Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
9641757 09/02/2026 Sentença Sentença
17:07
PODER JUDICIÁRIO
4ª Vara Federal CE
PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) Nº 0059452-35.2025.4.05.8100
AUTOR: ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE VESTUARIO LTDA
ADVOGADO do(a) AUTOR: RAFAEL SALDANHA PESSOA - CE23951
REU: INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL, GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA
ADVOGADO do(a) REU: FABIO JOCA BARROS - CE15543
SENTENÇA
(Embargos de Declaração)
Trata-se de embargos de declaração opostos por GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA
contra sentença proferida no id. 143115048.
Alega a parte embargante que a sentença exarada trouxe omissão, quanto ao questionamento formulado pela ora
embargante acerca do irrisório valor atribuído à causa pela parte autora, questão que possui relevância direta para a
fixação das custas processuais e dos honorários advocatícios (id. 143743681).
É o relatório.
Decido.
Os embargos de declaração são cabíveis para suprimento de omissão, saneamento de contradição, esclarecimento de
obscuridade ou correção de erro material no julgamento embargado. Também são admitidos para fins de
prequestionamento.
Examinando os autos, entendo que a sentença embargada não incorreu em omissão/contradição/obscuridade/erro
material, tendo apreciado as questões litigiosas adequadamente e resolvido a controvérsia, como se pode ver da
fundamentação do julgado, na parte abaixo transcrita:
[...]
Observa-se, a partir da leitura das informações prestadas pelo INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE
INDUSTRIAL (INPI) e pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, e corroboradas pela
documentação anexada aos autos, que a pretensão formulada por meio desta demanda já havia sido formulada
pela autora através de outra ação anterior com pedido e causa de pedir idêntico ao que se pleiteia por meio da
presente demanda. Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros
marcários referentes à marca "ALPHA CO, determinando, ainda, que a GLM seja obrigada a abster-se
definitivamente de todo e qualquer uso da referida marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o
direito de continuar utilizando a marca até o julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do
domínio eletrônico da demandante; anular os atos que indeferiram os pedidos de registro de marcas,
ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de registro. Assim, a parte autora, em síntese,
busca, nas duas ações, a anulação do registro de marca da parte ré para que possa continuar utilizando sua
marca.
Naquela primeira ação, a qual tramitou no âmbito da 10ª Vara Federal desta Seção Judiciária sob o n.
0817688-07.2023.4.05.8100, o mérito do pedido que aqui se repete foi devidamente apreciado através de
sentença que julgou improcedente o pleito autoral (id. 4058100.33856256), conforme fundamentação que
adiante reproduzo:
[...]
2. FUNDAMENTAÇÃO
2. 1. Julgamento antecipado
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Tendo em vista que a solução da demanda depende unicamente de prova documental, sem necessidade de
produção de outras espécies probatórias, é caso de julgamento antecipado do pedido, com resolução de mérito,
conforme estabelecido pelo art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sendo o magistrado o destinatário final da prova, é sua tarefa verificar a necessidade e oportunidade de sua
produção, bem como de aferir a sua utilidade para a formação do juízo sobre os fatos narrados na petição
inicial.
Ademais, em relação ao sistema de apreciação de provas no âmbito processual, o ordenamento pátrio
consagrou o da livre apreciação das provas (persuasão racional), que consiste em possibilitar ao juiz
analisá-las sem que tenha que se adstringir a critérios apriorísticos de valoração, podendo, inclusive, optar por
rejeitar a produção de determinada prova.
2.2. Pluralidade de réus em demandas contra o INPI
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI deve ser demandado na cidade do Rio de Janeiro, onde
se encontra estabelecida sua sede, ou, ainda, no domicílio de qualquer outro litisconsorte passivo, conforme
enunciado no artigo 46, § 4º, do Código de Processo Civil:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor. (grifei)
Nesse sentido, há julgado do STJ:
CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. PATENTE. ANTERIORIDADES. PROTEÇÃO. ÂMBITO.
DECLARAÇÃO. NULIDADE. DECISÕES CONFLITANTES. RISCO. REUNIÃO. NECESSIDADE.
PREVENÇÃO. COMPETÊNCIA. 1. Nos termos do artigo 66, III, do Código de Processo Civil de 2015, há
conflito de competência quando, entre 2 (dois) ou mais juízes, surge controvérsia acerca da reunião ou
separação de processos. 2. Havendo identidade de partes e de causa de pedir, bem como risco de decisões
conflitantes (art. 55, caput e § 3º do CPC), justifica-se a reunião das ações pela conexão. 3. Se a ação tem
como um dos réus entidade autárquica da União, no caso o Instituto Nacional de Propriedade Industrial
(INPI), a competência territorial é regida pela combinação dos arts. 46, § 4º e 51, parágrafo único, do CPC,
ficando a critério do autor a escolha do local de propositura da demanda entre as opções listadas na lei. 4.
Ações declaratória e de nulidade de patente que deverão ser reunidas no juízo prevento, ou seja, n aquele em
que houve o primeiro registro ou distribuição (arts. 58 e 59 do CPC). 5. Conflito conhecido para declarar a
competência do Juízo da 3ª Vara Federal de Brasília.
(STJ - CC: 185592 RJ 2022/0016090-3, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de
Julgamento: 09/08/2023, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 24/08/2023) (grifei)
2.3. Mérito
2.3.1. Pedido de nulidade do registro de n.º 917541960 (NCL 25)
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da exclusividade da marca, previsto no art. 124 da Lei de
Propriedade Industrial (LPI), que veda o registro de marca que possa causar confusão ou associação indevida
com marca previamente registrada e reconhecida no mercado, principalmente quando atuam no mesmo
segmento. Além disso, o princípio da anterioridade estabelece a prevalência do direito ao uso de marca àqueles
que primeiro registraram e consolidaram o uso do nome no mercado.
O direito sobre a marca se constitui por meio de ato administrativo do Estado, representado pelo INPI, após
processo de registro da marca, concedido ao interessado que atenda aos requisitos da LPI e que primeiro
depositou a marca no INPI.
No sistema atributivo brasileiro, o direito de propriedade é constituído somente no ato de concessão do registro
pelo INPI, cabendo apenas uma hipótese de exceção a tal regra, em que é reconhecido o direito ao usuário de
boa-fé, conforme o disposto no parágrafo 1º do artigo 129 da LPI:
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§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis)
meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou
afim, terá direito de precedência ao registro.
Destaque-se que o direito para a proteção das marcas no Brasil se adquire por meio do registro no INPI e não
pelo seu uso no comércio, conforme expresso no artigo 129, caput, da Lei 9.279/96 (LPI):
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições
desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às
marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
Ressalte-se que o reconhecimento da precedência do parágrafo 1º do artigo 129 da LPI é uma exceção ao
princípio first to file, em que se considera à marca usada de boa-fé, com mais de seis meses de antecedência em
relação a um terceiro que primeiro depositou sinal idêntico ou semelhante no INPI.
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça admite a possibilidade de anulação judicial de registro de marca
com base no direito de precedência, como se vê no seguinte precedente:
RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA DE REGISTRO. MARCA. DIREITO DE PRECEDÊNCIA.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO INDICAÇÃO.
SÚMULA 284/STF. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. 1- Ação distribuída em 8/8/2011. Recurso especial
interposto em 17/7/2013 e atribuído à Relatora em 25/8/2016. 2- Controvérsia que se cinge em definir se o
registro da marca PADRÃO GRAFIA deve ou não ser anulado em virtude do direito de precedência alegado
pela recorrida. 3- A ausência de expressa indicação de obscuridade, omissão ou contradição nas razões
recursais enseja o não conhecimento do recurso especial. 4- O capítulo do acórdão recorrido que adota
orientação firmada pela jurisprudência do STJ não merece reforma. 5- Não havendo manifestação do Tribunal
de origem acerca de dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de
declaração, a irresignação não pode ser conhecida. 6- É possível o reconhecimento judicial da nulidade do
registro de marca com fundamento em direito de precedência (art. 129, § 1º, da Lei 9.279/1996). 7- A Lei de
Propriedade Industrial protege expressamente aquele que vinha utilizando regularmente marca objeto de
depósito efetuado por terceiro, garantindo-lhe, desde que observados certos requisitos, o direito de
precedência de registro. 8- Hipótese em que os juízos de origem - soberanos no exame do acervo probatório -
concluíram que a recorrida, de boa-fé, fazia uso de marca designativa de produto idêntico ou semelhante, há
mais de seis meses antes do pedido de registro formulado pela interessada. 9- RECURSO ESPECIAL NÃO
PROVIDO. (STJ, REsp nº 1.464.975/PR , Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, Dje: 14/12/2016) (grifei).
No caso, sustenta a parte autora que explora a expressão "ALPHA CO" como marca, sendo sua utilização
precedente, pelo que se impõe a anulação dos registros da marca "ALPHA CO." concedidos à GLM.
Para corroborar o direito alegado, a parte autora anexou prints do facebook, instagram datados de 2017/2018
(id. 4058100.31179608, 4058100.31179611, 18/10/23), catálogo da Alpha Co (id 4058100.31179613,
18/10/23), notas fiscais emitidas em 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 pelo Mundo Alpha (id 4058100.33299260,
11/06/24).
Observa-se que os prints de tela sistêmica colacionada do facebook e instagram demandam ser robustecidos
por outras provas, como comprovação de vendas por notas fiscais.
No que concerne às notas fiscais entende-se que são documentos que se prestam como prova efetiva do uso da
marca. No caso em tela, as notas fiscais apresentadas não demonstram efetiva comercialização dos produtos
designados pela marca questionada em tempo razoável e suficiente para garantir o direito de precedência de
registro à parte autora.
A parte autora sustenta que desde julho de 2018 passou a explorar a expressão "ALPHA CO" como marca,
constata-se que as notas fiscais são datadas de 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 e emitidas pelo Mundo Alpha (id
4058100.33299260, 11/06/24), trazendo a descrição dos produtos /serviços vendidos, contudo, não denotando a
precedência da utilização da marca sustentada pela parte autora.
É o que se verifica da análise das notas fiscais NF -e 000.099. 009, de 17/01/2019, a qual não menciona a
marca ALPHA CO. Observa-se que as demais notas fiscais anexadas pela parte autora são referentes ao mês
de junho de 2019, emitidas em data próxima ao requerimento junto ao INPI, 5.7.2019,
NF-e000.005.666,CFOP5103 (1 unidade), de 04/06/2019, NF-e000.001.243, CFOP6102 (1 unidade),
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04/06/2019, NF-e000.987.654, CFOP5102 (1 unidade), 04/06/2019, NF-e000.002.342, CFOP5102 (1 unidade),
10/06/2019, NF-e000.001.781, CFOP6102 (1 unidade), CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019,
NF-e000.001.231, CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019.
Foi oportunizado a parte autora (id 4058100.32783225, 22/04/24) anexar aos autos notas fiscais para
corroborar suas alegações, contudo, o autor informou, através da petição anexada no id 4058100.33299259,
11/06/2024, que o Órgão Fazendário SEFAZ/Ba somente disponibiliza documentos fiscais que estejam dentro
do período previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, no exercício atual (2024) e cinco anos anteriores (2019 a
2023).
Observa-se, entretanto, que a parte autora ajuizou a presente ação em 18.10.2023, sob a tese da precedência
do uso da marca ALPHA CO desde 2018. Contudo, dentre as provas apresentadas à inicial não constam notas
fiscais, o que, pela matéria posta em juízo, é instrumento de prova de relevante importância, sobretudo quando
serve para demonstrar a anterioridade do uso da marca objeto da lide e fluxo das vendas.
Deveras, para dar sustentação a sua tese, deveria ter sido diligente em angariar provas que refutassem
possíveis argumentos contrários as suas alegações. Por certo, uma vez que realizado o protocolo junto ao
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 05 de julho de 2019, presume-se que, à época, seria
detentora desse instrumento probatório, apresentando notas fiscais anteriores a data anterior a NF -e
000.099.009, de 17/01/2019, ainda mais, considerando-se, reitera-se, que são documentos que se prestam como
prova efetiva do uso da marca.
Nesse passo, reconhece-se o direito de precedência ao registro àquele que comprovar a utilização de boa-fé, no
país, de marca idêntica ou semelhante a ponto de causar confusão ou associação para o mesmo fim, há pelo
menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de registro.
Extrai-se do próprio artigo 129, parágrafo 1º, da Lei 9.279/1996 que para aplicar o direito de precedência deve
restar evidenciado o efetivo uso da marca há pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de
registro, o que, repise-se, não se concretizou no caso em apreço.
2.3.1. Pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35)
No tocante ao pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35), sob o fundamento de que não seria
registrável, por reproduzir bandeira oficial da República Italiana, não assiste razão à parte autora.
Dispõe a Lei n 9.279/1996, no que concerne ao registro de marca:
Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não
compreendidos nas proibições legais.
Art. 123. Para os efeitos desta Lei, considera-se:
I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante
ou afim, de origem diversa;
Art. 124. Não são registráveis como marca:
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais,
estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;
Quanto à disponibilidade do sinal marcário, dispõe o Manual de Marcas do INPI, instituída pela Resolução
INPI/PR n. 249/2019, atualmente incorporada à Portaria INPI n. 8/2022:
"5.8.1 Sinal irregistrável por seu caráter oficial ou público
(...)
Indicação de cor
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Embora exerçam papel importante na determinação da aplicabilidade do inciso I do art. 124 da LPI, as
indicações de cores não determinam, necessariamente, imitação de um símbolo oficial. Portanto, as cores serão
levadas em consideração apenas como um sinal reforçador da imitação, sendo o mais importante nesta análise
o aspecto formal de apresentação do sinal marcário em exame.
Estilização de símbolos e monumentos oficiais
Em caso de suficiente estilização das imagens oficiais ou de seus elementos, apenas sugerindo o símbolo oficial,
o sinal marcário passa a ser passível de registro, devendo, todavia, ser observadas outras proibições legais
relativas ao sinal em exame.
Na análise de sinais em que estejam contidas estilizações de monumentos e bandeiras, são levados em
consideração, na análise da registrabilidade, os seguintes fatores:
a) Grau da estilização (imagem total ou parcial, simplificação, distorção ou reposicionamento dos elementos
constitutivos) e singularidade do monumento ou bandeira;
b) Função evocativa do símbolo em relação à origem ou natureza dos produtos/serviços. Trata-se do uso de
elementos presentes em símbolos ou monumentos oficiais de país/localidade comumente relacionada com o
produto ou serviço que o sinal visa assinalar, como serviços de alimentação ou cursos de idiomas, por exemplo.
Enquadra-se neste caso o uso de cores de bandeira ou de partes estilizadas de monumentos, brasões e outros
símbolos oficiais, desde que não induza o público a erro quanto à origem dos produtos ou serviços assinalados.
c) Função secundária do símbolo em relação ao conjunto marcário requerido. O monumento/bandeira pode
fazer parte apenas como adorno ou como parte integrante do conjunto.
d) Falsa vinculação com o estado nacional. A marca não pode parecer ser patrocinada por um país, por
exemplo.
Mesmo em casos em que a estilização do monumento/bandeira for suficiente, não se deve ignorar a
possibilidade de o uso da representação do mesmo constituir confusão quanto à procedência dos produtos ou
serviços, quando então será aplicado o inciso X do art. 124 da LPI.".
A competência para a concessão de registro de marca pertence exclusivamente ao Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI), órgão especializado e incumbido da análise técnica de marcas na esfera
administrativa. O ato de concessão é vinculado, uma vez deferido o pedido como resultado favorável do exame
técnico realizado pelo Instituto, sem que haja qualquer discricionariedade por parte do INPI. A margem dada
ao órgão técnico do INPI é única e exclusivamente aquela de, segundo seus conhecimentos, aferir
conclusões técnicas e objetivas, sem realizar juízo de oportunidade e conveniência.
No caso, esclarece o INPI em sua contestação que "o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo identificada a alusão
direta à bandeira do país. Desta maneira, o pedido foi regularmente deferido, dado que a indicação de cores da
bandeira da República Italiana não é ostensiva a ponto de violar o inciso I do art. 124 da LPI, ou indicar uma
falsa procedência dos produtos e serviços.".
Dessa forma, não é papel do Poder Judiciário substituir a atuação da autarquia federal, sob pena de infringir o
princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal de 1988. A intervenção judicial
sobre os atos do INPI somente é justificável em situações excepcionais, nas quais se constate evidente
ilegalidade ou violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se observa nos
presentes autos.
Registre-se que em hipótese de eventual nulidade, sob o fundamento de não a marca não ser registrável, a teor
do Art. 124, I, da Lei n 9.279/1996, não traria proveito a parte autora, pois incorreria em situação de vedação
absoluta de registro marcário.
3. DISPOSITIVO
Em razão do exposto, JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado na inicial, extinguindo o presente
processo, com julgamento do mérito, nos termos do art. 487, I, do Código de Processo Civil (CPC/2015).
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 5
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[...]
A sentença proferida naquele primeiro pleito ajuizado em 2023 (ação de n. 0817688-07.2023.4.05.8100), a
qual, repito, julgou improcedente o pleito aqui reiterado, foi objeto de apelação, tendo a Primeira Turma do
Tribunal Regional Federal da 5ª Região negado provimento à apelação, pelo que destaco a ementa:
DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. APELAÇÃO CÍVEL. REGISTRO DE MARCA. ALEGAÇÃO DE
DIREITO DE PRECEDÊNCIA. PRINCÍPIO DO "FIRST TO FILE". IMPOSSIBILIDADE. USO ANTERIOR
NÃO COMPROVADO POR MEIO DE NOTAS FISCAIS. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 124, I, DA LPI.
ELEMENTO FIGURATIVO CONSIDERADO SECUNDÁRIO PELO INPI. ATO ADMINISTRATIVO
REGULAR. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGITIMIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO
JUDICIAL. RECURSO DESPROVIDO.
1. Apelação cível interposta por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra sentença
que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960,
relativos à marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.,
deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts. 124, I e XIX,
129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de nulidade dos registros.
2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito à
marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a
exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de seis meses.
3. A apelante não apresentou prova suficiente da utilização comercial da marca "ALPHA CO." em período
anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os elementos comprobatórios apresentados (prints
de redes sociais e catálogos).
4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da bandeira da Itália como elemento
figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI,
sendo incabível a revisão judicial de mérito administrativo sem evidência de ilegalidade flagrante ou desvio de
finalidade.
5. Salienta-se que o ato administrativo tem fé pública e goza de presunção de legalidade, legitimidade e
veracidade. Somente em situações excepcionais, desde que haja prova robusta, é que se poderia autorizar o
afastamento da justificativa do interesse público à sua desconstituição, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal Frederico
Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4º Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL BRUNO LEONARDO
CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 14/09/2021).
6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente forma
distintiva atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com outras semelhantes".
Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel. Ministra
MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma
marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e conceitos do domínio comum, sendo
inviável conceder a alguém a propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas pessoas
quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL
ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES
FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022.
7. Inexistindo prova do uso anterior suficiente e não se constatando ilegalidade na atuação do INPI, inexiste
fundamento para a anulação judicial dos registros impugnados.
8. Recurso desprovido.
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 6
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
Vê-se, portanto, que o julgamento de mérito proferido naquela primeira ação decidiu a demanda autoral,
julgando o pleito improcedente, não anulando o registro de marca da parte ré, não tendo mais a parte autora
direito de continuar utilizando a sua marca. Todavia, a referida ação, que tramitou na 10ª Vara Federal da
Seção Judiciária do Ceará (processo n. 0817688-07.2023.4.05.8100), encontra-se atualmente no TRF da 5ª
Região para julgamento dos embargos de declaração em sede de apelação.
No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os processos em questão têm as
mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância de má fé formulado pela
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem como a reconvenção. A conduta da parte
autora revela muito mais desespero do que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer
das hipóteses previstas no artigo 80, do CPC.
A mera pretensão de se discutir a manutenção do domínio eletrônico da demandante e continuar usando sua
marca, ainda que por meio de alegações que se mostraram equivocadas, não configura a intenção de causar
lesão por parte das autoras. Não havendo prova inequívoca do dolo e ante a inexistência de prejuízo à parte
adversa, afasto a imputação de litigância de má fé, bem como a reconvenção pleiteada, dada a inexistência de
configuração de dano à parte GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Assim, considerando a existência de litispendência desta ação em relação ao referido feito (processo n.
0817688-07.2023.4.05.8100), outro caminho não pode ser tomado senão a determinação da extinção deste
processo.
[...]
Conforme se depreende dos termos da fundamentação acima transcritos, não está configurada omissão, contradição,
obscuridade ou erro material sanável pela via dos embargos de declaração, pelo que ratifico os termos da sentença ret
ro.
Por fim, destaco que os embargos declaratórios não se prestam à reforma do julgamento proferido, nem substituem
os recursos previstos na legislação processual para que a parte inconformada com o julgamento possa buscar sua
revisão ou reforma.
Acerca da omissão citada, acrescento que a impugnação ao valor da causa deveria ter sido oposta na primeira ação
que decidiu a demanda autoral, tendo em vista que o presente caso reflete uma litispendência , conforme
fundamentação transcrita.
Cabe destacar também que, consoante entendimento pacífico no Superior Tribunal de Justiça (STJ), "O julgador não
está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições
processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as
pretensões deduzidas" (STJ, EDcl no AgRg nos EDcl nos EDcl no HC n. 812.951/MS, relator Ministro Joel Ilan
Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/8/2023, DJe de 18/8/2023).
Ante o exposto, inexistindo os vícios apontados, e pretendendo o embargante, em verdade, o reexame do mérito da
sentença, NEGO PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO da exequente.
Sentença publicada e registrada eletronicamente. Intimem-se.
Em caso de apelação, intime-se a parte recorrida para oferecer contrarrazões; após, remetam-se os autos ao TRF da 5ª
Região.
Oportunamente, arquive-se.
Expedientes necessário.
Fortaleza/CE, data da assinatura eletrônica.
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JOSÉ VIDAL SILVA NETO.
Juiz Federal da 4ª Vara
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