Fechar os olhos essa semana tem sido algo complicado.
Na verdade, complicado seria
pouco comparado ao estado mental do príncipe herdeiro. Ultimamente ele tem tido
pesadelos que vinham consumindo o seu sono,desde quando ele descobriu a maldição, ela
vinha o perturbando enquanto ele estava acordado e agora parecia lhe devorar os
pensamentos nos sonhos também. Aquilo o deixava exausto e irritado, pois sentia que
estava desperdiçando a maior parte do seu tempo tentando dormir.
- Muriel? - chamou uma voz o tirando de seu transe - Você tem andado cansado,
parece um ogro rabugento. - Riu
A princesa estava por lá desde que voltou para casa - diferente de seu irmão que andava
bocejando pelos corredores do palácio- ela estava andando enquanto cantarolava quando
viu o seu irmão olhando para o jardim.
- Lea, adorável como sempre …- Resmungou irônico - Pensei que as princesas
deveriam ser assim.
Ela o encarou com uma careta.
- E eu pensei que príncipes deveriam ser cavalheiros, irmão. Faz tempo que eu não te
vejo e é assim que você me recebe ? - Lea ergueu uma sobrancelha e cruzou os
braços. - Gostaria de saber se você vai a minha adorável festa.
- Ah, Lea, eu tenho mais com o que me preocupar do que a sua festa de boas vindas.
E bem, não foi tanto tempo assim, você só passou um ano fora.
- E você passou um ano aqui trancado. - cruzou os braços - Fazendo o que mesmo?
Muriel fechou a cara, ele não tinha feito nada, esse era o problema.
Quando ele recebeu a notícia a um ano atrás de que sua irmã mais nova iria fazer
uma viagem pelos outros reinos, ele levou um susto, pensou que era alguma espécie de
brincadeira do seu pai, depois ele ficou deprimido por que ele sabia que seu pai não
confiava nele agora.
Muriel era instável, diferente de sua irmã que era expressiva na medida certa,
Leandra sempre foi mais reservada do que parecia. Talvez seja por isso que ele estava
tendo tantos pesadelos, talvez seja por isso que ele não tenha conseguido dormir, ele
precisava mudar mas não sabia como.
- Não é da sua conta, é ? - Ele cruzou os braços
- Você não sabe mentir, Muriel. Pelo visto algumas coisas nunca mudam - Ela riu - Por
favor, tente ficar menos rabugento hoje a noite, Ok?
- Que Angie me ajude…Vou tentar - Ele suspirou
Leandra sorriu agradecida e voltou a andar, deixando o seu irmão sozinho com os
seus pensamentos turbulentos.
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A noite tinha chegado, e aparentemente o castelo estava lotado de burgueses
desse reino e de um próximo, minha irmã realmente gosta de uma festa pensou o príncipe
passando pelo corredor apertado.
Muriel sempre se perguntou como Leandra conseguia ser assim. Toda vez que ele
tentava algo ou era leviano demais ou dramático demais, era o que as pessoas diziam.
Todas as emoções o consumiam como se ele fosse um pequeno território a ser destruído.
- Muriel de Azactroid?
Ele olhou para o lado que a voz vinha e se deparou com uma fada que segurava
uma taça de ouro em uma das mãos
- Sim.. e você é ?
Ela riu.
- Sabia que não ia lembrar de mim.-Ela abriu um sorriso de alguém que tinha ganhado
algum tipo de aposta. - Samanta de Fallbs. A fraca fadinha que te empurrou da
colina. - Falou em um tom de desgosto.
Muriel realmente não se lembrava dela, mas só o tom de voz daquela criatura,
aparentemente miserável, fez ele sentir raiva daquela lembrança que ele não lembrava.
Então o príncipe lhe deu um sorriso forçado, o suficiente para a fada perceber e fechar
a cara. No exato momento um grupo de seres mágicos dançantes passou entre os dois,
isso deu a oportunidade perfeita de Muriel sair de fininho de perto dela.
O herdeiro foi em desespero para algum lugar calmo. Por mais incrível que pareça,
nenhum lugar estava totalmente "seguro" naquele castelo gigante. Sempre tinha algum
barulho esquisito pelos cantos e nos salões tinha uma banda tocando alegremente fazendo
todos dançarem.
Talvez esse seja um dos principais problemas de viver em um mundo cheio de
misticidade, tudo era demais e os seres eram mil vezes pior. Aquilo tudo, ocasionalmente,o
fazia querer desistir Era demais. Era pesado.
Afinal, ele conseguiu achar um lugar. Estava estressado. Os seres pelo castelo o
empurravam, chutavam, cuspiam. Havia muito barulho de fadas zunindo, elfos gritando,
feéricos dançando. Até que aquele sentimento começa a se transferir para o seu corpo e
ganhar forma.
Muriel podia sentir, aquilo o assustava, toda aquela muvuca o assustava. Sentir… o
transformou num monstro, era isso que ele pensava. Era o que os outros pensavam.
Naquele momento o fez virar uma fera monstruosa outra vez, as unhas cresceram, a sua
pele desmanchou, suas orelhas pontudas se transformaram em afiadas lâminas, o
deslocamento de ossos destruía tudo que o espelho de seu quarto puído um dia
conhecera, tudo estava borrado, tão impressionista, as vozes, os seres, a música.
Tudo só ganhou forma outra vez, quando a cor vermelha manchou a parede branca.