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Um introdução de um trabalho que busca fazer análise profunda sobre o desenvolvimento Económico.

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1 INTRODUÇÃO

O planeamento do desenvolvimento económico constitui um dos principais


instrumentos de que os Estados dispõem para orientar a alocação de recursos, definir
prioridades sectoriais e estabelecer metas de crescimento e bem-estar social. Em
Angola, os Planos de Desenvolvimento Nacional (PDN) assumem particular
relevância porque foram concebidos num contexto de reconstrução pós-conflito, num
país que precisava, simultaneamente, de reabilitar a sua infraestrutura devastada pela
guerra civil, de diversificar uma economia excessivamente dependente do petróleo e
de reduzir os elevados índices de pobreza que afectavam a maioria da população.

O presente trabalho propõe-se analisar comparativamente os PDNs elaborados


e implementados durante dois períodos governativos distintos: o PDN 2013–2017,
desenvolvido sob a presidência de José Eduardo dos Santos — que governou Angola
durante 38 anos —, e os PDN 2018–2022 e PDN 2023–2027, elaborados sob a
presidência de João Lourenço, que assumiu o poder em setembro de 2017. A análise
incide sobre os objectivos definidos em cada plano, os resultados alcançados, as
falhas verificadas, as suas causas e os avanços efectivamente concretizados.

A relevância deste estudo justifica-se por várias razões. Em primeiro lugar,


Angola é a terceira maior economia da África Subsaariana e um dos maiores
produtores de petróleo do continente, o que torna as suas políticas de
desenvolvimento particularmente significativas no contexto regional. Em segundo
lugar, a transição de 2017 representa um momento de rutura política importante, o
que permite avaliar em que medida uma mudança de liderança se traduziu, ou não,
numa mudança de paradigma no planeamento do desenvolvimento. Em terceiro lugar,
a comparação entre planos permite identificar padrões estruturais de sucesso e
fracasso que transcendem as lideranças individuais e reflectem limitações sistémicas
da governação angolana.

2 CONTEXTO HISTÓRICO DE ANGOLA PÓS-GUERRA


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2.1 O Fim do Conflito e os Desafios da Reconstrução (2002)

Angola viveu um conflito armado durante quase três décadas após a


independência de Portugal, em 1975. A guerra civil entre o MPLA, no poder, e a UNITA
foi uma das mais devastadoras de África, tendo causado mais de 500 mil mortos
directos, cerca de 4 milhões de deslocados internos e a destruição sistemática da
infraestrutura nacional (UNICEF, 2003). A agricultura entrou em colapso, as estradas
tornaram-se inacessíveis e o tecido social foi profundamente fragmentado.

O Memorando de Entendimento de Luena, assinado em abril de 2002 após o


assassinato do líder da UNITA Jonas Savimbi, pôs fim formal ao conflito. Angola
enfrentava então o desafio de reconstruir um país praticamente do zero: integrar ex-
combatentes, reabilitar infraestruturas, reactivar a produção agrícola e construir
instituições estatais funcionais. O pano de fundo deste processo de reconstrução
seria, inevitavelmente, a questão petrolífera.

2.2 A Economia Petrolífera e as Primeiras Tentativas de Planeamento

O período pós-guerra coincidiu com uma subida acentuada do preço do


petróleo a nível internacional, o que colocou Angola numa posição de relativa
abundância financeira. Entre 2002 e 2014, o produto interno bruto (PIB) angolano
cresceu a taxas médias superiores a 8% ao ano, impulsionado quase exclusivamente
pelas receitas petrolíferas, que chegaram a representar mais de 95% das exportações
totais e cerca de 78% das receitas fiscais (BANCO MUNDIAL, 2015).

Neste contexto, o governo angolano elaborou os seus primeiros instrumentos


formais de planeamento de médio prazo, entre os quais se destacam a Estratégia de
Combate à Pobreza (ECP, 2003), o Plano Nacional de Desenvolvimento de Médio
Prazo (PNDMP, 2009–2013) e, posteriormente, o PDN 2013–2017. Estes documentos
reflectiam uma ambição de diversificação económica e de redução da pobreza, mas
eram, em grande medida, condicionados pela volatilidade das receitas petrolíferas e
pela fragilidade das instituições de implementação.

Soares de Oliveira (2015, p. 112) sintetiza a contradição central deste período:


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A abundância petrolífera criou em Angola uma ilusão de desenvolvimento: os


indicadores macroeconómicos eram favoráveis, a construção era visível nas
cidades, mas os mecanismos de redistribuição permaneciam capturados por
uma elite estreita, e a maioria da população continuava excluída dos
benefícios do crescimento.

Este paradoxo — crescimento sem desenvolvimento inclusivo — constitui o


pano de fundo essencial para compreender os limites do PDN 2013–2017 e as
pressões que conduziram à transição política de 2017.

2.3 A Transição Política de 2017 e o Novo Ciclo de Planeamento

Em agosto de 2017, nas eleições gerais, o MPLA obteve a maioria parlamentar,


e João Lourenço — candidato do partido — tomou posse como Presidente da
República em setembro do mesmo ano, sucedendo a José Eduardo dos Santos após
38 anos de governo ininterrupto. A transição, ainda que dentro do mesmo partido,
gerou expectativas significativas de mudança, em particular no que respeita ao
combate à corrupção, à diversificação económica e à reforma do Estado.

O novo executivo herdou uma economia em recessão: a queda do preço do


petróleo em 2014–2016 havia revelado a extrema vulnerabilidade estrutural da
economia angolana, provocando uma contracção do PIB de cerca de 2,6% em 2016
e uma depreciação acumulada do kwanza superior a 80% entre 2014 e 2018 (FMI,
2019). A elaboração do PDN 2018–2022 decorreu, portanto, num contexto de crise
fiscal e de necessidade urgente de reformas estruturais.

A análise destes dois momentos — o do PDN 2013–2017, elaborado no auge


da prosperidade petrolífera, e o do PDN 2018–2022, concebido em contexto de
ajustamento económico — permite compreender não apenas as diferenças de
prioridades entre os dois governos, mas também as continuidades estruturais que
persistem independentemente da liderança política.

3 ENQUADRAMENTO CONCEPTUAL: OS PDNS COMO INSTRUMENTO DE


POLÍTICA
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3.1 O que é um Plano de Desenvolvimento Nacional?

Um Plano de Desenvolvimento Nacional é um documento de política pública de


médio prazo — tipicamente de quatro a cinco anos — que estabelece os objectivos
estratégicos do governo, as metas quantificadas para os principais sectores da
economia e da sociedade, os programas e projectos prioritários, os recursos
financeiros necessários e os mecanismos de monitorização e avaliação. Segundo
Todaro e Smith (2015, p. 671), o planeamento do desenvolvimento "representa a
tentativa deliberada do Estado de coordenar as decisões económicas num horizonte
temporal definido, com vista a influenciar, dirigir ou, em alguns casos, controlar os
principais determinantes do crescimento".

No contexto angolano, os PDNs assumem um papel central porque funcionam


como o principal instrumento de tradução operacional das grandes estratégias de
longo prazo — como a Estratégia Angola 2025 e, mais recentemente, o Plano de
Desenvolvimento Nacional de Longo Prazo Angola 2050 — em programas concretos
de investimento público e reforma institucional.

3.2 Os PDNs no Contexto Africano e Angolano

O recurso a planos nacionais de desenvolvimento é uma prática comum em


África, influenciada tanto pela herança das políticas de planeamento centralizado do
período pós-independência como pelas recomendações das instituições de
desenvolvimento internacional. A Agenda 2063 da União Africana, por exemplo,
incentiva os Estados membros a alinharem os seus planos nacionais com os
objectivos continentais de desenvolvimento, o que Angola tem procurado fazer, pelo
menos formalmente, nos seus documentos de planeamento mais recentes.

No caso de Angola, a história dos PDNs está intimamente ligada à evolução


das receitas petrolíferas. Quando o petróleo era abundante e caro, os planos eram
ambiciosos e dotados de avultados recursos financeiros; quando o petróleo entrou em
colapso, os planos tornaram-se mais contidos e centrados na estabilização
macroeconómica. Esta dependência do ciclo petrolífero constitui, por si só, uma das
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principais vulnerabilidades do modelo de planeamento angolano e um elemento


central da análise comparativa que este trabalho se propõe realizar.

3.3 Indicadores de Avaliação dos PDNs

Para avaliar o desempenho dos PDNs de forma sistemática e comparável, este


trabalho adopta um conjunto de indicadores organizados em quatro dimensões
analíticas:

a) Desempenho macroeconómico: crescimento do PIB real, taxa de inflação, saldo


das contas públicas, evolução da dívida pública e reservas internacionais;

b) Diversificação económica: contribuição dos sectores não-petrolíferos (agricultura,


indústria, serviços) para o PIB, geração de emprego formal e desenvolvimento das
pequenas e médias empresas;

c) Desenvolvimento humano e social: Índice de Desenvolvimento Humano (IDH),


acesso à educação e saúde, taxa de pobreza e cobertura de infraestruturas básicas
(água, electricidade, saneamento);

d) Governação e institucionalidade: eficácia da implementação dos planos,


transparência na gestão dos recursos públicos, classificações nos índices
internacionais de corrupção e de facilidade de fazer negócios.

A combinação destas dimensões permite uma avaliação abrangente que vai


além dos indicadores meramente financeiros, incorporando as dimensões sociais e
institucionais que são determinantes para o sucesso ou fracasso de qualquer plano
de desenvolvimento.

3.4 Limitações Metodológicas

A análise comparativa dos PDNs de Angola enfrenta limitações que importa


reconhecer. Em primeiro lugar, a qualidade e completude dos dados estatísticos
angolanos são variáveis — o Instituto Nacional de Estatística (INE) tem vindo a
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melhorar os seus sistemas de recolha, mas lacunas importantes persistem, em


especial no que respeita à economia informal, que representa uma fracção
significativa da actividade económica real. Em segundo lugar, isolar o impacto
específico de um PDN dos factores exógenos — como a variação do preço do
petróleo, as condições de financiamento internacional ou os choques climáticos — é
metodologicamente complexo. Em terceiro lugar, os próprios PDNs angolanos
carecem, por vezes, de metas suficientemente específicas e mensuráveis, o que
dificulta a avaliação objectiva do grau de cumprimento.

Estas limitações não invalidam a análise, mas recomendam uma abordagem


que combine dados quantitativos com avaliação qualitativa do processo de
implementação e das decisões de política que moldaram os resultados observados.
As secções seguintes do trabalho, da responsabilidade dos restantes integrantes,
aplicarão este enquadramento à análise detalhada de cada PDN.
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REFERÊNCIAS

ANGOLA. Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial. Plano de


Desenvolvimento Nacional 2013–2017. Luanda: MPDT, 2012.

ANGOLA. Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial. Plano de


Desenvolvimento Nacional 2018–2022. Luanda: MPDT, 2018.

ANGOLA. Ministério do Planeamento e Desenvolvimento Territorial. Plano de


Desenvolvimento Nacional 2023–2027. Luanda: MPDT, 2023.

BANCO MUNDIAL. Angola: Country Economic Update. Washington, D.C.: World


Bank, 2015.

FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL. Angola: 2019 Article IV Consultation.


Washington, D.C.: IMF, 2019. (IMF Country Report, n. 19/371).

SOARES DE OLIVEIRA, Ricardo. Magnificent and Beggar Land: Angola Since the
Civil War. London: Hurst & Company, 2015.

TODARO, Michael P.; SMITH, Stephen C. Economic Development. 12. ed. Harlow:
Pearson, 2015.

UNICEF. Angola: The Post-war Challenges. New York: UNICEF, 2003.

UNIÃO AFRICANA. Agenda 2063: The Africa We Want. Addis Abeba: AU


Commission, 2015.

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