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Racismo Religioso Ou Intolerância Religiosa?: Candomblé e Umbanda: Filosofia e Cosmologia

O documento aborda a diferença entre racismo religioso e intolerância religiosa, destacando a importância do respeito à fé de cada indivíduo. Explica as religiões de matriz africana, como Candomblé e Umbanda, suas filosofias e práticas, além de enfatizar a necessidade de combater o preconceito e garantir a liberdade religiosa. A conclusão ressalta que o respeito e a compreensão são essenciais para desmistificar e valorizar essas tradições.

Enviado por

Katia Meira
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Racismo Religioso Ou Intolerância Religiosa?: Candomblé e Umbanda: Filosofia e Cosmologia

O documento aborda a diferença entre racismo religioso e intolerância religiosa, destacando a importância do respeito à fé de cada indivíduo. Explica as religiões de matriz africana, como Candomblé e Umbanda, suas filosofias e práticas, além de enfatizar a necessidade de combater o preconceito e garantir a liberdade religiosa. A conclusão ressalta que o respeito e a compreensão são essenciais para desmistificar e valorizar essas tradições.

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Racismo Religioso ou Intolerância Religiosa?

Compreender a diferença é o primeiro passo para combater o preconceito e garantir o respeito à fé de cada ser humano.

Racismo Religioso O Indivíduo Pertencente ao Culto

Discriminação associada à religião e à raça. Afeta A pessoa não é de Candomblé ou Umbanda simplesmente
diretamente pessoas de religiões de matriz africana e está como rótulo. Ela é um corpo que integra um espaço, que
ligado ao racismo estrutural. Oprime e marginaliza as contribui para a cultura, a arte, a dança, a música e o
práticas dentro do culto de matriz africana. conhecimento de si e do mundo. É um indivíduo livre que
escolheu pertencer, através do seu chamado ancestral, a uma
Intolerância Religiosa comunidade chamada terreiro.
Rejeição à crença. Negação e desrespeito à fé do outro.
Torna a questão pessoal — o não querer tolerar ou aceitar a
fé alheia. Ambas as práticas constituem crime.

A Constituição Federal garante liberdade, igualdade


e dignidade da pessoa humana. Todos somos iguais
perante a lei — a crença religiosa é um direito
fundamental protegido contra qualquer forma de
tortura física ou intelectual.

Direito de Ir e Vir Liberdade de Expressão Dignidade Humana


Livre arbítrio garantido Proteção legal à crença religiosa e à Ninguém pode ser condenado por
constitucionalmente a todo ser manifestação cultural. pertencer a uma cultura ancestral.
humano.

Candomblé e Umbanda: Filosofia e Cosmologia

O que é Candomblé?

Candomblé é a junção de duas palavras:


CANDOMBE (termo quimbundo: "dançar
com atabaques") e ILÉ (do Yorubá:
"casa"). Religião constituída por duas
nomenclaturas:

Afro Diaspórica: Remete aos povos


negros escravizados vindos da África
Ocidental (Iorubás, Bantos e Fons) — a
raiz filosófica do candomblé.
Afro-Brasileira: A miscigenação entre
os povos africanos e o povo brasileiro,
que permitiu o nascimento do
candomblé como religião viva e
adaptada.

O espaço sagrado para oferendar, rezar e


cultuar os orixás se denominou, com o
tempo, terreiro — palavra que se
aproxima de "terra", local de chão batido
onde os negros realizavam reuniões
coletivas durante o período colonial,
quando os cultos africanos eram
proibidos e reprimidos.

O que é Umbanda? O Terreiro: Espaço Sagrado e Comunitário


Religião totalmente brasileira — afro-indígena — cujo nome Quando uma pessoa diz que pertence ao Candomblé e à
tem possível origem na língua bantu (Quimbundo/Umbundo), Umbanda, ela está dizendo que ocupa espaços sagrados.
significando arte de curar, cura espiritual ou magia. Fundada Mesmo com fundamentações distintas, a ideologia é a
no Rio de Janeiro por Zélio Fernandino de Moraes, após a mesma:
manifestação do espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, que
anunciou uma nova religião aberta a todos os pobres, negros,
indígenas e excluídos socialmente.

A filosofia central da Umbanda é a caridade, o acolhimento


espiritual e a valorização dos espíritos brasileiros. Cultua-
se as 7 linhas:

Caboclos
Pretos Velhos
Exus e Pombagiras
Crianças (Erês)
Marinheiros
Boiadeiros
Falangeiros dos Orixás

01 02 03

Fazer parte de um local Viver em comunidade Preservar saberes, rituais,


sagrado linguagens e espiritualidade

04 05

Atender ao chamado ancestral Relacionar-se com a natureza e compreender


"Ninguém sabe para onde vai, se não souber de onde vem."
sua EGBÉ
Comunidade espiritual à qual faz parte.

Os Orixás: Muito Além das Forças da Natureza


Orixá vem de ORI (cabeça ou consciência) + XÁ (rei, senhor ou dono) = literalmente "rei ou dono da cabeça". São intermediários
entre o mundo humano (Aiyê – terra) e o mundo espiritual (Orun – céu), comandados pelo sagrado supremo OLÓDÚMARÉ, fonte
criadora da vida para o povo do axé. O candomblé brasileiro se formulou com 16 orixás, comunicados através do Merindilogum
(jogo de búzios com 16 búzios).

Esú / Exú Ogum Xangô


O comunicador, o mensageiro, o amigo Orixá do trabalho, da produtividade e da O rei. A autoridade justa, o líder protetor.
fiel. Detentor da disciplina, da ordem e do transformação. O forjador, o lapidador. Responsável pela verdade, a ética, o
progresso. Nos ajuda a por ordem no Senhor da guerra — "o homem que não julgamento correto e a reparação das
caos. É o fim do começo, o começo do tendo água se banha com sangue". O pai injustiças. "ORI ENI NI UM NIJ OBA" — A
fim. Demonizado pela colonização — uma que acolhe e ensina a não desistir de cabeça de um homem faz dele um rei. Pai
das maiores injustiças do racismo seguir. dos eguns, nos liga à ancestralidade.
religioso.

O panteão africano é diverso — são centenas de divindades cultuadas. Atribuí-las apenas a mitos desconfigurados pela
colonização — onde Ogum se resume à guerra, Oxum à vaidade, Iansã à briga, Ossaim à feitiçaria, Esú ao diabo — é uma
atrocidade. Os orixás nos falam de força, resiliência, humildade, transformação, equilíbrio mental, justiça, disciplina, amor
próprio e energia vital.

Organização do Candomblé

Os Três Pilares Rituais

🥁 Danças e
Atabaques
🎶 Cantigas
Dentro da ritualística,
Momentos onde os têm a função de nos
orixás vêm à terra para fazer comunicar com as
contar, através das divindades e, de forma
lendas (músicas), suas respeitosa, invocá-las a
vidas. Os atabaques são dançar na terra.
instrumentos sagrados
consagrados
espiritualmente —
possuem axé e força
para invocar os orixás
através de sua
sonoridade.

🌿 Oferendas
Fortalecem o axé, aproximam do sagrado, equilibram o ori,
agradecem pelas bênçãos, fortalecem a coletividade e
mantêm vivos os saberes africanos, a culinária sagrada, a
língua e toda a ancestralidade.

"Quando alguém diz que é devoto de orixá, ela está lhe dizendo que é devoto ao bem-estar do ser humano como um todo."

Conclusão: Não é sobre Aceitação — É sobre Respeito!


O objetivo é quebrar com o racismo religioso acerca das religiões de matriz africana. Para tanto, faz-se necessário compreender
toda a filosofia e conjectura por trás do culto, para desmistificar a religião e colocar em pauta o indivíduo que pertence a essa
filosofia. Quem não compreende e respeita a ótica e semiótica do processo e chamado que levou alguém a adentrar o culto, torna-
se praticante de um crime. Legalmente, todos temos direito de professar nossa fé — e cabe a cada um de nós respeitar o direito
de crer de cada um.

Compreender Desmistificar
A filosofia, cosmologia e história por trás das religiões de Desconstruir os mitos criados pela colonização que
matriz africana. deturparam os orixás e o culto.

Respeitar Combater
O direito constitucional de cada ser humano de professar O racismo religioso e a intolerância religiosa como crimes
livremente sua fé. que são — sem exceção.

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