O Cortiço 3 Aluísio Azevedo
João Romão: um retrato da ambição pela ascensão social,
diferenças sociais e degradação moral
Integrantes: Keven, Luiz Fernando, Samilly, Micaelly e Natália
Turma: 2°3
Contexto Histórico e Enredo da Obra
O Movimento Naturalista A Narrativa Central
Publicado em 1890, O Cortiço é uma das obras mais importantes do A história acompanha João Romão, um português pobre e ambicioso
Naturalismo brasileiro. Este movimento literário buscava retratar o que chega ao Brasil determinado a enriquecer. Ele constrói um cortiço
ser humano como produto do meio ambiente e das circunstâncias no Rio de Janeiro e, através da exploração implacável dos moradores,
sociais, aplicando métodos científicos à literatura. acumula riquezas.
Aluísio Azevedo apresenta uma visão determinista da sociedade, Conforme sua fortuna cresce, o cortiço se expande, mas sua
mostrando como fatores externos moldam o comportamento e o degradação moral caminha lado a lado com o sucesso financeiro,
destino das personagens, sem romantizar a realidade. revelando o preço da ascensão social a qualquer custo.
Personagens Principais
João Romão Bertoleza
O protagonista representa a ambição desenfreada e o egoísmo Mulher negra, trabalhadora incansável e dedicada, Bertoleza é
extremo. Português de origem humilde, ele personifica aqueles que cruelmente enganada e explorada por João Romão durante
buscam ascensão social sem qualquer consideração ética ou moral. anos. Ela acredita ser livre, mas permanece escravizada.
Sua trajetória é marcada pela exploração sistemática dos mais Sua personagem simboliza a dupla opressão 3 racial e social 3
vulneráveis, utilizando trabalho escravo disfarçado e manipulação enfrentada por pessoas negras no Brasil pós-abolição. Representa a
para construir sua fortuna. injustiça sistêmica e o descarte dos mais vulneráveis.
Estas duas personagens formam o núcleo dramático da obra, ilustrando a relação entre explorador e explorado que Azevedo denuncia em sua crítica
social contundente.
Temas e Crítica Social
Ambição e Desigualdade Exploração do Trabalhador Degradação Moral e
Social Azevedo denuncia as condições Hipocrisia
A obra expõe como a busca obsessiva por desumanas dos trabalhadores pobres, Conforme João Romão ascende
riqueza e status social pode transformar mostrando como são sistematicamente socialmente, sua hipocrisia cresce
seres humanos em criaturas desprovidas explorados por aqueles que detêm proporcionalmente. Ele abandona
de compaixão. João Romão personifica propriedade e capital. O cortiço funciona Bertoleza para casar-se com alguém de
essa metamorfose moral destrutiva. como microcosmo da sociedade classe superior, revelando a falsidade das
brasileira. aspirações burguesas.
O Contraste Simbólico
O autor estabelece um poderoso contraste entre o cortiço (espaço dos pobres, caótico e degradado) e o sobrado (residência dos ricos, ordenada e
respeitável). Esta dualidade espacial representa a profunda divisão de classes na sociedade brasileira do século XIX.
Através dessa oposição arquitetônica, Azevedo denuncia não apenas a desigualdade material, mas também a hipocrisia moral de uma elite que se
beneficia da exploração enquanto cultiva aparências de respeitabilidade.
Conclusão: O Preço da Ambição
João Romão alcança seu objetivo de enriquecer e conquistar status social, mas o faz através da completa destruição de sua
humanidade. Sua trajetória ilustra como a busca desenfreada por ascensão pode corromper até mesmo os princípios mais básicos de
dignidade e compaixão.
O Cortiço funciona como um poderoso espelho das injustiças sociais brasileiras. Mais de um século após sua publicação, a obra
permanece dolorosamente atual, refletindo desigualdades que ainda persistem em nossa sociedade. 1890
Azevedo nos deixa uma lição permanente: o verdadeiro progresso social não pode ser construído sobre a exploração e o sofrimento
alheio. A riqueza obtida através da degradação moral é, em última análise, uma forma de pobreza espiritual.
Ano de publicação
100%
Atualidade dos temas
Reflexão Final: A literatura naturalista de Aluísio Azevedo nos convida a questionar as estruturas sociais que perpetuam desigualdade e nos desafia a construir uma sociedade mais justa e humana.