A Crise Ambiental
A Crise Ambiental
A grave crise ambiental gerada pelo uso predatório que o homem faz dos recursos naturais e as possíveis
soluções para os desafios ambientais atuais.
Prof.ª Juliana Velloso Durão
1. Itens iniciais
Propósito
A ação antrópica baseada no uso intensivo dos recursos naturais gerou uma crise ambiental sem precedentes.
A partir deste conteúdo, entenderemos o que são os recursos naturais e sua importância; o atual modelo de
exploração dos recursos naturais e seus consequentes impactos ambientais; e as propostas de soluções para
os atuais desafios ambientais por que passa a humanidade.
Objetivos
• Reconhecer os principais recursos naturais e sua importância.
• Analisar de que forma a sociedade industrial e de consumo está ancorada na exploração dos recursos
naturais.
• Identificar os principais impactos ambientais da atualidade e as alternativas para minimizá-los.
Introdução
A sociedade atual se baseia no uso intensivo dos recursos naturais. Esse modelo, instituído desde a Revolução
Industrial, que promoveu avanços para a sociedade, no entanto gerou uma grave crise ambiental, além de
enorme desigualdade social. O modelo de sociedade baseado no consumo crescente, que depende de
extração contínua de recursos naturais, é insustentável em longo prazo e gera inúmeras externalidades
negativas.
Os recursos naturais, apesar de muitas vezes abundantes, são finitos e seu uso indiscriminado e exploratório
tem gerado perdas ambientais e sociais imensuráveis. Contudo, se houver real compromisso em prol das
mudanças necessárias, ainda é possível minimizar e, pelo menos em alguns casos, reverter os impactos
ambientais atuais.
Nos módulos a seguir, apresentaremos os principais recursos naturais e sua importância, discutiremos como a
Revolução Industrial acirrou a utilização desses recursos e os consequentes impactos ambientais do atual
modelo de sociedade. Além disso, veremos algumas das soluções que podem ajudar a reverter a trajetória
insustentável que seguimos atualmente.
Esperamos que você reflita sobre o impacto das suas ações e escolhas diárias no meio ambiente e comece
agora a promover as mudanças necessárias.
1. O que são e quais são os recursos naturais
Recursos naturais
O que são recursos naturais?
Recursos naturais são elementos fundamentais para a manutenção da vida, incluindo a sobrevivência da
espécie humana no planeta. São definidos como qualquer elemento da natureza que ainda não tenha sido
transformado pela ação humana, sendo vitais para a sobrevivência no planeta.
Os recursos naturais nos permitem satisfazer nossas necessidades e transformar o ambiente natural
em busca de maior conforto.
São de extrema importância no nosso cotidiano, pois fornecem alimento, energia e permitem o
desenvolvimento da sociedade. Em resumo, os recursos naturais são todos os elementos disponíveis na
natureza que podem ser consumidos ou utilizados para a realização das atividades humanas.
Nem sempre os recursos naturais podem ser utilizados diretamente na forma em que são extraídos da
natureza, necessitando, portanto, passar por um processo de transformação e beneficiamento para serem
utilizados. Além disso, os recursos naturais não são distribuídos de forma homogênea ao redor do globo,
havendo lugares com maior ou menor disponibilidade de determinado recurso.
Exemplo
O petróleo se apresenta abundante em poucas regiões da Terra, gerando concentração de poder e
recursos financeiros e, consequentemente, conflitos sérios entre nações.
No que se refere aos recursos vegetais, também são utilizados em inúmeras atividades produtivas. Diversas
espécies vegetais são utilizadas nos diferentes setores, tais como o de alimentação, o têxtil, o farmacêutico,
entre outros. Podemos citar a madeira usada para a fabricação de móveis e moradias; as fibras vegetais
utilizadas no artesanato e fabricação de ferramentas; os óleos essenciais que são matéria-prima para
produção de produtos cosméticos; princípios ativos explorados pela indústria farmacêutica; e tantas espécies
que são a base da nossa alimentação, como o arroz, o feijão, o milho e o trigo.
São os que se renovam na natureza e, por isso, Recursos naturais não renováveis são
são considerados abundantes. Ou seja, aqueles que se renovam em um espaço
geralmente tais recursos não se esgotam de tempo que não atende à demanda
rapidamente e possuem facilidade de do homem. A utilização desenfreada de
renovação. No entanto, é importante destacar tais recursos pode levar ao seu
que a velocidade e a maneira como são esgotamento e, atualmente, essa é uma
utilizados pelo homem podem ser grande preocupação, considerando o
determinantes para sua manutenção na uso extensivo e irracional por parte da
natureza, pois sua renovabilidade pode ter sociedade, em velocidade maior do que
uma velocidade menor do que sua extração. a natureza é capaz de repor.
Para exemplificar os recursos renováveis, podemos mencionar a luz solar, que pode gerar energia elétrica e
energia térmica por meio de tecnologias, como os painéis fotovoltaicos, aquecedores solares e usinas
heliotérmicas; o vento, que pode gerar energia por meio de sua força utilizando aerogeradores; e a água,
recurso natural essencial à vida no planeta, utilizada para o consumo humano, animal e vegetal, assim como
para produzir energia por meio das turbinas em hidrelétricas.
Cerca de 90% da energia utilizada no mundo é proveniente de fontes de recursos naturais não renováveis.
Entre os recursos não renováveis, podemos mencionar os minérios, o petróleo e o carvão mineral.
• Biológicos
• Minerais
• Hídricos
• Energéticos
São representados pelas espécies animais e São representados pelos minérios, rochas e
vegetais, pelas florestas e ecossistemas pedras preciosas, são materiais inorgânicos que
naturais que têm importância fundamental na geralmente possuem alto valor econômico. A
nossa alimentação, locomoção, vestuário, exploração de minérios, como o ferro e o cobre,
fornecimento de medicamentos para a indústria é destinada para fabricar uma série de bens,
farmacêutica, manutenção do clima, entre incluindo eletrodomésticos, equipamentos
outras ações. tecnológicos, joias, carros, aviões, navios e
muito do que utilizamos no dia a dia. Os
recursos minerais metálicos mais consumidos
pela humanidade são o alumínio, ferro, zinco,
cobre, chumbo, prata, platina e ouro, por
exemplo.
São representados pelo elemento mais São aqueles representados pelo sol, vento,
abundante da Terra, a água. Contudo, é preciso elementos radioativos utilizados em usinas
considerar que apenas uma pequena nucleares e combustíveis fósseis, como o
porcentagem da água do planeta (cerca de petróleo, o gás natural e o carvão. São capazes
0,3%) é considerada utilizável por seres de fornecer energia e podem ser recursos
humanos. Os outros 99,7% estão nos oceanos, renováveis e não renováveis.
solos, calotas polares e na atmosfera. A água é
muito importante para a manutenção da vida,
para a produção de alimentos, transporte,
produção de energia, irrigação etc.
Independentemente de sua classificação, os recursos naturais vêm sendo explorados e utilizados de forma
irracional e sem a devida atenção para sua manutenção em curto, médio e longo prazos. A sociedade vive
hoje um momento em que a gestão inteligente de recursos naturais se torna cada vez mais importante,
necessária e urgente.
O Brasil é também um grande produtor de commodities, sendo liderança agrícola mundial em produtos como
soja, laranja, cana-de-açúcar, entre outros.
Curiosidade
O Brasil é um país primário-exportador, possuindo um sistema econômico predominantemente baseado
na agricultura e na exportação de matérias-primas.
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), os 10 produtos mais
exportados pelo Brasil em 2020 foram:
1. Soja.
2. Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos.
3. Minério de ferro e seus concentrados.
4. Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos.
5. Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada.
6. Celulose.
7. Carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas.
8. Farelos de soja e outros alimentos para animais (excluídos cereais não moídos), farinhas de carnes e
outros animais.
9. Produtos para a Indústria da Transformação.
10. Açúcares e melaços.
É comum ouvirmos falar sobre a crescente escassez de água, de petróleo e sobre o declínio nas populações
naturais de abelhas, por exemplo, mas há outros recursos que também estão se exaurindo e cujo
desaparecimento poderá modificar a vida da sociedade em vários aspectos. Alguns exemplos destes recursos
que vêm sendo explorados numa velocidade tal que não permite sua renovabilidade são:
Areia
Um dos materiais sólidos mais explorados do mundo e que o homem
utiliza em um ritmo muito mais rápido do que esta pode ser renovada
naturalmente, de acordo com a ONU.
Gás hélio
O gás hélio não é somente utilizado em balões, tem uso essencial em
equipamentos de exames médicos de imagem. É extraído de depósitos
naturais subterrâneos e, segundo estimativas, pode atingir escassez em
30 a 50 anos.
Terra agriculturável
A erosão, a agricultura intensiva, o desmatamento e o aquecimento
global têm contribuído para a perda da camada superior do solo, que é a
mais relevante para a produção de alimentos. Estima-se que pode levar
até 500 anos para que uma polegada de terra, da camada superior do
solo, se forme de maneira natural.
Lítio: um exemplo de recurso cada vez mais relevante
O lítio é um metal considerado estratégico e vem sendo utilizado nas indústrias farmacêutica e de
eletroeletrônicos, ganhando cada vez mais relevância por causa do desenvolvimento e aumento da demanda
por baterias elétricas. Pesquisadores defendem que, no futuro, o lítio será quase tão importante quanto o
petróleo é atualmente para a humanidade.
O lítio é mundialmente requisitado, pois tem grande versatilidade e pode ser utilizado para diversas
finalidades.
Curiosidade
A indústria de fármacos utiliza o lítio para produzir antidepressivos, sendo necessário um alto grau de
pureza. Além disso, o lítio é usado como selante em reatores nucleares, na fabricação de celulares,
laptops e tablets. No entanto, a grande procura pelo lítio atualmente é para produção de baterias, visto
que os melhores acumuladores de energia são à base desse recurso.
A Bolívia tem a maior reserva de lítio do planeta, localizada no Salar de Uyuni. O Brasil também possui
reservas de lítio, mas apenas cerca de 1% da reserva mundial de lítio está no país e ele se encontra,
majoritariamente, na região de Minas Gerais.
Todos os anos, a empresa mineradora Vale produz cerca de 70 milhões de toneladas de resíduos
sólidos, encaminhados para diferentes barragens, como as de Mariana e Brumadinho – que romperam
e causaram centenas de mortes e irreparável destruição ambiental.
Do montante total de resíduos, 55 milhões de toneladas são sílica ou, como popularmente chamada,
areia. Tais resíduos passaram então a ser reciclados e transformados em areia, o recurso natural mais
consumido no mundo, depois da água. Com isso, agora parte dos rejeitos que causaram as duas
tragédias mencionadas passa a ser vendida para o setor de construção civil.
Os volumes vendidos ainda são pequenos: foram 250 mil toneladas em 2021, um número que deve
chegar a 1 milhão de toneladas em 2022 e 2 milhões em 2023. Esse montante é apenas uma fração
dos 320 milhões de toneladas de areia produzidos anualmente no Brasil, mas já representa um grande
avanço ao dar destino a rejeitos que podem provocar consideráveis danos ambientais e sociais e
ainda gerar um recurso altamente demandado pelo mercado.
O benefício ambiental da produção de areia a partir de resíduos é duplo: primeiro, cada tonelada
vendida para uma concreteira significa uma tonelada a menos de resíduos que precisaria ser
armazenada; segundo, pelo fato de as estimativas apontarem que até 75% de toda a areia consumida
no Brasil seja extraída informal ou ilegalmente de leitos de rios, do mar e de jazidas sem autorização.
Temos, dessa forma, um produto mais sustentável.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vivemos em um planeta com abundância de recursos naturais. No entanto, a maioria dos recursos são finitos
ou se renovam em longos períodos. Em relação a isso, sinalize a opção que apresenta apenas recursos
naturais considerados renováveis.
Questão 2
Os recursos naturais são classificados de diferentes formas. Marque a resposta correta em relação às
diferentes classificações dos recursos naturais.
Os recursos naturais podem ser classificados de acordo com sua localização no planeta e sua quantidade.
Os recursos naturais podem ser classificados como recursos renováveis e não renováveis e também como
biológicos, minerais, hídricos e energéticos.
Os recursos naturais podem ser classificados como renováveis e não renováveis, apenas.
A partir dessa revolução, houve o surgimento das indústrias e se consolidou o capitalismo. A Revolução
Industrial também promoveu uma nova forma de organização da sociedade, baseada em consumo e descarte
crescentes. Com a industrialização, as máquinas passaram a fazer o trabalho realizado pelos homens de
forma mais rápida, aumentando a produção de modo significativo. O uso da máquina a vapor, por exemplo, foi
considerado a grande mudança promovida à época.
A Revolução Industrial promoveu, ainda, um expressivo êxodo rural, que fazia com que as pessoas migrassem
do campo para a cidade e, com isso, surgiram muitos problemas sociais. Alguns autores defendiam que as
fábricas haviam destruído a vida tradicional e mais organizada do campo, criando cidades imundas, bairros
miseráveis e multidões de operários alienados, como é retratado no livro A Situação da Classe Trabalhadora
na Inglaterra, de Friedrich Engels.
As transformações tecnológicas, econômicas e sociais causadas pela Revolução Industrial tiveram inúmeros
desdobramentos e acabaram caracterizando diferentes fases, denominadas: primeira, segunda e terceira
Revolução Industrial. Vamos conhecer cada uma.
Primeira Revolução Industrial
Ocorreu entre os anos 1760 e 1850 e se caracterizou pela substituição da energia produzida pelo
homem pelas energias a vapor, eólica e hidráulica; pela substituição da produção artesanal pela
indústria; e pela existência de novas relações de trabalho. Além disso, passou-se a utilizar o carvão
como fonte de energia e a máquina a vapor e a locomotiva foram desenvolvidas e amplamente
utilizadas. A produtividade aumentou muito e, consequentemente, a extração de matéria-prima, a
produção e o consumo.
Ocorreu entre a segunda metade do século XIX e a metade do século XX, terminando durante a
Segunda Guerra Mundial. Foi nesse momento que a industrialização avançou os limites da Europa e se
espalhou por países como os Estados Unidos e Japão. Naquele momento, ocorreram avanços
tecnológicos mais expressivos e o aperfeiçoamento de tecnologias já existentes. Iniciou-se o uso do
petróleo como fonte de energia e do motor a combustão. Além disso, a eletricidade passou a ser
utilizada para o funcionamento de motores, especialmente os elétricos e a explosão.
Ocorreu na metade do século XX, logo após a Segunda Guerra Mundial. Incorporou expressivo
desenvolvimento tecnológico e difundiu a sociedade de consumo por todo o globo. Nesse momento é
também estabelecido o capitalismo financeiro, que inaugura o crescimento da especulação financeira
(ações de empresas, juros, títulos de dívidas e outras formas de crédito se transformam em
mercadorias, sendo comercializadas como tais).
Avanços na biotecnologia, robótica, genética, telecomunicações, eletrônica, transporte, entre outras áreas,
promoveram transformações não somente na produção, como também nas relações sociais, no modo de vida
e no espaço geográfico. Iniciou-se um movimento importante, a globalização, que derrubou as barreiras
geográficas ao redor do mundo.
Como vimos, os recursos naturais são esgotados quando são usados mais rápido do que podem reabastecer-
se. Foi a partir da Revolução Industrial que essa lógica de exploração intensa dos recursos naturais começou a
ser posta em prática.
À medida que as culturas avançavam e nossa espécie inventava ferramentas e objetos que
teoricamente facilitariam nossas vidas, nossa demanda por matérias-primas foi aumentando
expressivamente e passamos a utilizá-las de forma excessiva e sem cuidado.
O problema é que o planeta simplesmente não consegue acompanhar tais demandas cada vez maiores.
No último século, os recursos naturais – renováveis e não renováveis – foram explorados em uma velocidade e
intensidade nunca registradas e, consequentemente, os ecossistemas naturais vêm sendo alterados ou
destruídos para satisfazer a necessidade da espécie humana, entre milhões de outras espécies que habitam o
mundo.
Após a Revolução Industrial houve um aumento do uso da água e das áreas para agricultura e pecuária,
enquanto as áreas de floresta nativa diminuíram consideravelmente para dar lugar a essas atividades. A maior
parte das áreas usadas para agricultura e pecuária é fruto do desmatamento de florestas nativas, atividade
ilegal e criminosa.
Hoje, a humanidade se depara com um cenário de crescente escassez e dificuldade para obtenção de
diversos dos recursos naturais. Tal cenário não é equânime, pois diferentes regiões do mundo são atingidas
de diferentes formas, umas de modo mais intenso que outras.
• Extrair
• Produzir
• Consumir
• Descartar
Em outras palavras, a economia linear é uma forma de organização que se baseia na extração crescente dos
recursos naturais, em que os produtos feitos a partir desses recursos são utilizados até serem descartados
como resíduos. Nessa forma de economia, a maximização do valor dos produtos se dá pela maior quantidade
de extração, produção e descarte.
A economia linear é considerada uma forma de organização econômica insustentável, que, em longo prazo,
faz com que os limites planetários sejam todos ultrapassados. Vamos entender melhor os limites planetários
adiante. Em uma economia linear, a incerteza sobre a oferta de recursos para a manutenção do sistema é
crescente, considerando a existência de limites planetários e o aumento da população mundial. A economia
linear é resultado da Revolução Industrial e, desde então, se tornou a lógica vigente na sociedade.
É por causa desse modelo de economia linear que a humanidade vive uma trajetória de desenvolvimento
insustentável com recursos naturais beirando à escassez ou já escassos, níveis altíssimos de poluição e
vulnerabilidade das espécies, incluindo a humana.
Ainda, pode-se mencionar o desmatamento e destruição de ecossistemas naturais que levam, dia após dia, à
perda crescente de biodiversidade; a atividade de mineração de minerais e petróleo, que promove expressiva
destruição e poluição. Os processos erosivos, que acontecem de forma crescente no mundo, assim como a
poluição que causa a contaminação de recursos associada a diferentes atividades humanas.
Tais fatores não são exaustivos no que tange ao esgotamento dos recursos naturais, mas são exemplos
importantes do que gera essa consequência.
Como mencionado, consumimos mais do que a capacidade do planeta de se regenerar, alteramos o equilíbrio
da Terra, como nunca registrado na história. Com o aumento crescente da população mundial dentro de uma
lógica voltada para o consumo, o resultado tem sido uma depleção sem precedentes dos recursos naturais.
No início da Revolução Industrial éramos cerca de 750 milhões de habitantes. Hoje, somos 7,8 bilhões de seres
humanos habitando a Terra. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a população mundial deve
chegar a 8,6 bilhões de habitantes até 2030. Os números demonstram que a desigualdade social e o consumo
excessivo feito por uma parcela da população (de maior poder aquisitivo) são os principais agravantes do
cenário de destruição dos recursos e dos impactos ambientais.
O mito da inesgotabilidade de recursos naturais presente nas principais teorias econômicas, nas
quais o mito tecnológico desempenha um papel fundamental, há muito se mostra falacioso.
As teorias econômicas não consideram em suas análises o capital natural como um recurso finito e continuam
propondo o crescimento ilimitado como solução de todos os males. No entanto, ao invés de solucionar todos
os males, o modelo econômico baseado em busca por crescimento constante tem é promovido diversos
males para a sociedade.
Comentário
É fundamental uma profunda revisão dos modelos econômicos vigentes e uma transformação radical
dos valores que movem a humanidade. A sociedade atual impõe ao ser humano uma sensação de vazio
e necessidade de mais bens de consumo. Com isso, gera-se ao mesmo tempo uma sensação de
angústia individual generalizada por não se possuir bens que são, na verdade, totalmente dispensáveis e
que geram problemas socioambientais globais graves.
A sobrevivência da espécie humana e de outras milhares de espécies que compõem a biodiversidade da Terra
exigirá, de forma urgente, uma grande revisão do atual modelo capitalista de desenvolvimento, que passa pela
busca por mitigar suas consequências, que podem ser resumidas conforme a seguir:
• Desigualdade social;
• Pobreza;
• Fome;
• Escassez de recursos naturais;
• Poluição;
• Perda de espécies da fauna e da flora;
• Crescente geração de resíduos;
• Mudanças climáticas.
O crescimento econômico vivido no mundo tem sido sempre alimentado por uma demanda
implacável por recursos naturais.
Nosso modelo de consumo promove impactos devastadores em nosso planeta. A ONU (2019) afirma que 90%
da perda de biodiversidade e estresse hídrico são causados pela extração e processamento de recursos
naturais. Essas mesmas atividades contribuem para cerca de metade das emissões globais de gases com
efeito de estufa. Além disso, os benefícios desse tipo de uso de recursos permanecem limitados a apenas
parte da população mundial.
As desigualdades na pegada material de países, ou seja, na quantidade de recursos naturais, que devem ser
mobilizados globalmente para atender ao consumo de um indivíduo, são gritantes. Um morador dos EUA
possui uma pegada material muito superior à de um morador brasileiro ou indiano, por exemplo. Países de alta
renda mantêm níveis de consumo de pegada de material per capita que são 60% mais altos do que os países
de renda média alta e mais de treze vezes o nível dos países de baixa renda.
Comentário
O crescimento econômico obtido às custas dos recursos naturais da Terra simplesmente não é
sustentável e o grande desafio ambiental atual é atender às necessidades de todas as pessoas dentro
dos meios de nosso planeta. A concretização disso exige que governos, empresas e sociedade civil
repensem e reformulem suas ideias sobre o que entendemos por progresso e inovem para mudar as
escolhas, estilos de vida e comportamentos.
Somente por meio de uma combinação de políticas de eficiência de recursos, mitigação climática, remoção de
carbono e proteção da biodiversidade poderá ser viável promover bem-estar e permanecer dentro dos limites
planetários – como veremos no próximo módulo.
A economia linear
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
O uso de recursos naturais foi intensificado após a Revolução Industrial, que promoveu mudanças
significativas na sociedade. Dentre as consequências da Revolução Industrial, podemos afirmar que
houve posteriormente uso mais eficiente da água e das áreas para agricultura e pecuária, enquanto as áreas
de floresta nativa passaram a ser cada vez mais protegidas.
os recursos naturais, renováveis e não renováveis, passaram a ser explorados em uma velocidade e
intensidade menores e de forma mais racional.
os ecossistemas naturais passaram a ser alterados ou destruídos de forma crescente, visando à produção e
ao consumo desenfreados.
a desigualdade social diminuiu e a sociedade se tornou mais igualitária, apesar da produção e consumo
acelerados.
o meio ambiente se tornou um tema estratégico na agenda mundial e a biodiversidade se tornou o ativo mais
importante da sociedade.
A alternativa C está correta.
Uma das consequências da Revolução Industrial foi a implementação da sociedade de produção e consumo
intensivos, baseados na intensa exploração de recursos naturais animais e vegetais, promovendo, assim,
alterações e destruição dos ecossistemas naturais terrestres e aquáticos.
Questão 2
A economia linear é a lógica que rege a sociedade atual e ela se baseia em um modelo no qual
os recursos naturais são vistos como itens valiosos e escassos e que precisam ser utilizados com o máximo
de eficiência.
a extração, a produção, o consumo e o descarte são a sequência seguida, que provoca crescente impacto
socioambiental.
os resíduos são vistos como recursos, em que o conceito de lixo tende a não existir mais.
a busca por maior eficiência na utilização dos recursos e minimização na geração de resíduos é legitimada e
norteia a decisão de empresas e governos.
todos os seres vivos são considerados relevantes para a manutenção da biodiversidade, assim como todos os
recursos naturais são vistos como fundamentais para equilibrar a convivência entre as espécies.
Atenção
O excesso de carbono na atmosfera é apenas uma das formas de poluição do ar causada pela queima de
combustíveis fósseis, mas há inúmeros componentes nocivos que são liberados a cada segundo na
atmosfera por causa das atividades humanas. A OMS estimou que uma em cada nove mortes em 2012
estava relacionada a doenças causadas por agentes cancerígenos e outras substâncias poluentes
presentes no ar.
Frente à questão climática, que se tornou a grande preocupação ambiental mundial, dos governos e de
instituições privadas, faz-se necessário substituir os combustíveis fósseis por energia renovável, assim como
reflorestar e reduzir as emissões da agricultura, melhorar os processos industriais e diminuir o atual padrão
insustentável de consumo excessivo.
No que se refere ao desmatamento, esse é um problema crítico. Florestas nativas ricas em recursos naturais e
biodiversas vêm sendo destruídas para dar espaço à pecuária e às monoculturas agrícolas, além de outras
atividades antrópicas. No Brasil, o uso e modificação do solo é a maior fonte de emissões de gases de efeito
estufa, por exemplo, e o desmatamento só cresce a cada ano.
Comentário
Milhares de hectares de floresta nativa são destruídos todo ano, principalmente nos trópicos, ou seja, na
região tropical, onde se concentram as florestas mais biodiversas, como a Amazônia e a Mata Atlântica,
por exemplo. As florestas não atuam apenas como espaços ricos em biodiversidade, mas também como
reservatórios que mantêm o carbono fora da atmosfera e dos oceanos e peças-chave na regulação do
clima, formação das chuvas e controle da temperatura.
Nesse sentido, preservar, conservar e recuperar as florestas nativas do planeta é fundamental, assim como é
fundamental cuidar da saúde dos oceanos e de todo ecossistema natural do planeta.
Governos, empresas e cidadãos devem assumir esse compromisso como algo de grande
importância para a manutenção da vida no planeta, incluindo a nossa.
A extinção das espécies que habitam o planeta é um problema crítico. De acordo com a organização não
governamental internacional WWF (World Wide Fund for Nature), há estimativas de que a perda acelerada de
espécies que presenciamos hoje está entre 1.000 e 10.000 vezes acima da taxa de extinção natural (não
antrópica) e que entre 0,01 e 0,1% de todas as espécies são extintas por ano. Esses números ilustram o grau
de perda da biodiversidade que estamos enfrentando.
Se considerarmos a menor estimativa do número de espécies como verdadeira, significa que todo ano
ocorrem entre 200 e 2.000 casos de extinções. Se a maior estimativa estiver correta, então entre 10.000 e
100.000 espécies entram extinção a cada ano. De fato, o que ocorre é que a Lista Vermelha da União
Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) de espécies ameaçadas de extinção cresce a cada dia.
Ainda, muitas das espécies ainda não têm seu risco de ameaça de extinção avaliado e outras muitas espécies
ainda são desconhecidas pela ciência, fato que torna ainda mais difícil estimar o impacto negativo das
mudanças ambientais na vida da Terra.
Nesse sentido, é importante destacar que as diferentes espécies de seres vivos não apenas têm o direito de
existir, como também são fundamentais por fornecerem produtos e serviços naturais essenciais para a nossa
sobrevivência, a sobrevivência humana.
Um exemplo prático são as abelhas e seu trabalho de polinização das plantas, tão importante para o cultivo de
alimentos, produção de frutos e sementes.
É fundamental que sejam realizadas ações voltadas para a proteção da biodiversidade, tais como
preservar e recuperar habitats naturais, combater a caça e a pesca ilegais, assim como o comércio
ilegal de animais selvagens.
Em relação à degradação do solo, há no mundo hoje uma exploração excessiva das pastagens, a erosão
crescente, as monoculturas, a compactação do solo, a exposição excessiva a poluentes, entre outros fatores
que representam diferentes formas de degradação.
De acordo com a ONU, cerca de 12 milhões de hectares de terras agrícolas são degradados anualmente. No
entanto, é possível promover uma recuperação dos solos degradados. Existe uma diversidade de técnicas de
conservação e restauração dos solos e é fundamental que sejam colocadas em prática para a manutenção
desse recurso importante em boas condições.
Ciberespaço
Espaço de comunicação por redes de computação ou espaço criado pela interconexão mundial de
computadores.
• Clima extremo
• Falha na ação climática
• Perda de biodiversidade
• Desastres naturais
É importante ressaltar que o relatório é realizado por instituições mainstream (ou instituições convencionais),
por agentes relevantes do contexto socioeconômico atual. São riscos reais que a humanidade já enfrenta e
que serão cada vez mais desafiadores e enfrentados por todos nós.
No Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial publicado em 2022, foram apresentados os
principais riscos decorrentes das atuais tensões econômicas, sociais, ambientais e tecnológicas da sociedade.
Os principais riscos definidos no relatório deste ano são a crise climática, divisões sociais crescentes,
aumento dos riscos cibernéticos e uma recuperação global desigual em relação à pandemia da covid-19.
O documento reforça que, para resolver tais questões sistêmicas, os líderes globais devem se unir e adotar
uma resposta coordenada dos vários setores da sociedade. De acordo com ele, os principais riscos de curto e
longo prazo são, respectivamente: clima extremo e falha na ação climática (ou seja, falha no combate às
mudanças climáticas).
1. Perda da biodiversidade;
2. Mudanças climáticas;
3. Ciclos biogeoquímicos (ciclo do nitrogênio e ciclo do fósforo);
4. Abusos no uso da terra;
5. Acidificação dos oceanos;
6. Mudanças no uso da água;
7. Degradação da camada de ozônio;
8. Carregamento de aerossóis para a atmosfera;
9. Poluição química.
Atualmente, quatro das nove fronteiras planetárias foram cruzadas como resultado da atividade humana:
1. Mudança climática
2. Integridade da biosfera (perda de biodiversidade)
3. Mudanças no uso da terra
4. Ciclos biogeoquímicos alterados (do fósforo e do nitrogênio)
Dois deles, mudança climática e integridade da biosfera, são os que os cientistas chamam de "limites
centrais". A alteração significativa de qualquer um desses "limites centrais" levaria "o sistema Terra a um novo
estado" que nem os cientistas conseguem ainda prever.
As fronteiras planetárias e as interações complexas entre elas podem ser difíceis de se compreender em um
primeiro momento, mas precisam ser tomadas como prioridade na agenda de toda a sociedade para que
possamos pensar em um futuro viável para a espécie humana no planeta.
Diante desse panorama, para trazermos otimismo em relação a trajetórias diferentes, mais sustentáveis e
possíveis de serem colocadas em prática, apresentaremos três linhas teóricas alternativas ao modelo de
desenvolvimento socioeconômico vigente: a teoria do decrescimento, a economia circular e a economia
Donut.
A busca pelo decrescimento
A teoria do decrescimento tem duas fontes. A primeira fonte é a antropológica e se refere a uma crítica antiga
com relação à economia tradicional, à modernidade e à base original do homo economicus. Essa linha defende
que viveríamos melhor de outra maneira para sair desse sistema de produção e consumo excessivos que nos
leva à catástrofe. A segunda fonte se refere ao relatório do Clube de Roma, que defende o decrescimento por
razões físicas, associadas aos limites da Terra por causa da finitude de seus recursos naturais. Nessa
perspectiva, não há espaço para crescimento contínuo e desenfreado, pois os recursos naturais se esgotarão
em algum momento.
A teoria do decrescimento tem como meta uma sociedade em que se viverá melhor trabalhando e consumindo
menos e defende que a sociedade de crescimento não é apenas não desejável, mas também não sustentável.
Além disso, argumenta que o crescimento econômico excessivo se confronta com os limites da finitude da
biosfera. A capacidade de regeneração da Terra já não consegue acompanhar a demanda humana, ou seja, a
humanidade transforma os recursos naturais em resíduos mais rápido do que a natureza consegue
transformar em novos recursos.
Diante desse contexto, os adeptos do decrescimento defendem uma revolução para a construção de uma
sociedade autônoma de decrescimento baseada em oito mudanças interdependentes, que se reforçam
mutuamente e são sintetizadas em oito “erres”: reavaliar, reconceituar, reestruturar, redistribuir, relocalizar,
reduzir, reutilizar, reciclar. A aplicação desses oito objetivos seria capaz de promover um processo de
decrescimento sereno e sustentável.
Comentário
De acordo com o filósofo francês Serge Latouche, um dos defensores e desenvolvedores da teoria do
decrescimento, ela possui como fundamento o abandono do objetivo do crescimento pelo crescimento e
o abandono da ilusão de que a felicidade está baseada na possibilidade de consumo. Além disso, o PIB,
indicador de progresso que se tornou a maior referência no mundo para medir o desenvolvimento de
uma nação, precisa ser abandonado ou completamente reestruturado.
Vejamos alguns exemplos de alternativas que já demonstram a importância de se introduzir outras variáveis
para medir o progresso de um país:
• Herman Daly estabeleceu um índice sintético, o Genuine Progress Indicator (Indicador de Progresso
Autêntico – IPA), que corrige o PIB por perdas causadas pela poluição e pela degradação do meio
ambiente. A partir da década de 1970, tal índice estagnou, e regrediu, para os Estados Unidos,
enquanto o PIB não parava de aumentar.
• A ONU (Organização das Nações Unidas) criou o indicador FIB (Felicidade Interna Bruta), como forma
de complementar medidas de desenvolvimento de uma nação. Os elementos básicos para calcular o
FIB consideram variáveis muito além do contexto econômico, tais como aquelas relacionadas à saúde
física, saúde mental, satisfação no trabalho, felicidade social, bem-estar político, bem-estar econômico
e bem-estar ambiental.
• O presidente francês Nicolas Sarkozy, em 2008, criou uma comissão denominada “Comissão para a
Mensuração do Desempenho Econômico e do Progresso Social” ou Comissão Stiglitz-Sem, cujo
objetivo era sinalizar os limites do PIB como indicador de desempenho econômico e problemas
associados à sua mensuração. A comissão foi criada devido à insatisfação com as informações
estatísticas disponíveis sobre a economia e a sociedade. A comissão buscou construir indicadores que
efetivamente mensurassem o progresso social, legitimando as dificuldades do sistema dominante na
sociedade.
Uma parte de extrema importância na lógica circular se refere ao design intencional de produtos e processos
que contemplem a circularidade, para que ocorra o aproveitamento inteligente dos recursos.
Em um sistema circular, a ideia é eliminar o conceito de “lixo”, já que os resíduos também passam a
ser considerados recursos e se tornam nutrientes em novos processos.
Os produtos ou materiais podem ser reparados, reutilizados, atualizados ou reinseridos em novos ciclos com a
mesma qualidade ou qualidade superior, suprimindo o conceito tão normalizado em nossa sociedade de “jogar
fora” ou descartar. Até porque, se pararmos para pensar, não existe fora, pois o que descartamos, continua no
nosso planeta. Nesse tipo de economia, a ideia é que não haja “fim da vida do produto” ou de seus
componentes. O conceito de final de vida útil é deixado de lado e substituído pelo conceito de restauração.
Ao contrário da economia linear que parte do princípio do “compre e consuma”, a economia circular está
baseada no compartilhamento, em que os produtos duráveis são alugados ou compartilhados sempre que
possível pela população. Na economia circular existem incentivos para garantir o retorno do produto ao
sistema e sua reutilização – ou de seus componentes e materiais – ao final de seu período de uso primário.
Isso representa o contrário do que vivemos hoje na sociedade do consumo desenfreado. Vivemos hoje a
obsolescência programada dos produtos, que define um tempo de vida útil para esses produtos, para que o
consumo excessivo continue ocorrendo.
Para exemplificar que a economia circular é possível de ser colocada em prática, apresentaremos, a seguir,
alguns casos de sucesso seguindo as premissas da circularidade:
1
Empresa Adidas
A Adidas lançou o tênis [Link] 100% reciclável e de alta performance. Ao final do uso, a
empresa recolhe o calçado para reciclagem, e transforma os materiais em insumos para novos
calçados. Tais insumos podem ser reutilizados inúmeras vezes, sem perda de qualidade. O tênis é
feito com um único polímero, o TPU (polímero termoplástico) e nenhum tipo de cola é utilizado. O
material é tricotado, moldado e fundido com a sola, permitindo sua futura reciclagem e reuso
infinitos. Esse exemplo demonstra o potencial do design circular em desenhar produtos pensados
para retornarem aos seus ciclos.
2Empresa Algramo
Uma empresa chilena que tem ganhado cada vez mais espaço em outros países por permitir a
compra de produtos a granel, na qual o consumidor usa potes reutilizáveis. Seu sistema de
embalagens reutilizáveis para alimentos e produtos de higiene e limpeza funciona a partir da
colocação de uma máquina de venda a granel em diferentes pontos de venda espalhados pelas
cidades. Com isso, a empresa possibilita o reuso contínuo dos recipientes, ao mesmo tempo que gera
um impacto social positivo pela distribuição mais justa de produtos básicos para a população de
baixa renda. Seu modelo de negócio tem gerado crescente interesse por parte de empresas
multinacionais, tais como Unilever e Walmart, que já estabeleceram parcerias para a venda de seus
produtos a granel e distribuição em seus pontos de venda.
3
Empresa C&A
A C&A lançou uma coleção que oferta diferentes opções de jeans feminino e masculino produzidos
com 100% de algodão mais sustentável, certificado pelo selo obtido com o processo Better Cotton
Initiative (BCI) para os tecidos e com certificação de algodão orgânico na origem para as linhas de
costura. A fabricação usa elastano adaptado ao ciclo biológico e produtos químicos seguros, livres
de metais pesados ou outras substâncias tóxicas em peças como botões, por exemplo.
A economia Donut
Um modelo econômico simples, ambicioso, revolucionário e original foi proposto pela economista Kate
Raworth, da Universidade de Oxford, a economia Donut. A economista defende a ideia de que devemos incluir
os limites planetários na concepção de um novo modelo de desenvolvimento socioeconômico. Sua obra é uma
tentativa interessante de expandir os horizontes do pensamento econômico, que ainda é bastante
ultrapassado ao não incorporar a questão ambiental como central em seus modelos, premissas e propostas.
A economia Donut defende uma mudança de paradigma afirmando que o modelo econômico vigente não
contempla os grandes desafios contemporâneos. Ressalta a necessidade de transformarmos o capitalismo,
que sustenta a sociedade de consumo excessivo, em um sistema sustentável do ponto de vista social e
ambiental.
No modelo Donut, a economia é associada ao formato de uma rosquinha, na qual o círculo interno representa
a base social (serviços e produtos como alimentos, saúde e habitação), enquanto o círculo externo está
associado às fronteiras planetárias. No espaço entre um e outro, vemos um ambiente seguro e justo para a
humanidade viver. Devemos compreender e aceitar que temos que estar dentro desse espaço: com limites
para produzir e consumir.
A sociedade é considerada próspera quando todas as bases sociais são atendidas sem ultrapassarmos
nenhum dos limites planetários, tais como mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, poluição química,
poluição por nitrogênio e fósforo, excesso de uso de água doce, degradação do solo, perda de biodiversidade,
poluição do ar, destruição da camada de ozônio, entre outros. O grande desafio da humanidade para o século
atual é atender e incluir todos dentro das possibilidades do planeta, ou seja:
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A economia circular
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A economia circular é um contraponto à economia linear – a lógica vigente em nossa sociedade. Sobre a
economia circular, podemos afirmar que esta defende
o uso de produtos ou materiais que podem ser reparados, reutilizados, atualizados ou reinseridos em novos
ciclos, suprimindo o conceito de descarte.
os recursos naturais como ilimitados, podendo ser utilizados de forma contínua, crescente e exacerbada.
o bem-estar da humanidade, que está diretamente associado ao maior consumo de produtos supérfluos no
seu dia a dia.
Questão 2
Em 2009, cientistas propuseram limites quantitativos planetários dentro dos quais a humanidade pode
continuar a se desenvolver e prosperar pelas próximas gerações. Assinale a alternativa que apresenta as
fronteiras planetárias que já foram cruzadas atualmente.
A
Considerações finais
A sociedade vive uma crise ambiental sem precedentes. De problemas locais a questões globais de alta
complexidade, nossa realidade atesta as consequências de um modelo de desenvolvimento econômico
insustentável e nocivo em termos sociais e ambientais.
A busca por crescimento contínuo e progressivo baseado na produção e consumo desenfreados consolidou
uma utilização insustentável dos recursos naturais com consequente impacto em diferentes contextos (social
e ambiental) e diferentes intensidades. A desigualdade se tornou padrão nas sociedades atuais, tornando
ainda mais graves os impactos ambientais, que estão relacionados às condições socioeconômicas.
Contudo, apesar da grave situação ambiental que vivemos, sob uma perspectiva otimista há soluções sendo
desenvolvidas e colocadas em prática. Na maioria das vezes, não são os recursos financeiros que faltam, mas
recursos humanos comprometidos com as mudanças necessárias para a resolução dos desafios ambientais.
Este conteúdo objetivou apresentar um panorama atual da crise ambiental, suas causas, os principais desafios
e possibilidades de mudança de trajetória que visam a uma vida mais sustentável para a humanidade. Espera-
se que você, futuro profissional, tenha desenvolvido ainda mais sua capacidade crítica e motivação para atuar
em prol das questões ambientais e escolhas mais sustentáveis.
Podcast
Neste podcast, a especialista demonstrará como o lixo – também chamado de resíduo – é um recurso
valioso em nossa sociedade e como estamos desperdiçando essa riqueza.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Segue uma lista de filmes que podem lhe despertar para as questões ambientais com as quais a humanidade
se depara!
Referências
BAPTISTA, V. F. A relação entre o consumo e a escassez dos recursos naturais: uma abordagem histórica.
Saúde & Ambiente em Revista, Duque de Caxias, v. 5, n. 1, p. 8-14, 2010.
IDEIA CIRCULAR. 28 estudos de caso: design e inovação para a economia circular no Brasil e no mundo –
2021. Consultado na Internet em: 11 jul. 2022.
LATOUCHE, S. Pequeno tratado do decrescimento sereno. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
ONU. Global Resources Outlook: natural resources for the future we want. 2019.
SANTOS, E. de J. Capitalismo e a questão ambiental: reflexões teóricas sobre a Economia do Meio Ambiente.
VIII Jornada Internacional de Políticas Públicas, São Luís – MA, 2017.
TEIXEIRA JR., S. Na Vale, rejeitos viram areia para construção civil. Capital Reset. Publicado em: 18 maio 2022.
Consultado na Internet em: 11 jul. 2022.
WWF. Quantas espécies estamos perdendo. 2022. Consultado na Internet em: 11. jul. 2022.