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SILVA, Ezequiel Theodoro . Criticidade e Leitura. Coleção leitura e Formação. São Paulo: Global,2009.

[...] que a leitura é uma prática social...(p.23)

[...] é praticamente impossível discutir as vivências ou carências da leitura de um indivíduo sem situá-lo dentro da
contradições presentes na sociedade onde ele vive.(p.24)

[...] a criticidade , como um emblema da cidadania e um valor atitudinal, é trabalhada ideologicamente por aqueles
que detêm o poder econômico e político. Isso porque a conservação e a reprodução dos esquemas de privilégio
dependem, fundamentalmente, da ignorância e do conformismo,aqui tomados como formas de escravidão da
consciência.(p.24)

Não é de se estranhar, portanto, que características como a docilidade, a ingenuidade e a cordialidade sejam
consideradas grandes virtudes do homem brasileiro.”(p.25)

[...] considerando a infraestrutura pedagógica da grande maioria das escolas brasileiras, essas linguagens são
coadjuvantes à escrita e muito dificilmente colocam em risco a sua hegemonia nos contextos formais de
escolarização.(p.25

A perspectiva que prevalece no imaginário social é a de que os escritos oferecidos na instituição escola são sempre
objetivos e não passíveis de questionamento e dúvida.(p.25)

[...] os livros didáticos contêm múltiplos tipos de inconsistências e, portanto, não são tão confiáveis assim.(p.25)

Caso queiramos que os alunos[...] se transformem em cidadãos críticos, capazes de avaliar criticamente as ideias de
um número cada vez maior de materiais para leitura, precisamos ensiná-los a ler criticamente.(p.27)

[...] escolas brasileiras[...] são raras aquelas que organizam e implementam ações direcionadas ao aguçamento da
criticidade dos estudantes.(p.27)

cidadania e criticidade são indicotomizáveis...(p.28)

“[...] o conhecimento crítico volta-se ao desocultamento das condiçoes de opressão e dominação social.”(p.28)

[...] pela leitura crítica, o sujeito abala o mundo das certezas(principalmente as da classe dominante...(p.28)

Em sociedade, são múltiplos e diversificados os usos da leitura. Lê-se para conhecer. Lê-se para ficar informado.Lê-se
para aprimorar a sensibilidade estética.Lê-se para fantasiar e imaginar.Lê-se para resolver problemas. E Lê-se
também para criticar e , dessa forma, desenvolver um posicionamento diante dos fatos e das ideias que circulam por
meio dos textos.(P.28)

As competências de leitura crítica não aparecem automaticamente: precisam ser ensinadas, incentivadas e
dinamizadas pelas escolas para que os estudantes,desde as séries iniciais, desenvolvam atitudes de questionamento
perante os materiais escritos.(p.28/29)

O leitor critico [...] está consciente dos conceitos que são estrelas e constelações a guiar a sua vida, dos conceitos
que são satélites dependentes, dos conceitos que são apenas meteoros de breve intensidade.(Quaintance apud Silva
P.29)

Além da sensibilidade e da capacidade de julgamento, o leitor crítico não se descuida de, em frente aos textos, refletir
e transformar as ideias por ele produzidas.(p.30)

Ambientes permeados pelo autoritarismo institucional, verticalidade comunicacional e/ou censura comportamental
não promovem jamais o desenvolvimento das competências críticas dos leitores.(p.31)

Ler um texto criticamente é raciocinar sobre os referenciais da realidade desse texto, examinando cuidadosamente e
criteriosamente os seus fundamentos.(p.33)

[...] ler criticamente significa questionar as evidências a fim de rechaçar a lógica da dubiedade que prepondera em
sociedade, agindo para enxergar, com lucidez, os dois lados de uma moeda, as diversas dimensões de um problema,
as múltiplas camadas de significação de um texto.(p.34)

[...] três posturas distintas para o leitor na sua interação com os textos: ler as linhas, ler nas entrelinhas e o ler para
além das linhas.(p.42

[...] armadilhas[...] 1)descuido para com os possíveis erros na linha de raciocínio indutivo e dedutivo;2)falha no
exame de alternativas;3)falha na detecção de falsas analogias;4)falha na contestação de generalizações
apressadas;5)falha na identificação de vícios de raciocínio(simplista); 6) não estabelecer a diferença entre as
observações concretas e inferências do autor;7)não perceber distorções ou supressões da verdade;8)permitir que as
emoções anestesiem as capacidades críticas durante a leitura.(p.44/35)

[...] o leitor crítico pratica diante dos textos a vigilância e a astúcia, tendo como norte crítico a própria segurança em
sociedade.(p.36)

[...] o mundo da criticidade também apresenta os seus limites- ultrapassá-los pode significar o afundamento da
consciência na inflexibilidade comportamental ou no sectarismo atitudinal, tornando a vida insuportável.(p.36)

As pesquisas[...] afirmam ser possível o ensino da leitura critica nas escolas, um currículo espiralado e progressivo
que vá desde as séries iniciais, desenvolvendo as competências da leitura crítica para efeito de organização do
ensino, construindo situações em que essas competências possam ser praticadas em projetos de comunicação
efetiva, com textos verdadeiramente encontrados na vida em sociedade.(p.37)

[...] livro didático[...] convence sem falar e escraviza pela rápida conversão de mentalidade.(39)

[...] perdendo o seu caráter de meio para se transformar num fim em si mesmo nos ambientes formais de ensino-
aprendizagem.(p.40)

O malefício maior da pedagogia tecnicista, que pode ser inserida no quadro das pedagogias conservadoras em termos
de visão de mundo, foi o de sedimentar no imaginário do professorado brasileiro a crença de que a solução para os
problemas da nossa escola residia nos métodos, nas técnicas e nos manuais de ensino.p.40/41)

[...] responsabilidades dos professores e estudantes, seleção e adequação de conteúdos, orientando a construção de
um novo compromisso político do professorado e estimulando a necessidade de revigoramento da sua competência
técnica.(p.43)

Outra opção[...] está relacionada à sensibilidade da retina dos professores para olhar ativamente(com empatia) as
necessidades reais e concretas das suas classes, dos seus grupos de estudantes.(p.43)

[...] sem conhecer os interesses, as aspirações, as dificuldades,os problemas e o potencial de um grupo de alunos, o
professor dificilmente saberá como organizar as suas práticas de ensino, ao selecionar conteúdos e atividades que
venham a fazer a necessária ligação entre o saber elaborado e a realidade vivida por seus grupos de alunos.(p.43)

[...] o apego aos livros didáticos nasce e se desenvolve em decorrência do desenvolvimento da matéria a ensinar.
(p.44)

[...] livros didáticos[...] transformam-se em fontes exclusivas do conhecimento e, por isso mesmo, são repetidas ou
parafraseadas pelo professor no momento do ensino propriamente [Link] desse processo não só um
enrijecimento intelectual no nível da consulta, como também fica decretada a morte da pesquisa docente e da
atualização pedagógica.(p.44)

[...] ensino em nossas escolas é livresco mas sem livros.”(p.45)

Mais do que esperar infinitamente por ações governamentais, é importante que o coletivo escolar com a comunidade
de pais conquistem e instalem, no prédio da escola, um serviço organizado que sirva de apoio ao enriquecimento das
atividades de ensino-aprendizagem, chame-o de biblioteca, sala de leitura etc.(p.45)

[ ...]força do livro didático advém da fraqueza ou da debilidade cognitiva do professor.(p.46)

Quem realmente direciona e determina o ensino é o professor(p.46)

A qualidade do ensino, pois, depende muito mais da força profissional e pedagógica dos professores do que da força
dos livros didáticos.(p.46)

[...] professores brasileiros[...] Coxos por formação e/ou mutilados pelo ingrato dia-a-dia do magistério, resta a esses
professores engolir e reproduzir a ideia de que sem a adoção do livro didático não há como orientar a aprendizagem.
Muletadas e muleteiros misturam-se no processo...(p.51)

O vigor do livro didático advém da anemia cognitiva do professor(p.53)

[...] rotinas altamente prejudiciais[...] a reprodução da dependência ao recorte arbitrário dos conteúdos contidos nos
livros: a socialização de um tipo de aula em que o professor, por não ter voz nem vez, é mero repassador e/ou
cobrador de lições; a perenização da carências de infraestrutura pedagógica( bibliotecas, salas-ambiente,bancos de
textos e informações,laboratório etc.(53)
[...] essa forma( o livro didático) é muito ruim em suas características de produção. É quadrada; seu feitio estrutural
obedece ao mesmo padrão(p.53)

Apesar dos pesares e das alfinetadas no boneco, esse instrumento ainda reina absoluto no campo educacional, em
regime de palhaçada reiterada de um ano para ano(até com o eterno atraso em sua distribuição nas escolas.(p.55)

[ ...] o Brasil pede, há muito tempo, uma escola hodierna, que forme trabalhadores para os desafios da modernidade,
que atenda aos quesitos da empregabilidade e da globalização.

É hora de jogar a muleta fora! É hora de caminhar sobre as próprias pernas, com autonomia e decisão!(p.56)

É hora de jogar a muleta fora! É hora de caminhar sobre as próprias pernas, com autonomia e decisão! [...] defendi a
inserção na escola das novas tecnologias de comunicação como alternativas a esses livros.(p.56)

[...] se a relação do professor com o texto não tiver um significado, se ele não for bom leitor, são grandes as chances
de que ele seja um mau professor.É , à semelhança do que ocorre com ele , são igualmente grandes os riscos de que
o texto não apresenta significado nenhum para os alunos.(LAJOLO APUD SILVA –p.58)

Perante as lacunas teóricas , os procedimentos alternativos mais comuns para o professor são: a total dependência
dos livros didáticos e suas famigeradas lições ou então a imitação ingênua dos seus antigos professores de outrora.
(p.59)

A ideologia da missão, a ideologia do dom e do sacrifício, a ideologia da tia que expressa só amor e carinho etc.
circulam fortemente nos territórios do magistério, desviando os professores os professores das discussões de cunho
político-econômico, além daquelas relacionadas a infraestrutura material para produção sobre a ideologia da pressa,
que surge do ritmo acelerado da sociedade contemporânea e que também está imbricada na questão das múltiplas
funções exercidas pela mulher professora.(p.60)

[...] esse quadro social chega até a bloquear a expressão daquelas características mais singulares , que demarcam a
identidade do povo brasileiro: a descontração, a alegria e a criatividade.( p.61)

[...] a maturidade de um leitor decore da sua convivência com diferentes assuntos, autores e artefatos da linguagem”(
p.64)

[...] é o comportamento do professor em face da prática pedagógica que faz a diferença” (CHARMEAUX ,apud SILVA –
p.65)

o professor que gosta de ler é mais envolvido com seu trabalho, realizando-o de maneira prazerosa( p.67)

[...] sou pelo expurgo de todos aqueles que se esquecem das suas responsabilidades sociais e do interesse público,
sejam professores, sejam quaisquer outros profissionais.”( p.68)

[...] a alfabetização também vira pura conversa mole em decorrência de quatro condicionantes fundamentais: (1) a
industria editorial[...] (2) os modismos pedagógicos[...] (3) novas linguagens e tecnologias,[...] (4) as condições de
trabalho do professor.(69/70)

Nunca é demais lembrar que o professor-alfabetizador não apenas introduz formalmente a criança no mundo da
escrita, como também proporciona toda uma atmosfera de segurança a criança que chega ao ensino fundamental (p.
70).

Acho que a alfabetização é uma maravilha de saber desenjaular os pensamentos presos nas armadilhas da escrita....
(p.77)

Quanto à promoção da leitura nas escolas, creio que o maior desafio dos professores resida na reaproximação do
cognitivo com o [Link] dizer: ensinar a ler e, ao mesmo tempo, ensinar a gostar de ler.(p.102)

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