Processo Alpha
Processo Alpha
FE DE R A L D A S UB SE Ç Ã O J UDIC I Á RI A DE F OR T A LE Z A – SE Ç Ã O J UDIC I ÁR I A D O
CEARÁ
I. FATOS
+55 85 3035.0104
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Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
4. Intentando a proteção de sua marca, em 05/07/2019, a Autora depositou perante
o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) os pedidos de registros de
marca processados sob os nº’s 917666852, vinculado à NCL (11) 25 (Doc. 03.1) e
+55 85 3035.0104
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917666909, vinculado à NCL (11) 35 (Doc. 03.2). Segue a marca objeto do pedido
de registro:
+55 85 3035.0104
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8. Ocorre que o pedido de registro da Autora não viola a legislação marcária, eis
que as marcas da Autora e da GLM não se mostram colidentes, podendo coexistir
de forma simultânea sem prejuízo aos consumidores. Portanto, ante a ilegalidade
dos atos praticados pelo INPI, não resta alternativa à Autora senão deduzir sua
pretensão em juízo.
(...)
10. Ao analisar o dispositivo em questão, vê-se que não basta a mera similaridade
entre as marcas, mas que elas se refiram à produtos ou serviços semelhantes e
que essa similaridade possa causar confusão ao público consumidor. Tais
requisitos são bem delineados pela jurisprudência, que assim tem se pronunciado
quanto ao tema:
+55 85 3035.0104
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harmônica das marcas" (REsp 949.514/RJ, Relator Ministro HUMBERTO GOMES DE
BARROS, Terceira Turma, DJ de 22/10/2007). (...)
(STJ - AgInt nos EDcl no REsp: 1495899 PR 2014/0296190-8, Relator.: Ministro RAUL
ARAÚJO, Data de Julgamento: 17/10/2023, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação:
DJe 03/11/2023)
(grifo nosso)
“Os direitos sobre os signos distintivos são direitos de clientela em sua forma mais
flagrante. A situação perante o mercado conseguida pela empresa depende da
produção de coisas e serviços capazes de satisfazer necessidades econômicas,
como também depende de que o público seja capaz de identificar a coisa e o
serviço como tendo as qualidades necessárias. (...) As marcas são sinais distintivos
apostos a produtos fabricados, a mercadorias comercializadas, ou a serviços
1
Tratado da Propriedade Intelectual, vol. I, págs. 120 e 465.
5
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prestados, para a identificação do objeto a ser lançado no mercado, vinculando-o
a um determinado titular de um direito de clientela. (...)
(grifo nosso)
12. Esclarecidos quais os requisitos para a aplicação do art. 124, XIX, da LPI, cabe
pontuar que estes não se encontram presentes neste caso concreto, conforme
será explicado abaixo.
14. O ilustre professor João Da Gama Cerqueira2 já alertava, a seu tempo, que a
“possibilidade de confusão deve ser apreciada pela impressão de conjunto
deixada pelas marcas, quando examinadas sucessivamente”.
2
Tratado da Propriedade Industrial, 2ª ed., Revista dos Tribunais: São Paulo, 1982, vol. 2, p. 68
3
A distintividade das marcas: secondary meaning, vulgarização e teoria da distância. São Paulo: Saraiva, 2013,
edição eletrônica
6
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difira, pois não se aprecia uma marca complexa por seus detalhes, mas por seu
todo”. McCARTHY e BARRETT negam igualmente que as marcas complexas possam
se sujeitar à dissecação fragmentária de suas partes, sendo idêntica a posição entre
nós de Laetitia Pablo d'HANEXS.
17. Considerando que o conjunto marcário deve ser analisado como um todo, a
jurisprudência reconhece que mesmo a reprodução integral do elemento
nominativo não enseja necessariamente na semelhança entre as marcas,
entendimento que pode ser observado no julgamento do Recurso Especial nº
1.924.788 – RJ. Segue trecho do voto da Exma. Min. Relatora Nancy Andrighy, em
sua literalidade:
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18. No caso, ao analisar o conjunto das marcas objeto da lide, vê-se que ambas se
mostram evidentemente distintas, compartilhando tão somente o elemento
nominativo. Veja-se:
21. Com base apenas nesse aspecto, já é possível verificar que as marcas em questão
não apresentam semelhança suficiente para configura colidência, podendo ser
facilmente distinguidas por qualquer indivíduo médio.
22. Ainda que se entenda que o uso em comum do elemento nominativo “ALPHA
CO” seria suficiente para tornar as marcas semelhantes, cumpre ressaltar que o
vocábulo se encontra notoriamente desgastado, haja vista sua utilização
recorrente por diversas empresas do segmento.
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23. Ao proceder a uma pesquisa do termo “ALPHA” no site do INPI4 nas classes NCL
(11) 25 e NCL (11) 35, vê-se que há dezenas de marcas deferidas pelo INPI que
compartilham o mesmo elemento nominativo. Para melhor visualização:
24. Em casos análogos, o próprio INPI5 reconhece em seu manual de marcas que o
poder distintivo do elemento se torna diluído em razão de sua ampla utilização. In
verbis:
Quando o elemento em comum entre dois sinais já faz parte de diversas marcas
registradas de diferentes titulares, fica reduzida a possibilidade de confusão ou
associação indevida entre os mesmos, já que é razoável supor que o público-alvo se
encontra habituado à presença de tal elemento em marcas de diferentes
produtores/fornecedores naquele segmento de mercado.
4
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5
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de_do_sinal_marc%C3%A1rio#Elementos-desgastados
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APELAÇÃO CÍVEL. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA POR AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO NÃO ACOLHIDA. "AÇÃO DE VIOLAÇÃO DE MARCA E
CONCORRÊNCIA DESLEAL C/C PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E
MORAIS C/C PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA". SENTENÇA QUE JULGOU
IMPROCEDENTES OS PEDIDOS. MARCA COMPOSTA POR ELEMENTOS DESGASTADOS.
REITERADA UTILIZAÇÃO NO SEGMENTO. EXCLUSIVIDADE MITIGADA. PRECEDENTE DA
CORTE SUPERIOR. RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO. (TJ-AL - Apelação Cível:
0711753-10.2022.8 .02.0001 Maceió, Relator.: Des. Alcides Gusmão da Silva, Data de
Julgamento: 08/02/2024, 3ª Câmara Cível, Data de Publicação: 15/02/2024)
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banco de marcas. Assim, havendo diversas marcas que incorporam o termo
“ALPHA”, a Autora não pode ser compelida a abdicar de sua utilização, desde
que o conjunto marcário como um todo preserve sua distintividade. Nesse sentido:
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particulares, pelo que é imprópria a sua condenação em honorários de
sucumbência nas ações objetivando anulação de atos praticados em
procedimentos tendentes à concessão de privilégios marcários. VI - Apelação
desprovida.
27. Desse modo, vê-se que a mera utilização em comum do termo “ALPHA” não torna
as marcas semelhantes, dado que se trata de elemento nominativo desgastado,
cuja proteção deve ser mitigada, permitindo a convivência pacífica com marcas
semelhantes.
28. Quanto aos demais requisitos de aplicação do art. 124, XIX, da LPI, quais sejam, a
semelhança entre os produtos ofertados e a capacidade de gerar confusão ao
consumidor (indicados no tópico II.I), ambos são tratados em conjunto no exame
da afinidade mercadológica. Segundo o manual de registros de marca do INPI6:
6
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ade_do_sinal_marc%C3%A1rio#5112-Exame-da-afinidade-mercadol%C3%B3gica
12
+55 85 3035.0104
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b) Finalidade e modo de utilização: utilidade ou função esperada dos produtos
ou serviços, bem como sua forma, condição ou circunstância de utilização ou
contratação.
+55 85 3035.0104
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maior grau de atenção, por possuírem maior experiência e conhecimento do
segmento de mercado.
Destaco que duas marcas iguais ou semelhantes podem ser registradas na mesma
classe, desde que não se verifique a possibilidade de confusão entre os produtos ou
serviços a que se referem.
(grifo nosso).
7
COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial: direito de empresa. Vol. 1. 20ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2016, p. 189
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Produtos da Autora
Produtos da GLM
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32. Tal distinção, inclusive, pode ser identificada nas especificações da classe de
atividades nos pedidos de registro perante o INPI:
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Pedido de registro de marca da GLM
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reconhecer a possibilidade de convivência pacífica entre ambos. VIII - Recurso
especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, improvido.
(Grifos nossos)
8
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somos?utm_source=google&utm_campaign=22814608683&utm_content=765322055927
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37. A Ré, por outro lado, mantém atuação essencialmente local, com vendas
presenciais em centros comerciais populares de Fortaleza, tendo como exemplo
a feira do buraco da gia. Vide:
19
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38. A distinção entre os meios de distribuição dos produtos é auferível de forma
numérica. A Autora detém expressiva presença digital contando com verdadeiras
celebridades do mundo fitness como embaixadores da marca, alcançando
significativo número de seguidores e alto engajamento nas redes sociais, que se
mostram seu principal canal de vendas. Por outro lado, dada sua atuação
majoritariamente presencial, a GLM possui baixa presença nas redes sociais, tendo
pouco menos de 7 mil seguidores no Instagram. Para melhor visualização:
20
+55 85 3035.0104
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Instagram da Autora Instagram da GLM
39. Ainda nesse sentido, o fato da Ré GLM ter suas atividades restritas ao município de
Fortaleza/CE, enquanto a Autora, embora tenha sede em Salvador/BA, possui
atuação em todo o país impossibilita a confusão do público consumidor, de
acordo com o princípio da territorialidade, amplamente reconhecido pela
jurisprudência:
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Campinas, Relator.: Jane Franco Martins, Data de Julgamento: 24/07/2023, 1ª
Câmara Reservada de Direito Empresarial, Data de Publicação: 24/07/2023)
40. A esta altura é preciso frisar que não se está aqui a dizer que uma marca é melhor
do que a outra, mas tão somente que cada uma conduz suas atividades
empresariais de modo distinto, sequer concorrendo entre si pela mesma fatia de
mercado.
44. Quanto à origem habitual, verifica-se que a Autora se apresenta como uma
empresa profissionalizada, estruturada em torno de operações digitais, valendo-
se de sua expressiva presença nas mídias sociais para alcançar consumidores. Sua
capacidade de penetração mercadológica não depende de vendedores
individuais, mas da consistência de sua comunicação e do marketing digital,
apoiada na atuação de influenciadores de destaque no segmento fitness,
contando com os mais prestigiados influenciadores do segmento.
45. A Ré, por sua vez, insere-se em uma realidade empresarial distinta. Trata-se de
uma loja de atuação essencialmente local, cuja expansão depende de
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vendedores, eventos e pontos de venda físicos. Sua estrutura está atrelada a
práticas tradicionais de comercialização.
46. Por fim, embora não seja apontado formalmente pelo INPI como um critério de
avaliação, a jurisprudência reconhece que o tempo de convivência entre as
marcas se mostra relevante, eis que comprova a possibilidade de convivência
pacífica sem confusão do público consumidor. Nesse sentido:
48. Desse modo, vê-se a análise das empresas e dos produtos por elas ofertados
revela que elas possuem baixa afinidade mercadológica, impossibilitando a
confusão entre as marcas utilizadas por cada uma, que podem coexistir de forma
harmônica no mercado.
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49. Nos termos do artigo 300 do Código de Processo Civil, é possível requerer a
antecipação dos efeitos da sentença por meio da tutela de urgência quando
estejam presentes, concomitantemente, o perigo de dano e a probabilidade do
direito. Nesse sentido:
Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que
evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado
útil do processo.
50. A probabilidade do direito está evidenciada tanto pelo fato de que as marcas em
questão são visivelmente distintas, possuindo elementos figurativos, conceituais e
estilísticos próprios, quanto em razão de ambas conviverem de forma pacífica no
mercado há anos, sem registro de confusão do público consumidor.
51. Quanto ao perigo de dano, sua presença é inconteste, na medida que a Autora
possui atuação exclusivamente virtual, utilizando como principal canal de vendas
sua plataforma online e redes sociais. Caso seja impedida de usar a marca
“ALPHA CO” e compelida a retirar o referido termo de seu domínio eletrônico
([Link]), restará completamente inviabilizada a forma de acesso de
seu público consumidor, que não terá meios de localizá-la no mercado digital,
ocasionando prejuízos irreversíveis em sua atividade empresarial.
52. Para comprovar o risco efetivo, cumpre destacar que, entre os dias 23 e 25 de
julho deste ano, o Google suspendeu temporariamente os anúncios da Autora por
verificar que seu pedido de registro de marca foi indeferido, o que gerou uma
baixa significativa de acessos e, consequentemente, de vendas através do site
(Doc. 06). Embora os anúncios tenham sido reativados após contato com o
Google, como o pedido de registro de marca da Autora permanece indeferido,
é bem provável que tal medida possa ocorrer novamente, inclusive em outros
meios digitais, como redes sociais e marketplaces.
24
+55 85 3035.0104
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IV. PEDIDOS
55. Por fim, solicita que todas as intimações do presente caso sejam procedidas em
nome do advogado RAFAEL SALDANHA PESSOA, inscrito na OAB/CE 23.951, com
endereço profissional na Av. Desembargador Moreira, 760, Salas 1104/1107,
Meireles, Fortaleza-CE, CEP: 60170-000, sob pena de nulidade, nos termos do artigo
272, § 5º do CPC/15.
56. Dá-se à presente causa o valor de R$ 1.000,00 (mil reais) para todos os fins legais.
57. Protesta-se provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos,
incluindo produção de prova documental, pericial, testemunhal, inspeção
judicial, depoimento pessoal, dentro outros.
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+55 85 3035.0104
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Rafael Saldanha Pessoa Bruno de Sousa Coelho
OAB/CE nº 23.951 OAB/CE nº 30.725
ANEXOS
Doc. 1.1 – Contrato Social
Doc. 1.2 – Comprovante de Inscrição e Situação Cadastral
Doc. 2.1 – Procuração
Doc. 2.2 – Substabelecimento
Doc. 3.1 – Pedido de registro da marca da Autora - Processo nº 917666852
Doc. 3.1 – Pedido de registro da marca da Autora - Processo nº 917666909
Doc. 4.1 – Pedido de registro da marca da GLM - Processo nº 917530667
Doc. 4.2 – Pedido de registro da marca da GLM - Processo nº 917541960
Doc. 5.1 – Cópia Decisão - AlphaCo - processo classe 25
Doc. 5.2 – Cópia Decisão - AlphaCo. - processo classe 35
Doc. 6 – Baixa de acessos no google Ads
26
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EXCELENTÍSSIMO JUIZ DA 04ª VARA FEDERAL – SEÇÃO JUDICIÁRIA DO
CEARÁ – JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU DA 5ª REGIÃO
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Ação Anulatória de Ato Administrativo c/c Tutela de Urgência
Requerente: Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda.
Requeridos: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e
GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.
Do Nanismo da Inverdade
1
“A empresa iniciou suas atividades em 08/05/2017 e seu prazo de duração é indeterminado [...]”. Excerto da
Cláusula Terceira. Ato Constitutivo de Transformação em Empresa Individual de Responsabilidade Ltda. – vide
doc. anexo
03.6. Tratando do polo ativo da presente ação, quem
começou o empreendimento em tal seara de vestuário foi STEPHAN
NICHOLAS LEITZ ME – somente anos depois é que seria transformada em
Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda –, cuja primeira
marca foi “MUNDO ALPHA”, e não “ALPHA CO”! Vejamos:
EMENTA
DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. APELAÇÃO CÍVEL. REGISTRO DE
MARCA. ALEGAÇÃO DE DIREITO DE PRECEDÊNCIA. PRINCÍPIO DO "FIRST TO
FILE". IMPOSSIBILIDADE. USO ANTERIOR NÃO COMPROVADO POR MEIO DE
NOTAS FISCAIS. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 124, I, DA LPI. ELEMENTO
FIGURATIVO CONSIDERADO SECUNDÁRIO PELO INPI. ATO ADMINISTRATIVO
REGULAR. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGITIMIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE
INTERVENÇÃO JUDICIAL. RECURSO DESPROVIDO. 1. Apelação cível interposta
por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra
sentença que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros
marcários nºs 917530667 e 917541960, relativos à marca "ALPHA CO.", de
titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.,
deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca,
com base nos arts. 124, I e XIX, 129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de
nulidade dos registros. 2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo
do registro (first to file), segundo o qual o direito à marca se adquire com o
deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da LPI, sendo
a exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé
por mais de seis meses. 3. A APELANTE NÃO APRESENTOU PROVA SUFICIENTE
DA UTILIZAÇÃO COMERCIAL DA MARCA "ALPHA CO." em período anterior a
seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela
ausência de notas fiscais datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem
robustecer os elementos comprobatórios apresentados (prints de redes sociais e
catálogos). 4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da
bandeira da Itália como elemento figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal
elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI, SENDO INCABÍVEL A
REVISÃO JUDICIAL DE MÉRITO ADMINISTRATIVO SEM EVIDÊNCIA DE
ILEGALIDADE FLAGRANTE OU DESVIO DE FINALIDADE. 5. SALIENTA-SE QUE O
ATO ADMINISTRATIVO TEM FÉ PÚBLICA E GOZA DE PRESUNÇÃO DE
LEGALIDADE, LEGITIMIDADE E VERACIDADE. SOMENTE EM SITUAÇÕES
EXCEPCIONAIS, DESDE QUE HAJA PROVA ROBUSTA, É QUE SE PODERIA
AUTORIZAR O AFASTAMENTO DA JUSTIFICATIVA DO INTERESSE PÚBLICO À
SUA DESCONSTITUIÇÃO, o que não se verifica na espécie. Precedente:
Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal
Frederico Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4ª Turma, julgado em 09/02/2021. (...)
(PROCESSO: 08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR
FEDERAL BRUNO LEONARDO CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO:
14/09/2021). 6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme
remansosa jurisprudência do STJ, "marcas fracas ou evocativas, que constituem
expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente forma distintiva
atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com
outras semelhantes". Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel.
Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em
09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel. Ministra MARIA
ISABEL GALLOTTI, QUARTATURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018.
Assim, para uma marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de
expressões e conceitos do domínio comum, sendo inviável conceder a alguém a
propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas pessoas
quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte
Regional nessa direção, mutatis mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000,
APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA,
1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO: 08008874820214058500,
APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES FIALHO
MOREIRA, 3ªTURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022. 7. INEXISTINDO PROVA DO
USO ANTERIOR SUFICIENTE E NÃO SE CONSTATANDO ILEGALIDADE NA
ATUAÇÃO DO INPI, INEXISTE FUNDAMENTO PARA A ANULAÇÃO JUDICIAL
DOS REGISTROS IMPUGNADOS. 8. Recurso desprovido. ACÓRDÃO. Decide a
Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade,
negar provimento à apelação, nos termos do voto do relator e notas
taquigráficas constantes dos autos, que passam a integrar o presente julgado.2
2
PROCESSO Nº: 0817688-07.2023.4.05.8100 - APELAÇÃO CÍVEL (TRF5)
03.10. O INPI, autoridade técnica na matéria, manteve sua
posição ratificando naqueles autos o entendimento correto sobre a
impossibilidade de deferir o pedido de registro da litigante para a
composição “ALPHA CO”, pois essa combinação de elementos nominativos
colide com a que já é de exclusividade prévia da Ré, não sendo verídica a
afirmação de que a Autora fosse a pioneira no uso comercial de “ALPHA
CO” (grifos nossos):
“[...] Durante o prazo legal, os pedidos receberam oposição por parte da Autora, com
alegação relativa ao Direito de Precedência (Art. 129 §1º da LPI). O pedido de marca
917.541.960 [ ] foi deferido em publicação na RPI nº 2571 de 14/04/2020
com os seguintes esclarecimentos: Oposição interposta tempestivamente por
STEPHAN NICHOLAS LEITZ ME; com base no art. 124, inc. V (art. 8º da CUP), XIX e
XXIII, e art. 129, §1º, da LPI; concorrência desleal, código de defesa do consumidor e
dispositivos constitucionais. A Oposta manifestou-se tempestivamente nos autos do
processo. A alegação baseada no inc. V do art. 124 da LPI (art. 8º da CUP) é
improcedente. Não foram apresentadas provas competentes do registro do nome
empresarial em data anterior ao depósito da marca da Oposta. A alegação baseada
no inc. XXIII do art. 124 da LPI é improcedente. A Opoente não forneceu provas
competentes de que a Oposta não poderia desconhecê-la ou a sua marca. A alegação
baseada no §1º do art. 129 da LPI é improcedente. ao INPI em data anterior à deste
pedido. A OPOENTE NÃO SE CONFIGURA COMO USUÁRIO ANTERIOR DE BOA-FÉ,
UMA VEZ QUE JÁ POSSUÍA O DEPÓSITO DE SEU PEDIDO JUNTO AO INPI EM DATA
ANTERIOR À DESTE PEDIDO [ALPHA CLOTHING e MUNDO ALPHA]. A alegação
baseada no inc. XIX do art. 124 da LPI é improcedente. A anterioridade 912763647, de
titularidade da opoente, não apresenta óbice ao deferimento do pedido, pois se
encontra na situação "Pedido definitivamente arquivado". OS DEMAIS PEDIDOS DA
OPOENTE APRESENTAM DATA POSTERIOR AO DEPÓSITO DO PEDIDO EM EXAME.
A busca apontou a convivência de sinais de diferentes titulares constituídos pelos
termos Alpha e Alfa, ainda que associados a elementos não distintivos, tais como:
"Alphasports", "Alpha industries" e "AlphaPrime". Dessa forma, identifica-se a
possibilidade de convivência do sinal em exame com as anterioridades apontadas na
busca. Cumpre destacar que o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo
identificada a alusão direta à bandeira do país. Estando ausente qualquer impedimento
legal, defere-se o pedido [...]”3
APELAÇÃO
1ª Turma TRF-5
Protocolo (21/03/2025)
Contrarrazões (14/04/2025)
Acórdão (18/07/2025): não provido o recurso
Embargos declaratórios (04/08/2025)
Contrarrazões do INPI (06/08/2025)
Contrarrazões da Ré (21/008/2025)
Acórdão (08/10/2025): embargos rejeitados
DA IMPOSSIBLIDADE DE
COEXISTÊNCIA MARCÁRIA
Registro com Validade Nacional
03.19. Exa, os julgados citados pela Autora só corroboram com
o que afirmaremos a seguir: não é possível coexistirem os signos em
julgamento, pois, ao contrário dos exemplos ilustrados pela litigante (onde
constavam similitudes nominativas – não igualdade – entre as marcas ali
citadas4), na presente questão as marcas opostas apresentam tal qual a
mesma expressão nominativa para atividades insertas no mesmo nicho
mercadológico, o de vestuário!
versus
Marca clandestina
4
Duo Gastronomia vs Duo Lounge vs Duo Donuts; Sketch vs Sketchers
arguido pela Autora não é o mesmo aplicável no direito de marcas – ali, na
Inicial, ela tratou do que se pratica no direito empresarial, mormente ao
instituto jurídico do nome de empresa).
5
[Link]
IV – CONSIDERAÇÕES FINAIS
DA IMPORTÂNCIA DE PRESTIGIAR
A ATUAÇÃO TÉCNICA DO INPI
6
Proc. 5011178-86.2025.4.03.6102 / 7ª VARA FEDERAL DE RIBEIRÃO PRETO. Peça de contestação do INPI
(03/11/2025)
ANUÊNCIA DO INPI. Ação ajuizada em 6/1/2014. Recurso especial
interposto em 3/5/2022. Autos conclusos à Relatora em 7/2/2024.O
propósito recursal consiste em (i) definir se houve negativa de
prestação jurisdicional e (ii) verificar a higidez do ato administrativo
que concedeu a marca DELINIA ao recorrido. Prejudicada a análise da
alegação de negativa de prestação jurisdicional, tendo em vista o
princípio da primazia da decisão de mérito. A Lei 9.279/96 contém
previsão específica que impede o registro de marca quando se
constatar a ocorrência de "reprodução ou imitação, no todo ou em
parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada, para
distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou
afim, suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia"
(art. 124, XIX). Na espécie, a confrontação das marcas em litígio
(D'LINEA x DELINIA) revela a existência de alto grau de semelhança
gráfica e IDENTIDADE FONÉTICA ENTRE ELAS, de modo que, sendo
seus titulares sociedades empresárias que atuam no mesmo ramo
de atividades (comercialização de móveis e artigos correlatos), a
potencial confusão gerada no público consumidor, caso ambas
coexistam, é evidente. Para a tutela da marca, basta a
possibilidade de confusão, não se exigindo prova de efetivo
engano por parte de clientes ou consumidores específicos.
Precedentes. O próprio INPI manifestou-se nos autos em sentido
favorável ao reconhecimento da nulidade da marca do recorrido, uma
vez que, segundo apurado pela autarquia, a semelhança existente
entre as marcas é passível de causar confusão ou associação indevida.
A exceção enunciada pela teoria da distância não se aplica à
hipótese dos autos, haja vista que o grau de semelhança entre as
marcas objeto da controvérsia (D'LINEA e DELINIA) é, a toda
evidência, muito maior do que aquele que se percebe na
comparação entre estas e as expressões invocadas pelo acórdão
recorrido. Recurso especial provido.7
7
STJ, REsp n.º 2120527/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, 3ª Turma, julgado em DJe de 19/4/2024.
8
Manual de Marcas INPI. 3ª edição/6ª revisão.
frequentemente em sua forma verbal. Na comparação
fonética, são avaliadas as semelhanças e diferenças na
sequência de sílabas, na entonação das palavras e nos ritmos
das frases e expressões presentes nos sinais em cotejo.”
04.11. Por todas essas razões é que não cabe razão à Autora,
em sede de decisão liminar, arguir que o seu direito é provável de se
reconhecer ao final da ação, haja vista sua marca não registrada
reproduzir totalmente, plagiar, todos os elementos nominativos presentes no
signo comercial certificado da Ré, no caso, ALPHA CO, voltado ao
comércio de peças do vestuário, tal qual ela empreende também. O que
vem sendo confirmado reiteradas vezes não só pelo INPI como pelo poder
judiciário federal.
9
In ABBOUD, Georges et alt. Direito Processual da Propriedade Industrial. São Paulo: Thomson Reuters Brasil.
Revista dos Tribunais, 2023. Pág. 59.
“[...] tem o INPI, por força de lei, inegável parcela de
responsabilidade na execução das normas que regulam a
propriedade industrial, CABENDO-LHE O VEREDICTO, seja do
ponto de vista jurídico, social e econômico, acerca da
concessão ou não de privilégios de patente e registros de
desenho industrial e marcas, devendo zelar por sua correta
aplicação. [...] Não podemos olvidar, contudo, que os atos
dele emanados decorrem apenas e tão-somente de sujeição
ao ordenamento legal, como sói acontecer com os atos
administrativos em geral. A propósito, convém lembrar que a
função do INPI enquadra-se como modalidade de
intervenção estatal na administração de direitos
privados, realizada por órgão alheio ao Poder Judiciário.
V – DO PEDIDO
10
In ROCHA, Fabiano de Bem da. Ações Anulatórias de Direitos da Propriedade Industrial e o INPI –
Litisconsorte ou Assistente? Revista da ABPI, n. 68, jan./fev, 2004, p. 25.
prazo para a Ré ora manifestante juntar aos autos sua
peça de Contestação e requerer o que de direito for no
tempo devido.
Fábio Barros
OAB-CE 15.543
EXCELENTÍSSIMO JUIZ DA 04ª VARA FEDERAL – SEÇÃO JUDICIÁRIA DO
CEARÁ – JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU DA 5ª REGIÃO
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Ação de Nulidade de Ato Administrativo
Requerente: Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda.
Requeridos: Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e
GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.
1
Proc. 0817688-07.2023.4.05.8100 / 10ª Vara Federal de Fortaleza. Vide doc. anexo.
deixar de pugnar ainda contra os pedidos da GLM, usando de todas as
medidas jurídicas possíveis então (Oposição, Manifestação à Oposição até
mesmo requerendo abertura de Processo Administrativo de Nulidade –
PAN).
Valor da Unidade Advocatícia (UAD) para utilização na Tabela de Referência para Honorários Advocatícios no
Estado do Ceará: R$159,21 (cento e cinquenta e nove reais e vinte e um centavos).
2
[Link]
ao magistrado conhecer outra hipótese de cálculo referencial sugerido
ainda pelo conselho profissional dos advogados do Ceará3:
4
[Link]
Processo Partes Valor da Causa
arguindo falsamente pela probabilidade de haver direito em seu
favor para obter registro homônimo ao da contestante GLM
(“ALPHA CO”), mediante suposta possibilidade de convivência
marcária, quando os fatos depõem o inverso, dadas as
sucessivas confirmações inequívocas e uníssonas em prol do
direito de exclusividade do registro para a Ré GLM, tanto na
instância administrativa quanto já na judicial também.
02.5. O dolo com o qual se anima a litigante expressa-se
também no fato de ela praticamente repetir uma ação anterior (na qual foi
parte derrotada, inclusive na instância recursal) nos presentes autos, uma
vez que o objeto traduz-se no mesmo propósito de antes: usar sem
nenhuma penalidade o elemento nominativo pertencente à Ré GLM,
mesmo ambas as empresas atuando no segmento comercial de vestuário.
IMPOSSIBILIDADE DO USO
DE DOMÍNIO ELETRÔNICO
HOMÔNIMO À MARCA
5
[Link]
denunciamos em petição anterior, suas tentativas jamais lograram êxito,
nenhuma delas, seja diante da autoridade administrativa de registro
especializada para tanto (INPI) ou já na esfera judicial.
II – DO MÉRITO
Sinopse Fática e Jurídica
Marca Clandestina Colidente
com a da Ré GLM (ALPHA CO vs ALPHA Co.)
RELAÇÃO LITIGIOSA
ENTRE AS PARTES
TENTATIVA FRUSTRADA
DE COMPOSIÇÃO
DA MÁ FÉ DA
LITIGANTE AUTORA
Infração ao Direito Marcário e
Ilícito de Concorrência Desleal
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA AS MARCAS
6
Lei da Propriedade Industrial /L. 9.279/96 (LPI)
CO”, sem ter nenhum direito a isso, inobstante as derrotas na seara
administrativa e judicial, após provocações iniciadas por ela mesma (só
obtendo de resultado, em todas as ocasiões, os respectivos indeferimentos
dos seus pedidos). Absurdo!
CAPÍTULO VI
DOS CRIMES DE CONCORRÊNCIA DESLEAL
Art. 195. Comete crime de concorrência desleal quem:
[...]
IV - usa expressão ou sinal de propaganda alheios, ou os
imita, de modo a criar confusão entre os produtos ou
estabelecimentos;
DA COMPARAÇÃO ENTRE
AS MARCAS (sinais confundíveis)
7
3ª edição/6ª revisão. Pág. 169-170.
conjuntos. Vale lembrar que as marcas, mesmo aquelas de
apresentação mista, são lembradas e mencionadas
frequentemente em sua forma verbal. [...]
Reprodução8
É a cópia idêntica de marca anterior de terceiro,
compreendendo, além da identidade completa (ou
servil/fiel), casos de reprodução com acréscimo ou parcial
do(s) elemento(s) distintivo(s) desse sinal.
Neste quesito, é avaliado o núcleo semântico do sinal
marcário, que confere sentido ao conjunto, a fim de
distinguir uma reprodução parcial ou com acréscimo de um
novo conjunto marcário, com sentido próprio.
8
Ibidem. Pág. 180.
03.15. Segundo as diretrizes do INPI, o caso em julgamento
configura-se claramente na hipótese de reprodução de marca de
terceiros9; afinal, mutatis mutandi:
vs.
9
STJ, REsp 1.819.060/RJ: a Corte reconheceu a impossibilidade de coexistência de marcas quando há
reprodução integral suscetível de confusão
Imagem colhida há quatro dias na conta do Facebook da
adversária10.
10
[Link]
11
Manual de Marcas INPI. 3ª edição/6ª revisão. Pág. 121.
E agora?
ALPHA CO
CONCLUSÃO
PRELIMINARMENTE
04. DA COMPETÊNCIA DO JUÍZO LOCAL
12
RECURSO ESPECIAL Nº 1.400.785 - RS (2013/0288583-0). Julgado em 08/11/2016. Vide também Embargos de
Divergência nº 783.280/RS, Rel. Min. Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 23/02/2011, DJe19/04/2012.
“ALFA Co.” e congêneres (“ALPHACO”, “ALFACO”, “ALPHAco.”, “ALPHACO.”,
“ALFACO.”; “ALFAco.”, “USEALPHACO”, “USEALFACO”, “USEALPHACO.”,
“USEALFACO.”, “USEALFAco.” e “USEALPHAco.”). Pelo menos até o deslinde da
questão.
DO DIREITO MAIS QUE EVIDENCIADO
fumus boni juris
DO RISCO NO ATRASO DO
PROVIMENTO PROVISÓRIO
periculum in mora
13
[Link] (aos 05min e 46s do vídeo)
14
[Link]
15
15
[Link]
16
16
ibidem
17
17
[Link]
18 Um dos sócios declara o volume de venda mensal abrangendo 140 mil peças de roupas.
18
[Link] (a 01:01:08 do vídeo)
benefício, contendo até mesmo o termo principal “ALPHA” (como em
MUNDO ALPHA):
19
20
21
19
Alpha Co em Promoção no Magazine Luiza
20
[Link]
21
Alpha Co | Mercado Livre
22
DA NECESSIDADE DE INTERRUPÇÃO
IMEDIATA DA CONTRAFAÇÃO
22
Camiseta Oversized Legacy | Frete grátis
Isso é inadmissível!
23
[Link]
Veja, MM, até a fonte (estilo) da letra
é imitada!
24
24
[Link]
procuradas?srsltid=AfmBOopLFJV366_7KrFuL7ipoCcRAebjFBGu66qGfRfTsmdpUS7SqEMY
que ambas se mostram evidentemente distintas, compartilhando tão somente o
elemento nominativo.”
25
[Link]
08.4. Não há como negar que o uso de “ALPHA CO” – desde
sempre irregular, ilícito, contrafator, não autorizado, não registrado,
plagiador e desleal – praticado pela reconvinda – só tem piorado, pelo
visto, aumentando o risco de confusão entre os signos sob análise.
26 27
26
[Link]
27
ibidem
08.6. Os últimos exemplos ilustrados, recentes, desnudam toda
a má-fé que move a adversária no seu empreendimento comercial. Além
de falsear a origem do uso do termo “Alpha Co”, quando ela jamais foi a
utente pioneira, a reconvinda comete outro falso perante este juízo: ao
confrontar com a arte da marca mista da reconvinte uma composição que,
embora apresentada a registro (denegado) ao INPI, já nem mais se
encontra em uso.
28
SOARES, José Carlos Tinoco, in “Tratado da Propriedade Industrial”, vol. II, página 1084, Editora Resenha
Tributária, 1988,
9.2. Tratando da análise de marcas mistas, opostas entre si, a
autoridade na matéria assim explica:
29
Proc. 5011178-86.2025.4.03.6102 / 7ª VARA FEDERAL DE RIBEIRÃO PRETO. Peça de contestação do INPI
(03/11/2025)
30
Manual de Marcas INPI. 3ª edição/6ª revisão.
10. DA JURISPRUDÊNCIA
EMENTA
DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. APELAÇÃO CÍVEL.
REGISTRO DE MARCA. ALEGAÇÃO DE DIREITO DE
PRECEDÊNCIA. PRINCÍPIO DO "FIRST TO FILE". IMPOSSIBILIDADE.
USO ANTERIOR NÃO COMPROVADO POR MEIO DE NOTAS
FISCAIS. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 124, I, DA LPI. ELEMENTO
FIGURATIVO CONSIDERADO SECUNDÁRIO PELO INPI. ATO
ADMINISTRATIVO REGULAR. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E
LEGITIMIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO JUDICIAL.
RECURSO DESPROVIDO. 1. Apelação cível interposta por Alpha Co
Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra
sentença que julgou improcedente pedido de nulidade judicial
dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960, relativos à
marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e
Comércio de Confecção Ltda., deferidos pelo INPI. A autora
sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts.
124, I e XIX, 129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de
nulidade dos registros. 2. O sistema jurídico brasileiro adota o
princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito
à marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos
termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a exceção prevista no §1º,
condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de
seis meses. 3. A APELANTE NÃO APRESENTOU PROVA
SUFICIENTE DA UTILIZAÇÃO COMERCIAL DA MARCA "ALPHA
CO." em período anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré
em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os
elementos comprobatórios apresentados (prints de redes sociais e
catálogos). 4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na
utilização da bandeira da Itália como elemento figurativo é afastada,
pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao
art. 124, I, da LPI, SENDO INCABÍVEL A REVISÃO JUDICIAL DE
MÉRITO ADMINISTRATIVO SEM EVIDÊNCIA DE ILEGALIDADE
FLAGRANTE OU DESVIO DE FINALIDADE. 5. SALIENTA-SE QUE O
ATO ADMINISTRATIVO TEM FÉ PÚBLICA E GOZA DE
PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE, LEGITIMIDADE E VERACIDADE.
SOMENTE EM SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS, DESDE QUE HAJA
PROVA ROBUSTA, É QUE SE PODERIA AUTORIZAR O
AFASTAMENTO DA JUSTIFICATIVA DO INTERESSE PÚBLICO À
SUA DESCONSTITUIÇÃO, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201,
Desembargador Federal Frederico Wildson da Silva Dantas (Conv.),
4ª Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR
FEDERAL BRUNO LEONARDO CAMARA CARRA, 4ª TURMA,
JULGAMENTO: 14/09/2021). 6. De toda sorte, obiter dictum, importa
ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de
pouca originalidade e sem suficiente forma distintiva atraem a
mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver
com outras semelhantes". Precedentes nesse sentido: STJ, REsp
1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA
TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp
1062073/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTATURMA,
julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma marca
possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e
conceitos do domínio comum, sendo inviável conceder a alguém a
propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente
pelas pessoas quando tratam daquele objeto ou serviço.
Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL,
DESEMBARGADOR FEDERAL ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª
TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR
FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES FIALHO MOREIRA, 3ªTURMA,
JULGAMENTO: 23/06/2022. 7. INEXISTINDO PROVA DO USO
ANTERIOR SUFICIENTE E NÃO SE CONSTATANDO ILEGALIDADE
NA ATUAÇÃO DO INPI, INEXISTE FUNDAMENTO PARA A
ANULAÇÃO JUDICIAL DOS REGISTROS IMPUGNADOS. 8.
Recurso desprovido. ACÓRDÃO. Decide a Primeira Turma do
Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar
provimento à apelação, nos termos do voto do relator e notas
taquigráficas constantes dos autos, que passam a integrar o presente
julgado.31
31
PROCESSO Nº: 0817688-07.2023.4.05.8100 - APELAÇÃO CÍVEL (TRF5)
No ensejo, o INPI assim manifestou-se naqueles autos:
32
Proc. 0817688-07.2023.4.05.8100 / 10ª Vara Federal de Fortaleza. Vide doc. anexo.
10.2. O Judiciário Federal vem mantendo o posicionamento
da autarquia federal de registro:
33
STJ, REsp n.º 2120527/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, 3ª Turma, julgado em DJe de 19/4/2024.
DA CONCORRÊNCIA DESLEAL
34
Superior Tribunal de Justiça. REsp 1327773/MG. Rel. Ministro Luís Felipe Salomão. Quarta Turma. Julgado em
28/11/2017. Publicado no DJe em 15/02/2018.
11. CONCLUSÃO
Prática Delituosa Comprovada
E Danos Aferíveis
; e .
IV – DO PEDIDO
Fábio Barros
OAB-CE 15.543
Pós-Graduado em Direito Intelectual
Faculdade de Direito/Universidade de Lisboa
Escritório Auriz Barreira Marcas & Patentes
E X C E LE N TÍ S SI M O ( A) SE NH O R( A) D O U TO R (A) J UI Z ( A) F E DE R A L DA 4ª VA R A
FE DE R A L D A SE Ç Ã O J UDI C I Á RI A DO C E A R Á .
Proc. 0059452-35.2025.4.05.8100
I. TEMPESTIVIDADE
Art. 350. Se o réu alegar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor,
este será ouvido no prazo de 15 (quinze) dias, permitindo-lhe o juiz a produção de
prova.
2. O despacho que intimou a Autora para apresentar réplica foi publicado no dia
28/11/2025 (sexta-feira), iniciando-se a contagem do prazo no dia 01/12/2025
(segunda-feira).
4. Como a presente réplica foi apresentada dentro do período legal, deve ser
recebida por este Juízo em sua integralidade.
1
Portaria nº 144/2024, expedida pela Direção do Foro da Justiça Federal no Ceará (JFCE), e art. 62, IV, da Lei nº
5.010/66.
1
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
II. SINOPSE PROCESSUAL
2
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
c) Seja determinada a busca e apreensão dos produtos contrafatores;
10. Contudo, como se verá nas linhas abaixo, as Requeridas não trouxeram aos autos
nenhum fato, prova ou fundamento jurídico apto a elidir as pretensões autorais,
sendo a procedência da presente ação medida que se impõe.
III. PRELIMINARES
II I .I – Ir r el ev â nc ia da a çã o de n º 0 8 1 7 6 8 8 -0 7 .2 0 2 3 .4 .0 5 .8 1 0 0 .
12. O INPI suscita que, embora os pedidos das ações sejam distintos, ambas as causas
seriam continentes por possuírem a mesma “essência”, devendo este juízo evitar
a prolação de decisões conflitantes.
13. Já a GLM considera que a presente ação seria uma repetição da causa anterior
ou, pelo menos, que sua propositura afrontaria parte das matérias já decididas,
afirmando que a Autora agiu de má-fé ao se omitir quanto à existência da ação
precedente para tentar rediscutir a questão.
14. Contudo, não há qualquer má-fé por parte da Autora na ausência de menção à
ação anterior, eis que a distinção entre o seu objeto e o da presente lide torna a
sua discussão nos autos em apreço absolutamente irrelevante.
15. Primeiramente, cabe expor a distinção entre ambas as causas. Na ação que
tramita sob o nº 0817688-07.2023.4.05.8100, a Autora pleiteia a anulação da marca
da GLM, e o consequente deferimento das suas próprias, com base na aplicação
do direito de precedência, previsto no art. 129, parágrafo primeiro, da Lei nº
9.279/1996. In verbis:
3
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
todo o território nacional, observado quanto às marcas coletivas e de certificação
o disposto nos arts. 147 e 148.
§ 1º Toda pessoa que, de boa fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País,
há pelo menos 6 (seis) meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou
certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, terá direito de
precedência ao registro.
17. Por conseguinte, a presente ação trata sobre a convivência pacífica das marcas,
tendo sido apontado que, como as marcas são distintas e inaptas a gerar
confusão do público consumidor, não subsiste a justificativa utilizada para indeferir
o pedido de registro de marca da Autora. Os fundamentos jurídicos e fáticos são,
portanto, completamente diversos, não havendo identidade das causas de pedir
entre as duas demandas.
18. Além dos fundamentos jurídicos serem distintos, os pedidos formulados em cada
uma também diferem. Na ação sobre o direito de precedência, foi requerida a
anulação da marca da GLM. Já na presente ação, requer-se a anulação do ato
administrativo do INPI que indeferiu a marca da Autora, com o seu consequente
deferimento, sem qualquer interferência sobre a marca da GLM. Logo, vê-se que
as ações são inconfundíveis, não podendo a improcedência da anterior
influenciar o julgamento da atual.
19. A GLM também argumenta que, mesmo que as duas causas não fossem
idênticas, a presente ação violaria as premissas da anterior, que pressupunha a
colidência entre as marcas. Contudo, tais argumentos não merecem acolhida.
20. Mesmo que a colidência entre as marcas fosse um pressuposto lógico para a
aplicação do direito de precedência, o que se admite para fins meramente
argumentativos, a matéria não estaria coberta pela coisa julgada, eis que ela se
trataria de questão incidental, e não do objeto principal da lide.
4
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
21. A legislação processual prevê de forma expressa a inaplicabilidade dos efeitos da
coisa julgada às questões que não sejam o objeto principal da lide. Nesse sentido:
Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos
limites da questão principal expressamente decidida.
(...)
Como visto, é importante frisar uma distinção: há questões que são postas como
fundamento para a solução de outras e há aquelas que são colocadas para que
sobre elas haja decisão judicial. Em relação a todas haverá cognição (cognitio); em
relação às últimas, haverá também julgamento. Todas compõem o objeto de
conhecimento do magistrado, mas somente as últimas compõem o objeto de
julgamento (thema decidendum) ou objeto da declaração.
23. Dado que a colidência entre as marcas, mesmo que se tratasse de pressuposto
necessário à aplicação do direito de precedência, não constituiu o objeto
principal da ação de nº 0817688-07.2023.4.05.8100, sua apreciação não foi
abarcada pela coisa julgada, podendo ser livremente apreciada nos presentes
autos.
2
Didier Jr, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de
conhecimento / Fredie Didier Jr. 17. ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015. v.1. p. 432 e 433.
5
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
II I .I I – A us ê nc ia d e má - f é.
b) falsidade quanto à alegação de uso da marca “alpha co” desde o início das
atividades;
26. A Contestante adota qualquer divergência jurídica ou fática como indício de má-
fé, em clara tentativa de transformar o exercício regular do direito de ação em
conduta sancionável. Contudo, tais alegações não resistem a uma análise
técnica.
28. Por conseguinte, a GLM suscita que a Autora alterou a verdade dos fatos ao
afirmar que a marca “alpha co” foi utilizada “desde o início de suas atividades”
(parágrafo 3 da petição inicial). Contudo, cabe pontuar que não há qualquer
inverdade no relato da Autora.
29. Explica-se: embora a empresa tenha sido criada em 2017, época na qual utilizava
a marca “mundo alpha”, logo após, em meados de 2018, a Autora passou a usar
a marca “alpha co”, conforme comprovação em anexo (Doc. 02). A afirmação
de que a marca é utilizada “desde o início das atividades” consiste em expressão
6
+55 85 3035.0104
[Link]
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vaga, destinada a abranger os primeiros anos de atuação, e não o exato
momento da constituição da empresa.
30. A Contestante, ao suscitar que a Autora teria alterado a verdade dos fatos, usa
de interpretação excessivamente restritiva e desarrazoada do termo “início das
atividades”, buscando alterar o sentido buscado pela Autora para imputar-lhe a
prática de ato ilícito. Apesar disso, vê-se que o relato feito pela Autora, embora
genérico, não possui nenhuma informação falsa. A marca foi utilizada nos
primeiros anos da empresa, o que pode ser classificado como “início das
atividades”.
31. Para além da ausência de alteração da verdade dos fatos, o início do uso da
marca “alpha co” pela Autora se trata de informação meramente contextual,
sem qualquer relevância jurídica para a solução do litígio, que versa sobre a
distintividade entre as marcas das partes e a impossibilidade de confusão do
consumidor.
32. Portanto, é evidente que a informação não foi apresentada com o objetivo de
auferir vantagem indevida ou de induzir o Magistrado a erro, requisitos necessários
para a aplicação da multa por litigância de má-fé. Nesse sentido:
33. Quanto aos demais pontos suscitados como supostos indícios de má-fé, como a
ciência da anterioridade do registro da GLM, a continuidade do uso do signo
distintivo e a alegada tentativa de confusão do público consumidor, tais
alegações, além de falsas, não se enquadram nas hipóteses taxativas previstas
nos artigos 77 e 80 do Código de Processo Civil.
34. Não se tratam de atos praticados no decorrer do processo, mas sim de questões
que dizem respeito à própria causa de pedir, se confundindo com o mérito da
ação, devendo ser regidas pelas regras de direito material, e não pela legislação
processual.
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35. Diante disso, a alegada má-fé deve ser rechaçada. A Autora não omitiu a
existência da ação anterior na tentativa de obter vantagem ilícita, mas sim
porque os provimentos buscados são independentes. A improcedência de um
pedido de anulação de marca alheia não retira da Autora o direito constitucional
de buscar, pelas vias ordinárias, o deferimento do seu próprio registro junto ao INPI,
sob fundamentos fáticos e jurídicos inteiramente novos.
II I .I I I – Val or da caus a .
37. Acontece que não há qualquer fundamento deste pleito. A questão em curso se
trata de uma anulação dos atos administrativos praticados pelo INPI que
indeferiram o registro de marca da Autora. Como a controvérsia limita-se à
validade desses atos, a causa carece de um conteúdo patrimonial que possa ser
aferido de forma objetiva.
39. Tal orientação é corroborada por julgados mais recentes, que admitem a
indicação de valores de causa meramente simbólicos em ações que buscam a
anulação do indeferimento de registro de marca. Exemplificativamente:
41. A impugnação apresentada pela GLM carece de fundamento também pelo fato
de não indicar o valor que entende devido nem os critérios técnicos para sua
apuração. O Superior Tribunal de Justiça, em interpretação ao artigo 293 do CPC,
consolidou o entendimento de que a impugnação ao valor da causa deve ser
específica; meras alegações genéricas, desacompanhadas da indicação do
valor da causa que se entende como correto, são insuficientes para desconstituir
a estimativa da Autora. Confira-se:
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que o valor é irrisório, sem mencionar sequer a espécie de perícia necessária para
a correta fixação do valor da causa, traduz imprecisão que inviabiliza a
impugnação, desprovida de elementos concretos para se aferir a pretendida
majoração do valor dado à causa. III - Recurso especial desprovido. (STJ - REsp:
806324 RJ 2005/0214519-5, Relator.: Ministro RAUL ARAÚJO, Data de Julgamento:
05/02/2015, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 11/06/2015)
42. Diante desse cenário, verifica-se que o valor da causa foi corretamente fixado de
forma estimativa e compatível com a natureza da demanda, inexistindo qualquer
irregularidade ou subavaliação artificial, razão pela qual a impugnação deduzida
pela contestante deve ser integralmente rejeitada, mantendo-se o valor atribuído
à causa, por absoluta conformidade com a legislação processual e com a
jurisprudência sobre o tema.
43. Na petição inicial, foi demonstrado que, para que haja a reprodução de marca
alheia, nos termos do art. 124, XIX, da Lei nº 9.279/96, exige-se a possibilidade de
confusão do público consumidor, o que se verifica por meio da afinidade
mercadológica entre as empresas. Tal afinidade é apurada mediante a
comparação das empresas através de diversos elementos, os quais foram
detalhadamente expostos pela Autora.
44. Apesar das irresignações apresentadas, as defesas silenciaram quanto aos fatores
determinantes da distinção entre as operações: a especificidade no modo de uso,
a diversidade dos canais de escoamento, a origem habitual e o perfil do público-
alvo. Não se enfrentou, por exemplo, o alto grau de atenção do consumidor no
momento da aquisição, tampouco a inexistência de complementaridade ou
permutabilidade entre os produtos. A falta de impugnação expressa a esses
elementos torna inconteste que as marcas operam em nichos distintos, o que
inviabiliza qualquer erro de percepção pelo mercado.
45. O único aspecto efetivamente enfrentado pelas rés refere-se aos produtos
vendidos, sob o argumento de que, por se encontrarem na mesma classe da
Classificação de Nice, seriam necessariamente idênticos. Tal conclusão, contudo,
não se sustenta, uma vez que a coincidência de classe não implica, por si só, na
igualdade entre os nichos de mercado, conforme reconhece reiteradamente a
jurisprudência. Nesse sentido:
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APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER C/C INDENIZATÓRIA.
DIREITO EMPRESARIAL E MARCÁRIO. USO INDEVIDO DE MARCA REGISTRADA NA
MESMA CLASSE. POSSIBILIDADE DE CONVIVÊNCIA. NICHO DE MERCADOS DISTINTOS.
POSSIBILIDADE ÍNFIMA DE CONFUSÃO ENTRE OS CONSUMIDORES. R. SENTENÇA DE
IMPROCEDÊNCIA QUE SE MANTÉM. (...) 5. Sabe-se que, pelo princípio da
especialidade, o direito de exclusividade do uso da marca é, a princípio, limitado à
classe para a qual foi deferido. Inteligência do artigo 124, XIX, da Lei de Propriedade
Industrial. 6. Só que, no caso, a afinidade entre as atividades desempenhadas pela
a autora e pela ré reside no fato de ambas atuarem, direta ou indiretamente, no
ramo de impressão gráfica. 7. Veja que a própria autora afirma em sua exordial que
a sua atividade comercial consiste em produzir cartões, cheques, vouchers
alimentação e refeição, cartões bancários, cartões com chips, Carteira Nacional de
Habilitação em dez estados, entre outros. 8. A parte ré, por sua vez, demonstrou que
o seu objeto social se restringe à comercialização, venda, intermediação na venda,
comércio, importação e exportação de papéis decorativos impressos, papéis
impregnados e laqueados, lâminas impregnadas e laqueadas e seus pré-produtos,
bem como a impressão, impregnação e laqueamento de lâminas e papéis
decorativos. 9. Não há qualquer impedimento legal para que duas marcas iguais ou
semelhantes convivam na mesma classe, desde que não importe em confusão ao
consumidor e atuem em nichos de mercado distintos, conforme a doutrina mais
abalizada sobre o tema ensina. 10. No caso, apesar de ambas as sociedades
atuarem no ramo genérico de impressão gráfica, certo é que o risco de a
convivência das marcas implicar em confusão aos seus consumidores é ínfimo, ante
a profunda distinção entre os seus respectivos objetos. (...) (TJ-RJ - APELAÇÃO:
04202384520158190001 201700114152, Relator.: Des(a). GILBERTO CLÓVIS FARIAS
MATOS, Data de Julgamento: 30/05/2017, DECIMA OITAVA CAMARA DE DIREITO
PRIVADO (ANTIGA 15ª CÂMARA CÍVEL), Data de Publicação: 01/06/2017)
(...) 2. É cabível o registro de duas marcas ou mais em uma mesma classe perante o
INPI, contanto que o segmento de atuação comercial de ambas as empresas seja
diverso, capaz de cumprir com a finalidade da marca que é identificar um produto
no mercado e afastar a confusão quanto a sua origem pelo consumidor. Hipótese
processual em que as partes confeccionam e comercializam produtos de natureza
diversa em termos de espécie e qualidade e vendem para público veementemente
distinto, inclusive, com formato de venda diversos, restando descartada a hipótese
de confusão mercadológica e concorrência desleal entre as empresas, devendo-se
prestigiar a convivência pacífica de ambas as marcas, que assim coexistem
harmoniosamente há anos, a teor de precedentes do STJ. 3. Não há que se falar em
cópia de marca, a teor do art. 124, XIX, da Lei n. 9.279/96, em se tratando de marca
mista, constituída por elementos nominativos e figurativos, que juntos não constituem
cópia parcial ou integral em relação a marca já registrada e que assim cumpre com
o requisito da novidade relativa em relação aos produtos que visam identificar no
mercado. 4. Apelação 1 conhecida e parcialmente provida. 5. Apelação 2 não
conhecida, pois prejudicada. (TJ-PR 0029687-71.2018.8.16 .0001 Curitiba, Relator.:
Fabio Marcondes Leite, Data de Julgamento: 19/06/2023, 20ª Câmara Cível, Data de
Publicação: 20/06/2023)
47. Tal distinção já foi expressamente reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça,
ao admitir a convivência de marcas semelhantes no setor de vestuário quando
destinadas a segmentos mercadológicos diversos, eis que uma se voltava ao setor
esportivo:
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49. De fato, embora o registro da GLM contenha menção pontual a camisas
desportivas, tal descrição não abrange a totalidade dos produtos
comercializados pela Autora.
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genérica a determinado item não é suficiente para assegurar proteção indefinida,
sendo indispensável a comprovação do uso efetivo da marca em relação aos
produtos para os quais foi deferida.
53. Sob essa perspectiva, a caducidade parcial passa a ser compreendida como um
mecanismo de saneamento do sistema de Propriedade Industrial. Por meio deste
mecanismo, harmoniza-se o direito individual de propriedade com o postulado
constitucional da livre iniciativa, garantindo que o mercado não seja privado de
sinais distintivos por força de registros ociosos.
54. Dessa forma, a manutenção da proteção integral sobre uma classe não
explorada desnatura a finalidade do registro de marca, violando sua função
social.
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56. No caso concreto, o registro marcário da GLM foi deferido no ano de 2019 e,
desde então, a empresa jamais exerceu a comercialização de camisas ou de
qualquer outro tipo de vestuário desportivo. Tal circunstância é facilmente
constatável a partir da análise de seus próprios canais de divulgação e venda,
em especial seu perfil institucional em redes sociais, no qual inexiste qualquer
oferta de produtos voltados à prática esportiva.
57. Dessa forma, resta configurado o não exercício parcial da marca da GLM em
relação às especificações referentes a vestuário desportivo por período superior a
cinco anos, atendendo-se, portanto, aos requisitos legais para o reconhecimento
da caducidade parcial do registro, o que afasta, ainda com maior razão,
qualquer alegação de afinidade mercadológica ou de possibilidade de confusão
do público consumidor.
58. Diante desse cenário, resta evidenciado que as empresas atuam em segmentos
mercadológicos completamente distintos, não havendo afinidade
mercadológica e, consequentemente, possibilidade de confusão do público
consumidor.
59. Superada tal questão, impõe-se enfrentar o argumento segundo o qual as marcas
seriam semelhantes pelo fato de compartilharem o mesmo elemento nominativo
“alpha co”.
61. Tratando-se de marcas mistas, o exame de semelhança não pode ser reduzido a
apenas um de seus elementos. A proteção recai sobre o conjunto marcário, ou
seja, sobre a impressão global que o signo projeta no mercado.
64. A marca da GLM, por sua vez, é composta unicamente por uma estilização
gráfica da letra “A”, acompanhada de uma listra branca, vermelha e verde, com
tipografia, cores e concepção visual completamente diversas. As fontes utilizadas,
o estilo gráfico e a mensagem transmitida ao consumidor são substancialmente
distintas, afastando qualquer possibilidade de associação indevida. Para melhor
visualização:
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Marca da Autora Marca da GLM
66. Mesmo que se atribuísse especial relevância ao elemento nominativo, tal critério
não favoreceria a tese da GLM. O termo “alpha” é amplamente utilizado em
centenas de registros marcários, circunstância que acarreta o seu desgaste e o
enfraquecimento de sua distintividade, fazendo com que a marca tenha que
conviver com outras marcas análogas.
67. A tentativa da Requerida de afastar tal realidade, sustentando que também teria
havido reprodução do termo “co”, igualmente não prospera. Trata-se de
abreviação da palavra estrangeira “company” (“empresa” em inglês)3, de uso
corriqueiro e destituído de distintividade própria, amplamente empregada por
3
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Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
empresas em todo o mundo, como “Ford Motor Co.” e “Tiffany & Co.”, entre
inúmeros outros exemplos notórios.
68. Após essas explicações, vê-se que o nome “alpha co” nada mais significa do que
“empresa alpha”, o que carece de qualquer distintividade capaz de impedir o
seu uso pelos demais concorrentes.
70. Diante desse contexto, verifica-se que as marcas são manifestamente distintas,
inexistindo qualquer reprodução ou imitação apta a induzir o público consumidor
em erro. Ademais, as Requeridas não conseguiram infirmar as teses autorais
demonstrando a presença dos pressupostos legais exigidos pelo art. 124, XIX, da
Lei nº 9.279/96, razão pela qual devem ser julgados procedentes os pedidos
formulados na inicial, anulando o ato que indeferiu o pedido de registro marcário
da Autora.
72. Nesse sentido, informa-se que não há interesse na produção de novas provas,
uma vez que as já colacionadas aos autos são suficientes para a resolução da
controvérsia, sustentando todas as alegações feitas ao longo do processo.
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74. Por todo o exposto, requer-se que V. Exa. se digne de:
75. Por fim, requer que sejam as intimações e/ou publicações efetuadas
exclusivamente em nome do advogado RAFAEL SALDANHA PESSOA, OAB/CE nº
23.951, com endereço profissional na Av. Desembargador Moreira, 760, Salas
1104/1107, Meireles, Fortaleza/CE, CEP: 60170-000.
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+55 85 3035.0104
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Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
9641753 04/02/2026 Sentença Sentença
10:44
PODER JUDICIÁRIO
4ª Vara Federal CE
SENTENÇA
1. Relatório
Trata-se de ação sob o procedimento comum com pedido de tutela de urgência ajuizada por ALPHA CO
COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO LTDA contra o INSTITUTO NACIONAL DA
PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI) e GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA,
objetivando provimento jurisdicional para que seja assegurado à autora o direito de continuar utilizando a marca até o
julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do domínio eletrônico da demandante. No mérito,
requereu a anulação dos atos que indeferiram os pedidos de registro n. 917666852 e 917666909, ordenando que o
INPI proceda ao deferimento dos pedidos de registro.
[...]
1. A Autora é uma empresa atuante no ramo de confecção e comercialização de roupas para o segmento fitness,
com sede na cidade de Salvador/BA.
2. Desde a sua fundação, a empresa vem se destacando no cenário nacional como um dos maiores e-commerce
de vestuário fitness, tendo feito parcerias com os maiores influenciadores do ramo e contando com mais de 575
mil seguidores em sua página do Instagram.
3. Desde o início de suas atividades, a empresa utiliza da marca "ALPHA CO.", associada ao símbolo de um
lobo.
(...)
4. Intentando a proteção de sua marca, em 05/07/2019, a Autora depositou perante o Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI) os pedidos de registros de marca processados sob os nº's 917666852, vinculado
à NCL (11) 25 (Doc. 03.1) e 917666909, vinculado à NCL (11) 35 (Doc. 03.2). Segue a marca objeto do pedido
de registro:
(...)
5. Entretanto, na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2533, publicada em 23/07/2019, dias após seu
pedido, foi informado o protocolo de duas solicitações de registros da marca "ALPHA CO.", nas datas de
14/06/2019 e 17/06/2019, pela empresa GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA, ora Ré.
7. Em vista disso, em 30/06/2020, os pedidos de registro da Autora foram indeferidos (Doc. 05.1 e 05.2) pelo
INPI com base na ocorrência de reprodução da marca da GLM, constante no processo de nº 917530667, dada
a anterioridade do pedido de registro desta.
(...)
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 1
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
8. Ocorre que o pedido de registro da Autora não viola a legislação marcária, eis que as marcas da Autora e da
GLM não se mostram colidentes, podendo coexistir de forma simultânea sem prejuízo aos consumidores.
Portanto, ante a ilegalidade dos atos praticados pelo INPI, não resta alternativa à Autora senão deduzir sua
pretensão em juízo.
[...]
A parte autora prestou esclarecimentos acerca dos requisitos de colidência entre as marcas, informando a ausência de
reprodução ou imitação, citando a teoria da distância, [...] "segundo a qual, em contextos de registros semelhantes,
com a utilização de um mesmo termo comum, uma nova marca não precisa possuir distintividade maior que as já
existentes, bastando que seja suficientemente distinta dentre as já registradas no banco de marcas". Defendeu ainda a
ausência de afinidade mercadológica, alegando a impossibilidade confusão entre as marcas.
Juntou documentos.
A parte ré GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA peticionou acerca do pedido de antecipação
de tutela, alegando má-fé da parte autora, prestou esclarecimento acerca da marca da demandante, pugnando pelo
indeferimento da urgência (id. 131226453). Juntou documentos.
O despacho de id. 132358297 determinou a intimação para parte autora para apresentar manifestação acerca da
preliminar alegada pelo INPI acerca da existência do processo idêntico n. 0817688-07.2023.4.05.8100, ainda em
curso no TRF5 para julgamento de embargos de declaração de acórdão que julgou apelação improcedente, e a
alegação de litigância de má-fé oposta GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Após, GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA apresentou contestação com pedido de
reconvenção, alegando, preliminarmente, incorreção do valor da causa. no mérito, ratificou o não cabimento da tutela
requerida antecipadamente, a litigância de má-fé da autora, pelo que reputou condenável a colidência marcária,
citando a tentativa frustrada de composição entre as partes. fez ainda um comparativo entre as marcas, destacando
sinais confundíveis. Por fim, apresentou pedido de reconvenção com pedido de tutela provisória c/c indenização
reparatória, dada a necessidade de interrupção imediata da contrafação, reiterando a conduta delitiva da reconvinda e
a concorrência desleal, pugnando pela condenação da parte autora em danos morais e materiais (id. 133321402).
Juntou documentos.
É o relatório.
Decido.
2. Fundamentação
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 2
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
Observa-se, a partir da leitura das informações prestadas pelo INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE
INDUSTRIAL (INPI) e pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, e corroboradas pela
documentação anexada aos autos, que a pretensão formulada por meio desta demanda já havia sido formulada pela
autora através de outra ação anterior com pedido e causa de pedir idêntico ao que se pleiteia por meio da presente
demanda. Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros marcários referentes à
marca "ALPHA CO, determinando, ainda, que a GLM seja obrigada a abster-se definitivamente de todo e qualquer
uso da referida marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o direito de continuar utilizando a marca até o
julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do domínio eletrônico da demandante; anular os atos
que indeferiram os pedidos de registro de marcas, ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de
registro. Assim, a parte autora, em síntese, busca, nas duas ações, a anulação do registro de marca da parte ré para
que possa continuar utilizando sua marca.
Naquela primeira ação, a qual tramitou no âmbito da 10ª Vara Federal desta Seção Judiciária sob o n.
0817688-07.2023.4.05.8100, o mérito do pedido que aqui se repete foi devidamente apreciado através de sentença
que julgou improcedente o pleito autoral (id. 4058100.33856256), conforme fundamentação que adiante reproduzo:
[...]
2. FUNDAMENTAÇÃO
2. 1. Julgamento antecipado
Tendo em vista que a solução da demanda depende unicamente de prova documental, sem necessidade de
produção de outras espécies probatórias, é caso de julgamento antecipado do pedido, com resolução de mérito,
conforme estabelecido pelo art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sendo o magistrado o destinatário final da prova, é sua tarefa verificar a necessidade e oportunidade de sua
produção, bem como de aferir a sua utilidade para a formação do juízo sobre os fatos narrados na petição
inicial.
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI deve ser demandado na cidade do Rio de Janeiro, onde
se encontra estabelecida sua sede, ou, ainda, no domicílio de qualquer outro litisconsorte passivo, conforme
enunciado no artigo 46, § 4º, do Código de Processo Civil:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor. (grifei)
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 3
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
que houve o primeiro registro ou distribuição (arts. 58 e 59 do CPC). 5. Conflito conhecido para declarar a
competência do Juízo da 3ª Vara Federal de Brasília.
(STJ - CC: 185592 RJ 2022/0016090-3, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de
Julgamento: 09/08/2023, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 24/08/2023) (grifei)
2.3. Mérito
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da exclusividade da marca, previsto no art. 124 da Lei de
Propriedade Industrial (LPI), que veda o registro de marca que possa causar confusão ou associação indevida
com marca previamente registrada e reconhecida no mercado, principalmente quando atuam no mesmo
segmento. Além disso, o princípio da anterioridade estabelece a prevalência do direito ao uso de marca àqueles
que primeiro registraram e consolidaram o uso do nome no mercado.
O direito sobre a marca se constitui por meio de ato administrativo do Estado, representado pelo INPI, após
processo de registro da marca, concedido ao interessado que atenda aos requisitos da LPI e que primeiro
depositou a marca no INPI.
No sistema atributivo brasileiro, o direito de propriedade é constituído somente no ato de concessão do registro
pelo INPI, cabendo apenas uma hipótese de exceção a tal regra, em que é reconhecido o direito ao usuário de
boa-fé, conforme o disposto no parágrafo 1º do artigo 129 da LPI:
§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis)
meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou
afim, terá direito de precedência ao registro.
Destaque-se que o direito para a proteção das marcas no Brasil se adquire por meio do registro no INPI e não
pelo seu uso no comércio, conforme expresso no artigo 129, caput, da Lei 9.279/96 (LPI):
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições
desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às
marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
Ressalte-se que o reconhecimento da precedência do parágrafo 1º do artigo 129 da LPI é uma exceção ao
princípio first to file, em que se considera à marca usada de boa-fé, com mais de seis meses de antecedência em
relação a um terceiro que primeiro depositou sinal idêntico ou semelhante no INPI.
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça admite a possibilidade de anulação judicial de registro de marca
com base no direito de precedência, como se vê no seguinte precedente:
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 4
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
No caso, sustenta a parte autora que explora a expressão "ALPHA CO" como marca, sendo sua utilização
precedente, pelo que se impõe a anulação dos registros da marca "ALPHA CO." concedidos à GLM.
Para corroborar o direito alegado, a parte autora anexou prints do facebook, instagram datados de 2017/2018
(id. 4058100.31179608, 4058100.31179611, 18/10/23), catálogo da Alpha Co (id 4058100.31179613,
18/10/23), notas fiscais emitidas em 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 pelo Mundo Alpha (id 4058100.33299260,
11/06/24).
Observa-se que os prints de tela sistêmica colacionada do facebook e instagram demandam ser robustecidos
por outras provas, como comprovação de vendas por notas fiscais.
No que concerne às notas fiscais entende-se que são documentos que se prestam como prova efetiva do uso da
marca. No caso em tela, as notas fiscais apresentadas não demonstram efetiva comercialização dos produtos
designados pela marca questionada em tempo razoável e suficiente para garantir o direito de precedência de
registro à parte autora.
A parte autora sustenta que desde julho de 2018 passou a explorar a expressão "ALPHA CO" como marca,
constata-se que as notas fiscais são datadas de 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 e emitidas pelo Mundo Alpha (id
4058100.33299260, 11/06/24), trazendo a descrição dos produtos /serviços vendidos, contudo, não denotando a
precedência da utilização da marca sustentada pela parte autora.
É o que se verifica da análise das notas fiscais NF -e 000.099. 009, de 17/01/2019, a qual não menciona a
marca ALPHA CO. Observa-se que as demais notas fiscais anexadas pela parte autora são referentes ao mês
de junho de 2019, emitidas em data próxima ao requerimento junto ao INPI, 5.7.2019,
NF-e000.005.666,CFOP5103 (1 unidade), de 04/06/2019, NF-e000.001.243, CFOP6102 (1 unidade),
04/06/2019, NF-e000.987.654, CFOP5102 (1 unidade), 04/06/2019, NF-e000.002.342, CFOP5102 (1 unidade),
10/06/2019, NF-e000.001.781, CFOP6102 (1 unidade), CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019,
NF-e000.001.231, CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019.
Foi oportunizado a parte autora (id 4058100.32783225, 22/04/24) anexar aos autos notas fiscais para
corroborar suas alegações, contudo, o autor informou, através da petição anexada no id 4058100.33299259,
11/06/2024, que o Órgão Fazendário SEFAZ/Ba somente disponibiliza documentos fiscais que estejam dentro
do período previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, no exercício atual (2024) e cinco anos anteriores (2019 a
2023).
Observa-se, entretanto, que a parte autora ajuizou a presente ação em 18.10.2023, sob a tese da precedência
do uso da marca ALPHA CO desde 2018. Contudo, dentre as provas apresentadas à inicial não constam notas
fiscais, o que, pela matéria posta em juízo, é instrumento de prova de relevante importância, sobretudo quando
serve para demonstrar a anterioridade do uso da marca objeto da lide e fluxo das vendas.
Deveras, para dar sustentação a sua tese, deveria ter sido diligente em angariar provas que refutassem
possíveis argumentos contrários as suas alegações. Por certo, uma vez que realizado o protocolo junto ao
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 05 de julho de 2019, presume-se que, à época, seria
detentora desse instrumento probatório, apresentando notas fiscais anteriores a data anterior a NF -e
000.099.009, de 17/01/2019, ainda mais, considerando-se, reitera-se, que são documentos que se prestam como
prova efetiva do uso da marca.
Nesse passo, reconhece-se o direito de precedência ao registro àquele que comprovar a utilização de boa-fé, no
país, de marca idêntica ou semelhante a ponto de causar confusão ou associação para o mesmo fim, há pelo
menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de registro.
Extrai-se do próprio artigo 129, parágrafo 1º, da Lei 9.279/1996 que para aplicar o direito de precedência deve
restar evidenciado o efetivo uso da marca há pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de
registro, o que, repise-se, não se concretizou no caso em apreço.
No tocante ao pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35), sob o fundamento de que não seria
registrável, por reproduzir bandeira oficial da República Italiana, não assiste razão à parte autora.
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 5
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Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não
compreendidos nas proibições legais.
I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante
ou afim, de origem diversa;
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais,
estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;
Quanto à disponibilidade do sinal marcário, dispõe o Manual de Marcas do INPI, instituída pela Resolução
INPI/PR n. 249/2019, atualmente incorporada à Portaria INPI n. 8/2022:
(...)
Indicação de cor
Embora exerçam papel importante na determinação da aplicabilidade do inciso I do art. 124 da LPI, as
indicações de cores não determinam, necessariamente, imitação de um símbolo oficial. Portanto, as cores serão
levadas em consideração apenas como um sinal reforçador da imitação, sendo o mais importante nesta análise
o aspecto formal de apresentação do sinal marcário em exame.
Em caso de suficiente estilização das imagens oficiais ou de seus elementos, apenas sugerindo o símbolo oficial,
o sinal marcário passa a ser passível de registro, devendo, todavia, ser observadas outras proibições legais
relativas ao sinal em exame.
Na análise de sinais em que estejam contidas estilizações de monumentos e bandeiras, são levados em
consideração, na análise da registrabilidade, os seguintes fatores:
a) Grau da estilização (imagem total ou parcial, simplificação, distorção ou reposicionamento dos elementos
constitutivos) e singularidade do monumento ou bandeira;
b) Função evocativa do símbolo em relação à origem ou natureza dos produtos/serviços. Trata-se do uso de
elementos presentes em símbolos ou monumentos oficiais de país/localidade comumente relacionada com o
produto ou serviço que o sinal visa assinalar, como serviços de alimentação ou cursos de idiomas, por exemplo.
Enquadra-se neste caso o uso de cores de bandeira ou de partes estilizadas de monumentos, brasões e outros
símbolos oficiais, desde que não induza o público a erro quanto à origem dos produtos ou serviços assinalados.
d) Falsa vinculação com o estado nacional. A marca não pode parecer ser patrocinada por um país, por
exemplo.
Mesmo em casos em que a estilização do monumento/bandeira for suficiente, não se deve ignorar a
possibilidade de o uso da representação do mesmo constituir confusão quanto à procedência dos produtos ou
serviços, quando então será aplicado o inciso X do art. 124 da LPI.".
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 6
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No caso, esclarece o INPI em sua contestação que "o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo identificada a alusão
direta à bandeira do país. Desta maneira, o pedido foi regularmente deferido, dado que a indicação de cores da
bandeira da República Italiana não é ostensiva a ponto de violar o inciso I do art. 124 da LPI, ou indicar uma
falsa procedência dos produtos e serviços.".
Dessa forma, não é papel do Poder Judiciário substituir a atuação da autarquia federal, sob pena de infringir o
princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal de 1988. A intervenção judicial
sobre os atos do INPI somente é justificável em situações excepcionais, nas quais se constate evidente
ilegalidade ou violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se observa nos
presentes autos.
Registre-se que em hipótese de eventual nulidade, sob o fundamento de não a marca não ser registrável, a teor
do Art. 124, I, da Lei n 9.279/1996, não traria proveito a parte autora, pois incorreria em situação de vedação
absoluta de registro marcário.
3. DISPOSITIVO
[...]
A sentença proferida naquele primeiro pleito ajuizado em 2023 (ação de n. 0817688-07.2023.4.05.8100), a qual,
repito, julgou improcedente o pleito aqui reiterado, foi objeto de apelação, tendo a Primeira Turma do Tribunal
Regional Federal da 5ª Região negado provimento à apelação, pelo que destaco a ementa:
1. Apelação cível interposta por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra sentença
que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960,
relativos à marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.,
deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts. 124, I e XIX,
129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de nulidade dos registros.
2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito à
marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a
exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de seis meses.
3. A apelante não apresentou prova suficiente da utilização comercial da marca "ALPHA CO." em período
anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os elementos comprobatórios apresentados (prints
de redes sociais e catálogos).
4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da bandeira da Itália como elemento
figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI,
sendo incabível a revisão judicial de mérito administrativo sem evidência de ilegalidade flagrante ou desvio de
finalidade.
5. Salienta-se que o ato administrativo tem fé pública e goza de presunção de legalidade, legitimidade e
veracidade. Somente em situações excepcionais, desde que haja prova robusta, é que se poderia autorizar o
afastamento da justificativa do interesse público à sua desconstituição, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal Frederico
Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4º Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL BRUNO LEONARDO
CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 14/09/2021).
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 7
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente forma
distintiva atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com outras semelhantes".
Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel. Ministra
MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma
marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e conceitos do domínio comum, sendo
inviável conceder a alguém a propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas pessoas
quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL
ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES
FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022.
7. Inexistindo prova do uso anterior suficiente e não se constatando ilegalidade na atuação do INPI, inexiste
fundamento para a anulação judicial dos registros impugnados.
8. Recurso desprovido.
Vê-se, portanto, que o julgamento de mérito proferido naquela primeira ação decidiu a demanda autoral, julgando o
pleito improcedente, não anulando o registro de marca da parte ré, não tendo mais a parte autora direito de continuar
utilizando a sua marca. Todavia, a referida ação, que tramitou na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará
(processo n. 0817688-07.2023.4.05.8100), encontra-se atualmente no TRF da 5ª Região para julgamento dos
embargos de declaração em sede de apelação.
No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os processos em questão têm as mesmas
partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância de má fé formulado pela GLM
INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem como a reconvenção. A conduta da parte autora revela
muito mais desespero do que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer das hipóteses previstas
no artigo 80, do CPC.
A mera pretensão de se discutir a manutenção do domínio eletrônico da demandante e continuar usando sua marca,
ainda que por meio de alegações que se mostraram equivocadas, não configura a intenção de causar lesão por parte
das autoras. Não havendo prova inequívoca do dolo e ante a inexistência de prejuízo à parte adversa, afasto a
imputação de litigância de má fé, bem como a reconvenção pleiteada, dada a inexistência de configuração de dano à
parte GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Assim, considerando a existência de litispendência desta ação em relação ao referido feito (processo n.
0817688-07.2023.4.05.8100), outro caminho não pode ser tomado senão a determinação da extinção deste processo.
3. Dispositivo
Ante o exposto, julgo EXTINTA a presente ação, sem resolução de mérito, nos termos do art. 485, V, do Código de
Processo Civil.
Custas de lei.
Condeno a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios no montante de 10% do valor atribuído à causa.
Apresentado recurso de apelação, intime-se a recorrida para contrarrazões e, em seguida, encaminhem-se os autos ao
TRF 5ª Região.
Expedientes necessários.
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 8
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
Oportunamente, arquive-se.
aqu
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 9641753 - Pág. 9
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Número do documento: 26020410445200000000009506453
Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
9641755 06/02/2026 Embargos de Declaração Embargos de Declaração
17:09
9641756 06/02/2026 Sentença Outros Documentos
17:09
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DO(A) 04ª VARA FEDERAL – SEÇÃO
JUDICIÁRIA DO CEARÁ – JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU DA 5ª
REGIÃO
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Embargante: GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Embargada: ALPHA CO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO LTDA
I – CABIMENTO
Assinado eletronicamente por: FABIO JOCA BARROS - 06/02/2026 17:09:19 Num. 9641755 - Pág. 1
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Número do documento: 26020617091900000000009506455
II – DA OMISSÃO
Assinado eletronicamente por: FABIO JOCA BARROS - 06/02/2026 17:09:19 Num. 9641755 - Pág. 2
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Número do documento: 26020617091900000000009506455
inserta no § 8º do art. 85 do CPC, a fim de compreender as
suas hipóteses de incidência, bem como se é permitida a
fixação dos honorários por apreciação equitativa quando os
valores da condenação, da causa ou o proveito econômico da
demanda forem elevados.
2. O CPC/2015 pretendeu trazer mais objetividade às
hipóteses de fixação dos honorários advocatícios e somente
autoriza a aplicação do § 8º do art. 85 - isto é, de acordo com
a apreciação equitativa do juiz - em situações excepcionais em
que, havendo ou não condenação, estejam presentes os
seguintes requisitos: 1) proveito econômico irrisório ou
inestimável, ou 2) valor da causa muito baixo. Precedentes.
3. A propósito, quando o § 8º do art. 85 menciona proveito
econômico "inestimável", claramente se refere àquelas causas
em que não é possível atribuir um valor patrimonial à lide
(como pode ocorrer nas demandas ambientais ou nas ações
de família, por exemplo). Não se deve confundir "valor
inestimável" com "valor elevado".
4. Trata-se, pois, de efetiva observância do Código de
Processo Civil, norma editada regularmente pelo Congresso
Nacional, no estrito uso da competência constitucional a ele
atribuída, não cabendo ao Poder Judiciário, ainda que sob o
manto da proporcionalidade e razoabilidade, reduzir a
aplicabilidade do dispositivo legal em comento, decorrente de
escolha legislativa explicitada com bastante clareza.
5. Percebe-se que o legislador tencionou, no novo diploma
processual, superar jurisprudência firmada pelo STJ no que
tange à fixação de honorários por equidade quando a
Fazenda Pública fosse vencida, o que se fazia com base no art.
20, § 4º, do CPC revogado.
Assinado eletronicamente por: FABIO JOCA BARROS - 06/02/2026 17:09:19 Num. 9641755 - Pág. 3
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Número do documento: 26020617091900000000009506455
modificou-se o regime dos recursos extraordinário e especial,
com o retorno do juízo de admissibilidade na segunda
instância (o que se fez por meio da alteração da redação do
art. 1.030 do CPC).
7. Além disso, há que se ter em mente que o entendimento do
STJ fora firmado sob a égide do CPC revogado. Entende-se
como perfeitamente legítimo ao Poder Legislativo editar nova
regulamentação legal em sentido diverso do que vinham
decidindo os tribunais. Cabe aos tribunais interpretar e
observar a lei, não podendo, entretanto, descartar o texto
legal por preferir a redação dos dispositivos decaídos. A
atuação do legislador que acarreta a alteração de
entendimento firmado na jurisprudência não é fenômeno
característico do Brasil, sendo conhecido nos sistemas de
Common Law como overriding.
8. Sobre a matéria discutida, o Enunciado n. 6 da I Jornada de
Direito Processual Civil do Conselho da Justiça Federal - CJF
afirma que: "A fixação dos honorários de sucumbência por
apreciação equitativa só é cabível nas hipóteses previstas no §
8º do art. 85 do CPC.".
9. Não se pode alegar que o art. 8º do CPC permite que o juiz
afaste o art. 85, §§ 2º e 3º, com base na razoabilidade e
proporcionalidade, quando os honorários resultantes da
aplicação dos referidos dispositivos forem elevados.
10. O CPC de 2015, preservando o interesse público,
estabeleceu disciplina específica para a Fazenda Pública,
traduzida na diretriz de que quanto maior a base de cálculo
de incidência dos honorários, menor o percentual aplicável. O
julgador não tem a alternativa de escolher entre aplicar o § 8º
ou o § 3º do art. 85, mesmo porque só pode decidir por
equidade nos casos previstos em lei, conforme determina o
art. 140, parágrafo único, do CPC.
11. O argumento de que a simplicidade da demanda ou o
pouco trabalho exigido do causídico vencedor levariam ao seu
enriquecimento sem causa - como defendido pelo amicus
curiae COLÉGIO NACIONAL DE
PROCURADORES GERAIS DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL –
CONPEG deve ser utilizado não para respaldar apreciação por
equidade, mas sim para balancear a fixação do percentual
dentro dos limites do art. 85, § 2º, ou dentro de cada uma das
faixas dos incisos contidos no § 3º do referido dispositivo.
12. Na maioria das vezes, a preocupação com a fixação de
honorários elevados ocorre quando a Fazenda Pública é
derrotada, diante da louvável consideração com o dinheiro
Assinado eletronicamente por: FABIO JOCA BARROS - 06/02/2026 17:09:19 Num. 9641755 - Pág. 4
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Número do documento: 26020617091900000000009506455
público, conforme se verifica nas divergências entre os
membros da Primeira Seção. É por isso que a matéria já se
encontra pacificada há bastante tempo na Segunda Seção
(nos moldes do REsp n. 1.746.072/PR, relator para acórdão
Ministro Raul Araújo, DJe de 29/3/2019), no sentido de que os
honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados no
patamar de 10% a 20%, conforme previsto no art. 85, § 2º,
inexistindo espaço para apreciação equitativa nos casos de
valor da causa ou proveito econômico elevados.
13. O próprio legislador anteviu a situação e cuidou de
resguardar o erário, criando uma regra diferenciada para os
casos em que a Fazenda Pública for parte. Foi nesse sentido
que o art. 85, § 3º, previu a fixação escalonada de honorários,
com percentuais variando entre 1% e 20% sobre o valor da
condenação ou do proveito econômico, sendo os percentuais
reduzidos à medida que se elevar o proveito econômico.
Impede-se, assim, que haja enriquecimento sem causa do
advogado da parte adversa e a fixação de honorários
excessivamente elevados contra o ente público. Não se afigura
adequado ignorar a redação do referido dispositivo legal a fim
de criar o próprio juízo de razoabilidade, especialmente em
hipótese não prevista em lei.
14. A suposta baixa complexidade do caso sob julgamento
não pode ser considerada como elemento para afastar os
percentuais previstos na lei. No ponto, assiste razão ao amicus
curiae Instituto Brasileiro de Direito Processual - IBDP, quando
afirma que "esse dado já foi levado em consideração pelo
legislador, que previu 'A NATUREZA E A IMPORTÂNCIA DA
CAUSA' COMO UM DOS CRITÉRIOS PARA A DETERMINAÇÃO DO
VALOR DOS HONORÁRIOS (ART. 85, § 2º, III, DO CPC),
LIMITANDO, PORÉM, A DISCRICIONARIEDADE JUDICIAL A
LIMITES PERCENTUAIS. Assim, se tal elemento já é considerado
pelo suporte fático abstrato da norma, não é possível utilizá-lo
como se fosse uma condição extraordinária, a fim de afastar a
incidência da regra". Idêntico raciocínio se aplica à hipótese de
trabalho reduzido do advogado vencedor, uma vez que tal
fator é considerado no suporte fático abstrato do art. 85, § 2º,
IV, do CPC ("o trabalho realizado pelo advogado e o tempo
exigido para o seu serviço").
15. CABE AO AUTOR - QUER SE TRATE DO ESTADO, DAS
EMPRESAS, OU DOS CIDADÃOS - PONDERAR BEM A
PROBABILIDADE DE GANHOS E PREJUÍZOS ANTES DE AJUIZAR
UMA DEMANDA, SABENDO QUE TERÁ QUE ARCAR COM OS
HONORÁRIOS DE ACORDO COM O PROVEITO ECONÔMICO OU
VALOR DA CAUSA, CASO VENCIDO.
Assinado eletronicamente por: FABIO JOCA BARROS - 06/02/2026 17:09:19 Num. 9641755 - Pág. 5
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O VALOR DOS HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS, PORTANTO, É
UM DOS FATORES QUE DEVE SER LEVADO EM CONSIDERAÇÃO
NO MOMENTO DA PROPOSITURA DA AÇÃO.
16. É muito comum ver no STJ a alegação de honorários
excessivos em execuções fiscais de altíssimo valor
posteriormente extintas. Ocorre que tais execuções, muitas
vezes, são propostas sem maior escrutínio, dando-se a
extinção por motivos previsíveis, como a flagrante
ilegitimidade passiva, o cancelamento da certidão de dívida
ativa, ou por estar o crédito prescrito. Ou seja, o ente público
aduz em seu favor a simplicidade da causa e a pouca atuação
do causídico da parte contrária, mas olvida o fato de que foi a
sua falta de diligência no momento do ajuizamento de um
processo natimorto que gerou a condenação em honorários.
Com a devida vênia, o Poder Judiciário não pode premiar tal
postura.
17. A FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS POR EQUIDADE NESSAS
SITUAÇÕES - MUITAS VEZES AQUILATANDO-OS DE FORMA
IRRISÓRIA - APENAS CONTRIBUI PARA QUE DEMANDAS
FRÍVOLAS E SEM POSSIBILIDADE DE ÊXITO CONTINUEM A SER
PROPOSTAS DIANTE DO BAIXO CUSTO EM CASO DE DERROTA.
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ART. 85, §§ 2º, 3º, 4º, 5º, 6º E 8º, DO CPC, SOB A JUSTIFICATIVA
DE DAR GUARIDA A VALORES ABSTRATOS COMO A
RAZOABILIDADE E A PROPORCIONALIDADE, SERÁ UM
PODEROSO ESTÍMULO COMPORTAMENTAL E ECONÔMICO À
PROPOSITURA DE DEMANDAS FRÍVOLAS e de caráter
predatório.
21. Acrescente-se que a postura de afastar, a pretexto de
interpretar, sem a devida declaração de inconstitucionalidade,
a aplicação do § 8º do art. 85 do CPC/2015, pode ensejar
questionamentos acerca de eventual inobservância do art. 97
da CF/1988 e, ainda, de afronta ao verbete vinculante n. 10 da
Súmula do STF.
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5° e 6º, do CPC, nos termos da fundamentação.
26. Recurso julgado sob a sistemática dos arts. 1.036 e
seguintes do CPC/2015 e arts. 256-N e seguintes do
Regimento Interno do STJ.
Acórdão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da CORTE ESPECIAL do
Superior Tribunal de Justiça, prosseguindo no julgamento,
após o voto-vista da Sra. Ministra Nancy Andrighi divergindo
do Sr. Ministro Relator, no que foi acompanhada pelas Sras.
Ministras Maria Isabel Gallotti, Laurita Vaz e Maria Thereza de
Assis Moura e pelo Sr. Ministro Herman Benjamin, e os votos
dos Srs. Ministros Luis Felipe Salomão, Benedito Gonçalves,
Raul Araújo e João Otávio de Noronha acompanhando o Sr.
Ministro Relator, por maioria, conhecer do recurso especial e
dar-lhe provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro
Relator. Os Srs. Ministros Jorge Mussi, Mauro Campbell
Marques, Luis Felipe Salomão, Benedito Gonçalves, Raul
Araújo e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro
Relator. Vencidos as Sras. Ministras Nancy Andrighi, Laurita
Vaz, Maria Thereza de Assis Moura e Maria Isabel Gallotti e o
Sr. Ministro Herman Benjamin. [Data do Julgamento:
16/03/2022. Data da Publicação: 31/05/2022/DJe]
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a fixação dos honorários advocatícios em conformidade com a norma
processual.
IV – PEDIDO
Fábio Barros
Advogado OAB-CE 15.543
ESCRITÓRIO AURIZ BARREIRA
MARCAS & PATENTES
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Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
05/02/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL
Órgão julgador: 4ª Vara Federal CE
Última distribuição : 06/10/2025
Valor da causa: R$ 1.000,00
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (AUTOR)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(REU)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(REU)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
14311 04/02/2026 10:44 Sentença Sentença
5048
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PODER JUDICIÁRIO
4ª Vara Federal CE
SENTENÇA
1. Relatório
Trata-se de ação sob o procedimento comum com pedido de tutela de urgência ajuizada por ALPHA CO
COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE VESTUÁRIO LTDA contra o INSTITUTO NACIONAL DA
PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI) e GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA,
objetivando provimento jurisdicional para que seja assegurado à autora o direito de continuar utilizando a marca até o
julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do domínio eletrônico da demandante. No mérito,
requereu a anulação dos atos que indeferiram os pedidos de registro n. 917666852 e 917666909, ordenando que o
INPI proceda ao deferimento dos pedidos de registro.
[...]
1. A Autora é uma empresa atuante no ramo de confecção e comercialização de roupas para o segmento fitness,
com sede na cidade de Salvador/BA.
2. Desde a sua fundação, a empresa vem se destacando no cenário nacional como um dos maiores e-commerce
de vestuário fitness, tendo feito parcerias com os maiores influenciadores do ramo e contando com mais de 575
mil seguidores em sua página do Instagram.
3. Desde o início de suas atividades, a empresa utiliza da marca "ALPHA CO.", associada ao símbolo de um
lobo.
(...)
4. Intentando a proteção de sua marca, em 05/07/2019, a Autora depositou perante o Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI) os pedidos de registros de marca processados sob os nº's 917666852, vinculado
à NCL (11) 25 (Doc. 03.1) e 917666909, vinculado à NCL (11) 35 (Doc. 03.2). Segue a marca objeto do pedido
de registro:
(...)
5. Entretanto, na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2533, publicada em 23/07/2019, dias após seu
pedido, foi informado o protocolo de duas solicitações de registros da marca "ALPHA CO.", nas datas de
14/06/2019 e 17/06/2019, pela empresa GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA, ora Ré.
7. Em vista disso, em 30/06/2020, os pedidos de registro da Autora foram indeferidos (Doc. 05.1 e 05.2) pelo
INPI com base na ocorrência de reprodução da marca da GLM, constante no processo de nº 917530667, dada
a anterioridade do pedido de registro desta.
(...)
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8. Ocorre que o pedido de registro da Autora não viola a legislação marcária, eis que as marcas da Autora e da
GLM não se mostram colidentes, podendo coexistir de forma simultânea sem prejuízo aos consumidores.
Portanto, ante a ilegalidade dos atos praticados pelo INPI, não resta alternativa à Autora senão deduzir sua
pretensão em juízo.
[...]
A parte autora prestou esclarecimentos acerca dos requisitos de colidência entre as marcas, informando a ausência de
reprodução ou imitação, citando a teoria da distância, [...] "segundo a qual, em contextos de registros semelhantes,
com a utilização de um mesmo termo comum, uma nova marca não precisa possuir distintividade maior que as já
existentes, bastando que seja suficientemente distinta dentre as já registradas no banco de marcas". Defendeu ainda a
ausência de afinidade mercadológica, alegando a impossibilidade confusão entre as marcas.
Juntou documentos.
A parte ré GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA peticionou acerca do pedido de antecipação
de tutela, alegando má-fé da parte autora, prestou esclarecimento acerca da marca da demandante, pugnando pelo
indeferimento da urgência (id. 131226453). Juntou documentos.
O despacho de id. 132358297 determinou a intimação para parte autora para apresentar manifestação acerca da
preliminar alegada pelo INPI acerca da existência do processo idêntico n. 0817688-07.2023.4.05.8100, ainda em
curso no TRF5 para julgamento de embargos de declaração de acórdão que julgou apelação improcedente, e a
alegação de litigância de má-fé oposta GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Após, GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA apresentou contestação com pedido de
reconvenção, alegando, preliminarmente, incorreção do valor da causa. no mérito, ratificou o não cabimento da tutela
requerida antecipadamente, a litigância de má-fé da autora, pelo que reputou condenável a colidência marcária,
citando a tentativa frustrada de composição entre as partes. fez ainda um comparativo entre as marcas, destacando
sinais confundíveis. Por fim, apresentou pedido de reconvenção com pedido de tutela provisória c/c indenização
reparatória, dada a necessidade de interrupção imediata da contrafação, reiterando a conduta delitiva da reconvinda e
a concorrência desleal, pugnando pela condenação da parte autora em danos morais e materiais (id. 133321402).
Juntou documentos.
É o relatório.
Decido.
2. Fundamentação
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Observa-se, a partir da leitura das informações prestadas pelo INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE
INDUSTRIAL (INPI) e pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, e corroboradas pela
documentação anexada aos autos, que a pretensão formulada por meio desta demanda já havia sido formulada pela
autora através de outra ação anterior com pedido e causa de pedir idêntico ao que se pleiteia por meio da presente
demanda. Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros marcários referentes à
marca "ALPHA CO, determinando, ainda, que a GLM seja obrigada a abster-se definitivamente de todo e qualquer
uso da referida marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o direito de continuar utilizando a marca até o
julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do domínio eletrônico da demandante; anular os atos
que indeferiram os pedidos de registro de marcas, ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de
registro. Assim, a parte autora, em síntese, busca, nas duas ações, a anulação do registro de marca da parte ré para
que possa continuar utilizando sua marca.
Naquela primeira ação, a qual tramitou no âmbito da 10ª Vara Federal desta Seção Judiciária sob o n.
0817688-07.2023.4.05.8100, o mérito do pedido que aqui se repete foi devidamente apreciado através de sentença
que julgou improcedente o pleito autoral (id. 4058100.33856256), conforme fundamentação que adiante reproduzo:
[...]
2. FUNDAMENTAÇÃO
2. 1. Julgamento antecipado
Tendo em vista que a solução da demanda depende unicamente de prova documental, sem necessidade de
produção de outras espécies probatórias, é caso de julgamento antecipado do pedido, com resolução de mérito,
conforme estabelecido pelo art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sendo o magistrado o destinatário final da prova, é sua tarefa verificar a necessidade e oportunidade de sua
produção, bem como de aferir a sua utilidade para a formação do juízo sobre os fatos narrados na petição
inicial.
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI deve ser demandado na cidade do Rio de Janeiro, onde
se encontra estabelecida sua sede, ou, ainda, no domicílio de qualquer outro litisconsorte passivo, conforme
enunciado no artigo 46, § 4º, do Código de Processo Civil:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor. (grifei)
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que houve o primeiro registro ou distribuição (arts. 58 e 59 do CPC). 5. Conflito conhecido para declarar a
competência do Juízo da 3ª Vara Federal de Brasília.
(STJ - CC: 185592 RJ 2022/0016090-3, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de
Julgamento: 09/08/2023, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 24/08/2023) (grifei)
2.3. Mérito
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da exclusividade da marca, previsto no art. 124 da Lei de
Propriedade Industrial (LPI), que veda o registro de marca que possa causar confusão ou associação indevida
com marca previamente registrada e reconhecida no mercado, principalmente quando atuam no mesmo
segmento. Além disso, o princípio da anterioridade estabelece a prevalência do direito ao uso de marca àqueles
que primeiro registraram e consolidaram o uso do nome no mercado.
O direito sobre a marca se constitui por meio de ato administrativo do Estado, representado pelo INPI, após
processo de registro da marca, concedido ao interessado que atenda aos requisitos da LPI e que primeiro
depositou a marca no INPI.
No sistema atributivo brasileiro, o direito de propriedade é constituído somente no ato de concessão do registro
pelo INPI, cabendo apenas uma hipótese de exceção a tal regra, em que é reconhecido o direito ao usuário de
boa-fé, conforme o disposto no parágrafo 1º do artigo 129 da LPI:
§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis)
meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou
afim, terá direito de precedência ao registro.
Destaque-se que o direito para a proteção das marcas no Brasil se adquire por meio do registro no INPI e não
pelo seu uso no comércio, conforme expresso no artigo 129, caput, da Lei 9.279/96 (LPI):
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições
desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às
marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
Ressalte-se que o reconhecimento da precedência do parágrafo 1º do artigo 129 da LPI é uma exceção ao
princípio first to file, em que se considera à marca usada de boa-fé, com mais de seis meses de antecedência em
relação a um terceiro que primeiro depositou sinal idêntico ou semelhante no INPI.
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça admite a possibilidade de anulação judicial de registro de marca
com base no direito de precedência, como se vê no seguinte precedente:
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 143115048 - Pág. 4
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No caso, sustenta a parte autora que explora a expressão "ALPHA CO" como marca, sendo sua utilização
precedente, pelo que se impõe a anulação dos registros da marca "ALPHA CO." concedidos à GLM.
Para corroborar o direito alegado, a parte autora anexou prints do facebook, instagram datados de 2017/2018
(id. 4058100.31179608, 4058100.31179611, 18/10/23), catálogo da Alpha Co (id 4058100.31179613,
18/10/23), notas fiscais emitidas em 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 pelo Mundo Alpha (id 4058100.33299260,
11/06/24).
Observa-se que os prints de tela sistêmica colacionada do facebook e instagram demandam ser robustecidos
por outras provas, como comprovação de vendas por notas fiscais.
No que concerne às notas fiscais entende-se que são documentos que se prestam como prova efetiva do uso da
marca. No caso em tela, as notas fiscais apresentadas não demonstram efetiva comercialização dos produtos
designados pela marca questionada em tempo razoável e suficiente para garantir o direito de precedência de
registro à parte autora.
A parte autora sustenta que desde julho de 2018 passou a explorar a expressão "ALPHA CO" como marca,
constata-se que as notas fiscais são datadas de 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 e emitidas pelo Mundo Alpha (id
4058100.33299260, 11/06/24), trazendo a descrição dos produtos /serviços vendidos, contudo, não denotando a
precedência da utilização da marca sustentada pela parte autora.
É o que se verifica da análise das notas fiscais NF -e 000.099. 009, de 17/01/2019, a qual não menciona a
marca ALPHA CO. Observa-se que as demais notas fiscais anexadas pela parte autora são referentes ao mês
de junho de 2019, emitidas em data próxima ao requerimento junto ao INPI, 5.7.2019,
NF-e000.005.666,CFOP5103 (1 unidade), de 04/06/2019, NF-e000.001.243, CFOP6102 (1 unidade),
04/06/2019, NF-e000.987.654, CFOP5102 (1 unidade), 04/06/2019, NF-e000.002.342, CFOP5102 (1 unidade),
10/06/2019, NF-e000.001.781, CFOP6102 (1 unidade), CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019,
NF-e000.001.231, CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019.
Foi oportunizado a parte autora (id 4058100.32783225, 22/04/24) anexar aos autos notas fiscais para
corroborar suas alegações, contudo, o autor informou, através da petição anexada no id 4058100.33299259,
11/06/2024, que o Órgão Fazendário SEFAZ/Ba somente disponibiliza documentos fiscais que estejam dentro
do período previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, no exercício atual (2024) e cinco anos anteriores (2019 a
2023).
Observa-se, entretanto, que a parte autora ajuizou a presente ação em 18.10.2023, sob a tese da precedência
do uso da marca ALPHA CO desde 2018. Contudo, dentre as provas apresentadas à inicial não constam notas
fiscais, o que, pela matéria posta em juízo, é instrumento de prova de relevante importância, sobretudo quando
serve para demonstrar a anterioridade do uso da marca objeto da lide e fluxo das vendas.
Deveras, para dar sustentação a sua tese, deveria ter sido diligente em angariar provas que refutassem
possíveis argumentos contrários as suas alegações. Por certo, uma vez que realizado o protocolo junto ao
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 05 de julho de 2019, presume-se que, à época, seria
detentora desse instrumento probatório, apresentando notas fiscais anteriores a data anterior a NF -e
000.099.009, de 17/01/2019, ainda mais, considerando-se, reitera-se, que são documentos que se prestam como
prova efetiva do uso da marca.
Nesse passo, reconhece-se o direito de precedência ao registro àquele que comprovar a utilização de boa-fé, no
país, de marca idêntica ou semelhante a ponto de causar confusão ou associação para o mesmo fim, há pelo
menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de registro.
Extrai-se do próprio artigo 129, parágrafo 1º, da Lei 9.279/1996 que para aplicar o direito de precedência deve
restar evidenciado o efetivo uso da marca há pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de
registro, o que, repise-se, não se concretizou no caso em apreço.
No tocante ao pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35), sob o fundamento de que não seria
registrável, por reproduzir bandeira oficial da República Italiana, não assiste razão à parte autora.
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 143115048 - Pág. 5
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Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não
compreendidos nas proibições legais.
I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante
ou afim, de origem diversa;
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais,
estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;
Quanto à disponibilidade do sinal marcário, dispõe o Manual de Marcas do INPI, instituída pela Resolução
INPI/PR n. 249/2019, atualmente incorporada à Portaria INPI n. 8/2022:
(...)
Indicação de cor
Embora exerçam papel importante na determinação da aplicabilidade do inciso I do art. 124 da LPI, as
indicações de cores não determinam, necessariamente, imitação de um símbolo oficial. Portanto, as cores serão
levadas em consideração apenas como um sinal reforçador da imitação, sendo o mais importante nesta análise
o aspecto formal de apresentação do sinal marcário em exame.
Em caso de suficiente estilização das imagens oficiais ou de seus elementos, apenas sugerindo o símbolo oficial,
o sinal marcário passa a ser passível de registro, devendo, todavia, ser observadas outras proibições legais
relativas ao sinal em exame.
Na análise de sinais em que estejam contidas estilizações de monumentos e bandeiras, são levados em
consideração, na análise da registrabilidade, os seguintes fatores:
a) Grau da estilização (imagem total ou parcial, simplificação, distorção ou reposicionamento dos elementos
constitutivos) e singularidade do monumento ou bandeira;
b) Função evocativa do símbolo em relação à origem ou natureza dos produtos/serviços. Trata-se do uso de
elementos presentes em símbolos ou monumentos oficiais de país/localidade comumente relacionada com o
produto ou serviço que o sinal visa assinalar, como serviços de alimentação ou cursos de idiomas, por exemplo.
Enquadra-se neste caso o uso de cores de bandeira ou de partes estilizadas de monumentos, brasões e outros
símbolos oficiais, desde que não induza o público a erro quanto à origem dos produtos ou serviços assinalados.
d) Falsa vinculação com o estado nacional. A marca não pode parecer ser patrocinada por um país, por
exemplo.
Mesmo em casos em que a estilização do monumento/bandeira for suficiente, não se deve ignorar a
possibilidade de o uso da representação do mesmo constituir confusão quanto à procedência dos produtos ou
serviços, quando então será aplicado o inciso X do art. 124 da LPI.".
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 143115048 - Pág. 6
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No caso, esclarece o INPI em sua contestação que "o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo identificada a alusão
direta à bandeira do país. Desta maneira, o pedido foi regularmente deferido, dado que a indicação de cores da
bandeira da República Italiana não é ostensiva a ponto de violar o inciso I do art. 124 da LPI, ou indicar uma
falsa procedência dos produtos e serviços.".
Dessa forma, não é papel do Poder Judiciário substituir a atuação da autarquia federal, sob pena de infringir o
princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal de 1988. A intervenção judicial
sobre os atos do INPI somente é justificável em situações excepcionais, nas quais se constate evidente
ilegalidade ou violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se observa nos
presentes autos.
Registre-se que em hipótese de eventual nulidade, sob o fundamento de não a marca não ser registrável, a teor
do Art. 124, I, da Lei n 9.279/1996, não traria proveito a parte autora, pois incorreria em situação de vedação
absoluta de registro marcário.
3. DISPOSITIVO
[...]
A sentença proferida naquele primeiro pleito ajuizado em 2023 (ação de n. 0817688-07.2023.4.05.8100), a qual,
repito, julgou improcedente o pleito aqui reiterado, foi objeto de apelação, tendo a Primeira Turma do Tribunal
Regional Federal da 5ª Região negado provimento à apelação, pelo que destaco a ementa:
1. Apelação cível interposta por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra sentença
que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960,
relativos à marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.,
deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts. 124, I e XIX,
129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de nulidade dos registros.
2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito à
marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a
exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de seis meses.
3. A apelante não apresentou prova suficiente da utilização comercial da marca "ALPHA CO." em período
anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os elementos comprobatórios apresentados (prints
de redes sociais e catálogos).
4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da bandeira da Itália como elemento
figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI,
sendo incabível a revisão judicial de mérito administrativo sem evidência de ilegalidade flagrante ou desvio de
finalidade.
5. Salienta-se que o ato administrativo tem fé pública e goza de presunção de legalidade, legitimidade e
veracidade. Somente em situações excepcionais, desde que haja prova robusta, é que se poderia autorizar o
afastamento da justificativa do interesse público à sua desconstituição, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal Frederico
Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4º Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL BRUNO LEONARDO
CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 14/09/2021).
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 04/02/2026 10:44:52 Num. 143115048 - Pág. 7
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Número do documento: null
Assinado eletronicamente por: FABIO JOCA BARROS - 06/02/2026 17:09:19 Num. 9641756 - Pág. 8
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Número do documento: 26020617091900000000009506456
6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente forma
distintiva atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com outras semelhantes".
Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel. Ministra
MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma
marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e conceitos do domínio comum, sendo
inviável conceder a alguém a propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas pessoas
quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL
ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES
FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022.
7. Inexistindo prova do uso anterior suficiente e não se constatando ilegalidade na atuação do INPI, inexiste
fundamento para a anulação judicial dos registros impugnados.
8. Recurso desprovido.
Vê-se, portanto, que o julgamento de mérito proferido naquela primeira ação decidiu a demanda autoral, julgando o
pleito improcedente, não anulando o registro de marca da parte ré, não tendo mais a parte autora direito de continuar
utilizando a sua marca. Todavia, a referida ação, que tramitou na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará
(processo n. 0817688-07.2023.4.05.8100), encontra-se atualmente no TRF da 5ª Região para julgamento dos
embargos de declaração em sede de apelação.
No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os processos em questão têm as mesmas
partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância de má fé formulado pela GLM
INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem como a reconvenção. A conduta da parte autora revela
muito mais desespero do que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer das hipóteses previstas
no artigo 80, do CPC.
A mera pretensão de se discutir a manutenção do domínio eletrônico da demandante e continuar usando sua marca,
ainda que por meio de alegações que se mostraram equivocadas, não configura a intenção de causar lesão por parte
das autoras. Não havendo prova inequívoca do dolo e ante a inexistência de prejuízo à parte adversa, afasto a
imputação de litigância de má fé, bem como a reconvenção pleiteada, dada a inexistência de configuração de dano à
parte GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Assim, considerando a existência de litispendência desta ação em relação ao referido feito (processo n.
0817688-07.2023.4.05.8100), outro caminho não pode ser tomado senão a determinação da extinção deste processo.
3. Dispositivo
Ante o exposto, julgo EXTINTA a presente ação, sem resolução de mérito, nos termos do art. 485, V, do Código de
Processo Civil.
Custas de lei.
Condeno a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios no montante de 10% do valor atribuído à causa.
Apresentado recurso de apelação, intime-se a recorrida para contrarrazões e, em seguida, encaminhem-se os autos ao
TRF 5ª Região.
Expedientes necessários.
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Oportunamente, arquive-se.
aqu
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Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
9641757 09/02/2026 Sentença Sentença
17:07
PODER JUDICIÁRIO
4ª Vara Federal CE
SENTENÇA
(Embargos de Declaração)
Trata-se de embargos de declaração opostos por GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA
contra sentença proferida no id. 143115048.
Alega a parte embargante que a sentença exarada trouxe omissão, quanto ao questionamento formulado pela ora
embargante acerca do irrisório valor atribuído à causa pela parte autora, questão que possui relevância direta para a
fixação das custas processuais e dos honorários advocatícios (id. 143743681).
É o relatório.
Decido.
Os embargos de declaração são cabíveis para suprimento de omissão, saneamento de contradição, esclarecimento de
obscuridade ou correção de erro material no julgamento embargado. Também são admitidos para fins de
prequestionamento.
[...]
Observa-se, a partir da leitura das informações prestadas pelo INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE
INDUSTRIAL (INPI) e pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, e corroboradas pela
documentação anexada aos autos, que a pretensão formulada por meio desta demanda já havia sido formulada
pela autora através de outra ação anterior com pedido e causa de pedir idêntico ao que se pleiteia por meio da
presente demanda. Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros
marcários referentes à marca "ALPHA CO, determinando, ainda, que a GLM seja obrigada a abster-se
definitivamente de todo e qualquer uso da referida marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o
direito de continuar utilizando a marca até o julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do
domínio eletrônico da demandante; anular os atos que indeferiram os pedidos de registro de marcas,
ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de registro. Assim, a parte autora, em síntese,
busca, nas duas ações, a anulação do registro de marca da parte ré para que possa continuar utilizando sua
marca.
Naquela primeira ação, a qual tramitou no âmbito da 10ª Vara Federal desta Seção Judiciária sob o n.
0817688-07.2023.4.05.8100, o mérito do pedido que aqui se repete foi devidamente apreciado através de
sentença que julgou improcedente o pleito autoral (id. 4058100.33856256), conforme fundamentação que
adiante reproduzo:
[...]
2. FUNDAMENTAÇÃO
2. 1. Julgamento antecipado
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 1
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
Tendo em vista que a solução da demanda depende unicamente de prova documental, sem necessidade de
produção de outras espécies probatórias, é caso de julgamento antecipado do pedido, com resolução de mérito,
conforme estabelecido pelo art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sendo o magistrado o destinatário final da prova, é sua tarefa verificar a necessidade e oportunidade de sua
produção, bem como de aferir a sua utilidade para a formação do juízo sobre os fatos narrados na petição
inicial.
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI deve ser demandado na cidade do Rio de Janeiro, onde
se encontra estabelecida sua sede, ou, ainda, no domicílio de qualquer outro litisconsorte passivo, conforme
enunciado no artigo 46, § 4º, do Código de Processo Civil:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor. (grifei)
(STJ - CC: 185592 RJ 2022/0016090-3, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de
Julgamento: 09/08/2023, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 24/08/2023) (grifei)
2.3. Mérito
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da exclusividade da marca, previsto no art. 124 da Lei de
Propriedade Industrial (LPI), que veda o registro de marca que possa causar confusão ou associação indevida
com marca previamente registrada e reconhecida no mercado, principalmente quando atuam no mesmo
segmento. Além disso, o princípio da anterioridade estabelece a prevalência do direito ao uso de marca àqueles
que primeiro registraram e consolidaram o uso do nome no mercado.
O direito sobre a marca se constitui por meio de ato administrativo do Estado, representado pelo INPI, após
processo de registro da marca, concedido ao interessado que atenda aos requisitos da LPI e que primeiro
depositou a marca no INPI.
No sistema atributivo brasileiro, o direito de propriedade é constituído somente no ato de concessão do registro
pelo INPI, cabendo apenas uma hipótese de exceção a tal regra, em que é reconhecido o direito ao usuário de
boa-fé, conforme o disposto no parágrafo 1º do artigo 129 da LPI:
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 2
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§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis)
meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou
afim, terá direito de precedência ao registro.
Destaque-se que o direito para a proteção das marcas no Brasil se adquire por meio do registro no INPI e não
pelo seu uso no comércio, conforme expresso no artigo 129, caput, da Lei 9.279/96 (LPI):
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições
desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às
marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
Ressalte-se que o reconhecimento da precedência do parágrafo 1º do artigo 129 da LPI é uma exceção ao
princípio first to file, em que se considera à marca usada de boa-fé, com mais de seis meses de antecedência em
relação a um terceiro que primeiro depositou sinal idêntico ou semelhante no INPI.
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça admite a possibilidade de anulação judicial de registro de marca
com base no direito de precedência, como se vê no seguinte precedente:
No caso, sustenta a parte autora que explora a expressão "ALPHA CO" como marca, sendo sua utilização
precedente, pelo que se impõe a anulação dos registros da marca "ALPHA CO." concedidos à GLM.
Para corroborar o direito alegado, a parte autora anexou prints do facebook, instagram datados de 2017/2018
(id. 4058100.31179608, 4058100.31179611, 18/10/23), catálogo da Alpha Co (id 4058100.31179613,
18/10/23), notas fiscais emitidas em 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 pelo Mundo Alpha (id 4058100.33299260,
11/06/24).
Observa-se que os prints de tela sistêmica colacionada do facebook e instagram demandam ser robustecidos
por outras provas, como comprovação de vendas por notas fiscais.
No que concerne às notas fiscais entende-se que são documentos que se prestam como prova efetiva do uso da
marca. No caso em tela, as notas fiscais apresentadas não demonstram efetiva comercialização dos produtos
designados pela marca questionada em tempo razoável e suficiente para garantir o direito de precedência de
registro à parte autora.
A parte autora sustenta que desde julho de 2018 passou a explorar a expressão "ALPHA CO" como marca,
constata-se que as notas fiscais são datadas de 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 e emitidas pelo Mundo Alpha (id
4058100.33299260, 11/06/24), trazendo a descrição dos produtos /serviços vendidos, contudo, não denotando a
precedência da utilização da marca sustentada pela parte autora.
É o que se verifica da análise das notas fiscais NF -e 000.099. 009, de 17/01/2019, a qual não menciona a
marca ALPHA CO. Observa-se que as demais notas fiscais anexadas pela parte autora são referentes ao mês
de junho de 2019, emitidas em data próxima ao requerimento junto ao INPI, 5.7.2019,
NF-e000.005.666,CFOP5103 (1 unidade), de 04/06/2019, NF-e000.001.243, CFOP6102 (1 unidade),
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
04/06/2019, NF-e000.987.654, CFOP5102 (1 unidade), 04/06/2019, NF-e000.002.342, CFOP5102 (1 unidade),
10/06/2019, NF-e000.001.781, CFOP6102 (1 unidade), CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019,
NF-e000.001.231, CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019.
Foi oportunizado a parte autora (id 4058100.32783225, 22/04/24) anexar aos autos notas fiscais para
corroborar suas alegações, contudo, o autor informou, através da petição anexada no id 4058100.33299259,
11/06/2024, que o Órgão Fazendário SEFAZ/Ba somente disponibiliza documentos fiscais que estejam dentro
do período previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, no exercício atual (2024) e cinco anos anteriores (2019 a
2023).
Observa-se, entretanto, que a parte autora ajuizou a presente ação em 18.10.2023, sob a tese da precedência
do uso da marca ALPHA CO desde 2018. Contudo, dentre as provas apresentadas à inicial não constam notas
fiscais, o que, pela matéria posta em juízo, é instrumento de prova de relevante importância, sobretudo quando
serve para demonstrar a anterioridade do uso da marca objeto da lide e fluxo das vendas.
Deveras, para dar sustentação a sua tese, deveria ter sido diligente em angariar provas que refutassem
possíveis argumentos contrários as suas alegações. Por certo, uma vez que realizado o protocolo junto ao
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 05 de julho de 2019, presume-se que, à época, seria
detentora desse instrumento probatório, apresentando notas fiscais anteriores a data anterior a NF -e
000.099.009, de 17/01/2019, ainda mais, considerando-se, reitera-se, que são documentos que se prestam como
prova efetiva do uso da marca.
Nesse passo, reconhece-se o direito de precedência ao registro àquele que comprovar a utilização de boa-fé, no
país, de marca idêntica ou semelhante a ponto de causar confusão ou associação para o mesmo fim, há pelo
menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de registro.
Extrai-se do próprio artigo 129, parágrafo 1º, da Lei 9.279/1996 que para aplicar o direito de precedência deve
restar evidenciado o efetivo uso da marca há pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de
registro, o que, repise-se, não se concretizou no caso em apreço.
No tocante ao pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35), sob o fundamento de que não seria
registrável, por reproduzir bandeira oficial da República Italiana, não assiste razão à parte autora.
Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não
compreendidos nas proibições legais.
I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante
ou afim, de origem diversa;
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais,
estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;
Quanto à disponibilidade do sinal marcário, dispõe o Manual de Marcas do INPI, instituída pela Resolução
INPI/PR n. 249/2019, atualmente incorporada à Portaria INPI n. 8/2022:
(...)
Indicação de cor
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 4
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
Embora exerçam papel importante na determinação da aplicabilidade do inciso I do art. 124 da LPI, as
indicações de cores não determinam, necessariamente, imitação de um símbolo oficial. Portanto, as cores serão
levadas em consideração apenas como um sinal reforçador da imitação, sendo o mais importante nesta análise
o aspecto formal de apresentação do sinal marcário em exame.
Em caso de suficiente estilização das imagens oficiais ou de seus elementos, apenas sugerindo o símbolo oficial,
o sinal marcário passa a ser passível de registro, devendo, todavia, ser observadas outras proibições legais
relativas ao sinal em exame.
Na análise de sinais em que estejam contidas estilizações de monumentos e bandeiras, são levados em
consideração, na análise da registrabilidade, os seguintes fatores:
a) Grau da estilização (imagem total ou parcial, simplificação, distorção ou reposicionamento dos elementos
constitutivos) e singularidade do monumento ou bandeira;
b) Função evocativa do símbolo em relação à origem ou natureza dos produtos/serviços. Trata-se do uso de
elementos presentes em símbolos ou monumentos oficiais de país/localidade comumente relacionada com o
produto ou serviço que o sinal visa assinalar, como serviços de alimentação ou cursos de idiomas, por exemplo.
Enquadra-se neste caso o uso de cores de bandeira ou de partes estilizadas de monumentos, brasões e outros
símbolos oficiais, desde que não induza o público a erro quanto à origem dos produtos ou serviços assinalados.
d) Falsa vinculação com o estado nacional. A marca não pode parecer ser patrocinada por um país, por
exemplo.
Mesmo em casos em que a estilização do monumento/bandeira for suficiente, não se deve ignorar a
possibilidade de o uso da representação do mesmo constituir confusão quanto à procedência dos produtos ou
serviços, quando então será aplicado o inciso X do art. 124 da LPI.".
No caso, esclarece o INPI em sua contestação que "o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo identificada a alusão
direta à bandeira do país. Desta maneira, o pedido foi regularmente deferido, dado que a indicação de cores da
bandeira da República Italiana não é ostensiva a ponto de violar o inciso I do art. 124 da LPI, ou indicar uma
falsa procedência dos produtos e serviços.".
Dessa forma, não é papel do Poder Judiciário substituir a atuação da autarquia federal, sob pena de infringir o
princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal de 1988. A intervenção judicial
sobre os atos do INPI somente é justificável em situações excepcionais, nas quais se constate evidente
ilegalidade ou violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se observa nos
presentes autos.
Registre-se que em hipótese de eventual nulidade, sob o fundamento de não a marca não ser registrável, a teor
do Art. 124, I, da Lei n 9.279/1996, não traria proveito a parte autora, pois incorreria em situação de vedação
absoluta de registro marcário.
3. DISPOSITIVO
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 5
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
[...]
1. Apelação cível interposta por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra sentença
que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960,
relativos à marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.,
deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts. 124, I e XIX,
129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de nulidade dos registros.
2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito à
marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a
exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de seis meses.
3. A apelante não apresentou prova suficiente da utilização comercial da marca "ALPHA CO." em período
anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os elementos comprobatórios apresentados (prints
de redes sociais e catálogos).
4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da bandeira da Itália como elemento
figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI,
sendo incabível a revisão judicial de mérito administrativo sem evidência de ilegalidade flagrante ou desvio de
finalidade.
5. Salienta-se que o ato administrativo tem fé pública e goza de presunção de legalidade, legitimidade e
veracidade. Somente em situações excepcionais, desde que haja prova robusta, é que se poderia autorizar o
afastamento da justificativa do interesse público à sua desconstituição, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal Frederico
Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4º Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL BRUNO LEONARDO
CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 14/09/2021).
6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente forma
distintiva atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com outras semelhantes".
Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel. Ministra
MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma
marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e conceitos do domínio comum, sendo
inviável conceder a alguém a propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas pessoas
quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL
ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES
FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022.
7. Inexistindo prova do uso anterior suficiente e não se constatando ilegalidade na atuação do INPI, inexiste
fundamento para a anulação judicial dos registros impugnados.
8. Recurso desprovido.
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 6
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
Vê-se, portanto, que o julgamento de mérito proferido naquela primeira ação decidiu a demanda autoral,
julgando o pleito improcedente, não anulando o registro de marca da parte ré, não tendo mais a parte autora
direito de continuar utilizando a sua marca. Todavia, a referida ação, que tramitou na 10ª Vara Federal da
Seção Judiciária do Ceará (processo n. 0817688-07.2023.4.05.8100), encontra-se atualmente no TRF da 5ª
Região para julgamento dos embargos de declaração em sede de apelação.
No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os processos em questão têm as
mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância de má fé formulado pela
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem como a reconvenção. A conduta da parte
autora revela muito mais desespero do que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer
das hipóteses previstas no artigo 80, do CPC.
A mera pretensão de se discutir a manutenção do domínio eletrônico da demandante e continuar usando sua
marca, ainda que por meio de alegações que se mostraram equivocadas, não configura a intenção de causar
lesão por parte das autoras. Não havendo prova inequívoca do dolo e ante a inexistência de prejuízo à parte
adversa, afasto a imputação de litigância de má fé, bem como a reconvenção pleiteada, dada a inexistência de
configuração de dano à parte GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Assim, considerando a existência de litispendência desta ação em relação ao referido feito (processo n.
0817688-07.2023.4.05.8100), outro caminho não pode ser tomado senão a determinação da extinção deste
processo.
[...]
Conforme se depreende dos termos da fundamentação acima transcritos, não está configurada omissão, contradição,
obscuridade ou erro material sanável pela via dos embargos de declaração, pelo que ratifico os termos da sentença ret
ro.
Por fim, destaco que os embargos declaratórios não se prestam à reforma do julgamento proferido, nem substituem
os recursos previstos na legislação processual para que a parte inconformada com o julgamento possa buscar sua
revisão ou reforma.
Acerca da omissão citada, acrescento que a impugnação ao valor da causa deveria ter sido oposta na primeira ação
que decidiu a demanda autoral, tendo em vista que o presente caso reflete uma litispendência , conforme
fundamentação transcrita.
Cabe destacar também que, consoante entendimento pacífico no Superior Tribunal de Justiça (STJ), "O julgador não
está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições
processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as
pretensões deduzidas" (STJ, EDcl no AgRg nos EDcl nos EDcl no HC n. 812.951/MS, relator Ministro Joel Ilan
Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/8/2023, DJe de 18/8/2023).
Ante o exposto, inexistindo os vícios apontados, e pretendendo o embargante, em verdade, o reexame do mérito da
sentença, NEGO PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO da exequente.
Em caso de apelação, intime-se a parte recorrida para oferecer contrarrazões; após, remetam-se os autos ao TRF da 5ª
Região.
Oportunamente, arquive-se.
Expedientes necessário.
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 7
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Número do documento: 26020917075000000000009506457
JOSÉ VIDAL SILVA NETO.
aqu
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 09/02/2026 17:07:50 Num. 9641757 - Pág. 8
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Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
9641759 13/02/2026 Embargos de Declaração Embargos de Declaração
15:29
E X C E LE N TÍ S SI M O SE N HO R D O U TO R J UIZ DA 4ª V A R A FE DE R A L D A S UB SE Ç Ã O
JU DIC I Á RI A DE F O R T A LE Z A
Proc. nº 0059452-35.2025.4.05.8100
I. TEMPESTIVIDADE
3. Uma vez que a oposição deste recurso foi realizada antes do termo final do prazo
indicado, os presentes embargos deverão ser conhecidos, já que plenamente
tempestivos.
II. CABIMENTO
Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
+55 85 3035.0104
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Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
Assinado eletronicamente por: RAFAEL SALDANHA PESSOA - 13/02/2026 15:29:18 Num. 9641759 - Pág. 1
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I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição;
II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de
ofício ou a requerimento;
III - corrigir erro material.
Parágrafo único. Considera-se omissa a decisão que:
I - deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou
em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento;
II - incorra em qualquer das condutas descritas no art. 489, § 1º.
(Grifos nossos)
3. Dispositivo
+55 85 3035.0104
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Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
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Ante o exposto, julgo EXTINTA a presente ação, sem resolução de mérito, nos termos
do art. 485, V, do Código de Processo Civil.
Custas de lei.
Expedientes necessários.
Oportunamente, arquive-se.
10. Nesse sentido, requer-se que seja sanada a omissão indicada, com a integração
do dispositivo para consignar o desfecho da reconvenção (improcedência/não
conhecimento, conforme fundamentação), com a consequente condenação
em honorários sucumbenciais próprios da reconvenção.
Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros
marcários referentes à marca ‘ALPHA CO’, determinando, ainda, que a GLM seja
obrigada a abster-se definitivamente de todo e qualquer uso da referida marca.
Enquanto nesta causa, a demandante requer o direito de continuar utilizando a
marca até o julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do
domínio eletrônico da demandante; anular os atos que indeferiram os pedidos de
registro de marcas, ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de
registro.
(Grifos nossos)
+55 85 3035.0104
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Assinado eletronicamente por: RAFAEL SALDANHA PESSOA - 13/02/2026 15:29:18 Num. 9641759 - Pág. 3
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dos pedidos de registro”, isto é, a invalidação do ato administrativo praticado pelo
INPI em desfavor da Autora. Todavia, no mesmo parágrafo, a sentença afirma
que:
“Assim, a parte autora, em síntese, busca, nas duas ações, a anulação do registro
de marca da parte ré para que possa continuar utilizando sua marca.”
15. Explica-se. Primeiro, foi proferido o ato administrativo que deferiu o registro da
marca da GLM. Apenas após isso, e com base nesse mesmo ato, o INPI indeferiu
os pedidos de registro da Autora, ficando claro que cada ato possui natureza
própria.
16. Por conseguinte, sendo atos distintos, a anulação de cada um geraria efeitos
inconfundíveis. A anulação do ato que deferiu o registro da marca da GLM
implicaria a impossibilidade de uso da marca pela referida empresa. Por outro
lado, a anulação do ato que indeferiu os pedidos de registro da Autora não
impede que a GLM continue utilizando sua marca, mas permite que ambas usem
suas respectivas marcas, em pacífica convivência, o que evidencia, de forma
objetiva, a ausência de identidade entre as pretensões.
17. Assim, ao reconhecer que, nesta ação, se busca a anulação dos atos que
indeferiram os pedidos de registro da Autora e, simultaneamente, afirmar que o
pedido se confunde com a anulação do registro da marca da parte ré, a
sentença incorre em contradição em seus próprios termos. Tal contradição
compromete diretamente a conclusão acerca da litispendência, pois prejudica
a verificação da identidade de pedidos entre as demandas.
+55 85 3035.0104
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Assinado eletronicamente por: RAFAEL SALDANHA PESSOA - 13/02/2026 15:29:18 Num. 9641759 - Pág. 4
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19. Como na própria sentença é mencionado que nesta ação se pretende a
anulação dos indeferimentos de seus pedidos de registro, não é logicamente
possível afirmar, ao mesmo tempo, que se busca aqui a anulação do registro da
marca da parte ré, de modo que não é possível falar em identidade de pedido
desta ação com a ação anteriormente ajuizada.
20. A existência de alguma interseção fática entre as ações poderia tão somente
ensejar conexão/continencia, mas jamais a extinção por litispedência, por inexistir
a identidade estrita de pedidos.
+55 85 3035.0104
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Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
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25. Desta forma, requer-se a atribuição de efeitos modificativos/infringentes aos
embargos, intimando-se os Embargados para, querendo, manifestarem-se no
prazo de 5 (cinco) dias, nos termos do art. 1.023, § 2º, do CPC.
V. PEDIDOS
27. Por fim, requer que sejam as intimações e/ou publicações efetuadas
exclusivamente em nome do advogado RAFAEL SALDANHA PESSOA, OAB/CE nº
23.951, com endereço profissional na Av. Desembargador Moreira, 760, Salas 1104
a 1107, Meireles – Fortaleza/CE, CEP: 60150-161.
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
Assinado eletronicamente por: RAFAEL SALDANHA PESSOA - 13/02/2026 15:29:18 Num. 9641759 - Pág. 6
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Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
9641760 25/02/2026 Sentença Sentença
10:41
PODER JUDICIÁRIO
4ª Vara Federal CE
SENTENÇA
(Embargos de Declaração)
Alega a parte embargante que a sentença exarada trouxe omissão quanto à improcedência da reconvenção e
arbitramento de honorários de sucumbência, e contradição quanto ao objeto da presente ação, nos seguintes termos
(id. 145026707).
[...]
6. Analisando a fundamentação da sentença, vê-se claramente que foi reconhecida a improcedência das razões
postas na reconvenção apresentada pela empresa GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
(...)
7. Ocorre que, apesar dessas considerações, o dispositivo do decisum trata apenas a respeito da extinção da
ação originária, silenciando com relação ao julgamento da reconvenção e à condenação da Reconvinte ao
pagamento de honorários de sucumbência.
(...)
8. A ausência de comando no dispositivo sobre a reconvenção configura omissão relevante, pois esta constitui
demanda autônoma e exige capítulo decisório próprio, inclusive para definição da sucumbência e arbitramento
de honorários.
(...)
11. Ao tratar sobre a existência de litispendência, a sentença embargada assim consignou com relação ao
objeto de cada uma das ações indicadas:
Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros marcários referentes à
marca 'ALPHA CO', determinando, ainda, que a GLM seja obrigada a abster-se definitivamente de todo e
qualquer uso da referida marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o direito de continuar utilizando
a marca até o julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do domínio eletrônico da
demandante; anular os atos que indeferiram os pedidos de registro de marcas, ordenando que o INPI proceda
ao deferimento dos pedidos de registro.
(Grifos nossos)
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 25/02/2026 10:41:13 Num. 9641760 - Pág. 1
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Número do documento: 26022510411300000000009506460
12. A partir dessa descrição, o próprio julgado reconhece expressamente que, na presente demanda, a Autora
busca a anulação dos "atos que indeferiram os pedidos de registro de marcas, ordenando que o INPI proceda
ao deferimento dos pedidos de registro", isto é, a invalidação do ato administrativo praticado pelo INPI em
desfavor da Autora. Todavia, no mesmo parágrafo, a sentença afirma que:
"Assim, a parte autora, em síntese, busca, nas duas ações, a anulação do registro de marca da parte ré para
que possa continuar utilizando sua marca."
13. Em um primeiro momento, afirma-se que o objeto da presente ação consiste na anulação dos atos que
indeferiram os pedidos de registro formulados pela Autora. Logo em seguida, contudo, conclui-se que, nesta
demanda, a Autora buscaria a anulação do registro de marca da parte Ré.
14. Dito isso, evidencia-se contradição no julgado, pois a fundamentação adotada, ao tratar do objeto do
presente processo, acaba por referir-se à anulação de dois atos administrativos distintos, praticados em
momentos diversos e dotados de efeitos jurídicos próprios.
[...]
(destaque nosso)
É o relatório.
Decido.
Os embargos de declaração são cabíveis para suprimento de omissão, saneamento de contradição, esclarecimento de
obscuridade ou correção de erro material no julgamento embargado. Também são admitidos para fins de
prequestionamento.
[...]
Observa-se, a partir da leitura das informações prestadas pelo INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE
INDUSTRIAL (INPI) e pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, e corroboradas pela
documentação anexada aos autos, que a pretensão formulada por meio desta demanda já havia sido formulada
pela autora através de outra ação anterior com pedido e causa de pedir idêntico ao que se pleiteia por meio da
presente demanda. Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total dos registros
marcários referentes à marca "ALPHA CO, determinando, ainda, que a GLM seja obrigada a abster-se
definitivamente de todo e qualquer uso da referida marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o
direito de continuar utilizando a marca até o julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do
domínio eletrônico da demandante; anular os atos que indeferiram os pedidos de registro de marcas,
ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de registro. Assim, a parte autora, em síntese,
busca, nas duas ações, a anulação do registro de marca da parte ré para que possa continuar utilizando sua
marca.
Naquela primeira ação, a qual tramitou no âmbito da 10ª Vara Federal desta Seção Judiciária sob o n.
0817688-07.2023.4.05.8100, o mérito do pedido que aqui se repete foi devidamente apreciado através de
sentença que julgou improcedente o pleito autoral (id. 4058100.33856256), conforme fundamentação que
adiante reproduzo:
[...]
2. FUNDAMENTAÇÃO
2. 1. Julgamento antecipado
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 25/02/2026 10:41:13 Num. 9641760 - Pág. 2
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Número do documento: 26022510411300000000009506460
Tendo em vista que a solução da demanda depende unicamente de prova documental, sem necessidade de
produção de outras espécies probatórias, é caso de julgamento antecipado do pedido, com resolução de mérito,
conforme estabelecido pelo art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sendo o magistrado o destinatário final da prova, é sua tarefa verificar a necessidade e oportunidade de sua
produção, bem como de aferir a sua utilidade para a formação do juízo sobre os fatos narrados na petição
inicial.
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI deve ser demandado na cidade do Rio de Janeiro, onde
se encontra estabelecida sua sede, ou, ainda, no domicílio de qualquer outro litisconsorte passivo, conforme
enunciado no artigo 46, § 4º, do Código de Processo Civil:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à
escolha do autor. (grifei)
(STJ - CC: 185592 RJ 2022/0016090-3, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de
Julgamento: 09/08/2023, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 24/08/2023) (grifei)
2.3. Mérito
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da exclusividade da marca, previsto no art. 124 da Lei de
Propriedade Industrial (LPI), que veda o registro de marca que possa causar confusão ou associação indevida
com marca previamente registrada e reconhecida no mercado, principalmente quando atuam no mesmo
segmento. Além disso, o princípio da anterioridade estabelece a prevalência do direito ao uso de marca àqueles
que primeiro registraram e consolidaram o uso do nome no mercado.
O direito sobre a marca se constitui por meio de ato administrativo do Estado, representado pelo INPI, após
processo de registro da marca, concedido ao interessado que atenda aos requisitos da LPI e que primeiro
depositou a marca no INPI.
No sistema atributivo brasileiro, o direito de propriedade é constituído somente no ato de concessão do registro
pelo INPI, cabendo apenas uma hipótese de exceção a tal regra, em que é reconhecido o direito ao usuário de
boa-fé, conforme o disposto no parágrafo 1º do artigo 129 da LPI:
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 25/02/2026 10:41:13 Num. 9641760 - Pág. 3
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Número do documento: 26022510411300000000009506460
§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis)
meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou
afim, terá direito de precedência ao registro.
Destaque-se que o direito para a proteção das marcas no Brasil se adquire por meio do registro no INPI e não
pelo seu uso no comércio, conforme expresso no artigo 129, caput, da Lei 9.279/96 (LPI):
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições
desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às
marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
Ressalte-se que o reconhecimento da precedência do parágrafo 1º do artigo 129 da LPI é uma exceção ao
princípio first to file, em que se considera à marca usada de boa-fé, com mais de seis meses de antecedência em
relação a um terceiro que primeiro depositou sinal idêntico ou semelhante no INPI.
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça admite a possibilidade de anulação judicial de registro de marca
com base no direito de precedência, como se vê no seguinte precedente:
No caso, sustenta a parte autora que explora a expressão "ALPHA CO" como marca, sendo sua utilização
precedente, pelo que se impõe a anulação dos registros da marca "ALPHA CO." concedidos à GLM.
Para corroborar o direito alegado, a parte autora anexou prints do facebook, instagram datados de 2017/2018
(id. 4058100.31179608, 4058100.31179611, 18/10/23), catálogo da Alpha Co (id 4058100.31179613,
18/10/23), notas fiscais emitidas em 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 pelo Mundo Alpha (id 4058100.33299260,
11/06/24).
Observa-se que os prints de tela sistêmica colacionada do facebook e instagram demandam ser robustecidos
por outras provas, como comprovação de vendas por notas fiscais.
No que concerne às notas fiscais entende-se que são documentos que se prestam como prova efetiva do uso da
marca. No caso em tela, as notas fiscais apresentadas não demonstram efetiva comercialização dos produtos
designados pela marca questionada em tempo razoável e suficiente para garantir o direito de precedência de
registro à parte autora.
A parte autora sustenta que desde julho de 2018 passou a explorar a expressão "ALPHA CO" como marca,
constata-se que as notas fiscais são datadas de 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 e emitidas pelo Mundo Alpha (id
4058100.33299260, 11/06/24), trazendo a descrição dos produtos /serviços vendidos, contudo, não denotando a
precedência da utilização da marca sustentada pela parte autora.
É o que se verifica da análise das notas fiscais NF -e 000.099. 009, de 17/01/2019, a qual não menciona a
marca ALPHA CO. Observa-se que as demais notas fiscais anexadas pela parte autora são referentes ao mês
de junho de 2019, emitidas em data próxima ao requerimento junto ao INPI, 5.7.2019,
NF-e000.005.666,CFOP5103 (1 unidade), de 04/06/2019, NF-e000.001.243, CFOP6102 (1 unidade),
Assinado eletronicamente por: JOSE VIDAL SILVA NETO - 25/02/2026 10:41:13 Num. 9641760 - Pág. 4
[Link]
Número do documento: 26022510411300000000009506460
04/06/2019, NF-e000.987.654, CFOP5102 (1 unidade), 04/06/2019, NF-e000.002.342, CFOP5102 (1 unidade),
10/06/2019, NF-e000.001.781, CFOP6102 (1 unidade), CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019,
NF-e000.001.231, CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019.
Foi oportunizado a parte autora (id 4058100.32783225, 22/04/24) anexar aos autos notas fiscais para
corroborar suas alegações, contudo, o autor informou, através da petição anexada no id 4058100.33299259,
11/06/2024, que o Órgão Fazendário SEFAZ/Ba somente disponibiliza documentos fiscais que estejam dentro
do período previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, no exercício atual (2024) e cinco anos anteriores (2019 a
2023).
Observa-se, entretanto, que a parte autora ajuizou a presente ação em 18.10.2023, sob a tese da precedência
do uso da marca ALPHA CO desde 2018. Contudo, dentre as provas apresentadas à inicial não constam notas
fiscais, o que, pela matéria posta em juízo, é instrumento de prova de relevante importância, sobretudo quando
serve para demonstrar a anterioridade do uso da marca objeto da lide e fluxo das vendas.
Deveras, para dar sustentação a sua tese, deveria ter sido diligente em angariar provas que refutassem
possíveis argumentos contrários as suas alegações. Por certo, uma vez que realizado o protocolo junto ao
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 05 de julho de 2019, presume-se que, à época, seria
detentora desse instrumento probatório, apresentando notas fiscais anteriores a data anterior a NF -e
000.099.009, de 17/01/2019, ainda mais, considerando-se, reitera-se, que são documentos que se prestam como
prova efetiva do uso da marca.
Nesse passo, reconhece-se o direito de precedência ao registro àquele que comprovar a utilização de boa-fé, no
país, de marca idêntica ou semelhante a ponto de causar confusão ou associação para o mesmo fim, há pelo
menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de registro.
Extrai-se do próprio artigo 129, parágrafo 1º, da Lei 9.279/1996 que para aplicar o direito de precedência deve
restar evidenciado o efetivo uso da marca há pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de
registro, o que, repise-se, não se concretizou no caso em apreço.
No tocante ao pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35), sob o fundamento de que não seria
registrável, por reproduzir bandeira oficial da República Italiana, não assiste razão à parte autora.
Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não
compreendidos nas proibições legais.
I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante
ou afim, de origem diversa;
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais,
estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;
Quanto à disponibilidade do sinal marcário, dispõe o Manual de Marcas do INPI, instituída pela Resolução
INPI/PR n. 249/2019, atualmente incorporada à Portaria INPI n. 8/2022:
(...)
Indicação de cor
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Número do documento: 26022510411300000000009506460
Embora exerçam papel importante na determinação da aplicabilidade do inciso I do art. 124 da LPI, as
indicações de cores não determinam, necessariamente, imitação de um símbolo oficial. Portanto, as cores serão
levadas em consideração apenas como um sinal reforçador da imitação, sendo o mais importante nesta análise
o aspecto formal de apresentação do sinal marcário em exame.
Em caso de suficiente estilização das imagens oficiais ou de seus elementos, apenas sugerindo o símbolo oficial,
o sinal marcário passa a ser passível de registro, devendo, todavia, ser observadas outras proibições legais
relativas ao sinal em exame.
Na análise de sinais em que estejam contidas estilizações de monumentos e bandeiras, são levados em
consideração, na análise da registrabilidade, os seguintes fatores:
a) Grau da estilização (imagem total ou parcial, simplificação, distorção ou reposicionamento dos elementos
constitutivos) e singularidade do monumento ou bandeira;
b) Função evocativa do símbolo em relação à origem ou natureza dos produtos/serviços. Trata-se do uso de
elementos presentes em símbolos ou monumentos oficiais de país/localidade comumente relacionada com o
produto ou serviço que o sinal visa assinalar, como serviços de alimentação ou cursos de idiomas, por exemplo.
Enquadra-se neste caso o uso de cores de bandeira ou de partes estilizadas de monumentos, brasões e outros
símbolos oficiais, desde que não induza o público a erro quanto à origem dos produtos ou serviços assinalados.
d) Falsa vinculação com o estado nacional. A marca não pode parecer ser patrocinada por um país, por
exemplo.
Mesmo em casos em que a estilização do monumento/bandeira for suficiente, não se deve ignorar a
possibilidade de o uso da representação do mesmo constituir confusão quanto à procedência dos produtos ou
serviços, quando então será aplicado o inciso X do art. 124 da LPI.".
No caso, esclarece o INPI em sua contestação que "o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo identificada a alusão
direta à bandeira do país. Desta maneira, o pedido foi regularmente deferido, dado que a indicação de cores da
bandeira da República Italiana não é ostensiva a ponto de violar o inciso I do art. 124 da LPI, ou indicar uma
falsa procedência dos produtos e serviços.".
Dessa forma, não é papel do Poder Judiciário substituir a atuação da autarquia federal, sob pena de infringir o
princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal de 1988. A intervenção judicial
sobre os atos do INPI somente é justificável em situações excepcionais, nas quais se constate evidente
ilegalidade ou violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se observa nos
presentes autos.
Registre-se que em hipótese de eventual nulidade, sob o fundamento de não a marca não ser registrável, a teor
do Art. 124, I, da Lei n 9.279/1996, não traria proveito a parte autora, pois incorreria em situação de vedação
absoluta de registro marcário.
3. DISPOSITIVO
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[...]
1. Apelação cível interposta por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra sentença
que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960,
relativos à marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda.,
deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts. 124, I e XIX,
129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de nulidade dos registros.
2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito à
marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a
exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de seis meses.
3. A apelante não apresentou prova suficiente da utilização comercial da marca "ALPHA CO." em período
anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os elementos comprobatórios apresentados (prints
de redes sociais e catálogos).
4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da bandeira da Itália como elemento
figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI,
sendo incabível a revisão judicial de mérito administrativo sem evidência de ilegalidade flagrante ou desvio de
finalidade.
5. Salienta-se que o ato administrativo tem fé pública e goza de presunção de legalidade, legitimidade e
veracidade. Somente em situações excepcionais, desde que haja prova robusta, é que se poderia autorizar o
afastamento da justificativa do interesse público à sua desconstituição, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal Frederico
Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4º Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL BRUNO LEONARDO
CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 14/09/2021).
6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente forma
distintiva atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com outras semelhantes".
Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA,
TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel. Ministra
MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma
marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e conceitos do domínio comum, sendo
inviável conceder a alguém a propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas pessoas
quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL
ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES
FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022.
7. Inexistindo prova do uso anterior suficiente e não se constatando ilegalidade na atuação do INPI, inexiste
fundamento para a anulação judicial dos registros impugnados.
8. Recurso desprovido.
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Vê-se, portanto, que o julgamento de mérito proferido naquela primeira ação decidiu a demanda autoral,
julgando o pleito improcedente, não anulando o registro de marca da parte ré, não tendo mais a parte autora
direito de continuar utilizando a sua marca. Todavia, a referida ação, que tramitou na 10ª Vara Federal da
Seção Judiciária do Ceará (processo n. 0817688-07.2023.4.05.8100), encontra-se atualmente no TRF da 5ª
Região para julgamento dos embargos de declaração em sede de apelação.
No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os processos em questão têm as
mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância de má fé formulado pela
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem como a reconvenção. A conduta da parte
autora revela muito mais desespero do que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer
das hipóteses previstas no artigo 80, do CPC.
A mera pretensão de se discutir a manutenção do domínio eletrônico da demandante e continuar usando sua
marca, ainda que por meio de alegações que se mostraram equivocadas, não configura a intenção de causar
lesão por parte das autoras. Não havendo prova inequívoca do dolo e ante a inexistência de prejuízo à parte
adversa, afasto a imputação de litigância de má fé, bem como a reconvenção pleiteada, dada a inexistência de
configuração de dano à parte GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA.
Assim, considerando a existência de litispendência desta ação em relação ao referido feito (processo n.
0817688-07.2023.4.05.8100), outro caminho não pode ser tomado senão a determinação da extinção deste
processo.
[...]
Conforme se depreende dos termos da fundamentação acima transcritos, não está configurada omissão, contradição,
obscuridade ou erro material sanável pela via dos embargos de declaração, pelo que ratifico os termos da sentença ret
ro, destacando que nas duas ações o autor busca anular o registro de marca da parte ré para que possa continuar
utilizando sua marca.
Nesse contexto, dado o reconhecimento da litispendência, não há como julgar o pedido de reconvenção,
considerando que os pedidos não são independentes em relação à demanda principal . A reconvenção, no caso,
pleiteia um pedido de indenização que somente seria verificável adentrando o mérito processual. Todavia, dada a
existência da litispendência, não há para este juízo apreciar a reconvenção dada a dependência entre a reconvenção e
a causa de pedir autoral.
Por fim, destaco que os embargos declaratórios não se prestam à reforma do julgamento proferido, nem substituem
os recursos previstos na legislação processual para que a parte inconformada com o julgamento possa buscar sua
revisão ou reforma.
Acerca da contradição arguida, acrescento que a sentença teceu fundamentação acerca da identidade das ações
quanto esclareceu que a pretensão formulada por meio desta demanda já havia sido formulada pela autora através de
outra ação anterior com pedido e causa de pedir idênticos ao que se pleiteia por meio da presente demanda, conforme
transcrição acima.
Cabe destacar também que, consoante entendimento pacífico no Superior Tribunal de Justiça (STJ), "O julgador não
está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições
processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as
pretensões deduzidas" (STJ, EDcl no AgRg nos EDcl nos EDcl no HC n. 812.951/MS, relator Ministro Joel Ilan
Paciornik, Quinta Turma, julgado em 15/8/2023, DJe de 18/8/2023).
Ante o exposto, inexistindo os vícios apontados, e pretendendo o embargante, em verdade, o reexame do mérito da
sentença, NEGO PROVIMENTO AOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO da exequente.
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Número do documento: 26022510411300000000009506460
Em caso de apelação, intime-se a parte recorrida para oferecer contrarrazões; após, remetam-se os autos ao TRF da 5ª
Região.
Oportunamente, arquive-se.
Expedientes necessário.
aqu
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[Link]
Número do documento: 26022510411300000000009506460
EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL DA 04ª
VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DO ESTADO DO CEARÁ
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Apelante: GLM Indústria e Comércio de Confecção Ltda
Apelada: Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda.
Fábio Barros
OAB/CE 15.543
RAZÕES DE APELAÇÃO
Egrégio Tribunal,
Colenda Turma,
I – DA TEMPESTIVIDADE
II – DA SÍNTESE FÁTICA
SENTENÇA
“[...]Observa-se, a partir da leitura das informações prestadas pelo INSTITUTO
NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL (INPI) e pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE
CONFECÇÃO LTDA, e corroboradas pela documentação anexada aos autos, que A PRETENSÃO
FORMULADA POR MEIO DESTA DEMANDA JÁ HAVIA SIDO FORMULADA PELA AUTORA ATRAVÉS DE OUTRA AÇÃO
ANTERIOR COM PEDIDO E CAUSA DE PEDIR IDÊNTICO AO QUE SE PLEITEIA POR MEIO DA PRESENTE
DEMANDA. Na primeira causa, a autora requer, em síntese, a nulidade judicial total
dos registros marcários referentes à marca "ALPHA CO, determinando, ainda, que a
GLM seja obrigada a abster-se definitivamente de todo e qualquer uso da referida
marca. Enquanto nesta causa, a demandante requer o direito de continuar utilizando
a marca até o julgamento definitivo da demanda, garantindo a manutenção do domínio
eletrônico da demandante; anular os atos que indeferiram os pedidos de registro de
marcas, ordenando que o INPI proceda ao deferimento dos pedidos de registro.
ASSIM, A PARTE AUTORA, EM SÍNTESE, BUSCA, NAS DUAS AÇÕES, A ANULAÇÃO DO REGISTRO
DE MARCA DA PARTE RÉ PARA QUE POSSA CONTINUAR UTILIZANDO SUA MARCA [...].”
02.4. Trata-se de grave equívoco, ilustres julgadores; pois na
primeira ação a adversária visava anular a marca pertencente à ora
Apelante (e fazer cessar o respectivo uso por ela) para, assim, eliminar o
óbice ao deferimento dos signos comerciais almejados de tal litigante, por
“reconhecê-la”, digamos, colidente com a sua almejada.
SENTENÇA
“No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os
processos em questão têm as mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância
de má fé formulado pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem como a
reconvenção. A conduta da parte autora revela muito mais desespero do que intenção
de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer das hipóteses previstas no
artigo 80, do CPC. A mera pretensão de se discutir a manutenção do domínio
eletrônico da demandante e continuar usando sua marca, ainda que por meio de
alegações que se mostraram equivocadas, não configura a intenção de causar lesão
por parte das autoras. Não havendo prova inequívoca do dolo e ANTE A INEXISTÊNCIA
DE PREJUÍZO À PARTE ADVERSA, afasto a imputação de litigância de má fé, bem como a
reconvenção pleiteada, DADA A INEXISTÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE DANO À PARTE GLM
INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA. Assim, considerando a existência de
litispendência desta ação em relação ao referido feito (processo n. 0817688-
07.2023.4.05.8100), outro caminho não pode ser tomado senão a determinação da
extinção deste processo.”
02.9. Com isso, o juízo não atentou que a ora Apelante é a
única titular dos registros válidos e vigentes cujo elemento nominativo
central é “ALPHA CO.”, gozando de absoluta exclusividade na exploração
comercial dos mesmos.
III – DO DIREITO
Da não congruência entre as ações
1
Superior Tribunal de Justiça. REsp 1327773/MG. Rel. Ministro Luís Felipe Salomão. Quarta Turma. Julgado em
28/11/2017. Publicado no DJe em 15/02/2018.
IV – DO CABIMENTO DA TUTELA
REQUERIDA ANTECIPADAMENTE
→
→
→
→
→
→
→ Ao arguir falsamente pela probabilidade de haver direito em seu
favor para obter registro homônimo ao da contestante GLM
(“ALPHA CO”), mediante suposta possibilidade de convivência
marcária, quando os fatos depõem o inverso, dadas as
sucessivas confirmações inequívocas e uníssonas em prol do
direito de exclusividade do registro para a Ré GLM, tanto na
instância administrativa quanto já na judicial também.
05.2. O dolo com o qual se anima a litigante expressa-se
também no fato de ela praticamente repetir, ao menos quanto ao animus,
uma ação anterior (na qual foi parte derrotada, inclusive na instância
recursal) nos presentes autos, uma vez que o objeto, ainda que diferente,
repercutiria em efeitos práticos assemelhados no mesmo propósito de
antes: usar sem nenhuma penalidade o elemento nominativo principal
pertencente à Ré GLM, mesmo ambas as empresas atuando no segmento
comercial de vestuário.
2
[Link]
Marca Clandestina Colidente
com a da Apelante GLM
[ALPHA CO vs ALPHA Co./Use Alpha Co./Alpha (etc)]
RELAÇÃO LITIGIOSA
ENTRE AS PARTES
3
Lei da Propriedade Industrial /L. 9.279/96 (LPI)
CAPÍTULO III
DOS CRIMES CONTRA AS MARCAS
CAPÍTULO VI
4
3ª edição/6ª revisão. Pág. 169-170.
signo marcário, de modo que sua imitação ou reprodução
amplia a possibilidade de confusão ou associação indevida
entre os sinais em cotejo.
Reprodução5
É a cópia idêntica de marca anterior de terceiro,
compreendendo, além da identidade completa (ou
servil/fiel), casos de reprodução com acréscimo ou parcial
do(s) elemento(s) distintivo(s) desse sinal.
Neste quesito, é avaliado o núcleo semântico do sinal
marcário, que confere sentido ao conjunto, a fim de
distinguir uma reprodução parcial ou com acréscimo de um
novo conjunto marcário, com sentido próprio.
5
Ibidem. Pág. 180.
6
STJ, REsp 1.819.060/RJ: a Corte reconheceu a impossibilidade de coexistência de marcas quando há
reprodução integral suscetível de confusão
08.3. A tipologia marcária mista, in casu, adotada por ambas
as partes não é suficiente para distinguir as suas marcas, uma da outra, pois
a afinidade mercadológica é bastante forte entre esses signos comerciais,
agravando-se a lide com a reprodução integral do elemento nominativo
presente na marca pioneira, da Ré GLM, “ALPHA Co.”:
vs.
E agora?
7
[Link]
8
Manual de Marcas INPI. 3ª edição/6ª revisão. Pág. 121.
08.5. Em todos os signos observa-se inconteste que o elemento
de destaque neles (principal) é o mesmo: a expressão “ALPHA CO”. Daí
que os grafismos empregados ali são ineficazes para diferenciá-los aos
olhos do consumidor interessado em produtos de vestuário.
ALPHA CO
IX – CONCLUSÃO
vs
Reg. 917530667/917541960 signo comercial clandestino9
Titular: Apelante (GLM) usuária: apelada
9
[Link]
DO DIREITO MAIS QUE EVIDENCIADO
fumus boni juris
DO RISCO NO ATRASO DO
PROVIMENTO PROVISÓRIO
periculum in mora
10
[Link] (aos 05min e 46s do vídeo)
11
[Link]
por parte do público consumidor, de sê-la a real titular da marca de
vestimentas “ALPHA CO”:
12
12
[Link]
13
13
ibidem
14
14
[Link]
15 Um dos sócios declara o volume de venda mensal abrangendo 140 mil peças de roupas.
15
[Link] (a 01:01:08 do vídeo)
uma dezena de marcas deferidas e registrada em seu benefício, contendo
até mesmo o termo principal “ALPHA” (como em MUNDO ALPHA):
16
17
18
16
Alpha Co em Promoção no Magazine Luiza
17
[Link]
18
Alpha Co | Mercado Livre
19
DA NECESSIDADE DE INTERRUPÇÃO
IMEDIATA DA CONTRAFAÇÃO
19
Camiseta Oversized Legacy | Frete grátis
Isso é inadmissível!
20
[Link]
até a fonte (estilo) da letra
é imitada!
21
21
[Link]
procuradas?srsltid=AfmBOopLFJV366_7KrFuL7ipoCcRAebjFBGu66qGfRfTsmdpUS7SqEMY
que ambas se mostram evidentemente distintas, compartilhando tão somente o
elemento nominativo.”
22
[Link]
13.4. Não há como negar que o uso de “ALPHA CO” – desde
sempre irregular, ilícito, contrafator, não autorizado, não registrado,
plagiador e desleal – praticado pela apelada – só tem piorado, pelo visto,
aumentando o risco de confusão entre os signos sob análise.
23 24
23
[Link]
24
ibidem
13.6. Os últimos exemplos ilustrados, recentes, desnudam toda
a má-fé que move a adversária no seu empreendimento comercial. Além
de falsear a origem do uso do termo “Alpha Co”, quando ela jamais foi a
utente pioneira, a apelada comete outro falso perante este juízo: ao
confrontar com a arte da marca mista da Apelante uma composição que,
embora apresentada a registro (denegado) ao INPI, já nem mais se
encontra em uso.
XIV – DA DOUTRINA
(REPRODUÇÃO ILÍCITA DE MARCA)
25
SOARES, José Carlos Tinoco, in “Tratado da Propriedade Industrial”, vol. II, página 1084, Editora Resenha
Tributária, 1988,
14.2. Tratando da análise de marcas mistas, opostas entre si, a
autoridade na matéria assim explica:
26
Proc. 5011178-86.2025.4.03.6102 / 7ª VARA FEDERAL DE RIBEIRÃO PRETO. Peça de contestação do INPI
(03/11/2025)
27
Manual de Marcas INPI. 3ª edição/6ª revisão.
XV – DA JURISPRUDÊNCIA
EMENTA
DIREITO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL. APELAÇÃO CÍVEL.
REGISTRO DE MARCA. ALEGAÇÃO DE DIREITO DE
PRECEDÊNCIA. PRINCÍPIO DO "FIRST TO FILE". IMPOSSIBILIDADE.
USO ANTERIOR NÃO COMPROVADO POR MEIO DE NOTAS
FISCAIS. ALEGADA VIOLAÇÃO AO ART. 124, I, DA LPI. ELEMENTO
FIGURATIVO CONSIDERADO SECUNDÁRIO PELO INPI. ATO
ADMINISTRATIVO REGULAR. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E
LEGITIMIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE INTERVENÇÃO JUDICIAL.
RECURSO DESPROVIDO. 1. Apelação cível interposta por Alpha Co
Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra
sentença que julgou improcedente pedido de nulidade judicial
dos registros marcários nºs 917530667 e 917541960, relativos à
marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e
Comércio de Confecção Ltda., deferidos pelo INPI. A autora
sustenta direito de precedência no uso da marca, com base nos arts.
124, I e XIX, 129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de
nulidade dos registros. 2. O sistema jurídico brasileiro adota o
princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o direito
à marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos
termos do art. 129, caput, da LPI, sendo a exceção prevista no §1º,
condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de
seis meses. 3. A APELANTE NÃO APRESENTOU PROVA
SUFICIENTE DA UTILIZAÇÃO COMERCIAL DA MARCA "ALPHA
CO." em período anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré
em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas fiscais
datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os
elementos comprobatórios apresentados (prints de redes sociais e
catálogos). 4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na
utilização da bandeira da Itália como elemento figurativo é afastada,
pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao
art. 124, I, da LPI, SENDO INCABÍVEL A REVISÃO JUDICIAL DE
MÉRITO ADMINISTRATIVO SEM EVIDÊNCIA DE ILEGALIDADE
FLAGRANTE OU DESVIO DE FINALIDADE. 5. SALIENTA-SE QUE O
ATO ADMINISTRATIVO TEM FÉ PÚBLICA E GOZA DE
PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE, LEGITIMIDADE E VERACIDADE.
SOMENTE EM SITUAÇÕES EXCEPCIONAIS, DESDE QUE HAJA
PROVA ROBUSTA, É QUE SE PODERIA AUTORIZAR O
AFASTAMENTO DA JUSTIFICATIVA DO INTERESSE PÚBLICO À
SUA DESCONSTITUIÇÃO, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201,
Desembargador Federal Frederico Wildson da Silva Dantas (Conv.),
4ª Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR
FEDERAL BRUNO LEONARDO CAMARA CARRA, 4ª TURMA,
JULGAMENTO: 14/09/2021). 6. De toda sorte, obiter dictum, importa
ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de
pouca originalidade e sem suficiente forma distintiva atraem a
mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver
com outras semelhantes". Precedentes nesse sentido: STJ, REsp
1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA
TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp
1062073/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTATURMA,
julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim, para uma marca
possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e
conceitos do domínio comum, sendo inviável conceder a alguém a
propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente
pelas pessoas quando tratam daquele objeto ou serviço.
Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção, mutatis
mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL,
DESEMBARGADOR FEDERAL ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª
TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR
FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES FIALHO MOREIRA, 3ªTURMA,
JULGAMENTO: 23/06/2022. 7. INEXISTINDO PROVA DO USO
ANTERIOR SUFICIENTE E NÃO SE CONSTATANDO ILEGALIDADE
NA ATUAÇÃO DO INPI, INEXISTE FUNDAMENTO PARA A
ANULAÇÃO JUDICIAL DOS REGISTROS IMPUGNADOS. 8.
Recurso desprovido. ACÓRDÃO. Decide a Primeira Turma do
Tribunal Regional Federal da 5ª Região, por unanimidade, negar
provimento à apelação, nos termos do voto do relator e notas
taquigráficas constantes dos autos, que passam a integrar o presente
julgado.28
28
PROCESSO Nº: 0817688-07.2023.4.05.8100 - APELAÇÃO CÍVEL (TRF5)
No ensejo, o INPI assim manifestou-se naqueles autos:
29
Proc. 0817688-07.2023.4.05.8100 / 10ª Vara Federal de Fortaleza. Vide doc. anexo.
15.2. O Judiciário Federal vem mantendo o posicionamento
da autarquia federal de registro:
30
STJ, REsp n.º 2120527/RJ, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, 3ª Turma, julgado em DJe de 19/4/2024.
XVI – DA CONCORRÊNCIA DESLEAL
XVIII – CONCLUSÃO
Prática Delituosa Comprovada
E Danos Aferíveis
31
Superior Tribunal de Justiça. REsp 1327773/MG. Rel. Ministro Luís Felipe Salomão. Quarta Turma. Julgado em
28/11/2017. Publicado no DJe em 15/02/2018.
18.2. Há de se considerar também o impacto disso em geral
(alijando a Apelante do direito de prospectar mais clientes, uma vez que, é
fato inconteste, a apelada atingiu status de fama superior à primeira – não
sendo impossível o público em geral crer na falsidade da marca verdadeira
diante das marcas piratas da reconvinda, como
XIX – DO PEDIDO
Fábio Barros
OAB-CE 15.543
Pós-Graduado em Direito Intelectual
Faculdade de Direito/Universidade de Lisboa
Escritório Auriz Barreira Marcas & Patentes
E X C E LE N TÍ S SI M O ( A) SE NH O R( A) D O UT O R (A) J UI Z ( A) FE DE R A L DA 4ª VARA
FE DE R A L D A SE Ç Ã O J UDI C I Á RI A DO E ST A D O DO C E A R Á
Proc. nº 0059452-35.2025.4.05.8100
+55 85 3035.0104
[Link]
Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
E G RÉ GI O T RIB U N A L R E GI O N A L FE DE R A L D A 5ª RE G I ÃO
Proc. nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Eméritos Julgadores,
I. I – R equ is it os ex tr ín s ec os .
1. Segundo o Art. 1.003, §5º, do CPC, o prazo para interpor o recurso de apelação é
de 15 (quinze) dias. Vide:
(...)
+55 85 3035.0104
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Av. Desembargador Moreira, 760 – salas 1104 a 1107
19/03/2026 (Dia de São José)1, o prazo de 15 (quinze) dias úteis findará somente
em 23/03/2026 (segunda-feira), conforme a aba de expedientes do PJe.
4. Por ter sido protocolado antes desta data, é plenamente tempestivo o presente
recurso de apelação.
I. I .I I – P r ep ar o .
I. I I – Re quis it os intr ín s ec os .
9. Desse modo, deverá o presente recurso de apelação ser conhecido, com seu
regular processamento e julgamento por este Tribunal Regional Federal, visto que
estão presentes todos os pressupostos recursais.
11. De acordo com a Autarquia, o signo submetido a registro pela Autora violaria a
referida disposição legal, por supostamente reproduzir ou imitar marca
1
Conforme Portaria da Direção do Foro nº 156/2025, expedida pelo Diretor do Foro da Justiça Federal no Ceará.
+55 85 3035.0104
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previamente registrada por terceiro, pertencente à empresa Ré GLM Industria e
Comercio de Confeccao Ltda. (doravante denominada apenas “GLM”).
12. Em sua inicial, a Autora explica, em síntese, que as marcas são visualmente
distintas, além de não haver potencial de confusão do público consumidor ante
a diferença entre os ramos de mercado explorados e as formas de atuação de
ambas as empresas.
14. Ao ser intimada para se manifestar sobre o pedido de tutela de urgência, a GLM
apresentou a peça de Id. 131226453, na qual suscitou, em síntese, a existência de
ação com o mesmo objeto da presente (a mesma apontada pelo INPI), na qual
a Autora teria sido integralmente vencida em primeiro e segundo graus.
16. Diante disso, o juízo a quo proferiu sentença (Id. 143115048), reconhecendo a
ocorrência de litispendência e extinguindo tanto a ação quanto a reconvenção
sem resolução do mérito. In verbis:
(...)
+55 85 3035.0104
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processos em questão têm as mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de
pedir.
(...)
3. Dispositivo
Ante o exposto, julgo EXTINTA a presente ação, sem resolução de mérito, nos termos
do art. 485, V, do Código de Processo Civil.
19. Primeiramente, é necessário salientar que, caso seja acolhida a tese recursal
exposta na presente apelação, afastando-se o reconhecimento de
litispendência, não será possível a apreciação imediata do mérito da causa por
este Egrégio Tribunal, porquanto não estão presentes os pressupostos necessários
à aplicação da teoria da causa madura.
20. Nos termos do art. 1.013, §3º, do Código de Processo Civil, o Tribunal somente
poderá julgar desde logo o mérito quando a causa estiver em condições de
imediato julgamento. Para tanto, é necessário que o processo esteja
devidamente instruído, ou que a controvérsia seja exclusivamente de direito.
+55 85 3035.0104
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demandando a análise da diferença entre os produtos vendidos, bem como das
formas de atuação de cada empresa.
23. Por estas razões, o julgamento do mérito do processo no estado que se encontra
configuraria evidente prejuízo ao direito das partes de produzir as provas
necessárias à demonstração de suas alegações, violando o direito de defesa e o
devido processo legal.
IV . I – In ex is t ên ci a de li tis p en dê nc ia .
26. A sentença proferida entendeu que a presente demanda teria as mesmas partes,
causa de pedir e pedido que a ação de nº 0817688-07.2023.4.05.8100, que tramita
na 10ª Vara Federal da subseção judiciária de Fortaleza/CE, tendo reconhecido
a existência de litispendência. Entretanto, as demandas, embora possuam
algumas semelhanças, são evidentemente distintas.
28. Contudo, foi narrada uma questão adicional. Para evitar o indeferimento do seu
pedido de registro, a Autora apresentou oposição contra o pedido da GLM,
suscitando a aplicação do direito de precedência, previsto no art. 129, §1º, da Lei
Federal nº 9.279/96.
29. Segundo o dispositivo em questão, embora a parte não tenha sido a primeira a
registrar a marca, ela terá direito à precedência de registro caso comprove que,
+55 85 3035.0104
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há pelo menos seis meses da data do registro realizado por terceiro, ela já utilizava
marca idêntica ou semelhante, de boa-fé. Para melhor visualização:
§ 1º Toda pessoa que, de boa fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País,
há pelo menos 6 (seis) meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou
certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, terá direito de
precedência ao registro.
30. Foi com base na aplicação do direito de precedência que a Autora ajuizou a
ação de nº 0817688-07.2023.4.05.8100, através da qual argumentou que, mesmo
com a incidência do art. 124, XIX, da Lei Federal nº 9.279/96, a aplicação do art.
129, §1º, conferiria à Autora a anterioridade do registro.
31. Com base nisso, foi requerido o deferimento de seu pedido de registro de marca
por meio da anulação do registro da GLM. Para melhor visualização, segue o
pedido formulado na inicial do processo indicado:
33. Já na presente ação, foi suscitado que o art. 124, XIX, da Lei Federal nº 9.279/96,
que amparou o indeferimento do pedido de registro da Autora, sequer seria
aplicável, eis que os signos das partes são distintos e inaptos a gerar confusão do
público consumidor. Assim, foi requerido apenas o deferimento da marca da
Autora, possibilitando a convivência pacífica das marcas.
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haveria colidência impeditiva entre os sinais. Trata-se, assim, de pretensão voltada
à coexistência das marcas, e não à eliminação de uma delas.
36. Há, portanto, contradição interna no próprio pronunciamento judicial, vez que
primeiro identifica-se corretamente que o objeto desta demanda é a invalidação
dos atos administrativos de indeferimento praticados pelo INPI; depois, sem base
lógica, afirma-se que o pedido seria o mesmo da demanda anterior, voltado à
anulação do registro da marca da GLM. Sendo distintos os atos administrativos
impugnados, distintos também são o pedido e a causa de pedir, o que afasta, por
si só, a litispendência.
37. Dito isso, vê-se que tanto a causa de pedir como os pedidos de ambas as ações
são distintos, não havendo que se falar em litispendência.
38. Para que fique clara a diferença entre ambas as ações, cabe expor mais
detalhadamente os pedidos e as repercussões práticas de cada uma. Na ação
sobre o direito de precedência, foi requerida a anulação da marca da GLM. Já na
presente ação, requer-se o deferimento da marca da Autora, sem qualquer
interferência sobre a marca da GLM. Ou seja, com a eventual procedência da
ação de nº 0817688-07.2023.4.05.8100, apenas uma das marcas (a da Autora)
poderiam ser registrada pelo INPI, contudo, com a procedência da presente
ação, ambas as marcas poderão ser registradas.
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Pedido Deferimento da marca Anulação da marca da
da Autora, com a GLM.
manutenção da marca
da GLM.
40. Embora tenha afirmado o contrário em suas manifestações iniciais, a própria GLM
reconhece em seu recurso de apelação (Id. 148648356) que as ações indicadas
são distintas, tendo requerido expressamente o reconhecimento da ausência de
litispendência. Segue transcrição literal de suas palavras:
02.3. O juízo monocrático extinguiu, todavia, o feito sem resolução de mérito, sob o
fundamento de se tratar de ação repetida intentada pela mesma autora, já
sucumbente em processo anterior no qual atuaram as mesma partes visando igual
objeto sob a mesma causa de pedir [grifamos]:
(...)
02.5. Já na segunda ação, o que se arguiu foi a nulidade tão somente dos atos de
indeferimento das marcas requeridas pela autora, preservando-se o registro da
marca da Ré (sem mais opor-se à sua existência nem ao uso da mesma), a pretexto
de inexistir risco de colidência entre os signos contrapostos pelo Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI).
02.6. Conclui-se, portanto, que houve falha no dispositivo do referido decisum, uma
vez que os objetos das lides então comparadas não convergiam, assim como as
causas de pedir também não guardavam congruência entre si. Vejamos:
(...)
III – DO DIREITO
03.1. Com todas as vênias devidas, Nobres Julgadores, o juízo monocrático errou
contundentemente ao lidar com a presente questão, pois, conforme já ilustramos ao
início, não houve litispendência in casu.
+55 85 3035.0104
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03.2. A apelada adotou nova tese visando novo objeto, desistindo de pugnar pela
nulidade da marca da Apelante (e da respectiva abstenção de uso por parte
desta): as marcas da litigante seriam, desta vez, não mais colidentes com a da
anterioridade, mas minimamente distintas daquela ao ponto de merecer
deferimento para coexistirem no mercado ao lado da concedida pelo INPI à
Apelante.
41. Ante todo o exposto, não restam dúvidas que as ações indicadas são diferentes,
razão pela qual requer-se a reforma da sentença proferida, reconhecendo a
ausência de litispendência e determinando o retorno dos autos para a primeira
instância, para que o processo tenha seu regular processamento.
42. A GLM também suscitou em suas manifestações iniciais que, mesmo que as duas
causas não fossem idênticas, a presente ação violaria as premissas da anterior,
que pressupunha a colidência entre as marcas. Contudo, tais argumentos, que
foram posteriormente rejeitados pela própria GLM em sua apelação, não
merecem acolhida.
43. O argumento, contudo, não merece acolhida. Isso porque a ação anterior já
transitou em julgado, de modo que, superada a tese de litispendência, eventual
discussão residual somente poderia ser travada sob a perspectiva de coisa
julgada material. Ainda assim, essa objeção igualmente não subsiste, porque a
questão principal decidida na demanda anterior não se confunde com a questão
principal submetida a julgamento na presente ação
44. Mesmo que a colidência entre as marcas fosse um pressuposto lógico para a
aplicação do direito de precedência, o que se admite para fins meramente
argumentativos, a matéria não estaria coberta pela coisa julgada, eis que ela se
trataria de questão incidental da ação anterior, e não do objeto principal da lide.
Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos
limites da questão principal expressamente decidida.
(...)
+55 85 3035.0104
[Link]
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46. Para melhor elucidação quanto ao tema, cabem as palavras do doutrinador
Fredie Didier Jr2:
Como visto, é importante frisar uma distinção: há questões que são postas como
fundamento para a solução de outras e há aquelas que são colocadas para que
sobre elas haja decisão judicial. Em relação a todas haverá cognição (cognitio); em
relação às últimas, haverá também julgamento. Todas compõem o objeto de
conhecimento do magistrado, mas somente as últimas compõem o objeto de
julgamento (thema decidendum) ou objeto da declaração.
(Grifos nossos)
47. Dado que a colidência entre as marcas, mesmo que se tratasse de pressuposto
necessário à aplicação do direito de precedência, não constituiu o objeto
principal da ação de nº 0817688-07.2023.4.05.8100, sua apreciação não foi
abarcada pela coisa julgada, podendo ser livremente apreciada nos presentes
autos.
48. Na ação anterior, a colidência entre os signos foi, quando muito, premissa lógica
para o exame da tese fundada no art. 129, §1º, da LPI. Já nesta demanda, ao
revés, discute-se diretamente a própria inexistência de colidência juridicamente
relevante para fins do art. 124, XIX, da LPI. Trata-se, portanto, de questão principal
diversa, submetida com autonomia ao crivo jurisdicional apenas no presente feito.
IV . II I – Ar bitr am en to de h on or ár i os e m r a z ão da ex ti nç ão d a r ec onv en çã o .
2
Didier Jr, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de
conhecimento / Fredie Didier Jr. 17. ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015. v.1. p. 432 e 433.
+55 85 3035.0104
[Link]
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fundamentos autônomos, distintos daqueles usados pelo juízo a quo, que
justificam a extinção da reconvenção.
+55 85 3035.0104
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EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECONVENÇÃO
EXTINTA SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA.
POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. I. Caso em exame Agravo de instrumento
interposto contra decisão que extinguiu a reconvenção por ausência de
recolhimento das custas iniciais. O agravante, reconvindo na origem, pleiteia a
condenação do reconvinte ao pagamento de honorários de sucumbência. II.
Questão em discussão A questão em discussão consiste em saber se é cabível a
fixação de honorários advocatícios de sucumbência na hipótese de extinção da
reconvenção sem resolução do mérito, por ausência de recolhimento de custas
processuais. III. Razões de decidir A reconvenção, embora processada no mesmo
feito da ação principal, constitui ação autônoma, conforme previsão do art. 343 do
CPC. O art. 85, § 1º e § 6º, do CPC dispõe expressamente sobre a incidência de
honorários de sucumbência também na reconvenção, inclusive nos casos de
extinção sem julgamento do mérito. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
confirma a autonomia dos honorários na reconvenção, independentemente do
resultado da ação principal ou da análise do mérito. O valor da causa da
reconvenção deve abranger o valor dos títulos questionados e o montante
postulado a título de danos morais, totalizando R$ 110.889,84, conforme art. 292,
incisos V e VI, do CPC. IV. Dispositivo e tese Recurso provido para fixar os honorários
advocatícios sucumbenciais em 10% sobre o valor da causa da reconvenção,
alterado de ofício para R$ 110.889,84. Tese de julgamento: "1. É cabível a fixação de
honorários de sucumbência na reconvenção extinta sem resolução do mérito. 2. O
valor da causa na reconvenção deve abranger o valor do título e dos danos morais
pleiteados." Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 85, §§ 1º e 6º; 292, V e VI; 1015,
II. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp nº 2.010.556/SP, Rel. Min.
Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, j. 09.05 .2022. (TJ-MG - Agravo de Instrumento:
21865644520258130000, Relator.: Des.(a) Régia Ferreira de Lima, Data de Julgamento:
23/07/2025, Câmaras Cíveis / 12ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação: 30/07/2025)
V. PEDIDOS
+55 85 3035.0104
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c.1) que seja afastado o reconhecimento da litispendência e determinado
o retorno dos autos à primeira instância, para que a ação tenha seu regular
processamento; bem como
54. Por fim, requer que sejam as intimações e/ou publicações efetuadas
exclusivamente em nome do advogado RAFAEL SALDANHA PESSOA, OAB/CE nº
23.951, com endereço profissional na Av. Desembargador Moreira, nº 760, salas
1104/1107, Meireles – Fortaleza/CE, CEP: 60170-000.
ANEXOS
Doc. 01 – Guia de custas recursais
Doc. 02 – Comprovante de pagamento das custas recursais
+55 85 3035.0104
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E X C E LE N TÍ S SI M O ( A) SE NH O R( A) D O UT O R (A) J UI Z ( A) FE DE R A L DA 4ª VARA
FE DE R A L D A SE Ç Ã O J UDI C I Á RI A DO E ST A D O DO C E A R Á .
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
1
+55 85 3035.0104
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E G RÉ GI O T RIB U N A L R E GI O N A L FE DE R A L D A 5ª RE G I ÃO
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Eméritos Julgadores,
I. TEMPESTIVIDADE
Art. 1.010. A apelação, interposta por petição dirigida ao juízo de primeiro grau,
conterá: (...)
2. Dado que o despacho (Id. 148771090) que intimou a Apelada para se manifestar
sobre a apelação interposta foi publicado no dia 06/03/2026, o prazo para
apresentar contrarrazões iniciou em 09/03/2026 (segunda-feira).
4. Desse modo, por ter sido protocolada antes da data indicada, deverá ser
reconhecida a tempestividade das presentes contrarrazões, com seu regular
processamento e julgamento por este Juízo, na forma da lei.
1 Conforme Portaria da Direção do Foro nº 156/2025, expedida pelo Diretor do Foro da Justiça Federal no Ceará.
2
+55 85 3035.0104
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urgência ajuizada por Alpha Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda.,
ora Apelada, por meio da qual requer-se a anulação das decisões proferidas pelo
INPI que indeferiram os pedidos de registro da marca “ALPHA CO” com base no
art. 124, XIX, da Lei Federal nº 9.279/96 (Lei de propriedade industrial).
11. Além de impugnar pleito autoral, a GLM também apresenta pretensão própria,
requerendo que:
3
+55 85 3035.0104
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c) Seja determinada a busca e apreensão dos produtos contrafatores;
12. Diante disso, o juízo a quo proferiu sentença (Id. 143115048), reconhecendo a
ocorrência de litispendência e extinguindo tanto a ação quanto a reconvenção
sem resolução do mérito. In verbis:
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância
de má fé formulado pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA, bem
como a reconvenção. A conduta da parte autora revela muito mais desespero do
que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer das hipóteses
previstas no artigo 80, do CPC.
3. Dispositivo
Ante o exposto, julgo EXTINTA a presente ação, sem resolução de mérito, nos termos
do art. 485, V, do Código de Processo Civil.
(Grifos nossos)
4
+55 85 3035.0104
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14. Em seus embargos, a Apelada apontou a existência de omissão no dispositivo da
sentença quanto ao julgamento da reconvenção. Em resposta, o juízo a quo
negou provimento aos embargos, com base nos seguintes fundamentos:
(Grifo nosso)
19. Não se trata, aqui, apenas de afastar o óbice criado à reconvenção, mas
também de impedir que o recurso da GLM seja convertido para o julgamento
imediato da própria ação principal, sem a prévia e necessária instrução do feito.
20. Nos termos do art. 1.013, §3º, do Código de Processo Civil, o Tribunal somente
poderá julgar desde logo o mérito quando a causa estiver em condições de
imediato julgamento. Para tanto, é necessário que o processo esteja
devidamente instruído, ou que a controvérsia seja exclusivamente de direito.
24. Por estas razões, o julgamento do mérito do processo no estado que se encontra
configuraria evidente prejuízo ao direito das partes de produzir as provas
necessárias à demonstração de suas alegações, violando o direito de defesa e o
devido processo legal.
25. Desse modo, caso não sejam aceitos os argumentos da Apelada sobre a
incompetência da Justiça Federal para o julgamento da reconvenção, a
providência processualmente adequada consiste na anulação da sentença
recorrida, com a consequente remessa dos autos à primeira instância para que o
processo tenha regular prosseguimento.
6
+55 85 3035.0104
[Link]
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26. Diante disso, caso reformada a decisão que extinguiu a reconvenção sem
resolução de mérito, requer-se o reconhecimento da inaplicabilidade do art.
1.013, §3º, do CPC ao presente caso, determinando-se o retorno dos autos ao juízo
de origem para regular instrução do feito.
28. Ainda segundo o entendimento adotado pelo juízo a quo, não seria possível
apreciar o pedido reconvencional porque este não seria independente da
demanda principal, de modo que o reconhecimento da litispendência impediria
a análise da reconvenção, razão pela qual esta foi extinta sem resolução do
mérito.
31. Ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para fins argumentativos, o
reconhecimento de eventual litispendência da ação principal não impediria o
prosseguimento da reconvenção.
32. Isso porque a reconvenção constitui demanda autônoma, ainda que processada
no mesmo instrumento da ação principal, podendo ter seu mérito apreciado
independentemente da inadmissibilidade desta, conforme expressamente
previsto no CPC:
34. Contudo, como será demonstrado a seguir, esse equívoco não deve ensejar o
provimento do recurso, uma vez que subsistem outros fundamentos jurídicos que
justificam a manutenção da extinção da reconvenção.
O juízo da causa principal também deve ser competente para julgar a reconvenção:
somente é possível ao réu reconvir se o juízo da causa principal, que tem
competência funcional para julgar a reconvenção, tiver competência em razão da
matéria e da pessoa para julgar a causa.
Aplica-se aqui por analogia o disposto no inciso Il do 8 1º do art. 327 do CPC, que
cuida dos requisitos para a cumulação de pedidos.
2 Didier Jr, Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil, parte geral e processo de
conhecimento / Fredie Didier Jr. 17. ed. - Salvador: Ed. Jus Podivm, 2015. v.1. p. 661.
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não se pode falar o mesmo da reconvenção, que apresenta demanda
completamente alheia à Autarquia Federal.
39. Sendo a competência da Justiça Federal fixada em razão das pessoas, nos termos
do art. 109, I, da Constituição Federal, a ausência do ente federal no polo passivo
da reconvenção afasta, de plano, a possibilidade de seu julgamento por este
juízo.
40. Não se pode olvidar que o STJ, através do Tema Repetitivo 950, analisou a
possibilidade de a justiça estadual impor abstenção do uso de marca registrada
no INPI, firmando a seguinte tese:
9
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reprodução com acréscimo da marca “IRRIGA”, registrada anteriormente pela Tigre
S/A - Tubos e Conexões. (art. 129 da Lei nº 9.279/96). III - Similitude entre as marcas
em discussão, destinadas a assinalar produtos do mesmo segmento mercadológico,
qual seja, máquinas e implementos utilizados em atividades agropecuárias, bem
como partes, componentes e acessórios de máquinas, veículos, implementos,
dispositivos e meios de transportes, capaz de gerar confusão por parte do
consumidor, acerca da procedência dos produtos. IV - Colidência prevista como
impeditiva de registro, segundo art 124, inciso XIX da LPI. V - O art. 165 da LPI
reconhece a nulidade do registro efetuado em desacordo com seus preceitos
normativos. VI - Em se tratando de demanda em que se postula, no âmbito da
reconvenção, a abstenção de uso da marca em face tão-somente de pessoa
jurídica de direito privado, nada se pedindo ao INPI, configura-se de modo claro e
indubitável a ilegitimidade da autarquia federal. Por conseguinte, deverá ser
excluída do pólo passivo da reconvenção e, consequentemente, declarada a
incompetência da Justiça Federal para o respectivo pedido de abstenção de uso
da marca. VII - A competência da Justiça Federal, no cível, está delimitada no artigo
109 da Constituição, e é de natureza absoluta, informada por critérios de ordem
pública. Não é possível à Justiça Federal apreciar pedido de abstenção de uso de
marca, pois se trata de litígio restrito a particulares, não sendo suficiente a alegação
de que haveria conexão com pleito de anulação de marca, pois, embora a Justiça
Federal seja a competente para apreciar a anulatória de marcas, a conexão não é
causa apta a ampliar a competência absoluta, e sim apenas a relativa. VIII -
Apelação parcialmente provida, tão-somente, para declarar a ilegitimidade do INPI
na demanda reconvencional, objetivando a abstenção de uso da marca, devendo
o mesmo ser excluído do pólo passivo da reconvenção e, conseqüentemente, ser
declarada a incompetência da Justiça Federal para o respectivo pedido. (TRF-2 -
AC: 356684 RJ 1995.51.01.002920-5, Relator.: Desembargador Federal ALUISIO
GONCALVES DE CASTRO MENDES, Data de Julgamento: 09/09/2008, PRIMEIRA TURMA
ESPECIALIZADA, Data de Publicação: DJU - Data: 30/09/2008 - Página: 268)
43. Diante desse cenário, é evidente que o juízo federal não detém competência
para processar e julgar os pedidos formulados na reconvenção apresentada pela
GLM, razão pela qual ela deve ser inadmitida.
44. Registre-se, por fim, que a ausência de enfrentamento dessa matéria na sentença
não impede sua apreciação por este Egrégio Tribunal. Isso porque a controvérsia
envolve o mesmo capítulo da decisão recorrido, qual seja, a admissibilidade da
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reconvenção.
46. Assim, ainda que por fundamento diverso daquele adotado na sentença, deve
ser mantida a inadmissão da reconvenção, diante da incompetência absoluta
da Justiça Federal para processar e julgar o pedido reconvencional formulado
pela Apelante.
47. Para além da questão da incompetência, verifica-se, pela análise dos autos, que
a Reconvinte não promoveu o recolhimento das custas processuais relativas à
reconvenção, o que enseja a extinção do feito sem resolução de mérito. Segundo
as disposições do CPC:
(...)
(...)
48. Embora tal vício não tenha sido suscitado pela Apelada em primeira instância,
trata-se de matéria de ordem pública, cognoscível de ofício pelo julgador em
qualquer grau de jurisdição, inclusive em sede recursal. Nesse sentido:
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POSSIBILIDADE DE ANÁLISE EM QUALQUER GRAU DE JURISDIÇÃO. AGRAVO INTERNO
PROVIDO. I. CASO EM EXAME Agravo interno interposto pelo Banco do Estado do
Espírito Santo S.A., buscando reformar decisão monocrática que inadmitiu recurso
de apelação sob a justificativa de inovação recursal. A instituição agravante
sustenta que matérias de ordem pública, como prescrição e ilegitimidade ativa, não
se sujeitam à preclusão e, portanto, podem ser analisadas em qualquer grau de
jurisdição, mesmo que não tenham sido suscitadas na instância de origem. II.
QUESTÃO EM DISCUSSÃO Há duas questões em discussão: (i) definir se matérias de
ordem pública, como prescrição e ilegitimidade ativa, estão sujeitas à preclusão e,
portanto, vedadas em grau de apelação quando não arguídas no juízo de origem;
(ii) determinar se a inovação recursal impede o Tribunal de analisar essas questões,
ainda que sejam de ordem pública. III. RAZÕES DE DECIDIR O princípio da preclusão
consumativa impede que argumentos novos sejam introduzidos em sede recursal,
sob pena de supressão de instância, respeitando o princípio do duplo grau de
jurisdição. Ainda que a matéria suscitada seja de ordem pública, aplica-se o
princípio da eventualidade, segundo o qual as partes devem trazer todos os
argumentos pertinentes no momento processual adequado, sob pena de preclusão.
No entanto, o Superior Tribunal de Justiça possui entendimento consolidado de que
matérias de ordem pública, incluindo a prescrição e a ilegitimidade ativa, são
insuscetíveis de preclusão e podem ser conhecidas a qualquer tempo nas instâncias
ordinárias, inclusive de ofício, em respeito à sua natureza. O artigo 1.013, § 1º, do
Código de Processo Civil dispõe que serão apreciadas pelo tribunal todas as
questões discutidas no processo, o que inclui matérias de ordem pública que, por
sua relevância, transcendem as limitações impostas pela preclusão. Divergindo do
entendimento do relator original, prevalece o entendimento de que a análise de
matérias de ordem pública pode ocorrer independentemente de sua arguição em
primeira instância. IV. DISPOSITIVO E TESE Agravo interno provido. Tese de julgamento:
Matérias de ordem pública, como prescrição e ilegitimidade ativa, não estão sujeitas
à preclusão e podem ser analisadas pelas instâncias ordinárias a qualquer tempo e
grau de jurisdição, inclusive quando não arguídas em primeira instância. Dispositivos
relevantes citados: CPC, art. 1.013, § 1º; CPC, art. 1 .021. Jurisprudência relevante
citada: STJ, AgRg no REsp 1444360/SE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, j.
15/05/2014. STJ, AgInt nos EDcl no AREsp 1654787/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão,
Quarta Turma, j. 15/12/2020. STJ, AgInt no REsp 1826724/MG, Rel. Min. Moura Ribeiro,
Terceira Turma, j. 25/05/2020. STJ, AgInt no REsp 1744053/AL, Rel. Min. Luis Felipe
Salomão, Quarta Turma, j. 14/12/2021. (TJ-ES - APELAÇÃO CÍVEL:
00006904920138080010, Relator.: FABIO BRASIL NERY, 2ª Câmara Cível)
49. Assim, também por esse fundamento autônomo, deve ser mantida a extinção da
reconvenção sem resolução do mérito, diante da ausência de pressuposto
processual indispensável ao seu regular processamento.
51. Ocorre que tal pretensão corresponde ao mesmo pedido de tutela provisória
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formulado em primeiro grau no âmbito da reconvenção, o qual, todavia, não foi
apreciado pelo juízo de origem. Ainda assim, a Apelante busca que a matéria
seja examinada diretamente por este Egrégio Tribunal.
52. Dito isso, cumpre pontuar que tal pretensão não merece acolhida. Isso porque a
análise do pedido de tutela de urgência pelo Tribunal, quando a questão sequer
foi apreciada pelo juízo de primeiro grau, configura indevida supressão de
instância e viola o princípio do duplo grau de jurisdição. Nessas hipóteses, a
jurisprudência tem reiteradamente reconhecido a impossibilidade de o órgão ad
quem examinar diretamente a matéria. Nesse sentido:
53. Dessa forma, considerando que o pedido de tutela de urgência não foi apreciado
pelo juízo de primeiro grau, não pode o Tribunal examiná-lo originariamente em
sede de apelação, sob pena de manifesta supressão de instância.
54. Ainda que assim não se entenda, a medida pleiteada não poderia ser concedida,
diante da ausência dos requisitos previstos no art. 300 do CPC.
56. Além disso, também não há elementos que indiquem risco concreto de confusão
entre os signos distintivos em discussão, sendo evidente a convivência prolongada
e pacífica entre as marcas no mercado.
57. Por sua vez, igualmente não se encontra configurado o requisito do perigo de
dano ou risco ao resultado útil do processo.
58. A própria Apelante reconhece que tem conhecimento do uso da marca “alpha
co” pela Apelada desde o ano de 2019. Apesar disso, permaneceu inerte por
longo período, permitindo a continuidade da utilização do signo distintivo sem
qualquer iniciativa judicial voltada à obtenção da abstenção ora pretendida.
60. Diante disso, seja pela impossibilidade de sua apreciação originária por este
Tribunal, seja pela ausência dos requisitos previstos no art. 300 do CPC, o pedido
de tutela de urgência formulado nas razões recursais não merece acolhimento.
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primeiro grau para a apreciação do mérito da causa, em razão da
inaplicabilidade da teoria da causa madura.
62. Por fim, requer que sejam as intimações e/ou publicações efetuadas
exclusivamente em nome do advogado RAFAEL SALDANHA PESSOA, OAB/CE nº
23.951, com endereço profissional na Av. Desembargador Moreira, 760, Salas 1104
a 1107, Meireles, Fortaleza/CE, CEP: 60170-000.
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EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DO(A) 04ª VARA FEDERAL – SEÇÃO
JUDICIÁRIA DO CEARÁ – JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRO GRAU DA 5ª REGIÃO
CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Fábio Barros
Advogado OAB-CE 15.543
EGRÉGIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO
CONTRARRAZÕES AO RECURSO DE APELAÇÃO
COLENDA TURMA
NOBRES DESEMBARGADORES
CONTRARRAZÕES DE APELAÇÃO
Recorrente: Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos do Vestuário Ltda.
Recorrida: GLM INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÃO LTDA
Processo n°: 0059452-35.2025.4.05.8100
Origem: 04ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Ceará (TJCE)
DA SÍNTESE PREAMBULAR
DO DIREITO
1
AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL
2024/0257745-6. Rel. Ministro TEODORO SILVA SANTOS. 2ª Turma. Julgamento: 22/10/2025. DJEN: 28/10/2025.
PAGAMENTO (EDcl no HC n. 156.230/PE, Ministro Marco Aurélio Bellizze,
Quinta Turma, DJe 26/3/2012). 5. Corroborando, a própria Corte de
origem manifestou-se nesse sentido, reconhecendo que, nas ações
penais de iniciativa privada, via de regra, são sanáveis os vícios
procedimentais que não induzem a inépcia da petição inicial (tais
como recolhimento de custas e regularização de representação
processual), devendo ser oportunizado ao interessado regularizá-
los. 6. [...], não há que se falar em inépcia da queixa pelo
não recolhimento das custas processuais, pois tal ato apenas ensejaria a
posterior intimação do querelante para fazê-lo, não tendo o condão de
extinguir a punibilidade, ainda mais se evidenciada, nos autos, a
ocorrência de regular pagamento de tais valores. (HC n. 33.047/MS,
Ministro Gilson Dipp, Quinta Turma, DJ 2/8/2004, p. 449 - grifo nosso). 7.
Recurso especial provido para afastar a extinção de punibilidade pela
decadência do direito de queixa, determinando o retorno dos autos à
origem para o prosseguimento da persecução penal.2
2
REsp 2101738 (ACÓRDÃO). Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR RMDPPP vol. 120 p. 195. DJe 03/06/2024.
Decisão: 05/03/2024.
Guimarães (Desembargador Federal convocado do TRF/5ª Região),
Quarta Turma, DJe de 21/11/2017; AgInt no AREsp 1.143.168/SP, Rel.
Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe 16/3/2018; AgInt no
AREsp 1.121.532/CE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe
13/12/2017; AgInt nos EDcl no AREsp 1.210.012/MG, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, Primeira Turma, DJe 5.11.2018. 4. Assim, não há erro
material a ser corrigido no acórdão proferido pela Corte de origem, pois
atestou-se corretamente que o comprovante do pagamento das custas foi
juntado intempestivamente. Ademais, não merece censura a decisão do
TJ/SP ao considerar deserta a apelação, já que a juntada do comprovante
do pagamento por ocasião da oposição dos Embargos de Declaração não
socorre os ora recorrentes, que deveriam ter cumprido o prazo de cinco
dias anteriormente assinalado. 5. Verifica-se que o Tribunal a quo decidiu
de acordo com a jurisprudência do STJ, de modo que se aplica à espécie
o enunciado da Súmula 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial
pela divergência, quando a orientação do tribunal se firmou no mesmo
sentido da decisão recorrida". 6. Recurso Especial conhecido, somente
com relação à preliminar de violação do art. 1.022 do CPC/2015, e, nessa
parte, não provido.3
ADMISSIBILIDADE DA RECONVENÇÃO
NO ÂMBITO DA JUSTIÇA FEDERAL (ECONOMIA PROCESSUAL)
3
REsp 1812303 (ACÓRDÃO). Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN. DJe 05/09/2019. Decisão: 13/08/2019.
cediço no ordenamento vigente, pois o juiz competente para julgar a
reconvenção deverá ser o mesmo incumbido de analisar a ação principal (art.
343, CPC).
DA SUFICIENTE PRODUÇÃO
PROBATÓRIA JÁ EXISTENTE NOS AUTOS
CONCLUSÃO
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
10366278 02/06/2026 Decisão Decisão
15:41
PODER JUDICIÁRIO
Tribunal Regional Federal da 5ª Região
1ª Turma
DECISÃO
Assinado eletronicamente por: ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA - 02/06/2026 15:41:27 Num. 10366278 - Pág. 1
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Número do documento: 26060215412790100000010218192
Decido.
É possível a tutela recursal quando evidenciada a probabilidade do recurso e o risco de dano grave ou de difícil
reparação (art. 1.012, § 4.º, do CPC).
Compulsando os autos, verifico que a sentença extinguiu o processo sem resolução do mérito amparada na existência
de litispendência, verbis:
Naquela primeira ação, a qual tramitou no âmbito da 10ª Vara Federal desta Seção
Judiciária sob o n. 0817688-07.2023.4.05.8100, o mérito do pedido que aqui se repete
foi devidamente apreciado através de sentença que julgou improcedente o pleito autoral
(id. 4058100.33856256), conforme fundamentação que adiante reproduzo:
[...]
2. FUNDAMENTAÇÃO
2. 1. Julgamento antecipado
Tendo em vista que a solução da demanda depende unicamente de prova documental, sem necessidade de
produção de outras espécies probatórias, é caso de julgamento antecipado do pedido, com resolução de
mérito, conforme estabelecido pelo art. 355, inciso I, do Código de Processo Civil.
Sendo o magistrado o destinatário final da prova, é sua tarefa verificar a necessidade e oportunidade de sua
produção, bem como de aferir a sua utilidade para a formação do juízo sobre os fatos narrados na petição
inicial.
Assinado eletronicamente por: ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA - 02/06/2026 15:41:27 Num. 10366278 - Pág. 2
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Número do documento: 26060215412790100000010218192
O Instituto Nacional de Propriedade Industrial - INPI deve ser demandado na cidade do Rio de Janeiro,
onde se encontra estabelecida sua sede, ou, ainda, no domicílio de qualquer outro litisconsorte passivo,
conforme enunciado no artigo 46, § 4º, do Código de Processo Civil:
Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no
foro de domicílio do réu.
§ 4º Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer
deles, à escolha do autor. (grifei)
(STJ - CC: 185592 RJ 2022/0016090-3, Relator: Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de
Julgamento: 09/08/2023, S2 - SEGUNDA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 24/08/2023) (grifei)
2.3. Mérito
O sistema jurídico brasileiro adota o princípio da exclusividade da marca, previsto no art. 124 da Lei de
Propriedade Industrial (LPI), que veda o registro de marca que possa causar confusão ou associação
indevida com marca previamente registrada e reconhecida no mercado, principalmente quando atuam no
mesmo segmento. Além disso, o princípio da anterioridade estabelece a prevalência do direito ao uso de
marca àqueles que primeiro registraram e consolidaram o uso do nome no mercado.
O direito sobre a marca se constitui por meio de ato administrativo do Estado, representado pelo INPI, após
processo de registro da marca, concedido ao interessado que atenda aos requisitos da LPI e que primeiro
depositou a marca no INPI.
§ 1º Toda pessoa que, de boa-fé, na data da prioridade ou depósito, usava no País, há pelo menos 6 (seis)
meses, marca idêntica ou semelhante, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante
ou afim, terá direito de precedência ao registro.
Destaque-se que o direito para a proteção das marcas no Brasil se adquire por meio do registro no INPI e
não pelo seu uso no comércio, conforme expresso no artigo 129, caput, da Lei 9.279/96 (LPI):
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições
desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às
marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148.
Ressalte-se que o reconhecimento da precedência do parágrafo 1º do artigo 129 da LPI é uma exceção ao
princípio first to file, em que se considera à marca usada de boa-fé, com mais de seis meses de antecedência
em relação a um terceiro que primeiro depositou sinal idêntico ou semelhante no INPI.
Assinado eletronicamente por: ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA - 02/06/2026 15:41:27 Num. 10366278 - Pág. 3
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Número do documento: 26060215412790100000010218192
Destaca-se que o Superior Tribunal de Justiça admite a possibilidade de anulação judicial de registro de
marca com base no direito de precedência, como se vê no seguinte precedente:
No caso, sustenta a parte autora que explora a expressão "ALPHA CO" como marca, sendo sua utilização
precedente, pelo que se impõe a anulação dos registros da marca "ALPHA CO." concedidos à GLM.
Para corroborar o direito alegado, a parte autora anexou prints do facebook, instagram datados de
2017/2018 (id. 4058100.31179608, 4058100.31179611, 18/10/23), catálogo da Alpha Co (id
4058100.31179613, 18/10/23), notas fiscais emitidas em 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 pelo Mundo Alpha
(id 4058100.33299260, 11/06/24).
Observa-se que os prints de tela sistêmica colacionada do facebook e instagram demandam ser robustecidos
por outras provas, como comprovação de vendas por notas fiscais.
No que concerne às notas fiscais entende-se que são documentos que se prestam como prova efetiva do uso
da marca. No caso em tela, as notas fiscais apresentadas não demonstram efetiva comercialização dos
produtos designados pela marca questionada em tempo razoável e suficiente para garantir o direito de
precedência de registro à parte autora.
A parte autora sustenta que desde julho de 2018 passou a explorar a expressão "ALPHA CO" como marca,
constata-se que as notas fiscais são datadas de 17.1.2019, 4.6.2019, 10.6.2019 e emitidas pelo Mundo Alpha
(id 4058100.33299260, 11/06/24), trazendo a descrição dos produtos /serviços vendidos, contudo, não
denotando a precedência da utilização da marca sustentada pela parte autora.
É o que se verifica da análise das notas fiscais NF -e 000.099. 009, de 17/01/2019, a qual não menciona a
marca ALPHA CO. Observa-se que as demais notas fiscais anexadas pela parte autora são referentes ao
mês de junho de 2019, emitidas em data próxima ao requerimento junto ao INPI, 5.7.2019,
NF-e000.005.666,CFOP5103 (1 unidade), de 04/06/2019, NF-e000.001.243, CFOP6102 (1 unidade),
04/06/2019, NF-e000.987.654, CFOP5102 (1 unidade), 04/06/2019, NF-e000.002.342, CFOP5102 (1
unidade), 10/06/2019, NF-e000.001.781, CFOP6102 (1 unidade), CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019,
NF-e000.001.231, CFOP6102 (1 unidade), 10/06/2019.
Foi oportunizado a parte autora (id 4058100.32783225, 22/04/24) anexar aos autos notas fiscais para
corroborar suas alegações, contudo, o autor informou, através da petição anexada no id
4058100.33299259, 11/06/2024, que o Órgão Fazendário SEFAZ/Ba somente disponibiliza documentos
fiscais que estejam dentro do período previsto no artigo 173, I, do CTN, ou seja, no exercício atual (2024) e
cinco anos anteriores (2019 a 2023).
Observa-se, entretanto, que a parte autora ajuizou a presente ação em 18.10.2023, sob a tese da
precedência do uso da marca ALPHA CO desde 2018. Contudo, dentre as provas apresentadas à inicial não
constam notas fiscais, o que, pela matéria posta em juízo, é instrumento de prova de relevante importância,
sobretudo quando serve para demonstrar a anterioridade do uso da marca objeto da lide e fluxo das vendas.
Assinado eletronicamente por: ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA - 02/06/2026 15:41:27 Num. 10366278 - Pág. 4
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Número do documento: 26060215412790100000010218192
Deveras, para dar sustentação a sua tese, deveria ter sido diligente em angariar provas que refutassem
possíveis argumentos contrários as suas alegações. Por certo, uma vez que realizado o protocolo junto ao
Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 05 de julho de 2019, presume-se que, à época, seria
detentora desse instrumento probatório, apresentando notas fiscais anteriores a data anterior a NF -e
000.099.009, de 17/01/2019, ainda mais, considerando-se, reitera-se, que são documentos que se prestam
como prova efetiva do uso da marca.
Nesse passo, reconhece-se o direito de precedência ao registro àquele que comprovar a utilização de boa-fé,
no país, de marca idêntica ou semelhante a ponto de causar confusão ou associação para o mesmo fim, há
pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido de registro.
Extrai-se do próprio artigo 129, parágrafo 1º, da Lei 9.279/1996 que para aplicar o direito de precedência
deve restar evidenciado o efetivo uso da marca há pelo menos 6 (seis) meses da data do depósito do pedido
de registro, o que, repise-se, não se concretizou no caso em apreço.
No tocante ao pedido de nulidade do registro de n.º 917530667 (NCL 35), sob o fundamento de que não
seria registrável, por reproduzir bandeira oficial da República Italiana, não assiste razão à parte autora.
Art. 122. São suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não
compreendidos nas proibições legais.
I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico,
semelhante ou afim, de origem diversa;
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais,
estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação;
Quanto à disponibilidade do sinal marcário, dispõe o Manual de Marcas do INPI, instituída pela Resolução
INPI/PR n. 249/2019, atualmente incorporada à Portaria INPI n. 8/2022:
(...)
Indicação de cor
Embora exerçam papel importante na determinação da aplicabilidade do inciso I do art. 124 da LPI, as
indicações de cores não determinam, necessariamente, imitação de um símbolo oficial. Portanto, as cores
serão levadas em consideração apenas como um sinal reforçador da imitação, sendo o mais importante
nesta análise o aspecto formal de apresentação do sinal marcário em exame.
Em caso de suficiente estilização das imagens oficiais ou de seus elementos, apenas sugerindo o símbolo
oficial, o sinal marcário passa a ser passível de registro, devendo, todavia, ser observadas outras proibições
legais relativas ao sinal em exame.
Na análise de sinais em que estejam contidas estilizações de monumentos e bandeiras, são levados em
consideração, na análise da registrabilidade, os seguintes fatores:
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b) Função evocativa do símbolo em relação à origem ou natureza dos produtos/serviços. Trata-se do uso de
elementos presentes em símbolos ou monumentos oficiais de país/localidade comumente relacionada com o
produto ou serviço que o sinal visa assinalar, como serviços de alimentação ou cursos de idiomas, por
exemplo. Enquadra-se neste caso o uso de cores de bandeira ou de partes estilizadas de monumentos,
brasões e outros símbolos oficiais, desde que não induza o público a erro quanto à origem dos produtos ou
serviços assinalados.
d) Falsa vinculação com o estado nacional. A marca não pode parecer ser patrocinada por um país, por
exemplo.
Mesmo em casos em que a estilização do monumento/bandeira for suficiente, não se deve ignorar a
possibilidade de o uso da representação do mesmo constituir confusão quanto à procedência dos produtos
ou serviços, quando então será aplicado o inciso X do art. 124 da LPI.".
No caso, esclarece o INPI em sua contestação que "o elemento figurativo que apresenta semelhança com as
cores da bandeira da Itália foi considerado secundário no sinal em exame, não sendo identificada a alusão
direta à bandeira do país. Desta maneira, o pedido foi regularmente deferido, dado que a indicação de cores
da bandeira da República Italiana não é ostensiva a ponto de violar o inciso I do art. 124 da LPI, ou indicar
uma falsa procedência dos produtos e serviços.".
Dessa forma, não é papel do Poder Judiciário substituir a atuação da autarquia federal, sob pena de
infringir o princípio da separação dos poderes, previsto no art. 2º da Constituição Federal de 1988. A
intervenção judicial sobre os atos do INPI somente é justificável em situações excepcionais, nas quais se
constate evidente ilegalidade ou violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não
se observa nos presentes autos.
Registre-se que em hipótese de eventual nulidade, sob o fundamento de não a marca não ser registrável, a
teor do Art. 124, I, da Lei n 9.279/1996, não traria proveito a parte autora, pois incorreria em situação de
vedação absoluta de registro marcário.
3. DISPOSITIVO
[...]
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1. Apelação cível interposta por Alpha Co Comércio e Indústria de Artigos de Vestuário Ltda. contra
sentença que julgou improcedente pedido de nulidade judicial dos registros marcários nºs 917530667 e
917541960, relativos à marca "ALPHA CO.", de titularidade da empresa GLM Indústria e Comércio de
Confecção Ltda., deferidos pelo INPI. A autora sustenta direito de precedência no uso da marca, com base
nos arts. 124, I e XIX, 129, §1º, e 165 da LPI, requerendo a declaração de nulidade dos registros.
2. O sistema jurídico brasileiro adota o princípio atributivo do registro (first to file), segundo o qual o
direito à marca se adquire com o deferimento do pedido junto ao INPI, nos termos do art. 129, caput, da
LPI, sendo a exceção prevista no §1º, condicionada à comprovação do uso anterior de boa-fé por mais de
seis meses.
3. A apelante não apresentou prova suficiente da utilização comercial da marca "ALPHA CO." em período
anterior a seis meses do depósito efetuado pela ré em 14/06/2019, especialmente pela ausência de notas
fiscais datadas anteriores a 14/12/2018, que pudessem robustecer os elementos comprobatórios
apresentados (prints de redes sociais e catálogos).
4. Ainda, a alegação de nulidade do registro com base na utilização da bandeira da Itália como elemento
figurativo é afastada, pois o INPI considerou tal elemento secundário e não ofensivo ao art. 124, I, da LPI,
sendo incabível a revisão judicial de mérito administrativo sem evidência de ilegalidade flagrante ou desvio
de finalidade.
5. Salienta-se que o ato administrativo tem fé pública e goza de presunção de legalidade, legitimidade e
veracidade. Somente em situações excepcionais, desde que haja prova robusta, é que se poderia autorizar o
afastamento da justificativa do interesse público à sua desconstituição, o que não se verifica na espécie.
Precedente: Apelação/Remessa Necessária 08001568120184058201, Desembargador Federal Frederico
Wildson da Silva Dantas (Conv.), 4º Turma, julgado em 09/02/2021. (...) (PROCESSO:
08094235520194058100, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL BRUNO LEONARDO
CAMARA CARRA, 4ª TURMA, JULGAMENTO: 14/09/2021).
6. De toda sorte, obiter dictum, importa ressaltar que, conforme remansosa jurisprudência do STJ, "marcas
fracas ou evocativas, que constituem expressão de uso comum, de pouca originalidade e sem suficiente
forma distintiva atraem a mitigação da regra de exclusividade do registro e podem conviver com outras
semelhantes". Precedentes nesse sentido: STJ, REsp 1582179/PR, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS
CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 09/08/2016, DJe 19/08/2016; AgInt no AREsp 1062073/RJ, Rel.
Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 15/03/2018, DJe 20/03/2018. Assim,
para uma marca possuir exclusividade plena, deve se destacar de expressões e conceitos do domínio comum,
sendo inviável conceder a alguém a propriedade privada e exclusiva sobre termos usados comumente pelas
pessoas quando tratam daquele objeto ou serviço. Julgamentos recentes desta Corte Regional nessa direção,
mutatis mutandis: PROCESSO: 08013494520244058000, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR
FEDERAL ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA, 1ª TURMA, JULGAMENTO: 31/10/2024, PROCESSO:
08008874820214058500, APELAÇÃO CÍVEL, DESEMBARGADOR FEDERAL ROGÉRIO DE MENESES
FIALHO MOREIRA, 3ª TURMA, JULGAMENTO: 23/06/2022.
7. Inexistindo prova do uso anterior suficiente e não se constatando ilegalidade na atuação do INPI, inexiste
fundamento para a anulação judicial dos registros impugnados.
8. Recurso desprovido.
Vê-se, portanto, que o julgamento de mérito proferido naquela primeira ação decidiu a
demanda autoral, julgando o pleito improcedente, não anulando o registro de marca da
parte ré, não tendo mais a parte autora direito de continuar utilizando a sua marca.
Todavia, a referida ação, que tramitou na 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Ceará
(processo n. 0817688-07.2023.4.05.8100), encontra-se atualmente no TRF da 5ª Região
para julgamento dos embargos de declaração em sede de apelação.
No caso, restou, portanto, configurada a identidade de ações, uma vez que os processos
em questão têm as mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.
Por fim, não merece guarida o pedido de condenação da parte autora em litigância de
má fé formulado pela GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECÇÃO LTDA,
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bem como a reconvenção. A conduta da parte autora revela muito mais desespero do
que intenção de causar lesão, não configurando, a meu ver, qualquer das hipóteses
previstas no artigo 80, do CPC.
3. Dispositivo
Ante o exposto, julgo EXTINTA a presente ação, sem resolução de mérito, nos termos
do art. 485, V, do Código de Processo Civil." (Sentença, ID 9641753)
Diversamente do que alega a parte requerente, entendo que restou devidamente caracteriza a litispendência entre a
presente ação e o processo de n.º 0817688-07.2023.4.05.8100, pois, tal como afirmado pela empresa ALPHA na
respectiva peça recursal (ID 9641788), em ambas litigam as mesmas partes, narrados os mesmos fatos, com o
acréscimo na presente ação da ausência de colidência entre as marcas que permitindo a coexistência entre elas, de
forma que este pedido encontra-se inserto dentro do pedido veiculado nos autos do processo de n.º
0817688-07.2023.4.05.8100 de anulação de registro de marca.
Tanto isto é verdade, que os fatos narrados em ambas as ações são mesmos, a evidenciar a inexistência de fato novo a
justificar o processamento e julgamento da presente ação, sendo aplicável ao aso, o art. 507 e 508, ambos do CPC, o
que afasta a probabilidade do recurso (art. 1.012, § 4.º, do CPC).
Ausente a probabilidade do recurso (art. 1.012, § 4.º, do CPC), desnecessária a análise do risco de dano grave ou de
difícil reparação (art. 1.012, § 4.º, do CPC).
Com estas considerações, INDEFIRO TUTELA RECURSAL. Intimem-se as partes desta decisão.
Intimem-se o INPI e a empresa ALPHA para se pronunciar sobre o documento novo juntado aos autos com a petição
protocolada em 13.05.2026, no prazo de 15 (quinze) dias, após o que, voltem-me os autos conclusos para julgamento.
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ROBERTO WANDERLEY NOGUEIRA
Desembargador Federal
RWN/bmca
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Justiça Federal da 5ª Região
PJe - Processo Judicial Eletrônico
06/07/2026
Número: 0059452-35.2025.4.05.8100
Classe: APELAÇÃO CÍVEL
Órgão julgador colegiado: 1ª Turma
Órgão julgador: Gab 1 - Des. ROBERTO WANDERLEY
Última distribuição : 01/06/2026
Valor da causa: R$ 1.000,00
Processo referência: 0059452-35.2025.4.05.8100
Assuntos: Registro de Marcas, Patentes ou Invenções
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELANTE)
ALPHA CO COMERCIO E INDUSTRIA DE ARTIGOS DE RAFAEL SALDANHA PESSOA (ADVOGADO)
VESTUARIO LTDA (APELADO)
GLM INDUSTRIA E COMERCIO DE CONFECCAO LTDA FABIO JOCA BARROS (ADVOGADO)
(APELADO)
INSTITUTO NACIONAL DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL
(APELADO)
Documentos
Id. Data Documento Tipo
10850318 12/06/2026 Agravo Interno Agravo Interno
13:11
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR FEDERAL DA 01ª TURMA DO
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5ª REGIÃO
Processo nº 0059452-35.2025.4.05.8100
Fábio Barros
OAB-CE 15.543
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RAZÕES DO AGRAVO INTERNO
Egrégio Tribunal
Colenda Turma
I – DA TEMPESTIVIDADE
II – DA SÍNTESE DA DEMANDA
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9641788), em ambas litigam as mesmas partes, narrados os
mesmos fatos, com o acréscimo na presente ação da
ausência de colidência entre as marcas que permitindo a
coexistência entre elas, de forma que este pedido
encontra-se inserto dentro do pedido veiculado nos autos
do processo de n.º 0817688-07.2023.4.05.8100 de anulação
de registro de marca.
III – DO DIREITO
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mesmas partes (autor e réu)
mesma causa de pedir (fatos e fundamentos jurídicos)
mesmo pedido
RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL
Pedido de Desistência Após Decisão de Mérito
1
Rcl 72432 Agr/TO, Relator(a): Min. FLÁVIO DINO, Primeira Turma, data de julgamento: 24/2/2025, publicado
DJe: 28/2/2025.
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Isso, todavia, não implica dizer há de ser extinto o processo
novel; diferentemente do que ocorre se a litispendência for reconhecida ou
pertinente o seu reconhecimento.
NÃO CONFIGURAÇÃO
DE LITISPENDÊNCIA
Probabilidade do Recurso de Apelação
Noutras palavras:
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comerciais envolvidos na questão não colidiriam, se deferidos fossem todos
pelo INPI.
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confusão ou de associação com marca alheia registrada. Nesse sentido, a
doutrina clássica de GAMA CERQUEIRA2:
2
GAMA CERQUEIRA, João da. Tratado da Propriedade Industrial, vol. II, tomo II. Editora Lumen Juris, 2010, p.
218
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dúvidas. O que já vem acontecendo (vide as provas anexadas ad nauseam
nos autos). Só para ilustrar, em síntese:
vs
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nesta parte, provido.” (REsp 710376/RJ, Rel. Ministro LUIS
FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
15/12/2009, DJe 02/02/2010) [grifamos]
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Para a concessão da tutela provisória de urgência, a norma
processual exige que sejam apresentados elementos que evidenciem (a) a
probabilidade do direito e (b) o perigo de dano ou risco ao resultado útil ao
processo.
3
Curso de Processo Civil. Vol. 2. 11ª Ed. Editora Juspodivm: Salvador, 2016. p. 596.
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presumidos (a partir de máximas de experiência, por
exemplo), ou decorrentes de uma coisa julgada
anterior, que serve com fundamento da pretensão
(efeito positivo da coisa julgada).
4
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Quanto ao perigo da demora da prestação da tutela
jurisdicional:
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O absurdo maior do dano advindo de tal plágio repercute de
forma aguda quando nos deparamos com o resultado de uma busca mais
específica (usando “alpha co fortaleza”, em alusão à cidade onde possui
sede a Agravante):
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Se pusermos no modo “IA” (inteligência artificial), o assombro
é ainda maior:
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CONCLUSÃO
DO PEDIDO
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retirando IMEDIATAMENTE do mercado aqueles que já
estavam em circulação;
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F) Caso Vossa Excelência, o Relator, não venha a
reconsiderar a decisão agravada, requer-se a submissão do
presente Agravo Interno ao órgão colegiado competente, no
fito de provê-lo, com o consequente processamento da peça
de Apelação já inserta nos autos da ação pertinente;
Fábio Barros
OAB/CE 15.543
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