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Midnight Rescue

O capítulo apresenta Christy Huddleston e David Grantland se preparando para uma festa em homenagem a Miss Alice Henderson, uma respeitada figura da comunidade. Enquanto a celebração acontece, Christy reflete sobre sua adaptação à vida em Cutter Gap e suas interações com os moradores, incluindo a jovem Ruby Mae, que sonha em ser algo mais e se destaca em uma corrida de cavalos. A atmosfera é de alegria e expectativa, com a comunidade unida em celebração e competição.

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sarinha29042006
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Midnight Rescue

O capítulo apresenta Christy Huddleston e David Grantland se preparando para uma festa em homenagem a Miss Alice Henderson, uma respeitada figura da comunidade. Enquanto a celebração acontece, Christy reflete sobre sua adaptação à vida em Cutter Gap e suas interações com os moradores, incluindo a jovem Ruby Mae, que sonha em ser algo mais e se destaca em uma corrida de cavalos. A atmosfera é de alegria e expectativa, com a comunidade unida em celebração e competição.

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MIDNIGHT RESCUE

(RESGATE A MEIA NOITE).

Capítulo um

“Talvez você me conceda esta dança, Miss Huddleston?” Christy Huddleston sorriu.
“Tenho que preveni-lo antes, David. Eu não sou uma boa dançarina.”

“Então nós faremos um par perfeito.”

Christy juntou-se a David Grantland no gramado da frente da casa da missão onde ela
morava. David, o jovem ministro da missão, estava especialmente charmoso hoje. Ele
estava vestindo seu melhor terno, e seu cabelo escuro estava bem penteado. Christy estava
vestindo seu vestido favorito, feito de brilhantes linhas amarelas com laços brancos. Seu
cabelo loiro estava trançado e ela tinha colocado nele uma flor amarela.

Hoje, sábado, 06 de Abril de 1912, todos em Cutter Gap estavam vestindo suas melhores
roupas de domingo, o que para muitas pessoas desta comunidade não era nada mais que
trapos. O vestido de Christy estava longe de ser ideal. Era o aniversário de Miss Alice
Henderson, e Christy e David haviam organizado uma festa em sua honra.

Miss Alice tinha sido um pilar na comunidade desde quando ela tinha ajudado a
estabelecer a escola onde Christy dava aula. Ela cuidava dos doentes e ajudava os
necessitados. E Miss Alice tinha frequentemente sido uma voz de sabedoria em tempos
difíceis. Todos neste vale da montanha a conheciam e a respeitavam. Pessoas tinham vindo
de longe como de El Pano e Cataleechie, passando pelos difíceis caminhos da montanha,
para estar presente em sua festa de aniversário.

Tudo havia se tornado em uma celebração. Nesta tarde do começo de Abril, o ar estava
quente e docemente perfumado. As Grandes Montanhas Fumegantes finalmente
começaram a lançar fora sua neve. As crianças dançavam e giravam com a música do
saltério e do violino. Até o mal-humorado Doutor Neil MacNeill, médico de Cutter Gap
vestia um narciso na lapela de seu casaco.

Era tudo muito diferente das tardes de chá que Christy tinha ido em sua casa em
Asheville, Carolina do Norte. Ela havia deixado sua próspera família para vir dar aula em
Cutter Gap há quatro meses. Quando ela chegou aqui pela primeira vez, as pessoas destas
montanhas tinham lhe parecido antiquadas, pobres e mal educadas. Às vezes Christy as
achava assustadoras. Mas muitas coisas tinham mudado- isso incluía ela mesma- nestes
poucos meses. E agora quando ela olhava ao redor do gramado, ela no passado veria
apenas roupas pobres e pés descalços. Ao invés disso, agora, entre a multidão ela via alguns
de seus alunos e seus amigos. E as memórias de Asheville pareciam coisas estúpidas
comparadas a estas.

David tinha colocado seu braço em volta da cintura de CHristy, quando de repente, três
grandes porcos vieram correndo pelo gramado, gritando ruidosamente. Eles estavam sendo
caçados por Creed Allen, um enérgico menino de nove anos. Dois dos porcos, que viviam
debaixo da escola, tinham fitas rosas em volta de seus pescoços. Creed estava com uma
terceira fita.

Christy e David tinham pulado para trás a fim de não serem atropelados. “Com licença,
Miz CHristy e Pregador,” Creed gritou enquanto corria

“Veja como Creed está vestindo os porcos da escola para a festa de Miss Alice,” David
disse.

“Estou certa de que Miss Alice se sentirá honrada,” Christy disse com uma risada. “Agora,
onde nós estávamos?”

Novamente David colocou seu braço em volta da cintura de CHristy. Desastradamente,


CHristy colocou sua mão sobre o ombro de David. Ele era muito mais alto que ela, com
olhos escuros e bem magro.

“Você está adorável esta tarde,” David disse, um pouco nervoso. “Está se parecendo...
como as belas flores desta montanha.” Ele olhou para o chão e encolheu os ombros.
“Desculpe. Terrivelmente antiquado, eu sei. Acho que sou melhor para pregar sermões do
que para fazer elogios.”

“Foi um elogio maravilhoso,” CHristy disse. “Não que eu mereça.”

E a verdade é que ela pensava que não merecia mesmo. Ela sabia que seu rosto era um
pouco redondo, seus olhos azuis eram muito grandes, o que fazia com que ela não se
considerasse bela. Mas, ela quase sentiu-se bonita, vendo a forma como David estava lhe
olhando com uma mistura de esperança e nervosismo.

Na varanda da frente da casa da missão, vários homens da montanha estavam tocando


uma canção alegre. Jeb Spencer, o pai de vários alunos de Christy, estava tocando seu
saltério, um instrumento em forma de caixa com um doce som. DUggin Morrison estava
batendo duas colheres em seu joelho, enquanto Tom McHone tocava um velho violino.

As portas e as janelas de vidro da casa da missão estavam abertas. De um dos quartos


veio o som do grande e novo piano da missão, enquanto Wraigh Holt, um dos alunos mais
velhos de Christy, o tocava.

Antes que Christy e David pudessem começar a dançar, a música acabou. “Tudo bem,
então,” David disse com uma risada lamentável, “nós dançamos na próxima canção.”

“Como você ainda não está tocando seu ukulelê, David?” Christy perguntou.

“Haverá muito tempo para isso,” David disse. “Eu quero dançar com você primeiro. Tão
logo quando Tom voltar a tocar seu violino...”

Christy riu. “Você está se lamentando.”

“Eu nunca posso me lamentar,” David disse, de repente soando muito sincero. Então ele
riu novamente. “Além do mais, você está sendo muito corajosa, arriscando seus pés desta
forma.”
“Não tão corajosa,” veio uma voz masculina. “Apesar de ela ter dançado comigo na
abertura da casa da missão outra vez. Duvido que você seja um dançarino pior do que eu,
David.”

Ruby Mae levantou revirou os olhos. Era uma figura. Até o cavalo dos Taylor era mau.
Avareza era o plano de corrida da família. Talvez era porque Bird, o pai de Lundy, era um
fabricante de bebida. Certamente, o padrasto de Ruby Mae tinha parte da fabricação de
bebidas também.

“Você não tem chance, Ruby Mae Morrison”, Lundy disse com desprezo. “Mulheres
servem apenas para duas coisas- cozinhar e lavar. Você sabe o que estou falando. Não sei
que boa cozinheira você é, mas eu sei que você não tem chance, nem você ou o cavalo do
pregador.”

“Espere e verá, Lundy,” Ruby Mae disse voltando para trás. Ela correu sua mão sobre o
pelo de Prince, frágil e longo como a seda. “Prince é rápido como uma raposa no fogo. Você
verá.”

Ela olhou para os outros participantes. Jake Pentland- sobrinho de Ben Pentland, o
carteiro local- estava com uma pequena égua castanha forte. Elias Tuttle- o proprietário de
vários armazéns em El Pano, uma cidade a sete milhas de Cutter Gap- estava montando um
belo cavalo com uma maravilhosa sela de couro, brilhosa e talhada. Elias havia doado
comida e suprimentos para Miz Alice e para a missão.

Então, alguém cavalgou para o lado dela. Era Rob Allen, um alto e magro menino de
quatorze anos que era um dos melhores estudantes da escola. Miz Christy o tinha nomeado
como um Professor júnior que ajudava os outros alunos. Rob estava montando uma égua
malhada chamada Pégaso, um nome que Rob tinha encontrado nos livros que havia lido.
Certamente, Pégaso era um nome mais difícil, e por isso a maioria das pessoas a chamavam
de “Peg.”

Rob queria ser um escritor quando crescesse. Ruby Mae pensava que era uma grande
idéia. Ela queria ser algo também, mas não contava o que realmente queria ser. Ela queria
que seu cabelo fosse úmido como as tardes de verão. Ela queria que suas sardas não
fossem muitas... mas sardas são sardas. E ela queria ter dois pares de sapatos bonitos e
enfeitados como o de Miz Christy.

Mas essas coisas pareciam não ser algo grande como escrever. Ruby Mae pensou que Rob
era muito especial por querer algo gigante, impossível e belo. Ela também pensou que ele
tinha uma covinha fofinha em sua bochecha quando sorria, mas certamente ela nunca lhe
contou isso. Ele olhou para o alto, sentando de lado em seu cavalo e observando-a.
“Você vai correr com Peg?” Ruby Mae perguntou a Rob.

“Pégaso é um peso rápido, quando ela se concentra nisso.” Rob Sorriu timidamente.
“Certamente ela vai se concentrar. Nunca se sabe quando ela está de bom humor para
correr.”

“Suponho que você esteja dizendo que não tenho nenhuma chance de vencer”, Ruby Mae
disse.

“Não. Eu já vi você correndo com Prince. Para uma menina, você conduz bem um cavalo.
Até melhor que um homem, eu acho.” Ele deu um gracejo meio torto, e então encolheu os
ombros. “É verdade, você corre como se você mesma fosse o cavalo, Ruby Mae.”

Ruby Mae tinha que se controlar para não gritar de excitação por ouvir as palavras de
Rob. Nem um homem ou menino nunca tinha admitido que ela era uma boa cavaleira
antes. Mas ela apenas disse, “Bem, talvez o melhor homem... ou... vencer.”

Agora, uma multidão tinha se formado para ver a corrida. Em qualquer lugar que Ruby
Mae olhava, parecia que via casais felizes. Talvez porque era primavera. Lizette Holcombe
estava de mãos dadas com Wraight Holt, o menino que tocava piano. Bessie Coburn, a
melhor amiga de Ruby Mae, estava sussurrando com John Spencer, um menino a quem
Bessie tinha atração e que parecia amá-lo para sempre. E também Miz Christy- bem, ela
parecia ter dois pretendentes com ela- o doutor e o pregador. Miz Christy disse a Ruby Mae
que ela estava imaginando coisas, mas Ruby Mae sabia o que era um romance. Ela podia
dizer que o doutor e o pregador gostavam de Miz Christy. A questão era, de qual deles Miz
Christy gostava?

De fato, Ruby Mae estava amando alguém também- mas não um pretendente. Ela amava
o cavalo. Desde que Prince tinha vindo para a missão, ela podia fazer muitas coisas com ele.
Antes da escola, depois da escola, ás vezes durantes a escola, se conseguisse encontrar uma
desculpa- Ruby Mae gastava cada momento pensando em Prince. Ela sempre havia amado
animais, desde o pequeno esquilo que tinha três pernas que ela cuidava para que não
fosse atacado por outro animal, até a velha coruja que vivia no sicômoro perto de sua
cabana. Mas Prince era diferente. Quando ela cavalgava nele, ela sentia como se tudo fosse
possível.

“Ruby Mae, seja cuidadosa agora, ouviu?”

Ruby Mae olhou ao redor e viu sua mãe se aproximando. Seu cabelo cinza estava
amarrado com uma corda velha. Na luz do sol, as linhas duras de seu rosto pareciam até
mais cansadas do que o normal.

“Sim, mamãe,” Ruby Mae prometeu. Ela tomou suas rédeas. “Eu... eu sinto saudades de
você e do papai.”

“Você pode vir nos visitar algum dia. Como se você não soubesse o caminho.” Mrs.
Morrison apontou para Prince. “Veja como você está mimada, vivendo aqui com aquela
professora na casa da missão. Seu próprio cavalo cavalga cheio de comida.” ela apontou
para as tranças no cabelo de Ruby Mae que Miz Christy tinha feito. “Aposto que você toma
banho num balde de metal todos os dias.”

Ruby Mae hesitou. Ela não sabia o que dizer. A verdade era que ela gostava de morar na
casa da missão. Ela sentia falta de seus pais, mas eles estavam sempre berrando um com o
outro e com ela. Era um alívio morar longe de discussões. Quando Miss Alice sugeriu que
Ruby Mae morasse na casa da missão por um tempo, Ruby Mae tinha duvidado que seria
uma boa idéia. Mas agora ela sabia que era.

“Talvez eu possa voltar para casa em breve, mamãe,” Ruby Mae disse suavemente. Ela
perguntou-se se Rob estava ouvindo. Ela olhou para ele, mas ele estava mexendo em seus
estribos. Ruby Mae diminuiu sua voz. “Mas parece que todas as vezes que estamos juntos,
começamos a brigar como gatos em um saco de farinha.”

“Se você não fosse tão teimosa,” Mrs. Morrison começou, “ resmungando como uma
cachoeira”- ela parou. “Bem, não vou começar novamente. Eu só queria dizer que você seja
cuidadosa.”

De detrás dela veio o grito de bêbados. Era Bird, pai de Lundy, com o padrasto de Ruby
Mae. Bird estava andando tortamente, apoiando-se em Duggin.

“Olhe aqui!” Bird gritou. “Essa é sua enteada, Duggin? Ela pensa que é um menino?”

“Eu disse a ela que ela não pode orar pela vitória, mas você conhece Ruby Mae,” Duggin
disse, apoiando-se em Bird que estava prestes a tropeçar. “Ela não tem noção na cabeça,
como se estivesse colocando um graveto numa colméia.”

Mrs. Morrison olhou-o com raiva. “Não o ouça menina,” ela murmurou. “Eu vi você
cavalgando antes. Você pode vencer tudo, se for teimosa para conseguir.”

“Sim, mamãe,” Ruby Mae disse. Ela sorriu com gratidão para sua mãe, e então colocou
seu pé esquerdo no estribo e ajeitou-se um pouco para trás. Ela lhe deu uma cotovelada
gentil em direção a linha de partida. Ela estava maravilhada com ele, preparado para correr,
mas calmo. Sem inquietação e afobação, como alguns outros cavalos.

Miss Alice apareceu na frente da linha dos corredores. Ela piscou para Ruby Mae, e Ruby
Mae deu-lhe um sinal com o polegar, para lhe mostrar que estava confiante.

Ruby Mae amava Miss Alice. Miss Alice falava sobre Deus não como se ele parecesse
temeroso ou distante, mas bondoso e amoroso como se sentisse seu próprio batimento
cardíaco.

“Tudo certo. Vejo que nós temos todos os corredores reunidos,”Miss Alice disse. “Lundy
Taylor com Relâmpago. Jake Pentland com Robert E. Lee. Elias Tuttle com Possum. Ruby
Mae Morrison com Prince”-

Ao ouvirem o nome de Ruby Mae, Duggin e Bird junto com outros homens, começaram a
assobiar e uivar.

Rob olhou para ela e piscou. “Não ligue para eles,”ele disse.
“E por último, mas não o menor,” Miss Alice continuou, “Rob Allen com Pégaso. Agora,
como é meu aniversário, eu serei o juiz da corrida, para que tudo ocorra corretamente.
Quando eu contar três, você correrão para a beira do campo e rodearão o grande carvalho.
O vencedor receberá dois bolos de maçã de Miss Ida.”

“Jarros de bebida são melhor do que o bolo de Miss Ida,” Lundy resmungou.

Miss Alice o ignorou. “Alguma pergunta?”

“Não há como começar uma corrida sem uma arma de fogo,” disse o padrasto de Ruby
Mae. Ele abanou sua espingarda de caça no ar. “Não é certo.”

“Não haverá tiro no meu aniversário, Duggin Morrison,” Miss Alice o preveniu. Ela falou
tão calmamente mas tão firmemente que ele abaixou sua arma. Miss Alice tinha mais força
que ele, Ruby Mae pensou, sorrindo para si mesma. Ela podia colocar o temor de Deus em
qualquer homem, até no padrasto de Ruby Mae.

“Mas um segundo pensamento, Duggin,” Miss Alice continuou com um sorriso “desde que
minha mão está temporariamente fora de ordem, deixo você dar partida para os
corredores, e contar até três. Um tiro para cima, Duggin, entendeu?”

O padrasto de Ruby Mae sorriu. Ele apontou sua velha arma de caça em direção ao céu.

“Corredores, vocês estão prontos?” Miss Alice chamou

Todos acenaram. “Pronto para fazer poeira para esses perdedores!”Lundy gritou.

Ruby Mae deu um curto sorriso para Rob. Ela se curvou e sussurrou para Prince, “Nós
podemos vencer todos, garoto. Você vai mostrar o que pode fazer, e eu também.” Ela
olhou para trás e viu Miz Christy a observando. Miz Christy levantou seus dedos, para
mostrar que eles estavam cruzados, desejando-lhe boa sorte.

“Em suas marcas,” Miss Alice falou. Um silêncio tomou conta de todos.

“Preparar,” ela disse.

Ruby agachou-se, apertando suas rédeas. Ela podia sentir a respiração tensa de Prince
debaixo dela. Seus ouvidos estavam inclinados. Ele golpeou a pata no chão.

Ele estava pronto, assim como Ruby Mae.

Duggin Morrison atirou com sua arma. O poderoso barulho sacudiu o ar.

“Hay, garoto!” Ruby Mae pressionou os calcanhares de Prince e deu apertou a rédeas
para um rápido galope. A sua esquerda, o cavalo de Lundy, Relâmpago, e o de Elias,
Possum, estavam lado a lado, um pouco a frente dela. À sua direita, Peg e Robert E. Lee
tinham ficado para trás.

“Vamos garoto!” ela gritou. Prince chutou um corte da grama, enchendo o ar com um
barulho parecido com um trovão. Ele estava voando, como bem parecia. Se ela não
soubesse melhor, ela podia jurar que o cavalo tinha asas.
Ruby Mae manteve seus olhos focados no grande carvalho no fim do campo. Seria um
delicado giro. Ela teria que ir bastante devagar com Prince para evitar correr entre os
outros corredores. Mas ela não queria diminuir muito. Especialmente não quando Prince
estava alcançando Relâmpago e Possum.

No campo eles estavam voando. Ela podia ouvir os gritos da multidão atrás dela. Mas não
era hora de pensar nisso. Ela precisava pensar em Prince.

Ao tempo em que ela alcançou a árvore, Ruby Mae e Lundy estavam na liderança com
seus dois garanhões, Relâmpago e Prince, lutando para vencer. Ela foi para o lado direito da
árvore, quando Lundy e seu cavalo foram para a esquerda. Ela poderia frear Prince. As
faixas de couro queimavam em suas mãos enquanto ela o trotava lentamente. “Pare,
garoto, pare,” ela gritou. “Estamos a meio caminho de casa.”

Ao som de sua voz, Prince respondeu imediatamente. Puxando rudemente a rédea


esquerda, Ruby Mae desviou-o estreitamente. Ela quase perdeu o equilíbrio, quando fez a
volta apressadamente, mas ela agarrou um pedaço da crina de Prince e segurou por sua
preciosa vida.

Ela estava tentando recuperar seu lugar quando ela ouviu galopes atrás dela. Possum,
Robert E. Lee, e Peg estava aproximando-se da árvore. O campo adiante estava limpo. Ela
não queria ver Lundy a sua volta nem perder seus preciosos segundos.

“Vá, Prince!” Ruby Mae gritou, dando um duro pontapé em seus calcanhares.

Então, ela ouviu o som cascos duros vindo da sua direita. Era Relâmpago, vindo
rapidamente. Ele estava correndo em sua direção!

“Eu vou te pegar, cavalo do pregador!”- Lundy gritou.

Freneticamente, Ruby Mae puxou as rédeas para trás. Prince hesitou, então ela o puxou
para trotar. Lundy e Relâmpago correram, avançando adiante de Prince.

O que aconteceria se ela não tivesse diminuído? Ruby Mae pensou por meio segundo.
Lundy ameaçara seu próprio cavalo? Ou era porque ela era uma menina, e ela não poderia
para um cavalo... ou até si mesma?

Bem, ela pensou firmemente, não foi um ponto certo, Lundy Taylor.

“Alcance-o, Prince!” Ruby Mae gritou. Ela o pressionou para um rápido galope, e Prince
ficou feliz com essa chance.

Vinte passos adiante deles- uma distância impossível de alcançar- Lundy e Relâmpago
estavam cruzando rapidamente o campo em direção à multidão torcedora. Ela sabia que
não havia caminho para Prince poder alcançar Relâmpago agora.

Felizmente, Prince não pensava a mesma coisa. Dirigido pela vista de outro cavalo a sua
frente, ele chutou profundamente no solo frágil. Seu pescoço disparou. Sua boca espumou.
Suas patas voaram rapidamente e parecia que Ruby Mae e Prince não estavam
emocionados.
Rápido e rápido. Ele arremessou a si mesmo. Lundy olhou para trás. Ruby Mae podia ver
surpresa e pânico em seu rosto. Ele chicoteou os ombros de Relâmpago com suas rédeas.
“Vamos, seu cavalo velho!” ele gritou.

Mas era tarde. Prince não deixaria Relâmpago vencer. No final, como uma tempestade
selvagem, ele atirou-se em sua direção, passando Lundy e a multidão, passando Miss Alice
e a linha de chegada. Ele não queria parar de correr, e não estava se preocupando por onde
ia, e ele e Ruby Mae podiam voar juntos no ar.

Ruby Mae deixou-o circular a multidão, galopando. Finalmente ela o freiou com um belo
trote. Ele empinou com prazer, orgulhoso e esnobe. Sua cabeça estava erguida, assim como
a de Ruby Mae. Ela encontrou o olhar de Miz Christy, acenando e aplaudindo. A mãe de
Ruby Mae estava sorrindo, acenando com sua cabeça. Rob Allen lhe deu uma piscada.
Lundy estava com raiva, certamente, com seus olhos raivosos em direção de Ruby Mae.

Então ela notou seu padrasto. Sua arma estava deitada em seu braço. Ele não estava
exatamente sorrindo, não podia se dizer. Mas ele a estava olhando como ele nunca a havia
olhado antes.

Ruby Mae fez mais uma volta no campo. Contrariando a ordem de Miss Alice, alguém deu
um tiro em celebração. Muitos outros tiros se seguiram. Os gritos de alegria enchiam o ar.
Ela andou lentamente com Prince, inclinando-se para acariciar sua pele úmida, quente e
macia.

“Você estava ouvindo os tiros, garoto?” ela sussurrou. “Tudo graças a você. Tudo para
você.”

De repente os gritos e os tiros pararam. Alguém gritou, e então aumentou no campo.

Ruby Mae cavalgou até ver a figura do Doutor MacNeill, deitado no chão em uma poça de
sangue. E próximo dele em pé estava seu padrasto, com sua arma saindo fumaça.

CAPÍTULO TRÊS

Até antes de ela saber quem era, Christy viu brilhante poça vermelha de sangue.

Então ela ouviu uma criança gritar. “O doutor! O doutor levou um tiro!”

Freneticamente, Christy se espremeu entre a multidão. Doutor MacNeill estava deitado


no chão. Ele estava sangrando gravemente no ombro esquerdo. Miss Alice estava ajoelhada
próxima dele. A multidão, murmurando, formou um círculo apertado em volta deles.

“Neil!”Christy gritou. Ela ajoelhou-se do outro lado dele. Ele tentou se sentar, mas Miss
Alice o fez deitar-se novamente. “Não é nada,” o doutor disse, mas seu rosto estava pálido.
“Por que você não me deixar julgar isso?” Miss Alice disse, enquanto ela pressionava um
lenço contra o machucado com sua mão esquerda.

Christy olhou, horrorizada, enquanto o lenço branco se tornava muito vermelho. “Você
vai ficar bem,” ela assegurou o doutor, mas sua voz estava trêmula.

Miss Alice levantou-se. Ela parecia estar tentando remover seu próprio lenço de seu braço
direito para segurá-lo. Christy viu a dor dela ao fazer uma tentativa. Seus olhos sempre
calmos, estavam preocupados. “Deixe-me levar você para a casa de missão.”

Ruby Mae apressou-se em subir em Prince. “Eu o ajudo a cavalgar, Miss Alice,” ela disse.
“Se ele conseguir montar no cavalo.”

“Eu posso andar, muito obrigado,” o doutor disse. Usando Christy como suporte, ele
conseguiu colocar-se de pé com seu braço em volta de seu ombro. David apressou-se para
segurá-lo do outro lado.

“Eu desejo deixar isto perfeitamente claro,” Miss Alice disse firmemente para a multidão.
“Eu suponho que o tiro foi um acidente.” Ela encarou Duggin Morrison, que olhava
fixamente para o chão. “Mas foi um acidente gerado por tiros e bebida alcoólica. E estas
duas coisas eu não tolerarei aqui na missão. A próxima arma que eu ouvir atirar, e o
próximo jarro de licor ilegal que eu ver sendo consumido, serão eliminados com minha
própria arma. E vocês sabem que eu atiro melhor que vocês homens. Até sem usar minha
boa mão.”

Christy e David ajudaram o doutor a andar em poucos passos. O rosto do doutor estava
branco, e sua testa estava pontilhada de suor.

Ruby Mae seguia-os de perto montado Prince.

“Ruby Mae,” o doutor disse. “Acho que aceitarei sua oferta de antes, depois de tudo. A
propósito,” ele adicionou com uma piscadela e um fraco sorriso, “você foi uma boa
cavaleira.”

Ruby Mae desceu da sela, e com a ajuda de David o doutor escalou sobre Prince. “Eu me
sinto muito mal por isso, doutor,” Ruby Mae murmurou enquanto ela guiava Prince em
direção à casa da missão, com Christy, David e Miss Alice do outro lado. “Vejo que foi meu
padrasto que atirou em você.” Ela murmurou. “Maldito bêbado que ele é.”

“Pode ter sido qualquer um, Ruby Mae,” o doutor a garantiu. “Todos estavam atirando
com suas armas.”

“Não, foi ele,” Ruby Mae murmurou. “Eu ouvi ele contar para minha mãe que ele estava
apontando em direção às nuvens, mas ele perdeu o equilíbrio e o tiro foi para o lado.”

“Vou te dizer de quem é a culpa,” David murmurou furiosamente. “A culpa é do licor e


desses jarros. A culpa é dos fabricadores de bebidas destas montanhas que insistem em
fazer, beber e vender.”
“Isto é algo que você não pode esperar que mude, David,” o doutor disse cansadamente.
“Acredite em mim. Eu tenho vivido nestas montanhas por um longo tempo. Vocês são
novos aqui.”

“Isto é algo que eu vou mudar, e você verá,” David disse firmemente.

“Haverá muito tempo para se conversar depois,” Miss Alice os interrompeu enquanto eles
se aproximavam da casa da missão. “Deixe o doutor entrar.”

David ajudou o doutor MacNeill descer de Prince. O doutor gemeu ao descer, e então
relutantemente inclinou-se sobre David para ser seu suporte.

“Ruby Mae,” Miss Alice ordenou, “corra até minha cabana e traga minha mala de
medicamentos, tudo bem?”

No corredor, Miss Alice puxou Christy de lado enquanto David ajudava o doutor a deitar
na cama.

“Eu preciso de você para me ajudar a retirar a bala do doutor,” Miss Alice sussurrou. “Sem
a minha mão direita, não sou uma boa cirurgiã.”

“Eu?”Christy disse em horror. “Ajudar com... mas eu não sei nada sobre cirurgia”-

“Como se em sua jornada até aqui, você viu a operação do doutor em Bob Allen? Você o
ajudou então, não foi?” Miss Alice bateu em seu braço. “Você tem mais experiência do que
David ou Ruby Mae. E eles dois são as outras duas únicas possibilidades.”

“Mas eu não posso...”

“Não se preocupe, querida. Eu vou te ajudar. E o Senhor guiará suas mãos.”

Relutando,Christy seguiu Miss Alice até o quarto. Olhando para a larga mancha de sangue
da camisa do Doutor, o estômago dela se embrulhou. Debaixo de sua camisa estava a bala-
a bala que Miss Alice esperava remover. Ela sentiu seus joelhos se enrijecerem, e ela
alcançou uma cadeira.

“Melhor manter o olho naquela menina,” o doutor brincou. “Ela estava bem e agora ficou
esverdeada.”

“Estou bem,” Christy disse entre os dentes.

“Do que você a chamaria, Pregador?” o doutor continuou, determinado a parecer


indiferente. “Primavera verde? Ou talvez uma esmeralda verde”-

“Estou bem,” Christy disse firmemente.

Miss Alice ajudou o doutor a remover sua camisa. Todo o seu peito estava sujo de sangue.
Cuidadosamente ela colocou a mão no machucado.

“Está empurrando,”o doutor murmurou , recuando.


Ele sentiu o machucado, fazendo gestos com seus dedos sobre a bala. “Não está muito
profunda,” ele pronunciou. “Nenhuma fratura. Um pouco complicado, mas nenhum
problema para ser removido.”

Ruby Mae subiu os degraus apressou-se para entrar no quarto, carregando a bolsa de
Miss Alice. Atrás dela estava Miss Ida, a exigente e sensível irmã mais velha de David.

“Oh meu Deus!”Ida falou. “Eu estava colocando os últimos detalhes no bolo de Miss Alice
quando ouvi um barulho aqui. O que aconteceu? Veja só isto!”

“Bebidas e armas,” David disse misteriosamente. “Eles não se podem misturar.”

“Você pode trazer a bolsa para mim, Ruby Mae,” o doutor instruiu. Ela sentou-se próxima
a ele e ele começou a procurar seus conteúdos.

“Miss Ida, nós vamos usar um pouco de água fervente e toalhas limpas,” Miss Alice disse.

“Certamente,” Miss Ida disse. “Ele vai ficar bem?”

“Espero que sim. O doutor é bonito e teimoso,” Miss Alice disse com um sorriso forçado.

O doutor tirou a faca pegou algumas pinças da bolsa de Miss Alice. “O que exatamente
você está preparando para fazer, Neil?”

“Eu de fato vou remover a bala,”ele disse.

“Deus de misericórdia!”Ruby Mae gritou. “Acho que ele é o homem mais corajoso que já
existiu!”

“Há um limite entre coragem e insensatez, Ruby Mae,” disse Miss Alice. Voltando-se para
o doutor, ela disse de forma curta, “Lembro que você usa apenas a mão esquerda, não é
Neil?”

“Sim.” Ele procurava na bolsa dela, murmurando para si mesmo. “Onde você guardou
suas agulhas e linhas de costura?”

“E,” Miss Alice continuou, tomando a bolsa dele, “a bala não está em seu ombro
esquerdo?”

O doutor MacNeill olhou para Miss Alice. Sua expressão era uma mistura de dor, diversão
e contrariedade. “Vejo que o que você está querendo, Miss Alice. Mas você e eu somos os
únicos médicos, há mais de mil milhas ou mais, e nada pessoal, mas prefiro tirar essa bala
eu mesmo do que você tentar removê-la com seu pulso torcido.” Ele deu-lhe um olhar torto
e respondeu, “Vale lembrar, que você usa mais a mão direita, não? E não é sua mão direita
que está atada?” Ele sentou-se, retraindo-se de dor. “Parece que eu sou o escolhido.”

Miss Alice balançou a cabeça. “Christy fará a cirurgia.”

“Christy!”o doutor falou. “Jamais! Olhe para ela! A cor dela é como de uma maçã verde! E
você espera que eu deixe ela puxar a bala de minha própria carne?”
“Não temos outra escolha,”Miss Alice disse.

“Acredite em mim, eu nunca fiz papel de médica,” Christy disse. “Mas”-

“Você? Como você pensa que me sinto sobre isso?”o doutor gritou. “Você é uma
professora, não uma médica.”

“Misericórdia”, Ruby Mae murmurou altamente, “isto é mais divertido do que a corrida!”

“Comporte-se, Neil,” Miss Alice disse. “Você está agindo como uma criança. Ambos
sabemos que a cirurgia de nada mais precisa do que de um bom alfaiate.”

O doutor agarrou a mão de Miss Alice. “Por favor,” ele disse. “Tenha misericórdia. Eu peço
a você. Ouvi sobre os esforços de costura de Christy. Granny O’Teale disse que seus dotes
de costura deixam a desejar.”

“Sou uma boa costureira!”Christy disse indignamente.

“Atualmente, Miz Christy,” Ruby Mae interrompeu, “aqueles botões que você costurou no
casaco de Mountie O’Teale caíram. Lembra de como você teve que costurá-los
novamente?”

“Oh, que maravilha.” O doutor Neil tapou seus olhos com sua mão direita, suspirando.

Miss Ida reapareceu com um pilha de toalhas. Ela as tinha cortado em faixas para usar
como bandeides. “A água está fervendo.”

“Bom”, Christy disse, tomando as toalhas. “Deixe estes instrumentos esterelizados para
que possamos usá-los.” Ela olhou para Miss Alice. “Certo?”

“Exatamente,” Miss Alice disse.

Miss Ida respirou profundamente. Ela olhou o braço enfaixado de Miss Alice, e o
machucado do doutor. “Minha nossa,” ela murmurou. “O que acontecerá no mundo
quando Christy Huddleston é nossa única esperança médica?”

“Obrigada por seu voto de confiança, Miss Ida.” Christy disse com um suspiro. Miss Ida
bateu no cotovelo do doutor gentilmente.

Quando finalmente tudo estava pronto, Christy lavou as mãos perfeitamente em uma
bacia, e então posicionou-se entre uma cadeira e a cama do doutor. Miss Alice estava em
pé atrás dela, observando e instruindo. David e Ruby Mae observavam a distância.

“Primeiro, você precisa limpar a área do machucado,” Miss Alice instruiu.

Christy mordeu seus lábios. Seu estômago enjoou. Suas mãos estavam tremendo.

Ela encontrou os olhos do doutor. Ele estava sorrindo fracamente, olhando para ela como
ele se estivesse lendo sua mente.

“Você se sairá bem,” o doutor disse gentilmente.


Christy respirou profundamente. “Espero que sim.”

“Você foi bem quando me ajudou com Bob Allen,” o doutor a lembrou. “Você é mais forte
do que você pensa, Christy Huddleston. Eu só espero ser também.”

Christy lhe retribuiu com um sorriso de gratidão. “Farei o meu melhor.”

Quando Christy limpou a ferida, Miss Alice inclinou-se para examinar. “Você precisa fazer
uma pequna incisão para alcançar a bala,” ela disse. “Levante a faca.”

Christy levantou a lâmina. Ela forçou sua mão para parar de tremer.

“Segure a faca firmemente em sua mão direita quando você sentir a posição da bala com
sua mão esquerda,” Miss Alice instruiu. “Então puxe uma pequena linha, talvez meia
polegada do ponto de entrada, com a faca. Pressione firmemente.”

“Mas também não tão firmemente,” o doutor adicionou com um sorriso reconfortante.

Christy fechou seus olhos. Por favor, Senhor, ela orou silenciosamente, me dê forças para
enfrentar esse desafio.

“Será de grande ajuda,” o doutor sugeriu, “se você abrir seus olhos.”

“Eu estou orando por auxílio,” Christy explicou.

“Maravilhoso,” o doutor lamentou.

Firmando suas mãos trêmulas, Christy fez como Miss Alice instruiu. De repente o humor
de brincadeira desapareceu. Todos estavam em silêncio. Ela podia sentir o doutor enrijecer
enquanto ela pressionava a faca.

“Bom, bom”, Miss Alice disse.

Christy levantou a faca e olhou para o doutor. Seus olhos estavam fechados, os músculos
de seu belo rosto estavam apertados como se ele estivesse sentindo dor.

“Isto não chega perto do que pensei,” Ruby Mae murmurou, apressando-se para a porta.

“Vou ver se Ruby Mae está bem,” David disse apressadamente.

David lançou-se em direção a porta, e Christy notou que ele parecia um pouco verde.

“Agora, seque o sangue,” Miss Alice disse.

Christy fez como ela instruiu. Para seu alívio, a náusea tinha passado. Agora ela queria
terminar a operação o mais depressa possível para poupar o doutor de mais dores.

“Pegue aqueles pares de pinça e, usando sua outra mão, localize a bala. Você precisa
apalpar em volta um pouco.” Miss Alice colocou um tecido frio sobre a testa do doutor.
“Você está bem, Neil? Eu queria lhe dar alguma anestesia, mas sei que você nunca
tomaria.”
“Oh, não,” ele disse com os dentes serrados. “Dormir enquanto Christy está me cortando
como um peru de ações de graças? Claro que não.”

Cuidadosamente, Christy apertou as pinças na bala. Com uma fração de polegada, ela
pode sentir a dor do doutor como se ela própria estivesse sentindo. Uma vez, ele gemeu
em voz alta.

“Estou machucando você,” Christy lamentou desesperadamente. “Não,” o doutor disse.


“Vá em frente. Você está quase terminando. Você está indo bem.”

Christy olhou para o rosto de Miss Alice. “Eu não posso fazer isso, Miss Alice.”

“Certamente você pode,” ela encorajou.

Novamente Christy lutou para encontrar a bala. Uma vez ela conseguiu encontrar a bala,
mas quando ela tentou puxar, a pinça a deixou escapar. Ela não olhou para o rosto do
doutor. Ela não podia agüentar. Mas ela podia ver seu peito subindo e descendo
rapidamente, e ela viu seus punhos, cerrados com força.

“Parece que não consigo alcançá-la,” Christy disse depois de outra tentativa sem sucesso.

“Você pode sim,” o doutor disse. Ela podia ouvir a dor em sua voz. “Você pode fazer tudo
que quiser, Christy.”

Novamente Christy tentou. Nesta hora, quando ela alcançou a bala, ela apertou a pinça.
Ela segurou apertadamente a bala. Finalmente ela a tirou.

Ela encarou a grande e torta peça de chumbo ensangüentada. Seus dedos estavam
tremendo de novo. Um pouco mais e a bala poderia ter acertado o coração do doutor. A
bala era um símbolo de tudo o que era errado e perigoso e mau nestas belas montanhas.

Ela deixou a bala cair na bacia.

“Bom trabalho,” Miss Alice disse, apertando os ombros de Christy.

“Nada mau para a primeira vez,” o doutor disse fracamente.

Christy encontrou seus olhos. Ela viu uma terrível dor ali, mas um meio sorriso que
esperava por ela. Ele tocou seu braço com sua mão. “Sabia que você poderia fazer isso.”

“Agora, deixe que se costure o corte,” Miss Alice disse.

O doutor suspirou. “É realmente verdade, sobre os botões de Mountie?”

Christy sorriu. “Sim,” ela admitiu. “Mas eu tenho tido lições de costura com algumas
mulheres daqui desde então. Realmente tenho melhorado.”

“Oh, bem,” o doutor disse com outro suspiro. “Pela menos fará uma cicatriz interessante.”

CAPÍTULO 4
“Como você está se sentindo?” Christy perguntou na próxima manhã enquanto ela
carregava uma bandeja de café da manhã para o quarto do doutor.

“Como alguém que atirou no meu ombro.” O doutor sentou-se lentamente, gemendo.
Seu cabelo estava desordenado, e havia manchas escuras em volta de seus olhos. Uma
recente faixa branca cobria seu ombro. Seu braço tinha um furo.

“Você parece terrível,” Chirsty disse, colocando a bandeja sobre sua coberta. Ela bateu em
seu travesseiro.

“Fale com minha cirurgiã. Ela é a responsável,” o doutor disse tomando um gole de café.

“Atualmente, Miss Alice me disse que ela já examinou seus pontos essa manhã, e ela disse
que eles parecem belos.”

“Bem, eles seguram um pouco, mais do que podemos dizer dos botões de Mountie
O’Teale,” o doutor provocou. Ele levantou o guardanapo que cobria uma tigela farinha de
aveia e franziu a sombrancelha.

“O que é exatamente isto?”ele perguntou.

“Miss Ida fez farinha de aveia para você. Ruby Mae ajudou. Ela colocou um pouco de
melado e canela para saborear.”

O doutor comeu um pouco, e então revirou seus olhos. Ele colocou a bandeja de lado.
“Penso que é melhor eu ir para minha própria casa, onde eu posso fazer meu próprio café
da manhã. Algo que não envolva sabores especiais de Ruby Mae.”

“Você não pode fazer isso,” Christy disse firmemente, jogando o travesseiro contra ele.

Ele recuou.”Cuidado. Suas maneiras precisam de um pouco de trabalho.”

“Desculpe,” Christy se desculpou. “Mas Miss Alice disse que sua febre precisa abaixar.
Você precisa ficar até que você esteja propriamente curado.”

“Sim, doutora,” ele ironizou com Christy.

“Eu estou mencionando o que Miss Alice disse,” Christy disse em defesa. Ela lhe entregou
a bandeja, e ele a tomou relutantemente.

“Ela também me contou que tem pacientes terríveis.”

“Aposto que ela está certa sobre isso.”

Christy colocou sua mão na testa do doutor. “Você está um pouco quente.”

Ele alcançou a mão dela e a segurou. Sua própria mão era grande e estava quente ao
tocá-la.

“Eu quero agradecer pelo que você fez ontem,” ele disse. “Sei como foi duro para você. A
despeito da minha implicância, eu sei que você fez um trabalho de primeira qualidade. E
você quem fez.” Então ele adicionou com uma risada, “Bem melhor do que eu teria feito,
tentando permanecer como professor de uma sala gigante com crianças barulhentas onde
você ensina.”

“Obrigada por dizer isso,” Christy disse, de repente sentindo-se tímida com seu olhar
intenso.

Então, David bateu na porta e entrou. Vendo Christy e o doutor segurando suas mãos, ele
gaguejou, “Talvez... devo voltar em outra hora?”

“Não, venha David,” Christy disse rapidamente, puxando sua mão.

David limpou sua garganta. “Como está o paciente?” ele perguntou. Ele estava vestido
com suas próprias roupas ministeriais- calças listradas, camisa branca, e gravata preta. Seu
cabelo estava cuidadosamente penteado. Christy sempre pensava que ele parecia mais
velho e mais nobre nos domingos.

“O paciente está reclamando,” Christy disse. “Não estou certa se é um bom sinal ou não.”

“Acontece que eu sofro em silêncio.” O doutor segurou sua xícara de café. “Você sabe,
Christy, com a dor que você me causou ontem, eu pude realmente usar alguma força. Um
pouco de bebida alcoólica em volta seria útil agora.”

“Como você pode brincar sobre isso?”Christy gritou. “A bebida alcoólica que quase
matou você? O que aconteceria se aquela bala chegasse mais perto do seu coração? O que
aconteceria se Duggin acertasse sua cabeça?” Ela revirou olhos. “Pense nisso, se ele tivesse
acertado sua cabeça, a bala provavelmente teria saído na mesma hora.”

David acenou. “Eu concordo com Christy, doutor. Como trivial, meu sermão esta manhã
será sobre os males da bebida alcoólica. Espero ter algum efeito.”

“Aceite meu conselho, David.” O doutor empurrou sua farinha de aveia com uma colher.
“Não vá se intrometer onde você não pertence.”

“Intrometer?” David perguntou. “Você está sentado aqui com um buraco, falando sobre
intromissão? Talvez você pensa que estes homens da montanha podem beber do licor que
lhes agrada, mas quando eles arriscam a vida de outros... Suponha que a bala pegasse em
uma criança, doutor? O que então?”

O doutor encarou David. “Ninguém sabe mais do que eu sobre a dor e morte que estas
montanhas tem visto. Mas eu tenho estado há mais tempo aqui do que você. E eu estou lhe
dizendo, se você subir naquele púlpito hoje e pregar contra os males do licor ilegal, você
não terá o que está esperando.”

“Como você pode estar certo?”Christy perguntou. “Você nunca colocou o pé naquela
Igreja. você nunca ouviu David pregar. Mas eu sim. E ele é um pregador muito persuasivo.”

“Eu não sou teólogo,” o doutor disse. Ele empurrou sua bandeja de lado novamente,
colocando o guardanapo sobre sua farinha de aveia fria. “Mas eu sei que quando você
acusa as pessoas, um muro se levanta. A última coisa em que eles estão interessados é em
alterar suas visões. Todos eles se escondem atrás do muro para defender-se.”

“Às vezes é verdade,” David disse, “mas de qualquer maneira, eu tenho que tentar.”

O doutor passou sua mão em seu cabelo desarrumado. “Há algo que vocês dois precisam
entender. Nestas montanhas, há uma única fonte de dinheiro, que é uma boa venda de
uísque para os estrangeiros. Estas pessoas precisam de comida, roupas e medicamentos.
De outra forma como elas irão conseguir?”

“Mas esse não é o único caminho!”- Christy gritou em frustração. “Eles podem vir até nós-
na missão- pedir por ajuda.”

O doutor balançou sua cabeça. “Orgulhosos demais. Não há caminho para eles. Eles não
querem caridade.”

Silêncio. Christy olhou para David. Ele parecia frustrado com as palavras do doutor, assim
como ela.

“Bem, eu preciso ir para a Igreja. Vejo você lá, Christy,” David disse curtamente. “Fico feliz
que se sinta melhor, doutor.”

“David?”o doutor disse.

“Sim?”

“Seja cuidadoso com o que disser. Ou talvez você irá se arrepender.” Ele parou. “Como
um amigo, estou avisando você.”

Os olhos de David brilharam. Ele abriu a boca para falar, e então pareceu pensar em algo
melhor. Ele saiu rapidamente, batendo a porta atrás dele.

Um momento depois, houve uma batida na porta. Ruby Mae colocou a cabeça para
dentro. “Miz Christy?”ela perguntou. “Você está pronta para ir à Igreja?”

“Em um minuto, Ruby Mae.”

Ruby Mae acenou para o doutor. “Como estava a farinha de aveia, doutor? Eu ajudei Miss
Ida fazer para você. Coloquei meu próprio toque especial.”

“Ela tinha... um sabor... único,” disse o Doutor MacNeill.

Ruby Mae sorriu para Christy. “Sabia que ele iria gostar,” ela disse.

“Ruby Mae, você lavou a louça do café da manhã, como Miss Ida lembrou você?” Christy
perguntou.

Ruby Mae apertou seus lábios. “Não, eu não posso dizer que fiz. Eu dei farelo de pão para
Prince, considerando que ele venceu a corrida. A propósito, Doutor, seu cavalo está bem,
também, e penso que ele sente falta de você. Eu lhe dei um pouco de farelo, também.”
Christy suspirou. “Aquela louça”-

“Elas não estão limpas, eu sei. Miss Ida me disse aquela hora. Eu lavarei quando voltar da
Igreja.”

“Tudo certo, então. Espere por mim na sala. Já vou descer.”

Fechando a porta atrás de Ruby Mae, Christy encarou o doutor com seu bandeide branco.
Isto trouxe as vívidas memórias do sangue escuro, o buraco aberto, o olhar de dor nos
olhos do doutor e ela removendo a bala. Um sentimento de ira a tomou. “Eu não te
entendo,” ela murmurou.

“Muitas mulheres tem tentado,” o doutor brincou, mas Christy não sorriu.

“É só pela graça de Deus que você está vivo, Neil,” Christy disse em voz abafada,
dificilmente conseguindo controlar sua ira. “Como você pode ver o inimigo e não querer
defender-se?”

“O inimigo?”

“As bebidas alcoólicas, claro. Licor ilegal e as bebedeiras e as contendas que vem delas.”

O doutor lhe deu um sorriso cansado. “ Eu desejo que fosse simples, Christy. Mas o
inimigo é muito grande. É ignorante. É miserável.” Ele fechou seus olhos. “E,”ele adicionou,
“é um inimigo com quem você não pode se defender com um sermão.”

ppp

Elas estavam andando, e ao longe Ruby Mae estava preocupada, a parte engraçada- o
canto, o bater das mãos e dos pés- estava feito. Agora o pregador estava falando.

Ruby Mae estava sentada no banco da frente. Miz Ida estava sentada ao seu lado, com
suas mãos dobradas afetadamente em seu vestido. Miz Christy estava sentada do outro
lado. Em seu olhar via que ela estava distante, como se ela estivesse calculando algo
complicado, como um dos problemas de matemática de que Rob Allen gostava de fazer.

Certamente, Miz Christy tinha um pensamento muito grande. Ruby Mae sabia, porque ela
tinha pegado e espiado o diário de Miz Christy há algum tempo. Estava cheio de
pensamentos, profundos e bons sobre a missão. Miz Christy ficou maluca quando pegou
Ruby Mae lendo-o, mas ela finalmente se esqueceu.

Ela até deu um diário para Ruby Mae escrever nele. O que ela escrevia, apesar, de não
querer escrever profundamente. Geralmente, Ruby Mae escrevia sobre como Prince era
maravilhoso. Uma ou duas vezes ela escrevia sobre as covinhas de Rob Allen.

Ruby Mae levantou seu pescoço, espiando as filas atrás dela. O pregador estava
recebendo e cumprimentando, e ela não queria que ele fosse rude. Mas, ela estava curiosa
se Rob estaria aqui hoje.
Ela viu sua mãe e acenou. Ruby Mae estava surpresa em ver seu padrasto ali, também. Ele
dificilmente vinha à Igreja. Ele sempre dizia: “Eu não vou ser seguido por pessoas da cidade
aqui, me falando de como devo viver.” Talvez sua mãe tenha o arrastado para cá hoje para
que ele se desculpasse pelo tiro no doutor.

Então, Ruby Mae encontrou Rob sentando em uma mesa num canto. Ela lhe deu um
pequeno aceno, e ele lhe retribuiu.

Miz Ida a cutucou sua costela. “Comporte-se, Ruby Mae,”ela repreendeu.

Ruby Mae suspirou. Entre Miz Alice, Miz Christy e Miz Ida, você não podia respirar fundo
sem lhes dizer como, quando e porquê.

Ela focou seus olhos no pregador. Seu rosto estava vermelho, e seus olhos estavam
queimando. Ele golpeou seu punho no púlpito.

Talvez ela tivesse perdido algo. Ele sempre falava muito bonito, sobre Deus, amor e outras
coisas, mas ela não ouvia muito a pregação.

Havia um estranho silêncio na Igreja hoje. As tosses usuais, os movimentos e os choros


dos bebês haviam parado. O único som era o pisoteio dos porcos que dormiam debaixo do
piso em um pequeno espaço. O quarto estava tranqüilo e esperava o momento antes da
tempestade.

“Alguns de vocês,” o pregador estava dizendo, “sentem que depois que o ministro
terminar seu trabalho de domingo, ele fechará seus olhos para tudo que acontecer fora da
Igreja. ‘Até para seus próprios negócios,’ eu tenho ouvido.”

O pregador pausou, encarando a multidão da sala. “Agora, nas últimas vinte e quatro
horas, eu tenho pensado sobre qual seria a atitude de Jesus se ele estivesse aqui entre nós
em Cutter Gap, agora em 1912. Vocês lembram que Jesus disse, ‘Todos que fazem o mal
odeiam a luz para que suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que tem a verdade
anda na luz.’” O pregador respirou profundamente. “Ele também disse, ‘Nenhum homem
pode servir a dois senhores.’ Em outras palavras, você não pode servir a Cristo no domingo,
e servir o mal da segunda-feira. Isso não é possível.”

Um longo silêncio se seguiu. De repente, o pregador golpeou o púlpito com seu punho
novamente, e Ruby Mae deu um pulo no banco.

“Homens e mulheres,” ele gritou, “neste vale há aqueles que estão trabalhando a noite-
nas trevas- e eles estão servindo o mal!”

Sua voz ecoou, escalando os pontos mais altos. As pessoas se moveram e começaram a
murmurar. O que ele está pensando, Ruby Mae perguntou. Qual mau? Ela olhou para Miz
Christy esperando uma resposta, mas os olhos de sua professora estavam colados no
pregador.

“Ontem, nós vimos a verdade do que eu estou dizendo,” o pregador continuou, sua voz
abaixando para um murmúrio. “Nós tivemos uma celebração, uma celebração para uma
mulher, Miss Alice Henderson, que tem devotado sua vida para fazer a obra de Deus.
Houve uma corrida, como vocês se lembram.”

O pregador fixou seu olhar em Ruby Mae, e ela sentiu algo espetando sua espinha. Ele
estava maluco? Ela teria feito algum mal? Claro, ela tinha se esquivado de suas tarefas, mas
era um grande pecado para o pregador estar extremamente irado?

“Ruby Mae Morrison surpreendeu-nos ao ser a vencedora,” o pregador continuou. Ele


sorriu para ela, e ela relaxou um pouco.

“E então”- sua voz rugiu, “um tiro, e um homem... um homem inocente... quase perdeu
sua vida.”

O pregador moveu-se para fora do púlpito. Ele andou pelo corredor separado em duas
metades na sala. Ruby Mae nunca tinha visto ele furioso. Ela estava assustada. Julgando
pelo olhar dos outros na sala, todos estavam assustados também. Algumas pessoas
olhavam até um pouco irritadas.

“O licor misturado é a própria mistura do demônio,” o pregador disse. “Vocês sabem e eu


sei que que isso é o que gera as brigas e os assassinatos. Cristo pensa em nossas ações no
domingo e a cada dia da mesma forma. Não cometam o erro, homens e mulheres, de
subestimá-lo. Nosso Deus não pode perder. Ele não perderá na luta contra o mal neste vale,
ou em algum outro lugar no mundo!”

De repente, houve um som de algo esfregando, como se um banco da Igreja estivesse


sendo pressionado no chão de madeira. Ruby Mae olhou para trás e viu Jubal McSween
levantando-se e saindo. Jubal, ela sabia, era um dos homens do vale que fazia bebida
alcoólica. Seu rosto estava agitado e furioso. Ele olhava como se quisesse dizer algo, mas
em vez disso colocou seu próprio chapéu em sua cabeça e foi para a porta.

O rosto do pregador estava corado, e seus olhos ardentes enquanto via Jubal se retirando.
“Quantos muitos de vocês estar do lado do Senhor?” ele perguntou. “Você?” Ele apontou
seu dedo para a multidão. “E você?” Quantos de vocês?”

Ninguém se moveu. Sua voz ecoou na sala silenciosa. Um bebê chorou altamente. Ruby
Mae sentiu alguém se mover entre ela. Ela olhou e viu Miz Christy, levantando-se
firmemente.

“Eu,” ela disse

Do outro lado, Ruby Mae sentiu Miz Ida levantando-se.

“E eu,” ela disse.

Ruby Mae hesitou. Nenhum outro tinha levantado. Todos na sala pareciam estar
contendo a respiração.

Com seus joelhos tremendo, Ruby Mae levantou-se lentamente. Miz Christy sorriu para
ela. “Eu,” Ruby Mae disse com uma voz que pareceu fina e fraca naquela grande sala.
Ela olhou para trás. Sua mãe a estava encarando com uma expressão que não
apresentava nenhuma emoção.

Então, seu padrasto colocou-se de pé e dirigiu-se a porta.

Ele lançou um olhar frio em direção ao pregador. Ruby Mae sabia que estava irado.

“Melhor ficar fora de nosso assuntos, Pregador,” Mr. Morrison avisou. “Na próxima vez
que eu atirar com meu rifle, talvez não seja um acidente.”

Um por um, vários outros homens se levantaram e seguiram o padrasto de Ruby Mae até
a porta.

CAPÍTULO 5

Naquela noite, Christy pegou seu diário antes de deitar na cama. Era tarde e ela estava
cansada, mas ela queria ordenar seus complicados sentimentos sobre o dia que se passara.

E havia sido um longo dia. O doutor, febril e nervoso, estava provando ser um paciente
difícil. Nada estava certo. Seu lençol estava enrolado. Seu chá estava frio. Sua janta estava
fria. Ele estava entediado. Ele desejava ir para sua própria cabana. Ele tinha trabalho a
fazer.

Mas era uma preocupação mínima. Ida e Miss Alice podiam cuidar do Doutor MacNeill.

Foi o sermão de David que deixara Christy preocupada. Ela estava com medo de que suas
palavras severas tivessem servido para despistar as pessoas que ele esperava alcançar.
Depois do culto, ela se sentiu longe, como o doutor tinha se sentido. Até entre aqueles que
tinham ficado depois do culto, a tagarelice alegre e comum tinha sido substituída por
despedidas breves olhos mal-humorados. Obviamente, sentiram-se profundamente
tocados sobre o assunto do licor ilegal.

Christy tirou a tampa de sua caneta e começou a escrever:

O7 de Abril de 1912

Eu estou preocupada. Miss Alice e David me preveniram mais de dez vezes que estas belas
montanhas são cheias de ira, e que estas maravilhosas pessoas são capazes de cometer
atos perigosos. Mas nestes últimos dias, eu tenho começado a ver isso por mim mesma.

Durante o sermão de David hoje sobre os males das bebidas alcoólicas, vários homens se
irritaram. E mais tarde havia um ar tenso que eu nunca sentira antes. O doutor disse que eu
e David somos novos em Cutter Gap para entendermos essas pessoas. Ele disse que não
podíamos interferir.

Mas ontem eu fui a única que removeu a bala do ombro de um homem- uma bala que não
teria entrado sem a ajuda do licor. Pode me dar outra opinião? Como seria errado tentar
mudar uma coisa que fere?
O licor ilegal é muito prejudicial aqui. Eu só me lembro do som do tiro, ou dos olhos do
Doutor MacNeill com sua camisa ensangüentada, para saber que é muito perigoso.

Mas, me sinto perturbada. Eu não posso dizer por quê, exatamente. Mas algo sobre os
rostos daquelas pessoas da montanha, até mais do que a perigosa de Duggin Morrison, me
fez sentir como se nós não tivéssemos visto a última confusão sobre bebidas alcoólicas.

Christy colocou sua caneta ao lado da cama. A luz da lamparina a querosene começou a
tremer. Escrever seus pensamentos não era melhor do que sentir.

Talvez ela devesse andar. Além de checar o ferimento do doutor. Sua febre tinha
aumentado a noite. Isso não era raro, Miss Alice tinha dito. Mas ela queria manter os olhos
nele. Ela recusava suas muitas exigências em deixá-lo voltar para sua própria cabana.

Christy colocou seu manto chinelos e andou pelo corredor, carregando sua lamparina. Ela
andou até o quarto do doutor. A porta estava entreaberta. Ela espiou. Seus olhos estavam
fechados. Adormecido, ele quase parecia doce como um menino- nada parecido com um
homem teimoso e aborrecido que ele era quando estava acordado.

Ela andou na ponta dos pés e colocou sua lamparina na penteadeira. A testa do doutor
estava banhada de suor. Ela se perguntou se sua febre tinha aumentado. Silenciosamente,
ela molhou um tecido na bacia de água perto de sua cama.

Enquanto ela colocava o tecido sobre sua testa, ele abriu os olhos. “Eu estava tendo um
maravilhoso sonho,” ele murmurou. “Neste sonho um maravilhoso anjo entrou no quarto
para tomar conta de mim. Agora vejo que não era um sonho.”

Christy sorriu. “Você está com febre. Talvez você esteja delirando. Há algo que eu possa
fazer por você?”

“Preciso de minha própria cama para dormir.”

“Desculpe. Miss Alice disse que você deve ficar aqui por um bom tempo.” Christy pegou
sua lamparina, e então hesitou perto da porta. “Neil?” ela perguntou suavemente. “Você
realmente pensa que David cometeu um erro, dando aquele sermão hoje?”

“Da forma que vocês descreveram para mim, sim, eu acho.” O doutor respondeu
seriamente.

“Bem, eu penso que você está errado.”

“Por que me perguntou, então?”

Christy suspirou. Não havia propósito nessa conversa. “Boa noite, doutor.”

“Christy?”

“Sim?”

“Não deixe Ruby Mae ajudar a preparar meu café da manhã amanhã, promete?”
No corredor, Christy notou que a porta do quarto de Ruby Mae estava aberta. Ela espiou.
A cama estava vazia.

Onde a menina teria ido, no meio da noite? Pegar algo para comer, talvez? Havia uns
poucos pedaços do bolo de aniversário de Miss Alice. Não havia dúvida que Ruby Mae
queria-os para si mesma.

Christy desceu as escadas. A cozinha estava vazia. Assim como também a sala. Onde Ruby
Mae poderia ter ido, senão... Christy sorriu. Claro.

Christy andou rapidamente no gramado molhado, tremendo mesmo com sua capa. A
cabana de Miss Alice estava escura. O alojamento de David não estava visível dali. Christy
se perguntou se ele estava dormindo preocupado, também. Ele parecia surpreso quando
ela o cumprimentou por seu sermão.

O pequeno galpão que abrigava Prince, o cavalo de Miss Alice, Goldie, e a inválida mula da
missão, o Velho Téo, estava atrás da escola. Christy estava quase chegando quando ela
ouviu um barulho de pisoteio estranho. Parecia estar vindo de debaixo da escola.

Ela parou e ouviu. Nada. Provavelmente eram os porcos que viviam ali. Ela se acostumou
com a noção de ensinar em uma classe com porcos no andar debaixo. Desde então eles
tinham estado livres em sua classe, causando perturbação.

Quando ela chegou no galpão, Christy balançou e abriu a porta de madeira. Ela deixou
escapar um rangido.

“Quem esta aí?”veio uma voz amedrontada.

“Não se preocupe, Ruby Mae. Sou eu, Miss Christy.”

Ruby Mae estava sentada no estábulo de Prince. Ele estava deitado no feno. Um pouco do
brilho da lua veio da única janela, correndo para o seu lado. Ruby Mae estava próxima a
ele, entre as pernas do cavalo. Seu diário estava ali perto.

“Miz Christy!”ela exclamou. “Você quase me matou de susto!”

“Desculpe.” Christy juntou-se a ela no estábulo. O feno era espinhoso e quente. Prince
olhava para elas enquanto cochilava, perguntando claramente porque estava recebendo
visitas de noite. “Eu não consigo dormir, e então vi que você havia saído e fiquei
preocupada.”

“Bem, estou feliz em encontrar você. Eu pensei estar ouvindo barulhos antes,” Ruby Mae
disse.

“Provavelmente são os porcos. Ou o vento.”Christy disse.

Ela acariciou o frágil fucinho de Prince. “Você sempre escapa para ficar aqui?”

“Às vezes,” Ruby Mae disse cuidadosamente.

“Você ama muito o Prince, não é?”


“Mais do que tudo nesse mundo, eu acho.” Ruby Mae puxou um pouco de palha de seu
cabelo cacheado. “Mais do que minha mãe e meu padrasto, eu penso ás vezes. É errado,
Miz Christy, eu sentir isso?”

“Você só está passando por uma situação difícil com seus pais, Ruby Mae. Isso irá passar.”

Ruby Mae suspirou. “Espero que você esteja certa. Mas meu padrasto me olhou como um
louco hoje, depois do sermão do pregador. Depois da Igreja ele me disse que estou longe,
vivendo aqui na missão. Ele até disse devo voltar para viver em casa.” Ela suspirou. “Meu
padrasto pensa que pessoas como você e o pregador são estrangeiros e vocês não
pertencem a aqui. Ele disse que haverá confusão, se vocês não cuidarem de seus próprios
negócios.”

“Você acha que algumas pessoas sentiram que esse é o caminho?” Christy perguntou.

“Acho que sim. Este é o caminho das pessoas, Miz Christy. Eles fazem seus próprios
caminhos, e eles não gostam de ser contrariados, se você seguir meu pensamento. O
pregador talvez tenha ido rápido demais... não que o que eu digo está certo.”

Christy encostou-se contra a madeira áspera e fria da parede. Ela apontou para o diário de
Ruby Mae e sorriu. “Eu estava escrevendo em meu diário também.”

“E o que você disse?” Ruby Mae perguntou. Sua mão voou para sua boca. “Ops. Eu me
esqueci que eles são privados. Você não pode me contar. Mas vou contar do meu para
você. Eu escrevi que quando estou aqui com Prince, parece que todo o resto do mundo
está flutuando comigo. Eu também escrevi sobre este lugar que nós fomos, o riacho da
Amora Silvestre. Há um ponto- uma caverna, eu acho- onde nós sentamos e observamos o
mundo girar, e ás vezes eu escrevo sobre meus pensamentos atuais.”

Christy sorriu. “Pensamentos atuais? Estou muito impressionada.”

“Eu penso, mesmo sabendo que não sou como John Spencer ou Rob Allen ou ninguém.”
Ela sorriu. “Meu padrasto disse que eu tenho penas de galinha no cérebro. Mas, eu penso
ás vezes.” Ela hesitou. “Você pensa que alguém extremamente esperto como Rob poderia
gostar de alguém com penas no cérebro?”

“Certamente ele poderia. Mas não sei porque está dizendo isso de si mesma, Ruby Mae.
Eu provavelmente aprendi muito sobre o vale com você e Miss Alice.”

“Verdade?”

“Verdade. Claro, que eu penso que você poderia dar um pouco mais de atenção para seus
estudos e obrigações e um pouco menos de atenção para Prince.”

“Mas você não vê?”Ruby Mae perguntou. Ela abraçou o pescoço de Prince. “Aqui não é
completamente o melhor lugar do mundo?”

Christy acenou. “Você está certa. Talvez seja mesmo.”


Usando a parte de trás de Prince como travesseiro, Ruby Mae esticou-se no feno. Christy
juntou-se a ela, e juntas elas cobriram-se com o áspero cheiro de cavalo. A pequena janela
dava uma vista pequena do céu.

“Isto não é pacífico?” RUby Mae murmurou.

Reparando no pequeno pedaço das estrelas do céu, parecia pacífico. Armas e bebidas
alcoólicas e brigas pareciam realmente muito, muito distantes. Christy descansou seu rosto
no braço de Prince, fragilmente, e deixou-se levar por um sono inquietante.

ppp

“Ruby Mae, você poderia vir aqui, por favor?” Christy chamou na próxima tarde. O
recreio havia começado, e as crianças estavam relutantes em voltar para dentro da sala.

Eles tinham um sério caso de febre de primavera, Christy decidiu. Ela tinha gasto um bom
tempo para conseguir a atenção das crianças para a lição da revolução Americana naquela
manhã. Haviam passado o dia sonhando. Ninguém parecia se esquivar mais do trabalho
escolar do que Ruby Mae. E Christy sentia que não era bom acusar a réu tão cedo.
Certamente o culpado era o garanhão por nome Prince.

“Sim, Miz Chirsty?”Ruby Mae respondeu. Ela e Rob Allen estavam passeando entre a
escola. Ruby Mae estava ruborizada, e ela estava com um sorriso de orelha a orelha.

Bem, Christy pensou, talvez Prince não seja a única distração da vida de Ruby Mae.

“Eu preciso falar com você por um minuto, Ruby Mae,” Christy disse. “Particularmente.”

Rob limpou sua garganta. “Eu vou para o outro lado,” ele disse rapidamente, dando um
sorriso tímido para Ruby Mae.

Christy levou Ruby Mae para fora da escola em uma sombra escura e fria debaixo de um
grande carvalho.

“Ele não tem covinhas fofinhas?” Ruby Mae perguntou.

“Ruby Mae”, Christy disse, “nós precisamos conversar. Eu dei a nota em seu teste de
história durante o recreio. E não foi uma bela nota. Você leu a tarefa que dei na classe?”

Ruby Mae engoliu seco. “Eu acho... terei que fazer rapidamente. Falando a verdade, ela é
sombria como a água de lavar louça.”

Christy encostou no carvalho, com seus braços cruzados em seu peito. “Falando de água
de louça, Miss Ida me contou que você não lavou a louça do café esta manhã.”

“Eu estava cuidando de Prince. Seus cascos não estavam muito bons nestes dias. Pedras
prenderam neles, e feriram ferozmente e se”-
“Ruby Mae, temo que eu tenha que tirar seu privilégio de cavalgar por algum tempo.
Nestas próximas poucas semanas, David tomará conta de Prince, até suas notas
melhorarem e você começar a ter atenção em seus afazeres.”

“Mas- mas você não pode tirar Prince de mim, Miz Christy!” Ruby Mae gritou tão alto que
alguns dos estudantes olharam pelas janelas para ver toda a comoção. “Ele é a coisa mais
importante do mundo para mim! Eu prometo trabalhar para minhas notas melhorarem e
ler minha história, até parar de comer. E farei minhas obrigações propriamente. Só que
você não pode tomar Prince de mim! Eu vou morrer se fizer isso!”

Christy tocou os ombros de Ruby Mae, mas a menina se esquivou furiosamente. “Não é
para sempre, RUby Mae. Só por um pouco tempo. É para seu próprio bem. Miss Alice e
David e eu discutimos isso esta manhã.”

“O que você sabe sobre meu próprio bem?” Ruby Mae berrou. Lágrimas jorravam em suas
bochechas sardentas. “Prince precisa de mim. E eu preciso dele! Você... você viu como ele
estava, na última noite. Eu pensei que você entendesse.”

“Eu entendo,” Christy disse gentilmente. “Eu não gostaria que ele partisse, Ruby Mae. Ele
estará bem aqui na missão, se você quiser dizer olá.”Ela suspirou. “Desculpe por fazer isto,
Ruby Mae, mas em breve você voltará pela trilha, em breve você gastará tempo com Prince
novamente.”

Ruby Mae a encarou com descrença, seus olhos brilhando de lágrimas. Ela abriu sua boca,
como se fosse discutir, então desistiu,virou seus calcanhares e correu para dentro da
escola.

“O que aconteceu com Ruby Mae?”

Christy virou para ver David, cruzando o gramado com seu usual caminhar largo e
determinado. Ele estava carregando o livro escolar que ele usaria para ensinar matemática
na classe naquela tarde.

“Ela está furiosa com nossa decisão. Coitada. Me sinto muito mal por ela. Mas ela precisa
manter seus deveres escolares.” Christy balançou sua cabeça. “É duro, ser o disciplinador.
Há poucos meses atrás, meus pais estavam me contando o que eu devia fazer- de qualquer
jeito, tentando. Eu não costumava ser uma menina má.”

“Então você imagina como me senti ontem, falando para toda minha congregação para
pararem de fazer algo que eles insistem que Deus deu para fazer certo.” David olhou para a
casa da missão. “O doutor e eu tivemos outra discussão esta manhã. Eu não deveria ter
dado aquele sermão. E a audiência não deveria ter me surpreendido.”

“E o que você disse?”Christy perguntou.

“Eu lhe disse para cuidar de seus próprios negócios”-

“O que ele disse, você levou em consideração,” Christy finalizou sua explicação.

David deu um sorriso amargo. “Você sabe como o doutor cuida de seus trabalhos, não?”
“Sim.”Christy riu.

Então, ela ouviu um ronco baixo vindo de detrás da escola. Um dos porcos que residiam
debaixo da construção passeava pela luz do sol, fazendo seu caminho junto do lado da
escola.

“Veja como Mabel está depois de sua soneca,” Christy disse apontando para o grande
porco.

“Mabel?”

“Creed Allen lhe deu esse nome. Disse que ela se parece com sua tia-avó Mabel no
Grande Vácuo- exceto o rabo, claro.”

“Aposto que Mabel foi a única que ouviu meu sermão ontem e não prestou atenção.”

“Penso que foi um bom sermão,” Christy disse.

“Obrigado”- David começou, então parou. “Estou doido, ou o porco está andando de
forma estranha?”

Eles observaram Mabel andando uns poucos passos hesitantes. Ela estava andando
inclinada, como se ela lutando com um forte vento.

“Muito estranho,” Christy murmurou. “Talvez ela esteja doente. Vamos checar.”

Enquanto eles se aproximavam do lado da escola, Christy notou um intenso cheiro, quase
um doce repugnante, como fedor de remédio. Atrás da construção, ela tropeçou em um
jarro quebrado. Próximo deles estavam vários porcos, esticando-se adormecidos- muito
adormecidos. Enquanto Christy e David se aproximavam, eles não se movimentaram. Eles
estavam respirando pesadamente.

David olhou os porcos. Ele gentilmente empurrou um e então outro com seu pé, mas eles
permaneceram roncando.

“Isto é muito esquisito,” Christy disse. Os porcos nunca dormiam profundamente.


Geralmente, ela podia ouvi-los fungando e fuçando debaixo do edifício onde ela ensinava.

“Não entendo,” David parou para olhar o chão. “Está escuro para ver alguma coisa. Terei
de ir ali.”

Ele se agachou, lentamente fazendo seu caminho até debaixo da construção. Christy
podia ouvir seus dedos tateando, então alguma tábua começou a se mover.

De repente ele deu um assobio alto. “Christy, venha ver isto!” David gritou, tendo sua voz
cheia de assombro e ira.

CAPÍTULO 6

Christy ajoelhou-se. “O que foi, David?”


“Muitos jarros! Bebidas, uísque! Eu identifiquei pelo cheiro!”

“Mas... aqui, debaixo da escola?” Christy disse com descrença.

Ela ouviu vozes a voltou para trás e viu vários de seus alunos. Ruby Mae estava espremida
no grupo. Seu rosto estava vermelho e manchado de tanto chorar.

“Miz Christy,” perguntou Creed Allen, “O que há de errado com todos estes porcos?
Mabel está andando como se suas pernas estivessem para trás. E o resto deles- bem, eu
nunca ouvi este ronco em todos os meus dias!”

“Christy,” David chamou de debaixo da escola,” você pode pegar alguns desses jarros para
mim? Vou dá-los a você, um de cada vez.”

“Só um minuto, David. Algumas das crianças estão aqui”-

“Deixe que vejam!”David disse irado. “Deixe que vejam o mal escondido debaixo de sua
própria escola.”

“O que está escondido?”perguntou o pequeno Burl Allen, o irmão mais novo de Creed
que tinha seis anos. “O pregador está brincando de esconde-esconde, professora?”

“Não exatamente, pequeno Burl,” Christy disse, enquanto David passava para ela um
grande jarro marrom. Ela o colocou no chão. As crianças estavam de pé curiosas.

“Bebida alcoólica?” murmurou John Spencer, um dos alunos mais velhos.

“Tem bebida debaixo da escola?” Creed gritou. “Não é de se admirar que os porcos
estejam roncando tão alto! Eles ficaram bêbados com o uísque!”

A maioria das crianças começou a rir, embora alguns meninos mais velhos, como Lundy
Taylor, mantiveram-se encarando Christy cuidadosamente.

“Eu sei que parece engraçado,”Christy disse enquanto ela recebia mais jarros de David.
“Mas isso não é motivo para se rir, crianças.”

“Eu não diria isso,” Lundy murmurou seriamente. “Meu pai disse que vocês todos se
intrometem onde não é de seus interesses. Este não é um negócio para professoras ou
pregadores.”

David engatinhou para fora. Seu rosto estava sujo de lama. Seus olhos estavam cheios de
raiva.

“Eu ouvi isso, Lundy”,ele disse colocando-se de pé. “E deixe-me dizer algo para você
contar para seu pai. Quando eu encontrar licor ilegal na propriedade da missão, torna-se
meu negócio, seu pai e seus amigos gostando ou não.”

David parou e agarrou um dos jarros. Ele desarrolhou cheirou o conteúdo com um olhar
de desgosto. Então ele virou a boca do jarro para baixo. O líquido amarelo gorgolhou e
respingou enquanto era derramado no chão. O ar encheu-se de um cheiro forte.
“Não é certo você estar jogando fora uma boa bebida como essa!”Lundy gritou.

“Não há nada de bom na bebida alcoólica, Lundy Taylor.” Christy disse com ternura. “Você
viu o que aconteceu com o doutor MacNeill?”

“Mas ele não é quem dá nosso dinheiro, professora?”Creed perguntou inocentemente.


“Papai disse que as bebidas dão um bom dinheiro, especialmente nas fronteiras onde é
mais difícil de receber.”

“Ele também é quem dá nossa dor, Creed,” Christy disse.

David abriu outra garrafa. Suas mãos estavam trêmulas. Christy nunca o tinha visto
furioso.

“Crianças, quero que vocês voltam para dentro agora,” ela instruiu.

“Mas e os porcos?” Pequeno Burl perguntou, preocupado.

“Eles vão dormir, Pequeno Burl,” Christy o assegurou, passando a mão em seu cabelo
enrolado. “Não se preocupe.”

“Quando meu avô bebia, ele dormia por dois dias direto,” disse Bessie Coburn.

“Sim, bem, nós podemos falar mais sobre isso lá dentro,”Christy disse, conduzindo as
crianças para longe dali. Lentamente eles retornaram para a sala, só ficando Lundy. Ele era
um grande menino, quase do tamanho de David. E com um olhar ameaçador em seus
olhos, ele parecia até maior.

“Você sabe de algo sobre quem colocou estes jarros aqui, Lundy?” Christy perguntou, com
sua voz tremendo.

Lundy olhou para ela. “Eu não te contarei nada, exceto isso- você e sua missão
cometeram um grande erro.”

“Você não pode nos ameaçar, Lundy Taylor,” David alertou.

“Nós temos que nos livrar da bebida alcoólica, Lundy,” Christy disse gentilmente mas
firmemente. “Você não vê?”

Lundy foi para trás lentamente. “Tudo que eu vejo é uma pilha de mais confusão do que
vocês poderiam agüentar.”

Sem nenhuma outra palavra, ele para o meio das árvores.

ppp

“Não entendo porque eles colocaram a bebida ali,” Christy disse na janta naquela noite.
“Debaixo da Igreja! É o armazém mais ridículo para licor ilegal!”

O silêncio encheu a mesa. Havia sido uma refeição tensa. David irado com as bebidas.
Ruby Mae estava descontente por causa de Prince. Doutor MacNeill, que insistiu em descer
para jantar com eles, estava febril. Miss Alice reunindo os suprimentos. Ela estava indo
ajudar uma mulher na Lacuna Grande a ter um bebê. E Miss Ida estava irritada porque
ninguém estava comendo a refeição que ela preparara.

“Eu desejo saber como que aqueles jarros foram para ali.” Christy continuou.

“Eles talvez os tenham colocado ali há algum tempo,” David sugeriu, “pensando que seria
o último lugar que alguém veria. Ou poderia ser um gesto desafiante- uma resposta, se
você puder chamar assim, por meu sermão no último domingo.”

“Pensando nisto, eu ouvi barulhos perto da escola na última noite,”Christy disse.

“Você estava lá fora na última noite?” David perguntou surpreso.

Christy olhou para Ruby Mae. “Oh, por poucos minutos. Uma pequena caminhada, para
clarear minha cabeça.”

David olhou para o doutor. “Suponho que com esta manifestação recente, você está
morrendo de vontade de me dizer algo?”

Doutor MacNeill mudou de posição na cadeira. Ele dificilmente tocava sua comida. “Não,
David,” ele disse depois de um momento de reflexão. “Eu não farei nenhuma observação.
Qual seria o ponto?”

“Desde quando você guarda suas opiniões para si mesmo?” David perguntou.

O doutor suspirou pesadamente. “Eu lhe direi. Estou preocupado com esta situação. Uma
coisa foi pregar um sermão sobre bebida alcoólica. Outra coisa foi armazenar jarros e
jarros. Era a propriedade de alguém, gostando ou não”-

“Propriedade!” David gritou. “Era licor ilegal em minha propriedade!”ele parou. “Digo, em
nossa propriedade.”

“Essa não é a questão,” o doutor disse. “A questão é que você tem colocado combustível
em um fogo muito perigoso. Eu estou preocupado que quem quer que seja que colocou a
bebida tente retalhar agora.”

“Retalhar?” Miss Ida repetiu. “Contra quem?”

“Contra a missão. Contra David, ou talvez, Christy. Depois de tudo, as crianças


testemunharam o esvaziamento das garrafas.”

David olhou para Christy e franziu as sobrancelhas. “Eu que esvazie as garrafas e preguei o
sermão. Por que eles agiriam contra Christy?”

“Porque ela representa a missão, também,” o doutor respondeu. “De certo modo, ele tem
mais contato com estas pessoas do que você. Você as vê no domingo por uma hora, se você
for sortudo. Ela ensina os filhos destes produtores de bebida, todos os dias.”

O doutor recuou enquanto ele tentava alcançar a jarra de água. Ruby Mae a empurrou
para ele. “Obrigado, Ruby Mae. Diga, você está muito quieta esta noite.”
Ruby Mae encarou seu prato, mordendo seus lábios.

“Ela está zangada,” Christy explicou.

“E por que?” perguntou o Doutor MacNeill.

“Eles não me deixarão tomar mais conta de Prince e ele morrerá de fome sem mim!”
Ruby Mae gritou.

“Ruby Mae,” disse David gentilmente, “eu alimentei Prince há uma hora. Ele comeu
como... bem, como um cavalo. Confie em mim. Ele não está morrendo.”

“Sem mim, ele irá morrer de amor!” Ruby Mae gritou.

Christy sorriu para o doutor. “Conte-nos, doutor. Você sempre encontra semelhante
condição?”

“Morrendo de amor. Hmmmm.” O doutor bateu seus dedos em seu queixo. “Há casos
registrados, embora eles geralmente apareçam em homens.” Ele sorriu para Christy.
“Agora, num mamífero como um cavalo, eu penso que levaria, oh, dois meses para algum
sintoma se desenvolver.”

“Dois meses”, Christy repetiu, piscando para o doutor. “Muito tempo para você conseguir
melhorar em suas tarefas e obrigações, Ruby Mae.”

“O que ele sabe?” Ruby Mae disse. “O doutor não é um cavalo.”

“A propósito, você começou a fazer a tarefa de Inglês que eu mandei?”Christy perguntou.

“Ainda não,” RUby Mae disse com tristeza.

Miss Alice veio agitada para dentro da sala vindo da cozinha onde ela tinha preparado
uma comida para ela. Ela estava carregando um saco de papel e sua mala de medicamentos
em sua mão esquerda. Seu pulso torcido estava muito melhor, mas ela não poderia usar
seu braço direito por um tempo.

Ela apertou seus lábios. “Odeio ter que ir, tendo Neil ardendo em febre e esta confusão
com os fabricadores de bebida. Mas Janey Cook terá um parto de gêmeos, e eu devo estar
lá. Não sei como irei ajudar, com este meu braço, mas sua avó estará lá também. Juntas nós
conseguiremos.”

“Cuide-se, Miss Alice,” o doutor avisou. “Eu estou preocupado com a retalhação por causa
de David.”

“Eu tomo conte de mim mesma,” Miss Alice disse. Ela balançou seu dedo. “Mas eu quero
que o resto de vocês mantenham os olhos abertos. E David, este pode ser um bom tempo
para deixar as coisas acalmarem-se um pouco. Dê a essas pessoas uma chance para
pensar.”

“De qualquer jeito, quem você pensa que estaria retalhando?”David perguntou, soando
defensivo.
“Bird Taylor é um dos maiores fabricadores de bebidas nestas partes, claro,” Miss Alice
disse. “E eu suspeito que ele use Lundy para ajudá-lo. Mas há outros.”

“Tom McHone, é um,” o doutor adicionou.

“E Jubal McSween e Dug”- ele parou no meio da sentença.

“Vá em frente e diga doutor,” disse Ruby Mae, seus olhos brilharam. “Claro, meu padrasto
faz bebida alcoólica e a vende ás vezes. Todos fazem isso nestas partes. Eu não defendo ele
nem ninguém. Mas não há outro caminho para se viver aqui.” Ela colocou seu guardanapo
em cima da mesa. “Não gosto que vocês falem para o resto do mundo como viver suas
vidas e o que eles podem e não podem fazer e se não podem estar com uma coisa que
pensam ser mais do que eles.” Ela arrastou sua cadeira. “Podem me dar licença?” ela
perguntou. “Eu tenho de lavar a louça e fazer tarefa de casa.”

“Sim, Ruby Mae,” Christy disse. “Você pode ir.”

Ela observou Ruby Mae retirando-se da sala. “Espero que ela não fique brava para
sempre,” ela disse tristemente.

“Há uma coisa que o povo dessa montanha faz muito, muito bem,” disse o doutor com
um sorriso fraco. “Ficar irado. E vingar-se.”

ppp

Ruby Mae encarou as páginas de seu diário manchadas de lágrimas. A tinta estava
embaçada. As letras derretidas, mas ela tentou escrever outras palavras.

Eu não posso ficar mais aqui. Não vou conseguir. Prince precisa de mim assim como eu
preciso dele. Bem, talvez não muito, mas quase. Isto só começou a poucas horas e meu
coração está quebrado. Como passarei as semanas sem vê-lo, ou até longe dele?

Ela secou seus olhos e assoou o nariz. Era muito tarde. Os outros tinham ido dormir há
horas.

Com um olhar, ela olhou para a janela e olhou para longe. O ar frio a fez tremer. Ali,
passando o jardim de Miss Alice, passando as cercas, passando a escola, estava o pequeno
galpão onde Prince estava esperando por ela.

Ele sentia saudades dela como ela sentia dele? Creed Allen disse que os animais podiam
até sentir mais saudades do que as pessoas, e ela achou que ele estava certo. (Embora
Creed também jurava que seu guaxinim, Velhaco, podia ler sua mente, e ela tinha duvidado
seriamente sobre isso. Apesar de tudo, Creed era conhecido por suas mentiras que ele
gostava de contar.)

Um som, uma estranha pancada rítmica, chegou aos seus ouvidos. Parecia estar vindo de
longe, mas havia algo de urgente.

Ruby Mae ouviu, tentando descobrir a origem do som. Estava vindo da direção da escola.
Alguém poderia ter retornado para colocar mais bebidas alcoólicas debaixo da escola? Ela
esperava que não, especialmente depois de ter ouvido que seu padrasto estava envolvido.
Era verdade, que ela não via a razão do interesse do pregador e de Miz Christy em seu
padrasto fazer bebida. Mas ela obviamente não queria irritá-los novamente.

De repente, ela ouviu ymselvagem, e desesperado relincho, como nunca ela tinha ouvido.

Prince! Era ele.

O som veio de novo, um horrível choro sendo carregado pelo vento.

Ele soava terrivelmente temeroso. O que quer que estivesse acontecendo com Prince, era
mau, muito mau. Ela tinha de ir vê-lo, e rápido.

Ruby Mae abriu a porta do seu quarto desceu as escadas. Ela correu no gramado úmido
com seus pés descalços. Outro terrível relincho encheu o ar, seguido por uma série de
barulhos de pancadas, como se Prince estivesse tentando chutar seu estábulo.

Ela não diminuiu, nem por um instante, até quando ela alcançou onde alguém a
observava atrás das árvores negras, esperando.

Ofegante e trêmula, ela finalmente alcançou o galpão. A porta estava um pouco


entreaberta. Talvez o pregador tivesse esquecido de fechar a porta, ou alguém tinha
entrado ali.

Ou alguém poderia estar ali.

Respirando profundamente, Ruby Mae abriu a porta. “Quem está aí?” ela gritou,
tentando soar melhor como alguém grande e não amedrontada.

Ela pisou de lado. O cheiro familiar do feno, e o couro e o estrume a cumprimentaram. Na


turva luz da noite, ela pode ver algo deitado no chão.

Era a sela do pregador, a que Prince vestia! Ruby Mae ajoelhou-se, passando seus dedos
sobre o couro escuro. Grandes cortes cobriam o assento. O cinturão tinha sido rasgado
jogado de lado.

Um baixo, um doce relincho fez Ruby Mae olhar.

“Prince?”ela murmurou. “Está tudo bem, garoto?”

Tremendo, ela se levantou. E então ela viu a resposta para sua pergunta. O belo garanhão
preto não estava bem, de jeito nenhum.

CAPÍTULO SETE

“Misericórdia!” Ruby Mae gritou em horror. “Prince, o que fizeram com você?”

O belo rabo de Prince, sua crina, e topete tinham sido tosquiados. Eles colocaram cascas
de árvores em suas patas. Ele olhou pateticamente, pois ele sabia. Ele bateu no chão,
jogando sua cabeça para frente em um protesto irritado.
Ruby Mae colocou seus braços em volta de seu largo pescoço. “Oh Prince,” ela lamentou,
“Eu pude ouvir você chorar. Você está ferido, não é?”

Cuidadosamente ela correu suas mãos sobre seus ombros e costelas e pernas, procurando
por algum corte ou machucado. Ela não encontrava, não tinha nenhum. Mas a perda de sua
bela crina e rabo era um insulto suficiente.

“Ruby Mae?” uma voz a chamou freneticamente.

Miz Christy correu para dentro do galpão. Ela estava carregando uma lamparina.
Segundos depois, Doutor MacNeill e o pregador apareceram atrás dela.

“Nós ouvimos seu grito”- Miz Christy começou. Seus olhos viram a sela. “O que
aconteceu?”

“Prince!” David gritou, correndo até o garanhão agitado. “O que aconteceu aqui, Ruby
Mae?”

Ruby Mae ajoelhou-se e pegou um pouco do pelo macio da causa de Prince. “Vou dizer o
que aconteceu,” ela gritou. “Alguém feriu Prince se voltando contra você. Se você tivesse se
mantido quieto sobre as bebidas alcoólicas, isso nunca teria acontecido! É sua culpa,
pregador.” Ela se voltou para Miz Christy. “E sua culpa também. Por que vocês não podem
os deixar em paz?”

Ela estava chorando, mas ela não podia parar. Suas lágrimas manchavam suas bochechas.
Ela enterrou seu rosto no pescoço de Prince, e ele pareceu se acalmar, como se entendesse
que ela precisava dele.

“Todos os outros estão bem?”, o pregador perguntou. “Velho Teo e Bill?”

Doutor MacNeill olhou em volta para a velha mula e para seu próprio cavalo. “Estão
bem,” ele disse, “só um pouco nervosos com toda esta comoção.” Ele acariciou o fucinho
de Prince. “Veja como eles não perderam tempo em revidar,” ele disse amedrontado. “Isto
é como eu disse, David. Vingança é o caminho das montanhas.”

“Então a culpa é minha?” o pregador gritou. “Eu sou responsável por este ato horrível?”

“Não estou dizendo isso,” disse o doutor. “Eu só estou dizendo que é hora de se retirar.
Chamar uma trégua. Deixar os escoceses terem sua bebida alcoólica, e você voltar a tomar
conta de seus assuntos de pregador.”

“Esta é a parte de tomar conta de meus assuntos de pregador.” O pregador suspirou.


“Veja, Doutor, eu entendo seu ponto de visão. Realmente. Mas você deve entender não é
meu trabalho falar às pessoas o que elas querem ouvir. Às vezes meu trabalho é falar às
pessoas exatamente o que elas não querem ouvir. Sem nenhum custo.”

Ruby Mae olhou para o pregador enquanto acariciava fragilmente o pescoço de Prince.
Ela podia ver a dor no olhar dos homens. Eles estavam preocupados como ela?

“Você não viu alguém, que tenha feito isso, Ruby Mae?” ele perguntou brandamente.
“Não, senhor.”

“Você me contaria se tivesse visto? Até se fosse alguém que você conhece?”

“Eu não vi meu padrasto, se é o que você quer saber.” Ruby Mae lutou para não chorar.
“Eu não vi ninguém.” Ela acariciou a orelha direita de Prince. Ele deu um fraco relincho,
então deitou sua cabeça no ombro dela.

“Ele era lindo, com aquela longa crina que voava com o vento,” Ruby Mae disse. “E agora
ele não está normal. Parece uma mula- não ofendendo você, Velho Teo. Ele não pode fazer
nada, senão tentar chutar.” Uma onde de ira cobriu o rosto dela. “Eu poderia socar o olho
de quem fez isso. Até se fosse meu próprio padrasto.”

“Não acredito que alguém possa ser tão cruel,” Mis Christy disse com tristeza, com uma
voz distante. Ela estava chorando também, Ruby Mae de repente percebeu.

“Poderia ter sido pior,” disse o doutor. “Eles poderiam ter o ferido e até o matado.” O
doutor reclinou-se contra a parede. Ele olhou fraco e pálido. “Pode até se considerar uma
virtude aqui. A marca de uma característica forte. É verdade, vocês foram sortudo até
agora. Eles deixaram vocês livres.”

“Livres?”Miz Christy disse chorando.

“Vocês estão sentando sobre um pequeno barril de pólvora, Christy,” o doutor disse. “Só
precisa de um fósforo. David veio terminar com seu sermão.”

“Não duvido que você esteja certo sobre isso, Doutor,” o pregador disse, com sua voz
irada novamente. “Há um barril de pólvora aqui. Mas você não pode simplesmente desejar
o mal. Você tem que permanecer e se opor a ele. Você sabe bem mais do que eu que este
licor ilegal é uma das mais terríveis coisas que acontecem nestas montanhas. E eu não vejo
você oferecendo alguma solução.”

“Não tenho nenhuma solução fácil para oferecer,” o doutor disse, esfregando seu ombro
cuidadosamente. “Eu sei que as pessoas do vale não vêem qualquer crime em fazer um
pouco de mistura em casa. Apesar de tudo, sei como isto tem se passado através de suas
famílias por séculos. Para eles, não é um assunto moral. Especialmente quando eles não
podem encontrar outro meio para viver aqui nestas montanhas.”

“Mas é um assunto moral, Doutor,” disse Miz Christy. “Você é um homem educado. Você
vê isso. Bebidas alcoólicas tem terríveis resultados- rixas, terror e até morte. Como você
pode ignorar tudo isso? Como você pode ignorar o doloroso machucado em seu próprio
ombro?”

“Eu não estou ignorando nada disto,” o doutor disse. Sua voz de repente encheu-se de ira.
“Eu tenho cuidado destas pessoas a mais tempo que você e David. Vocês dois vieram de
longe e decidiram falar para essas pessoas como elas devem viver suas vidas. O que diz que
vocês estejam certos?”
Silêncio. Ruby Mae engoliu seco. Ela nunca tinha ouvido este tipo de discussão de adultos.
Claro, sua mãe e seu padrasto brigavam em todo tempo. Mas aquelas brigas eram feitas de
palavras altas, voando em volta da cabana. Esta briga era com palavras altas e grandes
idéias. Ruby Mae não entendia muitas coisas, mas uma coisa estava clara- o doutor, Miz
Christy e o pregador não concordavam em nenhuma parte com os fabricadores de bebidas
alcoólicas.

“Eu posso muito bem perguntar-lhe o mesmo, Doutor,” o pregador disse com um
murmúrio em sua voz. “O que faz você perdoar o mal? Você está fazendo um favor a estas
pessoas defendendo seu vício de bebida? A Bíblia diz que nós devemos amor o pecador,
mesmo que nós odiemos o pecado. E por odiar o pecado, e resistir o pecado, talvez nós
possamos ajudar a libertar o pecador. Por isso eu prego contra a bebida alcoólica. Não
porque eu não cuido destas pessoas, mas porque faço isso.”

“Bem, sou apenas um homem, fazendo o que posso para ajudar,” o doutor disse. “Você
não pode mudar o mundo durante a noite. Desafortunadamente, você e Christy não tem
calculado isso. Eu tenho.”

“Como você pode ser arrogante assim?”Miz Christy perguntou.

Ruby Mae arfou. Ela não tinha um pensamento positivo sobre o que era arrogante, mas
ela sabia que não era uma coisa legal para você ser no mundo.

O doutor foi em direção a porta, e parou. “Engraçado. Eu iria perguntar a vocês a mesma
coisa.” A porta do galpão se fechou atrás dele.

“Ele está terrivelmente irritado, não está?”Ruby Mae suspirou.

“Todos nós estamos,” Miz Christy disse com um sorriso.

“Bem, não há nada mais que possamos fazer nesta noite. Venha, Ruby Mae. Vamos
checar Prince de manhã. Ele precisa descansar agora.”

“Não!”Ruby Mae gritou. “Não vou deixá-lo sozinho.”

“Você não pode ficar,” o pregador disse gentilmente. “Não é seguro ficar aqui. Eu
manterei os ouvidos abertos para alguma coisa incomum. Prince ficará bem. Prometo.”

“Já vi como ele está muito bem,” Ruby Mae disse amargamente. “Vocês não estão com a
razão nesta situação.” Ela se voltou para Miz Christy. Ela olhou Ruby Mae esperançosa. “Por
favor, Miz Christy. Deixe-me ficar aqui. Você sabe que estou certa.” Lágrimas mancharam as
bochechas de Ruby Mae. “Se eu estivesse aqui antes, Miz Christy, talvez eu poderia ter
salvado Prince.”

Mas Miz Christy balançou a cabeça. “Se você estivesse aqui antes, você poderia ter sido
machucada, Ruby Mae. Me desculpe, mas David está certo. Você irá para cima. Nós
checaremos Prince de manhã.”

“Mas”-
“Não, Ruby Mae. Você precisa dormir para acordar amanhã para ir à escola. E Prince
precisa descansar, também.”

Não havia um ponto de briga entre elas. Ela era inferior. Ruby Mae beijou gentilmente o
fucinho de Prince. “Você ficará novo em pouco tempo, garoto,” ela suspirou. “Não se
preocupe.”

Ruby Mae correu para seu quarto, chorando. Ela ainda estava chorando quando
finalmente conseguiu dormir.

ppp

Quando Christy chegou da escola na próxima tarde, ela encontrou um envelope com seu
nome, em cima da mesa da sala de jantar. “O que é isto?”ela perguntou a Miss Ida.

Miss Ida veio da cozinha, limpando suas mãos cobertas de farinha em seu avental. “Um
bilhete do doutor.”

“Um bilhete? Mas por que ele me escreveria um bilhete? Ele não está lá em cima?”

Miss Ida balançou sua cabeça. “Ele deixou a casa há uma hora atrás. Eu tentei impedi-lo.
Ele me disse que parecia estar longe da morte e que você e Miss Alice ficariam furiosas.
Além disso, parece que está vindo uma grande tempestade. Mas você conhece o doutor.
Um homem teimoso que sempre quer se afastar de Deus.”

“Ele se foi?” Christy sentou-se na cadeira, esfregando seu olhos. “Isto é terrível. Tudo por
causa da terrível briga que tivemos na última noite depois que encontramos Prince. Me
perguntei por que o doutor não veio tomar café esta manhã. David e eu teríamos tentado
resolver as coisas com ele.”

“Você sabe que o doutor estava ansioso para voltar para sua cabana, de qualquer jeito.”
Miss Ida disse. “ Ele me perguntou hoje como eu podia acreditar na misericórdia de Deus
quando ele permitia que Ruby Mae fizesse farinha de aveia.”

A porta se abriu e David correu para dentro. Ele estava vestindo suas roupas de trabalho.
Seus sapatos estavam cobertos de feno e lama. “Alguém viu o doutor?” ele perguntou
ofegante. “Eu estava colocando Prince para pastar, e notei que o cavalo do doutor se foi!”

Christy lhe mostrou o envelope. “O doutor MacNeill deixou-nos há uma hora.”

“Bem, que alívio.” David disse, sentando em uma cadeira próximo de Christy.

“David, como pode dizer isso?”Christy exigiu.

“Eu quis dizer que é um alívio saber que ele pegou o cavalo,” David disse. “Eu estava com
medo de ele ter sido roubado. Você sabe- os fabricadores de bebidas com seus truques de
novo. Embora”- ele piscou para Miss Ida, “tenho que admitir que não sinto saudades dele.”

“O doutor está doente,” Christy insistiu.


“Ele nunca teria ficado aqui, especialmente depois de nossa discussão ontem a noite.”

“Não é como se tivéssemos resolvidos as coisas, Christy,” David disse. “Há pessoas que
nunca concordarão com algumas coisas.”

Christy abriu o envelope e leu a carta de dentro.

Minha querida Christy,

Você tem sido uma boa hospedeira, enfermeira, e cirurgiã, mas eu devo atender meus
pacientes antes que você me leve para longe.

Eu acredito que David manterá os olhos em você, mas por favor seja cuidadosa nos
próximos dias. Nós podemos discutir sobre muitas coisas, David e eu, mas sobre você,
parecemos estar em um excelente acordo.

Neil MacNeill.

P.S você me deve uma dança.

Christy colocou a carta de lado. “David, precisamos ir atrás dele.”

“O quê?” David perguntou. “Ir atrás do doutor? Depois do que ele nos disse na última
noite?”

“A questão é, que ele está com febre alta.”

“Ele é um doutor,” David discutiu. “Ele pode tomar conta de si mesmo mais do que nós
podemos.”

“David. Seja razoável.”

Ele pensou em seus argumentos. “Você não está indo para remover o que falamos, não?”

Christy balançou a cabeça.

David a observou seriamente. “Você sabe, a cabana do doutor é longe. E não podemos
usar Prince. Ele está muito nervoso para cavalgar hoje. Não colocarei nem a sela nele.”

“Coitado,” Christy disse. “Deixei Ruby Mae e Rob irem visitá-lo durante o recreio. Ruby
Mae disse que nunca o tinha visto nervoso. Ela está furiosa conosco, a propósito.”

“Eu sei. Ela não disse uma palavra para mim durante a aula de matemática nesta tarde.”
David suspirou. “A questão é, terei de usar o Velho Teo. Pelo rosto dele, vemos que uma
mula não é exatamente algo rápido para quatro pernas. Não somente isso, mas parece que
está vindo uma tempestade.”

“Talvez eu vá.”

“Christy, você sabe que não posso deixar você fazer isso.”
David levantou-se e se esticou. “Ok, eu irei até o doutor, pedindo para que ele volte. O
homem mais teimoso que o Velho Teo.”

“É porque você é a pessoa perfeita para resgatá-lo.” Christy disse.

David revirou os olhos. “Tentarei fazer isso rapidamente,” ele disse. “Com sorte, talvez eu
consiga voltar antes da noite. Mas em meio tempo, você, Miss Ida e Ruby Mae fiquem
trancadas em casa, certo?”

“Nós iremos,” Christy concordou. “Mas você pensa que a raiva passou, agora que os
fabricadores de bebidas fizeram sua vingança?”

“Talvez sim, talvez não. Nisto, pelo menos, estou inclinado a ouvir o doutor.”

CAPÍTULO OITO

Ruby Mae encarou a comida em seu prato. Geralmente, ela amava o empadão de galinha
de Miss Ida, mas nesta noite ela estava sem humor para comer.

Ela estava furiosa com o pregador e Miz Christy pelo que acontecera com Prince. E desde
que o pregador saiu para procurar o Doutor MacNeill, pensava que a única pessoa que
Ruby Mae podia deixar maluca naquele tempo era Miz Christy. Elas raramente falavam
durante o jantar, exceto ocasionalmente, “passa-me os bolinhos,” ou “talvez precise de
sal.”

Mas Ruby Mae sabia que ela deveria ser um pouco educada no mínimo com sua
professora. Ela podia ser educada por fora e má por dentro, ela pensou.

“Miz Christy,” Ruby Mae disse, tentando aparentar uma voz doce, “eu posso checar
Prince, já que pregador foi procurar o doutor? Já é tarde, e uma tempestade está vindo.
Você sabe como Prince odeia trovões. Ele fica irritado. E eu já terminei minha tarefa de
matemática antes de jantar.”

Miz Christy lhe deu um olhar de descrença.

“Veja aqui, eu provo para você,” Ruby Mae disse. Ela apertou seus lábios. “Doze dividido
por três é cinco.”

“Doze dividido por três é quatro, Ruby Mae.”

“Bem, quase acertei.”

Com um suspiro, Miz Christy levantou-se e abriu a janela. O céu estava densamente
escuro, com nuvens cinzas. Relâmpagos brilhavam no horizonte, mas não havia sinal de
chuva.

“Realmente, parece que a tempestade está passando por nós,” Miz Christy disse. “ Talvez
tenha ido para o ocidente, na próxima montanha. Pergunto-me se David e o Doutor a
pegaram. Eles estariam voltando por agora.”
“Por mais essa razão eu devo colocar Prince no galpão por esta noite, você não acha?”
Ruby Mae apertou. “Quando o pregador voltar, ele estará seguro.”

“Você tem algumas louças da janta para lavar,” Miss Christy a lembrou.

Ruby Mae sentiu seu coração afundar. Do que adiantava usar sua voz mais educada, se
Miz Christy não notava seu sentimento?

“Eu posso lavar quando eu voltar,” Ruby Mae ofereceu.

“Tudo certo, então,” Christy disse. “Mas seja rápida, Ruby Mae. Eu quero que você volte
em vinte minutos, entendeu? E se você ver ou ouvir algo estranho, você volte correndo
para cá.”

“Prometo!”Ruby Mae gritou com alívio enquanto ela pulava de sua cadeira. “Vinte
minutos e nada mais.”

“Oh, e Ruby Mae? Dê isto para Prince para mim?”

Miz Christy alcançou uma tigela de açúcar e passou para Ruby Mae um punhado de cubos
de açúcar brilhantes.

“Christy!”Miz Ida gritou. “O que você pensa em fazer com este açúcar? Dar ao cavalo?”

“Ele não é qualquer cavalo, Miss Ida,” Christy disse, sorrindo para Ruby Mae.

Ruby Mae colocou o açúcar no bolso de sua saia amarela. “Obrigada, Miz Christy,” ela
disse com gratidão, e por um momento, ela não usou mais a voz fingida.

ppp

No caminho do pasto, Ruby Mae tentou calcular para que lado ela iria. Seu coração
sentia-se comprimido com seus muitos sentimentos, e ela não gostava de nenhum. Ela
sentia isso quando tentava dividir seus problemas- havia uma questão, mas também muitas
respostas. Talvez seu padrasto estava certo. Talvez ela realmente tivesse penas de galinha
no cérebro.

Ela começou a andar no pasto. Foi através dos pinheiros grossos, então entrou dentro da
pequena e clara área onde os cavalos da missão passeavam. A distância, trovões faziam
barulho- um baixo gemido soou como se o céu estivesse com dor de barriga. Miz Christy
provavelmente estava certa. Parecia que a tempestade tinha ido para longe. Coisa boa.
Prince odiava trovões. Sempre.

Era duro, ficar nervosa com sua professora. Era verdade, Ruby Mae gostava muito de Miz
Christy e do pregador também. Eles eram pessoas boas. Um pouco adultos e confusos
também, talvez, mas eles pensavam bem.

Hoje durante o recreio da tarde, Rob tinha ido com Ruby Mae checar Prince. Quando ele
viu o que tinha acontecido com o belo garanhão, ele ficou preocupado como ela.
Quando Ruby Mae tinha lhe dito de como estava furiosa com Miz Christy e com o
pregador, Rob a ouvira muito quieto. Ele pensou por um bom tempo, antes de falar.

“Talvez,” ele disse por último, lentamente e cuidadosamente, “você está furiosa com você
mesma, Ruby Mae. Você quer tomar conta de Prince, mas não pode. Talvez você sinta que
o deixou.”

Ele estava certo, claro. Rob era um menino esperto. Ele podia ver alguém e ver a força
dentro de seu coração.

Rob tinha dito outra coisa, também. Ele falou que Ruby Mae não podia se sentir mal.
Prince era o cavalo mais sortudo do mundo em tê-la como sua amiga.

Ela não sabia se Rob estava certo sobre isso. Mas tinha feito ela se sentir melhor, de
qualquer maneira.

Enquanto Ruby Mae aproximava-se do pasto, ela assobiou para Prince. Era um pequeno
jogo que eles tinham. Ele ouvia seu assobio galopava para cumprimentá-la. Enquanto isso
ela imergia por dentro dos pinheiros, para que ele viesse galopando, balançando sua
cabeça e galopando.

Claro, ela não estava certa que ele responderia seu assobio. Ele não havia estado alegre
quando ela o visitara no recreio. Ele parecia nervoso, arisco, e receoso das mínimas coisas.

A estrada através dos pinheiros acabou e o pasto apareceu a sua frente. Ruby Mae saltou
pela cerca que o pregador tinha construído para cercar a pequena área.

“Hei, garoto”- ela começou, e então seu coração tornou-se uma pedra.

Prince se foi! Até no sombrio crepúsculo, ela podia dizer que ele não estava em nenhum
lugar do pasto.

Ela pulou a cerca, louca de medo. “Prince!”ela gritou, correndo pela grama. “Onde você
está, garoto?”

Então ela viu um ponto. No final da cerca, uma grade tinha sido aberta a pancadas.

Ela sabia o que tinha acontecido. Prince tinha batido na cerca. Talvez ele tenha se
assustado com o trovão. Talvez ele tenha ficado preocupado com o que havia acontecido
com ele e por isso correu embaraçado.

Ou talvez alguém tivesse raptado Prince, ou até o roubado.

Ruby Mae checou o céu. Estava quase escuro, mas ela tinha que encontrar Prince. Ruby
Mae calculou que ela iria ter a maior confusão do mundo se ela voltasse para a casa da
missão.

A única coisa que importava era encontrar Prince.


ppp

“Onde aquela menina foi?”Christy murmurou enquanto Miss Ida secava um prato. “Já se
passou meia-hora, e praticamente ficou tudo escuro.”

“Você conhece Ruby Mae,” Miss Ida disse, esfregando uma bacia de bolo. “Ela
provavelmente pensou que se passou apenas cinco minutos. A menina não tem senso de
tempo.”

“Especialmente quando ela está com aquele cavalo.” CHristy colocou de lado sua vasilha e
toalha. “É melhor eu ir atrás dela.”

Miss Ida franziu as sobrancelhas. “O que foi isso? Você ouviu alguma coisa?”

“Não, não ouvi nada.”

“Na varanda. Eu juro que ouço vozes.”

Christy riu. “David e o doutor, aposto. Chegaram a tempo!” Ela agarrou uma lamparina do
balcão e foi para a porta da frente.

Miss Ida seguiu Christy até a sala. “Felizmente, deixei um pote cheio de comida. Vou
esquentar”-

Ela foi interrompida por uma ruidosa e insistente batida na porta.

“Abram!”disse uma voz masculina. “Nós vamos atirar! Como vocês irão nos receber,
doces senhoras?”

Um cheiro terrível de bebida encheu o ar. Então as vozes se abafaram. Christy pode ouvir
roucos baixos. Imediatamente, ela apagou a luz para que os homens não pudessem ver
dentro de casa.

Ela agarrou o braço de Miss Ida. “O som parece ser de Bird Taylor,” ela sussurrou. “E ele
parece ter trazido outros com ele. Rápido, corra e veja se a porta de trás está trancada.”

Miss Ida correu para a cozinha. Com o pulso acelerado, Christy ficou na sala. Felizmente,
a porta estava bem trancada, mas como ela ia ficar? Uma pancada forte poderia quebrar
aquela fina porta. Ela até ouvia as pancadas daqueles homens na porta. O que elas
poderiam fazer? Em algum caso, eles poderiam facilmente abrir as janelas se eles
estivessem determinados em entrar.

Ela viu enquanto a maçaneta de bronze girava lentamente. “Venha, senhorita


professora,”falou uma voz gaguejando que Christy não reconheceu. “Não vamos machucá-
la.”

Novamente, a horrível risada de bêbados.

“Não fique mal- humorado,” alguém disse. “Comporte-se enquanto elas vem. Aposto que
elas cheiram bem.”
Christy tentou contar as diferentes vozes. Soava como se tivessem três homens, mas ela
não estava certa. De qualquer forma eram muitas, e certamente eles estavam armados.
Não havia como Christy e Miss Ida lutarem...

De repente, Christy arfou.

“O que foi?” Miss Ida sussurrou enquanto ela corria de volta para a sala.

“Ruby Mae!”Christy chorou. “O que acontecerá se ela voltar?” Ela fechou seus olhos e
disse rapidamente, numa oração de desespero. “Por favor, Deus, deixe Ruby Mae demorar
um pouco mais.”

“Amém,” Miss Ida murmurou. “Mas Ruby Mae sabe o que acontece quando estes homens
estão bêbados. Se ela voltar, ela ouvirá seus escândalos e manterá distância.”

Alguém golpeou a porta com a ponta de uma espingarda. “Venham, senhoras do


pregador! Temos bebida suficiente para todos nós. Vocês ficarão vermelhas de tanto beber
e gostarão muito!”

O golpe foi mais forte. Soou como se os homens estivessem espancando a porta enquanto
eles riam altamente.

Christy cutucou Miss Ida. “A estante de livros, rápido!”

Juntas, elas lutaram para puxar a estante de livros em direção a porta da frente. Quando
elas estavam puxando lentamente, Christy parou para secar o suor de sua testa. Sua mente
estava agitada. Como elas poderiam evitar os intrusos? Se David ou o doutor estivessem
aqui!

“Vamos empurrar o banco do piano e a mesa de jantar?” Miss Ida sussurrou.

“Boa idéia. A maior barricada será melhor.”

“Mas se eles quebrarem alguma janela?”

Christy parou. “Então nós mesmas nos protegeremos.” “Com o quê?” Miss Ida lamentou.
“Com nossas mãos?”

“Você se preocupa com os móveis. E eu com as armas de fogo,” Christy disse com
determinação.

As vozes e as batidas estavam mais insistentes. “Venham, moças. Nós queremos vê-las.”

Outra voz falou, “E nós sabemos que o intrometido do pregador não pode proteger
vocês!”

Christy olhou para Miss Ida. Até na semi-escuridão, ela podia ver o medo nos olhos
daquela mulher. “Como eles sabem?” Christy perguntou sem respirar.

“Provavelmente viram David na estrada,” Miss Ida disse enquanto lutava empurrar as
cadeiras para a porta.
Christy correu para a cozinha. Ela agarrou uma frigideira de ferro e uma faca de cozinha.
De volta para a sala, ela adicionou duas pás de ferro a sua coleção e colocou-as perto da
porta.

“Nossas armas,” ela sussurrou para Miss Ida.

Miss Ida alcançou uma das frigideiras acenou-a no ar. “Nada como um rápido golpe na
cabeça de um deles,” ela disse.

Christy não pode sorrir para a empertigada figura de Miss Ida, pois o ambiente era
amedrontador. Christy deu uma frágil e nervosa risada, e Miss Ida a acompanhou. Ajudou a
quebrar um pouco a tensão.

“O que quer que aconteça,” Miss Ida suspirou “espero estar viva para contar.”

De repente os homens ficaram em silêncio. Christy sentiu seu corpo tenso. O que eles
estavam planejando? Eles poderiam ter ido para trás da casa?

“Talvez eu deva falar com eles,”Christy murmurou.

Miss Ida acenou. “É bom tentar. O que nós temos a perder?”

Christy limpou sua garganta. “Quem são vocês, afinal?” ela falou firmemente, tentando
controlar sua voz.

“É uma das mulheres!”um dos homens gritou.

“Eu ouvi que uma delas está mal-humorada, Jubal,” outro adicionou.

Assim Jubal McSween era um dos intrusos, Christy pensou. E ela estava certa de ter
reconhecido a voz de Bird Taylor. Mas quem era o terceiro?

“Eu quero que vocês deixem esta propriedade imediatamente,” Christy disse.

“Não fique nervosa,”Bird disse. “Nós não vamos fazer nada.”

“Vocês estão embriagados,” Miss Ida gritou. “E nós queremos que nos deixem neste
instante.”

“Nunca!”o terceiro homem exclamou. “Podem apostar!”

“Por que vocês estão aqui?”Miss Ida falou. “O que vocês homens querem?”

“Queremos ensinar a vocês uma lição de como nós vivemos,” Jubal disse. “Queremos dar
a vocês uma prova das bebidas, mudar a mente de vocês sobre isso.”

“Miss Henderson está ouvindo essa chantagem,” Christy disse. “Ela estará aqui em alguns
minutos. E aconselho vocês a nos deixarem quietas, antes que vocês entrem em uma
verdadeira confusão. Ela é uma boa atiradora, vocês sabem.”

“Ela foi ajudar um bebê nascer,”Bird disse. “Você não pode nos fazer de tolos, senhorita
professora!”
Christy revirou os olhos em frustração. Ela sabia que a fofoca viajava rápido nestas
montanhas, mas nunca antes este fato a tinha ameaçado em sua vida.

“Abram e nós faremos uma festa de jogos!”Bird falou.

“Uma agitação,”Jubal adicionou com uma gargalhada.

Christy olhou para Miss Ida, que estava sentada no banco do piano, pronta com sua
frigideira.

“Há uma coisa que não fizemos,”Chirsty sussurrou .

“O que é? Nós empurramos os móveis e pegamos as frigideiras.”

“Orar.”

Miss Ida acenou. Juntas elas fecharam seus olhos.

“Por favor, Senhor,” Christy sussurrou,” dê-nos força lidar com esta crise. E por favor, por
favor, guarde Ruby Mae para que ela não sofra nenhum mal”-

Um horrível barulho de vidro quebrando parou Christy no meio de sua sentença. Seus
olhos abriram rapidamente. No chão do salão, ela viu pedras e cacos de vidros. O vento frio
passou por uma janela quebrada.

Um braço passou pela janela. “Como vão, senhoritas,” alguém disse.

“Oh, meu Senhor,” Miss Ida gritou em terror. “Eles quebraram a janela!”

CAPÍTULO NOVE

Christy levantou-se com sua pá enquanto Jubal McSween chutava as últimas peças do
vidro quebrado da janela.

“Por favor, Deus,” Christy orou, “dê-me forças.”

De repente, um relâmpago iluminou a sala. Christy pode ver o olhar assustado no rosto de
Jubal enquanto ele observava o céu furioso. Um momento depois, a casa balançou ao som
do trovão. As vidraças chacoalharam. O chão se sacudiu. Christy nunca tinha visto algo
parecido antes.

E então veio a chuva. Não era uma tempestade comum de primavera. A chuva caiu em
torrentes, como rios. Um forte vento veio com ela, dirigindo a chuva para o lado horizontal
contra as vidraças. A entrada inundou, molhando os homens imediatamente. Poças se
formaram no chão da sala enquanto a chuva se derramava pela janela quebrada.

“Venham entrar!”Jubal gritou, parando na janela quebrada.

Um relâmpago iluminou o céu novamente. “Raios!” veio a voz do terceiro homem. “A


casa no rio Blackberry! Vai alagar com essa chuva. Se nós não corrermos, nós perderemos
toda a carga!”
Os homens praguejaram em seguida. Entre os golpes dos trovões, Christy podia ouvir os
homens andando e murmurando sobre a entrada de madeira.

De repente, o bico de um rifle empurrou a janela quebrada. Uma figura escura foi
iluminada pela luz do relâmpago. Cheio de ódio, o cinzento rosto de Bird Taylor apareceu.

“Outra hora, senhoras do pregador,” ele disse com uma risada sinistra. “Prometo a vocês
que voltaremos.”

As vozes desapareceram e o silêncio encheu a casa. Os relâmpagos e trovões pararam


rapidamente, e o único som era o da chuva caindo sobre o teto.

Christy correu para Miss Ida e a abraçou. “Nós estamos a salvo,”Miss Ida murmurou,
tremendo. “Estamos a salvo, Christy.”

“Nós estamos,” Christy disse amedrontada. “Mas Ruby Mae talvez não esteja. Eu estou
indo procurá-la.”

“Mas aqueles homens”-

“Você fica aqui e espere por David e pelo Doutor. Eu voltarei antes que você saiba.”

“Há mais coisas que eu deva fazer,”Miss Ida disse, apertando suas mãos.

“Faça algo sobre a janela.” Christy avisou. “ E ore. Isto certamente nos ajudará agora.”

ppp

“Ruby Mae!”Christy gritou enquanto ela andava no bosque na propriedada da missão.


Agora ela estava rouca, esperando por uma resposta.

Ela tinha encarado a verdade. Ruby Mae tinha fugido. Christy tinha procurado em todas as
construções da missão, esperando que Ruby Mae pudesse estar escondida dos bêbados.
Mas depois de ver a cerca quebrada do pasto, Christy sabia bem o que havia acontecido-
Prince tinha fugido, e Ruby Mae tinha ido encontrá-lo.

Christy avançou através da floresta negra. O chão encharcado, e até com as árvores a sua
frente, a chuva caia sem misericórdia. Ela estava ensopada até os ossos, e sua longa saia
encharcada até as pernas, tornava impossível uma caminhada rápida.

Ela não sabia para onde estava indo. Ela sabia que frequentemente Ruby Mae pegava
Prince e ia com ele até o riacho Blackberry, e assim este parecia ser o melhor destino. Mas
isto era de desconfiar. Prince poderia ter ido para qualquer lugar. David tinha dito que o
garanhão tinha agido estranhamente hoje. E com Ruby Mae... bem, quem sabia onde ela
teria decidido procurá-lo?

Havia outro problema além da desconfiança de Christy. Ela ouviu os bêbados falarem
sobre o riacho Blackberry. Obviamente, eles estavam indo na mesma direção deles, e ela
não queria encontrar-se com aqueles homens novamente- especialmente não sozinha, no
meio das árvores escuras. Pelo menos na casa da missão, ela sentia alguma segurança. Mas
aqui, com o vento uivando e a chuva caindo, ela estava em seu território. Aqueles homens
conheciam aquela floresta como ela nunca teria conhecido. E estavam bêbados e muito
furiosos.

Christy parou para tomar fôlego no topo de um morro. Com suas saias pesadas, ela estava
exausta. Seus pés estavam frios, e seus calçados cobertos de lama.

Perto do que ela poderia dizer, o riacho Blackberry estava para a sua esquerda, a uma
milha ou mais. Ela decidiu andar mais. Talvez ela pudesse até encontrar alguma trilha,
embora parecesse uma dura imaginação nesta chuva.

Ela andou sobre o morro. A floresta estava escorregadia, e ela teve de usar as árvores
como seu suporte. Duas vezes ela caiu. Ela estava levantando pela segunda vez quando ela
ouviu o inconfundível som de uma arma sendo levantada.

Christy congelou. Ela olhou para as trevas, mas ela não podia ver nada entre as árvores.

“Ora, ora, ora. O que nós temos aqui? Se não é a senhora professora!” a voz de Bird
Taylor veio de algum lugar a direita. “Vejam, não é ela?”

“Mudando sua mente, eu aposto!”

Ela ouviu o pisoteio de pés deixando um pinheiro, e de repente os homens apareceram


para a sua vista- Bird, Jubal, e Duggin Morrison, o padrasto de Ruby Mae. Assim ele era o
terceiro homem que esteve na varanda.

Bird se aproximou. A chuva caia sobre seu chapéu de feltro. Christy pode sentir o amargo
cheiro de tabaco e álcool. Seus estômago embrulhou.

“Ela não está bela agora?”ele disse. “Vejam, parece um rato urbano afogado.” Ele
empurrou o ombro dela com seu rifle, mas Christy permaneceu parada.

“Deixe-me passar.”

Os três homens vaiaram. “Deixe-me passar, ela disse” Jubal gritou. Ele colocou um jarro
em sua boca bebeu seu licor.

“Meninos, temos assuntos para resolver,” Duggin Morrison disse.

“Silêncio!”Jubal disse, com voz ininteligível. “Esqueci! Deixe a senhora professora


conosco. Nós faremos tudo certo. Então haverá muito tempo para compaixão.”

Bird cutucou Christy com o cano de sua arma. “Vamos indo. Nossos negócios estão no
riacho.”

Com Duggin na liderança, os quatro começaram a descer o declive. Christy pode ouvir o
rugido do riacho cheio, não muito longe deles. Bird manteve sua arma cravada nas costas
dela, empurrando-a quando ela tropeçava. Era quase impossível dela continuar, até para
eles que claramente estavam muito bêbados.
“Imagine olhos de flores como os dela, numa tempestade como esta,” Jubal disse
espessamente. “Pergunto-me porque ela está aqui.”

“Há alguma justificativa, eu acho,” Bird gargalhou.

“Desde que vocês estejam interessados,” Christy disse, em voz alta para ser ouvida por
sobre a forte chuva. “Eu estava procurando por Ruby Mae Morrison.”

Duggin virou-se para ela. “Eu ouvi direito? Está procurando por Ruby Mae?”

“Ela está perdida, Mr. Morrison. Penso que Prince fugiu e ela foi procurá-lo.”

“Não a ouça, Duggin,” Jubal disse, tomando outro gole de seu jarro. “Ela está mentindo.”

“É verdade, Mr. Morrison,” Christy disse. “Eu juro.”

Duggin parou por um momento, passando a mão em sua longa barba.

“Pode ser, eu acho. Ruby Mae ama o cavalo do pregador.”

“O padrasto dela não a gorjeia como eles,” Bird disse. “Não estamos surpresos que ela
tenha se perdido na escuridão por algum rabo de cavalo!”

Poucos passos abaixo deles, o riacho Balckberry rugia furiosamente.

DUggin parou perto do banco, coçando sua cabeça.

“Você disse que ela fugiu de noite?”ele perguntou para Christy.

“Não é bom aborrecer a senhorita,” Bird disse. “Ruby Mae não foi nada para você senão
aborrecimento e confusão desde o dia em que ela respirou. Nunca pode ficar quieta.”

“Mas havia algo de diferente nela,” Duggin disse suavemente. “Ruby Mae contou a mim e
sua mãe que ela vinha aqui com o cavalo do pregador. Disse que gostava de ficar aqui para
pensar.”

“Pensamentos atuais,” Christy disse com um sorriso carinhoso.

“Ruby Mae Morrison?”Bird zombou. Odeio ter que admitir que ela cavalga muito bem.
Mas pensar? Claro que não.” Ele empurrou Christy duramente com cano de sua arma.
“Move-se, senhora professora.”

Então, Christy arfou, mas não por causa da ameaça de Bird. Ela apontou seu dedo trêmulo
para um arbusto perto da beira do riacho.

Um retalho de tecido amarelo estava preso em um dos ramos do arbusto perto do furioso
riacho.

“Aquele pedaço de pano,” Christy gritou. “É da saia de Ruby Mae!”

CAPÍTULO DEZ
Duggin ajoelhou-se na margem e agarrou o retalho molhado. “É da saia de Ruby Mae,
com certeza. Sua mãe fez esta saia para ela no último natal.”

Christy encarou o furioso riacho. Ela sabia que Duggin estava pensando a mesma coisa
que ela. Será que Ruby Mae tinha caído nele? Será que ela tinha se afogado? Se ela não
tivesse caído, onde ela estava?

“Ruby Mae!” Duggin chamou. “Ruby Mae! Você está aí?”

Bird levantou sua arma novamente. “Temos coisas melhores que nos preocupar agora,
Duggin. A garota está bem. Ela vai agüentar firme. Agora, diga-nos para onde vamos.”

Duggin parou lentamente, sua própria arma apontada diretamente para Bird. “Vou dizer
para onde vamos,” ele disse furiosamente. “Nós vamos procurar minha Ruby Mae.”

Os dois homens estavam a poucos passos de distância, com suas armas apontadas um
para o outro. Christy tremeu. Uma palavra de ofensa, e uma daquelas armas iriam atirar.
Este era o caminho de Cutter Gap.

“Mr. Taylor,” Christy disse gentilmente. “O que o senhor faria se Lundy estivesse perdido
agora, no lugar de Ruby Mae?”

“Meu garoto não é estúpido.”

Duggin respondeu levantando sua arma.

“Talvez eu não entenda muito sobre estas montanhas,” Christy disse, com sua voz
tremendo, “mas eu sei de uma coisa. Aqui a família tem mais valor que qualquer coisa. Não
é verdade, Bird?”

Bird respirou lentamente. Sua boca movimentou-se, mas ele não respondeu.

“Mande Jubal checar o imóvel,” Christy encorajou. “Você, Duggin e eu iremos procurar
por Ruby Mae.”

Bird piscou os olhos desconfiado. “Você sabe o que é este imóvel, professora?”

“Sei.”

“Bem. Eu nunca pensei em poder ouvir essas palavras de alguém como você.”

“Nem eu,” Christy admitiu.

Bird sacudiu sua cabeça para Jubal. “Você viu o que a professora disse. Vá checar o
imóvel. Duggin e eu vamos procurar por sua tola enteada.”

“E ela?”Jubal perguntou, apontando para Christy.

“Ela, nós resolveremos outro dia. Laços de sangue vem em primeiro lugar. A professora
está certa nisso.”

Com um olhar, Jubal saiu e foi cambaleando até o imóvel.


“E agora?” Duggin perguntou. “Ela pode estar em qualquer lugar. Até...”ele encarou as
águas rugindo silenciosamente.

“Você sabe, Ruby Mae me contou sobre uma caverna que ela ia perto do riacho,” Christy
relembrou. “Você sabe onde é?”

“Claro,” Duggin disse. “Por aquele caminho, do outro lado do riacho.”

“É bom verificar,” Christy disse. “Talvez ela esteja lá com Prince se abrigando da chuva.”

Christy seguiu Duggin e Bird pela margem. A chuva estava caindo fortemente, e era difícil
manter-se perto deles. Para dois homens que haviam consumidos grandes doses de álcool,
eles estavam surpreendentes hábeis.

Depois de andar uns cem passos, Duggin parou, “Não posso ver a caverna daqui, mas ela
está ali, atrás daquela brecha.”

“Ruby Mae!”Christy chamou. Duggin e Bird juntaram-se a ela. Poucos minutos depois,
eles pararam para ouvir.

“Receio que ela não esteja na caverna,” Bird disse. “Nós estamos gritando para acordar os
mortos.”

“Você não viram Ruby Mae dormindo,”Christy disse.

“Verdade,”Duggin concordou. “A menina ronca com uma força enorme.”

“Eu sei,” Christy disse.

“Não há motivo para vocês atravessarem o riacho,” Duggin disse. “Eu sou o pai dela. Eu
vou.”

“Duggin, você é um peixe velho,” Bird disse. “Mais velhos do que esses montes. Um
bêbado como eu.”

Duggin levantou sua arma novamente. “Velho peixe, você disse?”

“Mr. Morrison,” Christy disse, puxando sua arma para baixo. “Nós não temos tempo para
isso.”

Duggin balançou sua cabeça. “Você está certa. E assim como Bird, estou receoso.”

Bird pegou as mãos de Duggin. “Fique aqui,” ele disse.

Lentamente, nadou através riacho raivoso.

No meio do caminho, a água chegou até o seu peito.

“Cuidado seu velho falcão,”Duggin gritou.

Eles observaram enquanto Bird engatinhava até a margem e desaparecia no mato, onde a
caverna estava escondida.
“Mr. Morrison?” Christy disse.

“Sim?”

“Você é um dos que raparam o pelo de Prince?”

O velho homem parou. “Não. Foi Jubal. Eu nunca fiz algo assim. Não é minha
característica.” ele encolheu os ombros. “Ademais, eu nunca faria algo para machucar Ruby
Mae.”

“Talvez você deva contar isso a ela,” Christy disse. “Quando nós a encontrarmos.”

“Se nós a encontrarmos.”

Eles ouviram o grito de Bird do outro lado, na margem.

“O que foi?”Duggin perguntou esperançoso.

Um momento depois, eles viram os sonolentos olhos de Ruby Mae nas costas de Prince.
Bird veio correndo atrás deles.

“Eles estavam adormecidos, na caverna, roncando como você disse!”ele gritou.

“Miz Christy?”Ruby Mae gritou. “Pai? O que vocês estão fazendo aqui na chuva? Vocês
estão ensopados até os ossos!”

“Venha, Ruby Mae,” Bird disse, “vamos voltar para a missão, onde você não poderá
arrumar mais problemas.”

Christy olhou para Duggin. “Nós vamos?” ela perguntou. “Voltar para a missão?”

Duggin acenou. “Acho que sim.”

Ele foi para a beira da margem, esperando Bird e Ruby Mae voltarem a salvo. Christy
pensou em ter visto ele secar uma lágrima. Claro, ela pensou por um momento, poderia ser
por causa da chuva. Apesar de tudo, não havia como ver os corações destes homens da
montanha. Eles não temiam por suas vidas. Agora, ela sabia que eles tinham medo e
misericórdia.

Talvez, ela pensou tristemente, poderia ser sempre assim.

ppp

Tarde da noite, Christy sentou-se perto da lareira da casa da missão. Todos já tinham ido
para a cama. Só ela e o doutor MacNeill estavam acordados.

“Se eu não tivesse ido,” o doutor disse pela centésima vez, “Nada disso teria acontecido.
Se você não tivesse mandado David me trazer, se a chuva não tivesse atrapalhado nosso
retorno...”

“Se,” Christy disse olhava as brasas da lareiras.” Isto não é um ponto para se repetir, Neil.
Tudo correu bem.”
“Desta vez,”o doutor disse misteriosamente.

“Realmente, me sinto muito mau,” Christy admitiu. “Eu esperava que David trouxesse
você de volta para aqui por causa de sua febre, mas vocês ficaram ensopados na chuva e
não pude ajudar vocês.”

O doutor sorriu. “Pensando nisso, estou sentindo algo. Pode ser um delírio.”

Christy colocou a mão sobre sua testa. “Você está quente.”

“Coisa estranha. Eu estou ouvindo música também. Pensa que estou alucinando?” Ele se
levantou, rindo para ela, e pegando sua mão. “Como você sabe, você me deve uma dança.”

“Agora que você mencionou isso,”Christy disse enquanto se levantava, “Parece que estou
ouvindo essa música também.”

Ela fez uma pequena reverência e o doutor a puxou para perto, usando seu braço bom.
Juntos, dançaram em volta da sala, dançando com a música da chuva caindo sobre o
telhado.

“Estou feliz que você esteja bem,” o doutor murmurou.

Christy encostou a cabeça em seu peito. As memórias invadiram sua mente- memórias
horríveis. A camisa do doutor encharcada de sangue. O som da janela da sala quebrando. O
cheiro frio da arma de Bird em seus ombros.

Ela fechou seus olhos. O doutor estava cantarolando uma velha canção da montanha. O
fogo estalava brandamente.

Lentamente, uma por uma, outras memórias vieram até ela. O sorriso de gratidão de Miss
Alice na comemoração de seu aniversário. A luz do luar no galpão de Prince. A risada
musical de Ruby Mae. A classe de Christy no recreio, cheia de agitação e alegria- cheia de
amor destas crianças belas, perigosas e complicadas que Deus lhe deu nas montanhas.

O doutor parou. “O que você está pensando?”ele perguntou.

“Eu estava pensando,” Christy murmurou, “que eu não queria que esta dança
terminasse.”

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