PROVA DE PROCESSO CIVIL
• Chamamento ao processo
É admissível, e não obrigatório para a inclusão no polo passivo do devedor principal ou
dos coobrigados.
• O réu faz o chamamento ao processo
• Ou seja, o réu vai chamar ao processo o devedor principal ou outras pessoas que
também são obrigadas a pagar com ele. E sendo assim juntamente com o réu, vão
formar um litisconsórcio passivo
• Um exemplo seria uma pessoa que não precisa pagar por aquele processo
sozinha e por isso chama mais pessoas para participarem deste processo.
HIPOTESES
• Afiançados: vão ser chamados ao processo pelo fiador,
• Exemplo: para validar o contrato de mensalidades é necessário um fiador, e caso
este afiançado não pague as mensalidades e fique devendo será processado, e
neste processo primeiro vão citar o fiador e com isso o fiador pode citar o
afiançado, pois o mesmo fez as dívidas.
• +1 fiador: caso tenha mais de um fiador no processo mas só um esta
respondendo, este pode chamar os outros para responderem também
• Devedores solidários: podem responder 1 ou alguns (caso 1 seja chamado, pode
chamar os outros)
• Exemplo: uma pessoa emprestou dinheiro para 4 familiares e por ser solidário,
pode pedir o dinheiro a qualquer momento e de qualquer forma, pode exigir
dinheiro de uma pessoa em específico ou dividir o valor para todas o ressarcirem
OBJETIVO
• Tem por objetivo, que a sentença coloque qual é a responsabilidade de cada um
no processo
• Exemplo: pode dizer ao fiador você tem que pagar a faculdade, mas afiançado é
seu dever ressarcir o fiador
• Mas caso a faculdade vença este processo, o fiador precisa pagar, mas a sentença
vai valer como um título executivo (um documento que pode ocorrer por meio
dele a cobrança, e satisfazer a divida para que os valores sejam ressarcidos ao
fiador),
• mas o afiançado só pode ser cobrado caso tenha sido integrado na lide, e se não
foi integrado é necessário abrir outro processo
PROCEDIMENTO
• O réu no prazo de contestação, vai fazer o chamamento ao processo e vai entrar
com esse pedido (réu apresenta este requerimento)
• Citação do chamado: Nesse prazo de 15 dias ele vai pedir ao juiz para que efetue a
citação do chamamento ao processo (convocar a parte a participar do processo).
• O juiz pode deferir ou indeferir a citação do chamado, depois de analisar, e proferir
sua decisão caso seja indeferida cabe um recurso chamado agravo de
instrumento
• Mas se o juiz deferir, a citação do chamado deve ser promovida e deve ser
realizada, ou seja, promovida, mas caso não seja promovida dentro de 30 dias, a
ação fica sem efeito (30 dias ou dois meses quando esse chamado estiver em
outra comarca)
• DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDAD JURIDICA
O credor entra com uma ação contra a pessoa jurídica, portanto a empresa é quem
responde e não os sócios, mas se essa pessoa jurídica violar a lei é possível entrar com
incidente de desconsideração da PJ, para que s sócios respondam ao processo no lugar
da PJ.
• Desconsideração inversa: momento em que podemos atingir a pessoa jurídica,
por um ato do sócio.
• E nesses casos o juiz supera a autonomia da pessoa jurídica para atingir os bens
do sócio, a partir da desconsideração da personalidade jurídica da pj.
• O incidente da desconsideração da personalidade jurídica cabe em toda fase de
conhecimento, no cumprimento de sentença e também na execução de um titulo
executivo judicial
OBJETIVO
• Tornar ineficazes os atos que são contrários a função social da empresa
• Então caso esta empresa estiver querendo se livrar de seus bens para não pagar o
credor, ela não está cumprindo com sua função social
PEDIDO
• O pedido da desconsideração da personalidade jurídica, pode ser feito pela parte
ou pelo ministério publico (nos casos previstos em lei)
• Mas é necessário observar os requisitos previstos em lei
• Se aplica a desconsideração inversa
PROCEDIMENTO
• A primeira fase se trata de um requerimento para a desconsideração da
personalidade jurídica, para a desconsideração da autonomia.
• Esse requerimento pode ocorrer na petição inicial ou de forma incidental,
podendo entrar com a ação e o pedido de desconsideração da personalidade
jurídica, e se esse pedido for no início não será necessário o fazer novamente, e
por ser no início isso não suspende o processo e dispensa incidente
• Incidental: pode suspender o processo apenas se entrar no processo de forma
incidental
• Demonstrar pressupostos: previstos na lei,
• Comunicar o distribuidor: em prazo de imediato (a ação vai ser distribuída de
acordo com os juízes disponíveis e de maneira aleatória, mas o distribuidor deve
ser comunicado sobre o andamento processual)
• O socio deve ser chamado para o processo: pois a ação foi contra a pessoa
jurídica, e no caso da inversa você entra contra o sócio, mas cita a pessoa jurídica.
Ambos os casos vão ter o prazo de 15 dias para se manifestarem e apresentarem
provas
• Decisão do juiz: ele pode decidir no curso do processo (decisão interlocutória
caso for necessário), ou no final (sentença)
• Nessa decisão o juiz pode indeferir
• ou deferir e os efeitos são: se tiver bens alienados ou onerados, vão ser
consideradas ineficazes, para a pessoa que fez o requerimento
• AMICUS CURIAE
Quer dizer “amigo da corte e do juiz”, ele não é assistente da parte e sim “amigo do
processo e do juiz”.
• Pode ter sua participação solicitada ou admitida (não é obrigado mas o juiz pode
chamar o amicus curiae)
• Pode ocorrer de oficio pelo juiz ou por requerimento da parte.
• Além do mais esta solicitação ou admissão pode ocorrer pelo juiz ou relator.
• Participação: podem servir como amicus curiae uma pessoa natural ou pessoa
jurídica, um órgão ou entidade especializada
• E caso o juiz solicitar ou admitir o amicus curiae vai ter o prazo de 15 dias para se
manifestar
• O amicus curiae basicamente quer dizer que em um julgamento em que o juiz não
tem tanto conhecimento é possível que chame uma entidade especializada no
assunto, para representar adequadamente esse interesse.
• Se o juiz achar necessário um amigo nos seguintes casos: por conta da
especificidade da matéria, repercussão ou relevância irá chamar ao processo
• Não existe recurso cabível contra a decisão do juiz que solicita ou admite o
amicus curiae (decisão irrecorrível)
• E quando admitida ou solicitada a participação do amicus no processo, é dever do
juiz ou relator definir os poderes, ou seja, o que pode ou não fazer.
• O código diz que o amicus não tem o direito de entrar com recurso no processo,
exceto nos casos: de embargos de declaração ou incidente de resolução de
demandas repetitivas
• E o ingresso do amicus curiae no processo não pode alterar a competência do juiz
PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
• AÇÃO
Ação é um direito publico subjetivo de provocar a jurisdição
• Os órgãos públicos só vão agir se forem “provocados”, através do nosso direito de
ação pedindo proteção e tutela através da decisão jurisdicional
• Tutela jurisdicional do poder judiciário
• O direito de ação é uma faculdade, e não uma obrigação ( a partir do momento
que a pessoa tem um direito violado ela não é obrigada a utilizar ele)
• CONDIÇÕES DA AÇÃO
• Legitimidade
• Interesse
• A teoria adotada é a teoria eclética, e a partir dela o direito de ação que não está
vinculado a uma sentença de mérito favorável (direito incondicional)
• Exemplo ao fazer um pedido ao juiz e exercer seu direito de ação, o juiz não é
obrigado a dar ganho de causa
• Dependendo do processo pode ter análise de mérito, então entram as condições
de ação, para que o juiz possa analisar o mérito ou não
• A existência do processo não está condicionada ao direito material pois ao
exercer o direito de ação começa o processo
• Teoria da asserção: leva em consideração apenas oque é falado no começo do
processo, pois o juiz vai verificas as condições da ação com base no que foi falado
pelo réu, e caso o juiz verificar a falta de legitimidade ou interesse o processo vai
ser extinguido sem mérito
• ELEMENTOS DA AÇAO
• Partes: são elemento subjetivo (sujeito)
• Pedido: elemento objetivo
• Causa: elemento objetivo
Causa de pedir
• Próxima: esta relacionada com o fato, circunstâncias de fato (se trata de narrar os
fatos sobre o acontecido ex: acidente de carro oque vai gerar a causa de pedir
remota)
• Remota: esta relacionada com as consequências jurídicas do fato
• Na ação é necessário conter a causa de pedir próxima e a remota, por conta da
teoria da substanciação
• A parte não é obrigada a citar artigos de lei
• PEDIDO
• Imediato: é o pedido de proteção ao poder judiciário (tutela jurisdicional)
• Mediato: um pedido que não é tão urgente (bem jurirdico pretendido)
• CLASSIFICAÇÃO
• De acordo com a natureza do provimento as ações podem ser
• Conhecimento: caso não tiver um titulo para cobrar algo é necessário entrar com
uma ação de conhecimento, para a confecção desse titulo
• A ação de conhecimento pode ser dividida em 4 hiposes
• Declaratória
• Constitutiva: quando a ação tem por objetivo criar, modificar ou extinguir um
estado ou relação jurídica
• Condenatória: prestar obrigação
• Mandamental: ordem
• A ação pode ser declaratória, constitutiva e condenatória ao mesmo tempo além
de poder ter vários pedidos na mesma ação
• Execução: quando já possui o titulo executivo, e é possível executar a ação ou
fazer o cumprimento de sentença
• PROCESSO
Quando falamos em processo, devemos ter em mente a chamada instrumentalidade do
processo, que designa a ideia de que o processo é o instrumento de realização do direito
material. Através dele, o Poder Judiciário exerce a jurisdição
• O processo de conhecimento tem por objetivo resolver uma crise de certeza, e
pode ser dividido em ação condenatória, constitutiva e declaratória.
• O processo de execução, por sua vez, tem a finalidade de resolver uma crise de
efetividade. Nele, há certeza quanto ao direito, o qual, contudo, precisa ser
efetivado. Esse processo pode ser dividido em execução de título executivo
extrajudicial e cumprimento de sentença.
• PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS
Os pressupostos processuais são requisitos indispensáveis para que o processo exista,
se desenvolva validamente e possa produzir uma decisão de mérito. Em outras
palavras, são as condições estruturais para que o Estado-juiz possa exercer a jurisdição
de forma válida.
• Pressupostos de existência
• Em relação ao juízo: órgão investido de jurisdição, se não houver alguém para
representar o poder judiciário, a ação não existe. Juiz natural, investido no cargo
por meio de concurso pode ajuizar uma ação.
• Em relação às partes: capacidade de ser parte, polo ativo e polo passivo (autor e
réu)
• Tem por objetivo: a existência da demanda. (nasce com a propositura da ação,
formalizada pela petição inicial (CPC, art. 312). É a partir dela que se instaura o
processo.)
• Pressupostos processuais de validade
• Subjetivos:
• Em relação ao juízo: tem que ter competência (absoluta, territorial),
imparcialidade e capacidade.
• Em relação às partes: capacidade processual (capacidade de ser parte, figurar no
processo, ser um sujeito capaz e ter capacidade de seus atos), capacidade
postulatória (capacidade de representar a parte sendo advogado – existem
exceções como juizado especial para ações de até 20 salarios mínimos, ações na
justiça do trabalho e habeas corpus) e legitimação ad causam.
• Objetivos
• Intrínsecos: Referem-se à regularidade dos atos processuais, são todos os
elementos que dizem respeito à marcha do processo. Em outras palavras, são os
elementos formais do processo (formalidade do processo: Observância de forma,
prazos, documentos e regras processuais; Desenvolvimento válido do
procedimento.).
• Extrínsecos: podem ser de duas ordens: objetivos e subjetivos.
• Positivos: interesse de agir, que se manifesta pela utilidade e necessidade da
tutela e Possibilidade jurídica do pedido
• Negativos: circunstâncias que não podem estar presentes para que o processo
tenha validade. São elas:
• Inexistência de Litispendência: existência de duas ações válidas idênticas em
andamento simultâneo, mas uma delas será extinta,
• Inexistência de Coisa julgada: se já foi decidido, não pode ajuizar novamente
• Inexistência de Perempção: extinção do processo por que perdeu o prazo
• Convenção de arbitragem: processo será extinto
• Legitimidade ad causam
A legitimidade ad causam é, basicamente, a ideia de que somente pode participar do
processo — como autor ou réu — quem tem relação direta com o direito discutido. Em
outras palavras, é a pertinência subjetiva da demanda: a pessoa que aparece como parte
deve ser aquela que tem, de verdade, algo a ganhar ou perder com o que está sendo
decidido.
A legitimidade é uma qualidade que permite a alguém, em nome próprio, formular uma
pretensão em juízo, e ela pode surgir de duas formas: ou porque a pessoa é titular do
direito material discutido, ou porque existe uma autorização constitucional ou legal que
permita que ela aja no processo.
A regra geral é a chamada legitimação ordinária, segundo a qual só tem legitimidade ativa
ou passiva quem é realmente titular do direito material em disputa. Assim, a ação de
rescisão de contrato deve ser movida entre os próprios contratantes; a ação de despejo
deve ser movida pelo locador contra o locatário, e assim por diante. No entanto, existem
exceções criadas pelo próprio ordenamento jurídico, permitindo que um não titular do
direito material vá a juízo defender um direito que pertence a outra pessoa. Nessas
situações existe a legitimação extraordinária, também chamada de substituição
processual.
Na legitimação extraordinária, o legitimado atua em nome próprio, mas defende um
direito que não é dele. Ele é parte no processo, mas não é o titular do direito material que
está sendo discutido. O exemplo clássico é o Ministério Público, que pode ajuizar ação
para defender interesses de incapazes, mesmo que esses interesses sejam individuais. A
distinção entre a legitimação ordinária e extraordinária vem expressamente do art. 18 do
CPC, que afirma que ninguém pode pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando
a lei autoriza — exatamente o que acontece nas ações coletivas movidas pelo Ministério
Público.
A legitimação extraordinária pode aparecer em duas formas: autônoma ou subordinada.
• A extraordinária autônoma ocorre quando a lei concede legitimidade apenas ao
substituto processual, sem exigir que o titular do direito material participe do
processo. Um exemplo claro é o das administradoras de consórcio, que podem
entrar com ações para defender interesses do grupo consorciado sem que os
consorciados precisem figurar no processo.
• A legitimação extraordinária pode aparecer em duas formas: autônoma ou
subordinada. A extraordinária autônoma ocorre quando a lei concede
legitimidade apenas ao substituto processual, sem exigir que o titular do direito
material participe do processo. Um exemplo claro é o das administradoras de
consórcio, que podem entrar com ações para defender interesses do grupo
consorciado sem que os consorciados precisem figurar no processo.
Além disso, a legitimidade pode ser exclusiva ou concorrente.
• Na legitimidade exclusiva, apenas uma pessoa está autorizada a agir — seja ela
legitimada ordinária ou extraordinária.
• Já na legitimidade concorrente, a lei permite que mais de uma pessoa possa ajuizar
a ação. Dentro dessa categoria, podem existir duas formas:
1. a concorrente conjuntiva, em que todos os legitimados precisam atuar juntos,
como ocorre no litisconsórcio necessário entre cônjuges em ações sobre direitos
imobiliários (art. 73 do CPC)
2. e a concorrente disjuntiva, em que qualquer um dos legitimados pode agir
sozinho. Um exemplo dessa última é o caso de proprietários em condomínio:
qualquer condômino pode, sozinho, ingressar com ação de manutenção ou
reintegração de posse, sem necessidade de litisconsórcio obrigatório com os
demais.
• Interesse de agir
O interesse de agir (ou interesse processual) é um pressuposto processual de validade
extrínseco positivo. Se revela por meio de um binômio: interesse-utilidade e interesse-
necessidade.
• Interesse-utilidade: o processo deve ter aptidão para proporcionar à parte algum
proveito jurídico.
• Interesse-necessidade: haverá necessidade sempre que o bem da vida pretendido
pelo autor não puder ser obtido de outra forma que não mediante o processo.
Registra-se, por oportuno, que a possibilidade de solução do conflito por meios
alternativos (equivalentes jurisdicionais), por si só, não retira o interesse de agir no
que tange ao aspecto da necessidade. Isso porque, como regra, ninguém pode ser
obrigado a buscar uma determinada forma de solução de conflito. É possível,
contudo, que a lei exija, para a obtenção do bem da vida, o prévio requerimento
administrativo. Nesse caso, a ausência do prévio requerimento conduz ao
reconhecimento da ausência de interesse de agir.
• Legitimidade e interesse: condições da ação?
Nos termos do art. 17 do CPC: “para postular em juízo é necessário ter interesse e
legitimidade”. O novo código não fala mais em “condições da ação”. Também não faz
referência à “carência de ação”, o que levou parte da doutrina a defender que a
legitimidade e o interesse de agir migraram das condições da ação para os pressupostos
processuais. Contudo, vem prevalecendo que as condições da ação não foram
abandonadas pelo novo código. A questão é meramente teórica.
• Teoria da asserção
A teoria da asserção serve para facilitar a vida do juiz e evitar que um processo caminhe
por muito tempo apenas para, ao final, descobrir que o autor nem sequer tinha
legitimidade ou interesse de agir. Para isso, ela determina que, no início do processo, o
juiz deve analisar a legitimidade e o interesse somente com base no que o autor afirma
na petição inicial, tomando essas afirmações como se fossem verdadeiras, sem
precisar de provas naquele momento.
Por outro lado, pode acontecer de, na petição inicial, tudo aparentar estar correto, mas,
somente depois da produção de provas, descobre-se que o autor nunca teve legitimidade
ou interesse de agir desde o começo. Nesse caso, como a marcha processual toda já
ocorreu, não faz mais sentido extinguir o processo sem resolver o mérito. Por isso, o CPC
manda que o juiz julgue o pedido improcedente, com base no art. 487, I. Assim evita-se
desperdício de tempo e recursos, garantindo segurança jurídica.
Em resumo, a teoria da asserção afirma que a verificação da legitimidade e do interesse
de agir é feita de forma abstrata, olhando apenas as alegações iniciais. Se a falta desses
requisitos já puder ser percebida logo de início, extingue-se o processo sem julgamento
do mérito; se ela só aparece depois da instrução, o juiz resolve o mérito e julga o pedido
improcedente.
• Classificação das Sentenças
No processo civil, a sentença é o ato pelo qual o juiz põe fim à fase cognitiva do
procedimento comum, com ou sem resolução do mérito, nos termos do art. 203, §1º, do
CPC. A classificação das sentenças é relevante porque define seus efeitos, cabimento de
recursos e as consequências para o processo.
• A sentença sem resolução do mérito ocorre quando há algum obstáculo
processual que impede o juiz de analisar o pedido do autor. Aqui estão incluídas
as hipóteses do art. 485 do CPC, como ilegitimidade, ausência de interesse de
agir, perempção, litispendência, coisa julgada, nulidade, etc. Essas hipóteses
demonstram a ligação direta com os pressupostos processuais: se eles não
existirem, o processo não pode seguir, e isso impede o exame do mérito. A
sentença aqui apenas extingue o processo, não decide se o autor tem ou não
razão material.
• Já a sentença com resolução do mérito, prevista no art. 487 do CPC, enfrenta o
pedido do autor e julga procedente ou improcedente. É aqui que se decide
efetivamente o conflito. Pela teoria da asserção, mesmo que se descubra, ao final,
que o autor não tinha interesse de agir ou legitimidade, isso será julgado como
improcedência de mérito, porque depois da instrução já não faz sentido extinguir
sem mérito.
• Classificação das sentenças
A primeira grande divisão é entre sentença com resolução do mérito e sentença sem
resolução do mérito. A forma da sentença influencia também a responsabilização pelas
despesas e honorários, pois a sucumbência só se aplica plenamente quando há
julgamento do mérito.
• A sentença sem apreciação de mérito decorre justamente da ausência de
pressupostos processuais ou de obstáculos jurídicos, produzindo apenas coisa
julgada formal e permitindo o ajuizamento de nova ação quando o vício for
sanado.
• Já a sentença com resolução de mérito decide o pedido formulado, julgando-o
procedente, improcedente ou reconhecendo prescrição, decadência, existência
de acordo etc., formando coisa julgada material e impedindo nova discussão
sobre o mesmo objeto.
Além disso, doutrinariamente, as sentenças podem ser classificadas conforme seus
efeitos
• Sentença declaratória: tem como finalidade apenas afirmar a existência,
inexistência ou modo de ser de uma relação jurídica. Ela não cria, modifica ou
extingue direitos; apenas reconhece juridicamente algo que já existia no plano
fático. Seu objetivo é eliminar incertezas. Por exemplo, reconhecer a inexistência
de uma dívida, ou declarar a existência de um vínculo contratual. O efeito prático
é estabilizar uma situação que já estava posta, fornecendo segurança jurídica às
partes.
• Sentença constitutiva: ela cria, modifica ou extingue uma relação jurídica. Aqui, o
juiz atua como verdadeiro agente de transformação jurídica. Essa sentença altera
o estado jurídico das partes, produzindo efeitos ex nunc (a partir de sua prolação),
salvo exceções legais. Um exemplo clássico é a dissolução do casamento, que só
ocorre juridicamente com a decisão judicial, ou a anulação de um contrato.
Portanto, seu efeito é criador, modificador ou extintivo de direitos.
• Sentença condenatória: impõe ao réu uma obrigação — de pagar, fazer ou não
fazer algo — e permite ao autor exigir o cumprimento dessa obrigação, geralmente
mediante execução forçada. É o tipo de sentença mais comum em demandas
patrimoniais. Quando o juiz condena alguém ao pagamento de indenização, por
exemplo, nasce para o autor um título executivo judicial que pode ser utilizado na
fase de cumprimento de sentença caso o devedor não cumpra voluntariamente.
Seu foco, portanto, é gerar um dever jurídico executável.
• Sentença mandamental: tem natureza eminentemente coercitiva. Aqui, o juiz
emite uma ordem direta para que o réu pratique ou se abstenha de praticar
determinado ato, sendo acompanhada de mecanismos de coerção, como multa
(astreintes). Ela não depende de uma fase posterior de execução nos moldes
tradicionais, porque o próprio comando judicial já contém força suficiente para
compelir a sua realização. Exemplo típico é o mandado de segurança, em que o
juiz ordena que uma autoridade pratique ou deixe de praticar determinado ato.
• Sentença executiva lato sensu: é aquela que, apesar de ser uma sentença, já
produz efeitos executivos imediatos, dispensando a fase de execução
propriamente dita. Diferencia-se da mandamental porque nela o juiz não emite
apenas uma ordem, mas realiza diretamente a satisfação do direito, como ocorre
na imissão de posse ou no despejo. Nesses casos, o próprio provimento
jurisdicional viabiliza a realização material do direito reconhecido, permitindo, por
exemplo, a retirada do ocupante de um imóvel pela força pública, sem
necessidade de um processo executivo autônomo.
• Despesas Processuais e Honorários
Estabelece que cada parte deve adiantar as despesas decorrentes dos atos que requerer
ou praticar no processo. Ao final, o vencido deverá reembolsar esses valores à parte
vencedora, aplicando-se o princípio da sucumbência. Entretanto, a responsabilidade final
pelas despesas ainda pode depender do princípio da causalidade, especialmente quando
não há julgamento do mérito ou quando a conduta de uma das partes provocou a
instauração ou o prolongamento da demanda. Assim, a distribuição das despesas não é
apenas mecânica: depende da análise da sentença e das circunstâncias processuais.
• Adiantamento de custas: Durante o curso da demanda, as custas relativas a atos
como distribuição, perícia, diligência de oficial de justiça e expedição de
documentos devem ser antecipadas pela parte que solicita o ato. Esse
adiantamento não define quem irá pagar em definitivo. A responsabilidade final é
fixada na sentença, com base na sucumbência e na causalidade. Portanto,
antecipar as custas significa apenas viabilizar o andamento processual, e não
assumir o ônus final.
• Ações coletivas – CDC, art. 87: estabelece que os legitimados ativos de ações
coletivas não precisam pagar custas nem despesas processuais, nem mesmo
adiantá-las. Essas despesas só serão exigidas em caso de comprovada má-fé.
Essa regra tem a finalidade de permitir que interesses difusos e coletivos sejam
tutelados sem que questões financeiras impeçam o acesso à justiça coletiva.
Assim, o sistema afasta a lógica tradicional das custas para proteger o interesse
social.
• Legitimados extraordinários – Lei 7.347/85, art. 18: A Lei da Ação Civil Pública
reforça a mesma lógica do CDC. O art. 18 determina que o autor dessas ações
(como Ministério Público, Defensoria Pública, associações e entes públicos) não
paga custas, despesas ou honorários, salvo se agir com má-fé. Trata-se de uma
norma protetiva, voltada a tornar viável a tutela de direitos coletivos, evitando que
custos elevados inviabilizem demandas de alto interesse social.
• Despesas processuais antecipadas e pagamento pela parte vencida: Nos termos
do art. 82, §2º, do CPC, qualquer despesa antecipada por uma parte deve ser
reembolsada ao final pelo vencido. Assim, quando uma parte adianta valores para
uma prova técnica ou diligência, e a decisão final lhe é favorável, ela tem direito ao
ressarcimento. Esse mecanismo reforça a lógica de que o processo não deve gerar
prejuízo para a parte que estava juridicamente correta.
• Honorários advocatícios – espécies e natureza: Os honorários podem ser
contratuais, arbitrados ou de sucumbência. Os contratuais decorrem de acordo
entre cliente e advogado; os arbitrados são fixados pelo juiz em caso de
nomeação; e os de sucumbência são impostos ao perdedor em favor do advogado
do vencedor, nos termos do art. 85 do CPC. Os honorários de sucumbência
possuem natureza alimentar, equiparada ao salário, segundo o art. 85, §14. Isso
lhes confere proteção jurídica reforçada e prioridade em execuções. Além disso, o
Estatuto da OAB concede ao advogado legitimidade para executar esses
honorários em nome próprio, já que o crédito lhe pertence.
• Advogados públicos e a sucumbência: advogados públicos passaram a ter direito
a honorários de sucumbência, distribuídos conforme normas internas das
carreiras. Assim, procuradores federais, estaduais, municipais e da Fazenda
Nacional também participam da verba honorária gerada pelo êxito da entidade
pública que representam. A jurisprudência do STF consolidou esse entendimento,
assegurando o direito, desde que respeitados os limites legais e administrativos.
• Percentuais dos honorários – art. 85, §2º, CPC: estabelece que os honorários
devem ser fixados entre 10% e 20% sobre o valor da condenação, do proveito
econômico obtido ou do valor atualizado da causa. O juiz deve observar o grau de
zelo do profissional, o lugar da prestação do serviço, a natureza e importância da
causa e o trabalho realizado. Esses percentuais representam a regra básica da
sucumbência e se aplicam à maioria dos casos.
• Fazenda Pública e fixação equitativa: Quando a Fazenda Pública é parte, o art. 85,
§3º, introduz percentuais progressivos menores. Em situações excepcionais,
como causas de valor irrisório, inestimável ou extremamente elevado, o juiz pode
aplicar o critério da equidade, nos termos do §8º, fixando honorários abaixo de
10%. Esse regime especial protege o erário e impede que valores
desproporcionais sejam pagos em demandas envolvendo entes públicos.
• Litisconsórcio e responsabilidade proporcional: O art. 87 disciplina que, havendo
litisconsórcio, as despesas e honorários devem ser proporcionalmente
distribuídos conforme o grau de sucumbência de cada litisconsorte. Assim, se
dois réus têm destinos diferentes dentro da sentença, cada um responde apenas
pela parcela correspondente à sua derrota, evitando condenações excessivas ou
injustas.