Material Módulo 2
Material Módulo 2
JUNHO/2022
Módulo 02
Raciocínio e manejo clínico para pacientes suicidas pelo viés da TCC
Aula 1
● Base teórica para pacientes suicidas
● Base teórica da TCC para pacientes suicidas
● Fase inicial do tratamento
● Conceituação Cognitiva
Aula 1 - Base teórica para pacientes suicidas
INTRODUÇÃO
Edwin Shneidman
Edwin Shneidman é considerado o pai da suicidologia.
Baseando-se tanto em um referencial psicodinâmico quanto cognitivo, apresentou o neologismo psychache para
denominar o estado psíquico de alguém prestes a se matar.
Trata-se de uma dor intolerável, vivenciada como uma turbulência emocional interminável, uma sensação
angustiante de estar preso em si mesmo, sem encontrar a saída.
A psychache decorre do desespero de não ter as necessidades psicológicas básicas atendidas, como as
necessidades de realização, de autonomia, de reconhecimento, de amparo e evitação de humilhação, de
vergonha e de dor.
Pesquisa realizada pelo autor apresentou a opinião de psicoterapeutas cujos pacientes cometeram suicídio,
desespero foi o principal estado afetivo capaz de diferenciar as pessoas que se matam.
Além do desespero, costuma haver outros afetos intensos e a percepção de que a vida entrou em colapso, de
que a pessoa está sendo deixada de lado.
INTRODUÇÃO
Edwin Shneidman
Na crise suicida, o estado de construção cognitivo não permite opções de ação para enfrentar os problemas.
Ainda sobre o autor, a opinião de psicoterapeutas cujos pacientes cometeram suicídio, desespero foi o principal
estado afetivo capaz de diferenciar as pessoas que se matam.
Junto com o desespero, costuma haver outros afetos intensos e a percepção de que a vida entrou em colapso,
de que a pessoa está sendo deixada de lado.
Edwin Shneidman
Se, de início, a ideia de se matar parece alheia e perigosa, causando ansiedade, aos poucos ela pode adquirir
estrutura autônoma e tranquilizadora (alívio de tensão) e passa a ser tolerada e bem-vinda (egossintônica).
A situação se agrava significativamente quando a pessoa tem pouca flexibilidade para enfrentar adversidades e
propensão à impulsividade.
INTRODUÇÃO
Psychache
● A questão central do suicídio não é sobre morte ou sobre matar.
● É a necessidade consciente a fim de evitar uma dor psíquica insuportável.
● Se um indivíduo atormentado pudesse, de alguma maneira, interromper a consciência e continuar vivo, por
que ele não optaria por essa solução?
● Em suicídio, a palavra-chave não é morte, mas psychache (dor psíquica).
INTRODUÇÃO
Pensamento dicotômico
● Com frequência, observa-se um pensamento chamado dicotômico: ou se alcança uma solução rápida
(geralmente mágica) para um problema, ou se pensa em interromper a dor psíquica, deixando de viver.
● O leque de opções se transforma em duas opções radicais.
INTRODUÇÃO
Dimensão sociocultural
● Os suicídios são atos individuais, pessoais, ainda que reflitam graus de pressões sociais.
● Também são sociais na medida em que as pessoas aprendem, na vida sociocultural, esse comportamento.
INTRODUÇÃO
Diante disso, o autor elaborou o que chamou de as dez generalidades (commonalities) psicológicas mais salientes
do ato suicida:
Visão Empírica
É culminado por uma série de fatores que se acumulam na história do indivíduo, não podendo ser considerado de
forma causal e simplista apenas a determinados acontecimentos pontuais da vida do sujeito.
Visão Empírica
Todos os anos são registrados cerca de dez mil suicídios no Brasil e mais de um milhão em todo o mundo.
Em 2012, cerca de 804 mil pessoas morreram por suicídio em todo o mundo, o que corresponde a taxas ajustadas
para idade de 11,4 por 100 mil habitantes por ano sendo15,0 para homens e 8,0 para mulheres (OMS, 2014).
O número de vidas perdidas desta forma, a cada ano, ultrapassa o número de mortes decorrentes de homicídio e
guerra combinados.
Cada suicídio gera impacto na vida de pelo menos outras seis pessoas.
Entre 2000 e 2012, houve um aumento de 10,4% na quantidade de mortes, sendo observado um aumento de mais
de 30% em jovens.
INTRODUÇÃO
Terminologias
Suicídio
● Morte causada por comportamento danoso autoinfligido com qualquer intenção de morrer como resultado
desse comportamento.
Tentativa de suicídio
● Comportamento não fatal, autoinfligido, potencialmente danoso, com qualquer intenção de morrer como
resultado. Uma tentativa de suicídio pode resultar ou não em um ferimento.
Ideação suicida
● Qualquer pensamentos, imagens, crenças, vozes ou outras cognições relatadas pelo indivíduo sobre
terminar intencionalmente com sua própria vida.
AVALIAÇÃO DO RISCO DE SUICÍDIO
Entrevista Clínica
O primeiro passo é a identificação dos indivíduos de risco por meio da avaliação clínica periódica, considerando
que o risco pode mudar rapidamente.
Ninguém é realmente capaz de prever com exatidão qual paciente irá se suicidar; apenas o risco pode ser
estimado.
A avaliação para o risco de suicídio inclui uma entrevista clínica e, frequentemente, a coleta de dados junto a
terceiros.
A avaliação, consiste na análise entre fatores de risco e fatores de prevenção. Sendo que os fatores de
prevenção não são suficientes, diante das pesquisas, para minimizar uma avaliação consiste sobre os
fatores de risco.
AVALIAÇÃO - FATORES DE RISCO
2. Transtorno mental:
● Sabemos que quase todos os suicidas tinham um transtorno mental, muitas vezes não diagnosticado, frequentemente
não tratada ou não tratada de forma adequada.
Pacientes com múltiplas comorbidades psiquiátricas têm um risco aumentado, ou seja, quanto mais diagnósticos, maior o
risco.
Comorbidades relacionadas ao transtorno de personalidade.
AVALIAÇÃO - FATORES DE RISCO
Fatores psicológicos
● Perdas recentes
● Pouca resiliência;
● Comportamento impulsivo, agressivo
● Humor instável
● Ter sofrido abuso físico ou sexual na infância;
● Desesperança, desespero e desamparo.
● Sentimentos de desesperança, desamparo e desespero são fortemente associados ao suicídio. É
preciso estar atento, pois a desesperança pode persistir mesmo após a remissão de outros sintomas
depressivos.
● Impulsividade, principalmente entre jovens e adolescentes.
● A combinação de impulsividade, desesperança e abuso de substâncias pode ser particularmente letal.
AVALIAÇÃO - FATORES DE RISCO
● Gênero
○ Masculino
○ Feminimo
● Idade
○ Entre 15 e 30 anos
○ Acima de 65 anos
Definição antiga:
Source: A. T. Beck (1993) , apresentou um modelo focado de psicoterapia, com base em sua premissa que estipula
que uma característica central dos problemas de saúde mental é o pensamento desadaptativo ou disfuncional.
Afirmando que modificar o pensamento desadaptativo ou disfuncional está associado à melhoria dos sintomas, e a
modificação das crenças subjacentes ao pensamento desadaptativo leva a uma melhoria mais duradoura.
Definição atual:
Source: Wenzel (2017), inova apresentando um modelo baseado em um conjunto de tratamento estratégico e
personalizado que emerge da conceituação de caso e incorpora estratégias cognitivas, comportamentais e
baseadas em aceitação, equilibradas com a motivação e a manutenção do relacionamento terapêutico.
AVALIAÇÃO - FATORES DE RISCO
Terapia Cognitivo-Comportamental
● Variáveis demográficas
○ Idade
○ Gênero
○ Condições socioeconômicas
○ Orientação sexual
○ Raça e etnia
Coleta de dados
Informações do paciente
● Variáveis diagnósticas
○ Doenças crônicas
○ Transtorno mental
Terapia Cognitivo-Comportamental
● Variáveis psicológicas
○ Desesperança
○ Cognições relacionadas ao suicídio
○ Impulsividade aumentada
○ Déficits na resolução de problemas
○ Perfeccionismo Observação do clínico
○ Engajamento em atividades arriscadas Sinais
○ Crescente uso de álcool e drogas
○ Afastamento social
○ Alteração de humor
○ Alteração no sono
AVALIAÇÃO - FATORES DE RISCO
Terapia Cognitivo-Comportamental
Terapia Cognitivo-Comportamental
● São menos estudados e geralmente são dados não muito consistentes, incluindo:
○ Autoestima elevada
○ bom suporte familiar
○ Laços sociais bem estabelecidos com família e amigos
○ Espiritualidade, independente da escolha religiosa
○ Razão para viver
○ Ausência de doença mental
○ Estar empregado
○ Ter crianças em casa
○ Senso de responsabilidade com a família
○ Capacidade de adaptação positiva
○ Capacidade de resolução de problemas
○ Relação terapêutica positiva
○ Acesso a serviços e cuidados de saúde mental
AVALIAÇÃO
Quão desconfortável você ficaria em trabalhar com um paciente suicida (ou que se autolesiona)?
A natureza do quadro clínico levaria você a fazer algo diferente do que faria com a maioria dos outros pacientes?
Quais habilidades (teoria x técnicas) você domina para seguir com o caso?
Farmacoterapia
Tratamento na internação
Psicoterapia Psicodinâmica
Princípios Gerais
Sem raciocínio clínico bem embasado empiricamente, não se tem um manejo clínico
baseado em evidências, logo a eficácia do tratamento é comprometida.
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Modelo de Tratamento
● Semiestruturado, sensível ao tempo, ativo.
● O profissional e o paciente trabalham em colaboração.
● Os profissionais educam sobre o modelo de TCC.
● Tratamento conduzido pela formulação de casos.
● Concentre-se na reestruturação cognitiva e no desenvolvimento de habilidades usando o empirismo
colaborativo.
Estrutura de Sessão
● Breve verificação de humor
● Ponte com a sessão anterior
● Estabelecimento da Agenda
● Revisão da Tarefa de Casa
● Discussão dos itens da agenda
● Sínteses Periódicas
● Desenvolvimento da Tarefa de Casa
● Resumo final e feedback
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
● Desenvolver ferramentas cognitivas para identificar razões para viver e promover esperança;
• Farmacoterapia (geralmente)
• Contratos de não-suicídio
Aula 1 - FASE INICIAL
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Fase Inicial
Premissa
● Os pacientes suicidas carecem de habilidades cognitivas, comportamentais e efetivas para lidar com as
situações.
● Falham em usar as habilidades aprendidas durante as crises suicidas .
● Falham em fazer uso de recursos disponíveis durante a crise.
Fatores de
Vulnerabilidade
Estresse Estresse
ATO SUICIDA
Aula 1 - CONCEITUAÇÃO DE CASO
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Conceituação do Caso
● Solicita-se aos clientes que se lembrem com o máximo de detalhes possível dos eventos de ativação
e suas reações aos eventos.
● Início da história
○ ― Pode ocorrer a qualquer momento
○ ― Forte reação emocional a um evento específico
Aula 2
● Fase Intermediária
● Estratégias de Intervenção
Aula 2 - FASE INTERMEDIÁRIA
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Fase Intermediária
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Como ela se diferencia da TCC para Depressão
● O conteúdo é focado no suicídio.
● Estratégias são mais concretas e mais facilmente acessíveis durante uma crise.
● Em cada sessão:
- avalia-se o risco de suicídio;
- avalia-se o uso de substâncias;
- avalia-se a conformidade com outros tratamentos;
- revisa-se o plano de segurança.
Gerenciamento do caso
● Vá além e alcance os pacientes.
● Faça chamadas de advertência.
● Envie cartas.
● Ofereça uma agenda flexível.
● Esteja disponível para conduzir sessões por telefone.
● Ajude o paciente a superar barreiras ambientais.
● Use uma abordagem com equipe de tratamento.
Aula 2 - ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Estratégias de Intervenção
• Estratégias Comportamentais
- Ativação Comportamental
• Estratégias Cognitivas
- Reestruturação Cognitiva
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Diário de
Atividades
Alternativas
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Melhoria da Conformidade
Tranquilização Física
● Exercício, relaxamento muscular.
Tranquilização Cognitiva
● Distração.
- Razões porque…
Exemplo: Razões porque eu sou bem sucedido:
- Eu me formei na faculdade.
- Eu mantive empregos no passado.
- Estou melhorando meu relacionamento com minha mãe.
- Eu sobrevivi a muitas crises no passado.
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
● Reduzindo a impulsividade.
Exemplo:
VANTAGENS DESVANTAGENS
- Estimular o "surfe": o que você pode fazer para superar o comportamento suicida impulsivo?
- Plano de ação: elaboração colaborativa de um item concreto a ser realizado (se possível, começar durante a sessão).
Módulo 02
Raciocínio e manejo clínico para pacientes suicidas pelo viés da TCC
Aula 3
● Fase Final do Tratamento
● Estratégias de Intervenção
● Prevenção de Recaídas
● Sessões Finais
● Evidência de Eficácia e Efetividade
Aula 3 - FASE FINAL DO TRATAMENTO
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
● Tempo
- O cliente não informa mais o desejo de cometer suicídio.
- A gravidade dos sintomas agudos do cliente diminuiu.
- O cliente percebe que a maioria, senão todos, os problemas que desencadearam a recente crise suicida
foram abordados.
- O cliente demonstrou que adquiriu habilidades para lidar com problemas futuros.
● Passo 1: PREPARAÇÃO
- Forneça uma justificativa e uma descrição das etapas envolvidas no processo.
- Verifique se o cliente entende o protocolo.
- Descreva o potencial de reações emocionais negativas.
- Discuta estratégias para lidar com reações emocionais negativas.
- Obtenha o consentimento do paciente.
● Sessões Finais
- Antecipação de recaídas
- Fechamento
- Revisão do tratamento
- Consolidação de habilidades
- Referências apropriadas
- Fase de continuação do tratamento
- Sessões de reforço
Aula 3 - EVIDÊNCIA DE EFICÁCIA E EFETIVIDADE
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL- TCC
Recomendações
Referências Bibliográficas
● Botega, Neury José. Crise suicida : avaliação e manejo [recurso eletrônico] / Neury José Botega. – Porto
Alegre : Artmed, 2015. e-PUB.
● Wenzel A, Brown G, Beck AT. Terapia cognitiva-comportamental para pacientes suicidas. Porto Alegre:
Artmed; 2010.
● Shneidman ES. Comprehending suicide: landmarks in 20th-century suicidology. Washington: APA; 2001.
● Shneidman ES. Suicide as psychache: a clinical approach to self-destructive behavior. Northvale: Jason
Aronson; 1993.
● Shneidman ES. Some essentials of suicide and some implications for response. In: Roy A, editor. Suicide.
Baltimore: Williams and Wilkins; 1986. p. 1-16.
● Brasil. Ministério da Saúde. Portaria no. 1.271, de 24 de junho de 2014. Define a lista nacional de notificação
compulsória de doenças, agravos e eventos de saúde pública nos serviços de saúde públicos e privados em
todo o território nacional, nos termos do anexo, e dá outras providências. Diário Oficial da União; jun. 2014.
9(108): seção I, p. 67.
● Botega NJ, D’Oliveira CF, Cais CF, Stefanello S. Prevenção do suicídio: manual dirigido profissionais da
saúde da atenção básica recursos da comunidade. São Paulo: Unicamp, 2009.
● Corrêa H, Barrero SP. Suicídio: uma morte evitável. São Paulo: Atheneu, 2006.
● Meleiro A. 50 FAQ. 50 Frequently Asked Questions: suicídio, 1 ed. São Paulo: EPM, 2013.
● Meleiro A, Teng CT, Wang YP. Suicídio: estudos fundamentais. São Paulo: Segmento Farma, 2004.
● Neves MCL, Meleiro A., Souza FGM, Silva AG, Corrêa, H. Suicídio: fatores de risco e avaliação, 51(1):
66-73. Brasília: Med 2014.