sendo o primeiro do
nordeste a ter uma pista para essa modalidade esportiva.
No estado se praticam quase todas as modalidades de esportes olímpicos,
cujos atletas levam o nome do Ceará ao mundo, nas modalidades de vôlei de
praia, tênis de mesa e outros. Em relação às atividades náuticas, a região rece-
be atletas e amadores de vários países que aqui se instalam para a prática de
beach soccer, de kitsurf, de windsurf, de wakeboard, de sandboard e de surf, além do
mergulho. Muitas outras também acontecem aqui: triatlon; paraquedismo; rappel;
trekking; voo livre.
Entre as lutas, vários tipos são praticados, destacando-se o vale-tudo, a capo-
eira e o taekwondo. Outras modalidades existentes são o boxe, o aikido, o hapkido,
o jiu-jitsu, o judô, o karatê, o kung fu, a luta de braço, o wrestling e o wushu. O tiro
esportivo é bem organizado com vários clubes e com atletas praticantes.
Nas artes plásticas, destacam-se importantes nomes da pintura, a partir do
movimento modernista: Antônio Bandeira, Otacílio de Azevedo, Aldemir Mar-
tins, Vicente Leite, Raimundo Cela e tantos mais que retrataram as paisagens ru-
rais, litorâneas e outras do cotidiano cearense.
Daqui saíram grandes representantes do humor, nacionalmente conhecidos
e que atuam há décadas e até os dias de hoje: Chico Anysio, Renato Aragão, Tom
Cavalcanti, para citar alguns. Mas há um aspecto da identidade do povo cearense
que, na atualidade, muitos desconhecem a origem, mas que tem sido objeto de in-
teresse de sociólogos e de estudiosos da cultura conhecido por “ Ceará Moleque”.
No estudo realizado por Silva Neto (2009), que busca o sentido para essa expres-
são, com base em pesquisas (Stuart Hall e a teoria da modernidade líquida) - metáfora
da liquidez - do sociólogo Zygmunt Bauman, para compreender o sentido da expres-
são, na ótica dessas teorias, tem-se o relato, desde seu nascedouro até os dias atuais,
fazendo uma alegre, colorida e rica mistura de literatura, de cultura, de significados, de
humor, de identidade e de outros aspectos, fruto e resultado de pesquisas.
A expressão “Ceará moleque” apareceu pela primeira vez nos fins do século
XIX, na obra literária de Adolfo Caminha, intitulada “A Normalista”, publicado
40 Unidade III
em 1893, e que retrata a Fortaleza provinciana e sua vida diária, habitada por “al-
coviteiros e uma gentinha canalha” segundo estudo de Albuquerque (2000) apud
Silva Neto (2009).
Idenfica o talento nordestino e sua capacidade de buscar a sobrevivência em
difíceis condições climáticas e de outras ordens, ressaltando que existe “(...) um
cem número de estratégias de sobrevivência associadas a igual número de produ-
ções subjetivas(...)”, e explica que as respostas dos sujeitos submetidos a condições
tão adversas de vida podem ser “melancólicas” ou “desenvolvem a veia da zomba-
ria” Silva Neto e Acselrad (2009).
Além de significar a compreensão de um comportamento irreverente, como
sendo uma qualidade “quase natural” daqueles que nascem no Ceará, esses autores
analisam a utilização dessa expressão, desde sua primeira aparição, sua utilização
em romances, em narrativas, em textos memorialísticos e em jornais, e claro, “na
boca e no imaginário do povo”, até a atualidade. Explicam que a ideia do “Ceará
moleque” tem sido reforçada como “marca cultural do cearense”, passando a ser
forte atrativo para o turismo local. Mas a “gaiatice do povo cearense” ou do “Ce-
ará moleque” está presente cada vez mais em bares, em restaurantes, em teatros e
em tantos outros lugares, pela atuação de comediantes como: Escolástica, Falcão,
Rossicléia e tantas mais pessoas que trabalham com essa marca cultural (SILVA
NETO; ACSELRAD, 2009).
Na literatura, o Ceará destaca-se como a terra de muitos escritores e de poetas
importantes, podendo-se citar, dentre muitos: José de Alencar, Domingos Olímpio,
Rachel de Queiroz, Adolfo Caminha, Antônio Sales, Jáder Carvalho, Juvenal Ga-
leno, Gustavo Barroso e Patativa do Assaré.
Esse último, um dos maiores representantes da literatura de cordel, poeta
com inúmeras premiações, com grande destaque nas letras cearenses desenvolven-
do-se expressivamente em Juazeiro do Norte, desde as primeiras décadas do século
passado. Esse poeta é também uma das principais figuras da música nordestina do
século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsis-
tência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença.
Após a morte do pai, quando tinha 9 anos de idade, passou a ajudar a família
no cultivo das terras. Aos 12, frequentou a escola local e foi alfabetizado em ape-
nas alguns meses. A partir dessa época, começa a fazer repentes e a se apresentar
em festas e em ocasiões importantes. Por volta dos 20 anos, recebeu o pseudônimo
de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.
A literatura de cordel, considerada como tipo especial de poesia popular,
produto do nordeste do Brasil, cujas primeiras impressões datam da segunda meta-
de do século XIX, tem suas origens no romanceiro luso-espanhol da Idade Média
e do Renascimento e seu nome refere-se à forma de sua comercialização em Por-
tugal. Inicialmente oral, depois impressa em folhetos rústicos, expostos para venda
pendurados em cordas ou cordéis, nome vindo de terras lusitanas, onde a tradição
era pendurar folhetos em barbantes.
Escritos em forma rimada, alguns poemas são ilustrados com xilogravuras.
As estrofes podem ter 10, 8 ou 6 versos. Os cordelistas recitam-nos de forma me-
lodiosa e cadenciada, acompanhados da música de viola, mas podem também ser
Cultura e turismo 41
lidos e declamados. Hoje, é vendido em feiras culturais, em casas de cultura, em
livrarias e nas apresentações dos cordelistas. Nessa manifestação, o povo canta os
costumes, as crenças ou personagens (reais e imaginárias).
Há um grande número de cordelistas populares, os que mais se destacaram,
no passado, foram os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Mar-
tins de Athayde (1880-1959). Mas é curioso saber que esse tipo de literatura tem
características que merecem destaque: podem atingir grande número de pessoas e
ajudam na disseminação de informações, de contos, de críticas e de tantos mais;
auxilia na manutenção da arte do cotidiano, das tradições populares e de poetas
locais; as gravuras veiculam informações e representam figuras no imaginário po-
pular e ajudam a perpetuar o folclore nacional.
Foto 3.3 - Capa de livro de Literatura de Cordel
Há um importante aspecto na realidade cearense que não tem sido muito bem
explorada: as curiosidades sobre alguns tipos populares que representam, cada um,
uma realidade única e também certos lugares pitorescos. Nesse rol, alguns nomes
desses personagens são citados pelos estudiosos da cultura, literatas e interessados
no assunto:
a) Zé Bedeu, o vulgo “guarda roupa” – era um maluco que andava com 5 ou
6 roupas de uma só vez (só trocava a ordem) e perambulava pelo bairro Pan
Americano;
b) Zé Tatá, um homossexual que andava a cavalo pela periferia de Parangaba
e tinha fama de valente;
c) Burra Preta, que reinava na praça do Ferreira, desfilando com o balanço
exagerado de sua bunda desproporcional;
42 Unidade III
d) Vassoura, que era o apelido de uma doida que perambulava pelo centro da
cidade e ficava possessa ao gritar seu apelido;
e) Bode Ioiô, claro! Há também outros personagens: Barba Azul, Senadorzão,
90, Zé do Mangue, As Panteras, Nadir Ai-ai, Eliomar Dodói, Maria-sem-
fundo e tantos outros.
Ainda na literatura, o Ceará teve alguns grupos literários formados através
dos séculos. O pimeiro deles chamou-se Os Oiteiros, cujos padrões seguiam as
pegadas do Arcadismo. A Padaria Espiritual, com discurso irônico e crítico, no
século XIX, quando também surgiu a Academia Cearense de Letras. O Modernis-
mo se consolidou aqui por meio do movimento Clã, fundado nos anos 1940, que
congregou diversos escritores renomados: Moreira Campos, João Clímaco Bezer-
ra, Antônio Girão Barroso, Aluísio Medeiros, Otacílio Collares, Artur Eduardo
Benevides, Antônio Martins Filho, Braga Montenegro, Manuel Eduardo Pinheiro
Campos, Fran Martins, José Camelo Ponte, José Stênio Lopes, Milton Dias, Lúcia
Fernandes Martins e Mozart Soriano Aderaldo.
Na década de 1970, surgiram dois grupos: O Saco, uma revista artística inusi-
tada, pois era distribuída com folhas soltas guardadas dentro de um saco; e o Siriará,
que reuniu diversos jovens escritores, propondo uma literatura cearense autêntica.
Há também muitos nomes que se destacaram como escritores pós-modernos: Pedro
Salgueiro, Natércia Campos, Airton Monte, Tércia Montenegro e outros.
Como se sabe, aqui, o forró é o gênero musical que mais identifica o Esta-
do e, em suas variadas formas, especialmente o tradicional pé-de-serra. Nos anos
1940, o cearense Humberto Teixeira formou uma famosa parceria com o pernam-
bucano Luiz Gonzaga, criando o baião, que se tornou muito apreciado. Uma das
principais tradições da música cearense - e, principalmente, do Cariri - são também
as bandas cabaçais, os repentistas e os seresteiros.
Nos anos 60, o Ceará teve grandes revelações musicais com os artistas Ed-
nardo, Belchior, Fagner e Amelinha, chamados de “pessoal do Ceará”, no momento
em que surgiram importantes movimentos musicais como a MPB (música popular
brasileira) e o tropicalismo no Brasil. Na música clássica, um dos mais destacados
compositores brasileiros foi o cearense Alberto Nepomuceno, considerado o “pai”
do nacionalismo na música erudita do Brasil que, em Fortaleza, deu o nome ao
Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. Outro representante da música
clássica foi o renomado regente Eleazar de Carvalho, um dos fundadores da Or-
questra Sinfônica Brasileira e professor de célebres maestros.
As atrações turísticas que evidenciam os aspectos culturais do Ceará são ain-
da pouco conhecidas do próprio cearense. Alguns espaços importantes do estado
são: Casa de José de Alencar (que abriga o Museu da Renda, o Museu da Antro-
pologia, a Pinacoteca Floriano Teixeira e a Biblioteca Braga Montenegro), Museu
da Imagem e do Som do Ceará, Museu do Ceará, Theatro José de Alencar, um dos
mais importantes exemplos da arquitetura art nouveau no Brasil; Centro Dragão
do Mar de Arte e Cultura, grande obra onde se apresentam e se expõem diversas
obras e performances artísticas, além de construções históricas; Museu Sacro São
José de Ribamar e Museu Dom José, ambos importantes locais para arte sacra do
Cultura e turismo 43
Brasil e os centros históricos da cidades de Sobral, de Icó, de Aracati e de Viçosa
que foram tombados como patrimônios nacionais pelo IPHAN (Instituto do Patri-
mônio Histórico e Artístico Nacional).
Você sabia?
AIPHAN: É o organismo federal responsável pela proteção do patrimônio ma-
terial e imaterial de uma cultura.
Outras atrações destacáveis são: Arquivo Público do Estado do Ceará, Bi-
blioteca Pública Governador Menezes Pimentel, Casa de Juvenal Galeno, Cen-
tro Cultural Bom Jardim, Escola de Artes e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho,
Sobrado do Doutor José Lourenço, Academia Cearense de Letras, Instituto do
Ceará, Instituto Cultural do Cariri, Museu dos Inhamuns, Academia Sobralense
de Estudos e Letras.
Pode-se perceber que há inúmeros aspectos, sobre a realidade cultural e so-
cial do Ceará, que são desconhecidos dos próprios cearenses e pouco utilizados nas
informações dadas aos turistas. Um dos itens de grande valor para o patrimônio
cultural é a língua da localidade; muitos visitantes decidem suas viagens em função
do idioma utilizado, tanto para ouvir, quanto para aprender e sentir-se impregnado
por ele, pois, na convivência, todos falam, ouvem as pessoas através dos meios de
comunicação existentes.
No Ceará, infelizmente, pouca atenção tem sido destinada ao nosso idioma,
falado em todo o estado, com suas variantes e com suas ricas expressões, seu modo
diferente de ser prolatado, e uma série de outras possibilidades linguísticas. O dia-
leto cearense, variação do português brasileiro, conta com aproximadamente 8,5
milhões de falantes, além de milhares espalhados pelo país e pelo mundo. Por aqui
há um ditado que diz: “tem cearense em todo lugar do mundo”.
Trata-se de um modo tão especial de falar que já se fez um dicionário especí-
fico, contendo expressões populares: o cearês. O dialeto cearense possui muitas pa-
lavras e expressões, largamente utilizadas pela população e que lhe são peculiares,
a partir de associações sensoriais ou imaginativas com seu significado. Há várias
formas regionais e uma série de ocorrências linguísticas que vão desde a abertura
de vogais, a supressão de letras, a neutralização de fonemas e outras mais.
Ao exemplificar alguns itens, deve-se tomar apenas como explicação rápida,
para chamar a atenção dos estudiosos e dos profissionais do turismo que estão
atentos a tópicos que possam representar um diferencial no trabalho deles e no
próprio produto turístico. São mudanças fonéticas, traços arcaicos, imitações hu-
morísticas, variações internas, expressões regionais e outros. Assim:
a) substantivos: varapau (pessoa muito magra e alta); batoré (de baixa estatu-
ra); canelau(gente rude, ralé);
b) adjetivos: ispilicute (referente a pessoas graciosas e que se mostram para
chamar a atenção); abirolado (louco); abestado (desatento, bobo);
44 Unidade III
c) expressões: arre égua (denota espanto ou raiva); caba macho (homem forte);
d) mudanças fonéticas: custumado (acostumado); xicra (xícara); ridico ( ridí-
culo); menhã (amanhã);
e) fonema nh e lh: tamãe ( tamanho);
f) abertura das vogais (e/o) exemplo: hotel, região.
Essas poucas ilustrações estão ainda incompletas, pois deve-se considerar a
fala do homem rural que tem traços diferenciais e a das pessoas da região do Cariri.
Há uma grande riqueza inexplorada e até desconhecida, pois os menos letrados
não percebem essas diferenças, na perspectiva de explicações dessas ocorrências e
seus significados linguísticos e culturais.
A alimentação é uma das necessidades básicas do ser humano, além de ser
um grande prazer. Por isso, a culinária está sempre em evidência e pode funcionar
como atrativo turístico. Do patrimônio gastronômico do Ceará fazem parte: baião-
de-dois, paçoca, carne de sol, caranguejo, peixes e frutos do mar, feijão verde, ma-
caxeira, milho verde (assado, cozido, pamonha, bolo, canjica, dentre outros), fru-
tas tropicais (caju e seus derivados), queijo coalho, rapadura, coalhada.
Foto 3.4 - Gastronomia no Ceará
Fonte: SETUR_CE
Pensando no assunto...
Alguns negócios não nascem especificamente para atrair turistas, mas se trans-
formam, naturalmente, em negócios de turismo. Você conhece algum exemplo?
Cultura e turismo 45
3.3 Turismo, impactos e capacidade de carga
A atividade turística ocorre em um espaço físico, ambiental, cultural, social
e econômico e repercute nesses setores de forma positiva ou negativa. Por isso,
para o sucesso de qualquer programa nessa área, faz-se necessário um planejamen-
to que dê sustentabilidade ao seu desenvolvimento e possa evitar ou minimizar os
efeitos negativos e maximizar os positivos.
A preocupação com a sustentabilidade, nessas três vertentes, insere-se no con-
junto dos requisitos para capacidade competitiva dos produtos, em especial no mer-
cado internacional. No texto do documento ministerial, que traça as linhas de ação
para o programa de Regionalização do Turismo no Brasil, estão citadas algumas
vantagens relacionadas à sustentabilidade (BRASIL, Ministério do Turismo, 2004):
a) diferenciação dos produtos e criação de base sólida na competição em ter-
mos de valor e de rentabilidade a longo prazo;
b) aumento do ciclo de vida dos produtos e dos destinos;
c) criação de cadeias produtivas locais, com valor agregado, que proporcionem
um crescente aumento na geração de renda para as economias locais;
d) fortalecimento da participação dos atores sociais;
e) desenvolvimento de incremento agrícola;
f) fortalecimento da cidadania e da sensibilização da população local sobre o
desenvolvimento de produtos com base sustentável;
g) criação de redes solidárias de turismo inclusivo;
h) manutenção e melhoria da qualidade dos recursos naturais e, consequente-
mente, das condições de vida da sociedade.
Nesse Programa de Regionalização, há destaque para a valorização da questão
ambiental, como diferencial na prática da atividade turística e vem ao encontro de uma
demanda cada vez maior do mercado, pela proteção e pela conservação do ambiente.
O que deve levar em conta a adequação dos serviços básicos, como a destinação do
lixo, o esgoto sanitário, a suficiência de equipamentos e o abastecimento de água.
Na questão sociocultural, o Programa enfatiza que o desenvolvimento do
turismo só será possível se houver valorização do patrimônio cultural e, preser-
vados os costumes locais e incentivando o resgate das tradições e da cultura po-
pular, incluindo as manifestações artísticas, como a música, o folclore, as danças,
o teatro e o artesanato. E no que se refere à questão da sustentabilidade econô-
mica, o documento enfatiza a necessidade de gerar ou de captar recursos para
a manutenção dele e a urgência de valorizar e de aproveitar as capacidades e
as iniciativas locais, como base de construção do processo de inclusão social e
fortalecimento da cultura empreendedora, com os novos negócios relacionados
à atividade turística.
3.3.1 Impactos socioculturais do turismo
Na atualidade, há grande preocupação, atenção e estudos sobre a ação da
atividade turística nas comunidades, para onde vão os turistas, com implicações
em suas culturas e na dinâmica da vida dessas sociedades.
46 Unidade III
Até o início da década dos anos 1970, os estudos sobre o turismo, em sua
maioria, concentravam-se na medição de seus benefícios econômicos e pouca aten-
ção era dada à interação entre turistas e comunidade local. Mas, a partir dessa
mesma década, surgiram mais e mais estudiosos e profissionais do ramo, atentos
aos relacionamentos entre esses dois segmentos e efeitos disso resultante (LICKO-
RISH; JENKINS, 2000).
Esses efeitos que o turismo produz sobre as sociedades, podendo ser positivos
ou não, modificam os comportamentos sociais dos indivíduos nas comunidades,
nas sociedades ou nos mercados emissores e nos receptores do turismo (MONTE-
JANO, 1998).
A OMT (2001) apresenta considerações sobre os aspectos positivos e negati-
vos, acerca do aspecto sociocultural do turismo e traz alguns pontos para
reflexão. Os primeiros são:
a) melhoria nas comodidades e nas instalações das localidades turísticas;
b) recuperação e conservação de valores culturais (preservação e reabilitação de
monumentos, de edifícios e de lugares históricos, bem como revitalização dos
costumes locais: artesanato, folclore, festivais, gastronomia, entre outros);
c) impacto positivo do efeito demonstração (levando os moradores a lutar pelo
que necessitam , para melhorar suas vidas);
d) aumento da tolerância social.
Em relação aos efeitos negativos, esse estudo da OMT sistematiza nos seguin-
tes itens:
a) diferenças sociais entre visitantes e moradores;
b) impacto negativo do efeito demonstração(descaracterização da cultura lo-
cal, adaptação de outros costumes, por parte da comunidade local, mercan-
tilização das tradições, além de outros) e
c) impactos do turismo de massa.
Ainda sobre as circunstâncias desfavoráveis ao encontro entre turistas e autóc-
tones, Krippendorf (2000), em sua análise realística e contundente, que “temos uma
tendência de esquecer que os visitantes e os autóctones se encontram em situações
completamente diferentes e mesmo oposta. A liberdade e o prazer de um são o fardo
e o trabalho do outro. O ambiente de férias se choca com o de trabalho, e a necessi-
dade de repouso com as necessidades de sobrevivência” Krippendorf (2000).
Na sistematização de Dias (2005), os aspectos referentes aos efeitos nega-
tivos socioculturais, aparece um tópico pouco comentado que é o “aumento da
criminalidade”. Essa é uma questão muito delicada, pois, em comunidades muito
pobres, a chegada de pessoas com indícios de prosperidade pode incitar a prática
de crimes, o que é extremamente preocupante.
Na análise dessa questão, Swarbrooke (2000) comenta que o desafio do
turismo sustentável está em administrar o turismo nas destinações de maneira a
maximizar os impactos positivos e reduzir os negativos. No entanto, não se pode
esquecer de que cada destinação é diferente das outras e os impactos reais variam,
segundo os diferentes tipos de destinação, dependendo:
Cultura e turismo 47
a) da época em que a estação turística foi desenvolvida e de como o empreen-
dimento foi planejado;
b) dos tipos de turismo e dos turistas atraídos pela destinação;
c) do grau de desenvolvimento da indústria turística local e de suas relações
com organizações turísticas no exterior;
d) da política do setor público e
e) da fragilidade, ou de outra característica do meio ambiente, da economia e
da cultura local.
De acordo com a tabela dos impactos, organizada por Middleton e Hawkins
apud Swarbrooke (1998), entre os aspectos negativos dos impactos socioeconômi-
cos e culturais/educacionais encontram-se alguns pouco mencionados:
a) que a atividade turística proporciona um mercado para a prostituição e é
associada às drogas e à criminalidade;
b) implanta nas comunidades locais os padrões morais dos países desenvolvi-
dos, gerando cobiça, indolência, violência e crime;
c) gera tensões e animosidades entre turistas e residentes;
d) debilita as artes locais e as tradições culturais dos residentes locais, transfor-
mando-as em eventos artificialmente encenados para a coleta de lucros;
e) destrói as identidades locais e as tradições da localidade.
Essas ponderações são apenas algumas de uma tabela contendo mais itens.
No entanto, pela seriedade desses pesquisadores, acredita-se que essas conclusões
são fruto de resultados de pesquisas, servem de alerta para os responsáveis pelo
planejamento dessa atividade, para evitar que aconteçam tais desastres.
3.3.2 Ceará: impactos socioculturais negativos
O turismo, considerado um verdadeiro fenômeno social, é provocado por um
agente principal - o turista. Trata-se de uma atividade social que cresce ininterrup-
tamente e que tem ocasionado grande movimentação de pessoas em praticamente
todas as localidades do mundo.
Para Dias (2005), ao fazerem turismo, as pessoas aumentam suas interações
e seu grau de sociabilidade, com grande intensidade, diferente do que ocorre no
cotidiano, pois a disposição psicológica para os encontros está altamente favorável
a novos contatos sociais.
É também em ambientes sociais e culturais que o turista experimenta a con-
vivência com outra cultura diferente da sua e, é nesse contexto social e cultural,
que as relações acontecem. Esses encontros entre moradores e visitantes podem
ocorrer em alguns momentos, segundo De Kadt (1979):
a) o turista compra um bem ou um serviço do residente;
b) ambos ocupam o mesmo espaço físico (praias, festas, entre outros);
c) ambos trocam informações e/ou ideias.
A promoção, o marketing e o apoio à comercialização de produtos, de servi-
ços e de destinos turísticos, bem como apoio à realização de eventos, para atrair tu-
48 Unidade III
ristas, que evidenciavam as manifestações artísticas e culturais do povo brasileiro,
foram a meta prioritária do Ministério do Turismo, a partir de 2005, para mostrar,
adequadamente, o destino Brasil no exterior.
Para a efetivação dessas metas, foi criado um Plano de Marketing, denomi-
nado “Plano Aquarela”, que adotou uma estratégia de investimento do Mtur, nos
principais mercados emissores. Com isso, a “Marca Brasil” passou a representar
a imagem do turismo brasileiro e dos principais atributos de exportação do país
no exterior. Isso foi construído dentro de um conceito saudável com referência à
alegria, à sinuosidade, à luminosidade e à modernidade, nas quais as cores repre-
sentam as realidades nacionais brasileiras: verde (florestas); azul (céu e águas);
amarelo (sol e luminosidade); vermelho e laranja (festas populares) e branco (ma-
nifestações religiosas e paz) (BRASIL. Ministério do Turismo, 2006).
É a primeira vez que um programa de promoção turística do governo federal
é feito em parceria com todas as unidades da federação e traz o desejo de superar
uma imagem desgastada do país e dos estados, como destinos para os que procu-
ram diversão, excessos, sexo fácil e barato e de outras interpretações errôneas.
Essa nova marca traz importantes benefícios para a nossa imagem, que era
vinculada à da mulher brasileira e sua sensualidade, muito frequente nos anúncios
de divulgação dos destinos nacionais, que tanto colaborou para o crescente núme-
ro de visitantes que chegam ao Brasil em busca de sexo, especialmente, no litoral
do Nordeste.
Em relação aos turistas que visam à prática sexual em suas viagens para cá,
estudos da OMT permitiram que fosse traçado um perfil desses visitantes: classe
média; idade entre 20 e 40 anos, predominantemente italianos, seguidos por por-
tugueses, por holandeses e por norte-americanos. Há também outras informações
sobre tais pessoas que cometem esse tipo de crime apostando na legislação branda
e na impunidade e que, devido à pobreza, existem crianças e adolescentes com
disponibilidade para a prática sexual.
Para Michel (2004), o turismo sexual de massa se desenvolve no universo das
mobilidades turísticas e que há duas grandes indústrias “clássicas” do sexo: porno-
grafia e prostituição que podem apoiar todo o contexto de industrialização do cor-
po, de exploração, de violência e de tantas outras mazelas sociais nessa direção.
Na atualidade, os indícios, as evidências e as estatísticas apontam para uma
realidade difícil de encarar, de discutir e de equacionar: a da exploração sexual de
menores. Tema delicado, complexo e de repercussão, avolumado pela prática da
prostituição que envolve pessoas de ambos os sexos e de diferentes classes sociais.
A exploração sexual de crianças e de adolescentes tem sido uma prática co-
mum nos principais destinos turísticos brasileiros. Constatações de pesquisas refor-
çam as informações sobre as relações, e as interações sociais favorecem a criação
de uma rede de exploração desses indivíduos no turismo e apontam para uma
mistura entre ordem e desordem, lei e transgressão.
O perfil das crianças e dos adolescentes explorados sexualmente, segundo
o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, é mais ou menos assim: de 12
até 18 anos incompletos; vítimas de desigualdade de classe, de gênero e de etnia;
deslocam-se do interior buscando melhores condições de vida e de “status” social;
Cultura e turismo 49
baixa escolaridade; vítimas de trabalho infantil e de outros tipos de violações.
O Programa Turismo Sustentável e Infância do Mtur é um exemplo da par-
ceria entre governo, universidade, empresários e sociedade, que, unidos, empe-
nham-se na solução dos problemas vividos. É a união dos esforços que consolida
as ações, criando laços de responsabilidade, de afetividade e de comprometimento.
Para enfrentar essa questão, o projeto pretende chamar a atenção do setor empre-
sarial turístico para seu papel de co-responsável na prevenção a essa prática.
A adoção de estratégias de desenvolvimento sustentável em seu ambiente de
atuação e o desenvolvimento de programas de capacitação em responsabilidade
social corporativa fazem com que as atenções se voltem para a prática do turismo
sustentável, forte consumidor de recursos naturais e urbanos. O aproveitamento
desses recursos, evitando a degradação do meio ambiente e da sociedade receptora
deve ser preocupação não só dos governantes, mas de toda a população envolvida
e da iniciativa privada.
Em Fortaleza, o diagnóstico realizado da atividade turística, para a implanta-
ção do Plano Estratégico e de Ação Turística, aponta para “processos de ocupação
irregular e favelização que causarão, caso não sejam combatidos, problemas que
podem danificar a imagem da capital, além de serem um problema social grave.
Em relação à sustentabilidade, diz o diagnóstico que a “imagem do destino poderá
ser prejudicada e gerar futuros problemas para o turismo na região, pelas ativida-
des de comércio ambulante irregular, prostituição, e os processos de favelização e
ocupação irregular” (SETUR, 2007).
Ao ter como segmentos âncoras o turismo “Sol e Praia” e o de “Negócios”, e,
como produto complementar o turismo cultural, a Região Turística Fortaleza apre-
senta sérios problemas que dificultarão as ações em prol do desenvolvimento do tu-
rismo sustentável, se não forem enfrentados, com ênfase para a questão apontada no
diagnóstico referido, que é a favelização, que se encontra em áreas de risco.
Hoje, cerca de um terço da população alencarina mora em favelas, princi-
palmente, nas do Barroso II, Novo Barroso, Lagamar, Jangurussu, Gato Morto,
Pirambu, Favela do Rato, entre outras. Um levantamento realizado em 2002 pela
prefeitura considerou que 92 áreas faveladas estavam em situação de risco abrigan-
do um total de 17.078 famílias. Elas existem em quase todos os bairros da cidade,
marcando um crescimento expressivo. No início da década de 1980, existiam 147
delas e, em 2003, o número aumentou para 722.
Atividades
Teste seus conhecimentos. Realize os exercícios para verificar como foi a sua
aprendizagem.
1- Por que as pessoas, quando fazem turismo, aumentam seu grau de sociabili-
dade?
2- Quais são os três eixos fundamentais da sustentabilidade turística?
3- O que é capacidade de carga?
4- De que forma o turismo fortalece a identidade cultural cearense?
50 Unidade III
Unidade IV
Políticas e Planejamento:
a experiência brasileira e
os caminhos trilhados
Nesta unidade, você estudará para desenvolver as seguintes
competências:
> Entender o planejamento em seu aspecto histórico;
> Conhecer os principais programas governamentais
desenvolvidos no Ceará;
> Analisar o planejamento como condição para o
desenvolvimento sustentável do turismo;
> Explicar a tipologia da segmentação do mercado turístico
proposta pelo Mtur;
> Distinguir e avaliar os três eixos fundamentais da
sustentabilidade turística.
O planejamento, em qualquer área de atuação, é fundamental para nortear as
ações, no sentido de construção de um caminho para alcançar um futuro
desejável.
No setor de turismo, o planejamento formal representou uma importante
mudança de paradigma e trouxe benefícios à atividade como um todo. Iniciado em
países da Europa: França, 1948 e, em seguida, na Espanha, 1952, chegou ao conti-
nente americano nos anos 60, quando foi elaborado o Primeiro Plano Nacional de
Desenvolvimento Turístico do México, segundo alguns pesquisadores.
No Brasil, o planejamento só foi efetivamente empregado a partir de
1956, com o Plano de Metas e, nas décadas dos anos 60, 70 e 80, surgiram
outros documentos governamentais que anunciavam ações para o desenvolvi-
mento do país, com nítida inspiração norte-americana, iniciando-se assim uma
espécie de cultura “do planejamento” no Brasil. As questões específicas do tu-
rismo não se destacavam, pois estavam incluídas, de forma tímida, nos planos
de desenvolvimento, nos setores que poderiam produzir o crescimento do país
(PETROCCHI, 1998).
52 Unidade IV
Apenas em 1991, após uma sequência de programas isolados e eventuais,
surgiu o primeiro planejamento específico para o setor, definindo o seu desenvolvi-
mento e também um plano setorial ligado ao ecoturismo.
O Programa de Municipalização do Turismo – PNMT (1994), em 1994,
apresentou um bem estruturado planejamento, adotando a metodologia da Orga-
nização do Turismo-OMT, com abordagem das questões de sustentabilidade, do
meio ambiente, e deixou aos municípios a incumbência de pensar seu desenvolvi-
mento, com respeito às idiossincrasias e às vocações de cada localidade.
O PNMT, do Instituto Brasileiro de Turismo - EMBRATUR, criado em 30
de março de 1994, tentava mostrar a importância da atividade e os benefícios eco-
nômicos e sociais que poderiam ser gerados, a partir da realização de inúmeras
ações para implementar e consolidar a descentralização das gestões turísticas.
No atual século XXI, surgiu o Ministério do Turismo, órgão estratégico para
a consolidação da atividade e, com ele, o Plano Nacional de Turismo, desenca-
deando uma série de outros planos setoriais, em vários segmentos, aí incluída a
capacitação e a qualificação para o turismo.
Com a criação desse órgão, uma das dez prioridades da atual gestão, o tu-
rismo tornou-se um vetor de transformação, fonte de riqueza econômica e cresci-
mento social, por meio do desenvolvimento de produtos turísticos com elevado
padrão de qualidade e de competitividade internacional (BRASIL. Ministério do
Turismo, 2006).
O Plano Nacional de Turismo, com uma visão integral e ênfase na função so-
cial do turismo, na atual versão, para o período 2007-2010, tem a proposta de “uma
viagem de inclusão”, a partir de uma gestão participativa, de um turismo para todos,
de mais divisas para o país, de preservação do patrimônio cultural, de desenvolvi-
mento regional, de distribuição de rendas, de geração de empregos, dentre outros.
Estima um movimento de 217 milhões de viagens, no mercado interno; 1,7 milhões
de novos empregos; a estruturação de 65 destinos com padrão de qualidade interna-
cional e a geração de 7,7 bilhões de dólares em divisas para o país até 2010.
Esse Plano propõe um modelo de gestão pública descentralizada e partici-
pativa, no seu nível estratégico, da qual fazem parte: o Ministério do Turismo,
o Conselho Nacional de Turismo, o Fórum Nacional de Secretários e dirigentes
estaduais de Turismo, junto com as 27 instâncias de gestão estadual desses fóruns.
Dentre os inúmeros programas propostos, o de qualificação profissional abarca
as Ações de Sensibilização e Disseminação da Cultura, da Qualidade, Hospita-
lidade e Inclusão Social e a Ação de Qualificação de Profissionais associados ao
segmento de turismo, para aumentar a competitividade dos destinos de viagem e a
satisfação do cliente.
Além desse foco, outro dado, de grande relevo e importância, soma-se para
dar ainda mais fortaleza às propostas do Mtur, em especial as relativas à qualifica-
ção profissional: a copa de 2014 e as olimpíadas de 2016, eventos mundiais cap-
tados para o país, com repercussão em todo o território nacional.
A necessidade de efetuar o planejamento da atividade turística é evidente,
caso se queira que um espaço, um município, ou uma região turística possa chegar
a ter valor como produto turístico e, com isso, possa ser relevante na economia
Políticas e planejamento 53
local da região. O planejamento também poderá evitar que o turismo cresça desor-
denadamente e propicie a falta de sustentabilidade.
4.1 Tipologia do turismo no Brasil
Há várias modalidades de turismo, e os autores organizam suas sistematiza-
ções em função de aspectos por eles selecionados. No documento oficial do Minis-
tério do Turismo, intitulado “Segmentação do Turismo – marcos conceituais”, a
tipologia está organizada na perspectiva da segmentação (BRASIL. Ministério do
Turismo, [s. d.]).
A finalidade é a de que a segmentação auxilie na organização do turismo,
para fins de planejamento, de gestão e de mercado. Esses segmentos são estabe-
lecidos, a partir dos elementos de identidade da oferta e das características e das
variáveis da demanda, em função de:
a) atividades práticas e tradições (agropecuária, pesca, esporte, manifestações
culturais , manifestações de fé);
b) aspectos e características (geográficas, históricas, arquitetônicas, urbanísti-
cas, sociais) e
c) determinados serviços e infraestrutura (de saúde, de educação, de eventos,
de hospedagem, de lazer).
A segmentação é definida com enfoque na demanda que é composta de gru-
pos de consumidores, caracterizados a partir de suas especificidades, em relação a
alguns fatores que determinam suas decisões, suas preferências e suas motivações,
ou seja, a partir das características e das variáveis da demanda.
Nessa sistematização, o Mtur apresenta os seguintes tipos de turismo: social,
ecoturismo, cultural, de intercâmbio de estudos, de esporte, de pesca, náutico, de
aventura, de sol e de praia, de negócios e de eventos, rural e de saúde.
O social, visto na ótica do Código Mundial de Ética do Turismo, que assim
dispõe sobre o assunto: “por finalidade promover um turismo responsável, susten-
tável e acessível a todos, no exercício do direito que qualquer pessoa tem de utilizar
seu tempo livre em lazer ou viagens e no respeito pelas escolhas sociais de todos os
povos”, é entendido pelo Mtur como processo de inclusão de cada um dos atores
envolvidos na atividade: turista, prestador de serviços, o grupo social de interesse
turístico e as comunidades residentes nos destinos.
Dessa forma, ele é entendido como a forma de conduzir e de praticar a ativi-
dade turística, promovendo a igualdade de oportunidades, a equidade, a solidarie-
dade e o exercício da cidadania na perspectiva da inclusão.
“O ecoturismo, que em 1994, com a publicação das Diretrizes para uma Po-
lítica Nacional de Ecoturismo, pela EMBRATUR e Ministério do Meio Ambiente,
ou “turismo ecológico” passou a denominar-se e foi conceituado como Ecoturis-
mo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o pa-
trimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma
consciência ambientalista, através da interpretação do ambiente, promovendo o
bem estar das populações”.
54 Unidade IV
O cultural, entendido em uma abordagem histórica e da prática turística de
caráter cultural no país e no mundo, resultou da seguinte conceituação, segundo o
Mtur: “Turismo cultural compreende as atividades turísticas relacionadas à vivência
do conjunto de elementos significativos do patrimônio histórico e cultural e dos even-
tos culturais, valorizando e promovendo os bens materiais e imateriais da cultura”.
Para explicar os termos da definição, entende-se por atividade turística: trans-
porte, hospedagem, agenciamento, alimentação, recepção, eventos, recreação e en-
tretenimento, além de outras atividades complementares. A vivência, na perspectiva
do turismo cultural, está relacionada à motivação do turista (vivenciar o patrimônio
histórico e cultural e determinados eventos culturais, de modo a preservar a integri-
dade desses bens). Patrimônio histórico e cultural e eventos culturais, os bens de na-
tureza material e imaterial que expressem ou revelam a memória e a identidade das
populações e das comunidades (arquivos, edificações, museus, sítios arqueológicos,
música, gastronomia, artes visuais, festas, entre outras manifestações).
Foto 4.1 - Centro Cultural Dragão do Mar
Fonte: SETUR-CE
No âmbito do turismo cultural, são entendidos, pelo Mtur, alguns outros
“recortes” desse segmento: turismo cívico (eventos cívicos, memória política, entre
outros); religioso (atividades decorrentes da busca espiritual e da prática religiosa
em espaços e em eventos relacionados às religiões institucionalizadas); místico e
esotérico (caracteriza-se pela busca da espiritualidade e do autoconhecimento em
práticas, em crenças e em rituais considerados alternativos) e étnico (decorrente da
vivência de experiências autênticas em contatos diretos com os modos de vida e da
identidade de grupos étnicos).
Políticas e planejamento 55
Foto 4.2 - Romeiros
Fonte: SETUR-CE
O turismo de estudo e de intercâmbio está delimitado conceitualmente como
sendo a “movimentação turística gerada por atividades e programas de aprendiza-
gem e vivências para fins de qualificação, ampliação de conhecimento e de desen-
volvimento pessoal e profissional”.
O de esporte define-se como “a movimentação turística motivada pelo es-
porte e compreende as atividades decorrentes da prática, do envolvimento e da
observação de modalidades esportivas”. Prática significa a realização física da
modalidade esportiva, o envolvimento são as atividades e os serviços diretamente
relacionados à organização e à operacionalização da prática e da apresentação
esportiva, e a observação é a participação do turista como espectador.
Foto 4.3 - Kitesurf
Fonte: SETUR-CE
56 Unidade IV
O de pesca compreende as atividades da prática da pesca amadora que, se-
gundo o IBAMA, é realizada por brasileiros ou por estrangeiros, com a finalidade
de lazer, de turismo ou de desporto, sem objetivo comercial.
As formas de pesca amadora, ainda conforme o mesmo órgão, são: de-
sembarcada (sem o auxílio de embarcações); embarcadas (com auxílio de em-
barcações) e subaquáticas (com ou sem embarcações, utilizando instrumentos
próprios). Algumas regras precisam ser observadas por turistas e por prestadores
de serviços turísticos, segundo PNDPA/IBAMA: tirar licença de pesca amadora;
respeitar o defeso (BRASIL, 2010); as cotas de captura e transporte; os tamanhos
mínimos de captura; soltar espécies proibidas; não pescar em áreas proibidas e
não introduzir espécies.
O náutico caracteriza-se pela utilização de embarcações náuticas, com fi-
nalidade da movimentação turística. Pode ser caracterizado como: fluvial, em re-
presas, lacustre e marítimo e pode utilizar os seguintes tipos de embarcação: balsa,
bote, escuna, flutuante, jangada, lancha, saveiro, traineira, veleira, iate, moto aquá-
tica e similares, entre outros.
O de aventura compreende os movimentos turísticos decorrentes da prática
de caráter recreativo e não competitivo. Pode ocorrer em quaisquer espaços: natu-
ral, construído, rural, urbano, estabelecido como área protegida ou não.
O de sol e de praia constitui-se, para a formulação das políticas públicas, se-
gundo o Mtur, das atividades lúdicas, de entretenimento ou de descanso em praias,
em função da presença conjunta de água, de sol e de calor. A combinação desses
fatores e das belas paisagens constitui o principal fator de atração, ocasionada por
temperaturas quentes ou amenas propícias à balneabilidade.
Foto 4.4 - Praias do Ceará
Fonte: SETUR-CE
O de negócios e de eventos compreende o conjunto de atividades turísticas
decorrentes dos encontros de interesse profissional, associativo, institucional, de
Políticas e planejamento 57
caráter comercial, promocional, técnico, científico e social. Esse tipo de turismo
possui características que o destaca: equacionamento da sazonalidade; alta renta-
bilidade; os eventos funcionam com ferramentas de marketing, pois fazem com que
os turistas retornem à localidade dentre outros.
O rural é comprometido com a produção agropecuária, agregando valor a
produtos e a serviços, resgatando e promovendo o patrimônio cultural e natural
da comunidade.
O de saúde, que remonta às antigas civilizações grega, romana e árabe, nas
últimas décadas, permitiu um novo marco conceitual, assim definida pelo Mtur:
“atividades decorrentes da utilização de meios e serviços para fins médicos, tera-
pêuticos e estéticos.”. Ou seja, volta-se para a busca de determinados meios e ser-
viços, para o bem estar e a cura física e mental. Os termos truísmo, hidromineral,
hidrotermal, hidroterápico, termal, termalismo, turismo de bem estar, de águas e
vários outros, podem ser compreendidos como turismo de saúde.
4.2 Turismo e sustentabilidade: social, cultural, ambien-
tal e econômica
O Turismo, por se tratar de uma atividade econômica, dinâmica, complexa
e em constante evolução, sobre a qual incidem múltiplos interesses, requer ações
interinstitucionais articuladas, coordenadas, algumas centralizadas e outras des-
centralizadas dos poderes públicos e a efetiva participação do setor privado no
encaminhamento das decisões políticas e administrativas pertinentes ao segmen-
to, incluindo, nesse contexto, as organizações não governamentais e as comuni-
dades envolvidas.
Ao governo caberá, precipuamente, estabelecer, nas políticas públicas para o
setor, a normatização da atividade, o seu incentivo e promover a capacitação de re-
cursos humanos, juntamente com o sistema de educação. É também de sua alçada
melhorar e viabilizar a necessária infraestrutura nas áreas de destino e adaptar os
incentivos existentes para estimular a implantação de empreendimentos turísticos.
Muitas são as ações a serem empreendidas pelo governo, de forma planeja-
da e coordenada, mediante a atuação de diversos órgãos setoriais; suas entidades
subordinadas e vinculadas deverão funcionar como indutoras dos investimentos
privados, com vistas ao desenvolvimento do turismo
Ao setor privado cabe, por meio da atuação do empresariado, investir nos
empreendimentos turísticos e de lazer, para a consolidação do turismo como ins-
trumento de crescimento econômico. Outro aspecto de sua atuação é a promoção
das medidas indispensáveis à qualidade dos serviços a serem prestados, além de
contribuir na melhoria da infraestrutura e na capacitação de recursos humanos.
As comunidades, muito mais do que meros beneficiários dessa atividade,
são, na verdade, atores importantíssimos no processo, portanto elementos que de-
vem ser integrados ao desenvolvimento do turismo desde seu estágio mais prelimi-
nar de planejamento até sua implementação e operação.
58 Unidade IV
4.3 Turismo e sustentabilidade
O conceito de crescimento sustentável, tradicionalmente ligado ao meio
ambiente, amplia-se para o todo das atividades e da vida humana. No relatório
Brundtland (1987), esse conceito está assim expresso: “satisfazer as necessidades
presentes sem comprometer a possibilidade de satisfações das gerações futuras”.
Na análise de Monastério (1980), o turismo cria alternativas recreativas que tan-
to podem ser utilizadas pela comunidade local, como pelos visitantes e pode contribuir
para a conservação de lugares de importância arqueológica e monumentos históricos.
Nessa perspectiva, tem-se a atividade turística como condição e possibilidade
de benefícios tanto para os habitantes locais como para os visitantes.
Para a União Mundial para a Conservação - IUCN, o desenvolvimento sus-
tentável é definido como “o processo que permite o desenvolvimento sem degradar
ou esgotar os recursos que tornam possíveis no mesmo desenvolvimento”. Dessa
forma, um processo de conscientização das ações humanas deve ser colocado em
evidência, para que haja um esforço global de responsabilidade pela manutenção
das condições ideais: humanas, ambientais, econômicas, culturais, entre outros.
Segundo a OMT, o processo de desenvolvimento turístico sustentável envolve a
conjugação dos seguintes fatores, para o equilíbrio de todo o sistema: autonomia eco-
nômica, sociocultural e ambiental. A preocupação com sustentabilidade faz parte dos
pilares do Programa de Regionalização do Turismo - Roteiros do Brasil, como fator im-
prescindível para o sucesso de qualquer atividade turística no atual contexto mundial.
Requisito básico para a inserção de produtos turísticos com capacidade com-
petitiva, principalmente no mercado internacional, a sustentabilidade tem, em seu
histórico, iniciativas nacionais e internacionais para sua evolução e para sua conso-
lidação e uma delas foi a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, no Rio de Janeiro em 1992, cujo importante documento gerado
foi a Agenda 21, quando o turismo foi identificado como capaz de gerar benefícios
econômicos e de contribuir para o desenvolvimento sustentável do país.
A partir da Rio 92, cada país comprometeu-se a definir sua própria agenda,
fixando prioridades e promovendo parcerias entre a sociedade e o governo. No
conjunto de objetivos e de princípios dessa Agenda 21, estão as bases para o desen-
volvimento turístico, fundamentados em critérios de sustentabilidade tornando-o
ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo.
No documento oficial do Programa de Regionalização do Turismo do Mtur,
a compreensão é a de que a sustentabilidade deve ser entendida como princípio
estruturador de um processo de desenvolvimento centrado na equidade social, na
eficiência econômica, na diversidade cultural, na proteção e na conservação do
meio ambiente (BRASIL, 2004).
4.3.1 Dimensões da sustentabilidade
A sustentabilidade econômica deve assegurar um crescimento eficiente e
com níveis satisfatórios de emprego, de renda, de controle de custos e de benefícios
dos recursos, para as gerações atuais e futuras.
Políticas e planejamento 59
Com a finalidade de possibilitar a locação e o gerenciamento eficiente dos
recursos e do fluxo constante de investimentos públicos e privados, de forma a pro-
piciar o desenvolvimento das economias locais, os benefícios podem ser: geração
de emprego, distribuição de renda, equilíbrio da balança, elevação do PIB, desen-
volvimento empresarial e estímulo a investimentos.
Ainda nessa direção, a garantia dessa autonomia financeira deve privilegiar
a valorização das capacidades e das iniciativas locais, como base para a construção
do processo de inclusão e de fortalecimento da cultura empreendedora, gerando
postos de trabalho e beneficiando as comunidades locais.
A sustentabilidade ambiental ou ecológica deve assegurar um modelo de de-
senvolvimento turístico compatível com a manutenção de processos biológicos, res-
peitando a diversidade e os recursos naturais. Dessa forma, o turismo planejado leva
em conta o meio ambiente e a população local, pode ser importante fator de conser-
vação e de preservação do entorno ambiental e da herança dos bens naturais.
É fundamental considerar também a adequação dos serviços básicos, como
a destinação do lixo, o esgoto sanitário, a suficiência de equipamentos e abaste-
cimento de água. A valorização da questão ambiental com diferencial na prática
da atividade turística é algo inestimável e vem ao encontro das demandas e das
necessidades do mercado.
A sustentabilidade sociocultural representa a garantia de que o desenvolvi-
mento do turismo seja compatível com a preservação da cultura, dos valores das
populações locais e da manutenção da identidade cultural da comunidade do lu-
gar. Constitui-se também em um processo que visa à melhoria da qualidade de vida
e à redução dos níveis de exclusão social, por meio da distribuição mais justa da
renda e dos bens.
Esse processo também tem os objetivos de: manter a diversidade e a pro-
moção da cultura; valorizar a população, seus saberes, seus conhecimentos, suas
práticas e seus valores étnicos e preservar a economia das populações tradicionais.
Ainda nesse âmbito, almeja-se também a valorização do patrimônio cultural e his-
tórico, a preservação dos costumes e o incentivo ao resgate das tradições e da cul-
tura popular, em todas as suas manifestações artísticas: música, folclore, danças,
teatro, artesanato, entre outras.
Diante disso, tem-se que o turismo deve merecer constante atenção, tanto por
parte das administrações públicas, como dos investidores e da sociedade civil, já
que é, na atualidade, uma das melhores vias para se alcançar o desenvolvimento, o
bem estar econômico e social.
Mas, segundo Fayo (1996), devem ser consideradas algumas variáveis, para Fique
ter-se a sustentabilidade: endógenas, da oferta e exógenas, relativas ao consumidor sabendo
que devem ser analisadas, em relação a cada destino, para incorporarem-se ao “ne-
gócio turístico”, na perspectiva da sustentabilidade. Ou seja, todos os componentes “Exógeno”:
relativo aos
do turismo devem ser muito bem analisados, para evitar os abusos e os equívocos
fatores externos)
que comprometem o setor.
60 Unidade IV
4.3.2 Capacidade de carga e de impactos
Para que o turismo seja sustentável, o tipo e a extensão dessa atividade de-
vem ser equilibrados, em relação à capacidade dos recursos naturais, ambientais,
socioculturais e econômicos. Essa questão refere-se ao fato de que a atividade tu-
rística gera impactos, conforme comprovação e estudos, que podem ser positivos
ou negativos.
A capacidade de absorção é fundamental para a proteção dessas dimensões
de sustentabilidade turística, cujo significado é sua utilização máxima, sem causar
efeitos negativos nos recursos, reduzindo a satisfação do visitante, ou exercendo
impactos adversos à sociedade, à economia e à cultura locais.
Dessa forma, é necessário entender que, ligado ao conceito de sustentabilida-
de turística está o de capacidade de carga o qual destaca que os destinos têm limites
no volume e na intensidade do desenvolvimento que podem ser suportados por
uma determinada região, antes que ocorram os danos ou que sejam irreparáveis
(OMT, 2001).
A capacidade de absorção do turismo inclui aspectos físicos (instalações, am-
biente construído), biológicos (ambiente natural e recursos humanos – prestação
de serviços) sociais e psicológicos, resultante da percepção do meio e da comuni-
dade que recebe o turista. Ela depende, naturalmente, de fatores variados que vão
desde a gestão do empreendimento, da prestação de serviços até as atitudes da
comunidade que recebe o turista.
Na sistematização de Swarbrooke (2000), aparecem seis tipos de capacidade
de carga, em relação à quantidade de visitante que pode ser recebido sem causar
danos em relação à carga física (ao alojamento); ao meio ambiente ou ecológico
(sem danos ao ecossistema); à economia (sem que a localidade e sua comunidade
sofram com problemas de especulação imobiliária - por exemplo); à carga social
(sem causar distúrbios ou danos irreversíveis à cultura local); à infraestrutura (uma
adequada acomodação: hospedagem, alimentação, entre outros) e à capacidade
perceptiva, de ordem mais subjetiva e totalmente qualitativa que tem a ver com a
experiência turística que não deve ser afetada negativamente.
Nesse contexto, a capacidade de carga ambiental significa, segundo a defini-
ção da OMT (2001), o número máximo de visitantes que um lugar pode receber e,
se superado, não assegurar um desenvolvimento compatível com os recursos natu-
rais. A capacidade de carga social refere-se ao nível máximo de atividade turística
que, se superado, poderá produzir uma mudança negativa na vida da população
local. A capacidade de carga econômica tem a ver com o cuidado para a manuten-
ção do equilíbrio dos benefícios econômicos, cujos impactos podem ser danosos
para a economia local: inflação, por exemplo.
No contexto dos impactos, aqueles relativos às questões culturais e sociais do
turismo chamam a atenção de forma especial, na medida em que são de difícil per-
cepção e levam muito mais tempo para aparecer, em um primeiro momento, segun-
do Lickorish e Jenkins (2000), são mudanças qualitativas sutis e de difícil manuseio.
Até meados da década de 1970, grande parte dos estudos era concentrada
na medição dos benefícios econômicos, uma vez que o discurso dominante, até
Políticas e planejamento 61
então, privilegiava quase que exclusivamente essa vertente positiva do crescimento
do turismo e pouca atenção era dada às interações entre turistas e população local.
De acordo com esses autores, estudos realizados possibilitaram a percepção
de problemas sociais, culturais e ambientais que podem surgir do turismo e, prin-
cipalmente, de um crescimento acelerado de visitantes. Atualmente, no nível de
conhecimento e de divulgação de pesquisas e de estudos, pode-se diminuir esses
problemas, a partir de uma política de planejamento adequada e voltada para as
necessidades e potencialidades locais.
Apesar dos muitos benefícios oriundos do turismo, alguns autores concluem
que os impactos negativos – tanto ao meio ambiente, quanto aos aspectos social e
cultural - são maiores e provocam mudanças que se espalham por toda a sociedade,
com uma enorme extensão de influências várias: conflitos entre visitantes e mo-
radores, padrões de comportamento dos visitantes inaceitáveis para os moradores
locais, mudanças nos valores e tantos outros danos que preocupam autoridades,
sociedade civil e turistas.
Ressaltam, Lickorish e Jenkins (2000), dois aspectos de fundamental im-
portância para a compreensão da questão dos impactos sociais e culturais. Em
primeiro lugar, o turismo é uma atividade essencialmente humana e um “evento
totalmente social” e, em segundo, a população local é parte da herança cultural e
merece proteção tanto quanto outros aspectos do destino, como o meio ambiente.
Alertam para o fato de que algumas práticas comerciais podem levar os fatores
econômicos a suplantarem o relacionamento pessoal.
Dentre os efeitos posteriores a essa conduta, esses estudiosos citam: “o apa-
recimento do comportamento consumista, o declínio moral, a mendicância, a
prostituição, o consumo de drogas e outras mazelas sociais, que apesar de não se
originarem da atividade turística, pois estão ligadas ao processo de modernização,
mas podem ser aceleradas pelo turismo.” (LICKORISH; JENKINS, 2000).
4.3.3 Turismo e exploração sexual
A exploração sexual de crianças e de adolescentes não é um problema so-
mente do Brasil, pois ocorre em vários outros países.
Com a implantação do Programa Turismo Sustentável & Infância - TSI, o
Brasil, em sua firme decisão de manter o enfrentamento e o combate à exploração
sexual de crianças e de adolescentes, encontra-se entre os países que não admitem
esse tipo de crime.
Para isso, convoca os integrantes do setor de turismo, para combater essa
mazela social, que muitas vezes está disfarçada e mantida com o silêncio de suas
vítimas e com a conivência de muitos, inclusive com a dos próprios pais, que fin-
gem não perceber o que acontece.
Infelizmente, em alguns elementos de turismo (hotéis, bares, clubes notur-
nos, entre outros), pessoas se aproveitam para realizar essa prática ilegal, mas é
importante que fique claro que a exploração sexual de crianças e de adolescentes é
um crime e que a lei não penaliza apenas quem pratica, mas também quem facilita
ou quem age como intermediário.
62 Unidade IV
Atenção
“A exploração dos seres humanos sob todas as suas formas, nomeadamente se-
xual, e especialmente no caso das crianças, vai contra os objetivos fundamentais do
turismo e constitui a sua própria negação (Código Mundial de Ética do Turismo).
A violência sexual é um fenômeno social que envolve qualquer situação de
jogo, ato ou relação sexual, homo ou heterossexual, envolvendo uma pessoa mais ve-
lha e uma criança ou um adolescente. A violência sexual se expressa por meio de:
Abuso Sexual
É a utilização da criança ou do adolescente em uma relação de poder desi-
gual, geralmente por pessoas muito próximas, podendo ser ou não da família, que
se aproveitam dessa relação de poder e de confiança sobre o menino ou a menina,
para satisfazer seus desejos sexuais. O abuso ocorre sem violência física, mas a
violência psicológica está sempre presente.
Exploração sexual
É a utilização de crianças e de adolescentes com fins comerciais e de lucro.
Acontece quando meninas e/ou meninos são induzidos a manter relações sexuais
com adultos ou com adolescentes mais velhos, quando são usados para a produção
de material pornográfico (revistas, fotos, filmes, vídeos, sites na internet, etc.) ou
são levados para outras cidades, estados ou países com propósitos sexuais, sendo
expressa por meio de:
a) pornografia: representação de crianças e de adolescentes, realizando ou
simulando atos ou jogos sexuais, em poses erótico-pornográficas ou não.
Abrange também a produção, distribuição, venda, compra, posse e uso dos
referidos materiais em ambiente virtual, ou em material audiovisual e/ou
impresso;
b) tráfico de crianças e de adolescentes para fins sexuais: trata-se do recruta-
mento, transporte, transferência, alojamento e/ou acolhimento de crianças
e de adolescentes, recorrendo à ameaça ou ao uso da força física ou de ou-
tras formas de coação para fins de exploração sexual. Acontece nos níveis
intermunicipais, interestaduais e internacionais;
c) exploração sexual de crianças e de adolescentes em viagens e turismo: in-
clusão, promoção ou utilização de crianças e de adolescentes por viajantes
em geral, procedentes de países desenvolvidos ou mesmo turistas do próprio
país, envolvendo a cumplicidade por ação direta ou por omissão de agên-
cias de viagem e de guias de turismo, de hotéis, de bares, de lanchonetes, de
restaurantes, de barracas de praias, de garçons e de porteiros, de postos de
gasolina, de caminhoneiros e de taxistas, de prostíbulos e de casa de massa-
gem, além da tradicional cafetinagem.
Políticas e planejamento 63
Você sabia?
“A organização internacional do trabalho – OIT e o Departamento de Polícia
Rodoviária Federal (PRF), em 2005/2006, mapearam 1819 pontos vulneráveis à ex-
ploração sexual infanto juvenil ao longo das rodovias federais brasileiras.
A Legislação
No Brasil, a convenção internacional dos direitos da criança, o Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA, Lei 8.069/90) e o Código Penal brasileiro são os
principais instrumentos legais contra esse tipo de crime. São eles que determinam
as penalidades para quem o pratica.
Quadro 3
Penalidades: exploração sexual contra crianças e adolescentes
Estatuto da criança e do
CRIME Código Penal brasileiro
adolescente
Submeter criança e ado- Reclusão de 4 a 10 anos e
lescente à prostituição ou multa (Art.244)
à exploração sexual
Hospedar criança ou ado- Multa de 10 a 50 salários
lescente desacompanhado de referência; em caso de
dos pais ou responsável ou reincidência, a autoridade
sem autorização escrita judiciária poderá determinar
destes, ou da autoridade o fechamento do estabe-
judiciária, em hotel, pen- lecimento por até 15 dias
são, motel ou congênere (Art.250)
Mediação para servir lascí- Reclusão de 1 a 3 anos
via de outrem (Art. 227)
Favorecimento da prosti- Reclusão de 2 a 5 anos
tuição (Art. 228)
Manter por conta pró- Reclusão de 2 a 5 anos
pria ou de terceiros casa (Art. 229)
de prostituição ou lugar
destinado a encontros
libidinosos, com ou sem a
intenção de lucros
Tirar proveito da prostitui- Reclusão de 1 a 4 anos
ção alheia, participando e multa ( Art. 230)
diretamente dos lucros
ou fazendo-se sustentar,
no todo ou na parte, por
quem a exerça.
Promover ou facilitar a en- Pena de 4 a 10 anos
trada ou saída no Brasil de – forma qualificada
mulheres com objetivo de (Art.231)
exercer a prostituição.
Fonte: Senac Ceará (2009).
64 Unidade IV
Unidade V
Administração:
organizações e recursos
humanos
Nesta unidade, estudar-se-á para desenvolver as seguintes
competências:
> Conhecer as abordagens teóricas da administração;
> Identificar a empresa turística como prestadora de serviços;
> Compreender a importância da atuação dos recursos humanos
nas empresas prestadoras de serviços;
> Analisar as relações interpessoais na perspectiva das
inteligências emocional e social;
> Correlacionar a situação prestação de serviços nas
organizações turísticas e seus aspectos éticos.
A sociedade atual é caracterizada pela coexistência de muitas organizações.
Nelas, quase todo processo produtivo é realizado.
As empresas, aqui entendidas como empreendimento humano organizado,
são sistemas complexos, podendo ser públicas ou privadas, tendo como objetivo
o lucro (comércio, indústria, financeira) ou não (ONG’s, governo, filantropia) e,
além dos recursos humanos, também conta com recursos de outra natureza.
Alguns teóricos apontam motivos para a existência das organizações. Um
deles tem a ver com as razões sociais, que propiciam os relacionamentos, uma
vez que o homem passa a maior parte de sua vida nas organizações. Outro motivo
seria de ordem material, pois as pessoas desenvolvem suas habilidades e adquirem
conhecimentos, cotidianamente, pelas trocas de informações e de experiências. Por
último, o trabalho em conjunto resulta mais significativo, do que o individual.
No âmbito social, as organizações são vistas como responsáveis pela me-
lhoria da qualidade de vida das pessoas, contribuindo para a evolução dos conhe-
cimentos de um povo. Contribuem também para melhorar a organização social,
que evolui e se reorganiza de forma dinâmica, pois as organizações não estão
prontas e acabadas.
66 Unidade V
As concepções de homem, segundo a teoria das organizações, também sofreu
modificações substanciais, em sua evolução histórica, desde o início do século XX. De
homem econômico até a concepção mais atual, que define o homem como ser comple-
xo. Baseada nas seguintes justificativas, segundo Schein apud Chiavenatto (1995):
a) o homem não é só complexo, mas é também variável;
b) o homem é capaz de assimilar novas motivações por intermédio de suas
experiências organizativas;
c) as motivações do ser humano nos diferentes tipos de organização ou em
setores de uma mesma organização podem divergir;
d) o homem envolve-se de uma maneira produtiva com as organizações na
base de muitos tipos de motivações;
e) o homem pode responder a muitos tipos diferentes de estratégias diretivas, e
isso depende de suas próprias motivações e capacidade.
Quadro 4
Diversas concepções do homem segundo a teoria das organizações
Concepção Teoria Motivação Básica
Homem Econômico Administração científica Recompensas salariais e
financeiras
Homem social Relações Humanas Recompensas sociais e
simbólicas
Homem organizacional Estruturalista Recompensas salariais e
sociais
Homem administrativo Comportamental Processo decisório e busca
de soluções satisfatórias
Homem Complexo Contingência Microssistemas individual e
complexo
Fonte: Chiavenatto (1994).
O conceito de homem complexo pressupõe que, em suas transações com o
ambiente organizacional, os indivíduos sejam motivados por um desejo de usar
suas habilidades de solucionar problemas com os quais se defronta ou de dominá-
los, ou seja, dominar o mundo externo (CHIAVENATTO, 1994).
5.1 Abordagens teóricas da administração
O estudo das abordagens teóricas da administração remonta dos muitos filó-
sofos (Sócrates, Platão, Aristóteles, Francis Bacon, Descartes, e tantos outros) que
contribuíram com suas discussões, com reflexões, com métodos, com sistematiza-
ções e com concepções. Bem como com a influência das organizações eclesiásticas
e militares, que herdaram as normas administrativas e os princípios organizacio-
nais das instituições do Estado romano e ateniense, por exemplo.
Mas foi a Revolução Industrial, com seu modo de produção em série, com
trabalho coletivo, com trabalhadores sem domínio e com controle dos processos do
trabalho e com a compra e a venda da força de trabalho, que serviu de base para os
primeiros estudos, no final do século XIX e início do século XX, que trataram da
administração com o objetivo de racionalizar o trabalho.
Administração 67
Na sistematização de Chiavenatto (1993), as teorias da administração po-
dem ter várias abordagens, que representam uma maneira específica de encarar a
tarefa e as características do trabalho de administração.
Citam-se, portanto, seguindo esse estudioso, as seguintes abordagens da ad-
ministração, em função da ênfase dada a cada uma das varáveis - tarefas, estruturas,
pessoas, ambiente e tecnologia - as abordagens: clássica, humanística, neoclássica,
estruturalista, comportamental, sistêmica, contingencial e modernas técnicas de ges-
tão. No quadro a seguir, uma adaptação das teorias, das ênfases e dos enfoques.
Quadro 5
Teorias administrativas, enfoques e ênfases
Teorias Administrativas Principais Enfoques Ênfase
Administração científica Racionalização do trabalho no nível Tarefas
(1903) operacional
Teoria Clássica (1916) Organização Formal
Teoria Neoclássica Princípios gerais da Administração e Fun-
(1954) ções do Administrador
Teoria da burocracia Organização Formal Burocrática e Racio- Estrutura
(1940) nalização Organizacional
Teoria estruturalista Múltipla abordagem: organizações formal
(1947) e não-formal; análises intraorganizacio-
nal e interorganizacional
Teoria das relações hu- Organização informal; motivação;
manas (1932) liderança; comunicação e dinâmica de
grupo.
Teoria comportamental Estilos de Administração; Teorias das
(1957) decisões; Integração dos objetivos orga- Pessoas
nizacionais e individuais.
Teoria do desenvolvi- Mudança organizacional planejada; abor-
mento Organizacional dagem de sistema aberto.
(1962)
Teoria estruturalista Análises intraorganizacional, ambiental e
(1947) abordagem de sistema aberto.
Teoria neoestruturalista Ambiente
Teoria da contingência Análise ambiental e Abordagem de siste-
(1972) ma aberto
Teoria da contingência Administração da tecnologia
Tecnologia
(1972)
Novas abordagens (1990) Administração Participativa; Japonesa;
Holística; Benchmarking; Dowsizing; Admi-
nistração com foco na qualidade; Learning
Gestão moderna
organization;
Modelo de excelência e de gestão; Reenge-
nharia; Readministração; Terceirização.
Fonte: Principais... (2010).
68 Unidade V
A Teoria da Administração Científica iniciada por Taylor, com ênfase nas
tarefas, fundamentou-se na aplicação de métodos da ciência positiva, racional e
metódica, buscando a máxima produtividade (hierarquia, autoridade, especiali-
zação) e foi também utilizada por Henri Ford (1913). Com ênfase na estrutura
(funções e operações na empresa), a teoria clássica de Fayol complementou o tra-
balho de Taylor, mas apresentou uma abordagem sintética, global e universal. A
teoria burocrática de Max Weber é voltada para a racionalidade e para a eficiência
(seleção baseada em competências). Em seguida, a estruturalista (sistema aberto
nas organizações); a reação humanística, com ênfase nas pessoas, por meio da
ideia comportamental e pela teoria do desenvolvimento organizacional. A ênfase
no ambiente surgiu com a teoria dos sistemas, completada pela contingencial e,
posteriormente, pela tecnológica.
5.2 Administração: empresas e gestores
A administração, a partir de 1980, enfatizou aspectos como a cooperação, a
valorização de grupos de trabalho, a diminuição dos níveis hierárquicos, autoge-
renciamento por setores e por áreas, delegação de tarefas, responsabilidades com-
partilhadas e transparência nas decisões. No entanto, de modo geral, as empresas
ainda estão focadas no aumento da produtividade, ficando a eficiência organiza-
cional em segundo lugar.
Situada na esfera das ciências sociais aplicadas, a administração está funda-
mentada em um conjunto de normas e de funções, para disciplinar os elementos
da produção de uma empresa. Na atualidade, além de estudar os empreendimen-
tos humanos, com objetivo de resultados eficazes e de retorno financeiro, outros
conceitos estão incorporados e fazem parte do conjunto dos estudos nessa área:
sustentabilidade, responsabilidade social.
As empresas, reconhecidas como negócios e orientadas para a obtenção de
lucros, para sua existência e funcionamento, assumem riscos que envolvem recur-
sos, tempo, dinheiro e esforços. Dirigidas por uma filosofia de negócios, podem ser
empresas privadas (limitadas ou anônimas) ou públicas, avaliadas sob o ponto de
vista contábil.
As empresas atuam como um sistema aberto que recebe insumos do ambiente,
processa e devolve, para o ambiente, produtos e serviços acabados. Trata-se de um
verdadeiro processo de transformação, no qual os inputs proporcionam as entradas
das matérias-primas que são transformadas, pelos diferentes processos, em produtos
que, posteriormente, serão comercializados no mercado dos consumidores.
Os principais objetivos das empresas, citados em vários livros dessa ciência
em relação ao aspecto social, podem assim ser resumidos:
a) proporcionar satisfação das necessidades de bens e de serviços da sociedade;
b) aumentar o bem-estar da sociedade por meio do uso econômico dos fatores
de recursos;
c) oferecer um retorno justo aos fatores de entrada e
d) propiciar um clima em que as pessoas possam satisfazer uma porção de ne-
cessidades humanas.
Administração 69
A atuação das empresas envolve diferentes níveis e relações que vão desde
o estratégico (diretores, acionistas ou altos executivos), passando pelo tático (arti-
culação interna entre os níveis), pelo operacional (execução das tarefas). Para que
se possa ter uma melhor compreensão das relações existentes entre os diferentes
recursos de que dispõem as empresas, o quadro abaixo mostra essas relações, ex-
plicando com qual área administrativa se relaciona.
Quadro 6
Relação entre recursos / conteúdos / área administrativa
Recursos Conteúdo Principal Área Administrativa
Edifícios, terrenos, máquinas, equipamen-
Material /físico tos, instalações, matérias-primas, materiais, Produção
tecnologia etc.
Capital, fluxo de dinheiro, crédito, receita,
Financeiros Financeira
financiamento, investimento
Diretores, gerentes, chefes, supervisores,
Humanos Recursos Humanos
funcionários, operários, técnicos, etc.
Mercadológicos Mercado de clientes, consumidores, usuários. Marketing
Planejamento, organização, direção e con-
Administrativos Geral
troles.
Fonte: Pesquisa da autora
5.2.1 Funções administrativas e características do gestor
Nas empresas, o trabalho humano é organizado em cargos e em funções.
Cabe às funções gerenciais, além das habilidades gerenciais, a tarefa de estabelecer
as metas, a partir de um plano estratégico, com o objetivo de garantir a sobrevivên-
cia da empresa.
Definidas por Fayol, seu primeiro sistematizador, as funções básicas do ad-
ministrador: planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar- POCCC. Na
atualidade, segundo Drucker (2002), os princípios foram redefinidos, passando aos
seguintes componentes - planejar, organizar, dirigir e controlar (PODC), ficando o
administrador com as funções de:
a) fixar objetivos (planejar);
b) analisar- conhecer os problemas;
c) solucionar problemas;
d) organizar e alocar recursos;
e) comunicar, dirigir e motivar pessoas (liderar);
f) negociar;
g) tomar decisões;
h) mensurar e avaliar (controle).
É fundamental não esquecer que a maior parte dos trabalhos nas empresas
é realizado por grupos de pessoas e, dessa forma, não é apenas o resultado do tra-
balho de uma pessoa, mas do conjunto dos esforços coletivos, tanto dos gestores,
quanto dos supervisores e do pessoal operacional. Por isso, aprender a trabalhar
em equipe é fundamental.
70 Unidade V
De acordo com Castelli (2000), que pesquisa a área das empresas de hospe-
dagem, é necessário aprender várias coisas, para o bom desempenho profissional:
compreender as pessoas com as quais trabalhamos; atuar em uma equipe e evitar
conflitos; concentrar as energias nas metas; lutar e vencer em conjunto; conhecer a si
mesmo; interagir com os membros da equipe e apoiá-los sempre que necessário.
5.2.2 A empresa turística: administração de serviços
A empresa de turismo é aquela que, além das características e dos objetivos
das demais, tem, como traço diferencial, a ideia de lazer. Para Krippendorf (1971),
a entidade turística é econômica, individual, que produz toda espécie de prestações
materiais e de serviços, servindo diretamente à satisfação de necessidades da área
a que se dedica e que, durante a distribuição dessas prestações, entra em contato
direto com os clientes.
O autor considera como empresas turísticas aquelas que prestam diferentes
tipos de serviços às pessoas: hospedagem; recepção e diversão; serviços de guias;
congressos e feiras; planejamento e assessoramento turístico; transporte; agências
de viagens; artesanato, souvenirs e serviços terceirizados (CASTELLI, 2000).
Essas instituições são basicamente prestadoras de serviços e necessitam ser
conduzidas de forma adequada. Segundo Albrecht (1992), a administração de ser-
viços enfatiza a qualidade dos mesmos, como impulsionadora da empresa. Trata-
se de um enfoque organizacional global, atento à clientela e ao seu conceito de
qualidade, em uma perspectiva que alcança a todos os setores da entidade com
todas as pessoas por ela responsáveis.
Dessa forma, o atendimento não se restringe a um setor específico e nem é
só ele responsável pela satisfação dos clientes, mas todos os funcionários da insti-
tuição, para criar uma cultura de serviços que, segundo Albrecht (1992), “faz da
excelência do serviço prestado ao cliente uma missão reconhecida por todos os
membros de uma organização, incluindo os administradores”.
5.2.3 Serviço de qualidade
As empresas de turismo, no caso das agências de viagem, comercializam
pacotes - produtos turísticos – nos quais estão inseridos vários itens que serão con-
sumidos durante a experiência realizada: passagens, diárias, cortesia, simpatia,
educação, brindes, conforto, segurança, atenção dos funcionários são aspectos tan-
gíveis e intangíveis que compõem o conjunto dos serviços.
Para Moura (1995), é o resultado de, pelo menos, uma atividade desempenha-
da na interface do fornecedor com o cliente e é geralmente de caráter intangível.
É fato que a preocupação maior é oferecer serviço de qualidade aos clientes.
Logo, é preciso encará-la como um modo de gestão que possui um objetivo claro:
dotar a empresa de condições para que seus produtos apresentem características
que atendam ou que até mesmo superem as expectativas dos clientes.
Dessa forma, com o comprometimento e com a responsabilidade de todos,
é possível conseguir a qualidade total. Antes de qualquer outra coisa, é necessário
conhecer o mercado e definir uma estratégia de atuação. Esta representa o conjun-
to de decisões que devem ser tomadas pela empresa, para definir o caminho a se-
Administração 71
guir, ou para assumir uma postura frente ao ambiente, visto como um aglomerado
de fatores que a influenciam, mas sobre os quais não tem pleno domínio (concor-
rência, clientes, fornecedores, governo, sociedade, entre outros).
A análise interna das empresas, segundo Moura (1995), é importante mo-
mento para estabelecer os pontos fortes e os frágeis, para estipular os objetivos a
serem alcançados e as metas a serem cumpridas. Esse aspecto é o ponto de partida
para a adoção do modelo de gestão da qualidade total que vê os clientes como
prioridades absolutas de sua atuação.
Uma vez que são eles quem adquire os produtos, é necessário saber quem
são, o que desejam e quais são as expectativas deles em termos de preço, de prazo
e de qualidade do que irão adquirir, fortes indícios para o estabelecimento de parâ-
metros de atendimento e de produtos.
As empresas trabalham obedecendo a uma série de procedimentos que são
o conjunto das normas e dos padrões que regulam seu funcionamento, o qual está
organizado em processos, que formam um aglomerado de atividades similares e
sequenciais que fazem uso de recursos para agregar valor ao produto, transforman-
do entradas (inputs-insumos) em saídas (outputs-produto pronto).
Essa é a nova perspectiva adotada, para que seja possível estabelecer os pa-
drões de qualidades - em todas as etapas do processo produtivo - requeridos pela
empresa que almeja o patamar de excelência nos serviços e nos produtos.
5.3 Modelos organizacionais: hotelaria e agenciamento
5.3.1 Empresa hoteleira
A empresa hoteleira, segundo o Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRA-
TUR), é a pessoa jurídica que explora ou administra meio de hospedagem e que
tem em seus objetivos sociais o exercício da atividade hoteleira. Trata-se de uma
organização que mediante pagamento das diárias, oferece alojamento, para uso
temporário de seus hóspedes.
A organização de um equipamento hoteleiro depende de sua localização, do
seu porte e dos serviços existentes. Não há um padrão único, e os atuais modelos
também podem passar por adaptações. O modelo ideal para cada hotel deve ser de-
senhado de acordo com sua proposta, tamanho, localização e serviços oferecidos.
A partir desse conhecimento, pode-se produzir um organograma, onde constarão
os departamentos/setores e respectivas ligações.
No modelo proposto por Rutherford (2004), abaixo da gerência geral e de
seu assistente executivo encontram-se os seguintes setores: hospedagem; recursos
humanos; departamento financeiro; marketing e vendas; manutenção ; compras e
Alimentos e Bebidas-A&B. O departamento de hospedagem compreende: gover-
nança; recepção; segurança; serviços uniformizados e telefones. O departamento
de marketing e vendas compreende: reservas e eventos e o departamento de Ali-
mentos e bebidas – A&B compreende: produção de alimentos: restaurantes; bares;
banquetes e eventos e room service.
No modelo proposto por Ângelo (2001), abaixo da gerência geral encon-
tram-se: o setor de hospedagem; o setor de alimentos e bebidas (A&B); o setor de
72 Unidade V
marketing; o setor de manutenção; o setor de administração; o setor de recursos
humanos e o setor de segurança. O setor de hospedagem compreende: governan-
ça executiva; telecomunicações; reservas; recepção e serviços uniformizados. O
setor de A&B compreende: bar; produção de alimentos; restaurante e banquetes.
O setor de marketing e vendas compreende: vendas e marketing e o setor de Ad-
ministração compreende: auditoria noturna; caixas; controller de A&B; compras
e sistema de informação.
No modelo proposto por Castelli (1999), abaixo da gerência geral encon-
tram-se os seguintes setores/departamentos: hospedagem; alimentos e bebidas;
recursos humanos; administração; marketing e vendas. O setor de hospedagem
compreende: reservas; recepção; portaria social; telefonia;lazer;governança. O
setor de A&B compreende: restaurante; banquetes; cozinha; copa; bar e stewar-
ding. O setor de administração compreende: portaria de serviço; almoxarifado;
compras; manutenção e custos e, na seqüência, o setor de marketing e vendas
compreende: eventos; marketing e vendas.
Hospedagem e agenciamento
a) reservas: sua responsabilidade é administrar a demanda futura pelos servi-
ços do hotel. Por meio de sistemas informatizados, atendem às solicitações
feitas via fone, fax, e-mail, sistemas globais de reserva ou formulários dis-
poníveis em sites, registrando-as de modo a otimizar a ocupação do hotel.
Os funcionários envolvidos com reservas recebem a solicitação e verificam
disponibilidade de categoria, preços e serviços solicitados, para, então, pro-
ceder à efetiva reserva;
b) recepção: é o centro nervoso do hotel, onde aparentemente tudo acontece.
Seus funcionários são aqueles que mantêm contato direto com os hóspedes,
administrando chaves, mensagens, lançamentos de valores nas faturas, in-
formações e solicitações especiais. É na recepção que se realizam os proce-
dimentos de entrada (check-in) e saída (check-out);
c) telefonia: responsável pela comunicação no hotel, administrando ligações
externas para hóspedes, externas para os diferentes departamentos do hotel,
e internas entre hóspedes ou entre departamentos. Atualmente, a evolução
dos sistemas de telefonia aponta para uma tendência de eliminar esse depar-
tamento, ou de funcionários que transfiram ligações, uma vez que tais siste-
mas já são “inteligentes”, assumindo programações prévias via comandos
de voz ou teclas. Considerando uma possível alteração de denominação, um
departamento de telecomunicações administraria toda a rede de comunica-
ção e fluxo de dados de um hotel;
d) serviços uniformizados (guest services): compostos por porteiros, mano-
bristas, mensageiros e, eventualmente, concierges. Compreendem os fun-
cionários ligados à recepção, responsáveis pelo primeiro atendimento ao
hóspede (capitão-porteiro e manobrista), trânsito de informações (mensa-
geiros) e atendimento personalizado, além de orientação sobre serviços no
destino (concierge);
Administração 73
e) governança: responsável pela arrumação e controle dos departamentos,
compondo a maior equipe de funcionários (camareiras). Sua atuação se dá
na limpeza e organização de apartamentos e áreas sociais, e também na
lavanderia, quando não há terceirização deste serviço;
f) alimentos e bebidas: é o departamento ligado à produção de refeições,
atendendo aos hóspedes e visitantes. Sua responsabilidade se liga a toda
complexidade de produção de alimentos para café da manhã, almoço e
jantar, admistrando os serviços nos bares e restaurantes do hotel. Além
disso, ocupam-se do atendimento das solicitações de serviço de quarto
(room service) e de todo o planejamento e execução dos serviços ligados a
eventos (banquetes);
g) departamento financeiro: também conhecido por controladoria, esse de-
partamento é responsável pelo controle e administração de todas as tran-
sações que acontecem no hotel, ou seja, pelo gerenciamento financeiro do
empreendimento. Entre suas funções, figura a elaboração de previsões e or-
çamentos, controle de caixa, controle de custos, compras e estoques. Alguns
funcionários ligados a este departamento podem trabalhar em outros locais,
como a recepção, a gerência de alimentos e bebidas, as docas (recebimentos
de mercadoria) ou algum outro setor correlato;
h) eventos: setor que coordena aluguéis de salas e espaços para grupos, seja para
reuniões de negócios ou para banquetes e comemorações. Normalmente,
trabalha de maneira coordenada tanto com o departamento de vendas como
com o de reservas e de alimentos e bebidas, de modo a otimizar não apenas
a ocupação dos espaços de eventos e apartamentos do hotel, como também
aumentar a rentabilidade do empreendimento;
i) lazer: compreende os serviços ligados ao entretenimento e ao lazer dos hós-
pedes, muito comuns em hotéis de praia ou destinados à fruição do período
de férias. Há hotéis que oferecem serviços ligados ao bem-estar do hóspede,
como, por exemplo, saunas, salas de massagem, spas e espaços para práticas
esportivas, entre outros. Também já se observam hotéis em que é possível
adquirir créditos para jogos eletrônicos ou filmes;
j) manutenção: é o departamento cuja equipe cuida da estrurura física do ho-
tel e de tudo o que se relaciona a ela, como a manutenção da qualidade do
ambiente físico de todas as áreas, retardando a deterioração física do hotel.
Administram questões ligadas à eletricidade, aos encanamentos, à carpinta-
ria, à pintura, à refrigeração, por exemplo. A manutenção pode ser preventi-
va ou corretiva;
k) marketing e vendas: as atribuições de marketing compreendem a identifica-
ção e a captação de clientes em potencial, o desenvolvimento de produtos
e serviços para atender às necessidades de tais clientes, e a persuasão dos
clientes potenciais para que se tornem hóspedes. Orientada pelas ações pro-
postas pelo setor de marketing, a equipe de vendas deve atuar no sentido de
manter o hotel ocupado, com o melhor nível de receita possível, valendo-se
de diferentes estratégias comerciais;
l) recursos humanos: departamento que administra toda a equipe do hotel,
74 Unidade V
atuando diretamente no treinamento, na motivação, na avaliação de perfor-
mance e nas questões ligadas ao desenvolvimento profissional dos funcio-
nários. Os que trabalham no RH devem lidar com todos os processos que
envolvem os colaboradores, especialmente em relação à contratação, aos
salários e aos benefícios, além de outras questões pertinentes;
m) segurança: envolve os hóspedes, os funcionários, a propriedade privada e
o hotel em si. Seu trabalho deve ser sempre preventivo, capacitando os res-
ponsáveis para prevenção e para detecção de situações que possam gerar in-
segurança. Devem trabalhar de acordo com as orientações de departamento
de polícia e de bombeiros da cidade ou da região. Trabalham com circuito
interno de TV, com sensores de movimento, de fumaça, com alarmes de
incêndio e com sistemas de iluminação de emergência, sendo responsáveis
também pelo controle de entrada e de saída de funcionários e de visitantes
nas áreas operacionais e administrativas.
Agências de Viagens
As agências de viagens são empresas mercantis que se dedicam profissional
e comercialmente ao exercício das atividades de assessoria, de mediação e de orga-
nização dos serviços turísticos (COBREROS, 1998).
Para a prestação dos serviços mencionados, elas podem utilizar meios pró-
prios ou serem intermediadoras entre os prestadores de serviços - alojamentos,
transportes, restaurantes, guias - e os clientes.
As agências de viagens desenvolvem suas atividades em função de sua pro-
posta, do tamanho, da capacidade financeira e da capacitação dos recursos hu-
manos. De modo geral, desempenham as seguintes atividades: reserva e venda de
passagens; reservas em hotéis para hospedagem; aluguel de carros; pacotes de via-
gens; frete de aviões, de trens ou de barcos; reservar e adquirir bilhetes para acesso
a espetáculos, a shows, a teatros e a outros eventos; contratar guias e informantes
turísticos; formalizar apólices de seguro; providenciar documentações necessárias
para os usuários; serviços de câmbio, e outros.
Alguns estudiosos apresentam a classificação delas, de modo bem objetivo,
por exemplo:
a) segundo produtos: minoristas/detalhistas (vender viagens para os clientes)
e maioristas (elaboram pacotes e vendem produtos turísticos) e as mistas
(maioristas/minoristas - têm ambas as funções) e
b) segundo atividade principal: emissivas (enviam turistas para fora da loca-
lidade); receptivas (recepcionam os turistas e os encaminham para a hos-
pedagem, para passeios e podem atender as diferentes necessidades) e as
especializadas (que centram suas atividades em um segmento da demanda,
em um produto ou em um destino. Por exemplo: especializada em turismo
escolar, ou de aventura, entre outros).
Do ponto de vista operacional, o funcionamento de uma agência de viagens,
como de outras empresas, necessita de capital (dinheiro para fazer funcionar a
Administração 75
entidade); de controle dos gastos com os custos operacionais/despesas (pessoal,
impostos, taxas, telefones, aluguéis, promoção e outros) e a origem das receitas
(comissões dos transportes, dos hotéis, dos aluguéis de carros, das excursões que
realiza e dos produtos que vende, assim por diante).
A organização física de uma agência ou sua estrutura varia de acordo com
sua proposta de trabalho, mas, de um modo geral, dela fazem parte os seguintes
setores: departamento de administração (controle econômico e financeiro da em-
presa); do produto (elaboração e/ou operação do produto, em coordenação com
o setor comercial); comercial/marketing (trata tanto da promoção do produto ela-
borado como investiga o mercado, para conhecer novas demandas dos turistas, por
novos produtos); de vendas (os negócios são realizados e o produto é reservado ou
sua venda finalizada e do pós-venda, para conhecer os níveis de satisfação, pela
utilização do produto) e de áreas auxiliares (dependendo do tamanho e do porte
da empresa – sala de reuniões, coffe brack, auditório, além de outros).
Diante dessas possibilidades, não se pode traçar um organograma formal,
pois as empresas se organizam de acordo com as condições financeiras e com seu
foco e com o tipo de organização do trabalho.
5.4 Os recursos humanos
De um modo geral, natureza, capital e trabalho têm sido apontados, em todo o
processo, como sendo fatores de produção. A primeira fornece a matéria-prima que
será processada e transformada em produto ou em serviço prestado. O segundo pro-
porciona os meios de pagamento para a aquisição dos materiais (matéria-prima) e para
a remuneração da mão-de-obra empregada. O terceiro representa a intervenção huma-
na sobre o material /matéria - prima para sua conversão em produtos acabados.
Os recursos organizacionais podem ser classificados em cinco grupos: físicos
ou materiais; financeiros; humanos; mercadológicos e administrativos. De todos,
será analisado o que se refere ao homem nos aspectos: das relações interpessoais/
humanas; da ética no trabalho; da qualidade na prestação dos serviços, do meio
ambiente e da vida; do empreendedorismo; da cidadania e da responsabilidade
social e do mercado de trabalho.
Os recursos humanos são as pessoas que ingressam, permanecem e partici-
pam da organização, qualquer que seja o nível hierárquico ou a tarefa delas. Estão
distribuídos no nível institucional da organização (direção), no intermediário (ge-
rência e assessoria) e no operacional (técnicos, funcionários e operários, além dos
supervisores de primeira linha).
Constituem o único recurso vivo e dinâmico da organização, aliás, o que de-
cide manipular os demais, que são inertes e estáticos por si. Além disso, é dotado
de uma vocação dirigida para o crescimento e para o desenvolvimento. As pessoas
trazem para as organizações suas habilidades, seus conhecimentos, suas atitudes,
seus comportamentos, suas percepções, entre outros. Sejam diretores, gerentes,
funcionários, operários ou técnicos, as pessoas desempenham papéis altamente
diferentes - os cargos - dentro da hierarquia de autoridade e de responsabilidade
existente na organização.
76 Unidade V
Além disso, as pessoas são extremamente distintas entre si, constituindo um
recurso altamente diversificado em face das especificidades individuais de perso-
nalidade, de experiência, de motivação, além de outros. Na realidade, a palavra
recurso representa um conceito muito estreito para abranger os indivíduos, pois
eles são participantes da organização.
Os objetivos da Administração de Recursos Humanos - ARH consistem no
planejamento, na organização, no desenvolvimento, na coordenação e no controle
de técnicas capazes de promover o desempenho eficiente do pessoal, ao mesmo tem-
po em que representa o meio que permite às pessoas que colaborem para alcançarem
os objetivos individuais relacionados direta ou indiretamente com o trabalho.
A ARH significa conquistar e manter pessoas na organização, trabalhando e dan-
do o máximo de si, com uma atitude positiva e favorável (CHIAVENATTO, 1994).
Os objetivos dela derivam dos da organização inteira que tem como princi-
pais metas a criação e a distribuição de algum produto (...) ou de algum serviço
(como uma atividade especializada). Os principais objetivos são:
a) criar, manter e desenvolver um contingente de recursos humanos com habi-
lidade e com motivação para realizar os objetivos da organização;
b) criar, manter e desenvolver condições organizacionais de aplicação, de de-
senvolvimento e de satisfação plena dos recursos humanos, e alcance dos
objetivos individuais; e
c) alcançar eficiência e eficácia através dos recursos humanos disponíveis.
O que distingue a ARH das outras áreas da organização é o seu singular
ambiente de operações. Administrar recursos humanos é diferente de administrar
qualquer outro recurso organizacional, porque envolve algumas dificuldades:
a) lida com meios, com recursos intermediários e não com fins. É uma função
de assessoria, cuja atividade fundamental consiste em planejar, em prestar
serviços especializados, em assessorar, em recomendar e em controlar;
b) trabalha com recursos vivos, extremamente complexos, diversificados e va-
riáveis que são as pessoas. Elas são importadas do ambiente para dentro da
organização, crescem , desenvolvem-se, mudam de atividade, de posição e
de valor;
c) os recursos humanos não estão apenas na área de ARH. Assim, cada chefe
ou cada gerente é o responsável direto por seus subordinados. A ARH é uma
responsabilidade de linha e uma função de staff;
d) preocupa-se fundamentalmente com a eficiência;
e) ocupa-se dos ambientes e das condições que não determinam e sobre os
quais possui um grau de poder e de controle muito pequeno; os padrões de
desempenho e de qualidade dos recursos humanos são extremamente com-
plexos e diferenciados, variando de acordo com o nível hierárquico, com a
área de atividade, com a tecnologia aplicada e com o tipo de tarefa ou atri-
buição. O controle de qualidade é feito desde o processo inicial de seleção
do pessoal e estende-se continuamente ao longo do desempenho cotidiano.
Administração 77
5.4.1 Relações interpessoais
As organizações são feitas por pessoas e para pessoas, são também elas que
compõem os diferentes grupos organizacionais e neles os relacionamentos são defi-
nidos em função de muitas variáveis, em especial, das competências interpessoais.
Dessa forma, o que conta é o resultado do desempenho do conjunto das pes-
soas que fazem as organizações. Elas se juntam em grupos para a realização das
diferentes tarefas, para isso, o espírito de equipe é fundamental.
Esse espírito, segundo Scholtes (1992), quando invade uma organização, todos
os empregados começam a trabalhar juntos pela qualidade – sem barreiras e sem fac-
ções, todos em uma única direção. Mas esse tipo de comportamento não é nada fácil
de ser conseguido, por isso, aconselha Castelli (2000), é necessário aprender a:
a) compreender as pessoas que estão conosco;
b) atuar em uma equipe evitando conflitos internos;
c) concentrar as energias para a meta proposta;
d) lutar e vencer em conjunto;
e) conhecer a si mesmo;
f) interagir com as pessoas, apoiar e encorajar os membros da equipe.
Portanto, é mister que sejam desenvolvidos atributos para que as pessoas
adquiram a competência interpessoal, decorrente de fatores internos (característi-
cas de personalidade, capacidade de aprendizagem, motivação, atitudes, valores,
entre outros) e externos (características organizacionais: recompensas, punições,
pressões, coesão grupal e assim por diante) que as possibilitem conviver com os
grupos de trabalho, ou em outras situações, de modo a que possam comunicar-se
adequadamente e sentirem-se motivadas para o bom desempenho profissional.
A competência interpessoal tem os objetivos de gerar as condições de com-
portamento favoráveis ao convívio e às relações entre as pessoas. Segundo Mosco-
vici (2001), os principais resultados disso são:
a) flexibilidade de comportamento: é importante analisar as questões sob vá-
rios ângulos, ou aspectos da mesma situação e atuar de forma diferenciada,
não rotineira, experimentando novas posturas, como alternativas de com-
portamento e de ação;
b) capacidade criativa: a criatividade inova, traz outras soluções e auxilia na
condução de questões do cotidiano;
c) abertura para um relacionamento humano autêntico: tomar consciência de
possibilidades e de limites, facilidade para avaliar e ser avaliado, em função
do crescimento pessoal.
Ao analisar o desempenho das pessoas nas organizações e a importância
delas para o sucesso empresarial e para a qualidade total, Moura (1995) traça algu-
mas assertivas, com as quais enfatiza e resume a atuação das pessoas e seus varia-
dos dons, explicando que “o talento faz a diferença”:
a) importância das pessoas para o sucesso de uma empresa;
b) indivíduos gerenciam, comandam, executam ou controlam as atividades
dos processos;
78 Unidade V
c) pessoas que fazem uso dos produtos da empresa de modo direto, consumi-
dor final, ou indireto, considerando a cadeira produtiva;
d) as que influenciam e criam vínculos com empresas;
e) usar o talento individual em todas as atividades da estrutura da empresa;
f) pessoas talvez sejam o parâmetro de maior variação nos processos da
entidade;
g) na “hora da verdade”, as pessoas fazem a diferença;
h) gente preparada para exercer seu papel;
i) gerenciamento eficaz das pessoas;
j) desenvolvimento dos indivíduos;
k) atitude.
As relações interpessoais dependem também dos traços de personalidade
exclusivas de cada um que revelam o modo de ser do indivíduo. A constituição
biológica, o temperamento e o caráter compõem a personalidade de uma pessoa.
Algumas características pessoais são a marca de uma pessoa. Por exemplo: sociabi-
lidade; liderança; iniciativa; emotividade; disciplina; concentração; autocontrole;
flexibilidade e outras mais que, em conjunto, permitem ao homem relacionar-se de
maneira satisfatória ou não.
Em seu desenvolvimento pessoal, os indivíduos também são surpreendidos
por situações adversas e enfrentam muitos problemas, tanto em família, entre ami-
gos, no trabalho, ou no ambiente social. Alguns deles podem gerar estados psicoló-
gicos que afetam as pessoas: conflito (alguém motivado para dois comportamentos
incompatíveis); frustrações (estado emocional que acompanha a interrupção de
um comportamento motivado) e ansiedade, estado psicológico parecido com o
medo, uma reação orgânica de defesa contra um perigo de qualquer ordem.
Essas interações constituem a expressão das pessoas e podem ser descritas
nos seguintes níveis:
a) individuais: relação entre dois seres ou sistemas de qualquer natureza, influ-
ência recíproca;
b) interações entre indivíduos e organização: dependem de ajustes constantes
e de decisões adaptativas, para permanecerem em equilíbrio dinâmico;
c) relações entre organizações e outras entidades: além da matéria-prima, má-
quinas, equipamentos, serviços, e outros. As empresas colocam os produtos
e disputam no mercado posição de liderança e concorrem entre si;
d) interações entre a organização e seu ambiente total: relações entre a organi-
zação e outras mais distantes que constituem seu ambiente total.
Atenção
Em quaisquer formas de interação, o elemento humano é fundamental e deter-
minante para o sucesso).
Administração 79
Um dos itens da boa relação entre as pessoas é comportamento, tanto em seu
próprio espaço individual como em relação ao entorno. Algumas características
podem determinar o sucesso dos relacionamentos e são adequados ao trabalho e
ao convívio em equipe: respeito, responsabilidade, discrição, espírito de equipe,
colaboração, criatividade, flexibilidade, compreensão, bom humor, honestidade,
compromisso e eficiência.
O que atrapalha uma equipe
a) competição com colegas de trabalho;
b) falta de colaboração entre eles;
c) omissão na participação das decisões ou das ações a serem desenvolvidas;
d) quebra das regras determinadas anteriormente;
e) isolamento ou má comunicação;
f) ausência de respeito com os demais;
g) falta de ética profissional.
5.4.2 Relações interpessoais em turismo
A atividade turística é, fundamentalmente, de relação intensa entre pessoas
prestadoras de serviços, clientes, comunidade local e entre os próprios viajantes
entre si. Dessa forma, é fundamental ter em mente que há alguns princípios organi-
zadores das relações interpessoais e que a harmonia delas depende muito do modo
como cada pessoa se vê, como percebe o outro com suas semelhanças e diferenças
e qual sua percepção do mundo.
As relações trabalhistas e de prestação de serviços em turismo exigem mais
do que conhecimentos e domínio de técnicas de trabalho, competência e habilida-
des; elas impõem a reciclagem profissional para melhoria do desempenho.
Mas, estudando os aspectos das emoções, Goleman (1996) relata como as
pessoas não sabem lidar com suas emoções e, por isso, sofrem graves consequên-
cias que repercutem em sua vida. Por isso, aprender a conduzi-las evita problemas
e harmoniza os relacionamentos.
A inteligência emocional aplicada examina algumas diferenças fundamen-
tais que fazem essa aptidão: como esses talentos preservam os relacionamentos
mais valiosos, ou como a ausência deles os corrói; como as forças de mercado
que remodelam a vida profissional dão um valor sem precedentes à inteligência
emocional para o êxito no emprego. Ser emocionalmente inteligente significa não
deixar as emoções nocivas interferirem na saúde física quanto proteger o organis-
mo e manter o bem-estar.
Em seus estudos sobre a inteligência social, enfocando o poder das relações
humanas, Goleman (2006) afirma que a interação social é capaz de moldar tanto o
comportamento como o funcionamento do organismo dos homens. Ao mostrar o
poder dela na influência do humor e da química cerebral, o autor examina quanto
uma ofensa ou uma experiência desagradável podem ser prejudiciais e revela os
efeitos positivos de substâncias neuroquímicas que são liberadas em situações de
amor e de cuidado.
80 Unidade V
Um entendimento completo da inteligência social exige incluir as aptidões
“não-cognitivas” – o talento.
Os ingredientes dela podem ser organizados em duas categorias amplas: a
consciência e a facilidade sociais.
As relações mostram que as mentes estão conectadas por valores como altru-
ísmo, compaixão, preocupação e compreensão, e desenvolvem a inteligência social
para estimular essas “habilidades” em cada um.
5.4.3 Motivação e Atendimento
No atendimento aos turistas, a empatia é uma atitude fundamental para pro-
duzir relacionamentos positivos. Olhar e perceber, do ponto de vista do outro, uma
atitude humana é muito difícil e é o resultado de uma tomada de consciência pes-
soal e profissional.
Alguns aspectos são determinantes e auxiliam as pessoas a terem um com-
portamento empático, são eles: confiança que demonstram ter em outros indivídu-
os com os quais se relacionam nos níveis pessoal e profissional. A postura coerente
e segura de prestar serviços demonstra a confiança que o profissional tem em si
próprio, a autoconfiança. A que se tem em si mesmo e a que outros têm nas outras
pessoas é fruto de posturas que demonstram conhecimento, respeito, coerência,
flexibilidade e amadurecimento pessoal.
Algumas ferramentas que facilitarão o trabalho de automotivação:
a) atitude mental positiva: caso haja insatisfação e infelicidade com o mundo
e exista o desejo de modificá-lo, o lugar certo para começar é em si próprio.
É preciso cultivar o lado positivo das coisas. Uma atitude mental negativa
repele coisas boas e ótimas ideias. O fracasso está intimamente ligado a po-
sicionamentos mentais negativos;
b) definição de objetivos: saber o que é essencial e querê-lo. Manter-se concen-
trado nas coisas que se desejam realmente. Colocar toda a energia no que se
pretende alcançar;
c) o homem vai longe depois de estar cansado: não desanimar com o cansaço,
ir além. Tentar passar por cima da exaustão. Não desistir, tentar outra vez;
d) raciocínio lógico: antes de falar ou de agir, é preciso despertar o cérebro. Afi-
nal, o homem é um ser racional que deve pensar antes de qualquer coisa;
e) autodisciplina: disciplina em função dos objetivos. Dominar o comodismo.
Fazer uma relação de coisas que precisam ser vencidas;
f) entusiasmo: entusiasmar-se com a vida, com o emprego, com a família, com
os negócios. Ele traz nova visão da vida;
g) prestar atenção: ter atenção controlada. Estar atento à vida. Doar-se ao mo-
mento presente;
h) aprender com os insucessos: de um fracasso, fazer o êxito. Analisar as cau-
sas e os erros cometidos e recomeçar tudo;
i) desenvolver uma visão criativa: inovar. Arriscar;
j) administrar bem o tempo: não perdê-lo com coisas acidentais. Relacionar o
que precisa ser feito diariamente. Dedicar-se ao que vale a pena;
Administração 81
k) manter boas saúdes física e mental: fazer exercícios e periódicas revisões de
saúde. Saber descansar e relaxar. Curtir a vida “numa boa!”;
l) tomar iniciativa: não esperar muito. Arriscar a saída heróica. Fazer, assumir,
não se omitir. Decidir, fazer, errar, refazer, recomeçar;
m) livrar-se dos sentimentos de: culpa, ignorância, ansiedade, inferioridade.
Não se deixar manipular. Saber dizer não.
Motivação nas empresas
Enumerar os motivos humanos para indicar a satisfação no trabalho é
uma tarefa bastante complexa, pois cada indivíduo busca preencher suas va-
riadas expectativas, pela realização do trabalho e de seu reconhecimento e da
recompensa.
Dessa forma, as necessidades são os desejos que as pessoas têm, os quais
são satisfeitos mediante os incentivos recebidos, desencadeadores das motiva-
ções. Ao pensar nisso, Minicucci (1994) explica, mesmo que essa satisfação seja
subjetiva e individual, na atividade profissional e nos grupos de trabalho, as pes-
soas esperam das empresas: segurança no trabalho, indenização, oportunidade
de progresso, benefícios financeiros e informações aos demais empregados sobre
sua posição ocupacional. Portanto, os incentivos são desencadeadores de estados
de motivação que aumentam a produtividade no trabalho e concorrem para o
equilíbrio interior do indivíduo.
Teorias da Motivação
O psicólogo Maslow (s.d.) criou uma teoria sobre o desenvolvimento das ne-
cessidades humanas, uma hierarquia delas, a partir da compreensão de que a satis-
fação das pessoas é conseguida atendendo suas vicissitudes, Maslow as classificou
em cinco grupos: fisiológicas (fome - sede - sexo), segurança (ordem, habitação,
trabalho), sociais (participação - afeição - amizade), estima (autoestima – prestígio
– status – êxito) e realização (desejo de satisfação). Essas necessidades são interde-
pendentes e se complementam, infuenciam-se mutuamente.
Na Teoria Bifatorial, Herzberg parte do pressuposto de que a estratégia de
desenvolvimento organizacional mais adequada é o que esse estudioso chama de
“enriquecimento de tarefas”. Isso consiste basicamente em aumentar a responsabi-
lidade do cargo adicionando gradativamente tarefas mais elevadas e desafiadoras.
Classifica em dois grupos os fatores que proporcionam satisfação às pessoas e que
afetam o comportamento humano:
a) fatores ambientais ou higiênicos (condições de trabalho; dinheiro; segurança
pessoal; e as diferentes mudanças que possam diminuir as insatisfações);
b) fatores motivacionais ou de função: reconhecimento, maior responsabilida-
de, desenvolvimento e crescimento individual (qualquer mudança ou me-
lhoria pode causar maior satisfação e desempenho).
As teorias X e Y de McGregor apresentaram uma ideia de liderança nas quais ad-
mite que há sempre um conflito entre as necessidades dos indivíduos e as das organiza-
82 Unidade V
ções. Propõe uma tipologia dicotômica, na qual a X concebe o homem como resistente
às mudanças, indolente e irresponsável e, por não gostar de trabalhar, faz-se necessária a
fiscalização de seu trabalho. Na Y, o indivíduo tem motivações e necessidades que preci-
sam ser satisfeitas e, para obter eficiência no trabalho, é preciso conhecê-las.
5.4.4 Ética e trabalho
A atitude das pessoas nos convívios pessoais, socioprofissionais sempre fo-
ram determinantes para a manutenção do bom relacionamento, da comunicação
e do convívio salutar.
Por sua vez, as normas dos comportamentos humanos são objeto da Ética, ci-
ência que tenta encaminhar o homem para sua realização, por isso, pode-se entender
que se aprende “ética e a ser ético”. No contexto do trabalho, é o conjunto de normas
e de valores que devem ser colocados em prática no exercício da profissão.
Em um mundo marcado pelo acelerado progresso, pela poluição de várias
ordens, pelo grande desenvolvimento demográfico, pelas ameaças, pela miséria,
pela fome e por muitos outros problemas que desequilibram a conduta humana, a
ética necessita ser posta em evidência, pois é ela quem regula e orienta o compor-
tamento, como explicação dos atos morais através da manifestação da consciência.
Ser ético é agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros:
a) honestidade em qualquer situação;
b) tolerância e flexibilidade;
c) humildade (ouvir - trabalho em equipe);
d) integridade (agir de acordo com princípios);
e) assumir decisões (medir as consequências dos atos em relação aos en-
volvidos).
A ética do gênero humano
Os indivíduos cuidam, segundo Morin (2000), não apenas do processo repro-
dutivo, mas de produzi-lo a cada geração, cujas interações entre as pessoas geram a
sociedade que age sobre elas mesmas. Nesse contexto, indivíduo-sociedade-espécie
são elementos inseparáveis, dos quais emerge a consciência.
Nessa perspectiva, a ética humana, “antropo-ética”, deve ser considerada nessa
cadeia de três elementos. Morin instrui a assumir a missão antropológica do milênio:
a) trabalhar para a humanização da humanidade;
b) efetuar a dupla pilotagem do planeta: obedecer à vida, guiá-la;
c) alcançar a unidade planetária na diversidade;
d) respeitar no outro, ao mesmo tempo, a diferença e a identidade quanto a si
mesmo;
e) desenvolver a ética da solidariedade; da compreensão e ensinar a do gênero
humano (MORIN, 2000).
O Código Mundial de Ética do Turismo, elaborado pela Organização Mun-
dial do Turismo, é uma referência para o desenvolvimento sustentável e responsá-
vel da atividade no âmbito mundial.
Administração 83
Sua aprovação, em 1999, e promulgação trouxeram maior credibilidade para
o setor, uma vez que sua orientação é minimizar os impactos negativos, otimizar
os positivos e consolidar o turismo como atividade geradora de benefícios econô-
micos, sociais, culturais e ambientais.
Inspirado em uma série de documentos, de reflexões, de reuniões, de debates
e de estudos, locais, nacionais, internacionais, que o antecederam, tais como: De-
claração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, passando por outras Decla-
rações, Convenções, Resoluções, e tantos mais. O Código Mundial representou a
coroação de um completo e complexo processo de consulta, realizada aos Estados
membros da OMT e de outras entidades.
Esse documento traz, no artigo primeiro, o título: “Contribuição do Turis-
mo para o Entendimento e Respeito Mútuo entre Homens e Sociedades” (OMT,
1999). As premissas desse título são explicadas ao longo de 6 itens, sendo que de
início já está dito que “a compreensão e a promoção dos valores éticos comuns
da humanidade, em um espírito de tolerância e respeito à diversidade, às crenças
religiosas, filosóficas e morais são, por sua vez, o fundamento e a conseqüência de
um turismo responsável.(...)” .
No texto do Código, o turismo aparece como:
a) atividade que contribui para o entendimento e o respeito mútuo entre ho-
mens e sociedade;
b) instrumento de desenvolvimento pessoal e coletivo;
c) fator de desenvolvimento sustentável;
d) fator de aproveitamento e enriquecimento do patrimônio cultural da huma-
nidade;
e) atividade benéfica para os países e para as comunidades de destino;
f) obrigações dos agentes responsáveis pelo desenvolvimento turístico;
g) direito ao turismo (democratização do acesso ao turismo para os cidadãos,
finalidade de lazer, cultural, entre outros);
h) liberdade de deslocamento turístico;
i) direito dos trabalhadores e dos empresários do setor turístico e
j) aplicação dos princípios do Código de Ética Mundial para o Turismo.
Nessa compreensão, o turismo é sempre visto de forma otimista, como ativi-
dade agregadora, sustentável e responsável pelo desenvolvimento econômico, so-
cial, cultural e ambiental, trazendo uma série de benefícios, tanto para quem faz o
turismo, como para quem recebe o viajante, desde que adequadamente planejado.
5.5 Mercado de trabalho
Os novos cenários do século XXI apontam para a conscientização de mu-
danças em praticamente todas as áreas da vida humana e para a necessidade de
rever valores, processos de trabalho, econômicos, educativos e, enfim, o próprio
estilo de vida.
A análise do sociólogo Domenico De Masi, na qual faz um paralelo entre os
valores preconizados pela “sociedade industrial” e pela “sociedade pós-industrial”,
84 Unidade V
apresenta ênfase nos resultados com características diversificadas, indicadores des-
sas mudanças.
A sociedade industrial, com a segmentação do trabalho e com a prevalência
da indústria, valorizava a hierarquia no trabalho, a obediência, a conformidade, a
atividade prática e as coisas em “massa”, para citar alguns aspectos.
No caso da sociedade pós-industrial, segundo esse estudioso, os grandes valo-
res passaram a ser a flexibilidade, a criatividade, a atenção à estética, à emotividade
conjugada à racionalidade, a subjetividade e a preocupação com o “tempo livre”.
Nessa mesma direção, estudos, documentos, declarações, acordos e inú-
meros encontros, realizados em vários lugares do mundo, apresentaram as novas
orientações pelas Nações Unidas e pela UNESCO, anunciando os novos pilares,
nos quais a nova ordem e o entendimento deveriam se assentar: “valores basi-
lares”, que correspondem ao tronco comum, adotado pelos países-membros das
Nações Unidas, assim resumidos: “liberdade e igualdade em direitos e dignidade
para todos os homens”.
Na “Declaração do Milênio”, há um entrelaçamento e uma atualização dos
valores essenciais ao relacionamento internacional no século XXI, selecionando
como fundamentos a liberdade, a igualdade, a solidariedade, a tolerância, o respei-
to pela natureza e a responsabilidade compartilhada pelo desenvolvimento econô-
mico e social, pela paz e pela segurança” (UNESCO, 2001).
Nessa nova conjuntura, há salutares mudanças de paradigmas em relação
à realidade do trabalho. O mundo industrial foi caracterizado como predominan-
temente operário, assalariado, masculino, desqualificante, poluidor e predatório.
Nele, o lucro sempre em primeiro lugar como objetivo maior, nunca o ser humano,
visto como meio para consegui-lo.
Outro componente dessa nova era é o fenômeno da globalização, que vem
sendo gestado a partir dos anos 80, e, nos dias atuais, estabelece novos padrões de
relacionamento econômico entre nações, mercados e serviços financeiros.
Agora a competitividade é global, uma vez que as barreiras entre os países
não mais existem e o planeta se comunica e o consumismo está cada vez mais
enraizado na estrutura da vida das pessoas. Explicar esse fenômeno e, especial-
mente, as consequências sociais dele, pressupõe não apenas captar suas dimensões
econômicas e técnicas, mas compreender os determinantes políticos de seus meca-
nismos, a reestruturação produtiva do trabalho, a crise mundial e o panorama da
miséria, incluindo os países de primeiro mundo.
Dois processos foram incorporados ao sistema de trabalho: a terceirização e a
quarteirização, permitindo a outros a prestação dos serviços necessários, por vários
motivos isso ocorreu; pela especialização desses prestadores, para concentrarem-se
no foco do trabalho, para diminuir as despesas com funcionários e outros mais.
A terceirização pode ser entendida como: “um processo de gestão pelo qual
se repassam algumas atividades para terceiros, com os quais se estabelece uma
relação de parceria, ficando a empresa concentrada apenas em tarefas essencial-
mente ligadas ao negócio em que atua.” [Lívio Giosa]
Hoje, ela ou também pode ser chamada outsourcing é usada em larga escala
por grandes corporações brasileiras. Essa prática, que visa à redução de custo e ao
Administração 85
aumento da qualidade, é observada principalmente em empresas de telecomunica-
ções, de mineração, em indústrias, e outros. Fique
A prática da terceirização consiste em delegar a pessoas que não pertencem sabendo
ao quadro fixo da empresa (terceiros) atividades necessárias à organização, mas
que não são o objetivo principal. Nas entidades modernas, é comum, por exemplo, “Outsourcing”,
isso ocorrer nos setores de limpeza, de vigilância, de escrituração, dentre outros. em inglês Out
Esse esquema tem contribuído para o extraordinário crescimento do setor terciário significa “fora” e
source ou sourcing
(de serviços) nas últimas décadas.
significa fonte)
A quarteirização, portanto, é a contratação de uma empresa de serviços para designa a ação que
gerenciar as parcerias. Pode-se ressaltar que há instituições terceirizadas que contra- existe por parte de
tam outra entidade para que execute o serviço, caracterizando a quarteirização. uma organização
Mesmo que ainda persistam, neste atual século XXI, aspectos dos formatos em obter mão-
de sistemas de trabalho dos séculos anteriores, de forma menos evidente ou ex- de-obra de fora
clusiva, as atuais exigências do mercado de trabalho impõem novas posturas de da empresa, ou
seja, mão-de-
empregadores, das indústrias e dos segmentos laborais.
obra terceirizada.
A valorização do trabalho humano, de seus “saberes” adquiridos na vida e no Está fortemente
trabalho, sua escolaridade, suas competências, a ênfase na qualidade e na responsabi- ligado à idéia de
lidade social são tópicos que fazem parte de um repertório de exigências, para que as subcontratação de
empresas e todos os segmentos integrantes do mercado cumpram-nas e observem-nas. serviços.”
5.6 Recursos humanos e mercado de trabalho
A palavra mercado apresenta mais de um significado: “o lugar das trocas de
mercadorias”, ou “espaço econômico (ex. mercado brasileiro)”- troca de bens (o
mercado de trabalho no último trimestre) - ou ainda “área geográfica” – território
para onde as forças de oferta e de procura convergem (CHIAVENATTO, 1994).
O mercado de trabalho é constituído pela oferta de trabalho ou de emprego (pe-
las diversas empresas-organizações), em determinado lugar e em determinada época.
Nesse entendimento, deve haver o equilíbrio entre oferta e procura, para que não se
configure uma das duas situações de instabilidade: a) quando a oferta de empregos é
maior que a procura (muitos empregos e poucos profissionais) ou o contrário.
O mercado de recursos humanos é constituído, segundo Chiavenatto (1994),
pelo conjunto de indivíduos aptos ao trabalho, em determinado lugar e em deter-
minada época. Esse é um mercado segmentado, em função das especializações
(médico, engenheiros, entre outros) ou por regiões e por estados (norte, sul, São
Paulo, Ceará, outros). Aos operários sem formação escolar comprovada, ou in-
completa, costuma-se chamar de marcado de mão-de-obra.
Como em toda indústria, o turismo consiste em muitos setores diferentes,
com um vasto número de empregos em áreas potenciais.
A tarefa principal das organizações nacionais e locais de turismo é fazer pro-
paganda do destino e, em condições ideais, possibilitar que o turista planeje sua
viagem com ajuda de uma agência especializada no assunto.
As organizações do ramo oferecem, geralmente, os seguintes postos de trabalho:
a) gerente de escritório em turismo;
b) gerente de marketing, de jornalismo especializado;
86 Unidade V
c) analista de pesquisa/estatística;
d) gerente de relações públicas;
e) especialista de desenvolvimento de destinos turísticos;
f) encarregado de informações;
g) pesquisador de mercado;
h) magistério de disciplinas do curso de turismo e hotelaria;
i) organismos internacionais, consulados e chancelarias;
j) tradutores, intérpretes e acompanhantes;
k) profissionais liberais no assessoramento e na consultoria técnica de área es-
pecífica.
A ampla variedade de meios de transporte, tais como linhas aéreas, trens, ôni-
bus, carros, ou embarcações fretadas, precisa ser administrada por especialistas. Os
empregos a seguir são exemplos típicos das empresas relacionadas aos transportes:
a) gerente de aeroporto;
b) gerente de linha aérea;
c) comissário de bordo;
d) motorista de ônibus de turismo;
e) gerente de cruzeiro;
f) gerente de marina;
g) gerente de agência de aluguéis de transportes;
h) agente de reservas;
i) receptivo/guia de turismo.
A indústria hoteleira inclui todas as formas de hospedagem, tais como ho-
téis, apart-hotéis, resorts, motéis, alojamentos, estalagens, pousadas, pensões, con-
domínios, flats, albergues, e as do tipo “bed-and-breakfast”.
a) gerente geral;
b) diretor de operações;
c) diretor de vendas e de marketing;
d) gerente de recepção;
e) gerente de serviços;
f) gerente de alimentos e de bebidas;
g) gerente de recursos humanos;
h) gerente de reservas;
i) gerente de eventos;
j) gerente de recreação e de lazer.
A indústria dos serviços de alimentação inclui, não somente os restaurantes
finos, mas também os serviços tipo “fast-food”, para viagem, restaurantes de comi-
da caseira, clubes privados, serviços de buffets, coffe-shops, bares, empresas fornece-
doras de refeições, serviços de cozinhas em empresas, em escolas e em centros de
convenções, entre outros. Ela fornece os seguintes postos de trabalho:
a) gerente de restaurante;
b) gerente regional de cadeias de restaurantes;
c) gerente de clube;
Administração 87
d) gerente de fornecimento de refeições;
e) gerente de restaurante tipo “fast food”.
A indústria do entretenimento está cada vez mais se concentrando nas dife-
rentes necessidades dos clientes, tais como lazer em parques estaduais ou nacio-
nais, temáticos, em atividades esportivas, de aventura, em eventos culturais, em
museus e em teatros para propósitos educacionais para todas as idades, shows,
cassinos e outros… Destacam-se os seguintes empregos:
a) gerente de lazer, de esportes e de entretenimento;
b) gerente de eventos, promoters.
5.7 Processo econômico e profissões
Em um mundo de trabalho caracterizado como “heterogêneo e acelerada-
mente variável”, são produzidas, de acordo com Braslavsky (2001), pelo menos
cinco processos econômicos, presentes também na América Latina, com influên-
cias diretas na oferta de trabalho e mas exigências profissionais:
1) diminuição do volume de trabalho disponível e inclusive necessário para a
satisfação das necessidades básicas da sociedade. Isso implica na possibili-
dade de que os jovens que hoje se formam tenham uma crescente demora
no ingresso no mercado de trabalho e atravessem períodos de desocupação
ou subocupação;
2) crescimento de trabalhos disponíveis no setor de serviços, em relação ao
agropecuário e ao industrial;
3) o crescimento do trabalho informal sobre o formal;
4) mudanças cada vez mais rápidas dos perfis das ocupações, em particular no
que se refere a habilidades (skills) específicas;
5) modificação das escalas nas quais se realiza e se resolve o destino laboral das
pessoas.
Nesse último processo, um dos aspectos a se considerar é a transnacionaliza-
ção do mercado de trabalho. Isso significa que empresas e trabalhadores têm a pos-
sibilidade de mover-se de um país ou de uma região para outros lugares de modo
a melhor atender às disponibilidades de suas mútuas capacidades e oportunidades
(UNESCO, 2001).
Esse conjunto de novas tendências na economia apresenta consequências
diretas nos sistemas de ensino, de cursos e de perfis de formação profissional. O
desafio é capacitar pessoas para o trabalho mais apropriado do que para o mercado
de trabalho, sempre em transição. Essa é uma formação para a vida das pessoas,
em uma dimensão mais ampla, com os seguintes aspectos:
a) multiatividade;
b) trabalho produtivo;
c) criação cultural;
d) vida social harmônica, familiar, e outros mostrando a prevalência de um ou
de outro aspecto ao longo da vida.
88 Unidade V
Nesse panorama, capacitar profissionais para o setor turístico requer cons-
tantes atualizações e muito investimento no processo de melhoria contínua, com
foco na excelência.
5.8 O mercado turístico: serviços
A elaboração dos produtos turísticos é realizada, tendo em vista as necessi-
dades dos consumidores, os desejos e as motivações de viagem, e sua comercializa-
ção visa atender às expectativas dos clientes. Essa ação de compra e venda de tem
características diferenciadas de outros processos, pela especificidade do produto
– venda de bens, de serviços, de sonhos, de expectativas e de felicidades- aspectos
tangíveis e intangíveis.
A definição mais abrangente de produto como “qualquer coisa capaz de
prestar um serviço, isto é, de satisfazer a uma necessidade, inclui pessoas, lugares,
organizações e ideias (KOTLER, 1996).
De acordo com esse autor, a troca é uma das quatro alternativas (autoprodução,
coerção, súplica e troca) de que o homem dispõe para obter um produto capaz de satis-
fazer a uma necessidade específica. O marketing, por sua vez, preocupa-se exatamente
com a última abordagem que exige as seguintes condições para se realizar:
a) existirem duas partes;
b) cada uma delas ter algo com valor para a outra;
c) as partes serem capazes de se comunicarem e de fazerem a entrega;
d) serem livres para aceitarem ou rejeitarem a oferta.
O marketing se desenvolve como resposta à necessidade de antecipar, de
identificar e de responder às novas condições do mercado e suas motivações, seus
gostos e as preferências dos consumidores e teve um precursor histórico que se ini-
ciou pela necessidade de vender os produtos tangíveis da indústria e do comércio.
Mais tarde, sua aplicação no setor de serviços - atividades turísticas - necessi-
tou passar por reformulações, em função das características desse produto que reú-
ne em sua composição serviços de vários fornecedores e que só pode ser utilizado
na hora de seu consumo.
5.9 Caracterização do Marketing Turístico
No caso do Marketing Turístico, o produto se diferencia dos demais, por ser
um conjunto de bens e de serviços unidos por relação de interação e de interdepen-
dência que o torna extremamente complexo. É um produto intangível cujo resulta-
do após o uso é uma experiência residual, não podendo ser estocado, ou avaliado
pela forma, pelo peso ou pelo tamanho.
Desde o ponto de vista genérico, o produto é um conjunto de atributos tan-
gíveis (forma, tamanho, cor, demais detalhes) e intangíveis (marca, prestígio da
empresa, serviços e outros) que a clientela pode comprar na crença e com o fim de
satisfazer suas necessidades (OÑATE, 1994).
Administração 89
Ainda considera: “são produtos heterogêneos e subjetivos cujo comum de-
nominador é a falta de standarização. Praticamente para cada cliente o produto é
único, apesar da oferta visível parecer, para grupos de destinos por exemplo, todos
iguais” e finaliza: “o produto raramente se converte em um fator de satisfação por
si só. Depende de outros produtos, serviços ou circunstâncias, que serão adiciona-
dos por fontes externas à empresa produtora” (OÑATE, 1994).
A seguir, visualizam-se melhor as principais diferenças entre o produto tan-
gível e o serviço, característico das empresas de turismo:
Quadro 7
Paralelo entre produtos tangíveis e serviços
Produtos Tangíveis Serviços
Natureza tangível Natureza intangível
Transfere-se a propriedade do produto aos Não há transferência de propriedade,
compradores somente uso
Podem ser armazenados Não se podem armazenar, são perecíveis
Produzem-se, vendem-se e são consumidos Primeiro vendem, depois se produzem e
se utilizam
Os produtos são levados até os clientes Os clientes deslocam-se ao lugar onde o
serviço é prestado
Pode ser devolvido se seu uso não for satis- Não podem ser devolvidos
fatório
O cliente não costuma participar no contro- A qualidade do serviço depende, em
le da qualidade do produto parte, da participação do cliente
Facilidade de padronizar a produção Dificuldade de padronizar os serviços
Fonte: Iglesias (2001).
Os componentes básicos que, combinados entre si, formam o produto tu-
rístico final, aquele que efetivamente se oferecerá ao mercado-alvo, são (ACE-
RENZA, 1980):
a) atrativos: a matéria-prima existente nas localidades caracterizadas como tu-
rísticas e fazem com que o viajante escolha uma destinação, referem-se ao
ambiente natural, cultural (usos e costumes) e aos eventos (feiras, exposi-
ções, congressos, acontecimentos especiais);
b) facilidades: elementos que por si só não geram fluxo turístico, mas a falta de-
les pode impedir o turista de visitar atrações. São alojamentos, alimentação
e entretenimento;
c) acessos: vias e meios de transporte disponíveis aos destinos, os custos e o
tempo que permitem o deslocamento até o lugar.
No turismo, a formação dos preços tem uma relevância ainda maior em re-
lação às outras ferramentas, dado que ele pode converter-se, em determinado mo-
mento, no principal fator de decisão por parte do cliente sobre o lugar de destino
para o qual se dirigirá para as férias.
Segundo Kuazaqui (2000), “a determinação do preço pode se dar de dentro
para fora ou o preço nominal. No primeiro caso, quando a empresa estabelece o
preço por meio de custos e despesas e considera o break-even-point (ponto de equilí-
brio e preço com o qual a empresa cobrirá seus custos gerais e a partir deste gerará
90 Unidade V
suas receitas) e o preço nominal; desenvolve o preço de fora para dentro quando a
empresa estima até quanto o consumidor estaria disposto a pagar pelo produto ou
serviço havendo então o preço percebido”.
“Uma terceira forma é constituir seus preços a partir da concorrência, que
seria a determinação de preços a partir das empresas concorrentes, participação e
suas respectivas variações. E pode levar em consideração ainda os objetivos em-
presariais e não somente um caráter de sobrevivência da empresa no mercado”
(KUAZAQUI, 2000).
No caso do turismo, os métodos de vendas diferem dos produtos industria-
lizados e do comércio. Nesse contexto, deve-se levar o consumidor até o local da
atração, onde lá os serviços são prestados. É, portanto, o canal de distribuição dire-
to, quando o responsável vende diretamente ao consumidor final, e, no caso de dis-
tribuição indireta, os distribuidores se intercalam (operadores turísticos e agentes
de viagem, representação de vendas ou as organizações turísticas cooperativas).
“A estrutura que se forma em um mercado turístico pelo conjunto de orga-
nizações com o objectivo principal de facilitar e colocar à disposição dos possíveis
compradores os produtos dos distintos fabricantes, realizando a concretização da
venda, confirmando-a e efectuando sua cobrança” (OÑATE, 1994).
McIntosh apud Oñate (1994) define o canal de distribuição como:
“Uma estrutura operativa, sistema ou cadeia de união de variadas combina-
ções de organizações de viagens através dos quais o fabricante de produtos turísti-
cos informa e confirma os acordos de viagem do comprador”.
A comunicação voltada para a demanda turística potencial e real é tarefa
bastante complexa. Ela deve atingir um grande número de pessoas em regiões ou
países de estruturas socioeconômicas e culturais diversas; com necessidades, com
atitudes, com gostos, com expectativas, com padrões comportamentais diversos.
Nesse caso, uma comunicação eficaz é a que o emissor consegue detectar
os gostos e as preferências dos receptores, criando imagens que os influenciem a
viajar para uma destinação específica. O êxito depende de como as mensagens são
comunicadas, utilizando os canais mais influentes e os meios comunicativos mais
efetivos do mercado.
Para se destacar das outras mensagens que estão sendo igualmente comuni-
cadas, é preciso que ela motive o cliente por meio de estímulos adequados, de si-
nais originais, causando impacto, chamando a atenção dos receptores e superando
as outras milhares informações.
A OMT (Organização Mundial do Turismo) sugere três metas e as respecti-
vas estratégias para alcançá-las:
a) aumentar o fluxo de turistas, para tanto é preciso persuadir os clientes potenciais
a irem para a destinação, utilizando as ações promocionais e publicitárias;
b) obter a fidelidade dos turistas atuais, convencendo-os de que fizeram boa
escolha, zelando pela imagem da destinação;
c) aumentar o tempo de permanência dos turistas, tornando conhecidas as no-
vas possibilidades de recreação e de entretenimento do local, a fim de que o
viajante prolongue a estada.
Administração 91
Alcançar os objetivos propostos exigirá um esforço de comunicação integra-
do por parte dos produtores turísticos, das empresas hoteleiras, dos restaurantes,
das agências de viagem, das locadoras de automóveis, dos centros de congressos
e de eventos, dos órgãos públicos, dentre outros. Para tanto, deverão utilizar-se de
modernas e de adequadas técnicas de relações públicas, de promoção de vendas e
de propaganda.
Atividades
Teste seus conhecimentos. Realize os exercícios para verificar como foi a sua
aprendizagem.
1- Identifique as características do tipo de gestão do empreendimento turístico
que você conhece.
2- Quais os benefícios que a inteligência emocional proporciona ao bom rela-
cionamento entre prestadores de serviços e turistas?
3- Escolha e justifique o modelo de gestão que utilizaria na sua empresa turística.
4- Relacione exemplos de alguns comportamentos éticos no ambiente de tra-
balho
5- Explique o significado da motivação para o bom desempenho do trabalho
6- Como você analisa, na atualidade, o mercado de trabalho na área do turis-
mo e da hospitalidade?
7- Explique sobre a especificidade do produto turístico e seus componentes
92 Unidade V
Unidade VI
Saúde, Segurança, Meio
Ambiente e Qualidade
Nesta unidade, você estudará para desenvolver as seguintes
competências:
> Compreender as mudanças ocorridas no estilo de vida das
pessoas;
> Conhecer os riscos no trabalho, fatores de estresse e os tipos de
poluição;
> Compreender a relação entre turismo e meio ambiente nas
últimas décadas;
> Identificar a qualidade na perspectiva do trabalho e da vida;
> Aplicar ferramentas da qualidade para resolução de problemas
do trabalho;
> Entender os elementos que compõem os conceitos de
empreendedorismo e de responsabilidade social.
6.1 Saúde
O homem, construtor de sua história, após tantas conquistas e inventos,
depara hoje com um mundo bem diferente de outros séculos. Neste novo cená-
rio, uma inquietação está sempre presente na vida das pessoas: como viver bem
e com qualidade?
Para relembrar e para comparar alguns tópicos característicos do estilo de
vida, antes e depois da era industrial, o quadro a seguir traz importantes observa-
ções que mostram um panorama de comparação, para se ter uma ideia, ainda que
restrita, de algumas mudanças ocorridas.
94 Unidade VI
Quadro 8
Mudanças ocorridas no estilo de vida
Em relação a Era pré-industrial Era industrial
Atividade e Forma - Vida física mais ativa - Vida mais sedentária
Física - Maior preparo físico - Menor preparo físico
Alimentação - Prevalência de músculos - Prevalência de gordura
- Nutrição natural - Nutrição artificial aditivada
- Rica em fibras - Alimentos com pouca fibra
- Alimento integral - Contaminação por agrotóxico
Ambiente - Ar puro - Poluição crescente e irreversível
- sem poluição - Contaminado
- Mananciais preservados - Mananciais destruídos
Comportamento e - Menos competição - Mais competição
nível de estresse - Menos mudanças - Mais mudanças
- Baixo volume de informações - Alto volume de informação
- Menor envolvimento social - Maior envolvimento social
- Menor exposição a acidentes - Maior exposição a acidentes
graves graves
- Comportamento menos hostil - Comportamento mais hostil
Fonte: Castro (1998).
Da perspectiva da Administração de Recursos Humanos, a saúde e a segu-
rança dos empregados constituem uma das principais bases para a preservação da
força de trabalho adequada e são duas situações intimamente relacionadas.
Para a Organização Mundial da Saúde – OMS, saúde é um estado de com-
pleto bem-estar físico, mental e social e que não consiste na ausência de doença ou
de enfermidade.
Direcionada para o ambiente de trabalho, as preocupações com a “higiene”
ou com a “saúde” referem-se às normas e aos procedimentos que visam à proteção
da integridade física e mental do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde
inerentes às tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas. Também
relacionam-se com o diagnóstico e com a prevenção de doenças ocupacionais, ten-
do em vista o controle das variáveis: homem e seu ambiente de trabalho (CHIA-
VENATO, 1994).
Essas preocupações são de origem preventiva, pois objetivam a saúde e o
conforto do trabalhador, evitando que adoeça e que se ausente do serviço e tem os
seguintes objetivos, segundo Baptista (s.d.):
a) eliminação das causas das doenças profissionais;
b) redução dos efeitos prejudiciais provocados pelo trabalho em pessoas doen-
tes ou portadoras de deficiências físicas;
c) prevenção de agravamento de doenças e de lesões e
d) manutenção da saúde dos trabalhadores e aumento da produtividade, por
meio do controle do ambiente de trabalho.
As ações para essa prevenção, de acordo com Baptista, são pela educação
dos trabalhadores e pela informação sobre perigos e sobre como evitá-los, pela
manutenção do estado de alerta contra os riscos existentes e estudos e observações
de novos processos ou de materiais a serem utilizados.
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 95
Modernamente, a questão da saúde e da segurança no trabalho é um dos requi-
sitos de competitividade das indústrias e das empresas, de modo geral, que dão prio-
ridade ao aspecto da qualidade. Milhares de instituições, em todo o mundo, buscam
a certificação de acordo com a ISO 14000, que tem foco no meio ambiente.
Com base nesse sucesso, foi criada uma norma para verificar as condições de
trabalho, seguindo o modelo da ISO 9001, que é a AS 8000, cuja missão é:
a) melhorar as condições do trabalho no mundo, promovendo o direito dos
trabalhadores;
b) proporcionar a padronização em todos os setores de negócios e em todos os
países;
c) trabalhar em parceria com organizações trabalhistas e de direitos humanos
do mundo todo;
d) proporcionar um incentivo que beneficie a comunidade empresarial e os
consumidores, através de uma abordagem na qual ambas as partes saiam
ganhando;
e) promover uma base única para a realização de auditorias.
Pela implantação da AS 8000, a empresa demonstra que está preocupada
com a responsabilidade social, em relação aos seus empregados. Nessa norma, a
saúde e a segurança são tratadas pelos critérios que asseguram aos funcionários
efetivas condições de trabalho e de segurança no mesmo, desprovido de riscos de
acidentes e de saúde.
Outra norma reguladora, NR 9, estabelece a obrigatoriedade da elaboração
e da implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA)
que visa à preservação da saúde e da integridade física dos trabalhadores, através
da antecipação, do reconhecimento, da avaliação e do controle de ocorrências de
riscos ambientais existentes ou que possam vir a existir no ambiente de trabalho,
tendo em consideração a proteção do meio e dos recursos naturais.
O principal objetivo do PPRA é fazer das prevenções de acidentes e das do-
enças ocupacionais as formas de eliminar ou de minimizar os riscos para trabalha-
dores e para terceirizados, melhorando o desempenho dos negócios e auxiliando as
organizações em geral a terem uma imagem responsável diante do mercado.
Órgãos governamentais trabalham em conjunto para traçar políticas de pre-
venção de acidentes e definir normas de atuação empresarial. O Ministério do Tra-
balho, através da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, entende que “todos
os trabalhadores devem ter o controle de sua saúde de acordo com os riscos a que
estão expostos. Além de ser uma exigência legal prevista no artigo 168, da CLT-
Consolidação das Leis Trabalhistas, respaldada na convenção 161 da Organização
Internacional do Trabalho - OIT, respeitando princípios éticos, morais e técnicos”.
Nessa direção das responsabilidades e dos cuidados com a saúde e com segu-
rança, as empresas privadas e públicas e os órgãos governamentais que possuem em-
pregados regidos pela CLT estão obrigados a organizar e a manter, em funcionamen-
to, por estabelecimento, uma Comissão Interna de Prevenção de Acidentes- CIPA,
de acordo com o estabelecido pela NR-5 que é a Norma Reguladora da CIPA.
96 Unidade VI
6.1.1 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes-CIPA
O funcionamento da CIPA é tratado pela Norma Reguladora NR 5, da Por-
taria nº 3.214, do Ministério do Trabalho. Com o objetivo de, segundo essa NR
5: “observar e relatar condições de risco nos ambientes de trabalho e solicitar
medidas para reduzir e até eliminar os riscos existentes e/ou neutralizar os mes-
mos, discutir os acidentes ocorridos , encaminhando os resultados aos serviços
especializados e ao empregador, e orientar os funcionários”, a CIPA tem inúmeras
atribuições, para citar algumas, entre elas, destacam-se:
a) discutir os acidentes ocorridos;
b) sugerir medidas de prevenção de acidentes julgadas necessárias;
c) promover a divulgação e zelar pelas normas de segurança, de medicina no
trabalho ou de regulamentos e de instrumentos de serviço emitidos pelo
empregador;
d) despertar o interesse dos empregados pela prevenção de acidentes e de doenças
ocupacionais e estimulá-los, permanentemente, a adotar comportamento pre-
ventivo durante o trabalho e várias outras atribuições que constam da NR 5.
A segurança e a medicina (Saúde) também são objetos de cuidados pelo Di-
reito do Trabalho que regula as normas de segurança e de medicina do trabalho,
incumbência do Ministério do Trabalho, através da Secretaria de Segurança e Me-
dicina do Trabalho (SSMT), que exige, entre outras coisas, que nenhum estabeleci-
mento pode iniciar as atividades sem a prévia inspeção e aprovação das instalações
pela Delegacia Regional do Trabalho, DRT, em cada localidade.
Sobre a saúde do trabalhador, Duncan (2004) analisa que os processos indus-
triais retiram dos homens a criatividade, exigindo, dos trabalhadores, a execução
de horas a fio de trabalho em tarefas monótonas e de repetição. Faz um importante
alerta ao explicar sobre sofrimentos psíquicos: “que não é possível deixar as fun-
ções intelectuais (e que alimentam as funções afetivas) no armário do vestuário da
empresa, junto com as roupas, ao chegar ao trabalho”. Isso tem reflexos na esfera
intelectivo-emocional como no âmbito somático, por meio de mecanismos de es-
tresse ou de outros.
Em relação ao caso brasileiro, esse autor comenta ainda que problemas com
o descaso no ambiente de trabalho (onde produtos químicos, ruídos e trepidação
estão sempre presentes); as longas jornadas de trabalho (com horas extras frequen-
tes); o autoritarismo na organização de trabalho (trabalhador sem participação nas
decisões) e a permissão de demissão imotivada (que dificulta o processo de reivin-
dicação por melhores condições de trabalho), além dos baixos salários formam um
quadro preocupante para o trabalhador que ainda enfrenta o transporte, as condi-
ções precárias de moradia, de alimentação, de saúde e de lazer.
6.1.2 Histórico dos riscos relacionados ao local de trabalho
a) 1700 – livro escrito por Bernardino Ramazzini, italiano, catalogou doenças
relacionadas ao trabalho;
b) Revolução Industrial (1760 – 1830) – os acidentes de trabalho começam a
ser percebidos pela sociedade;
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 97
c) Junho de 1959 – 43ª Conferência Internacional do Trabalho; Recomenda-
ção 112; Recomendação para Serviços de Saúde Ocupacional;
d) No Brasil (1972) – Portaria 3727 - Higiene e Segurança do Trabalho;
e) Portaria 3214 (1978) – Normas mais completas relativas à segurança e à
medicina do trabalho.
6.1.3 Classificação dos riscos
a) Grupo 1 – Físicos: ruídos, vibrações, radiações, temperatura, outros;
b) Grupo 2 – Químicos: produtos químicos em geral e suas formas de apresen-
tação (fumaça, outros);
c) Grupo 3 – Biológicos: vírus, bactérias, fungos, parasitas, insetos, outros;
d) Grupo 4 – Ergonômicos: esforço físico intenso, posturas inadequadas, jor-
nadas prolongadas, outros;
e) Grupo 5 – Mecânicos ou de Acidentes: arranjo físico deficiente, equipamen-
tos sem proteção, ferramentas inadequadas, outros.
6.1.4 Riscos relacionados ao local de trabalho
a) mudança de emprego;
b) trabalho pesado;
c) atividades de levantamento, de torção ou de encurvamento da coluna;
d) postura forçada por longos períodos;
e) tarefas repetitivas e monótonas;
f) horas extras;
g) vibração.
6.1.5 Riscos ergonômicos
a) deslocamentos corporais forçados: movimentos de torção e de flexão cons-
tantes do tronco e outros;
b) posturas forçadas e viciosas: trabalho com braços suspensos, posição em pé
ou sentada, outros;
c) vibração;
d) dispêndio excessivo de força muscular: levantamento e transporte manual
de peso;
e) ferramentas e móveis inadequados;
f) controle rígido de produtividade.
6.1.6 Riscos mecânicos
a) máquinas e equipamentos enferrujados ou obsoletos;
b) ferramentas inadequadas ou defeituosas;
c) pisos escorregadios;
d) iluminação inadequada;
e) armazenamento inadequado;
f) instalações elétricas inadequadas;
g) probabilidade de incêndio ou de explosão;
h) Mau arranjo físico do espaço.
98 Unidade VI
6.1.7 Fatores geradores de stress
a) carga de trabalho;
b) insegurança, insatisfação, frustração, monotonia e alienação com o trabalho;
c) conflitos interpessoais;
d) falta de influência e de oportunidade de promoção;
e) grau de responsabilidade;
f) mudança de emprego;
g) trabalhos noturnos.
6.1.8 Poluição sonora
a) perda auditiva ocupacional – exposição a níveis elevados de ruído no local
de trabalho (surdez ocupacional – hipoacusia);
b) os sintomas – zumbido, irritação com sons mais intensos, dificuldade de
localização da fonte sonora e da compreensão da fala e nervosismo. Fadiga,
irritabilidade, tontura, insônia, estresse, dor de cabeça, falta de concentra-
ção, dificuldade para conversar em ambientes ruidosos e elevação da pres-
são arterial. Essa lesão auditiva é irreversível.
6.1.9 Saúde e atividade física
a) redução no risco de morte por doenças cardiovasculares;
b) redução no risco de desenvolver diabetes, hipertensão;
c) melhoria do nível de saúde mental;
d) ossos e articulações mais saudáveis;
e) controle de peso corporal.
6.1.10 A higiene no trabalho
A higiene ou segurança no trabalho refere-se a um conjunto de normas e de
procedimentos que visam à proteção da integridade física e mental do trabalhador,
preservando-o dos riscos de saúde inerentes às tarefas do cargo e ao ambiente físico
onde são executadas (CHIAVENATTO, 1994).
Um plano organizado de prevenção deve envolver, não apenas serviços
médicos e de enfermeiros e de auxiliares, em tempo integral, mas também os
demais serviços:
a) serviços médicos adequados (admissão e demissão, moléstias profissionais,
primeiros socorros, controle de áreas insalubres, revisões médicas, supervi-
sões de higiene e de saúde, relações éticas, utilização de hospitais, exames de
revisão);
b) prevenção de riscos à saúde (riscos químicos, intoxicação, por exemplo; físi-
cos (ruídos, tempo de trabalho excessivo, iluminação inadequada, tempera-
turas altas, ou baixas, outros e biológicos (microorganismos, outros);
c) serviços adicionais (programas informativos, convênios, verificações, exten-
são de benefícios médicos, outros).
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 99
6.2 Meio ambiente
Na atualidade, muito se tem falado acerca do meio ambiente, dos cuidados
com sua preservação e uma luta de uma parte da sociedade para tentar minorar a
ação do homem sobre a natureza.
As preocupações centram-se nos impactos resultantes da produção de ativida-
des econômicas, realizadas em nome do desenvolvimento. A atividade turística tem
consideráveis impactos sobre o meio, uma vez que, dele se utiliza para a realização
dos sonhos das pessoas que compram o ambiente, como parte do produto global.
Em muitos países, essa temática é constante e tem havido esforço no sentido
de conscientizar a população para os cuidados que se deve ter com a preservação
ambiental e com as práticas danosas ao meio. Há legislação, denúncias de ambien-
talistas, estudos de impactos ambientais e órgãos especializados para cuidar das
questões ambientais.
A situação é tão grave e delicada que, além dessas medidas, há uma norma
para certificação de qualidade ambiental, para que as empresas e as instituições,
de modo geral, envolvam-se e tenham incentivos para competirem com mais um
requisito diferenciador. Trata-se da ISO 14000, específica para o assunto, relativa à
gestão ambiental, com exigências para que as empresas assumam suas responsabi-
lidades sobre o meio e para a adoção de medidas para uma gestão comprometida
e responsável.
No quadro a seguir, um panorama do desenrolar histórico da preocupação
com o entorno, em um resgate das ações e das concepções em voga e suas cone-
xões com o desenvolvimento da atividade turística.
Quadro 9
Panorama histórico do entorno
Décadas Entorno/meio ambiente Turismo
ANOS 50 Desfrutar e utilizar Etapa de exploração. Começo do
turismo de massa.
ANOS 60 Conscientização, intervenção pública Desenvolvimento, crescimento rá-
e protestos pido. Elementos do entorno como
atrações únicas
ANOS 70 Institucionalização. Preocupação pela A atividade turística experimenta
contaminação do ar, da água e visual. crescimento e sucesso. Marketing
e estudos de seus impactos no
meio acadêmico.
ANOS 80 Preocupação pelas substâncias tóxi- Expansão dos mercados mundiais
cas no entorno: chuva ácida, aqueci- e avanços tecnológicos
mento do globo, buraco de ozônio
ANOS 90 Desmatamento, mudanças climáti- Ecoturismo ,desenvolvimento
cas, desertificação, impactos globais. sustentável.
ANOS 2000 Intensificação das poluições. Diversificação/inovação/sofisticação
Mudanças e desastres climáticos (tsu- dos produtos turísticos. Impactos so-
nami, terremotos, outros). ciais (exploração sexual de crianças
e de jovens). Pesquisas e investi-
mentos em formação profissional.
Conscientização.
Fonte: Hudman (1991) apud OMT (2001). Adaptação da autora.
100 Unidade VI
Na perspectiva de ampliação do conceito de meio ambiente, a Biologia inclui
tudo que afeta diretamente o metabolismo ou o comportamento de um ser vivo ou de
uma espécie, incluindo a luz, o ar, o solo, a água (fatores abióticos) e os outros seres vi-
vos (fatores bióticos) que com ele coabitam. Nesse caso, a educação ambiental assume
caracteres preservacionista e conservacionista pautadas na área de ciências naturais.
Nessa compreensão, pode-se fazer referência às várias representações de
meio ambiente como: natureza, recurso, sistema, meio de vida, biosfera, projeto
de vida, em uma visão holística, ampla e integradora. Assim, pode-se compreender
o meio ambiente como:
a) natureza: cachoeiras, matas, pássaros ou entardecer. Estética da natureza
prevalece sobre a ética humana, amplamente utilizada para a realização das
atividades turísticas;
b) recurso: exemplos de hidrelétricas, de fontes de energia. Melhor “gestão”;
c) problema: queimadas, buraco da camada de ozônio, desflorestamento,
chuva ácida, lixo, outros mais, resultantes dos impactos negativos da ação
humana;
d) sistema: mapas, fotografias aéreas, modelagens ou ecossistemas;
e) meio de vida: casa e seu entorno, escola e seu espaço. Ambientes ligados ao
“habitat”, morar e cuidar;
f) biosfera: fotografia azul da Terra. Valorização das comunidades indígenas,
da essência da vida e da própria Terra;
g) projeto de vida: interdependência entre sociedade e dimensão ambiental; ética
humana como cuidado; participação, diálogo entre cultura e natureza;
h) disciplina/matéria/cursos: nos currículos das escolas, para a conscientiza-
ção e para a compreensão das pessoas, para a sutentabilidade
i) área de atuação: os órgãos governamentais ou não cuidam da legislação, da
preservação, da fiscalização das áreas ambientais.
Você sabia?
Conceito de poluição está presente na Lei 6938, de 31/8/81, que trata da polí-
tica nacional do meio ambiente.
6.2.1 Meio ambiente e educação ambiental
A educação do atual século XXI está desafiada a cumprir inúmeras funções,
para a formação do homem em sua totalidade. Não apenas o aspecto cognitivo,
mas o afetivo, o dos relacionamentos e o do compromisso com a construção de um
mundo melhor, sustentável, como legado para as gerações futuras.
Explica Morin (2000): “o planeta exige um pensamento policêntrico capaz
de apontar o universalismo, não abstrato, mas consciente da unidade/diversidade
da condição humana; um pensamento policêntrico nutrido das culturas do mun-
do”. Para esse pensador, a educação do futuro tem como finalidade trabalhar na
era planetária, para a identidade e para a consciência terrenas.
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 101
A educação deve ainda, segundo Morin (2000), ensinar a condição humana
às pessoas da era planetária, onde quer que estejam, ensinando o reconhecimento
do que é comum e do que é diverso, situando o homem no universo, ao invés de
separá-lo, integrando os saberes e as ciências, para evidenciar a multidimensionali-
dade e a complexidade humanas.
Nos ambientes urbano e rural, a escola, além de outros meios de comunica-
ção, é responsável pela educação do indivíduo e, consequentemente, da sociedade.
Ela não apenas repassa informações, mas socializa os indivíduos e promove outros
processos interacionais, para harmonizá-los consigo mesmos e com seu entorno.
Isso gera um sistema dinâmico e abrangente.
As pessoas e a sociedade, cada vez mais envolvidas com as novas tecnologias
e com os cenários urbanos, têm se fixado em um modelo de vida que faz com que
a relação natural que tinham com a terra e com suas culturas fique cada vez mais
distante. As circunstâncias sociais de desenvolvimento urbano, como shopping cen-
ters, recursos imensos de informática e a automação de muitos processos e serviços
passaram a ser normais no cotidiano dos jovens. Com isso, os valores relacionados
com a natureza não têm mais pontos de referência na sociedade contemporânea.
A educação ambiental, veiculada pelas escolas e pelas instituições sociais,
constitui-se em uma forma abrangente de educação que se propõe a atingir todos
os cidadãos na formação da consciência ecológica e na consolidação do respeito
pela natureza.
Nessa evolução, o relacionamento da humanidade com a natureza, que teve
início com um mínimo de interferência nos ecossistemas, tem hoje culminado em
uma forte pressão exercida sobre os recursos naturais, causando inúmeros proble-
mas ambientais: a contaminação dos cursos de água, a poluição atmosférica, a
devastação das florestas, a caça indiscriminada e a redução ou mesmo destruição
da fauna e da flora, além de muitas outras formas de agressão ao meio.
Disso decorre a necessidade urgente de mudar o comportamento do homem
em relação à natureza. A adoção das políticas em relação ao modelo de desenvol-
vimento sustentável, que assegura uma gestão responsável dos recursos do planeta
de forma a preservar os interesses das gerações futuras e, ao mesmo tempo, atender
as necessidades das gerações atuais, e a compatibilização de práticas econômicas
e conservacionistas são algumas possibilidades reais para minorar os problemas
sociais, com reflexos positivos para a qualidade de vida de todos.
Você sabia?
AIA: Avaliação do Impacto Ambiental.
EIA: Estudo do Impacto Ambiental.
RIMA: Relatório dos Impactos do Meio Ambiente
102 Unidade VI
6.2.2 Educação ambiental e sustentabilidade
A educação ambiental engloba os sistemas de vida e suas regularidades, en-
fatizando e estimulando o respeito pelos diferentes ecossistemas e pelas culturas
humanas da Terra. Há três níveis ou sistemas distintos de existência:
a) físico: planeta físico, atmosfera, hidrosfera (águas) e litosfera (rochas e solos)
que seguem as leis da física e da química;
b) biológico: a biosfera com todas as espécies da vida que obedecem às leis da
física, da química, da biologia e da ecologia;
c) social: o mundo das máquinas e das construções criadas pelo homem, go-
vernos e economias, artes, religiões e culturas que seguem leis da física, da
química, da biologia, da ecologia e também normas criadas pelo homem.
A forma como as pessoas manejam os recursos ambientais tem causado mui-
tos problemas e pode comprometer, cada vez mais, a existência humana. A educa-
ção dá suporte para a atuação engajada, em uma sociedade complexa, dinâmica
e variada. Ela é definida como condição de fortalecimento dos indivíduos, seu
objetivo central.
O Quadro 9, a seguir, mostra o contexto da situação e das características dos
ecossistemas urbanos, naturais e humanos e suas associações em busca do deseja-
do equilíbrio.
Quadro 10
Características dos ecossistemas urbanos
Ecossistemas Naturais Ecossistemas Humanos
ENERGIA
São sustentados por uma fonte ilimitada Atualmente sustentados por uma fonte
de energia: radiação solar finita de energia: combustíveis fósseis
Não acumular energia em excesso O consumo excessivo de combustíveis
fósseis libera muito calor para a biosfera
e altera a temperatura
Nas cadeiras alimentares, cerca de 10 Nas cadeias alimentares, são necessárias
calorias de um organismo são necessárias 100 calorias de combustível fóssil para
para produzir 1 caloria do outro produzir 10 calorias de alimentos que
gerarão 1 caloria no homem
EVOLUÇÃO
A evolução biológica adapta todos os A evolução cultural atualmente subordina
organismos e os seus sistemas de suporte os organismos e os sistemas de suporte
aos processos que sustentam a vida da Terra aos processos que sustentam a
tecnologia
POPULAÇÃO
Mantém os níveis de população de cada Permite que as populações cresçam tão
espécie dentro dos limites estabelecidos rapidamente quanto podem aumentar a
pelos controles e pelos balanços naturais, disponibilidade de alimentos e de abrigo,
incluindo fatores como alimento, abrigo, e elimina inimigos naturais e doenças via
doenças e presença de inimigos naturais biocidas e medicamentos
COMUNIDADE
Apresenta uma grande diversidade de Tende a excluir a maioria das espécies e é
espécies que vivem nos limites do local sustentada por recursos provenientes de
dos recursos naturais áreas além das locais
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 103
cont. Quadro 10
Características dos ecossistemas urbanos
Ecossistemas Naturais Ecossistemas Humanos
As comunidades são organizadas em torno As comunidades são organizadas de modo
das interações de funções biológicas e crescente, em torno de interações de
processos. A maioria dos organismos inte- funções e processos tecnológicos.
rage com uma grande variedade de outros
organismos
EQUILÍBRIO
São imediatamente governados por pro- São imediatamente governados por um
cessos comuns, naturais, de controle e de conjunto de competições de controle
equilíbrio, incluindo a disponibilidade de cultural e de equilíbrio, inclusive de ide-
luz, de alimentos, de água, de oxigênio, ologia, de costumes, de religião, de leis,
de habitat e a presença ou ausência de de políticas e de economias. Esse acordo
inimigos naturais e doenças considera um pouco ou não os requeri-
mentos para a sustentação da vida que
não seja humana
Fonte: UNESCO/UNEP/IEEP
A realidade é que os recursos do meio ambiente só trazem benefícios para
a comunidade, por isso, todas as ações que possam informar e educar crianças, jo-
vens, adultos e a população em geral cumprem com a função de demonstrar como
podem ser bem aproveitados e preservados.
São muitas as possibilidades de atuação e de meios para o aprendizado e para
a conscientização das pessoas: visitas; passeios em trilhas ecológicas; formação de
clubes de ciências do ambiente; ecoturismo; publicações e vários cursos, para dife-
rentes públicos, incluindo funcionários de áreas de floresta e de preservação. Ativida-
des para a comunidade e campanhas de conscientização e programas de orientação
ambiental, para orientar turistas, visitantes, pescadores e outros profissionais.
6.3 Qualidade na vida e na prestação dos serviços
A ideia de qualidade e o envolvimento das pessoas para sua obtenção vêm
desde os trabalhos artesanais, de séculos passados, quando o homem era o respon-
sável por todo o processo na elaboração de um produto. Isso se acentuou no mo-
mento em que as nações passaram a competir no mercado mundial, para vender
seus produtos e seus serviços.
Esse era o controle de qualidade que perdura em algumas situações e para
determinadas instituições. Nele, verifica-se se o produto atende ou não às especifi-
cações estabelecidas: controle de peso, dimensão de produtos, composição quími-
ca, entre outros. Em relação à produção, esse controle era feito no final do proces-
so, para identificar os produtos defeituosos daqueles considerados perfeitos.
A gestão de qualidade, também definida como Gestão da Qualidade Total
(GQT), é definida pela norma ISO 9000:2000 como “atividades coordenadas para
dirigir e controlar uma organização, no que diz respeito à qualidade”. Outra nor-
ma ISO 8402 explica como organizar a empresa para que possa oferecer sempre
produtos de qualidade, que atendam aos requisitos dos clientes.
104 Unidade VI
Em relação ao Sistema de Gestão da Qualidade, de acordo com essa mesma
norma ISO 9000:2000, é o “conjunto de elementos inter-relacionados ou interati-
vos para estabelecer política e objetivos, visando atingir estes objetivos, para dirigir
e controlar uma organização, no que diz respeito à qualidade”.
A série de normas ISO 9000 (Internacional Organization for Standardization -
Organização internacional para normalização) define um sistema de gerenciamento
da Qualidade, assim entendida como um sistema de regras e de normas que tradu-
zem a demanda ou os desejos dos clientes, em requisitos apropriados da empresa.
Essas normas ISO 9000 foram elaboradas com a finalidade de conciliar to-
das as regras de gestão de qualidade espalhadas pelo mundo, representando uma
espécie de unificação de conceitos, com vistas a facilitar o comércio internacional
de bens e de serviços.
Agora é importante explicar que as empresas/indústrias e outras instituições
podem querer implantar a ISSO 9000, com o objetivo de uma futura certificação.
Para isso, aconselha Silva Mello, em seu artigo sobre IS0 9000, uma visão geral,
que é necessário estabelecer alguns pontos importantes:
a) decisão e compromisso da alta direção da empresa;
b) diagnóstico da situação atual da entidade;
c) escolher a norma ISO 9000 mais adequada à atividade da empresa;
d) adotar uma política de qualidade assimilável por toda a organização;
e) gerenciar a qualidade através de grupos de controle e de grupos de ação;
f) investir em treinamento, em conscientização e em motivação pessoal;
g) eleger áreas que serão trabalhadas;
h) quantificar os custos de não conformidades;
i) elaborar um plano de ação consistente, determinando as etapas para a im-
plementação da norma.
6.3.1 A ISO 9000 e a indústria da hospitalidade
A prestação de serviços na indústria da hospitalidade conta com bons e com
outros maus exemplos de serviços prestados, como ocorre em outras instituições.
Para os consultores Lamprecht e Ricci (1997), no segmento hoteleiro, assim como
em todos os setores cujo resultado depende de atividades de contato direto com o
cliente o grau de atendimento e de eficácia de seus processos devem ser periodica-
mente examinados. De um modo geral, os hotéis utilizam um questionário ou uma
seleção de perguntas, mas raramente o hóspede está motivado a responder.
No setor de hospitalidade, hotéis em vários países têm adotado a aplicação das
normas ISO 9000, modelo 9002 - Sistemas da Qualidade - que são destinadas para
uso quando as conformidades com relação a exigências especificadas devem ser ga-
rantidas pelo fornecedor durante a produção, a instalação e os serviços associados.
Uma das principais vantagens obtidas pela implantação da ISO 9002, de acordo
com os funcionários de um hotel certificado, no Brasil, em depoimento aos consultores
acima citados, diz respeito à manutenção de uma constância nos serviços prestados e a
uma facilidade em treinar um novo funcionário em determinadas atividades.
Outro aspecto positivo apontado como diferencial está ligado ao fato de que
as pessoas passaram a ter mais comprometimento com o trabalho.
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 105
Em muitos casos, explicam esses consultores, apesar do esforço de alguns fun-
cionários, fica evidente que esses indivíduos não foram treinados de maneira correta.
Por isso, a aplicação de um sistema de qualidade normalizado, como o modelo des-
crito pela série ISO 9000, pode ajudar a corrigir deficiências e certamente repercutirá
na satisfação dos clientes, minimizando experiências desagradáveis.
6.3.2 Técnicas da qualidade
As técnicas da qualidade representam o conjunto de conceitos usados para a
adequação do modo de gerenciamento da empresa, contribuindo para a construção
de um modelo de gestão. Essas técnicas fazem uso das ferramentas da qualidade
e são identificadas por siglas, como, por exemplo, uma das técnicas é denominada
pela sigla 5S que na língua japonesa representa palavras iniciadas pela letra S. A
qualidade envolve também atitudes e outros aspectos que produzem um resultado
satisfatório, mas o significado é o seguinte:
Quadro 11
Técnica 5S
Seiri – organização/arrumação e classificação – é chegar no horário com-
S1 binado, fazer primeiro o que é realmente mais importante. Respeitar
prazos, não deixar tudo para última hora.
S2
Seiton - ordem – significa tudo no lugar certo, bem arrumado, fácil de
encontrar.
Seisou (Seissô) - limpeza – sujeira é sempre sinônimo de má qualidade;
S3 tudo limpo é agradável, lembra boa qualidade: chão, bancadas, ferra-
mentas, instrumentos, máquinas, entre outros.
S4
Seiketsu – higiene/asseio – é o cuidado com o corpo, com as roupas e com
os pertences pessoais. É sempre agradável uma pessoa asseada, limpa.
Shitsuke – disciplina/formação moral e ética – saber mandar tão bem
S5 como obedecer. Respeitar os regulamentos, os colegas, os superiores, a
família e não fazer escondido o que não faria em público.
Fonte: Pesquisa da autora
O crescimento do “movimento 5 S” nas indústrias ocorreu de forma gradu-
al, mas foi intensificando à medida em que os resultados se evidenciaram e sua
aceitação tomou grandes proporções em vários países. Iniciado no Japão como
movimento para a melhoria da produtividade. De todos os 5 tópicos, enfatizam
alguns estudiosos que o último – Shitsuke, é considerado o mais importante, pois a
formação moral e ética está no centro de todo o processo, porque significa melho-
res condições de formação humana, tendo o homem no centro de todo o processo.
6.3.3 Ferramentas da qualidade
As ferramentas da qualidade são instrumentos que permitem a aplicação dos
conceitos de Qualidade de uma forma prática e relativa simplicidade. Como exem-
plo de ferramentas, pode-se citar o ciclo PDCA, o 5W e 2H, Diagrama de Causa e
Efeito, Brainstorming e outras.
106 Unidade VI
O ciclo PDCA é uma ferramenta da qualidade que orienta a sequência de
atividades para gerenciar as tarefas, os processos, as empresas. As letras significam:
P (planejamento); D (desenvolvimento); C (checagem) e A (ação corretiva).
No aspecto do planejamento, as principais perguntas são: Quais objetivos?
Quais as metas a serem atingidas? e quais os meios/métodos que devem ser usa-
dos? No tópico do desenvolvimento, as perguntas são: As pessoas envolvidas fo-
ram comunicadas e treinadas? As ações são realizadas conforme o planejado? Es-
tão sendo feitos os registros dos resultados?
Na checagem, perguntam-se: As metas propostas foram alcançadas? Quais
os desvios dos resultados obtidos em relação às metas? E na definição da ação cor-
retiva deve-se decidir pelo que será feito para melhorar os resultados.
As ferramentas 5W e 2H são outras possibilidades para auxiliar no planeja-
mento das ações. Pode-se organizar o planejamento, para implementar uma solu-
ção, ao responder às seguintes questões:
Quadro 11
Técnica 5W 2H
WHAT - (o que) - Qual ação será desenvolvida?
WHEN - (quando) - Quando a ação será realizada?
WHY - (por que) - Por que foi definida esta solução? (resultado esperado)
WHERE (onde) - Onde a ação será desenvolvida? (abrangência)
WHO – (quem) - Quem será o responsável pela implementação?
HOW - (como) - Como a ação será implementada? (passos)
HOW MUCH (quanto) - Quanto será gasto?
Fonte: Pesquisa da autora
Esse é o modelo da ferramenta 5W 2H, para auxiliar no planejamento de
ações de modo geral, podendo ser feito um quadro para organizar essas informa-
ções e, a partir delas, pode-se usar o ciclo PDCA e fazê-lo girar, para implementar
e para checar cada etapa do ciclo.
O diagrama de causa – efeito ou de Ishikawa, seu idealizador, ou ainda dia-
grama espinha de peixe (pela semelhança) tem por finalidade representar grafica-
mente a organização das muitas informações, possibilitando a identificação das
causas prováveis de um efeito. É importante a utilização do gráfico, durante o pro-
cesso de identificação das causas de um problema, pois possibilita a visualização
da totalidade de determinado processo.
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 107
Esse diagrama permite, ao visualizar um universo maior de causas prováveis
de alguns efeitos nocivos à instituição, por exemplo, encontrar razões que parecem
pequenas, mas, no conjunto, podem ter grande valor na identificação das causas
de efeitos indesejados. Por exemplo, origens da insatisfação dos clientes, ou proble-
mas no atendimento; como identificar itens que parecem irrelevantes?
Cada espinha foi originalmente classificada, de acordo com 4 mais prováveis
“causas universais”, ou seja, os 4M’s e , depois , foram acrescentados mais outros
dois relativos:
a) mão-de-obra: a pessoas direta ou indiretamente envolvidas com a execução;
b) material: aos materiais utilizados;
c) método: ao método empregado – procedimentos e instruções;
d) máquina: a máquinas e equipamentos;
e) medições: medições realizadas e
f) meio ambiente: ao ambiente, ao local em que se realiza o processo.
Ao preencher as espinhas com as possíveis causas, e algumas até subdivi-
didas, pode-se realizar o brainstorming - ou tempestade de ideias - que é outra fer-
ramenta, criada por um professor norte-americano, Alex S. Osborn, precursor de
sistemas e de métodos para desenvolvimento da criatividade. Foi um método in-
corporado à qualidade pela eficácia na geração de ideias e de sugestões para a
solução de problemas.
Trata-se de organizar um grupo de, no máximo, 10 pessoas, em torno de um
problema, para ouvir as várias ideias, anotá-las e, em seguida, selecionar e organi-
zar análises e sugestões apresentadas.
6.3.4 Qualidade de vida
Na atualidade, há uma verdadeira disseminação da ideia de que se devem
buscar as condições que propiciem “qualidade de vida”. Esse tema é recorrente
no discurso oral e escrito, em revistas, em periódicos e em literatura especializada,
mas é difícil identificar se existe uma compreensão do significado desta expressão:
qualidade de vida.
O Instituto Português de Qualidade define-a como: “conjunto de caracterís-
ticas de um produto, processo, sistema, pessoa ou organização, que lhes confere
aptidão para satisfazer necessidades explícitas ou implícitas”. Resulta sempre de
esforço inteligente e nunca é um acidente, portanto, constrói-se a qualidade que
passa a ser fator de competitividade (IPQ, 2010).
A análise de Chiavenato (1994) refere-se à qualidade de vida no trabalho
(QVT) e trata da satisfação das necessidades pessoais, satisfeitas pela organização,
108 Unidade VI
nas quais as pessoas trabalham. Essa qualidade afeta atitudes pessoais e compor-
tamentos, em função da motivação, da criatividade, da inovação. Mas a qualidade
de vida no trabalho tem dois olhares: um para os empregados e o outro para os
empregadores, cada um com suas expectativas, suas necessidades e seus objetivos.
É importante considerar que a qualidade de vida no trabalho também passa
pelo resultado da atuação individual (pessoas com necessidades, valores e expec-
tativas) e organizacional (situação das organizações, da tecnologia, das recompen-
sas, dentre outros), e também pela dinâmica do processo de trabalho e pela atuação
dessas instâncias.
Segundo Chiavenato (1994), o desempenho dos cargos e o clima organiza-
cional representam importantes fatores para a qualidade de vida no trabalho e o
ajuste para melhor qualidade será em função das políticas de respeito, de valoriza-
ção e de confiança no trabalhador.
Na verdade, a população e o mundo – organizações sociais, estrutura de
poder, legislação e normas - precisam ser alertados para a impossibilidade de con-
tinuar com as práticas injustas e abusivas em relação aos produtos, aos processos,
às organizações, às pessoas e, ao meio ambiente, em sua totalidade.
Apesar de muitas pessoas não saberem exatamente a que se refere, mas a
disseminação, a discussão e a busca pela melhoria da qualidade, em todos os as-
pectos, já é um bom indício de que o esforço no sentido da procura do equilíbrio,
da harmonia, da construção de um mundo melhor, mais justo, no qual a paz e as
oportunidades sejam uma realidade na vida das pessoas, tudo isso já dá esperanças
de um mundo mais sustentável.
É importante sim cuidar da saúde, escolher alimentos, examinar prazos de
validade, informar-se sobre práticas saudáveis, buscar a realização pessoal e tantos
outros cuidados com a vida. Praticar atividades físicas, realizar tarefas prazerosas,
cuidar das amizades, da sociedade, olhar o próximo de modo humano, cuidar das
relações interpessoais, buscar a melhoria contínua em todos os sentidos: físico,
psíquico, social, ambiental, emocional.
Qualidade de vida engloba a saúde, o bem-estar e a realização pessoal, mas
também está ligada às relações intrapessoais, aos pensamentos positivos, às ener-
gias que o ser humano emana ao longo do dia durante o exercício de suas ativida-
des cotidianas, uma prática diária e constante de aprendizado e de socialização.
6.4 Empreendedorismo
O empreendedorismo é um termo muito utilizado nas conversas informais,
nos ambientes de trabalho e no mundo acadêmico, em referência tanto a uma disci-
plina de conteúdo científico, dos currículos dos cursos, como na forma de adjetivo,
para qualificar pessoas com atuação arrojada, inovadora, destemida. Esses empreen-
dedores são homens que criam novos empreendimentos, novas empresas, a partir de
seu próprio método, dispondo de seu conhecimento e de sua experiência.
Portanto, o empreendedor é alguém capaz de criar algo, quando não existem
atividades geradoras de riquezas, de empregos, de novos produtos, com iniciativa
empresarial. As habilidades que deve ter um empreendedor são de origem técnica,
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 109
gerencial e de caráter pessoal, esta última, envolve ousadia, visão, iniciativa, correr
riscos, ser disciplinado e ter paixão pelo que faz.
No aspecto habilidades técnicas, esses profissionais têm como características
a organização, trabalhar em equipe, saber liderar, ouvir e captar informações de
grande valia para o desenvolvimento de seu negócio, ou ideia. A parte gerencial en-
volve a criação e o gerenciamento empresarial, com a marca de sua personalidade
e de seu modo de organizar e de gerenciar a atividade profissional:
a) o empreendedor que transforma a situação mais trivial em uma oportuni-
dade excepcional é visionário, sonhador; o fogo que alimenta o futuro; vive
nele, nunca no passado e raramente no presente; nos negócios, é inovador,
o grande estrategista, o criador de novos métodos para penetrar nos novos
mercados;
b) o administrador que é pragmático vive no passado, almeja ordem, cria es-
quemas extremamente organizados para tudo;
c) o técnico que é executor adora consertar coisas, vive no presente, fica satis-
feito no controle do fluxo de trabalho e é um individualista determinado.
6.5 Cidadania e responsabilidade social
A cidadania é condição do cidadão no que se relaciona aos seus direitos civis
e políticos e o cumprimento de seus deveres.
As relações de consumo na área de turismo são protegidas pela constituição
brasileira e regidas pelo código de defesa do consumidor – CDC (Lei Nº 8078/
1990) que estabelece normas de proteção e de defesa de ordem pública e de inte-
resse social.
No que se refere aos prestadores de serviços turísticos, de modo geral, apli-
cam-se dispositivos legais pertinentes aos meios de hospedagem, à operação e ao
guiamento e agenciamento turísticos, a transporte, a eventos e a outros. Tal legis-
lação dispõe, entre tantos assuntos, sobre o cadastramento e a fiscalização desses
serviços e encontra-se disponível no endereço eletrônico do Mtur.
O conceito de responsabilidade social é amplo e está voltado para a ética
como princípio fundamental das ações e das relações com todos os agentes com os
quais a empresa dialoga: acionistas, empregados, consumidores, rede de fornece-
dores, meio ambiente, governo, mercado, comunidade. A responsabilidade social é
uma mudança de atitude, com foco nas responsabilidades sociais das relações e na
geração de valor para todos (OLIVEIRA, 2002).
Nos dias atuais, a competitividade das empresas não se resume a produtos e a
serviços de qualidade e marketing inteligente, mas a uma nova postura empresarial
que é sua participação nas ações comunitárias. Dessa forma, a responsabilidade
social se torna cada vez mais um fator decisivo para o crescimento das empresas.
Pesquisas indicam a influência que exerce sobre os consumidores, os pro-
dutos e as marcas envolvidas com algum tipo de ação social, pois significa que a
empresa está atenta e participando do desenvolvimento da comunidade local e pre-
ocupada com o bem estar de seus funcionários. No Brasil, uma pesquisa indicou
que 56% das entidades desenvolvem algum tipo de atuação social e que 79% delas
110 Unidade VI
melhoraram a imagem institucional e a relação com a comunidade a partir dessas
ações (OLIVEIRA, 2002).
O conceito de Responsabilidade Social, como estratégia de ação, contribui
para a construção de uma sociedade mais justa e para a cidadania, pois abrange os
seguintes aspectos: visão e missão (empresa/organização); ética; práticas gerais de
recursos humanos; relações de trabalho; de saúde; de relacionamento com a cadeia
produtiva, com os acionistas; práticas de mercado; atendimento ao consumidor;
marketing social; balanço social; relação com o governo; com o meio ambiente;
ações culturais; apoio à comunidade e aos direitos humanos (OLIVEIRA, 2002).
Nessa direção, a responsabilidade social empresarial deve estar atenta aos
funcionários (suas famílias), ao meio ambiente, à comunidade local e deve averi-
guar os resultados organizacionais e seus efeitos no âmbito local e de sua atuação.
Para isso, foi criada uma norma específica, para verificar as condições de trabalho,
seguindo o modelo da ISSO 9001 que é a AS 8000, para orientar o sistema de ges-
tão da responsabilidade social.
A Norma AS 8000 foi emitida pela Social Accountability international (SAI),
uma organização beneficente de direitos humanos dedicada a melhorar as condi-
ções de trabalho e as comunidades, através da implantação de normas socialmente
responsáveis. Assim foi lançada a AS 8000 que segue os modelos das normas ISO
9000 e ISO 14000, beneficiando:
a) empresas (melhora as condições psicológicas e de produtividade, de respon-
sabilidade social, de redução de rotatividade e outros);
b) empregados (melhor ambiente de trabalho, redução dos acidentes, treina-
mento em saúde e em segurança no trabalho, salários adequados, e outros);
c) investidores/consumidores (identificação de produtos feitos sob condição
humana, informações claras, credibilidade e ética, preocupação com funcio-
nários e outros);
d) sociedade (redução do trabalho infantil, mais crianças na escola, trabalha-
dores saudáveis, cooperação entre empresas, e outros).
A responsabilidade empresarial está cada vez mais apontada como fenôme-
no que obriga as empresas a repensarem seus papéis e sua condução dos negócios
através de estratégias de gestão, em um mundo globalizado com mudanças velozes.
Dentre os cuidados que as empresas devem ter, está também em jogo sua “ima-
gem” que no mercado pode ser importante fator de competitividade.
Ao adotar a norma AS 8000, as empresas ficam resguardadas e há uma
diminuição dos números de problemas, fonte da falta de responsabilidade e que
hoje têm muitas repercussões desagradáveis e nefastas. Entre os requisitos que essa
norma define estão: trabalho infantil; trabalho forçado; segurança e saúde no tra-
balho; liberdade de associação e de direitos coletivos; discriminação (sexual, racial,
política, de nacionalidade, dentre outros), práticas disciplinares, carga horária de
trabalho, remuneração e sistema de gestão.
Esse é um reflexo de alguns avanços sociais, para conter alarmantes índices
de ações humanas predadoras em relação ao meio ambiente e aos seus próprios
semelhantes.
Saúde, segurança, meio ambiente e qualidade 111
Atividades
Teste seus conhecimentos. Realize os exercícios para verificar como foi a sua
aprendizagem:
1. Explique alguns efeitos da poluição sobre a saúde humana.
2. Listar alguns fatores que provocam desequilíbrio da saúde individual e cole-
tiva.
3. Relacione a alimentação equilibrada com a manutenção da saúde, do bem
estar e da disposição para o trabalho
4. Descreva as características do perfil do empreendedor moderno.
112 Unidade VI
Unidade VII
Fortaleza: o cenário
Nesta unidade, você estudará para desenvolver as seguintes
competências:
> Compreender e direcionar a história e a geografia de Fortaleza
e do litoral leste voltados para o turismo;
> Conhecer as potencialidades turísticas de Fortaleza e do litoral leste;
> Identificar o turismo de sol e de praia como principal produto
turístico.
7.1 A História de Fortaleza: a loira desposada do sol1
Foto 7.1 – Fortaleza
_________
1
Essa denominação foi dada por Paula Ney, em versos poéticos.
114 Unidade VII
Bandeira Brasão
A capital do Ceará desenvolveu-se às margens do riacho Pajeú e pertence à
mesorregião e à microrregião Metropolitana de Fortaleza. Sua toponímia é uma
alusão ao Forte Schoonenborch, construído pelos holandeses entre 1637 e 1654.
A cidade alencarina está localizada no litoral Atlântico, com 34km de praias,
a uma altitude média de 21 metros e é centro de um município de 313,8 km² de
área e 2.505.552 habitantes, sendo a capital de maior densidade demográfica do
país com 8.001 hab/km². De acordo com dados do IBGE, é o lugar mais populoso
do Ceará, o quinto do Brasil e o 91º mais populoso do mundo.
A Região Metropolitana de Fortaleza possui 3.655.259 habitantes, sendo a
sétima mais populosa do Brasil e a terceira do Nordeste. Em recente estudo do
IBGE, ela aparece como metrópole da terceira maior rede urbana do país em po-
pulação, tendo o 15º maior PIB municipal da nação e o segundo do Nordeste com
24,4 bilhões de reais. Importante centro industrial e comercial brasileiro, com o
sétimo maior poder de compra do país, a cidade alcançou a marca de destino mais
procurado nacionalmente, em 2004, com atrações como a micareta Fortal no final
de julho e o maior parque aquático do Brasil, Beach Park.
Durante o século XIX, a cidade consolidou a liderança urbana no estado,
fortalecida pelo surgimento da cultura do algodão. Com o aumento das navega-
ções direto com a Europa, foram criadas, em 1812, a Alfândega de Fortaleza, a
Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, no local do restante do Forte com o
mesmo nome da já citada santa, o Passeio Público e, depois, com a crescente ex-
portação de algodão e a prosperidade econômica, outras obras foram feitas: Liceu
do Ceará; Farol do Mucuripe; Santa Casa de Misericórdia; Seminário da Prainha;
Estrada de Ferro de Baturité e o Porto de Fortaleza.
A população estimada pelo IBGE, em 2009, foi de 2.505.552, tendo como
uma das principais causas de seu crescimento demográfico o período das secas no
interior e, conseqüente, o êxodo rural. No ano de criação da vila, em 1726, era de
200 habitantes no núcleo urbano. O primeiro senso populacional, em 1777, conta-
bilizou 2.874 pessoas.
Nas décadas de 1870 e 1880, houve movimentos abolicionistas e republica-
nos que culminaram na libertação dos escravos no Ceará, em 25 de março de 1884.
O movimento literário Padaria Espiritual surgido em 1892 foi pioneiro na divulga-
ção de ideias modernas na literatura brasileira. Outras entidades da época foram
o Instituto do Ceará e a Academia Cearense de Letras respectivamente fundadas
em 1887 e 1894.
Fortaleza: o cenário 115
A capital cearense possui todo o brilho do sol, a hospitalidade da gente, o
rico artesanato, bons hotéis, restaurantes e inúmeros pontos turísticos, como, por
exemplo, as áreas de importância histórica ou de bela arquitetura.
Uma visitação aos monumentos e aos pontos turísticos é o mais indicado
para se conhecer um pouco do passado de Fortaleza. O grande desenvolvimento
do turismo tem estimulado, além do comércio e da construção civil, a prestação de
serviços, outra importante atividade econômica do município, como, por exemplo:
a hotelaria, a alimentação, o transporte e outros.
7.2 A Geografia de Fortaleza
O meio ambiente de Fortaleza tem características semelhantes aos que ocor-
rem em todo o litoral brasileiro.
O clima é ameno, com temperatura anual média de 26°C e, apesar de semi-
árido, sua localização, entre serras, faz modificar essa realidade, com as chuvas de
verão frequentes, também em todo o Estado. Sem as estações do ano bem definidas
e com período chuvoso de janeiro a julho, a média pluviométrica é de 1600mm
aproximadamente.
Em se tratando de vegetação, predomina o mangue e a restinga e tem, como
maior área verde da cidade, com 1.155,2 hectares, o Parque Ecológico do Cocó. A
vegetação é tipicamente litorânea, sendo que as áreas de restinga encontram-se nas
proximidades das dunas ao sul da cidade e perto da foz dos rios Ceará, Cocó e Pacoti
e nos leitos desses rios a mata predominante é a de mangue. Há, na parte sudeste da
cidade, uma reserva de mata atlântica, no bairro Lagoa Redonda. A área tem mais
de 50 hectares e foi protegida por lei, em 2006 e foi aberta para visitação em 2008.
7.2.1 Aspectos da Hidrografia
Foto 7.2 - Rio Cocó
116 Unidade VII
Rio Cocó
A bela paisagem retrata o Rio Cocó que deságua em um manguezal, com-
pondo um cenário paisagístico de inigualável beleza.
Os rios Ceará, Maranguapinho, Pajeú, Maceió, Cocó, Coaçu e Pacoti fazem
parte das belezas naturais dessa capital.
a) Ceará - desemboca na praia da Barra do Ceará. O rio marca a divisa com
o município de Caucaia. Ainda nesse local existe uma APA - Área de Pro-
teção Ambiental do Estuário do Rio Ceará com 2.744,89 hectares que foi
criada em 1999. Sua característica principal é a vegetação de Mangue;
b) Maranguapinho é o maior afluente do Rio Ceará. Nasce na Serra de Maran-
guape, com extensão de 34 km;
c) Pajeú é historicamente o rio em que se assentou a cidade. Restam somente
duas áreas verdes de margem do rio: a primeira por trás da antiga sede da
Prefeitura, no centro, e a segunda próxima à administração da Câmara de
Dirigentes Lojistas - CDL de Fortaleza;
d) Maceió;
e) Cocó é o mais importante rio de Fortaleza, perto de sua foz, foi criado, em
1989 e ampliado em 1993, o Parque Ecológico do Cocó. Esta área é a mais
importante da cidade;
f) Coaçu é um afluente do rio Cocó e junto de sua foz forma também área de
interesse ambiental. Faz a divisa de Fortaleza com o Eusébio em uma área em
que o leito do rio forma a maior lagoa de Fortaleza, a lagoa de Precabura;
g) Pacoti faz divisa de Fortaleza com Aquiraz, as margens com seus mangue-
zais formam, hoje, a APA do rio Pacoti com 2.914,93 hectares.
Em Fortaleza, as lagoas ainda não estão totalmente urbanizadas e a preservação
delas ainda é um desafio para as administrações municipais. Essas oito lagoas estão
localizadas em diversos espaços da capital: Itaperaoba, Jacareí, Maraponga, Maria
Vieira, Messejana, Mondubim, Opaia, Parangaba, Porangabussu e Sapiranga.
O litoral de Fortaleza tem uma extensão total de 34 km com um total de 15
praias, limitando-se com a foz dos rios Ceará ao norte e Pacoti ao sul. Outros rios e
riachos que desaguam no litoral são: Riacho Pajeú, Riacho Maceió e o Rio Cocó.
São famosas as praias: da Barra do Ceará, de Goiabeiras, do Arpoador, do Piram-
bu, a de Jacarecamga, de Iracema, a do Meireles, a da Volta da Jurema, do Mucu-
ripe, do Titanzinho, do Futuro, do Caça e Pesca de Sabiaguaba e de Abreulândia.
A cidade tem atualmente várias áreas protegidas, controladas pelo poder pú-
blico e por particulares.
Fortaleza: o cenário 117
Quadro 12
Relação dos parques públicos de propriedade da prefeitura
Nome Bairro Área Lei
Polo de Lazer Alagadiço e São 39.259,53 m² Decreto nº 4630/76
Sargento Hermínio Gerardo
Parque Pajeú Centro 15.335 m² Decreto nº 5565/80
Parque da Liberdade Centro 27.671,10 m² Decreto nº 84
Parque Adahil São João do Tauape 137.103,19 m² Decreto nº 4852 e
Barreto/Cocó 5754/83
Parque Rio Branco São João do Tauape 75.825 m² Decreto nº 8960
Parque Parreão Fátima 31.582 m² Decreto nº 8890
Lagoa do Opaia Aeroporto 159.379 m² Decreto nº 3172
Horto Municipal Passaré 174.893 m² Decreto nº 3652
Falconete Fialho
Parque Municipal das Sabiaguaba 467,60 hectares Decreto nº 11.987
Dunas de Sabiaguaba
Parque Ecológico da Maraponga 31 hectares Decreto nº 21.349
Lagoa da Maraponga
Quadro 13
Relação dos parques públicos de propriedade do governo do Ceará
Nome Bairro Área Lei
APA do Estuário do Barra do Ceará e 2.744,89 ha Decreto nº 25.413
Rio Ceará Vila Velha
Parque Estadual Litoral de Fortaleza 33,20 km² Decreto nº 12.717
Marinho da Pedra da
Risca do Meio
Parque Ecológico do 1.155,2 ha Decreto nº 22.587
Rio Cocó
APA do Rio Pacoti 2.914,93 ha Decreto nº 11.987
Floresta do Curió 57,35 ha Decreto nº 28.333
Quadro 14
Relação das reservas particulares abertas ao público
Nome Bairro Área Lei
Reserva Ecológica 58,76 ha Fundação Maria
Particular Lagoa da Nilva Alves Soares
Sapiranga
Fonte: Pesquisa da autoria
Em 2006, o PIB de Fortaleza foi de R$ [Link],00 reais, com um
aumento nominal relativo ao ano anterior de quase R$ 3 bilhões. No ano de 2004,
de acordo com o IBGE, o PIB foi de R$ [Link] reais. Esse total representa
47,5% do PIB do Ceará e 0,89% do Brasil. Dentre as capitais do Nordeste, Fortale-
za possui o segundo maior PIB, sendo superado apenas por Salvador.
O comércio diversificado é o maior gerador de riquezas da economia alen-
carina. A principal área de comércio continua sendo o Centro, reunindo o maior
número de estabelecimentos. A Avenida Monsenhor Tabosa é outro corredor co-
mercial importante, próxima ao polo turístico da Praia de Iracema, bem como a
118 Unidade VII
avenida Gomes de Matos no bairro Montese. Não se pode deixar de falar sobre o
grande crescimento econômico dos bairros da periferia de Fortaleza, como o bair-
ro Montese, na Avenida Gomes de Matos, e do Bairro Bom Jardim, na avenida
Oscar Araripe. Os vários shoppings, dentre os maiores: Iguatemi, North Shopping
e Aldeota, Del Paseo, Benfica, Via Sul são importantes áreas de comércio e de
entretenimento.
A produção de calçados, produtos têxteis, couros, peles e alimento, nota-
damente derivados do trigo, além da extração de minerais são os segmentos mais
fortes da indústria em Fortaleza. Em 2004, foram contadas pelo IBGE um total de
7.860 unidades industriais.
7.3 O litoral leste de Fortaleza
O litoral leste de Fortaleza é caracterizado pelo predomínio de barreiras aver-
melhadas que formam falésias de areias coloridas de onde jorram fontes de água
doce. As praias da Prainha, Iguape, Caponga, Barra Nova, Águas Belas, Morro
Branco, Praia das Fontes, Uruaú, Fortim, Canoa Quebrada, Majorlândia, Quixaba
e Ponta Grossa são preferidas pelo turismo. A oeste um perfil de dunas brancas,
estendendo-se até a beira-mar, abriga lagoas, velas e coqueiros em praias como Ica-
raí, Tabuba, Cumbuco, Pecém, Taíba, Paracuru, Lagoinha, Fleixeiras, Mundaú,
Baleia, Almofala, Barrinha, Jericoacoara e Camocim.
Com diferentes atrativos naturais e culturais, o litoral leste possui uma varie-
dade de cenários capaz de garantir motivação permanente aos que o visitam. Esses
atributos, somados à hospitalidade do povo, tornam o Ceará um dos principais
destinos turísticos do Brasil.
O município de Aquiraz guarda, em sua importante história, fatos de alto
relevo para o estado e apresenta as marcas de um passado que deixou suas pega-
das, hoje de alta significação para a atividade turística. Primeira capital do estado,
localizado na Região Metropolitana de Fortaleza, situa-se na costa leste do litoral
cearense. Os dados estatísticos informam que Aquiraz tem 67,7mil habitantes e
fica a 32km de Fortaleza , com acesso pela CE-040.
Como registra a história, a riqueza da aristocracia portuguesa de outrora
ainda permanece a vista nas ruas do centro de Aquiraz, onde suntuosos casarões
remetem aos modelos arquitetônicos de Portugal e do sertão. Algumas influências
Mouras prevalecem intactas nas fachadas dos prédios, refletindo assim a opulência
daqueles idos, conferindo um estilo “sui generis” ao casario da cidade.
Ao ter equipamentos turísticos que retratam esse enredo, na cidade encontra-
se o Museu de Artes Sacras e as Ruínas dos Jesuítas que não deixam a história de
Aquiraz ser esquecida. Outro atrativo para os visitantes é o Mercado das Artes
com apresentações artísticas locais e oficinas.
Modernamente, o município tem-se destacado, em termos turísticos, por im-
portantes investimentos em meios de hospedagem, de restaurantes, de atrativos
construídos e naturais. A calmaria das praias, com ventos propícios à prática de
esportes náuticos, a temperatura e a qualidade da água do mar, para o banho e o
sol que brilha intensamente durante quase todo o ano também atraem os visitantes.
Fortaleza: o cenário 119
Ainda há o Porto das Dunas, por exemplo, com excelentes hotéis que aco-
lhem hóspedes mais exigentes. A localidade tem como atrativo um dos maiores
parques aquáticos à beira-mar da América do Sul: o Beach Park. Além dos toboá-
guas, das cachoeiras, das lanchonetes, dos restaurantes, dos passeios ecológicos e
dos voos de helicóptero e de ultraleve, o parque oferece ainda a opção de hospeda-
gem no resort do complexo turístico com suítes de frente para o mar, com salão de
jogos, com academia de ginástica e com outras vantagens. De um lado, o mar; do
outro, a vista do belo parque eólico sobre as dunas.
Na continuidade da área costeira, há a vizinha Prainha, onde os artis-
tas locais pintam as velas das jangadas, retratando o cotidiano dos pescadores
antes de se lançarem ao mar em uma disputa que acontece anualmente, o Na-
vegarte. A praia do Batoque, uma reserva extrativista, é considerada um exem-
plo de preservação ambiental e calmaria. No Iguape, o Centro das Rendeiras,
juntamente aos trabalhos desenvolvidos no local e a bela paisagem da praia,
disputa a atenção dos turistas.
Em relação à atração, em termos de eventos locais, atualmente, no muni-
cípio, os principais eventos são: a festa religiosa de São José de Ribamar (19.06)
- padroeiro da cidade, o evento náutico - Ceará Wind 2000, a Feira Metropolitana
do Artesanato e a Festa de Nossa Senhora dos Navegantes.
Sobre a oferta hoteleira, o município possui uma boa rede de meios de hos-
pedagem, oferecendo diversas opções, desde as mais simples às mais sofisticadas
instalações. Atualmente, há em Aquiraz 32 meios de hospedagem com uma oferta
de 3294 leitos.
Destaca-se, entre os atuais investimentos nesse setor, o Aquiraz Riviera, em-
preendimento promovido por um consórcio luso-brasileiro que lançou, no dia 26
de junho, a primeira etapa de vendas dos lotes residenciais do projeto turístico-imo-
biliário. São 312 lotes, com área média de 1.000 metros quadrados, com comer-
cialização a cargo da Lopes Immobilis daquele que será o maior empreendimento
turístico de padrão internacional do Brasil.
Localizado na praia de Marambaia, cerca de 25 km de Fortaleza, o supe-
rempreendimento Aquiraz Riviera conta com investimentos de infraestrutura em
torno de R$ 230 milhões. Ele possui área total de 285 hectares e cerca de 1.800 me-
tros de frente para o mar e é desenvolvido pelo Consórcio Luso-Brasileiro Aquiraz
Investimentos SA.
O litoral leste possui, também, como características marcantes, as barreiras
que formam falésias de areias coloridas e fontes de água doce. Nessa faixa da costa,
o litoral reúne densas matas de coqueiros, planícies fluvio-marinhas com mangues,
possibilitando a reprodução de crustáceos e o repouso das aves. Destacam-se, na
costa leste, as praias de Morro Branco e Canoa Quebrada.
A praia de Morro Branco está situada no município de Beberibe, constituindo-
se duas das principais atrações da costa leste cearense. Localizada a 85 quilômetros
de Fortaleza, essa região proporciona cenários de rara beleza. São quilômetros de
falésias coloridas, de onde os nativos extraem areia para os tradicionais artesanatos
populares. Lá, o visitante encontra uma variedade de bares, de restaurantes e de
barracas típicas que disputam o espaço com jangadas e com pescadores.
120 Unidade VII
A praia de Canoa Quebrada é um lugar mágico que impressiona a todos os
visitantes com sua atmosfera animada e beleza paradisíaca. As dunas, as falésias, o
mar e o sol brilhante são as principais atrações desse lugar, localizado a 156 quilô-
metros da capital cearense. Ela foi descoberta nos anos 70 por grupos de hippies. Lá,
eles encontraram um povo simples e hospitaleiro, com quem logo se identificaram.
A pesca com jangadas no mar é até hoje a principal tradição da população local.
Mesmo se transformando de aldeia de pescadores para um lugar turístico, Canoa
Quebrada nunca perdeu seu encanto e sua sedução. Assistir ao pôr-do-sol do alto das
dunas locais pode ser a experiência mais romântica da vida de alguém. Na rua prin-
cipal, conhecida como Broadway, reggae e forró dão o tom da alegria e encantam os
pedestres. A região conta com uma boa infraestrutura de pousadas, de restaurantes e
de bares. Ao descer das falésias alaranjadas em direção à praia, o visitante dispõe de
barracas que servem frutos do mar e pratos típicos (CIAECO, 2010).
Esse panorama de beleza singular tem sido alvo de constante e de cres-
cente visitação, produzindo grande movimentação de turistas de origem intra-
estadual, nacional e internacional, fazendo com que os investidores ampliem
os empreendimentos.
7.4 O turismo em Fortaleza e no litoral leste: diagnósti-
co, planejamento, prognóstico
O Programa de Regionalização do Turismo – PRT – lançado em 2004 pelo
Ministério do Turismo-Mtur, para priorizar o desenvolvimento turístico em polos
regionais entre eles o Estado do Ceará – veio complementar e aprimorar o proces-
so de regionalização pioneiro, iniciado pelo governo estadual há, pelo menos, dez
anos (BRASIL, 2006).
A Política de Turismo Estadual, fundamentada no planejamento estratégico
e na gestão descentralizada, integrada e participativa, já considerava o território
como princípio do ordenamento da atividade turística. A Secretaria de Turismo
do Ceará - SETUR, para dar continuidade à implantação do PRT, contratou a
FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – para realizar o 4º módulo
do Programa no estado.
O objetivo foi a elaboração do Plano Estratégico e de Ação Turística da Re-
gião de Fortaleza, a partir dos resultados dos estudos realizados na primeira etapa.
Tais estudos forneceram elementos para:
a) classificar os municípios da região em função do nível de desenvolvimento
turístico;
b) identificar as condições favoráveis e desfavoráveis ao desenvolvimento turís-
tico e
c) mapear os produtos atualmente disponíveis.
O documento que registra o Diagnóstico da Atividade Turística da Região
Turística - Fortaleza - apresentou os seguintes resultados, a partir da utilização de
uma metodologia que envolveu: estrutura urbana; atratividade; notoriedade; fluxo
e oferta Técnica:
Fortaleza: o cenário 121
O município de Fortaleza foi assim classificado:
Quadro 15
Categorização
Categorias
Municí- Classifica-
pios Estrutura Atrativi- Oferta Fluxo Notorie- ção Final
urbana dade técnica dade
Fortaleza Satisfatória Alta Consolidada Consolidado Alta Município
Turístico
Fonte: Plano Estratégico e de Ação Turística –RT Fortaleza- 2007
O prognóstico realizado sobre o desenvolvimento do turismo nas atuais con-
dições apresentou as seguintes conclusões positivas:
a) condições de acesso (terrestre, aéreo, marítimo);
b) turismo com repercussão positiva na economia local;
c) instituições de ensino para capacitação de recursos humanos e de formação
profissional;
d) segmentos âncoras: sol e praia e o turismo de eventos;
e) turismo de lazer importante em função dos segmentos sol e praia;
f) turismo de negócio favorável à diminuição de problemas sazonais;
g) serviços de água e de energia elétrica.
Em se tratando dos aspectos frágeis, também foram analisados e estão assim
destacados como problemas que dificultarão o desenvolvimento do turismo:
a) a sazonalidade e a baixa utilização dos elementos culturais e ambientais no
incremento do turismo;
b) a infraestrutura (prejudicando a atratividade);
c) deficiência do sistema de esgoto e poluição das praias (balneabilidade delas);
d) ocupação irregular e favelização, prostituição e comércio ambulante (danifi-
ca imagem e problemas sociais);
e) políticas públicas com foco quase exclusivo no turismo sol e praia (perda
da competitividade e sugere a falta de diversificação e de diferenciação de
produtos).
Como cenário desejado para a Região Turística Fortaleza, o documento defi-
ne que o turismo cultural é o principal segmento a ser desenvolvido como comple-
mentar ao sol e à praia e que o turismo de esportes com potencial e o de aventura
com remotas possibilidades. Como objetivo central para essa RT tem-se a neces-
sidade de ampliar o seu caráter como vetor de desenvolvimento, priorizando os
segmentos sol e praia e negócios e eventos, complementados por atrativos relacio-
nados à cultura, ao meio ambiente, a esportes e à aventura, nacional e internacio-
nalmente, prezando pela excelência nos serviços.
O documento ainda explica que a RT Fortaleza apresenta boas condições para
o desenvolvimento do turismo. O único município que a compõe é classificado como
turístico e conta com a vantagem de ser a capital e a maior economia do estado.
Além do mais, capital alencarina é a principal porta de entrada de turistas para as
122 Unidade VII
outras regiões do Ceará, possuindo atratividade relevante para diversos segmentos,
dentre os quais, destacam-se o turismo de sol e de praia e de negócios e de eventos.
7.4.1 RT Litoral leste
Para compreender o cenário atual do desenvolvimento turístico na RT Li-
toral Leste, deve-se, primeiramente, considerar as condições pertinentes ao de-
senvolvimento turístico em cada um de seus municípios. Ao se terem em vista os
estudos da Análise Situacional, foram classificados, no que diz respeito a cinco
categorias centrais:
Quadro 16
Categorização
Categorias
Municí- Classificação
pios Estrutura Atrativi- Oferta Fluxo Notorie- Final
urbana dade técnica dade
Aquiraz Insatisfató- Alta Consolidada Consolidado Alta Município
ria Turístico
Aracati Insatisfató- Alta Consolidada Consolidado Alta Município
ria Turístico
Beberibe Insatisfató- Alta Expressiva Expressivo Média Município
ria Turístico
Cascavel Insatisfató- Alta Expressiva Expressivo Média Município
ria Turístico
Eusébio Insatisfató- Baixa Pouco Pouco Baixa Município Po-
ria significativa significa- tencialmente
tivo Turístico
Fortim Insatisfató- Média Inexpres- Expressivo Baixa Município Po-
ria siva tencialmente
Turístico
Icapuí Insatisfató- Média Pouco Expressivo Média Município
ria significativa Turístico
Pindore- Insatisfató- Baixa Inexpres- Pouco Baixa Município Po-
tama ria siva significa- tencialmente
tivo Turístico
Fonte: Plano Estratégico e de Ação Turística RT Litoral Leste – 2007.
De acordo com o documento, o panorama expresso pelas características de
cada município e de toda a região está diretamente relacionado à atual oferta de
produtos turísticos do Litoral Leste.
Por produtos turísticos entendem-se os elementos atualmente formatados
para comercialização: isoladamente ou integrados a roteiros. A identificação deles
é possível por meio do levantamento da carteira de produtos dos receptivos tu-
rísticos de cada região e de guias turísticos impressos comerciais de abrangência,
no mínimo, nacional. Eles não refletem, necessariamente, o potencial atrativo de
uma região, mas sim as atuais condições de formatação e de comercialização dos
elementos turísticos.
Os produtos turísticos têm diferentes pesos na oferta de cada região, varian-
do também de acordo com os mercados alvos. Para efeitos de classificação, é possí-
vel, portanto, organizá-los em função do apelo atrativo: produto âncora, principal,
Fortaleza: o cenário 123
complementar ou nenhum deles; e da abrangência: estadual, regional (nordeste),
nacional e internacional.
Nessa região, os principais produtos concentram-se nos municípios de Aqui-
raz, de Cascavel, de Beberibe e de Aracati. Em Eusébio, encontram-se alguns com-
plementares. Nas outras localidades, há recursos turísticos que, com intervenções
adequadas, podem ser estruturados como produtos nos Planos de Ação.
Quadro 17
Análise geral
Elemento Condições favoráveis Condições desfavoráveis
Acesso e Estradas em condições satis- Faixas de circulação estreitas e
mobilidade fatórias. baixa capacidade para absorção de
fluxo maior de veículos.
Economia e arti- Turismo é uma das principais ati- Dependência do turismo.
culação regional vidades econômicas da região.
Infraestrutura Abastecimento de energia Rede de abastecimento de água,
básica e estru- elétrica razoável. rede de esgotamento sanitário e
tura urbana coleta de lixo bastante deficientes.
Educação e Hospitais em todos os muni- Índices baixos de escolaridade da
saúde cípios. Uma IES com curso de mão-de-obra do turismo. Sistema
turismo, existência de cursos de saúde subdimensionado à de-
técnicos no mesmo tema. manda da população da RT.
Recursos Recursos naturais com pouco ou Recursos culturais materiais em
turísticos nenhum aproveitamento ainda mau estado de conservação. Re-
podem ser encontrados, oportuni- cursos culturais imateriais pouco
zando novos negócios. Existência aproveitados.
de variados recursos culturais.
Atrativos Boa atratividade e competiti- Pouca diversidade dos atrativos,
turísticos vidade. Produtos já estrutu- atualmente baseados exclusivamen-
rados. te no composto sol e praia.
Equipamentos Já existe uma considerável oferta, Poucos empreendimentos atuais
e serviços adequada aos fluxos e segmentos estimulam/facilitam uma maior
atuais existentes na RT. Equipa- permanência na RT.
mentos existentes mesmo nos
municípios com menos atrativos
e/ou recursos. Novos empreendi-
mentos em construção.
Demanda Fluxos já consolidados, tanto Concentração da demanda exclusiva-
de turistas nacionais como mente na faixa litorânea dos municí-
internacionais. pios da RT. Uso intensivo de algumas
praias, sem estudos de impacto. Gran-
de influência da sazonalidade. Baixos
índices de permanência nos municípios
da RT; turistas se hospedam em Forta-
leza e só excursionam à RT.
Gestão do Ações de capacitação já rea- -
turismo lizadas. Todos os municípios
possuem OOT. O Fórum de
Turismo e Cultura é atuante
entre os municípios. A RT é
foco de investimentos priva-
dos nacionais e internacionais.
cont. Quadro 17
124 Unidade VII
Análise geral
Elemento Condições favoráveis Condições desfavoráveis
Marketing Imagem consolidada enquan- -
to destino turístico, tanto
nacionalmente como no
exterior. Municípios citados
como destinos turísticos em
diversas mídias, inclusive
institucionais.
Sustentabilidade A existência de APAs auxilia Esgotamento sanitário e coleta de
na proteção dos recursos e lixo deficientes ameaçam as praias
dos atrativos naturais. Exis- da região. Dependência dos gastos
tência de projetos de turismo dos turistas vindos de Fortaleza.
comunitário, como na Prainha
do Canto Verde.
Fonte: Plano Estratégico e de Ação Turística RT Litoral Leste, 2007.
O prognóstico para a RT Litoral Leste apresenta os seguintes aspectos e ob-
servações:
a) condições de acesso e de mobilidade, pavimentação, com o aumento da
demanda, podem apresentar problemas;
b) economia dependente do turismo e o Litoral Leste dependendo dos visitan-
tes de Fortaleza;
c) infraestrutura deficiente (falta de água, praias poluídas, lixo, esgoto);
d) priorização das políticas públicas e dos invetsimentos privados nas áreas
litorâneas.
Como sugestões: o Plano Estratégico e de Ação Turística diz que a região
poderá ficar sem diferenciação no mercado se continuar com o foco no turismo sol
e praia e comenta que os elementos culturais como centros históricos de Aracati
e de Aquiraz, o folclore, as festas populares e o artesanato são mal aproveitados e
não fazem com que o turista permaneça. A imagem da Região Turística fica com-
prometida, pois muitos destinos oferecem o mesmo produto.
7.5 RT Litoral Oeste
Municípios integrantes:
Acaraú, Amontada, Apuiarés,
Caucaia, Irauçuba, Itapajé,
Itapipoca, Itarema, Paracuru,
Paraipaba, Pentecoste,
São Gonçalo do Amarante, São
Luiz do Curu, Tejuçuoca, Trairi,
Tururu, Umirim e Uruburetama
Fonte: Plano estratégico.
Fortaleza: o cenário 125
Os municípios da RT Litoral Oeste/Vale do Curu foram assim classificados:
Quadro 18
Categorização
Categorias
Classificação
Municípios Estrutura Atrati- Oferta Notorie-
Fluxo Final
urbana vidade técnica dade
Acaraú Insatisfatória Média Pouco signi- Pouco signi- Média Município Po-
ficativa ficativo tencialmente
Turístico
Amontada Insatisfatória Média Inexpres- Pouco signi- Média Município Po-
siva ficativo tencialmente
Turístico
Apuiarés Insatisfatória Baixa Inexpres- Inexpressivo Média Município
siva de potencial
restrito
Caucaia Satisfatória Alta Expressiva Consolidado Média Município
Turístico
Irauçuba Insatisfatória Baixa Inexpres- Pouco signi- Média Município
siva ficativo de potencial
restrito
Itapajé Insatisfatória Baixa Pouco signi- Pouco signi- Média Município
ficativa ficativo de potencial
restrito
Itapipoca Pouco Média Pouco signi- Expressivo Média Município
satisfatória ficativa Turístico
Itarema Insatisfatória Média Inexpres- Inexpressivo Média Município Po-
siva tencialmente
Turístico
Paracuru Pouco Média Expressiva Expressivo Alta Município
satisfatória Turístico
Paraipaba Satisfatória Média Expressiva Expressivo Média Município
Turístico
Pentecoste Pouco Baixa Pouco sig- Pouco sig- Média Município Po-
satisfatória nificativa nificativo tencialmente
Turístico
São Gon- Pouco Média Expressiva Expressivo Média Município
çalo do satisfatória Turístico
Amarante
São Luiz Pouco Baixa Inexpressiva Inexpressivo Média Município
do Curu satisfatória de potencial
restrito
Tejuçuoca Pouco Baixa Inexpressiva Inexpres- Baixa Município Po-
satisfatória sivo tencialmente
Turístico
Trairi Insatisfatória Alta Expressiva Pouco sig- Média Município
nificativo Turístico
Tururu Insatisfatória Baixa Inexpressiva Inexpressivo Baixa Município
de potencial
restrito
Umirim Insatisfatória Baixa Inexpressiva Inexpressivo Média Município
de potencial
restrito
Urubure- Pouco satis- Baixa Inexpressiva Inexpressivo Baixa Município
tama fatória de potencial
restrito
Fonte: Plano Estratégico
126 Unidade VII
No prognóstico, o Plano Estratégico indicou que as condições para o desenvol-
vimento do turismo na RT não são uniformes entre os municípios e mais de um terço
deles apresenta um potencial restrito para a atividade, fato que não deve ser ignorado.
Esse documento explica que os municípios já considerados como turísticos,
ou com potencial para tal, são exatamente os que dispõem de faixa litorânea, o que
certamente viabiliza o turismo, afinal, o composto sol e praia é o grande fator de
atratividade dessa região.
Após verificar a realidade particular de cada município, na perspectiva da
situação do turismo no local, nos diferentes aspectos que interferem direta ou in-
diretamente na atividade, foram destacadas as principais condições favoráveis ou
desfavoráveis ao desenvolvimento do mesmo da RT Litoral Oeste /Vale do Curu:
Quadro 19
Análise geral
Elemento Condições favoráveis Condições desfavoráveis
Acesso e mobili- Estradas em condições razo- Não há opções de acesso fora o
dade áveis rodoviário. Poucos postos de apoio
em vários trechos rodoviários na RT.
Economia e arti- Turismo é uma das principais ati- Dependência do turismo que pode
culação regional vidades econômicas da região. ser prejudicial nos momentos de
baixa temporada.
Infraestrutura Redes de abastecimento de Rede deficiente de abastecimen-
básica e estru- energia elétrica e de água em to de água em alguns municípios.
tura urbana condições satisfatórias, exce- Rede de esgotamento sanitário e de
to por essa última em Itarema coleta de lixo em condições precá-
e em Trairi. rias na maior parte dos municípios.
Educação e Há hospitais em todos os Índices baixos de escolaridade
saúde municípios. Ações diversas de considerando-se os empregos
capacitação para o turismo já formais em turismo. Não existem
ocorridas. cursos técnicos ou superiores no
ramo na RT.
Recursos turís- Praias intactas, ainda que sem Poucos diferenciais com relação às
ticos estrutura para seu aproveitamen- outras regiões litorâneas do Ceará.
to. Existência de bens tombados
pelo Iphan. Recursos distribuídos
em vários municípios.
Atrativos turís- Boa atratividade e competiti- Pouca diversidade dos atrativos,
ticos vidade. Produtos já estrutu- atualmente baseados exclusivamen-
rados. te no composto sol e praia.
Equipamentos e Oferta adequada aos fluxos e aos Má qualidade e organização dos
serviços segmentos atuais existentes na empreendimentos de apoio. Con-
RT. Novos empreendimentos em centrados nos municípios com
construção. Potencial para negó- fluxos consolidados.
cios diferenciados e de qualidade.
Demanda Fluxos já consolidados, tanto Concentração da demanda exclusiva-
de turistas nacionais como mente na faixa litorânea dos muni-
internacionais. cípios da RT. Grande influência da
sazonalidade.
Fortaleza: o cenário 127
Cont. Quadro 19
Análise geral
Elemento Condições favoráveis Condições desfavoráveis
Gestão do tu- Ações de capacitação já Participação no Fórum Regional
rismo realizadas. A maior parte dos
de Turismo e Cultura considerada
municípios possui OOT. A RT é
ruim. Ações do Fórum abrangeram
foco de investimentos priva-
poucos municípios. Dois terços dos
dos. postos de trabalho em turismo estão
apenas em um município, revelando
desequilíbrio regional na gestão e no
desenvolvimento do turismo.
Marketing Boas notoriedades nacional e Mais da metade dos municípios da
internacional de alguns muni- RT são desconhecidos do público.
cípios, existindo uma imagem Poucos são comercializados por
consolidada enquanto destino operadoras, seja de emissivo, seja
turístico. de receptivo.
Sustentabilidade - Esgotamento sanitário e coleta de
lixo deficientes ameaçam as praias
da região.
Fonte: Plano Estratégico.
O panorama expresso pelas características de cada município e de toda a re-
gião está diretamente relacionado à atual oferta de produtos turísticos2 do Litoral
Oeste. Eles não refletem, necessariamente, o potencial atrativo de uma localidade,
mas sim as atuais condições de formatação e de comercialização dos mesmos.
Os produtos turísticos têm diferentes pesos na oferta de cada região, variando
também de acordo com os mercados alvos. Para efeitos de classificação, é possível,
portanto, organizá-los em função de sua força atrativa: produto âncora, principal,
complementar ou nenhum deles; e de sua abrangência estadual, regional (nordes-
te), nacional e internacional.
Nessa região, os principais produtos concentram-se nos municípios de Cau-
caia, de Itarema, de Paracuru, de Paraipaba, de São Gonçalo do Amarante e de
Trairi. Nas outras localidades, há recursos turísticos que, com intervenções ade-
quadas, podem ser estruturados como produtos nos Planos de Ação.
Quadro 20
Produtos turísticos atuais
Poder atrativo x Abrangência
Produtos atuais Município
Estadual Regional Nacional Internacional
Esportes náuticos Caucaia ● ● ● ●
Lagoa do Banana Caucaia ● ● ● ●
Lagoa do Cauípe Caucaia ● ● ● ●
Paraíso Perdido Caucaia
Park ● ● ● ●
Parque Botânico Caucaia
do Ceará ● ● ● ●
Praia de Almofala Caucaia ● ● ● ●
Fonte: Pesquisa da autora
_________
2
Na definição contida no documento do Plano Estratégico, produtos turísticos são os elementos atualmente
formatados para comercialização isoladamente ou integrados a roteiros. Sua identificação é possível por meio
do levantamento da carteira de produtos dos receptivos turísticos de cada região e de guias turísticos impressos
comerciais de abrangência, no mínimo, nacional.
128 Unidade VII
Cont. Quadro 20
Produtos turísticos atuais
Praia e Vila de Caucaia
Cumbuco ● ● ● ●
Igreja de Almofala Itarema ● ● ● ●
Praia da Barra Itarema ● ● ● ●
Projeto Tamar Itarema ● ● ● ●
Praias de Paracuru Paracuru ● ● ● ●
Lagoinha Paraipaba ● ● ● ●
Festival de Escar- S. G. do
got e Frutos do Mar Amarante ● ● ● ●
Porto de Pecém S. G. do
Amarante ● ● ● ●
Praia e Vila de S. G. do
Taíba Amarante ● ● ● ●
Praia de Fleixeiras Trairi ● ● ● ●
Praia de Guajuru Trairi ● ● ● ●
Passeio de Barco Trairi
no Rio Mundaú ● ● ● ●
Fonte: Pesquisa da autora
Notas:
● Produto âncora: forma a imagem da região; alto poder de captação de fluxos;
● Produto principal: alto poder atrativo;
● Produto complementar.
O Prognóstico para essa região, RT Litoral Oeste/Vale do Curu, referindo-
se às condições de acesso e à mobilidade, é o de que as estradas poderão con-
figurar-se em um problema caso o aumento permanente da demanda não seja
acompanhado de ações preventivas de manutenção do pavimento. Além disso, a
falta de serviços de apoio entre os municípios pode desestimular visitas aos des-
tinos mais afastados da RT.
A economia regional continuará dependente do turismo, segundo a previsão
desse prognóstico, pois há investimentos acontecendo nesse setor e já há uma es-
trutura consolidada que atende a essa mesma atividade e movimenta não apenas a
economia, mas a população em sua grande parte. Esses municípios, por conta de
viverem a mesma realidade, ou seja, terem boa parte das receitas municipais oriun-
das do turismo, deverão trabalhar articuladamente em benefício do coletivo, já que
não só a renda vem de uma mesma atividade, mas os próprios fatores de geração
dela (os atrativos) são os mesmos – as praias.
Entretanto, mesmo com a força de seus atrativos, a baixa participação dos
municípios no Fórum Regional de Turismo e Cultura poderá minar a articu-
lação intrarregional, enfraquecendo o produto e inviabilizando o turismo em
alguns municípios que poderiam ganhar com a atividade mesmo com ínfimo
poder de atração.
O quadro atual de infraestrutura básica, com sérias deficiências, resultará em
praias poluídas não apenas pelo excesso de turistas, mas também pela baixa cobertura
de coleta de lixo e de esgoto que podem ser lançados sem qualquer tratamento no mar.
Nesse sentido, pode-se observar uma perda de competitividade a médio e a longo prazos.
Fortaleza: o cenário 129
Pelo número de ações de capacitação para o turismo realizado pelo poder
público e mesmo pelo número de empreendimentos já existentes, pode-se dizer que
a quantidade e até mesmo a qualidade de recursos humanos para atuar no setor
não serão problemas em um primeiro momento, mas, com o decorrer do tempo,
serão uma questão a ser aprimorada. O fato de não existirem cursos quaisquer em
turismo dificultará, por outro lado, a inserção de moradores da própria região nas
atuais e nas novas empresas, forçando a busca de profissionais em outros municí-
pios ou até mesmo em outros estados.
Ao considerarem-se os dados e os demais índices relacionados no diagnós-
tico, pode-se dizer que as atividades e os atrativos turísticos que se baseiam no
usufruto do binômio sol e praia continuarão a ser carro-chefe da região. Mais do
que isso, a demanda para essa localida aumenta continuamente, por ser um desti-
no consolidado e que desfruta de uma imagem já presente no público consumidor
nacional e mesmo internacional, no caso de Caucaia e da Praia de Cumbuco.
Isso gerará, por outro lado, um risco de que a RT passe de um aproveitamen-
to considerável das praias para uma situação em que esse uso intensivo e crescente
gere consequências irreparáveis para a sustentabilidade ambiental das mesmas e,
ao mesmo tempo, cause impactos negativos tanto na experiência do visitante como
na vida cotidiana dos moradores locais.
Em relação ao que se deseja, considerando-se um nível razoável de inves-
timentos, de intervenções políticas, de ações de planejamento contínuas, dentre
muitos outros elementos, pode-se imaginar um cenário almejado para o desenvol-
vimento turístico no Litoral Oeste/Vale do Curu com as seguintes características:
a) estradas conservadas e sinalizadas;
b) dinamismo econômico local, rede de coleta de esgoto ampliada, estações
de tratamento de lixo e de esgoto instaladas, turismo de sol e de paia como
segmento-âncora, complementado pelo cltural, valorizando,assim, a voca-
ção natural do Litoral Oeste/Vale do Curu, ao mesmo tempo em que torna
a região competitiva e não dependente de um único tipo de atrativo;
c) desenvolvimento do turismo de negócios e de eventos, ainda que em pe-
quena escala. Além disso, o Porto de Pecém possibilita vislumbrar a rea-
lização de negócios, o que certamente movimentaria a cadeia produtiva
do turismo;
d) os municípios de Caucaia e de Trairi como polos da RT, novos núcleos de
atração e de serviços consolidados com oferta de serviços turísticos diversos
e de qualidade, facilidades turísticas e equipamentos em número suficiente
para o atendimento ao visitante, potencial consumidor e que pode permane-
cer mais tempo na RT;
e) sazonalidade minimizada: visitação distribuída entre os vários pontos de
interesse da região, para que não se sobrecarreguem alguns atrativos e esses
não se saturem. Ao mesmo tempo, uma distribuição equilibrada diminui
possíveis conflitos entre turistas e moradores;
f) mão-de-obra qualificada e usufruindo de empregos na localidade para evitar
a saída da população para outras regiões e para que a renda seja melhor dis-
tribuída, movimentando e ampliando a economia local; qualidade no atendi-
130 Unidade VII
mento ao visitante como um vetor do desenvolvimento do turismo, uma vez
que o Litoral Oeste/Vale do Curu depende dessa atividade e para que o turista
seja um agente de promoção do destino nos polos emissivos e visitação res-
ponsável, monitorada para que não se comprometa a capacidade de recepção
de viajantes e nem se prejudique a qualidade da experiência da visitação.
Quadro 21
Segmentos e mercados prioritários
Onde se
Segmentos Elementos Abrangência
manifesta
Sol e Praia Praias, passeios de Caucaia, Itarema, Estadual, Regional, Na-
buggy por trilhas. Paracuru, São cional e Internacional.
Gonçalo do Ama-
rante, Trairi.
Turismo Patrimônio edificado, São Gonçalo do Estadual.
Cultural cultura cearense. Amarante, Trairi.
Turismo de Negócios junto ao Caucaia, São Estadual, Regional e
Negócios e de Porto de Pecém, Gonçalo do Ama- Nacional.
Eventos força econômica dos rante.
municípios mais pró-
ximos a Fortaleza.
Fonte: Plano Estratégico.
A realidade turística de Fortaleza e, de todo o estado, em relação ao principal
atrativo ambiental, ainda é o litoral, que proporciona o chamado “Turismo de Sol e
de Praia”. Mas esse tipo de opção não é oriundo de um passado recente. Pelo contrá-
rio, há uma história que mostra sua preferência para as diferentes finalidades.
Modernamente, as praias representam um dos principais atrativos turísticos,
especialmente nos países tropicais. O prestígio das áreas litorâneas surgiu no sé-
culo XIX, com destaque para área do Mar Mediterrâneo. No início, os banhos de
mar eram utilizados com fins medicinais, recomendados apenas para os adultos.
Na Europa, século XX , surgiu o turismo de praia, quando aos banhos de
mar somaram-se o sol como atrativo turístico, associado à saúde, ao entretenimen-
to, à recreação e ao culto ao corpo.
No Brasil, o turismo de praia surgiu no Rio de Janeiro, expandiu-se para o
sudeste e para o sul e, posteriormente, para quase todo o litoral do país. A partir
dos anos 70, o Nordeste destaca-se como principal destino turístico de sol e de
praia e a atividade passa a constituir uma das principais bases econômicas nas áre-
as litorâneas/naturais e construídas.
Esse é um segmento que recebe várias denominações tais como: turismo de
sol e de mar, litorâneo, de praia, de balneário, costeiro e inúmeros outdoors como
veículo de divulgação. Para fins de formulação de políticas públicas, o Ministé-
rio do Turismo considerou o segmento denominado como “Turismo de Sol e
de Praia”, caracterizado pela recreação, pelo entretenimento, pelo descanso em
praias, em função da presença conjunta de água, de sol e de calor. Desse modo,
são contempladas: praias marítimas; fluviais e lacustres (margens de rios, lagoas e
outros corpos de água doce) e as artificiais (construções similares às praias naturais
à beira de lagos, de represas e de outros corpos de água).
Unidade VIII
Destinos Indutores
do Turismo
C om o intuito de avaliar o nível de competitividade de destinos turísticos, o Mi-
nistério do Turismo (MTur), em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e a Fundação Getulio Vargas (FGV),
realizou o estudo de competitividade dos 65 destinos indutores do desenvolvimen-
to turístico regional.
Ele tem o intuito de mensurar, de forma objetiva, diversos aspectos, entre
eles, os econômicos, os sociais e os ambientais que indicam o nível de competitivi-
dade dos destinos. A partir da identificação e do acompanhamento de indicadores
objetivos e da geração de um diagnóstico da realidade local, torna-se mais viável a
definição de ações e de políticas públicas que visem ao desenvolvimento da ativi-
dade turística.
A seleção dos 65 municípios avaliados considerou o poder de atratividade
deles e sua capacidade de gerar e de irradiar fluxos de viagens para a região da qual
fazem parte; dentre outras questões que servem de base para o Plano Nacional do
Turismo - 2007/2010.
Trata-se de importante ferramenta estratégica de gestão, por se um instrumen-
to metodológico embasado em dados coletados em cada um dos 65 destinos. Nesse
sentido, permite o conhecimento de demandas e de oportunidades dessas comunida-
des e, ao viabilizar planejamentos públicos e empresariais do setor, auxilia na conju-
gação de esforços de todos os agentes – poder público, iniciativa privada, comunida-
de e terceiro setor – visando a garantir o desenvolvimento do turismo local e regional
e a sustentabilidade da localidade como ponto de recebimento de viajantes.
Uma vez que o turismo é hoje apresentado como um setor capaz de promo-
ver a aceleração econômica e um incremento nas áreas social, cultural e ambiental,
a avaliação da intensidade com que fatores favorecem ou inibem tal atividade é
de relevância estratégica para os destinos turísticos do país.
132 Unidade VIII
8.1 Resultado Final
A tabela a seguir consolida os resultados das dimensões avaliadas e apresenta
o total geral para o Brasil, macrorregião, capitais, não capitais e para o destino em
questão. Ele é o resultado da soma ponderada das 13 dimensões analisadas segun-
do a sua importância para a competitividade do turismo na qual se pode ressaltar
o destino Fortaleza.
Tabela 1
Resultados das dimensões analisadas
Dimensões Brasil Macrorre- Capitais Não capitais Fortaleza
gião
Total Geral 52,0 50,6 59,3 46,7 61,5
Infraestrutura 63,3 58,0 70,5 58,1 75,5
Acesso 58,7 59,4 69,9 50,8 81,5
Serviços e Equip. 44,3 44,9 56,1 35,9 60,6
Turísticos
Atrativos Turísticos 57,6 54,0 55,8 58,9 54,6
Marketing 37,7 33,1 46,3 31,7 37,1
Políticas Públicas 50,3 43,2 55,0 46,9 47,7
Cooperação Regional 48,9 45,9 48,6 49,2 44,7
Monitoramento 34,8 33,4 41,6 30,0 52,8
Economia local 56,7 54,2 64,7 50,9 72,5
Capacidade 51,0 51,0 72,1 35,9 80,1
Empresarial
Aspectos Sociais 57,2 57,2 62,5 53,5 68,6
Aspectos 58,2 60,3 62,6 55,1 44,2
Ambientais
Aspectos Culturais 54,7 52,6 60,2 50,8 63,2
Fonte: Relatório do Estudo de Competitividade dos 65 destinos indutores do turismo no Brasil.
Dessa forma e com esse horizonte de possibilidades, o município de Forta-
leza encontra-se no caminho de consolidar-se como destino turístico de alta com-
petitividade, com investimentos no setor de grande repercussão: Centro de Even-
tos do Ceará (segundo maior do Brasil, com capacidae para 300 mil pessoas); o
Aquário Ceará (primeiro aquário internacional na América latina); ampliação e
modernização do aeroporto de Aracati; Caminhos de Assis (turismo religioso em
Canindé – roteiro religioso para os romeiros); Portais do Ceará (localizados nas
entradas dos 25 municípios identificados como turísticos); Iluminação das praias
(iluminação da orla marítima de praias dos litorais oeste - Cumbuco, Paracuru,
Flexeiras e Mundaú) e litoral leste (Iguape e Majorlândia); CE 453 (restauração e
alargamento do trecho CE 040 –Fagundes/Iguape); Cumbuco (obras de pavimen-
tação do aceso rodoviário e obras de implantação do sistema de abastecimento
de água e do sistema de esgoto sanitário); Seminário da Prainha (restauração e
reforma da fachada do conjunto arquitetônico: igreja e seminário da prainha, em
Fortaleza); na Prainha (climatização da biblioteca Pe. Luis Uchoa e restauração
da fachada lateral leste, dos jardins na área interna, do elevador, da rampa para
Destinos indutores do Turismo 133
deficientes, do museu sacro ou da sala da memória da prainha) e restauração da
fachada do museu sacro de Aquiraz.
Esse pacote de obras justifica-se em função da constante e significativa de-
manda turística, em compasso com a política de turismo de valorizar essa ativida-
de, dando-lhe as possibilidades adequadas para expandir-se.
Para saber mais
Sobre salas virtuais. Consulte:
[Link]
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