Relevo Brasileiro
1. Introdução
O relevo brasileiro apresenta grande diversidade de formas, resultado da ação de agentes internos (endógenos) e agentes externos
(exógenos) ao longo de milhões de anos. Apesar da dimensão continental do território, o Brasil não possui grandes cadeias
montanhosas recentes como os Andes ou o Himalaia, mas sim relevos antigos, suavizados pela erosão, com predomínio de
planaltos e depressões, e uma pequena porção de planícies. Estudar o relevo é fundamental para compreender aspectos como
clima, vegetação, hidrografia, atividades econômicas e ocupação do espaço geográfico.
2. Agentes do Relevo
2.1 Agentes Internos (Formadores)
Atuam nas camadas profundas da crosta terrestre e são responsáveis pela formação das grandes estruturas do relevo.
• Tectonismo: movimentação das placas tectônicas.
o Convergentes → colisão, formando dobramentos modernos. (ex.: Andes).
o Divergentes → afastamento, formando dorsais oceânicas. (ex.: Atlântico).
o Transformantes → deslizamento lateral, formando falhas. (ex.: Falha de San Andreas, EUA).
• Vulcanismo: extravasamento de magma na superfície. No Brasil atual não há vulcões ativos, mas houve derrames basálticos
antigos (Planalto Meridional).
• Abalos sísmicos (terremotos): abalos sísmicos causados por deslocamentos tectônicos. Pouco intensos no Brasil, pois o
território está no interior da Placa Sul-Americana.
• Orogênese: processos de formação de cadeias de montanhas.
• Falhas geológicas: rupturas na crosta, como a Falha de São Francisco.
2.2 Agentes Externos (Modeladores)
Atuam na superfície terrestre, modelando e transformando o relevo já existente.
• Intemperismo (meteorização): desgaste das rochas por ação:
o Físico: variação de temperatura, congelamento.
o Químico: reações químicas (dissolução, oxidação).
o Biológico: ação de raízes, microrganismos.
• Erosão: desgaste, transporte e deposição de sedimentos por:
o Hídrica: rios, chuvas, mares.
o Eólica: ventos.
o Glacial: geleiras (não ocorre no Brasil).
• Ações antrópicas: mineração, agricultura, urbanização, desmatamento → intensificam a erosão.
3. Classificações do Relevo Brasileiro
3.1 Aroldo de Azevedo (1949)
• Critério: altimetria.
• Planalto: acima de 200 m → 59% do território.
• Planície: abaixo de 200 m → 39% do território.
Hoje é considerada simplificada e ultrapassada.
3.2 Aziz Ab’Saber (1962)
• Critério: processos de erosão e sedimentação.
• Planalto: áreas irregulares com predominância da erosão → 75%.
• Planície: áreas planas, predominância de sedimentação → 25%.
Trouxe avanço, mas ainda limitada.
3.3 Jurandyr Ross (1989 – mais aceita atualmente)
• Critérios: altimetria, estrutura geológica e processos erosivos/sedimentares.
• Planaltos: acima de 300 m; predominância da erosão.
• Depressões: áreas rebaixadas entre planaltos; forte erosão.
• Planícies: abaixo de 100 m; predominância da sedimentação (fluvial, marinha ou lacustre).
• Obs.: Planícies representam apenas cerca de 5% do território nacional.
Classificação oficial do IBGE (1990).
4. Principais Formas de Relevo do Brasil
4.1 Planaltos
Planaltos são áreas mais elevadas do relevo, onde predomina a erosão em relação à sedimentação. Dentro dessa categoria,
encontramos várias formas:
4.1.1 Morro
• Definição: Elevação isolada, geralmente arredondada e com altitude relativamente baixa (não ultrapassa 300 a 600 m em
média).
• Exemplo: Morros do Rio de Janeiro, como o Pão de Açúcar.
• Observação: Em geografia, morro não é o mesmo que montanha (montanha é mais elevada e íngreme).
4.1.2 Serra
• Conjunto de elevações contínuas, geralmente alinhadas, com encostas íngremes.
• Exemplo: Serra do Mar, Serra da Mantiqueira, Serra Geral.
• Característica: Podem funcionar como barreiras climáticas (chuvas orográficas).
4.1.3 Chapada
• Superfície plana e elevada, com bordas escarpadas (quebradas abruptas).
• Origem: Formadas em áreas sedimentares, sofrendo erosão nas bordas.
• Exemplo: Chapada Diamantina (BA), Chapada dos Veadeiros (GO).
4.1.4 Chapadão
• Variante da chapada, mas em áreas muito extensas e mais elevadas, típicas do Centro-Oeste.
• Uso: Agricultura mecanizada (soja, milho).
• Exemplo: Chapadão do Planalto Central.
4.1.5 Escarpa
• Declive acentuado que marca a transição brusca entre áreas planas e áreas rebaixadas.
• Exemplo: Escarpas da Serra do Mar.
4.1.6 Exemplos no Brasil
• Mares de Morros: Sudeste; colinas arredondadas (intemperismo químico em rochas cristalinas).
• Chapadas do Nordeste: superfícies planas elevadas; bordas escarpadas (Chapada Diamantina, Chapada do Araripe).
• Chapadões do Centro-Oeste: grandes extensões sedimentares (uso agrícola).
• Planalto Meridional: Sul do país; derrames basálticos, escarpas (Serra Geral).
• Planalto Atlântico: serras e escarpas no litoral (Serra do Mar, Serra da Mantiqueira).
• Planalto das Guianas: ao norte da Amazônia; rochas cristalinas antigas; Pico da Neblina (2.993 m – ponto mais alto do
Brasil).
4.2 Depressões
As depressões são áreas rebaixadas do relevo, situadas entre planaltos ou entre planaltos e planícies. São modeladas principalmente
pela erosão.
4.2.1 Depressão Absoluta
• Situa-se abaixo do nível do mar.
• Rara no Brasil.
• Exemplo: Depressão do Pantanal em alguns pontos (quando há áreas temporariamente abaixo do nível dos rios).
4.2.2 Depressão Relativa
• Situa-se em nível mais baixo em relação às áreas vizinhas, mas ainda acima do nível do mar.
• É o tipo mais comum no Brasil.
• Exemplo: Depressão Sertaneja e do São Francisco.
4.2.3 Exemplos no Brasil
• Depressão Sertaneja e do São Francisco: semiárido nordestino; inselbergs (morros isolados).
• Depressão Amazônica: entre o Planalto Central e a Planície Amazônica; intensa erosão + deposição.
4.3 Planícies
As planícies são superfícies relativamente planas e baixas, geralmente com altitudes menores que 100 metros, onde predomina o
processo de sedimentação (acúmulo de materiais transportados por rios, mares ou ventos). No Brasil, correspondem a cerca de 5%
do território, mas têm enorme importância ambiental e econômica.
4.3.1 Planície Fluvial
• Formada pelo acúmulo de sedimentos dos rios.
• Sujeita a inundações periódicas.
• Exemplos:
o Planície Amazônica → formada pelo rio Amazonas e seus afluentes.
o Várzeas do Rio Araguaia e Tocantins.
Importância: transporte fluvial, pesca, agricultura de várzea.
4.3.2 Planície Lacustre
• Formada pelo depósito de sedimentos em lagos e lagoas.
• Mais restrita no Brasil.
• Exemplo: Lagoa dos Patos (RS), Lagoa Mirim (RS).
4.3.3 Planície Marinha (ou Litorânea)
• Formada por sedimentos marinhos ao longo do litoral.
• Caracterizada por restingas, manguezais, dunas e praias.
• Exemplo: Litoral do Nordeste (extensas faixas de areia e dunas).
Importância: turismo, pesca, portos, ecossistemas de manguezais.
4.3.4 Planície do Pantanal
• Considerada uma planície mista (fluvial + lacustre).
• Uma das maiores áreas alagáveis do mundo, localizada no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
• Formada por sedimentos trazidos por rios da Bacia do Paraná e do Paraguai.
5. Importância do Relevo Brasileiro
• Economia:
o Planaltos → mineração e agricultura mecanizada.
o Planícies → agropecuária extensiva e transporte fluvial.
• Urbanização: expansão de cidades em áreas planas (ex.: São Paulo em planalto cristalino).
• Clima: influencia chuvas orográficas (serras que barram massas de ar).
• Biodiversidade: relevos condicionam vegetação (Cerrado nas chapadas, Mata Atlântica nos mares de morros).
6. Bizus de Prova
• A classificação de Ross (1989/1990) é a adotada pelo IBGE.
• Planaltos ocupam a maior parte do Brasil; planícies, apenas cerca de 5% do território.
• O Brasil não possui dobramentos modernos → relevo antigo, suavizado.
• Ponto mais alto: Pico da Neblina (2.993 m, Amazonas, Planalto das Guianas).
• Atenção às ações antrópicas → aceleram erosão e assoreamento de rios.
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