A RODA DO ANO
Nos primórdios da humanidade, o homem vivia em contato direto e permanente com a terra, o
sol, a lua e as estrelas, sintonizado com ritmos cósmicos e altamente influenciado pelas forças e
manifestações da natureza.
Para garantir sua sobrevivência em um ambiente muitas vezes hostil, cheio de perigos e
imprevistos, os homens assim ditos "primitivos" observavam cuidadosamente os sinais e as
mudanças da natureza ao seu redor. Suas vidas e atividades dependiam dos ciclos do sol e da
lua, das mudanças das estações, dos efeitos climáticos e da interação das forças naturais ou
sobrenaturais.
Os povos antigos consideravam a viagem circular da terra ao redor do sol uma roda,
representando o eterno ciclo de nascimento e desabrochar, crescimento e florescimento,
maturidade e frutificação, envelhecimento e decadência, morte e decomposição e, novamente,
renascimento, refletido na vida humana e na natureza. Em sua aparente trajetória anual, o Sol
atinge dois pontos de afastamento máximo em relação ao Equador celeste, tanto para o norte
quanto para o sul. Esses pontos são chamados solstícios, o de inverno marcando o dia mais curto
do ano e o de verão, o dia mais longo do ano. Os equinócios são os pontos de interseção dessa
trajetória aparente do Sol com o equador celeste, determinando dois momentos em que o Sol
se encontra exatamente sobre o equador, quando o dia e a noite tem a mesma duração. O
equinócio de primavera representa o ponto mediano entre o solstício de inverno e o de verão,
enquanto que o equinócio de outono marca a metade do caminho entre o solstício de verão e
o de inverno.
Os povos antigos celebravam as transformações ocorridas na natureza ao longo da Roda do Ano
por meio de festivais. Os festivais Solares marcavam os solstícios e equinócios, em datas
determinadas pela entrada do Sol em certos signos astrológicos. Os Festivais do Fogo
aconteciam em datas fixas, marcando os pontos intermediários entre os solstícios e os
equinócios.
Estas oito celebrações, chamadas Sabbats, constituem os oito raios da Roda do Ano.
Estima-se que os Sabbats são celebrados, em suas várias formas e nos mais diferentes lugares
do mundo, há doze mil anos, marcando a relação da humanidade com seu meio ambiente
telúrico, solar e cósmico. Os Festivais de Fogo originaram-se no calendário agrícola, marcando a
passagem das estações, o plantio e a celebração das colheitas. A palavra Sabbat tem origem no
verbo grego sabatu, que significa descansar. Os Sabbats eram datas festivais, celebrando as
mudanças da natureza, a alegria das pessoas e a reverência às divindades. À medida que nossa
sociedade tornou-se cada vez mais tecnológica, eficiente e complexa, os homens se
distanciaram - física, psicológica e espiritualmente - de nosso ambiente natural (ecológico e
cósmico). Esse distanciamento resultou na atual crise ecológica e planetária, a humanidade
tendo esquecido que a Mãe Terra e o Pai Céu criaram e sustentam nossa vida. Para superarmos
essa cisão e sabermos honrar a sacralidade da natureza, devemos reconhecer nossa
interdependência com suas leis, manifestações e ciclos e relembrar ou recriar, Festivais que
celebrem a passagem do tempo e das estações.
(Mirella Faur – O ANUÁRIO DA GRANDE MÃE – pg. 315 e 316)
O MITO DA RODA DO ANO
Os rituais e atributos dos oito Sabbats são derivados do mito da Roda do Ano.
Milhares de anos atrás, a humanidade considerava a Grande Mãe como a origem de toda a
criação. Considerada uma figura complexa, andrógina por se autofertilizar, ela tanto criava a
vida como era a própria vida. Com o passar do tempo, surgiu a figura de Deus como filho e
consorte, gerado pela Deusa e, ao tornar-se adulto, unindo-se a ela, morrendo e renascendo em
um ciclo interminável.
Essa ideia pode ser melhor compreendida ao observar-se a trajetória anual do Sol, que
"desaparece" no inverno e "renasce" no verão. Dessa forma, podemos considerar o Sol como a
representação dos processos de morte e renascimento e esse ciclo permanente como a
personificação do relacionamento da Deusa - o eterno princípio da vida - com o Deus - que nasce,
cresce, fertiliza a terra, morre e renasce.
A Deusa contém o Deus em sua totalidade; Ela é a Terra e Ele é sua força, o princípio dinâmico
e criativo que resplandece, definha e reacende. Eles se complementam e juntos representam a
criação.
A sequência do relacionamento da Deusa e do Deus é retratada pelos Sabbats. Para os celtas, o
ano começava em Samhain, quando o Deus descia ao Mundo Subterrâneo e tornava-se o senhor
de tudo o que é escuro, oculto e misterioso. A Deusa era a Anciã, a senhora da magia, uma figura
paradoxal pois é, ao mesmo tempo, viúva - capaz de compreender o sofrimento humano - e mãe
- por carregar em seu ventre escuro seu futuro filho, como uma semente de luz.
Em Yule, o solstício de inverno, o Deus renasce, como filho divino da Deusa e de si mesmo. A
Deusa, então, assume a plenitude de seu aspecto de Mãe.
Em Imbolc, o Deus e a Deusa são jovens, cheios de energia e promessas e a natureza e a vida
desabrocham.
Em Ostara, no equinócio da primavera, a natureza floresce e se rejubila na antecipação da união
do Deus e da Deusa em Beltane. A Deusa, como Donzela, abençoa e promove a fertilidade das
plantas e da terra.
Em Beltane, o Deus e a Deusa celebram seu Casamento Sagrado, abençoando a fertilidade
humana e animal.
Em Litha, o solstício de verão, toda a natureza frutifica. A Deusa está grávida com as plantações
que serão colhidas em breve e o Deus está mudando sua face, que começa a tornar-se escura à
medida que o Sol se distancia e a luz começa a diminuir.
Em Lammas, o Deus e a Deusa presidem sobre a colheita, mas ele se sacrifica, morrendo quando
os grãos são colhidos. É seu sacrifício que vai alimentar a humanidade e oferecer as sementes
para um novo plantio.
Em Mabon, a Deusa é uma mãe amadurecida e sábia enquanto que o Deus é apenas uma
presença sutil, percebido nas celebrações das últimas colheitas e nos preparativos para a
aproximação da escuridão.
E o ciclo se fecha em Samhain, recomeçando novamente.
É evidente o tema do nascimento, fertilidade, polaridade sexual e morte, repetindo-se de várias
formas ao longo dos Festivais.
O Casamento Sagrado da Deusa e do Deus não representa um incesto, embora ele seja, além de
seu consorte, seu filho. É apenas a metáfora de um antigo costume perpetuado em várias
culturas ao longo do milênios, o da união do Rei com a Sacerdotisa para ativar a fertilidade da
Terra. Atualmente essa celebração pode ser simbólica, dedicada a nossa própria união interior,
juntando as polaridades ou o subconsciente ao consciente. Visa-se não apenas a fertilidade
física, mas principalmente a criatividade intelectual ou artística.
As celebrações dos Sabbats tem múltiplos e complexos significados, reverenciando a dualidade
- Deus/Deusa, homem/mulher, vida/morte, transitório/permanente - e o ciclo das estações,
além da passagem do tempo.
Mas acima de tudo, os Sabbats celebram a alegria e o encontro da comunidade, podendo ser
adaptados ou modificados conforme as condições locais, mas sempre respeitando a Tradição
Antiga.
Alguns escritores ou praticantes de Wicca do hemisfério sul propõem a inversão das datas dos
Sabbats, conforme as estações. Mesmo que cientificamente essa proposta possa ser válida,
esotérica e magicamente ela não tem sustentação. Ao longo dos milênios, os povos europeus
criaram uma egrégora¹ fortíssima em torno dessas celebrações, tendo sido inclusive aproveitada
pela Igreja Católica quando se apropriou dessas datas antigas e sobrepôs a elas as festividades
cristãs. Como o Brasil foi colonizado por europeus que trouxeram consigo suas tradições e
costumes – como os festejos natalinos e as festas juninas – a lógica é continuar respeitando as
datas do calendário original. Tente imaginar a discrepância energética e espiritual que seria
celebrar Samhain em maio e Beltane em Finados ou Yule em junho e Litha no Natal.
Os Sabbats podem ser celebrados por grupos mistos, por grupos só de mulheres ou, em sua
forma mais simplificada, por praticantes solitários.
Nos grupos femininos, dá-se maior ênfase às mudanças e transformações individuais que
acompanham o ciclo das estações e o ritmo da Terra. As mulheres sabem que os ciclos naturais
estão presentes em seus corpos, mentes e espíritos e que elas podem aprender a usar o
movimento simbólico da Roda do Ano para realizar mudanças interiores ou exteriores. Sentindo-
se parte da Terra e da Deusa, a mulher acompanha a natureza, fluindo com os ciclos e
percebendo-se como um reflexo da deusa da Terra dos nativos norte-americanos, chamada “A
Mulher Que Muda”. Cria-se, também, um maior sentido de união e irmandade sabendo que nos
Sabbats, mulheres do mundo inteiro se reúnem para celebrar a Terra e o ressurgimento dos
valores e tradições da Grande Mãe.
(Mirella Faur – O ANUÁRIO DA GRANDE MÃE – pg. 317 a 319)
Egrégora: Entidade formada pelas energias dos elementos de uma assembleia.
Em Dicionário Priberam da Língua Portuguesa
A RODA DO ANO CELTA
A "Roda do Ano Celta" – como é conhecido o conjunto desses festivais – é composta pela
sequência de celebrações em datas específicas, que têm sua origem na observação da passagem
das estações do ano.
Origens: Quatro Estações, Quatro Festivais
O verão se iniciava em Beltaine (possivelmente significando "O Grande Fogo") a 1º de maio,
e o inverno começava em Samhain ("Fim do Verão"), a 1º de novembro.
Os outros dois festivais, diretamente associados a deidades específicas, eram Lughnasadh, o
festival do deus Lugh, celebrado a 1º de agosto como uma festa tradicional da colheita; e
Imbolg (tido como significando "Leite de Ovelhas"), que caía em 2 de fevereiro.
Imbolg estava sob os auspícios da deusa Brighid e, posteriormente, de sua sucessora cristã,
Sta. Brígida. Seu festival comemorava o início da primavera e o nascimento das ovelhas e de
outros rebanhos.
(Juliette Wood)
Graças aos textos medievais e ao folclore sobrevivente na Irlanda, é possível afirmar que os
celtas da Antiguidade celebravam quatro festivais importantes, cada um associado a uma das
estações.
Assim, o giro da Roda começa com o festival de SAMHAIN, que anuncia a chegada do inverno,
da escuridão e da suspensão da vida, prosseguindo para o festival de IMBOLC (ou Oimelc), a
celebração do retorno da vida na Primavera. Em seguida, o apogeu da vitalidade e da fertilidade
é celebrado em BELTAINE; a beleza do declínio outonal é o tema de LUGHNASADH e, por fim,
retorna-se a Samhain. O "Calendário de Coligny" – uma série de tabuletas de bronze
encontradas na França – possui nomes semelhantes para as datas, o que leva a intuir que, ainda
que com pequenas variações regionais, os mesmos festivais eram observados em todo o mundo
celta.
Aprofundando a Roda do Ano
Os quatro festivais sazonais refletem os ciclos agrícola e pastoril do ano, mas eram também
períodos mágicos nos quais cria-se que as fronteiras entre os mundos real e sobrenatural
estavam mais tênues.
(Juliette Wood)
A celebração dos festivais da Roda do Ano é um dos pilares da vivência da Alma Celta. Sua
importância pode ser atestada pela absorção dos festivais por outros caminhos espirituais, como
a wicca e outras sendas neo-pagãs.
(Apesar de a Wicca também observar a roda do ano, seu significado para aquela tradição espiritual é
diferente, e possui poucas semelhanças com o simbolismo e a mitologia original dos celtas como resgatada
pelo druidismo moderno)
Contudo, poucos parecem se aperceber da profundidade dos festivais. Sua celebração correta é
um processo verdadeiramente transformador e iniciático por si só – desde que se compreendam
os simbolismos mais profundos de cada festival. Afinal, cada um desses festivais possui vários
níveis, citando alguns:
O Nível Ambiental, com as origens sazonais de cada celebração e os temas associados;
O Nível Intrínseco, em que micro e macro se integram para explicar a ciclicidade da vida
em suas diferentes esferas;
O Nível Mitológico, em que os mitos de cada festival fornecem ingredientes preciosos para
sua vivência plena;
O Nível Pessoal, em que se percebe as correspondências entre todos esses níveis e o
indivíduo.
Evidentemente é possível vivenciar os festivais celtas somente nos níveis mais superficiais –
aqueles que nos conectam à paisagem onde estamos. Contudo, sem se compreender essas
múltiplas facetas, não há como desfrutar plenamente da magia da Roda do Ano.
Os vestígios irlandeses indicam que os celtas anualmente celebravam quatro festivais
principais, cada um aparentemente associado à fertilidade e à ciclicidade das estações. As
festas, contudo, refletem mais do que somente o ciclo anual de fazendeiros e pastores:
também estão ligados à vida política e religiosa das comunidades irlandesas.
(Simon James)
NORTE OU SUL?
Um dos temas mais discutidos entre os brasileiros é o que trata da questão dos Hemisférios. É
sabido que as estações do ano são invertidas nos dois hemisférios: Enquanto é verão no
Hemisfério Norte, é também inverno no Hemisfério Sul.
Ao resgatar os festivais do fogo – Samhain, Oímelc, Beltaine e Lughnasadh –, as modernas
tradições buscam restaurar a íntima conexão com a ciclicidade da Natureza e com seus
processos criativos, transformadores e regeneradores, uma característica marcante das crenças
e práticas espirituais de nossos ancestrais. Através da celebração dos rituais sazonais, as forças
naturais do nascimento (primavera), expansão e fertilidade (verão), frutificação e declínio
(outono) e morte e adormecimento (inverno) podem ser vivenciadas intensamente não só na
paisagem externa, mas também – e principalmente – no interior de cada um de nós, em nossa
alma.
Mas a inversão das estações nos hemisférios com relação às datas calêndricas gera um mar de
dúvidas. Tomemos Beltaine como exemplo: se estou no sul e Beltaine está em sua origem
associado ao verão, como celebrar esse festival em pleno inverno? E se eu simplesmente
inverter as datas, corro o risco de perder contato com as milenares tradições a elas associadas?
É NECESSÁRIO FRISAR QUE NÃO EXISTE NINGUÉM EM CONDIÇÕES DE DIZER QUE EXISTE FORMA
CERTA OU ERRADA DE SE CELEBRAR A RODA DO ANO - A ESCOLHA É INDIVIDUAL E DEVE SEMPRE
SER PAUTADA POR UMA COMPREENSÃO PROFUNDA E INFORMADA.
Em seu nível mais superficial os festivais estão, de fato, associados às estações do ano. Mas
sabemos que existem outros níveis, mais profundos, que envolvem o simbolismo mitológico, os
arquétipos, as deidades, as correspondências astrológicas… Nesses casos, a mudança da
paisagem (outra região, outro continente, outro hemisfério…) não influencia o simbolismo da
data.
Contudo, para que isso faça sentido é preciso abandonar a leitura superficial das datas e
realmente compreender seu significado, suas origens e temas.
Para alguns praticantes, a inversão das estações do ano nos hemisférios justifica a alteração das
datas dos festivais, para adequá-los ao ritmo sazonal no Hemisfério Sul. Tem sentido, e funciona
– especialmente na Wicca e em outras correntes da chamada bruxaria moderna, que adotam a
mitologia conhecida como o "Romance da Deusa", em que cada festival corresponde a uma
"fase" na relação estabelecida entre a figura tipicamente romântica da Grande Mãe e o Deus
seu amante/filho.
(A mitologia do "Romance da Deusa", de desenvolvimento recente, ecoa a figura do "incesto sagrado"
presente em outras mitologias da Antiguidade, mas não se reflete nos mitos e lendas celtas.)
A passagem das estações do ano não é o único – nem o mais importante – elemento dos festivais
celtas, o que faz com que outras correntes neo-pagãs percebam na inversão das datas uma
ruptura com a poderosa energia dos festivais em suas datas originais.
Ora, nem as datas sagradas do calendário cristão e nem a Astrologia são invertidos no
Hemisfério Sul – apesar de suas incontestáveis origens e associações a eventos astronômicos e
sazonais do Hemisfério Norte. E ninguém em sã consciência há de questionar a validade tanto
da mitologia cristã como da ciência astrológica em terras meridionais.
Assim, quando nos dispomos a compreender não só o simbolismo, mas também as origens e os
significados de cada festival, percebemos que existem muitos outros fatores – mitológicos,
espirituais, arquetípicos – associados a cada festival, que não devem ser desprezados - sob pena
de se acessar somente uma parcela ínfima do poder transformador dessas datas.
Não há como negar: é do conhecimento e da compreensão dos mitos, costumes e lendas de
cada festival que surge uma vivência plena desses momentos especiais.
E são justamente os mitos associados aos festivais que nos fornecem uma indicação preciosa de
como os pagãos no Hemisfério Sul podem acessar a ancestralidade espiritual de seus festivais
sem perder contato com a paisagem na qual estão inseridos. Afinal, para uma espiritualidade
como o paganismo – em que a ligação entre o indivíduo e a paisagem, seus ciclos e ritmos
sagrados, é tão importante – não faria sentido abrir mão da conexão com esses ciclos e ritmos.
O calendário celta e, portanto o calendário de festivais druídicos, seguramente não possuía
nenhuma ligação com os solstícios – ao contrário do quanto propagado por ondas de neo-
druidas que extraem seu conhecimento e suas tradições de suas próprias fantasias. (…) Não
há sequer um único texto antigo que mencione qualquer data sagrada celta nas proximidades
dos solstícios de verão ou inverno.
(Jean Markale)
A Via do Meio
Abre-se ainda a perspectiva da criação de um sistema que permita aos praticantes do Hemisfério
Sul preservar a conexão espiritual e simbólica com as datas originais, sem descuidar da ligação
com a sacralidade da paisagem local.
Mas como isso ocorre?
Ocorre justamente graças à 'liberdade' que a ausência de práticas, mitos e costumes celtas
associados a solstícios e equinócios oferece para que se harmonize com os ciclos da paisagem
externa que o rodeia – enquanto que a observação dos quatro festivais do fogo mantém a 'ponte
espiritual' que conecta o praticante meridional às suas origens e à sua herança mito-religiosa.
Trocando em miúdos, os festivais do fogo são mantidos em suas datas originais do Hemisfério
Norte, para preservar a conexão mitológica e simbólica, enquanto que os solstícios e equinócios,
livres de associações mitológicas no calendário celta, oferecem a conexão com a paisagem do
Hemisfério Sul.
Esse sistema surgiu anos atrás, a partir de meus estudos e vivências pessoais: quando eu o
apresentei a grupos de estudos e em meus cursos, ele foi chamado de "Roda Mista" – nome
que perdura até hoje.
(Claudio Quintino Crow)
A "Roda Mista" permite que, ao celebrar os festivais do fogo em suas datas originais, tenha-se
acesso ao poder transformador desses festivais em toda a sua profundidade, graças à vivência
dos mitos e lendas, enquanto que a celebração dos solstícios e equinócios pelas datas do sul
fortalece a conexão sagrada entre o indivíduo e o mundo em que vive.
Para os praticantes da Wicca, talvez fique confuso seguir desta forma uma vez que não haveria
a sequência contada pelo Romance da Deusa. Mas o que é levado em consideração é a energia
e o espírito de cada praticante. Atualmente muitos Wiccanos já seguem a Roda Mista, ainda que
grande maioria prefira rodar apenas pelo Norte ou pelo Sul.
AS TRÊS RODAS
RODA NORTE RODA SUL
RODA MISTA
Como se nota, o tema é por demais complexo e oferece diversas nuances e variáveis – não será
um artigo como este a explaná-lo por inteiro. Peço, assim, que o amigo leitor encare este texto
como uma mera introdução ao debate sobre o tema – e que sempre tenha em mente que não
existe resposta "única" ou definitiva para a questão: apenas reflexões que precisam sempre –
como toda reflexão – da prática para ser ou não efetiva às necessidades e desejos de cada um.