Marcos Legais Sobre Proteção Ambiental
Marcos Legais Sobre Proteção Ambiental
Estudo dos principais marcos legais que disciplinam a conduta humana tendo em vista a proteção de um
bem comum: o meio ambiente.
Prof.ª Vanessa Riccioppo de Moraes
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer os principais marcos legais ambientais para a devida proteção ambiental que disciplinam a
prevenção, a conservação, a mitigação e a compensação de impactos ambientais visando ao desenvolvimento
sustentável e à qualidade de vida da sociedade como um todo.
Objetivos
• Reconhecer o histórico da legislação ambiental no Brasil.
• Identificar o Código Florestal e os marcos legais relacionados.
• Analisar a relevância e principais aspectos do licenciamento ambiental.
• Identificar a avaliação de impactos ambientais e seus principais documentos.
Introdução
Os marcos legais compreendem as leis e tudo o mais que lhes dá base e que se relaciona a elas. Neste
conteúdo estudaremos os principais marcos legais que disciplinam a conduta humana tendo em vista a
proteção do meio ambiente. Conhecer os marcos legais sobre proteção ambiental é fundamental para os
profissionais que atuarão nas áreas da gestão ambiental, da engenharia ambiental e das ciências biológicas,
assim como para todo cidadão brasileiro, uma vez que impactam a vida cotidiana de toda a população.
Inicialmente, abordaremos o Direito Ambiental como um direito difuso e entenderemos o histórico da criação e
implementação da legislação ambiental. Em seguida, falaremos sobre o Código Florestal (CF) e as leis criadas
para a proteção das florestas. Além disso, vamos conhecer os principais aspectos do licenciamento ambiental
e, por fim, entender como é feita a avaliação ambiental e os principais instrumentos utilizados para o estudo
de impacto ambiental (EIA).
1. Legislação ambiental brasileira
O Direito Ambiental
O Direito Ambiental nada mais é do que um direito difuso, transindividual e de natureza indivisível, cujos
titulares são pessoas indeterminadas (os titulares afetados não são determinados) e ligadas por
circunstâncias de fato. Esse direito ainda é difuso entre o público e o privado, já que o meio ambiente é um
bem coletivo, isto é, de todos.
Saiba mais
Transindividual: transcende ao indivíduo, ultrapassando o limite da esfera de direitos e obrigações de
cunho individual. Natureza indivisível: o bem ambiental a todos pertence, mas ninguém em específico o
possui.
O direito do ambiente (autônomo) é o mais complexo ramo do Direito. Ele gera grandes desafios aos
profissionais que trabalham com o meio ambiente, pois possui:
• Princípios próprios;
• Intensidade de atos normativos vigentes (lei, decreto, decreto-lei, portaria, resolução, diretriz,
deliberação etc.);
• Contradições existentes entre os atos normativos em vigor;
• Certa carência de jurisprudência.
O Direito Ambiental nasce da necessidade de se disciplinar a conduta humana em relação aos bens
ambientais tendo em vista um bem comum: o meio ambiente. Esse direito teve origem em crises e desastres
ambientais ocorridos.
Frente às leis, existem os princípios, os quais, de acordo com Mello (1991), “são mandamentos nucleares,
disposições fundamentais que influenciam e repercutem sobre todas as demais normas do sistema”. Eles
exercem uma influência especialmente importante em relação às outras fontes do direito (como a lei, a
jurisprudência, o costume, a doutrina e os tratados internacionais) e são hierarquicamente superiores a
qualquer norma.
Ordenamento jurídico.
Violar um princípio, portanto, é mais grave do que transgredir uma norma. Trata-se da mais grave ilegalidade
(FARIAS, 2006).
Mas por que é importante iniciar este conteúdo abordando os princípios do Direito Ambiental? Porque um dos
princípios, o da legalidade, é a necessidade de suporte legal para obrigar-se a algo (Obrigatoriedade de
obediência às leis (art. 5, II, da CF)).
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Vários outros princípios são base e norteiam os principais marcos legais para a proteção ambiental,
disciplinando a prevenção, a conservação, a mitigação e a compensação de impactos ambientais visando ao
desenvolvimento sustentável e à qualidade de vida da sociedade como um todo. Vamos conhecê-los?
Do Brasil Colônia à década de 1980
Para discorrer sobre a legislação ambiental brasileira, uma das mais robustas do mundo, vale começar por um
histórico desde o Brasil Colônia até 1822, que juntamente com o período do Império e parte da república (até
1980), trazem registros iniciais importantes no que se refere ao meio ambiente.
Brasil Colônia
O Brasil Colônia é o período que compreende os anos 1530 a 1822, sendo estes os destaques relacionados ao
meio ambiente:
Brasil Imperial
Já durante o Brasil Imperial (1822 a 1889), houve estes destaques:
A madeira era um importante bem de valor econômico. Por isso, a primeira legislação que ordenava a
exploração dela também estimulava seu uso. Isso levou à extinção da primeira espécie no Brasil: o pau-brasil!
Comentário
O que se pode destacar desses marcos regulatórios do Brasil Colônia e Império é que o tratamento dado
aos elementos da natureza era de caráter mercantilista, isto é, a natureza era vista apenas como
mercadoria, e não como um elemento indispensável para a saúde e a qualidade de vida das pessoas.
Essas eram legislações de tutela do meio ambiente. Mas o que se queria mesmo era garantir o direito de
propriedade, o que, na literatura, é chamado de fase privatista/fragmentária.
Tutela
Proteção, encargo jurídico de velar por algo.
Dando seguimento a outros importantes exemplos de marcos legais para a proteção ambiental dessa fase,
podemos citar os seguintes decretos e apontar o que eles instituíram:
Na década de 1960, com a emergência do movimento ecológico, novos textos legislativos surgem informados
por normas mais diretamente dirigidas à prevenção e ao controle da degradação ambiental, como o Estatuto
da Terra (Lei nº 4.504/1964), o Código Florestal (Lei nº 4.771/1965) e a Lei de Proteção à Fauna (Lei nº
5.197/1967), entre outras, as quais compõem a fase fragmentária.
Atenção
Até a década de 1980, esse conjunto de leis não se preocupava em proteger o meio ambiente de forma
específica e global, cuidando dele somente de forma diluída (e até mesmo causal) na exata medida em
que isso pudesse atender à exploração feita pelo homem.
Tal fase pensa no meio ambiente como um sistema integrado, em que cada uma de suas partes é
interdependente das outras, e não fragmentada. Assim, pode-se dizer que, a partir daí, começa a existir a real
intenção de proteger o meio ambiente.
No ensejo da PNMA e da visão holística (que ainda é atual), podemos resumir da seguinte forma os objetivos
do arcabouço legal ambiental brasileiro:
Dando continuidade ao histórico da legislação ambiental no Brasil, apontaremos agora outros grandes marcos
ocorridos a partir da década de 1980 e após a promulgação da PNMA:
Lei nº 7.347/1985
Disciplina a ação civil pública como instrumento processual específico para a defesa do meio
ambiente.
CF de 1988
Lei nº 9.433/1997
Lei nº 9.605/1998
Dispõe sobre sanções penais e administrativas aplicáveis às condutas e às atividades lesivas ao meio
ambiente.
Lei nº 9.985/2000
Lei nº 10.257/2001
Lei nº 11.105/2005
Biossegurança.
Lei nº 11.445/2007
Saneamento básico.
Lei nº 12.305/2010
Resíduos sólidos.
Conforme falamos anteriormente, o arcabouço legal brasileiro é robusto e detalhado. Por conta disso, além
das legislações supracitadas mais gerais, que são responsáveis por instituir políticas, há ainda uma grande
variedade de leis, decretos e resoluções CONAMA (do Conselho Nacional do Meio Ambiente), além de outras
normativas ambientais legais e técnicas referentes a temáticas ambientais específicas. Conheça alguns
exemplos:
Lei nº 7.802/1989
Lei nº 8.723/1993
Lei nº 9.055/1995
Lei nº 9.966/2000
Dispõe sobre controle e fiscalização de poluição causada por óleo e outras substâncias em águas
nacionais.
Lei nº 10.308/2001
Após esse breve panorama da legislação ambiental brasileira, vamos retomar a importante PNMA, isto é, a Lei
nº 6.938/1981. Muito avançada para a época, essa lei continua muito atual.
A PNMA, afinal, supera a tutela fragmentária com a proteção integral do meio ambiente. Ela ainda determina
os princípios, os objetivos, as diretrizes e os instrumentos (meios) necessários à proteção do meio ambiente.
Destacaremos a seguir os principais pontos de três artigos da Lei nº 6.938/1981:
Art. 2º
Define seu objetivo geral como a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental
propícia à vida com o objetivo de assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico,
aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. Graças a isso, serão
atendidos alguns princípios. Veja alguns deles a seguir:
Art. 6º
Determina que as diretrizes serão formuladas em normas e planos destinados a orientar a ação dos
governos.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Os marcos regulatórios do Brasil Colônia e Império tinham um caráter mercantilista, isto é, a natureza era vista
apenas como mercadoria, e não como um elemento indispensável à saúde e à qualidade de vida das pessoas.
Nesse contexto, como o conjunto de leis até a década de 1980 se preocupava com o meio ambiente?
Não existiam leis ambientais específicas antes da década de 1980, sendo a primeira a Política Nacional de
Meio Ambiente de 1981.
Não se preocupava em proteger o meio ambiente de forma específica e global, cuidando dele de maneira
diluída e causal, além de garantir sua exploração pelo homem.
Preocupava-se mais com o meio ambiente do que com a qualidade de vida das pessoas.
Questão 2
A Política Nacional do Meio ambiente (PNMA), ou seja, a Lei nº 6.938/1981, era uma lei muito avançada para a
época e que continua muito atual e fundamental para a proteção do meio ambiente. Sobre a PNMA de 1981,
aponte a resposta correta.
Com a publicação da PNMA de 1981, o objetivo e a visão do Direito Ambiental e das suas normas mudam,
inaugurando-se a fase holística.
A fase holística é a que não considera o meio ambiente como um sistema integrado.
A PNMA constitui uma fase em que o meio ambiente era visto de forma fragmentada.
D
A partir da PNMA, houve a real intenção de proteger o meio ambiente como mercadoria, visando, por exemplo,
à exploração de madeira.
O maior objetivo da PNMA de 1981 era garantir o direito de propriedade, o que, na literatura, é conhecido
como fase privatista/fragmentária.
1934
1965
2012
O antigo CF – inclusive o primeiro, de 1934 – se concentrava mais em regras de conservação por meio de
espaços protegidos, como a criação do 1° parque nacional-ordenamento.
Já o novo Código Florestal é mais focado em medidas para a regularização ambiental voltadas para
as APPs e RLs. Ressalta-se que os objetivos das APPs e RLs não mudaram muito.
Merece destaque a nova disposição para as áreas rurais consolidadas. Observe que a área rural consolidada
se caracteriza por um imóvel rural com ocupação antrópica preexistente a 22 de julho de 2008 e edificações,
benfeitorias ou atividades agrossilvipastoris, sendo admitida ainda, no último caso, a adoção do regime de
pousio. Porém, em uma área rural consolidada, é obrigatória, por exemplo, a suspensão imediata das
atividades na reserva legal (RL) desmatada irregularmente após essa data.
Pousio
Prática de interrupção temporária de atividades ou usos agrícolas, pecuários ou silviculturais por, no
máximo, cinco anos para possibilitar a recuperação da capacidade de uso ou da estrutura física do solo.
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Apresentaremos a seguir as principais mudanças em cada um desses tópicos por artigo do CF. Lembrando
que conhecê-las não substitui a leitura na íntegra do novo CF; portanto, não se esqueça de explorar essa lei!
Art. 2º
São apresentadas algumas definições, tais como floresta, pequena propriedade etc.
Art. 3°, II
Área de preservação permanente – APP: área protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a
função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a
biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das
populações humanas.
(BRASIL, 2012)
Art. 4º
Alterou a descrição das APPs. Todas as categorias de APP do CF antigo continuam no novo CF de 2012, mas
houve algumas alterações conceituais. Além disso, os manguezais foram incluídos.
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Art. 6º
Definiu as APPs criadas pelo poder público.
Art. 7º
Instituiu o regime jurídico da APP.
Art. 8º
Apresenta hipóteses de supressão de APP (ler com as definições no art. 3º).
Antes de continuarmos pelo novo CF de 2012, precisamos fazer uma pausa. Como a supressão foi
mencionada, é importante destacar a Lei da Mata Atlântica (Lei n° 11.428/2006), que dispõe sobre a utilização
e a proteção da vegetação nativa do bioma Mata Atlântica, e dá outras providências.
Sua regra básica é que o corte, a supressão e a exploração da vegetação da Mata Atlântica serão
feitos de maneira diferenciada, conforme ela se trate de vegetação primária ou secundária, levando-
se em conta o estágio de regeneração no caso de vegetação secundária (art. 8º).
A Lei da Mata Atlântica também estabelece os casos nos quais a supressão, nesses estágios, é vedada. Ela
também determina que a supressão de vegetação primária ou secundária em estágio avançado, por exemplo,
somente pode ser autorizada em caso de:
• Utilidade pública.
• Declaração pelo poder público federal ou estadual, cabendo ao proponente demonstrar sua alta
relevância e seu interesse nacional, além da realização de EIA/RIMA, entre outros critérios definidos na
referida lei.
Dica
A temática florestal é muito complexa. Por isso, busque explorá-la mais, lendo a importante Lei da Mata
Atlântica n° 11.428/2006.
Outra lei importante nessa temática é a Lei nº 12.727/2012, que altera o CF de 2012 e dispõe sobre a
necessidade de prévia autorização do Poder Executivo Estadual ou Federal para a supressão, total ou parcial,
de florestas e/ou a intervenção em área de preservação permanente para a execução de obras, planos,
atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social.
Há muitas normas sobre o tema ambiental, inclusive resoluções CONAMA, como a de nº 369, de 2006. Essa
resolução aborda os casos excepcionais de utilidade pública e de interesse social de baixo impacto ambiental
que possibilitam a intervenção de supressão de vegetação em APP.
A RL é definida no CF como:
[...] área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, delimitada nos termos do art. 12, com
a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural,
auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da
biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa.
(BRASIL, 2012)
Agora vamos mudar o foco para as RLs e seus principais artigos do novo CF de 2012:
Art. 12
Todo imóvel rural deve manter uma área com cobertura de vegetação nativa, a título de RL, sem prejuízo da
aplicação das normas sobre as APPs, sendo observados os seguintes percentuais mínimos em relação à área
do imóvel (excetuados os casos previstos no art. 68 do CF):
80% de área de vegetação nativa deve ser 35% de área de vegetação nativa deve ser
mantida/protegida. mantida/protegida.
No restante do país, no geral, a RL é de 20%. Até 2011, a área de RL, também na Amazônia, era de 50%!
Art. 14
Localização da RL.
Art. 15
Cômputo de APP.
Art. 29
Implementação do CAR.
Art. 59
Será possível aderir ao PRA quando estiver fazendo o CAR ou, se preferir, deixar para depois. Para
aderir a ele, é preciso informar:
Mesmo com o novo CF instituído em 2012, o PRA e o CAR só foram regulamentados a nível federal em 5 de
maio de 2014 por meio do Decreto nº 8.235/2014. A partir disso, os estados podem criar – e estão criando –
as próprias legislações. Apesar de estarem sempre vinculadas ao CF federal, elas podem ser mais restritivas
que ele. Alguns estados seguem o CF federal, somente regulamentando dispositivos, como o CAR e PRA, sem
uma lei estadual própria.
Em geral, após a aprovação do requerimento de adesão ao PRA, o órgão ambiental estadual competente
convocará o proprietário para assinar um termo de compromisso (TC). O TC contém informações, como
tamanho e local a ser recuperado, além do método de recuperação, entre outros exemplos. Para mais detalhes
sobre os novos mecanismos da lei, como o CAR e PRA, explore mais o novo CF de 2012 e o site do órgão
ambiental competente de seu estado.
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Um tema muito importante do CF desde sempre foi a APP. Até hoje, há uma polêmica sobre a aplicação de
APPs nas áreas urbanas. O novo CF trata melhor dessa questão, deixando expresso que o regime se aplica
tanto para as áreas urbanas como para as rurais.
Na redação original do CF de 2012, existiam dois parágrafos que permitiam a adequação das APPs à realidade
local dos municípios (Art. 4º, §7º e §8º). Porém, com o veto da presidência, criou-se um problema de
aplicabilidade.
Sancionada em 29 de dezembro de 2021, a Lei nº 14.285/2021 altera, além do CF de 2012, outras duas
normas:
Lei nº 6.766/1979
Lei nº 11.952/2009
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Questão 1
O Brasil teve três códigos florestais (CFs): em 1934, foi instituído o primeiro por meio de Decreto
(23.793/1934); em 1965, o segundo, por meio da Lei nº 4.771; e, em 2012, o novo CF, pela Lei nº 12.651. Os
CFs visavam à preservação do meio ambiente, tendo ocorrido uma evolução considerável nos aspectos legais
de um para outro. Marque a opção correta em relação aos CFs brasileiros.
A
O CF de 1965 estava mais voltado para o direito de uso de propriedade e a exploração desenfreada dos
recursos florestais.
O CF de 1965 tinha uma preocupação maior com o meio ambiente e criou o cadastro ambiental rural (CAR),
que não foi mantido no CF de 2012.
O novo CF de 2012 trouxe uma série de oportunidades para o agricultor familiar ou dono de pequena
propriedade (ou de posse rural) a partir da inclusão do cadastro ambiental rural (CAR).
Em 1965, já havia algumas regras diferenciadas e baseadas no tamanho do imóvel em módulos fiscais para a
regularização ambiental.
Questão 2
O novo Código Florestal (CF) brasileiro foi instituído pela Lei nº 12.651/2012, a qual revoga o código de 1965,
cujo exercício do direito de propriedade está condicionado às limitações que a lei estabelece. Sobre o novo CF
de 2012, assinale a opção correta.
Todas as categorias de áreas de preservação permanente (APP) do CF de 1965 foram mantidas no novo CF,
inclusive os manguezais.
No novo Código Florestal, foram instituídas delimitações e regras de APP e das áreas de reserva legal (RLs).
D
A implementação do cadastro ambiental rural (CAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA) já tinha
sido iniciada no CF de 1965 e apenas foram regulamentados pelo novo novo CF de 2012.
O regime de APP não se aplica tanto para as áreas urbanas quanto para as rurais.
Art. 2º
“[...] tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida,
visando assegurar, no país, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da
segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:
[...]
[...]
[...]
(BRASIL, 1981)
Já o art. 4° da PNMA trata da promoção do desenvolvimento sustentável, sendo essa uma compatibilização
do desenvolvimento socioeconômico com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio
ecológico.
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e
essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
[...]
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem
especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei [...];
[...]
[...]
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.”
Licenciamento ambiental: procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia
a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de
recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer
forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as
normas técnicas aplicáveis ao caso.
(BRASIL, 1997)
O art. 6° da PNMA estabelece o Sistema Nacional de Meio ambiente (SISNAMA) de acordo com a imagem a
seguir:
Veja a seguir cada orgão que compõe o Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA) e suas atribuições:
Órgão superior
Órgão central
Tem a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, tais políticas e
diretrizes.
Órgão consultivo e deliberativo
Órgãos executores
O IBAMA e o ICMBio. Têm como função executar e fazer com que sejam executadas a política e as
diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente de acordo com as respectivas competências.
Órgãos seccionais
Órgãos locais
Trata-se dos órgãos ou entidades municipais cuja responsabilidade inclui o controle e a fiscalização
dessas atividades nas suas respectivas jurisdições.
Concorrente entre os órgãos supracitados, ela Inclui o licenciamento ambiental, sendo comum
vale, desde a União até os municípios, da entre os entes federativos.
menos para a mais restritiva das legislações
sobre mesma temática.
[...]
[...]
Parágrafo único. Lei complementar fixará normas para a cooperação entre a União e os estados, o
Distrito Federal e os municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em
âmbito nacional.”
O art. 9 da PNMA de 1981 elenca seus 13 instrumentos, sendo o quarto da lista o licenciamento e a revisão de
atividades efetiva ou potencialmente poluidoras, enquanto que no art. 10, ela destaca que a construção, a
instalação, a ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e atividades utilizadoras de recursos
ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação
ambiental, dependerão de prévio licenciamento ambiental. É uma obrigação do empreendedor buscar o
licenciamento no órgão competente desde as fases iniciais do projeto, sob a pena da lei de crimes ambientais
para quem descumprir essa obrigação.
Saiba mais
Pela PNMA de 1981, os estados eram os entes competentes de licenciamento, com o Ibama atuando
supletivamente. A Resolução CONAMA nº 237/1997 surgiu justamente como uma tentativa de definir
melhor a competência pelo licenciamento, colocando que ela dependeria do grau de impacto ambiental
causado pela atividade. No caso de impacto local, os estados podem delegar essa competência aos
municípios por instrumento legal ou convênio.
Entretanto, a definição de grau de impacto varia de estado para estado, assim como a metodologia e as
normas específicas. Por conta disso, o art. 7º da Lei Complementar nº 140/2011 foi redigido para suprir ainda
mais as necessidades de explicação relativas à competência administrativa do licenciamento ambiental.
Observe seu resumo neste quadro:
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Ainda assim, as dúvidas e os conflitos de competência não acabam por aí. Até hoje ocorrem muita discussão e
processos judiciais – até mesmo quanto a esse tópico.
Atenção
O licenciamento só pode ser solicitado em uma única esfera de ação, mas pode haver outros órgãos
envolvidos (Resolução CONAMA nº 237/1997), além da delegação de competência via acordos de
cooperação técnica (ACT).
Porém, antes disso, exploraremos mais o rol das atividades sujeitas ao licenciamento ambiental constantes no
anexo I da Resolução CONAMA nº 237/1997 (lista exemplificativa/rol não exaustivo). Também veremos mais
detalhes sobre as competências entre os entes federativos relacionadas ao licenciamento ambiental na Lei
Complementar nº 140/2011.
1
Licença prévia (LP)
Concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua
localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e
condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua implementação.
2Licença de instalação (LI)
Autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes
dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais
condicionantes, da qual constituem motivo determinante.
3
Licença de operação (LO)
Autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do
que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes
determinados para a operação.
Ainda de acordo com a Resolução CONAMA Nº 237/1997, há, em nível federal (norma geral), os prazos de
validade e a prorrogação das licenças ambientais. Isso está ilustrado no esquema a seguir:
Tipo de
Prazo mínimo Prazo máximo Prorrogação
licença
Estabelecido pelo
Licença
cronograma de elaboração 5 anos Poderão ter os prazos
Prévia (LP)
do empreendimento de validade prorrogados,
desde que não
Licença de Estabelecido pelo ultrapassem os prazos
Instalação cronograma de instalação 6 anos máximos estabelecidos
(LI) do empreendimento
4 anos 10 anos
Requerida com
Prazos de validade específicos para a LO para antecedência mínima de
empreendimentos sujeitos a encerramento ou 120 dias da expiração de
Licença de
modificação em prazos inferiores seu prazo de validade
Operação
Prazo de validade pode ser aumentado ou Prorrogação automática
(LO)
diminuído mediante decisão motivada do órgão até a manifestação
ambiental em razão de avaliação do desempenho definitiva do órgão
ambiental da atividade ou empreendimento no ambiental competente.
período de vigência anterior
Cabe destacar que outras licenças ambientais específicas podem ser exigidas em razão da natureza, das
características e das peculiaridades da atividade.
Exemplo
O licenciamento simplificado de empreendimentos elétricos com pequeno potencial de impacto
ambiental atém-se às regras da Resolução CONAMA nº 279/2001. Já os licenciamentos no segmento de
óleo e gás segue um rito totalmente específico e peculiar, com vários tipos de licenças e procedimentos
estabelecidos por outras normativas pertinentes. O licenciamento de postos revendedores, postos de
abastecimento, instalações de sistemas retalhistas e postos flutuantes de combustíveis, por sua vez,
seguem a Resolução CONAMA nº 273/2000.
O exposto acima vale como procedimento geral, porque, como já vimos, do ponto de vista legislativo, a
competência é concorrente. Além disso, os estados e os municípios também possuem suas normas de
licenciamento, podendo estabelecer novas validades ou dizer se as licenças são prorrogáveis ou apenas
renováveis, sem contar a infinidade de outros tipos de licenças ambientais que não a licença prévia (LP), a
licença de instalação (LI) e a licença de operação (LO), que compõem o rito trifásico.
Por isso, se a atividade potencialmente poluidora é de licenciamento estadual ou municipal, será preciso
observar, quando couber, as normas específicas da dominialidade.
Exemplo
No estado do Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do Ambiente criou o Sistema Estadual de Controle e
Licenciamento Ambiental (SELCA) para promover a “simplificação” do licenciamento. Em vigor desde
2021, o SELCA substituiu o antigo sistema de licenciamento ambiental (SLAM), tendo acabado com a
possibilidade de prorrogação de validade: agora só se permite a renovação das validades de licenças
(dentro do limite máximo estabelecido para cada tipo de licença, é claro). No estado do Rio de Janeiro
ainda há o procedimento trifásico conhecido pela Resolução CONAMA nº 237/1997, embora também
tenham sido criadas tipologias de licenças ambientais com procedimentos simplificados para as
atividades e os empreendimentos de baixo impacto em rito bifásico ou fase única.
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Cabe destacar que o Brasil é um dos poucos países do mundo a ainda utilizar um processo trifásico de
licenciamento. Em muitos países o processo já nasceu simplificado, o que não quer dizer que seja fácil, sem
critérios definidos e rápido. Mas, de toda forma, é menos moroso e burocrático, assim pode-se dizer.
A análise de cada licença pelo órgão competente pode durar seis meses. Se houver exigência de EIA/RIMA
(Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental), ela vai durar, em média, 12 meses, isso sem
mencionar a concepção e a construção por meio da empresa, as audiências públicas etc. Tais prazos ainda
podem aumentar de acordo com a necessidade de mais informação por órgão ambiental competente ou
órgãos intervenientes e partes interessadas, como o Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMbio), a Fundação Projeto TAMAR, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(IPHAN) etc.
Trata-se, em suma, de processos longos. Ainda há, entre outros, custos para obter licenças com os órgãos
ambientais e lidar com questões ambientais e sociais.
Etapas que geram custos ambienais Etapas que geram custos sociais
• Estudos • Comunicação
• Projetos • Convênios
• Modelagens • Relacionamento
O licenciamento ambiental é um mundo à parte, tendo muitos detalhes, requisitos e peculiaridades. Uma das
etapas do licenciamento prévio de atividades potencialmente poluidoras é a avaliação de impactos ambientais
(AIA).
Saiba mais
Não se esqueça de explorar mais todas as normas citadas neste módulo. Caso queira conhecer mais
ainda algum tipo específico de licenciamento, como as atividades de exploração e de produção offshore,
por exemplo, acesse o site do Ibama. O licenciamento offshore é regulamentado com a participação da
Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Já os empreendimentos de
exploração mineral exigem outras regulamentações e a participação da Agência Nacional de Mineração
(ANM) no processo.
Para finalizar, é importante alertar que, para se trabalhar com licenciamento ambiental, é preciso entender as
leis e normas específicas. Mas não se assuste: não é preciso ser advogado para isso! Ainda assim, é preciso
trabalhar com uma equipe multidisciplinar para ser possível cobrir a visão holística necessária ao
licenciamento ambiental e à AIA, que veremos no próximo módulo.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
O licenciamento ambiental não possui custo de obtenção e análise junto ao órgão ambiental competente, mas
apenas os custos de projeto e de estudos ambientais necessários.
Uma etapa importante da fase de licenciamento de instalação é a avaliação de impactos ambientais (AIA).
O processo de licenciamento com exigência de estudo de impacto ambiental (EIA) é simples: ele requer, em
média, seis meses de análise pelo órgão competente.
Uma etapa importante da fase de licenciamento prévio de atividades potencialmente poluidoras é a avaliação
de impactos ambientais (AIA).
No caso de já operar sem nenhuma licença, o licenciamento corretivo deve ocorrer com a obtenção de uma
licença de operação (LO); com isso, tudo estará regularizado. Porém, como já houve as fases anteriores
(prévia e instalação), não se pode exigir da empresa mais nenhum estudo ou documento.
A alternativa D está correta.
O licenciamento ambiental possui custo de obtenção e análise junto ao órgão ambiental competente. A AIA
é requisito do licenciamento prévio. O processo de licenciamento com exigência de EIA é mais longo,
exigindo, em média, 12 meses de análise pelo órgão competente, sem contar as audiências e as
manifestações de órgãos intervenientes etc. Mesmo que já se opere sem nenhuma licença, além do
licenciamento corretivo e da obtenção de LO para regularização, outros estudos ou documentos podem ser
exigidos da empresa a qualquer momento.
Questão 2
Tanto a Política Nacional do Meio ambiente (PNMA) de 1981 quanto a Constituição Federal de 1988 delimitam
certas questões relacionadas ao licenciamento, sendo inclusive um dos instrumentos da PNMA. Em seu art. 6°,
a PNMA estabelece o Sistema Nacional de Meio ambiente (SISNAMA). Sendo assim, em relação à
competência de licenciamento ambiental, indique a alternativa correta.
A Constituição Federal (arts. 23 e 24) delimita questões de competência, e a competência legislativa comum
vale, desde a União até os municípios, da menos para a mais restritiva das legislações sobre mesma temática.
A competência administrativa, o que inclui o licenciamento ambiental, é comum entre os entes federativos,
mas o licenciamento só pode ser solicitado em uma única esfera de ação, mesmo que existam outros órgãos
envolvidos, ou ainda pode haver delegação de competência via acordos de cooperação técnica (ACT).
Na PNMA e na Constituição Federal, já era muito bem definida a questão de competência, principalmente a
administrativa, sem a necessidade de lei complementar para maiores definições.
Esses estudos devem considerar as alternativas à ação ou ao projeto e pressupõem a participação do público.
Além disso, eles representam um instrumento a serviço da decisão (BRILHANTE; CALDAS, 1999, p. 48)
Saiba mais
O Decreto nº 88.351/1983 vincula o licenciamento de atividades poluidoras à AIA. Mas foi somente em
1986 que a Resolução CONAMA nº 1 estabeleceu as definições, as responsabilidades e as diretrizes da
AIA. Um ano depois, a Resolução CONAMA nº 9 regulamentou as audiências públicas, parte desse
processo.
Caso a elaboração de EIA seja necessária e exigida no processo de AIA, a realização de audiência pública se
tornará obrigatória quando o órgão ambiental achar necessário ou quando ela for requerida por Ministério
Público, entidade civil ou 50 ou mais cidadãos. Ainda há outras resoluções CONAMA que vinculam a AIA ao
licenciamento de empreendimentos específicos, como, por exemplo, os elétricos. É importante ressaltar que
muitos resumem a AIA ao EIA. Na verdade a AIA é um processo e o EIA, portanto, constitui um instrumento da
AIA.
Art. 1º
“[...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causadas
por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou
indiretamente, afetam:
III - a biota;
(BRASIL, 1986)
Sendo assim, como mencionamos, a AIA é um processo no qual podemos distinguir fases com base no art. 6º
da CONAMA nº 1/1986. Essas fases incluem:
Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto
• O meio físico (abiótico) – subsolo, água, ar e clima, destacando recursos minerais, topografia,
tipos e aptidões do solo, além de corpos d’água, regime hidrológico e correntes atmosféricas.
• O meio biológico e os ecossistemas naturais – flora e fauna, destacando espécies indicadoras
da qualidade ambiental de valor científico e econômico, raras e ameaçadas, além de APPs.
• O meio socioeconômico – uso e ocupação do solo, usos da água e socioeconomia, destacando
sítios e monumentos arqueológicos históricos e culturais, relações de dependência e recursos
ambientais.
A análise é feita por meio de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos
prováveis impactos, discriminando:
Essas fases configuram basicamente conteúdos dos estudos ambientais. O EIA se mostra mais completo e
detalhado, tendo como resumo o relatório de impacto ambiental (RIMA), que é escrito em linguagem mais
simples para as partes interessadas. No entanto, dependendo da tipologia de licenciamento ou do tipo de
empreendimento, outros tipos de estudos complementares ou que substituam o EIA/RIMA são exigidos.
Exemplo
Planos de controle ambiental (PCA), relatórios de controle ambiental (RCA) e relatórios ambientais
simplificados (RAS). Cada um deles é detalhado em normas específicas tanto federais (resoluções
CONAMA) quanto estaduais.
Art. 2º
“[...] dependerá de elaboração de EIA e respectivo RIMA a serem submetidos à aprovação do órgão
estadual competente, e da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), em caráter supletivo, o
licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como:
II - Ferrovias;
IV - Aeroportos, (...);
[...]
(BRASIL, 1986)
Ressaltamos que tal lista não é exaustiva. Dependendo do grau de impacto da atividade e do porte do
empreendimento, a exigência de EIA para outros tipos de empreendimentos é possível.
Aspectos positivos
• Relativa descentralização do processo: Preocupação com independência da equipe realizadora do EIA.
• Existência dos requisitos de análise de alternativas e da verificação de interferência com planos e
programas a nível local e audiência pública.
Aspectos criticáveis
• O caráter da AIA é mais preventivo que de auxílio a uma decisão.
• Os requisitos de análise de alternativas e de interferência com planos e programas a nível local
costumam não ser realmente atendidos, na prática.
• Pouca clareza quanto aos critérios para o enquadramento das ações como sujeitas a AIA.
• A independência da equipe realizadora do EIA, na prática, é relativa.
• Processo de audiência pública inicialmente muito “controlado” pelos órgãos de meio ambiente
(processo melhorado com a Resolução nº 9/1987). Participação do público no final do processo.
• Dificuldades metodológicas da AIA, como identificação e delimitação espaço-temporal, modelos e
estudos de predição utilizados, unidades de mensuração, pesos subjetivos dados na avaliação e
variedade de métodos quantitativos e qualitativos utilizados.
• Muitas vezes, não existe uma padronização: alguns órgãos emitem termos de referências gerais;
outros, específicos por tipo de atividade.
Lembre-se de que o EIA tem de ser elaborado por uma equipe multidisciplinar e de forma independente. Já
nas auditorias de sistema de gestão, sua elaboração deve ser feita por equipe que não seja do
empreendimento, a qual, nesse caso, atua de forma subcontratada, o que não deixa de ter um vínculo
(contrato).
Saiba mais
Você sabia que, diante da impossibilidade de mitigação dos impactos negativos observados no EIA, a
compensação ambiental foi estabelecida em 1987? Compensação ambiental é um mecanismo ou
instrumento financeiro que visa a compensar os impactos futuros, negativos e não mitigáveis. Ela não é
aplicada a quem sofreu o dano. Um exemplo de compensação ambiental é a criação de unidades de
conservação.
Muita gente confunde compensação ambiental com mitigação, que são ações para minimizar os impactos
negativos causados pela implantação e operação da atividade (aplicação de tecnologia para tratamento de
efluentes, por exemplo). Essa confusão ainda se estende às medidas compensatórias, que também são ações,
embora visem a compensar os impactos negativos e não mitigáveis. Tais medidas são aplicadas a quem
sofreu o dano direta ou indiretamente. Um exemplo de medida compensatória são os investimentos em
infraestrutura local.
Saiba mais
Plano básico ambiental O PBA é o conjunto de planos e programas específicos para cada tipo de
impacto, como os do meio físico, biótico e socioeconômico, apresentado no EIA de forma conceitual e
detalhado metodologicamente com um cronograma na fase de requerimento de implantação dos
empreendimentos.
Para finalizarmos nosso estudo, veremos um exemplo aplicado da AIA dentro do licenciamento ambiental com
foco no impacto de meio físico: a poluição atmosférica.
Com base nesses tipos de estudos e modelagens, tais empreendimentos, a exemplo do EDA, terão de
estabelecer os controles necessários para a prevenção e a redução das emissões (e, quando isso não for
possível, sua compensação). Normalmente, dentro do PBA do empreendimento, é proposto o plano ou
programa de controle e monitoramento da qualidade do ar.
Estação de medição para qualidade do ar. Por isso, esses planos e programas viabilizam o constante
monitoramento da qualidade do ar na região do
empreendimento com o objetivo de identificar possíveis
extrapolações aos limites previstos em legislação aplicável. Eles indicam a eficiência dos controles aplicados
ou a necessidade de melhoria e aprimoramento deles a fim de proteger o meio ambiente e a saúde humana
dos efeitos da poluição atmosférica.
Há peculiaridades da AIA no Brasil em relação às avaliações de impacto ambiental aplicadas ao redor mundo.
Vamos fazer, de forma resumida, uma comparação para entender como outro país latino-americano, o Chile,
procede em relação ao tema. E não se esqueça de explorar mais as normas citadas neste módulo!
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A Lei nº 6.938/1981, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) e o licenciamento
ambiental, institui, em seu artigo 9°, a avaliação de impactos ambientais (AIA) como um dos seus 13
instrumentos. Indique a afirmativa correta acerca do instrumento de AIA.
A AIA teve suas definições, responsabilidades e diretrizes definidas somente em 1986, a partir da Resolução
CONAMA nº 1.
As audiências públicas, regulamentadas pela Resolução CONAMA nº 9/1987, não fazem parte do processo de
AIA.
D
O estudo de impacto ambiental (EIA) é sinônimo da AIA, sendo constituído das mesmas partes, embora seja
nomeado com termos diferentes.
Questão 2
O art. 1º da CONAMA nº 1/1986 define o impacto ambiental como “qualquer alteração das propriedades
físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante
das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: a saúde, a segurança e o bem-estar da
população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente,
e a qualidade dos recursos ambientais”. Já a avaliação de impacto ambiental (AIA) é um processo no qual
podemos distinguir fases com base no art. 6º da CONAMA nº 1/1986. Essas fases são
diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, análise dos impactos ambientais do projeto e suas
alternativas, definição de medidas mitigadoras e elaboração do programa de acompanhamento e
monitoramento.
diagnóstico antrópico da área de influência do projeto, análise dos impactos ambientais do projeto e suas
alternativas, definição de medidas mitigadoras e elaboração do programa de acompanhamento e
monitoramento.
diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, análise dos ruídos ambientais do projeto, definição de
medidas mitigadoras e elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento.
diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, análise dos impactos ambientais do projeto e suas
alternativas, definição de medidas sanitárias e elaboração do programa de acompanhamento e
monitoramento.
diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, análise dos impactos ambientais do projeto e suas
alternativas, definição de medidas mitigadoras e elaboração do cronograma.
A alternativa A está correta.
As fases da AIA estão definidas no art. 6 º da CONAMA nº 1/1986 como diagnóstico ambiental da área de
influência do projeto, análise dos impactos ambientais do projeto e suas alternativas, definição de medidas
mitigadoras e elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento. Ruídos são um dos impactos
avaliados. As alternativas locacionais do projeto são parte da AIA, assim como as medidas de controle e
monitoramento ambiental como mitigação dos impactos também. Os programas e os planos ambientais que
acompanhem e monitorem tudo que foi previsto na AIA são fundamentais para a garantia do
desenvolvimento sustentável do empreendimento.
5. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, percorremos os principais marcos legais ambientais para a devida proteção ambiental no
Brasil que disciplinam a prevenção, conservação, mitigação e compensação de impactos ambientais visando
ao desenvolvimento sustentável e à qualidade de vida da sociedade como um todo.
Vimos ainda que as regras ambientais dos marcos legais devem garantir o desenvolvimento econômico, tão
necessário ao país, com respeito ao meio ambiente. Esse é o tão falado desenvolvimento sustentável. Por
isso, devemos utilizar os recursos naturais, só que não da forma predatória como vem sendo feita – muitas das
vezes, de maneira acelerada nas últimas décadas.
Destacamos, por fim, que o Direito Ambiental brasileiro é muito robusto, pois inclui muitas especificidades
relacionadas às competências e à dominialidade existentes no país. Dessa forma, precisamos conhecer as leis
e estar sempre atualizados sobre as normas, as quais mudam constantemente. E isso não vale apenas para os
advogados, mas para todos os profissionais de meio ambiente.
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Conheça melhor as seguintes leis, códigos e resoluções:
Referências
BRASIL. Casa Civil. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de Outubro de 1988.
BRASIL. Casa Civil. Lei Complementar nº 140, de 8 de dezembro de 2011. Fixa normas, nos termos dos incisos
III, VI e VII do caput e do parágrafo único do art. 23 da Constituição Federal, para a cooperação entre a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios nas ações administrativas decorrentes do exercício da
competência comum relativas à proteção das paisagens naturais notáveis, à proteção do meio ambiente, ao
combate à poluição em qualquer de suas formas e à preservação das florestas, da fauna e da flora; e altera a
Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981.
BRASIL. Casa Civil. Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente,
seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.
BRASIL. Casa Civil. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera
as Leis nºs 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro
de 2006; revoga as Leis nºs 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida
Provisória nº 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências.
BRILHANTE, O. M.; CALDAS, L. Q. de A. Gestão e avaliação de risco em saúde ambiental. Rio de Janeiro:
Fiocruz, 1999.
GUYOT, M. S. D; CAVALCANTI, C. M. O novo Código Florestal: as regras gerais e implicações para o setor
sucroenergético. Piracicaba: Copersucar/ ecosSISTEMAS, 2014.
MELLO, C. A. B. Elementos de Direito Administrativo. 2 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1991. p. 299-300.