0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações39 páginas

Geki Ranger

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações39 páginas

Geki Ranger

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Episódio 01: Niki Niki! Punho Selvagem!

O jovem Jan Kandou é encontrado numa floresta na China e desperta um poder oculto que
vai ser usado pelo mestre Sha-fu para derrotar os inimigos.

Meu retorno ao gênero tokusatsu depois de anos sem assistir algo inédito. Resolvi assistir
Gekiranger para tentar descobrir a essência dessas séries. Nesse primeiro episódio, reparei
que a Toei tentou abrandar o que foi feito nos sentais dos anos anteriores. Mas tudo com
equilíbrio entre o drama, tensão e humor. Alguns detalhes interessantes nesse primeiro
episódio foi o fato de uma agente japonesa encontrar um japonês selvagem nas florestas da
China lutando contra pandas que fala japonês razoavelmente entendível. Fiquei curioso:
como esse japonês criado na China selvagem aprendeu a falar japonês num lugar remoto?
Claro! Nunca devemos procurar lógica numa série tokusatsu para crianças japonesas. Afinal,
estou assistindo de intrão, visto que Gekiranger é uma série de 17 anos atrás. Outra geração
de crianças japonesas. O objetivo dessa história será de botar os Gekiranger para enfrentar os
guerreiros do Punho Animália Rin Jyuken, que são combatentes que usam o seu poder para o
mal. A medida em que a sociedade humana fica em pânico, os Rin Jyuken ficam mais
poderosos.

O que me chamou a atenção nesse primeiro episódio foram as excelentes coreografias de luta.
Os dublês se mostraram preparados e nos presentearam com um belo espetáculo de combate,
superando até mesmo sentais mais consagrados nessa categoria, como é o caso de Dairanger,
que eu considerava imbatível no quesito coreografias de combates. Mas ainda é cedo para
analisar esse quesito por completo, visto que em um episódio não mostrou tudo para que se
deva. Mas foi um episódio que considerei bom. O equilíbrio entre as três categorias (tensão,
humor e drama) foi notável. É interessante notar a abordagem dos roteiristas em tentar deixar
a série focada no público infantil sem deixar de lado o público mais crescido. Meu único
ponto negativo foram os “soldadinhos dos rivais”. Eles ficam pulando igual uma perereca e
não fazem praticamente nada. Já vi soldadinhos melhores em combate (como os Zolos de
Flashman e os Dorodoro de Kakuranger). Fora esse ponto negativo, acredito que eu vá
assistir até o final essa série.

Episódio 02: Waki! Waki! Combinação Selvagem!

Retsu ensina movimentos básicos para Jan.

Aqui temos a conclusão do episódio 01, onde fomos apresentados ao provável primeiro
mecha da série. Um episódio que manteve o mesmo equilíbrio nas três categorias (drama,
humor e tensão). E isso me agrada. Ninguém pode reclamar que a série não possui esse
equilíbrio. Os últimos sentais que vi que mantém esse tipo de equilíbrio com certa coerência
foram Kakuranger e Boukenger. Ainda temos muitos mistérios para ser resolvidos. Os
Gekirangers foram apresentados ao “espírito de união” por influência da diretora Masaki.
Embora o Sha-fu seja considerado mestre, a mentora e conselheira do grupo será ela. Bom
que colocam a mulher numa posição relativa de destaque. É raro um sentai colocar uma
mulher nessas condições de destaque. Só vi isso em Jetman, Kakuranger e Dekaranger (dos
sentais que vi). Provavelmente tem muito mais. Mas isso eu descobrirei aos poucos. E
percebi que o papel da diretora Masaki será de manter o equilíbrio da equipe, principalmente
por causa do jeito meio leviano de Sha-fu. Vale salientar que percebi que existe um grande
segredo entre Sha-fu e Masaki. Mas está cedo para se revelarem os segredos do passado
deles.

Em tempo, um dos mechas mais simples da franquia dos que vi até o presente momento. Mas
isso não o impede de ser eficiente. É na simplicidade que se conquista a beleza e se mostra a
eficiência. Essa simplicidade deve ter facilitado e muito os movimentos do dublê e a mistura
com o CGI. É um dos mechas mais ágeis que já vi em ação. E eu gosto desse tipo de
agilidade. Os movimentos do Kempo que os heróis faziam eram repetidos pelo mecha, o que
deixou as coreografias de lutas do mecha com o monstro da semana mais agradáveis de se
verem. Gekiranger está cumprindo muito bem o seu papel de entreter. O episódio 02 elevou o
nível do já excelente episódio 01. Bom... muito bom!

Episódio 03: Shio-Shio! O Poder da Limpeza!

Jan passa por um momento de treinamento para desenvolver a força física.

Primeiro episódio em que o Red é protagonista propriamente dito. Nesse episódio, já


percebemos uma tentativa de transformar a personalidade de Jan. Isso torna o momento
interessante. Jan é imaturo e impulsivo que só quer bater sem pensar nas conseqüências. Esse
erro dele lhe custou o desempenho na luta. É tão bom quando encontramos um herói que
comete erros, né? Bom que ele aprende com seus erros e mostra para as crianças da série que,
quando erramos, não é para desistirmos. Jan aprendeu a duras penas que a força não vem só
do impulso, mas de como encaramos nossos erros. O que devemos entender é que, um herói
“certinho” demais não passa exemplo de superação sobre suas falhas quando erram para as
crianças. É um ponto que deve ser analisado. Não existe ser humano perfeito. Não existe ser
humano que não erre. Todos em algum momento de suas vidas vão errar em algum momento.
O importante é não deixar esse pavor de errar domine o coração. E foi isso que esse episódio
quis mostrar. Com o tempo, o roteiro vai moldando a personalidade de Jan para um herói
melhor. Ele ainda está verde, mas vai melhorar.

Um ponto interessante desse sentai. Na segunda aparição do mecha principal, a finalização do


golpe fatal no monstro da semana mudou de um episódio para outro. No primeiro monstro, o
golpe foi o Punho Giratório Tenaz. No segundo, foi o Chute Giratório Tenaz. Não me recordo
de ver algum sentai com duas finalizações diferentes em um espaço de tempo tão curto como
esse, e isso tem se tornado bem interessante. A cada “semana” (episódio), os monstros vão
exigir uma técnica nova de nossos heróis e combinações diferentes para novas finalizações. E
isso é um diferencial interessante na série. E isso nos pegará de surpresa a cada episódio. O
telespectador vai se perguntar: “Qual vai ser a nova finalização?” Sim! Seremos pegos de
surpresa! Pode ser que haja reprises de finalizações? Sim! Bem provável! Mas ser pego de
surpresa é mais interessante do que esperar uma finalização com uma espada de luz gigante,
como vimos em muitos sentais nos anos 1980. Já temos um ponto a favor de Gekiranger.

Episódio 04: Zowa! Zowa! Os Cinco Venenosos!

Rio aparece pela primeira vez diante de Gekiranger com 5 discípulos.

Fomos pegos de surpresa nesse episódio, onde já começa a densidade proposta pelos
criadores para a série. Mesmo sendo uma série infantil, esse episódio mostrou a densidade
com maestria aqui. E vimos aqui que Rio vai dar trabalho para nossos heróis, que vão
precisar passar por um treinamento mais ousado e sério a partir desse momento. O humor
nesse episódio foi praticamente anulado. Talvez seja por isso que Gekiranger tenha se
tornado um dos sentais mais queridos da fan-base de Tokusatsu no Brasil. Em quatro
episódios mostrou que a série não seria pouca coisa. E com razão! A série tem fugido da
tradicional fórmula de se fazer sentai, superando muitos da década de 1980 em qualidade de
roteiro e coreografias de lutas. Aliás, as coreografias de luta baseados no Kempô é digno de
elogio, tanto da parte dos heróis como dos vilões. Essas lutas dão gosto de ver.

Uma coisa que chama a atenção aqui é a fotografia escura aliada aos efeitos especiais nas
cenas de combate. Essa fotografia quebra um pouco o paradigma de “sentai é coisa de criança
e devia ser mais solar”. Não vimos isso aqui. O trabalho com a fotografia em deixar algo
soturno para o grande público mirim da época é digno de nota, pois mostrou para as crianças
que nem tudo é “colorido” como se devia acreditar. Aliás, estou supondo que, a cada
episódio, a fotografia deixe de ser escura para algo mais leve para o público. E estou torcendo
que sim. Ao mesmo tempo em que Gekiranger tem mostrado elementos maduros, jamais se
deve esquecer que é uma série para crianças japonesas em idade escolar. E com isso, não
ficaria legal uma série com uma fotografia tão escura logo nos primeiros episódios. Aliás,
essa sequência de episódios é uma das melhores da franquia e tem nos reservado grandes
surpresas para a série, mostrando que Gekiranger é um sentai atípico.

Episódio 05: Uja-Uja! O que faremos?

Kademu, um dos Cinco Venenosos, desafia Ran para um duelo de Velocidade.

Primeiro episódio em que Ran protagoniza na série. É interessante notar que em muitos
sentais (em sua vasta maioria), sempre colocam uma personagem feminina para ser a mais
rápida. São raros encontrar algum sentai onde encontramos essa característica num
personagem masculino (de cabeça só me recordo mesmo do Goggle Blue). Mas no geral, dão
a característica da agilidade e velocidade numa personagem feminina. E em Gekiranger não
foi diferente. Ran, a única integrante feminina é a mais rápida da equipe. E vimos isso no
treinamento que Ran teve aos se destacar do resto da equipe. Por causa disso, a Ran tem se
tornado a minha favorita. Eu gosto de personagens ágeis e inteligentes, que deixam a força
física em segundo plano. Ran (Orquídea em japonês) preza pela inteligência, sagacidade e
velocidade. E foi isso que a fez se destacar no treinamento desse episódio. E eu amei o fato
de ela usar o Vento a seu favor no treinamento para derrotar Kademu. O resultado foi
primoroso. Vimos aqui o exemplo de que quantidade é diferente de qualidade. E o monstro
da semana provou a verdade disso e tomou do seu próprio remédio.

Já temos também alguns mistérios na trama se desenvolvendo. É como se cada episódio de


Gekiranger estivesse se costurando, onde um depende do outro, mesmo que aparentemente
não seja assim. Dá para entender que cada episódio tem seu “porém”, mas isso é diferenciado
ao saber que um elemento no episódio anterior está conectado com o posterior. Geralmente,
episódios de sentais são sem conexão. É muito raro encontrar uma série onde não tem essa
conexão de episódios desde o início. E isso tem tornado Gekiranger atraente para o paladar
do fã de Tokusatsu. E esses elementos possuem a tendência de crescer favoravelmente para a
série, que tem se tornado uma das mais aclamadas por fãs de tokusatsu no fandom. E isso é
interessante. Meu único “porém” com relação a essas conexões de episódios será como vão
trabalhar isso em 49 episódios. Sim! É certeza que serei surpreendido! Mas vamos
acompanhar como será essa evolução a medida que os episódios avançam.

Episódio 06: Jwuaan! O que foi isso?

Retsu desafia Moriya, um dos Cinco Venenosos, para um duelo onde se testa a Gravidade.

Primeiro episódio em que Retsu é protagonista. Aqui ficamos conhecendo um pouco do


passado de nosso herói. Ainda é obscuro. O que sabemos é que ele era um pintor que largou a
Educação Artística para se dedicar ao Punho Animália Gekiranger. Aqui, o foco foi o talento
artístico de Retsu. Graças a isso, ele pôde refletir sobre o que quer da vida num combate e
aplicar no embate com a Lagartixa Negra Moriya. A análise artística de Retsu fez com que
ele se concentrasse no além de sua capacidade. Foi um episódio interessante, onde o
treinamento em desafiar a gravidade foi essencial para derrotar o monstro do dia. É
interessante notar que, nesse episódio em específico, o roteirista pensou em treinar a
capacidade da criança em apreciar a boa arte. A Pintura é uma das sete manifestações
artísticas. Chamada de a “Arte dos Olhos”. Retsu usou a Pintura para desenvolver seu senso
de percepção para derrotar Moriya. Será que as crianças japonesas de 17 anos atrás se
empenharam em descobrir o que a Arte da Pintura tem para nos ensinar? Não sabemos! Mas
que esse episódio me estimulou a tentar a voltar a desenhar para eu ver a minha percepção,
AH.... isso sim!

Embora não tenha sido explícito, vemos aqui nesse episódio um beijo homossexual. O
personagem secundário Fujishiro, de trejeitos claramente efeminado rouba um beijo de Retsu.
O artista foi uma homenagem clara ao excêntrico pintor surrealista Salvador Dáli, do século
XX. Os trejeitos efeminados de Fujishiro podem fazer com que fãs de tokusatsu mais
conservadores torçam o nariz para a série e para o herói Retsu. Mas isso jamais deve ser
encarado como um preceito para ignorar a série. Não vai ser um personagem efeminado e
afetado que vai fazer com que Retsu deixe de ser herói ou vai, como dizem uns infames
conservadores exagerados, “corromper os meninos”. Foi uma tacada de mestre da produção
em colocar um personagem claramente homossexual e afetado para mostrar para as crianças
que existem pessoas que gostam de alguém do mesmo sexo. Pessoas acostumadas com filmes
e séries militares da década de 80 do século XX podem desmerecer o propósito da trama, mas
isso não deve ser empecilho para curtir a série, que tem mostrado uma grande evolução no
roteiro. Concluo a resenha de hoje dizendo que todas as formas de amor são bem-vindas, por
mais que tenha gente que não concorde.

Episódio 07: Shuba-Shuba! Vamos dançar!

Maga se apaixona por Sorisa e usa isso em favor da dança do Escorpião Negro.

Embora Gekiranger tenha apresentado episódios de forte carga dramática e densidade


gigantesca, vimos aqui um episódio mais leve e mais infantil. O fato de Maga se apaixonar
por Sorisa só mostra que tentaram amenizar um pouco a situação. E botar uma criança como
protagonista do episódio para ensinar deixou a série mais próxima do seu público alvo. Foi o
primeiro episódio em que uma criança ganha destaque na série. E isso tem acontecer mais
vezes. Embora Natsume seja uma criança, ela tem potencial para mais episódios fora esse e o
próximo, onde ela vai protagonizar. Embora Gekiranger seja uma série de ação que pode
agradar os mais velhos, jamais devemos esquecer que é uma série infantil. O público alvo
sempre foram as crianças de 8 anos pra baixo. Seria bom manter o equilíbrio. Não causar um
desconforto nas crianças maiores e não abandonar as crianças menores. E ao trazer um
monstro paspalho e um monstro mais pé no chão juntos só mostra que o roteirista está muito
interessado em manter o equilíbrio entre os dois públicos.

Em tempo, é muito raro encontrar uma série super-sentai que mostra a figura materna com
laços sanguíneos. Sim! Ficamos sabendo que uma personagem central é mãe nesse episódio.
Não me recordo de um sentai onde a figura materna é explorada no lado dos heróis.
Geralmente, quando mostram alguma mãe numa série da franquia, só vemos mais do lado dos
vilões. Só vi isso do lado dos heróis em Magiranger e Gekiranger (por enquanto). Não conto
as figuras maternas “adotivas” (como vimos no episódio em que Nagisa vira uma mãe
adotiva em Changeman). Geralmente, a figura da mãe em muitas séries japonesas a coloca do
lado dos vilões (isso expandindo para fora dos super-sentais), enquanto a figura paterna é
mais respeitada. Pode ser um aspecto cultural? Sim! Pode! Mas é estranho que isso não se
estende só a produções japonesas. A Disney também retrata a figura materna como
inexistente em muitos casos ou como vilãs em seus clássicos (dos que já vi). Só conheço dois
casos da Disney em que a figura materna é mostrada de forma positiva e presente: Rei Leão e
a Nova Onda do Imperador. Mas isso é cultural. Não podemos buscar lógica numa produção
que não é feita para o nosso público e cultura.

Episódio 08: Koto Koto.... Treinando a Paciência!

Os Gekiranger testam uma nova técnica para derrotar Maga e Sorisa.

O episódio conclusivo da “semana” anterior. Interessante que nossos heróis desenvolvem a


técnica secreta para derrotarem os monstros da semana após 8 episódios. Isso é um avanço
gigante, visto que, nos anos 80, a tendência de se fazer isso para destruir o monstro da
semana era logo no primeiro episódio. Aqui em Gekiranger, foi se preocupando com o
desenvolvimento dos personagens. Ou seja, primeiro são os erros deles, depois a evolução
para finalmente chegar na ação. Esse desenvolvimento é importante para os heróis, visto que
eles vivem em condições de aprendizado constante. Ou seja, a cada episódio nossos heróis
aprendem um jeito de vencer um desafio juntos. E com isso, eles crescem a medida que os
episódios forem avançando. É tão bom encontrar uma série onde mostra que, para ser herói,
tem que começar com um aprendizado do zero e ainda absorver conhecimento novo, né? Só
encontrei esse tipo de situação em Kakuranger, onde nossos heróis aprendem a serem heróis
por cima de seus medos e erros. E Gekiranger está sendo um substituto a altura. Quando
encontramos uma série onde os heróis já são feitos desde o primeiro episódio e não mostram
evolução a medida em que os episódios avançam deixa a série cansativa. Já está lá, tudo
mastigado e pronto para ser digerido. Talvez seja por isso não consiga engolir Changeman.
Os heróis mal se tornam Changeman e já sabem qual golpe aplicar assim que se transformam.
Mas em Gekiranger vemos um grande passo. Uma evolução gigante na forma de construção
do roteiro de uma série Super-Sentai.

Vale citar uma referência indireta (muito provável que seja uma coincidência) a Flashman
nesse episódio. A história do treinamento no piano em dupla para derrotarem os monstros do
dia foi usado no sentai de 1986 e replicado de forma magistral nesse episódio 08 de
Gekiranger. Para fãs de sentais mais saudosistas, essa coincidência pode ter um gostinho a
mais para a série. Gekiranger, aos poucos, vem mostrando potencial para ser um dos maiores
sentais da franquia por mostrar referências ou coincidência a sentais anteriores. E isso está
ficando bom.

Episódio 09: A Mulher Kena-Kena!

Mele passa por um treinamento físico e mental para conquistar a confiança de Rio.

Por esse episódio vemos que Gekiranger é um sentai atípico, mesmo pegando referências (ou
seria coincidência?) de séries anteriores. E vimos que é um sentai onde todos os personagens
possuem uma importância. Nesse episódio, o foco foi na vilã Mele. Duas coisas que
aconteceram com ela me fez a remeter a dois sentais anteriores: Flashman e Liveman. Que
coisas foram essas?? Bem... não vou contar.... mas quem acompanhou essas duas séries vai
encontrar referências a elas nesse episódio em específico. O que estou gostando de
Gekiranger é isso. Seja diretamente ou indiretamente, ele “menciona” eventos de sentais
anteriores. Mas de uma forma melhorada. Essas “menções” são ótimas para pegar o espírito
de séries anteriores. São homenagens? Não sabemos! Mas que é gostosa essa sensação de
“deja vu” que encontramos na série, isso é! Acaba nos motivando a querer assistir outras
séries (de preferência, as anteriores a Gekiranger) para ver se encontramos alguma referência
delas em Gekiranger.

Em tempo, é importante notar a forma de roteiro de Gekiranger semelhante a de um Kamen


Rider. É interessante notar que a escrita do time de roteirista comandada por Yokote Michiko
fez a construção para que cada episódio se conectasse, não deixando nada de fora. E está um
bom aproveitamento e equilíbrio de personagens. Embora o Suzuki Hiroki seja o Red da vez,
não digo que o Jan é o protagonista. Não está tendo protagonista até o presente momento.
Todos os personagens, tanto da parte dos heróis como dos vilões estão se mostrando
importantes. É raro encontrar esse equilíbrio em séries do tipo. Vi isso em Kakuranger e
Dekaranger. A série tem se destacado como um sentai onde os episódios são costurados em
eventos dentro dele. E isso é legal. A equipe de Yokote Michiko está de parabéns pelo
excelente trabalho com Gekiranger.

Episódio 10: Jara-Jara! A Primeira Missão!

Os Gekiranger são encarregados da primeira missão.

Realmente, Michiko escreveu um sentai atípico. A ideia de se criar um sentai sem um


monstro semanal fixo foi sensacional e tem dado certo na qualidade estética do roteiro da
série. E isso torna a série atraente para todos os gostos. Aqui não temos um monstro sendo
derrotado toda semana por uma bazuca. Embora eles apareçam todos os episódios até o
presente momento, a ideia da equipe de roteiristas comandada por Yokote Michiko é
aproveitar os monstros da semana o máximo que puder. Foi assim com os 5 Venenosos. Eles
foram aproveitados até o fim. Até mesmo com a presença de um extra. Não vi todos os
sentais antes de Gekiranger, mas não me recordo de ver uma série em que os monstros da
semana são tão aproveitados assim (o mais perto que vi sobre isso foi Changeman nos 5
episódios em que aparece o Trio Monstro Espacial). Fora isso, é muito raro esse
aproveitamento de monstros numa série. E Michiko tem criado um roteiro coeso sem apelar
para a pieguice padrão de muitas produções. Mas a ideia tem dado certo até o presente
momento.

Em tempo. Já têm aparecido muitos antagonistas. Em cada episódio tem apresentado um


adversário a altura. Mas pelo menos ganhamos um aliado aqui. Quem é? Não vou contar,
óbvio! Mas a ideia é fazer com que vários aliados devem aparecer para nossos heróis. Agora,
quem são esses aliados? Qual a explicação para a aparência deles serem de animais? Bem....
isso ainda não foi respondido. Vai ser respondido no decorrer da série? Talvez... só nos resta
esperar enquanto assistimos. Mas estou procurando assistir a série sem procurar muita lógica
em algumas indagações do tipo: “quem são esses animais sagrados que orientam nossos
heróis?” Acredito que dê para aproveitar mais assim.

Episódio 11: Ukya Ukya! Arsenal Animália!

Ran passa por um treinamento com um dos amigos de Shafu.

Segundo o roteirista estadunidense Paul Dini, uma das máximas que ele aplica na sua vida é:
“não existe nada melhor neste mundo miserável do que um largo e belo sorriso!”. E
realmente, é verdade! O mundo já é um lugar cheio de mazelas que atrapalham mais do que
ajudam. Mas é possível encontrar beleza e alegria nesse mundo difícil de viver. Onde achar?
Bem... isso depende de cada ser humano. O que importa é rir de situação que parecem difíceis
pra gente. Foi essa a lição deste episódio, onde Ran passa por um treinamento onde ela tem
que aprender a ser mais alegre, mas solta e mais espontânea. Ran tem que aprender a ser
menos sisuda. E esse foi o objetivo do treinamento dela. A ideia é treinar as crianças
japonesas a não terem medo de expressar suas alegrias e conquistas. Isso se faz necessário,
visto que a sociedade japonesa moderna não é muita de expressar seus sentimentos e emoções
abertamente. E talvez seja por isso que seja necessário esse tipo de mensagem. A sociedade
japonesa está envelhecendo. A taxa de natalidade é baixa. E o japonês moderno se preocupa
demais com a vitória na carreira profissional. Não existe tempo para esboçar um único
sorriso. É por isso que episódios como esse se fazem necessários. O humor está presente aqui.
E com o propósito de divertir as crianças japonesas da época. Rimos muito com o amigo de
Shafu e de como ele deixou Miki constrangida. Michiko Yokote sabe escrever. Não sei se ela
trabalhou em séries posteriores ou anteriores. Mas o estilo dela de escrever é bom e deixa o
roteiro fluir naturalmente sem cansar. Podemos rir, se emocionar e sentir raiva com os
personagens.

É interessante notar que a cada episódio, a roteirista deu um “grito de guerra” novo para o
Jan. E esse “grito de guerra” aparece nos títulos dos episódios. Aparentemente, cada episódio
tem um “grito” novo. E são palavras sem nexo que Jan pronuncia. Andei pesquisando alguns
toku-fãs sobre Gekiranger e a maioria trata esses “gritos” como uma “ofensa a
intelectualidade do telespectador, deixando as crianças débeis mentais” (sim.... li expressões
do tipo em alguns lugares). Lamentável! O que o toku-fã precisa entender é que Gekiranger é
uma série infantil. Óbvio que o Red da vez precisa de alguma coisa para a criança
JAPONESA da época se identificar, seja com trejeitos ou com algum arsenal. E a forma
como Jan usa os cinco sentidos para expressar o Punho Animália através desses gritos é que
fez o ator chegar mais próximo do público infantil da época. Não tem nada de errado em usar
elementos infantis numa série infantil. E não tem nada de “retardado” em usar esses
“grunhidos” para aproximar os heróis do público para qual a série é destinada. Muito pelo
contrário. É necessário e faz com que a criança aprenda a se expressar. Não é legal esconder
as emoções. O importante é se expressar. E se funcionou para as crianças japonesas da época,
então, não temos do que reclamar. Super Sentai são para crianças JAPONESAS de 8 anos pra
baixo. Nós, marmanjos brasileiros de 45 anos, assistimos Super Sentais de “intrãos” que
somos, pois Sentai atualmente não é feito pra gente e as crianças japonesas de hoje são bem
diferentes das crianças japonesas de 40 anos atrás. Ponto!

Episódio 12: Zowan-Zowab! O Fortalecimento do Templo Negro!

Jan passa por um treinamento na casa de banho para derrotar o monstro da semana.

Um episódio bem equilibrado entre o humor e a tensão. O humor está do lado dos heróis e a
tensão está do lado dos vilões. E a ideia de Michiko Yokote é mostrar que o sorriso é a
principal arma contra a tensão e a densidade. Sim! Haverá momentos em que estaremos
tensos. E a melhor forma de combater essa tensão é através do sorriso e bom humor. Já é o
segundo episódio em que nossos heróis vencem o monstro da semana através do sorriso e do
bom humor. Esse sentimento de Alegria e Descontração não deve ser encarado como algo
nocivo para uma produção do tipo. Afinal, o Japão precisa desse tipo de movimento para
aliviar a tensão social que o país vive. Apesar de Jan estar desesperado para derrotar o
monstro da semana, ele aprendeu que a Alegria e a Descontração pode ajudar a aumentar a
auto-confiança. E percebo que a tentativa da equipe de roteiristas é tentar fazer com que as
crianças (da época) aprendessem a usar a Alegria e a Descontração a favor delas e se
tornassem “heróis”. Tanto Jan como Ran aprenderam a usar a Alegria e Descontração nos
seus treinamentos. Só falta Retsu aprender a usar isso. E percebi que Ran tem sido usada mais
como alívio cômico pra série do que Jan (que seria a escolha óbvia para esse objetivo),
principalmente quando ela encara um dos Mestres Sagrados. E sim, o humor japonês é bom
por ser ingênuo e preparado para se adaptar para a cultura da qual faz parte. Nós nos
divertimos com Ran e Jan no episódio da casa de banho.

Em tempo, vimos que o Templo Negro está evoluindo. Está se mostrando mais perigoso.
Essa evolução dos vilões é diferente de muitos sentais que vi. Sim! Achei interessante o fato
dos vilões começarem com um treinamento para evoluírem seu poder. Gekiranger é uma série
onde tanto a equipe de vilões como dos heróis mostram uma evolução de poder crescente.
Sim! Todos os lados precisam crescer. E a vida não é algodão-doce e guaraná como se devia.
Ao mostrar o treinamento de Rin e de Mele nos últimos episódios só mostra que até os vilões
estão moldando suas capacidades. E isso torna Gekiranger diferente dos sentais tradicionais a
qual estamos acostumados, principalmente se compará-los com os sentais dos anos 80 do
século XX. É interessante notar esse trabalho de aproveitar todos os personagens de maneira
igual. Só veria essa preocupação de aproveitamento de 100% dos personagens em
Changeman, Kakuranger e Goseiger. Mas esse equilíbrio é bem elogiável e faz Gekiranger
ser especial.

Episódio 13: Shin-Shin! Dança Espiritual!

Nossos heróis enfrentam duas criaturas do Templo Negro que podem voar e vão buscar outra
forma de treinamento.

Ah... a Arte! Uma forma de entretenimento que agrada os homens. São sete as manifestações
artísticas: Escultura, Pintura, Dança, Literatura, Música, Arquitetura e Cinema. E tenho
percebido aqui, principalmente nesse episódio, é de usarem Retsu para as manifestações
artísticas. Retsu é o artista da equipe. No seu primeiro episódio solo, ele demonstrou aptidão
para a Pintura. Agora ele está mostrando aptidão para a Dança. Será que Retsu vai
demonstrar as outras 5 manifestações artísticas? Não sabemos! Mas Retsu tem demonstrado
uma aptidão para a Educação Artística. E isso torna a série interessante. Geralmente,
encaramos as manifestações artísticas como obsoleto numa série desse gênero de
entretenimento. Mas muitos se esquecem que tokusatsu é arte. A manifestação da arte é
presente nessas séries. Muitos fãs não podem gostar dessas manifestações numa série
tokusatsu. Mas é importante que cada arte é apresentada ali. Precisa-se de Arquitetura e
Escultura para fazer os cenários das séries. A Música ajuda a deixar a trama envolvente. A
Literatura está presente no roteiro, pois, sem escrever, não tem série. A Pintura está presente
na direção de arte, maquilagem e figurino. Movimentos da Dança são utilizados nas
coreografias das lutas. E usam-se a técnica de Cinema para filmarem essas séries. Então,
querendo ou não, tokusatsu é Arte. E por ser Arte, é justo exaltarem no roteiro as diversas
manifestações artísticas. Eu não sei se os roteiristas vão exaltar a Arquitetura, Escultura,
Literatura, Música e Cinema (as artes restantes) em Retsu em episódios posteriores, mas
ficarei na torcida por isso.

Por falar em Dança, como não reparar na coreografia do encerramento? Muitos fãs de
tokusatsu atual criticam essas danças que aparecem em encerramentos de sentais por acharem
que “infantilizam” essas séries. Mas como disse no parágrafo anterior, tokusatsu é Arte. A
Dança é arte. Pode ser obsoleto para os brasileiros médios de 40 anos que assistem séries para
crianças japonesas. Mas pelo visto, funciona no Japão. Movimenta as poucas crianças de lá.
A Dança exercita a coordenação motora. A Dança é expressa nos encerramentos das séries
faz um tempinho. De cabeça, lembro de Kakuranger como o primeiro sentai que mostra uma
Dança nos encerramentos dos sentais. Posso estar enganado? Sim! Posso! Não assisti toda a
franquia. Mas que está legal acompanhar essa manifestação artística... AH.... isso está!

Episódio 14: Netsu-Netsu! Abandone a Técnica!

Retsu consegue abandonar a técnica.

Sem a gente perceber, acabamos nos envolvendo nos sentimentos e emoções que fazem parte
do Punho Animália da Justiça. Ou seja, a cada atividade extra que nossos heróis treinam é
sinal de que estão envolvendo com a arte marcial. Vimos aqui que o Punho Animália da
Justiça tem uma mistura de dois estilos de Kung Fu chinês: Kempô (para Ran e Jan) e Wu-
shu (para Retsu). Os movimentos dessas duas artes muito bem coreografados mostram o quão
belo é! Os movimentos leves, serenos e cheios de precisão só mostram do que se trata
Gekiranger. Uma série que mostra para as crianças que são possíveis elas lutarem pelas suas
conquistas pessoais. A ideia desse episódio de “abandonar a técnica” mostrou que não é
difícil aprender as técnicas para ser um herói. E que para ser um artista marcial, não precisa
aprender a chutar e socar. O importante é esvaziar a mente e permitir que a arte invada a
mesma. E nisso Gekiranger está dando um ótimo exemplo de superação.

Embora os heróis mostrem alegria e alguns momentos de descontração, o roteiro peca pelo
excesso de tom soturno. Nesse episódio, não houve brecha para a leveza. Esse tom soturno
pode agradar aos mais velhos, mas pode afastar os menores (que é o público alvo). A
vantagem dessa soturnidade é que a série não se torna uma vitrine de brinquedos. Demora
muito para que apresente um apetrecho novo. E isso eu considero uma vantagem. Embora
super-sentai seja uma máquina caça-níquel (assim como qualquer tokusatsu de super-herói
japonês), focar um pouco na natureza de levar valores para as crianças torna a série
interessante. Mas ainda acho que a série poderia ter um roteiro mais leve. Mais alegre. Não
precisa ser soturno o tempo todo. Precisa ter um equilíbrio maior nisso. O começo da série
mostrava esse equilíbrio. Mas, de repente, diminuiu a leveza e o roteiro ganha uma
soturnidade. Lembrando: isso não é ruim! Só fico pensando no público alvo, que são as
crianças japonesas que precisam de algo mais leve.

Episódio 15: Howa-Howa! Trabalho Materno!

Jan e Retsu sofrem com uma maldição onde regridem e sobra para Ran cuidar deles.

Depois de uma leva de episódios densos, finalmente um leve e alegre como deve ser. Foi um
episódio divertido. Aqui encontramos uma referência dupla a dois episódios de sentais. No
caso, encontramos referências a um episódio de Changeman e Flashman numa combinação
perfeita de humor e drama. O drama materno de Ran nos preparou para algo mais leve. Foi
um episódio onde foi necessário mudar a cor da fotografia. Afinal, foi um momento de
descontração para nos preparar para algo onde a densidade vai aumentar, pelo andar da
carruagem. A fotografia de Gekiranger tem sido muito escura. Esse episódio onde se preza
mais a cor e o calor humano mostra a preocupação em deixar as coisas mais leves. Não que
uma fotografia escura seja ruim, mas para a temática da série, não combina. Uma fotografia
escura combina com kaiju ou chambaras, que são tokusatsu para o público adulto. Mas a
criança não tem a obrigação de absorver a “escuridão” logo cedo. Precisa de leveza e
sentimento. Afinal, a proposta de Gekiranger até o presente momento tem sido de “vencer as
trevas com cor e alegria”. E nesse ponto, houve uma melhora. Claro! Precisa melhorar! Mais!
Mas está no caminho certo em botar o equilíbrio entre a cor e a escuridão.

Em tempo, é divertido ver as caras e bocas que Mina Fukui faz em situações diferentes que a
Ran passa. A atriz, além de ser excelente acrobata, consegue passar seriedade e leveza na
trama com sua doce atuação. E ouso dizer que ela é ótima no humor. Embora a direção force
as situações de humor no personagem de Hiroki Suzuki (Jan Kandou), as melhores piadas e
situações são protagonizadas justamente pela Mina Fukui e Manpei Takagi (Retsu),
justamente por eles serem os mais sérios e organizados e por passarem por situações atípicas,
o público acaba se divertindo com o que acontece de inusitado com eles dois. E nesse
episódio, as melhores piadas com Ran e Retsu foram ótimas (como não se divertir com as
caras que Retsu fez quando Ran contou que o viu nu?). A proposta de usar o humor
involuntário entre os outros integrantes de elenco foi ótima.

Episódio 16: Jiri-Jiri! Lição Extra do Punho Negro.

Mais um Mestre Demoníaco é libertado e treina Mele e Rio.

Uma coisa que estou gostando em Gekiranger é por ser não ser um sentai “feijão com arroz”.
Em que sentido? Bem... não vemos aqui um jeito de anos 80 de se fazer sentai, onde aparece
um monstro da semana, ele é destruído por uma bazuca e depois é revivido como um ser
gigante para ser derrotado pelo robô da equipe. Essas novidades tornam Gekiranger especial.
Nesse episódio mesmo, notamos algumas coisas, como, por exemplo, não terminar com uma
luta entre a criatura gigante revivida como é de praxe em muitos sentais. E outra coisa que
gostei e que já falei por aqui é que todos os personagens de Gekiranger são bem aproveitados
e possuem importância, tanto da parte dos vilões como dos heróis. Quem espera um sentai
padrão de “aparecer o monstro da semana – derrotar com a bazuca – monstro ser revivido
para ser gigante por uma criatura – ser derrotado pelo robô” com certeza não vai gostar de
Gekiranger. A série em cada episódio tem uma surpresa nova, tanto na construção de roteiro
como nas coreografias de luta e na formação do caráter dos personagens. E isso a torna
espetacular.

Em tempo, pelo menos ficamos sabendo da existência de um dos segredos que mais me
incomodava: de onde vem esses mestres do Punho Animália (tanto de Gekiranger como dos
Rinjuken). Calma que o segredo ainda vai ser revelado, mas já tenho uma base. É interessante
notar que esses segredos de Gekiranger fazem com que o telespectador fique ansioso. A
madureza de Michiko Yokote em escrever uma série episódica que se interliga com o
episódio anterior e posterior torna a série atrativa para quem gosta de novidades. É
importante notar que cada episódio tem sua particularidade. Mas sempre tem algum elemento
dentro desses episódios que faz com que, se perdermos um episódio, ficamos sem entender o
que houve. É como se fosse uma novela. E isso tem me agradado e muito.

Episódio 17: Goro-Goro! Laços do Ensinamento!

Jan passa por um treinamento com um Mestre Sagrado.

Em primeiro lugar, foi meu episódio favorito até o momento graças a homenagem a um dos
meus filmes favoritos de todos os tempos: Tubarão. Quando eu ouvi a versão japonesa do
tema de Jaws na série, meu coração chegou a palpitar de tanta alegria. E usaram esse clássico
de John Williams para fazer humor num episódio leve e descontraído, mesmo nos momentos
em que se exige densidade. Embora não tenha sido usado por Retsu, vimos aqui referência a
mais uma das sete artes. No caso, a referência está no Cinema, que foi homenageada por
citação maravilhosa de Tubarão (Jaws) na série, já que Tubarão foi o primeiro blockbuster da
história do cinema. Ou seja, o primeiro filme a arrebatar multidões para as salas de cinemas
do mundo todo. Não sei como foi o impacto de Jaws nos cinemas japoneses da época, mas é
notório que, pelo tom da homenagem, deve ter causado uma influência grande. Claro que
ficaria feliz se essa homenagem a Tubarão fosse aplicada a Retsu, que já dominou 2 das sete
artes. Mas com Jan também caiu como uma luva. Eu estou torcendo e muito que, se eu
encontrar a trilha sonora de Gekiranger, eu encontre essa versão do tema de Jaws na trilha,
pois é algo sublime. O tema de Jaws é um dos mais emblemáticos da história do Cinema. E
quem foi premiado com isso foram os telespectadores mirins que sabem apreciar uma boa
arte.

Ainda sobre Jaws, vi aqui uma tentativa de colocar o animal em si (o Tubarão Branco) como
um animal pacífico e simpático. Ao colocar um tubarão-branco como mestre sagrado tentou
limpar a barra que Peter Benchley, autor do célebre bgest-seller Tubarão (Jaws), sujou. No
livro (pra quem leu), o predador caça seres humanos nas águas. E isso foi fielmente retratado
no filme de Steven Spielberg em 1975. Por causa do Best-seller e do filme, o animal entrou
em vias de extinção devido a pesca predatória desenfreada. Afinal, tanto o livro como o filme
fizeram um desserviço para o sistema de ecologia. Ao usar a figura de um tubarão-branco na
identidade de um dos mestres sagrados, no caso, Sharkie Chan, é bem provável que a ideia
foi de mostrar para as crianças que até mesmo os animais aparentemente perigosos possuem
sentimentos. Aqui, Sharkie Chan chora, ri, brinca, luta, treina, se deprime e entre outros
sentimentos e atitudes bonitas. Não sei se foi intenção de Michiko Yokote em dar “lição de
ecologia”, mas que foi uma ideia que deu certo, isso deu! De todos os Mestres Sagrados
apresentados até aqui, Sharkie Chan é o mais simpático, mesmo que o animal representado
até o momento seja o mais perigoso. Se foi involuntário ou intencional, não sabemos, mas
vale pela menção e a consideração pela ecologia.

Episódio 18: Shakkin-Kun! Corpo Forte!

Jan domina uma técnica secreta para derrotar Dokariya.

Olha... pelo andar da carruagem, vou terminar esse sentai antes da hora. O modo como o
roteiro está sendo construído faz com que o telespectador fique absorto na trama. Sim! É
legal essa conexão de episódios, mesmo que, aparentemente, não tenham. E o interessante é
notar que os heróis treinam as três facetas da arte marcial: Emoção, Físico e Talento. E cada é
uma ponta do triângulo Gekiranger. Essa lição é muito valiosa para nossos heróis e para as
crianças. A ideia é passar ensinamento na série, não só lutar e vencer o monstro da semana. É
interessante citar que valores entre o Bem e o Mal é MAIS do que lutar contra um adversário.
É explorar seus sentimentos, suas emoções e seus limites. Nossos heróis estão aprendendo
com seus defeitos a evoluírem. E isso transforma as pessoas em heróis. É importante analisar
isso: o que Jan, Ran e Retsu estão fazendo para evoluírem como herói? Não estão
simplesmente destruindo o monstro da semana. Estão passando por um treinamento e
aprendendo a ser responsáveis. É isso que cada lição que Sha-fu passa para eles com os
treinamentos aparentemente obsoletos. Qual a criança que gosta de limpar a casa, ajudar os
pais em tarefas domésticas e estudar alguma arte? Dificilmente encontramos esse desejo
numa criança de forma espontânea. E ao passar essas atividades rotineiras para nossos
guerreiros só mostra que, para ser herói, é mais do que treinar socos e chutes. Tem mais
envolvido. A cada atividade é uma forma de se apresentar de forma responsável para os
superiores. E ser responsável pelas atividades para quais são designados é o que torna os
Gekiranger (e o público) em heróis!

Em tempo, vale salientar que, depois de certo tempo, voltaram a usar os “soldadinhos” nesse
episódio. Esse é um motivo para que Gekiranger seja uma série atípica. Em qualquer sentai,
os heróis lutam contra os “soldadinhos” em todo santo episódio (transformados ou não). Em
Gekiranger, isso não é rotineiro. Muito pelo contrário, é bem raro os heróis baterem nos
exércitos de “soldadinhos”, embora os mesmos apareçam em todos os episódios no Templo
Negro. Esse diferencial faz a série se destacar das demais. Uma roteirista do nível de Michiko
Yokote faz falta!

Episódio 19: Gokin-Gokin! Confrontando Rio!


Rio aparece diante dos Gekiranger para erradicá-los.

Um episódio onde não teve espaço para o humor. Peguei outra referência pesada a
Changeman ali. Mas o ponto forte desse episódio é que foi o primeiro onde se passa a famosa
Pedreira da Toei. Dá uma saudade gostosa quando vemos esse cenário, né? Sim! A Pedreira
continua a mesma depois de tanto tempo de uso. Afinal, Super Sentais, Kamen Riders e
Metal Heroes tiveram cenas de ação ali. Dá uma nostalgia boa quando vemos esse cenário
sendo reaproveitado com gosto. Não sei se nos sentais mais recentes esse cenário é
aproveitado, mas que ficou interessante saber que ele, na época, não estava tão desativado
assim. Até vimos as mesmas bombas transformadas em “pedras” sendo explodidas como
eram nas séries da Era Showa. Nesse episódio eles resgataram um pouco do jeito de fazer
tokusatsu de forma rudimentar. Arriscado? Sim! Afinal, são muitas explosões e acrobacias
com efeitos pirotécnicos nesse episódio. Foi uma homenagem justa a essas produções. Além
disso, notamos efeitos sonoros semelhantes ao que houve nas décadas passadas. Sabe aquela
vontade de imitar os movimentos dos heróis e fazer som de explosões com a boca? Sim! Juro
que tive essa vontade, pronto para voltar aos meus 7 anos. Gekiranger mexe com o
emocional e a memória afetiva dos mais velhos por apresentar elementos que fortalecem a
nostalgia do público mais velho, principalmente aos fãs de tokusatsu existentes no Brasil.

Vale citar a dobradinha composta por Hirata Yuka e Hirofumi Araki. A dupla de vilões tem
demonstrado uma química deveras interessante. Apesar de serem jovens na época, eles
demonstraram eficiência em cena, tanto nos combates como na presença de palco. Claro! Não
podemos dizer que são grandes atores. Mas o pouco que eles vêm demonstrando é o
suficiente para serem notados. Eu não vejo uma química tão boa entre casal de vilões desde
Turboranger. Embora Rio e Mele sejam pessoas ruins, o carisma dos atores é tão bom que o
telespectador fica na torcida para que eles se redimam como deve ser. Mas a perícia marcial
deles é ótima. Pena que não é muito explorada na série na forma “civil” deles, dando
destaque para os dublês nos trajes de combates. Mas o pouco que apresentam em cena é o
suficiente para se destacarem.

Episódio 20: Gicho-Gicho! Confronto Contra o Triângulo!

Os nossos heróis passam por um treinamento rigoroso.

Outro episódio atípico, onde o foco não foi mostrar nossos heróis transformados. Muito pelo
contrário. Eles nem tiveram tempo para mostrar a transformação. O foco deles era outro. No
caso, é cada um absorver uma qualidade do amigo. E isso está deixando a série interessante.
Nosso trio de heróis é diferente entre si. Mas eles precisam de algo mais para derrotar os
adversários. E nesse caso, vem o clichê padrão de qualquer super sentai: o Poder da Amizade.
Sim! A ideia desse episódio foi mostrar que precisamos de Amigos para vencer na vida.
Quem se isola procura suas idéias egoístas e estoura contra a sabedora prática. Os nossos
heróis precisam entender que o isolamento não é bom. Eles estavam muito tempo isolados
um do outro, ao mesmo tempo em que estavam tão pertos. Parece um paradoxo, né? Estarem
perto ao mesmo tempo em que estão longe um do outro. Mas a ideia mesmo é criar essa
conexão entre os heróis para prepará-los para algo maior. Eles precisam dessa conexão. E
quer coisa melhor do que o “poder da amizade”? Não! Não tem! Todos precisam de amigos.
Não importa onde eles estejam. Mas uma Amizade que brinca, que está do nosso lado nos
melhores e piores momentos, que briga com a gente quando necessário e nos disciplina
também é essencial para a vida de um ser humano. E é essa lição muito interessante que a
série passou nesse episódio.

Eu achava que os mestres sagrados apareceriam um por um, mas apareceram três de uma vez!
Mas teve um propósito. Ainda é um mistério sobre a forma dos sete mestres sagrados. Eu já
entendi que eles tiveram uma forma “humana” antes de se tornarem “animais”. É uma dúvida
que me acompanha desde o início da série e espero ser surpreendido com uma resposta
satisfatória. Sei que os Sete Mestres não são “ETs”. Eles eram humanos que mudaram de
alguma forma. Mas é um dos poucos mistérios que me intrigam na série. Mas é fácil deduzir
o que houve com os Sete Mestres Sagrados e com os Três Mestres Demoníacos. Mas
enquanto essa resposta não vem, o interessante é curtir e apreciar cada episódio da série de
forma a não buscar lógica numa série infantil japonesa. Se procurar respostas antes da hora, o
resultado pode ser desastroso e deixemos de curtir a série.

Episódio 21: Biki-Biki-Biki-Biki! De Kageki Para Kageki!

Nossos heróis despertam um novo poder.

A uma altura da série, nossos heróis de Super Sentais ganham um novo tipo de poder. Isso
acontece desde os anos 1990. Seja através de o que chamamos de “Power up” nos heróis ou
nos mechas. Claro que a ideia disso é vender mais itens para a criançada japonesa. Qualquer
tokusatsu de franquia consagrada para o público infantil é uma máquina caça-níquel para
extorquir dinheiro dos pais das crianças japonesas. Negar isso é um erro. Desde os primórdios
dos tokusatsu tradicionais infantis, eles são vitrines de brinquedos. Não tem muito do que
reclamar. Na nossa infância, quando assistimos Changeman, Jaspion e Flashman, queríamos
itens de nossos heróis. Seja brinquedos, itens de papelaria, discos e etc. O que importa é que
queríamos um item de nossos heróis. E os empresários sabem disso. A Bandai, principal
patrocinadora da Toei, gosta de vender. Só que, convenhamos, é importante notar que desde o
ano de 1999, houve uma mudança brusca no comportamento da sociedade mundial e ela se
tornou mais consumista. E esse comportamento afetou não só a sociedade japonesa como a
brasileira, estadunidense, francesa, australiana, sul-africana e etc. Antes de serem
entretenimentos, filmes, novelas, tokusatsu, doramas, desenhos animados, mangás, games,
gibis e etc tem que dar algum retorno financeiro. Se não derem, é cancelado. Nada é feito de
graça. Tudo tem um custo e os empresários esperam retorno, seja em bilheteria, audiência ou
consumo de produtos. Com Gekiranger não foi diferente. Embora tenha sido menos intensa
do que outras séries do gênero (só vocês se lembrarem do frisson que foi Gokaiger),
Gekiranger também é uma vitrine de brinquedos. E tivemos aqui a apresentação de um novo
brinquedo. Fora que tivemos uma nova forma deles se apresentarem. Ou seja, o negócio é
vender brinquedinhos.
Mesmo sendo uma vitrine, o roteiro de Michiko Yokote não permite ser essa exposição de
brinquedos do nada. Tudo está sendo trabalhado de uma forma em que o foco não seja os
itens novos. Tem itens novos? Tem! Mas o foco do roteiro tem sido trabalhar na evolução dos
personagens. Aqui, todos os personagens ganham importância. Não consigo notar uma
diferença nisso entre os personagens, tanto da parte dos vilões como dos heróis. A densidade
do roteiro é um “plus” que vale a pena ser notado. A forma em que os “brinquedos” são
introduzidos na série não é algo forçado. Faz parte da evolução dos personagens e do roteiro.
Aliás, o forte de Gekiranger NEM são os brinquedos que querem vender, mas sim, a forma
como o roteiro é conduzido para que cheguem nos “brinquedos”. E isso faz Gekiranger ser
um super-sentai atípico, onde Michiko usa o roteiro a favor da venda de brinquedos, não o
inverso.

Episódio 22: Kiyui-Kiyui! Encontro Com Uma Celebridade!

Jan cativa os sentimentos de uma pessoa famosa.

Depois de uma sequência de episódios que trabalhou com a tensão do telespectador, fomos
apresentados a um episódio leve e descontraído, mas que não perde um pouco de seriedade
em alguns momentos. Aqui vimos a importância de mostrar para as crianças que não vale a
pena buscar a fama. É uma vaidade. Um esforço para alcançar o vento. E vemos isso na vida
de muitos atores de tokusatsu que abandonaram o “show business” para terem uma vida
“normal” com uma profissão normal. Hikaru Kurosaki, Nishimoto Hiroko, Youko Nakamura
são só alguns exemplos de artistas populares no Brasil que abriram mão da vida de
“celebridade” para serem pessoas comuns. Não os julgo. É uma excelente ideia viver uma
vida normal. A personagem Arisa veio justamente para mostrar que a vida de “celebridade”
não é algo comum. Uma garota fútil que tem que aprender a abrir mão da fama para encontrar
a Felicidade e a Satisfação que tanto busca. Será que ela consegue? Isso só assistindo ao
episódio. Mas é interessante notar a preocupação da roteirista em mostrar que a vida no
“show business” possui mais desvantagens do que vantagem para as crianças. A criança pode
ser um prodígio, mas se não prestar a atenção nas coisas simples da vida, ficará perdida e
desiludida. Ao entrar em contato com Jan, Arisa só mostrou que precisava de alguém como
ele para mostrar o que realmente importa na vida. E o resultado desse episódio foi agradável.

Ainda sobre o humor, vimos aqui um pouco de darem atenção as crianças menores. A ideia
de ter um monstro bonachão que solta “pum e arrota” foi boa. Piadas visuais que foram bem
vindas. E sim! Não sou contra o humor visual em série tokusatsu para crianças de 8 anos. É
bom e necessário. Uma série tokusatsu não precisa ser só “dark, trevas e tensão” o tempo
todo para massagear o ego de marmanjos brasileiros de 45 anos. A vida já é tensa demais
para ficar perdendo tempo com coisas sérias. Precisamos rir de coisas engraçadas, simples e
de nós mesmos. Quer coisa mais gostosa de ver do que uma gargalhada sincera de pessoas
que a gente gosta? Ainda mais se forem nossos filhos pequenos que se divertem com as
mesmas séries que a gente! A ideia de episódios com humor voluntário é boa e válida.
Passamos por isso em muitos sentais consagrados, inclusive, das séries que passaram no
Brasil. Não temos que reclamar disso. Muito pelo contrário. Devemos apoiar isso. Uma série
super-sentai não precisa ser 100% dedicado a tensão e nem precisa ser 100% dedicado ao
humor. Um pouco de cada vai ajudar e Gekiranger tem cumprido seu propósito com louvor.

Episódio 23: Guri-Guri! Capitã Sukeban.

Ran é enfeitiçada e se torna uma pessoa com personalidade oposta a original.

O fascínio que os japoneses possuem por deliquentes femininas que usam uniforme escolar
de roupa de marinheiro permeia a cultura pop desde tempos remotos. Qual o fã de cultura pop
japonesa não conhece as famosas Sukeban? Algumas ganharam até séries próprias, como
Sukeban Deka. Vamos encontrar Sukeban em muitas produções famosas. Nos sentais, esse é
o quinto caso de Sukeban que eu vejo (dos que eu lembro, tem Changeman, Flashman,
Turboranger e Kakuranger em séries anteriores, mas devem ter mais, pois não vi todos os
sentais). A ideia que nós, ocidentais, temos dos japoneses é que eles são “certinhos” demais.
A ideia de que existem japoneses marginais soaria ilógico para nós crermos, visto que a
criminalidade no Japão é bem baixa comparada a do Brasil. Mas a ideia dos japoneses é
mostrar para o público que a marginalidade existe e alertar os pais para que cuidem dos seus
filhos. E ficamos conhecendo um pouco do passado de Miki como sukeban. Interessante
notar que todos os personagens possuem um passado e uma vida além dos combates. Essa
exploração do passado dos personagens deixa a série interessante e agradável. Bom que todos
os personagens são especiais de alguma forma. Alguns em menor e outros em maior grau,
dependendo do momento. Mas esse desenvolvimento dos personagens em 100% de
aproveitamento deixa a série atípica. Principalmente se comparada com sentais da era Showa.

Achei interessante nesse episódio a ideia de restaurar imagens de explosões de maquetes de


prédios de sentais dos anos 80. A imagem envelhecida não condiz para uma série de 2007.
Mas deu uma sensação de nostalgia. É como se quisessem resgatar um pouco da nostalgia do
público mais velho. Se foi intencional ou não, não sabemos. Mas funcionou. Essas cenas de
explosões de maquetes de prédios e carros eram algo corriqueiro na década de 1980. Por
exemplo, quem assistiu Changeman, Flashman e Maskman quando era criança pôde reparar
que tinham cenas idênticas de destruição das cidades por parte dos vilões nas três séries. E
isso se repetiu em séries da década de 1990. Mexer com os sentimentos do público mais
velho foi um “golpe baixo” da Toei. Em episódios anteriores, nos deparamos com a famosa
Pedreira. E agora, essas cenas retrôs que remetem a década de 1980. Gekiranger está
surpreendendo maravilhosamente.

Episódio 24: Garu-Garu! O que!? Você é Meu Irmão Mais Novo?!

Retsu prova o seu valor para seu irmão.

A ideia de conflito familiar já foi apresentada na série mesma, com Miki e Natsume. Aqui, o
protagonista desse conflito é um dos nossos heróis. Conhecemos um pouco do passado de
Retsu. Conhecemos um pouco de sua família. Laços fraternos em Super-sentais nas equipes
eu só lembro de cabeça Fiveman, Go Go V e Magiranger. Colocar irmãos para lutarem contra
as forças do mal é algo até aparentemente rotineiro nas séries. Mas a ideia aqui, nesse caso, é
mostrar personalidades opostas entre os irmãos, mas que se completam. Enquanto Gou é
severo e intransigente, Retsu é delicado e sensível. A ideia de um irmão mais velho que cuida
do menor mais “fraco” é algo que soa meio clichê para esse tipo de série. Principalmente
porque o irmão mais novo precisa provar que não é mais uma criança chorona. Está cedo para
avaliar o entrosamento dos dois irmãos. Mas já deu para ver que eles possuem muito para se
avaliarem e se reconhecerem. E conhecendo o estilo de Michiko Yokote para a série, essa
avaliação e esse reconhecimento vão levar alguns episódios. É um desenvolvimento bem
devagar que vale a pena ser assistido. Gekiranger não é uma série que para ser assistida de
qualquer jeito. Para ver o episódio da “semana”, tem que se sentar, apreciar, degustar. Tem
que se permitir entrar no universo da série e fazer parte da mesma. E é cada detalhe
interessante que não nos permitimos perder nenhum momento.

Finalmente fiquei sabendo a origem da forma animal dos 10 Mestres aqui. Realmente, existia
um segredo (que não vou revelar nessa resenha). É legal ver que cada Mestre teve uma forma
humana. Confesso que fiquei curioso em ver como eles eram antes de se tornarem “animais”.
Quem sabe vem com o tempo? O legal de Gekiranger é isso. A roteirista trabalha de um jeito
em que os segredos são revelados ao pouco. Levei 24 episódios para descobrir de onde vem
essa forma dos mestres. E a série possui outros segredos para serem revelados aos poucos. E
o modo que Michiko trabalha no desenvolvimento desses segredos faz Gekiranger ser
diferente. Só vi uma temática parecida do roteiro de Gekiranger no também excelente e
inovador Goseiger. Eu percebo uma evolução maior no roteiro dos sentais da década de 2006
até 2015. Evolução essa que não se via tem muito tempo.

Episódio 25: Hine-Hine! Meu Próprio Shigeki!

Gou toma uma decisão muito importante para a equipe.

Bem.... já temos o nosso líder. Ou melhor, a nossa líder. Ran deixou bem clara, por ordens do
Mestre Sha-fu que ela seria a líder da equipe. Existe uma diferença entre ser a líder e a
protagonista. Geralmente, equipes em que as mulheres são líderes possuem uma tendência de
serem melhores elaboradas. Foi assim com Kakuranger, Timeranger e Goseiger onde as
equipes foram lideradas por mulheres, mesmo elas não sendo as protagonistas (se bem que,
em Kakuranger, embora a Tsuruhime não seja a vermelha, diria que ela acaba pegando o
protagonismo para si). Sentais que saem um pouco do ponto fora da curva (ou seja, onde os
vermelhos não são propriamente ditos como líderes) fluem melhor. A história de Gekiranger
veio confirmar essa tese. Quando Sha-fu escolheu Ran para ser a “capitã” da equipe, a ideia é
mostrar que sentai não precisa ser necessariamente para meninos, mas que as meninas
também podem ser heroínas e lutarem por sua posição de igualdade. E o fato de Miki ser a
principal diretora da SCRTC para ajudar os Gekiranger já mostra que o sentai não precisa ser
exatamente para guris. Foi uma ótima sacada de Michiko Yotobi em dividir as tarefas entre
os dois gêneros. Afinal, o que interessa numa batalha é a vitória, e não o sexo. Ainda mais
que a equipe dos Gekiranger não possui muitos membros femininos, tanto da parte dos
Mestres Sagrados quanto dos combatentes. Nem falo pela equipe de vilões, que possui sua
parte feminina equilibrada. Mas dar essa chance para as meninas brincarem de serem
heroínas de super-sentai foi ótima.

Em tempo, que interessante é ver o Riki Miura em ação. O contraste entre os dois irmãos é
gigante. Enquanto Retsu Fukami é uma pessoa delicada e franzina, Gou Fukami é o oposto: é
turrão e parrudo. Esse contraste é interessante pois a ideia é mostrar que meninos de
personalidades diferentes podem ser o herói que quiser. Não precisa ser necessariamente
durão o tempo todo. Mas também não precisa ser delicado o tempo todo. A ideia de mostrar
dois irmãos de corpos e personalidades tão diferentes é boa. Mostra que existe tempo certo
para tudo. E que escolha incrível e contrastante entre Riki Miura (Gou) e Manpei Takagi
(Retsu) para serem irmãos. Enquanto Riki é alto (coisa rara para o padrão masculino japonês)
e parrudo, Manpei é baixo e magro. Enquanto o Gou é mais sério e durão, Retsu é delicado e
chorão. Mas existem momentos em que os irmãos mostram o oposto do que são. A ideia para
mostrar pros meninos é que os homens não devem esconder seus sentimentos e emoções.
Parece ilógico para a sociedade japonesa, que é vista como tão fria, né? Sim! A fama de que o
povo japonês é frio e insensível ecoa por todo o mundo. Ao mostrar que Gou é forte, mas que
chorou e que Retsu é fisicamente fraco, mas engoliu o choro só mostra que a intenção da
roteirista é moldar um pouco (pelo menos tentar) a personalidade dos meninos que assistem
super-sentais.

Episódio 26: Mohe-Mohe! Conselho Para Seus Problemas!

Tanto Jan, Gou quanto Rio vão atrás de respostas para suas dúvidas com Mestre Gori e
Mestre Michelle.

Respostas! Todo ser humano tem perguntas que lhes perturbam para ter respostas. Com
nossos heróis não foi diferente. Esse episódio mostrou a importância de se questionar. Todos
nós temos questões! Aqui tivemos em Jan, Gou e Rio como os questionadores de suas
crenças no Punho Marcial. Qual a função deles? O que eles precisam fazer para evoluir?
Bem... essas perguntas aparentemente ganharam uma resposta nesse episódio. Mas como
disse, APARENTEMENTE. A ideia é mostrar que nem todas as respostas vêm de imediato.
As vezes elas vêm gradativamente. Ou seja, as crianças não terão respostas sobre suas
funções na sociedade de imediato. E as vezes as respostas nem aparecem ou são como a gente
quer. As coisas aparecem sem a criança esperar. A ideia de que respostas surgem a medida
que os dias avançam é boa, para mostrar que a infância é a fase das descobertas. Não adianta
querer crescer logo. É uma balela. O bom é aproveitar cada fase de descoberta da infância,
passando pela adolescência e chegando na fase adulta. Não precisa pular etapas para
encontrar respostas rápidas. Elas vão chegar, não no nosso tempo. E mesmo que eles tenham
aparentemente encontrado respostas, tem muito mais envolvido. E a roteirista de Gekiranger
trabalha de um jeito em que as respostas venham devagar.
Em tempo, uma coisa que eu tenho achado legal é o revezamento de aparição dos Mestres
Sagrados. Claro! Sha-fu está em todas! Mas esse revezamento só mostra que todos eles são
importantes, sem tirar ou nem pôr algum detalhe. E o bom que, enquanto há esse
revezamento, não cansa o telespectador com os mesmos personagens diariamente. Essa tática
de revezamento de personagens eu só vi no sentai do ano anterior, no caso, Boukenger. Dos
que me lembro de cabeça. Esses mestres são poderosos. Não mostraram todo o potencial que
possuem. Acredito que isso virá com o tempo. Afinal, pelo que eu entendi até agora, com
exceção dos Três Mestres do Punho Negro, os outros Sete estão sob um juramento. O que os
levaram a essa decisão? Isso o tempo irá dizer. Mas o legal é que as respostas estão sendo
respondidas aos poucos. E o revezamento de personagens ajuda a não cansar o telespectador
com o excesso de personagens.

Episódio 27: Beran-Beran! Queimando o Play-by-Play!

Gou conta com a ajuda de Bae para derrotar sua fera interior.

Episódios em que os heróis são “possuídos” pelos vilões para lutarem entre si não é novidade
em nenhum sentai. Só de três séries exibidas aqui vemos que é uma tática que remota desde
os anos 80 do século XX. Depois de um começo de tensão, nossos heróis passam pelo dilema
de lutarem entre si devido a uma tramóia dos vilões. Mas é interessante notar como um
roteirista usa esse método na escrita. Em alguns sentais deu certo. Em outros não. Aqui deu
certo. O modo como Michiko Yotobi desenvolveu essa tática se torna interessante. Aqui, o
maior adversário de Gou não foi o Ki maligno. Mas foi sua busca errada por uma forma de
poder que resultou na sua mudança de forma. A cena da luta interna entre Gou e sua Fera
Interior foi bem caprichada para o tipo de roteiro em que ela aparece. Estamos falando de
produções infantis japonesas, não de blockbuster de Hollywood. Claro que, comparado a
essas produções, os efeitos especiais não seriam “obras-primas”. Mas a função desses efeitos
é mostrar (ou seria “esconder”??) uma anomalia nas cenas. Esse efeito da sobreposição de
imagens me lembrou o episódio 44 de Jaspion, onde, depois de terem sido atingidas pelo
golpe fatal de Jaspion, as figuras de Puryma e Gyuru aparecem diante da fera em que elas se
metamorfosearam. A técnica de efeito é a mesma usada aqui, mas com condições superiores.
E isso pode causar um misto de nostalgia e novidade de um telespectador atento.

Enfim, um episódio dedicado a mosca Bae. Ela se destaca como “narradora” oficial dos
combates entre os mechas e os monstros do dia. A simpática mosquinha tem um segredo que
a faz ficar interligada com Mele. A ideia de usar um “monstrinho simpático” para narrar as
lutas entre os mechas e os monstros pode amenizar o roteiro, deixando-o mais próximo do
público infantil. É de praxe que situações como essa ajudam o sentai a não esconder sua
identidade visual, que é de uma série infantil. Uma série para crianças de 8 anos pra baixo. A
mosca Bae é simpática. E vimos que ela não é tão ruim assim. Acredito que muitas crianças
japonesas da época devem ter torcido pela redenção (que não sei se vai acontecer) de Bae. E é
divertido usar esse recurso de “narrador esportivo” para brincar com o público. Bae se diverte
com as narrações e o público se diverte com ela. Isso deixa os episódios mais leves e
descontraídos, que é o que precisamos. Já disse uma vez e repito: um sentai não precisa ser
sério o tempo todo. Precisa manter o equilíbrio e a mosca Bae tem sido uma ponta
interessante e divertida nesse sentido de manter a série equilibrada. Mais leveza e menos
densidade.
Episódio 28: Bishi-Bishi! Pikiin, Ossu!

Mestre Sha-Fu convoca a quinta arma secreta dos Gekiranger.

Well... Mais um membro. Sobre ele não tem muito que falar. Aparentemente é irresponsável,
mas poderoso. Os nossos primeiros heróis custaram a aceitá-lo. Mas ele deu motivos. O
interessante desse personagem, até o presente momento, é que ele erra muito. Sim! Ele
lembra um pouco o Ban de Dekaranger ou o Sasuke de Kakuranger. Um típico herói que erra
e que, precisa passar por um incidente para superar seus erros e mostrar valor como
combatente. A ideia é ótima! Mostrar para as crianças japonesas que elas precisam deixar de
serem irresponsáveis para focar na disciplina e que pode produzir bons frutos. O ensinamento
básico de Gekiranger é que cada pessoa, com seu jeito de ser, pode se tornar um herói. Mas
cabe ao “guerreiro” se auto-disciplinar para isso. Com dedicação, a criança pode fazer
mudanças necessárias para ser um herói. E para ser um herói não precisa ser exatamente um
combatente. Qualquer profissão que a criança escolher para o futuro, se fizer bem feito, a
tornará um herói. É essa a ideia proposta aqui, pelo que deu a entender. Para ser herói não
precisa bater em bandidos. Defender a justiça, construir escolas, faxinar o quarto, ajudar a
família, cuidar dos animais, gestos simples e rotineiros como deve ser o treino de Sha-fu faz a
criança ser um grande herói na visão do elenco.

Enfim, é nesse episódio que acontece as principais mudanças na abertura da série. Temos
novos personagens em estado civil e transformados. Tanto da parte dos vilões como dos
heróis. É normal passar por essa mudança. E com esses novos personagens, novos segredos
vêm a tona para tentarmos decifrarmos. Mas interessante é que a abertura ganha novos
momentos, com a presença de Geki Violet, GekiChooper e Ron. Agora ela está completa. A
tendência de modificar partes da abertura original para a entrada de novos personagens é
antiga. Desde os anos 1990 acontece isso, quando entrou o Dragon Ranger em Zyuranger. E a
tendência é continuar com essa mudança. Vale salientar que o mesmo acontece com os
encerramentos. Geralmente, os sentais possuem mais de um especial. E em muitos casos, eles
usam cenas dos especiais para chamar a atenção do público no encerramento. Aqui já temos a
propaganda do especial de Verão (japonês) dos nossos heróis em Gekiranger. O
encerramento novo começou no episódio 21. Mas aqui já está voltando ao normal.

Episódio 29: Guda-Guda! Aqui, as Compras!

Os Gekiranger vão em busca de uma espada sagrada antes que caia nas mãos dos Akugata!

Muitas coisas acontecendo por aqui. Em primeiro lugar, a ideia de um monstro da semana
que absorve os golpes dos adversários pra ficar mais forte, para mim, soou como novidade.
Não me recordo nenhuma série anterior que eu tenha visto que use essa tática. Mas deve ter.
Como não vi todos os sentais, deve ter. Mas a tentativa aqui é boa e serviu para fortalecer
nossos heróis. Mesmo com esse perigo eminente, o episódio foi focado no humor. Situações
hilárias deram uma leveza para a trama, que está cheia de elementos soturnos na escrita.
Aliás, Hisatsu Ken veio trazer essa leveza. Ao contrário do que seu nome indica (os Kanjis de
“Hissatsu Ken” vem de “Punho Mortal”), Ken é uma pessoa leve, descontraída e vem
completar com Jan o equilíbrio entre a seriedade de Gou, Retsu e Ran. O quinteto está
dividido assim. É legal de ver uma equipe de heróis com personalidades tão distintas que se
completam. Jan, o menino selvagem e impulsivo. Ran, a moça honesta e rápida. Retsu, o
rapaz artista e acrobático. Gou, o homem sério e turrão. Ken, o moço irresponsável e leviano.
Cada uma com sua particularidade que faz a equipe ser especial. E essas particularidades nos
dão bons momentos de humor que a difícil vida pede.

E foi divertido o modo em que trataram um pouco do passado do Mestre Li. Como já foi
salientado, cada Mestre Sagrado (com exceção de Sha-fu) possui um sobrenome de um artista
marcial do cinema chinês que se destacou no mundo. É uma homenagem justa, visto que
Gekiranger é uma série que exalta o Kempô e o Wushu. Interessante notar que a direção está
caprichando em muitas cenas de ação com o elenco em estado civil. Isso é importante, pois,
embora a série visa ensinar valores, uma criança gosta de ver heróis em situações heróicas.
Apesar de alguns elementos com efeitos visuais que tramitam os movimentos dos heróis,
Gekiranger nos ganha por apresentar heróis em trajes civis entregando bons momentos de
coreografia de luta. Nós tivemos aqui um bom preparo físico do elenco pela Japan Action
Club (JAC) para entregar boas cenas de luta coreografadas. Visto que, nossos heróis são
artistas marciais de kung fu, era óbvio que eles deviam lutar sem ser transformados. E o
resultado tem sido um espetáculo para os olhos.

Episódio 30: A Bela e Honesta Mulher!

Mele se prepara para um golpe baixo.

Mele é um tipo de vilã atípica de sentai. Mesmo sendo vilã e desejar o fim dos heróis, ela tem
uma desvantagem que os jogadores de RPG chamam de “código de honra da honestidade”.
Mele tem um grande poder adormecido. E é incrível como estão trabalhando na construção
dela e de Rio. Quem vê uma atriz tão franzina como Yuka Hirata não imagina o quão
poderosa ela pode ser em cena. Do mesmo modo que os heróis, a dupla principal de vilões
também tem se destacado no bom condicionamento físico. Hirofumi Araki e Yuka Hirata têm
demonstrado aptidão para as lutas corporais. A equipe de “cast” tem cumprido com louvor a
missão de treinar os atores para os momentos de ação. E isso é elogiável. Super Sentai é o
primeiro contato das crianças japonesas com séries de ação, assim como Kamen Riders.
Embora nos Kamen Riders essa característica tenha desaparecido um pouco na década de
2000, os sentais já apresentaram o inverso: atores em estado civil em ótimas lutas corporais.
Isso exige um treinamento gigante por parte do elenco. E é tudo bem coreografado para não
causar danos graves nos atores. O treinamento de atores e dublês e partir da década de 2000
foi, digamos, “abrandada”. Depois de vários acidentes onde atores e dublês sofreram algum
mal físico, toda segurança é necessária. Em alguns anos atrás, um dublê sofreu um acidente e
veio a óbito. Mas nas décadas de 1950 até 1980 era tudo mais rústico. Eu vi numa entrevista
recente de um filme com tokusatsu em que se usavam espadas cortantes e de verdade em
cenas de lutas. Podem dar mais emoção ao público essas coisas? Sim! Pode! Mas o que o
público precisa entender é que são vidas em jogo. Atores e dublês não podem se arriscar para
satisfazer a Soberba pessoal do público sedento por sangue. Nesse ponto, sou a favor do uso
de CG em alguns momentos para a segurança dos atores e dublês, mesmo que se perca um
pouco do charme que se tinha nos tokusatsu antigos.

Em tempo, é interessante notar o aproveitamento dos “monstros da semana” em muitos


episódios duplos. Esse aproveitamento até acontece em muitos sentais. Mas em Gekiranger
acontece com mais freqüência que o normal. Mas isso faz parte da estratégia de roteiro, onde
a função dos monstros é mais do que “ser destruídos pela bazuca”. Eles fazem parte da
história. Estão inseridos no contexto do roteiro sem precisar ser destruídos de imediatos. Isso
era mais comum nos primeiros episódios. Nos episódios mais recentes deu uma pausa. Mas já
está voltando a rotina do monstro da semana sendo aproveitado na semana posterior ao
episódio prequel. É uma jogada interessante esse tipo de formato para os monstros da
semana.

Episódio 31: Nós Somos Muni-Muni!

Jan e Ken se unem para dar uma lição para um menino.

Primeiro episódio em que uma criança fora do círculo da SCRTC tem destaque. Isso sim é
digno de nota. Em super-sentais, é comum colocarem crianças para serem salvas pelos heróis
como protagonistas. E isso é uma tendência desde os anos 1970. Aliás, qualquer tokusatsu
infantil coloca crianças para serem protagonistas e darem alguma lição ao herói. Somente
kaiju eiga e chambaras raramente apresentam essa tendência de colocarem crianças para
servirem de escadas para os heróis. No geral, tokusatsu infantis de franquias consagradas
sempre colocam crianças para terem destaques, para que o público infantil possa se
aproximar dos heróis. É uma tendência que Gekiranger não seguiu. Tanto que precisou de 30
episódios para que uma criança fora do círculo de heróis tivesse um destaque. E no caso do
jovem Shinichi, não foi exatamente uma criança chorona. Muito pelo contrário. Foi uma
criança valente que enfrentou o monstro de igual pra igual e se arriscou pelos heróis. Dando
uma excelente lição para os heróis e para o público. Muitos fãs de tokusatsu tradicional não
costumam aceitar “crianças choronas e que gritam” nas séries. Acham que atrapalham mais
do que ajudam. Mas é importante numa série super-sentai, que é o primeiro contato do
público infantil com coisas de ação, que haja crianças que representem o público. E não é
errado ter crianças para serem salvas e darem alguma lição. Se faz necessário e justo. Afinal,
se são séries para crianças, elas precisam fazer parte do universo dos heróis.

Ainda sobre a questão da criança valente que ensinou ao público. É interessante notar que a
criança passou por poucas e boas. No caso do menino do episódio, ele mostrou para Jan e
Ken que eles precisam se unir para derrotar o monstro do dia. E Jan e Ken ensinou para o
jovem Shinichi que ele precisa se permitir ter amigos. Ah... a importância do círculo de
amigos! Sim! Quem se isola procura suas ideias egoístas e estouram contra a sabedoria
prática. A lição apresentada aqui é que super-sentai é uma série onde prega o coletivo, onde
não adianta fazer nada de forma solitário. Até mesmo em séries onde possuem “heróis solos”
(Kamen Riders, Metal Heroes e Ultras) precisam de companhia. E em Super-sentai isso é
mais acentuado. Afinal, super-sentai é uma série onde o coletivismo é essencial para o
sucesso das equipes. E não tem como resolver tudo sozinho. A força da Amizade é
importante para que as crianças não se isolem. Ainda mais na sociedade japonesa, onde a
tendência de se isolar é tão comum.

Episódio 32- Zowangi-Zowango! Juntos em Juugenkyou!

Os 7 Kenma enfrentam os 3 Tenma num combate decisivo.

Agora não terá tempo para o que chamamos de “episódios fillers”. São aqueles episódios
onde não acontece nada de relevante para o andamento da história. Michiko Yokote não
permitiu que nessa série tivesse muitos episódios fillers. Todos os episódios tiveram algum
acontecimento importante para o andamento da história e que ficassem intimamente ligados.
Dependendo da dosagem, episódios fillers podem ser úteis. Mas no geral, são totalmente
descartáveis. Poucos sentais acertaram na conexão dos episódios essenciais com os fillers.
Acredito que a principal função dos episódios fillers seja de “desligar” a mente do público
um pouco para a trama principal. Mas Gekiranger não deu brecha para esse tipo de
“desligamento”. É o tipo de série que, SE tu perderes UM episódio, você fica perdido no
andamento da história. E isso faz com que Gekiranger seja especial para o seu público. Dá
para contar nos dedos de uma mão os episódios fillers que a série teve até o presente
momento. E o roteiro é algo mais pesado do que séries super-sentais tradicionais. A
densidade do texto de Michiko Yokote faz com que não tenha muito espaço para filler. A
série funciona como se fosse uma mini-novela, onde se tem uma coesão nos episódios. Não
se tem tempo para episódios paralelos. Talvez esse seja um dos motivos para que Gekiranger
seja uma das séries mais populares entre os fãs.

É interessante notar que os Tenma e os Kenma foram os principais desse episódio. Nossos
heróis tiveram uma participação pífia, mas essencial. Mas o episódio pertenceu aos 10
Mestres Sagrados. Foi um episódio onde se começa a reviravolta do roteiro. Não houve nem
vencedores e nem perdedores. Aliás, não tem nada decidido ainda. Mas a maioria dos sentais
tem uma reviravolta mirabolante no meio da série onde todos os personagens aparecem e se
destacam. Aqui, não teve protagonismo. Todos tiveram uma aparição importante.
Principalmente os 10 Mestres Sagrados. Ficamos sabendo um pouco do passado deles.
Depois de se ter várias peças na “mesa”, agora se começa a encaixá-las. Daqui até o final
será só isso: a montagem das peças. Serão episódios onde não se terá tempo para piscar,
senão, perde o fio da meada.

Episódio 33: Fure-Fure Gachiri! Kung Fu Chosingura!

Nossos heróis são transportados para o Período Edo.

Ah, um episódio agradável. Ainda mais para quem é fã de Chambaras como eu! Esse
episódio foi uma homenagem justa aos primeiros gêneros tokusatsu da história do Japão: os
Kaiju Eiga e os Chambaras. É interessante notar que muitos fãs não consideram esses dois
gêneros (a gênesis do tokusatsu moderno) como “tokusatsu”. Mas eles possuem heróis.
Possuem lutas. Possuem monstros. Então, não tem como desconsiderar esses dois gêneros do
cinema japonês como tokusatsu. Kaiju Eiga são os filmes de cinema japonês que mostram
algum monstro, em sua maioria, gigantes. O primeiro foi Godzilla, de 1954, que popularizou
os efeitos especiais japoneses. Apesar do “monstro” aparecer pouco, os efeitos especiais estão
ali e ele existe. A criação de Godzilla levou o mercado japonês a investir em muitos
monstros. Tanto que a figura de um “monstro” (ou kaiju) aparece em mais de 90% do
tokusatsu que a gente conhece como gênero. A maioria é como vilão, embora ainda existam
algumas séries que retratam alguns dos monstros como alguém bonzinho. Desde quando o
super sentai existe, a figura de uma criatura de aspecto monstruoso se faz presente nas séries.
Os primeiros não se tornavam gigante. Foi a partir de Battle Fever J que eles se tornaram
gigantes, numa homenagem clara aos filmes de monstros da década de 1950. E aqui tivemos
a aparição de um monstro no tamanho humanóide e no tamanho gigante, para causar pânico e
pavor nas pessoas. E o monstro da vez possuiu um dos aspectos mais tenebrosos da série (por
enquanto). Acho que esse aspecto tenebroso do Mukoua foi proposital, para retomar aos
clássicos monstros do cinema japonês que causam um impacto no telespectador.

O outro gênero de tokusatsu homenageado e o mais claro de todos foram os Chambaras.


Chambaras são filmes e séries que retratam o Japão Feudal. O termo veio de uma
onomatopéia (palavras que simulam sons) chan-chan-bara, que simula a batida de espadas de
metal entre si. Também são chamados de Drama Taiga, Ken Geki, Jidai Geki e Nippo Heroes
(forma menos conhecida que se tornou popular no ocidente graças a aclamação do filme O
Último Samurai, de 2003). Os chambaras, assim como os kaiju eiga, podem ser considerados
o gênesis do tokusatsu. Eles usam de efeitos especiais para cortar as pessoas ao meio,
reconstrução de época e, dependendo do contexto, os chambaras podem usar efeitos especiais
mais pirotécnicos (quem assistiu Azumi vai entender o que quero dizer). Se usam desses
efeitos especiais simples, mas precisos, do mesmo modo que os Kaiju, então são tokusatsu. O
mais famoso é o clássico Os Sete Samurais de Akira Kurosawa, do também ano de 1954. Os
criadores de séries e filmes de super-heróis, do mesmo modo que os Kaiju Eiga, pegam
elementos dos Chambaras para fazerem as séries. Afinal, se pegarmos as quatro franquias
principais do gênero tokusatsu (Kamen Rider, Metal Heroes, Super Sentai e Ultra), teremos
cenas de lutas entre os heróis e os vilões. E nesse episódio tivemos também cenas de lutas
entre heróis e vilões. A justa homenagem está no fato de usarem a época feudal para
retratarem as lutas entre os heróis e os kaijus. Ou seja, considero esse episódio o melhor até o
presente momento por apresentar uma justa homenagem aos gêneros mais antigos de
tokusatsu existente: Kaiju Eiga e Chambara.

Episódio 34: Gowangowan no Daidan! Jyuken Kiyojin, Kenzan!

Nossos heróis ganham mais poder.

Um episódio eletrizante. Um misto de Passado, Presente e Futuro juntos num episódio onde
vemos explosões na Pedreira da Toei e efeitos práticos de CGI. Essa mistura de Passado,
Presente e Futuro é interessante. Gekiranger tem um feito até aqui que é de agradar público
de todas as décadas. Esse episódio só fez com que o povo elogie a grandiosidade de Michiko
Yokote como roteirista. A série está se tornando uma das melhores nos quase 50 anos. Somos
agraciados aqui com uma roteirista competente que criou uma trama que pode agradar tanto o
público infantil como o público adulto. Essa competência é rara. Sei que Gekiranger foi uma
série que não deu muito retorno para a Toei e a audiência foi minguada. Mas isso não
significa que a série é ruim. Muito pelo contrário. A série é ótima e está entrando fácil no hall
das 5 Melhores Séries Super Sentais, segundo a minha visão. E boa parte disso se dá ao
trabalho excelente de Michiko Yokote, que escreveu uma série para todos os públicos que
consomem tokusatsu. A série não é perfeita. Mas tem elementos que a faz se destacar.

Um dos defeitos da série que vi até o presente momento e que está sendo consertado a partir
desse episódio está na Fotografia. É muito importante uma Fotografia que compele o público
a absorver a trama. A importância da Fotografia envolve o enquadramento da câmera e as
cores. Acho que, em muitos episódios, o diretor de Fotografia se prendeu muito a cores
escuras. E isso não é bom. Por mais que Gekiranger tenha um roteiro bom e mais maduro que
os anteriores, jamais devemos esquecer que é uma série para crianças. E elas gostam de ver
tudo colorido. Claro que o excesso de cores não é bom. Não ia ficar legal um cenário do covil
dos vilões todo cheio de rosa, amarelinho brilhante e verde fosforescente cheio de fru-fru. No
começo, a fotografia casou muito bem com a direção de arte. Mas depois focou demais em
cores escuras. O que ajudou a amenizar isso foi a presença de Ron, que deu mais cor nas
aparições dos vilões e sem perder o tom soturno que esses personagens exigem. Mas nesse
episódio, a Fotografia apresentou uma leve melhora. Nós nos sentimos imersos nas cores que
fazem parte do time de heróis e no tom cinzento que reveste o time dos vilões. Houve o ápice
do equilíbrio entre cores alegres e tenebrosas. Espero que a correção da Fotografia da série
nesse episódio seja permanente. Dá para mesclar entre o claro e o escuro com equilíbrio.

Episódio 35: Gyuon-Gyuon! O Poder da Besta Bloom!

Nossos heróis ganham mais uma fusão!

Ah.... o que seria uma série Super-sentai sem a fusão dos mechas, né mesmo?? Aqui até que
demorou, mas saiu. E nem precisou passar por uma super-transformação. As “feras” só
ficaram em cima uma da outra e nossos heróis liberaram uma nova forma de poder. É
interessante notar que, em cada episódio, nossos heróis finalizaram a destruição do monstro
da semana com um golpe diferente do mecha. Haja criatividade para, cada semana, ter uma
finalização nova! Aqui não temos aquela mesmice dos sentais dos anos 80 com o mecha
dando um golpe de misericórdia único no monstro para explodi-lo. Aqui nossos heróis
inovam nos movimentos. Aliás, isso é Kempo e Wushu, onde os movimentos não possuem a
tendência de se repetir. As artes marciais chinesas, como nós vimos no episódio 13, celebra
uma mistura de Dança e Combate. E isso deixa a série envolvente.

Ainda sobre a questão da Dança, é interessante notar que deu uma amenizada nas Sete Artes.
Vimos o envolvimento da Pintura e Dança com Retsu nos episódios 06, 13 e 14, o Cinema
Japonês sendo homenageado no episódio 33, a Escultura tendo destaque no episódio 26 com
Jan, a Arquitetura sendo representada no episódio 29 nas cenas em Chinatown, a importância
da Literatura sendo exaltada por Gori no episódio 20. Só falta a Música ser apresentada de
alguma forma. Mas nada impede de que isso ocorra logo. Essas manifestações das Sete Artes
Clássicas misturadas com o Kung Fu foi uma tacada genial. E ainda por cima associá-las com
o crescimento e amadurecimento dos heróis. É uma novidade e tanto ter essa associação entre
a Educação Artística e a Marcial. Afinal, tudo é arte. E tokusatsu é Arte. Super Sentai é Arte.
Gekiranger é Arte.

Episódio 36: Mukyu Mukyu! As Três Irmãs Ladras Fantasmas!

Retsu enfrenta três ladras.

Um episódio filler. E bem descontraído, por sinal. É interessante notar que, depois de uma
sequência de episódios onde a tensão é trabalhada, deram chance para um pouco de alegria.
Talvez seja assim até a reta final, onde eles vão alternar entre os episódios fillers e os que
realmente acrescentam algo para a trama. Embora tenha sido filler, esse episódio mostrou
uma situação que acrescenta um pouco a trama, mas isso é visto no final. Não sei como será
esse andamento na reta final, mas espero que a roteirista não se perca. Mas acredito que esse
episódio filler (e provável que os próximos também ) seja para cumprir meta. Boa parte da
trama central já foi resolvida. Muitos segredos e mistérios foram revelados e estudados. Mas
claro que a tendência, conhecendo o estilo de escrita da roteirista, é dar um novo rumo para a
trama que tenha o clímax nos eventos finais. Até lá, acredito que teremos uns episódios fillers
para atingir a cota proposta pelos patrocinadores. Afinal, Super Sentai é um caça-níquel. Eles
precisam vender. E se não vender, é cancelado. Normal como qualquer coisa do mundo dos
negócios. E para vender, precisa de um longo tempo de exposição. Por isso que concluímos
que Gekiranger não podia terminar agora. O público deve se preparar para episódios extras a
partir daqui até a conclusão da série.

Incrível como Manpei Takagi se mostrou um exímio acrobata em ação. O Retsu que ele
interpreta tem um estilo de luta bonito. E ele demonstrou uma aptidão gigante para as
acrobacias de combate e o estilo kempo punho bêbado. Movimentos bonitos, graciosos e
estilosos, que fazem de Retsu um dos melhores combatentes da franquia (batendo de igual
pra igual com o Kirinranger de Dairanger, que possuem o estilo semelhante). E acredite. Ele
passou o episódio todo lutando sem se transformar. Isso é raro na franquia, visto que a
tendência é botar nossos heróis para lutarem transformados. Mas não aconteceu aqui. Aliás,
nesse episódio, só um Gekiranger se transformou. Os outros não fizeram nada transformados.
Essa situação de explorar o potencial do elenco sem que eles se transformem é interessante. É
uma tendência que era até comum nos anos 80 do século XX, mas que diminuiu a medida que
os anos foram passando. Gekiranger está recuperando essa tática que, espero eu, se estenda
para outras gerações de super-sentais.

Episódio 37: Não Lamente Sobre Uma Entrevista de Casamento!


A mãe de Ran propõe um casamento para ela em troca de deixar os Gekiranger.

Um episódio filler que não é filler. Estranho, né? É um episódio focado no humor dos
personagens. Um episódio bem descontraído, mas que possui eventos que não são “fillers”,
pelo menos na parte dos vilões. É interessante ver que, daqui pra frente, os eventos decisivos
terão situações calamitosas. Ou seja, nossa equipe de heróis vai precisar de um pouco de
leveza. E é isso que vimos aqui. A ideia proposta, não sei se foi intencional por parte da
roteirista, é que o público tenha responsabilidades, mas que curtam um pouco a vida e a
juventude. Nossos heróis são jovens. Eles precisam ter responsabilidades, mas um pouco de
lazer. E é isso que foi mostrado aqui. Eles tendo lazer e diversão sem deixar de serem
responsáveis. Foi uma situação necessária. Todos nós precisamos de lazer. Descansar,
espairecer, de um pouco de leveza. E esse episódio mostrou que, apesar das imensas
responsabilidades, eles levam a vida com leveza. Aproveitar a vida. É tão difícil na sociedade
japonesa atual, onde a pressão para se ter uma carreira bem sucedida e ter muitos bens é
essencial. Não tem espaço para atividades sociais, exceto em feriados. A fama dos japoneses
é de que eles vivem para trabalhar, ao invés de trabalhar para viverem. Os japoneses são
honestos em muitos casos. Mas se permitem se sobrecarregarem com muitas atividades.

Em tempo, aqui ficamos conhecendo um dos muitos costumes japoneses, que são os Omiai.
O que é isso? Bem... é a entrevista de casamento, onde os pais combinam com pretendentes
dos filhos para um casamento arranjado. É um costume antigo desde o período Edo. Mas nem
sempre é bem visto pelas partes envolvidas (os filhos). É o caso aqui. Ran Uzaki não curtiu
muito a ideia proposta pela rígida mãe. Afinal, ela tem uma missão a cumprir. Aqui vimos
que a mãe de Ran se preocupa com o futuro da filha. Todo pai e mãe se preocupam com o
futuro dos filhos. Mas a ideia aqui é deixar que os filhos fiquem a vontade para decidirem
seus futuros. E é uma coisa rara, pelo menos na franquia Super Sentai, é mostrar parte da
família dos heróis. Só lembro de cabeça Flashman, Fiveman, Jetman, Megaranger e
Magiranger. Em muitos casos, a ausência de um membro da família nas séries é justificada
como medida de proteção. Ou seja, a família não pode ser usada como distração na mente dos
heróis. Eles precisam focar na missão. Vimos aqui o risco da presença de um membro da
família dos Gekiranger e de como desestabilizou um pouco a mente de Ran. Mas pelo menos
ela pôde voltar ao normal a tempo.

Episódio 38: Biba-Biba! Um Outro Retsu!

Retsu sofre com um feitiço GenJuuken.

É uma crença japonesa de muitos anos que todo ser humano tem uma “cópia”. Um espelho
que demonstra um “eu” diferente da pessoa. A ideia dos Kagami é usada desde tempos
remotos em muitos animes, mangás e, PRINCIPALMENTE em games. Nos games,
principalmente os de luta (muito comum nos jogos da SNK, principalmente), os lutadores
possuem uma “cópia”. É o Espelho! Geralmente, as “cópias” dos personagens possuem uma
personalidade contrária a pessoa original. Isso seguindo as tradições japonesas do “Kagami
Chikiyu” (ou o Mundo dos Espelhos). Em Tokusatsu, principalmente em sentais, é um
método recorrente usar as “mirror matches” nas séries. Eu imagino o quanto Manpei Takagi
treinou para exercitar os seus dois lados (destro e canhoto) e isso é elogiável. Houve todo um
treinamento por parte do ator em demonstrar uma faceta ambidestra. Afinal, enquanto Retsu
era destro, sua cópia tinha que mexer com o lado esquerdo. E o mais difícil: Manpei tinha que
dar uma personalidade boa para Retsu e uma perversa para a cópia. E fazer isso trocando as
feições faciais do personagem exigiu muito preparo. E o resultado foi excelente. Manpei
conseguiu fazer essas mudanças de feições com muita naturalidade. Aqui vimos um ator
evoluindo desde o começo da série. Não dava muito para o elenco de Gekiranger no início da
série. Mas todos eles mostraram uma evolução considerável no decorrer da trama.

Em tempo, segundo episódio onde se mostra que existe desavença entre membros da família.
O primeiro foi o anterior (o 37). Essas desavenças são normais. Mas isso não é motivo para
ficar “de mal” com o irmão. A ideia que os japoneses têm de família é que cada membro tem
que ser perfeito. O Marido provedor da casa e bem sucedido, a Esposa sendo a responsável
pelo lar e pela família e os Filhos sendo submissos aos pais. Mas isso só na teoria. Na prática,
a família japonesa mudou, assim com as de qualquer país do mundo. A ideia desse episódio é
não permitir que desavenças atrapalhem o relacionamento familiar. Quando isso acontece, a
ideia é tentar resolver o mais rápido possível. É uma forma de moldar as crianças japonesas a
se apegarem aos valores da família. Afinal, no fim das contas, é o pai, a mãe e os irmãos que
nos sustentam fisicamente, materialmente, emocionalmente e até mesmo espiritualmente
(dependendo da família). É interessante notar que a roteirista quis mostrar nesse episódio que
os valores da família são importantes. A sociedade atual japonesa moderna não é muito
apegada a esses valores, tanto que a taxa de natalidade do país é uma das mais baixas e a
sociedade japonesa está envelhecida. Mas isso não significa que devemos deixar os valores
familiares de lado. Muito pelo contrário. Deve ser explorado o máximo e deixar a sociedade
japonesa mais amena e aberta aos sentimentos.

Episódio 39: Uro-Uro! Crianças Que Nunca Retornam!

Miki se une aos Gekiranger para salvar Natsume.

Vamos falar de Itou Kazue, a nossa Masaki Miki. A função dela seria ser assistente de Mestre
Sha-fu. Mas ela se tornou mais do que isso. Exímia combatente, nesse episódio ela se igualou
a nova forma de Mele em combate. Miki tem tido a função de mãe do quinteto de heróis. Ela
também cria as armas e os trajes de combate. Miki é uma das personagens mais importantes
da série. Sem ela, não teríamos os Gekirangers. E esse foi o episódio dela. Mesmo sendo peça
fundamental da equipe, estava faltando um episódio em que Miki fosse a protagonista. E essa
demora foi corrigida nesse episódio. É tão bom ver um destaque para uma atriz com grande
potencial. Kazue começou a carreira como dubladora (ela dublou Shura em Rurouni Kenshin
na década de 1990). Mas foi como a Miki que ela se destacou. Pena que ela abandonou as
artes cênicas. Sua última aparição com tokusatsu foi em Shinkenger numa rápida
participação. Mas fez falta uma artista desse porte. Além disso, ela se mostrou uma exímia
artista marcial. Os movimentos nas coreografias dela em combate foram excelentes e
precisos. Bom que deram o destaque merecido para ela no tempo certo. E que combate ela
teve com o monstro Haku.

Ainda sobre o episódio, depois de um em que a mãe é severa com a filha, aqui vemos o
contrário: o excesso de amor e preocupação da mãe pela filha. Episódios tão contrastantes
que se completam. A lição nessa sequência de episódios é que a família é o principal segredo
para se vencer o mal, mesmo que tenha desavenças. Miki irritou a filha, que se revoltou.
Tudo porque a mãe comeu umas tortas de ovo (que, pelo formato, parecia ser pastel de
Belém, doce português, visto que Portugal deixou marcas de sua culinária na cultura
japonesa). A relação entre Miki e Natsume é cheia de altos e baixos. Mas no final, o vinculo
materno sempre é mais forte e as duas se completam. Interessante notar que Miki é uma mãe
solo. É muito comum a imagem que o público ocidental tem do Japão é de eles terem uma
família certinha. Mas não é isso que vimos. A ideia é mostrar que a sociedade japonesa não é
perfeita como se imagina. Existem muitas controvérsias e os japoneses fazem questão de
mostrar em suas publicações que eles são normais e que possuem falhas. Sim! Morar no
Japão não é o “paraíso” como muitos otakus pensam que é. É uma sociedade falha assim
como qualquer uma. E isso é mostrado nesse episódio.

Episódio 40: Cabeça Ficando Bakaan! A Chocante Verdade!

Parte do passado de Jan é desvendada.


Agora o quebra-cabeça está quase se formando. Interessante notar que essa sequência de
episódios em apresentar os laços familiares dos heróis teve um objetivo na trama, que é
respondido aqui. No fim, a Família é a chave. Agora está se moldando o objetivo do roteiro.
A derradeira conclusão será no último capítulo, claro! Mas é interessante que aqui nós vimos
como o roteiro se moldou. Michiko Yokote é uma das melhores roteiristas que eu vi em
sentai. O roteiro dela não é perfeito, claro, mas é preciso e tem coesão. Era óbvio que as
peças levavam a isso. É elogiável a forma como Michiko exaltou a Arte, a Cultura e a
Família numa série onde o foco é a arte marcial. A roteirista se mostrou muito inteligente na
condução da história. O roteiro de Gekiranger está entre um do Top 5 de melhor roteiro,
devido a elaboração de como foi construído a história, cheia de homenagens interessantes. A
reverência de Michiko Yokote para a Arte, Cultura e Família é notada num texto sensível e
que prende. O telespectador fica tão absorto na trama que fica ansioso pelo próximo episódio.
O que diria é que Gekiranger é uma novela para crianças escrita de forma inteligente. Já me
ganhou aí.

Ainda sobre as Sete Artes, a Música até o presente momento não foi representada na série em
si. Mas ela está sendo representada nos clipes finais iniciados no episódio 39, onde cada
membro terá um clipe sendo apresentado. A proposta desses clipes é vender os CDs da trilha
sonora da série com músicas que exaltam os valores positivos na vida das crianças. Essa foi a
forma em que a Música se sentiu representada na série. Lembrando que, embora CDs e
DVDs sejam obsoletos no Brasil, no Japão o mercado de mídia física está longe de se acabar.
E a venda de CDs é uma prova de que, nos anos 2000, as mídias ainda estavam em alta.
Aliás, está até hoje. Existem locadoras de vídeos no Japão. E o mercado de CDs no Japão está
forte. E está crescendo rápido o mesmo tanto que a música oriental no Ocidente. Aos poucos,
o Ocidente está descobrindo o jeito japonês de se ouvir e cantar música, do mesmo modo em
que descobriram a arte sul-coreana. E está crescendo vertiginosamente. O mundo já se rendeu
ao Japão graças a série Shogun de Hiroyuki Sawada que arrebatou vários prêmios esse ano.
Quem sabe o Ocidente não se renda a mais produtos japoneses como tem acontecido no
mercado de super-heróis?

Episódio 41: Zushi-Zushi! Não Mais!

Jan passa por uma crise emocional.

Um episódio eletrizante. O quebra-cabeça está aparecendo. Jan não se transforma em nenhum


momento. Geralmente, num super-sentai, sempre tem uma sequência de episódios onde o red
sofre com uma crise existencial. E isso geralmente é reservado para o arco final. E aqui em
Gekiranger não foi diferente. Jan está passando por dilemas. Consumido pela Inveja dos
companheiros por terem família e ele não, somos surpreendidos por uma nova faceta de Jan.
Conhecemos um Jan amargurado, aborrecido e estressado. Não tem mais aquela vitalidade e
jovialidade que estamos acostumados a ver do Jan do início. E sim, ficamos conhecendo um
pouco do passado do nosso protagonista. Eu jurava que não tinha lógica ele ter sido criado na
floresta, nesse episódio, entendemos o porquê disso bem aqui. Geralmente, o passado dos
protagonistas rende alguns episódios. Aqui já é o segundo. Vamos ver se seremos
surpreendidos.

Para quem gosta de “tokusatsu clássico da infância”, vai ser surpreendido por uma
participação MAIS do que especial nessa série e sequência de episódios. Não vou dizer quem
é para não estragar a surpresa, mas é uma participação importante. Claro... não é bom ator,
mas é um excelente dublê e artista marcial e, na época de Gekiranger estava em forma.
Envelheceu pouco da década de 1980 pra 2007. Fazendo movimentos precisos de séries
anteriores que ele participou, o que gerou um misto de nostalgia e aclamação. E ele tem se
tornado uma pessoa importante nesse arco final e seu personagem tem sido a chave para a
solução de muitos dilemas da série. Eu diria que essa participação deixou a série mais
grandiosa do que já é. Um momento de conexão com o passado. Aliás, a série já mostrava
essa conexão com o passado. A repetição de uso de cenas de destruição de maquetes nos anos
80 com um pouco de CG moderno fez com que Gekiranger fosse uma série que,
indiretamente, homenageasse o passado, principalmente a década de 1980.

Episódio 42: Use Washi-Washi para se superar.

Jan volta a si.

Ah... o episódio de superação do Red que existe em muitos sentais. Agora a roteirista está
usando o clichê a seu favor. Não vejo problema em usar situações rotineiras nas séries.
Sabendo usar, pode ser útil. É o caso de Michiko Yokote que favoreceu o clichê a favor do
andamento da série. É muito difícil um sentai usar elementos que sejam 100% inéditos. Ainda
mais de uma franquia que tem quase 50 anos. Era óbvio que haverá momentos em que o
roteiro pegará elementos de séries anteriores a seu favor. E com Gekiranger não foi diferente.
Coisas vistas em sentais como Changeman, Flashman, Maskman, Kakuranger, Liveman,
Turboranger, Jetman, Fiveman, Megaranger e entre outros estão presentes aqui nessa série
também. E sem falar que Gekiranger é a série de número 31. Ou seja, antes dela tivemos 30
séries. É muito comum o uso de repetição de situações nessas séries. E é muito difícil de criar
uma situação nova. Mas dá para pegar os mais de 1000 episódios da franquia e fazer várias
combinações de situações.

Um elogio sobre a atuação de Hiroki Suzuki é necessário aqui. Eu também não levava muita
fé no trabalho dele no início. Mas ele evoluiu bastante no decorrer da série. Mas não conheço
outros trabalhos do ator. Pelo que andei pesquisando, ele só tem Gekiranger no currículo e o
Jan como trabalho único no ramo da atuação. Na época de Gekiranger, ele tinha 23 anos. E
retornaria ao personagem em Gokaiger. Não sei o que houve para que ele abandonasse as
cênicas, mas ele se mostrou também um exímio acrobata. Ele nos presenteou com ótimas
coreografias de luta. É interessante ver que um ator com a capacidade dele encarou alguns
momentos para fazer um herói diferente. Geralmente, um ator da Era Heisei evita muitas
cenas de combate corpo a corpo, recorrendo a dublês para isso. Mas ele não teve medo de ir
para cenas de ação. É uma pena que ele não voltou mais para o ramo da atuação em séries ou
filmes de ação.

Episódio 43: Hapi-Hapi! Feliz Natal, OSU!

Ken e Pyon se empenham em levar alegria para um garoto estrangeiro na noite de Nata.

É um costume que percebo desde os anos 1990 de dedicar um episódio filler da franquia para
o Natal. Foi um episódio bem leve, mas com algumas camadas de drama. A novidade desse
episódio foi por representar um feriado ocidental no Japão. O Natal é uma data em que os
japoneses não levam muito a sério no sentido religioso. Mas tem uma importância gigante
para o comércio japonês. A data chegou a ter conhecimento no mundo japonês quando
católicos portugueses chegaram ao Japão no século XVII. De lá, tivemos muitos costumes
ocidentais adentrando no universo japonês. Foi assim com algumas aspectos da culinária,
vestuário e armas. O pão e o tempurá, por exemplo, são de origens portuguesas. A ideia de
apresentar nesse episódio um pouco o comportamento dos japoneses para um costume
ocidental que está arraigado desde o final do século XIX no Japão. Quem leu a série de livros
Bando de Pardais e Ponte de Outono (de Takashi Matsuoka) verá que os japoneses aceitaram
bem devagar os costumes “bárbaros” e que isso é retratado no Japão desde tempos remotos.
Só que o Natal japonês moderno é diferente do Natal japonês do século XIX. A ideia aqui é
mostrar que a data não passa de uma desculpa para presentear as crianças e comerem bolo. E
então, usam esse especial para vender mais brinquedos para as crianças.

Em tempo.... uma raridade usar atores estrangeiros fora da etnia asiática em super-sentais. De
cabeça só lembro de Liveman e Abaranger que usaram pessoas assim. E o mais legal. Eles
tiveram suma importância para o andamento do especial de Natal da série. É atípico isso,
visto que a fama do povo japonês com estrangeiros não é das melhores. Sim! Desde quando
portugueses, espanhóis, franceses e holandeses chegaram ao Japão por intermédio de
Nagasaki no século XVII que eles olham torto para as tradições “bárbaras”. Os japoneses
custaram a aceitar o uso da arma de fogo, achando que eram sujas e que são para fins sem
honra. Se colocar um ator estrangeiro para falar inglês na série já é difícil, imagine colocar
dois? Foi o que aconteceu aqui. Foi uma oportunidade que os japoneses tiveram de
demonstrar que não são tão xenofóbicos assim (isso só na teoria...). Enfim, foi um episódio
filler que não mudou em nada no andamento da série.

Episódio 44: Wafu-Wafu! A Melodia do Pai!

Jan para por uma provação para derrotar Suugu!

Um episódio bem dramático para quem está acostumado com ótimas cenas de ação. Acredito
que, nesse caso, foi “aquele” ator (que não vou falar quem para não dar spoillers)
coreografou. O que me chamou a atenção nesse episódio foi o cenário da luta. O mesmo lugar
de onde foram gravadas várias lutas de tokusatsu infantil e até mesmo entre grandes
chambaras para um público mais velho. A grama dourada e a tarde de sol se fizeram
presentes. A trilha sonora que replica um pouco os filmes de samurais deixou o episódio mais
encantador. Mas o principal mesmo foi o cenário muito bem escolhido. É importante explicar
que um cenário bem escolhido pode deixar certas batalhas mais épicas do que já são. Muitos
diretores de produções japonesas fazem uso de um bom cenário para deixar o filme ou a série
marcante. Na maioria dos casos, em séries tokusatsu infantil, o cenário é a Pedreira e terrenos
adjacentes, mas não deixam de serem belos e atraentes. O fascínio que os japoneses possuem
para que a Natureza seja testemunha de uma batalha mortal é elogiável. Em cada sentai tem
um momento desse num cenário espetacular que enche os olhos. E isso é bom!

De uma coisa é certa. Estamos vendo que a série está se aproximando do seu clímax
derradeiro. Mas o mais legal é que está no seu ritmo. Não tem nada apressado. Não tem nada
atrasado. Tudo no seu ritmo. Existe um verso infantil que diz: “não tenha pressa, vá
devagar... quem muito corre, acaba não saindo do lugar!”. Vendo o modo como estão
conduzindo o derradeiro clímax, então tudo resolvendo bem. Pelo menos já sabemos o que
representa a figura do vilão. Quem é o vilão ou vilã da série? A roteirista deixou essa dúvida
a série toda. Mas que está sendo respondida desde então. O jeito como a roteirista trabalha
com o imprevisível é digno de nota. Geralmente, um sentai deixa o roteiro meio previsível
(foi assim com muitos sentais dos anos 80 do século XX). Mas deixar para as coisas se
resolverem e se responderem sem pressa tem sido genial e tem deixado a experiência com
Gekiranger especial.

Episódio 45: Pikiin! A Decisão do Destino!

Finalmente acontece o duelo final entre Jan e Rio.


Ah.... a esperteza do uso dos cenários. Mais cenários conhecidos de fãs de tokusatsu para
deixar uma série marcada. Dessa vez foi o litoral rochoso que aparece em muitas cenas de
filmes de chambaras e tokusatsu dos anos 70 e 80. O trabalho da escolha de cenários de
Gekiranger é uma aula de beleza e nostalgia. Uma viagem no tempo com a escolha certa de
cenários que deixaram as cenas marcadas. A luta entre Jan e Rio está entre as melhores dos
sentais das que já vi. No começo, eles lutam destransformados. Mas depois que eles se
transformam, a luta fica mais violenta. Efeitos de explosões e outros pirotécnicos permearam
o momento com muita beleza prática. Ah... não podemos esquecer do duelo diante do
entardecer tendo o vento como testemunha. Daria um cenário perfeito para um chambara.
Mas souberam aproveitar a beleza do cenário para compor uma cena memorável em toda a
franquia. E como a escolha de um cenário perfeito mexe com a gente. Muitos duelos de séries
antigas aconteceram nessa praia. E sempre no entardecer. Mas o charme dessa luta está no
roteiro e na dramaticidade que chegou nessa situação. O combate foi maravilhoso.

Aparentemente, a série terminou. A parte principal da história foi resolvida. Agora vem a
conclusão final com o destino dos heróis e vilões. Gekiranger é uma série que tem muita
coisa surpresa. Mas mostra previsibilidade em outros pontos. Mas o charme está de como o
roteiro conduz ao derradeiro clímax. A história de Gekiranger tem uma ótima conexão.
Poucos episódios fillers e uns 88% dos episódios sendo canônicos. Gekiranger é uma série
que apresentou isso. Proporcionou um esquema de roteiro semelhante a uma novela, onde a
falta de um episódio se perde o fio da meada. Ou seja, o maior charme de Gekiranger está
sendo a forma de como o roteiro foi conduzido.

Episódio 46: Memória Gyawa Gyawa!

O passado de Jan e Rio é revelado.

Agora o quebra-cabeça está se formando. E está quase completo. Já ficamos sabendo quem é
o antagonista principal. Mas ainda temos segredos para serem revelados. E a produção está
aproveitando cada segundo da série para prender o telespectador. Gekiranger é uma série
subestimada. Pelo que andei analisando, muitos não levam a sério esse sentai por causa das
falas do Jan. Mas devemos se tocar que é o jeito dele se comunicar. Ele é um menino
selvagem. Foi criado entre pandas, tigres e falcões. O vocabulário dele é limitado. E ele não
está acostumado com a vida na cidade. Ele passou a ter contato com a civilização depois que
se tornou um Gekiranger. E nesse episódio nós vimos o porquê de Jan agir e berrar assim.
Não é besteira da roteirista em dar esse tipo de fala que faz parte dos títulos dos episódios.
Tem uma lógica aquilo estar inserido ali. E isso só é respondido aqui, no episódio 46. Agora,
deixar de assistir uma série excelente dessa porque o vermelho solta uns grunhidos que não
são entendíveis soa um pouco injusto para a série. Tudo precisa ser assistido para ser
absorvido. Tudo que foi mostrado em Gekiranger tem um motivo para estar ali. Os grunhidos
do Jan, as sete artes, o kempo, o wushu, o muai tai, os Mestres Sagrados terem formas de
animais, tudo está sendo respondido. Basta o telespectador ter paciência com a série e se
permitir conhecê-la.
De todos os vilões de sentais que vi até aqui, o dessa série é que tem o objetivo mais fútil.
Muitos querem dominar a Terra para se sentirem poderosos. Mas em Gekiranger não foi bem
assim. O vilão da série tem um objetivo banal para estar agir assim. Isso foi uma grande
surpresa. Tudo bem que a função de todo vilão de um super sentai é causar caos na
humanidade. Mas aqui não é bem assim. Aqui vimos algo inédito do objetivo do vilão que vai
além do clichê. Um acerto do excelente trabalho da roteirista em entregar alguma novidade
numa franquia que já estava se tornando um pouco saturada naquela época. Apresentar algo
inédito como um objetivo desse nível proposto pelo antagonista foi uma ideia genial. Michiko
Yokote acertou nas surpresas da série.

Episódio 47: Pika-Pika! Meu Caminho!

Rio resolve resgatar Mele com os Gekiranger.

A questão da redenção. É importante notar que num super-sentai sempre nos ensina que
NEM sempre derrotar o Mal é a solução dos problemas. Trabalhar com o perdão e redenção é
uma prática comum entre roteiristas de sentais. Afinal, o que seria da humanidade sem o
perdão? Desde Changeman vemos isso. Reconhecer que errou e fazer de tudo para limpar o
seu passado é um passo importante para os humanos. Não há nada de errado em reconhecer
as falhas e que precisa ser disciplinado. É o que vemos aqui. Mas para mostrar que se
arrependeu de seus erros, a pessoa precisa mostrar isso não só com palavras, mas em ações.
Não só na teoria, como na prática. Mostrar esses valores para as crianças é muito importante.
Não somos perfeitos. Nós vamos errar para com os outros e as pessoas vão errar para
conosco. Cabe a gente reconhecer que nossa vida é um aprendizado constante. E que errar faz
parte desse mesmo aprendizado. Séries que mostram que nossos heróis erram e que precisam
a aprender com suas falhas são mais importantes do que séries que mostram os heróis
certinhos demais. Como disse, ninguém é perfeito. Não é necessário transformar nossos
heróis em santos. Antes de qualquer coisa, eles são humanos. E por serem humanos, são
imperfeitos. Eles precisam ensinar esses valores para as crianças de que elas podem superar
suas falhas e seus erros.

Em tempo, ainda não foi o combate final. Faltam poucos episódios para isso. Mas pelo menos
já vimos boa parte da resolução da série. É legal ver nossos heróis ganhando novos aliados
para o combate. Isso é tão comum em sentais que vocês nem imaginam. Ganhar novos
aliados na reta final é meio que uma rotina na franquia. E aqui nossos heróis ganharam mais
dois. E quando esses aliados se juntam aos nossos heróis, aí que o barraco desanda para os
vilões. E são cenas lindas de se ver. As coreografias e os combates são ótimos. O treinamento
entre os Gekirangers e os novos aliados mostrou uma coesão interessante. O trabalho da
equipe de produção foi ótimo até aqui.

Episódio 48: Saba-Saba! Agora, Kendan!

Long mostra sua verdadeira face para nossos heróis.


Que cena de combates entre Manpei Takagi, Mika Fukui, Hirofumi Araki e Hirata Yuka!
Principalmente entre Hirata Yuka. O telespectador não dava nada pra ela em combate por
causa da roupa pesada e extravagante. Mas ela se mostrou uma exímia combatente e artista
marcial em cena. Claro que os combates de Mele tiveram destaque com ela transformada.
Mas ela em sua forma “humana” também foi uma combatente capaz. Claro que houve toda
uma preparação para que Hirata tivesse uma capacidade marcial com aquele figurino. Aliás,
um figurino precisa ser arrumado de um jeito que não atrapalhe o movimento do dublê. Foi o
que vemos aqui. O figurino da Mele “civil” acredito que atrapalhou mais do que ajudou. Pelo
menos com os golpes de pés. Um vestido longo não foi uma escolha boa para que a atriz
tivesse bons movimentos com as pernas. Mas em compensação, a atriz mostrou agilidade e
precisão em movimentos com os braços. E isso é uma diferença gritante. Se ela tivesse usado
um figurino que permitisse um movimento maior nas pernas, as cenas de combate da Mele
“civil” seriam mais belas do que já era.

Mas pelo menos o figurino de Hirofumi Araki para o seu Rio deixou os movimentos dele em
combate perfeitos. Uma calça e um colete de couro que deixaram os movimentos das pernas e
dos braços mais livres e sublimes. Sim! As cenas de lutas de Hirofumi Araki como Rio em
sua forma “civil” foram também caprichadas. O ator também demonstrou competência em
ação com ótimas cenas de combate. O duelo de Rio contra Retsu mostrou movimentos bem
coreografados e precisos. Houve todo um preparo físico para que Rio se destacasse como
artista marcial. Podemos conferir o resultado desse preparo físico nas cenas em que Rio luta.
Claro que o auge foi com ele transformado com a armadura do Leão Negro. Mas isso não
impede de elogiar o trabalho que Hirofumi Araki, que esteve em sua melhor forma. E, de
todos os combates que Rio teve na cena, esse embate entre ele e Retsu foi o mais belo e o
mais preciso. Souberam aproveitar mesmo o talento do ator como artista marcial em ação.

Episódio 49 – Final: Zun Zun! O Juken seguirá em frente!

Nossos heróis selam Long.

E assim termina a minha saga do Esquadrão dos Punhos Selvagens Gekiranger. Agora, meu
top de Sentais está assim:

01) Kakuranger
02) Boukenger
03) Turboranger
04) Gekiranger
05) Megaranger
06) Liveman
07) Toqger
08) Goseiger
09) Shinkenger
10) Flashman
11) Goggle Five
12) Dekaranger
13) Abaranger
14) Maskman
15) Go-Onger
16) Hurricanger
17) Timeranger
18) Jetman
19) Dairanger
20) Changeman
21) Magiranger
22) Zyuranger

Gekiranger foi o começo do meu retorno aos tokusatsu tradicionais. O Super Sentai é uma
franquia rica. Já tem quase 50 anos. Quando escolhi Gekiranger, estava muito pensativo se
aceitaria ou não voltar a assistir a essas séries. Mas do mesmo modo que os personagens,
muitos amigos (maioria virtuais) me estimularam, me incentivaram e me motivaram.
Estavam com saudades das minhas resenhas de tokusatsu. Confesso que relutei. Mas acabei
aceitando e foi uma experiência maravilhosa. O que busco numa série nem são cenas de ação,
como a maioria busca. Mesmo Gekiranger tendo belas coreografias de luta muito bem
ensaiadas e caprichadas, a série me ganhou pelo excelente roteiro, um dos melhores da
franquia. A responsável por isso foi Michiko Yokote, que entregou uma trama novelesca para
o público infantil. Sei que Michiko trabalhou em Goseiger (que eu amei) e talvez seja por
isso que eu tenha gostado de Gekiranger. Uma trama atípica e bem diferente do tradicional.
Uma trama onde se preza por valores em cima das artes marciais. E uma trama onde cada
episódio está conectado um com outro, onde não teve espaço para capítulos “fillers”. Todos
os episódios mostraram um pouco de canonicidade para a trama principal. Não teve nada que
foi desperdiçado na construção da história principal. Ou seja, o roteiro foi um dos melhores.

Outra questão é que Gekiranger foi um sentai fora da curva. Por quê? Bem... todo mundo
sabe que China e Japão não possuem uma relação tão amistosa assim desde a época das
invasões japonesas em território chinês no século XV. Quem assistiu ao documentário Guerra
dos Samurais na Netflix em 2022 sabe que a China expulsou o Japão de suas terras e os
japoneses voltaram com o rabo entre as pernas. A ideia de exaltar a cultura marcial chinesa
no Kempo foi boa. Mostrou que os japoneses não são tão ressentidos assim com o passado.
Os trajes civis dos heróis mostraram referências do figurino chinês. O trio principal exalou
simplicidade em seu figurino, tanto no traje civil como do traje de combate. Com o “Power
Up” dos poderes, o uniforme mudou, mesmo assim, continua com uma simplicidade
semelhante aos trajes de sentais dos anos 80 do século XX.

Ainda sobre sentais antigos, encontramos muitas referências e inspirações diretas e indiretas
delas. Aqui encontrei essas inspirações em Changeman, Flashman, Maskman, Kakuranger,
Liveman, Turboranger, Fiveman, Boukenger, Megaranger e entre outros. Para quem gosta de
sentais antigos, talvez goste de Gekiranger. Michiko Yokote soube aproveitar cada uma das
inspirações e referências dos sentais anteriores em seu favor. E tudo com equilíbrio na
medida certa. Na trama de Gekirange, vamos encontrar humor espalhafatoso, drama sensível
e tensão com densidade em sua trama recheada de ação. O equilíbrio no roteiro de Gekiranger
é o mesmo de sentais como Kakuranger e Boukenger, onde temos humor, ação, drama e
tensão trabalhados na mesma intensidade. E o mais legal de tudo. Sem esquecer que é uma
série para crianças japonesas de 8 anos para baixo, onde ensinou cada coisa importante para
elas. Em tempo, é interessante notar a magestosidade do roteiro em ensinar a importância das
7 principais manifestações artísticas para o desenvolvimento cultural e marcial das crianças.
Arquitetura, Escultura, Dança, Música, Literatura, Pintura e Cinema foram exaltados de
maneira incrível e inseridos na trama com competência.

É gostoso ver um elenco bem entrosado. No começo, não dava nada para a atuação do
quinteto. Mas até o final da série, eles mostraram uma evolução rara na atuação. Destaque
para Riki Miura, que deu vida ao amargurado e turrão Gou Fukami e também a Miki Fukui
como a honesta e sensata Ran Uzaki. É interessante ver que todo o elenco, tanto da parte dos
heróis como da parte dos vilões se mostraram exímios combatentes marciais em forma civis.
Claro que, para isso, se levou em conta meses de preparação marcial para demonstrar Kempo,
Wushu, Muai Tai e Karatê por parte do time de atores. E os resultados foram belas cenas de
combates em trajes civis, que é tida como coisa rara para os fãs mais velhos que assistem
séries dos anos 80 com afinco. Sim! Muitos fãs reclamam que séries da Era Heisei não
mostram heróis lutando em trajes civis, sendo que, mal aparecem os vilões, eles se
transformam. Veio Gekiranger e calou muita gente que queria o formato de sentais dos anos
1980 em séries atuais.

Ah... como se esquecer da excelente direção de arte? Aproveitaram cenários de séries “taiga”
(chambaras em séries) para comporem o Templo Negro dos Akugata. O que ajudou a
melhorar o aspecto sombrio do local foi a fotografia escura. Aliás, a fotografia da série deu
algumas derrapadas em alguns capítulos. Muito escura em algumas situações. Se esqueceram
que estavam tratando de uma série para crianças de 8 anos. É importante ter mais cor que
escuridão. Pelo menos consertaram isso na reta final, onde deixaram mais colorido e mais
claro, casando com a ambientação proposta pelo andamento final. A trilha sonora de
Kazunori Miyake pegou elementos da cultura chinesa antiga e transportou para o Japão
moderno. Fora a homenagem ao mestre John Williams numa releitura divina do tema de
Tubarão (Jaws) no episódio 17. Por falar em “mestre”, é interessante ver como a equipe
tratou como humanos cada um dos 10 Mestres Sagrados da série. O figurino dos dublês se
mostrou bem realistas e a interação deles com humanos civis foi boa. Os efeitos especiais é o
padrão Toei da década de 2000. Não pode se exigir muito de uma produção de baixo
orçamento e que depende da venda de brinquedos para continuar a franquia Super Sentai. E
por falar em brinquedos, tem tanto mechas que a criançada deve ter ficado ouriçada. Como
qualquer super sentai, Gekiranger é uma máquina caça-níquel. Uma vitrine de exposição de
brinquedos para pais comprarem para crianças. Mas isso não impediu que essa “vitrine”
existisse ali só para isso. Souberam entrosar o fator comercial com o valor artístico do roteiro,
onde um completou o outro. Tivemos “brinquedos”, mas tivemos história também.
Gekiranger é uma série marcante. Com certeza a série me deixou “niki-niki” e com gostinho
de quero mais.

Você também pode gostar