CIV - LINDB
Criado em @10 de junho de 2025 23:42
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➡️ Resumo Art. 1° e 2°
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➡️ Art. 1° Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o
país 45 dias depois de oficialmente publicada.
§ 1° Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando
admitida, se inicia três meses depois de oficialmente publicada.
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§ 3° Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto,
destinada a correção, o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores
começará a correr da nova publicação.
➡️ Art. 2° Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até
que outra a modifique ou revogue.
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➡️ Definição de repristinação
A repristinação significa restaurar o valor obrigatório de uma lei que foi
anteriormente revogada. O nosso ordenamento jurídico não aceita, em regra, a
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repristinação, exceto se houver disposição em contrário. Se a Lei nova “B”, que
revogou uma Lei velha “A”, for também revogada, posteriormente, por uma Lei
mais nova “C”, a Lei velha “A” não volta a valer automaticamente. Isso só irá
acontecer se no texto da Lei mais nova “C” estiver expresso que a Lei velha “A”
volta a valer
Brasil só aceita repristinação expressa.
➡️ Definição de ab-rogação e derrogação
Revogação TOTAL = Ab-rogação
Revogação PARCIAL = derrogação
➡️ Art. 4° Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com
a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.
Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo
com a analogia (transpor a norma para caso semelhante), os costumes
e os princípios gerais de direito (razoabilidade).
➡️ Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato
jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
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§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo a lei vigente ao
tempo em que se efetuou.
§ 2º Consideram-se adquiridos assim os direitos que o seu titular, ou alguém
por êle, possa exercer, como aquêles cujo comêço do exercício tenha têrmo
pré-fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de outrem.
§ 3º Chama-se coisa julgada ou caso julgado a decisão judicial de que já não
caiba recurso.
❓ Questões
Monique Gume, servidora pública efetiva lotada na Secretaria de Educação
do Estado do Pará, procura uma conceituada advogada paraense e relata
que tomou posse no cargo, após o devido concurso, na vigência da Lei
Complementar nº XYZ, de 2002.
Ocorre que, em 2023, a citada norma jurídica foi extinta pela promulgação da
Lei Complementar no ABC, que extinguiu uma gratificação de cinquenta por
cento sobre o vencimento a que ela tinha direito. Destaque-se que o artigo
nono da Lei Complementar de 2023 prevê a revogação por inteiro da Lei
Complementar de 2002.
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Monique explica, ainda, que só realizou o concurso devido à gratificação, pois
do contrário o cargo não possuiria atrativo suficiente.
Com base na situação hipotética, assinale a afirmativa correta.
A A jurisprudência brasileira consagra a existência de direito adquirido a regime
jurídico.
B Salvo disposição em contrário, a lei revogada se restaura por ter a lei
revogadora perdido a vigência.
C Na situação hipotética, com a promulgação da Lei Complementar no ABC de
2023, a Lei Complementar no XYZ de 2002 foi ab-rogada expressamente.
D O princípio da supremacia do interesse público permite a violação do direito
adquirido pela promulgação de uma lei ordinária.
E A lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já
existentes revoga a lei anterior.
Gabarito: Letra C.
A questão trata da sucessão de leis no tempo.
c) Na situação hipotética, com a promulgação da Lei Complementar no ABC
de 2023, a Lei Complementar no XYZ de 2002 foi ab-rogada expressamente.
Certo. Ab-rogação é a revogação total da lei (art. 2º, § 1º, Decreto-Lei
4.657/1942). Foi o que ocorreu na hipótese da questão, pois o artigo nono da
Lei Complementar de 2023 prevê a revogação por inteiro da Lei Complementar
de 2002.
§ 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente
o declare, quando seja com ela incompatível ou quando
regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.
a) A jurisprudência brasileira consagra a existência de direito adquirido a
regime jurídico.
Errado. A jurisprudência brasileira não consagra a existência de direito
adquirido a regime jurídico.
O Supremo Tribunal Federal, o julgar o Recurso Extraordinário 563.708/RN
(Tema 24) firmou a tese de que "Não há direito adquirido a regime jurídico,
notadamente à forma de composição da remuneração de servidores públicos,
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observada a garantia da irredutibilidade de vencimentos". Há limites para a
aplicabilidade do direito adquirido dentro do dos regimes jurídicos
Regime jurídico é o conjunto de normas, regras e penalidades aplicáveis a
determinadas relações e categorias dentro do Direito. Exemplos: regime
jurídico dos servidores públicos (Regime Jurídico Estatutário); o regime jurídico
trabalhista; regime jurídico dos bens públicos.
Direito adquirido (art. 6º, §§ 1º,e 2º, Decreto-Lei 4.657/1942) é aquele que
completou suas etapas de formação, segundo a lei vigente ao tempo em que
aquelas etapas se esgotaram (André de Carvalho Ramos e Erik Frederico
Gramstrup, Comentários à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro –
LINDB [livro eletrônico], 2ª ed., Saraiva Educação, 2021).
§ 1º Reputa-se ato jurídico perfeito o já consumado segundo
a lei vigente ao tempo em que se efetuou. (Incluído pela Lei
nº 3.238, de 1957) § 2º Consideram-se adquiridos assim os
direitos que o seu titular, ou alguém por ele, possa exercer,
como aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-
fixo, ou condição pré-estabelecida inalterável, a arbítrio de
outrem. (Incluído pela Lei nº 3.238, de 1957)
b) Salvo disposição em contrário, a lei revogada se restaura por ter a lei
revogadora perdido a vigência.
Errado. A lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a
vigência. A repristinação só é possível quando houver disposição legal
expressa (art. 2º, § 3º, Decreto-Lei 4.657/1942).
§ 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se
restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.
d) O princípio da supremacia do interesse público permite a violação do
direito adquirido pela promulgação de uma lei ordinária.
Errado. O princípio da supremacia do interesse público não permite a violação
do direito adquirido pela promulgação de uma lei ordinária; deve respeitar o
direito adquirido (art. 6º, caput, Decreto-Lei 4.657/1942).
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Art. 6º A Lei em vigor terá efeito imediato e
geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e
a coisa julgada. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de 1957)
e) A lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já
existentes revoga a lei anterior.
Errado. A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já
existentes, não revoga nem modifica a lei anterior (art. 2º, § 2º, Decreto-Lei
4.657/1942).
§ 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou
especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a
lei anterior.
Exemplo de aplicação do dispositivo são os art. 391 do Código Civil e art. 789
do CPC, que são complementares, o segundo especial em relação ao primeiro.
Art. 391. Pelo inadimplemento das obrigações respondem
todos os bens do devedor. Art. 789. O devedor responde
com todos os seus bens presentes e futuros para o
cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições
estabelecidas em lei.
Correta, portanto, a letra C.
O juiz Achádego proferiu decisão em um processo com o seguinte
conteúdo: “Realmente, não há lei que regule especificamente a matéria. No
entanto, existe regra para hipótese semelhante que pode ser aplicada, com
as devidas alterações, a esse caso. De mais a mais, a pretensão do autor é
conforme o princípio da razoabilidade e, em uma análise econômica,
promove o melhor resultado para o mercado de ações”.
Nesse caso, exclusivamente à luz da Lei de Introdução às Normas do Direito
Brasileiro, notadamente a disciplina das lacunas normativas (art. 4º), o juiz:
A não poderia decidir sem base legal;
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B poderia invocar qualquer um desses fundamentos, sendo a lei omissa;
C só poderia transpor a norma para caso semelhante e aplicar o princípio da
razoabilidade, dado que não há lei regendo a matéria;
D sobre o tema, só poderia utilizar a norma existente para caso semelhante,
dada a ausência da lei;
E poderia transpor a norma pensada para casos semelhantes e adotar os
princípios da economia, dado o silêncio da lei.
Gabarito: LETRA C.
A questão diz respeito ao art.4º da LINDB, que trata da lacuna normativa e da
forma como o juiz pode proceder quando não há uma norma legal específica
para resolver um caso concreto.
Vamos analisar cada uma das alternativas para encontrarmos a CORRETA.
a) não poderia decidir sem base legal;
INCORRETA. Na verdade, o art. 4º da LINDB permite que no caso de lacuna
normativa é possível o juiz decidir com base na aalogia, costumes e princípios
gerais do direito.
b) poderia invocar qualquer um desses fundamentos, sendo a lei omissa;
INCORRETA. Apesar da lei ser omissa no caso descrito no enunciado, não
significa que o juiz pode invocar qualquer fundamento, inclusive uma análise
econômica não é aproriada no presente caso.
c) só poderia transpor a norma para caso semelhante e aplicar o princípio da
razoabilidade, dado que não há lei regendo a matéria;
CORRETA. De acordo com o art. 4º da LINDB, o juiz está autorizado a usar a
analogia e os princípios gerias do direito, como o princípio da razoabilidade,
quando não há uma norma expressa para a situação descrita no enuncaido.
Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais
de direito.
d) sobre o tema, só poderia utilizar a norma existente para caso semelhante,
dada a ausência da lei;
INCORRETA. O erro da assertiva consiste em afirmar que "só" poderia utilizar a
norma existente para caso semelhante. Sendo que o art. 4º da LINDB permite
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que seja utilizado também os costumes e os princípios gerais do direito para
preencher a lacuna.
e) poderia transpor a norma pensada para casos semelhantes e adotar os
princípios da economia, dado o silêncio da lei.
INCORRETA. Destaca-se que os princípios da economia não está relacionado a
LINDB, mas sim os princípios gerais do direito, como o princípio da
razoabilidade.
Portanto, o gabarito é a LETRA C.
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