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Aula Gramática

A aula propõe uma nova perspectiva sobre o estudo da gramática, focando na sua importância para melhorar a redação discursiva em concursos, em vez de apenas decorar regras. A gramática é comparada ao acabamento de uma casa, essencial para a apresentação do conteúdo, e erros gramaticais evitáveis podem reduzir a nota final. A comunicação clara e organizada é enfatizada como fundamental, e cinco erros comuns que geram descontos na nota são destacados, incluindo o uso inadequado da vírgula e a repetição excessiva de palavras.
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Aula Gramática

A aula propõe uma nova perspectiva sobre o estudo da gramática, focando na sua importância para melhorar a redação discursiva em concursos, em vez de apenas decorar regras. A gramática é comparada ao acabamento de uma casa, essencial para a apresentação do conteúdo, e erros gramaticais evitáveis podem reduzir a nota final. A comunicação clara e organizada é enfatizada como fundamental, e cinco erros comuns que geram descontos na nota são destacados, incluindo o uso inadequado da vírgula e a repetição excessiva de palavras.
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SLIDE 1 — Gramática aplicada à discursiva

Sua fala

Boa tarde, meninas! Antes de começarmos, eu gostaria que vocês deixassem uma ideia de lado por
alguns instantes. Sempre que ouvimos a palavra "gramática", automaticamente pensamos em um
conjunto enorme de regras, nomenclaturas complicadas e exceções que, muitas vezes, parecem não
fazer sentido na prática. E talvez justamente por isso muitas pessoas desenvolvam uma certa
resistência ao estudo gramatical.

Mas hoje eu quero propor uma mudança de perspectiva. Nesta aula, nós não estudaremos gramática
para responder questões objetivas de concurso. Nós estudaremos gramática para aumentar a nota
da discursiva.

Isso muda completamente a nossa forma de enxergar o conteúdo.

Pensem comigo. Tanto a FCC quanto a FGV analisam diversos aspectos quando corrigem uma
redação. Elas observam o desenvolvimento do tema, a capacidade argumentativa, a organização das
ideias, a coesão, a coerência e, naturalmente, o domínio da norma-padrão da língua portuguesa.

É justamente nesse último aspecto que entra a nossa aula de hoje.

Eu costumo dizer aos meus alunos que a gramática funciona como o acabamento de uma casa.
Imaginem uma casa maravilhosa, muito bem projetada, com uma arquitetura bonita, mas cheia de
rachaduras na pintura, portas desalinhadas e acabamento malfeito. A impressão final nunca será tão
positiva quanto poderia.

Na redação acontece exatamente a mesma coisa.

O conteúdo é o projeto da casa. A gramática é o acabamento.

Vocês podem desenvolver uma excelente argumentação, citar a Constituição, mencionar


princípios jurídicos, construir uma ótima proposta de intervenção ou apresentar fundamentos
consistentes. Porém, se a escrita apresentar erros recorrentes de concordância, de
pontuação, de crase ou de construção sintática, parte dessa boa impressão será perdida.

E eu faço questão de dizer isso porque, muitas vezes, o candidato acredita que estudar
gramática significa decorar regras. Não significa.

Estudar gramática para a discursiva significa aprender a evitar descontos.

Existe uma diferença muito grande entre ganhar pontos e deixar de perder pontos.

Em uma prova discursiva, normalmente vocês já conseguem construir um argumento


razoável. O problema é que pequenos deslizes linguísticos acabam reduzindo a nota final.

Então, ao longo da aula de hoje, sempre que eu apresentar uma regra, eu quero que vocês
façam a seguinte pergunta mentalmente:

"Como isso aparece na minha redação?"


Porque nós não vamos analisar frases isoladas apenas para entender uma classificação
gramatical. Nós vamos observar situações que realmente aparecem quando vocês estão
escrevendo uma discursiva da FCC ou da FGV.

Inclusive, existe uma característica interessante nessas duas bancas.

A FCC costuma valorizar muito a estabilidade da escrita. Ela aprecia um texto limpo,
organizado, sem exageros, com boa correção gramatical e bastante objetividade.

Já a FGV também exige correção, mas costuma valorizar uma escrita um pouco mais
elaborada, com maior precisão vocabular, períodos bem construídos e excelente domínio
sintático.

Apesar dessas diferenças, existe algo que as duas bancas têm em comum: nenhuma delas
tolera erros gramaticais evitáveis.

E são justamente esses erros evitáveis que nós vamos aprender a eliminar hoje.

Quero que esta aula funcione quase como uma revisão que vocês farão antes de entregar
qualquer redação daqui para frente.

Sempre que terminarem um texto, lembrem-se desta aula e façam uma pequena auditoria na
própria escrita.

Eu tenho erro de vírgula?

Eu misturei tempos verbais?

Usei a crase corretamente?

Minha concordância está adequada?

Repeti palavras em excesso?

Mantive uma estrutura equilibrada ao longo do texto?

Se vocês criarem esse hábito de revisão, eu garanto que a qualidade da escrita começará a
evoluir de forma muito consistente.

E eu digo isso porque, na minha experiência corrigindo centenas de redações de concursos,


eu percebo que a maioria dos candidatos não perde nota por falta de inteligência ou de
conhecimento jurídico.

Eles perdem nota porque escrevem com pressa.

Escrevem sem revisar.

Escrevem acreditando que apenas o conteúdo importa.

E não importa apenas o conteúdo.

A forma como esse conteúdo chega ao corretor também faz parte da avaliação.

Portanto, hoje nós vamos aprender justamente a tornar essa forma mais clara, mais elegante
e, principalmente, mais segura do ponto de vista gramatical.
SLIDE 2 — Escrever bem não é escrever difícil
Sua fala

Agora que nós entendemos qual é o objetivo desta aula, eu quero conversar com vocês sobre
uma ideia que, infelizmente, ainda é muito comum entre candidatos a concursos.

Muitas pessoas acreditam que uma redação de alto nível é aquela repleta de palavras difíceis,
períodos enormes e expressões extremamente rebuscadas. Parece existir uma falsa
impressão de que, quanto mais complicado o texto, melhor ele será avaliado.

E eu gostaria de desconstruir completamente essa ideia.

Eu já corrigi muitas redações excelentes escritas com um vocabulário relativamente simples.


Da mesma forma, já encontrei textos repletos de palavras sofisticadas que eram
extremamente difíceis de compreender.

E isso acontece porque escrever bem não significa impressionar. Escrever bem significa
comunicar.

Imaginem a situação do corretor.

Ele não corrigirá apenas a redação de vocês. Dependendo do concurso, ele corrigirá dezenas,
talvez centenas de textos durante o mesmo dia.

Agora eu pergunto a vocês: qual redação vocês acham que produz uma impressão mais
positiva?

Aquela em que ele precisa reler cada frase duas ou três vezes para compreender o
raciocínio?

Ou aquela em que a leitura acontece naturalmente, sem obstáculos, porque as ideias estão
bem organizadas?

Evidentemente, a segunda.

E isso é muito importante para quem faz FCC e FGV.

A FCC costuma privilegiar uma escrita extremamente organizada. Ela não procura um
candidato que escreva como um romancista. Ela procura alguém capaz de apresentar um
raciocínio claro, lógico e consistente.

A FGV, embora aceite uma elaboração sintática um pouco maior, também não valoriza
períodos desnecessariamente longos. Ela aprecia uma escrita elegante, mas elegante não
significa complicada.

Existe uma frase que eu gosto muito e que resume perfeitamente esse pensamento:

"A sofisticação da escrita não está nas palavras difíceis, mas na clareza das ideias."

Observem este slide.

Escrever bem significa organizar o pensamento.


Parece algo simples, mas muitas redações começam mal justamente porque o candidato não
organizou mentalmente aquilo que pretendia dizer.

Às vezes a pessoa começa uma frase defendendo uma ideia, muda de direção no meio do
período e termina falando outra completamente diferente.

Isso não é um problema gramatical.

É um problema de organização do pensamento.

Depois vem a escolha das palavras.

Escolher bem as palavras não significa procurar sinônimos rebuscados em um dicionário.

Significa utilizar o termo mais preciso para aquela situação.

Observem a diferença entre estas duas frases.

"A educação faz a sociedade melhorar."

Agora comparem com:

"A educação promove o desenvolvimento social."

A segunda frase não utiliza nenhuma palavra difícil.

Entretanto, ela transmite muito mais precisão.

Percebam que o verbo "promover" comunica exatamente a ideia pretendida.

Já o verbo "fazer" é extremamente genérico.

Esse é um detalhe que veremos mais adiante quando falarmos sobre enriquecimento
vocabular.

O terceiro aspecto é construir períodos equilibrados.

Esse talvez seja um dos maiores desafios da escrita.

Muitos candidatos acreditam que um período longo demonstra inteligência.

Na verdade, muitas vezes acontece exatamente o contrário.

Quanto maior o período, maiores são as chances de surgirem erros de vírgula, concordância,
paralelismo e até mesmo incoerências.

Eu costumo recomendar aos meus alunos que desconfiem de frases muito extensas.

Se uma frase ocupa cinco ou seis linhas, provavelmente ela pode ser dividida em duas.

E isso não empobrece a escrita.

Pelo contrário.

Torna a leitura muito mais agradável.

Observem que os grandes juristas costumam escrever de maneira extremamente organizada.


Eles utilizam períodos relativamente longos quando necessário, mas nunca sacrificam a
clareza.

O último ponto do slide talvez seja o mais importante.

Facilitar a leitura do corretor.

Esse é um aspecto que poucos candidatos levam em consideração.

Toda redação é um ato de comunicação.

Vocês escrevem para alguém.

Existe um leitor do outro lado.

E esse leitor precisa compreender rapidamente aquilo que vocês pretendem defender.

Sempre que vocês estiverem revisando uma redação, façam o seguinte exercício mental:

Imaginem que vocês nunca leram aquele texto.

Imaginem que são o corretor.

Será que essa frase ficou realmente clara?

Será que essa ideia poderia ser expressa de forma mais objetiva?

Será que existe alguma palavra repetida várias vezes?

Será que existe algum período longo demais?

Esse tipo de revisão faz uma enorme diferença.

Eu costumo dizer que a primeira versão de uma redação serve para colocar as ideias no
papel.

Já a revisão serve para transformá-las em um texto elegante.

E elegância, aqui, não significa ornamentação.

Significa clareza.

Significa precisão.

Significa domínio da língua.

Portanto, antes de nos preocuparmos com regras gramaticais específicas, quero que vocês
levem desta aula uma ideia muito importante.

Toda escolha linguística deve facilitar a comunicação.

Se uma palavra, uma vírgula ou um período dificulta a compreensão do texto, provavelmente


existe uma forma melhor de escrever.

E é exatamente essa forma que nós vamos construir ao longo da nossa aula de hoje.
SLIDE 3 — Os cinco erros que mais geram
descontos na discursiva
Sua fala
Agora nós começamos a entrar naquilo que, na minha opinião, realmente muda a nota de uma
redação.

Eu gostaria que vocês observassem uma informação muito importante que aparece logo no
início deste slide.

"Grande parte das perdas de pontos em provas discursivas não ocorre por falta de
conhecimento sobre o tema."

Essa frase resume anos corrigindo redações.

Muitas vezes, nós acreditamos que um candidato tira uma nota baixa porque não sabia
desenvolver o assunto proposto. Claro que isso também acontece. Entretanto, na maioria das
vezes, a diferença entre uma redação nota 70 e uma redação nota 90 não está no conteúdo.
Está na forma como esse conteúdo foi apresentado.

Imaginem duas candidatas.

As duas sabem exatamente o que é dignidade da pessoa humana. As duas conhecem o


princípio da eficiência administrativa. As duas estudaram políticas públicas. As duas
conseguem construir um bom argumento.

Porém, uma delas escreve um texto organizado, sem erros de concordância, com boa
pontuação, utilizando um vocabulário adequado e mantendo períodos equilibrados.

A outra candidata apresenta exatamente as mesmas ideias, mas escreve com vírgulas
inadequadas, repete palavras o tempo inteiro, alterna tempos verbais sem perceber e comete
pequenos deslizes gramaticais.

Qual delas causará melhor impressão ao corretor?

Evidentemente, a primeira.

E percebam uma coisa interessante.

Nenhuma delas sabia mais conteúdo.

O diferencial foi a execução.

Eu costumo dizer que uma redação funciona como uma sustentação oral.

Imaginem um advogado extremamente competente, mas que fala de forma confusa,


interrompe constantemente o próprio raciocínio, utiliza palavras inadequadas e não organiza
suas ideias.

Provavelmente sua argumentação perderá força.

Na redação acontece exatamente o mesmo.


O argumento precisa ser apresentado de forma organizada.

E é exatamente isso que a gramática faz.

Ela organiza o pensamento.

Vamos observar cada um desses cinco pontos.

O primeiro é o emprego inadequado da vírgula.

Eu acredito que esse seja um dos erros mais frequentes nas redações que corrijo.

O candidato coloca vírgula onde ela não deveria existir e, curiosamente, esquece justamente
nos lugares em que ela seria necessária.

Muitas vezes isso acontece porque aprendemos aquela ideia de que "a vírgula serve para
respirar".

E isso não é verdade.

A vírgula possui função sintática.

Ela organiza relações entre os termos da oração.

Por isso, daqui a pouco nós vamos abandonar completamente essa ideia de pausa para
aprender a pensar estruturalmente.

O segundo ponto é a concordância verbal e nominal.

Parece um detalhe pequeno.

Entretanto, basta aparecer um "houveram", um "fazem cinco anos" ou um "existe muitas


pessoas" para que o corretor perceba imediatamente um problema no domínio da norma-
padrão.

São erros pequenos.

Mas chamam muito a atenção.

O terceiro aspecto é a crase.

Talvez este seja um dos conteúdos que mais gera insegurança.

Quantas vezes vocês já ficaram olhando para uma frase pensando:

"Será que aqui leva crase?"

Isso acontece porque, durante muitos anos, a crase foi ensinada como uma lista enorme de
regras.

Hoje vocês perceberão que ela pode ser compreendida de maneira muito mais lógica.

O quarto ponto talvez seja aquele que menos aparece nos livros de gramática, mas um dos
que mais enriquecem a escrita.

O paralelismo.
Vocês talvez nunca tenham parado para pensar nisso.

Mas o nosso cérebro gosta de simetria.

Quando começamos uma enumeração com verbos, esperamos encontrar verbos até o final.

Quando iniciamos uma sequência com substantivos, esperamos que todos mantenham a
mesma estrutura.

Quando essa simetria é quebrada, a leitura fica estranha.

Mesmo que o leitor não saiba explicar tecnicamente o motivo.

E, finalmente, nós temos a repetição excessiva de palavras.

Este talvez seja o erro mais silencioso de todos.

Porque ele não é exatamente um erro gramatical.

Mas empobrece muito a qualidade do texto.

Eu costumo brincar que existem candidatos que descobrem apenas três verbos durante a
prova.

"É."

"Tem."

"Faz."

Tudo é.

Tudo tem.

Tudo faz.

Depois de alguns parágrafos, a redação começa a transmitir uma sensação de pobreza


vocabular.

Não porque o candidato desconheça o assunto.

Mas porque ele não diversificou sua escrita.

Mais adiante, nós veremos como substituir essas palavras por verbos muito mais precisos.

E eu gostaria que vocês percebessem uma última coisa.

Observem que nenhum desses cinco aspectos depende do tema da prova.

Não importa se a FCC cobrar políticas públicas.

Não importa se a FGV cobrar ética na Administração Pública.

Não importa se o tema envolver direitos fundamentais, inteligência artificial, sustentabilidade


ou segurança pública.

Essas cinco competências continuarão sendo exigidas exatamente da mesma forma.


Isso significa que estudar gramática aplicada à discursiva é um investimento permanente.

Diferentemente do conteúdo específico, que muda conforme o edital, essas regras


acompanharão vocês em qualquer concurso que realizarem.

E é justamente por isso que vale a pena dominá-las profundamente.

Ao final da aula, vocês perceberão que revisar uma redação ficará muito mais simples, porque
vocês terão um verdadeiro checklist mental dos principais aspectos observados pelo corretor.

Perfeito. Agora encontrei o tom que você quer. A partir daqui farei uma fala mais natural, como uma
professora experiente, sem ficar repetindo as ideias, mas também sem ser superficial. Algo em torno de 2
a 3 minutos por slide, o que dará aproximadamente 50 minutos de aula no total.

SLIDE 4 — As vírgulas indispensáveis


Sua fala

Agora nós vamos falar sobre um dos conteúdos que mais gera insegurança na escrita: a
vírgula. Mas eu quero que vocês esqueçam aquela ideia de que "a vírgula serve para
respirar". Isso não existe. A vírgula organiza a estrutura da frase e ajuda o leitor a
compreender melhor o nosso raciocínio.

Eu selecionei aqui apenas os casos que realmente aparecem com frequência em uma
redação de concurso. Não faz sentido estudarmos dezenas de regras que dificilmente vocês
utilizarão na discursiva.

O primeiro caso é o dos adjuntos adverbiais deslocados. Sempre que iniciamos a frase com
uma informação de tempo, lugar, modo ou circunstância, normalmente utilizamos uma vírgula.

Por exemplo: "Atualmente, observa-se um crescimento..." ou "Em muitos casos, a educação


transforma vidas."

Percebam que essas expressões aparecem o tempo inteiro nas redações. "No Brasil",
"Atualmente", "Nos últimos anos", "Em primeiro lugar"... Todas elas ajudam a contextualizar a
informação antes de apresentar a ideia principal.

O segundo caso são as expressões explicativas, como portanto, por exemplo, ou seja, isto
é, nesse sentido. Elas ajudam a conectar as ideias e normalmente aparecem isoladas por
vírgulas.

E, por fim, temos as orações adverbiais antecipadas. Quando começamos uma frase com
palavras como embora, quando, se, caso, à medida que, normalmente encerramos essa
oração com uma vírgula antes de apresentar a ideia principal.

Observem o exemplo: "Embora existam avanços, muitos desafios permanecem."

A vírgula marca exatamente a passagem da circunstância para a informação principal.


Outro uso muito comum é a enumeração. Sempre que listarmos elementos, utilizamos a
vírgula para separá-los: "Cultura, educação, ciência e tecnologia impulsionam o
desenvolvimento."

Percebam que todos esses casos aparecem naturalmente na escrita. Não são regras
decoradas; são estruturas que vocês provavelmente utilizarão em praticamente toda redação.

Transição
Mas tão importante quanto saber onde colocar a vírgula é saber onde ela jamais poderá
aparecer. E esses erros costumam chamar muito a atenção do corretor.

SLIDE 5 — As vírgulas proibidas


Sua fala

Agora nós vamos observar três erros que aparecem com muita frequência nas redações.

O primeiro deles é separar o sujeito do verbo.

Leiam esta frase: "A educação pública, precisa de investimentos."

Essa vírgula está completamente inadequada porque separa dois termos que pertencem um
ao outro. O sujeito e o verbo devem permanecer juntos.

O segundo erro é separar o verbo do seu complemento.

Observem: "O governo promove, políticas públicas."

Novamente, a vírgula quebra uma estrutura que deveria permanecer unida.

O terceiro caso é separar o nome do complemento nominal.

"A necessidade, de investimentos..."

Também está incorreto.

Existe uma dica muito simples que costumo dar aos meus alunos. Sempre que vocês
colocarem uma vírgula, perguntem: "Estou separando termos que dependem um do outro?"
Se a resposta for sim, provavelmente essa vírgula deve ser retirada.

Essa simples pergunta evita muitos erros durante a revisão da redação.

SLIDE 6 — Manutenção do tempo verbal


Sua fala

Outro aspecto muito importante é manter a uniformidade dos tempos verbais.

Em uma redação argumentativa, normalmente utilizamos o presente do indicativo, porque


estamos defendendo ideias gerais e apresentando argumentos válidos para o momento atual.

Observem o primeiro exemplo.

Todos os verbos permanecem no presente: constitui, favorece, fortalece. Isso transmite


unidade ao texto.

Agora observem o segundo exemplo.

O candidato começa no presente, muda para o passado e termina no futuro. Essa mudança
não possui justificativa e acaba prejudicando a fluidez da leitura.

Isso acontece muito durante a escrita, principalmente quando estamos preocupados apenas
em desenvolver o conteúdo.

Por isso, durante a revisão, façam um exercício muito simples: observem apenas os verbos do
parágrafo. Se eles estiverem alternando entre presente, passado e futuro sem necessidade,
vale a pena reescrever o período.

SLIDE 7 — Desenvolvimento de um parágrafo


Sua fala

Este exemplo mostra exatamente como costuma ser construída uma boa argumentação.

Observem que todos os verbos permanecem no presente: representa, favorece, estimula,


contribui.

Isso faz com que o texto pareça mais coeso e mais organizado.

Além disso, percebam outro detalhe: os verbos são bastante precisos. Em vez de dizer
apenas que a educação "é importante", o texto mostra exatamente o que ela faz.

Esse tipo de construção transmite muito mais maturidade na escrita.

Ótimo. Vou manter esse ritmo.

SLIDE 8 — Regra básica (tempo verbal)


Sua fala
Eu gosto muito deste slide porque ele traz uma estratégia de revisão. Muitas vezes, durante a
prova, nós não teremos tempo para ficar analisando toda a estrutura gramatical da redação.
Então precisamos criar mecanismos rápidos de conferência.

A pergunta que eu quero que vocês façam ao final de cada parágrafo é a seguinte: "Se eu
destacasse apenas os verbos principais deste parágrafo, eles estariam no mesmo
tempo verbal?"

Façam esse exercício olhando apenas para os verbos. Por exemplo: é, promove, favorece,
estimula, fortalece. Todos estão no presente. Ótimo, existe uma unidade.

Agora imaginem uma sequência como: é, promoveu, fortalecerá, estimulava. Percebam como
o texto perde estabilidade. Essa alternância normalmente acontece sem que o candidato
perceba.

Então, durante a revisão, esqueçam o restante da frase por alguns segundos e observem
apenas os verbos. É uma técnica simples, rápida e extremamente eficiente.

SLIDE 9 — Concordância: verbo "haver"


Sua fala

Agora nós chegamos a um dos erros mais comuns em provas discursivas: o verbo haver no
sentido de existir.

Quero que vocês guardem apenas uma regra: quando haver significa existir, ele nunca vai
para o plural.

Portanto, nós dizemos: há inúmeros desafios, houve diversas alterações, havia muitas
possibilidades.

O erro mais frequente é escrever houveram problemas ou haviam dificuldades.

Essas construções estão incorretas porque o verbo é impessoal.

Uma dica prática: sempre que vocês puderem substituir "haver" por "existir", lembrem-se de
que "haver" ficará obrigatoriamente no singular.

Esse é um daqueles erros que o corretor identifica imediatamente. Vale muito a pena prestar
atenção.

SLIDE 10 — Concordância: verbo "fazer"


Sua fala

O mesmo acontece com o verbo fazer quando indica tempo decorrido.


Observem os exemplos.

Faz dez anos.

Faz muitos meses.

Nunca escrevam fazem dez anos ou faziam cinco anos, quando a ideia for de tempo
transcorrido.

Percebam que essa estrutura aparece frequentemente em introduções de redação.

"Faz muitos anos que a sociedade enfrenta esse problema."

"Faz décadas que esse debate ocorre."

Sempre no singular.

Mais uma vez, é uma regra simples, mas que evita um erro bastante visível para a banca.

SLIDE 11 — Expressões partitivas


Sua fala

Outro caso interessante envolve expressões como a maioria de, grande parte de, boa parte
dos, parte da população.

Nesses casos, a gramática admite duas possibilidades.

Podemos dizer:

A maioria dos candidatos concordou.

Ou:

A maioria dos candidatos concordaram.

As duas construções são corretas.

Entretanto, em redações de concurso, eu sempre recomendo manter a concordância com o


núcleo da expressão.

Portanto, prefiram a maioria concordou, grande parte acredita, boa parte defende.

Essa escolha torna a escrita mais uniforme e evita oscilações ao longo do texto.

SLIDE 12 — Concordância nominal


Sua fala
Agora vamos observar dois casos muito frequentes de concordância nominal.

O primeiro envolve a palavra bastante.

Quando ela significa muito, funcionando como advérbio, permanece invariável.

Por exemplo:

Os candidatos estudaram bastante.

Agora, quando acompanha um substantivo, ela varia.

Bastantes argumentos sustentam essa tese.

O segundo caso é a palavra meio.

Quando significa um pouco, ela também permanece invariável.

A sociedade encontra-se meio desinformada.

Mas, quando indica metade, ocorre variação.

Meia página.

Meio litro.

São detalhes pequenos, mas que costumam aparecer tanto em provas objetivas quanto na
escrita.

SLIDE 13 — Concordância nominal (mesmo)


Sua fala

O último caso que eu selecionei é o emprego da palavra mesmo.

Quando ela significa próprio, deve concordar com o termo a que se refere.

Por isso dizemos:

Ela mesma realizou a pesquisa.

Eles mesmos elaboraram a proposta.

É um detalhe simples, mas bastante recorrente na escrita formal.

Aproveito para reforçar uma ideia importante.

A revisão de concordância não deve ser feita apenas no final da redação. Sempre que vocês
concluírem um parágrafo, vale a pena reler observando apenas os verbos e os principais
elementos de concordância.

Essa leitura específica costuma eliminar muitos erros antes da entrega da prova.
Perfeito! Vamos finalizar a aula.

SLIDE 14 — O uso correto da crase


Sua fala

Agora nós chegamos a um conteúdo que costuma gerar muito receio: a crase.

Mas eu quero mostrar para vocês que ela não precisa ser um bicho de sete cabeças.

Antes de decorar casos específicos, precisamos entender o que é a crase.

A crase nada mais é do que a fusão de dois "as": a preposição "a" exigida por um termo
anterior e o artigo feminino "a" que acompanha o termo seguinte.

Em outras palavras, para haver crase, normalmente precisamos responder "sim" para duas
perguntas.

Primeiro: o termo anterior exige a preposição "a"?

Segundo: o termo seguinte admite artigo feminino?

Se as duas respostas forem positivas, a tendência é haver crase.

Observem os exemplos do slide.

Acesso à educação.

Quem tem acesso, tem acesso a alguma coisa. "Educação" admite artigo feminino. Resultado:
ocorre crase.

Respeito às diferenças.

Quem tem respeito, tem respeito a alguma coisa. "Diferenças" admite artigo. Também ocorre
crase.

O mesmo raciocínio vale para referência à Constituição e combate à violência.

São expressões extremamente frequentes em concursos.

Eu diria, inclusive, que essas quatro aparecem constantemente nas redações da área jurídica.

Então vale a pena memorizá-las.

Minha dica é: sempre que surgir dúvida, não pense primeiro no acento grave. Pense na
regência da palavra anterior. A crase quase sempre será consequência dessa análise.

Transição
Depois da gramática propriamente dita, vamos falar agora sobre um aspecto relacionado ao
estilo da escrita.

SLIDE 15 — Pronome relativo "que"


Sua fala

Um dos sinais mais claros de que um candidato ainda não desenvolveu maturidade na escrita
é o excesso do pronome que.

Observem este primeiro exemplo.

"A sociedade que enfrenta problemas que surgem porque..."

Percebam como a leitura começa a ficar pesada.

O problema não é utilizar o pronome relativo.

O problema é depender dele para construir praticamente todas as frases.

Isso normalmente acontece quando escrevemos muito rapidamente.

A boa notícia é que esse problema é facilmente resolvido durante a revisão.

Muitas vezes basta reescrever uma oração.

Em vez de dizer:

"A sociedade que enfrenta problemas..."

Podemos escrever:

"A sociedade enfrenta problemas..."

A frase fica mais direta, mais elegante e mais agradável de ler.

Então, ao revisar a redação, procurem identificar repetições do pronome "que". Se ele


aparecer muitas vezes no mesmo período, provavelmente existe uma forma melhor de
construir essa ideia.

Transição
E falando em organização da escrita, existe um detalhe que diferencia muito um texto comum
de um texto sofisticado.
SLIDE 16 — Paralelismo
Sua fala

O paralelismo é um daqueles conteúdos que poucos candidatos estudam, mas que fazem
muita diferença na qualidade do texto.

Paralelismo significa manter a mesma estrutura sintática ao longo de uma enumeração.

Observem o exemplo.

"Preservar tradições, fortalecer identidades e incentivar a cultura."

Todos os elementos começam com verbos no infinitivo.

Existe uma simetria.

Agora observem o exemplo inadequado.

"Preservar tradições, fortalecer identidades e o incentivo à cultura."

Percebam que a estrutura foi quebrada.

Os dois primeiros elementos são verbos.

O último virou um substantivo.

O leitor sente essa quebra imediatamente.

Talvez ele nem saiba explicar tecnicamente o motivo, mas percebe que existe algo estranho
na construção.

Então, sempre que fizerem uma enumeração, observem se todos os elementos pertencem à
mesma estrutura gramatical.

É um cuidado pequeno, mas que transmite muita organização na escrita.

ENCERRAMENTO
Sua fala

Chegamos ao final da nossa aula e eu gostaria de terminar retomando a ideia que apresentei
no início.

A gramática, na discursiva, não existe para dificultar a escrita.

Ela existe para torná-la mais clara.

Percebam que hoje nós não estudamos dezenas de regras.


Nós selecionamos apenas aquilo que realmente aparece quando vocês escrevem uma
redação de concurso.

Falamos sobre vírgula.

Falamos sobre manutenção do tempo verbal.

Falamos sobre concordância.

Crase.

Paralelismo.

Repetição de palavras.

Todos esses aspectos são facilmente observados pelo corretor.

E justamente por isso merecem atenção especial durante a revisão.

Eu gostaria que, daqui para frente, vocês nunca mais entregassem uma redação logo depois
de terminá-la.

Escrevam.

Respirem alguns minutos.

Depois façam uma segunda leitura.

Nessa leitura, esqueçam o conteúdo.

Procurem apenas os aspectos gramaticais.

Perguntem-se:

Existe alguma vírgula inadequada?

Escrevi "houveram"?

Usei corretamente a crase?

Mantive o mesmo tempo verbal?

Repeti muitas palavras?

Minha enumeração está paralela?

Parece um trabalho simples, mas essa revisão costuma representar vários pontos na nota
final.

E quero terminar dizendo algo que considero muito importante.

Uma redação excelente não nasce pronta.

Ela é construída.

Ela é revisada.
Ela é lapidada.

Escrever bem não é um talento. É uma habilidade que se desenvolve com leitura, prática e
revisão constante.

Tenho certeza de que, aplicando esses cuidados nas próximas produções, vocês já
perceberão uma diferença significativa na qualidade da escrita.

E esse é exatamente o nosso objetivo: não apenas escrever mais, mas escrever melhor.

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