Aula 5 e 6
Respostas tardias: reflexo H e resposta F
Reflexo H
Trata-se de um reflexo monossináptico, semelhante
ao reflexo de estiramento muscular, mas evocado
eletricamente em vez de mecanicamente.
• Representa a consequência fisiológica da
interação entre o SNC e SNP.
• Trata-se de uma reposta neurológica útil na
avaliação da integridade funcional das vias
sensitivas e motoras. Figura 2- A pele deteta um estímulo (como a dor ou pressão) o
• Foi descrito pela 1ª vez em 1918 neurónio sensorial transporta o impulso até á medula espinhal.
Na medula, o impulso passa através de um neurónio de
É desencadeado pela estimulação elétrica das fibras associação ou (inter neurónio) que faz a ligação entre o neurónio
aferentes la dos fusos musculares sensorial e o neurónio motor. O neurónio motor conduz o impulso
da medula espinhal até ao músculo provocando uma resposta
Provoca uma resposta reflexa no músculo reflexa.
correspondente através da ativação dos neurónios
motores alfa na medula espinhal
Utilizado em contextos clínicos e neurofisiológicos
para avaliar a excitabilidade do arco reflexo
espinhal e a integridade das vias sensitivo motoras
1. O impulso nervoso gerado pela estimulação
ascende através das fibras la até ao corno
posterior da medula espinhal
2. aí faz sinapse direta com o motoneurónio a(alfa)
correspondente.
Figura 3- Resposta M vem sempre antes do reflexo H. Estímulo
A ativação deste motoneurónio provoca um potencial fraco só aparece a onda H. Estímulo moderado aparecem onda H
de ação e a consequente contração do músculo, e onda M (o correto). Estímulo forte, a onda M predomina e a
regista a onda H no músculo. onda H desaparece devido á colisão dos impulsos.
Vai refletir a resposta muscular resultante de Como obtemos?
um reflexo monossináptico semelhante ao reflexo
Geralmente registado no músculo solear ou
tendinoso, porém induzido com estimulação elétrica
gastrocnémio através da estimulação elétrica do
das fibras aferentes la
nervo tibial
ou
Registado no musculo flexor radial do carpo pela
estimulação elétrica do nervo mediano
Menos utilizada a onda H tende a ser
mascarada pela onda M sobretudo a intensidades de
estimulação mais elevadas.
Figura 1- a parte central (não contrátil) sente o alongamento,
ativa as fibras sensoriais la. As extremidades contráteis
(controladas pelas fibras gama) ajustam a sensibilidade do fuso.
O sinal segue até á medula espinhal onde ativa o neurónio motor
alfa origina
Parâmetros a avaliar • Disfunções medulares
• Neuropatias periféricas
Latência: Latência inicial bastante estável, depende
• Alterações da excitabilidade dos motoneurónios
de um circuito reflexo monossináptico bem definido.
espinais
Latência reflete o tempo de condução nervosa
Pode estar prolongado em casos de polineuropatias –
aferente e eferente, bem como a sinapse medular
marcador sensível para deteção precoce de
Fibras aferentes la medula espinhal moto neuropatias que afetam o nervo tibial proximal ou o
neurónios alfa fibras musculares nervo ciático
Amplitude: mais variável e depende de alguns Por avaliar as porções proximais dos nervos
fatores fisiológicos: periféricos é útil na investigação de plexopatias e
radiculopatias
• Estado de excitabilidade dos moto neurónios
• Intensidade de estímulo (!) Muito usado para diagnóstico das radiculopatias
• Sincronização das unidades motoras ativadas de S1, C6 e C7, identificar alterações na condução
reflexa antes mesmo de se manifestarem sinais
Tende a ser maior quando o reflexo H está associado clínicos evidentes
a um potencial de ação muscular composto (PAMC)
submáximo. Refletindo uma ativação mais eficiente
das fibras aferentes la. Como realizar?
se ↑ a intensidade de estimulação a amplitude do De forma a conseguir uma excitação mais seletiva das
reflexo H vai ↓ fibras aferentes musculares e assim, valores
reprodutíveis, a técnica deve ser cuidadosa e
Estimulação mais intensa recruta diretamente as standard:
fibras motoras eferentes, originando uma onda M.
Que colide com o impulso ascendente das fibras la • Duração do estímulo de 1ms
inibindo parcialmente a reposta reflexa • Frequência de estimulação menor que 1Hz
• Aplicação da intensidade de estimulação
?
Existe ou não uma relação entre a onda M e reflexo H
durante o aumento da intensidade de estímulo? Sim
progressivas
• Latência do reflexo H deve estar entre os 28
e 33ms
existe, ↑ para la do supra máximo da onda M ↓ assim
Indivíduos mais idosos a ausência bilateral do reflexo
o reflexo H.
H não é necessariamente indicativo de doença
neurológica. Está relacionado á diminuição ou
Quando a amplitude da onda M atinge o seu ausência do reflexo tendinoso do calcanhar, uma
valor máximo, o reflexo H tende a desaparecer. alteração comum do envelhecimento.
Estimulação elétrica de maior intensidade ativa Apesar da ausência do reflexo H ser
diretamente um grande número de axónios consequentemente fisiológica em idosos, alterações
motores, gerando potenciais de ação que se unilaterais ou latências prolongadas podem sugerir
propagam tanto no sentido ortodrómico (do nervo neuropatia periférica ou distúrbios medulares,
para o músculo) quanto antidrómico (oposto, em devendo ser avaliadas.
direção ao corpo celular do motoneurónio)
Os impulsos anfidrómicos acabam colidindo com os Parâmetros importantes
potenciais reflexos provenientes das fibras aferentes
la e bloqueia a condução desses sinais no • Filtros: 8Hz – 8KHZ
motoneurónio, consequentemente inibe o reflexo H. • Base de tempo: 10ms/div
• Intensidade de estímulo: 25-30ms
• Frequência de estimulação: 0,5Hz
Aplicação Clínica
• Duração do estímulo: 1,0ms
Permite estudar a condução nervosa dos segmentos
mais proximais das fibras aferentes sensitivas (fibras
la) e em todo o trajeto das fibras eferentes motoras.
Protocolos Os protocolos seguintes não saem na prática, Esta surge após o potencial de ação do musculo
mas sim na teórico-prática. composto PAMC.
Reflexo H: obtenção no Musculo Gastrocnémico Resulta da condução anfidrómica do impulso
elétrico ao longo do axónio motor até á medula
Ativo: colocado no ponto de bissecção da linha
espinhal, onde este é novamente conduzido de forma
formada entre a fossa poplítea e o bordo superior do
antidrómica e depois ortodrómica de volta ao
maléolo interno.
músculo da medula espinhal.
Referência: colocada sobre o tendão de Aquiles.
Terra: Local de silencio elétrico. O circuito é puramente motor sem participação das
Estimulação: O cátodo colocado proximalmente em fibras sensitivas
relação ao ânodo (ao contrário do habitual), sobre o
Não ocorre sinapse pois o impulso viaja
nervo Tibial ao nível da fossa poplítea
exclusivamente pelas fibras motoras, primeiros de
forma retrógrada até á medula espinha e depois de
volta ao músculo.
A resposta F não é um verdadeiro reflexo, mas sim o
resultado da reexcitação antidrómica dos neurónios
motores alfa.
Nota: Patologias que afetam apenas as fibras
sensitivas, a resposta F permanece normal – o
circuito envolvido é puramente motor.
Reflexo H: Obtenção do musculo solear
Sendo um circuito puramente motor, a resposta F
Ativo: colocado sobre o músculo Solear.
pode ser registada em praticamente qualquer
Referência: colocada sobre o tendão de Aquiles.
musculo após a estimulação elétrica do respetivo
Terra: Local de silencio elétrico.
nevo motor.
Estimulação: O cátodo colocado proximalmente em
relação ao ânodo sobre o nervo Tibial ao nível da Ao contrário do reflexo H a resposta F é
fossa poplítea menos estável apresentando grande variabilidade na
sua amplitude, latência, forma e persistência entre
diferentes estímulos
Nem todos os neurónios motores alfa são reexcitados
da mesma forma a cada estimulação –-- a resposta F
menos previsível, embora muito útil na avaliação da
condução proximal dos nervos motores.
Aplicação clínica
Útil na avaliação da condução nas porções proximais
dos nervos motores
Particularmente importante: Radiculopatias,
Obtenção do musculo flexor radial do carpo – não sai neuropatias desmielinizantes ou bloqueios de
condução proximal – estudando radiculopatias
também deve permitir estudas polineuropatias
Resposta F
• Diagnóstico de distúrbios do nervo periférico
Respostas tardias (resposta F): a onda F é uma • Diagnóstico de polineuropatias
resposta tardia motora obtida durante o estudo da • A 1ª manifestação do Síndrome de Guillian
condução nervosa, o termo F deriva da palavra Barre são anomalias da reposta F
«foot», uma vez que esta resposta foi primeiramente • Podem fazer parte da avaliação de patologias
registada nos músculos do pé. como a ELA
Os parâmetros de registo também deverão ser Mononeuropatia: a lesão ou disfunção de um único
mantidos – devem ser captados cerca de 20 estímulos em nervo periférico geralmente causada por compressão,
cada nervo para se avaliar corretamente a resposta F trauma, inflamação ou isquemia local.
Como realizar? Características principais
Técnica mito idêntica aos estudos de condução O comprometimento é localizado afetando apenas o
nervosa motores território inervado por um nervo específico.
Elétrodo ativo no musculo e referência no tendão Os sintomas dependem do nervo afetado podendo
sendo a estimulação do nervo estudado até obter o incluir: dor, fraqueza, formigueiro ou perda de
supra máxima sensibilidade na área correspondente.
Normalmente a causa é mecânica
Valores de normalidade (compressão ou trauma repetitivo).
A maioria dos estudos que utilizam a resposta F refere
apenas a latência mínima como principal parâmetro Anastomose de Martin Grubber
de avaliação.
Presente em 17-25% da população, sendo bilateral
Nos MS a latência mínima é normalmente < a 35 ms, em 70%.
enquanto nos MI é < a 60 ms.
Consiste na comunicação de fibras motoras do nervo
A diferença de latência mínima entre os dois lados mediano para o nervo cubital.
deve ser < 2 ms nos MS e 4 ms nos MI
Ligação entre artérias, veias ou órgãos que
Para além da latência mínima é recomendável estabelecem uma comunicação entre si – não é
também observar: patológico.
• Latência máxima e média que podem fornecer É uma comunicação entre o nervo mediano e o nervo
informação adicional sobre a consistência da cubital no antebraço (geralmente no terço proximal).
condução nervosa
As fibras motoras saem do nervo mediano (ou no seu
• Percentagem de respostas obtidas que deve ser
ramo interósseo anterior) passam para o nervo
elevada para garantir a fiabilidade do estudo
cubital, seguindo para músculos da mão inervados
Cronodispersão (diferença entre latências máxima e tipicamente pelo nervo cubital.
mínima) cuja alteração pode indicar disfunção
proximal do nervo motor
Achados eletrofisiológicos
1. Na estimulação do nervo mediano a amplitude do
A cronodispersão tanto no membro superior como potencial estimulado proximalmente vai ser maior
no inferior não deverá exceder os 7,5 ms. do que o potencial de estimulação distal.
2. A estimulação do nervo mediano na fossa
A persistência da onda F em indivíduos normais pode
antecubital vai estimular as fibras que vão migrar
ser tão baixa como 50% mas tipicamente é de 80 a
para o nervo cubital.
90%.
Ao realizar-se a estimulação do nervo mediano na fossa
antecubital registamos a iminência tenar → Anastemose
AULA 6
3. No estudo do nervo cubital vai ocorrer uma
Mononeuropatia do Membro Superior resposta mais ampla na estimulação distal
comparativamente às estimulações proximais,
Neuropatia: qualquer condição que cause lesão ou
distalmente, serão estimuladas mais fibras.
disfunção dos nervos periféricos, independentemente
da sua etiologia, resultando em comprometimento ou Nota: Não confundir com neuropraxia do nervo
dano das funções motoras, sensitivas ou autonómicas cubital --- Síndrome do túnel cubital caracterizada
desses nervos. pela compressão ou tração do nervo cubital no
cotovelo
(imagem 3 – qual a principal diferença entre as duas do carpo; Teto: pelo ligamento transverso do
estimulações) carpo. D
3. entro do canal passam junto com nervo mediano
os tendões dos músculos flexores dos dedos e o
Síndrome do Túnel do Carpo STC tendão do flexor longo do polegar.
Neuropatia do nervo mediano ao nível do punho
sendo das mais comuns
STC inflamação do nervo que circunda o túnel do
• Parestesias dos dedos carpo
• Dores no punho e mão
• ↓ da sensibilidade Clínica
• Dor no pulso com irradiação para o antebraço
e braço (não chega ao pescoço) • Bilateralmente sendi mais severo na mão
dominante
Exame clínico e história são muito importantes para • Mais frequente nas mulheres
se diferenciar entre um verdadeiro STC de lesões
proximais periféricas ou de raízes nervosas As parestesias estão presentes no dermátomo do
nervo mediano da mão, mas muitas vezes os doentes
referem dormência e formigueiro em toda a mão
Origem: Formado pela junção dos fascículos lateral e Sintomas despoletados por posturas de flexão ou
medial do plexo braquial – contém fibras das raízes extensão
C6, C7, C8 e T1.
Sintomas
Mais intensos à noite pela postura e intumescência da
- Trajeto -
mão -- pacientes referem acordar e precisarem de
Desce no braço sem emitir ramos significativos, na sacudir a mão e colocar sobre a água
fossa cubital (antecubital) passa adjacente á artéria
Inicialmente os nervos sensitivos são os primeiros a
braquial geralmente medial a ela, segue pelo
serem afetados o que provoca sintomas como
antebraço entre os músculos pronador redondo e
formigueiro e dormência .
flexor superficial dos dedos até ao punho passando
pelo túnel do carpo para alcançar a mão. • Nos casos moderados a severos, as fibras motoras
passam a ser comprometidas.
• Com a progressão do quadro, ocorre fraqueza
- Inervação motora - muscular levando a atrofia da iminência tenar
(preserva o musculo que irriga o polegar - região
Antebraço: controla os músculos que flexionam o
da base do polegar última a sentir sintomas).
punho e os dedos e ajudam na pronação (flexor radial
• Os pacientes relatam dificuldade em realizar
do carpo, pronador redondo, flexores dos dedos e do
tarefas finas
polegar.
ex.: abotoar camisas, abrir frascos ou garrafas –
Mão: comanda os músculos que movem o polegar e
perda de força e coordenação dos músculos pelo
os dois primeiros lumbricais
nervo mediano.
este ramo originar se antes do nervo mediano
- Inervação sensitiva -
entrar no túnel do carpo não sendo comprimido
Pele da face palmar dos 3 primeiros dedos (polegar
A sensibilidade sobre a região tenar está preservada
indicador e médio) e metade radial do quarto dedo,
além da região correspondente na face dorsal das uma vez que é inervada pelo ramo sensitivo cutâneo
palmar – não passa pelo túnel do carpo
falanges distais desses dedos.
1. Ao chegar ao pulso forma-se o ramo do nervo
sensitivo cutâneo palmar responsável pela
sensibilidade da pele da palma da mão.
2. O nervo mediano de seguida entra no pulso pelo
túnel do carpo: Base e paredes laterais por ossos
Clínica Artefacto de estímulo
Sinal de tinel • Colocações dos elétrodos de registo
• Distância do segmento estudado
realizar pequenas batidas sobre
o nervo ao nível do pulso que Devem ser fatores muito bem controlados de forma a
resultará em parestesias na área não influenciar os resultados
inervada pelo nervo mediano na
mão – clinicamente aceite se
Diagnostico diferencial
sentir parestesias
Distinguir das causas não neurológicas:
Manobra de Phalen tenossinovites, osteoartrites e doença de raynaud –
espasmo das artérias causa episódios de diminuição
Manter os fluxos em flexão o da corrente sanguínea
que poderá provocar os
sintomas normalmente produz • Compressão C6 e C7 por radiculopatia e ao
parestesias em um minuto mesmo tempo a inflamação do túnel do carpo
sendo mais sensível – critério • Lesões no SNC, radiculopatias cervicais,
diferencial mais sensível plexopatias, outras neuropatias podem causar
-
sintomas idênticos ao STC
Etiologia • Pode ainda ocorrer a combinação de STC com
compressão cervical da raiz do nervo
• diabetes, artrite reumatóide, gravidez e idiopáticos denominando-se de Double Crush Syndrome
• atividades repetitivas causam stresses nos tecidos
que muitas vezes resulta em edema, esclerose
vascular e tendinites. Tratamento (teórico pratica casos clínicos)
A compressão de estruturas que atravessam o canal Conservador: repousar e cessar atividades repetitivas
do carpo geram sintomas e fatores traumáticos pode com a mão queixosa – 50% da remissão dos sintomas
levar ao surgimento numa fase aguda.
• Aplicação de corticoides no canal do carpo o que
Nota: Quando a mão mais afetada não é a mão irá provocar um alívio dos sintomas
dominante ou a que está sujeita a maior stress, há que temporariamente
investigar uma possível causa subjacente. • Sessões de fisioterapia e alguns dispositivos
ortopédicos
Principais achados de EMG Tratamento cirúrgico pode ser indicado
1 2 3 principalmente quando tratamento mão cirúrgico já
não surte efeito – complicações podem surgir no
período pós-operatório, ocorrendo insucesso de 5 a
10%
Síndrome do túnel cubital
Imagem 1: Alterações ligeiras a moderadas- aumento
das latências distais sensitivas e possivelmente Segunda neuropatia compressiva mais comum que
motoras ao nível do punho – não havendo sensitiva afete os membros superiores sendo o cotovelo o local
não há necessidade de estudo motor mais comum, também pode afetar o pulso.
Imagem 2: Em estados mais severos as amplitudes Anatomia
CMAP e SNAP vão estar reduzidas (quando o 1. Após passar o cotovelo o nervo cubital cria
estímulo atravessa o local da lesão) ramificações motoras para alguns músculos do
Imagem 3: Achados boderline ou normais, mas com antebraço.
presença de sintomatologia – realizar estudos 2. Antes de atingir o pulso origina ramos sensitivos
comparativos do nervo cubital que inervam parte dos dorsos da mão além da
metade do IV e V dedo.
3. O nervo cubital entre no pulso via canal de Guyon Clínica
passa a inervar sensitivamente metade do IV e V
Principais sintomas: parestesias da mão
dedos da face palmar e a maior parte dos músculos
correspondentes á metade medial do IV dedo ao IV
intrínsecos da mão (regiões da iminência hipotenar e
dedo e á região lombar e dorsal medial da mão até ao
parte da iminência tenar).
punho.
Agrava-se com a aplicação de pressão sobre o sulco
cubital (na face posterior do cotovelo) ou sobre o
túnel cubital.
Quando há dor a localização é geralmente na
região do cotovelo podendo irradiar para o antebraço
e o punho.
Sintomas Etiologia
• Sintomas motores predominam Resulta do estiramento e flexão mecânica crónica
repetitiva – o túnel cubital este pode ser
• Perda motora pode até surgir
congenitamente mais estreito em alguns indivíduos
mesmo sem existirem sintomas
tornando-os mais predispostos à síndrome.
sensitivos
O sulco entre o episódio medial e olecrânio pode
Devido á grande porção de músculos intrínsecos da
também ser um local de lesão associado a fatores de
mão serem inervados pelo nervo cubital, aquando do
risco como:
seu funcionamento está comprometido os principais
são: perda da agilidade e firmeza da mão • Tumores e processos inflamatórios que levam a
redução do espaço no sulco
• Fraturas do cotovelo principalmente pela alteração
Benediction (mão de cardeal) estrutural da articulação consequente da fratura
Postura típica que surge com o avanço da Pode ocorrer em indivíduos que passam longos
lesão demonstrando fraqueza muscular da períodos imobilizados pós cirurgia ou outras
mão – nem esticar nem encolher os dedos condições clínicas propicias a posições de
hiperflexão ou compressão do nervo.
-
Exame físico - Froment: flexão da articulação
Eletromiografia
interfalangica do polegar em vez da abdução de todo
o polegar. Velocidades de condução mais
baixas ou até bloqueios de
condução – desmielinizante
Quando associado a perda axonal – baixa amplitude
dos potenciais em simultâneo com baixas VC no
segmento que contém a lesão
Exame físico - Watenberg: sinal clínico Tratamento
caracterizado pela abdução – afastamento do dedo • Movimentos repetitivos de estiramento e flexão do
mindinho cotovelo devem ser evitados
• Sessões de fisioterapia e utilização de dispositivos
ortopédicos podem auxiliar na redução dos
sintomas, limitando os movimentos e posições
comprometedoras
• Utilização de AINE’S e corticoides
• Cirurgia
Síndrome do Canal Guyon Eletromiografia
Neuropatia menos frequente e muitas vezes Os achados dos estudos de condução vão depender
confundida com síndrome do túnel cubital, dos ramos afetados
Compressão do nervo cubital a um nível mais • O estudo de condução sensitivo pode esta normal
distal na sua passagem no canal de guyon no pulso. • Estudos de condução motora revelam uma baixa
amplitude do CMAP e latência distal aumentada
1. Chegando ao pulso o nervo cubital entra no canal
quando o local de registo da iminência
de guyon para inervar sensitivamente parte da
mão e vários músculos da mesma.
2. Vai ser formado por dois ossos do carpo
(pisiforme e unsiforme) com um ligamento que os
une
3. chegando ao canal o nervo divide-se em
superficial e profundo dependendo do local exato
da lesão vários podem ser:
• Puramente motores
• Puramente sensitivos Tratamento
• Mistos • A terapia de 1ª linha passa pela redução dos
fatores de risco
• Reduzir movimentos repetitivos e que sujeitem o
canal a grandes pressões
• Sessões de fisioterapia e a utilização de
dispositivos ortopédicos
• Utilização de AINESs e corticoides
• Tratamento cirúrgico que implica o corte do
ligamento que forma o teto do canal de guyon de
forma a reduzir a pressão do canal
O exato local de lesão as fibras que são afetadas vão
ditar o conjunto de sinais e sintomas:
Neuropatia do nervo radial
Ramo motor palmar profundo distal: afeta todos os
músculos inervados por este ramo exceto os da Locais de adesão mais comuns são mais proximais ao
iminência hipotenar nível do braço ou da axila.
Ramo motor palmar profundo proximal: afeta O nervo radial é formado a partir dos 3 troncos do
todos os músculos inervados por este ramo incluindo plexo braquial recebendo contribuições das raízes
os da iminência hipotenar nervosas de C5 a T1.
Canal proximal: afeta todos os músculos inervados Esses troncos convergem para formar o cordão
pelo nervo cubital na mão e também a parte sensitiva posterior formando assim o nervo radial.
Ramo superficial: afeta principalmente as fibras (1) Durante o percurso pela fossa radial no braço o
sensitivas nervo radial dá origem a vários ramos sensitivos e
motores.
-
(2) É quando este cruza que a região do cotovelo que
Causas se bifurca em ramo sensitivo e motor
(3) são criados o nervo radial superficial e o ramo radial
• Aquecimento de quisto no canal de Guyon,
motor profundo (nervo interósseo posterior)
comprimindo o nervo
(4) O nervo radial superficial percorre o antebraço
• Traumas ou fraturas do pulso
sobre o osso rádio
• Atividades repetitivas ou que envolvam colocação
de pressão na região do canal de Guyon predispõe vai inervar a região dorsal da mão do primeiro
este local á lesão até metade do 4º dedo até às suas falanges proximais
(5) O ramo radial profundo percorre o antebraço Síndrome do nervo interósseo posterior
ligeiramente mais lateral que o ramo superficial
A compressão do nervo interósseo posterior ocorre
vai fornecer inervação motora a vários geralmente na arcada de frohse onde ele penetra o
músculos do antebraço como o músculo extensor musculo supinador ao entrar no antebraço.
comum dos dedos e músculo extensor próprio do
indicador Poderá desenvolver-se secundariamente:
• Artrite reumatóide
Vai depender do local da lesão: • Hemihipertrofia
• Congénita do braço
• Na axila
• Fraturas do braço ou proximais do cotovelo
• Na fossa radial do braço
• No nervo interósseo posterior Clínica
• No nervo radial superficial
Fossa radial - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - A sua apresentação poderá parecer muito similar as
anteriores devido á marcada componente motora.
Neuropatia associada ao radial, nesta região o nervo
A flexão do pulso não será tão marcada, sendo mais
passa radial ao osso do úmero e está mais sujeito a
afetados os músculos responsáveis pela extensão
compressões.
dos dedos.
A compressão mais característica é a paralisia de
Os sintomas sensitivos não estão presentes. Pode
sábado á noite ocorrer dor no antebraço por ramos sensitivos mais
esta compressão resulta em desmielinização profundos.
do nervo da região do ponto de pressão → fraturas
do úmero e vasculites.
Mão e dedos pendentes por compromisso da
inervação motora dos músculos extensores dos
dedos e pulso, fraqueza moderada na supinação do
antebraço e fraqueza na flexão do antebraço.
A sensibilidade vai estar comprometida na
distribuição do nervo radial superficial.
Nota: Tipo - radial, subtipo - fossa
Axila - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Pode ocorrer por longos períodos por aplicação de
pressão no nervo.
Causa: Associado a indivíduos que utilizam moletas
inadequadamente aplicando pressão no nervo radial
ao nível da axila.
Clínica: a apresentação será muito idêntica á
neuropatia da fossa radial apenas estendendo a área
sensitiva afetada para a região posterior do braço e
antebraço.
Será diferenciada de uma lesão do plexo pela
preservação funcional do musculo deltoide e grande
dorsal