CENTRO UNIVERSITÁRIO DE EXCELÊNCIA
COLEGIADO DO CURSO DE DIREITO
DIREITO DAS SUCESSÕES
INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL
Vitória da Conquista, Bahia
2026
CAMILA DE ALMEIDA BENTO
DEBORAH SANTOS SILVA
DÉBORA DAMASCENO DE ARAÚJO
DHEOVANNA DOS ANJOS OLIVEIRA
GABRIEL FRÓES BORGES
IAGO SANTOS DORADO
LAISE DIAS SANTOS
LETÍCIA MUNIZ PRATA
MARIA LUIZA CAMPOS SANTOS
PEDRO HENRIQUE SOUSA ALVES
SUELLEN ROSA RAMOS DA SILVA
THAMIRES TEIXEIRA TAVARES
INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL
Trabalho apresentado ao Curso de Direito do Centro
Universitário UNEX, para obtenção de nota na matéria
Direito das Sucessões
Prof. Isadora de Jesus Ribeiro
Vitória da Conquista, Bahia
Inventário Extrajudicial
[Link]ção
O inventário extrajudicial, também chamado de inventário administrativo, surgiu
como uma forma mais rápida, simples e menos burocrática de realizar a partilha
de bens deixados pelo falecido. Esse procedimento foi instituído pela Lei nº
11.441/2007, que alterou o Código de Processo Civil e permitiu que inventários e
partilhas fossem realizados diretamente em cartório, por meio de escritura pública,
sem necessidade de ação judicial antes dessa inovação legislativa, todo inventário
dependia obrigatoriamente do Poder Judiciário, mesmo quando havia consenso
entre os herdeiros, com a mudança, passou-se a admitir a via administrativa como
alternativa mais célere e econômica.
Atualmente, a base legal do inventário extrajudicial encontra-se no art. 610 do
Código de Processo Civil, que estabelece os requisitos para sua realização,
tradicionalmente, exigia-se que: todos os herdeiros fossem maiores e capazes;
houvesse consenso entre as partes; inexistisse testamento. Entretanto, o
entendimento evoluiu com as atualizações promovidas pelo Conselho Nacional de
Justiça, especialmente por meio da Resolução nº 35/2007 do CNJ, permitindo
maior flexibilização do procedimento. Hoje, admite-se a realização de inventário
extrajudicial mesmo quando houver herdeiro menor ou incapaz e nos casos em
que exista testamento, desde que sejam observadas determinadas condições legais,
como manifestação favorável do Ministério Público e autorização judicial
específica quando necessária. Apesar dessa ampliação, permanecem algumas
limitações importantes, especialmente a impossibilidade de disposição patrimonial
que prejudique os interesses do incapaz. O inventário administrativo representa
importante instrumento de desjudicialização, contribuindo para a redução da
sobrecarga do Judiciário e garantindo maior rapidez na transferência patrimonial
aos herdeiros.
[Link]áter Facultativo
Embora o inventário extrajudicial seja célere e eficiente, ele é facultativo, isso
significa que, mesmo preenchendo todos os requisitos para a via administrativa,
os herdeiros possuem a faculdade de optar pela via judicial, a escolha geralmente
recai sobre o cartório devido à rapidez (semanas em vez de anos), mas a jurisdição
estatal permanece disponível como garantia constitucional.
[Link] de Homologação Judicial
A escritura de inventário não depende de homologação judicial, para transferência
dos bens para o nome dos herdeiros é necessário apresentar a escritura de
inventário para registro no Cartório de Registro de Imóveis (bens imóveis), no
Detran (veículos), no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou na Junta
Comercial (sociedades), nos bancos (contas bancárias) etc.
Caso exista inventário judicial em andamento, os herdeiros podem, a qualquer
tempo, desistir do processo e optar pela escritura de inventário extrajudicial.
Uma das maiores vantagens desse rito é a independência em relação ao Poder
Judiciário, a escritura pública de inventário e partilha: Não precisa ser ratificada
por um juiz; Constitui título executivo e documento hábil para transferência de
bens; Tem fé pública, possuindo a mesma validade jurídica de uma sentença
judicial de partilha.
Requisitos para a Via Extrajudicial:
➢ Consensualidade: Todos os herdeiros devem estar de acordo.
➢ Capacidade: Todos os herdeiros devem ser maiores e capazes.
➢ Assistência Jurídica: É obrigatória a presença de um advogado (podendo
ser um único para todos ou um para cada).
➢ Inexistência de Testamento: Regra geral, embora alguns estados permitam
se houver autorização judicial prévia ou se o testamento estiver
revogado/caduco.
Exemplos Práticos
• Exemplo 1: Transferência de Imóvel e Veículo
Imagine que um falecido deixou dois filhos maiores e capazes, um apartamento e
um carro: Eles estão de comum acordo sobre a divisão (50% para cada).
Procedimento: Comparecem ao Tabelionato de Notas com um advogado.
Resultado: É lavrada a Escritura Pública de Inventário, com este documento em
mãos, um herdeiro vai diretamente ao Cartório de Registro de Imóveis para
transferir o apartamento e o outro ao DETRAN para transferir o veículo. Nenhum
juiz assina ou analisa o documento.
• Exemplo 2: Levantamento de Valores Bancários
O falecido deixou apenas saldo em conta corrente e aplicações financeiras.
Procedimento: Os herdeiros lavram a escritura pública de inventário extrajudicial.
Resultado: Eles apresentam a escritura original ao gerente do banco. O banco é
obrigado a liberar os valores conforme a partilha estabelecida na escritura, sem a
necessidade de um “Alvará Judicial”.
• Exemplo 3: Quando a via judicial se torna obrigatória (Oposto do
facultativo)
Se um dos herdeiros for menor de idade ou se houver um conflito (um herdeiro
quer a casa e o outro não aceita), a via extrajudicial é vedada, nesse caso, o caráter
facultativo desaparece e a via judicial torna-se a única opção legal para garantir a
proteção do incapaz ou resolver o litígio.
[Link] envolvidas
No inventário extrajudicial, as partes interessadas são aquelas que possuem
vínculo jurídico direto com a sucessão e que atendem aos requisitos legais para a
realização do procedimento pela via administrativa. A sucessão se abre no
momento da morte, conforme o art. 1.784 do Código Civil, transmitindo-se
imediatamente a herança aos sucessores.
Os herdeiros legítimos e testamentários constituem os principais interessados,
sendo indispensável que todos sejam maiores, capazes e estejam em pleno acordo
quanto à partilha, nos termos do art. 610, §1º, do Código de Processo Civil. O
cônjuge sobrevivente ou companheiro também figura como parte interessada, seja
na condição de meeiro, conforme o regime de bens, seja como herdeiro, nos
termos dos arts. 1.658 e 1.829 do Código Civil.
Embora não haja nomeação formal de inventariante, é comum que um dos
herdeiros ou o cônjuge sobrevivente seja indicado como responsável pela
representação do espólio para fins práticos e fiscais, por consenso entre os
interessados, sem prejuízo da validade da escritura pública.
O Fisco é parte interessada indireta no inventário extrajudicial, em razão da
incidência do ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de
Quaisquer Bens ou Direitos), sendo a comprovação de seu recolhimento requisito
para a lavratura da escritura pública de partilha, conforme exigido pela legislação
tributária estadual e pelas normas notariais.
A assistência de advogado ou defensor público é obrigatória, devendo seu nome e
assinatura constar da escritura pública, conforme determina o art. 610, §2º, do
Código de Processo Civil, assegurando orientação técnica e segurança jurídica aos
interessados.
Dessa forma, no inventário extrajudicial, as partes interessadas restringem-se
essencialmente aos herdeiros, ao cônjuge ou companheiro sobrevivente, ao Fisco
e ao advogado, sendo imprescindível o atendimento dos requisitos legais para a
validade do procedimento e da partilha realizada em cartório.
[Link] de escritura pública por tabelião de notas
A lavratura de escritura pública de inventário por tabelião de notas consiste em
um procedimento realizado diretamente em cartório para formalizar a partilha dos
bens deixados por uma pessoa falecida, sem a necessidade de processo judicial.
Trata-se do chamado inventário extrajudicial, modalidade criada para tornar o
procedimento sucessório mais rápido, simples e menos burocrático.
Nesse procedimento, o tabelião de notas é responsável por elaborar a escritura
pública de inventário e partilha, documento que formaliza a transferência dos bens
aos herdeiros. Após a conclusão da escritura, os bens podem ser registrados em
nome dos sucessores perante os órgãos competentes.
Para que o inventário seja realizado pela via extrajudicial, é necessário o
preenchimento de alguns requisitos legais. Todos os herdeiros devem ser maiores
e capazes, deve existir consenso entre as partes quanto à divisão da herança e, em
regra, não pode haver testamento válido. Além disso, a presença de advogado é
obrigatória durante o procedimento.
A escritura pública de inventário normalmente contém:
• Identificação do falecido e dos herdeiros;
• Descrição detalhada dos bens deixados;
• Informações sobre dívidas e obrigações do espólio;
• Comprovação do pagamento dos tributos devidos;
• Definição da partilha dos bens entre os herdeiros.
O responsável pela elaboração do ato é o tabelião de notas, que analisa a
documentação apresentada, verifica a legalidade do procedimento e lavra a
escritura pública conforme a legislação vigente.
Entre os documentos normalmente exigidos para a realização do inventário
extrajudicial, destacam-se:
• Certidão de óbito do falecido;
• Documentos pessoais dos herdeiros;
• Certidão de casamento;
• Documentos comprobatórios dos bens;
• Certidões negativas de débitos;
• Comprovante de pagamento do ITCMD, imposto incidente sobre a
transmissão causa mortis.
O inventário extrajudicial apresenta diversas vantagens, como maior rapidez na
conclusão do procedimento, redução da burocracia e diminuição dos custos
processuais, além de possibilitar uma solução consensual entre os herdeiros.
A previsão legal do inventário extrajudicial encontra-se no artigo 610 do Código
de Processo Civil e na Lei nº 11.441/2007, que introduziu essa modalidade no
ordenamento jurídico brasileiro.
[Link]ência de advogado
No inventário realizado pela via administrativa, a presença de advogado é
obrigatória. Essa exigência está prevista no artigo 610, §2º, do Código de
Processo Civil, que determina que as partes interessadas devem estar assistidas
por advogado ou defensor público durante todo o procedimento de inventário
extrajudicial. A obrigatoriedade existe para garantir segurança jurídica aos
herdeiros e assegurar que a partilha dos bens seja feita de maneira correta e
conforme a legislação.
O advogado possui papel fundamental no inventário administrativo, pois é
responsável por orientar os herdeiros acerca dos documentos necessários, verificar
a existência de bens, dívidas e tributos, além de elaborar a minuta da escritura
pública de inventário e partilha. Também cabe ao profissional esclarecer dúvidas
dos interessados e evitar conflitos familiares que possam surgir durante a divisão
do patrimônio.
Além disso, o advogado acompanha todo o procedimento realizado no cartório de
notas, garantindo que os direitos de cada herdeiro sejam respeitados. A lei permite
que todos os herdeiros sejam representados por um único advogado, desde que
haja consenso entre eles. Contudo, caso existam interesses divergentes, cada parte
poderá constituir seu próprio representante legal.
A exigência da assistência jurídica demonstra que, embora o inventário
extrajudicial seja um procedimento mais simples e rápido do que o judicial, ele
continua possuindo grande relevância patrimonial e jurídica. Dessa forma, a
participação do advogado contribui para dar validade, segurança e eficácia ao ato
praticado perante o tabelião.
[Link] pela via administrativa
A sobrepartilha ocorre quando determinados bens do falecido não foram incluídos
no inventário original, seja porque eram desconhecidos na época, seja porque
foram descobertos posteriormente. Nesses casos, torna-se necessário realizar uma
nova divisão patrimonial complementar, denominada sobrepartilha.
No âmbito administrativo, a sobrepartilha também pode ser realizada em cartório,
desde que estejam presentes os requisitos legais para o inventário extrajudicial,
como a existência de consenso entre os herdeiros e a inexistência de herdeiros
incapazes. O procedimento é formalizado por meio de escritura pública, da
mesma forma que ocorre no inventário inicial.
A possibilidade de realizar a sobrepartilha pela via administrativa representa
importante avanço na desjudicialização dos procedimentos sucessórios,
proporcionando maior rapidez, economia e praticidade aos herdeiros. Em vez de
recorrer ao Poder Judiciário, os interessados podem resolver a questão
diretamente perante o tabelião de notas.
Os bens sujeitos à sobrepartilha podem incluir imóveis, valores em contas
bancárias, veículos, ações, créditos ou qualquer outro patrimônio que não tenha
sido anteriormente relacionado. Após a identificação desses bens, é necessário
realizar nova avaliação patrimonial e efetuar a divisão entre os herdeiros
conforme as regras sucessórias aplicáveis.
Portanto, a sobrepartilha administrativa funciona como complemento do
inventário já concluído, garantindo que todos os bens deixados pelo falecido
sejam devidamente partilhados entre os sucessores de maneira legal e segura.
[Link]ário Negativo
O inventário negativo é um procedimento utilizado para declarar oficialmente que
o falecido não deixou bens a serem partilhados. Embora não exista previsão
expressa no ordenamento jurídico brasileiro, a doutrina e a jurisprudência
admitem sua realização em situações excepcionais, principalmente quando os
herdeiros precisam comprovar formalmente a inexistência de patrimônio.
A finalidade do inventário negativo é evitar consequências jurídicas decorrentes
da ausência dessa comprovação. Em muitos casos, ele é necessário para
demonstrar que não há herança, protegendo os sucessores de determinadas
responsabilidades ou impedimentos previstos na legislação civil.
Tradicionalmente, o inventário negativo era realizado pela via judicial. Contudo, a
Resolução n.º 35/2007 do Conselho Nacional de Justiça passou a admitir também
sua realização por escritura pública, diretamente em cartório. Essa possibilidade
tornou o procedimento mais simples, rápido e menos burocrático.
Na escritura pública de inventário negativo devem constar os dados completos do
falecido, do cônjuge sobrevivente e dos herdeiros que seriam sucessores caso
existisse patrimônio. Também é necessária a indicação da data e do local do óbito,
além da declaração expressa de inexistência de bens a inventariar. Todos os
interessados devem comparecer ao ato para validar a declaração.
Portanto, o inventário negativo possui importante função prática e jurídica,
servindo como instrumento de comprovação oficial da inexistência de patrimônio
deixado pelo falecido, podendo ser realizado tanto judicialmente quanto
extrajudicialmente.
[Link]á para levantamento ou recebimento de valores
Em determinadas situações, a herança deixada pelo falecido é composta apenas
por valores depositados em instituições financeiras, verbas trabalhistas, saldos
bancários, aplicações financeiras ou créditos existentes perante órgãos públicos e
privados. Nesses casos, muitas vezes é necessário um documento que autorize os
herdeiros a realizar o levantamento desses valores.
Tradicionalmente, utiliza-se o alvará judicial, que consiste em uma autorização
expedida pelo juiz permitindo o saque ou recebimento dos créditos pelos
sucessores. Esse procedimento costuma ocorrer quando não há necessidade de
inventário completo ou quando os valores são considerados de simples liberação.
Entretanto, com a ampliação do inventário extrajudicial, a escritura pública passou
a possuir a mesma eficácia jurídica do alvará judicial. Assim, quando o inventário
e a partilha são realizados em cartório, os herdeiros podem utilizar diretamente a
escritura pública para efetuar o levantamento dos valores, sem necessidade de
recorrer ao Poder Judiciário para obter autorização específica.
O §1.º do art. 610 do Código de Processo Civil reconhece a validade e eficácia da
escritura pública de inventário e partilha, impondo às instituições financeiras e aos
órgãos públicos e privados o dever de respeitar o que nela estiver estabelecido.
Dessa forma, a escritura funciona como título hábil para permitir a transferência,
divisão ou adjudicação dos valores pertencentes ao espólio.
Além disso, a Resolução n.º 35/2007 do Conselho Nacional de Justiça prevê
expressamente que as verbas tratadas pela Lei n.º 6.858/80 também podem ser
levantadas por meio de escritura pública. Essa lei trata, principalmente, do
pagamento de valores devidos pelos empregadores e de saldos bancários deixados
pelo falecido.
Desse modo, o procedimento extrajudicial representa uma alternativa mais célere
e menos burocrática para os herdeiros, garantindo praticidade no recebimento dos
créditos e reduzindo a necessidade de intervenção judicial.
Referencias: ANOREG. Cartórios do Brasil, 2026. Disponível em:
[Link]
extrajudicial/ . Acesso em : 2 maio 2026.
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário
Oficial da União: Brasília, DF, 11 jan. 2002. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 maio
2026.
BRASIL. Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Altera dispositivos da Lei nº
5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, possibilitando a
realização de inventário, partilha, separação consensual e divórcio consensual
por via administrativa. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 5 jan. 2007.
Disponível em: [Link]
2010/2007/lei/[Link]. Acesso em: 8 maio 2026.