0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações41 páginas

Tubulações: Prof. Francisco Das Chagas de Oliveira

O documento aborda a classificação, características e dimensionamento de tubulações industriais, essenciais para o transporte seguro de fluidos em diversas indústrias. Detalha os tipos de tubos, acessórios, normas e cálculos necessários para projetos de tubulações, além de discutir a importância dos materiais utilizados. Também apresenta a classificação das tubulações quanto ao emprego e ao fluido transportado.

Enviado por

ric lisb
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
2 visualizações41 páginas

Tubulações: Prof. Francisco Das Chagas de Oliveira

O documento aborda a classificação, características e dimensionamento de tubulações industriais, essenciais para o transporte seguro de fluidos em diversas indústrias. Detalha os tipos de tubos, acessórios, normas e cálculos necessários para projetos de tubulações, além de discutir a importância dos materiais utilizados. Também apresenta a classificação das tubulações quanto ao emprego e ao fluido transportado.

Enviado por

ric lisb
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Tubulações

Você irá conhecer a classificação e as características das tubulações, os principais tipos de tubos e
acessórios, as dimensões comerciais dos tubos industriais e o dimensionamento de tubulações e normas
usadas.
Prof. Francisco das Chagas de Oliveira
1. Itens iniciais

Propósito
O conhecimento sobre os projetos de engenharia de tubulações e de sua montagem é essencial para permitir
o transporte seguro e eficiente de fluidos envolvidos em setores fundamentais das indústrias de produção de
energia elétrica, de óleo e gás, de siderurgia, de químicos e petroquímicos, alimentícios e farmacêuticos, de
produção de açúcar e etanol.

Objetivos
• Reconhecer a classificação e características das tubulações.
• Identificar os principais tipos de tubos, acessórios e conexões.
• Reconhecer as dimensões comerciais dos tubos industriais.

Introdução

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
1. Classificação e características das tubulações

As tubulações industriais e seus acessórios


Confira neste vídeo os materiais, a definição dos diâmetros, características e classificação dos tubos
industriais e seus acessórios.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Considerações sobre tubulações e seus componentes


acessórios
Confira neste vídeo os conceitos relacionados ao diâmetro nominal, classificação quanto a classe dos
materiais e os cálculos necessários para o dimensionamento das tubulações e seus componentes.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Há uma única forma de interligação dos equipamentos estáticos, e assim permitir o transporte de fluidos entre
eles: o uso de tubulações e todos os componentes que são acessórios a ela. Em grande parte dos projetos de
engenharia, equipamentos como geradores de vapor, fornos e trocadores de calor, são usados para
transformar, transportar ou transferir energia de um ponto a outro em sistemas termodinâmicos.

Tubulações são compostas por tubos que, em cada núcleo conceitual, devem ser detalhados. Os materiais
usados na fabricação dos tubos são classificados e descritos com suas principais características. A ASTM
(American Society for Testing and Materials) especifica uma quantidade enorme de materiais que podem ser
usados. Os tubos metálicos, por exemplo, são apresentados como ferrosos e não ferrosos. A seguir, vamos
conferir os tipos de tubos que compõem essas classes:

Classe dos ferrosos

Encontra-se a maioria dos tubos utilizados em tubulações industriais: de aços-carbono; de aços-liga;


de aços inoxidáveis e de ferros.

Classe dos não ferrosos

Encontra-se os tubos de cobre, latão, alumínio, titânio etc.

No seguimento da classificação geral, estão os tubos não metálicos, em que entram os plásticos, de concreto,
borrachas, vidros, cerâmicas etc. Geralmente são usados em sistemas de drenagens, indústrias alimentícias e
químicas.

Por último, na classificação encontram-se os tubos metálicos com revestimentos, que protegem contra
corrosão e erosão. Os revestimentos usuais são borracha, plásticos, asfalto e outros mais específicos.
Acessórios de tubulações são os meios utilizados para
conectar tubos, válvulas, filtros e outros equipamentos.
Além de conectar alguns acessórios, servem para mudar a
direção de fluxo, alterar diâmetros, permitir derivações,
fazer ligações de tubos entre si, bloquear o fluxo
provisoriamente ou definitivamente etc.

Na especificação de tubos para uso industrial, além do


material usado na fabricação, há que se definir outro
parâmetro, chamado diâmetro nominal, caracterizado por
Exemplo de acessórios. normas para os aços carbono ou aços-liga e para aços
inoxidáveis. Todos os tubos, dimensionalmente, são
representados por este número (diâmetro nominal – DN)
que é dado em polegadas, representada pelo símbolo (pol – “) e equivale a 2,54 cm.

Para DN de 1/8" até 12", esses valores não correspondem a nenhuma dimensão física dos tubos. Para DN 14" a
36", o diâmetro nominal coincide com o diâmetro externo dos tubos.

Assim, para o valor fixo dos tubos de 1/8" a 12", o diâmetro externo é sempre diferente do diâmetro nominal.
Vejamos os exemplos:

DN D. Ext.

De 1/8 ‘’ a 36 ‘’, os tubos são padronizados, fabricados com ou sem costura (acima destes diâmetros a
fabricação é feita sob encomenda).

Para cada DN, fabricam-se tubos com espessuras de parede diferentes, sendo o diâmetro externo o mesmo,
variando o diâmetro interno. Essa espessura é padronizada e recebe o nome de schedule number ou série.
Quanto mais alto o schedule, maior será a espessura da parede do tubo. Vejamos os exemplos:

DN D. Ext.

DN D. Ext.

Pode-se calcular o schedule de um tubo pela expressão:

Em que temos:
• - pressão interna do tubo
• - tensão do material na temperatura de operação

Podemos concluir dos exemplos anteriores, que o D. Ext. é fixo (8,6") para um mesmo DN (8"), então ao
aumentarmos o número de schedule, a espessura da parede aumenta e consequentemente o diâmetro interno
diminui. Confira!

Esquema de um tubo com indicação da espessura e diâmetros interno e externo.

No exemplo a seguir, temos um tubo de 1” de diâmetro nominal (DN) e schedules (séries) 40, 80 e 160, onde
se notam as diferentes espessuras de parede com consequente redução de diâmetro interno.

Seções transversais em tubos de 1” (uma polegada) de diâmetro nominal, com


diâmetro externo = 33,4 mm = 1,315”.

Verificadas as dimensões comerciais dos tubos e acessórios para formar uma tubulação, resta os aspectos
relativos a cálculos e normas aplicáveis às tubulações.

Em projetos de tubulações, são efetuados os seguintes cálculos, a menos de existência condições especiais:

• Cálculo do diâmetro de tubulações


• Cálculo da espessura da parede dos tubos
• Cálculo de suportes e respectivos vãos
• Cálculo de flexibilidade da tubulação

Tubulações
Confira neste vídeo as classificações quanto ao emprego e quanto ao fluido transportado, além de algumas
características das tubulações.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Definição de tubulação
Tubulação é um conjunto de tubos com seus diversos acessórios e tubos são um conduto fechado oco,
geralmente de secção circular. Evidentemente, outras definições poderão ser encontradas, mas o importante
é lembrar que tubulações são usadas para transporte de fluidos que sejam capazes de escoar.

Curiosidade
Existem informações do uso de tubulações desde civilizações bem antigas, como os babilônios, chineses
e outros povos. Evidentemente, o uso de materiais metálicos só foi possível bem mais à frente.

Classificação de tubulações
Existe uma infinidade de usos para as tubulações, não apenas na indústria. Sendo assim, pode-se encontrar
diversas formas de classificá-las. Usaremos aqui a classificação do professor e engenheiro, Pedro Carlos da
Silva Telles, em suas diversas publicações sobre o assunto.

Classificação quanto ao emprego


Confira a classificação a seguir.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem
abaixo.

Tubulações industriais.

Agora, vamos conhecer as definições das tubulações que ficam dentro das instalações industriais.
Tubulações de processo
São aquelas envolvidas diretamente com a atividade fim da indústria,
deslocando, processando, armazenando e distribuindo fluidos. Exemplos
podem ser as tubulações de sistemas de água de alimentação e vapor
principal de uma instalação termelétrica, tubulações de óleos em
refinarias etc.

Tubulações de utilidades
São auxiliares da atividade principal, como sistemas de ar comprimido,
sistemas de refrigeração, sistemas de água para proteção contra
incêndio, alguns sistemas de vapor auxiliar etc.

Tubulações de instrumentação
São aquelas cujo fluido pode ser ar comprimido ou óleo hidráulico, que
levam sinais para atuadores em componentes, tais como válvulas dos
sistemas de automação de uma instalação industrial.

Tubulações de transmissão hidráulica


São aquelas que servem para levar fluido hidráulico para acionadores de
componentes (servo-mecanismos de acionamento de válvulas de
controle) ou sistemas de proteção de equipamentos rotativos (sistema de
proteção contra sobrevelocidade em turbinas).

Tubulações de drenagem
São aquelas responsáveis pelo direcionamento dos efluentes hidráulicos
da instalação industrial.

Considera-se tubulações fora das instalações industriais todas aquelas externas às áreas de processo, tais
como tubulações de áreas de transporte e armazenamento de fluidos, sistemas de adução de águas para
reservatórios ou sistemas de água de condensadores e trocadores de calor para resfriamento nas plantas
industriais.

Classificação quanto ao fluido transportado


Segundo Telles, no livro Tubulações industriais - materiais, projeto, montagem, a classificação a seguir pode
ser aplicada quase integralmente. Veja!
Tubulações para água

Água Doce - Em estação de tratamento de água, obtemos: água potável, água de alimentação de
caldeiras (desmineralizadores ou osmose reversa) e água industrial
Água salgada e outras águas agressivas
Água de incêndio
Água de irrigação

Tubulações para vapor

Vapor superaquecido
Vapor saturado
Vapor / condensado

Tubulações para óleos

Petróleo cru
Produtos finais e intermediários – produtos de refino
Óleos vegetais
Óleos hidráulicos

Tubulações para ar comprimido

Ar de serviço (ar industrial)


Ar de instrumentos

Tubulações para gases

Gás natural – industrial e doméstico


Gás de petróleo, gás de síntese
Gases de alto-forno
Outros gases (CO², H², O²)

Tubulações para fluidos diversos

Tintas, vernizes, solventes etc.

Características de tubulações
As características podem ser em função de:

1. Materiais empregados na fabricação dos tubos

2. Local de emprego:

2.1 Superficiais terrestres

2.2 Subterrâneas (enterradas)

2.3 Superficiais aquáticas

2.4 Submersas
Quanto ao local de emprego, as instalações de tubulações superficiais terrestres são as mais usadas nas
indústrias e dependem dos fluidos em escoamento e do projeto de encaminhamento ( pipe ways, pipe racks).

As subterrâneas também dependem do fluido a escoar e, em sua maioria, necessitam de proteção adicional
contra corrosão (proteção catódica).

As aquáticas e submersas são tubulações especiais e apropriadas ao serviço. Um exemplo clássico são os
tubos usados em plataformas de petróleo em águas profundas.

Verificando o aprendizado

Questão 1

Qual a finalidade das tubulações industriais?

Permitir o uso adequado de fornos e vasos de pressão.

Transmitir energia elétrica de um ponto a outro.

Permitir alinhamento adequado de componentes fixos.

Interligar componentes industriais.

Melhorar o desenho arquitetônico da fábrica.

A alternativa D está correta.


As tubulações industriais servem para fazer a interligação de componentes, tais como fluidos, sejam eles
líquidos ou gasosos.

Questão 2

Na classificação de tubulações quanto ao uso, o que se entende por tubulação de processo?

Aquelas envolvidas diretamente no deslocamento, processamento, armazenamento e distribuição de fluidos.

B
Aquelas que transportam ar para acionamento de componentes.

Aquelas que transportam óleo hidráulico para controle.

Aquelas que transportam óleo hidráulico para acionamento de componentes.

Aquelas usadas em sistemas de proteção contraincêndio.

A alternativa A está correta.


Tubulações são os canais de transportes de fluidos que se locomovem por toda indústria, sejam esses
fluidos líquidos ou gasosos, para os mais diversos fins, desde o acionamento de turbinas, à utilização de
água para consumo.
2. Tubos, acessórios e conexões

Principais tipos de tubos, acessórios e conexões


Confira neste vídeo os conceitos relacionados aos tipos de materiais empregados nas tubulações com suas
características específicas, suas aplicações práticas e as formas de fabricação dos tubos, acessórios e
conexões.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Materiais empregados em tubulações


A classificação de tubos para uso industrial passa necessariamente pelo material utilizado em sua fabricação.
Como existe uma grande quantidade de tipos de materiais, existe também uma variedade enorme de materiais
empregados na fabricação de tubos.

Podemos também classificar os tubos para uso em tubulação quanto à forma de fabricação.

De qualquer maneira, a seleção do material e do tipo de fabricação de uma tubulação para uma aplicação
específica dependerá da pressão interna de trabalho, do fluido, do custo e da resistência ao escoamento.

Classificação quanto ao material


Os tubos podem ser classificados em:

Metálico

Esses tubos estão divididos em:

Tubos metálicos ferrosos

• Aço-carbono
• Aço-liga (à base de Cr, Mo, Ni, Si)
• Aço inoxidável
• Ferro fundido
• Ferro forjado

Tubos metálicos não ferrosos

• Cobre: Ligas de cobre (latão, bronze)


• Alumínio
• Níquel
• Titânio
Não metálico

Esses tubos podem ser de:

• Materiais plásticos (PVC, Polietileno, acrílicos etc)


• Cimento
• Concreto
• Borracha
• Vidro
• Cerâmica

Metálico com revestimento

Esses tubos são especiais para uso na prevenção da corrosão ou abrasão:

• Plásticos
• Zinco
• Borrachas
• Concreto

Classificação quanto à forma de fabricação


A classificação pode ser realizada deste modo:

Tubos sem costura Tubos com costura

A fabricação ocorre por laminação, extrusão, A fabricação ocorre por solda.


fundição ou forjagem.

Os mais usados nas indústrias são os fabricados por laminação e por solda.

Tipos de tubos ferrosos e não ferrosos - principais usos


Existe uma enorme quantidade de materiais usados na fabricação de tubos para tubulação. Logo, haverá uma
grande variedade de aplicações para os tubos, capazes de suprir as necessidades dos projetos.
As aplicações mais usuais e comuns nas indústrias estão
em setores como os de química e petroquímica, onde são
transferidos, processados e armazenados fluidos diversos e
onde podem existir desde 3.000 até cerca de 150.000
toneladas de tubulações, existirão os mais diversos tipos de
tubos fabricados pelas indústrias.

Tubos de aço-carbono
São os tipos de tubos com maior emprego em tubulações
Armazenagem de fluidos diversos pelas indústrias. industriais, devido ao baixo custo e excelentes qualidades
mecânicas.

A recomendação dos especialistas é somente deixar de usar o aço carbono quando houver
exigência especial devido ao tipo de fluido ou às suas condições físicas (pressão, temperatura,
viscosidade etc.).

Estima-se que, nas indústrias, o uso de aço-carbono chegue a 80% ou mais na montagem dos sistemas de
tubulações. Usados na transferência de hidrocarbonetos, vapor de baixa pressão, condensado, água doce, ar
comprimido, gases etc.

O nome de aço-carbono vem da composição do material, isto é, aço mais percentual de carbono. O percentual
de carbono presente confere ao material características de aumento dos limites de resistência mecânica e de
escoamento, aumento na dureza, entre outros. Por sua vez, o aumento excessivo desse percentual traz
consigo um problema de soldabilidade, o que dificulta a montagem.

Com isso, a quantidade de carbono nos aços é limitada em 0,35%. Na faixa de 0,21% a 0,30%, a solda é feita
com facilidade e até 0,20% a dobragem dos tubos pode ser realizada a frio. Este conhecimento permite
realizar o planejamento de montagem das tubulações com mais segurança.

Veja os dois tipos de aço-carbono que podem ser utilizados:

Aço de baixo carbono Aço de médio carbono

São aqueles com até 0,25% de carbono com São aqueles com até 0,30% de carbono com
limite de ruptura de 310 a 370 MPa. limite de ruptura de 370 a 540 MPa.

As especificações das normas ASTM (American Society for Testing and Materials) e API (American Petroleum
Institute) estabelecem graus para a presença de máxima de carbono na composição, a saber:

Grau A

Baixo carbono – até 0,25%.

Grau B

Médio carbono – até 0,30%.

Grau C

Alto carbono – até 0,35% (somente na ASTM).


Os tubos em Grau C são de fabricação especial por encomenda. Veja o resumo na tabela.

Graus % C (máx) Limite de resistência (kg/mm 2 ) Limite de escoamento (kg/mm 2 )

A 0,25 34 21

B 0,30 42 24

C 0,35 48 27

Tabela: Tubulações industriais.


Telles, 2001, p. 11.

Em temperaturas superiores a 440 ºC, ocorre o fenômeno da precipitação de carbono e o aço se torna
quebradiço. Em temperatura acima de 530 ºC, o material sofre intensa oxidação, em exposição ao ar, podendo
haver redução de espessura de parede.

Nas instalações onde possa haver corrosão interna ou externa nos tubos, recomenda-se o uso de aço-
carbono galvanizado (revestimento com zinco a quente). As propriedades deste aço são fortemente
influenciadas pela sua composição química e pela temperatura de trabalho.

Na composição química, pode-se ter o chamado aço-carbono acalmado, que consiste na adição de até 0,1%
de sílica (Si), modificando a estrutura cristalina do material, permitindo seu uso em temperaturas acima de
400 ºC (por breves espaços de tempo) e temperaturas abaixo de 0 ºC.

O aço-carbono começa a perder suas


características de resistência mecânica em
temperaturas acima de 400 ºC, devido ao
aparecimento do fenômeno da fluência
(começa a ser observada a partir de 370 ºC).

Em temperaturas muito baixas, o aço carbono


apresenta características quebradiças, razão
pela qual raramente se emprega esse material
em temperaturas inferiores a - 40 ºC, embora a
norma ANSI.B.31 (norma americana para
tubulações pressurizadas) estabeleça o limite
em -50 ºC. Exemplo de aço-carbono.

Nos projetos de engenharia de tubulações,


quando pretende-se usar aço-carbono, leva-se
em consideração o acréscimo de espessura do material, a sobre-espessura de corrosão, devido a este
material ter baixa resistência à corrosão. A sobre-espessura estará presente nas partes em contato com fluido
transportado.

Tubos de aço-liga e aço inoxidável


Os aços-liga caracterizam-se por possuir em sua composição outros elementos além daqueles presentes no
aço carbono. Os principais elementos que entram na composição da liga são o Cromo (Cr), o Molibdênio (Mo)
e o Níquel (Ni). Dependendo da concentração dos elementos da liga, são classificados em:
Aços de baixa liga Aços de média liga

Até 5% dos elementos de liga. Entre 5% e 10% dos elementos de liga.

Aços de alta liga

Mais de 10% dos elementos de liga.

Os aços inoxidáveis caracterizam-se por ter no mínimo 12% de cromo, o que permite o material ser resistente
à corrosão.

Deve-se ter cuidado ao se optar pelo uso de um aço-liga, uma vez que tem custo mais elevado que os aços-
carbono.

O uso do aço-liga é recomendado para:

1
Altas temperaturas do fluido
Acima dos limites para o aço-carbono.

2
Baixas temperaturas
Menores que -45 ºC.

3
Alta corrosão
Fluidos corrosivos.

4
Não contaminação
Exigência em indústria de alimentos e farmacêutica.

5
Segurança
Fluidos cujo manuseio seja perigoso.

Classificação dos tubos de aço-liga


Os aços-liga estão divididos em duas classes:

• Aços-liga cromo-molibdênio e molibdênio.


• Aços-liga níquel.

Os primeiros contêm até 1% de Molibdênio e até 9% de Cromo em diversas proporções. A tabela abaixo
mostra essas proporções:
Especificação ASTM e grau Elementos de liga Limites de temperatura para serviço
Tubos sem costura (%) contínuo não corrosivo (ºC)

Cr Mo Ni

A-335 Gr. P1 --- 1/2 --- 480

A-335 Gr. P5 5 1/2 --- 480

A-335 Gr. P7 7 1/2 --- 480

A-335 Gr. P9 9 1 --- 600

A-335 Gr.P11 1 1/4 1/2 --- 520

A-335 Gr.P22 2 1/4 1 --- 570

3
A-333 Gr. 3 --- --- -100
1/4

2
A-333 Gr. 7 --- --- -60
1/4

Tabela: Tubulações industriais.


Telles, 2011, p.12.

Os mais usados são os de classificação ASTM A335 Gr. P11. Os compostos com níquel são usados onde as
temperaturas são muito baixas.

Tubos de aço inoxidável


Existem duas classes de aços inoxidáveis, confira!

Austeníticos Ferríticos

Contêm de 16% a 26% de cromo e de 6% a 22% Contêm de 12% a 30% de cromo.


de níquel.

A tabela a seguir mostra os dois tipos mais usados nas indústrias.

Tipos (denominação Estrutura Limites de


Elementos de Liga (%)
do AISI) Metalúrgica Temperatura (ºC)

Cr Ni Outros Máximo Mínimo

304 Austenítica 18 8 600 -255

C (máx.): sem
304 L Austenítica 18 8 400
0,03 limite

310 Austenítica 25 20 600 -195

316 Austenítica 16 10 Mo: 2 650 -195

Mo: 2; C
316 L Austenítica 16 10 400 -195
(máx.): 0,03

321 Austenítica 17 9 Ti: 0,5 600 -195


Tipos (denominação Estrutura Limites de
Elementos de Liga (%)
do AISI) Metalúrgica Temperatura (ºC)

Cr Ni Outros Máximo Mínimo

347 Austenítica 17 9 Nb + Ta: 1 600 -255

405 Ferrítica 12 --- Al: 0,2 470 Zero

Tabela: Tubulações industriais.


Telles, 2001, p.13.

Tubos não ferrosos


São tubos compostos de materiais como ligas de cobre (latão, bronze), alumínio, titânio, níquel, zircônio etc. e
usados geralmente para fins específicos, envolvendo pequenos diâmetros (ar de instrumento, tubos de
permutadores de calor, air coolers, entre outros).

Materiais empregados em tubulações e tipos de tubos


Confira neste vídeo os materiais empregados nas tubulações, a forma de fabricação, os principais usos de
tubos ferrosos e não ferrosos, tubos em aço-liga e aço inoxidável.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Acessórios e conexões
Confira neste vídeo os principais tipos de acessórios de acordo com a sua função dentro da tubulação e as
formas de realizar a ligação nas tubulações.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Os acessórios de tubulações são os meios utilizados para conectar tubos, válvulas, outros acessórios e
equipamentos, tais como instrumentos de supervisão ou controle.

Além de conectar, os acessórios servem também para mudar a direção do fluxo de fluido, variar o diâmetro da
tubulação, fazer derivações, interromper ligações etc.

Os acessórios podem ser soldados, rosqueados, flangeados ou colados e classificam-se conforme sua função
nas tubulações.

Acessórios para mudar a direção do fluxo


As junções de alteração de direção de fluidos são acessórios utilizados em tubulações e são responsáveis por
mudar a direção de fluxo e com isso podemos identificá-las como curvas de raio longo de 45° e 90°, curvas de
raio curto de 45° e 90° e joelhos de 45° e 90°. Vamos conferir alguns exemplos:
Curvas de raio curto de 45° e 90° Curvas de raio longo de 45° e 90°

Curva de 90° com pé

Acessórios para fazer derivações


Os acessórios de derivações são muito utilizados em tubulações. Veja alguns exemplos:

Tê (de 45 º, de 90 º e de redução) Sela


Cruzeta Derivações em Y

Acessórios para mudança de diâmetros


As reduções concêntricas, excêntricas e de bucha são acessórios utilizados para mudança de diâmetros. Veja
mais exemplos de acessórios:

Redução excêntrica Redução concêntrica

Acessórios para ligações de tubos entre si


As junções rosqueáveis e soldáveis são acessórios utilizados para ligações de tubos entre si. Existem três
tipos de junções e elas são chamadas de luvas, uniões e flanges.

Luva rosqueável Luva soldável


Flange União rosqueável

União soldável

Acessórios para fechar extremidade de tubos


Agora confira os acessórios de fim de extremidades conhecidos como caps, bujões ou plugs e também como
flanges cegos.
Cap Bujões ou plug

Flange cega

Acessórios para isolar tubulações ou equipamentos


As raquetes são esse tipo de acessório e existem nos seguintes modelos:

Raquete cega Raquete figura oito

As ligações de tubulações
A ligação entre as tubulações podem ocorrer das três formas a seguir.
Ligações rosqueadas

É um dos métodos mais antigos para ligação de tubulações, pois é de baixo custo e fácil execução.
Sua utilização é limitada a tubos de pequenos diâmetros (até 4") e para ligações de baixa pressão.

Ligações soldadas

É o sistema mais usado para a ligação de tubos acima de 2", para aços de qualquer tipo e metais não
ferrosos soldáveis. Para a execução das soldas, existem normas que regulamentam o tipo de eletrodo,
o tipo de inspeção, o tratamento térmico etc.

Ligações flangeadas

É normalmente compreendida por, dois flanges, jogo de parafusos, porcas e uma junta. São ligações
facilmente desmontáveis, empregadas em uma série de situações, tais como:

• Acoplar tubulação a uma válvula.


• Acoplar tubulações aos equipamentos.
• Permitir montagens e desmontagens fáceis.

Existem diversos tipos de flanges. Os mais usuais são: de pescoço, integral, sobreposto, rosqueado, de
encaixe, cego etc. Quanto à face, pode-se ter: face lisa, com ressalto, macho e fêmea etc.

As dimensões dos flanges (espessura, número de parafusos, diâmetro externo) variam com as classes de
pressão.

Em todas as ligações com flanges, existe sempre uma junta que é o elemento de vedação. O material da junta
deverá ser deformável e elástico para compensar as irregularidades das faces dos flanges, estratégia que
confere vedação perfeita. Deverá também ser especificado, visando suportar as variações de temperatura e
pressão.

Existem vários tipos de juntas cujos detalhes poderão ser verificados em catálogos e sites especializados de
vendas.

Verificando o aprendizado

Questão 1

Como podem ser classificados os tubos quanto ao material usado em sua fabricação?

Tubos com e sem costura.

Tubo de materiais plásticos e de vidro.

Tubos de aço ou de ferro.


D

Tubos metálicos, tubos não metálicos e tubos metálicos com revestimento.

Tubos com e sem revestimento.

A alternativa D está correta.


Os tubos podem ser metálicos, não metálicos, como os de PVC, e tubos com revestimento para fluidos em
alta temperatura ou fortemente abrasivos, ou corrosivos. Ainda existem os tubos metálicos com
revestimentos especiais, como borrachas, concreto, asfalto etc.

Questão 2

Não é recomendado o uso de tubos de aço carbono em temperaturas acima de 400 °C, devido a

dificuldade em realizar soldas.

dificuldade em realizar dobraduras.

dificuldade de fabricação.

dificuldade na montagem.

perda de suas características de resistência mecânica.

A alternativa E está correta.


Acima de 400 °C, o aço (ferro carbono) perde sua resistência mecânica, tornando-se mais maleável, os
tubos então se deformam, podendo causar falhas nas conexões. Devemos lembrar o caráter de perda de
resistência mecânica do aço carbono com altas temperaturas de trabalho.
3. Dimensões comerciais dos tubos industriais

Dimensões dos tubos, dimensionamento de tubulações e


normas
Confira neste vídeo os conceitos referentes a diâmetro comercial e os cálculos - fórmulas e ábacos - para o
dimensionamento das tubulações.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Dimensões comerciais dos tubos industriais


Confira neste vídeo os diâmetros comerciais dos tubos de acordo com o material utilizado para sua
fabricação.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Diâmetros comerciais de tubulações em aço


Diâmetros comerciais de tubos de aço carbono e aço-liga estão fixados pelas normas americanas da ANSI
(American National Standard Institute) (ANSI.B.36.10 e ANSI.B.36.19) e pelas NBRs que acompanham as
normas americanas.

Todos os tubos são conhecidos pelo seu diâmetro nominal, que é um número expresso em
polegadas, pela norma ANSI, e em milímetros, pela ABNT.

A norma para tubos em aço carbono compreende tubos desde até de diâmetro e a norma para
aços inoxidáveis compreende tubos de até de diâmetro.

Observe-se que de até o diâmetro nominal não corresponde a nenhuma medida dos tubos e de
a o diâmetro nominal é igual ao diâmetro externo dos tubos.

Relembrando
Os tubos são fabricados com diversas espessuras de parede, chamadas de série ou schedule. Para cada
diâmetro nominal, o diâmetro externo será sempre o mesmo. Logo, irá variar o diâmetro interno, de
acordo com seu schedule ou espessura da parede.

Diâmetros comercializados
Diâmetros ,
(ANSI.B.36.10)
A série de tubos inclui cerca de 300 espessuras diferentes, mas apenas 100 são as mais usuais. Diâmetros
superiores de são fabricados apenas por encomenda e os de diâmetros 1 e são
de pouco uso.

Schedules comerciais: 10, 20, 30, 40, 60, 80, 100, 120, 140 e 160.

Os tubos são fornecidos em 3, 6 e 12 metros de comprimento. Existe exceção para fornecimento com 9 m e
até 16 m. Esses tubos são comercializados com acabamentos diferentes nas extremidades, e a escolha
depende do projeto definido. Assim, temos:

Tubos com pontas lisas (somente Tubos com pontas chanfradas (para uso
esquadrejadas) de solda)

Tubos com pontas em roscas

É importante destacar que a norma brasileira P-PB-225, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas),
adotou as normas ANSI.B.36.10 e 36.19, acima descritas.

Saiba mais
Para consolidar o conceito de schedule para as tubulações, com a fórmula experimental SCH=1.000 P/S,
veja uma parte da tabela A.4 da norma NBR5590, encontrada na página 17, que mostra o número de
schedule para algumas tubulações.

Dimensionamento de tubulações e normas


Confira neste vídeo as diversas equações e ábacos utilizados para os cálculos usuais de dimensionamento de
tubulações.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Cálculos usuais em tubulações


A menos que existam condições especiais, em projetos de tubulações são efetuados os seguintes cálculos:

• Cálculo do diâmetro de tubulações.


• Cálculo da espessura da parede dos tubos.
• Cálculo de suportes e respectivos vãos.
• Cálculo de flexibilidade da tubulação.
• Cálculo dos pesos, forças de atrito, reações em suportes e juntas de expansão.

Outros cálculos poderão ser exigidos, dependendo da função e aplicação da tubulação, como espessura de
isolamentos térmicos, sistemas de aquecimento, proteção catódica etc.

O cálculo de diâmetros leva em consideração a vazão do fluido, a diferença de cotas do escoamento, as


pressões consideradas, as pressões e perdas de carga, o tipo de fluido e o material usado na fabricação do
tubo. Como vemos, são muitas variáveis e grande parte das fórmulas usadas são empíricas, com uso de
gráficos e tabelas preparadas por experiência de anos nos projetos.

Fórmulas e tabelas usuais


Perda de carga – teorema de Bernoulli
O teorema de Bernoulli estabelece que é constante a energia de escoamento do fluido em um duto,
considerados dois pontos específicos. Vejamos!

Em que temos:

• peso específico do fluido


• pressão do fluido
• velocidade de escoamento
• cotas acima de um certo plano de referência
• perda de carga total
• aceleração da gravidade

Número de Reynolds
Número adimensional que determina se o escoamento do fluido é laminar ou turbulento. Para Rn menor que
2.000, o escoamento é laminar. Já para maior que 4.000, será turbulento. Para o intervalo entre 2.000 e 4.000,
o regime será transitório ou instável.
Em que temos:

• velocidade média de escoamento do líquido


• diâmetro interno do tubo
• viscosidade cinemática do líquido

Perda de carga no escoamento laminar - fórmula de Poiseuille


Para este escoamento, a perda de carga é proporcional à velocidade do fluido.

Em que temos: comprimento do tubo.

Perda de carga no escoamento turbulento - fórmula empírica

Em que temos: os coeficientes e com valores variáveis conforme a natureza do fluido, o material
empregado na fabricação e a rugosidade das paredes do tubo.

Perda de carga (geral) – fórmula de Darcy


Válida para diâmetros de tubos acima de 50 mm (2”), com escoamentos incompressíveis.

Observe que a perda de carga é um comprimento. O coeficiente é chamado de coeficiente de atrito do


líquido, que é um número adimensional.

A perda de carga também pode ser obtida por unidade de comprimento , conforme a seguinte
fórmula:

Ábaco de Moody
Apresenta diversas curvas onde pode-se determinar o coeficiente de atrito em função do número de
Reynolds e do grau de rugosidade do tubo. O grau de rugosidade é a relação entre a altura da maior
irregularidade interna do tubo e o seu diâmetro, também adimensional. Note que no escoamento laminar o
coeficiente de atrito independe do grau de rugosidade. Confira!

Ábaco de Moody.

Ábaco de grau de rugosidade em relação ao diâmetro


Para cada tipo de material de tubo em função do diâmetro, apresentamos um grau de rugosidade.
Grau de rugosidade dos tubos em função dos diâmetros e dos materiais.

Com o grau de rugosidade obtido no gráfico acima, podemos entrar no ábaco de Moody, conhecendo o
número de Reynolds, e obter o coeficiente de atrito .

Fórmula de Williams-Hazen para água


Como na água, a viscosidade varia pouco nas condições mais comuns de uso, pode-se usar as fórmulas
empíricas deduzidas para ela. A mais usual é:

Em que temos:


- perda de carga por 1.000 pés de tubo, (pés)
• - Coeficiente de rugosidade que vale 0,367 quando o tubo for novo
• - diâmetro interno (pés)
• - velocidade (pés/seg)

Cálculo do diâmetro de tubulações


O cálculo de diâmetros é um problema hidráulico que pode ser resolvido por meio da velocidade do fluido ou
da perda de carga. Também deve ser levado em consideração o fator econômico, pois quanto maior o
diâmetro e a espessura, maior o custo. Da mesma forma, a perda de carga influi como fator econômico, pois
trata-se de perda de energia.

De maneira geral, são conhecidos os seguintes parâmetros:


Vazão do fluido - .

Cotas inicial e final dos pontos em avaliação - e (ver teorema de Bernoulli).

Pressões nos pontos em avaliação - e .
• Propriedades do fluido - peso específico, viscosidade e pressão de vapor na temperatura de operação.

Comprimento equivalente total .

O cálculo é geralmente feito por aproximações sucessivas, seja em função da velocidade ou das perdas de
carga. Arbitra-se um valor para diâmetro e verifica-se se a velocidade está dentro dos limites recomendados
para velocidades econômicas.

Cálculo em função da velocidade


No caso, admite-se o valor de vazão considerado e arbitra-se um diâmetro e com a fórmula a seguir calcula-
se a velocidade.

Com a velocidade calculada, compara-se à velocidade econômica, conforme valores consagrados e


mostrados na tabela a seguir.

Velocidade econômicas (m/s)

Água doce Redes em cidades 1a2

Redes em instalações industriais 2a3

Alimentação de caldeiras 4a8

Suçção de bombas 1 a 1,5

Até 2 kg/cm 2 (saturado) 20 a 40

Vapor De 2 a 10 kg/cm 2 40 a 60

Mais de 10 kg/cm 2 60 a 100

Ar Comprimido ---- 15 a 20
Velocidade econômicas (m/s)

Líquidos (linha de sucção) 1a2

Hidrocarbonetos (instalações industriais) Idem, outras linhas 1,5 a 2,5

Gasosos 25 a 30

Tubos de aço com revestimentos 1,5 a 2,5

Água salgada Idem, tubos de latão 1,5 (máximo)

Idem, tubos de metal Monel 3 (máximo)

Acetileno ---- 20 a 25

Tabela: Tubulações Industriais – cálculos.


Telles, 2006, p. 13.

Caso a velocidade calculada seja superior à velocidade econômica recomendada, significa que o diâmetro
arbitrado foi pequeno. Aumenta-se o valor do diâmetro dentre os comerciais existentes e refaz-se os cálculos,
até encontrar uma velocidade inferior àquela recomendada para o fluido circulante.

Cálculo em função da perda de carga


Este cálculo é usado geralmente para tubulações longas. Em virtude de sua complexidade, por exigir o uso de
tabelas e gráficos que não caberiam neste trabalho, indicamos que tais cálculos estão demonstrados no livro
Tubulações Industriais – Cálculos.

Resumimos a seguir alguns pontos a serem considerados.

1
Primeiro
Cálculo do diâmetro em função das perdas de cargas, as quais devem ser preponderantes
(tubulações longas, muitos acidentes e componentes etc).

2
Segundo
Maior valor possível para a vazão .

3
Terceiro
Valores de pressão inicial (P1) e final (P2) , tais que se tenha o menor valor para a queda de
pressão - .

4
Quarto
Condições de temperatura do fluido que resulte em maiores valores de viscosidade cinemática e
pressão de vapor 40 41 3D 40 61 6D .

Ainda com base nesses pontos sobre cálculo em função da perda de carga, é importante:
• Arbitrar um valor para o diâmetro (tomar como base a velocidade econômica da tabela .econômica,
indicada anteriormente na tabela de Tubulações Industriais - Cálculos).

• Calcular a perda de carga total incluindo-se os comprimentos equivalentes de todos os acidentes.


mais usual é obter as perdas de cargas por meio de ábacos e tabelas derivados das fórmulas
apresentadas, como o da imagem adiante (Ábaco de perdas de carga), para um tubo de .

• Avaliar para os casos de recalque de bombas ou admissão de bombas - há fórmulas para cada caso.

Vejamos a fórmula para o caso de recalque de bombas.

Agora, vejamos a fórmula para o caso de recalque de sucção de bombas.

Compara-se o valor determinado da perda de carga pelos gráficos com a perda dada pelo cálculo da
expressão acima. Observe dois tipos de casos:

menor que o da expressão acima maior que o da expressão acima

Diâmetro arbitrado superdimensionado. Diâmetro arbitrado subdimensionado.

Repete-se os passos com novo diâmetro arbitrado.

Note que, para cada diâmetro, haverá um gráfico de perda de carga como o da imagem a seguir.

Outra observação importante é que fabricantes de tubos industriais e entidades de classe possuem
programas próprios de cálculos de perda de carga e dimensionamento de diâmetros de tubulações, o que
torna muito mais ágil a vida do engenheiro de projetos. Confira!
Ábaco de perdas de carga.

Cálculo de espessuras de tubulações


Pela norma ANSI.B.36.10, foram fixadas as séries ou schedule number para as espessuras de parede de tubos.
É obtido aproximadamente pela seguinte expressão:

Em que temos:

• - pressão interna de trabalho


• - tensão admissível de trabalho (tabela)

Cálculo da espessura em função das tensões


Em uma tubulação, atuam dois tipos de tensões: a tensão circunferencial e a tensão longitudinal. A
circunferencial é a predominante e por isso chamada de tensão admissível. Apresenta a seguinte fórmula para
cálculo de espessura, conhecida como fórmula de Barlow.

Sendo assim teremos:

• - espessura mínima
• - pressão interna

- diâmetro médio. Frequentemente, pode-se usar ao invés de diâmetro médio o diâmetro externo
.

A fórmula de Barlow poderá apresentar-se como:

Em que é a sobre-espessura de corrosão, rosqueamento e ranhuras.

Outra maneira de calcular a espessura mínima , levando em conta problemas de corrosão ou perda de
material devido à abertura de rosca, é a fórmula da norma ANSI.B.31.

Em que temos:

• - pressão interna.
• - diâmetro externo.
• - tensão admissível.

- eficiência de solda - tabelados para tubos com costura - para tubos sem costura.
• - coeficiente de redução que depende do material e da temperatura de operação. Valores tabelado
na norma ANSI.B.31.
• - sobre-espessura de corrosão. Decisão em função da taxa de corrosão da tubulação e espessura
mínima. Sobre-espessuras de corrosão mais usadas: 1,6 mm; 3,2 mm; 6,4 mm. Existem outras sobre-
espessuras que podem ser adotadas em função de sua aplicabilidade 2,0 mm e 4,0 mm.

Note que as formulações acima referem-se a tubulações superficiais. Para o caso de tubulações subterrâneas,
os cálculos são diferentes.

Principais normas e códigos aplicados


Confira neste vídeo as principais normas e códigos internacionais e nacionais aplicados às tubulações
industriais.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.

Conheça as principais normas e códigos!

ASME – American Standard Code for Pressure Piping - ASME.B.31

• ASME B 16.5 – Pipe Flanges and Flanged Fittings


• ASME B 16.11 – Forget Fittings, Socket Welding and Threaded
• ASME B 16.15 – Cast Bronze Threaded Fittings classes 125 and 250
• ASME B 16.20 – Metallic Gasket for Pipe Flanges Ring Joint, Spiral-Wounds and Jacketed
• ASME B 16.34 – Valves – Flanged, Threaded, and Welding End
• ASME B 16.36 – Orifice Flanges
• ASME B 16.47 – Large Diameter Steel Flanges NPS 26 through NPS 60
• ASME B 31. 3 – Process Piping
• ASME B 26.10 – Welded and Seamless Wrought Steel Pipe
• ASME B 36.19 – Stainless Steel Pipe
ASTM – American Society for Testing and Materials - para tubos, conexões etc

• ASTM A 105 –STD SPEC for Carbon Steel Forging for Piping Applications.
• ASTM A 106 – STD SPEC for Seamless Carbon Steel Pipe for High Temperature Service.
• ASTM A 148 – STD SPEC for Steel Casting, High Strength, for Structure Purposes.
• ASTM A 193 – STD SPEC for Alloy Steel and Stainless Steel ,Bolting for High Temperature or
High Pressure Service.
• ASTM A 194 – STD SPEC for Carbon Steel Alloy Steel and Stainless Steel Nuts for Bolts for
High Pressure or High Temperature Service, or Both.
• ASTM A 203 – STD SPEC for Pressure Vessel Plates, Alloy Steel, Nickel.
• ASTM A 234 – STD SPEC for Piping Fittings Wrought Carbon Steel and Alloy Steel for Moderate
and High Temp. Serviçe.
• ASTM A 240 – STD SPEC for Chromium and Chromium –Nickel Stainless Steel Plates,and Strip
for Pressure Vessels and General Applications.
• ASTM A 312 – STD SPEC for Seamless ,Welded and Heaving Cold Worked Austenitic Stainless
Steel Pipes.
• ASTM A 320-STD SPEC for Alloy Steel and Stainless Steel Bolting for Low Temperature
Service.
• ASTM A 333-STD SPEC for Seamless and Welded Steel Pipe for Low [Link], and Other
Applications with Required Notch Toughness.
• ASTM A 350-STD SPEC for Carbon and Low Alloy Steel Forging Requiring Notch Toughness
Testing for Piping Components.
• ASTM A 376- STD SPEC for Seamless Austenitic Steel Pipe for High [Link]çe.
• ASTM SPEC for Pressure Vessel Plates,Alloy Steel ,Chromium –Molybdenum.
• ASTM A 516 – STD SPEC for Pressure Vessel Plates, Carbon Steel,for Moderate –and Lower-
Temperature Service.
• ASTM A 536 – STD SPEC for Ductile Iron Castings.
• ASTM A 53 – STD SPEC for Seamless Steel Pipe.

ANSI – American National Standard Institute - para tubos, válvulas, conexões etc

• A.21 – Tubos de ferro fundido


• A.21.1 – Cálculo de resistência e espessura de parede para tubos de ferro fundido de acordo
com a especificação C-101 da AWWA.
• A.21.2 – Tubos de ferro fundido não centrifugado para água.
• A.21.6 – Tubos de ferro fundido centrifugado para água.
• B.2.1 – Roscas para tubos.
• B.16.1 – Flanges e acessórios flangeados de ferro fundido.
• B.16.3 – Conexões de ferro maleável classes 150# e 300#.
• B.16.4 – Conexões de ferro fundido rosqueadas das classes 125# e 250#.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas

• ABNT 5590 – Tubos de aço carbono com ou sem solda longitudinal pretos ou galvanizados.
• ABNT 5648 – Sistemas prediais de água fria – Tubos e conexões de PVC.
• ABNT 15280 – 1- Dutos terrestres – Projeto.
• ABNT 15561 – Tubos de polietileno.
• ABNT 12712 – Projeto de sistemas de transmissão e distribuição de gás combustível.
• ABNT 15827 – Válvulas industriais para instalação de exploração, produção, refino e transporte
de produtos de petróleo.
• ABNT 15921 – Ind. de petróleo e gás natural. Tubos de compósitos.
• ABNT 5580 – Tubos de aço-carbono com costura para usos comuns na condução de fluidos.

API – American Petroleum Institute

• API RP 945 – Avoiding Environmental Cracking in Amine Units.


• API SPEC 5L – Specification for Line Pipe.
• API SPEC 15LR – Specification for Low Pressure Fiberglass Line Pipe.
• API SPEC 6D – Specification for PipeLine and Piping Valves.
• API STD 600 – Steel Gate Valve-Flanged and Butt-welding Ends,Bolted Bonnets.
• API STD 602 – Gate, Globe and Check Valves for Sizes DN 100 and Smaller, for Petroleum and
Natural Gas industries.
• API STD 594 – Check Valves,Wafer,Wafer-Lug and Double Flanged Type.
• API STD 609 – Butterfly Valves: Double Flanged ,Lug-and Wafer-Type.

Outras normas que podemos destacar são:

1. NR 13 – Caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento

2. ANSI – B.16.5 – Flanges e conexões flangeadas de aço

2.1. B.16.9 – Conexões de aço para solda de topo

2.2. B.16.10 – Válvulas de aço e de ferro fundido (dimensões)

2.3. B.16.11 – Conexões de aço forjado para solda de encaixe e rosqueada

2.4. B.16.15 – Conexões rosqueadas de latão e de bronze classe 125#

2.5. B.16.16 – Flanges e acessórios de ferro fundido para refrigeração classe 300#

2.6. B.16.17 – Conexões rosqueadas de latão e de bronze classe 300#

2.7. B.16.18 – Conexões de bronze fundido para solda


2.8. B.16.20 – Flanges de aço com face para juntas de anel, e juntas de anel metálico

2.9. B.16.21 – Juntas não metálicas para flanges

2.10. B.16.24 – Flanges e conexões flangeadas de latão e de bronze

2.11. B.16.25 – Extremidades para solda de topo

2.12. B.16.34 – Pressões admissíveis e espessuras mínimas da válvula de aço

2.13. B.16.70 – Conexões com ligações de compressão para refrigeração

2.14. B.36.10 – Tubos de aço e de ferro forjado

2.15. B.36.19 – Tubos de aços inoxidáveis

Verificando o aprendizado

Questão 1

Para que usar o número de Reynolds em cálculos de tubulações?

Para se determinar a corrosão interna na tubulação.

Para se definir se o escoamento do fluido ocorre de maneira laminar ou turbulenta.

Para definir a perda de carga térmica pelas paredes dos tubos.

Para se definir a máxima tensão suportada pelo tubo.

Para definição da composição química do material dos tubos.

A alternativa B está correta.


Definimos número de Reynolds como um número adimensional por meio do qual sabe-se se o fluido em
avaliação escoará na tubulação segundo um movimento laminar ou turbulento. número de Reynolds abaixo
de 2.000 indica escoamento laminar e maiores que 4.000 indicam um escoamento turbulento. No intervalo
entre os dois valores, o regime será caracterizado como transitório. O número de Reynolds, usando-se as
tabelas e gráficos próprios, permite definir o coeficiente de atrito, um dado importante para outros cálculos
em tubulações.

Questão 2

No cálculo dos diâmetros de tubulações, alguns fatores devem levados em consideração, entre eles
consideramos:

O terreno onde será usada a tubulação.

O peso dos componentes associados à tubulação.

O isolamento térmico usado na tubulação.

A avaliação se tubo pode ser enterrado ou superficial.

A vazão do fluido, as diferenças de cotas do escoamento, as perdas de carga, o tipo de fluido, o material de
fabricação dos tubos.

A alternativa E está correta.


O cálculo de diâmetro está como um dos principais envolvidos nas tubulações. Além dos fatores como a
vazão do fluido, as diferenças de cotas do escoamento, as perdas de carga, o tipo de fluido, o material de
fabricação dos tubos, o fator econômico também deve ser levado em consideração.
4. Conclusão

Considerações finais
Vimos que, para compreender sobre tubulação, os profissionais envolvidos devem conhecer os materiais de
fabricação, das suas ligas e das suas limitações físicas.

A partir das inúmeras normas apresentadas, podemos obter qualidade, segurança e eficiência nos projetos.
Você deve compreender que o assunto é vasto e aprofundar-se nele deve ser uma de suas metas.

Podcast

Ouça a visão da indústria nacional para fornecimento de tubos em escala para atender as demandas dos
projetos, assim como a importância das tubulações dentro das indústrias.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.

Explore +
Busque, no Youtube, canais com explicações práticas de como calcular diâmetros de tubulações. Há também
calculadoras disponíveis, como a do eng. Tiago Fonseca Costa, Calculadora de diâmetros segundo ABNT NBR
5580.

Referências
AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM A105 – Standard Specification for Carbon Steel
Forging for Piping Application, 1998.

AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. ASTM A106/A106M – Standard Specification for
Seamless Carbon Steel for Piping for High Temperature Services, 1998.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 5580 – Tubos de aços-carbono para uso
comum na condução de fluidos- especificação. Rio de Janeiro: 2015.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 5590 – Tubos de aços-carbono com ou sem
solda longitudinal, pretos e galvanizados – requisitos. Rio de Janeiro: 2015.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 6493 – Emprego das cores para Identificação
de Tubulações. Rio de Janeiro: 1994.

BAUMEISTER, T.; MARKS, L. S. Standards Handbook for Mechanical Engineers. 7. ed. New York: McGraw Hill
Book, 1967.

GAFFERT, G. A. Steam Power Stations. 4. ed. New York: McGraw Hill Book, 1952.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. MTE. NR 13 – Caldeiras, Vasos de Pressão, Tubulações e Tanques
Metálicos de Armazenamento. Brasília: 2020.

TELLES. P. C. S. Tubulações Industriais, materiais, projeto e montagem. 10. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2001.

TELLES, P. C. S. Tubulações Industriais: cálculo. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1999.

Você também pode gostar