4 - Competência e Processo
4 - Competência e Processo
Você vai explorar os fundamentos da competência e do processo, assim como a análise detalhada de
todos os sujeitos envolvidos.
Propósito
Apresentar os principais institutos da teoria geral do processo e do direito processual civil necessários para
que o operador do direito compreenda o que é um processo e quais são os institutos necessários para que
uma demanda seja ajuizada e processada perante o Poder Judiciário.
Objetivos
• Reconhecer as regras de competência previstas no Código de Processo Civil.
Introdução
Neste conteúdo, estudaremos alguns elementos essenciais do processo, de forma que, ao final, haja a
compreensão de noções mínimas de um dos mais importantes instrumentos existentes no direito.
Para alcançar essa finalidade, a competência se alicerça em três princípios. Vamos conhecê-los!
Do juiz natural
O primeiro princípio impõe que o juízo responsável por processar e julgar um processo seja previamente
estabelecido por lei. Por esse motivo, e conforme indicado no art. 44 do Código de Processo Civil (CPC), há
regras de fixação de competência na Carta Magna, em diplomas legislativos federais, estaduais e, até mesmo,
em regramentos dos tribunais brasileiros (Câmara, 2015, p. 46).
Carta Magna
Conforme indica Cássio Scarpinella Bueno (2019), é na Constituição Federal que “está regulada
(taxativamente) a competência, inclusive originária do STF (art. 102), do STJ (art. 105), dos Tribunais
Regionais Federais (art. 108) e da Justiça Federal (art. 109)” (2019).
Da perpetuação da jurisdição
O princípio da perpetuação da jurisdição impede a modificação da competência após o registro ou distribuição
da petição inicial (Araujo; Mello, 2015, p. 83). O art. 43 do CPC, contudo, mitiga esse princípio, permitindo a
alteração da competência caso haja extinção do juízo competente ou alteração em regra de competência de
caráter absoluto.
Conforme Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2020) “o segundo caso
mencionado refere-se a situações de competência absoluta” (em regra, competência material e funcional).
Nesses casos, como a competência absoluta é prevista levando em consideração a necessidade de uma
melhor organização do Poder Judiciário para a prestação da tutela jurisdicional, a sua modificação deve ser
imediatamente atendida.
Da competência-competência
O princípio competência-competência impõe que o juízo em que houve o registro/distribuição da demanda
seja o primeiro a analisar se possui competência para processar e julgar o litígio que lhe foi submetido (Didier
Júnior, 2016, p. 200).
• Objetivo
• Territorial
• Funcional
Fredie Didier Júnior (2016, p. 199) ensina que “o critério objetivo é aquele pelo qual se leva em consideração a
demanda apresentada ao Poder judiciário como o dado relevante para a distribuição da competência”. Nesse
caso, o juízo competente é definido com base em questões objetivas, como as partes, a natureza da
controvérsia e o valor da causa (Araujo; Mello, 2015, p. 82).
Pelo critério funcional, a competência é fixada com base nas funções exercidas pelos órgãos jurisdicionais, os
quais podem atuar de forma coordenada para prática de um ato processual (competência funcional horizontal)
ou hierarquizada (competência funcional vertical) (Didier Júnior, 2015, p. 217-218). O critério territorial
estabelece a competência do órgão jurisdicional segundo limites geográficos (Marinoni, 2020).
Para encerrarmos esta parte, assista ao vídeo e entenda o conceito de processo civil, seus princípios
fundamentais e como se determina o juízo competente, com base nos critérios de competência material,
territorial e funcional.
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Regras de competência
A regra geral do CPC é que o juízo competente para processamento e julgamento de uma ação de direito
pessoal ou real mobiliária é o domicílio do réu (art. 46 do CPC) (Didier Júnior, 2016, p. 219). Existem, contudo,
regras específicas que merecem ser apresentadas esquematicamente:
Dispositivo
Hipótese Juízo competente
legal do CPC
Inventário, partilha,
arrecadação, cumprimento de
disposições de última vontade,
Art. 48 impugnação ou anulação de Foro de domicílio do autor da herança
partilha extrajudicial e todas
as ações em que o espólio for
réu
Art. 48,
Autor da herança não possui Foro onde ficam localizados os bens
parágrafo
domicílio imóveis
único, I
Ação de cumprimento de
Art. 53, III, d Foro onde a obrigação deve ser cumprida
obrigação
Por fim, apontamos que a Justiça Federal possui competência para processar qualquer ação inserida nas
hipóteses do art. 109 da Constituição Federal e qualquer ação em trâmite na Justiça Estatual que venha a
sofrer a intervenção da União, de entidades da Administração Pública Federal Direta ou Indireta ou de
conselhos de fiscalização profissional.
Nessa situação, haverá a remessa dos autos para a Justiça Federal na forma do art. 45 do CPC. No entanto,
Fredie Didier Júnior (2016, p. 238) aponta que “os autos não serão remetidos se houver pedido cuja
apreciação seja de competência do juízo junto ao qual foi proposta a ação” (art. 45, §1°, CPC). Nesse caso, o
juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não
apreciará o mérito daquele em que exista interesse da União, suas entidades autárquicas ou empresas
públicas (art. 45, §2°, CPC).
Atenção
O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença
ensejou a remessa for excluído do processo (art. 45, §3°, CPC; enunciado no 224 da súmula do STJ).
Finalmente, “a decisão do Juízo Federal que exclui da relação processual ente federal não pode ser
reexaminada no Juízo Estadual" (enunciado no 254 da súmula do STJ).
Neste vídeo, acompanhe as regras de competência, abrangendo competência absoluta e relativa, critérios
determinantes e suas implicações práticas. Exploramos a fixação, a modificação e os conflitos de
competência, essenciais para a correta tramitação processual.
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Incompetência
Ocorre quando um processo tramita em juízo que não possui competência para processá-la e julgá-la. A
incompetência pode ser absoluta ou relativa (art. 64 do CPC) e, após ser suscitada, o juiz concederá prazo
para manifestação das partes (art. 64, § 2º do CPC). Caso reconheça sua incompetência, o juiz enviará os
autos ao juízo competente (art. 64, § 3º do CPC) (Schenk, 2015, p. 239).
Conforme bem colocado por Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero
(2020), enquanto não apreciada a preliminar de incompetência, o juízo originário proferirá decisões
liminares que serão posteriormente analisadas e, se for o caso, ratificadas pelo juiz competente.
Incompetência absoluta
Objetiva proteger interesses públicos (Câmara, 2015, p. 52), motivo pelo qual as regras dessa espécie de
competência não podem ser alteradas por convenção das partes ou impactadas pelas normas de conexão e
continência (Marinoni, 2020).
Em virtude do art. 62 do CPC, o critério funcional e alguns critérios objetivos (natureza do litígio e partes
em litígio) são absolutos.
Também implica incompetência absoluta o desrespeito ao limite do valor da causa das demandas ajuizadas
nos Juizados Especial Cíveis (Didier Júnior, 2016, p. 217) e ao critério territorial previsto no art. 47, § 1º do
CPC.
O desrespeito às regras de competência absoluta pode ser conhecido de ofício pelo Poder Judiciário a
qualquer momento (Câmara, 2015, p. 52), na forma do art. 64, § 1º do CPC. Verificada a incompetência
absoluta, os autos serão remetidos ao juízo competente para ratificação das decisões proferidas pelo juízo
incompetente (art. 64, §§ 3º e 4º do CPC) (Marinoni, 2020).
Caso não alegue a incompetência na primeira oportunidade e não haja a posterior ratificação dos atos
proferidos pelo juízo incompetente, o réu arcará com os custos necessários para repetição dos atos
processuais (Schenk, 2015, p. 239).
Incompetência constatada
A incompetência relativa não pode ser conhecida de ofício, devendo ser arguida pelo réu ou pelo Ministério
Público na primeira manifestação do processo (Câmara, 2015, p. 52), na forma dos arts. 64 e 65, parágrafo
único, do CPC. Na visão de Cássio Scarpinella Bueno (2019), “como é sempre difícil conceber que o Ministério
Público seja réu, a previsão tende a se restringir aos casos em que atuar na qualidade de fiscal da ordem
jurídica (art. 178)”.
Atenção
Caso não seja suscitada na primeira oportunidade, o juízo incompetente tornar-se-á competente por
meio do fenômeno da prorrogação da competência (Schenk, 2015, p. 241) e a decisão proferida por esse
novo juízo competente não poderá ser objeto de ação rescisória (Marinoni, 2020). Assim como na
incompetência absoluta, seu reconhecimento implicará a remessa dos autos ao juízo competente para
análise da validade dos atos praticados pelo juízo incompetente.
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Modificação de competência
Segundo Fredie Didier Júnior (2016), a competência de um juízo é alterada e/ou prorrogada “quando se amplia
a esfera de competência de um órgão judiciário para conhecer certas causas que não estariam,
ordinariamente, compreendidas em suas atribuições jurisdicionais” (p. 225).
Conexão
Ocorre quando há uma relação entre duas demandas (Oliveria, 2015, p. 218). De forma mais específica, o art.
55 do CPC estabelece que “reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou
a causa de pedir”.
Quando existir identidade entre o pedido ou causa de pedir (Bueno, 2019), impõe-se a reunião dos processos
(art. 55, § 1º do CPC) no juízo prevento (art. 58 do CPC) (Câmara, 2015, p. 53), que será aquele em que houve
a primeira distribuição/registro das demandas conexas (art. 59 do CPC) (Marinoni, 2020).
Dois ou mais processos também serão reunidos no mesmo juízo para evitar a prolação de decisões
contraditórias (art. 55, § 3º do CPC). Trata-se de uma medida extremamente importante que, inclusive, deve
ser adotada caso haja conexão entre uma demanda de conhecimento e um processo de execução (art. 55,
§2°, I do CPC – Didier Júnior, 2016, p. 234). Entende-se, assim, que o legislador objetivou maximizar a
eficiência do Poder Judiciário, que não pode designar dois juízos distintos para solucionar causas conexas ou
com risco de decisão contraditória (Didier Júnior, 2016, p. 230). É por esse motivo que não ocorrerá a reunião
das demandas se uma delas tiver sido sentenciada (enunciado nº 235 da súmula do STJ e parte final do § 1º
do art. 55 do CPC) (Bueno, 2019).
Incontinência
É uma espécie de conexão (Câmara, 2015, p. 53) que ocorre quando os pedidos de uma demanda englobam
os pleitos de outro processo (art. 56 do CPC) (Didier Júnior, 2016, p. 232).
De acordo com o art. 57 do CPC, a solução para essa situação dependerá do momento do registro/
distribuição da ação mais ampla (demanda continente).
(Bueno, 2019)
Se a primeira demanda proposta for a continente, a demanda contida deverá ser extinta sem resolução de
mérito. Entretanto, se a demanda continente tiver sido proposta depois, os processos devem ser reunidos no
juízo prevento.
Para que seja válida e vinculante aos herdeiros das partes (art. 63, § 2º do CPC), a convenção de eleição de
foro deve ser celebrada por escrito (art. 63, § 1º do CPC). Entretanto, o juiz declarará sua ineficácia caso a
considere abusiva após manifestação das partes sobre o tema (art. 63, § 3º do CPC).
Nesse contexto, Fredie Didier Júnior (2016, p. 228) ensina que:
Agora, vamos encerrar esta parte com o vídeo a seguir. Entenda os principais aspectos sobre a modificação
de competência por conexão, continência e cláusula de eleição de foro. Além disso, exploraremos seus
conceitos, requisitos, impactos na organização judiciária e as limitações previstas em lei. Assista!
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A Deve ser obrigatoriamente arguida pelo réu na contestação, sob pena de preclusão.
B Pode ser modificada por convenção entre as partes antes do ajuizamento da ação.
D Pode ser reconhecida de ofício pelo juiz, independentemente de provocação das partes.
E Somente pode ser arguida pelo Ministério Público quando atuar como parte.
A alternativa D está correta.
A alternativa reflete a regra do art. 64, § 1º do CPC/2015, segundo a qual a incompetência absoluta pode
ser reconhecida de ofício pelo juiz a qualquer tempo e grau de jurisdição, por se tratar de matéria de ordem
pública.
Questão 2
Atenção
O objetivo desse instrumento público é pacificar conflitos (Coutunho; Carmo, 2018) pela correta
aplicação do direito material nos litígios (Didier Júnior, 2016, p. 40), garantindo, assim, o estabelecimento
de uma ordem jurídica justa (Cintra, 2015, p. 65).
Diante de sua importância, questionou-se a natureza jurídica do processo. Embora existisse uma corrente
contratualista, a doutrina majoritária concordou com a teoria de Oskar Von Bulow segundo a qual o processo
estabelece uma relação jurídica de direito público entre o juiz e as partes, da qual defluem direitos, deveres,
ônus e poderes (Bueno, 2019).
É apontado que:
Houve quem considerasse o processo uma relação puramente linear, uma relação contratual entre as
duas partes. Com efeito, em determinado período do direito romano, em que havia a chamada
litiscontestação, o processo possuía uma natureza predominantemente contratual, consensual. Há ainda
uma concepção alemã, que é defendida até os dias atuais, segundo a qual o processo é uma relação
angular, em que todos os vínculos se travam através do juiz e, assim, as partes não têm nenhum vínculo
entre si, pois todos os seus vínculos passam necessariamente pelo juiz.
(Greco, 2015)
Para concluir esta parte, assista ao vídeo, no qual será abordado o conceito de processo e sua natureza
jurídica. Exploraremos as principais teorias, sua função na resolução de conflitos e a relação entre jurisdição,
ação e defesa.
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Os pressupostos são aquelas exigências legais sem cujo atendimento o processo, como relação jurídica,
não se estabelece ou não se desenvolve validamente. E, em consequência, não atinge a sentença que
deveria apreciar o mérito da causa. São, em suma, requisitos jurídicos para a validade da relação
processual. São, pois, requisitos de validade do processo.
Pressupostos de existência
A provocação do órgão jurisdicional por meio de petição inicial, a existência de jurisdição pelo juízo
provocado e a citação de demandado.
Humberto Theodoro Júnior também aponta que, para a validade de um processo, não pode existir (2015):
• Litispendência.
• Coisa julgada.
• Convenção de arbitragem.
• Qualquer outra nulidade prevista em lei.
De toda forma, caso exista algum vício de existência ou validade, caberá ao juiz buscar saná-lo (Theodoro
Júnior, 2015) de forma que possa julgar o mérito da causa, respeitando, assim, o princípio da primazia do
julgamento de mérito previsto no art. 4º do CPC (Bueno, 2019).
Pressupostos processuais
Acompanhe neste vídeo os pressupostos de existência e validade do processo, essenciais para sua
constituição e regularidade. Analisaremos elementos como jurisdição, demanda e capacidade processual,
além das consequências da inobservância desses requisitos.
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Espécies de processos
Estabelecidos os pressupostos de existência e validade do processo, devemos estudar as formas de
utilização desse instrumento. No caso, e para fins didáticos, há três espécies de processo, a saber:
1
Processo de conhecimento
O juiz analisará as alegações e provas apresentadas pelas partes (Marinoni, 2020) para, em um
segundo momento, declarar o direito material aplicável, com a consequente solução do litígio
(Theodoro Júnior, 2015). Por meio dessa espécie de processo, uma pessoa pode obter uma tutela
jurisdicional contra ato ilícito ou contra eventual dano que tenha sofrido.
2
Processo de execução
Serão praticados atos para satisfazer um crédito previamente reconhecido em favor do autor,
denominado exequente, contra o réu, que passa a ser conhecido como executado (Theodoro Júnior,
2015).
3
Processo cautelar
Serão adotados atos para preservar a futura satisfação de um direito/crédito, de forma que não haja
risco de ausência de efetividade de uma demanda de conhecimento ou execução (Marinoni, 2020).
Essa classificação, contudo, não impede que, no mesmo processo, o juiz adote medidas cognitivas,
executórias e cautelares para garantir a efetividade do processo. Também não impede que, após o trânsito em
julgado de decisão proferida no processo de conhecimento, a parte vencedora busque o cumprimento da
decisão no próprio processo, requerendo, assim, medidas de caráter executivo.
O processo deve ser compreendido de forma sincrética, no sentido de que ele não aceita distinções. Há
um só processo, em que são visíveis, com maior ou com menor nitidez, fases ou etapas, sucessivas ou
concomitantes, em que atividades ora cognitivas, ora satisfativas, com maior ou menor intensidade, são
praticadas pelo magistrado, sempre com a preocupação maior de prestar tutela jurisdicional àquela parte
que, na perspectiva de direito material, faz jus a ela.
(Bueno, 2019)
Processo eletrônico
A tecnologia tem sido utilizada por diversas áreas do conhecimento (Neves; Cambi, 2017), motivo pelo qual
não causa surpresa que alguns ordenamentos jurídicos estrangeiros (ex: Estados Unidos, Espanha e Portugal)
tenham adotado medidas para aplicá-la no processo.
O direito processual brasileiro também não permaneceu alheio a esse movimento. Diversas reformas
legislativas foram implementadas com o objetivo de ampliar o uso da tecnologia no processo, entre as quais
se destacam:
Lei nº 10.259/01
Permitiu a comunicação dos atos processuais nos Juizados Especiais por meio eletrônico (Novaes,
2016).
Lei nº 11.280/06
Alterou o CPC para permitir a comunicação eletrônica de atos processuais (Coutinho; Carmo, 2018).
Lei nº 11.419/06
Regulamentou o processo eletrônico no Brasil (Neves; Cambi, 2017).
Segundo Alexandre Henrique Tavares Saldanha e Pablo Diego Veras Medeiros (2018):
Os avanços tecnológicos aumentaram o fluxo de informações, as formas de acesso a elas e seu valor
capital, mudaram os sistemas de comunicação, além de provocar mudanças nas formas de sentir o
tempo e o espaço, uma vez que as distâncias se relativizam com as facilitações trazidas pela internet, e
as exigências de velocidade são alteradas conforme se altera a rapidez de processamento de dados
informacionais.
Por outro lado, parte da doutrina destaca diversos benefícios trazidos pela informatização processual, como:
Celeridade processual
Reduz o tempo de tramitação do processo (Novaes, 2016), permitindo a remoção de alguns
benefícios processuais.
Sustentabilidade ambiental
Contribui para a preservação ambiental ao reduzir significativamente o consumo de papel.
Todas essas vantagens demonstram que o processo eletrônico não consiste em uma nova barreira ao acesso
à justiça, mas em um mecanismo que garante uma maior efetividade do processo e aproximação entre o
jurisdicionado e o Poder Judiciário (Novaes, 2016).
Procedimento
É o conjunto de regras formais existente em determinado processo para permitir que o conflito seja resolvido
(Souza apud Alvin, 2012, p. 226).
Ou seja, consiste na forma por meio da qual o processo se materializa (Bueno, 2019).
Para Leonardo Greco (2015), a distinção entre processo e procedimento está no fato de que: “o primeiro é o
conjunto de atos e vínculos gerados pelos diversos sujeitos que dele participam, enquanto o segundo é o
conjunto de requisitos formais desses atos e o modo pelo qual se encadeiam numa série contínua, que está
sempre em movimento”.
Na visão de Luis Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero (2020), o legislador desenhou
procedimentos diferenciados para a tutela dos direitos, adaptados desde logo em abstrato pelo fato de a
execução preceder à cognição (como no caso da execução fundada em título executivo extrajudicial, art. 771
e ss.).
Também considerou a necessidade de maior adequação do processo ao direito material, o que pode
determinar cortes na cognição no plano horizontal para limitação do debate a determinadas questões (como
no caso das ações possessórias, em que o debate está limitado à posse, sendo vedada qualquer discussão
dominial, arts. 554 e ss.).
Além disso, há particularizações procedimentais em atenção a certas especificidades do direito material posto
em juízo (como no caso da ação de consignação em pagamento, arts. 539 e ss.) ou a certas especificidades
do modo como determinado direito pode ser evidenciado no processo (como no caso da ação monitória, em
que o direito só pode ser demonstrado mediante prova escrita, art. 700 e ss.).
Acompanhe agora o vídeo a seguir, que complementa o que foi discutido, explorando o conceito de
procedimento, sua relevância na estrutura do processo e suas principais classificações. Também serão
abordadas as distinções entre procedimento comum e especial, além das etapas fundamentais para o
desenvolvimento processual. Assista!
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Verificando o aprendizado
Questão 1
(VUNESP - Procurador Jurídico do Instituto de Previdência Municipal de Marília/SP - 2019). A
doutrina majoritária atual, com base no disposto no Código de Processo Civil, classifica os
pressupostos processuais como positivos ou negativos, sendo os positivos divididos em
pressupostos de existência e de validade. Sobre o tema, considerando o entendimento
doutrinário, são pressupostos:
Questão 2
D O processo de execução busca uma proteção à efetividade de outra pretensão, sem satisfazer
direitos.
E O processo de conhecimento visa à prática de atos materiais, sem a definição de quem possui razão.
A alternativa B está correta.
No processo de execução, a atividade judicial é sobretudo para satisfazer o direito que decorre de um título
executivo.
3. Sujeitos do processo, litisconsórcio e intervenção de terceiros
Sujeitos processuais
Vamos agora estudar os sujeitos que efetivamente participam ou podem participar do processo, quais sejam:
as partes, o juiz, os auxiliares da justiça, o Ministério Público, a Defensoria Pública e os advogados. Confira!
Partes
As partes são os sujeitos do processo que utilizam o Poder Judiciário para solucionar um conflito existente.
Via de regra, a pessoa que ajuíza a ação é chamada de autora ao passo que a outra é denominada ré (Greco,
2015).
Será parte no processo aquele que demandar em seu nome (ou em nome de quem for demandada) a
atuação de um pedido e aquele outro contra quem esse deve ser atuado. O pedido é o elemento que
determina quem é parte no processo e quem não é.
Existem, contudo, alguns requisitos para que uma pessoa possa mover a máquina judiciária, quais sejam:
possuir direitos e obrigações na forma do Código Civil (capacidade de ser parte) e aptidão para exercê-los
(capacidade de estar em juízo) (Bueno, 2019). A pessoa também precisa de capacidade postulatória, que é a
habilitação para apresentar pretensões perante o Poder Judiciário (Marinoni, 2020).
As partes também devem agir de forma leal, cooperativa e de boa-fé no decorrer do processo (Greco, 2015),
com o consequente cumprimento das obrigações previstas no art. 77 do CPC (Bueno, 2019).
Juiz
Na sequência, vamos conhecer os principais deveres elencados por Greco, com base na Lei Complementar nº
35/79, que orientam a conduta do magistrado no exercício da jurisdição.
Cumprimento da legalidade
Cumprir e fazer cumprir a lei.
Celeridade decisória
Sentenciar e despachar dentro dos prazos que lhe são conferidos.
Pontualidade funcional
Ser pontual no expediente e nas audiências.
Imparcialidade e reserva
Abster-se de manifestar opinião sobre processo pendente.
Adicionalmente, o art. 139 do CPC estabelece que são deveres do juiz (Bueno, 2019):
• Garantir a igualdade entre as partes.
O descumprimento dos deveres previstos no CPC ou em qualquer outra lei específica pode levar à
responsabilidade civil do juiz, na forma do art. 143 do CPC (Greco, 2015).
Auxiliares da justiça
O art. 149 do CPC dispõe sobre uma série de sujeitos processuais responsáveis por auxiliar o exercício da
jurisdição, como:
1. O escrivão
2. O chefe de secretaria
3. O oficial de justiça
4. O perito
5. O depositário
6. O administrador
7. O intérprete
8. O tradutor
9. O mediador
11. O partidor
12. O distribuidor
13. O contabilista
Além dos sujeitos que atuam em todos os processos, existem outros que participam em situações específicas,
desempenhando funções essenciais conforme a necessidade do caso. Vamos conferir!
1 Participação em todos os processos
Exemplos: o escrivão, chefe de secretaria e oficial de justiça.
2
Produção de prova
Exemplos: perito, contabilista.
3
Medidas para efetividade do provimento judicial
Exemplos: depositário, administrador.
4
Pacificação do litígio pela autocomposição
Exemplos: mediador, conciliador judicial.
Ministério Público
É uma instituição regulamentada nos arts. 127 a 129 da Constituição Federal e no CPC, que atua “na defesa da
ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses e direitos sociais e individuais indisponíveis” (art. 176
do CPC).
Bueno (2019) aponta que as seguintes funções institucionais do Ministério Público se relacionam ao direito
processual civil:
Controle de constitucionalidade
Promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos
Estados nos casos previstos na Constituição.
Defesa das populações indígenas
Defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas.
Para cumprir essas funções, o Ministério Público pode atuar no processo na condição de autor (Camara, 2015,
p. 121) ou de fiscal da lei, opinando sobre o cumprimento das normas jurídicas (Greco, 2015).
Defensoria Pública
É uma instituição regulamentada na Constituição Federal (arts. 134 e 135) e no CPC (arts. 185 a 187) que tem
a função de garantir o acesso à justiça de pessoas economicamente hipossuficientes, representando-as em
juízo e extrajudicialmente (Bueno, 2019).
A representação da Defensoria Pública em juízo é feita de forma gratuita e abrange todos os graus do
Poder Judiciário.
Advogado
Litisconsórcio
Conceito de litisconsórcio
Um processo pode ser movido por um ou mais autores contra um ou mais réus. Esse fenômeno é denominado
litisconsórcio (Theodoro Júnior, 2015) e é extremamente importante para o sistema processual por maximizar
a eficiência do processo e tutela jurisdicional (Marinoni, 2020) e por garantir um tratamento igualitário entre os
jurisdicionados (Bueno, 2019).
Comentário
O litisconsórcio pode ocorrer em virtude da comunhão de direitos/obrigações, da conexão e da
“afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito” (art. 113 do CPC). Como já analisamos a
conexão, somente explicaremos a comunhão de direitos e obrigações (art. 113, I do CPC) e a afinidade
de questões fáticas ou jurídicas (art. 113, II do CPC).
A primeira situação ocorre quando duas pessoas partilham um mesmo direito/ obrigação (Câmara, 2015, p. 80)
ao passo que a outra ocorre quando há uma questão fática ou jurídica primordial no processo que diga
respeito a mais de uma pessoa do polo ativo ou passivo (Marinoni, 2020).
• O polo da demanda.
• O momento de formação.
• Sua obrigatoriedade.
Em primeiro lugar, o litisconsórcio será ativo se houver uma pluralidade de autores, passivo se existir
multiplicidade de réus, e misto se essa situação ocorrer em ambos os polos (Bueno, 2019).
Pela segunda classificação proposta, o litisconsórcio será inicial caso seja formado no início da demanda e
ulterior se for formado no decorrer da demanda (Marinoni, 2020).
2
Litisconsórcio necessário
O litisconsórcio será necessário quando houver comunhão de direitos/obrigações entre os réus,
situação que impõe a inserção de todos no polo passivo (art. 113, inciso I do CPC). Como ninguém
pode ser obrigado a ajuizar uma demanda, não existe litisconsórcio ativo unitário (Idem, 81). No
litisconsórcio necessário, o juiz tem o dever de determinar a correção do polo passivo sob pena de
extinção da demanda (art. 115 do CPC) (Marinoni, 2020). Caso o juiz não constate esse vício, a
decisão será ineficaz se o litisconsórcio for simples (Câmara, 2015, p. 83) e nula se for o caso de
litisconsórcio unitário (Bueno, 2019).
Segundo Marinoni, Arenhart e Mitidiero (2020), “será simples o litisconsórcio toda vez que possível o
tratamento não uniforme do ponto de vista da solução da causa, sendo possível que o juiz julgue o litígio de
modo distinto para cada um dos litisconsortes. Unitário será o litisconsórcio quando a demanda tiver de ser
julgada de maneira uniforme para todos os litisconsortes (art. 116)”.
Por fim, apontamos que, segundo Bueno (2019), o litisconsórcio pode ser classificado de acordo com as
espécies de pedidos formulados na demanda. Nesse contexto, o litisconsórcio pode ser sucessivo, alternativo
ou eventual (Bueno, 2019).
Litisconsórcio unitário
Litisconsórcio simples
A situação jurídica das partes é
Cada parte é autônoma e seus atos não
analisada conjuntamente, de forma que
impactam na posição jurídica do outro
os atos e omissões de um litisconsorte
litisconsorte (Marinoni, 2020).
beneficiam o outro (Câmara, 2015, p. 85).
Por fim, aponta-se que cada sujeito do processo pode agir individualmente para permitir a tramitação do
processo (MarinoniI, 2020) e o prazo dos litisconsortes é contado em dobro caso possuam procuradores
distintos em processo que tramite por meio físico (art. 229 do CPC) (Bueno, 2019).
Neste vídeo, conheça as nuances do litisconsórcio no processo civil, situação em que múltiplos sujeitos
podem figurar como autores ou réus em uma mesma demanda. Vamos explorar as diferenças entre o
litisconsórcio simples e o unitário, além das implicações de sua formação, a fim de compreender como essa
configuração pode impactar a eficiência e a complexidade das decisões judiciais. Não perca!
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Embora seja admissível em qualquer momento processual (Marinoni, 2020), o assistente somente poderá
praticar atos a partir do momento que ingressar no processo (art. 119, parágrafo único, do CPC) (Bueno,
2019).
O procedimento para efetivação dessa intervenção é simples: após o terceiro apresentar pedido de
assistência por meio de petição simples, as partes poderão impugná-lo no prazo de 15 dias (art. 120 do CPC).
Se não houver impugnação e não for caso de rejeição liminar pela ausência de interesse jurídico, o juiz deferirá
o pedido.
Caso haja impugnação, o juiz decidirá a questão sem suspender o processo (Marinoni, 2020).
Atenção
Existem duas espécies de assistência: a simples e a litisconsorcial. Na primeira espécie, o terceiro
intervém no processo porque tem interesse jurídico em uma sentença favorável ao assistido (Marinoni,
2020). Nessa situação, o assistente será considerado terceiro (Marinoni, 2020) salvo omissão ou revelia
do assistido (art. 121, parágrafo único do CPC), situação que implicará a atuação como substituto
processual. Essa regra é inaplicável caso o assistido disponha do direito, uma vez que esse ato é
considerado válido e eficaz (art. 122 do CPC) (Câmara, 2015, p. 89).
Segundo Marinoni, Arenhart e Mitidiero (2020), “constitui-se, certamente, em forma exata de intervenção de
terceiro, uma vez que o assistente simples, mesmo depois de admitido a ingressar no processo, não perde a
condição de terceiro em face das partes e do litígio”.
Por ser um terceiro, não se aplica o regime da coisa julgada ao assistente simples (Marinoni, 2020). No
entanto, não será possível discutir “a justiça da decisão” por força do art. 123 do CPC, o qual implica a eficácia
preclusiva da coisa julgada, impedindo a impugnação dos fundamentos da decisão em outro processo
(Câmara, 2015, p. 89).
(Bueno, 2019)
Na assistência litisconsorcial, o terceiro-interveniente é o titular da relação jurídica discutida em juízo (art. 124
do CPC), possuindo todos os direitos da parte assistida e sendo atingido pelos efeitos da coisa julgada
(Marinoni, 2020).
Denunciação da lide
A denunciação da lide é a modalidade de intervenção de terceiros pela qual o autor e/ou o réu
(denunciantes) formulam, no mesmo processo, pedido de tutela jurisdicional em face de um terceiro
(denunciado), viabilizando, desde logo, o exercício de eventual direito de regresso em face dele na
eventualidade de virem (autor e/ou réu) a sucumbir em juízo.
(Bueno, 2019)
Trata-se de um instituto que materializa o direito de regresso sem impedir que, em caso de rejeição do pedido
de intervenção, seja ajuizada demanda autônoma para exercer esse direito (Câmara, 2015, p. 89).
A denunciação da lide pode ser proposta por uma das partes contra “o alienante imediato, no processo
relativo à coisa cujo domínio foi transferido ao denunciante, a fim de que possa exercer os direitos que da
evicção lhe resultam” (art. 125, I, do CPC). Assim, garante o direito decorrente de evicção.
A denunciação da lide também pode ser proposta “àquele que estiver obrigado, por lei ou pelo contrato, a
indenizar, em ação regressiva, o prejuízo de quem for vencido no processo” (art. 125, II, do CPC). Há inúmeras
hipóteses que se enquadram nessa situação, valendo indicar, para fins exemplificativos, que a denunciação da
lide é muito utilizada contra seguradoras (Câmara, 2015, p. 90).
Saiba mais
O CPC permite em seu art. 125 que, em caso de denunciação da lide, o denunciado apresente uma nova
denunciação da lide contra outro terceiro caso ocorra uma das duas hipóteses narradas nos parágrafos
anteriores.
O pedido de denunciação da lide será aceito se houver compatibilidade entre as instruções probatórias da
demanda principal e da demanda regressiva (Bueno, 2019). Caso seja aceito, o juiz determinará a citação do
denunciado no prazo de trinta dias, período no qual o processo ficará suspenso.
O denunciado será assistente simples do denunciante na demanda principal (art. 119 do CPC) e, na ação
regressiva, atuará como demandado (Câmara, 2015, p. 90). O pedido da ação regressiva somente será julgado
em caso de procedência da demanda principal.
Chamamento ao processo
Bueno (2019) ensina que “o chamamento ao processo é a intervenção de terceiros pela qual o réu (chamante)
convoca terceiro (chamado), que passará a ser litisconsorte passivo, com o objetivo de ser responsabilizado
conjunta e imediatamente em face do autor”. Por meio dessa espécie de intervenção, há a integração ao
processo de terceiro com legitimidade passiva decorrente da obrigação discutida no processo.
De acordo com Câmara (2015, p. 97), esse instrumento também é utilizado para “viabilizar a extensão da
responsabilidade patrimonial de modo a viabilizar que se alcance os bens da sociedade para garantir o
pagamento das dívidas do sócio”.
Esse incidente é instaurado por provocação da parte (art. 133 do CPC) independentemente do
momento em que estiver o processo (art. 134 do CPC) (Marinoni, 2020). Nesse contexto, permite-se
a formulação do pedido de desconsideração na petição inicial, situação que dispensará a
apresentação de incidente próprio (art. 134, § 2º do CPC).
A desconsideração da personalidade jurídica será deferida caso haja o preenchimento dos requisitos previstos
nas leis materiais aplicáveis para cada espécie de relação jurídica (ex.: Código Civil, Código de Defesa do
Consumidor, dentre outros) e o respeito ao direito do contraditório e da ampla defesa, o que impõe a
permissão do terceiro de produzir qualquer prova (Câmara, 2015, p. 95-102).
Atenção
O julgamento de procedência do incidente implicará a desconsideração da personalidade jurídica, de
forma que, a depender da situação, o patrimônio dos sócios será responsável pela dívida da sociedade
ou o patrimônio da sociedade será responsabilidade pela dívida dos sócios (Marinoni, 2020).
Amicus Curiae
É instituto previsto no art. 138 do CPC e, segundo Bueno (2019), consiste em intervenção na qual o terceiro
atua:
No processo por iniciativa própria, por provocação de uma das partes ou, até mesmo, por determinação
do magistrado com vistas a fornecer elementos que permitam o proferimento de uma decisão que leve
em consideração interesses dispersos na sociedade civil e no próprio Estado.
(Bueno, 2019)
Nessa modalidade de intervenção, o terceiro pode atuar de forma imparcial visando solução técnica para a
controvérsia ou de forma parcial para defender um interesse específico. Na primeira espécie, o amigo da corte
auxilia na produção de uma decisão adequada, ao passo que, na segunda, é um instrumento de efetivação do
contraditório (Marinoni, 2020).
De toda forma, ambos os amici curiae possuem papel importante no processo, na medida em que fornecem
informações e documentos essenciais para o órgão julgador avaliar a controvérsia da forma mais aprofundada
possível (Câmara, 2015, p. 106). Por esse motivo, há quem defenda sua participação em todos os processos
que geram um precedente (Bueno, 2019).
A resposta está no art. 138 do CPC, o qual prevê sua participação quando houver uma “relevância da matéria”
ou uma “especificidade do tema objeto da demanda ou a repercussão social da controvérsia”. Basta um
desses requisitos para que seja cabível a participação do amigo da corte (Bueno, 2019), que deverá ser uma
“pessoa natural ou jurídica, órgão ou entidade especializada, com representatividade adequada”.
Neste vídeo, abordaremos a intervenção de terceiros no processo civil, mecanismo que permite a participação
de pessoas que, embora não sejam partes originárias da demanda, possuem interesse jurídico na causa.
Vamos entender os principais tipos de intervenção, como o amicus curiae, a assistência e a oposição,
analisando também as condições para sua admissibilidade e os efeitos processuais decorrentes.
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Atos processuais
Conceito e espécies
Os atos praticados pelos sujeitos dos processos no decorrer de demanda e que a impactam em alguma
medida são denominados processuais (Marinoni, 2020). Tais atos são interdependentes (Greco, 2015), mas
objetivam alcançar a finalidade do processo, que é a solução da controvérsia (Theodoro Júnior, 2015).
Atos decisórios
São, por exemplo, a sentença e as decisões interlocutórias.
Já as partes podem praticar atos para: apresentar postulações em juízo; dispor de direitos, instruir suas
alegações e cumprir determinações judiciais, seja pela apresentação de documentos seja para comparecer em
juízo (Greco, 2015).
Via de regra, os atos das partes produzem efeitos imediatos em virtude do art. 200 do CPC.
Os auxiliares da justiça podem praticar atos para movimentar o processo, cumprir decisões do juízo e
documentar o processo.
(Greco, 2015)
Os atos processuais devem ser praticados em português (art. 192 do CPC) (Theodoro Júnior, 2015) e, via de
regra, são públicos (art. 189 do CPC). Existe, contudo, a possibilidade de decretação de sigilo sobre
determinados atos processuais, especialmente para preservar a intimidade e a dignidade das partes.
Admitido o segredo de justiça apenas quando: I) em que o exija o interesse público ou social; II) que
versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação, união estável, filiação, alimentos e
guarda de crianças e adolescentes; III) em que constem dados protegidos pelo direito constitucional à
intimidade; e IV) que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta arbitral, desde que
a confidencialidade estipulada na arbitragem seja comprovada perante o juízo.
Excepcionalmente, podem ser realizados após o referido horário para permitir a eficácia da medida
(art. 212, § 1º do CPC).
Nesse ponto, o processo eletrônico traz uma vantagem ao permitir a prática de determinados atos em
qualquer momento desde que dentro do prazo legal (art. 213 do CPC). Exemplo: um advogado pode
apresentar uma petição às 5h da manhã ao passo que um juiz pode proferir decisão às 22h.
Por fim, aponta-se que, via de regra, os atos processuais não são praticados durante o recesso forense/
feriados/dias não úteis, com exceção de alguns atos de comunicação (art. 214, I, do CPC) e de medidas de
urgência (art. 214, II, do CPC).
Prazos processuais
Segundo Bueno (2019), “prazo é o espaço de tempo existente entre dois termos, o inicial e o final, em que o
ato processual deve ser praticado sob pena de não poder ser mais produzido”. Para permitir que o processo
alcance seus objetivos e respeite o princípio da duração razoável (art. 5º, LXXVIII da CF), o CPC estabeleceu
prazos para o cumprimento dos atos processuais (Marinoni, 2020) em seus arts. 218 a 232.
Em virtude da limitação deste trabalho, apresentaremos a seguir a forma de contagem dos prazos e as
classificações de acordo com a origem, os objetivos, as consequências em caso de descumprimento e os
destinatários desses prazos.
Se o prazo tiver sido estabelecido em dias, somente serão considerados para fins de contagem os dias em
que houver expediente forense por força do art. 219 do CPC. Se o prazo tiver sido estabelecido em outra
unidade de tempo (hora, semana, mês ou ano), a contagem deverá ser contínua (Câmara, 2015, p. 137).
Agora, para encerrar esta parte, assista ao vídeo para entender os atos processuais no Código de Processo
Civil: quem os pratica, suas classificações, formas, publicidade, prazos e impacto no andamento da demanda.
Vamos analisar como juízes, partes e auxiliares movimentam o processo, as regras que orientam a prática
desses atos e o funcionamento da contagem dos prazos. Não perca!
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Verificando o aprendizado
Questão 1
A As testemunhas e os advogados.
D As testemunhas e os conciliadores.
E Os advogados e os peritos.
A alternativa C está correta.
Conforme o art. 149 do CPC, são auxiliares da justiça, entre outros: o escrivão, o chefe de secretaria, o
oficial de justiça, o perito, o depositário, o administrador, o intérprete, o conciliador e o mediador.
Advogados e testemunhas não integram esse rol, pois exercem papéis distintos — o advogado representa
a parte, e a testemunha é meio de prova.
Questão 2
No contexto do Código de Processo Civil de 2015, as intervenções de terceiros constituem formas pelas quais
sujeitos inicialmente estranhos à demanda podem integrar o processo, influenciando de forma direta ou
indireta o seu desfecho. Considerando as modalidades previstas, qual alternativa indica uma forma típica de
intervenção de terceiro?
A A denunciação da lide configura uma modalidade de intervenção voluntária e informal, não prevista de
forma expressa no CPC.
B O amicus curiae é parte no processo e atua com os mesmos poderes que o autor e o réu.
Considerações finais
No decorrer deste conteúdo, constatamos que o estudo da competência é essencial para o operador do
direito conhecer o órgão jurisdicional responsável por processar e julgar uma demanda proposta no Poder
Judiciário.
Verificamos que o processo é um mecanismo de resolução de conflitos que possui três espécies
(conhecimento, execução e cautelar) e que se materializa por meio de procedimentos específicos
regulamentados em lei.
Por fim, constatamos que diversos sujeitos atuam (ou podem atuar) o processo, uma demanda pode ser
movida por/contra diversas pessoas, terceiros podem intervir no processo e os atos processuais são
essenciais para o processo.
Todos os institutos apresentados demonstram que o processo é um mecanismo extremamente complexo que
precisa ser estudado profundamente para que haja a pacificação dos litígios existentes em nossa sociedade.
Podcast
O professor Thiago Cabral faz um resumo sobre os assuntos mais importantes que foram estudados.
Ouça!
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Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Assista ao vídeo e entenda a reforma do artigo 63 do CPC. Alexandre Câmara aborda as mudanças que
limitam a eleição de foro ao domicílio ou local de cumprimento da obrigação, discute impactos na autonomia
contratual, segurança jurídica, liberdade econômica e como a questão afeta contratos nacionais e
internacionais.
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Assista ao vídeo e entenda as distinções entre litisconsórcio e assistência no processo civil. Alexandre Câmara
explica quando há múltiplos autores ou réus (litisconsórcio), os tipos de intervenção de terceiros (assistência
simples e qualificada) e alerta para avaliar riscos e benefícios antes de optar por cada instituto.
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Para saber mais sobre os assuntos explorados neste conteúdo, procure ler:
Referências
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SOUZA, M. C. X. de. O novo código de processo civil: o projeto do CPC e o desafio das garantias
fundamentais. Rio de Janeiro: Elsevier. 2012.
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de Janeiro: Freitas Bastos, 2015.
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CINTRA, A. C. A. et al. Teoria Geral do Processo. 31. ed. São Paulo: Malheiros. 2015.
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NEVES, A. R.; CAMBI, E. Processo e tecnologia: do processo eletrônico ao plenário virtual. Revista dos
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NOVAES, M. D. A evolução e desafios do processo judicial eletrônico. Revista de Direito do Trabalho, v. 167,
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OLIVEIRA, B. S. Comentários aos artigos 54 a 63 do Código de Processo Civil. In: WAMBIER, T. A. A. et al.
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