Direito Processual Penal Aplicado: Curso de Formação de Soldados (CFSD) 2025/2026
Direito Processual Penal Aplicado: Curso de Formação de Soldados (CFSD) 2025/2026
TÍTULO DA
4.1 Da prova: conceito e disposições gerais; 4.2 Cadeia de custódia; 4.3 Isolamento de local de
crime; 4.4 Meios de prova e provas em espécie; 4.5 Exame de corpo de delito; 4.5.1 Exame de
local de crime; 4.6 Confissão; 4.7 Busca e apreensão; 4.8.1 Busca domiciliar; [Link] Flagrante
APRESENTAÇÃO
Subunidades
delito e violação de domicílio; [Link] Ilicitude da apreensão de drogas; [Link] Consentimento do
morador; [Link] Mandado de busca e apreensão em domicílio; 4.9.2 Busca pessoal; 4.10
Captação ambiental.
Prova como atividade probatória Prova como resultado Prova como meio
TÍTULO DA
consiste no conjunto de atividades
de verificação e demonstração,
mediante as quais se procura
caracteriza-se pela formação da
convicção do órgão julgador no curso
são os instrumentos idôneos à
formação da convicção do órgão
APRESENTAÇÃO
do processo quanto à existência (ou julgador acerca da existência (ou não)
chegar à verdade dos fatos
não) de determinada situação fática. de determinada situação fática.
relevantes para o julgamento.
relacionados à causa,
mas sem influência
na decisão, A se a lei toma como
atividade instrutória verdadeiro
não pode retardar a aqueles cuja determinado fato ou
acontecimentos ou
TÍTULO DA
entrega do ocorrência se mostra situação, as partes
alheios à causa. situações que são de
provimento contrária às leis das não precisam com
conhecimento geral.
jurisdicional, em ciências naturais. prová-los, ex.:
busca de inimputabilidade do
APRESENTAÇÃO
informações que em menor de 18 anos.
nada irão contribuir
para o julgamento.
TÍTULO DA
meios de prova, em especial os decorrentes de fontes orais (testemunhas e vítimas), deverão
ser produzidos em contraditório judicial, na presença das partes e do juiz.
procedimentos (em regra, extraprocessuais) regulados por lei, com o objetivo de conseguir
Meios de
provas materiais, e que podem ser realizados por outros funcionários que não o juiz (ex.:
APRESENTAÇÃO
investigação da
policiais). Interceptação das comunicações telefônicas e telemáticas (Lei 9.296/1996); captação
prova (ou de
ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos (art. 8-A, da Lei 9.296/1996);
obtenção da
“quebras” dos sigilos legalmente protegidos, como o financeiro (regidos pela LC n. 105/2001), o
prova)
fiscal (CTN, art. 198), Agente infiltrado (arts. 10 a 14 da Lei 12.850/2013).
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
DA PROVA
TÍTULO DA
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
CADEIA DE CUSTÓDIA
CADEIA DE CUSTÓDIA (Lima, 2022)
mecanismo garantidor da autenticidade das evidências coletadas e examinadas, assegurando que
Conceito correspondem ao caso investigado. A documentação formal de um procedimento destinado a
manter e documentar a história cronológica de uma evidência.
Finalidade preservação das evidências do crime.
Art. 158-A. Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e
Fundamento documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua
posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.
ETAPAS DE RASTREAMENTO DOS VESTÍGIOS, Art. 158-B CPP
1 Reconhecimento distinguir um elemento como de potencial interesse para a produção da prova pericial
2 Isolamento evitar que se altere o estado das coisas
3 Fixação Descrever de forma detalhada o vestígio (no local de crime ou no corpo de delito)
4 Coleta recolher o vestígio que será submetido à análise pericial
TÍTULO DA
5 Acondicionamento embalar individualmente cada vestígio
6 Transporte transferir o vestígio de um local para o outro
7 Recebimento transferir a posse do vestígio
APRESENTAÇÃO
8 Processamento exame pericial em si, manipulação do vestígio
9 Armazenamento guarda, em condições adequadas, do material a ser processado
10 Descarte liberação do vestígio (legislação e autorização judicial)
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ISOLAMENTO DE LOCAL DE CRIME
ISOLAMENTO DE LOCAL DE CRIME (Lima, 2022)
Art. 158-B, II, CPP: ato de evitar que se altere o estado das coisas, devendo isolar e preservar o ambiente
Conceito
imediato, mediato e relacionado aos vestígios e local de crime;
Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a
chegada dos peritos criminais; [...]
Art. 158-A, §1º O início da cadeia de custódia dá-se com a preservação do local de crime ou com
Fundamento
procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de vestígio.
Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará
imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus
laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.
CONSEQUÊNCIAS
Proibição de Art. 158-C. § 2º, CPP: É proibida a entrada em locais isolados bem como a remoção de quaisquer vestígios de locais de crime
1
entrada antes da liberação por parte do perito responsável, sendo tipificada como fraude processual a sua realização.
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa,
com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Fraude processual
2 Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
TÍTULO DA
no CP Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se
em dobro.
Art. 23. Inovar artificiosamente, no curso de diligência, de investigação ou de processo, o estado de lugar, de coisa ou de
pessoa, com o fim de eximir-se de responsabilidade ou de responsabilizar criminalmente alguém ou agravar-lhe a
APRESENTAÇÃO
Fraude processual responsabilidade:
na lei de Abuso de Pena - detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
3
Autoridade (Lei Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem pratica a conduta com o intuito de:
I - eximir-se de responsabilidade civil ou administrativa por excesso praticado no curso de diligência;
13869/2019) II - omitir dados ou informações ou divulgar dados ou informações incompletos para desviar o curso da investigação, da
diligência ou do processo.
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EXAME DE CORPO DE DELITO
EXAME DE CORPO DE DELITO (Lima, 2022)
análise feita por pessoas com conhecimentos técnicos ou científicos sobre os vestígios materiais (art.
Conceito
158-A, § 3º, CPP) deixados pela infração penal para comprovação da materialidade e autoria do delito.
EXAME DE LOCAL DE CRIME
para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará
imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão
Conceito instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos (art. 169, CPP). Nesse caso, no
laudo, deverão os peritos registrarem as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as
consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos.
EXAME DE CORPO DE DELITO
Imprescindível nos Ex.: morte violenta. Mesmo em casos extremos, como um corpo esquartejado, é necessário
1 crimes que deixam realizar o exame para documentar as condições do corpo e as causas da morte. A
vestígios legislação não prevê a dispensabilidade do exame nessa situação.
O STJ entendeu que o reconhecimento das qualificadoras da escalada e rompimento de
Necessário para o obstáculo (previstas no art. 155, § 4º, I e II, do CP) exige sim a realização do exame pericial,
TÍTULO DA
2 reconhecimento salvo nas hipóteses de inexistência ou desaparecimento de vestígios, ou ainda se as
das qualificadoras circunstâncias do crime não permitirem a confecção do laudo (HC 456.927/SC, Rel. Ministra
Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 12/03/2019, DJe 28/03/2019).
APRESENTAÇÃO
Contudo, importa ressaltar a orientação de que, excepcionalmente, quando presentes nos
autos elementos aptos a comprovar a escalada de forma inconteste, pode-se reconhecer o
Suprimento
suprimento da prova pericial" (...) (STJ. AgRg no HC 691.823/SC). Exceções restritas
(desaparecimento de vestígios ou impossibilidade de laudo).
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CONFISSÃO
CONFISSÃO, ART. 197, CPP (Lima, 2022)
Conceito aceitação pelo acusado da imputação da infração penal, perante a autoridade judiciária ou policial.
Requisitos de validade da confissão no CPPM, art. 307
1 ser feita perante autoridade competente autoridade judiciária ou policial
o acusado não pode ser pressionado, ameaçado ou induzido
2 ser livre, espontânea e expressa
a confessar por promessas de benefícios ou por tortura.
3 versar sobre o fato principal deve resolver a controvérsia central do processo.
se contradizer outras provas (ex.: laudos periciais ou
4 ser verossímil depoimentos de testemunhas), a credibilidade pode ser
questionada.
5 ter compatibilidade com as demais provas do processo precisa ser corroborada por outros elementos de prova.
Confissão extrajudicial
Feita fora do processo penal (fase investigatória), geralmente perante a autoridade policial, sem a observância do contraditório
e da ampla defesa, sem a presença dialética das partes, não pode, por si só, fundamentar a condenação (art. 155, caput, CPP).
TÍTULO DA
Exceções: a) no plenário do júri (sistema da íntima convicção do juiz); b) confissão extrajudicial na presença de defensor.
1ª tese: a confissão extrajudicial somente será admitida no processo judicial se feita formalmente e de
maneira documentada, dentro de um estabelecimento público e oficial. Tais garantias não podem ser
renunciadas pelo interrogado, e, se alguma delas não for cumprida, a prova será inadmissível. A
APRESENTAÇÃO
Jurisprudência
inadmissibilidade permanece mesmo que a acusação tente introduzir a confissão extrajudicial no processo
do STJ
por outros meios de prova – por exemplo, pelo testemunho do policial que a colheu. 2ª tese: a confissão
extrajudicial admissível pode servir apenas como meio de obtenção de provas, indicando à polícia ou ao
Ministério Público possíveis fontes de provas na investigação, mas não pode embasar a condenação.
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026 STJ - 3ª Seção; Rel. Ministro Ribeiro Dantas; Jul.: 28/08/2024;
AREsp 2.123.334/MG.
BUSCA E APREENSÃO
BUSCA E APREENSÃO (Lima, 2022)
Diligência cujo objetivo é o de encontrar objetos ou pessoas. A apreensão deve ser tida como medida
Conceito
de constrição, colocando sob custódia determinado objeto ou pessoa. art. 240 do CPP.
ESPÉCIES DE BUSCA
1 Domiciliar art. 5º, inciso XI, e tutela do direito à intimidade, art. 5º, X, ambos da CRFB.
2 Pessoal Art. 240, §2º CPP
ESPÉCIES DE BUSCA PESSOAL
BUSCA PESSOAL POR RAZÕES DE SEGURANÇA BUSCA PESSOAL DE NATUREZA PROCESSUAL PENAL
Sem previsão legal (contrato) Previsão legal, art. 240, §2º, CPP
Realizada em festas, boates, aeroportos, rodoviárias, etc. Não tem restrição de local.
Natureza legal: é uma modalidade de busca que deve
Natureza contratual: caso a pessoa não se submeta à
ser fundada em critérios OBJETIVOS, afastando-se de
medida, não poderá se valer do serviço ofertado nem
eventuais estigmatizações, discriminações ou
tampouco frequentar o estabelecimento.
TÍTULO DA
preconceitos. Deve estar ligada à suspeita que alguém
Execução: de maneira razoável e sem expor as pessoas a
esteja na posse de um objeto criminoso, a ser realizada
constrangimento ou à humilhação.
por um agente público dotado de autoridade estatal.
Não pode ser realizado por qualquer um, pois é uma
APRESENTAÇÃO
A busca pode ser efetuada tanto por particulares (ex.:
modalidade de busca violadora da intimidade, liberdade e
seguranças) quanto por agentes públicos, conforme
eventualmente causar um constrangimento ilegal para
orientação do STJ.
impor a autoridade do estado.
TÍTULO DA
exige sempre indícios objetivos e verificáveis para caracterizar
a fundada suspeita, como denúncias confirmadas,
comportamentos claramente suspeitos (por exemplo, esconder
APRESENTAÇÃO
6 ATENÇÃO: Jurisprudência do STF e do STJ objetos ao avistar policiais), ou informações específicas
relacionadas a investigações em curso. A ausência desses
elementos torna a abordagem ilegal e pode resultar na
nulidade das provas obtidas.
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
CONCEITO DE DIA
CONCEITO DE DIA (Lima, 2022)
Apesar da Lei nº 13.869/2019 trazer um parâmetro objetivo, parte da doutrina e da jurisprudência entende que ela
não definiu de forma absoluta os conceitos de "dia" e "noite" para todos os efeitos processuais, mas apenas
estabeleceu limites para a responsabilização criminal de autoridades. Portanto, no processo penal brasileiro, para
fins práticos e de segurança jurídica, considera-se "dia" o período das 5h às 21h para cumprimento de mandados
judiciais em domicílio, conforme a Lei de Abuso de Autoridade, embora a doutrina ainda discuta critérios
cronológicos e físicos-astronômicos para outros contextos.
TÍTULO DA
(nascer do sol) e o crepúsculo
6:00h e 18:00h com autorização judicial, mesmo
(anoitecer ou pôr do sol).
após as 18:00 horas, desde que,
ainda, não fosse noite, como ocorre,
APRESENTAÇÃO
por exemplo, naquelas localidades
em que se adota o horário de verão.
É interpretado de forma ampla, abrangendo não apenas a residência tradicional, mas também qualquer local onde uma
pessoa habite ou exerça sua vida privada, mesmo que temporariamente. A CRFB, art. 5º, inciso XI, estabelece que a casa é
asilo inviolável do indivíduo, não podendo ser penetrada sem consentimento do morador, salvo em casos de flagrante delito,
desastre, para prestar socorro ou, durante o dia, por determinação judicial.
b) aposento ocupado de Obs.: toda a extensão do
c) compartimento não
habitação coletiva, ainda respectivo imóvel rural (Lei
a) qualquer compartimento aberto ao público, onde
que se destine à n. 10.826/03, art. 5º, §5°,
habitado alguém exerce profissão ou
permanência por poucas incluído pela Lei n.
atividade
horas 13.870/19).
locais que são utilizados por
Não se exige, para a definição não só a casa ou habitação,
várias pessoas para moradia
de “casa”, que ela esteja mas também o escritório de
ou estadia temporária. Ex.: residentes em área rural, o
fixada ao solo, pois o conceito advocacia, o consultório
quartos de hotéis, pensões, Estatuto do Desarmamento
constitucional abrange as médico, o quarto ocupado de
apart-hotéis, repúblicas e considera como residência
residências sobre rodas hotel ou motel, o quarto de
flats, desde que estejam ou domicílio para fins de
(trailers residenciais), barcos- hospital, empresas e lojas (do
TÍTULO DA
ocupados por alguém no compreensão dos limites do
residência, a parte traseira do balcão para dentro), pátios,
momento. A ocupação é registro de arma de fogo.
interior da boleia do jardins, quintal, garagens,
essencial para que o local
caminhão, etc. depósitos, etc.
seja considerado "casa“.
APRESENTAÇÃO
Obs.: gabinete ou sala de um funcionário público, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição pública, pode ser
compreendido como casa (art. 150, §4º, III, CP, porquanto se trata de compartimento com acesso restrito e dependente de
autorização, logo, um local fechado ao público onde determinado indivíduo exerce suas atividades laborais. STJ, 5aTurma, HC
298.763/SC, Rei. Min. Jorge Mussi, j. 7/10/2014, DJe 14/10/2014.
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
NÃO SE COMPREENDEM NO CONCEITO DE CASA
NÃO PODE SER CONSIDERADO CASA (Lima, 2022)
Estabelecimentos como
bares, clubes, teatros,
cinemas, restaurantes,
supermercados, shopping
centers, enquanto
Casa que não revela
estiverem abertos ao
sinais de habitação, nem
Carro (não tem finalidade público, não estão
mesmo de maneira
de habitação do indivíduo): compreendidos pela
transitória ou eventual, Hospedaria, estalagem ou
trata-se hipótese de busca expressão ‘casa’, podendo
notadamente se a qualquer outra habitação
pessoal (doutrina de as autoridades policiais
aparente ausência de coletiva, enquanto aberta,
processo penal). Obs.: na neles ingressar livremente
residentes no local se alia salvo na hipótese do art.
doutrina operacional da no exercício de sua função,
à fundada suspeita de 150, §4º CP
PMMG, trata-se de busca mesmo sem
que o imóvel é utilizado
veicular. consentimento ou
TÍTULO DA
para a prática de crimes
autorização judicial. Se
permanentes.
fechados ao público,
passam a estar
APRESENTAÇÃO
protegidos pela garantia
da inviolabilidade do
domicílio.
TÍTULO DA
Autorização de Ingresso em domicílio, cf. Memorando nº 30.102.2/22 – EMPM
Consequências da Ilicitude das provas obtidas em decorrência da medida, bem como das demais provas que
violação a essas dela decorrerem em relação de causalidade, sem prejuízo de eventual responsabilização
regras penal do(s) agente(s) público(s) que tenha(m) realizado a diligência.
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
MANDADO DE BUSCA DOMICILIAR
MANDADO DE BUSCA DOMICILIAR (Lima, 2022)
Regra A busca domiciliar deve ser executada durante o dia.
Durante a noite Só com o consentimento do morador.
Antes de entrar na casa, ler e mostrar o mandado ao morador ou representante,
Procedimento
intimando-o, em seguida, a abrir a porta. Arts. 245, CPP.
Legitimidade Oficiais de Justiça, polícia judiciária e, excepcionalmente, polícia militar.
Morador não franqueia o
durante o dia, após a leitura do mandado, a porta será arrombada e forçada a entrada.
acesso
será permitido o emprego de força contra coisas existentes no interior da casa, para o
Recalcitrando o morador
descobrimento do que se procura (CPP, art. 245, §§ 2º e 3º).
A busca deve ser feita de modo que não moleste os moradores mais do que o
Casa habitada
indispensável para o êxito da diligência (CPP, art. 248).
A diligência deve ser realizada normalmente, com a ressalva de que, neste caso, deve ser
intimado a assistir à diligência algum vizinho, se houver e estiver presente. Igual
TÍTULO DA
Ausentes os moradores
procedimento: quando as pessoas presentes em casa não tiverem capacidade para
consentir (v.g., menores de idade ou doentes mentais).
Os executores lavrarão auto circunstanciado, assinando-o com duas testemunhas presenciais,
APRESENTAÇÃO
e, eventualmente, por um vizinho, quando não houver moradores na casa. A ausência de
Finalizada a diligência testemunhas presenciais ao cumprimento da diligência de busca domiciliar é considerada
mera irregularidade. Não sendo encontrada a pessoa ou coisa procurada, os motivos da
diligência serão comunicados a quem tiver sofrido a busca, se o requerer (art. 247 do CPP).
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
MANDADO DE BUSCA DOMICILIAR
MANDADO DE BUSCA DOMICILIAR (Lima, 2022)
A expedição de mandado de busca domiciliar está condicionada à presença de fundadas razões,
Expedição sendo indispensável a presença de elementos informativos apontando que uma das coisas ou
pessoas citadas no art. 240, § 1º, do CPP, encontra-se no interior da casa sujeita à diligência.
Art. 243, CPP: mandados de busca domiciliar não podem se revestir de conteúdo genérico, nem
podem se mostrar omissos quanto à indicação, o mais precisamente possível, do local objeto
Mandado de
dessa medida extraordinária. Dada a impossibilidade de indicação, ex ante, de todos os bens
busca
passíveis de apreensão no local da busca, é mister conferir-se certa discricionariedade, no momento
domiciliar
da diligência, à autoridade policial. Revela-se suficiente, para fins de delimitação da busca e
genérico
apreensão, a determinação de que devem ser apreendidos os materiais que possam guardar relação
estrita com os fatos sob investigação.
“No que diz respeito à busca e apreensão de pessoas, suponhamos que alguém esteja sendo
perseguido em flagrante pela polícia e entre em uma das residências de um condomínio. Sem saber
exatamente qual casa é, o policial PODERIA cometer crime militar de violação de domicílio (art.
FEITOZA, 226 do CPM, se for policial militar) ou crime comum de abuso de autoridade (art. 3º, inciso b, da Lei nº
TÍTULO DA
Denilson. 4.898/1965, se for policial civil ou federal), CASO ENTRASSE FORÇADAMENTE EM TODAS AS CASAS.
Direito Não adiantaria que o policial intimasse cada morador a entregar o fugitivo (art. 294 combinado com
Processual art. 293 do CPP), pois não teria certeza de que ele estivesse naquela residência específica. Entretanto,
Penal, p. 773. o policial pode vigiar todas as saídas do condomínio (art. 293, parágrafo final, do CPP), por
APRESENTAÇÃO
analogia ao que faria durante a noite, enquanto obtém um mandado judicial de busca e apreensão
para localizar o criminoso em todas as residências.” Portanto, situação diversa da especificada acima
deve ser devidamente justificada no registro policial, a fim de amparar a atuação policial. Ex.:
demonstrar que a entrada nas residências se deu com consentimento dos respectivos moradores.
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BUSCA E APREENSÃO: CASA DESABITADA E ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA
CASA DESABITADA SOMADA À SUSPEITA DE UTILIZAÇÃO PARA A PRÁTICA DE CRIMES PERMANENTES
(Lima, 2022)
Firmada a premissa de que a proteção constitucional no tocante à casa, independentemente de seu formato
e localização, de se tratar de bem móvel ou imóvel, pressupõe que o indivíduo a utilize para fins de
habitação ou moradia, ainda que transitoriamente, pois o art. 5º, XI, da CF, tutela, ao fim e ao cabo, o bem
jurídico da intimidade e da vida privada, não há falar em nulidade na busca e apreensão efetuada por
policiais, sem prévio mandado judicial, em uma casa (ex.: apartamento), que não revela sinais de habitação,
nem mesmo de maneira transitória ou eventual, notadamente se a aparente ausência de residentes no local
se alia à fundada suspeita de que o imóvel é utilizado para a prática de crimes permanentes.
BUSCA E APREENSÃO EM ESCRITÓRIO DE ADVOCACIA
Busca e apreensão em escritório de
a diligência, além de prévia autorização judicial decretada com base
advocacia (ou mesmo nas hipóteses
em indícios e materialidade da prática de crime por parte de advogado,
de escritório residencial, mas desde
com mandado de busca e apreensão específico e pormenorizado,
que o fato delituoso esteja
também demanda a presença de representante da Ordem dos
relacionado ao exercício da
TÍTULO DA
Advogados do Brasil.
advocacia):
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
DESCOBERTA DE OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS E
TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS
DESCOBERTA DE OUTROS ELEMENTOS PROBATÓRIOS E TEORIA DO ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS
(Lima, 2022)
A teoria do encontro fortuito de provas é utilizada nos casos em que, no cumprimento de uma
diligência relativa a um delito, a autoridade policial casualmente encontra provas pertinentes à outra
Conceito infração penal, que não estavam na linha de desdobramento normal da investigação. Portanto, a
prova de determinada infração penal é obtida a partir de diligência regularmente autorizada para a
investigação de outro crime.
Validade da A validade da prova inesperadamente obtida está condicionada à forma como foi realizada a
prova diligência.
CUMPRIMENTO DE MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO
Nesses casos de cumprimento de mandados de busca e apreensão, deve-se atentar para o
fato de que a Constituição Federal autoriza a violação ao domicílio nos casos de flagrante
Validade da delito (CF, art. 5º, XI). Logo, se a autoridade policial, munida de mandado de busca e
TÍTULO DA
prova
apreensão, depara-se com certa quantidade de droga no interior na residência, temos que a
encontrada
apreensão será considerada válida, pois, como se trata do delito de Tráfico de Drogas na
fortuitamente
modalidade de “guardar”, espécie de crime permanente, haverá situação de flagrante
em
APRESENTAÇÃO
cumprimento delito, autorizando o ingresso no domicílio mesmo sem autorização judicial. Hipóteses de
de MBA flagrante delito (ex.: crimes permanentes), mesmo que o objeto do mandado de busca e
apreensão seja distinto, será legítima a intervenção policial, a despeito da autorização para
entrar na casa lhe ter sido deferida com outra finalidade (Lima, 2022).
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
FLAGRANTE DELITO E VIOLAÇÃO DO DOMICÍLIO
INDEPENDENTEMENTE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
FLAGRANTE DELITO E VIOLAÇÃO DO DOMICÍLIO INDEPENDENTEMENTE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (Lima,
2022)
estando o agente em situação de flagrância (crime ou contravenção penal) no interior de sua casa, será
possível a violação ao domicílio mesmo sem mandado judicial, art. 150, §3º, II, CP c/c art. 22, §2º, Lei
Regra geral
13.869/2019. Em suma: qualquer hipótese de flagrante (art. 302, incisos I a IV, CPP) autoriza a
violação de domicílio (Lima, 2022).
Requisito
quando os fatos e as circunstâncias permitiriam a uma pessoa razoável acreditar ou ao menos
Causa provável
suspeitar, com base em elementos concretos, que um crime está sendo cometido no interior da
(probable
residência, que a entrada era necessária para prevenir o dano aos policiais ou outras pessoas, a
cause ou
destruição de provas relevantes, a fuga de um suspeito, ou alguma outra consequência que frustre
exigente
indevidamente esforços legítimos de aplicação da lei (United States v. McConney, 728 F. 2d 1195, 1199 -
circunstance)
9th Cir., cert. Denied, 469 U.S. 824 1984).
Tese de Repercussão Geral fixada no tema n. 280, STJ
TÍTULO DA
“A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em
fundadas razões, devidamente justificadas a posteriori, que indiquem que, dentro da casa, havia situação de flagrante
delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos
praticados”. Deve haver um controle posterior, exigindo-se dos agentes estatais a demonstração de que a medida fora
APRESENTAÇÃO
adotada mediante justa causa, ou seja, que havia elementos para caracterizar a suspeita de flagrante delito no interior
daquele domicílio, autorizando, pois, o ingresso forçado, independentemente de prévia autorização judicial. Em síntese,
o modelo probatório deve ser o mesmo da busca e apreensão domiciliar, que pressupõe a presença de fundadas
razões (CPP, art. 240, § 1º), as quais, devem ser exigidas de maneira modesta e compatível com o momento em questão.
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
ILICITUDE DA APREENSÃO DE DROGAS
ILICITUDE DA APREENSÃO DE DROGAS, CONFORME O STJ (Lima, 2022)
Fundada unicamente em sua fuga de local supostamente conhecido como ponto de
a) mera intuição de
venda de drogas ante a iminente abordagem policial. STJ, 6ª Turma, REsp 1.574.681/RS,
traficância:
Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, j. 20/04/2017, DJe 30/05/2017.
b) denúncia anônima,
Desacompanhada de outros elementos preliminares indicativos de crime, ex.: campana.
isoladamente
STJ, 6ª Turma, HC 512.418/RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, j. 26.11.2019, DJe 03.12.2019.
considerada:
somente a informação de que o indivíduo tivera envolvimento anterior com tráfico de
drogas não teria o condão de autorizar a autoridade policial, após revista pessoal em
c) anterior
que nada de ilícito foi encontrado na posse do suspeito, a conduzi-lo até seu local e
envolvimento do
trabalho e sua residência, locais protegidos pela garantia constitucional do art. 5º, IX, da
indivíduo com
CF, para ali entrar, sem prévia autorização judicial e sem seu consentimento, diante da
crime de tráfico de
inexistência de fundamento suficiente para levar à conclusão de que, naqueles locais,
drogas:
estava sendo cometido algum tipo de delito, permanente ou não. STJ, 5ª Turma, RHC
TÍTULO DA
126.092-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, j. 23.06.2020, DJe 30.06.2020.
Obs.: A 6ª Turma do STJ andou bem ao reconhecer a ilicitude das provas nos 3 (três) primeiros precedentes
acima, porque, de fato, todas elas revelam um standard probatório de mera suspeita, ou seja, um estado
APRESENTAÇÃO
anímico, um fenômeno subjetivo, que poderia até servir para desencadear ulterior investigação, mas que, de
modo algum, se apresentaria idôneo para fundamentar o ingresso em domicílio alheio sem prévia
autorização judicial em virtude de suposto flagrante delito (Lima, 2022).
TÍTULO DA
sua residência:
não teria havido uma investigação prévia para que os policiais entrassem na
f) perseguição a veículo com
residência do paciente, mas sim um mero patrulhamento de rotina no qual
APRESENTAÇÃO
ulterior invasão policial de
os policiais seguiram o veículo, por não ter esse parado, e adentraram no
condomínio de
condomínio, sem prévia autorização judicial. STJ, 6ª Turma, AgRg no HC
apartamentos:
561.360/SP, Rei. Min. Sebastião Reis Júnior, j. 09.06.2020, DJe 18.06.2020.
TÍTULO DA
judicial, porque o standard probatório exigido para tanto deve guardar moderação e compatibilidade com o
momento em questão (Lima, 2022).
APRESENTAÇÃO
Em resumo, tomadas as devidas cautelas, as hipóteses das alíneas d a h (slides 23 e 24) caracterizam
fundada suspeita, tornando LEGÍTIMA a atuação policial, desde que devidamente justificadas.
2
Busca em
veículos
particulares
TÍTULO DA
Também deve ter como base alguma suspeita fundamentada, ou seja, um fato que
justifique a necessidade para o policial.
3
APRESENTAÇÃO
Blitz policiais
As blitz policiais podem e devem ser realizadas normalmente, como parte das ações de
prevenção aos crimes. Entretanto, excessos não devem ser permitidos.
TÍTULO DA
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO DE
DADOS E DE CONVERSAS REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES
APREENDIDOS
NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO DE DADOS E DE CONVERSAS
REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES APREENDIDOS (Lima, 2022)
Policiais, logo após a prisão em flagrante, efetuaram a análise dos últimos registros telefônicos dos dois
aparelhos celulares apreendidos com o flagranteado
Sob o argumento de que não teria havido a interceptação das comunicações telefônicas, mas
simples acesso a registros telefônicos - chamadas recebidas e efetuadas -, que não gozam da
proteção do art. 5º, XII, da CRFB, concluiu-se pela validade das provas. Afinal, ao proceder à
Prova lícita pesquisa na agenda eletrônica dos aparelhos devidamente apreendidos, meio material indireto de
prova, a autoridade policial teria agido em estrita observância ao art. 6º do CPP no sentido de colher
elementos de informação quanto à autoria e materialidade. STF, 2ª Turma, HC 91.867/PA, Rei. Min.
Gilmar Mendes, j. 24/04/2012, DJe 185 19/09/2012.
COMENTÁRIOS
TÍTULO DA
Atualmente, os telefones celulares, em sua maioria, encontram-se conectados à internet de banda larga - os
chamados smartphones e geralmente são dotados de aplicativos de comunicação em tempo real. Isso significa dizer
que o acesso a um aparelho de telefonia celular de pessoa presa permite, pelo menos em tese, que a autoridade
policial tenha acesso a inúmeros aplicativos de comunicação em tempo real, tais como Whatsapp, Viber, Line,
APRESENTAÇÃO
Wechat, Telegram, BBM, Snapchat, etc., todos eles dotados das mesmas funcionalidades de envio e recebimento de
mensagens, fotos, vídeos e documentos em tempo real (Lima, 2022).
TÍTULO DA
O celular deixou de ser apenas um instrumento de conversação por voz à longa distância, permitindo, diante do
avanço tecnológico, o acesso de múltiplas funções, incluindo a verificação de correspondência eletrônica, de
mensagens e de outros aplicativos que possibilitam a comunicação por meio de troca de dados de forma similar à
telefonia convencional. Desse modo, sem prévia autorização judicial, é ilícita a devassa de dados e de conversas
APRESENTAÇÃO
de whatsapp realizada pela polícia em celular apreendido. A autorização judicial revela-se indispensável não
apenas para que as autoridades policiais possam ler as mensagens constantes de aparelhos celulares
apreendidos, mas também para, eventualmente, atender ao telefone móvel da pessoa sob investigação e travar
conversa com qualquer interlocutor que seja se passando por seu titular (Lima, 2022).
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO DE
DADOS E DE CONVERSAS REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES
APREENDIDOS
NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO DE DADOS E DE CONVERSAS
REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES APREENDIDOS (Lima, 2022)
Policial que atende o telefone no momento da abordagem e, se passando pelo acusado, negocia drogas e
provoca o flagrante
No momento da abordagem ao veículo em que estava o acusado, o telefone deste foi atendido pelo
policial, sem autorização para tanto, e se passou por ele para fazer a negociação de drogas e
provocar o flagrante. Esse mesmo policial também obteve acesso, novamente sem autorização
pessoal nem judicial, aos dados do aparelho, lendo mensagens que não lhe eram dirigidas. Para a
Prova ilícita 6ª Turma do STJ, embora tal conduta não se encaixe perfeitamente no conceito de interceptação
telefônica, revela verdadeira invasão de privacidade e quebra do sigilo das comunicações
telefônicas, haja vista a ausência de autorização judicial e do titular da linha, do que deriva a
ilicitude da prova assim obtida. STJ, 6ª Turma, HC 511,484/RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, j.
15/08/2019, DJe 29/08/2019.
TÍTULO DA
Policial que atende o telefone na presença de seu possuidor, bem como não se valeu de artifício ou ocultou sua
identidade para obter informações do interlocutor
A hipótese não se enquadra na interceptação telefônica (Lei 9.296/96), visto que o policial atendeu
APRESENTAÇÃO
o dispositivo celular na presença de seu possuidor, bem como não se valeu de artifício ou ocultou
Prova lícita sua identidade para obter informações do interlocutor. O aparelho celular atendido durante o
flagrante, que era produto de furto, sequer pertencia ao agravante. STF. 2ª Turma. AgRg no HC
194.075/SC, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 14.06.2021.
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DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO
DE DADOS E DE CONVERSAS REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES
APREENDIDOS
DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO DE DADOS E DE CONVERSAS
REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES APREENDIDOS (Lima, 2022)
1 Celular entregue à autoridade policial pela esposa da vítima falecida
não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização
judicial, na hipótese em que seu proprietário - a vítima - estiver morto, tendo o referido telefone
sido entregue à autoridade policial por sua própria esposa. Fundamento: estando morto o detentor
Prova lícita
de eventual direito ao sigilo, não haveria mais sigilo algum a proteger do titular daquele direito. STJ,
6a Turma, RHC 86.076/MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogério Schietti Cruz, j.
19/10/2017, DJe 12/12/2017.
Situação excepcional que justifique o acesso imediato das autoridades policiais aos dados armazenados no
2
aparelho celular
a extração de dados de aparelho celular sem autorização judicial viola o art. 157 do CPP, devendo
TÍTULO DA
a prova ser desentranhada dos autos se da hipótese não se depreende qualquer fundamento que
Prova lícita possa justificar a urgência, em caráter excepcional, do acesso imediato das autoridades policiais
aos dados armazenados no aparelho celular. STJ, 6ª Turma, RHC 76.324/DF, Rel. Min. Maria Thereza
de Assis Moura, j. 14.02.2017, DJe 22.02.2017.
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO
DE DADOS E DE CONVERSAS REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES
APREENDIDOS
DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL PRÉVIA PARA A EXTRAÇÃO DE DADOS E DE CONVERSAS
REGISTRADAS EM APARELHOS CELULARES APREENDIDOS (Lima, 2022)
3 Materialidade do crime incorporada no próprio celular
em caso concreto envolvendo a transmissão de fotografia íntima de adolescente através de
aplicativo de celular (Lei n. 8.069/90, art. 241-A), a 6ª Turma do STJ entendeu que a materialidade
delitiva estaria incorporada na própria coisa. Logo, quando se tratar do próprio corpo de delito, ou
Prova lícita
seja, quando a materialidade do crime se encontrasse plasmada em fotografias armazenadas no
próprio aparelho, não haveria necessidade de autorização judicial prévia. STJ, 6ª Turma, RHC
108.262/MS, Rel. Min. Antônio Saldanha Palheiro, j. 05.09.2019, DJe 09.12.2019.
4 Autorização do proprietário
por mais que a jurisprudência seja firme no sentido de reconhecer a ilicitude da prova oriunda do
acesso aos dados armazenados no aparelho celular, relativos a mensagens de texto, SMS, conversas
TÍTULO DA
por meio de aplicativos (Whatsapp), obtidos diretamente pela polícia no momento da prisão em
flagrante, sem prévia autorização judicial, se restar evidenciado, no caso concreto, que os policiais
Prova lícita
teriam acessado as conversas telefônicas do aparelho celular sem autorização judicial, mas com a
permissão do agente, não haveria qualquer ilegalidade a ser declarada. STJ, 5a Turma, HC
APRESENTAÇÃO
537.274/MG, Rel. Min. Leopoldo de Arruda Ra poso- Desembargador convocado do TJ-PE, j.
19.11.2019, DJe 26.11.2019.
TÍTULO DA
se o acesso ficar restrito aos registros telefônicos e à agenda do aparelho celular apreendido com
um dos envolvidos, há precedentes da 5ª Turma do STJ no sentido de que, in casu, não haveria
qualquer ilegalidade, ainda que a medida fosse levada a efeito sem prévia autorização judicial,
Prova lícita porquanto tais dados não estão abarcados pela reserva de jurisdição prevista no art. 5º, inciso XII,
APRESENTAÇÃO
da Constituição Federal. STJ, 5ª Turma, AgRg no REsp 1.853.702/ RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, j. 23.06.2020, DJe 30.06.2020.
[Link]
TÍTULO DA
constatação de circunstâncias fáticas concretas que evidenciaram a suspeição do
abordado.
APRESENTAÇÃO
Memorando - Fundada Suspeita
TÍTULO DA
salvo se, por força do princípio da proporcionalidade, possa ser considerada lícita (Lima, 2022).
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
LICITUDE DA CAPTAÇÃO AMBIENTAL E (DES)NECESSIDADE DE
PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL
LICITUDE DA CAPTAÇÃO AMBIENTAL E (DES)NECESSIDADE DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (Lima,
2022)
Captação de conversa alheia (ou de imagens) em locais abertos ao público, porém em caráter sigiloso,
2
expressamente admitido pelos interlocutores
constitui invasão de privacidade, pois o interceptador não pode imiscuir-se em segredo de terceiros
sem permissão legal. Por não afrontarem o art. 5º, X, da Constituição Federal, interceptações
ambientais lato sensu devem ser consideradas válidas, salvo quando realizadas em ambiente no
qual haja expectativa de privacidade, ou quando praticadas com violação de confiança de
Prova ilícita
corrente de relações interpessoais ou profissionais. Na hipótese, conquanto tenha a paciente
concordado em conceder a entrevista ao programa de televisão, a conversa que haveria de ser
reservada entre ela e um de seus advogados foi captada clandestinamente STJ, 6ª Turma, HC
59.967/SP, Rel. Min. Nilson Naves, j. 29/06/2006, DJ 25/09/2006 p.316. (Lima, 2022).
3 Captação de conversa mantida em lugar privado não aberto ao público
TÍTULO DA
se produzida sem prévia autorização judicial, constitui invasão de privacidade, pois não está
autorizado o ingresso em casa alheia, cuja inviolabilidade é constitucionalmente assegurada
(CF, art. 5°, XI), razão pela qual a coleta de dados resultante de conversação mantida dentro de
Prova ilícita
domicílio alheio é prova ilícita. Além de violar o direito à intimidade (CF, art. 5º, X), seja no
APRESENTAÇÃO
tocante ao direito ao segredo, seja em relação ao direito de reserva, também haverá evidente
afronta à inviolabilidade domiciliar prevista no art. 5º, inciso XI, da CRFB (Lima, 2022).
TÍTULO DA
Apesar da proteção penal, a recusa pode resultar em sanções administrativas, como
Sanções multa e suspensão do direito de dirigir, conforme o CTB. O STF entende que essas
1
Administrativas sanções não violam o princípio da não autoincriminação, pois visam proteger o interesse
coletivo de segurança no trânsito.
2 APRESENTAÇÃO
Independência das
Esferas Penal e
Administrativa
A aplicação de sanções administrativas pela recusa ao teste de alcoolemia é constitucional.
Isso ocorre porque as esferas penal e administrativa são independentes, permitindo que o
Estado adote medidas para garantir a segurança pública sem infringir direitos constitucionais
TÍTULO DA
irregular, sendo necessária a corroboração por outros elementos probatórios.
Casos Ex.: vítima conhece o acusado por serem vizinhos ou por outros motivos, pode haver exceção à
4
Específicos necessidade do procedimento formal, desde que haja outros elementos de prova.
APRESENTAÇÃO
Prova A realização inadequada pode contaminar a memória do reconhecedor, tornando impossível sua
5
irrepetível repetição com a mesma fidelidade.
[Link]
6 STJ
[Link]
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
PROVA TESTEMUNHAL
DEPOIMENTO DE POLICIAIS (DIZER O DIREITO) (Lima, 2022)
O depoimento de policiais é tratado como qualquer outra prova testemunhal, devendo
ser valorado pelo juiz com base em critérios de coerência interna, coerência externa e
Conceito
sintonia com as demais provas dos autos. STJ. 5ª Turma. AREsp 1.936.393-RJ, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 25/10/2022 (Info 756).
Valoração da O testemunho prestado em juízo pelo policial deve ser valorado, assim como acontece com a
prova prova testemunhal em geral. Dessa forma, o testemunho policial não pode ser,
testemunhal do aprioristicamente, sobrevalorizado, sob o único argumento de que o policial goza de fé pública.
policial e fé Por outro lado, o testemunho policial não pode ser subvalorizado, sob a justificativa de que
pública sua palavra não seria confiável para, isoladamente, fundamentar uma condenação.
CONSEQUÊNCIAS
A condenação baseada exclusivamente em depoimentos policiais é possível, mas deve ser
1 Condenação vista com reservas. STJ. 5ª Turma. HC 395.325/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
18/05/2017.
TÍTULO DA
Especial Narrativas policiais padronizadas ou contraditórias, não corroboradas por outras provas, não
2
Escrutínio servem como base suficiente para justificar ações como invasão domiciliar.
O testemunho policial é sempre suspeito?
APRESENTAÇÃO
NÃO. O depoimento do policiais tem a natureza jurídica de prova testemunhal e assim deve ser valorado pelo juiz.
Fonte: CAVALCANTE, Márcio André. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 05 Set. 25.
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
REFERÊNCIAS
ASSIS, Jorge César de. Comentários ao Código Penal Militar: parte geral – artigos 1º a 135.
Parte especial – artigos 136 a 410. 8. ed. rev., ampl. e atual. Curitiba: Juruá editora, 2017.
BRASIL. Código Penal Militar. Decreto-Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969. Brasília, 1969.
TÍTULO DA
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, 1988.
APRESENTAÇÃO
LIMA, Renato Brasileiro de. Legislação Criminal Especial Comentada. 8. ed. rev., ampl. e
atual. São Paulo: Ed. JusPodivm, 2020.
LOPES JÚNIOR, Aury. Direito processual penal. 17. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
NEVES, Cícero Robson Coimbra. STREIFINGER, Marcello. Manual de Direito Penal Militar:
volume único. 9. ed. ver. atual. e ampl. São Paulo: editora Juspodivm, 2025.
NEVES, Cícero Robson Coimbra. Manual de Direito Processual Penal Militar. 3ª ed. São
Paulo: Saraiva Educação, 2018.
TÍTULO DA
OLIVEIRA, Maurício José de. Crime Militar: da prisão em flagrante à audiência de custódia:
teoria & prática. Belo Horizonte, Diplomata Livros Jurídicos e Literários: 2016.
APRESENTAÇÃO
SANTOS, Gilmar Luciano. Polícia Judiciária Militar e seus procedimentos pré- processuais.
1ª ed. Belo Horizonte: Katana, 2022.
SANTOS, Gilmar Luciano. Prática forense para o Juiz militar. 2ª ed. Belo Horizonte: Inbradim,
2016.
ASSIS, Jorge Cesar. Código de Processo Penal Militar Anotado. 5ª ed. Vol. I e II. Curitiba.
Juruá, 2020.
ASSIS, Jorge Cesar. Crime Militar & Processo: Comentários à Lei 13.491/2017. 2ª ed. Curitiba.
Juruá, 2019.
BRASIL. Lei n. 13. 869, de 05 de setembro de 2019, que dispõe sobre os crimes de abuso de
autoridade. Brasília, 2019.
TÍTULO DA
MINAS GERAIS. Constituição do Estado de Minas Gerais. 28. ed. Belo Horizonte: Assembleia
Legislativa do Estado de Minas Gerais, 2021. Atualizada até EC 109.
APRESENTAÇÃO
MINAS GERAIS. Polícia Militar de. Instrução de Conjunta de Corregedorias n. 02
(ICCPM/BM N. 02/2014), de 13 de fevereiro de 2014. Padroniza as atividades de Polícia
Judiciária Militar.
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
REFERÊNCIAS
MINAS GERAIS. Polícia Militar de. Instrução de Conjunta de Corregedorias n. 07
(ICCPM/BM N. 07/2020), de 03 de agosto de 2020. Estabelece nova redação aos arts. 26 e
28 da ICCPM/BM 02/2014.
BRASIL. Lei n. 9.099/95. Dispõe sobre os juizados Especiais Cíveis e Criminais e dá outras
providencias. Brasília, 1995.
TÍTULO DA
APRESENTAÇÃO
DIREITO PROCESSUAL PENAL APLICADO – CFSd 2025/2026
OBRIGADO!