Conjuração Baiana: O Grito dos Excluídos por Igualdade
Amon Morpheus Silva Barbosa1, (História, Universidade Federal do Sul da Bahia, Porto
Seguro BA) contato: theclowngay666@[Link]
Palavras-chave: Conjuração Baiana. Revolução Francesa. Independência. Igualdade Social. Brasil
Colonial.
A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates (1798), foi um
movimento de caráter emancipacionista ocorrido na Capitania da Bahia, influenciado pelos
ideais iluministas e pela Revolução Francesa. O presente trabalho tem como objeto de estudo
a análise das causas, objetivos e consequências desse movimento para a história do Brasil. A
metodologia utilizada baseou-se em investigações bibliográficas como pesquisas, artigos e
revistas acadêmicas, por meio da consulta a artigos científicos e materiais históricos sobre o
período colonial brasileiro. Os resultados indicam que a Conjuração Baiana destacou-se por
defender a independência da colônia, a igualdade social e a abolição da escravidão, reunindo
participantes de diferentes grupos sociais, especialmente das camadas populares. Conclui-se
que o movimento representou uma importante manifestação de resistência contra a ordem
colonial portuguesa e contribuiu para a formação do pensamento libertário no Brasil.
Ocorreu um dos movimentos mais importantes do período colonial brasileiro, porque
representou não apenas uma luta contra o domínio português, mas também uma tentativa de
transformação social mais ampla. Diferente de outros movimentos da época, como a
Inconfidência Mineira, a revolta baiana contou com forte participação popular, envolvendo
negros livres, escravizados, soldados, artesãos e trabalhadores pobres, o que demonstra que as
ideias de liberdade e igualdade estavam alcançando as camadas mais baixas da sociedade.
Influenciados pelo iluminismo e pelos ideais da Revolução Francesa, os revoltosos defendiam
a independência da Bahia, a proclamação de uma república, o fim da escravidão, a igualdade
racial e melhores condições de vida para a população. Além disso, a situação econômica de
Salvador, marcada pela fome, altos impostos e desigualdade social, contribuiu para aumentar
a insatisfação popular. A repressão portuguesa foi extremamente violenta, culminando na
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prisão e execução de líderes, que foram enforcados e esquartejados para servir de exemplo à
população. A Conjuração Baiana possui enorme relevância histórica porque revela que a luta
pela independência do Brasil não foi conduzida apenas pelas elites, mas também pelo povo
negro e pobre, que buscava simultaneamente liberdade política e justiça social. Embora o
movimento tenha sido derrotado, deixou como legado a resistência popular e a defesa da
ideia de que igualdade e liberdade deveriam alcançar todos os grupos sociais, e não somente
os setores privilegiados da sociedade colonial.
De acordo com Patrícia Valim (2009, p. 15-16), em sua análise de 1798, Frei José do
Monte Carmelo era um carmelita que aparece como um autor que construiu um relato
dramático sobre o enforcamento dos acusados na Praça da Piedade. A narrativa construída
por Carmelo revela não apenas um esforço de justificar moralmente os condenados, mas
também uma crítica conservadora direcionada à condução das investigações realizadas pelas
autoridades coloniais. A autora destaca que o religioso, ao dramatizar o enforcamento dos
quatro réus na Praça da Piedade, evidencia a desigualdade presente no processo judicial, uma
vez que somente homens livres, pobres e pardos foram responsabilizados pelo movimento,
enquanto outros envolvidos, pertencentes a grupos socialmente privilegiados, permaneceram
protegidos pela estrutura de poder vigente. Conforme argumenta Valim (2009, p. 19-20), a
crítica presente no relato não rompe com a ordem colonial, pois permanece marcada por um
viés conservador; entretanto, torna evidente a percepção de que a repressão não ocorreu de
forma imparcial. Além disso, o relato de Frei José do Monte Carmelo revela como a justiça
colonial atuava de maneira desigual, responsabilizando principalmente os setores mais pobres
da sociedade, enquanto indivíduos influentes conseguiam escapar das punições. Dessa
maneira, o texto contribui para compreender que a Conjuração Baiana possuía uma
participação social muito mais ampla do que aquela apresentada oficialmente pelas
autoridades portuguesas. Ademais, essa análise reforça a importância histórica da Conjuração
Baiana, pois evidencia que o movimento defendia ideias avançadas para o período, como
liberdade, igualdade e questionamento da ordem escravista.
Complementando Valim, no texto de Braz Hermenegildo do Amaral (1926, p. 1745)
evidencia uma construção historiográfica voltada para a valorização da Bahia dentro do
processo de independência do Brasil, destacando a província como elemento central e
decisivo na consolidação da nacionalidade brasileira. Amaral (1926, p. 1745-1746) buscava
conferir legitimidade histórica às suas interpretações, reforçando a ideia de que a Bahia não
deveria ser vista apenas como participante de um movimento nacional mais amplo, mas como
protagonista fundamental da independência. O texto também estabelece contraste com a visão
de Luis Henrique Dias Tavares, que defendia que as histórias regionais constituem a própria
história do Brasil, sem a necessidade de colocar uma região acima das demais. O debate
historiográfico demonstra que a escrita da história não é neutra, pois cada autor interpreta os
acontecimentos de acordo com seu contexto político e social. A valorização da Bahia
presente na obra de Braz Hermenegildo do Amaral reforça a identidade regional baiana e
relaciona a Conjuração Baiana às lutas por liberdade e independência no Brasil. Ao mesmo
tempo, a perspectiva de Luis Henrique Dias Tavares permite compreender a Conjuração
Baiana dentro de um contexto mais amplo de crises coloniais e influências iluministas. Dessa
forma, as diferentes interpretações ajudam a compreender tanto a importância da Bahia
quanto a complexidade da história brasileira e da construção da memória histórica sobre o
movimento.
Ao cotejar as interpretações de Patrícia Valim (2009) e Braz Hermenegildo do Amaral
(1926), percebe-se que ambos reconhecem a relevância histórica da Conjuração Baiana para a
compreensão das lutas por liberdade e das transformações políticas ocorridas no Brasil.
Entretanto, os autores se afastam quanto ao foco de suas análises. Valim concentra-se na
composição social do movimento e na atuação desigual da justiça colonial, evidenciando
como os setores populares, especialmente homens pobres e pardos, foram os principais alvos
da repressão. Já Amaral privilegia a valorização da Bahia como protagonista no processo de
independência brasileira, enfatizando o papel da província na construção da nacionalidade.
Dessa forma, enquanto Valim contribui para uma interpretação voltada às questões sociais e
às relações de poder presentes na repressão ao movimento, Amaral oferece uma leitura
marcada pela valorização da identidade regional baiana. As duas abordagens, embora
distintas, complementam-se ao permitir uma compreensão mais ampla da Conjuração Baiana.
Os acontecimentos de 1798 na Bahia representaram um marco na história política
brasileira, pois os chamados “homens de cor” formularam propostas voltadas para a
superação da crise urbana de Salvador e defenderam princípios como a república, a
democracia representativa, a autonomia regional e a igualdade racial. Essas ideias
influenciaram movimentos populares posteriores e contribuíram para o debate sobre a
independência do Brasil, ao questionarem as estruturas de dominação colonial e a exclusão
social. Segundo Araújo (2004), embora não tenha ocorrido uma revolução armada, os
participantes do movimento desenvolveram uma intensa ação política por meio da divulgação
de suas propostas e da busca de alianças para promover mudanças coletivas. A repressão
sofrida pelos alfaiates e soldados demonstrou o temor das autoridades diante da participação
política da população negra e mestiça, que passou a preservar a memória desses homens
como os primeiros políticos negros da Bahia. Dessa forma, a Revolta dos Búzios
consolidou-se como um importante símbolo da luta por liberdade, igualdade e participação
política no Brasil, deixando um legado que evidencia o protagonismo da população negra na
construção da história e da cidadania brasileira.
AMARAL, Braz Hermenegildo do. A Conspiração Republicana da Bahia. Revista do
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