NULIDADES
1) Introdução:
1.1) Espécies de Atos Processuais:
a) Atos Perfeitos: são válidos e eficazes.
b) Atos Meramente Irregulares: também válidos e eficazes, PORÉM há inobservância
de norma legal. Não há consequência processual. Ex: Súmula 366, do STF:
Súmula 366: Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei
penal, embora não transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os
fatos em que se baseia.
c) Atos Nulos: pode ser uma nulidade absoluta ou relativa. Enquanto não declarada, é
apto a produzir efeitos.
Atenção: estão sujeitos à preclusão.
d) Atos Inexistentes: sequer pode se considerado um ato processual, sendo que a
inexistência é automática. Ex: sentença sem dispositivo.
Atenção: NÃO estão sujeitos à preclusão.
2) Conceito: de acordo com Renato Brasileiro (LIMA, Renato Brasileiro de. Còdigo
de processo penal comentado – 5. ed. rev., atual. e ampl. - Salvador: juspodivm, 2020, p.
1377), a palavra nulidade é utilizada no processo penal com dois significados. De acordo
com a corrente majoritária, é SANÇÃO processual de ineficácia aplicado ao ato
processual defeituoso. Já uma segunda corrente, minoritária, trata a nulidade como uma
espécie de defeito do to processual. Ou seja, um vício, imperfeição, inobservância da
forma legal.
3) Princípios:
3.1) Princípio da tipicidade das formas: Todo ato processual tem sua forma prevista
em lei
3.2) Princípio da instrumentalidade das formas: O processo não é um fim em si
mesmo; é um instrumento de realização do direito material. Se o ato ou processo defeituoso
atingiu sua finalidade, não deve ser declarada sua nulidade. Ex; art. 570, do CPP:
Art. 570. A falta ou a nulidade da citação, da intimação ou notificação estará
sanada, desde que o interessado compareça, antes de o ato consumar-se,
embora declare que o faz para o único fim de argüi-la. O juiz ordenará,
todavia, a suspensão ou o adiamento do ato, quando reconhecer que a
irregularidade poderá prejudicar direito da parte.
3.3) Princípio do Prejuízo (PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF) (arts. 563 e 566, do
CPP): Não se declara a nulidade sem que haja prejuízo para a parte, seja ela absoluta ou relativa.
Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar
prejuízo para a acusação ou para a defesa.
Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver
influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa.
Ex: inobservância da ordem de inquirição do art. 212, do CPP. Nesse sentido:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
TRIBUNAL DO JÚRI. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO NA FASE DO
SUMÁRIO DA CULPA . ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 212 DO CPP.
INVERSÃO NA ORDEM DE INQUIRIÇÃO DE TESTEMUNHAS.
PRECLUSÃO . AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE PREJUÍZO.
REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA N. 7 DO STJ .
NULIDADE AFASTADA. RECURSÃO NÃO PROVIDO. I. Caso em exame .
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu o
recurso especial, no qual se alega violação ao art. 212 do Código de
Processo Penal, em razão de o magistrado ter inquirido as testemunhas
antes das partes durante a audiência de instrução. 2 . A decisão recorrida
considerou que a inversão da ordem de perguntas não acarretou prejuízo ao
réu, sendo a nulidade relativa e não arguida em momento oportuno,
resultando em preclusã[Link]. Questão em discussão. 3 . A questão em
discussão consiste em saber se a inversão da ordem de inquirição de
testemunhas pelo juiz, prevista no art. 212 do CPP, constitui nulidade
relativa e se houve demonstração de prejuízo ao ré[Link]. Razões de decidir .
4. A jurisprudência do STJ estabelece que a inversão da ordem de
perguntas, iniciadas pelo juiz, constitui nulidade relativa, exigindo a
demonstração de efetivo prejuízo para ser declarada. 5. No caso
concreto, a defesa não suscitou a nulidade em momento oportuno,
resultando em preclusão, e ainda não houve a demonstração de prejuízo .
6. Segundo o Tribunal local, foi permitido às partes apresentarem perguntas
às testemunhas, que realizaram todos os questionamentos que entenderam
pertinentes, sendo que reanálise do acervo fático-probatório encontra óbice
na Súmula 7 do STJ. 7. A renovação da instrução em plenário do Tribunal
do Júri, em que o juiz presidente inicia a inquirição das testemunhas,
conforme art . 473 do CPP, reforça a inexistência de prejuízo na inversão da
ordem prevista no art. 212 do [Link]. Dispositivo e tese . 8. Agravo
conhecido para negar provimento ao recurso especial. (STJ - AREsp:
2623023 MG 2024/0151656-1, Relator.: Ministra DANIELA TEIXEIRA, Data
de Julgamento: 17/12/2024, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação:
DJEN 03/01/2025) – destaquei.
3.4) Princípio da Eficácia dos Atos Processuais: O ato nulo continua a produzir
efeitos enquanto uma decisão judicial não decretar sua invalidação. Aqui, diferentemente
do direito privado (em que a nulidade é automática – sem necessidade de decisão
judicial), no direito processual exige-se declaração do juiz.
3.5) Princípio da Restrição Processual à Decretação da Ineficácia: A
invalidação de um ato processual somente pode ser decretada se houver um instrumento
processual adequado e o momento ainda for oportuno (em casos, portanto, de nulidade
relativa).
Ex: suponha-se que uma sentença condenatória tenha sido prolatada por juízo
absolutamente incompetente, transitando em julgado na sequência. A despeito do trânsito
em julgado desse decreto condenatório, é certo dizer que nosso ordenamento jurídico
contempla instrumentos processuais idôneos para o reconhecimento de vício de tal porte.
Caso subsista prejuízo à liberdade de locomoção do condenado em face dessa sentença
condenatória transitada em julgado eivada de nulidade absoluta (v.g., cumprimento de
prisão penal), afigura-se cabível a impetração de habeas corpus. Se não subsistir
qualquer risco à liberdade de locomoção (vg., morte do condenado), poderá ser ajuizada
revisão criminal. Por outro lado, se essa mesma sentença fosse absolutória, não haveria
instrumento específico, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro não admite a
revisão criminal pro societate.
3.6) Princípio da Causalidade (ou da Consequencialidade) (art. 573, §§1º e 2º,
do CPP): Uma vez declarada a nulidade do ato, todos os atos processuais que dele
sejam dependentes ou consequentes também deverão ser anulados.
Art. 573. Os atos, cuja nulidade não tiver sido sanada, na forma dos artigos
anteriores, serão renovados ou retificados. .
§ 1º. A nulidade de um ato, uma vez declarada, causará a dos atos que dele
diretamente dependam ou sejam consequência.
§ 2º. O juiz que pronunciar a nulidade declarará os atos a que ela se
estende.
Cuidado: Se não houver relação de dependência dos atos subsequentes com o ato nulo anterior
não há que se falar em nulidade dos atos posteriores, razão pelo qual se aplica o princípio da
conversação do atos processuais.
3.7) Princípio da Conservação dos Atos Processuais: Deve ser preservado o ato
processual que não dependa do ato anterior declarado inválido.
Cuidado: esse princípio não é aplicável ao Tribunal do Júri.
3.8) Princípio do Interesse (art. 565, parte final, do CPP): Ninguém pode arguir
nulidade referente à formalidade que só interesse à parte contrária
Art. 565. Nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado
causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja
observância só à parte contrária interesse.
Cuidado: esse princípio não se aplica às nulidades absolutas, pois essas se relacionam a
interesse de ordem pública, podendo ser arguidas por qualquer parte e até mesmo pelo juiz, de
ofício.
3.9) Princípio da Boa-fé (art. 565, 1ª parte, do CPP): Ninguém pode arguir nulidade
para a qual tenha dado causa ou concorrido. Trata-se da vedação ao comportamento
contraditório. Vale para todos os sujeitos do processo.
Art. 565. Nenhuma das partes poderá arguir nulidade a que haja dado
causa, ou para que tenha concorrido, ou referente a formalidade cuja
observância só à parte contrária interesse.
3.10) Princípio da Convalidação: diz respeito às nulidades relativas. Seguem as
seguintes formas de convalidação:
a) Suprimento: acréscimo de elementos que não constaram do ato inicial. Ex: art. 569, do
CPP:
Art. 569. As omissões da denúncia ou da queixa, da representação, ou, nos
processos das contravenções penais, da portaria ou do auto de prisão em
flagrante, poderão ser supridas a todo o tempo, antes da sentença final.
b) Retificação: corrigir parte defeituosa do processo.
c) Ratificação: ocorre nos casos de ilegitimidade do representante da parte relativo à
capacidade postulatória. Ex: art. 568, do CPP.
Art. 568. A nulidade por ilegitimidade do representante da parte poderá ser a
todo tempo sanada, mediante ratificação dos atos processuais.
d) Preclusão: perda de um poder jurídico processual, podendo ser temporal, lógica e
consumativa.
e) Prolação de sentença: A decisão de mérito em favor do prejudicado pela irregularidade
afasta a conveniência de se declarar uma nulidade relativa em seu benefício. Só vale para as
sentenças absolutórias.
f) Coisa julgada: nas sentenças absolutórias, com o trânsito em julgado, ocorre o
fenômeno da “sanatória geral” (inclusive das nulidades absolutas).
Cuidado: em relação às sentenças condenatórias ou absolutórias impróprias, é possível a
utilização do HC e Revisão Criminal.
4) Distinção entre Nulidade Absoluta e Nulidade Relativa:
4.1) Quanto ao Prejuízo:
NULIDADE RELATIVA NULIDADE ABSOLUTA
Prejuízo deve ser comprovado Prejuízo é presumido*
* STJ entende que, mesmo na nulidade absoluta, o prejuízo deve ser comprovado
também. Neste sentido:
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO
ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. RECONSIDERAÇÃO DA DECISÃO DE
NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO. NECESSIDADE . MÉRITO QUE
TRAZ PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE NULIDADE DO FEITO
DIANTE DO NÃO CADASTRAMENTO ÚNICO DE ADVOGADO INDICADO.
PATRONO INTIMADO JUNTAMENTE COM OS DEMAIS. AUSÊNCIA DE
COMPROVAÇÃO DO PREJUÍZO. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DO PAS
DE NULLITÉ SANS GRIEF . 1. "A nulidade dos atos processuais só ocorre
quando demonstrado efetivo e concreto prejuízo para as partes (princípio do
pas de nullité sans grief)" (AgInt nos EDcl no REsp n. 1.837 .730/MT,
relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 15/6/2020, DJe
de 18/6/2020). 2. Não tendo a parte agravante demonstrado prejuízo algum
resultante da intimação de vários patronos, além daquele requerido como
exclusivo, não há falar em nulidade do ato processual. Isso porque o
princípio do pas de nullité sans grief exige, em regra, a demonstração
de prejuízo concreto à parte que suscita o vício, mesmo se tratando de
nulidade absoluta, pois não se decreta nulidade processual por mera
presunção .Agravo interno improvido. (STJ - AgInt no AgInt no AREsp:
2523108 MG 2023/0435068-6, Relator.: Ministro HUMBERTO MARTINS,
Data de Julgamento: 14/10/2024, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de
Publicação: DJe 17/10/2024)
4.2) Quanto à arguição:
NULIDADE RELATIVA NULIDADE ABSOLUTA
Deve ser arguida no momento oportuno, Por ser insanável, não se sujeita á
sob pena de preclusão. preclusão, podendo ser arguida, inclusive,
O rol está previsto no art. 571, do CPP: após o trânsito em julgado pela defesa via
HC ou Revisão Criminal.
Art. 571. As nulidades deverão ser arguidas:
I - as da instrução criminal dos processos da competência do júri, nos
prazos a que se refere o art. 406 (art. 411, §4º – até as alegações finais);
II - as da instrução criminal dos processos de competência do juiz
singular e dos processos especiais, salvo os dos Capítulos V
(procedimento sumário) e Vll (referia-se procedimento de aplicação de
medida de segurança por fato não criminoso) do Título II do Livro II (trata
dos processos em espécie, processo especiais), nos prazos a que se refere
o art. 500 (revogado); - NO PROCEDIMENTO COMUM, DEVE SER
ARGUIDA ATÉ OS DEBATES ORAIS OU MEMORIAIS.
III - as do processo sumário, no prazo a que se refere o art. 537
(revogado), ou, se verificadas depois desse prazo, logo depois de aberta a
audiência e apregoadas as partes; - ATÉ OS DEBATES (POIS NÃO TEM
MEMORIAIS)
IV - as do processo regulado no Capítulo VII do Título II do Livro II, logo
depois de aberta a audiência; - NÃO TEM APLICABILIDADE (se referia às
Medidas de Segurança por fato não criminoso).
V - as ocorridas posteriormente à pronúncia, logo depois de anunciado
o julgamento e apregoadas as partes (art. 447);
VI - as de instrução criminal dos processos de competência do Supremo
Tribunal Federal e dos Tribunais de Apelação, nos prazos a que se refere o
art. 500 (revogado);
VII - se verificadas após a decisão da primeira instância, nas razões de
recurso ou logo depois de anunciado o julgamento do recurso e
apregoadas as partes;
VIII - as do julgamento em plenário, em audiência ou em sessão do
tribunal, logo depois de ocorrerem.
Cuidado: o reconhecimento de uma nulidade absoluta está limitada às instâncias
ORDINÁRIAS. Em sede de Tribunais Superiores (via RE, REsp), só poderá haver
apreciação de eventual nulidade absoluta se houver um prévio préquestionamento.
Nesse sentido:
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO
HABEAS CORPUS. CRIME DE OBTENÇÃO FRAUDULENTA DE
FINANCIAMENTO EM INSTITUIÇÃO FINANCEIRA (ART. 19 DA LEI N .
7.492/86). NULIDADE NA DECRETAÇÃO DA REVELIA. AUSÊNCIA DE
MANIFESTAÇÃO DA INSTÂNCIA DE ORIGEM SOBRE A QUESTÃO .
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO, SOB PENA DE INDEVIDA
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. RECURSO DESPROVIDO. I. Caso em
exame 1 . Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que
indeferiu liminarmente o habeas corpus, sob o argumento de que a matéria
de nulidade absoluta não foi discutida no acórdão impugnado. A defesa
sustenta a nulidade da decretação de revelia sem intimação por edital e da
ausência de intimação da sentença condenatória por edital, alegando tratar-
se de nulidade absoluta passível de análise em habeas corpus, mesmo sem
prévia apreciação pela instância inferior. O Ministério Público Federal opina
pelo desprovimento do agravo, argumentando que a ausência de prévio
debate inviabiliza a análise da nulidade. II . Questão em discussão 2. Há
duas questões em discussão: (i) definir se a suposta nulidade absoluta
poderia ser examinada pela Corte Superior sem prévia apreciação na
instância inferior; e (ii) verificar se houve supressão de instância ao se tentar
discutir a matéria diretamente no habeas corpus. III. Razões de decidir 3 . O
prequestionamento das teses jurídicas constitui requisito de
admissibilidade para o habeas corpus, mesmo em casos de nulidade
absoluta, sob pena de violação à competência constitucional da Corte
Superior. 4. A Corte Superior não pode conhecer de habeas corpus em
relação a questões que não foram previamente debatidas e decididas
pela instância inferior, sob pena de supressão de instância. 5 . A
jurisprudência da Corte é firme no sentido de que qualquer alegação
de nulidade, seja ela relativa ou absoluta, deve ser objeto de prévia
apreciação na instância ordinária, conforme o art. 105, incisos I e II, da
CF. IV. Dispositivo e tese 6 . Recurso desprovido.
(STJ - AgRg no HC: 812987 SC 2023/0107416-0, Relator.: Ministra
DANIELA TEIXEIRA, Data de Julgamento: 23/09/2024, T5 - QUINTA
TURMA, Data de Publicação: DJe 25/09/2024) – destaquei.
4.3) Quanto às hipóteses:
NULIDADE RELATIVA NULIDADE ABSOLUTA
Interesse preponderante das partes, Viola norma de interesse público prevista
prevista em legislação infraconstitucional. na CF ou CADH.
Previstas nas nulidades do art. 564, com Previstas nas nulidades do art. 564, MAS
previsão de sanação no art. 572. SEM PREVISÃO DE SANAÇÃO.
Duas hipóteses: Duas hipóteses:
a) nas nulidades não cominadas violadoras a) violação de norma protetiva de interesse
de normas de interesses das partes. público prevista em CF ou Tratados .
Ex: Súmula 273/STJ e Súmula 155/STF. Ex: art. 8º, .2 da CADH.
b) Nas nulidades cominadas do art. 564 b) nas hipóteses cominadas no art. 564
com a previsão de sanação do art. 572. para as quais não haja previsão de
convalidação (não listadas no art. 572**).
Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:
I - por incompetência (nulidade absoluta ou relativa, depende), suspeição
(nulidade absoluta) ou suborno do juiz (nulidade absoluta);
II - por ilegitimidade de parte (legitimidade ad causam: nulidade absoluta /
legitimidade ad processum – nulidade relativa);
III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:
a) a denúncia ou a queixa e a representação e, nos processos de
contravenções penais, a portaria ou o auto de prisão em flagrante;
(nulidade absoluta)
b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado
o disposto no Art. 167; (nulidade absoluta)
c) a nomeação de defensor ao réu presente, que o não tiver, ou ao ausente,
e de curador ao menor de 21 anos; (nulidade absoluta)
d) a intervenção do Ministério Público em todos os termos da ação por ele
intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crime
de ação pública (nulidade relativa);
e) a citação do réu para ver-se processar, o seu interrogatório, quando
presente, e os prazos concedidos à acusação e à defesa (nulidade
relativa);
f) a sentença de pronúncia, o libelo e a entrega da respectiva cópia, com o
rol de testemunhas, nos processos perante o Tribunal do Júri; (nulidade
absoluta)
g) a intimação do réu para a sessão de julgamento, pelo Tribunal do Júri,
quando a lei não permitir o julgamento à revelia (nulidade relativa);
h) a intimação das testemunhas arroladas no libelo e na contrariedade, nos
termos estabelecidos pela lei (nulidade relativa); - PREPARAÇÃO DO
PROCESSO PARA JULGAMENTO EM PLENÁRIO.
i) a presença pelo menos de 15 jurados para a constituição do júri;
(nulidade absoluta)
j) o sorteio dos jurados do conselho de sentença em número legal e sua
incomunicabilidade (nulidade absoluta) (incomunicabilidade é nulidade
relativa de acordo com o STF**);
k) os quesitos e as respectivas respostas; (nulidade absoluta)
l) a acusação e a defesa, na sessão de julgamento; (nulidade absoluta)
m) a sentença; (nulidade absoluta)
n) o recurso de ofício, nos casos em que a lei o tenha estabelecido;
(nulidade absoluta)
o) a intimação, nas condições estabelecidas pela lei, para ciência de
sentenças e despachos de que caiba recurso; (nulidade absoluta)
p) no Supremo Tribunal Federal e nos Tribunais de Apelação, o quórum
legal para o julgamento; (nulidade absoluta)
IV - por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato
(nulidade relativa);
V - em decorrência de decisão carente de fundamentação.
Parágrafo único. Ocorrerá ainda a nulidade, por deficiência dos quesitos ou
das suas respostas, e contradição entre estas. (nulidade absoluta)
* Sobre a quebra da incomunicabilidade como nulidade relativa:
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM
HABEAS CORPUS. CRIME DE HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO.
WRIT SUCEDÂNEO DE RECURSO OU REVISÃO CRIMINAL. NULIDADE
DA SESSÃO DE JULGAMENTO DO JÚRI . QUEBRA DA
INCOMUNICABILIDADE DOS JURADOS. PRECLUSÃO. NÃO
DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. PRINCÍPIO PAS DE NULLITÉ SANS
GRIEF . REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE.
INEXISTÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE OU TERATOLOGIA. 1 .
Inadmissível o emprego do habeas corpus como sucedâneo de recurso ou
revisão criminal. Precedentes. 2. A jurisprudência desta Suprema Corte
entende ser imprescindível a arguição de nulidade a tempo e modo
adequados, sob pena de preclusão . Precedentes. 3. A jurisprudência
desta Suprema Corte exige, como regra, a demonstração concreta de
prejuízo tanto para as nulidades absolutas quanto para as nulidades
relativas, marcadas que são pelo princípio do pas de nullité san grief
previsto no artigo 563 do CPP. Precedentes . 4. Para acolher a pretensão
defensiva quanto à alegada quebra da incomunicabilidade dos jurados e à
existência de efetivo prejuízo, necessário o revolvimento de matéria fática,
para o que não se presta a via eleita. Precedentes. 5 . Agravo regimental
conhecido e não provido.
(STF - RHC: 00000000000000255665 PI - PIAUÍ, Relator.: Min. FLÁVIO
DINO, Data de Julgamento: 10/06/2025, Primeira Turma, Data de
Publicação: PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 12-06-2025
PUBLIC 13-06-2025) – destaquei.
** SANATÓRIA DAS NULIDADES RELATIVAS (Art. 572, do CPP):
Art. 572. As nulidades previstas no art. 564, Ill, ‘d’ (intervenção MP em
todos os termos na ação penal pública) e ‘e’, segunda parte (prazos
concedidos a acusação e a defesa), ‘g’ (intimação do réu para sessão no
Tribunal do júri) e ‘h’ (intimação de testemunhas para o Júri), e IV (omissão
de formalidade essencial), considerar-se-ão sanadas:
I - se não forem arguidas, em tempo oportuno, de acordo com o disposto no
artigo anterior;
II - se, praticado por outra forma, o ato tiver atingido o seu fim;
III - se a parte, ainda que tacitamente, tiver aceitado os seus efeitos.
OBS: As demais nulidades que não estão previstas no caput do art. 572, do CPP, são
consideradas como ABSOLUTAS.
5) Nulidades reconhecidas de ofício:
5.1) Na primeira instância: pode ser declarada de ofício pelo juiz (art. 251, do
CPP), tanto em relação às nulidades relativas, quanto as absolutas.
Art. 251. Ao juiz incumbirá prover à regularidade do processo e manter
a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal fim, requisitar a
força pública.
5.2) Na segunda instância: em se tratando de nulidade relativa, deve-se averiguar
eventual preclusão.
Atenção: Súmula 160, do STF:
Súmula 160. É nula a decisão do tribunal que acolhe, contra o réu, nulidade
não arguida no recurso da acusação, ressalvados os casos de recurso de
ofício.
Nos casos de Recurso de Ofício, é devolvida ao Tribunal toda a matéria de 1ª
instância. Logo, o Tribunal poderá reconhecer qualquer nulidade absoluta, seja favorável
à acusação ou à defesa.
Por outro lado, se for Recurso da acusação, o Tribunal poderá reconhecer eventual
nulidade arguida pela acusação (tantum devolutum quantum appellatum)., Ou seja, o
Tribunal terá seu conhecimento delimitado pelo objeto da irresignação.
Por fim, em um recurso exclusivo da defesa não pode o Tribunal reconhecer
nulidade em favor da acusação, ainda que a nulidade seja absoluta, sob pena de
contrariar o princípio da non reformatio in pejus.
Cuidado: se for um recurso exclusivo do MP, o Tribunal pode reconhecer uma nulidade
que beneficie a defesa (princípio do favor rei), desde que seja uma nulidade absoluta.
Isso porque a nulidade relativa foi abarcada pela preclusão.
6) Anulabilidade: segundo Vicente Greco Filho (Processo Penal, 7ª ed. São Paulo :
Editora Saraiva, 2009, p. 293) ocorre por violação de norma protetiva de interesse das
partes, NÃO podendo ser conhecida de ofício pelo juiz.
Para Renato Brasileiro (op. cit, p. 1382):
“Por fim, anulabilidade é a que ocorre por violação de norma dispositiva
protetiva de interesse da parte, estando sujeita às impeditivas e às
sanatórias, não podendo ser conhecida de ofício pelo juiz, mas somente por
arguição da parte, estando prevista no art. 572 do CPP e em outros
dispositivos para os quais não foi estabelecida nulidade. Sem embargo
dessa posição, prevalece o entendimento de que, em sede processual
penal, as nulidades subdividem-se apenas em absolutas e relativas, valendo
destacar que ambas podem ser reconhecidas de ofício pelo juiz”.
JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O TEMA
Repetitivo do STJ:
a) Tema 240: Inexiste nulidade pela ausência, em oitiva de testemunha por carta
precatória, de réu preso que não manifestou expressamente intenção de participar da
audiência.
STF. Plenário. RE 602.543/RS QO (repercussão geral- Tema 240), Rel. Min. Cezar
Peluso, julgado em 19/11/2009 (Info 568).
Informativos de Jurisprudência:
1) A falta de acesso da defesa aos elementos de prova colhidos na fase inquisitiva, antes
do início da instrução criminal, configura nulidade processual por prejuízo à capacidade
defensiva do réu. STJ. 5ª [Link] no RHC 213.204-BA, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 21/5/2025 (Info 853)
2) A leitura de depoimento prestado pela vítima em sede policial durante a audiência de
instrução e julgamento não configura nulidade processual, salvo se ficar demonstrado
efetivo prejuízo ao réu. Tendo a defesa oportunidade de formular questionamentos, a
intervenção do magistrado para proteger a dignidade da vítima, em atenção às
disposições da Lei n. 14.245/2021, não acarreta cerceamento de defesa. STJ. 5ª
[Link] no RHC 198.541-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 14/4/2025
(Info 852).
3) O fato de não constar o nome do magistrado no corpo de decisão proferida em
processo eletrônico não a torna nula por falta de autenticidade, tendo em vista que a
própria assinatura digital já é suficiente para considerá-la válida. STJ. 6ª Turma. AgRg no
RHC 177.305-SE, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 5/3/2025 (Info 844).
4) Eventual nível de sigilo do processo não autoriza a ocultação do nome do advogado da
parte na intimação. STJ. 5ª Turma. AREsp 2.234.661-RS, Rel. Min. Daniela Teixeira,
julgado em 27/8/2024 (Info 823).
5) É inconstitucional a prática de desqualificar a mulher vítima de violência durante a
instrução e o julgamento de crimes contra a dignidade sexual e todos os crimes de
violência contra a mulher, de maneira que se proíbe eventual menção, inquirição ou
fundamentação sobre a vida sexual pregressa ou o modo de vida da vítima em audiências
e decisões judiciais. STF. Plenário. ADPF 1.107/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em
23/05/2024 (Info 1138).
6) Não há como reconhecer a nulidade por cerceamento de defesa no caso em que
comprovado que, a despeito de o paciente encontrar-se foragido desde a data dos fatos e
de serem infrutíferas as diversas tentativas de intimação pessoal do acusado, durante
toda a instrução processual ele foi devidamente assistido, tendo respondido a todos os
atos processuais por meio de advogado constituído, de modo que a finalidade da citação
foi integralmente alcançada. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 823.208-RJ, Rel. Min. Antonio
Saldanha Palheiro, julgado em 29/4/2024 (Info 814).
7) Só há nulidade pela falta de cientificação do acusado sobre o seu direito de
permanecer em silêncio, em fase de inquérito policial, caso demonstrado o efetivo
prejuízo. STJ. 5ª [Link] no HC 798.225-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
12/6/2023 (Info 791).
8) Não é aceitável que o acusado, após a mudança de endereço sem informar ao Juízo,
venha a arguir a nulidade da revelia, porquanto a vedação ao comportamento
contraditório (venire contra factum proprium) aplica-se a todos os sujeitos
[Link]. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.265.981-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da
Fonseca, julgado em 28/2/2023 (Info 773).
9) É incabível a alegação de nulidade por ausência de intimação na hipótese em que novo
causídico, ainda que sem juntada de mandato, omitiu-se em registrar seu efetivo
patrocínio em ata de audiência e, sucessivamente, em novo prazo para alegações finais.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 2.021.072-RR, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro,
julgado em 13/09/2022 (Info 749).
10) É inadmissível a chamada “nulidade de algibeira” - aquela que, podendo ser sanada
pela insurgência imediata da defesa após ciência do vício, não é alegada, como
estratégia, numa perspectiva de melhor conveniência futura. Tal atitude não encontra
ressonância no sistema jurídico vigente, pautado no princípio da boa-fé processual, que
exige lealdade de todos os agentes processuais. STJ. 5ª [Link] no HC 732.642-SP,
Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 24/05/2022
(Info 741).
11) Expressões ofensivas, desrespeitosas e pejorativas proferidas pelo magistrado na
sessão de julgamento contra a honra do jurisdicionado que está sendo julgado, podem
configurar causa de nulidade absoluta, haja vista que ofendem a garantia constitucional
da imparcialidade, que deve, como componente do devido processo legal, ser observada
em todo e qualquer julgamento em um sistema acusatório. STJ. 6ª [Link] 718.525-
PR, Rel. Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF 1ª Região), julgado
em 26/04/2022 (Info 734).
12) A ausência de afirmação da autoridade policial de sua própria suspeição não eiva de
nulidade o processo judicial por si só, sendo necessária a demonstração do prejuízo
suportado pelo réu. STJ. 5ª Turma. REsp 1.942.942-RO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado
em 10/08/2021 (Info 704).
13) A falta de abertura de prazo, após o encerramento da instrução, para manifestação
das partes acerca do interesse na feitura de diligências complementares constitui nulidade
relativa, cujo reconhecimento pressupõe que o inconformismo seja veiculado em
momento oportuno, ou seja, quando da apresentação de alegações finais. STF. 1ª Turma.
HC 147584/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 2/6/2020 (Info 980).
14) O advogado de um réu deverá, obrigatoriamente, estar presente no interrogatório do
corréu que com ele responde o mesmo processo criminal?
REGRA: não. A presença da defesa técnica é imprescindível durante o interrogatório do
réu por ela representado, não quanto aos demais. Assim, é obrigatória a presença do
advogado no interrogatório do seu cliente. No interrogatório dos demais réus, essa
presença é, em regra, facultativa.
EXCEÇÃO: se o interrogatório é de um corréu delator, a presença do advogado dos réus
delatados é indispensável. Na colaboração premiada, o delator adere à acusação em
troca de um benefício acordado entre as partes e homologado pelo julgador natural.
Normalmente, o delator presta contribuições à persecução penal incriminando eventuais
corréus.
Resumo:
• Se o corréu foi delatado no interrogatório e seu advogado não compareceu: sim, haverá
nulidade.
• Se o corréu não foi delatado no interrogatório: não. Isso porque não houve prejuízo.
STF. 2ª T. AO 2093/RN, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 3/9/2019 (Info 955).
15) É nula a “entrevista” realizada pela autoridade policial com o investigado, durante a
busca e apreensão em sua residência, sem que tenha sido assegurado ao investigado o
direito à prévia consulta a seu advogado e sem que ele tenha sido comunicado sobre seu
direito ao silêncio e de não produzir provas contra si mesmo.
Trata-se de um “interrogatório travestido de entrevista”, havendo violação do direito ao
silêncio e à não autoincriminação.
STF. 2ª T. Rcl 33711/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/6/2019 (Info 944).
16) Não há nulidade se o réu possui mais de um advogado constituído nos autos e a
intimação para a sessão de julgamento ocorre em nome de apenas um dos causídicos
que, no entanto, já havia falecido, mas cuja morte não tinha sido comunicada ao Tribunal.
Vale ressaltar que, neste caso, não havia pedido da defesa para que todos os advogados
fossem intimados ou para que constasse o nome de um causídico em específico nas
publicações. STF. 1ª T. HC 138097/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto
Barroso, julgado em 23/10/2018 (Info 921).
7) Não há nulidade na decisão que indefere pedido de incidente de falsidade referente à
prova juntada aos autos há mais de 10 anos e contra a qual a defesa se insurge somente
após a prolação da sentença penal condenatória, uma vez que a pretensão está preclusa.
STJ. 5ª Turma. RHC 79.834-RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 07/11/2017 (Info 615).
18) Não há que se falar em nulidade do julgamento da apelação interposta pelo Ministério
Público se a defesa, regularmente intimada para a apresentação de contrarrazões,
permanece inerte. Em outras palavras, a ausência de contrarrazões à apelação do
Ministério Público não é causa de nulidade por cerceamento de defesa se o defensor
constituído pelo réu foi devidamente intimado para apresentá-las, mas não o fez. STF. 1ª
Turma. RHC 133121/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/o acórdão Min. Edson Fachin
julgado em 30/8/2016 (Info 837).
19) Ainda que o réu tenha constituído advogado antes do oferecimento da denúncia - na
data da prisão em flagrante - e o patrono tenha atuado, por determinação do Juiz, durante
toda a instrução criminal, é nula a ação penal que tenha condenado o réu sem a sua
presença, o qual não foi citado nem compareceu pessoalmente a qualquer ato do
processo, inexistindo prova inequívoca de que tomou conhecimento da denúncia. STJ. 6ª
Turma. REsp 1.580.435-GO, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/3/2016 (Info
580).
20) Qual é a consequência processual do réu ter sido defendido no processo por um
advogado que esteja suspenso ou licenciado da OAB?
• Lei: são NULOS (art. 4º, parágrafo único, da Lei 8.906/94).
• STJ: a defesa técnica realizada por advogado, ainda que suspenso pela OAB, é
irregularidade processual que demanda a demonstração do efetivo prejuízo a ensejar a
declaração de nulidade. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1295765/PR, Rel. Min. Reynaldo
Soares da Fonseca, julgado em 01/10/2015.
Súmulas sobre Nulidades:
Súmula 644-STJ: O núcleo de prática jurídica deve apresentar o instrumento de mandato
quando constituído pelo réu hipossuficiente, salvo nas hipóteses em que é nomeado pelo
juízo.
Súmula 706-STF: É relativa a nulidade decorrente da inobservância da competência
penal por prevenção.
Súmula 707-STF: Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado para oferecer
contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia, não a suprindo a nomeação
de defensor dativo.
Súmula 708-STF: É nulo o julgamento da apelação se, após a manifestação nos autos da
renúncia do único defensor, o réu não foi previamente intimado para constituir outro.
Súmula 523-STF: No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a
sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
Súmula 361-STF: No processo penal, é nulo o exame realizado por um só perito,
considerando-se impedido o que tiver funcionando anteriormente na diligência de
apreensão.
OBS: Súmula válida, mas deve ser feita uma ressalva: o Enunciado 361/STF é aplicável
apenas nos casos em que a perícia for realizada por peritos não oficiais.